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O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas

Escolares

Metodologias de Operacionalização (Parte I)

Maria José Fernandes Domingues

2009/2010
Modelo de Auto-Avaliação em Bibliotecas Escolares

1. Selecção de um domínio/subdomínio

1.1. Domínio A.2. Promoção das Literacias da Informação,


Tecnológica e Digital

A escolha deste domínio foi motivada por considerar prioritário o


desenvolvimento de uma cultura de pesquisa de informação e o investimento
no domínio da formação do utilizador e na articulação com as diferentes
estruturas de orientação pedagógica.
Neste sentido, acho que a biblioteca deve ter um papel de relevo na
escola procurando, de uma forma lúdica, atraente e prática motivar nos alunos
as actividades mais enriquecedoras, que vão para além da simples leitura de
livros e que implicam um conhecimento e uma utilização das TIC e da Internet.
Hoje, já ninguém põe em causa o direito à informação e ninguém duvida
de que os meios de informação são diversos e não se limitam aos livros. Os
programas escolares procuram acompanhar esta realidade e sugerem a prática
de métodos de aprendizagem activos que preparem estudantes para a
intervenção na sua própria aprendizagem e que estimulem o seu gosto de
aprender.
Neste contexto a escola deve adequar os seus projectos, de modo a
motivar os alunos, deitando mão das potencialidades da Biblioteca
Escolar/Centro de Recursos Educativos, que deve ter tem um papel central não
só na aprendizagem da leitura mas promover uma melhoria no desempenho da
biblioteca, neste subdomínio, e aumentar o seu impacto no desenvolvimento da
capacidade de seleccionar e utilizar a informação em diversos suportes,
tornando-os autónomos e capazes de se adaptar a uma grande variedade de
situações, permitindo que a educação seja continua ao longo da vida.

Promoção das Literacias da Informação, Tecnológica e Digital – Ano 2009-2010


Modelo de Auto-Avaliação em Bibliotecas Escolares

2. Selecção e análise de dois indicadores

A.2.2. Promoção do ensino em contexto de competências de


informação da escola/agrupamento (indicador de processo) -, em que a BE
deve promover a integração, com as estruturas de coordenação educativa e
supervisão pedagógica e dos docentes, de um plano para a Literacia de
Informação e, consequentemente, propor um modelo de pesquisa de
informação a ser usado por toda a escola/agrupamento e disponibilizar,
permanente, na BE, no blogue e no Moodle guiões orientadores e outros
materiais de apoio ao trabalho de exploração dos recursos de informação pelos
alunos, em colaboração com os docentes, no âmbito da literacia da informação.
Esta articulação com as diferentes estruturas pedagógicas faz todo o
sentido, visto só um trabalho conjunto poder ser gerador de criação de
caminhos para que os alunos não acumulem apenas saberes, mas que
adquiram métodos de trabalho, de pesquisa, favorecendo processos de auto-
formação.

A.2.4. Impacto da BE nas competências tecnológicas, digitais e de


informação dos alunos na escola/agrupamento (indicador de
Impacto/Outcome) –, que permite medir e averiguar qual o impacto das
actividades desenvolvidas nos resultados dos alunos e no uso de
competências tecnológicas, digitais e de informação.
A Biblioteca Escolar inserida neste mundo globalizado da Sociedade da
Informação e do Conhecimento constitui uma estrutura privilegiada na escola
para responder às actuais necessidades, dando acesso a uma vasta gama de
recursos, colaborando com os docentes no ensino de competências
tecnológicas e de informação, desenvolvendo nos alunos habilidades de
pensar criticamente, isto é, de aprender a aprender, contribuindo assim para a
construção do sucesso educativo e para a melhoria das aprendizagens dos
seus utilizadores.
Cada aluno deve ser um leitor fluente e crítico, capaz de usar a leitura
para obter informação, quer em obras de referência e materiais impressos,
quer em motores de pesquisa, directórios, bibliotecas digitais ou outras fontes
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Promoção das Literacias da Informação, Tecnológica e Digital – Ano 2009-2010


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de informação electrónicas e, naturalmente, organizar e sintetizar essa


informação e transformá-la em conhecimento. Este conjunto de factores vai
possibilitar, ao aluno, obter progressos no uso de competências tecnológicas,
digitais e de informação nas diferentes disciplinas e áreas curriculares.

3. Plano de Avaliação

3.1. Problema/Diagnóstico

A escola e a Biblioteca têm tentado desenvolver significativas melhorias


nas suas práticas, no âmbito do domínio “Promoção das Literacias da
Informação, Tecnológica e Digital”, como se reflecte no Projecto Educativo e
Plano Anual de Actividades do Agrupamento e a implementação do Plano
Tecnológico da Educação através de actividades que contribuam para o
desenvolvimento de competências na área da Literacia da Informação,
Tecnológica e Digital.
Como, neste ano lectivo, alguns dos objectivos, entre muitos, do Projecto
Educativo do Agrupamento são fomentar formas cooperativas de trabalho
docente, promover o sucesso educativo e explorar as potencialidades das TIC
para desenvolver, nos alunos, hábitos de trabalho e competências de pesquisa,
selecção e tratamento de informação é necessário e imprescindível que a
Biblioteca Escolar vá de encontro a esses objectivos e implementar, neste ano
lectivo, o processo de auto-avaliação neste subdomínio, com a finalidade de
atender à chamada de alunos que têm problemas e levá-los a adquirir uma
cada vez maior autonomia, a utilizar novas fontes de informação, a organizar
as suas pesquisas, a classificar os materiais que tenham recolhido com vista a
uma preparação para, no futuro, serem capazes de resolver novas situações.
A avaliação do domínio servirá para medir o impacto da BE nas
competências das Literacias da Informação, Tecnológica e Digital e a
elaboração de um Plano de Avaliação contribuirá para que o trabalho a
desenvolver ao longo do ano seja mais eficaz.

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3.2. Intervenientes

A avaliação será levada a cabo pelo professor bibliotecário, com o apoio


da equipa da Biblioteca, pelos professores, alunos e encarregados de
educação que colaboram preenchendo questionários ou outros instrumentos de
recolha e pelo Director e o respectivo órgão de Gestão, a que preside, que
deve estar envolvido desde o início, assumindo esta avaliação como uma mais
valia e uma oportunidade de melhoria, dos serviços da Biblioteca de modo a
que ela responda cada vez mais às necessidades da escola.

3.3. Limitações

Uma das limitações verificadas para a implementação do Modelo de Auto-


avaliação é a falta de tempo devido à panóplia de tarefas que estão quase
todas entregues à professora bibliotecária, uma vez que os professores que
fazem parte da equipa da biblioteca têm um horário bastante reduzido, na
mesma. Poderia colmatar, esta limitação, através da intervenção e o apoio de
outros docentes mas como, nos dias de hoje, é solicitado aos professores um
trabalho multifacetado, envolvendo uma carga horária pesada, é difícil a
colaboração dos mesmos neste processo de avaliação da BE.

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Indicador - A.2.2. – Promoção do ensino em contexto de competências de informação da escola/agrupamento.

Factores Críticos de Sucesso Evidências Instrumentos de Planificação da recolha e Calendarização


Avaliação tratamento de dados
A BE procede, em ligação com as estruturas de - Plano Anual de Actividades do -Projecto Educativo e -Existência de um exemplar de cada um Outubro
coordenação educativa e de supervisão Agrupamento Curricular da Escola/ destes documentos.
pedagógica, ao levantamento nos currículos das - Plano de Actividades da BE Agrupamento.
competências de informação inerentes a cada - Blogue da BE. -Documentos onde esteja definido este
departamento curricular/área disciplinar com -Projecto Educativo do -Materiais de apoio produzidos currículo transversal.
vista à definição de um currículo de Agrupamento e editados.
competências transversais adequado a cada
ano/ciclo de escolaridade.
A BE promove a integração, com as estruturas - Plano Anual de Actividades -Projecto Educativo e -Existência de um exemplar de cada um Dezembro
de coordenação educativa e supervisão -Registos de reuniões/ contactos Curricular da Escola/ destes documentos.
pedagógica e dos docentes, de um plano para a -Registos de projectos/ Agrupamento.
literacia da informação no projecto educativo e actividades. -Plano de Actividades da -Consultar os Projectos Curriculares de
curricular e nos projectos curriculares das -Materiais de apoio produzidos e Biblioteca. Turma.
turmas (decorrente do ponto anterior). editados. -Projectos Curriculares de
Turma.
A BE propõe um modelo de pesquisa de -Plano Anual de Actividades -Materiais de apoio produzidos -Disponibilização permanente na BE e Janeiro
informação a ser usado por toda a escola/ -Registos de reuniões/ contactos e editados. no respectivo blogue, de um PowerPoint
agrupamento. -Materiais de apoio produzidos e e de guiões orientadores, no âmbito da
editados. literacia da informação.
A BE estimula a inserção nas unidades -Materiais de apoio produzidos e -Registo de reuniões/contactos -Incrementar actividades / reuniões
curriculares, áreas de projecto, estudo editados. especificamente para se estabelecer a Ao longo do ano
acompanhado/apoio ao estudo e outras -Visitas guiadas à BE. -Materiais produzidos. articulação com o maior número de
actividades, do ensino e treino contextualizado de -Registos de reuniões/ contactos projectos possível.
competências de informação. - Blog -Trabalhos realizados pelos -Elaborar uma ficha para registo de
- Moodle alunos. reuniões.
-Elaboração de materiais de apoio.
A BE produz e divulga, em colaboração com os -Materiais de apoio produzidos e -Materiais de apoio produzidos
docentes, guiões de pesquisa e outros materiais editados. e editados. -Tratamento estatístico dos dados 2º e 3º períodos
de apoio ao trabalho de exploração dos recursos -Blog -Grelhas de observação (O1, recolhidos.
de informação pelos alunos. - Moodle O2 e T1)
A equipa da BE participa, em cooperação com os -Sessões de formação para os -Registo de reuniões/contactos -Incrementar actividades / reuniões Ao longo do ano
docentes, nas actividades de ensino de utilizadores. -Registo de actividades especificamente para se estabelecer a lectivo
competências de informação com turmas/ -Registos de reuniões/contactos -Planificações articulação com os docentes.
grupos/ alunos.
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Indicador - A.2.4. - Impacto da BE nas competências tecnológicas, digitais e de informação dos
alunos na escola/agrupamento.

Instrumentos de Planificação da recolha e Calendariz


Factores Críticos de Sucesso Evidências
Avaliação tratamento de dados ação
Os alunos utilizam, de acordo com o -Trabalhos escolares dos - Estatísticas de -Elaboração de instrumentos de
seu ano/ciclo de escolaridade, alunos utilização da BE recolha de dados Ao longo do
linguagens, suportes, modalidades de -Utilização pelos alunos: - Observação de -Preenchimento da grelha em ano lectivo
recepção e de produção de . Do Catálogo de utilização da BE (O1, conjunto com o professor
informação e formas de comunicação pesquisa digital; O2 e T1) -Recolha de dados
variados, entre os quais se destaca o . De grelhas de avaliação -Questionários aos
uso de ferramentas e media digitais. dos recursos; professores (QD1)
. Dos guiões da Literacia -Questionários aos
da Informação. alunos (QA1)
Os alunos incorporam no seu -Sessões de trabalho
trabalho, de acordo com o ano/ciclo colaborativo entre a - Preenchimento da grelha em Ao longo do
de escolaridade que frequentam, as equipa da .BE e docentes - Estatísticas de conjunto com o professor ano
diferentes fases do processo de no âmbito da Literacia utilização
pesquisa e tratamento de informação: da Informação.
identificam fontes de informação e -Trabalhos produzidos - Grelha de observação - Recolha das grelhas junto dos
seleccionam informação, recorrendo pelos alunos. (O1) docentes No final dos
quer a obras de referência e -Utilização da BE 2ª e 3º
materiais impressos, quer a motores -Grelha de análise de períodos
de pesquisa, directórios, bibliotecas trabalhos escolares dos
digitais ou outras fontes de alunos (T1)
informação electrónicas, organizam,
sintetizam e comunicam a
informação tratada e avaliam os
resultados do trabalho realizado.
Os alunos demonstram, de acordo - Apresentar em Conselho
com o seu ano/ciclo de escolaridade, -Questionários aos Pedagógico e solicitar aos Janeiro
compreensão sobre os problemas -Trabalhos realizados professores (QD1) Coordenadores de
éticos, legais e de responsabilidade pelos alunos. Departamento o seu Junho
social associados ao acesso, avaliação -Questionários aos preenchimento em reunião
e uso da informação e das novas alunos (QA1) pelos docentes (20% do n.º
tecnologias. total de docentes)
- Efectuar a recolha para
tratamento
Os alunos revelam em cada ano e ao -Pouco tempo para se -Questionários aos - Aplicar a 10% do número Janeiro
longo de cada ciclo de escolaridade, poderem recolher alunos (QA1) total de alunos
progressos no uso de competências evidências. - Apresentar em reunião de Junho
tecnológicas, digitais e de informação directores de turma e solicitar a
nas diferentes disciplinas e áreas cada um a distribuição dos
curriculares. questionários aos alunos das
turmas.

4. Tratamento dos dados

A primeira aplicação dos inquéritos no âmbito do documento “Bibliotecas


Escolares: quadro referencial para a avaliação” decorrerá no mês de Janeiro,
para professores e alunos.

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Serão aplicados cinquenta e dois inquéritos a alunos e dezasseis a


professores. A selecção será feita rigorosamente, segundo uma
proporcionalidade directa, tendo em conta os critérios recomendados: vários
níveis de escolaridade, sexo, inserção de alunos com necessidades educativas
especiais e alunos de outras nacionalidades, professores recém-chegados à
escola, mais antigos e pertencentes aos vários departamentos.
A segunda aplicação dos questionários decorrerá na última semana de
aulas para os alunos de nono ano (de 31 de Maio a 4 de Junho) e nas duas
últimas para os restantes anos de escolaridade. Quanto aos professores, será
solicitado o preenchimento também no final das actividades lectivas do 3º
período.
O tratamento de dados será feito logo de seguida à sua recolha, a fim de
evitar uma acumulação de dados a tratar no final do ano lectivo.
Para sistematização dos dados recolhidos far-se-á uma análise, em Excel,
dos seguintes instrumentos de avaliação:
- Questionários aos alunos (QA1)
- Estatísticas de utilização da BE
- Observação de utilização da BE (O1, O2 e T1)
- Questionários aos professores (QD1)
- Registo de reuniões/contactos
- Registo de actividades.

5. Análise e divulgação dos resultados

Nesta etapa far-se-á uma reflexão, da qual resultará uma síntese que nos
permitirá identificar os sucessos - pontos fortes – e as limitações - pontos
fracos - da actuação da biblioteca, os quais serão tomados em linha de atenção
para delinear acções de melhoria.
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Posteriormente, elaborar-se-á o relatório de auto-avaliação que vai dar


uma visão holística do funcionamento da BE e assumir-se como um instrumento
de sistematização e de difusão de resultados a ser apresentado junto dos
órgãos de gestão e de decisão pedagógica.
A partir deste relatório serão elaborados esquemas, de leitura e
interpretação fácil, que serão divulgados no blog da biblioteca, na página WEB
da escola e na sala dos professores.
Deste relatório deve originar uma súmula a incorporar no relatório de auto-
avaliação da escola e orientar o professor bibliotecário na entrevista a realizar
pela Inspecção-Geral de Educação.

6. Bibliografia

Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares. Modelo de Auto-avaliação das


Bibliotecas Escolares (2009). Disponível em: http://www.rbe.min-edu.pt/np4/?
newsId=31&fileName=mod_auto_avaliacao.pdf [Acedido a 19/11/09].

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Texto da sessão. Disponível na Plataforma.

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