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MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL EM MATO GROSSO Rua Estevão de Mendonça, 830, Quilombo,

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL EM MATO GROSSO

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR RELATOR DO EGRÉGIO TRIBUNAL

REGIONAL ELEITORAL DO ESTADO DE MATO GROSSO

Autos nº 507-58.2014.611.0000

(Registro de Candidatura)

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pelo Procurador Regional Eleitoral

signatário, no exercício de suas atribuições constitucionais e legais, vem ajuizar a

presente AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE REGISTRO DE CANDIDATURA em face de ALTIR

ANTONIO PERUZZO, pelos motivos de fato e de direito que passa a expor.

1) DOS FUNDAMENTOS FÁTICOS E JURÍDICOS

A Coligação requerente protocolou pedido de registro de seus

candidatos. Analisando os autos, constatou-se que o candidato ora impugnado é

inelegível, nos termos do art. 14, §§ 4º, 9º e 10º da Constituição da República e da Lei

Complementar nº 64/90, vez que incidente na hipótese de inelegibilidade prevista no

art. 1º, I, g, da LC 64/90, qual seja, rejeição de contas, por irregularidade insanável que

configure ato doloso de improbidade administrativa e por decisão irrecorrível do órgão

competente.

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Com efeito, consoante documentação em anexo, observa-se que o candidato ora impugnado teve as contas rejeitadas por decisão irrecorrível da Câmara Municipal de Juína.

Por conseguinte, as contas rejeitadas referem-se às contas anuais de governo no exercício de 2012, quando o candidato ocupava o cargo de Prefeito de Juína.

Cabe mencionar que as contas foram analisadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso no processo nº 10.289/2013, ocasião em que foi emitido parecer prévio contrário à aprovação.

Dentre as diversas irregularidades constatadas pela equipe técnica do TCE, importa ressaltar a de maior gravidade, consistente na contração de obrigação de despesa nos últimos dois quadrimestres do mandato, sem que houvesse disponibilidade financeira, em clara ofensa ao art. 42, da Lei Complementar nº 101/2000. Por oportuno, transcreve-se trecho do relatório técnico, em que analisa a conduta do candidato ora impugnado:

ALTIR ANTONIO PERUZZO - ORDENADOR DE DESPESAS / Período:

01/01/2012 a 31/12/2012 1) DA01 GESTÃO FISCAL/FINANCEIRA_GRAVÍSSIMA_01. Contração de obrigação de despesa nos dois últimos quadrimestres do mandato sem que haja disponibilidade financeira (art. 42, caput, e parágrafo único da Lei Complementar nº 101/2000 LRF). 1.1) Nos últimos dois quadrimestres do ano, foram contraídas despesas sem reserva financeira suficiente para seu pagamento. - 7. OUTROS ASPECTOS RELEVANTES ( )”

“(

)

O comando do art. 42 deseja impor limite à geração de despesa nos últimos oito meses do mandato, que fosse condicionada à capacidade financeira de sua absorção. De forma simples, pode-se afirmar que nos últimos oito meses do mandato,

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a despesa, considerando o regime de competência, ficaria limitada à realização da

receita, respeitado o regime de caixa.

Assim, a irregularidade estampada em comento é de natureza

gravíssima, não sendo demais lembrar que é tipificada como crime pelo Código Penal

Brasileiro, no art. 359-C.

Desse modo, verifica-se que a rejeição de contas em análise decorreu

em razão de “irregularidade insanável” e que configura ato doloso de improbidade

administrativa, o que leva à inelegibilidade do candidato ALTIR ANTONIO PERUZZO.

Considerando que a data do julgamento que rejeitou as contas foi

31/03/2014, o candidato deverá permanecer inelegível por 08 (oito) anos, a contar

desta data (ou seja, até 2020).

2) DOS PEDIDOS

Diante de todo o exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, por

intermédio da PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL requer seja recebida a presente,

determinando-se a notificação do Impugnado para apresentar defesa e, ao final seja

julgada procedente a impugnação, INDEFERINDO-SE o pedido de registro de

candidatura em apreço.

Pugna pela produção de todas as provas admitidas em direito.

Cuiabá, 11 de julho de 2014.

DOUGLAS GUILHERME FERNANDES Procurador Regional Eleitoral