Você está na página 1de 72
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA – CCET CURSO DE

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA – CCET

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

ANÁLISE EXPERIMENTAL DE VIGAS REFORÇADAS AO CISALHAMENTO E À TORÇÃO COM CFRP – TCC

EMERSON ANGELO BATISTA

Belém – PA

2007

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA - UNAMA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA - CCET

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

ANÁLISE EXPERIMENTAL DE VIGAS REFORÇADAS AO CISALHAMENTO E À TORÇÃO COM CFRP - TCC

EMERSON ANGELO BATISTA

Orientador: ANTONIO MASSOUD SALAME

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado

como exigência parcial para obtenção do título

de Engenheiro Civil, submetido à banca

examinadora do Centro de Ciências Exatas e

Tecnologia da Universidade da Amazônia.

Belém – PA

2007

Trabalho de Conclusão de Curso submetido à Congregação do Curso de Engenharia Civil do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade da Amazônia, como parte dos requisitos para obtenção do título de Engenheiro Civil, sendo considerado satisfatório e APROVADO em sua forma final pela banca examinadora existente.

APROVADO POR:

ANTONIO MASSOUD SALAME, Mestre (Unama) (ORIENTADOR)

EVARISTO CLEMENTINO REZENDE DOS SANTOS JUNIOR, Mestre (Unama) (EXAMINADOR INTERNO)

DÊNIO RAMAM CARVALHO DE OLIVEIRA, Doutor (UFPA) (CO-ORIENTADOR EXTERNO)

DATA: BELÉM - PA, 19 de Dezembro de 2007

LISTA DE TABELAS

Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica

2.1 Propriedades da fibra de carbono.

Capítulo 3 – Procedimento de Ensaio

3.1 Características das vigas.

Capítulo 5 – Análise dos Resultados

4.1 Resistência a compressão e tração do concreto.

4.2 Características mecânicas das barras de aço.

4.3 Forças de ruptura dos conjuntos de vigas ensaiados.

LISTA DE FIGURAS

Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica

2.1 Analogia de treliça.

2.2 Seção vazada de parede fina submetida a um momento torçor.

2.3 Seção vazada equivalente.

2.4 Rolo de fibra de carbono.

2.5 Diagrama tensão x deformação das fibras.

2.6 Representação esquemática de um sistema CFC.

2.7 Ampliação em microscópio eletrônico do sistema CFC.

2.8 Esquema de execução e materiais componentes.

2.9 Possíveis configurações de reforço ao cisalhamento.

2.10 Reforço ao cisalhamento em vigas com argamassa epóxi.

2.11 Reforço de vigas com chapas metálicas aderidas com epóxi.

2.12 Reforço de torção em vigas com concreto.

2.13 Reforço de torção em vigas com chapas aderidas com epóxi.

Capítulo 3 – Sistema Experimental

3.1 Dimensões dos conjuntos de vigas.

3.2 Armaduras das Vigas.

3.3 Detalhe dos reforços com CFRP.

3.4 Posicionamento do estribo no reforço à flexão.

3.5 Execução do reforço com CFRP e aspecto final das vigas.

3.6 Detalhes da instrumentação das vigas.

3.7 Sistema de ensaio com impedimento das rotações nos apoios.

Capítulo 4 – Análise dos Resultados

4.1 Deslocamentos observados nos conjuntos ensaiados.

4.2 Deslocamentos verticais no centro das ligações.

4.3 Deslocamentos verticais e horizontais dos conjuntos.

4.4 Ângulos de torção estimados utilizando os deslocamentos horizontais.

4.5 Mapas de fissuração frontal das vigas bi-engastadas.

4.6 Mapas de fissuração frontal das vigas bi-engastadas.

4.7 Fotos das vigas antes das primeiras fissuras.

4.8 Detalhes das fissuras nos conjuntos ensaiados.

4.9 Gráfico tipo do reforço x custo.

4.10 Gráfico das cargas de ruptura.

4.11 Gráfico comparativo das cargas nominais com de ruptura.

LISTA DE SÍMBOLOS

Letras arábicas

b

largura da base da viga.

bw

menor largura da seção, compreendida ao longo da altura útil d.

c1

distância entre o eixo da barra longitudinal do canto e a face lateral do

elemento estrutural.

d

altura útil da seção.

df

profundidade da lâmina de fibra de carbono para reforço ao cisalhamento.

dfe

comprimento efetivamente aderido da lâmina de fibra de carbono utilizada.

fck

resistência à compressão do concreto característica.

ffyd

tensão de escoamento do aço.

fywd

tensão na armadura transversal passiva, limitada ao valor fyd no caso de

estribos e a 70% desse valor no caso de barras dobradas.

fywk

resistência ao escoamento do aço da armadura transversal;

fct,m

resistência a tração direta, valor médio.

ht

espessura equivalente da parede da seção vazada, real ou equivalente.

he

espessura equivalente da parede da seção vazada, real ou equivalente, no

ponto considerado.

n

número de camadas da fibra de carbono.

s

espaçamento dos estribos, medido segundo o eixo longitudinal do elemento

estrutural.

sf

espaçamento entre as lâminas de fibras de carbono.

tf

espessura de uma camada de fibra de carbono.

A

área da seção cheia.

Ae

área limitada pela linha média da parede da seção vazada, real ou

equivalente, incluindo a parte vazada.

Af

área da seção transversal do reforço.

Asl

soma das áreas das seções das barras longitudinais.

Asw

área da seção transversal da armadura de cisalhamento.

Ef

módulo de elasticidade da fibra de carbono.

Feq

força equivalente a um dos macacos hidráulicos.

Le

comprimento efetivo de aderência da fibra de carbono.

Lo

comprimento efetivo de colagem de uma lâmina de fibra de carbono.

M0 valor do momento fletor que anula a tensão normal de compressão na borda

da seção.

MSd,Max momento fletor de cálculo.

Pu

carga última.

R fator de redução da resistência última da fibra de carbono que determina o

nível de tensão da fibra na ruptura.

TRd,2

representa o limite dado pela resistência das diagonais comprimidas de

concreto.

TRd,3

representa o limite definido pela parcela resistida pelos estribos normais ao

eixo do elemento estrutural.

TRd,4

representa o limite definido pela parcela resistida pelas barras longitudinais,

paralelas ao eixo do elemento estrutural.

TSd

esforço de cálculo que age concomitantemente na seção.

TRk, f representa a parcela de resistência à torção proveniente do reforço estrutural

com CFRP.

u

perímetro da seção cheia.

VSd

esforços de cálculo que age concomitantemente na seção.

Vsd

força cortante resitente de cálculo, na seção;

VRd2

força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína das diagonais

comprimidas de concreto.

VRd3

é a força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína por tração diagonal.

Vsw

Parcela de força cortante resistida pela armadura transversal .

wf

largura da lâmina da fibra de carbono.

K1

fator de multiplicação do comprimento efetivo de aderência estabelecido em

função da resistência do concreto.

K2

fator de multiplicação do comprimento efetivo de aderência estabelecido em

função da configuração adotada para o reforço de cisalhamento.

Letras gregas

α

ângulo de inclinação da armadura transversal em relação ao eixo longitudinal do elemento estrutural. porcentagem de armadura.

deformação última da fibra de carbono.

ρL

ξfu

θ ângulo de inclinação das diagonais de concreto, arbitrado no intervalo.

DEDICATÓRIA

Belém, 19 de dezembro de 2007

Dedico este trabalho aos Professores Antônio Salame e Dênio Ramam, pela orientação, incentivo e valiosa contribuição durante este trabalho.

A todos os demais professores da unama e colegas de sala, pelo companheirismo, sem o qual não teríamos plena condição de chegarmos até aqui.

Dedico também ao meu grande Pai João Rodrigues Batista (em memória), por hoje estar realizando aquilo que era o maior sonho da sua vida, ser Engenheiro Civil.

Emerson Angelo Batista

AGRADECIMENTOS

Belém, 19 de dezembro de 2007

Agradeço Primeiramente a Deus, por sua eterna bondade e misericórdia, por ter me concedido saúde e entendimento para alcançar meus objetivos, a minha família que em todo tempo me deu apoio, ao meu amigo Leonardo Lago que muito me ajudou nos ensaios no laboratório da Federal. Agradeço de forma relevante a Universidade Federal do Pará (UFPA), por ter fornecido todo material necessário e por ter concedido o espaço de seu laboratório para realização dos ensaios. Onde sem este total apoio jamais teria realizado meu trabalho. Sou grato também a minha querida mãe Fátima e minha irmã Elines que sempre me dedicaram todo amor e paciência, que nesses cinco anos estiveram ao meu lado, me dando força, coragem e orando por mim, para superar mas esta fase de minha vida. Agradeço a minha namorada Jéssica por ter orado por mim. Ao meu tio Jonas que em momentos importantes me deu todo apoio e companheirismo necessário. - Mãe ninguém merece mais desfrutar dessa vitória, do que eu e você.

Emerson Angelo Batista

RESUMO

Foram analisados experimentalmente quatro conjuntos de vigas em concreto armado através de ensaios feito no Laboratório de Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará, onde os conjuntos foram submetidos à torção. Dois conjuntos de vigas foram para referência e dois foram reforçados com tecidos de fibra de

carbono. A principal variável foi o espaçamento dos estribos, visando simular falhas no posicionamento das armaduras em ligações de vigas. Os reforços foram executados com duas (02) camadas do sistema CFC. As vigas apresentavam seções transversais com dimensões de 100mm x 300mm e comprimentos de 1.700mm e 1.000mm para as vigas bi-engastada e balanço respectivamente. São apresentadas as formulações de acordo com a NBR 6118 (2003) para cisahamento

e torção e formulações que possibilitam o dimensionamento da fibra de carbono, as propriedades mecânicas do concreto, do aço e do compósito CFRP, os mapas de

fissuração, forças para surgimento das primeiras fissuras e forças e modos de ruína de cada conjunto analisado. Concluiu que o reforço com tecidos de fibra de carbono

é apropriado para cisalhamento e torção, uma vez que suprem as necessidades da

falta de estribos, apresentam maior rigidez, menor ângulo de torção, maior custo e apresentaram cargas próximas das vigas de referência.

ÍNDICE

 

Capítulo

Página

1 - INTRODUÇÃO

14

2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

16

2.1 - ESTRUTURA DE CONCRETO ARMADO

16

2.2 – DIMENSIONAMENTO AO CISALHAMENTO

18

2.3 – DIMENSIONAMENTO À TORÇÃO

21

2.4 – REFORÇO ESTRUTURAL COM CFRP

26

2.4.1 – Histórico da fibra de carbono

26

2.4.2 – Obtenção da fibra de carbono

27

2.4.3 – Dimensionamento do CFRP ao cisalhamento

32

2.4.4 - Dimensionamento do CFRP à torção

34

2.5

– OUTROS MÉTODOS DE REFORÇO ESTRUTURAL

35

2.5.1 – Reforço ao cortante com argamassa epóxi

35

2.5.2 – Reforço ao cortante com chapas metálicas aderidas com epóxi

36

2.5.3 - Reforço de torção com concreto e armaduras adicionais

37

2.5.4 - Reforço de torção com chapas metálicas aderidas com epóxi

38

3

PROCEDIMENTO DE ENSAIO

39

3.1 – CARACTERISTICA DAS VIGAS MODELOS

39

3.2 – EXECUÇÃO DO REFORÇO

41

3.3 – INSTRUMENTAÇÃO

43

3.4 – SISTEMA DE ENSAIO E APLICAÇÃO DE FORÇA

43

4

- ANÁLISE DOS RESULTADOS

45

4.1

– MATERIAIS

46

4.1.1 – Concreto

46

4.1.2 – Aço

46

4.2 – DESLOCAMENTOS

.47

4.3 – ÂNGULO DE TORÇÃO

47

4.4 – FISSURAÇÃO

48

4.5

– ANÁLISE DOS CUSTOS DOS REFORÇOS

51

4.6

– FORÇAS E MODOS DE RUPTURA

53

5 - CONCLUSÕES

54

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

56

 

ANEXO

DIMENSIONAMENTO ANALÍTICO

57

DIMENSIONAMENTO AO CISALHAMENTO

57

DIMENSIONAMENTO AO CISALHAMENTO SEM REFORÇO

57

DIMENSIONAMENTO AO CISALHAMENTO DO REFORÇO

61

DIMENSIONAMENTO À TORÇÃO

66

DIMENSIONAMENTO À TORÇÃO SEM REFORÇO

66

DIMENSIONAMENTO À TORÇÃO DO REFORÇO

71

1 – INTRODUÇÃO É comum nas estruturas de concreto armado a ocorrência de patologias associadas a falhas de projeto ou à incidência de agentes agressivos nos elementos estruturais. Problemas decorrentes de falhas de execução também são freqüentes. Uma situação que pode ser observada na prática é a má execução das armaduras, ou por negligência ou por falta de um detalhamento eficiente. Nestes casos, quando a armadura é de cisalhamento, a situação torna-se mais comprometedora, pois além de prejudicar a resistência à força cortante, também afeta a resistência à torção das peças. Quando do cruzamento entre duas vigas, é comum o afastamento dos estribos da viga de apoio para encaixe das ferragens da viga que se apoia, e muitas vezes estes estribos não são reposicionados corretamente, ou ainda, no caso de estruturas com lajes nervuradas com vigotas pré-moldada treliçadas, o afastamento dos estribos para inserção das vigotas. Tais problemas têm gerado fissuração nas vigas e elementos não estruturais. O reforço tradicional dos elementos em concreto armado, como a colagem de novos estribos ou chapas de aço, envolve procedimentos trabalhosos e gera comprometimento estético. Assim, a escolha do tipo de reforço está diretamente relacionada a uma série de fatores como custo, tempo de execução, modificação estética da estrutura, durabilidade e confiabilidade. Muitos materiais alternativos têm surgido para minimizar os problemas relacionados ao reforço de estrutura e seus empregos vêm sendo alvo de estudos no mundo inteiro. Os materiais compósitos de fibras de carbono ou CFRP (Carbon Fiber Reinforced Polymers) são materiais flexíveis, altamente resistentes e que podem substituir com vantagens, em alguns casos, os materiais e técnicas tradicionais (MACHADO, 2006). Neste contexto, este trabalho buscou analisar experimentalmente o comportamento de 04 conjuntos de vigas submetidas a ensaios de torção, sem e com reforço de material compósito de fibras de carbono, os quais apresentavam falhas construtivas no que diz respeito ao afastamento incorreto de estribos na região de ligação viga a viga. Com isso visou-se estabelecer uma proposta de reforço estrutural com tecido de fibra de carbono propondo uma solução eficiente e prática para o reforço estrutural de vigas submetidas ao cisalhamento e torção.

Desta forma, este estudo objetiva concluir se o uso do tecido de fibra de carbono suprirá a insuficiência de estribos, dando mais rigidez à viga de concreto armado, aumentanto assim sua capacidade de carga. E ainda, se os tecidos de fibras de carbono serão bons, práticos e viáveis economicamente para reforço estrutural de vigas de concreto armado submetidas ao esforço de cisalhamento e torção.

2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 - ESTRUTURA DE CONCRETO ARMADO

O concreto armado foi o material de construção mais utilizado no século vinte

(MEHTA e MONTEIRO, 1994). A idéia de associar barras metálicas à pedra ou argamassa, com a finalidade de aumentar a resistência às solicitações de serviço, remonta aos tempos dos romanos que durante a recuperação das ruínas das termas de Caracalha em Roma, notou-se a existência de barras de bronze dentro da argamassa de pozzolana, em pontos onde o vão a vencer era maior que o normal da época. Sendo assim essa associação de pedra natural ao concreto aparece pela primeira vez na estrutura da igreja de Santa Genoveva. Foram executadas por Rondelet, em pedra lavrada, verdadeiras vigas modernas de concreto armado, com barras longitudinais retas na zona de tração, que eram colocadas em furos executados artesanalmente nas pedras (pedras naturais), e barras transversais de cisalhamento. Foi então inventada a associação do ferro com a pedra natural para execução de estruturas, visto que no processo de execução de estruturas eram feitas primeiramente a pedra (com furos, cortes, preparo das superfícies entre outros) e depois a adição da armadura. Mais tarde, com a “pedra artificial”, como era chamado o concreto, a armadura era feita antes e a pedra adicionada depois.

Vários anos depois a descoberta da “pedra artificial”, é que esse material veio a se chamar cimento Portland – endurecido – e no mesmo ano montava-se na Alemanha (1855) a primeira fábrica desse cimento.(BRITO, 2002)

A primeira publicação sobre Cimento Armado – era essa denominação até

mais ou menos 1820 – foi do engenheiro francês Joseph Louis Lambot, que por volta de 1850 começou suas experiências práticas de junção de ferragens em uma massa de concreto. Em 1855, Lambot solicitou patente para um barco de concreto que ele mesmo havia construído, e o apresentouna Exposição Universal de Paris (BRITO, 2002).

O início do concreto armado no Brasil pouco se conhece, pode-se dizer que

este é fruto da Revolução Industrial, pois apresenta uma mistura do uso de máquinas (betoneiras, vibradores e bombas lançadoras) com o tipo de execução artesanal: estruturas de alvenaria, preparo manual das formas e do escoramento,

dobramento e amarração das armaduras, cura e desforma.

O concreto armado, encontrou no Brasil, um ambiente bastante favorável

para seu desenvolvimento, pois além de encontrar um ótimo clima para cura e desforma rápidas, dispunha de mão-de-obra barata, por ainda não ser qualificada o bastante. Outros fatores também contribuíram para esse desenvolvimeto, como a chegada da grande construtora alemã Wayss & Freytag, constituindo talvez o ponto mais importante para o desenvolvimento e fomação de engenheiros brasileiros nesta especialização (BRITO, 2002).

Vasconcelos (1992) apresenta que a mais antiga notícia possível de alguma aplicação do concreto armado no Brasil, data de 1904, e foi documentada no curso do Prof. Antonio de Paula Freitas, na “Escola Polytechnica do Rio de Janeiro”. No fim de sua publicação “Construções de cimento armado”, são abordados aplicações no Brasil, onde menciona que os primeiros casos realizados na construção de casas de habitação em Copacabana, cuja execução esteve a cargo do Eng° brasileiro Carlos Poma. Este chegou a executar seis obras, dentre elas alguns sobrados onde fundações, paredes, vigamentos, assoalhos, tetos, escadas e muros eram de concreto armado.

O prof. Sydney Santos supõe, que as primeiras estruturas de concreto

armado calculadas no Brasil são de Carlos Euler e de seu auxiliar Mario de Andrade Costa que projetaram a ponte em arco de concreto sobre o Rio Maracanã, anterior a 1908. Ao se falar dos primórdios do concreto armado no Brasil não se pode deixar de citar o nome de Willian Fillinger, que aqui chegou em 1912, que inicialmente trabalhou em uma firma denominada Brazilian Ferro-Concrete Company Limited e como realizações teve: o Edifício dos correios e telégrafos Santos, o matadouro Di Giulio-Martinelli (atualmente pertencente à cia Swift) em Utinga, o edifício da Rua Antonia de Queiroz em São Paulo (BRITO, 2002).

O Brasil conquistou desde os primórdios diversas marcas de recordes, muitos deles mundiais, podendo ser citados dentre os principais, o Jockey Clube do Rio de Janeiro, marquise da tribuna de sócios em balanço de 22,4m; Ponte do Presidente Sodré em cabo frio, arco de 67m de vão e flecha de 10,5m; Prédio Martinelli, constuído em São Paulo, entre 1925 e 1929, com área construída de 40.000m²; Elevador Lacerda, na cidade de salvador, com elevação de 59m (altura total de 73m) e a Marquise do Ibirapuera, situado na cidade de São Paulo, inaugurado em

1954, onde são visitados diariamnete, por se tratarem de monumentos históricos que relatam parte da arquitetura da cidade (BRITO, 2002).

2.2 – DIMENSIONAMENTO AO CISALHAMENTO A armadura de cisalhamento pode ser constituída por estribos associados a barras longitudinais curvadas (barras dobradas). Para pequenos valores de força,

enquanto a tensão de tração for inferior à resistência do concreto à tração na flexão,

a viga não apresenta fissuras, ou seja, as suas seções permanecem no Estádio I.

Nessa fase, origina-se um sistema de tensões principais de tração e de compressão. Com o aumento de carregamento, no trecho de momento máximo (entre as forças), a resistência do concreto à tração é ultrapassada e surgem as primeiras fissuras de flexão (verticais). Nas seções fissuradas a viga encontra-se no Estádio II

e a resultante de tração é resistida exclusivamente pelas barras longitudinais. No

início da fissuração da região central, os trechos junto aos apoios, sem fissuras, ainda se encontram no Estádio I.

A inclinação das fissuras corresponde aproximadamente à inclinação das

trajetórias das tensões principais, isto é, aproximadamente perpendicular à direção das tensões principais de tração. Com carregamento elevado, a viga, em quase toda sua extensão, encontra-se no Estádio II. Em geral, apenas as regiões dos apoios

permanecem isentas de fissuras, até a ocorrência de ruptura (LIBÂNIO, CASSIANE

e SANDRO, 2003).

O modelo clássico de treliça foi idealizado por Ritter e Mörsch, no início do

século XX, e se baseia na analogia entre uma viga fissurada e uma treliça (LIBÂNIO, CASSIANE e SANDRO, 2003). Considerando uma viga biapoiada de seção retangular, Mörsch admitiu que, após a fissuração, seu comportamento é similar ao de uma treliça como a indicada na Figura 2.1.

Figura 2.1 – Analogia de treliça. Fonte: ( LIBÂNIO, CASSIANE e SANDRO, 2003). Segundo a

Figura 2.1 – Analogia de treliça. Fonte: ( LIBÂNIO, CASSIANE e SANDRO, 2003).

Segundo a norma brasileira NBR 6118 (ABNT, 2003), a resistência do elemento estrutural à força cortante, em uma determinada seção transversal, deve ser considerada satisfatória quando verificadas simultaneamente as seguintes seções:

onde:

Vsd VRd2

Vsd VRd3 = Vc + Vsw

Vsd

força cortante resitente de cálculo, na seção;

VRd2 força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína das diagonais comprimidas de concreto. VRd3 = Vc + Vsw, é a força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína por tração diagonal, onde Vc é a parcela de força cortante absorvida por

mecanismos complementares ao de treliça e Vsw a parcela resistida pela armadura transversal.

Modelo de Cálculo:

De acordo com a NBR 6118 o dimensionamento dos elementos resistentes ao cisalhamneto são calculados através das equações 2.1 à 2.6.

I Verificação da compressão diagonal do concreto

VRd2 = 0,27.αv2.fcd.bw.d

onde:

αv2 = (1- fck / 250)

(Equação 2.1)

II – Cálculo da armadura transversal

VRd3 = Vc + Vsw

Desprezando-se o valor de Vc, tem-se Vsw igual a:

Asw

s

0,9

d

f

ywd

(sen

a +

cos

a

Asw

 

Vsw

 

=

 

s

0,9

d

f

ywd

(

sen

a + cosa )

Asw

 

Vsw

 
 

=

 
 

s

0,9

d

f

ywd

), onde :

para estribos verticais

(Equação 2.2)

(Equação 2.3)

(Equação 2.4)

(Equação 2.5)

onde:

 

Vsw

Parcela de força cortante resistida pela armadura transversal

Vc = 0 nos elementos estruturais tracionados quando a linha neutra se situa fora da seção; Vc = Vc0 na flexão simples e na flexo-tração com a linha neutra cortando a

seção;

Vc = Vc0 (1+ Mo / MSd,máx ) 2Vc0 na flexo-compressão

Vc0 = 0,6 fctd bw d

Fctd = fctk,inf/γc

onde:

 

bw

menor largura da seção, compreendida ao longo da altura útil d.

d

altura útil da seção.

s espaçamento entre elementos da armadura transversal Asw, medido segundo o eixo longitudinal do elemento estrutural.

fywd tensão na armadura transversal passiva, limitada ao valor fyd no caso

de estribos e a 70% desse valor no caso de barras dobradas.

α ângulo de inclinação da armadura transversal em relação ao eixo

longitudinal do elemento estrutural, podendo-se tomar 45 p ≤ α ≤ 90p.

M0 valor do momento fletor que anula a tensão normal de compressão na borda da seção (tracionada por Md,max), provocada pelas forças normais de diversas origens concomitantes com VSd, sendo essa tensão calculada com valores de γf e γp iguais a 1,0 e 0,9 respectivamente; os momentos correspondentes a essas forças normais não devem ser considerados no cálculo dessa tensão pois são considerados em MSd; devem ser considerados apenas os momentos isostáticos de protensão.

onde:

MSd,Max

momento fletor de cálculo, máximo no trecho em análise, que pode ser tomado como o de maior valor no semitramo considerado (para esse cálculo não se consideram os momentos isostáticos de protensão, apenas os hiperestáticos).

Taxa geométrica ρsw

r sw

=

A

SW

b

W

s sen a

0,2

f

ctm

f

ywk

(Equação 2.6)

Asw

área da seção transversal dos estribos;

s

espaçamento dos estribos, medido segundo o eixo longitudinal do elemento estrutural.

α

inclinação dos estribos em relação ao eixo longitudinal do elemento

bw

estrutural. largura média da alma, medida ao longo da altura útil da seção.

fywk

resistência ao escoamento do aço da armadura transversal;

fct,m

resistência a tração direta, valor médio.

2.3 – DIMENSIONAMENTO À TORÇÃO O dimensionamento à torção em vigas vem sendo estudado há algum tempo, com base nos conceitos fundamentais da Resistência dos Materiais e da Teoria da Elasticidade. Muitos pesquisadores já se dedicaram a compreender os tipos de

torção, a análise da distribuição das tensões cisalhantes em cada um deles, e, finalmente, à proposição de verificações que permitam estimar resistências para as peças e impedir sua ruína (LIMA, GUARDA e PINHEIRO, 2003). Quando uma peça prismática é solicitada à torção pura (Torção de Saint- Venant) aparecem somente tensões tangenciais. Isto acontece em barras cujas seções extremas podem empenar livremente na direção do eixo longitudinal e cujo ângulo relativo de torção é constante ao longo da barra mas, na prática, as próprias regiões de apoio (pilares ou outras vigas) tornam praticamente impossível o livre empenamento (SÜSSEKIND,1984). Como conseqüência, surgem tensões normais (de coação) no eixo da peça e há uma certa diminuição da tensão cisalhante. Esse efeito pode ser desconsiderado no dimensionamento das seções mais comuns de concreto armado (perfis maciços ou fechados, nos quais a rigidez à torção é alta), uma vez que as tensões de coação tendem a cair bastante com a fissuração da peça e o restante passa a ser resistido apenas pelas armaduras mínimas. Assim, os princípios básicos de dimensionamento propostos para a torção clássica de Saint-Venant continuam adequados, com uma certa aproximação, para várias situações práticas. No caso de seções delgadas, porém, a influência do empenamento pode ser considerável, e devem ser utilizadas as hipóteses da flexo-torção de Vlassov para o dimensionamento (LIMA, GUARDA e PINHEIRO, 2003). O dimensionamento à torção fundamenta-se nas mesmas condições dos demais esforços: enquanto o concreto resiste às tensões de compressão, as tensões de tração devem ser absorvidas pela armadura. A distribuição dos esforços pode ser feita de diversas formas, a depender da teoria e do modelo adotado. A teoria que é mais amplamente aceita para a distribuição das tensões decorrentes da torção é a da treliça espacial de Mörsch composta por barras longitudinais e estribos verticais que é capaz de equilibrar o momento torçor solicitante. Com a fissuração da peça, sua rigidez à torção cai significativamente, reduzindo também o valor do momento atuante. É o que ocorre em vigas de bordo, que tendem a girar devido ao engastamento na laje e são impedidas pela rigidez dos pilares. Por outro lado, se a chamada torção de equilíbrio, que é a resultante da própria condição de equilíbrio da estrutura, não for considerada no dimensionamento de uma peça, pode levar à ruína (LIMA, GUARDA & PINHEIRO,

2003).

De acordo com a norma brasileira NBR 6118 (ABNT, 2003), admite-se satisfeita a resistência do elemento estrutural submetido a torção, para uma dada seção, quando forem verificadas de maneira simultanea as seguintes condições:

Tsd TRd,2

Tsd TRd,3

Tsd TRd,4

onde:

representa o limite dado pela resistência das diagonais comprimidas de

concreto. TRd,3 representa o limite definido pela parcela resistida pelos estribos normais ao eixo do elemento estrutural. TRd,4 representa o limite definido pela parcela resistida pelas barras longitudinais, paralelas ao eixo do elemento estrutural.

TRd,2

Geometria da seção resistente Segundo a NBR 6118 a seção vazada equivalente se define a partir da seção cheia com espessura da parede equivalente he,como mostram as figuras 2.2, 2.3.

onde:

h e £

A

(Equação 2.7)

u

h e £

2 c

1

(Equação 2.8)

A

área da seção cheia.

u

perímetro da seção cheia.

c1

distância entre o eixo da barra longitudinal do canto e a face lateral do elemento estrutural.

Figura 2.2 – Seção vazada de parede fina submetida a um momento torçor Fonte: (BOTELHO;

Figura 2.2 – Seção vazada de parede fina submetida a um momento torçor Fonte: (BOTELHO; MARCHETTI, 2002).

a um momento torçor Fonte: (BOTELHO; MARCHETTI, 2002). Figura 2.3 – Seção vazada equivalente Fonte: (BOTELHO;

Figura 2.3 – Seção vazada equivalente

Fonte: (BOTELHO; MARCHETTI, 2002).

Modelo de Cálculo:

De acordo com a NBR 6118 o dimensionamento dos elementos resistentes à torção são calculados através das equações 2.9 à 2.11.

onde:

I – Verificação da compressão diagonal do concreto TRd2 = 0,50.αv2.fcd.Ae.he.sen 2 θ

(Equação 2.9)

αv2 = 1 - fck / 250, com fck em megapascal.

θ

ângulo de inclinação das diagonais de concreto, arbitrado no intervalo

30° θ 45°.

Ae

área limitada pela linha média da parede da seção vazada, real ou

equivalente, incluindo a parte vazada.

he

espessura equivalente da parede da seção vazada, real ou

equivalente, no ponto considerado.

II – Cálculo das armaduras

Devem ser consideradas efetivas as armaduras contidas na área

correspondente à parede equivalente, quando:

i) a resistência decorrente dos estribos normais ao eixo do elemento estrutural

atende à expressão:

TRd3= (A90 / s) fywd 2Ae cotg θ

onde:

(Equação 2.10)

fywd é a resistência de cálculo do aço da armadura passiva, limitada a 435 MPa.

ii) a resistência decorrente das armaduras longitudinais atende à expressão:

TRd4= (Asl/ u) 2Ae fywd tg θ

onde:

(Equação 2.11)

Asl soma das áreas das seções das barras longitudinais.

u perímetro de Ae.

Na combinação de torção com força cortante, o projeto deve prever ângulos

de inclinação das bielas de concreto θ coincidentes para os dois esforços NBR 6118

(ABNT, 2003). Para tanto deve A resistência à compressão diagonal do concreto

deve ser satisfeita atendendo à expressão:

V

Sd

V

Rd 2

VSd e TSd

+

T

Sd

T

Rd

2

£

1

são os esforços de cálculo que agem concomitantemente na seção.

2.4 – REFORÇO ESTRUTURAL COM CFRP

2.4.1 – Histórico da fibra de carbono

Diante a ameaça de um violento sismo no distrito de Kanto, que inclui a cidade de Tóquio, o governo japonês toma a decisão, em meados da década de 90, para preparar as construções existentes em particular estrutura do sistema viário. Com isso, a partir da conjugação de esforços das estruturas, surge a idéia de se adaptar a utilização de compósitos de fibra de carbono (CFRP), sendo portanto um material já largamente utilizado em soluções de reforço de alto desempenho, particularmente nas indústrias aeronáutica, aeroespacial, naval e automobilística, e que por sua vez foi aplicado ao reforço das estruturas de concreto armado, tirando o melhor partido de um produto muito resistente, de simples aplicação e que não traz às estruturas de concreto problemas de durabilidade, como os problemas de corrosão das armaduras. Essa tecnologia para reforço de estruturas de concreto com compósitos de fibra de carbono obteve alguns ajustes importantes e ganhou particular desenvolvimento após a ocorrência do sismo de Kobe em 1995 (SOUZA e RIPPER, 1998). A utilização de compósitos reforçados com fibra de carbono, é portanto, um passo evolutivo da indústria da Construção Civil, que em sua constante busca por novas tecnologias, que sejam cada vez mais simples, resitentes e duráveis, para a reabilitação de estruturas de concreto, dando seqüência a um ciclo que antes já passou pelo recurso a metodologias tão distintas quanto o aumento das seções pela aplicação de concreto projetado e/ou de argamassas modificadas, e pelo reforço de chapas de aço coladas ao concreto. O CFRP na maioria dos casos vem sendo utilizado para otimizar o desempenho dos pilares e pontes, uma vez que os ensaios disponíveis mostram um notável aumento da ductilidade destes elementos de concreto armado quando reforçados, em sistema confinante através dos tecidos de fibras de carbono, os quais são perfeitamente capazes de moldar à sua superfície lateral (SOUZA e RIPPER, 1998). Os tecidos de fibras de carbono também podem ser utilizados para o aumento da capacidade à flexão e ao esforço transversal de vigas e lajes, na atualidade também utilizada para melhorar o desempenho quanto à torção das estruturas de concreto armado, processos estes que exige muito cuidado no

desenvolvimento dos detalhes que devem ser adotados para o sitema de amarração do compósito, assim como a mais detalhada análise das tensões de deslizamento na interface entre o concreto e o compósito.

2.4.2 – Obtenção da fibra de carbono As fibras de carbono resultam do tratamento térmico (carbonização) de fibras precursoras orgânicas tais como o poliacrilonitril (PAN) ou com base no alcatrão derivado do petróleo ou do carvão (PITCH) em um ambiente inerte. Seu processo de produção consiste na oxidação dessas fibras precursoras seguido do processamento a elevadas temperaturas (variando de 1000°C a 1500°C para as fibras de carbono e até cerca de 3000°C para as fibras de grafite). Nesse processo térmico as fibras resultantes apresentam os átomos de carbono perfeitamente

alinhados ao longo das fibras precursoras, característica que confere extraordinária resitência mecânica ao produto final (MACHADO, 2006). Quanto maior a temperatura em que o processo industrial se realiza maior será o módulo de elasticidade do material resultante, varia de 100GPa a 300GPa para as fibras de carbono até 650GPa para as fibras de grafite. Sabe-se então que quanto maior o módulo de elasticidade maior o custo do material, custando o produto de maior módulo de elasticidade (grafite) cerca de 15 a 20 vezes mais caro do que a fibra de carbono que possui o módulo de elasticidade situado no extremo inferior da faixa (MACHADO, 2006). Os sistemas compostos estruturados disponíveis no mercado utilizam as fibras de carbono como elemento resistente, os quais apresentam as seguintes características:

§ extraordinária resistência mecânica.

§ elevada resistência a ataques químicos diversos.

§ não são afetadas pela corrosão por se tratar de um produto inerte.

§ extraordinária rijeza.

§ estabilidade témica e reológica.

§ bom comportamneto à fadiga e à atuação de cargas cíclicas.

§ Peso específico da ordem de 1,8g/cm³, o que lhe confere extrema leveza a ponto de desconsiderar o seu peso próprio nos reforços.

Propriedades físicas das Fibras de Carbono A fibra de carbono CF-130 é um elemento unidirecional como mostra a figura 2.4. A densidade (peso específico) das fibras de carbono varia de 1,6 a 1,9 g/cm³, observa-se então que o material tem um peso específico aproximadamente 5 vezes menor que o do aço estrutural que é da ordem de 7,85 g/cm³ (MACHADO, 2006). As demais propriedades da fibra são apresentadas na Tabela 2.1.

Tabela 2.1 - Propriedades da fibra de carbono

Propriedades

Fibra de Carbono

Densidade da fibra

1,82g/cm³

Resistência Última de Tração

3.790 MPa

Módulo de tração

2.35 x 10 6 Kg/cm²

Espessura

0.165mm

Relação densidade/peso/área

300 g/m²

Alongamento último

1,7%(0,017)

Largura

600mm

Módulo de Elasticidade

228.000 MPa

UNIDIRECIONAL
UNIDIRECIONAL

Figura 2.4 – Rolo de Fibra de Carbono Fonte: (MACHADO, 2007).

Características mecânicas da Fibra de Carbono As fibras de carbono são caracterizadas por possuírem um baixo módulo de elasticidade e uma alta resistência a tração como mostra a figura 2.5.

FibraFibra ddee CarCarbobonono CFCF--130130 1500 C 1500 o o C 2000 C 2000 o o
FibraFibra ddee CarCarbobonono CFCF--130130
1500 C
1500
o o
C
2000 C
2000
o o
C

Figura 2.5 – Diagrama Tensão x Deformação das Fibras Fonte: (MACHADO, 2007).

Os Sistemas Compostos Os sistemas compostos estruturados com fibras de carbono fazem parte de uma classe de materiais compósitos conhecidos como Fiber Reinforced Polymers sendo constituídos por dois elementos distintos e fundamentais, os quais são: a matriz polimérica, isto é, a responsável em manter as fibras de carbono coesas e fazer a transferência das tensões de cisalhamento existentes na interface concreto e sistema composto. O outro elemento são as fibras de carbono, sendo elas responsáveis pela resistência do sistema, estão dispostas unidirecionalmente dentro das matrizes poliméricas e são responsáveis por absorverem as tensões de tração devidas aos esforços solicitantes.

Leva-se em consideração que a matriz polimérica deve possuir um alongamento de ruptura muito maior que o alongamento da fibra de carbono, para que a mesma continue possuindo capacidade de carga após a fibra ter atingido sua tensão de ruptura. A figura 2.6 mostra de forma clara o esquema de um sistema de composto estruturado com fibras de carbono.

FFIBRIBRAA DEDE FFIBRIBRAA DEDE CCAARRBOBONONO CCAARRBOBONONO MAMAMAMATRITRITRITRIZZZZ
FFIBRIBRAA DEDE
FFIBRIBRAA DEDE
CCAARRBOBONONO
CCAARRBOBONONO
MAMAMAMATRITRITRITRIZZZZ PPPPOLIMOLIMOLIMOLIMÉÉÉÉRICARICARICARICA

Figura 2.6 – Representação esquemática de um sistema CFC Fonte: (MACHADO, 2007).

Segundo (MACHADO, 2006) a figura 2.7 mostra uma ampliação em microscópio eletrônico da matriz polimérica do sistema composto estrutural, sendo bom observar que as fibras de carbono encontram-se totalmente impregnadas pelas resinas da matriz polimérica .

Figura 2.7

FFIILLAAMMEENTONTO DEDE FIBRFIBRAA DEDE CCAARBONORBONO RERESSININAA POLIMPOLIMÉÉRIRICACA 12.012.00000
FFIILLAAMMEENTONTO DEDE FIBRFIBRAA DEDE CCAARBONORBONO
RERESSININAA POLIMPOLIMÉÉRIRICACA
12.012.00000 FIFILLAAMEMENNTOSTOS == 11 CMCM DEDE LLAARGURGURARA

Ampliação em microscópio eletrônico do sistema CFC Fonte: ( MACHADO, 2006).

Execução do Sistema Composto de fibra de carbono Segundo ( MACHADO, 2006) o sistema estruturado com lâmina de fibra de carbono CF-130 é executado conforme as seguintes etapas:

§ recuperação do substrato de concreto armado para que o sistema possa ser aderido com segurança.

§ imprimação da superfície sobre a qual será aplicado o sistema para se estabelecer uma ponte de aderência entre o substrato de concreto e o sistema composto. Para tanto se utiliza um imprimador epoxídico (primer) com elevado teor de sólidos que, ao penetrar nos poros do concreto e ao estabelecer uma película sobre a superfície do concreto, cria uma interface altamente eficiente para a transmissão de esforços entre o composto e a peça de concreto.

§ regularização e correção das imperfeições superficiais do substrato de concreto, de modo a estabelecer um plano adequadamente nivelado. É utilizada uma pasta epoxidica contendo alto teor de sólidos (putty filler) para calafetar eventuais imperfeições superficiais e criar um plano desempenado para aplicação do sistema composto.

§ aplicação da primeira camada de resina saturante com alto teor de sólidos que servirá para impregnar (saturar) a lâmina de fibra de carbono e aderi-la à superfície de concreto.

§ aplicação da lâmina de fibra de carbono CF-130 que vai reforçar o sistema composto.

§ aplicação da 2° camada de resina saturante para completar a impregnação da lâmina de fibra de carbono e acabamento de conformar a matriz epoxídica que envelopa o sistema.

§ Por fim a aplicação opcional da película de acabamento com elevado teor de sólidos, alto brilho e resistência à corrosão, com o objetivo de proteção e/ou acabamento estético para o sistema. A figura 2.8 mostra o esquema de execução e materiais componentes.

CAMADA PROTETORA CAMADA PROTETORA SEGUNDA CAMADA DE RESINA SEGUNDA CAMADA DE RESINA FIBRA DE CARBONO

CAMADA PROTETORA

CAMADA PROTETORA

SEGUNDA CAMADA DE RESINA

SEGUNDA CAMADA DE RESINA

FIBRA DE CARBONO

FIBRA DE CARBONO

PRIMEIRA CAMADA DE RESINA

PRIMEIRA CAMADA DE RESINA

PUTTY FILLER DE EPOXI

PUTTY FILLER DE EPOXI

PRIMER

PRIMER

SUBSTRATO

SUBSTRATO

Figura 2.8 – Esquema de execução e materiais componentes Fonte: (MACHADO, 2006).

2.4.3 – Dimensionamento do CFRP ao Cisalhamento No Dimensionamento do compósito CFRP ao cisalhamento tivemos como única literatura utilizada, o manual prático de dimensionamento das fibras de carbono da BASF. Para que seja realizado o reforço ao cisalhamento com o sistema CFC em estruturas de concreto armado, apresentam-se diversas possibilidades para esta configuração, onde as 3 disposições de envolvimento mais comuns são apresentadas na figura 2.9. Entende-se que o envolvimento das seções de concreto com fibras dispostas transversalmente, possui o objetivo de reforçar as diagonais tracionadas da treliça de Morsch assim como os estribos de aço.

Envolvimento Dois lados completo Envolvimento em “U”
Envolvimento
Dois lados
completo
Envolvimento
em “U”

Figura 2.9 – Possíveis configurações de reforço ao cisalhamento Fonte: (MACHADO, 2006).

O valor extra de resistência ao esforço cortante que deve ser fornecido pelo

sistema composto estruturado com fibras de carbono, deve ser calculado através

das equações 2.14 a 2.23 (MACHADO, 2006).

V

f

=

A

f

f

f

d

f

s f

(Equação 2.14)

Aƒ

área da seção tranversal de 1 lâmina de fibra de carbono

fƒ

tensão limite de ruptura da fibra de carbono

dƒ

profundidade da lâmina de fibra de carbono para reforço ao cisalhamento

sƒ

espaçamento entre as lâminas de fibra de carbono

A área da seção tranversal de 1 lâmina de fibra de carbono é calculada

através da equação 2.15.

A

f

= 2 n t

f

w

f

n número de camadas de fibra de carbono

tƒ espessura de uma camada de fibra de carbono

wƒ

largura da lâmina de fibra de carbono

f

f

onde:

= R 35000

(Equação 2.15)

(Equação 2.16)

ff

tensão limite de ruptura da fibra de carbono.

R

fator de redução da resistência última da fibra de carbono que

determina o nível de tensão da fibra na ruptura.

R

=

k

1

k

2

L

e

11900 e

fu

onde:

(Equação 2.17)

k1

fator de multiplicação do comprimento efetivo de aderência

estabelecido em função da resistência do concreto.

K2

fator de multiplicação do comprimento efetivo de aderência

estabelecido em função da configuração adotada para o reforço de

cisalhamento.

Le

comprimento efetivo de aderência da fibra de carbono.

ξfu

deformação última da fibra de carbono.

k

1

d f

onde:

Ê fcd ˆ

˜

27

= Á

Ë

¯

2

3

(Equação 2.18)

= d - h

s

(Equação 2.19)

df

profundidade da lâmina de fibra de carbono para reforço ao

dfe

cisalhamento. comprimento efetivamente aderido da lâmina de fibra de carbono utilizada.

d

fe

=

d

f

-

Le

k

2 =

d fe

d f

L

o

=

2500

f

E

f

0,58

(

t

)

L e =

1

n

onde:

Lo

55 mm

(Equação 2.20)

(Equação 2.21)

(Equação 2.22)

(Equação 2.23)

Lo

comprimento efetivo de colagem de uma lâmina de fibra de carbono.

tf

espessura de uma camada de fibra de carbono.

Ef

módulo de elasticidade da fibra de carbono.

2.4.4 - Dimensionamento do CFRP à torção Na literatura existem poucos trabalhos publicados sobre reforço à torção com matérias compósitos de fibra de carbono colados externamente. O reforço à torção é pouco usual, mas possível de se realizar com CFRP em vigas de concreto armado. Devido a escassez de literatura, neste trabalho odotou-se unicamente a sistemática publicada por Sanchez Filho, a qual é fundamentada na norma americana (ACI), uma vez que o reforço ainda não é normatizado no Brasil. A equação 2.24, representa a parcela de resistência à torção proveniente do reforço estrutural com CFRP.

T

RK

,

f

= 2

Ê n

Á

b

h

Af

f

f

Á

Ë

sf

 

ˆ

˜

¯

˜

cot gq

(Equação 2.24)

n número de camadas de fibra de carbono

ff

tensão limite de ruptura da fibra de carbono

sƒ

espaçamento entre as lâminas de fibra de carbono

Aƒ

área da seção tranversal de 1 lâmina de fibra de carbono

2.5 – OUTROS MÉTODOS DE REFORÇO ESTRUTURAL DE VIGAS

2.5.1 – Reforço ao cortante com argamassa epóxi

Este tipo de reforço é normalmente utilizado para manter a geometria original

da peça de concreto armado, sendo eles os mais utilizados no dia-a-dia . No entanto

para realizar este tipo de reforço é nescessário:

Que o substrato seja limpo com um jato de ar seco comprimido ou com

acetona, após alguns minutos antes de aplicar a ponte de aderência no concreto

com a superfície seca. As armaduras existentes expostas e as de reforço devem ser

lixada com lixa de ferro e limpada com jato de ar seco, minutos antes da aplicação

do adesivo. Realizar o preparo da argamassa e em seguida fazer a aplicação do

material que deve estar conforme o projeto de recuperação, a armadura nervurada

deve obter comprimentos de transpasse para sua ancoragem, conforme mostra

figura 2.10.

Essa aplicação da ponte de aderência e adesivo base epóxi devem respeitar

o tempo de manuseio e colagem. Por fim realiza-se o acabamento e a devida cura

para proteger da radiação solar direta durante as primeiras 5 horas (BARRERA et.al,

2003) argamassa de resina ou polimérica furo com broca escarificaçã Adesivo estruturante estribo de
2003)
argamassa
de resina ou
polimérica
furo com broca
escarificaçã
Adesivo
estruturante
estribo de
escarificação

Figura 2.10 – Reforço ao cisalhamento em vigas com argamassa epóxi Fonte: (BARRERA et.al, 2003).

2.5.2 – Reforço ao cortante com chapas metálicas aderidas com epóxi

É um reforço estrutural permanete que mantem a estética e a geometria original das vigas, não devem ser utilizados em ambientes de alta temperatua. portanto para realizar este tipo de reforço é nescessário:

Retirar revestimentos de argamassa e remover pinturas presentes no substrato por escarificação. Procura-se obter uma superfície plana e rugosa e se necessário preencher cavidades e regularizar a superfície com argamassa epóxi. Limpar a superfície do concreto, a qual deverá estar seca, com jato de ar comprimido, instantes antes da aplicação da ponte de aderência. As chapas metálicas devem ser preparadas com jato de areia ou lixamento elétrico, até a condição de metal branco até no máximo 2 horas antes da colagem e minutos antes da aplicação do adesivo epóxi a superfície das chapas devem ser limpas com jato de ar comprimido seco (BARRERA et.al, 2003). Que as chapas de aço tenham furos de 3mm de diâmetro a cada 15cm para deixar escapar o ar, devem ter espessura máxima de 4mm e recomenda-se fixar as chapas com parafusos e porcas. Os parafusos devem ser fixados no componente estrutural com resina base poliéster para ancoragem, lembrando que a ponte de aderência de adesivo base epóxi aplicada na superfície do concreto deve ter espessura na ordem de 2 a 3mm. Na superfície das chapas metálicas a serem coladas deve-se aplicar adesivo de base epóxi para tratamento da superfície do aço, conforme figura 2.11. A espessura do adesivo epóxi após ser precionada as chapas metálicas deve ser inferior a 1,5mm e as cargas devem ser colocadas somente após 7 dias (BARRERA et.al, 2003).

Estribos em vigas viga Chapa metálica Chapa metálica porca parafus furo adesivo Ancoragem com resina

Estribos em vigas

Estribos em vigas viga Chapa metálica Chapa metálica porca parafus furo adesivo Ancoragem com resina epóxi
viga Chapa metálica
viga
Chapa metálica

Chapa metálica

Estribos em vigas viga Chapa metálica Chapa metálica porca parafus furo adesivo Ancoragem com resina epóxi

porca

parafus

furo

adesivo

Ancoragem com resina epóxi

Figura 2.11 – Reforço de vigas com chapas metálicas aderidas com epóxi

Fonte: (BARRERA et.al, 2003).

2.5.3 – Reforço de torção com concreto

É um reforço com qualquer dimensão, deve ter o subtrato seco, com

aplicação de ponte de aderência formada por adesivo base epóxi (de baixa

viscosidade). Para sua aplicação é necessário furar a viga colocar novos estribos

pelo menos a 20cm da face inferior e fixá-la com resina base poliéster (tixotrópica)

para ancoragem. Em seguida deve-se colocar nova armadura longitudinal

distanciada da existente aproximadamente 1 cm na vertical e 2 cm na horizontal.

Chumbar a ponta da armadura longitudinal nos pilares com resina base poliéster

para ancoragem com comprimento indicado em projeto, mínimo de 5 cm, como

mostra a figura 2.12.

Depois preparar as formas estanques e rígidas e em seguida retirar as formas

e aplicar adesivo epóxi de baixa viscosidade, recolar as formas e concretar, no

entanto respeitando o tempo de manuseio e de colagem do adesivo. Nesta situação

o concreto deve ser lançado de maneira suave e constante somente por um lado da

viga até que apareça do outro lado, evitando-se a formação de bolhas de ar,

adensando com vibradores. A cura deve ser feita com água por 14 dias, ou 2

demãos de adesivo base acrílica (menbrana de cura), aplicadas com pulverizador

ou trincha, imediatamente após desforma. Tendo como cuidado escorar a estrutura

da viga antes da execução dos reforços, retirando somente após 21 dias

(BARRERA et,al, 2003).

]

concreto
concreto
Armadura nova
Armadura
nova

Abertura da laje

escarificação

Nova

Armadura p/

combater

tor ão

da laje escarificação Nova Armadura p/ combater tor ão vi a escoramento 6cm conforme projeto Ancoragem
vi a
vi
a

escoramento

6cm conforme projeto

Ancoragem com resina poliéster

Figura 2.12 – Reforço de torção em vigas com concreto Fonte: (BARRERA et.al, 2003).

2.5.4 – Reforço de torção com chapas metálicas aderidas com epóxi Não devem ser usados em situações de altas temperaturas (> 55°C). O reforço deve iniciar-se com a remoção do revestimento de argamassa e pintura. Obtendo uma superfície plana e rugosa, caso exista cavidades na superfície deve- se regularizar com argamassa epóxi, aplicada sobre ponte de aderência com adesivo base epóxi de baixa viscosidade. Devendo instantes antes da aplicação da ponte de aderência, limpar a superfície do concreto que deve estar seca, com jato de ar comprimido. As chapas metálicas devem ser preperadas com jato de areia ou lixamento elétrico, até a condição de metal branco, no máximo duas horas antes da colagem. Instantes antes da aplicação do adesivo epóxi, limpar e secar a superfície das chapas metálicas com jato de ar comprimido seco. A aplicação deve estar conforme o projeto e que as chapas de aço tenham furos de 3mm de diâmetro a cada 15cm para deixar escapar o ar, devem ter espessura máxima de 4mm e recomenda-se fixar as chapas com parafusos e porcas. Os parafusos devem ser fixados no componente estrutural com resina base poliéster para ancoragem, lembrando que a ponte de aderência de adesivo base epóxi aplicada na superfície do concreto deve ter espessura na ordem de 2 a 3mm, como indicado na figura 2.13. A espessura do adesivo epóxi após ser precionada as chapas metálicas deve ser inferior a 1,5mm e as cargas devem ser colocadas somente após 7 dias (BARRERA et.al, 2003)

Ancoragem com resina poliéster
Ancoragem
com resina
poliéster

Estribos de chapas metálica

Chapa metálica longitudinal

Estribos de chapas metálica Chapa metálica longitudinal adesivo solda Chapa parafuso metálica Escarificação e
adesivo solda Chapa parafuso metálica
adesivo
solda
Chapa
parafuso
metálica

Escarificação

e regularizar

Figura 2.13 – Reforço de torção em vigas com chapas aderidas com epóxi Fonte: (BARRERA et.al, 2003).

3 PROCEDIMENTO DE ENSAIO

3.1 – CARACTERISTICA DAS VIGAS MODELOS

Foram confeccionados no Laboratório da UFPA quatro (04) conjuntos de vigas de concreto armado com seção transversal retangular medindo 100mm x 300mm. Cada conjunto foi composto por duas vigas, uma a ser bi-engastada e submetida a ensaio de torção, e outra em balanço, para receber a força geradora do momento de torção sobre a primeira viga. O comprimento total da viga bi-engastada foi de 1.700mm (vão livre de 1.600mm) e da viga em balanço de 1.000mm, de acordo com a figura 3.1. A principal variável do trabalho foi o espaçamento dos estribos centrais e o reforço à torção com material compósito de fibras de carbono. A tabela 3.1 apresenta as principais características das vigas ensaiadas. A viga VREF-C10 foi para referência e a viga VC-10 não recebeu reforço. Os conjuntos VC10-CFRP e VC20-CFRP foram reforçados com o tecido de fibra de carbono. As armaduras utilizadas nas vigas foram constituídas por 02 barras de aço CA-50 de 12,5mm para a armadura longitudinal de tração e 02 barras de mesmo diâmetro para a armadura longitudinal de compressão, além de estribos fechados verticais de aço CA 60 com diâmetro de 5,0mm espaçados de 100mm para a armadura transversal, com cobrimento de 15mm. A figura 3.2 mostra detalhes das armaduras das vigas VREF-C10, VC10 e VC20, onde se pode notar o espaçamento demasiado dos estribos no centro da viga, simulando uma falha na ligação devido ao mal posicionamento dos estribos. NA viga VC20-CFRP apresentou espaçamento de 400mm entre os estribos centrais.

apresentou espaçamento de 400mm entre os estribos centrais. Figura 3.1 - Dimensões dos conjuntos de vigas.

Figura 3.1 - Dimensões dos conjuntos de vigas. Tabela 3.1- Características das vigas.

Conjunto

Viga

Espaçamento estribo na ligação (mm)

 

Tipo

1

VREF-C10

100

 

Referência s/ reforço

2

VC-10

200

 

Referência s/ reforço

3

VC10-CFRP

200

2

Camadas de reforço CFRP

4

VC20-CFRP

400

2

Camadas de reforço CFRP

Camadas de reforço CFRP 4 VC20-CFRP 400 2 Camadas de reforço CFRP Figura 3.2 – Armaduras
Camadas de reforço CFRP 4 VC20-CFRP 400 2 Camadas de reforço CFRP Figura 3.2 – Armaduras

Figura 3.2 – Armaduras das Vigas.

3.2 – EXECUÇÃO DO REFORÇO

Após os ensaios dos conjuntos 1 e 2, foram aplicados reforços com CFRP nos conjuntos 3 e 4 com seis faixas verticais espaçadas de 100mm, três em cada lado da viga biengastada, sendo cada uma das faixas com duas camadas de fibras medindo 50mm x 900mm (todo o perímetro da viga mais 100mm de traspasse), como mostra a figura 3.3. Foi aplicada ainda uma faixa central medindo 100mm x 800mm, que se estendeu continuamente da face da viga bi-engastada até 500mm na face inferior da viga em balanço, reforçando-a também à flexão. Na figura 3.3, percebe-se a presença de um estribo (Ø 5,0mm) para melhorar a ancoragem do reforço à flexão. A figura 3.4 mostra o detalhe do posicionamento deste estribo na superfície inferior da viga. O procedimento adotado para a execução dos reforços foi baseado no comportamento prévio das ligações dos conjuntos de referência. O reforço à flexão foi de fato executado para melhorar a ancoragem da viga balanço na viga bi-engastada. A figura 3.5 mostra as principais etapas de execução dos reforços e o aspecto final dos conjuntos reforçados antes da realização dos ensaios.

final dos conjuntos reforçados antes da realização dos ensaios. Figura 3.3 – Detalhe dos reforços com

Figura 3.3 – Detalhe dos reforços com CFRP.

Figura 3.4 – Posicionamento do estribo no reforço à flexão. Figura 3.5 – Execução do

Figura 3.4 – Posicionamento do estribo no reforço à flexão.

3.4 – Posicionamento do estribo no reforço à flexão. Figura 3.5 – Execução do reforço com

Figura 3.5 – Execução do reforço com CFRP e aspecto final das vigas.

3.3

– INSTRUMENTAÇÃO

O comportamento das vigas durante os ensaios foi monitorado por meio de medições dos deslocamentos em três posições, como mostra a figura 3.6. Foram utilizados relógios comparadores analógicos com 0,01mm de precisão, sendo que um foi posicionado na face superior da ligação das vigas (R3) e dois na face lateral da viga bi-engastada, sendo um no meio do vão e outro distante 375mm do primeiro. Assim, os relógios 1 e 2 mediram os deslocamentos laterais e o relógio 3 os deslocamentos verticais no centro da ligação.

3 os deslocamentos verticais no centro da ligação. Figura 3.6 – Detalhes da instrumentação das vigas.

Figura 3.6 – Detalhes da instrumentação das vigas.

3.4 – SISTEMA DE INSTRUMENTAÇÃO E APLICAÇÃO DE FORÇA

As vigas bi-engastadas foram submetidas a ensaios de torção de acordo com a figura 3.7. As forças foram aplicadas com o auxilio de um cilindro hidráulico com capacidade para 1.000kN, posicionado na viga em balanço a 600mm do eixo longitudinal da viga bi-engastada, e acionado por uma bomba hidráulica. Os passos de força foram iguais a 2kN. As intensidades das forças foram medidas com uma célula de força com capacidade para 1.000kN e precisão de 1kN, conectada a um indicador digital. A distância entre os eixos dos engastes foi de 1.600mm. Para impedir as rotações da viga bi-engastada foram utilizadas barras de aço horizontais apoiadas em uma viga metálica de reação com rigidez suficiente para evitar deslocamentos significativos, posicionada entre o pórtico de reação e a viga sob

torção. Entre cada passo de força houve um intervalo de aproximadamente 5 minutos para marcação das fissuras, registro dos deslocamentos e verificação do comportamento dos conjuntos de vigas ensaiados e do próprio sistema de ensaio.

de vigas ensaiados e do próprio sistema de ensaio. Figura 3.7 – Sistema de ensaio com

Figura 3.7 – Sistema de ensaio com impedimento das rotações nos apoios.

4-

ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.1 - MATERIAIS

4.1.1 – Concreto

O concreto utilizado nas vigas foi dosado com cimento Portland CPII-Z 32.

Utilizou se como agregado graúdo o seixo rolado de granulometria 19mm. As

resistência à compressão (fc) e à tração (fct) foram obtidas por meio de ensaios em

corpos-de prova cilíndricos medindo 150mm x 300mm na data dos ensaios. Para

cada ensaio foram utilizados 3 corpos-de-prova, de acordo com as normas NBR

5739 (ABNT (1994)) e NBR 7227 (ABNT (1994)). A tabela 4.1 apresenta os valores

médios obtidos. O módulo de elasticidade secante do concreto foi também obtido

experimentalmente em corpos-deprova cilíndricos de 150mm x 300mm, seguindo as

recomendações da NBR 8522 (ABNT (1984)). Os resultados obtidos

experimentalmente foram comparados com os valores estimados (E cs) pela NBR

6118 (ABNT (2003)).

Tabela 4.1 – Resistência a compressão e tração do concreto.

Conjunto

f

ck

(MPa)

f

ct

(MPa)

E

(GPa)

c,EXP

E

cs

(GPa)

E c,EXP /

E

cs

1 44,0

 

2,7

29,8

37,1

0,80

2 22,8

 

1,4

24,0

26,7

0,90

3 44,0

 

2,7

29,8

37,1

0,80

4 22,8

 

1,4

24,0

26,7

0,90

4.1.2 – Aço

As barras de aço (CA 50) utilizadas nas armaduras das vigas foram de

12,5mm e 5,0mm, todas de mesmo lote, sendo retiradas três amostras de cada

bitola para a execução dos ensaios de tração axial, seguindo as orientações da NBR

6152 (ABNT (1992)), com a finalidade de se obter a tensão de escoamento de cada

bitola. Os resultados são apresentados na tabela 4.2.

Tabela 4.2 – Características mecânicas das barras de aço.

f

(mm)

Área

(mm²)

P

u

(kN)

f

ys

(MPa)

ε

ys

(‰)

f

u

(MPa)

E

s

(GPa)

5,0

19,6

13,0

509,5

2,4

666,2

210,5

12,50

122,6

85,0

489,1

1,6

691,0

300,1

4.2 - DESLOCAMENTOS

Durante o ensaio foram medidos os deslocamentos das vigas tanto na direção vertical quanto na horizontal. Os deslocamentos verticais e horizontais máximos foram observados no conjunto 1, 3,8mm e 11,7mm, respectivamente, medidos em 18kN. Os relógios foram retirados de suas posições neste nível de solicitação devido à iminência de ruína. Analisando as vigas dos conjuntos 2 e 4, ambas de mesma resistência à compressão, sendo que a do conjunto 2 apresentava espaçamento dos estribos na ligação de 200mm e a do conjunto 4 de 400mm, e reforçada com CFRP, verifica-se que apresentaram deslocamentos equivalentes devido ao ganho de rigidez da peça reforçada, o mesmo fato ocorreu com as vigas do conjunto 1 e 3 onde no conjunto 3 se obtiveram deslocamentos aproximadamente duas vezes menores que os do conjunto 1, ressaltando que o conjunto 3 não possuía um estribo na ligação, porém reforçado com fibras de carbono, considerando que os medidores foram retirados no nível de carregamento de 18kN, dada a incerteza da força de ruína das vigas. Os gráficos força- deslocamento dos conjuntos são mostrados na figura 4.1. A figura 4.2 mostra uma comparação realizada apenas para os relógios posicionados no centro da ligação, medindo os deslocamentos verticais.

no centro da ligação, medindo os deslocamentos verticais. Figura 4.1 – Deslocamentos observados nos conjuntos

Figura 4.1 – Deslocamentos observados nos conjuntos ensaiados.

Figura 4.2 – Deslocamentos verticais no centro das ligações. 1200 1000 800 600 400 200

Figura 4.2 – Deslocamentos verticais no centro das ligações.

1200 1000 800 600 400 200 0 VREF-C10 VC-10 VC10- VC20- CFRP CFRP Deslocamento (mm)
1200
1000
800
600
400
200
0
VREF-C10
VC-10
VC10-
VC20-
CFRP
CFRP
Deslocamento (mm)

Relógio 1(Horiz.)Relógio 2(horiz.) Relógio 3(Vertical)

Relógio 2(horiz.)Relógio 1(Horiz.) Relógio 3(Vertical)

Relógio 3(Vertical)Relógio 1(Horiz.) Relógio 2(horiz.)

Figura 4.3 – Deslocamentos verticais e horizontais dos conjuntos.

4.3 – ÂNGULO DE TORÇÃO

O ângulo de torção (ф) foi estimado considerando que a seção rotacionou em torno do eixo longitudinal da viga bi-engastada e que os deslocamentos observados no relógio comparador R2 foram somente horizontais. Foi ainda realizada uma correção para compensar os deslocamentos verticais registrados no relógio comparador R3, que foram subtraídos da distância entre o ponto monitorado pelo relógio R2 e o plano médio longitudinal da viga (100mm). A figura 4.4 mostra os ângulos de torção estimados para os diversos momentos de torção aplicados nas vigas bi-engastadas. Os ângulos de torção foram ligeiramente menores na posição do relógio comparador R1 em relação aos ângulos medidos na posição do relógio comparador R2. As vigas reforçadas com CFRP apresentaram ângulos de torção significativamente inferiores (aproximadamente 50%) aos observados nas vigas sem

reforço. A forte influência do reforço à torção sobre os deslocamentos angulares é evidenciada quando a viga VC20-CFRP, que apresentou resistência à compressão do concreto de 22,8MPa e espaçamento dos estribos centrais de 400mm, é comparada com as demais.

dos estribos centrais de 400mm, é comparada com as demais. Figura 4.4 – Ângulos de torção

Figura 4.4 – Ângulos de torção estimados utilizando os deslocamentos horizontais.

5.4 - FISSURAÇÃO Para as vigas bi-engastadas VCREF-C10, VC-10, VC10-CFRP e VC20-CFRP

as primeiras fissuras surgiram no meio do vão, com as forças de 12kN, 12kN, 12kN

e 10kN, respectivamente. Estas fissuras foram caracterizadas como de torção, uma

vez que as forças estimadas para a ruína por cisalhamento das três primeiras vigas foram aproximadamente cinco vezes maiores que as forças que originaram as primeiras fissuras. O surgimento de fissuras semelhantes às observadas no meio do vão nas regiões próximas aos apoios confirma que as primeiras fissuras foram de torção. Notou-se que as vigas reforçadas apresentaram fissuras com aberturas menores que as observadas nas vigas sem reforço. Este comportamento pode ser atribuído ao considerável ganho de rigidez da peça com a utilização do reforço com CFRP. A quantidade de fissuras foi maior nas vigas com menores ângulos de torção, ou seja, para as vigas reforçadas. A figura 4.5 e 4.6 mostra de forma esquemática o mapeamento das fissuras durante os ensaios, enquanto que a figura

5.6 mostra o os mapas frontais de fissuração de cada viga ensaiada pouco antes da

ruína. O número ao lado da fissura indicar a força que a originou, em kN. O padrão da fissuração na superfície posterior foi semelhante ao observado na superfície

frontal, diferenciando-se apenas pela inclinação invertida das fissuras, como mostra

o detalhe na figura 4.7 (viga VC-10).

Figura 4.5 – Mapas de fissuração frontal das vigas bi-engastadas. Figura 4.6 – Mapas de

Figura 4.5 – Mapas de fissuração frontal das vigas bi-engastadas.

– Mapas de fissuração frontal das vigas bi-engastadas. Figura 4.6 – Mapas de fissuração frontal das

Figura 4.6 – Mapas de fissuração frontal das vigas bi-engastadas com CFRP.

de fissuração frontal das vigas bi-engastadas com CFRP. Figura 4.7 – Fotos das vigas antes das
de fissuração frontal das vigas bi-engastadas com CFRP. Figura 4.7 – Fotos das vigas antes das

Figura 4.7 – Fotos das vigas antes das primeiras fissuras.

Figura 4.8 – Detalhes das fissuras nos conjuntos ensaiados. 50
Figura 4.8 – Detalhes das fissuras nos conjuntos ensaiados. 50
Figura 4.8 – Detalhes das fissuras nos conjuntos ensaiados. 50
Figura 4.8 – Detalhes das fissuras nos conjuntos ensaiados. 50
Figura 4.8 – Detalhes das fissuras nos conjuntos ensaiados. 50

Figura 4.8 – Detalhes das fissuras nos conjuntos ensaiados.

4.5 – ANÁLISE DOS CUSTOS DOS REFORÇOS

Ø Reforço com inserção de Estribos

Para efeito de levantamento do custo do reforço com estribos , utilizamos seis metros de aço 5.0 e ¼ de kicadur 32. Estimamos também uma mão-de-obra com encargos no valor de cinquenta reais.

Material = 6m de aço ø 5mm = R$ 5,00 Material = sikadur 32 = R$ 30,00 Mão-de-obra = R$ 50,00 Total = R$ 85,00

Ø Reforço com colagem de Chapas Metálicas Para efeito de levantamento do custo do reforço com chapas metálicas , utilizamos 6 metros de aço 1 x 3/16 e ¼ de kicadur 32. Estimamos também um valor de cinco reais para parafusos e porcas e uma mão-de-obra com encargos no valor de cinquenta reais.

Material = 6m de aço 1 x 3/16 = R$ 18,00 Material = sikadur 32 = R$ 30,00 Material = Porcas e farafusos = R$ 5,00 Mão-de-obra = R$ 50,00 Total = R$ 103,00

Ø Reforço com Compósito de Fibra de Carbono

Para efeito do custo do reforço da fibra de carbono, utilizamos um valor estimado de R$370,00 / m², incluindo material e mão-de-obra. Fornecido pela empresa que representa este material em Belém-pa.

Para uma (1) camada de Reforço Material e Mão-de-obra = R$ 370,00 por m² Material utilizado = 6 faixas com 5 cm de largura por 90 cm de comprimento Material utilizado = 0,27 m² x 370,00 Total = R$ 100,00

Para duas (2) camadas de reforço Material e Mão-de-obra = R$ 370,00 por m²

Material utilizado = 6 faixas com 5 cm de largura por 90 cm de comprimento

Material utilizado = 0,54 m² x 370,00

Total = R$ 203,00

R$ 250.00 R$ 203.00 R$ 200.00 R$ 150.00 R$ 103.00 R$ 100.00 R$ 100.00 R$
R$ 250.00
R$ 203.00
R$ 200.00
R$ 150.00
R$ 103.00
R$ 100.00
R$ 100.00
R$ 85.00
R$ 50.00
R$ -
ESTRIBO
CHAPA
CFRP 1
CFRP 2
METÁLICA
CAMADA
CAMADAS
Custo do Reforço

Tipo do Reforço

Figura 5.9 – Gráfico tipo do reforço x custo.

4.6 – FORÇAS E MODOS DE RUPTURA

As forças últimas (Nu) observadas foram comparadas às estimadas de acordo

com as recomendações da norma brasileira NBR 6118. Os resultados experimentais

mostrados na tabela 5.3 variaram ( das vigas de referencia para as vigas reforçadas,

pois nas de referência as cargas de ruptura foram de aproximadamente 3 e 4 vezes

maiores que as cargas nominais, enquanto que nas vigas reforçadas as cargas de

ruptura foram 64% e 72% menores que as forças estimadas para a ruína por torção

das vigas. Apesar da diferença significativa entre as resistências dos concretos,

observou-se que os reforços impediram a ruína das ligações e de suas ancoragens,

o que aconteceu nos conjuntos sem reforço. Nas vigas reforçadas as ligações foram

preservadas e a ruína por torção aconteceu nas proximidades dos engastes. A

presença do reforço supriu a falta dos estribos retirados das ligações. Comparando

os conjuntos 1 e 3, percebe-se que mesmo sem um estribo na ligação a viga

reforçada apresentou um ganho de resistência de 5%. Todas as vigas ruíram por

torção com esmagamento das diagonais comprimidas de concreto.

Tabela 4.3 – Forças de ruptura dos conjuntos de vigas ensaiados.

       

N t +

Ntorção

Nu

Conjunto

Viga

N torção

N CFRP

N CFRP

Ruptura (Nu)

Nt+NCFRP

(kgf)

(kgf)

(kgf)

(kgf)

(kgf)

1

VREF - C10

1937

----

1937

1950

1,007

2

VC - 10

968,8

----

968,8

1350

1,39

3

VC10 - CFRP

968,8

2552

3520,8

2100

0.60

4

VC20 - CFRP

484,4

1848

2332,4

1300

0.56

A figura 4.9 mostra de forma ilustrativa os resultados entre as cargas de rupturas dos conjuntos ensaiados, enquanto a figura 4.10 faz uma análise comparativa das cargas nominais obtidas em cálculos segundo a norma NBR 6118 e suas respctivas cargas de ruptura.

1

0 400 800 1200 1600 2000 2400
0 400
800
1200 1600 2000 2400

Carga de Ruptura (Kgf)

VC20 - CFRPVC10 - CFRP VC - 10 VREF - C10

VC10 - CFRPVC20 - CFRP VC - 10 VREF - C10

VC - 10VC20 - CFRP VC10 - CFRP VREF - C10

VREF - C10VC20 - CFRP VC10 - CFRP VC - 10

Figura 4.10 – Gráfico das cargas de ruptura.

4000 3600 3200 2800 2400 2000 1600 1200 800 400 0 VREF - VC -
4000
3600
3200
2800
2400
2000
1600
1200
800
400
0
VREF -
VC - 10
VC10 -
VC20 -
C10
CFRP
CFRP
Carga de Torção (Kgf)

Carga Nominal (N)1600 1200 800 400 0 VREF - VC - 10 VC10 - VC20 - C10 CFRP

Carga de Ruptura (Nu)2000 1600 1200 800 400 0 VREF - VC - 10 VC10 - VC20 - C10

Figura 4.11 – Gráfico comparativo das cargas nominais com de ruptura.

5 - CONCLUSÕES

O trabalho apresentou resultados de um estudo teórico e experimental de

vigas solicitadas à torção e reforçadas com compósitos de fibras de carbono. Vale ressaltar que na literatura existem poucos trabalhos publicados sobre reforço à torção com compósitos de fibra de carbono colados externamente. A partir da análise dos resultados teóricos e experimentais podemos concluir que:

O reforço de CFRP à torção e cisalhamneto é eficaz quanto às exigências estruturais.

A viga VC10–CFRP apresentaram carga de ruptura apenas 7% maior que a viga VREF–C10, praticamente a mesma carga, mostraram que o reforço é funcional, no entando não gera um acréscimo expressivo. Será mais apropriado usar uma camada de reforço CFRP para o cisalhamento, enquanto que para torção é mais adequado a utilização de duas camadas. O custo do reforço com CFRP com uma camada de fibra é mais caro 18% que o reforço tradicional com colagem de armadura, e mais barato que o reforço com colagem de chapa metálica. Sem levar em consideração que o sistema compósito de fibra de carbono apresenta maior facilidade de aplicação. Seria mais apropriado se aplicar armaduras de estribos corretamente do que consertar falhas com reforços posteriores.

O tipo de ruína e fissuração foi igual para as quatro vigas, indicando ruptura por torção e não por cisalhamento, o que é confirmado nas cargas nominais calculadas e no comportamento das fissuras. Em face dos deslocamentos apresentados, os conjuntos reforçados com compósitos de fibra de carbono, apresentaram rigidez de aproximadamente o dobro das peças não reforçadas, com ângulos de torção 50% menores que

os observados nas vigas sem reforço.

As vigas reforçadas com CFRP mostram Nos conjuntos reforçados as fissuras apresentaram aberturas menores quando comparadas com as não reforçadas. No entanto as vigas reforçadas mostram maior quantidade de fissuras.

O reforço com CFRP ficou limitado em sua contribuição devido à fragilidade das bielas, onde ocorreu a maioria das ruínas, conforme confirmados nas cargas nominais, as quais ficaram acima das de ruptura. O reforço com CFRP deve ser utilizado, no caso da torção em vigas, quando a resistência da armdura transversal for inferior a das bielas; O dimensionamento de CFRP à torção apresenta pouca literatura a respeito e ainda nada normatizado em normas brasileiras, o que no futuro precisa ser revisto, segundo critérios normativos. Em pesquisas futuras recomenda-se proceder o reforço com apenas 1 camada de fibra de carbono, na quantidade dos estribos retirados, o que diante dos cálculos apresentados, devem apresentar uma relação custo x beneficio mais vantajosa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto. Rio de Janeiro, 2003.

MACHADO, A. P. Fibras de Carbono. Manual prático de dimensionamento - Belo Horizonte, 2006.

BOTELHO, C. H. M., MARCHETTI. Concreto armado eu te amo. VolumeI e II – São Paulo, 2002.

LIMA, Juliana Soares ; GUARDA, Mônica Cristina Cardoso da ; PINHEIRO, L. Análise de torção em vigas de acordo com a nova NBR 6118. In: Congresso Brasileiro do Concreto, 42, 2000, Fortaleza, 2000.

HELENE, Paulo; Manual de reparo, proteção e reforço de estruturas de concreto. São Paulo, 2003.

SÜSSEKIND, J. C. Curso de Concreto, volume II. Editora Globo. Rio de Janeiro,

1984.

SOUZA, V.; RIPPER. Patologias das estruturas. Editora Pini. São Paulo, 1998.

JULIANAG.V.B.;et.al. Universidade do Vale do Paraíba – TCC, Fissuras em elementos de concreto armado, Características causas e recuperações. São Paulo, 2002.

PINHEIRO Libânio M., MUZARDO Cassiane D., SANTOS Sandro P. Cisalhamneto em vigas. USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas, 2003.

SÁNCHEZ FILHO, E. S., SILVA FILHO, J. J. H., VELASCO, M. S. L. Dimensionamento do reforço à torção de vigas retangulares e em caixão de concreto armado com compósitos de fibra de carbono. Revista Internacional de Desastres Naturales, Accidentes e Infraestructura Civil, v. 6, p. 59-70, 2006.

BARRERA, Hugo; HELENE, Paulo; PEREIRA, Fernanda; MORENO, Nicolas. Manual de reabilitação de estruturas de concreto. Reparo, reforço e proteção. Red rehabilitar. Capítulo 8. São Paulo, 2003

Anexo

DIMENSIONAMENTO ANALÍTICO DIMENSIONAMENTO AO CISALHAMENTO Dimensionamento ao cisalhamento das vigas sem reforço

Dimensionamento do conjunto de viga VREF- C10

Dados: A90 = 0,4cm² ; s = 10cm

; b = 10cm ; d = 27cm ; Vc = 0 ; α = 90°

fys = 6000 kgf / cm² ; Fck = 44MPa

αv2 = (1- fck / 250)

αv2 = (1- 44 / 250)

αv2 = 0,82

fcd = fck

fcd = 440 kgf / cm²

v Parcela de resistência ao cisalhamento resistida pelas bielas do concreto do

elemento estrutural.

VRd2 = 0,27 . αv2 . fcd . bw . d

VRd2 = 0,27 . 0,82 . 440 . 10 . 27

VRd2 = 26.302,32 kgf

v Parcela de resitência ao cisalhamneto resistida pelos estribos normais ao

eixo do elemento estrutural.

VRd3 = Vc + Vsw

VRd3 = Vsw

Vsw =

Vsw =

Asw

s

0,9 d f

ywd

0,4

10

0,9 27 6000

(sena + cosa )

sen

90

+

cos90

Vsw = 5.832 kgf

Dimensionamento do conjunto de viga VC-10

Dados: A90 = 0,4cm² ; s = 20cm

; b = 10cm ; d = 27cm ; Vc = 0 ; α = 90°

fys = 6000 kgf / cm² ; Fck = 22,8MPa

αv2 = (1- fck / 250)

αv2 = (1- 22,8 / 250)

αv2 = 0,91

fcd = fck

fcd = 228 kgf / cm²

v Parcela de resistência ao cisalhamento resistida pelas bielas do concreto do

elemento estrutural.

VRd2 = 0,27 . αv2 . fcd . bw . d

VRd2 = 0,27 . 0,91 . 228 .10 . 27

VRd2 = 15.125,29 kgf

v Parcela de resitência ao cisalhamneto resistida pelos estribos normais ao

eixo do elemento estrutural.

VRd3 = Vc + Vsw

VRd3 = Vsw

Vsw =

Vsw =

Asw

s

0,9 d f

ywd

0,4

20

0,9 27 6000

(sena + cosa )

sen

90

+

cos90

Vsw = 2.916 kgf

Dimensionamento do conjunto de viga VC10 - CFRP

Dados: A90 = 0,4cm² ; s = 20cm

; b = 10cm ; d = 27cm ; Vc = 0 ; α = 90°

fys = 6000 kgf / cm² ; Fck = 44MPa

αv2 = (1- fck / 250)

αv2 = (1- 44 / 250)

αv2 = 0,82

fcd = fck

fcd = 440 kgf

v Parcela de resistência ao cisalhamento resistida pelas bielas do concreto do

elemento estrutural.

VRd2 = 0,27 . αv2 . fcd . bw . d

VRd2 = 0,27 . 0,82 . 440 . 10 . 27

VRd2 = 26.302,32 kgf

v Parcela de resitência ao cisalhamneto resistida pelos estribos normais ao

eixo do elemento estrutural.

VRd3 = Vc + Vsw

VRd3 = Vsw

Vsw =

Vsw =

Asw

s

0,9 d f

ywd

0,4

20

0,9 27 6000

(sena + cosa )

sen

90

+

cos90

Vsw = 2.916 kgf

Dimensionamento do conjunto de viga VC20 - CFRP

Dados: A90 = 0,4cm² ; s = 40cm

; b = 10cm ; d = 27cm ; Vc = 0 ; α = 90°

fys= 6000 kgf / cm² ; Fck = 22,8MPa

αv2 = (1- fck / 250)

αv2 = (1- 22,8 / 250)

αv2 = 0,91

fcd = fck

fcd = 228 kgf / cm²

v Parcela de resistência ao cisalhamento resistida pelas bielas do concreto do

elemento estrutural.

VRd2 = 0,27 . αv2 . fcd . bw . d

VRd2 = 0,27 . 0,91 . 162,8 . 10 . 27

VRd2 = 15.125,29 kgf

v Parcela de resitência ao cisalhamneto resistida pelos estribos normais ao

eixo do elemento estrutural.

VRd3 = Vc + Vsw

VRd3 = Vsw

Vsw =

Asw

s

0,9 d f

ywd

(sena + cosa )

Vsw =

0,4

40

0,9 27 6000

sen

90

+

cos90

Vsw = 1.458 kgf

Dimensionamento ao cisalhamento do reforço CFRP

Ø Para uma camada de fibra de carbono ( Fck = 22,8 MPa)

L

o

L

e

k

1

2500 = fi 55 mm ( ) 0,58 t E f f 1 1 =
2500
=
55 mm
(
)
0,58
t
E
f
f
1
1
=
Lo
\
55
55 mm
n
1
2
2
Ê fcd ˆ
˜
3
Ê 22,8 ˆ
3
= Á
\
Á
˜
0,893
Ë
27
¯
Ë 27
¯

d

f

= 30

cm

d

fe

=

d

f

-

Le

\ 30

k 2 =

d

fe

\

24,5

d

f

30

- 5,5 24,5

0,817

cm

R =

k

1

k

2

L

e

11900 e

fu

\

0,893 0,817 55

11900 0,017

0,198

f

f =

R 35000

\

0,198 35000

6930 kgf / cm

2

Substituindo a equação 2.15 na equação 2.14 tem-se:

V

f

=

2

n

t

f

w

f

f

f

d

f

s f

\

2

1

0,0165

5 6930

30

15

a equação 2.15 na equação 2.14 tem-se: V f = 2 n t f w f

2.286,90 kgf

Ø Para uma camada de fibra de carbono (Fck = 44 MPa)

2500 = fi 55 mm L o ( ) 0,58 t E f f 1
2500
=
55 mm
L o
(
)
0,58
t
E
f
f
1
1
=
Lo
\
55
55
mm
L e
n
1
2 2
3
k
Ê fcd ˆ
˜
3 Ê 44 ˆ
\
Á
˜
1,385
1 = Á
Ë
27
¯ Ë
27
¯
d
= 30
cm
f
d
=
d
-
Le
\ 30
- 5,5 fi 24,5
cm
fe
f
d
24,5
fe
\
0,817
k 2 =
d
30
f
k
k
L
1,385 0,817 55
1
2
e
R =
\
fi 0,308
11900 e
11900 0,017
fu
f
R 35000
\
0,308 35000
10.780 kgf / cm
f =

2

Substituindo a equação 2.15 na equação 2.14 tem-se:

V

f

=

2

n

t

f

w

f

f

f

d

f

s f

\

2

1

0,0165

5 10780

30

15

3.557,40 kgf
3.557,40 kgf
a equação 2.15 na equação 2.14 tem-se: V f = 2 n t f w f

Ø Para duas camadas de fibra de carbono (Fck = 22,8 MPa)

2500 L = fi 55 mm o ( ) 0,58 t E f f 1
2500
L
=
55 mm
o
(
)
0,58
t
E
f
f
1
1
=
Lo
\
55
38,9
mm
L e
n
2
2 2
Ê fcd ˆ
˜
3
Ê 22,8 ˆ
3
k
\
Á
˜
0,893
1 = Á
Ë 27
¯
Ë 27
¯
d
f = 30
cm
d
= d
-
Le
\ 30 - 3,89 fi
26 ,11
cm
fe
f
d
26,11
fe
\
0,870
k 2 =
d
f 30
k
k
L
0,893 0,870 38,9
1
2
e
R =
\
fi 0,149
11900 e
11900 0,017
fu
2
f f =
R 35000
\
0,149 35000
5215 kgf / cm
2
n
t
w
f
d
2
2 0,0165
5 5215
30
f
f
f
V
= f
\
f
15
s f

3.441,90 kgf
3.441,90 kgf
35000 fi 5215 kgf / cm 2 n t w f d 2 2 0,0165 5

Ø Para duas camadas de fibra de carbono (Fck = 44 MPa)

2500 L = fi 55 mm o ( ) 0,58 t E f f 1
2500
L
=
55 mm
o
(
)
0,58
t
E
f
f
1
1
=
Lo
\
55
38,9
mm
L e
2
2 2
Ê fcd ˆ
˜
3
3
k
\
Ê Á 44 ˆ ˜
1,385
1 = Á
Ë 27
¯
Ë 27
¯
d
f = 30
cm
d
= d
-
Le
\ 30 - 3,89 fi
26 ,11
cm
fe
f
d
26,11
fe
\
0,870
k 2 =
d
f 30
k
k
L
1,385 0,870 38,9
1
2
e
R =
\
fi 0,232
11900 e
11900 0,017
fu
2
f f =
R 35000
\
0,232 35000
8120 kgf / cm
2
n
t
w
f
d
2
2 0,0165
5 8120
30
f
f
f
V
= f
\
f
15
s f

5.359,20 kgf
5.359,20 kgf
35000 fi 8120 kgf / cm 2 n t w f d 2 2 0,0165 5

Dimensionamento adequado do CFRP quanto ao esforço cortante.

Vd fibra = Vd VREF – Vd VC10

Vd fibra = 5070,92 – 2535 2535,92 kgf

Ø Com uma (01) camada

Fck = 22,8 MPa

2

n

t

f

w

f

f

f

d

f

\

 

V

f

2

n

t

f

w

f

f

f

d

f

\

 

V

f

 

2

n

t

f

w

f

f

d

f

\

=

f

V

f

S

f

=

Fck = 25 MPa

S

f

=

Fck = 44 MPa

S

f

 

2

1 0,0165

5 6930

30

 

2535

 

2

1

0,0165

5 7385

30

 

2

2535

1 0,0165

5 10780

30

2535

S

S

S

Ø Com duas (02) camadas

Fck = 22,8 MPa

f

=

2

n t

f

w

f

f

f

d

f

V

f

\

Fck = 25 MPa

f

=

2

n t

f

w

f

f

f

d

f

V

f

\

Fck = 44 MPa

f

=

2