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Voto nº 11.569 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.07.016452-2
Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 12 da Lei nº 1060/50.

— Pedra angular do edifício probatório, a palavra da vítima,


nos crimes violentos contra o patrimônio, é fonte valiosíssima
de convicção e, se em harmonia com os mais elementos dos
autos, pode justificar a condenação do réu (art. 157 do Cód.
Penal).
—“Se o sujeito comete uma infração penal sob efeito de embriaguez, voluntária
ou culposa, não há exclusão da imputabilidade e, por consequência, não fica
excluída a culpabilidade. Ele responde pelo crime” (Damásio E. de Jesus,
Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 134).
— No caso de não poder o réu ocorrer ao pagamento da taxa judiciária, é ao
Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais que deverá pleitear a
respectiva isenção ou parcelamento.

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Voto nº 11.570 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.08.033004-2
Art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal;
art. 386, nº III do Cód. Proc. Penal;
art. 5º da Lei de Introdução ao Cód. Civil.

— Achado na posse de coisa alheia, sem que o saiba justificar, dá a conhecer o réu
que a houvera por meio criminoso, pois o detentor legítimo nenhuma dificuldade
encontra para explicar a origem de tudo que lhe vem às mãos.
— Nisto de crimes contra o patrimônio, não contraria o Direito
Penal — a quem só importam as infrações de relevância
econômica — nem ofende as leis da Justiça o Magistrado que, à
luz do “princípio da insignificância”, absolve e manda em
paz autor de furto de material de ínfimo valor, que lhe não foi
de proveito algum, porque afinal recuperado pela vítima.
— Mesmo quando conspirem os elementos constitutivos do crime, sempre se
reconheceu ao Juiz discrição para, firme no princípio da insignificância do bem
jurídico protegido e da mínima reprovabilidade social do fato, absolver o réu, por
atipicidade de conduta (art. 386, nº III, do Cód. Proc. Penal).
— Ao Juiz a Lei determina — e não apenas assegura — que, no aplicá-la, atenda
“aos fins sociais” e “às exigências do bem comum” (art. 5º da Lei de
Introdução ao Código Civil). Casos haverá em que lhe será força repelir, com
retidão e sabedoria, o libelo no qual se compraziam já nossos maiores:
“regimentos não se executam senão nos pobres; leis e prisões não se
guardam, senão contra os desamparados” (Diogo do Couto, Diálogo do
Soldado Prático, 1790, p. 19).
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Voto nº 11.571 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.08.022306-8
Art. 155, § 4º, nº II, do Código Penal;
art. 386, nº VI do Cód. Proc. Penal;
art. 36 do Cód. Criminal do Império.

— Se o réu nega veemente a imputação de larápio, que assenta em declarações


vagas e imprecisas, tem a Justiça de respeitar-lhe o direito de inculcar-se inocente.
— No processo penal, unicamente a certeza é base legítima de condenação. Dúvida,
que não significa outra coisa que falta de prova da acusação, deve interpretar-se
em favor do réu: “In dubio pro reo”.
— O farol que deve orientar o Juiz na decisão da causa são as provas dos autos. Se
elas não indicam com segurança a culpa do réu, será força pronunciar o “non
liquet” e absolvê-lo.
—“Nenhuma presunção, por mais veemente que seja, dará motivo para imposição
de pena” (art. 36 do Código Criminal do Império).
— Mais que meras conjecturas acerca da culpabilidade do acusado, são necessárias,
para sua condenação, provas tão claras como a luz meridiana: “probationes
luce meridiana clariores” (cf. Giovanni Brichetti, L’Evidenza nel Diritto
Processuale Penale, 1950, p. 111).

Voto nº 11.572 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.024814-9

Art. 180, §§ 1º e 2º, do Cód. Penal;


art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).

Voto nº 11.573 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.036106-9

Art. 659 do Cód. Proc. Penal;


art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 112 da Lei de Execução Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
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––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante
a ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.574 — embargos DE DECLARAÇÃO Nº


993.08.016333-2

Arts. 157, § 2º, nº II e 33, § 3º, do Cód. Penal.

— Em princípio, a concessão de regime prisional diverso do fechado a autor de


roubo repugna à consciência jurídica. Trata-se de crime da última abjeção e
gravidade, que argui em quem o pratica entranhada rebeldia à disciplina social.
—“Depois de pronunciada a sentença, o Juiz perde a jurisdição e não pode
corrigi-la, quer haja exercido seu ofício bem, quer o tenha feito mal” (Ulpiano;
apud Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. II, p. 353).
—“Os embargos declaratórios, quando interpostos com a precípua finalidade de
ensejar a rediscussão da matéria já apreciada pelo Tribunal no acórdão
embargado, devem ser rejeitados” (Rev. Trim. Jurisp., vol. 175, p. 540; rel.
Min. Celso de Mello).

Voto nº 11.575 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.008790-0

Art. 297 do Cód. Penal;


arts. 310, parág. único, 312 e 313, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVIII da Const. Fed.

–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois,
quer-se revogada. Nesse número merecem contados os casos de
encarceramento de réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão
preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Para a prisão preventiva não basta a inafiançabilidade do crime, nem a
presunção veemente da existência da criminalidade: é preciso, ainda, para
justificá-la, a sua necessidade indeclinável” (José de Alencar; apud João
Mendes de Almeida Jr., O Processo Criminal Brasileiro, 4a. ed., vol.I, p. 333).
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável,
pode o réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para
sua prisão preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E.
de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 250).

Voto nº 11.576— HABEAS cORPUS Nº 990.09.019118-0

Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
4
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante
a ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.577 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.042584-9


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.
— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do
condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem superior
invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana: todo o infrator
sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser cortada em grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de iludir
o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que há mais
tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio intermediário, além
de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de exigir do infrator a
reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução
da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº
III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de
recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via
sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 11.578 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.031047-2


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 121, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 52, X e XL, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar
de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal”
(HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07,
p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
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—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da
Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p.
377).

Voto nº 11.579 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.038391-7


Art. 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.
–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 11.586 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.017471-7
Art. 121, § 2º, nº IV, do Cód. Penal;
arts. 489 e 490, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº XXXVIII, letra c, da Const. Fed.

— Por evitar contradição ou incoerência entre as respostas aos quesitos


propostos aos jurados, o presidente do Tribunal do Júri mandará proceder a
outra votação, em ordem a que seja preservada a inteireza dos atos praticados
na esfera da Justiça (art. 490 do Cód. Proc. Penal).
— Decisão dos jurados não se anula, exceto se proferida contra a evidência dos
autos, pois tem por si a força do preceito constitucional da soberania dos
veredictos do Júri, que lhe assegura a imutabilidade (art. 5º, nº XXXVIII,
letra c, da Const. Fed.). “Manifestamente contrária à prova dos autos” é
somente a decisão que neles não depara fundamento algum, constituindo por
isso formidável desvio da razão lógica e da realidade processual.
— Dado que julgam “ex informata conscientia”, não há impugnar a decisão dos
jurados se depara um mínimo de fundamento na prova; que tal decisão já não
será manifestamente contrária à prova dos autos.
––“Se existem duas versões do fato e o júri aceita uma, que não se mostra
evidentemente falsa, não é possível reconhecer que a decisão tenha sido
manifestamente contrária à prova dos autos” (Rev. Forense, vol. 167, p.
412).

Voto nº 11.587 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.031325-0


Arts. 121, § 2º, 33, § 2º, 83, parág. único, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed;
art. 112 da Lei de Execução Penal.
— Contra o parecer de notáveis juristas, que sustentam não ser o “habeas
corpus” meio apropriado a impugnar decisão de que caiba recurso ordinário,
mostra-se de bom exemplo conhecer da impetração, porque, em tese, passa
pelo remédio jurídico-processual mais célere e eficaz para conjurar abusos e
ilegalidades contra o direito à liberdade de locomoção do indivíduo (art. 5º,
nº LXVIII, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.792/2003 (que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
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Penal) não revogou o Código Penal; destarte, nos casos de pedido de
benefício em que seja mister aferir mérito, poderá o Juiz determinar a
realização de exame criminológico no sentenciado, se autor de crime doloso
cometido mediante violência ou grave ameaça, pela presunção de
periculosidade (art. 83, parág. único, do Cód. Penal).

Voto nº 11.588 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.041307-7

Art. 157 do Cód. Penal;


arts. 310, parág. único e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões, também, se
fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a
Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons
antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não valem
a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód.
Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave — como é o roubo —, tem
contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 11.589 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.189206-5

Arts. 66, nº III, alínea b, 112 e 117, nº I, da Lei de Execução Penal;


art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a
tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o
recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões
de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).
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Voto nº 11.590 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.193351-9

Arts. 112 e 197 da Lei de Execução Penal.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
p. 2.561).
—“O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a
concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina do
estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se à outorga
de benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 11.591 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.035874-2

Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência


do condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem
superior invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana:
todo o infrator sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em
grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de
iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados
que há mais tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio
intermediário, além de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de
exigir do infrator a reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe
causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
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Voto nº 11.592 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.041462-6

Art. 312 do Cód. Proc. Penal;


art. 5º, nº LVII da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica
e fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de crime grave , a
necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar como que se
presumem.

a
Voto nº 11.593 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
990.08.050939-0
Arts. 109, nº IV, 110, § 1º, 115, 119, 155, § 4º, ns I, II e 250, do Cód. Penal;
art. 1º da Lei nº 2.252/54.

— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do


exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.
— É escusado lembrar que, segundo o teor literal do art. 119 do Código Penal, “no
caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de
cada um, isoladamente”.
9

Voto nº 11.594 — RevisÃo cRIMINAL Nº 993.05.069763-0


Arts. 121, “caput” e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXIII da Const. Fed.

— No julgamento da revisão criminal, é dever do Juiz reexaminar a prova dos


autos, em ordem a prevenir os efeitos de decisão eventualmente proferida contra a lei
e o Direito.
–– Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz entrar no
conhecimento de causa que lhe é submetida, por prevenir (ou conjurar) possível
erro judiciário, o péssimo dos vícios de julgamento.
––“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse sempre. O erro é
um pressuposto da organização judiciária que, por isso mesmo, instituiu sobre a
instância do julgamento a instância da revisão” (Milton Campos; apud João
Martins de Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p. 63).
–– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória apoiada em laudo
pericial e nas palavras de testemunhas presenciais idôneas, antes se reputa bem
fundamentada, pois tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
—“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do espírito, logo à
primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
–– Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da erronia ou injustiça
da sentença condenatória, como impõe a exegese do art. 156 do Cód. Proc. Penal.

a
Voto nº 11.595 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.05.073483-8
Art. 214 do Cód. Penal;
art. 1º, ns. V e VI, Lei nº 8.930/94;
art. 2º, § 2º, Lei nº 11.464/07;
art. 2º, §1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 61 da Lei das Contravenções Penais.

— A palavra da vítima de atentado violento ao pudor tem


importância inquestionável na apuração das circunstâncias do fato
criminoso e na identificação de seu autor. Exceto se os elementos
de prova dos autos demonstrarem que a ofendida mentiu, suas
palavras servem de carta de crença e, pois, justificam a edição de
decreto condenatório (art. 214 do Cód. Penal).
— O STF, em Sessão Plenária, decidiu que “os crimes de estupro e de atentado
violento ao pudor, tanto nas suas formas simples (Cód. Penal, arts. 213 e 214), como
nas qualificadoras (Cód. Penal, 223, caput, e parág. único), são crimes hediondos:
Lei nº 8.072/90, redação da Lei nº 8.930/94, art. 1º, ns. V e VI” (HC n º 81.288-1-
SC; rel. Min. Carlos Velloso; j. 17.12.2001).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes hediondos (Lei nº
8.072/90), no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de pena. Se
o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente — e
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conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).
— O autor de atentado violento ao pudor (art. 214 do Cód. Penal), crime da classe
dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por expressa
disposição do art. 2º, §1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 11.597 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 990.08.170021-2


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, 29, 61, nº II, alínea h, do Cód. Penal;
art. 1.196 do Cód. Civil.

— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo


comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a
roborarem outros elementos do processo.
— No geral, a palavra da vítima é a primeira luz que afugenta
as sombras sob que se pretende abrigar a impunidade.
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo,
teve a posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou
grave ameaça.
— O regime prisional fechado é o que, em princípio, convém ao autor de
roubo, por sua natural periculosidade, como sujeito infenso à ordem legal e
destituído de sentimento ético, sobretudo se reincidente, e pela notória
gravidade do crime, que intranqüiliza e comove a população honrada.

Voto nº 11.598— agravo em execução Nº 990.09.012359-1


Art. 97, §§ 1º e 3º, do Cód. Penal.

— Averiguada por perícia médica a cessação da periculosidade do condenado,


o Juiz, em cumprimento da lei, determinará sua desinternação (art. 97, §
1º, do Cód. Penal).
— Se o reclamar o assunto, é forçoso que o julgador se louve no parecer dos
expertos, que detêm saber técnico especializado. Assim, nenhum escrúpulo
deve ter em ordenar, com base em perícia médica, a desinternação do
condenado, se afirmada a cessação de sua periculosidade. É o que dispõe a
lei e estabelecem os princípios de justiça e respeito à dignidade humana (art.
97, §§ 1º e 3º, do Cód. Penal).
11

Voto nº 11.599 — agravo em execução Nº 990.08.196961-0


Arts. 224, alínea a, 226, nº II, 63 e 71, do Cód. Penal;
art. 654, § 2º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 66, nº III, alínea b e 112, da Lei de Execução Penal;
art. 52, nº X da Const. Fed.

— Escólio de Damásio E. de Jesus ao § 2º do art. 2º da Lei nº 8.072/90:


“Progressão de regime para reincidentes. (...). Não é preciso que o sentenciado
seja reincidente específico em crimes hediondos ou equiparados. O conceito de
reincidência referido no art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, com redação dada
pela Lei nº 11.464/2007, é o do art. 63 do CP (reincidência genérica)”
(Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 729).
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar
de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal”
(HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07,
p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da
Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p.
377).
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
semiaberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária
aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.
12

Voto nº 11.600 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.04.008670-1


Arts. 129, § 1º, nº I, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 5º, nº XXXVIII, letra c, da Const. Fed.
—“Desfavoráveis as circunstâncias judiciais, cabível regime inicial diverso, mais
gravoso” (STJ; HC nº 24.212-0-SP; 6a. T.; rel. Min. Paulo Medina; Boletim do
STJ, set./2003, nº 14, p. 61).
— Decisão dos jurados não se anula, exceto se proferida contra a evidência dos
autos, pois tem por si a força do preceito constitucional da soberania dos
veredictos do Júri, que lhe assegura a imutabilidade (art. 5º, nº XXXVIII, letra c,
da Const. Fed.). “Manifestamente contrária à prova dos autos” é somente a
decisão que neles não depara fundamento algum, constituindo por isso
formidável desvio da razão lógica e da realidade processual.
— Dado que julgam “ex informata conscientia”, não há impugnar a decisão dos
jurados se depara um mínimo de fundamento na prova; que tal decisão já não
será manifestamente contrária à prova dos autos.
––“Se existem duas versões do fato e o júri aceita uma, que não se mostra
evidentemente falsa, não é possível reconhecer que a decisão tenha sido
manifestamente contrária à prova dos autos” (Rev. Forense, vol. 167, p. 412).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).

Voto nº 11.601 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


990.08.194666-1
Art. 33, “caput”, § 4º, da Lei nº 11.343/06;
art. 59 do Cód. Penal;
art. 386, nº VII, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
— A confissão, máxime se feita perante o Magistrado, tem o
caráter de prova ilustríssima; segundo o famoso Ulpiano,
equipara-se não menos que à coisa julgada: “Confessio habet vim rei
judicatae”.
—“A confissão judicial tem valor absoluto e, ainda que seja o único elemento de
prova, serve como base à condenação” (Rev. Tribs., vol. 744, p. 573).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para
logo a idéia de tráfico (art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06 – Lei de Drogas).
— Fator de esclarecida e humana individualização da pena, será bem reduzi-la ao
réu condenado por infração do art. 33 da Lei nº 11.343/06 (Lei de Drogas), que
satisfaça aos requisitos de seu § 4º.
— A redução inconsiderada da pena, com base no art. 33, § 4º, da Lei de Drogas
implica afronta ao princípio da proporcionalidade — deve-se medir a punição
pelo delito — e da suficiência para reprovação e prevenção do crime (art. 59 do
Cód. Penal).
13
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da
classe dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por
força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
— Sentença que absolve o réu, porque frágil e precária a prova, é desfecho razoável
para a causa e lance de prudência humana, apanágio de todo julgador (art. 386, nº
VII, do Cód. Proc. Penal)

Voto nº 11.602 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.044880-6


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, 93, nº IX, da Const. Fed.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento, dilatando
os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois não
está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior que
obstam à realização do ato processual.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da culpa
decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou ao
Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou
para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a decisão
definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc.
Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios
suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a
condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões, também, se
fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a
Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons antecedentes,
prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não valem a autorizar a
concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal)
àquele que, acusado de crime grave — como é o roubo —, tem contra si a presunção
de periculosidade.

Voto nº 11.603 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.02.022149-2
Art. 184, § 2º, do Cód. Penal;
art. 386, nº VII, do Cód. Proc. Penal.
— Vem a talho a lição do conspícuo Mittermayer: “não podendo o juiz
sair da dúvida, deverá, no fim de contas, recorrer ao meio ordinário, e admitir
como verdadeira a versão mais favorável ao acusado” (Tratado da Prova em
Matéria Criminal, 1871, t. II, p. 177; trad. Alberto Antônio Soares).
14
— Expressiva corrente jurisprudencial tem sufragado a inteligência de que, para
o aperfeiçoamento do tipo do art. 184, § 2º, do Código Penal (violação de direito
autoral), não basta a prova da reprodução ilegal: é mister se proceda à
“identificação das vítimas (artistas ou outros proprietários dos direitos autorais)
e o valor do prejuízo” (TJSP; Ap. Crim. nº 993.07.016686-0/
Dracena;2a. Câm.; rel. Ivan Marques; j. 29.9.08).

Voto nº 11.604— HABEAS cORPUS Nº 990.09.036204-9

Arts. 66, nº III, alíneas b e f, 112 e 197.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de
dignidade constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode
o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a
“causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).
—“O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a
concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).

Voto nº 11.605 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.029544-9

Arts. 66, nº III, alínea b, 117, nº I, 118, nº I, da Lei de Execução Penal;


art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— O Juiz que determina a regressão do sentenciado ao regime fechado, em caso de
falta grave, não viola a lei, antes a cumpre com pontualidade. Sua decisão, por
isso, está ao abrigo de reforma na via excepcional do “habeas corpus” (art. 118,
nº I, da Lei de Execução Penal).
—“O retorno ao regime mais gravoso é poder geral de cautela do Juiz, e não padece
de ilegalidade, como dispõe o art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal”
(Rev. Tribs., vol. 745, p. 566; rel. Dante Busana).
15

Voto nº 11.606 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.036189-1

Arts. 66, nº III, alíneas b e f, 112 e 197, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional,
próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a
“causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).
—“O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a
concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).

Voto nº 11.607 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.045127-0

Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem superior
invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana: todo o infrator
sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de iludir
o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que há mais
tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio intermediário, além
de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de exigir do infrator a
reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução
da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº
III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de
recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via
sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Aquele que, por debelar o mal, fez tudo quanto estava a seu alcance não podia ser
obrigado a mais. “Nemo tenetur ad impossibilia”!
16

Voto nº 11.608 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.037551-5


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do
Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e
indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz
para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar
como que se presumem.
— Se preso em flagrante delito, é razão que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação
de requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão
preventiva (cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua
periculosidade, o autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não
tem jus ao benefício.

Voto nº 11.609 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.025043-7


Arts. 121, § 2º, ns. I e IV, 155, § 4º, nº IV, 14, nº II e 69 do Cód. Penal;
arts. 580, 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— À luz da nova ordem constitucional instaurada no País, a regra geral é que se


defenda o réu em liberdade. Consectário do princípio do estado de inocência
(art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.), só por exceção deve o acusado responder preso
ao processo.
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de réu,
quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal).
17
–– Passa por iniqüidade manter preso, enquanto lhe tramita o processo, réu que
poderá, no caso de condenação, ter cumprido já a máxima parte de sua pena. Ao
demais, ninguém ignora que o cárcere é o pior lugar do mundo antes do cemitério,
tendo-lhe Dostoiévski chamado, com propriedade, a “casa dos mortos”.
—“É justo que, em caso igual, a mim e aos outros se aplique o mesmo direito”
(Demóstenes, A Oração da Coroa, 1877, p. 25; trad. Latino Coelho).

Voto nº 11.610 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.05.000321-3
Arts. 157, § 2º, nº II, 33, § 2º, alínea b, 59 do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

— A confissão policial, ainda que repudiada em Juízo, autoriza decreto


condenatório se em harmonia com outros elementos de prova, máxime o firme
reconhecimento do réu pela vítima.
—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força
de convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p.
564; rel. Min. Cordeiro Guerra).
— No caso de roubo, tem a palavra da vítima extraordinária importância para
comprovar-lhe a materialidade e a autoria: parte precípua no
evento criminoso, é a que está em melhores condições de, à luz da verdade
sabida, reclamar a punição unicamente do culpado.
— Considera-se consumado o roubo se o réu teve, ainda que por breve trecho, a
posse tranquila e desvigiada da “res furtiva”.
—“A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena
abaixo do mínimo legal” (Súmula nº 231, do STJ).
— Não há proibição legal de que o Juiz conceda ao condenado não-reincidente a
pena inferior a 8 anos o benefício do regime semiaberto; o Código Penal, o
que veda às expressas é que se conceda ele ao réu condenado a pena superior a
8 anos (não importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja superior
a 4 anos (art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal).

Voto nº 11.611 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.023366-7

Arts. 66, nº III, alíneas b e f e 197da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não
pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de
alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).
18
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com
o escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria
em que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução
Penal), deve entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob
pena de usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização
judiciária do Estado.

Voto nº 11.612 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.181753-5

Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;


art. 659 do Cód. Proc. Penal.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 11.613 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.05.001105-4

Arts. 12, 16 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;


arts. 33 e 35 da Lei nº 11.343/06;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 109, nº IV, 110, § 1º e 115 do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de


injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argui para logo a
idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao arguente impõe-se demonstrar,
além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em erro de
informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do processo —, “toda
pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— A causa de aumento de pena do art. 18, nº III, da Lei nº 6.368/76 (“decorrer de
associação”), já não subsiste e, pois, não pode ser reconhecida à luz da nova Lei de
Drogas (Lei nº 11.343/06), que previu a circunstância apenas como crime autônomo
(art. 35).
— A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para o tipo do art. 16 não
se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência considerável
quantidade de substância entorpecente, em vários invólucros apreendidos pela Polícia,
pois tais circunstâncias revelam que o tóxico se destinava ao comércio ilícito, e não
ao uso próprio.
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos
hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por força do preceito
do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
19

a
Voto nº 11.614 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
990.08.078486-2
Arts. 155, “caput”, 171, “caput”, § 2º, nº VI, 59, 107, nº IV, 109, nº VI e
110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— As palavras firmes e coerentes da vítima, conjugadas a inverossímil explicação do


réu, conferem ao acervo probatório a certeza de que necessita o julgador para
proferir condenação.
— Salvo prova em contrário, a cargo de quem o alegar, entende-se emitido como ordem
de pagamento o cheque, não garantia de dívida, pois aquela é sua característica
específica. Ele não garante, solve o débito. “É um quase-dinheiro, que traduz uma
ordem de pagamento que se exaure com o recebimento do seu valor” (Paulo
Restiffe Neto, Lei do Cheque, 1973, p. 39).
— A conduta de quem, ilaqueando a fé a terceiro, mantém-no em erro e, mediante falsa
promessa de pagamento, obtém vantagem econômica indevida, constitui, à
evidência, a figura típica do art. 171 do Código Penal.
— Tratando-se de cheque sem fundos (art. 171, § 2º, nº VI, do Cód. Penal), somente não
haverá crime se provar o emitente que o recebedor sabia da inexistência de fundos em
poder do sacado.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do exemplo
desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal Brasileiro, 8a. ed., p.
154).
— Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 11.617 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.030495-2


Arts. 66, nº III, alíneas b e f, 197, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Contra o parecer de notáveis juristas, que sustentam não ser o “habeas corpus”
meio apropriado a impugnar decisão de que caiba recurso ordinário, mostra-se de
bom exemplo conhecer da impetração, porque, em tese, passa pelo remédio
jurídico-processual mais célere e eficaz para conjurar abusos e ilegalidades
contra o direito à liberdade de locomoção do indivíduo (art. 5º, nº LXVIII, da
Const. Fed.).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em
grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-
lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo
de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve entender o
20
Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de
suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do Estado.

a
Voto nº 11.618 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.05.003904-8
Arts. 157, § 2º, ns. I e II, 29, §1º e 33, § 1º, alínea “a”, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

— Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos, a confissão policial
constitui prova idônea de autoria delituosa e justifica edição de decreto
condenatório.
— A palavra da vítima, passa por excelente meio de prova e autoriza
decreto condenatório, se em conformidade com os outros elementos de
convicção reunidos no processado.
— Não se caracteriza a figura jurídica da participação de menor importância,
se o agente desempenha atividade relevante de sentinela do crime ou executor
de reserva (art. 29, §1º, do Cód. Penal).
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód.
Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas
penas da lei, donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a
Juízo para mentir.
— Incensurável é a sentença que, atendendo à gravidade do crime praticado com
violência e à personalidade do agente, sujeito refratário ao estímulo do bem e
contumaz infrator da lei, fixa-lhe o regime prisional fechado (art. 33, § 1º,
alínea “a”, do Cód. Penal).

Voto nº 11.619— HABEAS cORPUS Nº 990.09.051458-2


Art. 14 da Lei nº 10.826/03;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.620 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.177130-6


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
21
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante
a ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.621 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.026549-3


Arts. 115, § 4º, ns. I e IV, 14, nº II e 29, do Cód. Penal;
art. 312 do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência
da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve
encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de
Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova
bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu”
(cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).

a
Voto nº 11.626 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.05.004339-8
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal.

—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação,


firme e segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação”
(Rev. Tribs., vol. 750, p. 682).
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo,
teve a posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave
ameaça.
— O regime prisional fechado, no início, é o que melhor responde à natureza do
roubo, crime gravíssimo, e à personalidade de quem o pratica, infensa à
disciplina social e orientada para a delinquência violenta.

i
Voto nº 11.627 — embargos nfringentes Nº 993.07.109972-2
Art. 127 da Lei de Execução Penal.

— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal outra
22
interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº 9,
editada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever entre os
dogmas jurídicos a perda, para o condenado “que for punido por falta grave”, do
direito ao tempo remido pelo trabalho.

a
Voto nº 11.628 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.05.045335-9
Arts. 157, § 2º, ns. I e II, 65, nº I e 71, do Cód. Penal.

—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação,


firme e segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação”
(Rev. Tribs., vol. 750, p. 682).
—–“A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da
pena abaixo do mínimo legal” (Súmula nº 231 do STJ).
— O regime prisional fechado, no início, é o que melhor responde à natureza do
roubo, crime gravíssimo, e à personalidade de quem o pratica, infensa à
disciplina social e orientada para a delinquência violenta.

a
Voto nº 11.629 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.06.119166-0
Art. 12 da Lei nº 10.826/2003;
art. 386, nº III do Cód. Proc. Penal;
art. 1º da MP nº 253/2005;
art. 5º da MP nº 229.
–– Como a Medida Provisória nº 253/2005 prorrogou até “o dia 23 de outubro
de 2005” (art. 1º) o prazo para a entrega de arma de fogo à Polícia Federal,
ninguém, nesse trecho, poderá ser preso em flagrante por manter alguma sob
sua guarda ou em depósito (art. 12 da Lei nº 10.826/2003).
— São atípicas as condutas previstas nos arts. 12 e 16 da Lei nº 10.826/03 (posse
ilegal de arma de fogo), praticadas no período chamado de “vacatio legis”
indireta (31.8.04); pelo que, na hipótese, haverá falta de justa causa para a ação
penal (cf. Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol 199, p. 510; rel. Min.
Arnaldo Esteves Lima).

a
Voto nº 11.630 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.08.016290-5
Art. 10, § 1º, nº III da Lei nº 9.437/97;
arts. 107, nº IV, 109, nº V, 110, § 1º e 115, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. de Proc. Penal.
— Incorre nas penas do art. 10, § 1º, nº III, da Lei nº 9.437/97 o sujeito que efetua
disparo de arma de fogo em lugar habitado, ainda que a deflagração seja para o
alto (“ad astra”), pois se trata de infração que “não exige perigo concreto, real,
à incolumidade pública” (Damásio E. de Jesus, Crimes de Porte de Arma de
Fogo e Assemelhados, 2a. ed., p.57).
23
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do
exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
— Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

a
Voto nº 11.631 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.08.037132-6
Art. 163, parág. único, nº III, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.
— Sujeita-se às penas da lei o indivíduo que, em ato de puro vandalismo, penetra
mediante arrombamento em prédio escolar pertencente ao Estado e lhe causa
danos (art. 163, parág. único, nº III, do Cód. Penal).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 23a. ed., p. 185).

a
Voto nº 11.632— gravo em xecução Nº e
990.09.011411-8
Art. 112 da Lei de Execução Penal.
— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a
concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº 12.453-
SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina do
estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se à outorga
de benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).

a
Voto nº 11.633— gravo em xecução Nº e
990.09.017967-8
Art. 112 da Lei de Execução Penal.
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode
ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
24
semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e
refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime
prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

a
Voto nº 11.634— gravo em xecução Nº e
990.09.000089-9
Art. 112 da Lei de Execução Penal.
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal -
não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com
a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os requisitos
da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça Criminal,
senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para o caminho
do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se, efetivamente, no
convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

a
Voto nº 11.635— gravo em xecução Nº e
990.09.010645-0
Art. 75 do Cód. Penal.
––“A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento,
determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de
outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de
execução” (Súmula nº 715 do STF).

Voto nº 11.636 —Recurso em Sentido Estrito Nº


990.08.114330-5
Art. 69 do Cód. Penal;
arts. 366, 581, XIII, do Cód. Proc. Penal;
art. 463, nº I, do Cód. Proc. Civil;
arts. 48, 50, 54, § 2º, nº V e 64, da Lei nº 9.605/98.
— Não se guarda de justa crítica (por faltar-lhe fomento de direito), a decisão que,
25
após reconsiderar despacho que recebeu denúncia por crime previsto na Lei
do Meio Ambiente (Lei nº 9.605/98), tranca a ação penal, com base no princípio
da insignificância.
–– Segundo a tradição de nosso Direito, por aplicação analógica do art. 463, nº I, do
Cód. Proc. Civil, que o juiz pode corrigir, de ofício, erros ou inexatidões materiais;
nos mais casos, proferida a decisão, termina o seu ofício, conforme a regra de Ulpiano:
“officium functus est” (Dig. 42, 1, 55).
—“Já no Direito romano, Ulpiano ensinava: Depois de pronunciada a sentença, o
juiz perde a jurisdição e não pode corrigi-la, quer haja exercido seu ofício bem,
quer o tenha feito mal” (Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol.
II, p. 353).
— Aplicado inconsideradamente, o princípio da insignificância representa violação
grave da lei, a qual manda punir o infrator; destarte, subtrair a seu rigor o culpado,
sem relevante razão de direito, fora escarnecer da Justiça, que dispensa a cada um o
que merece. Em verdade, conforme aquilo de Alberto Oliva, “todo homem deve
saber do fundo de seu coração o que é certo e o que é errado” (apud Ricardo Dip e
Volney Corrêa de Moraes, Crime e Castigo, 2002, p. 3; Millennium Editora).

Voto nº 11.637 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.08.035703-0


Arts. 244 e 24, do Cód. Penal.

— A necessidade faz do homem o que quer, reza o aforismo jurídico:


“necessitas non habet legem”. Mas só constitui causa excludente de
criminalidade se o agente não podia conjurar o mal, exceto
com o sacrifício do bem jurídico alheio (art. 24 do Cód. Penal). A
mera alegação de estreiteza de recursos, desacompanhada de prova cabal e
convincente, não basta para o reconhecimento da descriminante legal, senão
se converteria em razão universal de impunidade.
—“A lei não pune quem, por impossibilidade material, deixa de prestar
alimentos. Necessário, porém, que a circunstância fique devidamente
comprovada em Juízo” (JATACrSP, vol. 58, p. 71; rel. Weiss de Andrade).

a
Voto nº 11.638 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.05.009259-3
Arts. 155, § 4º, nº I, 107, nº IV, 109, nº IV, 110, § 1º e 115, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

— Ao que está na posse de coisa alheia toca provar-lhe cumpridamente a boa


origem, senão dará a conhecer que é autor de crime, pois constitui fato
anormal achar-se bem de valor em poder de outrem que não seu dono.
— “A simples condição de policial não torna a testemunha impedida ou
suspeita” (STF, HC nº 551.577; DJU 7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E.
de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 187).
26
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui
forma de prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a
própria sentença condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal
Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da
pretensão punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de
exame ou deliberação.

a
Voto nº 11.639— gravo em xecução Nº e
990.08.142718-4
Art. 112 da Lei nº 7.210/84;
art. 159, § 1º do Cód. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 52, ns. X e XL, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar
de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal”
(HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07,
p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da
Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p.
377).
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
27
semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e
refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime
prisional mais brando.

a
Voto nº 11.640— gravo em xecução Nº e
990.08.168168-4
Art. 83 do Cód. Penal.
–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento
condicional direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode
negar sem grave injúria da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de
livramento condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade
(necessariamente longa). Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do
benefício o registro de falta grave (fuga), se, ao depois, revelou, por largo
espaço de tempo, exemplar conduta carcerária e notável dedicação ao
trabalho, sinais inequívocos de sua redenção.

a
Voto nº 11.641— gravo em xecução Nº e
990.08.190391-1
Art. 112 da Lei nº 7.210/84.
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode
ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e
refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime
prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

Voto nº 11.642 —Recurso em Sentido Estrito Nº


990.08.169413-1
Art. 16 da Lei nº 6.368/76;
art. 86 da Lei nº 8.884/94;
arts. 310, parág. único, 312, 366, “caput”, 579 e 593, nº II, do Cód. Proc.
Penal.

— É a apelação o recurso adequado a impugnar a decisão que, nos termos do art.


366 do Código de Processo Penal, indefere pedido de produção antecipada de
28
prova oral. Dispõe, com efeito, o art. 593, nº II, do Código de Processo
Penal caber apelação “das decisões definitivas, ou com força de definitivas,
proferidas por juiz singular”.
— Nisto de produção antecipada de prova (art. 366 do Cód. Proc. Penal), é
mister atender ao requisito primordial da urgência. Consideram-se urgentes,
para os efeitos do mencionado dispositivo legal, as provas que, por circunstâncias
pessoais das testemunhas, primeiro que pela tirania implacável do tempo
(“sepultura de todas as coisas”), se devam produzir desde logo, aliás poderão
perder-se para sempre.
— Nem por ser o tempo o devorador de todas as coisas (“edax rerum”), haverão
estas de fazer-se antes de seu tempo. O Magistrado, com prudente arbítrio, nisto
como no demais, avaliará a conveniência de deferir, ou não, o requerimento que
tire ao fim de abreviar a oportunidade da produção de provas, sob color de que
urgentes.
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp.
262-264; rel. Min. Celso de Mello).

a
Voto nº 11.643 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.012055-6
Arts. 342, § 1º, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— Incorre nas penas da lei (art. 342, § 1º, do Cód. Penal) a testemunha que,
ao depor em processo-crime, falta com a verdade acerca de fato
juridicamente relevante, com o intuito de favorecer o réu. A mentira não pode
ter entrada no templo da Justiça!
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 11.644 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.02.018899-1


Arts. 304, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do


exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
29
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

a
Voto nº 11.645 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.032491-7
Arts. 297, 304, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do


exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

a
Voto nº 11.646 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.017123-1
Arts. 304, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
arts. 61 e 386, nº III, do Cód. Proc. Penal.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do
exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 11.647 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.02.017851-1


Arts. 342, § 1º, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.
— Incorre nas penas da lei (art. 342, § 1º, do Cód. Penal) a testemunha
que, ao depor em processo-crime, falta com a verdade acerca de fato
juridicamente relevante, com o intuito de favorecer o réu. A mentira não pode
ter entrada no templo da Justiça!
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.
30

a
Voto nº 11.648 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.01.078223-8
Arts. 121, § 1º, 129, 14, nº II, 107, nº IV, 109, nº IV e 110, § 1º, do Cód.
Penal;
arts. 61 e 593, III, d, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº XXXVIII, alínea c, da Const. Fed.
— A confissão, conforme os velhos praxistas, passa pela rainha das provas (regina
probationum), pois, como acentua o conspícuo Mário Guimarães, “é contrário
à natureza alguém afirmar contra si fato que não seja verdadeiro” (O Juiz e a
Função Jurisdicional, 1958, p. 309).
— Conforme iterativa jurisprudência dos Tribunais, a palavra da vítima, se ajustada
aos mais elementos do processo, justifica decreto condenatório.
— Em face da soberania de seus veredictos, as decisões do júri (proferidas “ex
informata conscientia”) somente se anulam quando em franca rebeldia com a
prova dos autos, ou nos casos de comprovada corrupção ou prevaricação dos
jurados (art. 5º, nº XXXVIII, alínea c, da Const. Fed.).
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do
exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).

Voto nº 11.649 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.004815-8


Art. 66, nº III, alíneas b, f e e da Lei de Execução Penal;
arts. 157, § 2º, nº II e 83, do Código Penal;
art. 5º, nº LXVIII da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade


constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não
pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de
alta indagação.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que,
por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária
do Estado.
–– Não é o “habeas corpus” via legal idônea para apressar decisões nem
apreciar pedido de progressão de regime prisional, por implicar análise
31
detida de requisitos objetivos e subjetivos, reservada à competência do
Juízo da execução (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal).

Voto nº 11.650— HABEAS cORPUS Nº 990.09.048741-0


Arts. 155, § 4º, nº I, 329 e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

a
Voto nº 11.651 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.015671-2
Arts. 213, “caput” e 224, letra a, do Cód. Penal;
art. 386, nº VII do Cód. Proc. Penal;
art. 36 do Cód. Criminal do Império do Brasil.
— Considerado o caráter relativo da presunção estabelecida no art. 224, letra a, do
Cód. Penal, não cabe crítica à sentença que, firme na opinião de juristas do tope
de Nélson Hungria (Comentários ao Código Penal, 5a. ed., vol. VIII, p. 230) e
na jurisprudência predominante nas Cortes de Justiça do País, absolve réu
acusado de estupro, ante a prova de que, além de consentida a conjunção
carnal, a vítima aparentava, pelo porte físico, ser “maior de 14 anos”.
—“O Código não transige, em caso algum, com a responsabilidade objetiva. Nulla
poena sine culpa” (Nélson Hungria, Comentários ao Código Penal, 5a. ed., vol.
VIII, p. 230).
—“Deve o juiz usar a lógica do jurista, que é, precisamente, a lógica do razoável e
do humano” (Goffredo Telles Jr., A Folha Dobrada, 1999, p. 162).
—“Nenhuma presunção, por mais veemente que seja, dará motivo para imposição
de pena” (art. 36 do Código Criminal do Império do Brasil).
— Toda condenação penal, ainda se trate de acusado de abominável vida pretérita,
somente pode ser decretada em face de prova plena e cabal de sua
culpabilidade.
— O princípio geral de que toda a decisão condenatória deve assentar em prova
plena e cabal (não só da materialidade do fato criminoso senão também da
autoria e culpabilidade do agente) manda afastar da cabeça do réu o gládio da
Justiça, nos casos de dúvida invencível (art. 386, nº VII, do Cód. Proc. Penal).
32
Voto nº 11.663— HABEAS cORPUS Nº 990.09.047479-
3
Arts. 157, § 2º, ns. I e II e 29, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade provisória – Roubo praticado mediante
concurso de agentes – Necessidade da custódia cautelar – Ordem denegada.
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código
de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou
para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar
como que se presumem.

Voto nº 11.664 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.166180-2


Art. 66, nº III, alíneas b e f da Lei de Execução Penal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência


do condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem
superior invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana:
todo o infrator sabe que, delinquindo, sua liberdade poderá ser coartada em
grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de
iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados
que há mais tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio
intermediário, além de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de
exigir do infrator a reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe
causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
33
Voto nº 11.665 — HABEAS cORPUS Nº
990.08.145157-3
Art. 66, nº III, alíneas b e f da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão de regime, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária
do Estado.

Voto nº 11.666 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.054423-6


Arts. 214, 224, alínea a e 225, § 1º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de atentado violento ao pudor incide na cláusula restritiva; pelo que não
tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do
art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública,
conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal,
desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios
de sua autoria.
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
34
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar
a decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência
do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que
deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 249).

Voto nº 11.667— agravo em execução Nº 990.09010271-


3
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para


a concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da
disciplina do estabelecimento penal para poder, no tempo
oportuno, credenciar-se à outorga de benefícios (art. 112 da
Lei de Execução Penal).
— Faltas disciplinares e mau procedimento carcerário do
sentenciado argúem-lhe demérito, que obsta à sua
progressão de regime prisional (art. 112 da Lei de Execução
Penal).

Voto nº 11.668 —Recurso em Sentido Estrito Nº


990.08.083304-9
Arts. 129, “caput”, nº V, 107, nº IV e 109, do Cód. Penal;
arts. 61, 306 e 366, do Cód. Proc. Penal.
— Não obstante o direito expresso — que manda o Juiz suspender “o processo e o
curso do prazo processual” se o réu não atendeu à citação por éditos nem
constituiu defensor (art. 306 do Cód. Proc. Penal) — , a sustação, por tempo
indeterminado, do prazo prescricional fere de rosto as leis da sociologia jurídico-
penal, máxime a que proscreve as formas eternas de pena (às quais se equipara a
decisão que decreta a suspensão, sem termo, do curso do prazo prescricional). Na
falta de norma legal própria, disciplinam a matéria as disposições gerais acerca
da prescrição “in abstracto”, regulando-se pelo máximo da pena cominada ao
delito (art. 109 do Cód. Penal).
—“O período máximo de suspensão da fluência do prazo de prescrição, na hipótese
do art. 366 do CPP, corresponde ao que está fixado no art. 109 do CP,
observada a pena máxima cominada para a infração penal” (STJ; RHC nº
7.052/RJ; 5a. Turma; rel. Min. Felix Fischer; DJU 18.5.98; Rev. Tribs., vol. 754,
p. 575).

Voto nº 11.669 — CORREIÇÃO PARCIAL Nº


990.08.087168-4
35
Art. 129, § 9º, do Código Penal;
arts. 579, 593, nº II, 639 e 644, do Cód. de Proc. Penal;
arts. 61, 76, § 5º e 89, da Lei nº 9.099/95;
arts. 6º e 7º, ns. I, II e V, e 13, da Lei nº 11.340/06;
art. 2º, parág. único, da Lei nº 10.259/01;
art. 16 da Lei nº 6.368/76;
art. 129, nº I, da Const. Fed.
— Considera-se prejudicada a correição parcial pela perda do objeto, se o requerente
obtém do Tribunal, por outra via recursal, a reparação do gravame praticado pelo
juiz inferior.

a
Voto nº 11.670 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.000607-9
Arts. 129, § 1º, nº I, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal.
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

a
Voto nº 11.671— PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.003275-4
Arts. 317, § 1º, 109, nº V, 110, § 1º, do Cód. Penal.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do
exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 11.672 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.050653-9


Art. 66, nº III, alíneas b e f da Lei de Execução Penal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem
superior invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana:
todo o infrator sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau
menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de
iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que
há mais tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio
intermediário, além de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de
exigir do infrator a reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe
causou com o seu crime.
36
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 11.673 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.049326-7


Arts. 155, § 4º, ns. I e IV e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou
para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312
do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do
crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter
o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed.,
p. 249).
— O benefício da liberdade provisória é incompatível com a condição do réu que não
comprova primariedade, bons antecedentes, ocupação lícita e residência no foro da
culpa (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). A custódia cautelar, nesse
caso, é medida indeclinável de garantia da ordem pública e aplicação da lei penal.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora na
inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior, motivo
de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 11.674 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.040760-3


Art. 69, do Cód. Penal;
arts. 312, 659, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 33, 35 e 44 da Lei nº 11.343/06;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, nº LVII da Const. Fed.

––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não


contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
37
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da culpa
decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou ao
Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).
–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 11.675 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.032282-9


Arts. 659, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 33 da Lei nº 11.343/06.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter
já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora na
inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior, motivo
de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 11.676 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.02.035376-3


38
Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal.
—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação,
firme e segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação”
(Rev. Tribs., vol. 750, p. 682).
— O regime prisional fechado, no início, é o que melhor responde à natureza do
roubo, crime gravíssimo, e à personalidade de quem o pratica, infensa à disciplina
social e orientada para a delinquência violenta.

Voto nº 11.677 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.061865-5


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 52, X e XL, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos),
é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao pedido de
progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido antes da
promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar de Direito
Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores intérpretes,
“é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para suspender a sua
execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs., vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os condenados
por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para efeito de
progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal: cumprimento
de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464, em
29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal” (HC
nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da Justiça”
(Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 377).
39

Voto nº 11.678 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.052337-9


Art. 121, § 2º, ns. I, II, IV e V, do Cód. Penal.
–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido
anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que,
satisfeita a prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a
matéria do litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 11.679 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.058144-1


Arts. 66, nº III, alíneas b e f, e 185, da Lei de Execução Penal.
— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do
condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto aguarda
vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem superior invencível,
tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana: todo o infrator sabe que,
delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de iludir o
rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que há mais tempo
aguardam a efetivação da transferência para o estágio intermediário, além de fazer
injúria à própria sociedade, que tem o direito de exigir do infrator a reparação, em
forma de pena retributiva, do dano que lhe causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução
da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº
III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso,
cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e
estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 11.680 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.034686-8


Art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal;
art. 44, § 4º do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXVIII da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82, P.
2.561).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea “b”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso
deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— O Juiz que, em razão de descumprimento injustificado de pena restritiva de direitos
aplicada ao réu, converte-a em pena de prisão, não viola a lei, antes a observa com
pontualidade (art. 44, § 4º, do Cód. Penal). Sua decisão, por isso, está ao abrigo de
reforma na via excepcional do “habeas corpus”.
40

Voto nº º 11.681 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.026551-5


Arts. 155, § 4º, ns. I e IV, 14, nº II e 29, do Cód. Penal;
art. 312 do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido


anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que,
satisfeita a prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a
matéria do litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).

a
Voto nº 11.682 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.07.078574-8
Arts. 163, 109, nº VI e 110, § 1º, do Cód. Penal;
arts. 203 e 342, do Cód. Proc. Penal.

— O crime de dano não requer dolo específico, senão genérico, que se resume à
simples voluntariedade de inutilizar ou destruir coisa alheia (art. 163 do Cód.
Penal).
—“O dolo do dano está na simples voluntariedade de o sujeito realizar uma
conduta que subverte, torna inútil ou deteriora o objeto material. O tipo não
exige nenhum outro elemento subjetivo além do dolo (Damásio E. de Jesus,
Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 623).
— Tem-se na conta de baldia e rebarbativa a crítica de que o depoimento policial é
geralmente suspeito de parcialidade. Seu valor, ao contrário, é igual ao de toda a
testemunha que, sob palavra de honra, promete dizer a verdade do que sabe (art.
203 do Cód. Proc. Penal). O falso testemunho (crime definido no art. 342 do
Cód. Penal) não se presume: requer prova cabal e convincente, a cargo de quem
o alegar.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do
exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.
41

a
Voto nº 11.683 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.07.033916-0
Arts. 28, 33, “caput” e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 44, § 2º, do Cód. Penal;
arts. 202, 563 e 566, do Cód. Proc. Penal.

— Nulidade de ato processual somente se declara em face de prova plena e


incontroversa de prejuízo às partes, ou se “houver influído na apuração da
verdade substancial ou na decisão da causa” (arts. 563 e 566 do Cód. Proc. Penal).
— A confissão do réu na Polícia, ainda que repudiada em Juízo, pode justificar
decreto condenatório, se em harmonia com os mais elementos de convicção dos
autos; ao seu aspecto intrínseco é que se deve atender, não à circunstância do
lugar onde a presta o confitente.
—“Para os chamados penalistas práticos, a confissão do acusado se equiparava à
própria coisa julgada, como ensinava Farinácio: Confessio habet vim rei
judicatae” (José Frederico Marques, Estudos de Direito Processual Penal, 1a.
ed., p. 290).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argui para logo
a ideia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei de Drogas para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo considerável quantidade de
substância entorpecente, que a Polícia apreendeu, pois tal circunstância revela
que se destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.

Voto nº 11.684 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.059713-5


Arts. 180, 288, parág. único, 29 e 69, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação,
a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).
42

Voto nº 11.685 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.029192-3


Art. 66, nº III, alíneas b e f da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão de regime, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária
do Estado.

a
Voto nº 11.686— gravo em xecução Nº e
990.09.012172-6
Art. 112 da Lei nº 7.210/84.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode
ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e
refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime
prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!
43

Voto nº 11.687— agravo em execução Nº 943.898-3/4-


00
Arts. 6º, 7º, 8º e 112, da Lei de Execução Penal;
arts. 148, parág. único, 157, § 2º, ns. I e II, e 69, do Cód. Penal;
arts. 156 e 182, Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº XLVI e 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº IX,
da Const. Fed.).
— Atende à regra do contraditório e, portanto, exime-se da nota de nula, a decisão
que assegura às partes oportunidade de manifestação nos autos, segundo a
fórmula jurídica “audiatur et altera pars” (ouça-se também a parte contrária).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a
prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto é,
“tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semiaberto. Somente
fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos da
recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os requisitos
da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça Criminal,
senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para o caminho
do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se, efetivamente, no
convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

Voto nº 11.688 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.057381-3


Arts. 66, nº III, alíneas b e f, e 197 da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a
tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o
recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões
de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).
44

Voto nº 11.689 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.004012-2


Arts. 66, nº III, alínea b e 117, nº I, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional,


próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a
“causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea “b”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 11.690 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.195875-9


Art. 16, parág. único, nº IV da Lei nº 10.826/2003;
art. 329 do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p. 16.585).

Voto nº 11.691 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.039408-0


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.692 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.052653-0


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
45
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém,
durante a ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a.
Turma; rel. Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).
46

Voto nº 11.693 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.060416-6


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 648, nº I e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed;
Súmula nº 52 do STJ.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo
ou ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é
insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas
cabe na instância ordinária, com observância da regra do contraditório (art. 648, nº I,
do Cód. Proc. Penal).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código
de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou
para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312
do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do
crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve
ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a.
ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões, também, se
fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a
Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons
antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não valem
a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód.
Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave — como é o roubo —, tem
contra si a presunção de periculosidade.
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de
constrangimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
47

Voto nº 11.694 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.054445-7


Art. 33 da Lei nº 11.343/2006;
art. 5º, nº LXVIII da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixe alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).

Voto nº 11.695 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.061496-0


Arts. 66, nº III, alíneas b e f, e 197, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de
dignidade constitucional, próprio a tutelar a liberdade do
indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a
questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semiaberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.
48

Voto nº 11.696 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.055952-7


Arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 33 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com
o elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância
ordinária, com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação
penal por falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao
primeiro súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua
inocência (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF;
HC; rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do
art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública,
conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal,
desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios
de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve
encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de
Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova
bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu”
(cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória
(art. 44 da Lei nº 11.343/06).
49

Voto nº 11.697 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.02.010099-7


Art. 2º, § 1º da Lei nº 8.072/90;
arts. 213, 214, 224, alíne a, 226, ns. II e III, 14, nº II, 59 e 71, do Cód.
Penal;
art. 383 do Cód. Proc. Penal.

— É lícito ao juiz, “em virtude do postulado de que jura novit


curia, dar ao fato definição jurídica diversa da que constar da queixa ou
denúncia, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave (Cód.
Proc. Penal, art. 383)” (José Frederico Marques, Elementos de Direito
Processual Penal, 1a. ed., vol. III, p. 50).
— “Não conheço crime mais repugnante, mais merecedor de severa punição do que
o estupro. Ele revela no delinquente a existência dominante dos mais grosseiros
e brutais instintos, a falta absoluta de cavalheirismo, de generosidade, de
respeito pela mulher, que é o sinal distintivo de uma natureza nobre. As
consequências do crime são indeléveis para a vítima” (Os Delitos contra a
Honra da Mulher, 1936, p. 135).
— A palavra da vítima de atentado violento ao pudor tem
importância inquestionável na apuração das circunstâncias do
fato criminoso e na identificação de seu autor. Exceto se os
elementos de prova dos autos demonstrarem que a ofendida
mentiu, suas palavras servem de carta de crença e, pois,
justificam a edição de decreto condenatório (art. 214 do Cód.
Penal).
— Crimes contra a liberdade sexual, a jurisprudência do Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo tem admitido continuidade delitiva
entre estupro e atentado violento ao pudor, se praticados nas circunstâncias
do art. 71 do Cód. Penal (arts. 213 e 214 do Cód. Penal).
— O crime continuado, instituto nascido da equidade, é uma “fictio juris”
destinada a evitar o cúmulo material de penas (cf. José Frederico Marques,
Curso de Direito Penal, 1956, vol. II, p. 354).
— No crime continuado, mais do que a unidade de ideação, prevalecem os
elementos objetivos referidos no art. 71 do Cód. Penal e a conveniência de
remediar o exagero punitivo, que não corrige o infrator, senão que o revolta e
embrutece, por frustrar-lhe a esperança de realizar, em tempo razoável e justo, o
sonho da liberdade.
— Em obséquio ao princípio constitucional do estado de inocência, tem primado
entre nós a orientação de que “não devem ser considerados como maus
antecedentes, prejudicando o réu, processos em curso, inquéritos em andamento
e sentenças condenatórias ainda não confirmadas” (cf. Damásio E. de Jesus,
Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 209).
— O autor de estupro (art. 213 do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos, deve
cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por força do preceito do art. 2º, §
1º, da Lei nº 8.072/90.
50

Voto nº 11.698 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.057107-1


Arts. 66, nº III, alíneas b e f, 112 e 197, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional,
próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a
“causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).
—“O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a
concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).

Voto nº 11.699— HABEAS cORPUS Nº 990.09.027894-3


Arts. 33, “caput”, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas
corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária, com
observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa
causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro súbito de vista, a
atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art. 648, nº I, do Cód. Proc.
Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e
que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis
Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do
Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e
indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz
para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 253).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória
51
(art. 44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 11.700 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.051909-6


Arts. 1º, nº I e 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
arts. 121, § 2º, nº II, 14, nº II, e 73, do Cód. Penal;
art. 408, § 2º, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 21 do STJ.
— O crime de tentativa de homicídio qualificado a lei considera hediondo e, pois, em
princípio, insuscetível de liberdade provisória (cf. arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da Lei nº
8.072/90).
— Não tem direito de aguardar solto seu julgamento pelo Tribunal do Júri o réu que,
pronunciado como incurso nas penas do art. 121, § 2º, do Cód. Penal, não comprovou
possuir mérito pessoal que lhe justificasse a outorga do benefício.
—“Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da prisão por
excesso de prazo na instrução” (Súmula nº 21, do STJ).

Voto nº 11.701 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.044605-6


Art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 16, parág. único, nº IV, da Lei nº 10.826/03.
–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o pedido
de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença condenatória”
(STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p. 16.585).

Voto nº 11.702 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.065220-9


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 33 e 40, nº VI, da Lei nº 11.343/06;
art. 52, X e XL da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos), é
o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao pedido de progressão
de regime do condenado por crime hediondo cometido antes da promulgação da Lei nº
11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar de Direito Penal, a lei posterior mais
severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores intérpretes, “é
auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para suspender a sua execução
(CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs., vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os condenados por
crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para efeito de progressão, caem
sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal: cumprimento de 1/6 da pena e bom
comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464, em 29 de
março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal” (HC nº
88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é a
fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos argumentos
ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum anterior: acima do
52
melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da Justiça” (Carlos
Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 377).
53

Voto nº 11.703 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.043963-7


Art. 157, § 2º, nº II do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade provisória – Roubo praticado
mediante concurso de agentes – Necessidade da custódia cautelar – Ordem
denegada.
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar
como que se presumem.

a
Voto nº 11.715 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.031152-1
Arts. 121, § 1º e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 5º, nº LV e 93, IX, da Const. Fed.

— Tem foro de garantia constitucional e está adstrito à plenitude do direito de


defesa o princípio do contraditório, que deve dominar o processo penal. É a
regra da igualdade ou equilíbrio entre as partes, com as oportunidades de
apresentar provas e argumentos e refutá-los. Depara seu fundamento na parêmia
jurídica “audiatur et altera pars”: ouça-se também a parte contrária.
—“Sem contraditório não pode haver devido processo legal” (José Frederico
Marques, Elementos de Direito Processual Penal, 1a. ed., vol. I, p. 82).
—“A realização dos julgamentos pelo Poder Judiciário, além da exigência
constitucional de sua publicidade (CF, art. 93, IX), supõe, para efeito de sua
válida efetivação, a observância do postulado que assegura ao réu a garantia da
ampla defesa” (STF; HC nº 71.551-6; rel. Min. Celso de Mello; DJU 6.12.96, p.
48.709).
54

Voto nº 11.716 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.045616-7


Arts. 157, § 2º, ns. I, II e V, 180 e 29, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado


na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão
preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo
Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a
aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração penal e
veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a decisão
definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc.
Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios
suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a
condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e fática
bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema gravidade, a
necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar como que se presumem.
— Se preso em flagrante delito, é razão que o acusado aguarde, no cárcere, a verificação de
sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às condições de caráter
subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva (cf.
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o autor
de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.

Voto nº 11.717 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.043331-0


Arts. 157, § 2º, ns. I e III, 304, 307 e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.

— Como lhe compete presidir às audiências e prover à instrução dos processos, não será
decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem, no entanto,
que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica motivos de força maior, a
cujo número pertence a necessidade de expedição de carta precatória para o
interrogatório do réu, termo essencial do processo e franca oportunidade de obtenção de
prova, imprescindível à busca da verdade real.
–– Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento, dilatando os
dias de sua permanência no cárcere.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da culpa decorre
de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou ao Ministério Público”
(Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
–– Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento ilegítimo
por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez que nem sempre
o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso de força maior, dispõe
a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons antecedentes,
prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não valem a autorizar a
concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele
que, acusado de crime grave — como é o roubo —, tem contra si a presunção de
periculosidade.
55

a
Voto nº 11.718 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.091019-0
Arts. 155, 157, “caput”, 61, nº II, alínea h, 65, nº I, 109, nº IV e 110, § 1º,
do Cód. Penal.

—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação,


firme e segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação”
(Rev. Tribs., vol. 750, p. 682).
— Considera-se consumado o roubo se o réu teve, ainda que por breve trecho, a
posse tranqüila e desvigiada da “res furtiva”.
— Impossível capitular de furto a subtração de coisa alheia móvel mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, pois são estas elementares do roubo (art. 157,
“caput”, do Cód. Penal).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma
de prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria
sentença condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a.
ed., p. 358).

Voto nº 11.719 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.160027-7


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação, a
situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.720 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.036788-1


Arts. 66, nº III, alíneas b e f, e 112, da Lei de Execução Penal;
art. 83, parág. único do Cód. Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em
grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-
lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo
de obter progressão ao regime semiaberto, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve entender o
Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas
atribuições e violação de norma de organização judiciária do Estado.
— A Lei nº 10.792/2003 (que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal) não revogou o Código Penal; destarte, nos casos de pedido de benefício
em que seja mister aferir mérito, poderá o Juiz determinar a realização de exame
criminológico no sentenciado, se autor de crime doloso cometido mediante
violência ou grave ameaça, pela presunção de periculosidade (art. 83, parág.
único, do Cód. Penal).
56

a
Voto nº 11.721 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.005654-8
Arts. 342, § 1º, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal.
— Incorre nas penas da lei (art. 342, § 1º, do Cód. Penal) a testemunha que, ao
depor em processo-crime, falta com a verdade acerca de fato juridicamente
relevante, com o intuito de favorecer o réu. A mentira não pode ter entrada no templo da
Justiça!
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do exemplo
desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal Brasileiro, 8a. ed., p.
154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão punitiva
estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

a
Voto nº 11.722 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.035380-1
Arts. 76 e 89, da Lei nº 9.099/95;
art. 38, “caput”, da Lei nº 9.605/98;
art. 71 do Cód. Penal;
art. 76, nº III, do Cód. Proc. Penal;
art. 129, nº I, da Const. Fed.
— Atende às regras de Direito e conforma-se com os preceitos da Justiça a reunião, numa
só Delegacia de Polícia especializada em delitos tributários, dos diversos inquéritos
policiais instaurados contra representantes de empresa locadora estabelecida na Capital
paulista para a apuração de crimes de sonegação de impostos e falsidade ideológica pelo
licenciamento de veículos em outro estado da Federação.
— Da utilidade e vantagem da reunião de feitos discorreu discretamente o nunca assaz
louvado Mestre José Frederico Marques: “É que a conexão, além de contribuir para
a economia processual, evita decisões divergentes ou contraditórias, e, por
possibilitar uma visão mais completa dos fatos e da causa, constitui fator de melhor
aplicação jurisdicional do direito” (Elementos de Direito Processual Penal, 1a. ed.,
vol. I, p. 272).
— Em ponto de crime continuado, não deve o Juiz reduzir demasiado seu alcance,
tornando-lhe impossível o reconhecimento; antes lhe importa, de par com a
preocupação da ordem jurídica e social, atender ao fim do instituto, convém a
saber, evitar o exagero punitivo sob o influxo da equidade, pois meta do Direito
Penal é também a recuperação do infrator.
—“O réu tem direito ao crime continuado, agindo ou não com unidade
de desígnio, pois essa foi a vontade do legislador” (Guilherme de
Souza Nucci, Código Penal Comentado, 2000, p. 216).
— Se conspiram todos os requisitos legais da transação penal ou da suspensão
condicional do processo, deve o Ministério Público formular a proposta,
conforme os arts. 76 e 89 da Lei nº 9.099/95. Em caso de recusa, ao Juiz
tocará fazê-lo de ofício.
— É questão superior a toda a dúvida que o Magistrado, com a prudência do bom
varão, pode temperar com a equidade o rigor da lei.
— A lei, na pontual expressão de uma das maiores glórias das letras jurídicas do País,
há de interpretar-se com a lógica do jurista, que é a lógica do razoável (Goffredo
Telles Jr., A Folha Dobrada, 1999, p. 161).
—“(...) de modo algum podem ser somadas as penas mínimas de cada delito para o
57
efeito de excluir, ab initio, a suspensão. (...) Cada crime deve ser considerado
isoladamente, com sua sanção mínima abstrata respectiva” (Ada Pellegrini
Grinover et alii, Juizados Especiais Criminais, 4a. ed., p. 262).
58

a
Voto nº 11.723 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.095931-9
Art. 10, “caput”, da Lei nº 9.437/97;
arts. 23, 61, nº II, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal.

––O porte irregular de arma de fogo de uso permitido tipifica a infração do art. 10,
“caput”, da Lei nº 9.437/97 (Lei das Armas de Fogo), independentemente de
perigo concreto.
— A alegação de que o réu trazia consigo arma de fogo para defender-se de
inimigos não opera como causa de exclusão da ilicitude, como ensina Damásio
E. de Jesus (cf. Direito Penal do Desarmamento, 5a. ed., pp. 67-68). Ao demais,
causa justificativa do delito, não merece acolhida a tese da legítima defesa que
não tenha por si prova estreme de dúvida (art. 23, nº II, do Cód. Penal).
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo,
pôs a mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e
os perigos que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que
existam controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei
das Armas de Fogo, 1998, p. 107).
–– Para justificar o decreto absolutório basta a dúvida razoável, porque esta, como
a pedra que tomba do rochedo e muda o curso do rio, é apta a desviar da cabeça
do réu o gládio inflamado da Justiça Penal.
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 11.724— HABEAS cORPUS Nº 990.09.047637-0


Art. 109, nº VI do Cód. Penal;
art. 118, nº I, da Lei nº 7.210/84.

— Tem fomento de direito a tese de que a punição da falta disciplinar, desde que
não constitua crime, sujeita-se à prescrição administrativa de 2 anos — por
analogia com o art. 109, nº VI, do Cód. Penal —, servindo de termo “a quo” a
data do cometimento da falta grave (art.118, nº I, da Lei de Exec. Penal).
— “Diante da inexistência de legislação específica quanto ao prazo prescricional
para a aplicação de sanção disciplinar, deve-se utilizar o disposto no art. 109,
do Código Penal, levando-se me consideração o menor lapso prescricional
previsto, qual seja, dois anos” (HC nº 56.053/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita
Vaz; j. 13.3.07; DJU 16.4.07, p. 219).
— “Uma vez transcorrido o lapso prescricional de dois anos entre a data do
cometimento da falta disciplinar grave e o seu reconhecimento por decisão
judicial, não há falar em perda dos dias remidos” (HC nº 86.611/SP; 5a.
Turma; rel. Min. Arnaldo Esteves Lima; j. 22.10.07, DJU 27.9.97, p. 219).
59

Voto nº 11.726— gravo em a execução Nº


990.08.167051-8
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— Satisfeitos os requisitos legais (art. 112 da Lei de Exec. Penal), é a


progressão de regime direito público subjetivo do condenado, que se lhe não
pode negar sem grave injúria da Lei e da Justiça.
— O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de
progressão de regime ao sentenciado, se já cumpriu dela a sexta parte
(necessariamente longa). Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do
benefício o registro de falta grave (fuga) se, ao depois, revelou, por largo
espaço de tempo, exemplar conduta carcerária e notável dedicação ao
trabalho, sinais inequívocos de sua redenção.
— Decisões contraditórias (a que tem dado ensejo instável jurisprudência)
constituem fator de insegurança dos negócios jurídicos e natural descrédito da
Justiça.

Voto nº 11.727— agravo em execução Nº 990.09.015309-1


Arts. 112 e 127, da Lei de Execução Penal.

— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para


a concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina do
estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se à outorga
de benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal
outra interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº
9, editada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever
entre os dogmas jurídicos a perda, para o condenado “que for punido por falta
grave”, do direito ao tempo remido pelo trabalho.
60

a
Voto nº 11.728— gravo em xecução Nº e
990.09.030325-5
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
arts. 5º, nº XL e 52, X, da Const. Fed.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e
refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime
prisional mais brando.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar
de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal”
(HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07,
p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da
Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p.
377).
61

Voto nº 11.729 — embargos DE DECLARAÇÃO Nº


993.06.116694-1
Art. 311 do Cód. Penal;
art. 386, nº III, do Cód. de Proc. Penal;
arts. 114, 115 e 221, do Cód. de Trânsito.

— O elemento subjetivo do tipo descrito no art. 311 do Código Penal


(adulteração de sinal identificador de veículo automotor) é, segundo a
doutrina tradicional, o dolo genérico. Faz ao intento o escólio de Guilherme
de Souza Nucci: “Elemento subjetivo do tipo: é o dolo. Não existe a forma
culposa, nem se exige elemento subjetivo do tipo específico” (Código Penal
Comentado, 5a. ed., p. 973).
—“A defesa tem direitos superiores aos da acusação, porque, enquanto houver
uma dúvida, por mínima que seja, ninguém pode conscientemente condenar o
seu semelhante” (João Mendes de Almeida Jr., O Processo Criminal
Brasileiro, 1920, vol. II, p. 414).
— O Código Penal, sob o influxo da Reforma de 1984 — que consagrou a teoria
do finalismo —, “considera o dolo como elemento subjetivo do tipo. E se há
prova da evidente inexistência de dolo, o fato é atípico” (Damásio E. de
Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 533).

a
Voto nº 11.730 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.022540-4
Arts. 184, “caput”, § 2º, 10, nº V, 44, § 2º, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º,
do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— É maior de crítica a sentença que, firme na prova, condena, por infração do


art. 184, § 2º, do Cód. Penal (violação de direito autoral), sujeito que expõe e
vende, em banca de mercado municipal, cópias de fonogramas
(discos-“piratas”), sem autorização do produtor.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do
exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
— Forma que é de prescrição da pretensão punitiva, a prescrição intercorrente
(art. 110, § 1º, do Cód. Penal) rescinde a própria sentença condenatória,
fulminando-lhe os efeitos (cf. Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado,
18a. ed., p. 358).
62

Voto nº 11.731 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.082081-0


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 52, X e XL, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos),
é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao pedido de
progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido antes da
promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar de Direito
Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores intérpretes,
“é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para suspender a sua
execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs., vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os condenados
por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para efeito de
progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal: cumprimento
de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464, em
29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal” (HC
nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da Justiça”
(Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 377).

Voto nº 11.732 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.000618-8


Art. 213 do Cód. Penal;
arts. 312 e 659, do Cód. Proc. Penal;
art. 1º, nº V, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença condenatória”
(STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p. 16.585).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
63
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do
Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e
indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz
para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).

Voto nº 11.733 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.063953-9


Arts. 155, “caput” e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 647 do Cód. Proc. Penal;
art. 89 da Lei nº 9.099/95.

— Remédio processual específico para a tutela das garantias e direitos fundamentais


do indivíduo, é o “habeas corpus” instrumento idôneo para o exame da
existência de justa causa para ação penal. Por seu rito sumário, entretanto,
somente enseja o trancamento de inquérito ou ação penal quando salte aos olhos,
desde logo, a atipicidade do fato arguido de criminoso ou a inocência do acusado
(art. 647 do Cód. Proc. Penal).
–– A apuração da responsabilidade criminal do réu é própria da instância penal do
contraditório; transferi-la para a via heroica do “habeas corpus” seria decidir
questão de mérito, atribuição privativa do Juízo da causa.

Voto nº 11.734 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.058480-7


Arts. 86, nº I e 90, do Cód. Penal;
art. 732 do Cód. Proc. Penal;
arts. 145 e 146, da Lei de Execução Penal.

–– É questão vitoriosa nos Tribunais que a revogação do livramento condicional


somente pode ocorrer durante o período de prova (art. 86 do Cód. Penal).
–– “Terminado o período de prova sem revogação, a pena privativa de liberdade
deve ser julgada extinta” (Julio Fabbrini Mirabete, Execução Penal, 11a.
ed., p. 599).

Voto nº 11.735 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.069019-4


Arts. 155, § 4º, nº IV e 71, do Cód. Penal;
arts. 156 e 647, do Cód. Proc. Penal.

––“Estará ausente o legítimo interesse, se não houver ato de coação, ou de ameaça


ao direito de ir e vir” (José Frederico Marques, Elementos de Direito
Processual Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 408).
— Pequena demora na solução da lide não constitui constrangimento ilegal
reparável por “habeas corpus”; sucesso que pertence ao círculo da previsão
humana, todo infrator sabe que, delinquindo, sua liberdade poderá ser coartada
em grau menor ou maior.
–– Se não prova o paciente (como lhe cabe, por força do preceito do art. 156 do
Cód. Proc. Penal) que está a sofrer constrangimento ilegal — que é sua
pedra-de-toque —, não há dispensar-lhe o remédio do “habeas corpus” (art.
647 do Cód. Proc. Penal).
64

a
Voto nº 11.736 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.013545-6
Arts. 163, 250, § 1º, nº II, alínea a, e 28, § 1º, nº II, do Cód. Penal.
— Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos, a confissão policial
constitui prova idônea de autoria delituosa e justifica edição de decreto condenatório.
— O argumento da embriaguez não aproveita ao infrator, exceto se completa e
involuntária. A embriaguez voluntária, dispõe a lei que não elide a responsabilidade
criminal do agente, porque não lhe exclui a imputabilidade (art. 28, nº II, do Cód.
Penal).
— À luz do princípio da subsidiariedade, em caso de concurso entre o crime de dano e o de
incêndio, este é o que prevalece, por definir e punir conduta mais grave: “major
absorbet minorem” (arts. 163 e 250 do Cód. Penal).

Voto nº 11.737— HABEAS cORPUS Nº 990.09.060517-0


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal;
art. 44 da Lei nº 11.343/06;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e
que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis
Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado
na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão
preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo
Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar
a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração penal e
veementes indícios de sua autoria.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento, dilatando
os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois não
está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior que
obstam à realização do ato processual.
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução
da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº
III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de
recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via
sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo
de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por previsão de lei
65
(art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de
Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições
e violação de norma de organização judiciária do Estado.
— O Colendo Supremo Tribunal Federal, em copiosos arestos, tem proclamado que se
não toma conhecimento do pedido de “habeas corpus” quando não está
devidamente instruído (José Frederico Marques, Elementos de Direito Processual
Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 417).
66

a
Voto nº 11.738 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.023969-3
Arts. 213, 224, alínea a, e 226, nº II, do Cód. Penal;
art. 384 do Cód. Proc. Penal.

—“Não é inepta a denúncia que proporciona ao acusado a plena defesa assegurada


pela CF (STF; RTJ 85/70 e 64/626)” (apud Damásio E. de Jesus, Código de
Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 326).
— Tem a palavra da vítima suma importância nos crimes contra a liberdade sexual.
Se ajustada ao conjunto probatório dos autos, enseja condenação: ao cabo de contas,
ninguém se reputa mais apto a discorrer das circunstâncias e autoria do crime que a
pessoa que lhe padeceu diretamente os agravos físicos e morais (art. 213 do Cód.
Penal).

Voto nº 11.739 — gravo em a execução Nº


990.09.002680-4
Arts. 213, 224, alínea a, e 226, nº II, do Cód. Penal;
art. 384 do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LV e 133, da Const. Fed;
Súmula Vinculante nº 5 do STF.

—“Indispensável à administração da justiça”, conforme proclama a


Constituição Federal (art. 133), tem o advogado o direito de estar
presente às audiências de interesse de seu cliente, sempre que o
exigirem as circunstâncias e dispuser a lei.
— Atenta sua natureza de procedimento administrativo, a sindicância
instaurada para apurar falta disciplinar praticada em
estabelecimento penal não obriga à presença do advogado para
reconhecimento de sua validade.
— A Súmula Vinculante nº 5, editada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, reza que
“a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não
ofende a Constituição”.

a
Voto nº 11.740— gravo em xecução Nº e
990.08.190503-5
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime aberto. Somente
fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos da
recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— Dois requisitos exige a lei para a progressão de regime: lapso temporal e mérito
do condenado; presentes que sejam, compete ao Juiz despachar de boa sombra a
pretensão, uma vez não pode recusar-se a praticar os atos de seu ministério.
— Não vá esquecer ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!
— O asserto de que o criminoso empedernido não conhece recuperação não é dogma
científico. Para honra da Humanidade, não são raros os casos em que, incentivados
por medidas penais salutares, condenados abjuraram a vida de crimes, redimiram-
67
se de suas faltas e retornaram à comunhão social, tornando-se cidadãos
prestantes.
— Opor-se à progressão de regime — direito que a lei assegura ao condenado em
condições de o merecer — fora mais do que obstar-lhe a reintegração social, porque
seria matar-lhe a esperança, “que é o último remédio que deixou a natureza a todos
os males” (Vieira, Sermões, 1682, t. II, p. 87).

Voto nº 11.741 — gravo ema execução Nº


990.09.026525-6
Art. 112 da Lei de Execução Penal.
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode
ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
semiaberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária
aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

a
Voto nº 11.742— gravo em xecução Nº e
990.08.181255-0
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode
ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e
refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime
prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
68
proteção da Lei!
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões
do convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art.
93, nº IX, da Const. Fed.).
— Atende à regra do contraditório e, portanto, exime-se da nota de nula, a
decisão que assegura às partes oportunidade de manifestação nos autos,
segundo a fórmula jurídica “audiatur et altera pars” (ouça-se também a parte
contrária).

Voto nº 11.743 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.187138-6


Art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 15 do Dec. Estadual nº 47.236/02.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.744 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.065364-7


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal;
art. 266 do Regimento Interno do Tribunal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem superior
invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana: todo o infrator
sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de iludir
o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que há mais
tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio intermediário, além
de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de exigir do infrator a
reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução
da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº
III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de
recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via
sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 11.745 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.004000-9


Arts. 66, nº III, alínea b, 117, nº I e 197, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido


anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que,
satisfeita a prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a
matéria do litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
69
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 11.746 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.073206-7


Arts. 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
art. 312 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do
Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e
indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz
para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória
(art. 44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 11.747 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.064415-0


Art. 33, “caput”, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.

— Como lhe compete presidir às audiências e prover à instrução dos processos, não será
decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem, no
entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica motivos de
força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição de carta
precatória para o interrogatório do réu, termo essencial do processo e franca
oportunidade de obtenção de prova, imprescindível à busca da verdade real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento ilegítimo
por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez que nem
sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso de força
maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód. Proc.
Penal).
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
na inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
33 da Lei nº 11.343/06).
70

Voto nº 11.748 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.075936-4


Arts. 171 e 109, nº V, do Cód. Penal;
arts. 61, 366 e 393, nº I, do Cód. Proc. Penal.
––“Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade, deverá
declará-lo de oficio” (art. 61 do Cód. Proc. Penal).
––“A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final (...), regula-se pelo
máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime” (art. 109 do Cód.
Penal).
— “Não decorrido o necessário lapso temporal, não se reconhece a prescrição” (STJ;
HC nº 9241/SP; 5a. T., rel. Min. Edson Vidigal; DJU 11.10.99, p.76; v.u).
–– Se o acusado respondeu preso ao processo-crime, será verdadeira abusão lógica
deferir-lhe o benefício da liberdade provisória após sua condenação, pois entre
os efeitos da sentença condenatória recorrível inclui-se precisamente o de “ser o
réu conservado na prisão” (art. 393, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda contava
ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito subjetivo
depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de sua
culpabilidade.

Voto nº 11.749 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.023468-7


Arts. 66, nº III, alíneas b, e e f, e 145, da Lei de Execução Penal;
art. 83 do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em
grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na
via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo de
obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por previsão de lei (art.
66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de Direito da Vara
das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições e violação de
norma de organização judiciária do Estado.
— Não constitui constrangimento ilegal reparável por “habeas corpus” a decisão
que determina a suspensão provisória do curso do livramento condicional
deferido a condenado que cometa novo crime. Trata-se de providência cautelar
prevista em lei, que o Juiz pode tomar até sem a prévia audiência do Conselho
Penitenciário, que será ouvido a seu tempo, antes da decisão a respeito da
revogação definitiva do benefício (art. 145 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 11.750 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.02.035367-


42
Arts. 299 e 29, do Cód. Penal.
71
— Exemplo de boa aplicação do Direito, merece confirmada sentença que, forte em
prova sólida, condena pela prática de crime de falsidade ideológica indivíduo que
produz documento no qual fez inserir declaração falsa, com o fim de alterar a
verdade sobre fato juridicamente relevante (art. 299 do Cód. Penal).
— O crime do art. 299 do Código Penal “não exige a ocorrência de dano para sua
caracterização, sendo suficiente que a conduta se apresente capaz de produzir prejuízo
a terceiro. O bem jurídico protegido na falsidade ideológica é a fé pública e não o
patrimônio” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 19, p. 197; rel.
Min. Flaquer Scartezzini).

Voto nº 11.751— HABEAS cORPUS Nº 990.09.058866-7


Arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
art. 121, § 2º, ns. II, III e IV, do Cód. Penal;
art. 408, § 2º, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 21 do STJ.
— Dado que importa restrição à liberdade, sumo bem do indivíduo, a custódia
cautelar não pode prolongar-se “in aeternum”; daqui a razão por que os Tribunais
de Justiça do País, olhando pela intangibilidade da pessoa humana, tiveram a bem
fixar prazo à instrução criminal de processo de réu preso: 81 dias; este é o último
padrão que separa a legalidade do arbítrio.
–– Não se trata, porém, de termo peremptório nem fatal: ao invés, sujeita-se a
circunstâncias excepcionais (como complexidade da causa, necessidade de inquirir
testemunhas por precatória, adiamento de audiência pela falta de apresentação de réu
preso devidamente requisitado, interposição de recurso pela Defesa, etc.) que
escusam pequena demora no encerramento da instrução. Não está nas mãos de Juiz,
ainda o mais diligente e avisado, conjurar todos os empecilhos que podem alterar o
curso normal do processo.
— O crime de de homicídio qualificado a lei considera hediondo e, pois, em
princípio, insuscetível de liberdade provisória (cf. arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da
Lei nº 8.072/90).
— Não tem direito de aguardar solto seu julgamento pelo Tribunal do Júri o réu que,
pronunciado como incurso nas penas do art. 121, § 2º, ns. III e IV, do Cód.
Penal, não comprovou possuir mérito pessoal que lhe justificasse a outorga do
benefício (art. 408, § 2º, do Cód. Proc. Penal).
—“Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da prisão
por excesso de prazo na instrução” (Súmula nº 21, do STJ).
—“Não há maior tormento no mundo que o esperar” (Vieira,
Sermões, 1959, t. V, p. 210).

Voto nº 11.752 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.070231-1


Arts. 155, § 4º, nº II e 307, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 648, nº II e 654, § 2º, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º da Const. Fed.
— Dos mais sagrados direitos do réu é ver-se processar, rigorosamente, nos prazos
que lhe assina a lei. Donde o haver fixado a Jurisprudência em 81 dias o prazo
legal máximo para a formação da culpa de réu preso. Esse é o marco miliário que
estrema a legalidade do arbítrio.
— Grave que lhe seja o crime e abjeto o caráter, nenhum réu decai nunca da
proteção da lei, que todos iguala (art. 5º da Const. Fed.).
— O escrúpulo de restituir à sociedade, sem julgamento, aquele de seus membros
que fundamente a agravou cede ao dever que tem o Juiz de cumprir a lei e
72
respeitar o direito, ainda que em seu titular pese acusação grave.
—“Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de
habeas corpus, quando no curso do processo verificarem que alguém sofre ou
está na iminência de sofrer coação ilegal” (art. 654, § 2º, do Cód. Proc. Penal).
–– Passa por iniqüidade manter preso, enquanto lhe tramita o processo, réu que poderá,
no caso de condenação, ter cumprido já a máxima parte de sua pena. Ao demais,
ninguém ignora que o cárcere é o pior lugar do mundo antes do cemitério, tendo-
lhe Dostoiévski chamado, com propriedade, a “casa dos mortos”.

Voto nº 11.753 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.082517-0


Art. 121, § 2º, ns. I e V, do Cód. Penal;
art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.
— Não tem direito de aguardar solto seu julgamento pelo Tribunal do Júri o réu que,
denunciado como incurso nas penas do art. 121, § 2º, ns. I e V, do Cód. Penal,
não comprovou possuir mérito pessoal que lhe justificasse a outorga do benefício
da liberdade provisória.
–– “Não foge, nem se teme a inocência da Justiça” (Antônio Ferreira, Castro, ato IV,
cena I, v. 27).

Voto nº 11.754 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.039623-7


Arts. 155, § 4º, ns. II e IV, 171 e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.
–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 11.755 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.075618-7


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.756 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.050640-7


Art. 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
art. 408, § 2º, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 21, do STJ.
— Não tem direito de aguardar solto seu julgamento pelo Tribunal do Júri o réu que,
pronunciado como incurso nas penas do art. 121 do Cód. Penal, não comprovou
possuir mérito pessoal que lhe justificasse a outorga do benefício (art. 408, § 2º,
73
do Cód. Proc. Penal).
—“Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da prisão
por excesso de prazo na instrução” (Súmula nº 21, do STJ).

Voto nº 11.757 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.077428-2


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal;
art. 33 da Lei nº 11.343/2006;
art. 33, § 2º, alínea c, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros
incidentes de execução da pena são da competência originária do Juízo das
Execuções Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-
lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 11.758 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.085716-1


Arts. 157, § 2º, nº I e 311, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 1º da Lei nº 2.252/54;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade
provisória – Roubo praticado mediante concurso de agentes – Necessidade da
custódia cautelar – Ordem denegada.
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva (cf.
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o autor
de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
74
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar como
que se presumem.

Voto nº 11.759 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.039622-9


Arts. 155, § 4º, ns. II e IV, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 11.760 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.053160-6


Arts. 121, § 2º, ns. II e IV, e 310, parág. único, do Cód. Penal;
arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed;
Súmula nº 21, do STJ.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência
do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que
deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons
antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não
valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág.
único, do Cód. Penal) àquele que, acusado de crime grave – como é o
homicídio –, tem contra si a presunção de periculosidade.
— A custódia cautelar, nesse caso, representa não só garantia do processo, mas
inexorável medida política de prevenção da criminalidade e de defesa da
75
ordem social, meta primeira do Estado e aspiração permanente da Justiça.
—“Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da
prisão por excesso de prazo na instrução” (Súmula nº 21, do STJ).

Voto nº 11.761 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.072563-0


Arts. 1º, nº I e 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
art. 121, § 2º, ns. III e IV, do Cód. Penal;
arts. 312, 313 e 408, § 2º, do Cód. Proc. Penal.
— O crime de homicídio qualificado a lei considera hediondo e, pois, em princípio,
insuscetível de liberdade provisória (cf. arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da Lei nº
8.072/90).
— Não tem direito de aguardar solto seu julgamento pelo Tribunal do Júri o réu que,
pronunciado como incurso nas penas do art. 121, § 2º, ns. III e IV, do Cód.
Penal, não comprovou possuir mérito pessoal que lhe justificasse a outorga do
benefício (art. 408, § 2º, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 11.762 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.087690-5


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.
–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p. 16.585).

a
Voto nº 11.763— gravo em xecução Nº e
990.09.007720-4
Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 33 da Lei nº 11.343/06;
art. 52, X e XL, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos),
é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao pedido de
progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido antes da
promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar de Direito
Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores intérpretes,
“é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para suspender a sua
execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs., vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os condenados
por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para efeito de
progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal: cumprimento
de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
76
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464, em
29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal” (HC
nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da Justiça”
(Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 377).

a
Voto nº 11.764— gravo em xecução Nº e
990.09.000655-2
Art. 213 do Cód. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 52, X e XL, da Const. Fed.

— Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar
de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464, em
29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal” (HC
nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07, p.
264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da
Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p.
377).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode
ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
77
semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e
refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime
prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

Voto nº 11.767 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.084454-0


Arts. 171, 175, 272, § 1º, 66 e 69, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

a
Voto nº 11.768— gravo em xecução Nº e
990.09.044711-7
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode
ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e
refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime
prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões
do convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art.
93, nº IX, da Const. Fed.).
78
— Atende à regra do contraditório e, portanto, exime-se da nota de nula, a
decisão que assegura às partes oportunidade de manifestação nos autos,
segundo a fórmula jurídica “audiatur et altera pars” (ouça-se também a parte
contrária).

a
Voto nº 11.769— gravo em xecução Nº e
990.09.019839-7
Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, nº XL e 52, X, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido antes
da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar de
Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para efeito
de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464, em
29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal” (HC
nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07, p.
264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da
Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p.
377).
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-
aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos
estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais
brando.
79
Voto nº 11.770— agravo em execução Nº
990.09.026405-5
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para


a concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da
disciplina do estabelecimento penal para poder, no tempo
oportuno, credenciar-se à outorga de benefícios (art. 112 da
Lei de Execução Penal).

Voto nº 11.771— agravo em execução Nº 990.08.122979-0


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 52, X e XL, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento
ao pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo
cometido antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo
princípio basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode
retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal
para suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in
Rev. Tribs., vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução
Penal: cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos
crimes hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº
11.464, em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de
Execução Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j.
25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que
novos argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a
sacrossanta causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e
Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 377).
80

a
Voto nº 11.772— gravo em xecução Nº e
990.09.031202-5
Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 214, 224, 225, § 2º, ns. I e II, alínea a, 226, nº II e 71 do Cód. Penal;
art. 52, X e XL, da Const. Fed.

— Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar
de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464, em
29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal” (HC
nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07, p.
264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da
Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p.
377).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode
ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
81
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e
refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime
prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

a
Voto nº 11.773— gravo em xecução Nº e
990.09.037463-2
Arts. 127 e 197, da Lei de Execução Penal;
art. 126, § 3º, da Lei nº 7.210/84;
Súmula Vinculante nº 9 do STF;
art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.
— Matéria de grande peso é a de que trata o art. 127 da Lei de Execução Penal —
o condenado que for punido por falta grave perderá o direito ao tempo remido.
—, pois obriga o Juiz a decidir contra a própria consciência, se quiser atender à
letra da lei.
— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o eloquente
Cícero: “Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em
julgado. Portanto, desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar
a autoridade da “res judicata”, um dos principais dogmas em que assenta a
ordem jurídica (art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm
alguma coisa de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de
falta grave cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).
— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal outra
interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº 9, editada
pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever entre os dogmas
jurídicos a perda, para o condenado “que for punido por falta grave”, do direito
ao tempo remido pelo trabalho.

Voto nº 11.774 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.068613-8


Arts. 121, § 2º, ns. I e IV, 288, 14, nº II, 29 e 69, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
82
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.775 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.086694-2


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação,
a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.776 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.070566-3


Arts. 66, nº III, alíneas b e f, e 197, da Lei de Execução Penal.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de
dignidade constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo,
não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
P. 2.561).

Voto nº 11.777 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.047389-4


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em
grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na
via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não é o “habeas corpus” via legal idônea para apressar decisões nem apreciar pedido
de progressão de regime prisional, por implicar análise detida de requisitos objetivos
e subjetivos, reservada à competência do Juízo da execução (art. 66, nº III, alínea b,
da Lei de Execução Penal).

Voto nº 11.778 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.070749-6


Art. 648, nº I e II, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— Notável sabedoria encerra o entendimento jurisprudencial de que o prazo máximo para a
83
formação da culpa de réu preso é de 81 dias, pois repugna ao senso de justiça
permaneça alguém no cárcere, por tempo indefinido, sem julgamento. Para quem está
preso, um dia não vale menos que uma eternidade! Tal meta cronológica, no entanto,
não é fatal nem peremptória, podendo ceder a motivo de força maior, que não está nas
mãos do Juiz prevenir nem remediar.
— Que se ultrapasse ligeiramente a meta de 81 dias, assinada pela jurisprudência dos
Tribunais como o máximo legal permitido para a formação da culpa de réu
preso, pode sofrer-se, no caso que o exijam a segurança social e o rigor da lei.
Que, no entanto, sem lhe esteja liquidada a culpa, permaneça o réu em custódia
por tempo superior a um ano, é excesso que se não pode tolerar, sob pena de
subversão da ordem legal. Nem ao mais empedernido facínora deve o Juiz negar
a aplicação da lei que o favoreça (art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal).
—“Embora o tempo do processo não seja mera soma dos prazos fixados em lei, é de
se afirmar o constrangimento ilegal quando o seu excesso escapa à
razoabilidade” (Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, vol 175, p. 97).
— Em pontos de justiça, ninguém lançou a barra mais longe que o incomparável
Antônio Vieira: “Ao mesmo Demônio se deve fazer justiça, quando ele a tiver”
(Sermões, 1697, t. XI, p. 295).

Voto nº 11.779 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.089309-5


Arts. 310, parág. único e 659, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Para a prisão preventiva não basta a inafiançabilidade do crime, nem a presunção
veemente da existência da criminalidade: é preciso, ainda, para justificá-la, a sua
necessidade indeclinável” (José de Alencar; apud João Mendes de Almeida Jr., O
Processo Criminal Brasileiro, 4a. ed., vol.I, p. 333).
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável, pode o
réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para sua prisão
preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E. de Jesus,
Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 250).

Voto nº 11.780 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.031666-7


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o
Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).
84

Voto nº 11.781 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.077823-7


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em
grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na
via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo
de obter progressão ao regime semiaberto, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve entender o
Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas
atribuições e violação de norma de organização judiciária do Estado.

Voto nº 11.782 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.079587-5


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal;
art. 83, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a


tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o
recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões
de alta indagação.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas
em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso
deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária
do Estado.
–– Não é o “habeas corpus” via legal idônea para apressar decisões nem apreciar
pedido de progressão de regime prisional, por implicar análise detida de requisitos
objetivos e subjetivos, reservada à competência do Juízo da execução (art. 66, nº
III, alínea b, da Lei de Execução Penal).

Voto nº 11.784 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.018879-0


Arts. 50, 66, nº III, alínea b, 117, nº I, 118, nº I e 197, da Lei de Execução
Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
85
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes
de execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— O Juiz que determina a regressão do sentenciado ao regime fechado, em caso de
falta grave, não viola a lei, antes a cumpre com pontualidade. Sua decisão, por
isso, está ao abrigo de reforma na via excepcional do “habeas corpus” (art. 118,
nº I, da Lei de Execução Penal).
—“O retorno ao regime mais gravoso é poder geral de cautela do Juiz, e não padece
de ilegalidade, como dispõe o art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal”
(Rev. Tribs., vol. 745, p. 566; rel. Dante Busana).
— Ainda que instrumento processual de
dignidade constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode
o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a
“causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).

Voto nº 11.785 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.075527-0


Arts. 121, § 2º e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 1º, nº I e 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
art. 408, § 2º, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 21, do STJ.

— O crime de tentativa de homicídio qualificado a lei considera hediondo e, pois,


em princípio, insuscetível de liberdade provisória (cf. arts. 1º, nº I, e 2º, nº II,
da Lei nº 8.072/90).
— Não tem direito de aguardar solto seu julgamento pelo Tribunal do Júri o réu que,
pronunciado como incurso nas penas do art. 121, § 2º, do Cód. Penal, não
comprovou possuir mérito pessoal que lhe justificasse a outorga do benefício.
—“Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da
prisão por excesso de prazo na instrução” (Súmula nº 21, do STJ).

Voto nº 11.791 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.076453-8


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, 169 e 329, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código
de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou
para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312
do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do
crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve
86
ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado,
23a. ed., p. 253).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões, também, se
fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a
Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 11.792 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.082831-5


Art. 44 da Lei nº 11.343/06;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 52 do STJ;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo
ou ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
87
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312
do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do
crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter
o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p.
249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória
(art. 44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 11.793 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.091249-9


Arts. 121, § 2º, ns. I e IV, 155, § 4º, nº IV, 29 e 69 do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.794 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.086272-6


Arts. 155, § 4º, ns. I e IV, § 5º e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.

— Dado que importa restrição à liberdade, sumo bem do indivíduo, a custódia


cautelar não pode prolongar-se “in aeternum”; daqui a razão por que os Tribunais
de Justiça do País, olhando pela intangibilidade da pessoa humana, tiveram a bem
fixar prazo à instrução criminal de processo de réu preso: 81 dias; este é o último
padrão que separa a legalidade do arbítrio.
–– Não se trata, porém, de termo peremptório nem fatal: ao invés, sujeita-se a
circunstâncias excepcionais (como complexidade da causa, necessidade de inquirir
testemunhas por precatória, adiamento de audiência pela falta de apresentação de réu
preso devidamente requisitado, interposição de recurso pela Defesa, etc.) que
escusam pequena demora no encerramento da instrução. Não está nas mãos de Juiz,
ainda o mais diligente e avisado, conjurar todos os empecilhos que podem alterar o
curso normal do processo.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
na inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de furto de veículo automotor, nos termos da figura típica do art. 155, §
5º, do Cód. Penal, incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao
benefício.

Voto nº 11.795 — MANDADO DE SEGURANÇA Nº


990.09.074615-7
88
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem superior
invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana: todo o infrator
sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de iludir
o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que há mais
tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio intermediário, além
de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de exigir do infrator a
reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe causou com o seu crime.
–– Ainda o mais vil dos homens não decai nunca da proteção da lei, pelo que
deve o Juiz olhar sempre não se dilate além da marca o tempo de privação da
liberdade daquele que, em tese, já poderia ter passado a estágio mais brando
de cumprimento de pena (art. 112 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 11.796— HABEAS cORPUS Nº 990.09.081653-8


Arts. 297 e 304, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois,
quer-se revogada. Nesse número merecem contados os casos de
encarceramento de réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão
preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Para a prisão preventiva não basta a inafiançabilidade do crime, nem a
presunção veemente da existência da criminalidade: é preciso, ainda, para
justificá-la, a sua necessidade indeclinável” (José de Alencar; apud João
Mendes de Almeida Jr., O Processo Criminal Brasileiro, 4a. ed., vol.I, p. 333).
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável,
pode o réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para
sua prisão preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E.
de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 250).

Voto nº 11.797 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.091371-1


Arts. 171, “caput”, 14, nº II e 71, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

— De presente, constitui a prisão provisória exceção; a regra geral é defender-se o


réu em liberdade, em obséquio ao princípio da presunção de inocência (art. 5º, nº
LVII, da Const. Fed.). A melhor exegese do texto constitucional, entretanto, é a
que o procura conciliar com a norma do art. 310, parág. único, do Cód. Proc.
Penal. Assim, por amor da segurança da ordem jurídica e cautela dos direitos e
89
interesses sociais, o réu preso em flagrante só poderá defender-se em
liberdade se afiançável seu crime e ausentes os motivos que autorizam a
decretação da prisão preventiva.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código
de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou
para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312
do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do
crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve
ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a.
ed., p. 249).

Voto nº 11.798 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.080404-1


Arts. 33, §4º e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da
sentença condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson
Hungria).
—“Desde a entrada em vigor da Lei nº 11.343/06 (9.10.2006), não se admite a
aplicação de penas alternativas a crimes de tráfico ilícito de drogas” (Damásio E.
de Jesus, Lei de Drogas, 9a. ed., p. 137).

a
Voto nº 11.799— gravo em xecução Nº e
990.09.034076-2
Art. 112 da Lei de Execução Penal.
— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a
concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº 12.453-
SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina do
estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se à outorga
de benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 11.800 — mandado de SEgUrança Nº


990.09.065694-8
Art. 59 do Cód. Penal;
art. 748 do Cód. Proc. Penal.
90
— Mandado de segurança é “remédio judicial restrito à proteção daqueles
direitos cuja certeza e liquidez sejam manifestos e que resistam a uma contestação
razoável” (Themistocles Brandão Cavalcanti, Do Mandado de Segurança, 1957, p.
123).
— Não viola direito liquido e certo decisão que indefere a autor de
infração penal pedido de cancelamento de registro no Distribuidor
Criminal e no Instituto de Identificação do Estado. A conservação
dos registros criminais decorre da vontade da lei.
— Ao determinar que a condenação não será mencionada na folha de
antecedentes do reabilitado (art. 748 do Cód. Proc. Penal), a Lei assegura-
lhe o rigor do sigilo, não o cancelamento dos registros criminais, cuja
conservação importa à ordem social, à segurança pública e aos altos interesses
da Justiça.

Voto nº 11.801 — embargos DE DECLARAÇÃO Nº


990.08.110662-0/5
Arts. 226, II, 535 e 619, do Cód. Proc. Penal.

— Recurso próprio para corrigir equívoco e dirimir dúvida ou contradição, os


embargos de declaração não têm caráter infringente, pelo que devem ser
rejeitados se armam ao fito apenas de impugnar os fundamentos do acórdão (art.
619 do Cód. Proc. Penal).

a
Voto nº 11.802 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.07.093842-0
Arts. 155, § 4º, ns. I e IV, 14, nº II, 107, nº IV, 109, nº V, 110, § 1º e 115,
do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.
— Com o decurso do tempo, “a memória do fato punível apagou-se e a necessidade do
exemplo desaparece” (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal Brasileiro,
6a. ed., p. 171).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão punitiva
estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

a
Voto nº 11.803 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.01.075007-7
Arts. 304, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão punitiva
estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.
91
Voto nº 11.804 — HABEAS cORPUS Nº
990.09.081156-0
Art. 659 do Cód. Proc. Penal.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o
Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente,
lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação, a
situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.805 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.069939-6


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 71, parágrafo único, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio
a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus”
substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
–– Se o acusado respondeu preso ao processo-crime por tráfico de entorpecente, será
verdadeira abusão lógica deferir-lhe o benefício da liberdade provisória após sua
condenação, pois entre os efeitos da sentença condenatória recorrível inclui-se
precisamente o de “ser o réu conservado na prisão” (art. 393, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda contava ser
absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito subjetivo depois de
condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de sua culpabilidade (art.
594 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 11.806 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.084103-6


Art. 155, § 4º, nº III, do Cód. Penal;
arts. 312 e 313, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou
para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312
do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do
crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter
o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed.,
p. 249).

a
Voto nº 11.807 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.06.031996-5
92
Art. 36 do Cód. Criminal do Império do Brasil;
arts. 180, § 1º e 29, do Cód. Penal.
— Por simples presunção ninguém pode decair de seu estado de inocência.
— Nenhuma presunção, por mais veemente que seja, dará motivo para imposição de
pena (art. 36 do Código Criminal do Império do Brasil).
— Toda condenação penal, ainda se trate de acusado de abominável
vida pretérita, somente pode ser decretada em face de prova plena
e cabal de sua culpabilidade.
— Vem a ponto a lição de Nélson Hungria, Mestre insuperável em
Direito Penal: “O texto do art. 180 é iniludível: não basta que o
agente tenha razões para desconfiar da origem criminosa da coisa,
pois cumpre que saiba tratar-se de produto de crime. É
imprescindível o dolo direto, isto é, o conhecimento positivo de que
se está mantendo a situação ilícita decorrente de um crime
anterior” (Comentários ao Código Penal, 1980, vol. VII, p. 306).

a
Voto nº 11.808 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.06.104361-0
Arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76.
— A condenação pelo crime do art. 12 da Lei de Tóxicos – atenta a severidade da pena e a
espécie de regime prisional a que estará sujeito o infrator – pressupõe a certeza do
comércio nefando, e não sua simples probabilidade. Conjecturas com base na
elevada quantidade da substância entorpecente apreendida, por si só, não podem supri-
la. É que a dúvida, na Justiça Criminal, aproveita sempre ao réu: “In dubio pro reo”.
— Ainda que considerável a quantidade de substância entorpecente apreendida na posse
do réu, é prudente o Magistrado que desclassifica para o tipo do art. 16 da Lei nº
6.368/76 (Lei de Tóxicos) o crime previsto em seu art. 12, se a prova dos autos lhe
não revelou, acima de dúvida sensata, ser caso de tráfico.
–– Na dúvida se o acusado é traficante ou usuário de droga, deve prevalecer a
hipótese mais favorável do art. 16 da Lei nº 6.368/76 (Lei de Tóxicos), em
obséquio ao princípio “in dubio pro reo”, que preside soberanamente as decisões
da Justiça Criminal.

Voto nº 11.809 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.096855-0


Arts. 214, 224, letras a e b, e 71, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime (dolo), é
insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas cabe na
instância ordinária, com observância da regra do contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc.
Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de requisito
indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva (cf. art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o autor de atentado violento ao
pudor incide na cláusula restritiva; pelo que não tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado na
Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão preventiva,
quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da
ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal,
desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e que não
93
deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis Ramalhete;
DJU 18.9.81, p. 9.157).
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a decisão
definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc.
Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios suficientes
de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu”
(cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).

Voto nº 11.810 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.045646-9


Art. 121, § 2º, ns. II e IV, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 21, do STJ;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado na
Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão preventiva,
quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da
ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal,
desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a decisão
definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc.
Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios
suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a
condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 253).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime (dolo), é
insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas cabe
na instância ordinária, com observância da regra do contraditório (art. 648, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons antecedentes, prova
de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de
liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Penal) àquele que, acusado de crime
grave – como é o homicídio –, tem contra si a presunção de periculosidade.
— A custódia cautelar, nesse caso, representa não só garantia do processo, mas inexorável
medida política de prevenção da criminalidade e de defesa da ordem social, meta primeira do
Estado e aspiração permanente da Justiça.
—“Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da prisão por
excesso de prazo na instrução” (Súmula nº 21, do STJ).

a
Voto nº 11.811 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.035291-0
Arts. 128, §1º, nº II, 147 e 250, § 1º, nº II, alínea a, do Cód. Penal.

— Não admite censura a sentença que, forte na prova dos autos, condena sujeito
que, por vingar-se da ex-mulher que o abandonara, põe-lhe fogo na casa (art.
250, § 1º, nº II, alínea a, do Cód. Penal).
— O argumento da embriaguez não aproveita ao infrator, exceto se completa e
involuntária. A embriaguez voluntária, dispõe a lei que não elide a
responsabilidade criminal do agente, porque não lhe exclui a
imputabilidade (art. 28, n º II, do Cód. Penal).

a
Voto nº 11.812 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.028824-4
94
Arts. 129, § 1º, nº I e 61, nº II, alínea e, do Cód. Penal;
art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal.

— Se a prova dos autos não desfaz a dúvida quanto à culpabilidade do agente, será
bem que o Juiz o absolva, por amor do princípio de curso universal: “In dubio pro
reo”. Mais do que probabilidade da autoria do crime, a condenação reclama certeza,
que é sua única base legítima.
— Nas querelas domésticas, a punição do acusado implica, muita vez, a ruptura dos
últimos vínculos da afeição conjugal; sua absolvição, ao revés, pode contribuir para
restaurá-los, o que não será obra de pouco momento nem glória desprezível!
— O espírito da lei “não omite um olhar de aplauso aos que, bem intencionados,
procuram a harmonia comum, que principia pela paz nas famílias” (Edgard de
Moura Bittencourt, Vítima, 1a. ed., p. 74).

a
Voto nº 11.817— PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.07.087001-0
Arts. 14, “caput” e 16, parág. único, IV da Lei nº 10.826/03;
arts. 33, § 2º, alínea b e 59, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

–– A posse irregular de arma de fogo de uso permitido tipifica a infração do art. 14, “caput”,
da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), independentemente de perigo
concreto.
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód. Proc.
Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas penas da lei,
donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a Juízo para mentir.
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os perigos
que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que existam controles
ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das Armas de Fogo, 1998, p. 107).
— Esta é também a opinião do insigne Damásio E. de Jesus:“A ratio legis reside
exatamente nisso: para proteger direitos fundamentais do homem, como a vida, o
legislador antecipa a punição a fatos que, de acordo com a experiência, conduzem à
lesão de bem de valor supremo” (Direito Penal do Desarmamento, 5a. ed., p. 44).
— Não há proibição legal de o Juiz conceder regime semiaberto a condenado não
reincidente a pena inferior a 8 anos (art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal); a
concessão de tal benefício unicamente é defesa ao réu condenado a pena que exceda
a 8 anos (não importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja superior a 4
anos.

a
Voto nº 11.818 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.026680-1
Arts. 342, § 1º, 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— Incorre nas penas da lei (art. 342, § 1º, do Cód. Penal) a testemunha
que, ao depor em processo-crime, falta com a verdade acerca de fato
juridicamente relevante, com o intuito de favorecer o réu. A mentira não pode
ter entrada no templo da Justiça!
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
95
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

a
Voto nº 11.819 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.06.072180-1
Arts. 33, 57 e 65, nº III, alínea d, do Cód. Penal;
art. 16, parág. único, nº IV, da Lei nº 10.826/03.

— Pela confissão espontânea do crime, é certo que o réu lavra contra si a própria
sentença condenatória, porém dá exemplo de grandeza moral: demonstra
aborrecer o vício da mentira e talvez se haja arrependido da transgressão à lei.
Não há ilegalidade, pois, em compensar-lhe a nota de reincidência com a
circunstância atenuante obrigatória prevista no art. 65, nº III, alínea d, do Cód.
Penal.
— “Quem se acusa a si mesmo escusa acusador, e faz leve o seu delito”
(Manuel Bernardes, Nova Floresta, 1711, t. III, p. 259).

a
Voto nº 11.820 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.021370-8
Arts. 297, 304, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do


exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

a
Voto nº 11.821— PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.06.065093-9
Art. 16, nº IV, da Lei nº 10.826/03;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

–– A posse irregular de arma de fogo com numeração suprimida tipifica a infração


do art. 16, nº IV, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento),
independentemente de perigo concreto.
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— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo
constitui solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202
do Cód. Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta
à verdade incorre nas penas da lei, donde a inépcia do raciocínio
apriorístico de que o policial vem a Juízo para mentir.
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os
perigos que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que
existam controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das
Armas de Fogo, 1998, p. 107).
— Esta é também a opinião do insigne Damásio E. de Jesus:“A ratio legis reside
exatamente nisso: para proteger direitos fundamentais do homem, como a vida,
o legislador antecipa a punição a fatos que, de acordo com a experiência,
conduzem à lesão de bem de valor supremo” (Direito Penal do Desarmamento,
5a. ed., p. 44).

a
Voto nº 11.822 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.06.053146-8
Art. 33, § 1º, alínea a, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 10 da Lei nº 9.437/97;
art. 16, parág. único, nº IV, da Lei nº 10.826/03;
art. 5º, “caput”, da Const. Federal.

–– Incorre em crime e, pois, sujeita-se às penas da lei aquele que, sem licença da
autoridade, traz consigo, em via pública, arma de fogo com numeração
suprimida, nada importando a inexistência de perigo concreto (art. 16, parág.
único, nº IV, da Lei nº 10.826/03 – Estatuto do Desarmamento).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao arguente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
—“A ratio legis reside exatamente nisso: para proteger direitos fundamentais do
homem, como a vida, o legislador antecipa a punição a fatos que, de acordo com
a experiência, conduzem à lesão de bem de valor supremo” (Damásio E. de
Jesus, Direito Penal do Desarmamento, 5a. ed., p. 44).
— Ao réu de medonha biografia penal convém o regime fechado, no início, que
somente este o poderá reeducar para a vida livre em sociedade, onde o
respeito à ordem e ao patrimônio alheio é dado primordial (art. 33, § 1º,
alínea a, do Cód. Penal).

Voto nº 11.823— aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.02.


019600-5
Arts. 357, parág. único, 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do
exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
97
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

a
Voto nº 11.824— PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.001061-7
Arts. 216, nº III, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do
exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal Brasileiro, 8a.
ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

a
Voto nº 11.825 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.000927-2
Arts. 213 e 224, alínea a, e 14, nº II, do Cód. Penal.
— Tem a palavra da vítima importância capital nos crimes contra a liberdade sexual. Se
ajustada ao conjunto probatório dos autos, enseja condenação: ao cabo de contas,
ninguém se reputa mais apto a discorrer das circunstâncias e autoria do crime que a
pessoa que lhe padeceu diretamente os agravos físicos e morais (art. 213 do Cód.
Penal).

a
Voto nº 11.826 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.02.023191-9
Art. 89 da Lei nº 9.099/95;
arts. 129, “caput”, § 2º, nº IV, 23, 107, nº IV, 109, nº IV, 110, § 1º e 115,
do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.
— Instituto destinado a beneficiar unicamente o infrator de vida pregressa inculpável, o
benefício da suspensão condicional do processo não se aplica a acusado que tenha
outros feitos criminais em andamento (art. 89 da Lei nº 9.099/95).
— Ao réu que alega tese do número das descriminantes legais (art. 23 do Cód. Penal)
cabe demonstrá-lo cumpridamente; se não, entende-se provado o crime, sua autoria
e culpabilidade do agente.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do exemplo
desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
98
a
Voto nº 11.827 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.06.108300-0
Art. 16, parág. único, nº IV, da Lei nº 10.826/03;
art. 10 da Lei nº 9.437/97;
art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, “caput” da Const. Fed.

— A confissão judicial, por seu valor absoluto – visto se presume feita


espontaneamente –, basta à fundamentação do edito condenatório.
— Incorre em crime e, pois, sujeita-se às penas da lei aquele que porta arma de fogo
com numeração raspada, sem justificá-lo (art. 16, parág. único, nº IV, do
Estatuto do Desarmamento).
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os
perigos que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que existam
controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das Armas
de Fogo, 1998, p. 107).
— Do gênero das causas de exclusão de culpabilidade, a inexigibilidade de conduta
diversa requer prova cabal e inequívoca de sua existência, já que se devem
interpretar “restritivamente as disposições derrogatórias do Direito comum”.
“Cumpre opinar pela inexistência da exceção referida, quando esta se não impõe
à evidência, ou dúvida razoável paira sobre a sua aplicabilidade a determinada
hipótese” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 235).

a
Voto nº 11.829 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.05.016823-9
Arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76;
arts. 180, “caput”, 107, nº IV, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— A condenação pelo crime do art. 12 da Lei de Tóxicos – atenta a severidade da pena e a


espécie de regime prisional a que estará sujeito o infrator – pressupõe a certeza do
comércio nefando, e não sua simples probabilidade. Conjecturas com base na
elevada quantidade da substância entorpecente apreendida, por si só, não podem supri-
la. É que a dúvida, na Justiça Criminal, aproveita sempre ao réu: “In dubio pro reo”.
— Ainda que considerável a quantidade de substância entorpecente apreendida na posse
do réu, é prudente o Magistrado que desclassifica para o tipo do art. 16 da Lei nº
6.368/76 (Lei de Tóxicos) o crime previsto em seu art. 12, se a prova dos autos lhe
não revelou, acima de dúvida sensata, ser caso de tráfico.
–– Na dúvida se o acusado é traficante ou usuário de droga, deve prevalecer a
hipótese mais favorável do art. 16 da Lei nº 6.368/76 (Lei de Tóxicos), em
obséquio ao princípio “in dubio pro reo”, que preside soberanamente as decisões
da Justiça Criminal.
— O farol que deve orientar o Juiz na decisão da causa são as provas dos autos. Se elas
não indicam com segurança a culpa do réu, será força pronunciar o “non liquet” e
absolvê-lo.
— Mais que meras conjecturas acerca da culpabilidade do acusado, são necessárias,
para sua condenação, provas tão claras como a luz meridiana: “probationes luce
meridiana clariores” (cf. Giovanni Brichetti, L’Evidenza nel Diritto Processuale
Penale, 1950, p. 111).
— A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
99

a
Voto nº 11.831 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.07.042336-6
Arts. 14, “caput”, e 16, parág. único, IV, da Lei nº 10.826/03;
art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

–– A posse irregular de arma de fogo de uso permitido tipifica a infração do art. 14,
“caput”, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), independentemente
de perigo concreto.
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód.
Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas
penas da lei, donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a
Juízo para mentir.
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os
perigos que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que
existam controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das
Armas de Fogo, 1998, p. 107).
— Esta é também a opinião do insigne Damásio E. de Jesus:“A ratio legis reside
exatamente nisso: para proteger direitos fundamentais do homem, como a vida,
o legislador antecipa a punição a fatos que, de acordo com a experiência,
conduzem à lesão de bem de valor supremo” (Direito Penal do Desarmamento,
5a. ed., p. 44).
— Não há proibição legal de o Juiz conceder regime semiaberto a condenado não
reincidente a pena inferior a 8 anos (art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal); a
concessão de tal benefício unicamente é defesa ao réu condenado a pena que
exceda a 8 anos (não importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja
superior a 4 anos.

a
Voto nº 11.832 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.05.009410-3
Arts. 155, “caput”, 44, § 3º, 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, do Cód.
Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º da Lei de Introdução ao Cód. Civil.

— Aos condenados a pena de curta duração repugna fixar o regime prisional


fechado, pois até aos reincidentes a lei dispensa o benefício da medida
alternativa (art. 44, § 3º, do Cód. Penal).
— “Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às
exigências do bem comum” (art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.
100

a
Voto nº 11.833— gravo em xecução Nº e
990.09.055503-3
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 112 da Lei nº 7.210/84.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode
ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
semiaberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária
aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

a
Voto nº 11.834— gravo em xecução Nº e
990.09.053155-0
Art. 127 da Lei de Execução Penal;
art. 126, § 3º, da Lei nº 7.210/84;
Súmula Vinculante nº 9, do STF;
art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.

— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o eloqüente
Cícero: “Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em julgado.
Portanto, desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar a autoridade da
“res judicata”, um dos principais dogmas em que assenta a ordem jurídica (art. 5º, nº
XXXVI, da Const. Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm
alguma coisa de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de falta
grave cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).
— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal outra
interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº 9, editada
pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever entre os dogmas
jurídicos a perda, para o condenado “que for punido por falta grave”, do direito
ao tempo remido pelo trabalho.
101

a
Voto nº 11.835 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.06.010411-0
Arts. 157, § 3º e 14, II, do Cód. Penal;
arts. 217, 386, ns. IV e VI, 399, § 2º, 563 e 566, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— O direito do réu de estar presente à audiência de inquirição de vítima ou


testemunha não tem caráter absoluto, antes sofre restrição da própria lei, que o
manda retirar da sala, se puder influir no ânimo do depoente e prejudicar a busca
da verdade real, que é a alma e o escopo de todo processo (art. 217 do Cód.
Proc. Penal).
— Não viola o direito de defesa, dogma basilar da Justiça punitiva, o despacho que,
pelo reputar desnecessário (e talvez protelatório), indefere pedido do réu de
conversão do julgamento em diligência para a realização de perícia
complementar. É caso de discrição do Magistrado, ao qual compete avaliar se o
objeto da pretensão pode influir na apuração da verdade substancial ou na
decisão da causa (art. 566 do Cód. Proc. Penal).
— O processo, conforme a comum opinião dos doutores, “é movimento dirigido
para diante” (Vicente de Azevedo, Curso de Direito Judiciário
Penal, 1958, vol. I, p. 24).
— Embora consagrado, de presente, pelo direito positivo — por força da Lei nº
11.719, de 20.6.2008: “O Juiz que presidiu a instrução deverá proferir a
sentença” (art. 399, § 2º, do Cód. Proc. Penal) —, o princípio da identidade
física do juiz não existia antes no processo penal. Pelo que, a alegação de quebra
do citado princípio, com respeito a fato anterior à Lei nº 11.719, de 20.6.2008,
carecerá inteiramente de fomento jurídico, sendo desprezível.
— Nulidade de ato processual somente se declara em face de prova plena e
incontroversa de prejuízo às partes, ou se “houver influído na apuração da
verdade substancial ou na decisão da causa” (arts. 563 e 566 do Cód. Proc.
Penal).
— Isto de permanecer calado no inquérito, conquanto direito
seu, faz contra a presunção de inocência do réu. A razão é que,
se deveras inocente e limpo de crime, tê-lo-ia já proclamado,
como aqueles que são acusados sem causa, pois a todos ensinou
a Natureza a defender-se com a última força. Ordinariamente
falando, é o silêncio do réu a pedra-de-toque de sua culpa.
— Conforme iterativa jurisprudência dos Tribunais, a palavra da vítima, se ajustada
aos mais elementos do processo, justifica decreto condenatório.
—“Se o agente pratica homicídio tentado e subtração patrimonial tentada, a
doutrina unânime ensina que responde por tentativa de latrocínio (art. 157, § 3º,
in fine, c/c o art. 14, II)” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed.,
p. 603).
102
— Incorre nas penas de tentativa de latrocínio o agente que, ao praticar
roubo, efetua disparos de arma de fogo contra a vítima, com evidente
“animus necandi” (arts. 157, § 3º, 2a. parte, e 14, nº II, do Cód. Penal).
— O autor de latrocínio (art. 157, § 3º, “in fine”, do Cód. Penal), crime da classe
dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o “regime inicial fechado”, por força
do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 11.836—Recurso em Sentido Estrito Nº


990.09.036862-4
Art. 121, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— À luz da nova ordem constitucional instaurada no País, a regra geral é que se defenda o
réu em liberdade. Consectário do princípio do estado de inocência (art. 5º, nº LVII,
da Const. Fed.), só por exceção deve o acusado responder preso ao processo.
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não sustente em
indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-se revogada.
Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de réu, quando ausentes
os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc.
Penal).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp. 262-
264; rel. Min. Celso de Mello).
–– Passa por iniquidade manter preso, enquanto lhe tramita o processo, réu que poderá até
ser absolvido. Ao demais, ninguém ignora que o cárcere é o pior lugar do mundo
antes do cemitério, tendo-lhe Dostoiévski chamado, com propriedade, a “casa dos
mortos”.

a
Voto nº 11.837— gravo em xecução Nº e
990.08.185402-3
Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 214 do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, ns. X e XL, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos),
é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao pedido de
progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido antes da
promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar de Direito
Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores intérpretes,
“é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para suspender a sua
execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs., vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os condenados
por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para efeito de
progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal: cumprimento
103
de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464, em
29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal” (HC
nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da Justiça”
(Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 377).

a
Voto nº 11.838— gravo em xecução Nº e
990.09.070828-0
Arts. 86, nº I, 89 e 90, do Cód. Penal;
art. 732 do Cód. Proc. Penal;
arts. 145 e 146, da Lei de Execução Penal.
—“Se até o seu término o livramento não é revogado, considera-se extinta a pena
privativa de liberdade” (art. 90 do Cód. Penal).
––“Uma vez cumpridas as condições e expirado o prazo do livramento condicional
sem revogação (art. 90 do Cód. Penal), a pena é automaticamente extinta” (STJ;
RHC nº 8.363-RJ; 6a. Turma; rel. Min. Fernando Gonçalves; DJU 24.5.99, p.
202).
–– É questão vitoriosa nos Tribunais que a revogação do livramento
condicional somente pode ocorrer durante o período de prova (art. 86 do
Cód. Penal).
–– “Terminado o período de prova sem revogação, a pena privativa de liberdade
deve ser julgada extinta” (Julio Fabbrini Mirabete, Execução Penal, 11a.
ed., p. 599).

a
Voto nº 11.839— gravo em xecução Nº e
990.08.108295-0
Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 66, nº III, alínea b, e 112, da Lei de Execução Penal;
art. 52, X e XL, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar
de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
104
—“ O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos
crimes hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº
11.464, em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é
a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da
Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p.
377).

a
Voto nº 11.840— gravo em xecução Nº e
990.09.041696-3
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
Dec. Presidencial nº 5.620/05.

—“O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a


concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina do
estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se à outorga
de benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).

a
Voto nº 11.847— gravo em xecução Nº e
990.09.055510-6
Art. 213 do Cód. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 52, X e XL, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar
de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal”
(HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07,
p. 264);
105
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da
Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p.
377).
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal,
isto é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime
semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e
refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime
prisional mais brando.

a
Voto nº 11.848— gravo em xecução Nº e
990.09.064874-0
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal —
não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com
a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os requisitos
da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça Criminal,
senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para o caminho
do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se, efetivamente, no
convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

a
Voto nº 11.849 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.03.079517-3
Arts. 304, 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do exemplo


desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.
106
Voto nº 11.850 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº
993.06.051372-9
Arts. 168, § 1º, nº III, 24 e 117, nº I, do Cód. Penal.

— “Não decorrido o necessário lapso temporal, não se reconhece a prescrição”


(STJ; HC nº 9241/SP; 5a. T., rel. Min. Edson Vidigal; DJU 11.10.99, p.76; v.u).
— Comete crime de apropriação indébita agravada (art. 168, § 1º, nº III, do Cód.
Penal) o agente que, encarregado de efetuar cobranças, recebe dinheiro de
cliente e não presta contas à empresa, antes o usa em proveito próprio.
— A necessidade faz do homem o que quer, reza o aforismo jurídico: “necessitas
non habet legem”. Mas só constitui causa excludente de criminalidade se o
agente não podia conjurar o mal, exceto com o sacrifício do bem jurídico alheio
(art. 24 do Cód. Penal). A mera alegação de estreiteza de recursos,
desacompanhada de prova cabal e convincente, não basta para o reconhecimento
da descriminante legal, senão se converteria em razão universal de impunidade.

Voto nº 11.851 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.105111-0


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação,
a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 11.852— HABEAS cORPUS Nº 990.09.059356-3


Arts. 50, nº II, 66, nº III, alínea b, 117, nº I, 118, nº I e 197, da Lei de
Execução Penal;
arts. 155, “caput” § 4º, nº IV, 14 e 71, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a


tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o
recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões
de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea “b”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Consoante orientação do STF (cf. Rev. Tribs., vol. 763, p. 485), não configura
constrangimento ilegal reparável por “habeas corpus” a decisão do Juízo de
Direito da Vara das Execuções Criminais que determina a regressão cautelar e
107
provisória do condenado, sem sua prévia audiência, em razão de falta grave
(art. 50, nº II, da Lei de Execução Penal).
— O Juiz que determina a regressão do sentenciado ao regime fechado, em caso de
falta grave, não viola a lei, antes a cumpre com pontualidade. Sua decisão, por
isso, está ao abrigo de reforma na via excepcional do “habeas corpus” (art. 118,
nº I, da Lei de Execução Penal).