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Jardim das Folhas Sagradas

Trailer do Jardim Entrevista com Lia Mara


   

  Em homenagem ao
Dia Internacional da Mulher, veja
entrevista com a fonoaudióloga,  
jornalista, e atriz Lia Mara, que faz
  uma participação muito especial em
 
Jardim das Folhas Sagradas. Mais...
 
 

   
   
Jardim das Folhas Sagradas está Veja entrevista (vídeo) com o antropólogo
    em fase de finalização. O filme Raul Lody, roteirista do vídeo Axé do    
fica pronto em março e a Acarajé e consultor do filme Jardim das  
    previsão de lançamento é Folhas Sagradas.
para o segundo semestre de
    2009.
   
   
 
   
 
 
  Veja entrevista com
o diretor Pola Ribeiro  
 
 

    Este ano comemora-se o bi-centenário  


de Charles Darwin, que esteve na Bahia
duas vezes, em 1832 e 1836, durante
 
uma expedição ao redor do mundo no
Pola faz um balanço do processo
navio inglês HMS Beagle. Mais...
de realização do filme e fala sobre  
a estratégia de divulgação
montada para o seu primeiro
 
longa-metragem. Mais...

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Jardim das Folhas Sagradas

 
 

 
 

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

 
"Osonyin alawo wa, sawure pipé Orisa ewé.
Osonyin alawo wa, sawure pipé Orisa ewé"  
("Ossain é nosso sacerdote, faça-nos o encanto
Que nos traga boa sorte em sua totalidade,
Ó orixá das folhas")
 
Sinopse

Uma inovadora e consistente visão das relações a um só tempo comuns e


complementares entre o movimento ecológico e o candomblé.
Ambientado no contexto de tenso desenvolvimento urbano da mais negra cidade do
Brasil, o documentário revela as dificuldades da religião afro-brasileira em enfrentar    
a dinâmica de uma sociedade de mercado, e se desenvolver no tecido problemático
 
da vida urbana contemporânea, que inflete violentamente sobre os espaços verdes,
sagrados para os adeptos do culto.

Os ambientalistas baianos toparam com uma visão de mundo onde a natureza é    


fundamental ('sem folha não há orixá') e, em conseqüência, viram que nenhum  
discurso sobre a questão ambiental na Bahia pode passar ao largo do candomblé.
Sacerdotes e militantes se fortalecem com esse encontro. Os terreiros percebem de
imediato que a questão ecológica também pertence a eles. E essa aproximação de  
uma visão ancestral da natureza, confere originalidade e uma outra consistência ao
discurso e à prática ambientalistas na Bahia.  
 
"O que não se registra, o vento leva" (Mãe Stella)  
 
 
Abordagem

"Nas sociedades africanas pré-colonias, de uma maneira geral, não existe distinção
 
entre sociedade e natureza. Tudo está untado, melado, sujo, emporcalhado do
sagrado, tudo é natureza. Não há distinção. Até na organização social, na qual o  
poder político se confunde com o poder emanado do universo sagrado." (Julio
Braga)
 
O segredo é um preceito sagrado nos cultos afro-brasileiros, estando associado aos
ritos iniciáticos que vão, aos poucos, revelando para os adeptos desse sistema de
 
crenças, a cosmogonia do candomblé.
Não abordar o segredo e, ao mesmo tempo, não sonegar a informação. Esse é o
desafio! Sempre tendo o cuidado para não revelar os fundamentos secretos do  

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candomblé, reservados apenas aos iniciados, um dos mais originais aspectos dessa  
religião.

O documentário deve circular entre detalhes do cotidiano e princípios essenciais. A


 
compreensão do mundo em que vivemos. O exercício da tolerância e do
entendimento do outro. Solidariedade e comprometimento. Futuro da comunidade e  
da religião.A consideração ética em relação a tudo isso tem papel decisivo na
construção da linguagem e é vital do ponto de vista da própria estrutura da
narrativa.  
 
A linguagem do documentário tem como uma das linhas estruturais a utilização da
própria forma de expressão e transmissão do candomblé, via orikis (poemas), que
mesmo recriados em português mantém características como: frases curtas e
cadenciadas, ritmo de acordo coma respiração e o elemento melódico da tonalidade,
que segundo Verger é a forma como o conhecimento é transmitido na África.

Permeando toda a narrativa, como eixo estrutural, a história de Lívia Ferreira, mãe-
de-santo em formação, que aos vinte e dois anos, faixa preta de karatê (2º Dan),
encontra-se no processo de assumir sua casa, sua roça, seu axé. Motivo de "fuxico"
para o público interno (também uma forma de aprendizado) e verdadeira
preciosidade para o público fora do culto, que vai se confrontar com a motivação,
com a ação pré-instalação de uma casa-de-santo. Um terreiro de Iansã, com a
representação de todos os orixás. Ilê Axé!

Uma biografia se fazendo, buscando uma abordagem sensível e verdadeira,


diferenciada mesmo, do tratamento do resto do filme. Enquanto segue os passos de
Lívia na formação da sua casa, a câmera respeita o tempo, o segredo, a emoção, e
pontua o que é acessível. A história de Lívia, suas lutas, seus desafios. Sacrifícios da
liberdade individual, o peso da solidão, a obediência ao seu destino.

Tratar a trama com seriedade e carinho, pelo amor com que Lívia encara suas
responsabilidades. Ouve e sabe o quanto é grave e severa a não observância dos
preceitos. A necessidade de liderar e impor sua autoridade com intensidade total e
entrega absoluta, ciente do dever de respeitar com rigor e precisão as tradições.
A comunicação de Lívia, o que muda, como age na relação com os seus "filhos". O
candomblé reverencia a ancestralidade, o princípio da senioridade, o ensinamento
dos mais velhos. Lívia é o contraponto. O saber vem no momento de aprender, na
obediência, na hierarquia, no movimento cotidiano em seus mínimos detalhes: o
comportamento nos rituais, as formas de servir, de se trajar, de dançar, de comer...
"Religião é cultura. A religião estática perecerá. Como sinal dos tempos, não é mais
possível a prática da crença Orixá sem reflexões, estudos e entrosamentos.Não
podemos ficar confinados no Axé. A tradição somente oral é difícil. Os Olorixá têm
que se alfabetizar, adquirir instrução, para não passar pelo dissabor de dizer sim à
própria sentença". (Mãe Stella)

Necessário avançar na comunicação, entendendo o limite da transmissão de


conhecimento baseado estritamente na tradição oral - num mundo intermediado,
hoje, pela mídia. Novas formas de preservação do saber, onde a oralidade é
gradativamente substituída por instrumentos cada vez mais sofisticados de
anotações, gravações mecânicas, e até mesmo leitura informatizada.

"A tradição no candomblé é tão dinâmica quanto a noção de mudança. É como se


pudéssemos pensar que alguma coisa fosse capaz de mudar, permanecendo". (Júlio
Braga)

Contrastes, confrontos e diferenças resultantes da dinâmica da cidade pontuam o


roteiro, onde tempos distintos - e espaços diferenciados - convivem ,
complementam-se e se excluem. A vida religiosa, o contexto urbano, o embate
ecológico e a dinâmica social envolvem mundos paralelos suscitando o diálogo, ao
mesmo tempo que a estigmatização e o complexo exercício do convívio com essa
multifacetada e provocante realidade. É esse painel que, levando em consideração a

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Jardim das Folhas Sagradas

tolerância e a convivência como estão postas nos marcos da sociedade local,


permite apresentar as tensões entre os distintos pontos de vista dos diversos
"atores" do mundo moderno, tematizando um cotidiano que escapa completamente
à leitura exotizante e empobrecedora que folcloriza, hoje, a cultura baiana.
 

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Parceiros
 
- Brisa Restaurante

- CEAO - Centro de Estudos Afro-Orientais - UFBa

- Infosol

- Jorge Portugal

- Programa Aprovado!
   
- Kofre
 
- Lava Max Lavanderia Industrial

- LM Transportes    
 
- Lazzo Matumbi

- Physio Pilates  
- Restaurante Nirá
 

-Atelier Márcia Ganem


 
-Cha-Cha-Dum-Dum  
-Mina Índia
 
-Didara Design
 
-Goia Lopes

 
 
Cultura Afro-Brasileira

Órgãos Oficiais  

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- Fundação Cultural Palmares

- CEAO - Centro de Estudos Afro-Orientais - UFBa


 
- Boletim CEAO - Grupo de Discussão  

 
Terreiros
 
- Ilê Axé Opô Afonjá

- Ilê Axé Oxumaré

Reportagem Correio da Bahia - 4.jun.2006


- Folhas: Armas sagradas
- Caminhos da cura
- Filha de Iroco
- Rito delicado
- Sem folha não tem vida
- Senhor das folhas

Websites diversos

- Candomblé sem Mistérios

- O Mundo dos Orixás

- Candomblé Ketu Brasil

Ecologia

Órgãos Oficiais

- Ministério do Meio Ambiente

- Agência Nacional de Águas

- Ibama

- SEMARH - Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - Gov. da Bahia

- CRA - Centro de Recursos Ambientais - Gov. da Bahia

Websites diversos

- Grupo Ambientalista da Bahia - Gambá

- Recicláveis

- Recicloteca.org.br

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- Portal do Meio-Ambiente

- Ambiente Ecológico

- Brasil Sustentável

- EcoDebate

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Jardim das Folhas Sagradas

8 março 2009 < anterior índice próxima >

 
Entrevista com Lia Mara
   
Atriz, jornalista, fonoaudióloga, Lia Mara é muito conhecida e querida entre
os artistas baianos, que entregam suas vozes nas competentes mãos dela.
No filme Jardim das Folhas Sagradas fez uma participação pra lá de
especial. Segundo o diretor Pola Ribeiro foi uma participação das mais
importantes. Ela tem o simbólico do personagem. Como ele, Lia quer mudar
o mundo".
Leia a entrevista com Lia Mara sobre o trabalho dela no longa.
 
Como foi feito o convite para sua participação no filme?
   
Pola quando ligou disse que eu ia ler um texto de 2 ou 3 minutos, uma coisa  
pequena, uma coisa "rapidinha".

Mas aí começou um "mergulhinho" na coisa.


   
Eu precisava saber o que levou aquela senhora a dizer o texto e em que contexto.
Pra quê e pra quem. Qual a conseqüência. Quais os antecedentes. Um filho sumir,  
voltar e ela receber bem. Mãe de Santo, ao meu ver tem essa sabedoria, a
sabedoria do perdão. Dar acolhimento. Ela sabe que existe maré vazante e maré
enchente. Ela sabe que filho vem e vai e ela está de braços abertos para receber  
passantes e ficantes.  
Como foi essa aproximação como personagem mesmo, como alguém que
faz  parte do candomblé?
 
É um momento no mundo em que a obediência está sendo questionada. A   
disciplina  é confundida com  intolerância . Eu acho que disciplina é uma forma 
ótima de se ter liberdade de convivência. Existem parâmetros numa  casa de santo.
A hierarquia não é baseada na força, mas na crença.  
   
E por onde começou o processo de preparação para fazer a voz da mãe de
santo?
 
A primeira coisa que vi foi que não era uma narração "rapidinha". Eu tinha que  
assumir um personagem na medida em que assumiria a voz. Tive que envelhecer a
voz. E não é fácil fazer isso. Tive que sentir emoção, o ritmo da fala a inflexão.
Como iria dizer o texto em Iorubá, procurei um professor de Iorubá para aprender
 

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Jardim das Folhas Sagradas

a pulsação do texto. Contei com a ajuda de Mãe Estela, que conversou uma tarde
inteira comigo sobre a propriedade - adequação dos sons e palavras do texto. Eu  
gravei no mesmo local onde a cena do filme foi feita depois. Embaixo de uma
árvore, debaixo de chuvarada. Pensei qual era o significado daquela árvore em
nossa ancestralidade. Falei com o Márcio Meirelles, que fez a preparação do elenco  
do filme. Na horinha de gravar perguntei a Márcio - qual a idade de voz e emoção  
pra eu dizer "você sumiu". "Ele disse, com aquele jeito de menino, pois é, você
mesmo some e quando aparece mãe Estela não fica perguntando, porque você
sumiu". Ele me deu um toque e consegui fazer a cena - adequando a emoção e
 
imagem vocal - a partir daquele toque. Síntese - acolhimento.
 
Além das aulas e da conversa com mãe Estela, teve também o figurino de 
mãe de santo pra fazer a cena.

A segunda pele de um personagem é a roupa. Fui vestida porque para  fazer a voz
tem que construir o personagem, estar inserida dentro do momento de vida dele.
Uma vez  fui gravar  numa emissora e me deram um paletó para fazer personagem
surfista. Me  sentia estranha, dividida. Em cima de um jeito e embaixo de outro.
Me  senti mal como se estivesse mascarada. Eu não queria imitar o surfista, o
propósito era assumir o surfista.

Um outro episódio que aconteceu comigo. Uma  mãe de santo perdeu a voz e me
procurou.  Quando ela entrou estava com a roupa de mãe de santo,  enorme. Eu
não  conseguia sentir a respiração dela com aquela roupa toda. Precisava tratar  a
pessoa, não a mãe de santo. Pedi pra ela vestir roupa de passeio e  não de ritual,
e consegui encontrar a razão da perda de voz. Depois  que encontrei a voz
orgânica, ela recuperou a voz  como pessoa e voltou a se vestir com a roupa do
ritual. Foi muito bonito porque ela recebeu o santo e transitou pela casa com a voz
recuperada.  A  liberdade  de expressão preservadas a partir da essência.

Ao meu ver o ser humano tem sub-personalidades. A vida é um equilíbrio  delas.


Fui procurar meu lado mágico, de mistério, e me vesti como  achava que esse lado
de mistério deveria ser . Me vesti baseada nos rituais que tinha assistido. A gente 
tem distanciamento artístico mas tem que assumir uma verdade humana. Prefiro
acompanhar mente, corpo e fala . O comando é central. A fala é a conseqüência .
O maior órgão da fala é o cérebro, bem administrado. Quando você consegue
equilibrar a zorra toda é a glória.

E é bom ter a parceria de um diretor como Póla, que além de competente é


amoroso. Dá a maior força e doçura ao dirigir um filme. No caso, O Jardim das
Folhas Sagradas.

Folhas Sagradas / Ascom

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

 
 
Ajude a divulgar o filme Jardim das Folhas Sagradas. Utilize os banners em sites,  
blogs. Em breve teremos outras peças de divulgação.

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Jardim das Folhas Sagradas

 
 

 
 

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Jardim das Folhas Sagradas

novembro 2008 < anterior índice próxima >

 
Chegou a hora!
   
Prestes a definir a data de lançamento de
Jardim das Folhas Sagradas, o cineasta Pola Ribeiro faz
um balanço do processo de realização do filme,
e fala sobre a estratégia de divulgação montada
para o seu primeiro longa-metragem.

   
 

   
 

 
Quando Jardim das Folhas Sagradas vai chegar às telas?
 

Em 2009. Vamos definir quem será nosso parceiro na distribuição nos próximos dias
e logo teremos uma data. A atividade audiovisual se intensificou, mas o cinema  
brasileiro passa invisível pelas salas. A comunicação é fraca, conservadora. É
 
restritiva, não atinge as pessoas que deveria atingir. Tenho a responsabilidade de
informar e criar nessas pessoas o desejo de ver o filme. Queremos desenvolver uma
estratégia de comunicação para o público que não têm o hábito de ir ao cinema.
 
Então, como primeiro passo, quero tocar estas pessoas. Criar através do site, uma
camada de interesse que vá se expandindo.  

O que o público pode esperar


do filme?
 
 
Jardim é um filme de orçamento médio, mas
feito com cuidado de produção, uma
fotografia linda e coerente com um universo
 

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Jardim das Folhas Sagradas

diferenciado da cidade, mais ligado aos seus


matos do que ao mar. Tem um elenco que  
aos poucos foi se tornando bem conhecido
ao longo dos últimos dois anos. A começar
por João Miguel, e muitas revelações e caras  
novas do Bando de Teatro Olodum. Mas  
também conta com a participação de
veteranos como Sérgio Guedes, Haydil
Linhares, Wilson Mello, Lia Mara, Meran
 
Vargens, Harildo Deda e Antonio Godi, que
faz o personagem principal, Bonfim, e agrega  
Pola e Godi em 2006 uma coisa muito forte.

A história com Godi é um processo longo. Meu desejo de tê-lo como protagonista
vem desde o primeiro momento em que pensei em fazer o filme.
E ele se dôou de maneira extraordinária. Nos permitiu cortar os dreadlocks de seu
cabelo, fez um ritual religioso para isso porque entendeu que esse gesto, de fato,
iria somar muito para a composição do personagem. O que acabou gerando,
inclusive, uma música que o Jorge Papapá fez.

Esperamos mostrar um pouco de Salvador e suas contradições entre o tradicional e


o moderno, o conhecimento espiritual e a tecnologia material, as fronteiras de pele e
os vínculos disso com a espiritualidade. Nesse ponto, acho que vamos trazer alguma
novidade por tratar de assuntos pouco tratados, pelo menos em termos de mídias
como o cinema e a televisão.

As filmagens foram realizadas em


2006. Por que tanto tempo para
finalizar este seu primeiro longa-
metragem?

Fizemos o esforço de rodar duas


longas em quatro meses com a
estrutura muito pequena da Studio
Brasil. Então foi natural que viesse
uma certa ressaca do processo, com
acertos de contas, pagamento de
passivos. Em novembro (de 2006)
acabamos de rodar Jardim e, em
janeiro, eu estava dirigindo o Irdeb
(Instituto de Radiodifusão Educativa
da Bahia). Era uma tarefa nova e
inesperada, em um órgão para o qual
faltava meta, rumo e projeto.

Com isso, passei 2007 sem tocar no filme, apenas decantando e acertando arestas.
Retomamos, em 2008, com o processo de montagem e finalização com esse delay
de 2007. Mas agora o processo caminha normal, fizemos um teste de audiência no
mês de maio, em Brasília, com resultado bem satisfatório. Em seguida, o Estúdio
Base finalizou a mixagem de som, fizemos as correções de cor na Teleimage,
agora, estamos produzindo as computações gráficas e a Cinecolor trabalha no teste
de cópia.

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Jardim das Folhas Sagradas

Do ponto de vista da mise-en-scene, da constituição de uma dramaturgia,


como você lida com a representação das manifestações afro-religiosas?

Trabalhamos com humildade e deferência com o desconhecido. Meu pai falava:


enquanto você constrói a casa, é a casa que está fazendo você. Isso quer dizer que
o projeto foi sempre se alterando. Sei que identifico, desde o início, uma área de
interesse onde claramente há limites. É preciso saber relacionar-se com o segredo.
Tenho a consciência de que sou alguém de fora fazendo o filme. Cada vez que eu
conhecia um pouco mais de uma coisa, percebia que meu desconhecimento era
ainda maior – fosse no roteiro, na ocupação dos espaços para levantar o set, na
manipulação dos objetos sagrados, no acesso aos terreiros de diferentes vertentes.
Tivemos a missão de congregar, de pedir permissão para as pessoas trabalharem.
Sem falar no privilégio de ter colaboradores como Júlio Braga, Raul Lody e diversos
técnicos e atores que carregavam elementos, histórias, gestos.

A pesquisa não parou quando fomos para o set, o filme foi se enriquecendo de
informações. Não foi à toa que partimos para a produção de um documentário
sobre o assunto, interprogramas de TV e acumulamos 100 horas de making of.
Esperamos passar a dignidade que se estabelece nessa relação. Pedimos agô o
tempo inteiro e está chegando a hora de devolver ao público imagens que são a
comunicação deste conhecimento.

Harildo Deda

Agora, com o filme quase pronto, você pode avaliar se o enredo mudou
muito em relação ao argumento inicial?

O enredo cresceu muito antes da filmagem. A criação do roteiro foi um processo de


escuta. Vários dos diálogos são falas quase que literais dos cidadãos das ruas ou
colhidas em terreiros, palestras, entrevistas. Então o roteiro engordou muito e foi
para umas quatro horas. Houve o encantamento com a escrita. Depois o roteiro foi
enxugado com a consultoria de Orlando Senna, que ajudou a mim e ao roteirista
Henrique Andrade a encontrar um foco mais preciso. A partir daí não se alterou
muito, já sabíamos qual era a intenção. Algumas seqüências mudaram de posição
do primeiro para o segundo corte. Mexemos no quebra-cabeça, na estrutura, mas
não no conceito. E, no saldo geral, apenas uma seqüência ficou de fora.

João Miguel estourou com vários filmes e prêmios, o elenco do Olodum via
Ó Pai Ó estreou com sucesso nos cinemas e emplacou um seriado na
Globo. Você considera bom ou ruim o fato de o elenco ter adquirido
visibilidade ao longo desses dois anos?

Como o ator principal, embora veterano no meio teatral, é um rosto novo na tela,
considero essa visibilidade importante. Engrandece, é bacana, não chega a ser um
excesso. E o ator principal está resguardado. Rostos conhecidos aproximam, não
criam distância. E, no filme, eu diria que cada personagem se sobrepôs ao ator.
Aproveito para lembrar também da visibilidade das estrelas da música que estão
atuando no elenco de Jardim – Mariene de Castro, Virgínia Rodrigues, Lazzo.

A disponibilidade dos atores e demais participantes do elenco me deixa comovido.


O elenco ESTÁ no filme, seja na frente ou atrás das câmeras. Os movimentos

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Jardim das Folhas Sagradas

organizados ligados ao tema reagiram com uma aceitação bem bacana. Simulamos
um 20 de Novembro na Ladeira do Curuzu, reduto do Ilê, e reunimos grupos que
tradicionalmente se opõem dentro do movimento negro. Eram duas mil pessoas
caminhando, integrantes de vários blocos carnavalescos, como Olodum e Os
Negões, de grupos como o MNU (Movimento Negro Unificado) e Unegro. Isso deu
solidez ao projeto. Foi aí que percebi que estávamos fazendo um filme maior que a
gente.

 
Como vai conciliar o cargo de diretor do Irdeb com a tarefa de divulgar
Jardim das Folhas Sagradas?

Como conciliei em 2008. Estou trafegando em espaços muito próximos, então


tenho que ter cuidado. Mas sem boicotar o filme. Minha empresa está finalizando o
processo e vamos manter nossas parcerias, mostrar o filme a possíveis novos
parceiros. Quero comprovar na prática com Jardim o que prego como gestor
público do audiovisual. O mercado é duro, temos que utilizar ao máximo os meios
disponíveis. A política pública, o apoio da ABD (Associação Brasileira de
Documentaristas), do Conselho Nacional de Cineclubes. Queremos potencializar o
apoio dessa associações, que, afinal de contas, estão em todos os estados do país,
e trabalhar também com a Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas,
Educativas e Culturais), a Arpub (Associação das Rádios Públicas) e a Ancine.

É um momento de grande exposição, mas cinema, por outro lado, envolve muita
gente mesmo e também recursos públicos. Queremos implementar maneiras de dar
esse retorno à sociedade, criar a oportunidade de o público ver o filme.

Jardim das Folhas Sagradas / Ascom

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Jardim das Folhas Sagradas

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

jan 2009 < anterior índice próxima >

 
Axé do Acarajé
   

   
 

   
 

 
 

 
 
Axé do Acarajé documenta o registro do ofício das baianas de acarajé como bem
cultural imaterial do Brasil. O documentário mostra o mito, as crenças, a
importância econômica para a Bahia da "bola de fogo" - significado da palavra  
"acarajé" em Iorubá. O acarajé chegou ao Brasil através dos escravos africanos.  
É um alimento sagrado, oferecido a Iansã, que se popularizou nas ruas de
Salvador. 
 
O vídeo, dirigido por Pola Ribeiro, foi uma encomenda da Fundação Palmares.
O antropólogo Raul Lody, roteirista do vídeo, participou depois do processo de
 
filmagem de Jardim das Folhas Sagradas. Segundo Pola,a realização de Axé do
Acarajé propiciou investir e desenvolver a pesquisa do longa e contribuiu para
construir o universo do filme.  

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_023.htm[27/04/2009 19:55:24]
Jardim das Folhas Sagradas

 
 

 
 

Lançamento de Axé do Acarajé, no Dia da Baiana, 25 de novembro,


no Senac Pelourinho.

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_023.htm[27/04/2009 19:55:24]
Jardim das Folhas Sagradas

02 mar 09 - Entrevista com Lia Mara

23 jan 09 - Axé do Acarajé

20 nov 08 - O trailer do Jardim  


11 nov 08 - Entrevista com Pola Ribeiro. Chegou a hora!

06 mai 08 - Montando o Jardim

04 dez 07 - Romenildo

11 nov 06 - Entrevista com Pola Ribeiro

08 set 06 - Um Dia no Bom Juá    


22 ago 06 - Sérgio Guedes e Jairo Uidá não são a mesma pessoa?  
Bem que poderiam.
20 ago 06 -Quatro Semanas de Filmagens
   
26 jul 06 - Érico Brás: "Ser negro não é moda"  
25 jul 06 - Curuzu de olho no cinema
 
24 jul 06 - Evelin, Ângela e a câmera 'olho'
 
18 jul 06 - Entrevista com o ator Antonio Godi

03 jul 06 - Caminhada da Liberdade


 
03 jul 06 - Entrevista com o ator João Miguel  
20 jun 06 - Dia do Cinema comemorado na Câmara de Vereadores

17 jun 06 - Palestra do antropólogo Cláudio Pereira  


16 jun 06 - Cinema, candomblé e folhas
 

02 jun 06 - Entrevista com Pola Ribeiro


 
25 mai 06 - Encontro de gerações marca escalação do elenco
 

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/noticias.htm[27/04/2009 19:55:26]
Jardim das Folhas Sagradas

 
 

 
 

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

6 maio 2008 < anterior índice próxima >

 
Montando Jardim
   
Responsável pela montagem, Marcos Póvoas virou noites e noites diante do
Final Cut, mas está satisfeito com o resultado do primeiro corte do filme
 
Depois de algum tempo de recesso, a boa-nova: o primeiro corte de Jardim das
Folhas Sagradas está pronto e será exibido nesta terça-feira (6/5), durante um
teste de audiência, em Brasília, organizado pela Asacine Produções e pelo Espaço
Caixa Cultural. O processo de montagem pegou embalo no final de fevereiro e
consumiu mais de dois meses de trabalho de Marcos Póvoas. Montador de curtas
conhecidos do circuito baiano (Cega Seca, Vermelho Rubro do Céu da Boca), Póvoas
marca sua estréia em longas refazendo, diante da moviola, a saga do personagem
   
Bonfim. Na verdade, como praticamente qualquer filme hoje em dia, Jardim das  
Folhas Sagradas foi montado em um Final Cut básico, a partir do material
telecinado em baixa resolução pela TeleImage.
   
 

 
 

 
 

 
 

 
 

Antônio Godi e Harildo Deda em Jardim das Folhas Sagradas  

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_020.htm[27/04/2009 19:55:29]
Jardim das Folhas Sagradas

   
Foram semanas e semanas seguidas de dedicação exclusiva, muitas vezes entrando
pela madrugada, conforme o relato de um aliviado Marcos Póvoas, ou simplesmente
 
Kiko, para os mais chegados. Ele conta que recebeu uma única instrução do diretor
Pola Ribeiro, seguir o roteiro. “Isso significa que trabalhei tendo como base uma  
adaptação do roteiro a partir do que foi filmado (já que todo roteiro, como se sabe,
é apenas um ponto de partida para o que, de fato, será filmado)”, diz o montador.
 
“Outra coisa que resolvemos, logo no início, foi nunca voltar. Só dei um play geral
quando cheguei na última seqüência”. Por que, Kiko? “Porque precisávamos ter  
uma noção do todo, e devo dizer que o resultado teve um efeito, um impacto, que
achei bem curioso. No curta, rapidinho você chega nessa fase, então para mim foi
um exercício.” E quais as seqüências mais complicadas? “De um modo geral,
todas”, despista Póvoas, tentando esconder o jogo.

Filmagem da caminhada do 20 de novembro no Curuzu

Mas, ante a insistência, ele abre um pouco: “as mais complicadas foram as cenas
quase documentais que fizemos da caminhada do 20 de novembro no Curuzu, às
vezes eu levava horas para selecionar dez segundos de imagem.” Agora, Eduardo
Airosa, à frente do Estúdio Base, e o músico Pedro Augusto Dias, vão encarar cada
um a sua missão. O primeiro, a edição de som, e o segundo, a trilha sonora. E o
público vai poder conferir tudo isso a partir de novembro, mês previsto para a
estréia de Jardim das Folhas Sagradas.

JFS, 5/5/2008

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

20 novembro 2008 < anterior índice próxima >

 
O trailer do Jardim
   
Intriga política, romance, magia, mistério e drama.

Bonfim, filho de uma yalorixá, é um negro baiano, casado, funcionário de um banco.


 Aos 40 anos recebe um aviso através dos búzios de que precisa assumir abrir um
terreiro de candomblé. Ele segue seu destino, mas vê sua vida virada pelo avesso.
Enfrenta dificuldades na busca de um lugar próprio para a criação do terreiro na
cidade tomada por prédios e avenidas. Afastado das tradições da religião, questiona
fundamentos como o sacrifîcio, o que lhe traz  graves consequências. O filme mostra
um pouco das contradições de Salvador entre o tradicional e o moderno,  os limites
entre a herança do conhecimento espiritual e o mundo tecnológico. As lições do
candomblé na preservação e convívio com  a natureza. Assista ao trailer.    
   

   
 

 
 

 
 

 
 

 
 

Jardim das Folhas Sagradas está em fase de finalização. O filme fica pronto em
Março e a previsão de lançamento  é para o segundo semestre de 2009.  

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_022.htm[27/04/2009 19:55:31]
Jardim das Folhas Sagradas

   

 
 

 
 

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

nov 2007 < anterior índice próxima >  

 
   

 
   
 
 
   
   
   
 
   
 
   
 
     
    Romenildo Borges (*1959 +2007)  

     
Romenildo,
     
A você, que sempre foi um atleta no set, nossa saudade.
 
   
Com a amizade de sempre,
 
Equipe Jardim das Folhas Sagradas
 

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_017.htm[27/04/2009 19:55:33]
Jardim das Folhas Sagradas

Studio Brasil 2007 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

11 nov 2006 < anterior índice próxima >

 
Entrevista com Pola Ribeiro
   
Nesta entrevista, Pola Ribeiro dá as coordenadas de Jardim das Folhas
Sagradas até o lançamento do filme, em julho de 2007, faz seu balanço
sobre produção, elenco e anuncia Pau Brasil, o próximo longa-metragem de
sua produtora, a Studio Brasil, que começa a ser rodado no dia 14 de
novembro.
 
Como diretor do filme, que avaliação você faria de Jardim das Folhas
Sagradas no estágio atual?

Logo após o final das filmagens, o Antônio Luiz


   
(Mendes, diretor de fotografia) me disse que  
Jardim acabou do mesmo jeito que começou:
com a mesma organização, a mesma
programação, a mesma estrutura. Tomei isso    
como um elogio, porque toda filmagem é
 
sempre um momento de crise, tudo interfere. É
uma atividade muito intensa que precisa
interagir com as outras atividades de uma
 
cidade, até as climáticas. Você tem prazos,
custos a gerir, contratos a serem cumpridos.  
Felizmente passamos por todo esse período
[julho a setembro] com a programação sendo
cumprida.  
O material captado é belíssimo, está acima do  
que queríamos. A sintonia da equipe, a
performance do elenco e as relações com o
movimento negro superaram o planejado, são
Pola Ribeiro  
fruto da sinergia de cada núcleo, de cada
ator... Chegar a uma qualidade de relação a  
que chegamos com a comunidade do Bom Juá
é algo marcante: você pedir silêncio para um
bairro inteiro, e o bairro fazer silêncio.  
   
Quando o filme deverá ser lançado?
O que falta para ficar pronto?  

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_016.htm[27/04/2009 19:55:35]
Jardim das Folhas Sagradas

Vamos lançá-lo em julho de 2007. Daqui para  


frente, nossa opção foi a seguinte: fazer uma
primeira parte de preparação da montagem,
fazer o sinc das imagens com o material  
sonoro na Doc Doma e no Estúdio Base. A  
administração da Studio Brasil e a produção
do filme estão resolvendo as pendências de
produção que ficam para depois do processo
 
de filmagem. Outubro, novembro e dezembro
são meses fundamentais para a captação. É  
quando as empresas fecham o balanço do Jardim das Folhas Sagradas:
ano corrente e aprovam os orçamentos do lançamento em julho de 2007
próximo. Então, todas as nossas forças estão
concentradas nisso, em buscar contato com
empresas para completar os 50% do
orçamento que a carta da Ancine nos permite
captar – o que dá R$ 1,8 milhão.

Agora, me sinto outro, outra pessoa. A gente faz o filme, mas o filme também faz
a gente. Ainda mais numa produção com 60 atores, 1000 figurantes e 80
profissionais na equipe técnica. E é com esse handcap que parto para fazer a
captação do restante dos recursos. Se eu estivesse só montando agora, teria que
passar janeiro e fevereiro em busca de patrocínio.
 
De onde veio a primeira parte dos recursos financeiros?

Os 50% de recursos captados são de três grandes estatais: temos, via concurso
público, a BR Distribuidora e o BNDES e temos, via FazCultura, a Chesf. Portanto
nosso foco é manter diálogo com grandes empresas que, de alguma maneira,
tenham sintonia com o projeto e satisfação em investir.

E, conceitualmente, o que você diria hoje do enredo de Jardim das Folhas


Sagradas?

O filme trata de progresso e tradição, tecnologia e religião. O metrô, por exemplo,


está lá como um símbolo, um marco de desenvolvimento que toda cidade quer. E
Salvador quer. É com muito prazer que vejo o andamento das obras do metrô, que
está no filme e logo vai estar também na cidade. Então ver o metrô na tela
antecipa uma realidade.

 
E os outros projetos de sua produtora?

A Studio Brasil vai filmar a partir de 14 de novembro o longa metragem Pau Brasil,
de Fernando Bélens. É momento de torcermos para que tudo dê certo com essa
produção que está sediada em Cachoeira, cidade que tem no audiovisual uma
vocação histórica, com os seus cenários, grandes filmes realizados e a própria
mobilização de intelectuais, artistas e a própria comunidade local.

Não estamos captando apenas para Jardim, mas também para Pau Brasil. Não
existe Jardim das Folhas Sagradas sem Pau Brasil, os dois têm que caminhar
juntos. São produzidos pela mesma empresa e têm que ser geridos com a mesma
responsabilidade e prazer.
 
Não é o grande desafio envolver-se com
dois longas? Qual a sua relação com Pau
Brasil?

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_016.htm[27/04/2009 19:55:35]
Jardim das Folhas Sagradas

Participo como co-produtor, apenas. Quero


dizer, não posso me envolver esteticamente
com Pau Brasil. Fernando está querendo fazer
esse filme há 18 anos e nós, como amigos,
temos isso. Podemos trabalhar um com o
outro sem interferir, sabendo para onde o
outro quer caminhar.
Somos uma pequena empresa que trouxe outras pequenas empresas, que
continuam a me dar respaldo. Procuramos as grandes também para dar um outro
carimbo. Temos a co-produção da Quanta e da Tele Image para os dois. Com
acordos desse alcance, potencializamos a ação dos dois junto aos patrocinadores.
 
Apesar do tamanho da produção, grande para os padrões locais, e de
algumas seqüências mais sofisticadas, Jardim das Folhas Sagradas não é o
filme de atores?

Completamente. A começar por dois nomes: Antonio Godi, o protagonista, e Marcio


Meirelles como preparador de elenco. Mas também pela presença dos atores
convidados, excelentes profissionais. João Miguel, que está no elenco de Cinema,
Aspirinas e Urubus (do pernambucano Marcelo Gomes), produção brasileira pré-
indicada ao Oscar, com a qual ele ganhou sete prêmios nacionais e internacionais.
Maria Menezes, Evelyn Buchegger, Meran Vargens, Arany Santana, Ray Alves,
Wilson Mello, Harildo Deda, Rita Santana, Sergio Guedes, José Carlos Ngão, Haydil
Linhares, Lucio Tranchesi. Dizer os nomes é uma forma de reconhecer isso e
agradecer a todos eles.

Não posso deixar de agradecer, ainda que coletivamente, ao Bando de Teatro do


Olodum, cada vez com uma performance mais profissional também no audiovisual.
Seja na peça Sonhos de Uma Noite de Verão, ou em Ó Pai Ó, que já virou filme
(dirigido por Monique Gardenberg) e será ainda transformado em seriado pela
Globo, como no próprio Jardim das Folhas Sagradas.

Do mesmo modo, sou imensamente grato aos meus atores musicais, todos
grandes feras: Graça, do Ilê Aiyê, Lazzo, Mariene de Castro, Virgínia Rodrigues e o
Afrogueto.

Folhas Sagradas / Ascom


Fotos: Henrique Andrade

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_016.htm[27/04/2009 19:55:35]
Jardim das Folhas Sagradas

8 setembro 2006 < anterior índice próxima >

 
Um Dia no Bom Juá
   
Escalação de elenco une gerações do teatro baiano

 
Quinta-feira, dezessete de agosto. A
gritaria de Dona Queca (Haydil
Linhares) chamava atenção para a
cena. “Isso é coisa do Diabo”, dizia
ela, bem em frente do portão do Ilê
Axé Opá Ewê. Um grupo de adeptos da
casa apareceu, liderado por Bonfim
(Antônio Godi), que providenciou a    
expulsão da inconveniente senhora,  
também aos berros, da vista de todos.
A gritaria foi então substituída por uma
sincronia de gritos solitários. “O som    
Em ação, dona Queca (Haydil Linhares) foi bom” veio do canto direito do set,
vocifera contra o Ilê Axé Opá Ewê quando Toninho Murici acertou o áudio.
 
Antônio Luiz Mendes soltou um “foi
ótimo!” que deixou sem palavras o
diretor. E sem gritar, com o polegar
 
em riste, Pola Ribeiro deu o sinal para  
equipe: seqüência 81 okay.
 
 
Agora são murmúrios, conversas paralelas. Reunidos em grupos, cada equipe parte
para a preparação do próximo plano, cada qual de acordo com suas especificidades.  
O set transforma-se num formigueiro. Um número de 80 a 160 profissionais, sempre
variando no decorrer da jornada, entre técnicos, atores e figurantes, transita por
todos os lados da locação, que possui 500m2 de área construída, planejada em seus  
mínimos detalhes pelo núcleo de arte. Uma ação, aliás, onde a arte de não  
atrapalhar se faz o supra-sumo da sensibilidade no set cinematográfico.

 
 
 

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_015.htm[27/04/2009 19:55:39]
Jardim das Folhas Sagradas

 
 

 
Uma equipe de 160 pessoas cuidavam de todos os detalhes
no set do Bom Juá  
 
Construído na comunidade do Bom Juá, localizada nas imediações do Posto
Jaqueira, às margens da BR – 324, o Ilê Axé Opá Ewê é o território sagrado de
Bonfim. Na fábula, a tensão dramática que desenlaça a temática do filme põe em
debate conflitos populacionais, e assume a defesa da natureza e da cidade do
Salvador. No plano real, a comunidade do Bom Juá interage com a produção de
Jardim das Folhas Sagradas em seu círculo de vivência. Um contingente de 25
trabalhadores, moradores do local, foi absorvido como mão-de-obra, desde a
construção do cenário, que se estendeu por três semanas, à manutenção e
produção do set. Nessa contagem não está contabilizada a participação de outros
tantos, como figurantes de cena.
 
Cinema é pra homem, menino e
mulher. Todos observam atentos, e
fofocam atentos, sendo
inconscientemente interpelados pela
arte da vez. Cinema é, também, a
arte da espera. Entre um plano e
outro, dada à complexidade da cena,
do cenário e do set, pode-se contar
uma ou duas horas de relógio no
aguardo por uma nova ordem de
ação. Espera para quem observa,
diga-se, para não fazer injustiça com
o platô Macarra Vianna. Tudo passa Haydil Linhares espera a hora de entrar
pelo conhecimento dele, desde a em cena
entrada e saída de veículos da
locação, a organização do espaço,
frequentemente articulada com o 1º
assistente de direção Lula Oliveira. É a
hora da ação nos bastidores. Com a
fluência do trabalho em equipe o
tempo parece voar.

Durante uma jornada de 12h, contando com intervalos previamente ditados, grava-
se em média 3 seqüências do roteiro, escrito por Pola Ribeiro e Henrique Andrade.
Atravessando a quarta semana de filmagem, Jardim das Folhas Sagradas estreita
cada vez mais os laços e o diálogo com Salvador. Chamando a atenção para o
vínculo entre o candomblé e ecologia, o filme pretende se apresentar como uma
ação inclusiva, de provocante reflexão sobre as referências da cidade.

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_015.htm[27/04/2009 19:55:39]
Jardim das Folhas Sagradas

Folhas Sagradas / Ascom

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

16 maio 2006 < anterior índice próxima >

 
Cinema, candomblé e folhas
   
Pubilcado em A Tarde - coluna Opinião

 
Os setores da produção audiovisual na Bahia estão mobilizados diante de uma
constatação que se cristalizou nos últimos meses por meio de prêmios,
orçamentos, cronogramas, montagens de equipe, ensaios: o filme de longa-
metragem volta a protagonizar a cena do cinema baiano.

O Estado vai abrigar, até dezembro de 2006, a realização de seis longas, e vale
destacar que, desse conjunto, quatro projetos são de iniciativa totalmente local –
da criação do argumento à produção executiva.    
Sem ignorar as lacunas, numerosas, de um processo histórico tão complexo como o
 
que caracteriza o nosso cinema, trata-se de panorama dos mais animadores.

O dinheiro a ser injetado nas produções, e que circulará pelos vários níveis da    
cadeia produtiva, supera os R$ 7 milhões.  
Experimento, pessoalmente, a satis fação de ser autor de um dos projetos da
temporada, Jardim das Folhas Sagradas.
 
O filme parte de uma história fictícia para tratar dos vínculos entre o candomblé e
 
a ecologia, uma questão bem real e cuja concretude solicita, a cada dia, uma
postura menos passiva de soteropolitanos e baianos nascidos ou não na terra de
todos os santos.
 
Meu envolvimento com o tema remonta a um documentário que eu faria há 14  
anos e que finalmente sairá junto com o longa-metragem. Durante esse tempo,
colecionei contribuições valiosas – Gustavo Falcon, Antonio Risério, Júlio Braga,
Raul Lody, Luís da Muriçoca, Vivaldo Costa Lima, Leopoldo de Ogum, Valdina Pinto,  
entre muitos outros nomes.
 
Devo reconhecer que hoje tenho outra visão de Salvador. A cidade me parece mais
rica, com capacidade de elaborar uma reação eficiente ao bombardeio midiático
que tende a engessá-la no cartão-postal, pálido, de turismo e praia.  
Ao mesmo tempo, do ponto de vista de sua autorepresentação, não se renega o
 
dilema do novo versus o velho.

Os rasgos de modernidade que prometem uma cidade em sintonia fina com os  

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_004.htm[27/04/2009 19:55:41]
Jardim das Folhas Sagradas

grandes centros internacionais tanto transformam Salvador rapidamente quanto se


 
somam aos fortes vestígios de uma pólis quase medieval, de modo a reinterpretar
o caráter sincrético de nossa expressão em novos patamares.

Devemos permanecer atentos à linguagem das ruas, ao que há de natureza nas  


ruas, às vegetações, e perceber como a feição urbana interage com isso. Hoje, o  
mato para mim não é só uma mancha verde.

Acredito que o candomblé pode trazer fundamentos, resgatar o elo com o passado
em que tudo era natureza e ao mesmo tempo sagrado. Cabe perguntar se essa  
compreensão está presente nos discursos de nossa cidade.  
Neste sentido, o filme Jardim das Folhas Sagradas quer dar visibilidade e colocar
em discussão dilemas da população, preservar cultura e tradição, assumindo um
protagonismo perante a defesa da natureza e da cidade de Salvador no sentido
mais amplo.

Pola Ribeiro

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_004.htm[27/04/2009 19:55:41]
Jardim das Folhas Sagradas

20 jun 2006 < anterior índice próxima >

 
Cineastas querem vereadores na militância

pelo cinema brasileiro  


 
 
O Dia Nacional do Cinema foi celebrado na Câmara Municipal de Salvador em sessão
especial realizada no final da tarde de segunda-feira, 19 de junho, com a presença
de Pola Ribeiro, Solange Lima e Roque Araújo, entre outros cineastas convidados.

A sessão foi uma iniciativa da


vereadora Ariane Carla e deu voz a
gerações distintas do cinema baiano.
   
Os cineastas convocaram o legislativo
municipal a ter uma participação  
efetiva nas políticas públicas que
envolvam o setor audiovisual.
Estudantes dos colégios Manoel    
Novais e Anísio Teixeira prestigiaram o  
evento, que contou com a exibição de
filmes curtos.
 
Pola Ribeiro na Câmara Municipal
de Salvador
 
 
“Parodiando o poeta Castro Alves, digo  
que estamos em plena câmara”,  
brincou Pola Ribeiro no início de sua
fala. “É muito bom lembrar que
filmaremos seis longas na Bahia este  
ano, mas isso tem que deixar de ser
 
efêmero”, afirmou Ribeiro, que roda o
longa-metragem Jardim das Folhas
Sagradas a partir de 13 de julho. “O
nosso público de cinema é muito
 
pequeno. Mas se pouca gente vê ou  
viu nossos filmes, o cinema sempre
esteve atento e viu o Brasil sempre.
Falo da importância de uma arte que  

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_006.htm[27/04/2009 19:55:43]
Jardim das Folhas Sagradas

é industrial e junta todas as outras,


 
teatro, música, artes plásticas.”

 
   
Para o diretor, o momento é mais que oportuno para um conjunto de ações capaz
de favorecer a distribuição e a exibição dos filmes brasileiros. “Essa câmara tem
essa obrigação”, destacou Ribeiro. A necessidade de uma estratégia que atenda
 
outros segmentos da indústria cinematográfica, e não só a produção, foi defendida
também por Solange Lima, presidente da Associação Baiana de Cinema e Vídeo.  
 

“O cinema deve ser pensado


em casas legislativas como
essa todos os dias, se exibir
é o gargalo, que se
encaminhe um projeto de lei
que repercuta na audiência
do filme brasileiro”, afirmou
Solange Lima, também
titular da diretoria de
regionalização do Congresso
Brasileiro de Cinema.

Pola Ribeiro, a vereadora Ariane Carla e a


presidente da ABCV, Solange Lima

 
Os cineastas Alex Souza e Marcio Cavalcante também foram ao púlpito dar o seu
recado, além da coordenadora de projetos culturais da Petrobras Lorena Coelho e
do representante da Emtursa Gustavo Ramiro. “Temos a pretensão de fazer um
festival em Salvador e estamos abertos a sugestões”, prometeu Ramiro.
Durante a sessão especial, o público conferiu ainda os curtas Mera Abulia, de Pola
Ribeiro, e Folhinha Verde, de Marcio Cavalcante, ambos vencedores do Festival
Nacional A Imagem em 5 Minutos.

Folhas Sagradas / Ascom

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

20 agosto 2006 < anterior índice próxima >

 
Quatro semanas de filmagens
   
 
Equipe de Jardim das Folhas Sagradas completa quatro semanas de filmagens
e prepara-se para rodar no recôncavo baiano. Trupe do longa-metragem dirigido por
Pola Ribeiro arma o set em Cachoeira e São Félix nos próximos dias.
Fotos: Henrique Andrade

Filmar as cenas do Ilê


Oxotokanxoxô - terreiro onde
Bonfim (Antonio Godi) e Mãe
Leandra (Lia Mara) protagonizam
uma virada no enredo do filme -    
nas cidades históricas unidas pelo  
Rio Paraguaçu tem um gostinho
especial para o diretor, que volta e
meia aparece por lá, fazendo    
locação, filmando, coordenando
oficinas de audiovisual em parceria
 
com Lu Cachoeira ou para relaxar e
visitar amigos.
 
   

O diretor de fotografia Antônio Luiz


Mendes e o 1º assistente de câmera  
Haroldo Borges em ação nas margens da
 
BR-324, imediações do Posto Jaqueira.

 
 
 

Folhas Sagradas / Ascom  


   

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_013.htm[27/04/2009 19:55:45]
Jardim das Folhas Sagradas

 
 

 
 

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

26 jul 2006 < anterior índice próxima >

 
“Ser negro não é moda”
   
 
Érico Brás começou no teatro atuando no grupo EPA (Evangelização Pela Arte),
sediado no bairro de Fazenda Coutos III, onde morou durante a infância. Desde os 8
anos, o ator acostumou-se a refletir sobre questões políticas e sociais, interpretando
peças de temas delicados e de difícil abordagem. Chegou ao Bando de Teatro
Olodum em 1999 pelas mãos de Márcio Meirelles, preparador de elenco de Jardim
das Folhas Sagradas, para atuar em Cabaré da Raça e permanece até hoje no
plantel do Bando.

Foto: Henrique Andrade


   
Clique na foto para vê- la Aos 10 anos, Érico viu a sombra tradicionalista
em alta resolução  
da Igreja Católica vetar a montagem de Missa
dos Quilombos, assinada pelo grupo EPA.
Passados 16 anos do frustrante episódio, Bará,
seu personagem na trama de Jardim das Folhas    
Sagradas, faz o ator resgatar a reflexão sobre  
a religiosidade. Jornalista, futriqueiro, dinâmico,
moleque, Bará se apega ao arquétipo de Exu
para guiar Bonfim (Antônio Godi) em sua saga  
religiosa.
 
Entre a fábula e o mundo real, Érico, hoje aos
27, atiça a discussão sobre cultura negra no
cotidiano da cidade de Salvador. “É bom ser
 
negro e ator negro”, enfatiza ele, sem  
desconhecer as dificuldades. “Mas isso é
complicado no mercado cultural porque temos
Érico Brás interpreta Bará
de lutar contra um padrão de beleza referencial  
que é europeu, do colonizador.”
Veja perfil do personagem  
 
Jardim das Folhas Sagradas põe em debate aspectos velados e paradoxais das  
relações sociais contemporâneas brasileiras ao trazer à tona o modo de vida de
 
uma negritude que é frequentemente apropriada pela moda pop, no pior sentido da
expressão. Taxativo, Érico resume: “dizer não ao racismo está na moda, mas ser
negro não é moda”.
 

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_012.htm[27/04/2009 19:55:48]
Jardim das Folhas Sagradas

Folhas Sagradas / Ascom


 
 

 
 

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

25 jul 2006 < anterior índice próxima >

 
Curuzu de olho no cinema
 
 
 
Das janelas e marquises, da calçada, de cima dos muros. Pouco a pouco, naquele sábado
de 22 de julho, uma multidão (1.300 pessoas, no cálculo da PM) se formou na ladeira do
Curuzu para ver o início das filmagens do primeiro longa-metragem do cineasta Pola
Ribeiro. Jardim das Folhas Sagradas teve sua tomada inicial em Salvador justo ali, onde
os movimentos dos corpos sonoros do Ilê Aiyê reverberam toda a vibração, e caráter de
resistência, da expressão negra. A magia do cinema lapidava os sorrisos, um a um, em
sintonia harmoniosa com valores e tradições de uma Bahia de alma barroca e suas
contradições com a natureza e sua gente.
   
Fotos: Henrique Andrade
Clique na foto para vê- la em alta resolução Agora quem olha é a câmera. Ela desenha a
 
multidão colorida. O movimento se repete
algumas vezes, várias vezes. Numa
passeata, o Dia da Consciência Negra se    
reconstituía em cena. No nosso 20 de  
novembro, artistas, intelectuais e
personalidades da comunidade
afrodescendente encorpavam ao lado de  
Bonfim (Antônio Godi) o ato em prol do
 
terreiro Ilê Axé Opa Ewe. Entre um plano e
outro, dá pra ver o diretor com as mãos na
A caminhada no Curuzu reuniu cabeça. Calma, Pola! Agora vai. Corre daqui,
cerca de 1.300 pessoas corre dali. Tudo certo. A ansiedade dá lugar
 
à satisfação. A ação conduz olhares pelos  
caminhos do universo de orixás e explana
novo sentido aos espíritos guerreiros da
sétima arte: alegria, alegria!  
   

 
 

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Jardim das Folhas Sagradas

 
Pola Ribeiro (diretor do filme) e Equipe de fotografia em ação  
Antonio Luiz (diretor de fotografia)
 
 
Na Senzala do Barro Preto flertamos com a beleza que dança, dança, solta e linda à
espera do beijo. A cena do beijo primeiro entre Cora (Auristela Sá) e Bonfim, casal
 
protagonista do filme. O espaço é apertado. A equipe é grande. A figuração extravasa o
semblante faceiro. Luz ok? Vamos rodar? Dessa vez o movimento é preciso, mas
Antonio Luiz Mendes continua com a câmera na mão. A câmera encontra as nuances de
gestos sensuais e se aproxima das personagens. Está bonito, está bonito!, alguém
comenta baixinho. O Ilê faz a trilha. Olhos nos olhos. Estava na hora. Beija!!!!
Beija!!!!!!!, Pola gritou. E sorriu. O menino sorriu o sorriso que nascera há 15 anos, na
escrita das primeiras linhas do roteiro que ali se fotografava em película.
 
Ainda não tinha acabado. As últimas cenas eram da festa. Câmera literalmente nos
trilhos. Graça divide o palco com Lazzo. A intensidade distinta dos sons resultava em
sublime simetria com o balanço da comunidade, que àquela altura já fazia parte de tudo
o que estava acontecendo a sua volta. Lá fora a criançada se divertia e disputava pra
ver quem comeu mais acarajé. Um diz que comeu dois. Outro conta vantagem, comi
dois com camarão. Mas a menina de trança, que ainda abocanhava o quitute recheado
com tudo que a baiana tinha no tabuleiro, apontava o escore final: papou 3. Estávamos
todos saciados. Matamos a fome de cinema! Mas era só o primeiro dia.

Veja mais fotos no blog

Folhas Sagradas / Ascom

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

24 jul 2006 < anterior índice próxima >

 
Evelin, Ângela e a câmera 'olho'
   
Aos quinze anos de carreira Evelin Buchegger aparece entre os destaques da
dramaturgia baiana. Conquistou o Prêmio Braskem de Teatro 2006 (melhor atriz)
pela atuação na peça Murmúrios, de Nehle Frank. Agora se prepara para viver
Ângela, mulher do protagonista Bonfim, vivido por Antônio Godi, no filme Jardim das
Folhas Sagradas, sob a direção de Pola Ribeiro.
 
No trânsito do teatro para o cinema, Evelin
destaca a mediação da câmera “olho” que
remonta ao público a forma singular da
interpretação direta, ao vivo. “Cada gesto deve
   
ser moldado para esse olho e a partir dele  
devemos pensar e transmitir as sensações e
anseios da personagem”. Iniciada no curso livre
de teatro da UFBa, em 1991, parte para a    
experiência cinematográfica na expectativa de
 
travar um dialogo com outra linguagem, “fonte
de renovação e aprendizado”.

 
Evelin, que já foi dirigida por Pola Ribeiro na
televisão quando realizou Bêbado em Cama  
Alheia (2004) para TVE Bahia, aposta no
entrosamento para interpretar a personagem
com sucesso e salienta dizendo que “tem que  
Evelin Buchegger ter uma confiança plena em quem está  
dirigindo porque tudo é muito árduo”.
Veja perfil do personagem

   
Blanche Dubois, personagem de Tennessee Williams que a atriz viveu no teatro, e  
já interpretado no cinema por Vivien Leigh, caracteriza um difícil conflito na
carreira de Evelin, resgatado desta vez por Ângela em Jardim das Folhas Sagradas.
“Reproduzir gestos discriminatórios é difícil em cena porque preciso alcançar uma  
verdade que não estou acostumada na vida pessoal”. Na trama, Ângela alimentará  
uma discussão de tema religioso ilustrando o preconceito ao culto do candomblé.
“É uma mulher conturbada, mas instigante."
 

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Jardim das Folhas Sagradas

Folhas Sagradas / Ascom


 
 

 
 

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Jardim das Folhas Sagradas

18 jul 2006 < anterior índice próxima >

 
Entrevista com o ator Antonio Godi
   
Ator, antropólogo, professor da UEFS, Godi interpreta Bonfim,
personagem principal de Jardim das Folhas Sagradas
 
A carreira de Antonio Godi começa pelo teatro em 1968. No ano do AI-5, o ator
estreou em uma montagem teatral do clássico de Ariano Suassuna, O Auto da
Compadecida. Godi passou à direção de espetáculos em 1977, quando constituiu, ao
lado de Cau Santos, Lia Espósito e Ana Sacramento, o grupo Palmares Inãron.
Dirigiu, durante os 80, peças que marcaram a década, a exemplo de Ajaká, Iniciação
para a Liberdade (83), com texto em português e iorubá assinado por Orlando
Senna, Mestre Didi e Juana Elbein. Boca de Sifu e Guetos: Retalhos Sangrentos são    
outras montagens de destaque no período.  
Na área musical, Godi atuou como produtor de
Sine Calmon, Jorge Papapá, os funkeiros Jorge
Krunk e Paulinho Lima, além do Agbeokuta,    
inclusive no show ecológico que a banda de  
afro-jazz realizou em 1992 com Gilberto Gil no
Hotel Meridien.
 
Na televisão, o ator produziu programas para a
TV Itapoan e participou da minissérie Mãe de  
Santo (Rede Manchete, 1990). No cinema, Godi
Godi já trabalhou com já fez incursões pelo curta-metragem, em
Pola Ribeiro em A Lenda tempos de Super-8, o média-metragem (A  
do Pai Inácio (87) Lenda do Pai Inácio / 87, de Pola Ribeiro), e  
agora, com Jardim das Folhas Sagradas,
prepara-se para seu primeiro filme de longa
duração.  
 
Nos últimos anos, a vida de artista de Godi deu lugar à rotina de professor. Ele
integrou o elenco de Os Negros (Carmem Paternostro / 1997) e escreveu o libreto
de A Revolta dos Malês, Uma Ópera Negra (2001/2002), que misturava teatro,
 
dança, cinema e o funk do grupo mineiro Berimbrown sob a direção geral de Mestre
Pitanga e elenco do Balé de Arte Negra da UMES de São Paulo.  
 
Mas é com o crédito de professor do  

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Jardim das Folhas Sagradas

Departamento de Ciências Humanas e Filosofia  


da Universidade Estadual de Feira de Santana
que o antropólogo chega, aos 54 anos, ao
papel de Miguel Bonfim, personagem principal
 
do longa-metragem de Pola Ribeiro. Pausa para
a tese de doutorado, em desenvolvimento,  
sobre o reggae baiano e para os escritos sobre
cultura e identidade negra. Na entrevista a
seguir, Godi fala basicamente sobre Bonfim, Após 30 anos com visual rasta:  
seu pensamento sobre o personagem e o "topei cortar o cabelo"  
intenso mergulho que tem empreendido para
vivê-lo.

Como poderia ser definido o personagem Miguel Bonfim?

Bonfim é um negro baiano bem sucedido, que trabalha no banco e demonstra


competência a ponto de ser o único negro daquela sala. No entanto, ele convive
com conflitos interiores profundos, que atravessam também a vida doméstica. Há
um conflito subliminar ligado a grandes heranças que ele carrega advindas de sua
mãe. O santo de Bonfim foi feito quando ele ainda estava na barriga. Ele veio ao
mundo já com compromissos. O personagem progressivamente se afasta disso,
mas tropeça lá na frente porque se trata de uma herança importante.

De que maneira esse tropeço é articulado na trama?

Em um dado momento ele conhece Castro (João Miguel), que desperta nele
novidades de algum modo relacionadas aos compromissos com o orixá Ossain.
Castro é ligado ao verde, às ervas, às plantas, raízes. Mesmo distante
religiosamente do orixá, a compreensão ecológica que vem com Castro, que é
ecologista, vegetariano provoca uma virada em Bonfim. Isso desperta um
sentimento de fascinação. Ele desenvolve uma amizade que chega às raias do
amor. A essa altura Bonfim está carente, o casamento em crise. É um homem que
vive em conflitos e que de repente, vivendo pequenas tragédias, percebe que tinha
que assumir o que herdou. Mas, para chegar a isso, enfrenta a cidade, o banco, a
si próprio.

Você é hoje um cinquentão, professor


universitário. Protagonizar um longa-
metragem traz também um desafio
pessoal? Bonfim aparecerá no filme em
fases distintas, mais novo, mais velho.

O filme não pode acontecer no Século 21 sem


apresentar as marcas de seu tempo. Coisas
como o reggae ou o hip hop, a eletrônica, as
identidades transnacionais. Claro que fico um
pouco tenso porque tenho atuado pouco. Mas
não foi difícil encarar o desafio. Já no primeiro
dia de trabalho, saímos para fazer umas fotos
e me pediram para repassar algumas cenas,
fazer uma leitura. Fiz e ficaram surpresos. De
algum modo aquilo já estava orgânico.

Pola e Godi durante leitura do


roteiro no Teatro Vila Velha
(veja matéria)

Que motivo o levou a aceitar este projeto?

Fui sendo seduzido a partir do roteiro e da responsabilidade que ele revela. É um

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_009.htm[27/04/2009 19:55:54]
Jardim das Folhas Sagradas

roteiro sério, que toca em questões profundas. Assumi o compromisso com o Pola
há quatro anos, mas sempre tive intimamente um senão por causa do cabelo.
Tenho dreadlocks há quase 30 anos. Meus filhos só me conhecem assim. Mas topei
cortar o cabelo, será a minha contribuição. Fazer um filme é um trabalho de equipe
e minha preocupação é criar, portanto há conciliação. Meu laboratório tem sido de
experiências diversas. A consultoria do Raul Lody, por exemplo. Um simples
contato com essas pessoas do mundo mágico e você sai impregnado. Estou
fazendo um laboratório incrível com o Mauro do terreiro Ilê Axé Opô Aganjú. Você
vê as coisas acontecendo magicamente.

Como está a rotina de ensaios?

Os ensaios começaram há dois meses e há


duas semanas tenho me dedicado ao filme
quase que integralmente. Ou estou ensaiando
com o Pola, Marcio Meirelles ou a Lia Mara, ou
estou em casa estudando os diálogos. Como o
texto tem que ser muito coloquial, tenho que
colocá-lo no corpo para tornar o subtexto
poderoso. O personagem deve falar como uma
pessoa que existe. Imersão para viver o
personagem inclui laboratório
Existe alguém como o Bonfim na vida em terreiro de candomblé.
real?

É um personagem fictício, mas que dá conta,


levanta reflexões e perguntas que a cidade
grita para serem respondidas. A cultura
híbrida, a mistura de Salvador. Aqui tudo é
possível. Há segmentos na minha própria
família que jamais se vestiriam como eu.

Qual seria a sua grande referência cinematográfica?

Tem a quase unanimidade de Glauber, inevitável. Chorei quando vi Deus e o Diabo


(64) pela primeira vez. Mas o Nelson Pereira dos Santos (pausa). Ele tem um olhar
voltado para o umbigo brasileiro e a sensibilidade de fazer Vidas Secas (63), com
aquela sonoridade, aquele preto e branco, Tenda dos Milagres (77) que, mais que
Jorge Amado, é uma grande narrativa para os orixás. Em Como Era Gostoso o Meu
Francês (71), ele mostra que não é simplesmente canibalismo, o humano comendo
o outro. Ali há o homem oferecendo seu corpo como sepulcro. Considero o filme
uma bela exploração a partir do descreveram Hans Staden e Jean de Léry.

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9 jul 2006 < anterior índice próxima >

 
Caminhada da Liberdade

Jardim das Folhas Sagradas filma  


na Liberdade, Curuzu
 
 
Uma manifestação em defesa do
Candomblé e da afirmação da
identidade afrobaiana será realizada no
próximo dia 22 de julho, a partir
das 13 horas, na rua do Curuzu.

Promovida pela filme Jardim das


   
Folhas Sagradas, de Pola Ribeiro, a  
reprodução da Caminhada do dia 20
de Novembro deverá ter cerca de 2 mil
participantes.    
 
Realizada com o apoio de entidades e
grupos afros, a Caminhada reunirá
pessoas representativas do movimento
 
negro baiano, artistas e outras
personalidades. Assim como a  
Caminhada original, que abriga
diversas palavras de ordem e
reivindicações, na Caminhada do dia  
22 de julho estará um grupo de  
candomblezeiros do Ilê Axé Opá Ewê
lutando em defesa do tombamento do
terreiro liderado por Bonfim (Antonio  
Godi), personagem principal do filme.
 
Depois da Caminhada, no início da noite, será filmada outra cena de Jardim das
Folhas Sagradas : Bonfim e Cora encontram-se numa festa, que é um ensaio de
bloco afro, e dão início a um novo romance. Esta cena será filmada no interior da  
sede do Ilê Aiyê e a festa será animada pela Band'Aiyê e convidados, como Lazzo e
 
outros cantores de blocos afros e afoxés. Antes do início da festa, será exibido o
documentário "Mário Gusmão", de Élson Rosário, e vídeos sobre o Ilê Aiyê e outros
blocos afros, como "Os Negões".
 

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_008.htm[27/04/2009 19:55:57]
Jardim das Folhas Sagradas

Um outro filme estará sendo realizado neste mesmo dia, horário e local. É um  
documentário que contará a história do movimento negro. Duas câmeras e um
cenário com imagens e palavras de ordem do movimento serão instalados em uma
das salas da Senzala do Barro Preto, a partir das 9 horas do dia 22 de julho para a  
gravação de depoimentos de dezenas de pessoas ligadas ao movimento negro
baiano e brasileiro.
 

Em fase de pesquisa e de produção das primeiras tomadas, o documentário – que


deverá ser finalizado em 2007 - será um importante registro da memória dos  
protagonistas que fizeram e fazem a história da mobilização em favor da causa
negra.
 

PROGRAMAÇÃO

10h: Entrevistas para o documentário


História do Movimento Negro

13h: Concentração para a Caminhada

14h: Início da Caminhada

17h30: Exibição do documentário


Mário Gusmão, de Elson Rosário

18h30: Exibição de vídeos de blocos


afros

19h: Show da Band'Aiyê com Lazzo, Os


Negões e outros convidados

Dia: 22 de julho

Horário: a partir das 13 h

Local: Senzala do Barro Preto (sede do Ilê Aiyê)


Rua do Curuzu, Liberdade

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03 julho 2006 < anterior índice próxima >

 
Entrevista com o ator João Miguel
   
Ele se mudou para São Paulo há três anos, literalmente levado pela boa repercussão
do espetáculo teatral Bispo, dirigido em parceria com Edgard Navarro. Nas telas,
atuou em Eu Me Lembro, de Navarro, e Cidade Baixa (Sergio Machado). Com a
destacada performance vista em Cinema, Aspirinas e Urubus, do pernambucano
Marcelo Gomes, tornou-se o ator mais premiado de 2005, com direito a
reconhecimento internacional.

Nos próximos filmes de Karim Ainouz (Rifa-me), Paulo Caldas (Deserto Feliz) e
Sandra Kogut (Mutum), Miguel também marca presença. Dito assim, nem parece
que o ator tem 29 anos de carreira teatral (36 de idade) iniciada com a montagem
   
de O Cavalinho Azul, de Maria Clara Machado, no Teatro Castro Alves.
 
Na entrevista a seguir, João
Miguel fala sobre as duas
linguagens, novos projetos e    
comenta sua participação no
filme Jardim das Folhas  
Sagradas como o personagem
homossexual Castro,
ecologista militante, amigo do  
protagonista Bonfim.  

 
< Clique na imagem para foto
em alta resolução.  
Sob direção de Pola Ribeiro, João Miguel (Veja perfil do personagem em
interpreta o personagem Castro PERSONAGENS).
 
 
 
O que tem a dizer de sua participação no filme?

Estou muito honrado em fazer o Castro. É um homem que antes de tudo é um


 
humanista e também questiona o mundo branco. O Brasil, por mais que seja
aberto, ainda tem muitos preconceitos. Fazer esse personagem tem a ver com a  
quebra de preconceitos para a Bahia também, que é carnavalesca, mas ainda
muito moralista.
O encontro do meu personagem com Bonfim revela uma possibilidade de  

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Jardim das Folhas Sagradas

transcendência dessas estruturas aprisionadas. Ele vê isso no Bonfim, essa chama.  


Por mais que não conheça o candomblé por dentro, ele sente. Para mim, é um
desafio grande e prazeroso.

Você já interpretou um homossexual anteriormente?  


 
Na série de tevê Carandiru e Outras Histórias (Globo/2005), fiz o personagem
Delson, que é casado com um travesti, Madoninha (Roberto Alencar). Além do
sexual, da carne, esse aspecto da homossexualidade, no filme, tem a ver com a
coisa do encontro entre dois seres independentemente do sexo.
 
 
Com tanta repercussão no cinema, como vai a sua carreira teatral?

Não tenho como parar de fazer teatro. Não


posso esquecer de que Bispo (monólogo
interpretado pelo ator de 2001 a 2004) me
lançou. Foram 90 mil espectadores em
apresentações por todo o Brasil, São Paulo, Rio,
Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Acre,
Brasília. Procurei ali uma atuação autoral, como
os filmes que tenho feito, o que permite uma
possibilidade de diálogo interessante com os Em Esses Moços, de José Araripe
diretores. Neste momento estou me permitindo Jr, João Miguel faz uma
fazer os filmes que me interessam. Mas já participação especial vivendo
recusei fazer outros talvez de repercussão seu principal personagem do
imediata para fazer as coisas que tenham a ver teatro:
comigo. O teatro é um ótimo campo de Arthur Bispo do Rosário.
investigação, de perguntas e não de respostas. E
a figura do ator pode ser vista como parte desse
veículo. Vou dirigir um monólogo com a Ludmila
Rosa (atriz que já foi apresentadora da MTV e
trabalhou com Antunes Filho) baseado na vida de
Pagu.

Você sempre gostou de cinema?

Sempre fui um cinéfilo, não muito metódico mas um apaixonado pelo cinema.
Percebi que ali se poderia dizer coisas com uma outra profundidade. Cinema traz
coisas do inconsciente. Já o teatro é mais da ação, do gesto, do corpo. Entrevistei
o Glauber quando tinha 10 anos (para o programa infantil Bombom Show, da TV
Itapoan, dirigido por Nonato Freire). Falei para ele ‘vou lhe perguntar uma
pergunta’, então ele me disse ‘e eu vou lhe responder uma resposta’. Fiquei
nervoso e falei ‘tá tudo errado’; e ele ‘pra mim tá tudo certo’.

Houve alguma dificuldade em passar do palco para o set?

Quando você tem o que dizer, essa adaptação vem de maneira orgânica. Você
descobre fazendo. Mas é claro que no cinema menos é mais, o que não quer dizer
que exista uma fórmula.

Qual seu próximo projeto?

Depois de Jardim das Folhas Sagradas, vou rodar em novembro o longa Tropa de
Elite, de José Padilha (Ônibus 174).

Folhas Sagradas / Ascom

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17 jun 2006 < anterior índice próxima >

 
‘O candomblé é a religião do gesto e do corpo’,

afirma antropólogo  
 
As equipes de elenco, produção e direção do longa-metragem Jardim das Folhas
Sagradas reuniram-se na tarde da sexta-feira 16 de junho para acompanhar a
palestra do antropólogo Cláudio Pereira sobre sacrifício de animais no candomblé. A
palestra foi realizada na Fundação Cultural do Estado da Bahia (Barris) e
proporcionou um intenso debate entre os presentes.

“O candomblé pode ser considerado a religião do


gesto e do corpo, tem plasticidade própria e uma    
orientação simbólica que a define. O sacrifício
 
comporta uma ritualidade, mas não é somente um
rito”, afirmou Cláudio Pereira. O antropólogo
esclareceu que, embora esteja presente em
   
diversas culturas, o sacrifício é objeto de
interpretações diferentes. “No contexto das  
religiões afro-brasileiras, por exemplo, deve ser
afastado da leitura cristã.”
 
A noção de sacrifício, segundo Pereira, é  
fundamental na antropologia e tem grande
centralidade na própria religião católica porque
funciona como mediador entre os homens e o
 
sagrado. O que ocorre com o sacrifício na prática
do candomblé é um processo mimético, ou seja, o  
animal substitui o homem.

 
 
Antropólogo Cláudio Pereira

O simbolismo, de fato, é ingrediente dos mais fortes no processo do sacrifício de


 
animais para o candomblé. Da espécie a ser sacrificada, que varia de acordo com o
orixá a ser venerado, aos participantes de cada etapa, todo o procedimento deve  
ser seguido criteriosamente. Para Ossain, principal orixá a ser abordado no filme
dirigido por Pola Ribeiro, devem ser ofertados bode, porco, galo ou galinha
d’angola. Para Xangô, carneiro, galo ou cabra. Porém, lembra Pereira, Exu deve ser  

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_005.htm[27/04/2009 19:56:02]
Jardim das Folhas Sagradas

sempre servido, em qualquer sacrifício, com um animal de duas patas. “O que  


significa dizer que qualquer sacrifício acaba se desdobrando em no mínimo dois.”

Mães e pais de santo, iabás, ogãs. Cada um tem um papel determinado para que o
sacrifício seja cumprido corretamente. “Em qualquer religião o sagrado é altamente  
destrutivo, por isso há a figura do mediador”, afirmou Pereira, que também é  
professor de cinema na Faculdade de Tecnologia e Ciências.
“A oferenda foi aos poucos ganhando força no roteiro”, disse Pola Ribeiro no início
da palestra. O evento contou com a presença de profissionais da equipe de  
produção, da assistente de direção Sofia Federico, do produtor de elenco Elson
Rosário e de atores do filme, entre os quais, Carlos Betão, Sergio Guedes, Lucio  
Tranchesi, Erico Brás, Iara Colina, Rita Santana, Nélia Carvalho, Frida Gutmann,
Valdinéia Soariano e André Becker. As filmagens de Jardim das Folhas Sagradas
serão realizadas de 13 de julho a 30 de agosto.

Folhas Sagradas / Ascom

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

Studio Brasil
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02 junho 2006

 
Entrevista com o diretor Pola Ribeiro
   
O cineasta Pola Ribeiro tem trinta anos de
carreira. Quase metade desse tempo foi
dedicada a concretizar o projeto Jardim das
Folhas Sagradas, primeiro longa-metragem
do diretor que está prestes a ser rodado,
com Godi, Harildo Deda e Bando de Teatro
do Olodum no elenco. As filmagens estão
  previstas para os meses de julho e agosto,
mas desde abril Ribeiro trabalha    
intensamente na montagem da equipe
técnica, escolha de elenco, ensaios,  
retoques no roteiro e na captação da
parcela final de recursos para garantir o
orçamento de R$ 2,4 milhões.    
 
 
Na entrevista a seguir, concedida na sede de sua produtora, a Studio
Brasil, no bairro Rio Vermelho, o realizador fala de sua persistência para  
finalmente chegar ao set, o envolvimento pessoal que travou com as  
questões relacionadas ao candomblé durante o processo de elaboração do
roteiro e comenta a produção do seu longa-metragem no contexto do
segmento cinematográfico baiano.  
   
 
Como você chegou ao argumento do filme?  
Juca Ferreira, quando secretário do meio-ambiente, me pediu um documentário
 
que abordasse a relação entre candomblé e ecologia. Ele me deu um texto do
(Antonio) Risério para roteirizar e pediu que eu fizesse um orçamento. Fiquei
maravilhado com a história toda, fiz o projeto, mas aí Juca saiu da secretaria.  
Então eu disse a ele: ‘vou fazer um longa com essa temática’. Isso já tem 14 anos.  
Após tanto tempo, você não correu o risco de partir para outra e dedicar-
se a outro projeto? O primeiro longa vem sempre cercado de algumas
 

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_002.htm[27/04/2009 19:56:04]
Jardim das Folhas Sagradas

pressões.
 
Quanto mais eu ouvia, menos eu sabia. Pensava ‘convivo diariamente com essas
questões e sou totalmente ignorante’. Eu aprendi muito nesse tempo todo. Por isso
esses 14 anos passaram rápido. Minha vida não parou. Fiz várias outras coisas  
enquanto tocava o projeto, fui me enriquecendo. São muitos filmes por trás do
longa Jardim das Folhas Sagradas porque eu filmava cada entrevista. Não parei de
 
fazer cinema. Eu pretendo fazer um documentário que investigue como essa
religião convive com a natureza. Acredito que o candomblé pode trazer
fundamentos, resgatar o elo com o passado em que tudo era natureza e ao mesmo  
tempo era sagrado. Cabe perguntar se essa compreensão está presente no  
discurso ecológico de nossa cidade. Meu filme quer reforçar esse elo e fazer com
que o candomblé se sinta aliado, um defensor da natureza no sentido mais amplo.

Há oito anos, convidei Gustavo Falcon e Risério para trabalhar comigo e eles deram
muitas contribuições. Na verdade, eu queria que eles escrevessem o roteiro.
Acharam bacana, fizemos algumas reuniões, mas eles não escreviam. (José)
Araripe acabou me aconselhando a escrever e eu levei a dica a sério. Fiz uma
longa entrevista com o Julio Braga (antropólogo, pesquisador de cultura africana e
atual diretor do IPAC) e finalizei uma primeira escrita do roteiro.
 

Tamanha demora está também


relacionada ao espinhoso processo de
captação de recursos, não? Gostaria de
saber a trajetória seguida para compor o
orçamento de sua produção?

Primeiro esclareço que ainda estamos


captando para completar o orçamento. Tentei,
em 2001, o edital do Governo do Estado e
perdi. Em 2002 ganhei a bolsa da Fundação
Vitae e aí pude me dedicar mais. Fiz várias
entrevistas, pesquisa de locações. Conversei  
com especialistas como Vivaldo Costa Lima.
Foi um momento muito importante porque
pude me aprofundar. Em 2004, concorrendo
com vários projetos, fui contemplado com
uma verba (R$ 600 mil) do programa
Petrobras Cultural que representa um quarto
do orçamento. Recentemente por meio do Faz
Cultura (programa de incentivo a produções
culturais via renúncia fiscal do Governo do
Estado da Bahia) conseguimos o patrocínio da
Chesf.

Considero também muito importante as parcerias da Studio Brasil com empresas


como a Conta Hábil (contabilidade), a Conspiradoria (administração de projetos),
escritórios de advocacia. São coisas que sentimos necessidade em outras
produções. Me associei a empresas locais da área cinematográfica que são de
pequeno porte, como a DocDoma e a Araçá Azul. Então a perspectiva é abrir mais
parcerias. De forma que esse pool de pequenas empresas que se juntam para
fazer um projeto de certo vigor possa ter também uma postura grande.

Vamos buscar mais parcerias fora do estado e até fora do país. Mas parceiros que
pareçam com a gente e não nos engulam na parceria. Nosso objetivo em
estabelecer um diálogo de semelhança para reforçar o mercado audiovisual da
Bahia.

E a sua trajetória pessoal nesse processo? Como filtrar esse grande


volume de informações na elaboração fictícia?

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_002.htm[27/04/2009 19:56:04]
Jardim das Folhas Sagradas

Não preciso ser expert no assunto, tenho consultores como Lodi, o Bando de Teatro
do Olodum. A demanda por conhecimento é minha. Para o filme propriamente, eu
estou de olho nas coisas do cotidiano. Não estou antropologizando. Mas devo
reconhecer que tenho outra visão da cidade hoje. Salvador me parece mais rica,
não é só praia, não é só África. Estou atento à linguagem das ruas, do que há de
natureza nas ruas, as vegetações, não a feição urbana. Hoje o mato para mim não
é só uma mancha verde. Depois de conversar com a Valdina Pinto é impossível não
pensar assim. Quando entro em contato com a cidade eu melhoro. Minha falta de
ritmo fica mais sonora. Minha capacidade de repensar paradigmas aumenta.

Este filme é o processo mais rico de minha vida. Até 30 de agosto teremos rodado
tudo, muita energia, esforço e criatividade concentrados num curto espaço de
tempo. Minha sensibilidade está à flor da pele. Durmo cada dia menos horas, mas
não sinto falta do sono. Acordo recarregado, ansioso pela realização. É muito
trabalho, sim, mas também um privilégio.

Você poderia comentar algo sobre a formação da equipe de Jardim das


Folhas Sagradas?

Equipe técnica e elenco somam quase 200 profissionais. No tamanho, a equipe


técnica que montei é semelhante à de Três Histórias da Bahia (2002) e Eu Me
Lembro (2005). O que cresceu é um departamento de comunicação mais
estruturado, capaz de elaborar um discurso sobre o filme e que não apenas
divulgue. Pensei numa comunicação competente desde o início já sabendo que não
vamos ter uma verba grandiosa para lançamento, quando a visibilidade é
fundamental.

Sua produção conta com profissionais de outros


estados. Ante as dificuldades do mercado
baiano não considera essa uma decisão
polêmica?

Pessoas de fora que vêm trabalhar aqui elevam o


  nível de nossos profissionais. Um (José Miguel)
Wisnik (diretor musical do longa-metragem), por
exemplo, não disputa com o músico de Salvador. Ele
acrescenta uma outra sensibilidade, já disse em
música que é baiano, já gravou aqui. Wisnik está
me ajudando a fazer uma lapidação desse bloco que
é a música baiana.

Antonio Luiz Mendes é um fotógrafo de ponta do cinema brasileiro, e olha que


nossa cinematografia é rica em fotógrafos. Além de íntimo do mercado baiano, ele
me cativou pelo jeito de trabalhar, é uma pessoa que escuta bastante. Tanto ele
quanto o Wisnik são escolhas de sete anos atrás e desde aquela época os dois
toparam. São titulares absolutos.
 
Além da ecologia, Jardim das Folhas Sagradas trata de religião, cultura
negra, tudo isso com um elenco majoritariamente afro-descendente. Como
pretende evitar que tais elementos não resultem em uma abordagem
folclórica?

Meu objetivo é criar um caminho dentro de outra lógica com os mesmos temas
baianos. É claro que quero público, que o filme seja uma atração. É um desafio.
Quem não quer tomar porrada fica quieto. Eu me sinto à vontade para fazer isso. A
busca é escapar do estereótipo. Não quero falar de segredos, mistérios, mesmo
sabendo que posso estar errando. Me sinto o braço cinematográfico dessa coisa
que é o Ilê, no carnaval e na música, o Bando, no teatro. Se você me pergunta
sobre o carnaval, digo que gosto do carnaval. O carnaval real, que tem reggae,
samba, Mudança do Garcia.
Gostaria de pensar Jardim das Folhas Sagradas como um filme inclusivo, no
sentido de que sejamos uma referência na cidade. Espero que as pessoas vejam o

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Jardim das Folhas Sagradas

filme, discutam, gostem, não gostem, não quero que passe batido. Desejo que o
filme mostre que aqui é um lugar especial. Quero que o filme seja um personagem
da cidade, que a Suburbana veja meu filme. Mas o set não é simplesmente um
parque de diversões. Quero falar, ser porta-voz de alguma coisa. Há uma
pretensão, me sinto porta-voz da cidade. Esse é um desejo de verdade.

O protagonista Bonfim estaria, em algum nível, próximo de seu alter ego?

Ele é um pouco de Godi, Pola e muitos outros. O que acontece com o Bonfim da
ficção está de fato acontecendo, neste momento, com vários personagens reais da
cidade. Meu herói é um homem comum, qualquer um poderia passar pelo que o
personagem passa. Seu poder é o de decidir, optar.

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

25 maio 2006 < anterior índice próxima >

 
Encontro de gerações marca escalação do elenco
   
Escalação de elenco une gerações do teatro baiano

 
O primeiro encontro da equipe de produção de Jardim das Folhas Sagradas com o
seu elenco, na noite de quarta-feira 24 de maio no Teatro Vila Velha, marcou o
início de mais uma etapa no processo de realização do longa-metragem.

Finalmente o projeto que Pola Ribeiro planeja rodar há sete anos ganhou vida na
boca dos atores que irão atuar no filme. E melhor: o elenco escalado pelo diretor
envolve participantes de gerações distintas do teatro baiano. No segmento das
companhias de elenco afro, destaca-se a parceria inédita entre o contemporâneo
   
Bando de Teatro do Olodum e os veteranos do Grupo Palmares, de intensa atividade  
na Bahia durante a década de 70.

Traduzindo em nomes, a câmera de Antonio    


Luis Mendes, diretor de fotografia do longa, vai  
registrar, entre outras, performances de Erico
Braz, Jorge Washinton, Godi e Arani Santana
na trama conduzida por Bonfim, o personagem  
principal, um bancário de quarenta e poucos
anos que vive em Salvador e é levado a rever
 
diversos aspectos de sua vida após o aviso de
seu orixá, Ossaim. Outro veterano dos palcos e
telas a marcar presença em Jardim das Folhas  
Sagradas será Harildo Deda, que também  
esteve no teatro.

 
 

Pola e Godi
 
 
 
No total, mais de 70 atores estiveram na sala
principal do Vila Velha para fornecer medidas
aos figurinistas, fazer fotografias e conhecer os
 

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Jardim das Folhas Sagradas

respectivos personagens. “Este filme quer falar


do negro em Salvador, indagar sobre suas  
relações com o candomblé e deste com a
ecologia. Trabalhar com vocês é um desejo
que se concretiza”, afirmou Ribeiro antes do  
início da leitura, que foi acompanhada pelo  
encenador Marcio Meirelles, responsável pela
preparação de elenco de Jardim das Folhas
Sagradas.
 
 
A leitura foi marcada por bastante descontração, visível no semblante dos atores.
Eles tiveram a oportunidade de conhecer profissionais que compõem a equipe do
filme, entre eles, o co-roteirista Henrique Andrade, Sofia Federico e Lula Oliveira
(assistentes de direção), os produtores Solange Lima e Paulo Alcântara, Gilson
Andrade (direção de arte), Elson Rosário (casting) e Maurício Martins (figurino).

Folhas Sagradas / Ascom

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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Jardim das Folhas Sagradas

22 agosto 2006 < anterior índice próxima >

 
Sérgio Guedes e Jairo Uidá não são a mesma
pessoa?
 
Mas bem que poderiam
 
 
Radicado em Paris desde 1984, Sérgio Guedes voltou ao Brasil por motivos
estritamente profissionais. As Criadas, de Jean Genet, foi o que levou o ator ao
circuito europeu, em montagem teatral assinada pelo diretor Eric Bopodor, que
rodou o continente, permanecendo em cartaz por três anos. Com três décadas de
carreira, Sérgio integra o elenco de Jardim das Folhas Sagradas na pele de Jairo
Uidá, um professor universitário e filho de santo, grande amigo de Bonfim (Ântonio    
Godi), personagem principal da trama.
 
A experiência na Europa remete a coincidências
e descobertas na vida do ator. Antropólogo e    
professor convidado do Instituto de Estudos
Teatrais da Universidade de Paris, Sérgio
 
mergulhou nos estudos da teoria do teatro e se
aprofundou na atividade cênica estrelando
montagens de autores franceses dos mais
 
diversos gêneros. “Eu gosto do trabalho de  
ator”, diz Sérgio, que – admite ele – nunca
manteve uma grande aproximação com o
cinema. “Nunca vi os filmes que eu fiz”, revela  
o ator, que já participou de alguns curtas. Sua
 
participação em Jardim das Folhas Sagradas
marca o reencontro profissional com o diretor
de elenco Marcio Meirelles, com quem
 
trabalhou na fase do grupo Avelãs y Avestruz,
Sérgio Guedes interpreta Jairo em meados dos anos 70.  
Veja perfil do personagem

   
O alheamento confesso ao fascínio da vida social do meio artístico pode ter influência  
na postura do ator, que, como intelectual, encontra refúgio na quietude de suas
pesquisas e trabalhos acadêmicos. Mas a contaminação positiva entre as duas áreas
não deixa de marcar sua rotina.
 

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/not_014.htm[27/04/2009 19:56:10]
Jardim das Folhas Sagradas

   
Foi como pesquisador que Sérgio
Guedes encontrou sua maior
indentificação com Jairo Uidá, peça  
importante na trama de Jardim das  
Folhas Sagradas. Da estreita relação
com o mundo das artes, estimulada
pelo auto-conhecimento das próprias
 
origens, Sérgio e Jairo propõem em
suas ações uma maturação do saber  
em prol da partilha de conhecimento
com os que estão à sua volta.

Rita Santana e Sérgio Guedes num


 
momento de concentração
De matriz africana, sua família chegou
ao Brasil no século XVIII, oriunda da
Costa do Marfim, por meio de uma
imigração voluntária. A partir dessa
raiz, Sérgio enfatiza o aspecto
colonial, “brutal e nefasto”, como
divisor de águas na valorização da
cultura enquanto bem público, gerador
de divisas. “No Brasil a cultura não é
encarada como ponto primordial de
produção de conhecimento”, o que,
segundo o ator, propicia uma
cristalização dos processos de
Leitura de texto: Sérgio Guedes entre
produção de cultura.
Pola Ribeiro e Lúcio Tranchesi
 
Sérgio Guedes pontua suas críticas, mas se mostra sensível ao momento de
efervescência que atravessa a produção local. De tema estritamente baiano,
Jardim das Folhas Sagradas se aprofunda na cotidianidade da vida em Salvador,
descrevendo seus moradores e o funcionamento da cidade por um viés
contemporâneo. Um olhar singular que pode ser encarado, segundo Sérgio,
como “um passo à emancipação cultural da Bahia”.

Folhas Sagradas / Ascom

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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http://www.jardimdasfolhassagradas.com/fotos/bras_g.jpg[27/04/2009 19:56:12]
Jardim das Folhas Sagradas

  BONFIM

Bancário, 40 anos. Bonfim é filho de mãe de santo negra e


pai de santo branco. Criado pela mãe na tradição do
candomblé, estudou e pôde ascender socialmente. Aos 40
anos tem uma promissora carreira no banco. Casado com  
Ângela, mantém um caso com Castro. Instigado pelo pai,
Antônio Godí é que ocupou o lugar da mãe após sua morte, consulta os
Miguel Bonfim   búzios e é avisado que tem que assumir seu papel de
sacerdote de Ossain, o orixá das folhas, e que não cumprir
pode lhe trazer graves conseqüências.

Bonfim é de Ossain e Oxossi. Ossain é um orixá muito


misterioso. Dos filhos deste orixá diz-se que são muito
volúveis, com o temperamento da folha ao vento. E quem
lhe revela as notícias do mundo é o pássaro Eyé.    
    .  
MARTINIANO

Branco, 70 anos, solteiro e sem filhos. Há quase 50 anos    


totalmente devotado às coisas do candomblé. Padrinho de
   
Bonfim, muito respeitado na comunidade e na religião,
apesar de não possuir a “mão de Ifá” e o poder da
vidência. Ferreiro de santo. Seus orixás: Xangô e Ogum.
Harildo Deda é  
Martiniano Ensina iorubá às pessoas do terreiro.
 
     
ÂNGELA
 
Mulher de Bonfim. Bonita, nascida no interior de Goiás, sem
familiares em Salvador, para onde veio, trazida por uma
 
  empresa goiana. A empresa faliu e Angela ficou e casou
com Bonfim. Sem trabalho e sem procurar estudar, foi se
isolando e tornou-se presa fácil dos pregadores
 
Evelin Buchegger é
Ângela evangélicos.  
     
CASTRO  
Jovem branco com quem Bonfim se relaciona  
  amorosamente. Ex-bancário, morre em acidente de
automóvel, que estava sendo dirigido por Bonfim. Ecologista
e naturalista.  

http://www.jardimdasfolhassagradas.com/person.htm[27/04/2009 19:56:14]
Jardim das Folhas Sagradas

 
João Miguel é Castro
     
CORA  
 
Arquiteta, amiga e namorada de Bonfim, tem grande
  participação na instalação do terreiro. Participa de
movimentos e atividades ligados à ecologia Dengosa,
vaidosa, faceira e sensual, gosta de panos vistosos,  
braceletes. Cora é de Oxum.  
Aurístela Sá é Cora

     
JAIRO

58 anos, professor universitário, Doutor em Antropologia,


casado com Eugênia. Foi preso pela ditadura militar em 68.
  Filho de santo graduado. Jairo é de Oxalá, Oxalufã.
Sua condição de professor, sempre o aproximou de Bonfim
e juntos construíram uma forte amizade.
Sérgio Guedes é
Jairo
     
BARÁ

Jornalista. Seu santo é Exú, é ele quem precipita as ações.


Dinâmico, moleque, anarquista, bagunceiro, sutil, astuto e
  provocador. Prepara armadilhas, cria mal entendidos e
discussões. Arma confusões e atrapalhações. Viabiliza
pedidos e desejos, fatos e situações. Não faz o mal, apenas
Érico Brás é Bará
remexe nele.

     
     

Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil

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http://www.jardimdasfolhassagradas.com/fotos/pola_jmiguel2.jpg[27/04/2009 19:56:20]

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