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DIREITO PENAL - LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE - LEI 4.898/65 NÍCOLAS MARQUES

DE ABUSO DE AUTORIDADE - LEI 4.898/65 – NÍCOLAS MARQUES 1. LEGISLAÇÃO: Art. 1º O direito

1. LEGISLAÇÃO:

Art. 1º O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa, civil e penal, contra as autoridades que, no exercício de suas funções, cometerem abusos, são regulados pela presente lei.

Art. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição:

a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar, à autoridade civil ou militar

culpada, a respectiva sanção;

b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime contra a

autoridade culpada.

Parágrafo único. A representação será feita em duas vias e conterá a exposição do fato constitutivo do abuso de autoridade, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado e o rol de testemunhas, no máximo de três, se as houver.

Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:

a) à liberdade de locomoção;

b) à inviolabilidade do domicílio;

c) ao sigilo da correspondência;

d) à liberdade de consciência e de crença;

e) ao livre exercício do culto religioso;

f) à liberdade de associação;

g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto;

h) ao direito de reunião;

i) à incolumidade física do indivíduo;

j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional.

Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:

a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso

de poder;

b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei;

c)

deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa;

juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa; d) deixar o Juiz de ordenar o

d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada;

e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança, permitida em lei;

f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem, custas, emolumentos ou qualquer outra despesa, desde que a cobrança não tenha apoio em lei, quer quanto à espécie quer quanto ao seu valor;

g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de

carceragem, custas, emolumentos ou de qualquer outra despesa;

h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou

desvio de poder ou sem competência legal;

i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade.

Art. 5º Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração.

Art. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa, civil e penal.

§ 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e consistirá em:

a) advertência;

b) repreensão;

c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias, com perda de

vencimentos e vantagens;

d) destituição de função;

e) demissão;

f) demissão, a bem do serviço público.

§ 2º A sanção civil, caso não seja possível fixar o valor do dano, consistirá no pagamento de uma indenização de quinhentos a dez mil cruzeiros.

§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em:

a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;

b) detenção por dez dias a seis meses;

c)

perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo até três anos.

qualquer outra função pública por prazo até três anos. § 4º As penas previstas no parágrafo

§ 4º As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumulativamente.

§ 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa, por prazo de um a cinco anos.

art. 7º recebida a representação em que for solicitada a aplicação de sanção administrativa, a autoridade civil ou militar competente determinará a instauração de inquérito para apurar o fato.

§ 1º O inquérito administrativo obedecerá às normas estabelecidas nas leis municipais, estaduais ou federais, civis ou militares, que estabeleçam o respectivo processo.

§ 2º não existindo no município no Estado ou na legislação militar normas reguladoras do inquérito

administrativo serão aplicadas supletivamente, as disposições dos arts. 219 a 225 da Lei nº 1.711, de 28 de outubro de 1952 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União).

§ 3º O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil.

Art. 8º A sanção aplicada será anotada na ficha funcional da autoridade civil ou militar.

Art. 9º Simultaneamente com a representação dirigida à autoridade administrativa ou independentemente dela, poderá ser promovida pela vítima do abuso, a responsabilidade civil ou penal ou ambas, da autoridade culpada.

Art. 10. Vetado

Art. 11. À ação civil serão aplicáveis as normas do Código de Processo Civil.

Art. 12. A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justificação por denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da vítima do abuso.

Art. 13. Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima, aquele, no prazo de quarenta e oito horas, denunciará o réu, desde que o fato narrado constitua abuso de autoridade, e requererá ao Juiz a sua citação, e, bem assim, a designação de audiência de instrução e julgamento.

§ 1º A denúncia do Ministério Público será apresentada em duas vias.

Art. 14. Se a ato ou fato constitutivo do abuso de autoridade houver deixado vestígios o ofendido ou o acusado poderá:

a) promover a comprovação da existência de tais vestígios, por meio de duas testemunhas qualificadas;

b) requerer ao Juiz, até setenta e duas horas antes da audiência de instrução e julgamento, a designação de

um perito para fazer as verificações necessárias.

§ 1º O perito ou as testemunhas farão o seu relatório e prestarão seus depoimentos

§ 1º O perito ou as testemunhas farão o seu relatório e prestarão seus depoimentos verbalmente, ou o apresentarão por escrito, querendo, na audiência de instrução e julgamento.

§ 2º No caso previsto na letra a deste artigo a representação poderá conter a indicação de mais duas testemunhas.

Art. 15. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia requerer o arquivamento da representação, o Juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa da representação ao Procurador-Geral e este oferecerá a denúncia, ou designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no arquivamento, ao qual só então deverá o Juiz atender.

Art. 16. Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo fixado nesta lei, será admitida ação privada. O órgão do Ministério Público poderá, porém, aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva e intervir em todos os termos do processo, interpor recursos e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal.

Art. 17. Recebidos os autos, o Juiz, dentro do prazo de quarenta e oito horas, proferirá despacho, recebendo ou rejeitando a denúncia.

§ 1º No despacho em que receber a denúncia, o Juiz designará, desde logo, dia e hora para a audiência de instrução e julgamento, que deverá ser realizada, improrrogavelmente. dentro de cinco dias.

§ 2º A citação do réu para se ver processar, até julgamento final e para comparecer à audiência de instrução e julgamento, será feita por mandado sucinto que, será acompanhado da segunda via da representação e da denúncia.

Art. 18. As testemunhas de acusação e defesa poderão ser apresentada em juízo, independentemente de intimação.

Parágrafo único. Não serão deferidos pedidos de precatória para a audiência ou a intimação de testemunhas ou, salvo o caso previsto no artigo 14, letra "b", requerimentos para a realização de diligências, perícias ou exames, a não ser que o Juiz, em despacho motivado, considere indispensáveis tais providências.

Art. 19. A hora marcada, o Juiz mandará que o porteiro dos auditórios ou o oficial de justiça declare aberta a audiência, apregoando em seguida o réu, as testemunhas, o perito, o representante do Ministério Público ou o advogado que tenha subscrito a queixa e o advogado ou defensor do réu.

Parágrafo único. A audiência somente deixará de realizar-se se ausente o Juiz.

Art. 20. Se até meia hora depois da hora marcada o Juiz não houver comparecido, os presentes poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do livro de termos de audiência.

Art. 21. A audiência de instrução e julgamento será pública, se contrariamente não dispuser o Juiz, e realizar-se-á em dia útil, entre dez (10) e dezoito (18) horas, na sede do Juízo ou, excepcionalmente, no local que o Juiz designar.

Art. 22. Aberta a audiência o Juiz fará a qualificação e o interrogatório do réu, se estiver presente.

Parágrafo único. Não comparecendo o réu nem seu advogado, o Juiz nomeará imediatamente defensor para

Parágrafo único. Não comparecendo o réu nem seu advogado, o Juiz nomeará imediatamente defensor para funcionar na audiência e nos ulteriores termos do processo.

Art. 23. Depois de ouvidas as testemunhas e o perito, o Juiz dará a palavra sucessivamente, ao Ministério Público ou ao advogado que houver subscrito a queixa e ao advogado ou defensor do réu, pelo prazo de quinze minutos para cada um, prorrogável por mais dez (10), a critério do Juiz.

Art. 24. Encerrado o debate, o Juiz proferirá imediatamente a sentença.

Art. 25. Do ocorrido na audiência o escrivão lavrará no livro próprio, ditado pelo Juiz, termo que conterá, em resumo, os depoimentos e as alegações da acusação e da defesa, os requerimentos e, por extenso, os despachos e a sentença.

Art. 26. Subscreverão o termo o Juiz, o representante do Ministério Público ou o advogado que houver subscrito a queixa, o advogado ou defensor do réu e o escrivão.

Art. 27. Nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis e não permitirem a observância dos prazos fixados nesta lei, o juiz poderá aumentá-las, sempre motivadamente, até o dobro.

Art. 28. Nos casos omissos, serão aplicáveis as normas do Código de Processo Penal, sempre que compatíveis com o sistema de instrução e julgamento regulado por esta lei.

Parágrafo único. Das decisões, despachos e sentenças, caberão os recursos e apelações previstas no Código

de Processo Penal.

Art. 29. Revogam-se as disposições em contrário.

2. COMENTÁRIOS TEÓRICOS:

2.1 INTRODUÇÃO:

O artigo 5º, XXXIX, alínea “a” da Constituição Federal garante a todos o “direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder”. Trata-se de um dos mais instrumentos democráticos que permite ao povo insurgir-se contra autoritarismo de toda espécie.

Nesse contexto, o direito das pessoas exigirem responsabilização diante de um abuso sofrido por parte de quem representa o Estado, por meio do direito constitucional de petição, foi regulamentado pela Lei 4.898/65, que estabeleceu os mecanismos de responsabilização administrativa, civil e penal das autoridades públicas que cometerem abuso de autoridade.

2.2 TRÍPLICE RESPONSABILIDADE:

O ato de abuso de autoridade, como se observa nos termos do artigo 1º da Lei, enseja na tríplice

responsabilidade do autor, qual seja, instância administrativa, instância civil e instância penal, portanto, não é um diploma exclusivamente penal.

É importante destacar que as instâncias são independentes, ou seja, a condenação em uma instância

É importante destacar que as instâncias são independentes, ou seja, a condenação em uma instância não

importará, obrigatoriamente, na condenação em outra. O fato de a autoridade pública ter sido condenada, por exemplo, na instância administrativa, por meio do processo administrativo junto à respectiva instituição pública, ela poderá ser absolvida na instância civil e penal, pois, como se disse, as instâncias são independentes e suas decisões deverão ser proferidas de acordo com as provas colhidas nos respectivos processos.

Todavia, a regra da independência das instâncias de responsabilização é excepcionada quando a autoridade pública for absolvida na instância penal, pela prova da inexistência do fato (art. 386, inciso I do Código de Processo Penal) ou pela prova da não autoria (art. 386, inciso V do Código de Processo Penal).

Assim, se a autoridade pública, que supostamente tenha cometido um ato que consiste abuso de autoridade, vier a ser absolvido no processo criminal, ou seja, instância penal, pela prova da inexistência do fato (é dizer: está provado que o fato abusivo nem mesmo existiu) ou foi absolvido pela prova da não autoria (é dizer: está provado que a autoridade pública não é autora do ato abusivo), essa decisão repercutirá na instância administrativa e civil. Nesse sentido, a decisão que condenou a autoridade pública na instância administrativa, e a decisão que condenou a autoridade pública na instância civil, deverão ser modificadas.

2.2 CONSIDERAÇÕES COMUNS AOS CRIMES DE ABUSO DE AUTORIDADE:

a) OBJETIVIDADE JURÍDICA:

A lei de abuso de autoridade direciona-se à proteção dos direitos e garantias fundamentais previstas na

Constituição Federal, em especial, os direitos fundamentais individuais, bem como também pretende tutelar a normalidade, lisura e probidade dos serviços públicos, tal como pode se extrair dos artigos 3º e 4º da Lei 4.898/65.

b) ELEMENTO SUBJETIVO:

Só constitui crime de abuso de autoridade, se o ato praticado por autoridade pública descrito no tipo penal tiver sido provocado na forma dolosa. E não basta somente o dolo de praticar a conduta típica, sendo necessário, ainda, o propósito deliberado de agir abusivamente. Assim, o elemento subjetivo dos crimes de abuso de autoridade é o Dolo Específico, ou seja, a intenção específica e consciente por parte da autoridade de que está cometendo abuso.

c) SUJEITO ATIVO:

Os crimes de abuso de autoridade, em regra, só podem ser cometidos por autoridade pública, ainda que não esteja no exercício de suas funções, como, por exemplo, se estiver de férias, desde que, no momento em que praticar o ato abusivo, mencione o cargo ou função pública que exerce.

A definição de Autoridade Pública está prevista no artigo 5º da Lei: “Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração.

Como se observa, o conceito de autoridade pública é muito amplo. Inclusive aquele que mantém vínculo transitório e sem remuneração, a exemplo do Estagiário, pode ser considerado autoridade pública para os efeitos de responsabilidade nos termos da Lei de Abuso de Autoridade.

Por fim, é importante observar que o Particular (ou seja, aquele que não é autoridade

Por fim, é importante observar que o Particular (ou seja, aquele que não é autoridade pública) pode cometer o crime de abuso de autoridade, desde que na qualidade de partícipe ou coautor, ou seja, é necessário que esteja em concurso de pessoas e saiba que seu comparsa é uma autoridade pública.

d) FORMAS DE CONDUTA:

Os crimes de abuso de autoridade podem ser praticados por ação ou omissão. A propósito, os crimes do artigo 4º, inciso c (deixar de comunicar ao juiz qualquer prisão realizada); d (deixar o juiz de relaxar prisão ilegal); g (recusar-se o carcereiro em passar recibo de importância recebida); i (deixar de colocar em liberdade o preso ao final da prisão temporária) somente podem ser praticados por omissão.

e) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA:

Os crimes definidos no artigo 3º são classificados como crimes de atentado, cuja pena é igual tanto na forma tentada como na forma consumada. Nesse sentido, podemos dizer que esses crimes não admitem a forma tentada, vez que, a consumação, ocorre com o simples atentado aos direitos nele enumerados.

Os crimes previstos no artigo 4º alíneas “c”, “d”, “g” e “i”, também não admitem a forma tentada porque, conforme já mencionado, são crimes omissivos próprios.

Informação complementar: diz-se crime tentado quando, iniciada a execução do crime, este não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente, devendo ser punida com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços, nos termos do artigo 14, inciso II do Código Penal.

f) AÇÃO PENAL:

Os crimes de abuso de autoridade são apuráveis mediante Ação Penal Pública Incondicionada. O Delegado de Polícia e o Ministério Público podem e devem agir de ofício, sem qualquer necessidade de representação da vítima.

O simples fato do Delegado de Polícia ou o Ministério Público tomar conhecimento de um fato criminoso caracterizado como abuso de autoridade, já autoriza, por si só, tomarem as medidas legais cabíveis. A manifestação da vítima do crime de abuso de autoridade em nada tem relevância, devendo ser, inclusive, desprezada, ainda que esta se manifeste no sentido da não responsabilização criminal da autoridade pública que cometeu o crime.

Observe que artigo 1º da Lei dispõe sobre o “direito de representação” contra abuso de poder. Contudo, essa expressão está completamente inadequada, pois não está sendo empregada no sentido processual de condição de procedibilidade que se exige nas ações penais públicas condicionadas. Trata-se, na verdade, tão somente no direito de petição contra abuso de poder, garantido constitucionalmente.

g) COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR OS CRIMES DE ABUSO DE AUTORIDADE:

O crime de abuso de autoridade tem pena máxima de 6 meses de detenção (art. 6º, §3º, alínea b da Lei). Trata-se, portanto, de infração de menor potencial ofensivo, tal como estabelecido pela Lei nº 9.099/95, já que a pena é inferior a 2 anos, sendo, portanto, de competência dos Juizados Especiais Criminais Estaduais ou Federais.

Em regra, o crime será de competência dos Juizados Especiais Criminais Estaduais, salvo se o

Em regra, o crime será de competência dos Juizados Especiais Criminais Estaduais, salvo se o crime de abuso de autoridade tiver por sujeito ativo ou passivo uma autoridade pública federal, em que a competência para processar e julgar será dos Juizados Especiais Criminais Federais.

Questão muito cobrada em prova é a situação em que o crime de abuso de autoridade for cometido por

autoridade militar. Nessa situação, a competência, ainda assim, será da Justiça Comum, mais especificamente dos Juizados Especiais Criminais, e nunca, da Justiça Militar. Isso porque o crime de abuso de autoridade não é crime militar, não havendo o que se falar, então, em competência da Justiça Militar. É

o que dispõe a Súmula 172 do STJ: Compete à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço.

Em provas mais elaboradas, costuma-se indagar a competência para processar e julgar quando o crime de abuso de autoridade for praticado em conexão ou continência com outro delito que não seja infração de menor potencial ofensivo. Suponha, por exemplo, a situação em que a autoridade pública comete o crime de abuso de autoridade e o crime de homicídio. Nessa situação, a competência para processar e julgar ambos os crimes será do Tribunal do Júri, sendo cabível, entretanto, a composição civil dos danos e a transação penal em relação ao crime de abuso de autoridade.

h) CONCURSO DE CRIMES:

A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que as Autoridades Públicas podem responder pelo crime de abuso de autoridade em concurso com outro crime com ele conexo, como, por exemplo, o crime de lesão corporal (art. 129 do CP), violação de domicílio (art. 150 do CP), delitos contra a honra (art. 138 ao 140 do CP), tortura (definido na Lei 9.455/97) etc. Assim, não há o que se falar em aplicação do princípio da consunção. Informação complementar: concurso de crimes é um instituto previsto no artigo 69 e 70 do Código Penal, que estabelece a forma de punição do infrator que cometer dois ou mais crimes em um único contexto. Se o infrator pratica dois ou mais crimes, com duas ou mais condutas, a pena deverá ser definida pela soma da pena de cada crime (concurso material de crimes). Na hipótese em que o infrator pratica dois ou mais crimes, com uma única conduta, a pena deverá ser definida com a pena mais grave, aumentada de um sexto até a metade (concurso formal de crimes). 2.3 ANÁLISE DETALHADA DOS CRIMES PREVISTOS NO ARTIGO 3º:

Como se verá na análise pormenorizada, os direitos descritos no artigo 3º são direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal. Assim, para a análise de cada alínea, faz-se necessário analisar o que prescreve a Constituição Federal.

a) À LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO:

Dispõe a Constituição Federal, no Art. 5º, inciso XV: é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; que é livre a liberdade de locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens.”

Uma situação clássica de abuso de autoridade é a prisão para averiguação, que nada mais é que uma modalidade de prisão autoritária, bastante utilizada em tempos ditatoriais, em que se levava ao cárcere qualquer pessoa, com a simples intenção de averiguar sobre a existência de alguma pendência ou determinação judicial em aberto. As pessoas que eram submetidas a prisão para averiguação, por muitas vezes, passavam dias, inclusive semanas, encarceradas, para, ao final, verificarem que nada constava.

A prisão para averiguação foi vedada pela Constituição Federal de 1988. Assim, o ato da autoridade pública

que determinar ou levar uma pessoa à prisão para averiguação é considerado crime de abuso de autoridade.

Outra situação que também é compreendida como crime de abuso de autoridade é a utilização

Outra situação que também é compreendida como crime de abuso de autoridade é a utilização inadequada das algemas. Após a edição da Súmula Vinculante nº 11, a utilização inadequada das algemas configura crime de abuso de autoridade.

“Súmula Vinculante nº 11, que estabelece: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

Resumindo: qualquer restrição ilegal e sem justa causa ao direito de liberdade de locomoção, que corresponde o livre exercício de ir, vir e permanecer, configura o crime previsto no art. 3º, aliena “a” da Lei de Abuso de Autoridade.

Convém mencionar que o artigo 4º, alínea A da Lei prevê o delito de “ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder”. A prisão ilegal ordenada nada mais constitui do que atentado a liberdade de locomoção do indivíduo, previsto na alínea ora em comento, no entanto, deve prevalecer a figura criminosa do artigo 4º, em face do princípio da especialidade.

b) À INVIOLABILIDADE DOMICILIAR:

Dispõe o art. 5º, inciso XI da CF: “a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.”

Somente se pode entrar na casa de outrem: (a) com o consentimento do morador, à noite ou durante o dia; (b) em caso de flagrante delito, à noite ou durante o dia; (c) para prestar socorro, à noite e durante o dia; (d) em caso de desastre, à noite ou durante o dia; (e) mediante mandado, isto é, ordem escrita e fundamentada de juiz competente, apenas durante o dia.

Obs.: o que deve ser compreendido pela expressão “dia” é bastante polêmico na doutrina. Muitos renomados autores de direito penal entendem que deve ser compreendido entre a aurora e o crepúsculo. Outros doutrinadores, da mesma relevância, entendem que deve ser compreendido entre o período das seis às dezoito horas.

Obs.: a expressão “domicílio” deve ser compreendida como a mais ampla possível, consoante estabelece o Art. 150, §4º do Código Penal. Assim, qualquer compartimento habitado com privativamente pelo morador, inclusive um trailer, é considerado domicílio.

Por todo o exposto, não sendo nas situações em que Constituição Federal autoriza a penetração na residência sem o consentimento do morador, qual seja, na hipótese de flagrante delito, desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial, o ato da autoridade pública que ingressar na residência de uma pessoa será considerado crime de abuso de autoridade.

Exemplo: Um soldado da policia militar que, sem possuir qualquer determinação judicial, nem sendo caso de flagrante delito, desastre ou prestação de socorro, ingressa no domicílio de uma pessoa, comete crime de abuso de autoridade, nos termos do art. 3º, alínea “b”.

c) AO SIGILO DA CORRESPONDÊNCIA:

Dispõe o artigo 5º inciso XII: “ é inviolável o sigilo da correspondência e das

Dispõe o artigo 5º inciso XII: “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.”

Além das situações em que a quebra do sigilo de correspondência são autorizadas pela Constituição Federal, não consistindo, assim, abuso de autoridade, o entendimento do STF é pacífico no sentido de que também não constitui crime de abuso de autoridade, o ato da Administração Penitenciária que, com fundamento em razões de segurança pública, acessa ao conteúdo das correspondências remetidas ou destinadas aos encarcerados.

Outra situação que não constitui crime de abuso de autoridade é quando a correspondência já esteja aberta. Nessa situação, por absoluta impropriedade do objeto, diz-se que é uma situação denominada de crime impossível (art. 17 do Código Penal), não havendo no que se falar, portanto, em crime.

d) À LIBERADDE DE CONSCIÊNCIA E DE CRENÇA:

e) AO LIVRE EXERCÍCIO DO CULTO RELIGIOSO:

Dispõe o artigo 5º, inciso VI, da CF: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença , sendo assegurado o livre exercício dos cultos religioso e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culta e suas liturgias.

Qualquer ato da autoridade pública que, injustificadamente, acarrete mero atentado a tais direitos constitui delito de abuso de autoridade. Por outro lado, conforme já ressaltamos, não há direito fundamental absoluto, de tal forma que os abusos e excessos cometidos a pretexto de exercício da liberdade religiosa e de consciência podem e devem ser coibidos pela autoridade, sem que isso caracterize crime de abuso de autoridade, devendo, inclusive, serem adotadas providências criminais se tais excessos configurarem alguma infração penal, como, por exemplo, a prática de cultos com sacrifício de humanos ou com absurdo excesso de som que perturbe todos os vizinhos do local, em que a intervenção da autoridade se mostra completamente justificada, não configurando, portanto, em crime de abuso.

f) À LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO:

Dispõe o artigo 5º, incisos XVII a XX da CF: “é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; que a “a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento”; que “as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado”; e que ”ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado”;

Qualquer obstrução ou interferência indevida da autoridade na composição ou funcionamento das associações configura o crime em estudo. Também haverá crime se uma autoridade forçar alguém a estar ou deixar de estar em uma associação. Contudo, qualquer excesso ou abuso do direito fundamental a liberdade de associação, como, por exemplo, a criação de uma associação para fins militares, o ato da autoridade pública em coibir essa associação é plenamente legítimo, inclusive, autorizado pela Constituição Federal.

g) AOS DIREITOS E GARANTIAS LEGAIS ASSEGURADOS AO EXERCÍCIO DO VOTO:

Qualquer ato abusivo, praticado ou atentado por autoridade pública, contra o direito e as garantias

Qualquer ato abusivo, praticado ou atentado por autoridade pública, contra o direito e as garantias legais, configura crime de abuso de autoridade.

h) AO DIREITO DE REUNIÃO:

Dispõe o artigo 5º, inciso XVI da CF: “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”;

Como se observa, a própria Constituição impõe vários limites ao exercício desse direito, como a proibição de armas e a não frustração de outra reunião anteriormente prevista para o mesmo local.

Nesse raciocínio, a intervenção da autoridade pública, respaldada no texto Constitucional, não configura crime de abuso de autoridade. Uma passeata, por exemplo, com depredações, saques, utilização de armas de qualquer espécie deve ser dissolvida pelas autoridades com a responsabilização criminal dos responsáveis por esses atos.

i) À INCOLUMIDADE FÍSICA DO INDIVÍDUO:

O tipo penal pune qualquer ato que coloque em risco ou efetivamente ofenda a integridade corporal da vítima. Convém lembrar, contudo, que se a autoridade utiliza emprego de força física sem excesso e nas hipóteses autorizadas pela lei, não haverá crime algum.

Se o ato de abuso de autoridade, num mesmo contexto, causar lesões corporais ou a morte da vítima, haverá, sempre, o concurso de crimes, conforme já foi destacado.

j) AOS DIREITOS E GARANTIAS LEGAIS ASSEGURADOS AO EXERCÍCIO PROFISSIONAL:

Dispõe o artigo 5º, inciso XIII da CF: “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”.

Sempre que uma autoridade pública atente, injustificadamente, aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional, estará caracterizado o crime de abuso de autoridade. É a típica situação em que o Delegado de Polícia impede, injustificadamente, que o Advogado tenha acesso aos autos do inquérito, ou, até mesmo, ao seu cliente que está encarcerado, vez que presente a violação à prerrogativa profissional dos Advogados previstas no artigo 7º, inciso XIV da Lei 8.906/94.

2.4 ANÁLISE DETALHADA DOS CRIMES PREVISTOS NO ARTIGO 4º:

Inicialmente cumpre mencionar que alguns tipos penais descritos no Artigo 4º da Lei, como por exemplo a situação prevista na alínea A, descrevem de modo mais especifico e detalhado as hipóteses que constituem crime de Abuso de Autoridade, devendo, portanto, prevalecer a figura criminosa do Artigo 4º, sempre que o caso concreto demonstrar a violação mais específica.

a) ORDENAR OU EXECUTAR MEDIDA PRIVATIVA DA LIBERDADE INDIVIDUAL, SEM AS FORMALIDADES

LEGAIS OU COM ABUSO DE PODER;

CF: Art. 5º, LXI: ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita

CF: Art. 5º, LXI: ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei.

b) SUBMETER PESSOA SOB SUA GUARDA OU CUSTÓDIA A VEXAME OU A CONSTRANGIMENTO NÃO

AUTORIZADO EM LEI;

Obs.: se a vítima for criança ou adolescente, o crime será o do art. 232 da Lei nº 8.069/90 (ECA)

c) DEIXAR DE COMUNICAR, IMEDIATAMENTE, AO JUIZ COMPETENTE A PRISÃO OU DETENÇÃO DE

QUALQUER PESSOA;

CF: Art. 5º, LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;

d) DEIXAR O JUIZ DE ORDENAR O RELAXAMENTO DE PRISÃO OU DETENÇÃO ILEGAL QUE LHE SEJA

COMUNICADA;

CF: Art. 5º, LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

Obs.: se a vítima for criança ou adolescente, o crime será o do art. 234 da Lei nº 8.069/90 (ECA)

e) LEVAR À PRISÃO E NELA DETER QUEM QUER QUE SE PROPONHA A PRESTAR FIANÇA, PERMITIDA EM

LEI;

CF: Art. 5º, XVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;

Ver artigos 321 à 350 do CPP.

f) COBRAR O CARCEREIRO OU AGENTE DE AUTORIDADE POLICIAL CARCERAGEM, CUSTAS, EMOLUMENTOS OU QUALQUER OUTRA DESPESA, DESDE QUE A COBRANÇA NÃO TENHA APOIO EM LEI, QUER QUANTO À ESPÉCIE QUER QUANTO AO SEU VALOR;

g) RECUSAR O CARCEREIRO OU AGENTE DE AUTORIDADE POLICIAL RECIBO DE IMPORTÂNCIA RECEBIDA A TÍTULO DE CARCERAGEM, CUSTAS, EMOLUMENTOS OU DE QUALQUER OUTRA DESPESA;

h) O ATO LESIVO DA HONRA OU DO PATRIMÔNIO DE PESSOA NATURAL OU JURÍDICA, QUANDO

PRATICADO COM ABUSO OU DESVIO DE PODER OU SEM COMPETÊNCIA LEGAL;

i) PROLONGAR A EXECUÇÃO DE PRISÃO TEMPORÁRIA, DE PENA OU DE MEDIDA DE SEGURANÇA, DEIXANDO DE EXPEDIR EM TEMPO OPORTUNO OU DE CUMPRIR IMEDIATAMENTE ORDEM DE LIBERDADE.

A Lei nº 7.960/89 regulamenta à Prisão Temporária. Para os crimes em geral, o prazo máximo de decretação da prisão temporária é de 5 dias, podendo ser prorrogado por igual período, em caso de extrema e comprovada necessidade. Para os crimes definidos como hediondos pela Lei 8.072/90, o prazo

máximo de decretação da prisão temporária é de 30 dias, podendo ser prorrogável por mais

máximo de decretação da prisão temporária é de 30 dias, podendo ser prorrogável por mais 30 dias, uma única vez, em caso de extrema e comprovada necessidade.

2.5 TEMAS COMPLEXOS SOBRE A LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE:

a) OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA CAUSA EXCLUDENTE DA CULPABILIDADE:

O artigo 22 do Código Penal dispõe que, se o fato é cometido em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da ordem. Assim, o subordinado que compre a ordem que não seja manifestamente ilegal, isto é, apenas aparentemente ilegal, emanada de seu superior hierárquico, tem a sua culpabilidade excluída, ficando isento de pena.

Exmeplo: o juiz manda que o policial militar algemar um advogado que, no calor do embate jurídico, proferiu uma ofensa contra a parte contrária. Na hipótese, o advogado detém prerrogativa de imunidade em razão das palavras proferidas no exercício da função, não podendo ser preso em flagrante pela prática desse ato. O subordinado (policial), então, estará cumprindo uma ordem ilegal, mas, diante de seus parcos conhecimentos jurídicos, não tinha condição de saber a ilegalidade da ordem emanada pelo Juiz. Assim, nessa situação, apenas o juiz deverá ser responsabilizado pelo crime de abuso de autoridade, de sorte que o policial, por estar em cumprimento a ordem não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, não será punido.

b) PRESCRIÇÃO:

Os crimes de abuso de autoridade, por terem por pena máxima 6 meses, prescrevem em 3 anos, tal como estabelece o artigo 109, inciso VI do Código Penal.

2.6 PRINCIPAIS COMENTÁRIOS SOBRE A LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE:

1) A lei de abuso de autoridade não é uma lei exclusivamente penal, prevendo, portanto, uma tríplice responsabilidade, na instância civil, administrativa e penal. É importante destacar que, em regra, as instâncias são autônomas, ou seja, a condenação em uma não importará, obrigatoriamente, a condenação em outra. Todavia, quando o agente for absolvido na esfera penal, quando o agente é absolvido por estar provado a inexistência do fato (art. 386, I do CPP) ou estar provado que o réu não concorreu para a infração penal (art. 386, V do CPP)

2) Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa, por prazo de um a cinco anos.

3) A lei de abuso de autoridade não abrange as pessoas que exercem cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para a empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.

4) O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil.

5) A audiência de instrução e julgamento será pública, se contrariamente não dispuser o Juiz, e realizar-se-á em dia útil, entre dez (10) e dezoito (18) horas, na sede do Juízo ou, excepcionalmente, no local que o Juiz designar.

6) A representação não constitui condição de procedibilidade para a ação penal, que é pública incondicionada, não podendo ser obstada pela ausência de representação. Esta tem natureza de no do fato criminoso.

7) Autoridade supondo a ação correta e legítima, não haverá abuso por inexistência de dolo. Inexiste tentativa nos crimes do art. 3°, posto que não há tentativa de crime de atentado. Nos crimes do art. 4° admite-se tentativa.

8) A defesa preliminar do art. 514 do CPP só é aplicável aos crimes afiançáveis

8) A defesa preliminar do art. 514 do CPP só é aplicável aos crimes afiançáveis praticados por funcionário publico contra a administração, constantes do CP. Não se aplica às leis penais especiais. O rito das leis penais especiais é especifico e, portanto, não se aplica a defesa prévia ao crime de abuso de autoridade.

9) Art. 6º, § 3º. A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em: a) multa de cem a cinco mil cruzeiros; b) detenção por dez dias a seis meses; c) perda do cargo e a inabilitação para

o exercício de qualquer outra função pública por prazo até três anos.

10) Competência para processo e julgamento do abuso de autoridade praticado por militar. Na hipótese de ser um militar o sujeito ativo do abuso, a competência para processo e julgamento do delito continua sendo da Justiça Comum, Federal ou Estadual. Não será deslocada para a Justiça Militar, uma vez que se trata de um delito comum, e, não, militar, por não estar previsto no Código Penal Militar (DL 1001/69). Nesse sentido, destacamos a Súmula 172 do STJ: “Compete a justiça comum processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço.”

11) Nem todo abuso de poder configura crime de abuso de autoridade. É preciso que a conduta esteja descrita nos art. 3.º ou 4.º da lei n.º 4898/65 (crimes de abuso de autoridade).

12) Em se tratando de crime de abuso de autoridade, eventual falha na representação, ou mesmo sua falta, não obsta a instauração da ação penal. Isso nos exatos termos do art. 1º da Lei n° 5.249/67, que prevê, expressamente, não existir, quanto aos delitos de que trata, qualquer condição de procedibilidade (Precedentes do STF e do STJ).

13) O particular, nos termos do art. 30 do Código Penal, pode ser sujeito ativo do crime de abuso de autoridade, desde pratique a conduta em concurso com a autoridade pública.

14) Haverá crime de abuso de autoridade ainda que o agente esteja fora de suas funções (ex.: férias), desde que invoque

a função ou utilize-se desta para a prática de qualquer das condutas tipificadas no art. 3º e 4º.

15) NÃO EXISTE crime de abuso de autoridade na FORMA CULPOSA, por ausência de disposição legal específica.

16) PRISÃO PARA AVERIGUAÇÃO é crime de ABUSO DE AUTORIDADE, incorrendo a autoridade coatora no tipo previsto no art. 3º, alínea A.

17) INFORMATIVO 169: É possível propor a transação penal no crime de abuso de autoridade (Lei n. 4.989/1965), visto que a Lei n. 10.259/2001 não exclui da competência do Juizado Especial Criminal os crimes que possuam rito especial. HC 22.881-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 8/4/2003.

18) Orientação do STF: A administração penitenciária, com fundamento em razões de segurança pública, pode, excepcionalmente, proceder à interceptação da correspondência remetida pelos sentenciados, eis que a cláusula da inviolabilidade do sigilo epistolar não pode constituir instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas.

19) É possível concurso entre os crimes de abuso de autoridade e qualquer outro, como, por exemplo, o crime de homicídio, lesão corporal, tortura etc. A única exigência é a presença de dolo autônomo para cada conduta delitiva.

20)O descumprimento de prazo em favor de adolescente privado de liberdade, cumprindo medida de interdição pelo cometimento de ato infracional, em face do princípio da especialidade, não configura crime de abuso de autoridade, mas sim CRIME CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE, previsto no art. 235 da lei n.º 8.069/90.

21) Após a edição da Lei 10.259/2001, o abuso de autoridade é caracterizado como delito de menor potencial ofensivo, sendo cabível a transação penal, em qualquer caso. O único parâmetro é a pena máxima que, no caso, é de 6 meses.

QUESTÕES DE CONCURSOS PÚBLICOS

01

(Prova: TRT 3R - 2012 - TRT - 3ª Região (MG) Juiz) Considerando a Lei 4898 de 1965 que trata do

– Juiz) Considerando a Lei 4898 de 1965 que trata do crime de abuso de autoridade,

crime de abuso de autoridade, analise as afirmativas abaixo e assinale a incorreta:

a) Constitui abuso de autoridade qualquer atentado, praticado por funcionário público, a incolumidade

física do indivíduo.

b) O abuso de autoridade sujeita o criminoso à responsabilidade civil, administrativa e penal, todas tratadas

inclusive pela lei 4.898/65.

c) Levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança, permitida em lei, constitui crime

de abuso de autoridade.

d) Ordenar ou executar medida privativa de liberdade, com as formalidades legais, constitui abuso de

autoridade.

e) A sanção penal poderá constituir na perda do cargo e na inabilitação para o exercício de qualquer outra

função por prazo até três anos.

02 (CEPERJ - 2009 - PC-RJ - Delegado de Polícia) Relativamente à legislação penal extravagante, assinale a

afirmativa incorreta.

a) Considera-se autoridade, para os efeitos da Lei nº 4898/65, o serventuário da justiça.

b) Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de grave ameaça, causando-lhe sofrimento

mental, em razão de discriminação religiosa.

c) Constitui crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente submeter à tortura criança ou

adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância.

d) De acordo com a doutrina, os sistemas de definição dos crimes hediondos são o legal, o misto e o

judicial, sendo certo que o ordenamento jurídico brasileiro adotou o sistema legal

e)

A pena do crime de tortura é aumentada se o crime é cometido mediante sequestro.

03

- FUNCAB - 2009 - PC-RO - Delegado de Polícia) Sobre a Lei nº 4.898/1965, que regula o processo de

responsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade, é correto afirmar que:

a) o processo administrativo disciplinado na referida lei será sempre sobrestado para o fim de aguardar a

decisão da ação penal ou civil.

b) a ação penal nos crimes tratados por essa lei é pública incondicionada.

c) a ação penal depende de representação do ofendido, que será exercida por meio de petição dirigida à

autoridade policial.

d) o crime de abuso de autoridade consistente no atentado à liberdade de locomoção admite tentativa.

e) considera-se autoridade, para os efeitos dessa lei, quem exerce cargo, emprego ou função pública de

modo definitivo e mediante remuneração.

04 (CESPE - 2009 - TCE-TO - Analista de Controle Externo Direito) No dia 17/2/2008, no período

vespertino, sargentos da Polícia Militar, no exercício da função, ingressaram, sem autorização dos moradores, na residência de João Paulo e, mediante atos de violência física, provocaram-lhe lesões na cabeça e tórax. À luz dessa situação hipotética, assinale a opção correta, de acordo com o mais recente entendimento do STJ e do STF.

a) Os policiais militares deverão ser penalmente responsabilizados pelo crime de abuso de autoridade,

previsto na Lei n.º 4.898/1965.

b) Por se tratar de situação de flagrante delito, os policiais militares estavam legitimados a adentrar na

residência de João Paulo. c) Considerando que os policiais militares agiram arbitrariamente, sem autorização de qualquer norma legal que justificasse as condutas por eles ostentadas, trata-se do crime de violência arbitrária, tipificado no CP.

d)

A conduta manifestada pelos policiais militares se encontra justificada pelo poder discricionário, sendo-

se encontra justificada pelo poder discricionário, sendo- lhes deferida a possibilidade de agirem dentro da margem

lhes deferida a possibilidade de agirem dentro da margem de liberdade de escolha entre as possíveis soluções a serem adotadas.

e) Os policiais militares não praticaram o crime de abuso de autoridade em razão de seus cargos não se

conformarem com o termo autoridade.

05 (CESPE - 2009 - TCE-ES - Procurador Especial de Contas) Em relação aos crimes de abuso de autoridade

previstos na Lei n.º 4.898/1965, assinale a opção correta.

a) Para que o agente do fato delituoso seja punido pelo crime de abuso de autoridade, faz-se indispensável

responder, em concurso material, pelos outros delitos que poderão resultar de sua ação.

b) A lei de regência dos crimes de abuso de autoridade estabeleceu normas prescricionais específicas em

razão das quais se afastam as regras gerais previstas no CP.

c) A lei de abuso de autoridade definiu, caso a caso, as sanções de natureza administrativa, civil e penal

aplicáveis, de acordo com a gravidade da violação cometida pelo agente público. A representação da vítima ou do ofendido estabelece condição de procedibilidade da ação penal.

d) Pratica crime de abuso de autoridade, por atentado ao sigilo de correspondência, servidor municipal

que, por culpa, viola o sigilo de correspondência dirigida ao presidente da Câmara Municipal.

e) O crime de abuso de autoridade é crime próprio. O particular que não exerça função pública poderá ser

responsabilizado na condição de partícipe.

06 (FCC - 2011 - TRE-AP - Analista Judiciário - Área Judiciária) No que concerne aos crimes de abuso de

autoridade e a legislação específica que rege a matéria é correto afirmar:

a) Considera-se autoridade, para os efeitos da Lei no 4.898/65, quem exerce cargo, emprego ou função

pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente, sempre mediante remuneração.

b) Não constitui abuso de autoridade o ato lesivo da honra de pessoa natural ou jurídica, quando praticado

com desvio de poder ou sem competência legal.

c) Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de qualquer categoria,

poderá ser cominada a pena, autônoma ou acessória, de não poder o acusado exercer funções de natureza

policial ou militar no município da culpa, por prazo de um a cinco anos.

d)

Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima, aquele, no prazo de cinco dias, denunciará

o

réu, desde que o fato narrado constitua abuso de autoridade.

e)

O processo administrativo poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil.

07

(IESES - 2008 - TJ-MA - Titular de Serviços de Notas e de Registros) É certo afirmar:

I - O sujeito ativo nas condutas previstas nos crimes de abuso de autoridade, é toda pessoa que exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil ou militar, ainda que transitoriamente ou sem remuneração.

II - Aquele que produz, sem autorização do titular, no todo ou em parte, marca registrada, ou imita-a de modo que possa induzir confusão, comete contravenção penal.

III - As faltas disciplinares médias e graves não podem ser aplicadas pelo diretor do estabelecimento penal,

sem a anuência do juízo competente.

IV - Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente público ou terceiro beneficiário

quando o autor da denúncia o sabe inocente, estando o denunciante sujeito além da sanção penal, a indenizar o denunciado pelos danos materiais, morais ou à imagem que houver provocado, tudo conforme prevê a Lei n° 8.429/92.

Analisando as proposições, pode-se afirmar: a) Somente as proposições I e IV estão corretas. b)

Analisando as proposições, pode-se afirmar:

a)

Somente as proposições I e IV estão corretas.

b)

Somente as proposições II e III estão corretas.

c)

Somente as proposições II e IV estão corretas.

d)

Somente as proposições I e III estão corretas.

08

(CESPE - 2005 - TRT-16R - Analista Judiciário - Área Judiciária) Agente público que reprime a prática

religiosa que, pelo exagero dos gritos e deprecações no interior do templo, perturbe o repouso e o bem-

estar da coletividade, afronta a liberdade de culto e com isso pratica crime de abuso de autoridade.

a) Certo

b) Errado

09 (CESPE - 2005 - TRT-16R - Analista Judiciário - Área Judiciária) As chamadas prisões para averiguações

realizadas por policiais caracterizam o crime de abuso de autoridade, quando não for caso de prisão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária.

a) Certo

b) Errado

10 (CESPE - 2008 - TJ-SE Juiz) Acerca da Lei de Abuso de Autoridade, Lei n.º 4.898/1965, assinale a opção

correta.

a) A lei em questão contém crimes próprios e impróprios e admite as modalidades dolosa e culposa.

b) Considera-se autoridade quem exerce, de forma remunerada, cargo, emprego ou função pública ou

particular, de natureza civil ou militar, ainda que transitoriamente.

c) No caso de concurso de agentes, o particular que é co-autor ou partícipe responde por outro crime, uma

vez que a qualidade de autoridade é elementar do tipo dos crimes de abuso.

d) Caso cumpra ordem manifestamente ilegal, o subordinado deverá responder pelo crime de abuso de

autoridade.

e) A competência para processar e julgar o crime de abuso de autoridade praticado por policial militar em

serviço é da justiça militar estadual.

12 (CESPE - 2009 - PC-RN - Escrivão de Polícia Civil) Acerca do direito de representação e do processo de

responsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade, e das demais disposições da Lei n.º 4.898/1965, assinale a opção correta.

a) Só se considera autoridade, para os efeitos dessa lei, quem exerce cargo, emprego ou função pública em

caráter permanente na administração pública direta da União, dos estados, do DF e dos municípios.

b) A representação será dirigida exclusivamente ao órgão do MP que tiver competência para iniciar

processo-crime contra a autoridade culpada, devendo o réu ser denunciado no prazo de cinco dias.

c) O processo administrativo instaurado concomitantemente ao criminal deverá ser sobrestado para o fim

de aguardar a decisão da ação penal, a fim de que se evitem decisões conflitantes.

d) Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, poderá ser cominada a pena de não

poder o acusado exercer funções de natureza policial no município da culpa, por prazo de um a cinco anos.

e) Se o órgão do MP não oferecer a denúncia no prazo fixado na lei em questão, será admitida ação

privada, não podendo o parquet futuramente intervir no feito ou retomar a ação como parte principal.

13 (CESPE - 2011 - PC-ES - Perito Papiloscópico Específicos) O processo administrativo para apurar a

prática de ato de abuso de autoridade deverá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação

penal ou civil, interposta concomitantemente àquele, a fim de evitar decisões contraditórias.

a) Certo b) Errado 14 – (CESPE - 2011 - PC-ES - Perito Papiloscópico –

a)

Certo

b) Errado

14

(CESPE - 2011 - PC-ES - Perito Papiloscópico Específicos) Submeter pessoa sob sua guarda ou

custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei não constitui abuso de autoridade, mas sujeita o infrator ao pagamento de indenização civil por danos à moral da vítima.

a)

Certo

b) Errado

15

(CESPE - 2011 - PC-ES - Perito Papiloscópico Específicos) Quando o abuso for cometido por agente de

autoridade policial civil, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória de não poder o acusado

exercer funções de natureza policial no município da culpa, por prazo de um a cinco anos.

a)

Certo

b) Errado

15

(FUNIVERSA - 2011 - SEPLAG-DF - Auditor Fiscal de Atividades Urbanas) A Lei n.º 4.898/1965 regula o

direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade. No tocante à sanção administrativa, a pena será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e não consistirá em

a)

afastamento preventivo.

b)

destituição de função.

c)

advertência.

d)

demissão, a bem do serviço.

e)

repreensão.

16

- O abuso de autoridade, definido na Lei n.º 4.898/1965, sujeita o agente público federal, estadual ou

municipal à tríplice responsabilidade civil, administrativa e penal. Acerca desse tema, assinale a alternativa

que não constitui abuso de autoridade punível nos termos dessa lei.

a)

Ato lesivo do patrimônio de pessoa jurídica quando praticado sem competência legal.

b)

Atentado à inviolabilidade do domicílio.

c)

Comunicado imediato ao juiz competente acerca da prisão de qualquer pessoa.

d)

Atentado à liberdade de consciência e de crença.

e)

Execução de medida privativa de liberdade individual sem as formalidades legais.

17

(CESPE - 2011 - PC-ES - Perito Criminal Específicos) Por depender da oitiva de testemunhas para a sua

comprovação material, o ato de submeter alguém sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento ilegal não pode ser enquadrado como abuso de autoridade, sujeitando-se o autor apenas

às sanções civil e penal.

a)

Certo

b) Errado

18

(MPE-SP - 2010 - MPE-SP - Promotor de Justiça) Relativamente às assertivas abaixo, assinale, em

seguida, a alternativa correta:

I o ato de simular a participação de adolescente em cena de sexo explícito por meio da montagem de vídeo constitui crime definido na Lei nº 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), em que só se procede mediante representação;

II o fato de privar adolescente de sua liberdade sem obedecer às formalidades legais (flagrante de ato infracional ou ordem escrita de autoridade judiciária) constitui crime previsto na Lei nº 4.898/65 (Abuso de autoridade), que prevalece sobre norma correspondente da Lei nº 8.069/90 (ECA);

III

o fato de deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata liberação de

sem justa causa, de ordenar a imediata liberação de adolescente ao tomar conhecimento da ilegalidade da

adolescente ao tomar conhecimento da ilegalidade da apreensão constitui crime previsto Lei nº 8.069/90 (ECA), que prevalece sobre a Lei nº 4.898/65 (Abuso de autoridade);

IV nos crimes da Lei nº 4.898/65, a aplicação da sanção penal obedecerá às regras do Código Penal,

podendo as penas ser aplicadas autônoma ou cumulativamente.

a)

somente a III é verdadeira.

b)

somente a I e a IV são verdadeiras.

c)

somente a II e a III são verdadeiras.

d)

somente a IV é verdadeira.

e)

somente a III e a IV são verdadeiras.

19

(CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia Específicos) Em caso de atitude suspeita, deixa o policial

civil de praticar o crime de abuso de autoridade ao invadir domicílio na busca do estado de flagrância de crime permanente.

a)

Certo

b) Errado

20

(CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia Específicos) Os crimes de abuso de autoridade serão

analisados perante o Juizado Especial Criminal da circunscrição onde os delitos ocorreram, salvo nos casos

em que tiverem sido praticados por policiais militares.

a) Certo

b) Errado

21 (CESPE - 2011 - PC-ES - Delegado de Polícia Específicos) Considere que um agente policial, acompanhado de um amigo estranho aos quadros da administração pública, mas com pleno conhecimento

da condição funcional do primeiro, efetuem a prisão ilegal de um cidadão. Nesse caso, ambos responderão

pelo crime de abuso de autoridade, independentemente da condição de particular do coautor.

a)

Certo

b) Errado

22

(CESPE - 2009 - SEJUS-ES - Agente Penitenciário)Conforme entendimento jurisprudencial e doutrinário

dominantes, é da competência da justiça comum o crime de abuso de autoridade praticado por policial militar em desempenho de atividade de policiamento, uma vez que a conduta delituosa encontra-se

prevista na lei que disciplina o direito de representação e o processo de responsabilidade nos casos de abuso de autoridade.

a)

Certo

b) Errado

23

(CESPE - 2009 - PC-RN - Delegado de Polícia)Acerca do direito de representação e do processo de

responsabilidade administrativa civil e penal, nos casos de abuso de autoridade, assinale a opção incorreta.

a) O direito de representação será dirigido ao MP competente para dar início à ação penal contra a

autoridade apontada como culpada, não podendo ser dirigido ao juiz ou à polícia.

b) A representação será encaminhada à autoridade superior àquela acusada de ter cometido o abuso, com

competência legal para aplicar a sanção necessária, se for o caso.

c) Caso um policial e outra pessoa, não pertencente aos quadros da administração pública e com

conhecimento da condição de autoridade do policial, efetuem, juntos, uma prisão ilegal, responderão ambos por abuso de autoridade.

d) É admissível a participação, ou seja, o auxílio de terceiro para o cometimento do delito de abuso de

autoridade, sem que o terceiro pratique, diretamente, a figura típica.

e) O autor do abuso de autoridade está sujeito a responder pelo ato nas esferas

e) O autor do abuso de autoridade está sujeito a responder pelo ato nas esferas administrativa, civil e

penal. A sanção civil depende do ajuizamento da ação correspondente a ser proposta pela vítima.

24 (QUESTÃO ANULADA)

25 (FUNDEP - 2010 - TJ-MG - Técnico Judiciário) Pelo disposto na Lei n. 4.898/65, dentre as penas de

sanção administrativa para o autor de abuso de autoridade, NÃO está prevista a

a)

advertência.

b)

demissão, a bem do serviço público.

c)

multa, no máximo até 180 dias/multa.

d)

suspensão do cargo, função ou posto, de 5 a 180 dias, com perda de vencimentos e vantagens.

26

(TJ-SC - 2010 - TJ-SC Juiz) Assinale a alternativa correta:

I - Aquele que deixa de corrigir imediatamente informação sobre consumidor constante de cadastro, banco de dados, fichas ou registros que sabe ou deveria saber ser inexata, comete crime omissivo previsto no Código de Defesa do Consumidor, admitindo-se tanto o dolo direto quanto o dolo eventual.

II - O agente que comete o fato impelido pelo temor reverencial, por ser coação irresistível, é isento de pena, punindo-se apenas o autor da coação.

III - Quem, de qualquer forma, concorre para o crime, incide nas penas a este cominadas; se algum dos

concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a mesma pena, diminuída de um

sexto a um terço.

IV - Comete crime de abuso de autoridade aquele que submete pessoa sob sua guarda ou custódia a

vexame ou a constrangimento não autorizado em lei.

V - Comete peculato o funcionário público que exige para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida.

a) Somente as proposições I, II e V estão corretas.

b) Somente as proposições II e III estão corretas.

c) Somente as proposições III e IV estão corretas.

d) Somente as proposições I, III e V estão corretas.

e) Somente as proposições I e IV estão corretas.

27 (FUNIVERSA - 2009 - PC-DF - Delegado de Polícia Objetiva) Considere que Marcos dirigiu ao Ministério Público uma petição em que ofereceu representação contra um delegado de polícia do Distrito Federal, argumentando que esse agente público deu-lhe um tapa no rosto no interior de uma delegacia de polícia e que, portanto, incidiu em abuso de autoridade consistente na prática de ato que violou a sua incolumidade física. Considerando que, em sua petição, Marcos descreveu minuciosamente o fato que considerou abusivo, apontou testemunhas e apresentou laudo de corpo de delito que demonstrava a existência de lesões na data indicada, o membro do Ministério Público (MP) dispensou a realização de inquérito policial e deu início à ação penal, oferecendo a denúncia.

Acerca dessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.

a) O MP praticou ato ilícito ao oferecer a denúncia sem o prévio inquérito policial, por ser essa uma

exigência legal indeclinável, em garantia ao princípio da ampla defesa.

b) A representação de Marcos não deveria ter sido acolhida porque a violação da incolumidade

b) A representação de Marcos não deveria ter sido acolhida porque a violação da incolumidade física

constitui crime específico e, portanto, não pode ser tipificada como abuso de autoridade.

c) No referido processo, é possível a aplicação cumulativa de penas de multa, de detenção, de perda do

cargo e de inabilitação temporária para o exercício de funções públicas.

d) O depoimento judicial de Marcos não deverá ser levado em consideração como elemento de instrução

probatória pelo Poder Judiciário, por ter sido Marcos a pessoa que representou contra o delegado.

e) Caso seja sujeito a prisão preventiva, o referido delegado terá direito a permanecer em sala especial

durante o curso da ação penal. Porém, uma vez transitada em julgado eventual decisão condenatória, ele deverá cumprir a pena em estabelecimento penitenciário juntamente com o restante dos presos, sendo ilícito conferir-lhe tratamento diferenciado.

28 (FUNDEP - 2010 - TJ-MG - Assistente Social) É INCORRETO afirmar que constitui crime de abuso de

autoridade (Lei n . 4.898/65), qualquer atentado

a)

à liberdade de locomoção.

b)

à incolumidade física do indivíduo.

c)

ao exercício de ideologia político partidária.

d)

ao sigilo da correspondência .

29

(CESPE - 2008 - MPE-RO - Promotor de Justiça) Acerca das leis penais especiais, julgue os seguintes

itens.

I - É pacífico que o reconhecimento da precedência da corrupção do menor não descaracteriza o crime de corrupção de menores, previsto no art. 1.º da Lei n.º 2.252/1954, pois se trata de crime de evento, de natureza formal, bastando a prova da participação do inimputável na empreitada criminosa, na companhia de agente maior de 18 anos.

II - Segundo a jurisprudência dominante, o autor de crime de abuso de autoridade não poderá beneficiar-se

com a transação penal, tendo em vista que a perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer

outra função pública por prazo de até três anos é efeito automático e principal da prática do delito.

III - Em relação aos crimes previstos na Lei de Imprensa, a prescrição da pretensão punitiva ocorre em dois

anos após a data da publicação ou transmissão incriminada, independentemente do quantum fixado em abstrato ou da pena concretamente aplicada.

IV - A denúncia pelo crime de lavagem de dinheiro independe do processamento do acusado pela infração

que a antecede, mostrando-se possível, em princípio, a deflagração da ação penal tão-somente em relação àquele delito, desde que a peça acusatória esteja instruída com indícios suficientes da existência do crime antecedente.

V - Nos crimes de injúria preconceituosa, a finalidade do agente, ao fazer uso de elementos ligados a raça,

cor, etnia, origem e outros, é atingir a honra subjetiva da vítima, enquanto que no crime de racismo há manifestação de sentimento em relação a toda uma raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, não havendo uma vítima determinada.

A quantidade de itens certos é igual a

a) 1.

b) 2.

c) 3.

d) 4.

e)

5.

e) 5. 30 – (FUNDEC - 2003 - TRT - 9ª REGIÃO (PR) - Juiz -

30 (FUNDEC - 2003 - TRT - 9ª REGIÃO (PR) - Juiz - 1ª Prova - 2ª Etapa) Sobre o abuso de autoridade

definido na Lei 4898/65, é correto afirmar que:

I - Recebida a representação em que for solicitada a aplicação de sanção administrativa, a autoridade civil ou militar competente determinará a instauração de inquérito para apurar o fato. O processo administrativo poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil.

II - Havendo condenação na esfera criminal, não será cabível sanção administração, por aplicação do princípio do non bis in idem.

III - Considera-se autoridade, para os efeitos da Lei 4898/65, quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração.

IV

- O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa, civil e penal.

a)

Estão corretas somente as alternativas I, III e IV

b)

Estão corretas somente as alternativas I e IV

c)

Estão corretas somente as alternativas II e III

d)

Estão corretas somente as alternativas III e IV

e)

Estão corretas somente as alternativas II e IV

31

(CESPE - 2010 - Caixa Advogado) Assinale a opção correta com base nos ensinamentos do direito

penal.

a) Nos crimes relativos a licitação, a pena de multa diverge do sistema geral de dias-multa estabelecido no

CP e consiste em pagamento de quantia fixada em percentuais calculados na vantagem efetivamente obtida ou potencialmente auferível pelo agente, cujos percentuais não poderão ser inferiores a 2% nem

superiores a 5% do valor do contrato licitado ou celebrado com dispensa ou inexigibilidade de licitação.

b)

A prática de crime de abuso de autoridade acarreta para o agente a responsabilidade administrativa, civil

e

penal. A perda da função pública e a inabilitação para o exercício de qualquer função pública são efeitos

automáticos da sentença penal condenatória por esse delito.

c) A lei que regula prevenção e repressão à organização criminosa define esta como quadrilha ou bando ou

associação criminosa, estável, com ânimo associativo e duradouro, com a finalidade específica de praticar crimes no âmbito internacional. Em situações excepcionais, a legislação autoriza o juiz a realizar diligências, pessoalmente, mesmo nos casos de sigilo preservados pela CF.

d) O sistema penal brasileiro, no tocante aos delitos contra a fé pública, unificou os crimes de atribuir-se

falsa identidade para obter vantagem e o uso, como próprio, de documento de identidade alheio, em uma única figura típica, ressaltando, nesses casos, a possibilidade da incidência de sanção penal mais severa, se

o fato constituir elemento de crime mais grave.

e) A interceptação telefônica somente poderá ser autorizada pelo magistrado, nos termos da legislação de

regência, quando houver indícios suficientes de autoria e prova da materialidade da prática de crimes hediondos e de delitos executados por organizações criminosas.

32 (FGV - 2008 - TCM-RJ Procurador) Assinale a afirmativa incorreta.

a) Constitui abuso de autoridade o comportamento da autoridade pública que, no exercício de suas funções, deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa.

b) Constitui abuso de autoridade o comportamento da autoridade pública que, no exercício de suas

b) Constitui abuso de autoridade o comportamento da autoridade pública que, no exercício de suas

funções, leva à prisão quem quer que se proponha a prestar fiança, permitida em lei.

c) Constitui abuso de autoridade o comportamento da autoridade pública que, no exercício de suas

funções, submete alguém sob sua guarda com emprego de violência a intenso sofrimento mental, como forma de aplicar castigo pessoal.

d) Constitui abuso de autoridade o comportamento da autoridade pública que, no exercício de suas

funções, pratica, com desvio de poder, ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa jurídica.

e) Constitui abuso de autoridade deixar o juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que

lhe seja comunicada.

33 (CESPE - 2009 - PC-PB - Agente de Investigação e Agente de Polícia) Considerando que um cidadão,

vítima de prisão abusiva, tenha apresentado sua representação, na Corregedoria da Polícia Civil, contra o delegado que a realizou, assinale a opção correta quanto ao direito de representação e ao processo de

responsabilidade administrativa, civil e penal no caso de crime de abuso de autoridade.

a) Eventual falha na representação obsta a instauração da ação penal.

b) A ação penal é pública incondicionada.

c) A representação é condição de procedibilidade para a ação penal.

d) A referida representação deveria ter sido necessariamente dirigida ao Ministério Público (MP).

e) Se a representação apresentar qualquer falha, a autoridade que a recebeu não poderá providenciar, por

outros meios, a apuração do fato.

34 - Com respeito aos crimes de abuso de autoridade e contra as finanças públicas, assinale a opção

correta.

a) Constitui abuso de autoridade qualquer atentado ao sigilo de correspondência, ao livre exercício de culto

religioso e à liberdade de associação.

b) Compete à justiça militar processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade, quando praticado

em serviço.

c) Constitui conduta típica autorizar a assunção de obrigação, nos dois últimos quadrimestres do último ano

do mandato ou legislatura, ainda que a despesa possa ser paga no mesmo exercício financeiro.

d) No delito de prestação de garantia graciosa, o sujeito passivo é apenas a União, uma vez que, no âmbito

das demais unidades da Federação, inexiste possibilidade de prestar essa garantia.

e) Ordenar a colocação, no mercado financeiro, de títulos da dívida pública, devidamente criados por lei,

mas sem registro no sistema centralizado de liquidação e de custódia, não constitui crime, mas mera infração administrativa.

35 (CESPE - 2009 - SECONT-ES - Auditor do Estado Direito) Quanto ao crime de abuso de autoridade, o

atentado contra a incolumidade física do indivíduo abrange qualquer forma de violência, incluindo a moral (grave ameaça).

a)

Certo

b) Errado

36

(UESPI - 2009 - PC-PI Delegado) Constitui abuso de autoridade (Lei 4.898/65):

a)

ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, com as formalidades legais.

b)

submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a qualquer tipo de vexame ou constrangimento.

c)

deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa.

d)

deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção legal que lhe seja comunicada.

e)

levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança, não permitida em lei;

37

(ESAF - 2003 - PGFN Procurador) Constitui abuso de autoridade (Lei nº 4.898/65) qualquer atentado:

a)

aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional.

b) ao direito de herança. c) à prestação de assistência religiosa nas entidades civis e

b)

ao direito de herança.

c)

à prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.

d)

ao direito de resposta proporcional ao agravo.

e)

à concessão de asilo político.

38

(FUNRIO - 2009 - PRF - Policial Rodoviário Federal) A lei n.º 4.898/65 regula o Direito de Representação

e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal, nos casos de abuso de autoridade. O abuso

de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e penal. Dessa forma, constitui também abuso de autoridade

a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso

de poder.

b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento autorizado em lei.

c) comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa;

d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção legal que lhe seja comunicada

e) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem, custas, emolumentos ou qualquer

outra despesa, desde que a cobrança tenha apoio em lei, quer quanto à espécie quer quanto ao seu valor.

39 (QUESTÃO ANULADA)

40 (CESPE - 2009 - Prefeitura de Ipojuca - PE - Procurador Municipal) Em relação à Lei n.º 4.898/1965 -

abuso de autoridade -, julgue o item seguinte.

A conduta do agente público que conduz preso algemado, justificando o uso da algema pela existência de perigo à sua própria integridade física, não caracteriza abuso de autoridade, uma vez que está executando medida privativa de liberdade em estrita observância das formalidades legais e jurisprudenciais.

a)

Certo

b) Errado

41

(CESPE - 2009 - DPE-ES - Defensor Público) O delegado de polícia que efetua a prisão de determinado

cidadão e não a comunica ao juiz competente comete o delito de abuso de autoridade. No entanto, a

autoridade judicial que não ordena o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe tenh a sido comunicada pratica apenas infração administrativa.

a)

Certo

b) Errado

42

(FUNIVERSA - 2009 - PC-DF - Agente de Polícia) O delegado-chefe da delegacia de polícia de cidade

vizinha ao Distrito Federal, por portaria, abriu inquérito policial para apurar crime de homicídio ocorrido nessa cidade. As investigações preliminares levadas a cabo pela polícia concluíram que recaem fortes indícios de autoria contra Júlio, indivíduo com extensa folha de crimes praticados nas cidades do entorno do DF. Após a oitiva do depoimento de Júlio, a autoridade policial, com o escopo de facilitar o término das investigações, determinou o seu recolhimento à carceragem do estabelecimento policial. A respeito dessa

situação hipotética e do regime jurídico da Lei n.º 4.898/1965, assinale a alternativa incorreta.

a) A prisão de Júlio pelo delegado de polícia, por não se revestir das formalidades legais, constitui crime de

abuso de autoridade.

b) A falta de representação da vítima, nos delitos de abuso de autoridade, impede a iniciativa do Ministério

Público, por tratar-se aquela (representação) de condição de procedibilidade da ação penal.

c) Segundo a Lei n.º 4.898/1965, para a responsabilidade criminal do fato tipificado como abuso de

autoridade, a representação da vítima deverá ser exercida perante o órgão do Ministério Público.

d)

As condutas descritas no art. 3º da Lei n.º 4.898/1965 são consideradas pela doutrina pátria crimes de

4.898/1965 são consideradas pela doutrina pátria crimes de atentado, que não admitem tentativa, e são ofensivas

atentado, que não admitem tentativa, e são ofensivas ao princípio da taxatividade.

e) Quando o abuso de autoridade for cometido por agente de polícia civil, além da(s) pena(s) principal(ais),

poderá ser aplicada ainda pena acessória de proibição do exercício da função, no município da culpa, pelo prazo de 1 a 5 anos.

43

- (PGT - 2006 - PGT - Procurador do Trabalho) É INCORRETO afirmar que:

a)

a

empresa

privada

que

nega

emprego

em

razão de discriminação racial praticada por seus

administradores está sujeita, como efeito da condenação destes, à suspensão do funcionamento por prazo

não superior a três meses, sendo que tal efeito não é automático, devendo ser declaradamente motivado na sentença;

b) o instituto da retratação, previsto no Código Penal, tem aplicação nos crimes de calúnia e difamação;

c) sempre constituirá o crime previsto na lei que dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência

e sua integração social a negativa de emprego ou trabalho a alguém por motivo derivado de sua deficiência;

d) é crime de abuso de autoridade, o atentado aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício

profissional;

e)

não respondida.

44

(PGT - 2008 - PGT - Procurador do Trabalho) O ato lesivo da honra, ou do patrimônio de pessoa natural

ou jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal constitui:

a)

abuso de autoridade;

b)

crime previsto no Código Penal contra a honra e contra o patrimônio;

c)

crime contra o patrimônio;

d)

injúria;

e)

não respondida.

45

(CESPE - 2007 - TSE - Analista Judiciário - Área Judiciária) Determinado juiz foi denunciado perante o

tribunal de justiça por prática do crime de abuso de autoridade. De acordo com a denúncia, o juiz invadiu a sala de aula do colégio de seu filho e ofendeu a professora por ter retirado a criança da sala de aula. No momento da invasão, afirmou que a professora não poderia retirar o filho de um juiz e, portanto, de uma autoridade da sala de aula. A professora, então, tentou explicar os procedimentos da escola, mas o juiz, proferindo palavras de baixo calão, mandou-a calar a boca, sob pena de prisão em flagrante delito. A denúncia contra o juiz foi oferecida um ano e três meses após o cometimento do delito, e a pena máxima a que ele pode ficar submetido, de acordo com a lei, é de 6 meses de detenção. Considerando a situação hipotética acima e a legislação e doutrina sobre o crime de abuso de autoridade, assinale a opção correta.

a) O delito cometido tem duplo sujeito passivo: o sujeito passivo imediato - a professora - e o sujeito

passivo mediato - o Estado, titular da administração pública.

b) O delito de abuso de autoridade cometido é crime ao qual se aplicam os institutos despenalizadores

como a transação penal, razão pela qual tal benefício deve ser oferecido ao juiz antes do recebimento da denúncia.

c) Como a lei que prevê os crimes de abuso de autoridade fez expressa referência ao prazo prescricional de

um ano, não se aplica ao caso o prazo do Código Penal, estando, portanto, prescrita a pretensão punitiva

do Estado.

d) É possível punir o juiz pela prática do crime culposo de abuso de autoridade.

GABARITO OFICIAL:

1 – D 2 – C 3 – B 4 – C 5 – E

1 D

2 C

3 B

4 C

5 E

6 C

7 A

8 B

9 A

10

D

11

D

12

B

13

B

14

A

15

A

16

C

17

B

18

E

19

B

20

B

21

A

22

A

23

A

24

A

25

C

26

E

27

- C

28

C

29

C

30

- D

31

A

32

C

33

B

34

A

35

B

36

C

37

A

38

A

NULA

40

A

41

B

42

B

43

C

44

A

45

A