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TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL APELANTES:

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL

APELANTES: JOSÉ GERALDO RIVA JOSÉ QUIRINO PEREIRA E OUTRO(s) NIVALDODE ARAÚJO E OUTRO(s) HUMBERTO MELO BOSAIPO MINISTÉRIO PÚBLICO APELADOS: JOSÉ QUIRINO PEREIRA E OUTRO(s) MINISTÉRIO PÚBLICO JOSÉ GERALDO RIVA

Número do Protocolo: 19615/2011 Data de Julgamento: 07-05-2013

EMENTA

RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO CIVIL PÚBLICA -

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - PRIMEIRA QUESTÃO DE ORDEM:

PEDIDO DE ADIAMENTO DO JULGAMENTO - RECENTE CONSTITUIÇÃO

DE NOVOS ADVOGADOS/DEFENSORES DO APELANTE JOSÉ RIVA -

ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE ACESSO AOS AUTOS -

SUBSTABELECIMENTO DOS ANTIGOS ADVOGADOS COM RESERVA DE

PODERES – RELATÓRIOLANÇADO HÁ QUASE DOIS ANOS – REJEITADA.

SEGUNDA QUESTÃO DE ORDEM: SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO

EM FACE DE DECISÃO DO STJ EM OUTROS AUTOS - PRERROGATIVADE

FORO - CONSELHEIRO DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO -

JURISPRUDENCIA DO STJ DIVERGENTE DE ASSENTADA

JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - RECENTES

DECISÕES DO STF CASSANDO DECISÕES DO STJ - RE 691489/DF E RCL

15131MC/RJ - REJEITADA. PRIMEIRA PRELIMINAR: NULIDADE DA

SENTENÇA EM FACE DA INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO SINGULAR -

AUSÊNCIA DE JURISDIÇÃO DA VARA ESPECIALIZADA EM AÇÃO CIVIL

PÚBLICA E AÇÃO POPULAR - EDIÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR

ESTADUAL N.º 313/2008 - COMPETÊNCIA E FUNCIONAMENTO

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL ASSEGURADOS

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ASSEGURADOS POR DECISÃO LIMINAR DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA (ADI

41659/2008) - LIMINAR MANTIDA POR DECISÃO MONOCRÁTICA -

MINISTRO CELSO DE MELLO - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (ADI N.º

4138/MT CONTRA A MESMA LEI E EM FACE DE OFENSA A PRINCÍPIOS

CONSTITUCIONAIS FEDERAIS) - REJEITADA. SEGUNDA PRELIMINAR:

IMPOSSIBILIDADE DE DESENVOLVIMENTO VÁLIDO E REGULAR DO

PROCESSO - NULIDADE DO INQUÉRITO CIVIL - EXTRAPOLAÇÃO DO

PRAZO PARA CONCLUSÃO - INCOMPETÊNCIA DO PROMOTOR QUE O

PRESIDIU - AFRONTA AOS ARTIGOS 283 e 396 DO CPC – AFRONTA ÀS

RESOLUÇÕES 001/2001 e 005/2004 DO CONSELHO SUPERIOR DO

MINISTÉRIO PÚBLICO – AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DE PRAZO

PARA CONCLUSÃO DO INQUÉRITO CIVIL – NÃO SUJEIÇÃO AO

PRINCÍPIO DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO – PRAZO DE

CONCLUSÃO DILATADO PELA RESOLUÇÃO 23/2007 DO CONSELHO

SUPERIOR DO MP - LEGALIDADE DA ATUAÇÃO DE PROMOTORES DE

JUSTIÇA – NOMEAÇÃO POR DELEGAÇÃO DO PROCURADOR GERAL DE

JUSTIÇA – PEÇA INFORMATIVA – REJEITADA TERCEIRA

PRELIMINAR: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – JULGAMENTO

ANTECIPADO DA LIDE - FATOS NUCLEARES SEM CONTROVÉRSIAS -

CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS E AQUISIÇÃO DE PRODUTOS

PELA ADMINISTRAÇÃO DEVEM SER DOCUMENTALMENTE PROVADOS -

ABSOLUTA DESNECESSIDADE DA PROVA ORAL - EXIGÊNCIA DE

PROCEDIMENTO LICITATÓRIO E SUA AMPLA PUBLICIDADE -

RELATÓRIO DO TRIBUNAL DE CONTAS NÃO SUBSTITUI A PROVA

DOCUMENTAL E NÃO IMPEDE O CONTROLE JUDICIAL DOS ATOS

PÚBLICOS - DEVER DE AGIR DOS MEMBROS DA MESA DIRETORA DA

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA: AUTORIZAR DESPESAS E PROMOVER

CONCORRÊNCIAS PÚBLICAS - DOLO EVIDENCIADO PELO CONJUNTO

DOS FATOS E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS - REJEITADA QUARTA

PRELIMINAR: ALEGAÇÃO DE CONFLITO ENTRE A LEI Nº 8429/92 E A

LEI Nº1079/50 - INAPLICABILIDADE DA LEI DE IMPROBIDADE

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL ADMINISTRATIVAAOS

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL

ADMINISTRATIVAAOS AGENTES PÚBLICOS - INOCORRÊNCIA - OFENSA

AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA - PRECEDENTES DO

STF - REJEITADA. QUINTA PREJUDICIAL: PRESCRIÇÃO - NÃO

SUSCITADA NAS RAZÕES RECURSAIS - APENAS REBATIDA EM

PARECER DA PROCURADORIA DE JUSTIÇA - PRINCÍPIO DA

DIALETICIDADE - NÃO CONHECIMENTO. MÉRITO: APELO DOS REUS:

ALEGAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA EMPRESA FAVORECIDA CONSTATADA

NO RELATÓRIO DO TRIBUNAL DE CONTAS: IRRELEVÂNCIA -

ALEGAÇÃO DE QUE OS SERVIÇOS FORAM PRESTADOS: AUSÊNCIA

ABSOLUTA DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS PÚBLICOS OU PRIVADOS,

TAIS COMO CONTRATOS, NOTAS DE EMPENHO, PAGAMENTO OU

LIQUIDAÇÃO, RELATÓRIOS, ORDENS DE SERVIÇOS, RECIBOS DO

INDISPENSÁVEL PROCEDIMENTO LICITATÓRIO RELACIONADO COM A

PRESTAÇÃO DOS ALEGADOS SERVIÇOS - CONTAS APROVADAS PELO

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO: IRRELEVÂNCIA - LIAME

SUBJETIVO DEMONSTRAÇÃO EVIDENCIADA PELO CONJUNTO

PROBATÓRIO - ATOS DE IMPROBILIDADE DEMONSTRADAS À

SACIEDADE - PRESENÇA DO DOLO E LIAME SUBJETIVO DAS

CONDUTAS - DANO AO ERÁRIO - SANÇÕES APLICADAS:

RESSARCIMENTO SOLIDÁRIO DOS DANOS PÚBLICOS - SUSPENSÃO DOS

DIREITOS POLÍTICOS - PRAZO MÍNIMO - PERDA DAS FUNÇÕES

PÚBLICAS - MULTA CIVIL - OBEDIÊNCIA AOS PRINCÍPIOS DA

RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. APELOS IMPROVIDOS.

APELO ADESIVO DO MINISTÉRIO PÚBLICO: PERDA DA FUNÇÃO

PÚBLICA DE PRESIDENTE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA E

CONSELHEIRO DO TRIBUNAL DE CONTAS - ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA

DE INTERPOSIÇÃO RECURSAL TEMPESTIVA - POSSIBILIDADE DO

PEDIDO EM RECURSO ADESIVO - IMPRESCINDIBILIDADE DA SANÇÃO -

OBEDIÊNCIA AOS DITAMES LEGAIS - APELO MINISTERIAL PROVIDO.

1. Não se adia o julgamento de Recurso de Apelação, a pedido de

advogado da parte Recorrida e recentemente substabelecido, se a outorga do

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL substabelecimento

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substabelecimento do mandato foi com reservas de poderes e se o relatório do

recurso houvera sido lançado nos autos há quase dois anos;

2. Deve ser indeferido o pedido de sobrestamento do julgamento

de Recurso de Apelação, em virtude de decisão liminar do Superior Tribunal de

Justiça que reconheceu a prerrogativa de foro de um dos requeridos nomeado

Conselheiro de Tribunal de Contas Estadual, se a decisão do STJ é divergente da

assentada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal;

3. "Consoante liminar exarada na ADI nº 41659/2008 e

preservada também em decisão liminar na ADI nº 4138/MT, pelo Supremo

Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade,

subsiste a competência da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação

Popular da Comarca de Cuiabá, para processamento e julgamento das ações civis

(TJMT; RAC n.º 102084/2010; 4ª C. Cível; Rel. Des.

Mariano Alonso Ribeiro Travassos; Julg. 12-07-2011).

4. A lei nº 7.347/85 não prevê prazo para o encerramento do

Inquérito Civil, logo, ele não está sujeito ao princípio da razoável duração do

públicas e populares. (

).”

processo. A Resolução 23/2007 do Conselho Superior do MP autoriza a dilação

do prazo de conclusão do Inquérito Civil quantas vezes forem necessárias.

5. “O inquérito civil, como peça informativa, tem por fim embasar

a propositura da ação, que independe da prévia instauração do procedimento

administrativo. Eventual irregularidade praticada na fase pré-processual não é

capaz de inquinar de nulidade a ação civil pública, assim como ocorre na esfera

penal, se observadas as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do

contraditório. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não

provido.” (STJ; REsp 1119568/PR; 1ª Turma; Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima;

Julg. 02-09-2010; DJe 23-09-2010).

6. “ julgamento antecipado da lide não ocasiona cerceamento de

defesa quando o Juízo entende que não há mais controvérsia quanto aos fatos

nucleares da demanda, restando apenas o deslinde das questões de direito.”

(REsp 973.686/PR; 2ª Turma; Rel. Min.Humberto Martins; Julg. 15-09-2009;

DJe 30-09-2009).

O

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL 7.

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL

7. A contratação de serviço público ou a aquisição de produtos pela

Administração Pública não se prova por testemunha, mas por documentos,

iniciando-se com o procedimento licitatório, formal por excelência, com ampla

publicidade.

8. O Relatório do Tribunal de Contas não substitui a prova

documental, porquanto não tem caráter jurisdicional e não impede o controle

judicial,por expressa disposição do artigo 21 da Lei 8.429/1992.

9.

“( A questão acerca da aplicabilidade da LIA aos agentes

)

políticos está firmada no STJ no sentido de que: a) os agentes políticos se

submetem aos ditames da Lei de Improbidade Administrativa, sem prejuízo da

responsabilizaçãopolítica e criminalestabelecida no Decreto-Lei 201/1967; e b) o

STF, no julgamento da Reclamação 2.138, apenas afastou a incidência da Lei

8.429/1992 com relação ao Ministro de Estado então reclamante, e nos termos da

Lei 1.079/1950, que não se aplica a prefeitos e vereadores. (

)” (AgRg no

AREsp 48.833/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,

julgado em 26/02/2013, DJe 18/03/2013)

10. A sentença recorrida demonstrou que os Apelantes tinham

conhecimento completo da ilicitude dos fatos e a eles aderiram, através da prova

documental encartada nos autos, levando em conta a frequência, a periodicidade

dos pagamentos, o modo como os cheques foram trocados na boca do caixa e

descontados na Factoring, e, por fim, a inexistênciade vestígios de existência real

da empresa beneficiária e a ausência de qualquer documento que comprovasse a

existência de processo licitatório, impondo-se a aplicação das sanções previstas

na Lei de Improbidade Administrativa.

11. A descrição do ato ímprobo na sentença recorrida não se limitou

na emissão dos cheques: o ato de improbidade administrativa é complexo,

iniciando com a constituição fraudulenta de empresa fictícia, forjando licitação

junto à AssembleiaLegislativa deste Estado.

12. "Medida de caráter obrigatório, conforme se pode inferir do sistema,

é a perda da função pública, na medida em que, se comprovado o ato de

improbidade administrativa, o agente público haverá de perdê-la seja mediante a

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL persecução

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persecução judicial civil (ação principal de que trata a Lei 8.429/92), seja na esfera

penal, como efeito da condenação (art. 92, I, do CP), seja na esfera administrativa

(art. 132 da Lei 8.112/90), seja, ainda, na esfera da responsabilidade política (art. 2º

da Lei 1.079/50). Para todas essas modalidades de responsabilidade, caracterizado o

ato de improbidade administrativa, a Constituição e a legislação infraconstitucional

prescrevem a aplicação da pena de perda da função pública, não podendo o

magistrado omiti-la. Frise-se: haja vista a identidade de razões, a perda da função

pública é também obrigatória no regime da Lei 8.429/92." (ATO DE

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA: 15 anos da Lei 8.429/1992, Mateus

Bertoncini - São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007).

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APELANTES: JOSÉ GERALDO RIVA JOSÉ QUIRINO PEREIRA E OUTRO(s) NIVALDODE ARAÚJO E OUTRO(s) HUMBERTO MELO BOSAIPO MINISTÉRIO PÚBLICO APELADOS: JOSÉ QUIRINO PEREIRA E OUTRO(s) MINISTÉRIO PÚBLICO JOSÉ GERALDO RIVA

RELATÓRIO

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

Egrégia Câmara:

Trata-se de Recursos de Apelação interpostos por JOSÉ GERALDO

RIVA;HUMBERTO MELO BOSAIPO; NIVALDO DE ARAÚJO; GERALDO LAURO; JOEL

QUIRINO PEREIRA e JOSÉ QUIRINO PEREIRA contra decisão proferida nos autos da Ação

Civil Pública n.º 206/2008, em trâmite pela Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação

Popular da Comarca de Cuiabá, que julgou procedente o pedido do Ministério Público Estadual,

dando os Apelantes como incursos nas sanções do artigo 10, “caput” da Lei n.º 8429/92 e os

condenou ao ressarcimento solidário dos danos causados aos cofres da Assembléia Legislativa

do Estado.

A decisão objurgada afastou as questões preliminares de cerceamento de

defesa e nulidade do Inquérito Civil Público que serviu de base à propositura da ação cível em

comento e, no mérito:

a) reconheceu a ocorrência de atos de improbidade administrativa

praticados pelos Apelantes, condenando-os ao ressarcimento solidário de dois milhões,

seiscentos e cinqüenta e seis mil, novecentos e vinte e um reais e vinte centavos, corrigidos

monetariamente e acrescidos de juros legais, desde a época do desfalque até a data do efetivo

ressarcimento;

b) declarou a indisponibilidade dos bens dos apelantes até o limite do

valor atualizado a ser ressarcido;

c) condenou os Apelantes José Geraldo Riva e Humberto Melo Bosaipo

ao pagamento de multa civil de uma vez o valor corrigido do dano, porquanto gestores;

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d) decretou a perda da função pública dos Apelantes servidores Geraldo

Lauro e Nivaldo de Araújo;

e) determinou o afastamento do Apelante José Geraldo Riva do exercício

das funções administrativas e de gestão inerentes ao cargo de Presidente da Assembléia

Legislativa do Estado, de modo a impedir novos desvios, bem como qualquer tipo de obstáculos

ao cumprimento da decisão;

f) determinou a suspensão dos direitos políticos de todos os Apelantes,

pelo prazo de cinco anos; e

g) proibiu os Apelantes Joel Quirino Pereira e José Quirino Pereira de

contratarem com o poder público em qualquer modalidade de licitação, direta ou indiretamente,

por meio de empresas nas quais figurem como sócios, administradores ou prepostos, pelo

período de cinco anos.

Irresignados, os Apelantes arguem preliminar de incompetência do juízo

singular e a consequente nulidade da decisão; a inaplicabilidade da lei de Improbidade

Administrativa aos agentes políticos; cerceamento do direito à ampla defesa e contraditório

decorrente do julgamento antecipado da lide e prescrição. No mérito, asseguram a licitude

integral do processo licitatório, devidamente comprovada pelo Tribunal de Contas do Estado,

bem com o descabimento das sanções impostas. Pretendem a reforma total do decisum.

Em contra-razões, o MINISTÉRIO PÚBLICO assevera o acerto da r.

sentença recorrida e, apresenta RECURSO ADESIVO aos Apelos de José Geraldo Riva e

Humberto Melo Bosaipo, a fim de que lhes seja imposta a perda do cargo de Presidente da

AssembléiaLegislativa e conselheiro do Tribunal de Contas, respectivamente.

O recurso adesivo foi contra-razoado, sustentando-se a impossibilidade

da pretensão antes de decisão transitada em julgado.

O parecer da ilustrada Procuradoria Geral de Justiça, da lavra do Dr.

Edmilson da Costa Pereira é rejeição das preliminares e, no mérito pela manutenção integral da

sentença com improvimento de ambos os apelos.

É o relatório.

À douta Revisão.

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S U S T E N T A Ç Ã O (ORAL)

EXMO. SR. DR. GEORGE ALVES

Muito obrigado.

ExcelentíssimaSenhora Presidente, relatora da Apelação 19615/2011;

ExcelentíssimoSenhor Desembargador Revisor;

Excelentíssima Senhora Terceira Desembargadora, componente desta

Câmara.

Primeiramente, Excelência, gostaria de suscitar duas questões de ordem.

Uma decorrente da ausência de tempo para que fosse preparada uma defesa técnica à altura de

que o caso demanda, tendo em vista que esses novos patronos ingressaram, na presente apelação

criminal, praticamente há um mês, e durante esse interregno os autos estavam conclusos à

Eminente Relatora, após foi passado ao Eminente Revisor e logo foi publicado pauta, motivo

pelo qual não pudemos ter acesso aos documentos que compõem o processo, somente nos foi

fornecido como inicialdo Ministério Público, apelação cível.

De forma que gostaríamos de pedir vênia para que Vossa Excelência

adiasse por, pelo menos, mais uma sessão a data desse julgamento e que eu possa ser intimado da

nova data.

A segunda questão de ordem consiste no fato de que tanto o apelante

como o Doutor e co-réu, Humberto Bosaipo, ingressaram com uma Reclamação n.10037 do

Mato Grosso, perante o Superior Tribunal de Justiça, alegando a incompetência deste Tribunal

para julgar membro do Tribunalde Contas do Estado.

Por ocasião da decisão liminar proferida pelo Ministro Relator, restou

consignado de que compete realmente à Corte Superior e não ao Tribunal de Justiça de Mato

Grosso julgar membro do Tribunal de Contas.

Nesse caso específico por quê? Porque, na verdade, o afastamento dele é

somente cautelar e não definitivo.

Por esse motivo, o Ministro Relator concedeu liminar em caso

rigorosamente idêntico ao vertente, suspendendo os efeitos do acórdão, e por óbvio da

respeitável sentença de Primeira Instância, haja vista que usurpou a competência do Colendo

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Superior Tribunalde Justiça.

Em decorrência desse fato e para que não seja alegado posteriormente ao

julgamento desse Colendo Tribunal, pedimos vênia para que Vossa Excelência acate essas duas

questões de ordem anteriormente ao julgamento.

Caso Vossa Excelência não entenda por bem acatar o julgamento,

adentrarei ao mérito da questão, Excelência.

Acredito que Vossa Excelência irá avançar as questões de ordem,

posteriormente.

Perfeito, Excelência.

Como já lido o relatório da douta Relatora, trata-se de apelação cível em

decorrência de uma condenação, interposta pelo Juízo da Vara Especializada de Improbidade

Administrativa, que julgou antecipadamente a lide para condenar o apelante por supostas

irregularidades na contratação de serviços da Empresa Sereia Publicidades e Eventos que

prestava serviços à AssembléiaLegislativa desse Estado.

Em 2006, o Ministério Público ingressou com a presente ação civil

pública com ressarcimento de danos ao erário para que fosse o apelante e os demais co-réus

condenados às penas da Lei 8.429/92. Nesta oportunidade, requisitou diversas quebras de sigilo,

as quais foram deferidas. Posteriormente, o juiz intimou, após a inicial do Ministério Público, o

apelante para que oferecesse informações acerca das provas que deveria produzir. Naquela

oportunidade, os advogados se manifestaram, apresentaram 7(sete) testemunhas, dentre elas

funcionários da Comissão de Licitação da Assembléia Legislativa do Estado Mato Grosso e

outros contadores que supostamente teriam conhecimento dos fatos, não supostamente

envolvidos, mas que teriam conhecimento direto dos fatos.

O Douto Juiz, sem se manifestar acerca dessa produção probatória

houve por bem julgar antecipadamente a lide sem mesmo chamar o feito e sanear o processo,

motivo pelo qual se o fizesse, com toda certeza, os antigos patronos teriam ingressado, se fosse

o caso, com agravo de instrumento, a fim de fazer com que o juízo ao menos ouvisse as

testemunhas e pudesse o apelante, naquela oportunidade, apresentar os documentos do Tribunal

de Contas que aprovaram esse negócio jurídico, travado entre a Assembléia Legislativa e a

Empresa Sereia Publicidade. Ou seja, a questão neste momento não se tratava somente de

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mérito, somente de direito. Ela se tratava também de questões fáticas.

Como antecipei, na verdade, não tivemos acesso aos documentos que

foram juntados aos autos, mas até agora essa nova defesa, que é a nossa, nos causa certa

perplexidade pelo fato de não ter sido fornecido, autorizado, outorgado esse direito do apelante

de fazer prova dos autos, ou seja, ele foi condenado simplesmente com base no procedimento

inquisitorialdo Ministério Público.

Ora, até o momento não sei se essa empresa Sereia de Publicidade foi

constituída de fachada, ou se ela nunca existiu, ou se nunca prestou serviço. Isso não restou claro

até agora.

Na verdade, o que o Ministério Público comprovou foi que alguns atos

constitutivos da empresa eram fraudulentos. Isso é indubitável dos autos, ao que tudo indica.

Mas o fato é que ela foi constituída para prestar serviço de forma fraudulenta, ou ela foi

constituída para elidir tributo? Esses serviços de publicidade foram efetivamente prestados? Isso

não está claro nos autos, ou seja, por isso que deveria ter sido oportunizado ao apelante a

possibilidadede fazer prova desses fatos.

Não entendo os motivos, talvez por não ter acompanhado aqui algumas

questões da própria região, mas não entendo os motivos do juiz ter julgado, com todo respeito,

de afogadilho, a toque de caixa. Não ter fornecido oportunidade de o apelante apresentar, na

época, o acusado, de apresentar seu rol de testemunhas e ter ouvido suas testemunhas, ter

fornecido os documentos que comprovariam a prestação de serviços, a ausência de danos ao

erário. Algo aconteceu que foge a alguns fundamentos jurídicos.

Realmente nesse ponto, não vejo como prosperar a sentença vergastada.

Nesse caso, realmente há uma nulidade gritante, pode-se dizer de

passagem, em decorrência do cerceamento de defesa do apelante.

Quanto à inexistência de vínculo entre os atos praticados pelo então

Presidente da Assembléia, Dr. Geraldo Riva, também não demonstrou, de forma cabal, o elo de

ligação entre os atos por ele praticados e os atos que são hoje objeto da presente ação civil

pública.

Principalmenteem decorrência do cerceamento de defesa, a gente espera

e confia aqui que seja anulada a respeitável sentença, a fim de que seja oportunizado e

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devidamente instruído esse processo para que seja proferido um julgamento justo e equânime,

em decorrência das ações supostamente praticadas pela apelante.

É o que, em síntese, a nova defesa tem a sustentar.

Obrigado, Excelência!

P

A R E C E R (ORAL)

O

SR. DR. LUIZ EDUARDO MARTINS JACOB

ExcelentíssimaSenhora Presidente;

Egrégia Câmara;

Nobre Advogado:

O nobre Advogado de um dos recorrentes levanta duas questões de

ordem almejando o adiamento desse julgamento. A primeira refere-se ao fato de que foi

constituído há apenas um mês e por essa razão não teve acesso a todos os documentos.

Pois bem, a medida não deve ser deferia uma vez que a ação se arrasta

pelo judiciário, em primeira e, agora, em segunda instância há muitos anos. Diante disso, o fato

de o advogado ter sido substituído há um mês não pode ensejar a suspensão do julgamento

porque teria como ter tomado conhecimentos dos autos.

A segunda alegação, que também culmina com o pedido de adiamento

do julgamento é a da incompetência do juízo para o julgamento do Conselheiro Humberto

Bosaipo - membro do Tribunal de Contas. Essa questão também foi bem rebatida no parecer da

Procuradoria Geral de Justiça e, embora o Superior Tribunal de Justiça tenha sinalizado com a

mudança de entendimento com relação ao foro privilegiado. A verdade é que o STF não decidiu

de forma definitiva essa questão, mas seus membros têm sinalizado que esse entendimento do

Superior Tribunalde Justiça não será acolhido.

Cumprindo o que dispõe a Constituição Federal, que faz distinção entre

a ação de improbidade e a ação penal e, de acordo com a própria legislação de regência, o

julgamento da ação de improbidade administrava, por sua natureza, continuará sendo da

competência do juízo de primeiro grau, uma vez que essas autoridades não detêm foro

privilegiadopara esse tipo de ação, que não é penal.

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Com relação às outras questões, principalmente as de cerceamento de

defesa, que o nobre Advogado procura desenvolver melhor na sua sustentação oral, também não

vejo como acolher a sua pretensão, uma vez que essa questão foi bem debatida no parecer da

Procuradoria Geral de Justiça.

O Ministério Público, nesse e nos outros processos que tramitam contra

o Presidente da Assembléiae o Conselheiro Humberto Bosaipo - do Tribunal de Contas, buscou

nesses dez anos documentos que comprovassem que o serviço foi realizado e que houve um

processo de licitação. Tanto que precisou socorrer-se do Poder Judiciário, valendo-se de

medidas de busca e apreensão para ter acesso a esses documentos e, não conseguiu. Portanto, a

luta do Ministério Público para trazer aos autos a prova, que inclusive era ônus dos réus, foi

muito grande nesses anos todos.

Os requeridos, em momento algum, forneceram esses documentos.

Nunca, sempre os negaram, mesmo diante do cumprimento de medidas judiciais de busca e

apreensão o Ministério Público não conseguiu essa documentação.

Deste modo, entendeu bem o magistrado em julgar antecipadamente a

lide, porque dado que a prova era documental, os fatos estavam bem demonstrados, de forma

que penso que a produção de prova testemunhal nada acrescentaria aos fatos.

Todos os argumentos que estou aqui repisando foram bem debatidos

durante a instrução, tanto pelo juiz como pelo Procurador de Justiça que se manifestou nos

autos, de modo que não tenho nada a acrescentar ao parecer do Dr. Edmilson da Costa Pereira,

Procurador de Justiça, razão pela qual pugno pela ratificação do parecer e pelo desprovimento

dos recursos.

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TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL (CONTINUAÇÃO DE JULGAMENTO)

ESCLARECIMENTO E VOTO (PRIMEIRA QUESTÃO DE

ORDEM LEVANTADAPELO ADVOGADO)

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K. BARANJAK

(RELATORA)

Eminentes Pares:

Vou colocar em votação a primeira questão de ordem suscitada pela Dr.

George Alves com referência à ausência de tempo para que ele pudesse ter acesso aos autos,

estou indeferindo essa questão de ordem, porque entendo que o relatório que li a Vossas

Excelências, no início do julgamento, é datado de 25 de julho 2011, isto é, são quase 02(dois)

anos só de relatório. Inclusive hoje, estive conversando com Dr. George, precisei explicar que

como o voto foi feito em julho de 2011, agora que o processo foi verdadeiramente colocado em

pauta, tive que refazer o voto inteiro em face dos novos entendimentos, dos novos julgamentos

de ações penais, de ações civis públicas ocorridos aqui, envolvendo as mesmas partes.

De forma que peço vênia a Vossa Excelência, mas o advogado pode

reassumir o momento que ele quiser, a parte tem direito de contratar quantos advogados ela

puder e quiser, mas o advogado novo recebe os autos na fase, no momento em que se encontra,

de modo que peço vênia a Vossa Excelência e indefiro a questão de ordem.

VOTO

EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

De acordo com o voto da Relatora.

VOTO

EXMO. SR. DR. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS (REVISOR)

Egrégia Câmara:

Senhora Relatora e Presidente desta Câmara:

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Não minimizando a importância do advogado que assomou a Tribuna,

entendo que de fato Vossa Excelência tem razão quando diz que o advogado substabelecido

inicia o processo no estado em que se encontra, mas, neste caso, os advogados anteriores com

certeza absoluta deveriam, se é que não o fizeram, repassar para os novos advogados todos os

fatos e atos praticados nos autos.

Com essa manifestação sucinta, não tenho dúvida em acompanhar Vossa

Excelência.

 

VOTO

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(RELATORA)

 

Egrégia Câmara:

Eminentes pares:

Com referência à segunda questão de ordem suscitada pelo douto

advogado.

PEDIDO DE ESCLARECIMENTO (REFERENTE À 1ª QUESTÃO

DE ORDEM LEVANTADAPELO ADVOGADO)

EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Gostaria de saber se foram substabelecidos para o Dr. George e os

outros advogados poderes totais ou com reserva?

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EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K. BARANJAK

(RELATORAE PRESIDENTE)

Doutor, o Senhor pode responder à eminente Desembargadora se Vossa

Excelência recebeu com outorga total ou com reserva?

SR. DR. GEORGE ALVES - ADVOGADO

Excelência, daqui para frente quem irá defender o Dr. Geraldo Riva em

todas as ações de improbidade somos nós.

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K BARANJAK

(RELATORAE PRESIDENTE)

Foram passados os poderes dos advogados anteriores.

EXMO. SR. DR. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS (REVISOR)

Com reserva ou sem reserva?

SR. DR. GEORGE ALVES - ADVOGADO

Não tenho conhecimento desses fatos.

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EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Deixe eu terminar de explicar.

Consta do memorial do Escritório Mudrovitsch, o nome de Rodrigo de

Bittencourt e Mário Ribeiro de Sá, sendo que este último era justamente o advogado anterior do

apelante.

Consta, também, Caio Marcelo de Oliveira Perense e Iury do Lago

Nogueira Cavalcante Reis.

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K. BARANJAK

(RELATORAE PRESIDENTE)

É com reserva de poderes.

EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Logo, se ainda consta desse memorial o nome do Dr. Mário Ribeiro de

Sá, significa que a procuração foi substabelecida com reserva de poderes, senão seria excluído o

nome dele. Portanto, se o substabelecimento deu-se com reserva de poderes, maior razão para

não acatar essa ausência de tempo para manusear os autos, já que os advogados anteriores ainda

estão trabalhando junto com Vossas Senhorias.

EXMO. SR. DR. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS (REVISOR)

Senhora Presidenta:

Perdoe-me, Senhor Advogado.

Aquilo que eu disse anteriormente ganha uma relevância maior com essa

informação. Ora, se é com reserva de poderes, como o Dr. Mário Sá não teria repassado as

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informações a eles? Tanto que o memorial apresentado é minudente.

De forma que, reafirmo que acompanho Vossa Excelência.

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K. BARANJAK

(RELATORAE PRESIDENTE)

Esclarecendo à Desa. Maria Aparecida, o documento de p. 5466 é o

substabelecimento feito pelo Dr. Mário Ribeiro de Sá ao Escritório do Dr. Rodrigo.

Não consta. Dr. Gerge, o nome do Senhor.

SR. DR. GEORGE ALVES – ADVOGADO

Tem que constar.

Devo ser o terceiro do substabelecimento. Depois do Rodrigo, depois

do Leandro Porto sou eu.

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K. BARANJAK

(RELATORAE PRESIDENTE)

Doutor, não consta o nome do Senhor aqui.

O Senhor pode vir aqui perto para o senhor ver?

EXMO. SR. DR. GEORGE ALVES – ADVOGADO

Claro.

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EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K. BARANJAK

(RELATORAE PRESIDENTE)

Doutor, por gentileza, o Senhor fica com o prazo de 15(quinze) dias para

juntada de substabelecimento, para regularizar essa representação.

SR. DR. GEORGE ALVES – ADVOGADO

Está certo.

VOTO

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(RELATORA)

Egrégia Câmara:

Com referência à segunda questão de ordem suscitada de que a

reclamação feita no STJ teria sido suspensa, tenho um julgamento da medida cautelar na

Reclamação n. 15131 do Rio de Janeiro, de modo que vou pedir vênia para fazer a leitura porque

se trata exatamente de um Conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, julgado no Rio

de Janeiro, que o STJ teria suspenso os efeitos da eficácia do acórdão e o Supremo cassou a

decisão do STJ, em brilhantíssimo trabalho do Ministério Público do Rio de Janeiro que,

infelizmente,o Estado de Mato Grosso não fez ainda.

De forma que lerei a decisão para que Vossas Excelências saibam porque

vou proceder a esse julgamento independentemente da questão de ordem, e indeferindo a

questão de ordem feita pelo eminente Advogado.

A decisão é no seguinte teor:

“Trata-se de pedido de medida cautelar em reclamação constitucional

proposta pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro em face de decisão

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liminar proferida por ministro do Superior Tribunal de Justiça (Rcl 8.896-MC, rel.

min. João Otávio de Noronha, DJe 01.08.2012).

A decisão reclamada suspendeu o andamento de ação civil pública por

improbidade administrativa 0012537-40.2011.8.19.0001 que foi ajuizada pelo

Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro contra José Gomes Graciosa,

conselheiro do Tribunal de Contas daquela unidade da Federação.

Na reclamação proposta perante o Superior Tribunal de Justiça, José

Gomes Graciosa impugnou acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de

Janeiro que entendeu pela competência de juiz estadual de primeira instância para

processar e julgar a ação de improbidade mencionada.

José Gomes Graciosa alegou, perante o Superior Tribunal de Justiça,

que o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro teria

desrespeitado o entendimento adotado por aquela corte superior no julgamento da

Rcl 4.927, rel. min. Felix Fischer, Corte Especial, DJe 29.06.2011. Segundo

argumentou o então reclamante, o acórdão proferido na Rcl 4.927 consolidou o

entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido da aplicação do foro por

prerrogativa de função para o julgamento de ação de improbidade proposta contra

conselheiro de tribunal de contas estadual, por força de aplicação extensiva da

regra prevista no inc. I do art. 105 da Constituição.

A cópia da inicial da ação civil pública anexa à inicial da presente

reclamação revela que naqueles autos o ato ímprobo atribuído a José Gomes

Graciosa teria consistido em simular cessão de servidor público municipal que

posteriormente se revelou não ser titular de cargo efetivo. De acordo com o

Ministério Público, tal ato teria permitido que o servidor requisitado fosse

comissionado no gabinete do conselheiro do tribunal de contas e viesse a receber,

nessa condição, verba de representação que não lhe teria sido paga caso fosse de

conhecimento público o fato de que o servidor cedido não era titular de cargo

efetivo em administração municipal. Ainda de acordo com o que consta da inicial

da ação de improbidade, José Gomes Graciosa teria se beneficiado da cessão

fictícia ao se desobrigar de utilizar os cargos de seu gabinete que efetivamente se

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destinavam a servidores sem vínculo efetivo. Assim, além de permitir que o servidor

nomeado recebesse verba a que não tinha direito, o ato imputado a José Gomes

Graciosa teria permitido ao conselheiro aumentar a quantidade de servidores sem

vínculo efetivo em seu gabinete, em desacordo com as normas internas do Tribunal

de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Ao final de sua petição, o Ministério

Público pediu a condenação de José Gomes Graciosa nas sanções previstas no inc.

II do art. 12 da Lei 8.429/1992 e pleiteou a reposição ao erário dos valores

indevidamente pagos a título de verba de gabinete.

Na decisão contra a qual se dirige a presente reclamação, o min. João

Otávio de Noronha mencionou precedente do Superior Tribunal de Justiça no

sentido de que o juiz de primeira instância não tem competência para julgar ação

de improbidade que possua em seu pólo passivo réu com prerrogativa de foro, em

especial se da condenação a ser proferida puder resultar a perda do cargo. O

precedente então invocado – Rcl 2.115-AgR, rel. min. Teori Zavascki, Corte

Especial, DJe 16.12.2009 – menciona em sua ementa o acórdão proferido por esta

Corte na Pet 3.211- QO, rel. p. acórdão min. Menezes Direito, Pleno, DJe

27.06.2008.

A medida cautelar requerida pelo Ministério Público do Estado do Rio

de Janeiro é no sentido da suspensão da decisão reclamada com a manutenção da

tramitação da ação civil pública por ato de improbidade perante a justiça comum

estadual. O pedido de medida cautelar fundamenta-se na alegação do fumus boni

iuris decorrente da violação, pela decisão reclamada, do entendimento adotado por

este Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 2.797, rel. min. Sepúlveda

Pertence, DJ 19.12.2006. Quanto ao periculum in mora, o reclamante sustenta que

o prosseguimento da ação de improbidade perante juízo incompetente resultará em

provável alegação de nulidade, além de constituir exemplo que poderá

multiplicar-se em situações análogas.

É o relatório.

Decido.

Em linha com o entendimento da maioria desta Corte no julgamento da

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Rcl 7.358, rel. min. Ellen Gracie, Pleno, DJe 03.06.2011, é de se admitir a

propositura de reclamação constitucional por membro do Ministério Público

estadual.

Aprecio a medida cautelar em razão da urgência do pedido (inc. VIII do

art. 13 do RISTF).

No julgamento do mérito da ADI 2.797, o Supremo Tribunal Federal,

em precedente vinculante e aplicável erga omnes, declarou a inconstitucionalidade

dos parágrafos 1º e 2º do art. 84 do Código de Processo Penal, introduzidos pela

Lei 10.628/2002, os quais determinavam a extensão do foro criminal por

prerrogativa de função à ação de improbidade.

Logo, a decisão proferida por esta Corte na Pet. 3.211-QO não parece

ter o alcance que tem sido extraído por algumas das decisões proferidas pelo

Superior Tribunal de Justiça, em especial aquelas mencionadas como precedentes

na reclamação na qual foi proferido o ato ora reclamado. Pode-se dizer que,

naquela oportunidade, este Supremo Tribunal Federal limitou-se a afirmar a sua

competência para julgar os ministros desta Corte Suprema nos casos em que se

sustenta a ocorrência de ato de improbidade administrativa. Aquele julgamento

teve como conseqüência o arquivamento da ação de improbidade quanto ao réu

com prerrogativa de foro, de acordo com o que já havia sido requerido pelo

Ministério Público naqueles autos. Eventual reinterpretação do julgado no sentido

de estender a regra então adotada a agentes públicos que não foram mencionados

na oportunidade afigura-se, a meu sentir, ilegítima, uma vez que, tratando-se de

competência excepcional, não é possível estendê-la por meio de raciocínio

analógico. Nessa linha de raciocínio, noto que a letra a do inc. I do art. 105 da

Constituição refere-se a competência do Superior Tribunal de Justiça para

processar e julgar os conselheiros de tribunais de contas apenas no caso de crime

de responsabilidade.

Quanto ao acórdão proferido no julgamento da ADI 4.190-MC, rel.min.

Celso de Mello, precedente também invocado por José Gomes Graciosa na inicial

da reclamação proposta perante o Superior Tribunal de Justiça, é importante

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esclarecer que, naquela oportunidade, esta Corte limitou-se a assentar, mais uma

vez, a ausência de competência do Estado-membro para tratar da criação

legislativa de hipótese de crime de responsabilidade, ainda que por meio de emenda

à constituição local, entendimento jurisprudencial que se encontra sedimentado na

Súmula 722 deste Tribunal. Naquele julgamento não houve, portanto, qualquer

juízo a respeito da extensão do foro por prerrogativa de função às ações de

improbidade propostas contra conselheiros de tribunais de contas.

Ante o exposto, defiro a cautelar requerida para suspender a decisão

reclamada até julgamento final do presente feito por este Supremo Tribunal

Federal.

Comunique-se e requisitem-se informações à autoridade reclamada, a

serem prestadas no prazo de 10 (dez) dias.

Publique-se. Int

Brasília, 11 de janeiro de 2013

Ministro JOAQUIM BARBOSA

Presidente

Com a autoridade que me dá o presidente do Supremo Tribunal Federal

vou proceder ao julgamento dessa apelação indeferindo a questão de ordem suscitada por Vossa

Excelência, eminente Advogado.

VOTO

EXMO. SR. DR. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS (REVISOR)

Egrégia Câmara:

VOTO – SEGUNDA QUESTÃO DE ORDEM

O nobre Advogado de um dos Apelantes levanta questão de ordem em

Plenário, visando o adiamento do julgamento desse recurso de apelação.

Defende que compete realmente à Corte Superior e não a este Tribunal

de Justiça julgar membro do Tribunal de Contas, no caso, o Apelante Humberto Melo Bosaipo,

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asseverando que ingressaram com a Reclamação n.º 10037 no STJ, afirmando a incompetência

desta Corte de Justiça.

De fato, é forçoso reconhecer que o tema da prerrogativa de foro é

questão que oscila na jurisprudência dos tribunais superiores.

Recentemente, no julgamento do AI556727 AgR/SP, Relator Ministro

Dias Tofolli, Primeira Turma, julgado em 20/03/2012, DJe 26/04/2012 o Supremo Tribunal

Federal reiterou a posição sufragada na ADI 2797/DF, ao reafirmar que “inexiste foro por

prerrogativa de função mas ações de improbidade administrativa”.

Entretanto, na emblemática questão de ordem suscitada na PET

3211/DF, o STF fez uma importante “mitigação” ao entendimento consagrado na ADI 2797/DF,

ao entender que possui competência para julgar ação de improbidade proposta contra um dos

seus membros.

Após, esse precedente do STF, a Corte Especial do STJ ao julgar a

paradigmática Reclamação 2790/SC, modificou sua jurisprudência e passou a admitir o foro por

prerrogativa de função nas ações de improbidade administrativa, por simetria com o que ocorre

em relação aos crimes comuns.

Entretanto, outra posição dentro do STJ tem entendido que as

autoridades com prerrogativa de foro em razão da função não gozam do benefício quando se

trata de ação civil pública por improbidade administrativa, inclusive porque o STF, no

julgamento da ADIn 2.797, declarou a inconstitucionalidade do art. 84, § 2º, do CPP, com

redação dada pela Lei 10.628/2002.

Como se vê, além de a questão não ser pacífica na Corte Superior,

enquanto não advier nova posição do Supremo Tribunal acerca do tema, entendo que prevalece

o decidido pelo STF na ADI 2797/DF, ante a eficácia erga omnes e efeito vinculante dessa

decisão em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário, por força do art. 28, parágrafo único,

da Lei n.º 9.868/99, de que não há foro por prerrogativa de função para as ações de

improbidade administrativa. (g.n.)

Razão pela qual, entendo que a questão de ordem de incompetência do

juízo para o julgamento do Conselheiro Humberto Melo Bosaipo deve ser rejeitada.

É como voto.

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PEDIDO DE ESCLARECIMENTO

EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Gostaria de fazer apenas um questionamento.

Por que o processo ainda não foi julgado? Há quanto tempo essa questão

está sendo julgada? Parece-me que há apenas uma preliminar dizendo que o Senhor Humberto

Melo Bosaipo teria foro privilegiado.

Gostaria de saber há quanto tempo que esse processo está tramitando.

A Senhora tem alguma informação em que fase se encontra?

ESCLARECIMENTO

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K. BARANJAK

(RELATORAE PRESIDENTE)

Foi concedida a liminar no STJ e o Ministério Público não entrou com a

reclamação no Supremo. Se o Ministério Público de Mato Grosso tivesse entrado, com certeza

essa decisão já teria sido cassada da forma como foi a do Rio de Janeiro.

Acredito que a partir do momento que o Procurador presente tomar

ciência vai providenciar.

EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Só está em fase liminar?

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K. BARANJAK

(RELATORAE PRESIDENTE)

Sim senhora.

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EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Não foi concedido a suspensão?

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K. BARANJAK

(RELATORAE PRESIDENTE)

Não houve a reclamação formulada pela Procuradoria Geral de Justiça.

V O T O (SEGUNDA QUESTÃO DE ORDEM)

EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Egrégia Câmara:

Diante do voto proferido no Rio de Janeiro em caso análogo, não há o

que se discutir. Nesse aspecto, acompanho Vossa Excelência para indeferir a questão de ordem

formulada pelo douto Advogado.

ESCLARECIMENTO

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES K. BARANJAK

(RELATORAE PRESIDENTE)

Vencidasas duas questões de ordem, vamos proceder ao julgamento.

Como há várias preliminares, estou votando aquelas que dizem respeito,

primeiro, às condições de procedibilidade- condições da ação.

E a primeira preliminar que vejo nesse sentido é aquela arguida pela

defesa de todos os acusados, com relação à Incompetência Absoluta do Juízo Singular por

Ilegitimidadeda Jurisdição da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular em face

da edição da Lei Complementar Estadual n. 313/2008.

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V O T O (PRELIMINAR - NULIDADE DA SENTENÇA EM FACE

DA INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO SINGULAR)

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(RELATORA)

Egrégia Câmara:

I. Os Apelantes JOSÉ GERALDO RIVA, NIVALDO DE ARAÚJO,

GERALDO LAURO, HUMBERTO NELO BOSAIPO, JOSÉ QUIRINO PEREIRA e JOEL

QUIRINO PEREIRA suscitam preliminar de Incompetência Absoluta do Juízo Singular por

”Ilegalidade de Jurisdição da Vara Especializada em ACP e AP”, em face da edição da Lei

Complementar Estadual n.º 313/2008.

II. Asseguram que a Ação Direta de Inconstitucionalidade

n°41.659/2008 intentada contra a referida Lei Complementar, inobstante tenha sido liminarmente

suspensa pelo e. Órgão Especial do Tribunal de Justiça, não o foi pela maioria absoluta de seus

membros, o que contraria o artigo 97 da CF e o artigo 168 do Regimento Interno e seu mérito

não havia sido julgado, na data da apresentação das razões recursais (19.10.2009).

III. Asseguram, ainda, que o Projeto de Lei Complementar n.º 48/2007 –

que buscava atribuir competência ao Órgão Especial do Tribunal para baixar resolução com

finalidade de extinguir, transformar, suspender ou agregar varas - enviado à Assembléia

Legislativa pela Presidência do Tribunalde Justiça - não foi aprovado.

IV. O MINISTÉRIO PÚBLICO contra-argumenta no sentido da

legalidade da suspensão liminar da eficácia da referida lei complementar, ou seja, até o

julgamento do mérito da ADIN 41659/2008, as ações de improbidade administrativa devem

tramitar normalmente na VEACP.

V. Argumenta que não se pode discutir neste recurso a validade de

decisão proferida em sede de controle concentrado de constitucionalidade;que a regra da reserva

de plenário contida no art. 97 CF somente incide para as decisões que declaram a

inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, não se aplicando quando a decisão é apenas de

suspensão de sua eficácia; e que o Supremo Tribunal Federal deferiu liminar mantendo o

funcionamento e competência da Vara Especializada em ACP e AP.

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VI. Não assiste razão aos Apelantes! A competência e funcionamento da

VEACP e AP estão assegurados por decisão liminar deste Tribunal de Justiça, na ADI

41659/2008, não se podendo questionar no julgamento deste apelo acerca de sua validade,

litteris:

“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – LEI

ESTADUAL QUE DEPENDE DE INICIATIVA DO PODER JUDICIÁRIO -

INICIATIVA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA - PEDIDO DE DEVOLUÇÃO DO

PROJETO NÃO ATENDIDO PELO PODER LEGISLATIVO – SEGUIMENTO

DO PROCESSO LEGISLATIVO POR INICIATIVA DE LIDERANÇAS

PARTIDÁRIAS DO PODER LEGISLATIVO - IMPOSSIBILIDADE.

INCONSTITUCIONALIDADE POR VÍCIO DE FORMA APARENTE COM

POSSIBILIDADE DE LESÃO GRAVE AO SISTEMA JUDICIÁRIO ESTADUAL

- SUSPENSÃO LIMINAR.

É relevante a argüição de invalidade de lei estadual de iniciativa de

lideranças partidárias do Poder Legislativo Estadual que trata da organização

judiciária, redistribuição de competência, redefinição de nomes de varas,

remanejamento de processos, eis que leis referentes a estas matérias são de

iniciativa exclusiva do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.”

VII. Consta do voto do eminente Relator Desembargador Juracy Persiani

que a Lei Complementar 331/2008 – oriunda do Projeto de Lei Complementar 48/2007 – padece

que inconstitucionalidade em face do pedido do não atendimento ao pedido de devolução do

projeto de lei pelo TJ que tinha a iniciativa, sendo certo que o processo legislativo teve

continuidade, por iniciativadas lideranças partidárias do Poder Legislativo, sendo patente o vício

de origem:

“Assim, sem observar a regra da iniciativa reservada ao Tribunal de

Justiça, as lideranças partidárias aprovaram uma lei complementar que trata,

dentre outras matérias, de rebaixamento, extinção, transformação, anexação e

suspensão de Varas e Comarcas, (art. 1°, §§ 1º e 2°), de atribuição de

competência e denominações de Varas criminais (art. 2º, I, §§ 1° e 2º, II, III, IV,

V, VI, §§ 1º e 2°), encaminhamento e redistribuição de processos (art. 3°, cabeça

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e parágrafo único, art. 4°, cabeça e parágrafo único), atribui responsabilidade

disciplinar ao Conselho da Magistratura (art. 5°) e de despesas à conta das

dotações orçamentárias próprias do Tribunal de Justiça do Estado de Mato

Grosso (art. 6º).

No caso, a inconstitucionalidade formal se aparenta, pois, à vista do

pedido de devolução do projeto de lei pelo órgão legitimado para a iniciativa, o

processo legislativo teve continuidade, agora por iniciativa das lideranças

partidárias do Poder Legislativo.”

VIII. De igual maneira, o Supremo Tribunal Federal, em liminar

concedida na ADI n.º 4138/MT contra a mesma lei e em face de ofensa a princípios

constitucionais federais – já que a ADI n.º 41659/2008 busca a inconstitucionalidadeem face de

ofensa a princípios constitucionais estaduais – concedeu liminar da lavra do Ministro Celso de

Mello, preservando a eficácia do provimento cautelar desta Corte de Justiça, nos seguintes

termos:

“O presente registro é feito, pois o E. Tribunal de Justiça do Estado

de Mato Grosso está apreciando a ADI nº 41659/2008, Rel. Des. A. BITAR

FILHO, ajuizada em face das mesmas normas legais ora impugnadas, perante

esta Suprema Corte, em sede de processo de igual natureza (ADI 4.138/MT).

Assinalo que a E. Corte judiciária local, ao apreciar pedido de

medida cautelar formulado em referida ação direta, em sessão realizada em

28/08/2008, proferiu julgamento concessivo de medida liminar (fls. 124/135),

consubstanciado em acórdão cuja cópia foi produzida a fls. 157/208.

Sendo assim, pelas razões expostas, e tendo em conta os precedentes

referidos, determino, até final julgamento da presente ação direta, a suspensão

prejudicial do curso da ADI nº 41659/2008, Rel. Des. A. BITAR FILHO, ora em

tramitação perante o E. Tribunal de Justiça do Estado de Mato

Grosso, preservada, contudo, a eficácia do provimento cautelar deferido em

mencionado processo.”

IX. A 4ª Câmara Cível deste egrégio Tribunal de Justiça, em pelo menos

duas vezes, já se manifestou pela competência da Vara Especializada em Ação Civil Pública e

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Ação Popular no Recurso de Apelação nº 102084/2010:

“APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO CIVIL PÚBLICA – IMPROBIDADE

ADMINISTRATIVA – PRELIMINARES DE INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA DO

JUÍZO SINGULAR PELA ILEGALIDADE DE JURISDIÇÃO DA

VARAESPECIALIZADA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA E AÇÃO POPULAR –

CONFLITO DA LEI Nº 8.429/92 COM O REGIME CONSTITUCIONAL DOS

AGENTES PÚBLICOS – CERCEAMENTO DE DEFESA POR JULGAMENTO

ANTECIPADO DA LIDE – ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM –

PRELIMINARES INCONSISTENTES – REJEIÇÃO – ALEGAÇÃO DE

VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA CONGRUÊNCIA PORQUE A

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA ESTÁ ASSOCIADA À NOÇÃO DE

DESONESTIDADE E MÁ-FÉ – IMPROCEDÊNCIA – EXISTÊNCIA DE

PRÁTICA DE IMPROBIDADE – SENTENÇA MANTIDA – RECURSO

IMPROVIDO.

I – Consoante liminar exarada na ADI nº 41659/2008 e preservada

também em decisão liminar na ADI nº 4138/MT, pelo Supremo Tribunal

Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, subsiste a

competência da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular da

Comarca de Cuiabá, para processamento e julgamento das ações civis públicas

(TJMT; RAC n.º 102084/2010; 4ª C. Cível; Rel. Des. Mariano

Alonso Ribeiro Travassos; Julg. 12-07-2011).

a Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular é

legal. O art. 2º, II, da Lei Complementar do Estado de Mato Grosso nº. 313/08,

que conferiu competência às Varas Especializadas da Fazenda Pública para

processar e julgar os feitos com substrato na Lei nº. 8.429/92 – que dispõe sobre

as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito

no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública

direta, indireta ou fundacional e dá outras providências – está suspenso, agora,

em razão de decisão do Supremo Tribunal Federal, que preservou liminar

deferida pelo egrégio Tribunal de Justiça de Mato Grosso na ADI nº.

e populares. ( ).”

) (

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41659/2008. Qualquer discussão a respeito é indevida aqui. Rejeito a

preliminar.(TJMT – RAC 121.201/2010 – Rel. Dês. Luiz Carlos da Costa – Voto

do Relator na Preliminarem comento – julgamento 19.06.2012)

X. Feitas estas considerações, até o julgamento definitivo que reconheça

a constitucionalidade da norma invocada pelo Apelante, subsiste a competência da Vara

Especializada em ACP e AP, impondo-se seja REJEITADA a preliminar.

É como voto.

V O T O (PRELIMINAR - I - INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA DA

VARAESPECIALIZADA EM AÇÃO POPULAR)

EXMO. SR. DR. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS (REVISOR)

Egrégia Câmara:

Os apelantes alegam, preliminarmente,que o juízo da Vara Especializada

em Ação Popular, seria incompetente para o julgamento da ação.

Conforme a ótica defendida pelos recorrentes, deve prevalecer o que

estabelece a Lei Complementar n.º 313/2008, art. 2º, inc. II, in verbis:

“Art. 2º As Varas Cíveis 4ª, 8ª, 15ª, 16ª e 17ª e as Varas Criminais 7ª,

8ª, 10ª, 12ª e 15ª, da Comarca de Cuiabá, Entrância Especial, passarão a ter as

seguintes competências e denominações, conforme visualização no quadro

anexo:

( )

II – a 17ª Vara Cível passa a ser denominada Vara Especializada em

Ação Civil Pública e Ação Popular, ficando com competência exclusiva para

processar e julgar os feitos que tenham por objeto a proteção de direitos

difusos, coletivos ou individuais homogêneos, e os que seguirem o

procedimento previsto nas Leis nº 7.347/85 e nº 4.717/65, exceto aqueles cuja

natureza jurídica tenha por fundamento o disposto na Lei nº 8.429/92 (Lei de

Improbidade Administrativa) que tramitarão obrigatoriamente nas Varas

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Especializadas da Fazenda Pública nas respectivas Comarcas; (grifou-se).

Consoante o disposto no art. 2º, inc. II, da LC n.º 313/2008, as ações de

improbidade devem ser julgadas por uma das Varas da Fazenda Pública de Cuiabá, advindo daí

a incompetência suscitada pelos apelantes.

Entretanto, a esse respeito, o Órgão Especial deste Sodalício, na Ação

Direta de Inconstitucionalidade n.º 41659/2008, em que figura como Requerente: Exmo. Sr.

Procurador-Geral de Justiça do Estado de Mato Grosso, e Requeridos: Tribunal de Justiça do

Estado de Mato Grosso, AssembléiaLegislativa do Estado de Mato Grosso, assentou que:

“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – LEI

ESTADUAL QUE DEPENDE DE INICIATIVA DO PODER JUDICIÁRIO -

INICIATIVA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA - PEDIDO DE DEVOLUÇÃO DO

PROJETO NÃO ATENDIDO PELO PODER LEGISLATIVO – SEGUIMENTO

DO PROCESSO LEGISLATIVO POR INICIATIVA DE LIDERANÇAS

PARTIDÁRIAS DO PODER LEGISLATIVO - IMPOSSIBILIDADE.

INCONSTITUCIONALIDADE POR VÍCIO DE FORMA APARENTE COM

POSSIBILIDADE DE LESÃO GRAVE AO SISTEMA JUDICIÁRIO

ESTADUAL - SUSPENSÃO LIMINAR. É relevante a argüição de invalidade de

lei estadual de iniciativa de lideranças partidárias do Poder Legislativo Estadual

que trata da organização judiciária, redistribuição de competência, redefinição de

nomes de varas, remanejamento de processos, eis que leis referentes a estas

matérias são de iniciativa exclusiva do Tribunal de Justiça do Estado de Mato

Grosso.” (TJMT, Órgão Especial, Ação Direta de Inconstitucionalidade n.º

41659/2008, Requerente: Exmo. Sr. Procurador-Geral de Justiça do Estado de Mato

Grosso, Requeridos: Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, Assembléia

Legislativa do Estado de Mato Grosso, julgamento: 28.08.2008).

Assim, a Lei n.º 313/2008, que excepcionou a competência da Vara

Especializada em Ação Popular, para o julgamento das ações de improbidade, encontra-se

suspensa por força da liminarproferida na ADI n.º 41659/2008, deferida por esta Egrégia Corte,

em 28.08.2008.

Com efeito, por esta razão, a Vara Especializada em Ação Popular, possui

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competência para o julgamento da presente ação de improbidade, sobretudo porque foi

distribuída em 16.03.2007. Portanto, antes do advento da Lei n.º 313/2008, e sentenciada após

sobrestamento do referido diploma legal.

Posto isso, rejeito a preliminar de incompetência absoluta da vara

especializadaem ação popular.

É como voto.

V O T O (PRELIMINAR - NULIDADE DA SENTENÇA EM FACE

DA INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO SINGULAR)

EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Egrégia Câmara:

Senhora Presidente:

É sabido que a criação, extinção, modificação de competência das Varas

Judiciárias sempre foi de competência do Tribunal de Justiça, que decidirá conforme a

necessidade, seja em decorrência do número da demanda processual, seja em decorrência de

melhor acomodar as atividades jurisdicionais. Sabemos que há algum tempo atrás foram criadas

várias Comarcas e para que houvesse a extinção dessas Comarcas, algumas delas em razão do

pouco número de processos, foi necessário que a Corregedoria realizasse inspeções.

Mas, houve, realmente, uma interferência nas atividades do Poder

Judiciário. Encaminhou-se um Projeto de Lei, que com certeza não ia a encontro de interesses, e,

por isso, não foi votada, e, de repente, há pedido de determinados entes, acho que foram os

Partidos e muda-se o texto original do projeto, fato que nos causa espécie diante da autonomia

do Poder Judiciário. Portanto, considerando esses fatos, não tenho dúvida em acompanhar a

eminente Relatora.

Rejeito a preliminar.

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V O T O (PRELIMINAR - IMPOSSIBILIDADE DE

DESENVOLVIMENTO VÁLIDO E REGULAR DA AÇÃO (POR NULIDADE DO

INQUÉRITO CIVIL, EXTRAPOLAÇÃO DO PRAZO PARA SUA CONCLUSÃO E

INCOMPETÊNCIA DO PROMOTOR QUE O PRESIDIU. AFRONTA AOS ARTIGOS 283 E

396 DO CPC E RESOLUÇÕES 001/2001 E 005/2004 DO CONSELHO SUPERIOR DO

MINISTÉRIO PÚBLICO)

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(RELATORA)

Egrégia Câmara:

I. O Apelante HUMBERTO NELO BOSAIPO suscita preliminar de

nulidade da decisão em face Impossibilidadede Desenvolvimento Válido e Regular do Processo,

posto que a pretensão exordial acolhida se baseou em Inquérito Civil nulo de pleno direito.

II. Informa que suscitou a preliminar em primeiro grau e o argumento do

Magistrado sentenciante para afastá-la foi de que o Inquérito Policial não tem potencialidade

probante, sendo meramente instrumental, sendo peça facultativa. Assegura que o argumento

sucumbe quando se constata que a prova do referido Inquérito serviu “para ancorar a

condenação do Apelante”, sendo considerada irrefutável.

III. Argumenta que a nulidade no caso, não se trata de simples

extrapolação de prazo pelo MPE e inobservância de normas administrativas internas, mas, sim,

de exercício do necessário controle judicial do caderno informativo. O referido Inquérito foi

instaurado no ano de 2004, “cerca de cinco anos antes da distribuição da ação”, em meados de

2009, o que fere o princípio da duração razoável do processo. Não houve qualquer justificativa

para tanto, conforme determina a Resolução 01/2001 do CSMP, o que fere o princípio

constitucional contido no artigo 5°, inciso LXXVIII.

IV. Argumenta, ainda, que a nulidade da sentença pela ausência de

condição válida e regular do processo está, ainda, no fato do Inquérito Civil ter sido “presidido,

manejado, conduzido e manobrado por autoridade absolutamente incompetente”. A Resolução

n° 05/2004 do CSMP determina que os procedimentos investigatórios contra membros do Poder

Legislativo devem ser presididos pelo Procurador Geral do MP e o Dr. Roberto Aparecido

Turim não o é. O fato estaria a ferir o princípio do promotor natural. O foro especial por

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prerrogativa de função deve prevalecer desde a investigação, tendo como fundamento a utilidade

pública, o princípio da ordem e da subordinação e na maior independência dos tribunais

superiores.

V. Argumenta, por fim que o CPC determina que a petição inicial seja

instruída com documentos necessários à sua propositura e como no caso, ela foi instruída com

Inquérito Civil nulo, não pode seguir seu curso normal. Requer a extinção do processo sem

julgamento do mérito ou a rejeição da inicial,nos termos do artigo 295, VI do CPC.

VI. A ilustrada Procuradoria Geral de Justiça contra-argumenta no

sentido da legalidade e validade do Inquérito Civil, em face do disposto na Resolução 23/2007

que autoriza a dilação do prazo de conclusão quantas vezes forem necessárias. Assegura a

ausência de demonstração de prejuízo aos Apelantes.

VII. Uma vez mais e, igualmente, não assiste razão ao Apelante! A Lei

nº 7.347/85 não prevê prazo para o encerramento do Inquérito Civil, logo, ele não está sujeito ao

princípio da razoável duração do processo até que haja uma formal acusação do investigado pelo

MINISTÉRIO PÚBLICO nos autos do procedimento. Antes disso, só há atuação investigativa

do MINISTÉRIO PÚBLICO que não está sujeita à conclusão em prazo determinado.

VIII. Além disto, a Resolução nº 01/2001 do Conselho Superior do

MINISTÉRIO PÚBLICO não gera direito subjetivo ao Apelante ou qualquer daqueles que

estejam sendo investigados. Este prazo estabelecido pela resolução do CSMP é impróprio,

logo, sua inobservância apenas gera como conseqüência falta funcional aos membros do

MINISTÉRIO PÚBLICO.

IX. O egrégio Tribunal de Justiça, através de seu extinto Órgão Especial,

já decidiu a questão do excesso de prazo na conclusão de Inquérito Civil e quanto ao prazo

estabelecido na Resolução 01/2001, assegurando que a previsão não gera direito subjetivo

àqueles que estão sendo investigados:

“MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL - INQUÉRITOS

CIVIS PÚBLICOS - INVESTIGAÇÕES DEFLAGRADAS PELA “OPERAÇÃO

ARCA DE NOÉ” ENVOLVENDO PARLAMENTAR ESTADUAL -

INOBSERVÂNCIA DO PRAZO DE 120 DIAS PARA CONCLUSÃO DOS

PROCEDIMENTOS INVESTIGATÓRIOS (RESOLUÇÃO Nº 01 DO

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CONSELHO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO, ART. 9º).

I – (

II – MÉRITO - INQUÉRITO CIVIL - TRANCAMENTO – PELO

PODER JUDICIÁRIO - POR EXCESSO DE PRAZO - IMPOSSIBILIDADE.

AUSÊNCIA DE LEI - PROVENIENTE DO PODER LEGISLATIVO -

ESTABELECENDO PRAZO MÁXIMO PARA CONCLUSÃO DE INQUÉRITO

CIVIL. PRAZO IMPRÓPRIO - PREVISTO EM MERA RESOLUÇÃO DO

CONSELHO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO - NÃO GERA DIREITO

SUBJETIVO AO INDICIADO - MALTRATO AO DIREITO FUNDAMENTAL À

RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO NÃO

VERIFICADO NA ESPÉCIE.

1. O inquérito civil não se sujeita ao princípio da razoável duração

do processo administrativo - até que haja uma formal acusação do investigado

pelo MINISTÉRIO PÚBLICO nos autos do procedimento, cristalizadora de

sua condição de indiciado. Pois, somente quando há um indiciamento formal

é que surge para o indiciado a expectativa justa de ver esta conclusão afastada

pelo Poder Judiciário no processo. Antes disto, porém, só há a atuação

investigativa do MINISTÉRIO PÚBLICO que, nos termos da Lei Federal nº

7.347/85 (LACP), não está sujeita à conclusão em prazo especificamente

determinado.

2.

A existência de mera resolução do Conselho Superior do

MINISTÉRIO PÚBLICO - prevendo prazo - não rende a quem é objeto de

investigação em inquérito civil o direito à finalização do procedimento no prazo

máximo de 120 dias, seja porque não há lei assegurando este direito, seja

porque a lei que regula o inquérito civil público nacionalmente não restringiu

seu prazo de duração.

3. O prazo estabelecido na resolução do CSMP não se sujeita à

preclusão temporal, ou seja, trata-se de prazo impróprio, à semelhança dos

prazos que a lei processual civil impõe para a prática de atos pelo juiz, pelos

auxiliares da justiça e até mesmo pelo MINISTÉRIO PÚBLICO quando atua no

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processo judicial como custus legis.

).” (

(TJMT; MSI 41217/2005; Órgão Especial; Rel. Des. Manoel

Ornellas de Almeida; Julg. 25-01-2007)

X. Da mesma forma, improcede a alegação do apelante HUMBERTO

MELO BOSAIPO de que os promotores de justiça lotados na Promotoria de Defesa do

Patrimônio Público da Capital, Roberto Aparecido Turin e Célio Joubert Fúrio, que presidiram as

investigações do Inquérito Civil, não tinham atribuições para tanto. Embasam a assertiva no

disposto na Resolução 005/2004 do Conselho Superior do MINISTÉRIO PÚBLICO, litteris:

“Art. 1º - ( ):

§8º - Em se tratando de caso em que o órgão de execução do

MINISTÉRIO PÚBLICO se convença pela ausência de atribuições ou

incompetência para investigar e/ou propor as ações de que tratam as Leis nº

7.347/85 e 8.429/92, deverá declinar da competência em manifestação

fundamentada encaminhando os autos a quem de direito, de tudo comunicando ao

Conselho Superior do MINISTÉRIO PÚBLICO.”

XI. No caso em comento, o Procurador-Geral de Justiça, por meio da

Portaria nº 404/2003-PGJ, de 19-11-2003, delegou aos Promotores de Justiça, Roberto

Aparecido Turin e Célio Joubert Fúrio, “as atribuições para promover investigações e tomar

todas as providências necessárias para a elucidação de eventuais atos de improbidade

administrativa e danos ao erário, em especial pagamentos efetuados a empresas irregulares ou

inexistentes e saques contra a conta corrente da Assembléia Legislativa do Estado de Mato

Grosso.” (p. 45 – VolumeI )

XII. Por fim, igualmente improcedente a alegação do apelante

HUMBERTO MELO BOSAIPO de haver o MINISTÉRIO PÚBLICO infringido os artigos 283

e 396 do CPC, ao instruir a Ação Civil Pública com Inquérito Civil inteiramente nulo. Os

referidos artigos prescrevem, litteris:

“Art. 283. A petição inicial será instruída com os documentos

indispensáveis à propositura da ação.

Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a

resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar-lhe as alegações.”

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XIII. Como já explicado, anteriormente, não houve demonstração de

qualquer causa de nulidade do Inquérito Civil quer quanto ao excesso de prazo de sua conclusão,

quer quanto à alegada ilegitimidade da autoridade que conduziu as investigações. Ainda que

assim não fosse, eventuais irregularidades ocorridas na fase pré-processual não teriam o condão

de inquinar de nulidade a Ação Civil Pública. Este é o entendimento jurisprudencial:

“ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DIVERGÊNCIA

JURISPRUDENCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS DOS ARTS. 541,

PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC E 225, §§ 1º E 2º, DO RISTJ. OMISSÃO.

INEXISTÊNCIA. DEVIDA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. MATÉRIAS QUE

DEMANDAM ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO.

PROCEDIMENTO PRÓPRIO DA AÇÃO DE CONHECIMENTO. SÚMULA 7/STJ.

IRREGULARIDADES NO INQUÉRITO CIVIL. AUSÊNCIA DE VÍCIO NA AÇÃO

CIVIL PÚBLICA. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA

EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.

(

5.

O inquérito civil, como peça informativa, tem por fim embasar a

propositura da ação, que independe da prévia instauração do procedimento

administrativo. Eventual irregularidade praticada na fase pré-processual não é

capaz de inquinar de nulidade a ação civil pública, assim como ocorre na esfera

penal, se observadas as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do

contraditório.

6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não

provido.” (STJ; REsp 1119568/PR; 1ª Turma; Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima;

Julg. 02-09-2010; DJe 23-09-2010).

XIV. Feitas estas considerações, REJEITO a preliminar.

XV. É como voto.

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VOTO

EXMO. SR. DR. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS (REVISOR)

Egrégia Câmara:

A outra solução não cheguei senão a que Vossa Excelência aqui

explicitou. Tenho voto escrito. E reforço isso para deixar o advogado absolutamente tranqüilo

quanto à possibilidadede ter acesso a tudo quanto dissemos aqui. Peço, antecipadamente, que os

autos voltem ao meu gabinete para que eu materialize a questão de ordem que verbalizei e

podendo reforçá-la, mas sempre no mesmo sentido para que nós possamos dar aos advogados as

condições ideais para exercitar o seu mister.

VOTO PRELIMINAR IV – NULIDADE DO INQUÉRITO CIVIL

QUE FUNDAMENTOU A AÇÃO

O apelante HUMBERTO BOSAIPO sustenta que o inquérito civil que

fundamentou a ação é nulo, sob o fundamento de que extrapolou o prazo para sua conclusão;

adverte, ainda, que o inquérito foi presidido por Promotor de Justiça, quando deveria ser

conduzido por Procurador Geral de Justiça, fato que também fulminariaa peça informativa.

Conforme alegações do apelante, o inquérito civil público extrapolou o

prazo regulamentar estabelecido pelo Conselho Superior do Ministério Público na Resolução n.º

001/2001, que seria de 90 (noventa) dias, já que iniciou em 19 de novembro de 2003, e o

ajuizamento da ação foi concretizado somente em 08.03.2006, mais de 02 (dois) anos depois.

Todavia, as assertivas do Apelante não prosperam.

É assente na jurisprudência pátria, que o simples fato do prazo para

conclusão do inquérito civil ser extrapolado, não é suficiente para ensejar a nulidade da ação civil

pública, sem que tenha sido apontado qual o prejuízo daí resultante.

No caso, e mais uma vez, a alegação é formulada genericamente, com a

nítida intenção de causar a anulação gratuita da ação, o que não deve ser admitido, pois

implicariaem afronta ao princípio, segundo o qual, não há nulidade, sem prejuízo.

Ademais, o inquérito é peça informativa baseada no princípio inquisitivo,

não havendo prejuízo pela demora na sua conclusão, uma vez que durante o desenrolar do

procedimento, não há direito ao contraditório e à ampla defesa.

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Tratando-se de fase investigativa, o inquérito civil pode ser presidido por

promotor de justiça, pois a atuação dos Procuradores de Justiça está restrita ao segundo grau de

jurisdição.

A esse respeito, o C. STJ já proferiu entendimento, verbis:

“PENAL E PROCESSO PENAL. PECULATO, LAVAGEM DE

DINHEIRO E QUADRILHA. CONSELHEIRO DO TRIBUNAL DE CONTAS.

INSTAURAÇÃO DE PROCESSO CRIMINAL COM BASE EM INQUÉRITO

CIVIL. POSSIBILIDADE. EXCESSO PRAZAL NA INVESTIGAÇÃO.

IRREGULARIDADE QUE NÃO CONTAMINA A AÇÃO PENAL. INQUÉRITO

CIVIL PRESIDIDO POR PROMOTOR DE JUSTIÇA. POSSIBILIDADE.

DENÚNCIA QUE NÃO DESCREVE ADEQUADAMENTE O CRIME DE

QUADRILHA. REJEIÇÃO. QUANTO ÀS DEMAIS CONDUTAS, A PEÇA

INAUGURAL PREENCHE OS REQUISITOS DO ART. 41 DO CPP.

AFASTAMENTO DO CARGO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES.

DENÚNCIA PARCIALMENTE RECEBIDA. ( II - O eventual excesso prazal

na apuração realizada em inquérito civil não representa nulidade, mas sim

irregularidade que não contamina o processo criminal posteriormente

)

instaurado. Precedentes do STJ. ( III - Compete ao Promotor de Justiça a

instauração e presidência do inquérito civil, não se podendo falar em nulidade da

investigação em face do foro por prerrogativa de função do denunciado. Uma vez

presentes os indícios de prática delitiva, foram os autos encaminhados para o

Procurador-Geral de Justiça, que em âmbito criminal adotou as medidas que

entendeu pertinentes, restando respeitado o foro por prerrogativa de função do

(g.n.) (STJ, APn 531/MT, Relator Ministro

Francisco Falcão, Órgão Julgador: Corte Especial, Julgamento: 07.03.2012,

agente. Precedentes do STJ (

)

)

Publicação/Fonte 14.05.2012)

Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade do inquérito policial e

incompetência do promotor que o presidiu.

É como voto.

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V O T O (PRELIMINAR - IMPOSSIBILIDADE DE

DESENVOLVIMENTO VÁLIDO E REGULAR DA AÇÃO (POR NULIDADE DO

INQUÉRITO CIVIL, EXTRAPOLAÇÃO DO PRAZO PARA SUA CONCLUSÃO E

INCOMPETÊNCIA DO PROMOTOR QUE O PRESIDIU. AFRONTA AOS ARTIGOS 283 E

396 DO CPC E RESOLUÇÕES 001/2001 E 005/2004 DO CONSELHO SUPERIOR DO

MINISTÉRIO PÚBLICO)

EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Egrégia Câmara:

Rejeito a preliminar.

V O T O (PRELIMINAR - PRELIMINAR DE NULIDADE DA

DECISÃO EM VIRTUDE DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA)

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(RELATORA)

Egrégia Câmara:

I. Os Apelantes JOSÉ GERALDO RIVA, NIVALDO DE ARAÚJO,

GERALDO LAURO, HUMBERTO NELO BOSAIPO, JOSÉ QUIRINO PEREIRA e JOEL

QUIRINO PEREIRA suscitam preliminar de nulidade da decisão em face do cerceamento do

direito de defesa, posto que proferido julgamento antecipado da lide, “sem que as provas

testemunhais e documentais pudessem ser produzidas livremente”.

II. Informam que o cerceamento se agrava ainda mais, quando se

constata que as provas produzidas pelo Ministério Público foram unilaterais e sem o crivo do

contraditório.

III. Arrolaram dezenove testemunhas “presenciais” (sic) e que

“participaram dos atos e cujos testemunhos seriam esclarecedores quanto à licitude dos

procedimentos”. As testemunhas não puderam ser ouvidas, tendo a sentença sido prolatada

apressadamente, “em represália” ao fato do Magistrado sentenciante ter sido cientificado da

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incompetência do Juízo (sic). Quatro destas testemunhas iriam provar que José e Joel Quirino

não produziram os documentos tidos como fictícios (sic). Além de não permitir a prova, a

sentença se fundamentou no fato de que os Requeridos não se desincumbiram da provar o

alegado, com a inversão do ônus probante.

IV. O MINISTÉRIO PÚBLICO contra-argumenta suscitando a presença

dos requisitos autorizadores do julgamento antecipado, com a produção de provas robustas e

incontroversas. Assegura que a defesa dos Requeridos foi feita por negativa geral, sem argüição

de fatos impeditivos, extintivos ou modificativosda pretensão inicialda ACP.

V. Argumenta que foram produzidas provas irrefutáveis de inexistência

de uma empresa fantasma, na sede indicada no contrato social, conforme declarações da

proprietária do imóvel e os cadastros de ordem fiscal testificam que a empresa nunca funcionou,

na época em que recebeu pagamentos milionáriosas AssembléiaLegislativa.

VI. Aqui, também, não assiste razão aos Apelantes! A sentença

recorrida, antes mesmo do exame das preliminares do mérito, justificou suficientemente o

julgamento antecipado da lide, nos seguintes termos:

“1)Do julgamento antecipado da lide

A direção do processo em nosso sistema processual civil é

responsabilidade do magistrado, a quem compete, entre outros deveres, assegurar

às partes igualdade de tratamento, velar pela rápida solução do litígio, prevenir ou

reprimir qualquer ato atentatório à dignidade da justiça (art. 125, CPC).

Ainda que seja permitido, como regra geral, a utilização pelas partes

de todos os meios legais e os moralmente legítimos de prova (art. 332, CPC), o juiz

não fica obrigado a aceitar a proposição de um ou outro meio se, conforme

expressamente prescreve o art. 334 do CPC, não dependem de prova os fatos

notórios, os afirmados por uma das partes e confessados pela parte contrária, os

admitidos no processo como incontroversos, e os em cujo favor milita a presunção

legal de existência ou de veracidade.

Precisamente por isso, no uso de seus poderes instrutórios, examinando

o quadro probatório apropriado à solução da quaestio o juiz deverá determinar

apenas as provas necessárias à instrução do processo (art. 130, CPC).

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Releva acentuar que, de acordo com o princípio da persuasão racional

adotado em nosso processo, o juiz deve formar sua convicção livremente,

cabendo-lhe, porém, motivar, segundo critérios lógicos adequados, o resultado a

que chegou através da análise da prova constante dos autos. A relevância dos fatos

para o julgamento da lide, por sua vez, exige análise conforme as regras do direito

e da experiência e estão diretamente ligados à natureza e peculiaridade dos fatos

objeto da causa de pedir.

No caso, os fatos afirmados na inicial, passados no âmbito da

Assembleia Legislativa estadual – emissão de cheques e desvio de recursos

públicos pelos dois primeiros requeridos mediante fictício pagamento a terceiro,

resultam de procedimentos administrativos que têm forma documental e estão

vinculados, quanto à forma e modo de constituição, pelos princípios da

oficialidade, da legalidade e da presunção de legitimidade, autorizando a

verificação direta pelo juiz.

A questão de mérito, conforme melhor será exposta adiante, consiste

em saber da ocorrência ou não da prestação de serviços pela empresa SEREIA

PUBLICIDADE E EVENTOS LTDA. em favor da Casa Legislativa Estadual e,

por conseqüência, da licitude dos pagamentos que, segundo os próprios

requeridos, a ela foram feitos. Tudo o mais deriva dessa questão capital,

inserindo-se já no plano das conseqüências jurídicas decorrentes de uma ou de

outra conclusão.

As provas documentais contidas nestes autos dão conta de que a

“empresa” beneficiária dos cheques enumerados (cujos microfilmes obtidos em

quebra judicial de sigilo bancário também constam destes autos) não tinha

situação jurídica regular de modo a poder operar, validamente, com o Poder

Público e, portanto, oferecer-lhe serviços, tendo efetivamente figurado como

beneficiária de todos os cheques citados na inicial.

Esse fato, ou seja, a irregular situação jurídica da empresa, alegado na

inicial, não foi especificamente impugnado pela defesa de nenhum dos

requeridos, restando incontroverso nos termos do que prevê o art. 334, II e III do

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CPC.

Quanto às imputações feitas aos requeridos José Geraldo Riva e

Humberto Bosaipo, bem é de ver que não negam que, no exercício das funções

públicas de 1º Secretario e Presidente da Assembléia Legislativa do Estado,

assinaram os cheques e fizeram os pagamentos à suposta empresa; de modo

geral, apenas negam conhecimento quanto à inexistência da empresa e dizem não

haver prova de dolo ou culpa, deles, no eventual dano ao erário. Já os

co-requeridos Joel e José Quirino admitem ter criado a suposta empresa, mas

dizem que não lhes competia averiguar a autenticidade dos documentos

apresentados, enquanto os demais alegam falta de provas e licitude do negócio

jurídico e dos pagamentos realizados.

O fato base da imputação, isto é, a emissão de 48 (quarenta e oito)

cheques pela Assembléia Legislativa em nome da empresa Sereia Publicidade e

Eventos Ltda., portanto, é admitido pelos requeridos, atraindo a incidência da

regra do art. 334, II, do CPC.

Por outro lado, as alegações defensivas constituem aspectos das

condutas que consubstanciam questões de direito, ou a qualificação e

conseqüências jurídicas dos fatos, matéria que em nosso direito processual se

insere na ampla cognição do juiz, conforme o dever do seu ofício, segundo a

máxima iura novit cúria.

Ensina Carneiro Neto, em citação a Larenz que “o juiz julga sobre a

questão de fato com base no que é aduzido pelas partes e na produção da prova;

a questão de direito decide-a sem depender do que é alegado pelas partes, com

base no seu próprio conhecimento do Direito e da lei, que tem de conseguir por si

(jura novit cúria). Só os fatos, isto é, os estados e acontecimentos fáticos são

suscetíveis e carecem de provas; a apreciação jurídica dos fatos não é objeto de

prova a aduzir por uma das partes, mas tão só de ponderação e decisão judiciais

(Carneiro Neto, Durval, Processo, jurisdição e ônus da prova no direito

administrativo: um estudo dogmático sobre o dogma da presunção de legitimidade,

Editora Podivm, Salvador, 2008, PP.89/90).

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Daí que, tendo os requeridos se defendido regularmente dos fatos que

lhes foram imputados, competindo a este juízo proceder a correta qualificação

jurídica e julgá-los à luz do direito aplicável, considerando o farto conjunto de

provas nos autos e quadro probatório, entendo estar o processo maduro para

decisão, pelo que passo ao julgamento da lide nos termos do art. 330, I, do Código

de Processo Civil.

Anoto que, malgrado tenha determinado a fl. 2132 que as partes

apresentassem de maneira específica e justificada as provas que desejavam

produzir, os requeridos limitaram-se a apresentar a fl. 2134/2136 uma extensa

lista de nomes de pessoas que pretendiam ouvir como testemunhas, nada

apontando acerca da necessidade da produção de prova em audiência.

De proêmio, considerando provada a morte de Luis Eugênio de Godoy

(fl. 1607), um dos requeridos nesta ação, conforme noticiada pelo MP,

considerando a natureza personalíssima da demanda, declaro extinto o processo

em relação a ele nos termos do art. 267, IX, do CPC.” (p. 2159-2162)

VII. Dispõe o art. 330, I, do CPC: “O Juiz conhecerá diretamente do

pedido, proferindo sentença: I – quando a questão de mérito for unicamente de direito, ou, sendo

de direito e de fato, não houver necessidade de produzir prova em audiência”, o que se verifica

nos autos é que estava suficientementeinstruído.

VIII. O magistrado é livre para julgar a lide, sem maior dilação

probatória, desde que convicto de que os elementos que instruem o processo naquele instante

sejam suficientes para esclarecer o que de pertinente e relevante havia de ser considerado para a

causa.

IX. O raciocínio do MM. Juiz não merece reparo e, segundo a

jurisprudência, “ julgamento antecipado da lide não ocasiona cerceamento de defesa quando

o Juízo entende que não há mais controvérsia quanto aos fatos nucleares da demanda, restando

apenas o deslinde das questões de direito.” (REsp 973.686/PR; 2ª Turma; Rel. Min.Humberto

O

Martins; Julg. 15-09-2009; DJe 30-09-2009)

X. Os apelantes asseguram que pretendiam comprovar, por testemunhas

e relatório do Tribunal de Contas do Estado, a regularidade da prestação dos serviços e os

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pagamentos efetuados à empresa e mesmo que não tiveram qualquer participação da constituição

dessa referida empresa, mas foram impedidos de demonstrar o serviço realizado. Não

mencionam, entretanto, quais foram aos fundamentos do juiz para julgar antecipadamente à lide.

XI. Deixaram de perceber que a contratação de serviço público ou a

aquisição de produtos pela Administração Pública não se prova por testemunha, mas por

documentos, iniciando com o procedimento licitatório, formal por excelência. A

inobservância das formalidades legais exigidas da Administração Pública vai de encontro à

finalidade constitucional conferida à licitação, de propiciar igualdade de condições a todos que

desejam contratar com a Administração, em obediência aos princípios da legalidade, da

isonomia, da impessoalidade,da moralidade, da publicidadee da eficiência.

XII. Sequer o relatório do Tribunal de Contas substitui a prova

documental, porque a decisão da Corte de Contas não tem caráter jurisdicional e não impede o

controle judicial,por expressa disposição na Lei 8.429/1992:

“Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:

( )

II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle

interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas.”.

XIII. Este entendimento já foi manifestado pelo Superior Tribunal de

Justiça:

 

“PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. CONTAS APROVADAS

PELO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. AÇÃO DE IMPROBIDADE.

PREJUDICIALIDADE. NÃO-OCORRÊNCIA. ART. 21, II, DA LEI 8.429/1992.

APLICAÇÃO.

1. A aprovação das contas pelo TCU não prejudica a Ação de

Improbidade Administrativa, nos termos do art. 21, II, da Lei 8.429/1992.

Precedentes do STJ.

2. Recurso Especial provido.” (REsp 757.148/DF; Rel. Min. Herman

Benjamin;2ª Turma; Julg. 11-11-2008; DJe 11-11-2009.)

XIV. O parecer da ilustrada Procuradoria Geral de Justiça, nos seguintes

termos:

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“Convém esclarecer que não procede a irresignação quanto ao

indeferimento da produção das “aludidas provas”, porquanto a contestação é o

momento oportuno para a parte demandada contrariar os termos da petição inicial

e, na mesma oportunidade, especificar as provas que pretende produzir, sendo

inapropriado dizer genericamente que pretende produzir provas, sem contudo

especificá-las.” (p. 5.411)

XV. No caso, inocorreu cerceamento ao direito de defesa em decorrência

de existência de prova documental abundante, que já se mostrava suficiente para fazer emergir a

realidade fática, sendo absolutamente descabida e desnecessária a dilação probatória, mesmo

porque os documentos requisitados não foram entregues pelos apelantes, sendo, então, caso de

julgamento antecipado da lide, na forma do artigo 330, I, do Código de Processo Civil. O

Magistério de Arruda Alvin acerca do tema deve ser observado com acuidade:

“ Além do dever de o juiz vedar a procrastinação do feito, cabe-lhe

impedir diligências probatórias inúteis ao respectivo objeto (art. 130), que, aliás,

são também procrastinatórias. Desta forma, não há disponibilidade quanto aos

meios de prova, no sentido de a parte poder impor ao juiz provas por ele reputadas

inúteis (relativamente a fatos alegados, mas não relevantes), como

procrastinatórias (relativamente à produção de provas sem necessidade de

expedição de precatória ou rogatória, mas, antes de outro meio mais expedito)

(ALVIM, Arruda. Manual de Direito Processual Civil. v. II, 6. ed. p. 455).

XVI. A colenda Quinta Câmara Cível deste Tribunal, Relator

Desembargador Sebastião de Morais Filho (Apelação nº. 51481/2011 - Classe CNJ – 198,

votação unânime, em 9 de novembro de 2011), decidiu que “ o juiz é o destinatário da prova, a

ele incumbe verificar quais os meios probatórios suficientes para a solução da lide, ficando a seu

critério determinar a produção das provas que entender necessárias à instrução processual, sem

que tal prática configure cerceamento de defesa”.

XVII. O Superior Tribunal de Justiça consagra igual entendimento: “1.-

O destinatário final das provas produzidas é o juiz, a quem cabe avaliar quanto à sua

suficiência e necessidade, em consonância com o disposto na parte final do artigo 130 do

(STJ, Terceira Turma, Agravo Regimental no

Código de Processo Penal (‘rectius’: Civil)

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Agravo em Recurso Especial nº. 46936/MG, Relator Ministro Sidnei Beneti, julgamento

22/11/2011, publicação DJe 07/12/2011.

XVIII. Feitas estas considerações, considerando que inexistiu qualquer

atentado contra os princípios do contraditório e da ampla defesa e que o Magistrado proferiu a

solução do litígio, em tempo mais breve possível, em estrito cumprimento da Carta da República

(art. 5º, LXXVIII) e do art. 125, II, do Código de Processo Civil, impõe-se seja REJEITADA a

preliminar.

É como voto.

VOTO

EXMO. SR. DR. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS (REVISOR)

Egrégia Câmara:

Senhora Presidente:

Egresso que sou do Juizado Especial Cível, aliás ainda a ele pertenço,

estou aqui convocado, eu também fiz uma análise, mas com os critérios norteadores dos juizados

especiais. E estou dizendo isso não criticando Vossa Excelência, estou dizendo que no juizado

especial, vamos diretamente ao ponto nevrálgico da questão e neste particular Vossa Excelência

e eu estamos de acordo no sentido de que não houve cerceamento de defesa, até porque as

pessoas que presenciaram, fica estranho; se presenciaram, são elas agentes públicos, são pessoas

físicas? Se presenciaram na condição de agentes públicos teriam participado? Estou indagando e

não afirmando.

De qualquer sorte, é público e notório, e o Doutor sabe disso, que não há

possibilidade, neste particular, de comprovação de fatos que só podem ser através de

documentos.

 

Estou de pleno acordo com Vossa Excelência.

VOTO PRELIMINAR III – CERCEAMENTO AO DIREITO DE

DEFESA.

Os apelantes requerem a nulidade da sentença, por alegado cerceamento

ao direito de defesa, considerando que a lide foi julgada antecipadamente, sem que as provas

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testemunhais ou documentais por eles requeridas, pudessem ser produzidas.

O julgamento antecipado da lide é uma faculdade conferida ao

magistrado de sentenciar os autos sempre que se sinta convencido que a prova produzida é

suficiente ao julgamento da ação, sendo desnecessária a produção daquelas que foram requeridas

pelas partes.

No caso, verifica-se que o magistrado apresentou extensa, coerente e

bem fundamentada justificativa,sobre as razões que o levaram ao julgamento antecipado da lide,

conforme se extrai do seguinte trecho:

“A direção do processo em nosso sistema processual civil é

responsabilidade do magistrado a quem compete, entre outros deveres, assegurar

às partes igualdade de tratamento, velar pela rápida solução do litígio em

obediência ao ‘princípio da razoável duração do processo (inciso LXXVIII, do

art. 5º, da CF)’, além de prevenir ou reprimir qualquer ato atentatório à

dignidade da justiça (art. 125, CPC).

Ainda que seja permitido, como regra geral, a utilização pelas partes

de todos os meios legais e os moralmente legítimos de prova (art. 332, CPC), o

juiz não fica obrigado a aceitar a proposição de um ou outro meio se, conforme

expressamente prescreve o art. 334 do CPC, não dependem de prova os fatos

notórios, os afirmados por uma das partes e confessados pela parte contrária, os

admitidos no processo como incontroversos, e os em cujo favor milita a

presunção legal de existência ou de veracidade.

Precisamente por isso, no uso de seus poderes instrutórios,

examinando o quadro probatório apropriado à solução da quaestio o juiz deverá

determinar apenas as provas necessárias à instrução do processo (art. 130, CPC).

( )

A questão de mérito, conforme melhor será exposta adiante, consiste

em saber da ocorrência ou não da prestação de serviços pela empresa SEREIA

PUBLICIDADE E EVENTOS LTDA., em favor da Casa Legislativa Estadual e,

por consequência, da licitude dos pagamentos que, segundo os próprios

requeridos, a ela foram feitos. ( )

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As provas documentais contidas nestes autos dão conta de que a

‘empresa’ beneficiária dos cheques enumerados (cujos microfilmes obtidos em

quebra judicial de sigilo bancário também constam destes autos) não tinha

situação jurídica regular de modo a poder operar, validamente, com o Poder

Público e, portanto, oferecer-lhe serviços ou materiais, tendo efetivamente

figurado como beneficiária de todos os cheques citados na inicial.

Esse fato, ou seja, a irregular situação jurídica da empresa, alegado

na inicial, não foi especificamente impugnado pela defesa de nenhum dos

requeridos, restando incontroverso nos termos do que prevê o art. 334, II e III do

CPC.

Quanto às imputações feitas aos requeridos José Geraldo Riva e

Humberto Bosaipo, bem é de ver que não negam que, no exercício das funções

públicas de 1º Secretário e Presidente da Assembléia Legislativa do Estado,

assinaram os cheques e fizeram os pagamentos à supostaempresa; de modo geral,

apenas negam conhecimento quanto à inexistência da empresa e dizem não

haver prova de dolo ou culpa, deles, no eventual dano ao erário. Já os

co-requeridos Joel e José Quirino admitem ter criado a suposta empresa, mas

dizem que não lhes competia averiguar a autenticidade dos documentos

apresentados, enquanto os demais alegam falta de provas e licitude do negócio

jurídico e dos pagamentos realizados.

O fato base da imputação, isto é, a emissão de 48 (quarenta e oito)

cheques pela Assembléia Legislativa em nome da empresa Sereia Publicidade e

Eventos Ltda, portanto, é admitida pelos requeridos, atraindo a incidência da

regra do art. 334, II, do CPC.

Por outro lado, as alegações defensivas constituem aspectos das

condutas que consubstanciam questões de direito, ou a qualificação e

conseqüências jurídicas dos fatos, matéria que em nosso direito processual se

insere na ampla cognição do juiz, conforme o dever do seu ofício, segundo a

máxima iura novit cúria.

( ”.)

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Em razão disso, se o julgamento antecipado da lide foi devidamente

fundamentado no fato de o magistrado reputar suficientes as provas documentais produzidas, é

perfeitamente possível o indeferimentodas provas requeridas pelas partes, sem que isso implique

em cerceamento ao direito de defesa.

A esse respeito, é o entendimento do C. STJ:

“( 2. O destinatário final das provas produzidas é o juiz, a quem

)

cabe avaliar quanto à sua suficiência e necessidade, em consonância com o

disposto na parte final do art. 130 do CPC. É firme a jurisprudência desta Corte

no sentido de que compete às instâncias ordinárias exercer juízo acerca das

provas produzidas, haja vista sua proximidade com as circunstâncias fáticas da

causa, cujo reexame é vedado em âmbito de Especial, a teor da Súmula 7/STJ.”

(Precedentes: AgRg no Ag 1.419.008/RJ, Rel. Min. Sidnei Beneti, Terceira Turma,

julgado em 15.9.2011, DJe 3.10.2011; AgRg no Ag 1.050.105/SP, Rel. Min. Mauro

CampbellMarques, Segunda Turma, julgado em 21.10.2008, DJe 21.11.2008; AgRg

no Ag 1.364.996/RJ, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em

18.8.2011, DJe 24.8.2011).

Percebe-se, facilmente, que a intenção dos apelantes é anular a sentença

e os efeitos dela advindos, fazendo com que os autos retornem a instância de origem, para novo

julgamento. Digo isto, sobretudo porque o cerceamento ao direito de defesa foi alegado de

forma genérica, não havendo o apontamento específico quanto este ou aquele elemento

probatório, essenciais e hábeis para modificar o entendimento do magistrado a quo.

Posto isso, por não ter havido cerceamento ao direito de defesa dos

apelantes, rejeito a preliminar.

É como voto.

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V O T O (PRELIMINAR - DE NULIDADE DA DECISÃO EM

VIRTUDE DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA)

EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Egrégia Câmara:

São duas as situações importantes a serem analisadas no mérito desta

questão: a ocorrência da prestação de serviço e a licitude dos pagamentos efetuados através dos

cheques. Ouvi atentamente o voto proferido pela Relatora e a manifestação do ilustre Revisor,

mas, como ascendi a este Tribunal e vindo de um Juizado Especial onde não temos muito contato

com fatos desta natureza, prefiro, pedindo vênia à Relatora e ao Revisor, vista para melhor

analisar a questão do cerceamento de defesa, pois automaticamente nos levará à conclusão da

questão do mérito da lide.

ESCLARECIMENTO

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES RIBEIRO (PRESIDENTE)

Adiada a conclusão do julgamento em face do pedido de vista da vogal,

no exame da preliminar por cerceamento de defesa. Já rejeitadas, à unanimidade, as preliminares

de nulidade da decisão face à incompetência do juízo singular e nulidade do inquérito civil.

ADVOGADO

Só quero dar uma última palavra.

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(PRESIDENTE E RELATORA)

Pois não, Doutor.

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ADVOGADO

Esclarecer que na verdade nós assumimos essas cento e três ações de

improbidade administrativa, mas em decorrência desse período de transição, realmente não

tivemos tempo ainda, por isso Dr. Mario Sá ainda consta em nosso substabelecimento. Na

verdade não consta de nosso substabelecimento, mas ele não substabeleceu sem reservas pelo

fato de que a gente nem tem escritório situado em Mato Grosso.

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(PRESIDENTE E RELATORA)

Não se esqueça de trazer o substabelecimento imediatamente, o mais

rápido que o Senhor puder.

ADVOGADO

Juntarei, Excelência.

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(PRESIDENTE E RELATORA)

Na próxima sessão teremos o julgamento de outra ação civil pública

envolvendo as mesmas partes, da relatoria do Dr. Sebastião Barbosa Farias.

Foi enviado para imprensa, na próxima terça feira iremos continuar o

julgamento desta e terá outra para Vossa Excelência fazer sustentação.

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL (CONTINUAÇÃO

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ADVOGADO

Não sei o entendimento de Vossa Excelência e do Revisor, a única

questão que nos chamou a atenção foi o fato de não ter antecipado que ia julgar antecipadamente

a lide. É isso. Nossa principal irresignação foi essa.

EXMO. SR. DR. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS (REVISOR)

Quero reafirmar o que eu disse para Vossa Excelência em relação à

Desembargadora, eu disse: o senhor irá encontrar uma pessoa, uma juíza, que tem um espírito

democrático.

E ela demonstrou isto ao anunciar para que Vossa Excelência, é claro

que com a publicação, o Senhor irá se municiar de todos os argumentos, mas já antecipa para

que o senhor, a partir de agora, tenha incumbência, também, de assomar a Tribuna para este

outro julgamento.

Desembargadora, a Senhora irá trazer na próxima.

Se for na próxima, concomitantemente faremos o outro.

ADVOGADO

Nós acompanharemos e tenho certeza que o espírito democrático

compõe toda esta acamada banca, e a gente espera trazer uma defesa de alto nível, sem nenhum

tipo de tese procrastinatória.

Obrigado, Excelência.

EXMO. SR. DR. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS (REVISOR)

Quer dizer que o senhor irá manter o alto nível, pois o senhor trouxe de

alto nível.

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL (CONTINUAÇÃO

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL (CONTINUAÇÃO DE JULGAMENTO)

ADVOGADO

Obrigado.

ESCLARECIMENTO

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(PRESIDENTE)

Anunciando, então, a decisão: Adiada a conclusão do julgamento em

face do pedido de vista da Voga. Foram rejeitadas, à unanimidade, as questões de ordem

suscitadas pela defesa em Plenário. Rejeitadas, também à unanimidade, as preliminares de

nulidade por incompetência do Juízo Singular e de nulidade do inquérito civil. A Relatora e o

revisor rejeitaram a preliminarde cerceamento de defesa.

EM 16 DE ABRIL DE 2013

ADIADA À CONCLUSÃO DO JULGAMENTO EM FACE DO

PEDIDO DE VISTA DA VOGAL, FORAM REJEITADAS, À UNANIMIDADE,

AS QUESTÕES DE ORDEM SUSCITADAS PELA DEFESA, EM PLENÁRIO.

REJEITADAS, TAMBÉM, À UNANIMIDADE, AS PRELIMINARES DE

NULIDADE POR INCOMPETÊNCIA DA VARA ESPECIALIZADA EM AÇÃO

CÍVIL PÚBLICA E DE NULIDADE DO INQUÉRITO CÍVIL. A RELATORAE O

REVISOR REJEITARAM A PRELIMINAR DE NULIDADE PELO

CERCEAMENTO DE DEFESA DOS APELANTES.

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 19615/2011 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL (CONTINUAÇÃO

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ESCLARECIMENTO (SESSÃO DE 23-04-2013)

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(PRESIDENTE)

Foi adiada a conclusão do julgamento em face do pedido de vista da

Eminente Vogal.

Foram rejeitadas, à unanimidade, as duas questões de ordem suscitadas

pela defesa. Também foram rejeitadas as preliminares de nulidade por incompetência da Vara

Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular. Também pela nulidade do inquérito civil. E

também a questão quanto à nulidade pelo cerceamento de defesa, sendo que a Relatora e o

Revisor rejeitaram a preliminare a Vogalpediu vista.

Doutor, não temos pedido de sustentação, pois o julgamento já começou

e a sustentação foi feita pelo Advogado.

ADVOGADO

Excelência, somente um esclarecimento quanto a documento novo que

foi juntado hoje aos autos. Serei breve.

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(PRESIDENTE)

Pois não.

Somente esclarecimento.

ADVOGADO

Só esclarecimento.

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EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(PRESIDENTE)

Pois não.

ADVOGADO

Boa tarde, Excelências.

Juntamos, hoje, aos autos, um parecer lavrado pelo Ministro Ilmar

Galvão, foi magistrado de carreira, juiz federal, Desembargador do TRF, Ministro do STF.

Especificamenterelacionado à questão de ordem, cujo julgamento vai ser concluído agora.

Peço vênia de Vossas Excelências para ler um curto trecho do parecer.

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(PRESIDENTE)

O senhor vai fazer esclarecimento. Leitura já fizemos, recebemos

memorial. A gente sabe ler.

Desculpe.

ADVOGADO

Então, só esclarecendo em relação à juntada do documento que peço seja

levado em consideração.

Agradeço.

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EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(PRESIDENTE)

Então, tem a palavra a Eminente Desa. Maria Aparecida Ribeiro, em face

de seu pedido de vista quanto à preliminarde cerceamento de defesa aos apelantes.

VOTO

EXMA. SRA. DESA. MARIA APARECIDARIBEIRO (VOGAL)

Egrégia Câmara:

Após a Eminente Relatora – Desembargadora Maria Erotides Kneip

Baranjak – ter rejeitado a preliminar de cerceamento do direito de defesa suscitada pelos

apelantes JOSÉ GERALDO RIVA, NIVALDO DE ARAUJO, GERALDO LAURO,

HUMBERTO MELO BOSAIPO, JOSE QUIRINO PEREIRA e JOEL QUIRINO PEREIRA e o

revisor – DR. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS – tê-la acompanhado, pedi vista dos autos

para melhor analisar esta matéria preliminar.

De início, registro que o “julgamento antecipado da lide é dever do

magistrado que, analisando a demanda e entendendo que as provas documentais anexadas

aos autos levam ao exaurimento da cognição dos fatos expostos pelas partes, considera não

ser necessária a produção de provas orais”.

Segundo o renomado Prof. Ernani Fidelis dos Santos, o qual tive a honra

de ser sua aluna durante o curso de Direito, na Faculdade de Direito de Uberlândia/MG – “ O

julgamento antecipado da lide (art. 330) é imposição da lei ao juiz, que poderá, inclusive, ser

responsabilizado(art. 133, II) quando deixar de fazê-lo levianamente.”

E acrescenta:

“O julgamento antecipado da lide não está na vontade das partes.

A decisão

antecipada só será obstada, se o fato tiver, realmente, relevância para o

Ocorrendo as hipóteses de possibilidade, deve ser proferido

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processo.(Santos, Ernani Fidelis dos Santos, Manual de Direito Processual Civil.

Processo de Conhecimento. São Paulo. Editora Saraiva, 2006, Vol.1,p.489).

Para Theotônio Negrão, comentando em sua obra o art. 330:

“O preceito cogente: ‘conhecerá’, e não ‘poderá conhecer’, se a

questão for exclusivamente de direito, o julgamento antecipado da lide é

obrigatório. Não pode o juiz, por sua mera conveniência, relegar para fase

ulterior a prolação da sentença, se houver absoluta desnecessidade de ser

produzida prova em audiência.(NEGRAO, Theotônio. Código de Processo Civil e

Legislação Processual em Vigor, 33, ed. São Paulo: Saraiva, 2002, p.408).

O STJ, por sua vez, já decidiu que o julgamento antecipado não é uma

faculdade e sim um dever do julgador, verbis:

“Em sede de embargos a execução, é inadmissível e mesmo

inaceitável, a oitiva de testemunhas, portanto, o juizo deve-se ater aos

documentos acostados aos autos, devendo o magistrado fazer uso do permissivo

no art. 330, inc. I do diploma processual civil, quando o processo versar sobre

matéria de direito e a prova ser exclusivamente documental, a propósito, o STJ,

guardião do direito infraconstitucional pátrio e incisivo: “presentes as condições

que ensejam o julgamento antecipado da causa, é dever do juiz, e não mera

faculdade, assim proceder, STJ, REsp 2.831-RJ. III- Recurso não conhecido.

Grifo nosso(STJ, Resp. 7.267 – Res. Rel. Min. Eduardo Ribeiro. DJ de 08.04.91).

ainda julgamento antecipado da lide deve acontecer quando

evidenciada a desnecessidade de produção de prova; de outro modo, caracterizado fica o

cerceamento de defesa” (RSTJ 48/405).

E

o

Nessa mesma linha, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o

julgamento antecipado da lide tem como escopo a observância aos princípios da celeridade e

economia processual, a par do da razoável duração do processo igualmente integrados ao nosso

sistema constitucional numa participação harmoniosa com o art. 330 do Código de Processo

Civil, verbis:

“Recurso Especial. Ação Cautelar. Lei 8.429/92. Afastamento de

Prefeitos e Servidores em Sede de Cautelar. Improbidade Administrativa( 1. O

)

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julgamento antecipado da lide(art. 330, I, do CPC) não implica cerceamento de

defesa, se desnecessária a instrução probatória, porquanto o instituto conspira a

favor do principio da celeridade. 2. Não constituindo a documentação nova a

causa determinante da decisão impugnada, não há falar em nulidade por

infringência ao art. 398 do Código de Processo Civil. 3. É lícito o Magistrado, à

luz do principio do convencimento racional (art. 131 do CPC), decidir a causa;

motivando o porque da sua fundamentação calcada nos fatos, provas, direito e

jurisprudência que entendeu pertinentes.( 4. Restando os fatos e as provas

relevantes in casu amplamente demonstrados na instância ordinária e

desinfluentes para o desate da lide os documentos sobre os quais o recorrente

aponta violação do contraditório, afasta-se o alegado malferimento da Lei federal

invocada(art. 398 do CPC). A influência do documento pelo seu teor probatório

não pode ser analisada pelo STJ por força da Sumula 07. Recurso Especial

desprovido.(grifo nosso).

)

In casu, o magistrado de piso, como bem salientou a eminente relatora,

apresentou justificativa, como determinado no art. 330 do Código de Processo Civil, sobre as

razões que o levaram ao julgamento antecipado da lide, afirmando que:

A questão de mérito, conforme melhor será exposta adiante, consiste

em saber da ocorrência ou não da prestação de serviços pela empresa SEREIA

PUBLICIDADE E EVENTOS LTDA, em favor da Casa Legislativa Estadual e,

por consequência, a licitude dos pagamentos que, segundo os próprios

requeridos, a ela foram feitos( As provas documentais contidas nestes autos

dão conta de que a ‘empresa’ beneficiária dos cheques enumerados (cujos

microfilmes obtidos em quebra judicial de sigilo bancário também constam destes

autos) não tinha situação jurídica regular de modo a poder operar, validamente,

com o Poder Público e, portanto, oferecer-lhe serviços ou materiais, tendo

efetivamente figurado como beneficiária de todos os cheques citados na inicial.

Esse fato, ou seja, a irregular situação jurídica da empresa, alegado na inicial,

não foi especificamente impugnado pela defesa de nenhum dos requeridos,

restando incontroverso nos termos do que prevê o art. 334, II e III do CPC. ( O

)

)

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fato base de imputação, isto é, a emissão de 48(quarenta e oito) cheques pela

Assembléia Legislativa em nome da empresa Sereia Publicidade e Eventos Ltda,

portanto, é admitida pelos requeridos, atraindo a incidência da regra do art. 334,

II, do CPC. Por outro lado, as alegações defensivas constituem aspectos das

condutas que consubstanciam questões de direito, ou a qualificação e

consequências jurídicas dos fatos, matéria que em nosso direito processual se

insere na ampla cognição do juiz, conforme o dever do seu oficio, segundo a

máxima iura novit cúria.”

Portanto, em que pesem os fundamentos despendidos pelos apelantes,

não prospera a preliminarde cerceamento de defesa em razão do julgamento antecipado da lide.

De fato, conforme dispõe o artigo 130 do Código de Processo Civil -

“caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias à

instrução do processo, indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias”.

Nesse sentido, o magistrado está investido do poder de iniciativa

probatória, mormente quando lhe restar perplexidade, ante os elementos constantes dos autos,

nos precisos termos do art. 130, do CPC, não se tratando, pois, de um mero espectador inerte,

diante de interesses em conflito. Havendo nos autos a perfeita harmonia com os princípios

informadores do processo, como o que se estampa no art. 131 do citado diploma processual, que

dispõe sobre a livre apreciação das provas pelo Juiz, na modalidade de persuasão racional, pode

este indeferir pedido de produção de prova. Dessa forma, entendendo o juiz que o feito

encontra-se suficientemente instruído, sendo caso de julgamento antecipado, e que outra prova

não contribuirá para a solução da lide, pode até mesmo indeferi-la quando requerida, a fim de

evitar a produção de provas desnecessárias que somente se prestariam a retardar a solução da

controvérsia.

Acerca do tema, leciona Misael Montenegro Filho (Curso de Direito

Processual Civil. São Paulo: Atlas, 2005. p. 536 e 482):

“A decisão de indeferimento (inadmissão) da produção da prova

apóia-se no princípio do livre convencimento racional, exigindo a jurisprudência,

apenas, que seja fundamentado o suficiente (

ao juiz foi conferida liberdade, pela Lei de Ritos, para apreciar a

) (

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prova de forma livre, valorando-a conforme a sua convicção, dando a cada espécie

probatória o atributo de certeza (ou de verossimilhança) que em princípio lhe

convier.

O sistema de liberdade conferido ao magistrado é denominado sistema

do livre convencimento motivado ou da persuasão racional, previsto de forma

principiológica no art. 131 do CPC (

Ensina-nos a doutrina que o sistema adotado pelo CPC (dando ao

magistrado liberdade para apreciar a prova de forma livre, desde que haja

fundamentação coincidente com os elementos dos autos ‘se situa entre o sistema da

prova legal e o sistema do julgamento secundum conscientiam’.”

É de se ressaltar que o juiz não está atrelado a uma ou outra prova

requerida pelas partes, pois o princípio do livre convencimento motivado o autoriza a julgar o

feito com base nas provas que lhe sejam conclusivas ao litígio, para extrair delas o

convencimento necessário e, fundamentadamente, realizar a prestação jurisdicional.

No caso em apreço, a produção da prova testemunhal em nada

contribuiria para a solução do litígio, porquanto a controvérsia é exclusivamente jurídica, posto

que a matéria, ora em debate nos autos, consiste exclusivamente na: 1) criação de empresas

fictícias, com endereços falsos e sócios inexistentes; 2) contratação dessas empresas fictícias

como fornecedoras de serviços à Assembleia Legislativa Estadual, sem que fossem executados

os serviços contratados; 3) pagamento das empresas por meio de cheques nominais emitidos em

favor delas, sendo que nas cártulas eram apostas a assinatura – falsa – do suposto sócio,

acompanhada de outra, de um dos tesoureiros das Casa Legislativa; 4) saque dos cheques (48)

pelos próprios emitentes ou algum servidor por eles designados no Banco do Brasil ou repasse

das cártulas à Confiança Factoring, que procedia ao desconto do montante e depositava em favor

das pessoas designadas pelos envolvidos.

Ora, essas questões, no meu sentir, reclamam unicamente prova

documental, mostrando-se despicienda a produção da prova oral requerida, pois os documentos

colacionados aos autos foram suficientes para a formação do convencimento do julgador e o

consequente deslinde do litígio, não havendo que se falar em cerceamento de defesa.

Ademais, a emissão dos 48(quarenta e oito) cheques emitidos pela

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Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso em favor de SEREIA PUBLICIDADE E

EVENTOS LTDA e a ausência de documento público ou privado comprovando a regularidade

das atividades comerciais da referida empresa são fatos notórios e não negado pelos apelantes.

Ora, de acordo com o que dispõe o art. 334 do Código de Processo Civil, os fatos notórios e

incontroversos não dependem de prova.

Destarte, encontrando-se a demanda em condições de julgamento

antecipado, sem necessidade de colheita de novas provas, a prolação da sentença resolvendo o

litígio sequer é uma faculdade, mas uma obrigação, à vista dos princípios da economia e

celeridade processuais e, também, da razoável duração do processo.

Afasto, portanto, a preliminarde cerceamento de defesa.

É como voto.

ESCLARECIMENTO

EXMA. SRA. DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK

(RELATORA)

Eminentes Pares:

Não tive tempo, porque recebi às dez horas da manhã, de rebater os fatos