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ALICERCE DO PARAÍSO

Título Original

“Tengoku no Ishizue”

ÍNDICE DO LIVRO

O que é a Igreja Messiânica Mundial Doutrina da Igreja Messiânica Mundial O que é a verdadeira salvação Características da salvação pela Igreja Messiânica Mundial Formação do mundo novo Religião ativa Religião que revela Deus Religião criadora de pessoas felizes Igreja abrangente Ultra-Religião Eu escrevo a Verdade Concretização da Verdade Verdade e pseudoverdade Luz da inteligência As cinco inteligências A construção do Paraíso e a eliminação do Mal Era semicivilizada Materialismo e espiritualismo A época semicivilizada e semi-selvagem O materialismo cria o homem mau A Ciência cria as superstições Inadequação do estudo A respeito do ateísmo O Juízo Final A transição da Velha Cultura para a Nova Cultura Criação da Cultura Concretização da profecia do Reino dos Céus - o Paraíso Terrestre A Cultura de ® ("Su") Prefácio do livro "O Mundo Espiritual" O mundo desconhecido O poder da Natureza Os elementos Fogo, Água e Solo Elo espiritual Os três espíritos do homem Deus existe Existem fantasmas A existência do Mundo Espiritual Constituição do Mundo Espiritual Camadas do Mundo Espiritual A situação do mundo contemporâneo e o Mundo Espiritual

Julgamento no Mundo Espiritual Mundo Espiritual e Mundo Material Derrota do demônio Atuação dos demônios Incorporação Incorporação e encosto de espírito encarnado Vida e Morte As diversas expressões faciais após a morte Doença e espírito Os japoneses e as doenças psíquicas As três grandes calamidades e as três pequenas calamidades A tempestade é uma calamidade humana Considerações espirituais sobre os incêndios Incêndio e Johrei Como encarar a Religião Fé e Religião Insensibilidade em relação à Fé Religião e mandamentos Práticas ascéticas Fé "Shojo" Liberdade na Fé Religião antiga e religião moderna O que é uma religião nova Religiões novas e religiões tradicionais Religião e obstáculo Religião celestial e religião infernal Religião e seitas A verdadeira religião Benefícios materiais Milagre e Religião Religião é milagre Religião é milagre Análise do milagre Religião à Luz da Verdade (Religião Daijo) A verdadeira religião "Daijo" A Religião precisa ser universal Religião progressista A lógica em Religião Paz e segurança O Bem e o Mal Ateísmo é superstição Por que o Mal se revela O homem mau é ignorante O homem mau é enfermo Como acabar com os crimes Vença seu próprio Mal O verdadeiro homem forte

O hábito de resignação dos japoneses Vencer o Mal Sejam fortes os virtuosos Acabar com os perversos Ódio ao Mal O valor do homem reside no seu espírito de justiça Espírito de justiça O mundo dominado pelo Mal Eliminação do Mal A fonte da corrupção A origem dos males sociais A verdadeira causa da intranqüilidade social O mal social é ou não é causado pelo meio ambiente É possível solucionar os males sociais Jornal que enaltece o Bem Os virtuosos bem - sucedidos na vida A Terceira Guerra Mundial pode ser evitada Eliminação da tragédia Exclusão do temor O Herói da Paz A bússola da reconstrução do Japão A palavra "Su" Novo conceito de amor à Pátria O Japão é um país civilizado ou selvagem O caráter dependente dos japoneses Os japoneses não têm ambição Nação regida pelo Caminho Obediência ao Caminho Perfeito Religião, Educação e Política Religião e política As leis e o caráter selvagem do homem Poder revogante ou. poder constituinte? A tolice do controle da natalidade Não menospreze os cálculos A causa da pobreza A respeito das dívidas Devemos ou não devemos fazer dívidas? Dinheiro mal ganho, dinheiro mal gasto A instrução prematura é prejudicial O mau comportamento dos filhos Por que surgem crianças-prodígio Paraíso Terrestre Verdade, Bem e Belo A respeito do Paraíso Terrestre Considerações sobre o Paraíso Terrestre A arte de Deus Religião e Arte

Religião e Arte Religião artística Ciência e Arte A missão da Arte Paraíso - Mundo da Arte O Paraíso é o Mundo do Belo Obras-primas da Arte ao alcance do povo Características particulares da civilização japonesa O Japão é o país do espírito A respeito do Jardim da Terra Divina Significado da construção do Museu de Belas-Artes Por que as obras-primas chegaram às minhas mãos Campanha de formação do Paraíso por meio das flores As plantas têm vida A respeito da coletânea de poemas "Yama to Mizu" (Monte e Água) Felicidade Segredo da felicidade O segredo da boa sorte Sermão, Johrei e felicidade Destino e liberalismo Nós é que traçamos o destino Nós é que traçamos o nosso destino Bom senso Fé é justiça Verdadeira Fé Incorporação e encosto Fé Messiânica Espírito de "Izunome" Tipos de fé Conheça a Vontade Divina O pecado e a doença O homem depende de seu pensamento Mistério do Mundo Espiritual Aura Deus é justiça Possua fé universal A nossa religião e o universalismo Minha natureza Ostentação religiosa Minha maneira de pensar Filosofia da intuição Novamente a respeito de Bergson Pragmatismo Religião pragmática Johrei através das letras Leia o mais possível os meus Ensinamentos Sinceridade

Sinceridade Egoísmo e apego Domine o "Ga" Entregue-se a Deus Sabor da fé Honestidade e mentira Está errado dizer que os honestos saem perdendo Gananciosos sem ganância O hábito da mentira Não se irrite Vencer a ira Não julgueis Presunção Não julgue Não seja odiado Respeite a ordem Ordem Aguardar o tempo certo Tempo é Deus Treino de humildade Sol e Lua A parábola da espada Beco sem saída A dialética da harmonia Subjetivismo e objetivismo Dúvida Libertação O que é limite Satisfação e insatisfação Instinto e abstinência Abstinência Teoria sobre os efeitos contrários Como identificar o homem mau Fé é confiança Bondade e cortesia Pessoa simpática Sentimento e reputação Apreciação das virtudes O saber das coisas Sejam sempre homens do presente Precisamos ser universais Pessoas medrosas Amor correto e amor incorreto A irresponsabilidade dos suicidas A Reencarnação A respeito dos sonhos Fisiognomia das casas e sua posição em relação aos pontos cardeais

O QUE É A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material. Não há dúvida de que "Paraíso Terrestre" é uma expressão que se refere ao mundo ideal, onde não existe doença, pobreza nem conflito. O "Mundo de Miroku", anunciado por Buda, a chegada do "Reino dos Céus", profetizada por Cristo, a "Agricultura Justa", proclamada por Nitiren, e o "Pavilhão da Doçura", idealizado pela Igreja Tenri-kyo tem o mesmo significado. A diferença é que não se fez indicação de tempo. Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que significa isto? É a hora da "Destruição da Lei", prevista por Buda, e do "Fim do Mundo" ou "Juízo Final", profetizado por Cristo. Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso afetasse o homem. Antes, porém, é

indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável - e a seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se tome útil para o mundo vindouro. Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino, e a Fé é o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa fase são as seguintes:

  • a) tomar-se um homem verdadeiramente sadio, e não apenas na

aparência;

  • b) um homem que se libertou da pobreza;

  • e) um homem de paz, que odeia o conflito.

Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se utilizará como entes preciosos, no mundo que vai surgir Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser humano. Portanto, haverá um caminho que permita estabe- lecer as condições requeridas. Mas como poderemos obtê-las? Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmitir-lhes a Graça Divina, possibilitando-lhes criar tais condições. 25 de janeiro de 1949

DOUTRINA DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

Nós, messiânicos cremos em Deus, Criador do Universo. Cremos que, desde o inicio da Criação, Deus objetivou estabelecer o Céu na Terra e tem atuado continuamente para a concretização desse objetivo. Com tal propósito, fez do ser humano o Seu instrumento para servir ao bem-estar da humanidade, condicionando a ele todas as demais criaturas e coisas. Cremos, portanto, que a história humana do passado constitui estágios preparatórios, degraus para se alcançar o Céu na Terra. Para cada época,

Deus envia o Seu mensageiro e as religiões necessárias, cada qual com sua missão. Cremos que, no presente, quando o mundo vagueia em tão caótica situação, Deus enviou o Mestre Meishu-Sama, fundador da Igreja Messiânica Mundial, com a suprema missão de realizar o Seu sagrado objetivo de salvar toda a humanidade. Por conseguinte, visando à concretização do Mundo Ideal, de eterna paz, perfeitamente consubstanciado na Verdade-Bem-Belo, empenhamo-nos em fazer sempre o melhor; erradicando a doença, a pobreza e o conflito, as três grandes desgraças que assolam este mundo

11 de março de 1950

O QUE É A VERDADEIRA SALVAÇÃO

Hoje em dia, a critica mais freqüente em relação à nossa Igreja é que, tratando-se de uma entidade religiosa, não deveria empenhar-se na cura de doenças. Entretanto, se pensarmos bem, concluiremos que não há nada tão sem sentido como essa observação. Ela provém do pensamento limitado dos críticos, segundo os quais a Religião deve ocupar-se apenas da salvação do espírito, não lhe cabendo a salvação da matéria. Para eles, a cura de doenças é uma questão material, e por isso acham que ela não compete à Religião. Excluem das atribuições religiosas a salvação materi- al, limitando a essência da Religião à parte espiritual. Logicamente, de acordo com o seu conceito, a salvação espiritual, em síntese, consiste na renúncia. Não tendo o Poda da Salvação para eliminar materialmente o sofrimento e não encontrando outro recurso, as religiões, pelo menos, tentam diminuí-lo espiritualmente, através da renúncia. Essa é a maneira como muitas pessoas têm encarado a Religião até agora. Não obstante, se a Religião excluir a matéria e preocupar-se unicamente com a salvação do espírito, ela não estará promovendo a verdadeira salvação, pois a crença na possibilidade da solução dos problemas materiais é que nos permitirá obter a verdadeira tranqüilidade espiritual. Quando sentimos fome, por exemplo, só podemos ficar tranqüilos se tivermos certeza de que alguém nos trará comida; se sou- bermos que ninguém o fará, é natural que fiquemos desesperados, temendo morrer de inanição. O mesmo acontece em relação à doença, dificuldades financeiras e outros problemas. Só pelo reconhecimento de que tudo será solucionado através da Fé teremos tranqüilidade absoluta. Dessa forma, a salvação das duas partes a material e a espiritual é que nos fará sentir-nos salvos, alcançando o estado de verdadeira paz e segurança. A base da salvação material e espiritual - aquela que é a mais perfeita - consiste, portanto, unicamente, em eliminar a doença, tornando as pessoas sadias. Por maior que seja a nossa fortuna ou a quantidade e variedade dos mais saborosos alimentos, provenientes do mar e da terra, em nossas refeições, por maiores honrarias e por mais elevada posição

social que tenhamos, isso de nada adiantará, se estivermos sofrendo com doenças. A primeira condição para salvação da humanidade é, antes de mais nada, alcançar a saúde. Por esse motivo, a meta de nossa religião é formar indivíduos e sociedades saudáveis.

24 de dezembro de 1949

CARACTERÍSTICAS DA SALVAÇÃO PELA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

A missão da nossa Igreja é tirar as pessoas das torturas do Inferno e conduzi-las ao Céu, transformando a sociedade num paraíso. Para que o homem seja conduzido ao Céu, é necessário que ele próprio se eleve, tomando-se um ente celestial, a fim de que, por sua vez, possa salvar o seu semelhante. Isso significa pendurar a escada do Céu até o Inferno e estender as mãos para puxar o homem, degrau por degrau. E nesse ponto que nossa religião difere das demais, sendo antes o seu oposto.

Todos sabem que os antigos religiosos contentavam-se com o mínimo necessário à sua subsistência. Eles se entregavam a penitências e procuravam salvar o próximo colocando-se numa situação miserável. Isso significa que estavam usando a escada em sentido contrário. O salvador empurrava os necessitados de baixo para cima, ao invés de puxá-los lá do alto; é fácil calcular o duplo esforço exigido. Mas não havia alternativa, visto que, nessa época, ainda não existia a noção do plano do Paraíso. Naturalmente não havia chegado o tempo, pois a noite cobria o Mundo Espiritual. Entretanto, a partir de 1931, o Mundo Espiritual vem gradualmente se transformando em dia, facilitando a construção do Paraíso na Teria. Sendo Deus o construtor; a obra progride à mercê do tempo, bastando ao homem agir de acordo com a Vontade Divina. Deus traçou o plano, fiscalizando e utilizando livremente um número considerável de criaturas. A idéia exata que se pode ter da minha função, é a de mestre-de- obras local. Os nossos fiéis sabem perfeitamente que estou construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, como parte dessa função. Aparecem-me, então, vendedores que me oferecem terrenos em momentos e locais inesperados. Assim que percebo a Vontade Divina de adquirir determinado terreno, surge a quantia requerida, sem que eu empregue o mínimo esforço. Logo a seguir consigo, infalivelmente e à vontade, não só os mais adequados projetistas, engenheiros e construtores, como também o material necessário. Até mesmo uma árvore aparece oportunamente, já existindo lugar apropriado para ela. Às vezes eu me sinto perplexo ao rece- ber árvores às dezenas, de uma só vez. Planto-as estudando o espaço, interpretando a Vontade Divina, e verifico que elas se encaixam maravilhosamente no jardim, sem falhas nem excesso. Sempre que isso acontece, não posso deixar de sentir, claramente, a Vontade de Deus em tudo; Se desejo colocar uma pedra ou uma planta em determinado lugar,

recebo-as dentro de um ou dois dias no máximo. O que vêm a ser todas essas ocorrências senão milagres? Caso eu começasse a enumerá-los, não acabaria mais. E o que estou dizendo não passa de uma pequena parte do que pretendo expor com o tempo. Escrevi este capitulo com o objetivo de ajudar os leitores a compreenderem que o homem nada empreende, que ele apenas age sob a Orientação Divina. Pelos fatos relatados, fica bem claro que Deus pretende formar o protótipo do Paraíso como início do advento do Paraíso Terrestre. Mas isso não é o bastante. Compete a cada homem tornar-se um ente celestial, e é chegado esse momento. Naturalmente, seu lar será paradisíaco e todos os componentes da família virão a ter uma vida celestial. Somente assim poderão ser salvas as pessoas que sofrem no "inferno". Daí a razão por que aconselho os fiéis a criarem uma vida sem sofrimentos, que é a Vontade do Altíssimo. Enquanto o homem não conseguir eliminar as três desgraças - doença, pobreza e conflito não poderá ser salvo. Isso era impossível na Era das Trevas, mas hoje é possível. Terminou a época de sofrimento a que se referiu Sakyamuni. Se os leitores compreenderem o sentido desta verdade, sentir-se-ão dominados por uma alegria infinita, ainda desconhecida na experiência da humanidade.

5 de outubro de 1949

FORMAÇÃO DO MUNDO NOVO

Conforme venho esclarecendo, a nossa Igreja é uma religião que abarca todos os campos da atividade humana e que poderia ser denominada Empresa Construtora do Novo Mundo. Entretanto, como isso pareceria fachada de alguma construtora civil o jeito é chamá-la, por enquanto, Igreja Messiânica Mundial. O objetivo dessa organização religio- sa é o progresso e desenvolvimento da civilização conciliando a ciência material e a ciência espiritual/ Sabemos que o conhecimento cientifico caminha velozmente, ao passo que o espiritual, baseado na Religião, caminha desesperadamente lento. A religião conservou seu estado inato, sem alcançar muito progresso, desde o inicio da civilização, há milhares de anos. Isso explica a grande distância entre ela e a Ciência. Esta última veio a destacar-se, e a parte espiritual distanciou-se a ponto de desaparecer da nossa vida. Por fim, o homem tomou-se indiferente ao espírito, chegando a confundir Ciência com Civilização. Ele se ajoelha diante do trono da Ciência e se satisfaz na sua condição de escravo. Este é o aspecto do mundo moderno. Por acaso o homem não prova isso entregando nas mãos da Ciência o que ele tem de mais precioso, que é a vida? Embora ela não consiga garantir a vida humana, os homens modernos não o percebem e continuam depositando-lhe cega confiança.

Deus compadeceu-se dessa cegueira e está procurando orientar o homem através de nossa Igreja. Por meio da realidade o Todo-Poderoso revela que a vida não pertence à matéria, que apenas ela é invisível aos olhos humanos, mas possui existência absoluta sob Sua direção. A melhor prova consiste no fato de que pessoas desenganadas pela medicina são salvas freqüentemente pelo Poder Divino Surge, então, a seguinte pergunta: "Por que uma questão de vital importância, como a vida, permaneceu na obscuridade?" Efetivamente, isso ocorreu pela necessidade de impulsionar a cultura científica até certo ponto. Tal acontecimento faz parte da Providência Divina; é um fenômeno passageiro, proveniente da época e, na sua fase transitória, levado ao exagero. Mas Deus corrigirá tal exagero. Como Ele esclarece, nitidamente, o limite entre a ciência material e a ciência espiritual, esta acertará os passos com a primeira, progredindo e desenvolvendo-se até constituir-se um mundo realmente civilizado. em resumo, o mundo presente termina aqui para dar origem a um novo mundo.

RELIGIÃO ATIVA

30 de julho de 1952

Os leitores poderão estranhar quando eu disser que há religiões ativas e religiões inativas. E justamente o que pretendo explicar agora. Religião ativa é aquela que está relacionada com a vida prática, e a inativa ou morta, exatamente o oposto. Infelizmente, é raro encontrar uma religião, dentre as muitas existentes, que esteja perfeitamente entrosada com a vida prática. As doutrinas são elaboradas com perfeição, mas não podemos esperar muito do seu poder doutrinário. No período da fundação de muitas religiões, há centenas ou milhares de anos, talvez suas doutrinas estivessem de acordo com a situação social da época, exercendo sobre ela grande influência. Sabemos, no entanto, que esse poder foi enfraquecendo com o passar do tempo, até atingir o estado em que hoje se encontra. Lamentavelmente, esta é a ordem natural das coisas; tudo sofre essa mudança, que acabou ocorrendo também no âmbito da Religião. O surto de novas religiões adaptadas à época no decorrer destes anos, é um fato inegável, observado em todos os países. Mas essas religiões acabam sempre desaparecendo, por faltar-lhes poder suficiente para superar as anteriores. Exemplifiquei as mudanças ocorridas nas religiões; agora desejo falar sobre as características das religiões modernas. É do conhecimento geral que o desenvolvimento da Ciência, a partir do século XVIII, vem constituindo uma verdadeira ameaça para as religiões, e não se pode negar que ele tenha contribuído para a sua decadência. A Ciência dominou a tal ponto a mente humana, que o homem só aceita aquilo que tem explicação científica. O fato ainda seria desculpável, se não tivesse dado origem ao pensamento ateísta e à cor- rupção moral sem fim, criando confusão social e transformando este

Deus compadeceu-se dessa cegueira e está procurando orientar o homem através de nossa Igreja. Por meio

mundo num verdadeiro caos. Ainda há religiões antigas que se esforçam para doutrinar o povo com ensinamentos, os quais foram sendo aperfeiçoados após sua elaboração, centenas de anos atrás. Mas falta poder doutrinário a essas religiões, distantes da atualidade, e a carência de realismo torna sua existência equivalente à das antigüidades. Na época em que surgiram, elas foram úteis, mas hoje seu valor não vai além de uma preciosidade histórica e cultural. Dentre as novas religiões, há algumas que se aproveitam dessas preciosidades históricas adornando-as ricamente, para atrair as pessoas; mas, com certeza, terão seus dias contados.

Diante de tudo isso, é admissível que a Religião tenha ficado abandonada por muito tempo, sendo superada pelo maravilhoso progresso da cultura. Exemplificando, é como se quiséssemos usar carro de bois numa época em que nos servimos de aviões, automóveis e telégrafo A nossa Igreja respeita a História, mas não se prende a ela, progredindo de acordo com a Vontade Divina e através dos seus próprios métodos. As atividades relativas á obra que estamos realizando, abrangem a reforma da agricultura e da medicina, apontam as falhas de todas as culturas e adotam, como princípio orientador, o ideal de uma nova civilização. Uma de suas principais realizações vem a ser a construção do protótipo do Paraíso Terrestre e do Museu de Arte. Além de servir-se dessas construções como recantos sagrados, onde os espíritos maculados e exaustos possam se sentir reconfortados, a Igreja pretende, visando o enobrecimento do caráter do homem, Torná-las um baluarte contra os divertimentos fúteis e pecaminosos de hoje em dia. De acordo como exposto acima, a atividade da Igreja Messiânica Mundial, no plano individual, consiste em salvar o homem da pobreza e contribuir para sua saúde física e mental; no plano social sua finalidade é construir uma sociedade sadia e pacífica. Sentimo-nos imensamente feli- zes ao saber que, ultimamente, o nosso trabalho está sendo reconhecido pelos eruditos e tornando-se alvo de suas atenções. Embora, no momento, seja uma obra insignificante, no dia em que ela for ampliada e difundida no mundo inteiro, surgirá em todos os países a idéia de um mundo ideal, repleto de paz e felicidade. Afianço que isso não é um sonho. Que vem a ser, portanto, uma religião ativa, viva, senão a nossa, com todos esses exemplos? Infelizmente, a sociedade atual olha as novas religiões com indiferença e desprezo, e isso se acentua principalmente na classe dos intelectuais, que assumem uma atitude cautelosa perante o povo, mesmo quando se referem á nossa Igreja. Entretanto, eu compreendo perfeitamente a razão dessa atitude. As religiões antigas geralmente contam com espantoso número de adeptos, mas estes, na maioria, são pessoas de pouca cultura. Entre as religiões novas, há algumas que não despertam nenhum interesse, devido às suas palavras e práticas excêntricas; outras, possuem elementos supersticiosos em grande proporção, que o bom senso nos leva a repelir. Creio que isso não durará por muito tempo, mas desejo que os responsáveis por essas religiões usem de reflexão.

Há, também, teólogos que, para adaptá-las ã época, reproduzem e vestem de uma nova roupagem as doutrinas dos antigos santos, sábios e mestres. Isso confere a elas uma aparência progressista e de fácil aceitação pela classe intelectual, mas resta dúvida quanto à sua validade em relação à vida prática. O assunto me faz recordar o pragmatismo de William James, o famoso filósofo americano. Essa doutrina filosófica preconiza a "filosofia em ação", e eu pretendo estendê-la também à Religião, isto é, a Religião deve ser prática e ativa.

4 de novembro de 1953

RELIGIÃO QUE REVELA DEUS

Quando incentivamos as pessoas descrentes a crerem em Deus, a maioria reage, pede que provemos com clareza a Sua existência, e assume uma atitude intelectual, dizendo não poder perder tempo com superstições. Essa tendência é notadamente acentuada entre as pessoas cultas. Mas não podemos criticá-las, porque elas têm suas razões. Sua atitude explica-se pelo fato de que a maior parte das religiões é anti-científica, sendo raras as que não estão afetadas por superstições. Muitas não conseguem dar provas claras da existência de Deus e criam hesitação entre a Sua existência ou inexistência. Portanto, não é de se estranhar que haja tantas pessoas indiferentes a Fé. A Igreja Messiânica Mundial mostra claramente a existência de Deus. Todos aqueles que entram em contato com ela, sentem-se maravilhados ante a constatação dessa verdade. A melhor prova está nos inúmeros milagres e graças alcançados, através da Igreja, pelos seus fiéis. Infelizmente, são pouquíssimas as pessoas que crêem por meio da simples leitura ou explanação oral das experiências de fé dos fiéis. A maioria acha-se impedida de aceitar os fatos como realmente são, por professarem uma fé de baixo nível. Em parte, isso se entende, mas não deixa de ser deplorável. Costumo sempre afirmar que a nossa Igreja não é uma religião, e sim uma Ultra-Religião, uma grandiosa obra salvadora; Os novos fiéis costumam dizer que, no inicio, quando leram as nossas publicações pela primeira vez, não conseguiram crer integralmente no que elas expunham, achando a doutrina messiânica muito diferente não só das doutrinas professadas por outras Igrejas, como também das teorias científicas. Considerando que nenhuma experiência e perdida, eles começaram a receber Johrei cheios de desconfiança. Assombrados com o fato dele consistir apenas no levantar das mãos, pensaram em desistir, julgando impossível a cura por meio de um ato tão simples. Entretanto, sentindo-se mais dispostos no dia seguinte, continuaram a recebê-lo e melhoraram rapidamente. Esse é o testemunho unânime dos que relatam sua experiência. E justamente porque a nossa Igreja evidencia graças imediatas, pouco comuns, que os intelectuais cometem um engano, chamando a isso

de superstição. Esse modo de interpretar e pensar não deixa de ser um grande obstáculo; contudo, dentre os que se tem na conta de eruditos, há muitas pessoas de mente sã que se tornam felizes por ingressarem na Fé, aceitando plenamente a realidade evidenciada. Tanto os mais obstinados, como os devotos da Ciência, acabam se dando por vencidos diante das provas da existência de Deus apresentadas pela Igreja Messiânica Mundial através de milagres sem conta, nunca manifestados antes. 9 de janeiro de 1952

RELIGIÃO CRIADORA DE PESSOAS FELIZES

A Religião não é nada mais do que a cristalização do amor de Deus para guiar os infelizes ao caminho da felicidade. Ninguém ignora que muitos lutam em vão para conseguir a felicidade almejada; raras são as pessoas que a conseguem, depois de uma vida inteira de lutas. E de pouca utilidade colocar em prática a teoria que nos foi legada através da instrução e de biografias e leituras referentes aos exemplos de grandes personagens. A teoria bem formada merece admiração, mas todos sabem, por experiência própria, que é difícil pô-la em prática. Tem-se como crédulo ou simplório aquele que age com honestidade; entretanto, se a pessoa procede diferente, cai no descrédito social e nas malhas da Lei. Por fim, o indivíduo não sabe como agir. O que os homens consideram bem-viver e se apressam por adotar, é a vida desonesta sob a capa da honestidade. Os melhores adeptos dessa filosofia tomam-se os campeões dos bem-sucedidos, razão por que as pessoas tendem a seguir tais exemplos e o mal social não diminui. Dizem que os honestos levam desvantagem, e tudo nos faz chegar a tal conclusão, a julgar pelo aspecto do mundo, de modo que quanto mais honesto for o indivíduo, tanto mais ele se arrisca a cair no conceito de "antiquado". Observa-se com freqüência que os homens que proclamam a justiça são repelidos e fracassam na sociedade. E enorme o meu esforço para manter constantemente o conceito de justiça diante de semelhante mundo. O homem comum escarnece das minhas palavras, que ele considera crendices. Julga-me caprichoso e covarde, porque não sou interesseiro. Sente-se importunado por enfrentarmos o mal e destemidamente escrevermos a respeito, e também pelo nosso rápido progresso. Ultimamente, porém, em vista da firmeza de atitude com que nos temos mantido, apesar de todas as pressões - atitude que visa unicamente o bem - está despertando certa consideração por nós no espírito das pessoas. Alegra-nos, acima de tudo, que a situação tenha abrandado, facilitando o nosso trabalho. Isso se deve à resistência que oferecemos a todas as perseguições, tendo Deus por nosso apoio, e ao fato de a Igreja Messiânica Mundial possuir o Johrei, inexistente nas demais religiões. Felizmente, alcançamos a liberdade religiosa com o advento da democracia. O ambiente ficou favorável, em comparação com o do Japão

anterior à Guerra, tornando possível, através da justiça, eliminar o mal e caminhar ao encontro do bem. A seguir, tratarei do problema concernente à felicidade do homem. Naturalmente, o bem constitui a base da felicidade, sendo óbvio insistir sobre a necessidade de ele ter força suficiente para vencer o mal. Até agora, entretanto, na sua maioria, as religiões careciam dessa força; por conseguinte, não proporcionavam a felicidade desejada. Sendo assim, tiveram de pregar a Iluminação para satisfazer o povo, no seu desejo de atingir, pelo menos, a paz espiritual, uma vez que não conseguiam obtê-la na sua totalidade, isto é, espiritual e materialmente. Ou então pregaram a resignação, através do espírito de expiação e do princípio de não- resistência contra o mal. Criaram, portanto, a teoria da negação da graça na vida presente, o que explica ser classificada de superior a religião que visa à salvação do espírito, e de inferior aquela que consegue obter, também, os benefícios do mundo. Mas essa teoria não passou de um recurso para determinada época. Darei exemplos. Há pessoas que, embora torturadas por uma doença prolongada, dizem-se alegres, alegando estarem salvas quando na realidade estão apenas resignadas, sufocando seus verdadeiros sentimentos. Isso é uma espécie de auto-traição. Por natureza, a verdadeira satisfação nasce com o restabelecimento da saúde, se for esse o caso. Em todos os tempos houve famílias que, não obstante o ardor de sua fé, não foram agraciadas materialmente, permanecendo vítimas de desgraças. Dessa forma, acabaram por se iludir, julgando que a essência da Religião só objetiva a salvação espiritual. A Igreja Messiânica Mundial salva tanto o espírito como a matéria. Podemos afirmar que vai, além disso. As obras de construção dos protótipos do Paraíso Terrestre em diversas localidades, assim como a construção de museus de arte que estamos realizando dependem inteiramente dos donativos dos fiéis. A Igreja abomina a exploração, contando apenas com recebimento do donativo espontâneo. Apesar disso, é realmente milagroso o fato de se conseguir a quantia necessária para o empreendimento de uma obra de tal envergadura. Isso prova a prosperidade dos fiéis. O donativo, longe de ser temporário, tende a aumentar, razão por que nunca me preocupei com dinheiro. Na época em que apareceram as religiões antigas, os ensinamentos podiam ser de caráter limitado, de Fé "Shojo", mas hoje a realidade é outra. Tudo adquiriu caráter universal, de modo que é preciso uma organização grandiosa, para salvar a humanidade. Quanto maior a organização, maior o número de pessoas salvas. Por isso, ao tomar conhecimento dos seus objetivos, ninguém deixará de reconhecer a importância da nossa Igreja.

10 de junho de 1953

IGREJA ABRANGENTE

Poderão compreender melhor a nossa Igreja, se a compararmos com uma loja de departamentos. A comparação talvez não seja muito apropriada, mas considero-a a mais adequada e de mais fácil compreensão. Eis os motivos:

Sempre tenho afirmado que a Igreja Messiânica Mundial abrange o cristianismo, o xintoísmo, o budismo, o confucionismo, a Filosofia, a Ciência, a Arte, enfim, todas as expressões da cultura. (Entre elas, dedicamos especial atenção aos problemas concernentes ã doença, ã saúde e à agricultura, no campo da Ciência, e também às artes) Logicamente como o seu nome está mostrando, a nossa Igreja tem por objetivo empreender a grandiosa obra Salvação do Mundo. É natural, portanto, que apontemos as falhas existentes em todos os setores relacionados com a vida do homem, dispensando a este a mais elevada orientação. Não obstante o maravilhoso progresso da cultura contemporânea, as falhas apresentadas por ela são tão numerosas que causam espanto As falhas superficiais não são muito graves, porque a própria sociedade as percebe e pode corrigi-las; as falhas interiores, no entanto, por não serem divisadas a olho nu, só podem ser corrigidas por um meio: desvelando-as através da Luz de Deus. Por essa razão, estamos dissecando todos os setores da cultura atual, a fim de que, trazendo à tona a verdadeira natureza de cada um deles, possamos planejar a concretização de um mundo melhor. Somente dessa forma poderemos alimentar esperanças quanto ao advento da era da Civilização Celestial. Eis, em breves palavras, o sentido da expressão "Igreja Abrangente."

ULTRA-RELIGIÃO

28 de março de 1951

Qualquer pessoa tomará por um sonho descabido o objetivo da nossa Igreja - construir um mando sem doenças, pobreza e conflitos, ou seja, o Paraíso Terrestre, que corresponde ao "Advento do Reino dos Céus", pregado por Cristo, ou à "Vinda do Messias", da religião judaica. Sakyamuni disse que, depois de sua morte, surgiria um mundo perfeito. Não afirmou, entretanto, que esse mundo estivesse iminente; ao contrário, disse estar infinitamente longe: 5.670.000.000 de anos. Todas essas profecias foram de grande utilidade. Se não houve referência a um plano de execução, devemos interpretar que ainda não era chegado o tempo, mas sabemos .que a aceitação e a prática dos ensinamentos pregados pelas religiões antigas tornaram-se o alicerce das religiões atuais. Naturalmente, cada religião criou e divulgou os seus protó- tipos, formas e métodos, adaptáveis aos diferentes povos e países. Evidentemente, as religiões foram criadas sob o desígnio de Deus, para serem condicionadas a determinadas épocas, localidades, povos,

tradições, costumes, etc. Graças a essa força, a cultura alcançou o deslumbrante progresso que hoje apresenta. Não fossem as religiões, o mundo estaria à mercê de Satanás, ou talvez, destruído. Ao refletirmos sobre esses assuntos, não podemos deixar de levar em consideração os grandes méritos dos fundadores de religiões. Todavia, embora estas últimas hajam evitado a destruição do mundo, é duvidoso que o seu poder seja eficiente para o mundo atual ou para o futuro. Isto porque a humanidade padece de um sofrimento infernal, o que comprova a deficiência das Igrejas, as quais não conseguem conduzir os sofredores ao estado celestial. Só um número restrito de povos participa dos benefícios da civilização moderna. Presentemente, a humanidade carece muito do espírito de paz. Uma observação sobre o mundo atual faz com que as pessoas prudentes sintam a necessidade do aparecimento de uma grande luz que dissipe as trevas, isto é, o poder salvador de uma Ultra-Religião. Nesse sentido, consciente da responsabilidade que lhe cabe como sendo esta Ultra-Religião, nossa Igreja vem apresentando resultados surpreendentes. 20 de julho de 1949

EU ESCREVO A VERDADE

Comecei a escrever há mais de dez anos; naturalmente, apenas sobre assuntos relacionados à Fé. Ao contrário de outros fundadores de religiões, procurei eliminar formalidades e palavras difíceis, utilizando uma linguagem que todos pudessem compreender facilmente. De modo geral, as religiões são boas. Entretanto, se por um lado elas possuem o que poderíamos chamar de característica peculiar a toda religião, por outro lado têm um certo mistério que ora julgamos entender, ora nos parece incompreensível, e talvez seja por isso mesmo que elas exercem atração. Sendo difícil compreendê-las, as religiões podem ser interpretadas de várias maneiras, dependendo da pessoa, o que facilita a formação de seitas. Além disso, quanto mais adeptos tiver uma religião, mais probabilidade ela terá de subdividir-se. A História nos mostra a luta que travaram entre Si essas facções. Assim, não conseguindo captar a essência da Fé, os fiéis sentem freqüentes dúvidas, tornando-se difícil alcançarem a verdadeira paz e iluminação espiritual. Através dos métodos utilizados até agora, não conseguiremos obter a unificação harmoniosa nem mesmo de uma só religião. Conseqüentemente, a unificação de todas elas torna-se uma utopia. Esse deve ser, também, o motivo do aparecimento de novas religiões a cada ano que passa. Observando somente o Japão, notamos que a tendência atual é aumentar o número de religiões proporcionalmente ao aumento da população. Jeová, Deus, Logos, Tentei, Mukyoku, AmaterassuOkami, Kunitokotati no Mikoto, Cristo, Shaka, Amida e Kannon constituem o alvo da adoração de diversas religiões. Além destes, que são os principais, poderíamos citar Mikoto, Nyorai, Daishi e inúmeros outros. Sem dúvida

alguma, não levando em conta Inari, Tengu, Ryujin e mais alguns, que pertencem a crenças inferiores, todos eles são divindades de alto nível. Remontando às origens, é óbvio que só existe um deus verdadeiro, isto é, DEUS. Ate hoje, contudo, cada religião se considera mais elevada que as demais, havendo, também, certa dose de discriminação entre elas. Dessa forma, é impossível promover-se a união de todas. Apesar disso, O objetivo final de todas as religiões é o mesmo; não há uma sequer que não deseje o Céu ou o Paraíso neste mundo, ou melhor, a concretização do Mundo Ideal, um mundo onde todas as criaturas sejam felizes. Mas o que é preciso para que esse mundo se concretize? É preciso que surja uma religião universal, que englobe o mundo inteiro. Deverá ter as características de uma Ultra-Religião, ser tão grandiosa que toda a humanidade possa crer nela incondicionalmente. Não quero dizer que essa religião seja a Igreja Messiânica Mundial, mas a missão de nossa Igreja é ensinar o meio que possibilitará a realização do Mundo Ideal, ou seja, mostrar como elaborar o plano, o projeto para a construção desse mundo. Na medida em que aumentar, em cada pais, o número de intelectos conscientes disso, estaremos marchando passo a passo para atingir nosso objetivo. Em síntese, será a concretização da Verdade. Através dela, todos os erros se tornarão claros e serão corrigidos, surgindo o Mundo de Luz, claro e límpido. Naturalmente, a humanidade se libertará do Mal; o Bem, que estava subjugado por ele, triunfará, e o homem alcançará a felicidade. Portanto, em primeiro lugar, é fundamental que a Verdade seja conhecida pelas pessoas do mundo inteiro. O empreendimento que agora estou realizando - um grande esforço para revelar a Verdade através de explanações escritas - constitui uma fase importantíssima para a concretização desse mundo.

25 de setembro de 1951

CONCRETIZAÇÃO DA VERDADE

O verdadeiro objetivo da Religião é a concretização da Verdade. Mas que é a Verdade? A Verdade é o próprio estado natural das coisas. O Sol desponta no nascente e desaparece no poente; o homem inevitavelmente caminha para a morte (essa morte a que o budismo se refere com as expressões "tudo que nasce está sujeito a desaparecer" e "todo encontro está condenado à separação"). O homem manter-se vivo através da respiração e da alimentação também é Verdade. A mente humana anda tão confusa, que preciso insistir sobre assunto tão óbvio. Observando os revoltantes acontecimentos deste mundo, o caos reinante na sociedade, os conflitos, a desordem, o pecado, é impossível negar que tudo contribui mais para a infelicidade do que para a felicidade do homem. Precisamos, pois, conhecer a razão de tais coisas. Tudo se ba- seia no fato de estarmos longe da Verdade isso é evidente. O problema é que não temos consciência disso.

Vou explicar meu ponto de vista. Vejo que o homem moderno perdeu a noção da Verdade. Parece que a vida se mostra tão difícil para ele, que lhe falta tempo para refletir sobre o assunto. A Religião, também, até hoje não tinha condições para esclarecer o que é a Verdade, e transmitia noções falsas acreditando serem verdadeiras. Se a Verdade pudesse ter sido revelada tal qual é, a situação humana seria muito melhor Talvez até tivéssemos construído algo semelhante ao Paraíso Terrestre. Mas é chegado o tempo de revelar a Vontade de Deus e pregar a Verdade, para que esta possa se concretizar. E a Vontade de Deus é que ela seja transmitida claramente. Se aqueles que lerem minhas palavras tiverem a mente livre de preconceitos, certamente hão de obter a correta visão da Verdade. Gostaria de dar uma explicação que todos compreendessem. O homem adoece porque se distancia da Verdade e por motivo idêntico não consegue curar-se. Política errônea, má ideologia, aumento de crimes, crise financeira, inflação e deflação, tudo isso se deve, também, ao fato de o homem desviar-se da Verdade. Tudo que desejamos logo se realizaria se estivéssemos de acordo com a Verdade; foi com esse propósito que Deus criou a sociedade humana. Eis por que não é difícil a formação de uma sociedade ideal, nem é impossível ser feliz. Nisto reside a possibilidade do advento do Paraíso Terrestre. Alguns, talvez, achem estranhos os meus pontos de vista, mas não há razão para isso. Tudo que estou dizendo tem muita lógica. Minhas idéias só parecerão estranhas a quem não estiver voltado para a Verdade. Quanto mais absurdas elas parecerem, mais evidente se tornará a distância do mundo em relação à Verdade. Deus concedeu ao homem a liberdade infinita. Eis a Verdade. As outras criaturas, como os animais e os vegetais, gozam de liberdade limitada. Aqui se percebe a superioridade do homem. Falar da sua liberdade, é dizer que ele ocupa o ponto médio entre os dois extremos - o animal e o Divino. Quando ele se eleva, toma-se Divino; quando se corrompe, equipara-se ao animal. Se desenvolvermos esse princípio, veremos que basta o homem querer para que o mundo se converta em paraíso. Caso contrário, ele faz do mundo um inferno. Esta é a Verdade. Não há dúvidas quanto à escolha: a não ser uma pessoa de espírito satânico, ninguém desejará ocupar a extremidade animal. De acordo com à que acabamos de expor, a formação do Paraíso Terrestre vem a ser o objetivo final do ser humano, e .0 único recurso para atingi-lo é a concretização da Verdade. Sendo esta a missão básica da Religião, eu prego a Verdade e me esforço e trabalho incessantemente para concretizá-la.

16 de julho de 1949

VERDADE E PSEUDO VERDADE

Desde tempos remotos fala-se a respeito da Verdade, mas parece que sobre a Pseudoverdade, ou melhor, sobre a verdade aparente, ninguém fala. Entretanto, para analisarmos qualquer problema, é necessário saber diferenciá-las, pois essa distinção exerce enorme influência no resultado da análise. Muitas vezes a Pseudoverdade passa por Verdade e as pessoas comuns não o percebem. A Verdade e a Pseudoverdade existem na Religião, na Filosofia, na Arte e até na Educação. A Pseudoverdade desmorona com o passar dos anos, porém a Verdade é eterna. Quando surge uma nova teoria ou se faz alguma descoberta, as pessoas acreditam tratar-se da maior de todas as verdades; todavia, com o aparecimento de novas teses e descobertas, é comum que aquelas venham a ser superadas. Da mesma forma, por mais notável que seja uma religião, quem pode garantir que ela não se extinguirá após centenas ou milhares de anos? Não seria uma extinção total, e sim a extinção de sua parte falsa; é óbvio que se preservaria a parte verdadeira. Contudo, mesmo que não houvesse algo a preservar, essa religião não seria alvo de críticas, pois cumpriu sua missão para o progresso da cultura. Quanto mais próxima da Verdade estiver a Pseudoverdade, mais longa será sua vida; quanto mais distante, vida mais curta. Isso é inegável. Apesar da distinção entre a Verdade e a Pseudoverdade caber aos intelectuais e aos dirigentes de cada época, raros são aqueles que têm esse poder de discernimento. As vezes, a Pseudoverdade pode ser mantida por longo tempo. O absolutismo e o feudalismo usaram-na como Verdade O mesmo se pode dizer em relação ao fascismo de Mussolini, ao nazismo de Hitler e ao "hakkoiti-u" ("fazer do mundo uma só casa") de Tojo, que tiveram pouca duração. E interessante que, na época, o fato passou despercebido, e momentaneamente os povos acreditaram tratar-se da Verdade. Por causa dessa crença, até se sacrificaram vidas humanas levianamente, e não podemos esquecer quantas pessoas foram vítimas de tais enganos. Diante disso, percebemos como e terrível a Pseudoverdade. A respeito da Verdade e da Pseudoverdade, não podemos deixar de observar que elas, como já dissemos, também existem na Religião. Quantas religiões já surgiram e já desapareceram! Apesar de terem sido gloriosas no início, tiveram vida curta, não deixando qualquer vestígio. Isso ocorreu por serem religiões falsas. Entretanto, se for uma religião com valor idêntico ao da Verdade, mesmo que por algum tempo sofra uma forte perseguição, um dia, sem dúvida alguma, conseguirá expandir-se e tomar- se uma grande religião. Podemos fazer essa afirmativa observando as grandes religiões da atualidade.

30 de janeiro de 1950

LUZ DA INTELIGÊNCIA

Todos se referem à inteligência como se fosse uma coisa única. Mas ela pode ser de vários tipos, apresentando diferentes níveis de profundidade.

Dentre as inteligências, as mais elevadas são: a Divina, a sagrada e a superior Precisamos aprofundar a nossa própria fé, a fim de cultivá-las. Elas surgem quando possuímos espírito correto, que admite a existência de Deus. Quando há esforço baseado na virtude, esses aspectos superiores da inteligência se desenvolvem, e a recompensa será a ver- dadeira felicidade. Em nível mais baixo, estão as inteligências calculista, ardilosa, satânica e outras, que nascem do mal. Todos os criminosos servem como exemplo. Os delinqüentes intelectuais, especialistas em fraudes, possuem- nas em alto grau. Os conhecidos "heróis" de sucesso passageiro nada mais são do que portadores, em ampla escala, dessas inteligências nocivas.

É interessante notar que quanto maior for a inteligência do bem, mais profunda ela é; quanto maior a inteligência do mal, mais superficial. Basta analisar a vida dos criminosos, desde épocas remotas, para verificar o que estamos dizendo. Eles fazem planos aparentemente perfeitos, mas que, na prática, apresentam alguma falha. E essa falha que torna público e notório o seu fracasso. Por conseguinte, se o homem deseja crescente prosperidade, deve fazer esforços para aprofundar sua inteligência. A profundidade da inteligência depende da força da sinceridade. Assim, conclui-se que o homem cuja fé não é correta, nada conseguirá. Tão logo seja aceita essa teoria, desaparecerão os males da sociedade. O homem de hoje é superficial. Isto pode ser facilmente observado por quem examina os vários campos da atividade humana. Os políticos, por exemplo, só se ocupam de assuntos imediatos; qualquer outro é negligenciado até que tome vulto. Suas providências assemelham-se aos remédios alopatas: combatem os efeitos e não as causas. Ora, todo problema surge porque existe uma causa; nada acontece sem motivo. A inteligência superficial não consegue prever o futuro, ficando impossibilitada de estabelecer uma verdadeira política. No jogo de xadrez, o mestre ganha a partida porque "enxerga" os lances subseqüentes; o novato é derrotado porque não os prevê. Neste sentido, o homem deve conscientizar-se de que precisa cultivar as inteligências de nível superior, pois, sem elas, não obterá o verdadeiro êxito. E devemos compreender que a Fé é o único meio para adquiri-las.

25 de maio de 1949

AS CINCO INTELIGÊNCIAS

Há vários tipos de inteligência. Formam uma escada de cinco degraus, na seguinte ordem: Divina, sagrada, superior, ardilosa e calculista. A inteligência Divina é a mais elevada, e Deus a concede a certas pessoas para que cumpram missões importantes. Bem afirma o ditado:

"Diz-se que a inteligência é humana, quando o conhecimento é aprendido; é Divina, quando não depende de aprendizado."

A inteligência Divina pode ser considerada como de caráter masculino em relação à inteligência sagrada, que, por sua vez, pode ser considerada como de caráter feminino. A inteligência superior é aquela manifestada pelas pessoas sábias. No budismo, denomina-se "Tie Shokaku" (inteligência da percepção verdadeira) ou simplesmente "Tie" (inteligência). A ação dos espíritos malignos é que obscurece o discernimento humano. Os políticos e os intelectuais da atualidade dão-nos exemplo disto: gastam horas e horas discutindo problemas quase sempre de muito pouca importância. Quando se trata de assunto de grande monta, dezenas de pessoas passam a debatê-lo por várias horas, durante dias e dias, muitas vezes sem chegar à conclusão desejada. Isso prova a lentidão mental do homem contemporâneo, pois todo problema só apresenta uma solução. Jamais houve um problema com muitas respostas. E dizer que tantos cérebros levam vários dias só para encontrar a solução de um problema! E desolador .. A causa dessa lentidão mental é a escassez de inteligência superior, pois as mentes se acham obscurecidas. E se elas estão obscurecidas é porque cultivam idéias satânicas, decorrentes da devoção ao materialismo. Essa devoção provém do não-reconhecimento da existência de Deus. Ora, se as pessoas não reconhecem a existência de Deus, é porque falta uma religião com o poder de inspirar-lhes essa crença. A verdadeira religião deve ser capaz de mostrar claramente que Deus existe. A própria necessidade de insistir neste assunto é decorrente da fraqueza mental do homem moderno. De acordo com a teoria que expomos quem possui inteligência superior, consegue resolver qualquer problema em poucos minutos. Eu, pessoalmente, limito há trinta minutos os debates de meus subalternos, seja qual for o problema discutido. Quando a questão se prolonga por mais de uma hora, aconselho que interrompam a reunião, deixando-a para, outro dia, ou que me consultem sobre o assunto. E claro que não atendo à modéstia quando digo que quase sempre consigo resolver qualquer problema em poucos minutos, por mais difícil que ele seja. Excepcionalmente, se aparece uma questão que não resolvo logo, protelo-a sem me esforçar. Momentos depois, infalivelmente, vem-me a inspiração para solucionar o caso. Analisemos á seguir, a inteligência calculista. Todos a consideram uma inteligência superficial; seu sucesso é passageiro, resultando sempre em derrota, e os que dela se utilizam perdem a confiança dos outros. A inteligência ardilosa pode ser considerada como perversidade é a inteligência do mal. Milhares de pessoas a empregam quase sempre pertencente às classes dirigentes e intelectuais. Assim, é impossível a sociedade melhorar. Tão logo essa espécie de inteligência seja erradicada do Universo, surgirá urna sociedade sadia e países magníficos. Mas haverá meios de erradicá-la? Certamente que sim. Basta destruirmos sua

raiz. Essa tarefa cabe a uma religião poderosa, capaz de despertar a fé em Deus. 20 de agosto de 1949

A CONSTRUÇÃO DO PARAÍSO E A ELIMINAÇÃO DO MAL

Para que este mundo se transforme em Paraíso - objetivo de Deus - existe uma condição fundamental: eliminar a maldade que a maioria dos homens traz no mais profundo recanto de suas almas. Pelo senso comum, as criaturas desaprovam o mal e temem o contato com ele. A Moral, a Ética e a Educação procuram reprimi-lo. A Religião, também, tem por ensinamento básico recomendar a prática do bem e combater o mal. Observando a sociedade, vemos que os pais repreendem os filhos; os maridos, as esposas; as esposas, os maridos; os patrões, os empregados. A tudo isso, acrescentam-se as leis, que, por meio de sanções, tentam impedir o mal. Entretanto, apesar de todo esse esforço, a quantidade de pessoas más é incalculavelmente maior que a de pessoas boas; para termos uma idéia mais precisa, entre dez, pessoas, talvez nove sejam más.

Falando em homens maus, devemos lembrar-nos de que existem vários níveis de mal: os grandes, os médios e os pequenos. Citemos alguns exemplos: o mal premeditado praticado conscientemente; o mal que cometemos inconscientemente, sem perceber que o estamos cometendo; o mal que praticamos por não haver outro recurso; o mal que fazemos acreditando ser um bem. O primeiro não necessita de maiores esclarecimentos; o segundo é o que mais se vê; o terceiro, em termos de povos, é praticado pelos selvagens, e, em termos individuais, pelos loucos e pelos retardados, conseqüentemente não é tão grave; já o quarto, isto é, o mal que se faz pensando ser um bem, é o mais prejudicial, pelo empenho com que as pessoas o praticam, sem o esconder Deixarei os detalhes para o fim; agora quero mostrar a forma como geralmente se encara o mal, do ponto de vista do bem. Observando o mundo contemporâneo, constatamos que o predomínio do mal é tão grande, que podemos perfeitamente dizer que ele é o mundo do mal. A História nos dá inúmeros exemplos de homens bons que foram atormentados pelos perversos; da situação inversa eu nunca ouvi falar. Como o mal possui mais adeptos que o bem, enquanto os malvados vivem burlando as leis e agindo como bem entendem, os bons ficam subjugados, vivendo constantemente sob terror Esta é a situação do mundo atual. Por serem mais tacos, os bons são sempre atormentados e maltratados pelos maus. A democracia surgiu em contraposição a esse absurdo estado de coisas e por isso tem uma origem natural. O Japão, que viveu sob o domínio do pensamento feudal, insistiu em manter uma sociedade onde os fracos são vítimas dos fones, mas, felizmente, com a ajuda do exterior; conseguiu implantar o regime democrático. Por esse motivo, ao invés de dizermos que, no Japão, a democracia teve uma origem natural, devemos

dizer que ela foi um resultado natural. Eis um raro exemplo da vitória do bem sobre o mal. Contudo, a democracia japonesa ainda não está muito firme; em vários setores há resquícios de feudalismo. E talvez eu não seja a única pessoa a perceber isso. Vejamos, também, a relação entre o mal e a cultura. O aparecimento daquilo a que se costuma chamar cultura pode ser explicado da seguinte maneira:

Na era subdesenvolvida e selvagem, os fortes pressionavam os fracos tolhendo-lhes a liberdade, impondo-lhes a força, cometendo assassinatos e agindo como bem entendiam. Como resultado, os fracos inventaram vários meios de defesa: fabricaram armas, construíram muralhas, facilitaram os transportes, etc. Em grupos ou mesmo sozinhos, eles se esforçavam de todas as maneiras possíveis. Isso, naturalmente, serviu para desenvolver a mente humana. Com o correr do tempo, para garantir a segurança dos fracos, fizeram-se contratos entre grupos, os quais, possivelmente, deram origem aos acordos internacionais de hoje. Socialmente, foi criado algo semelhante as leis, com o objetivo de limitar o mal; transcrito em forma de códigos, isso deu origem às modernas legislações. Entretanto, com métodos tão superficiais, não foi possível eliminar o mal que há no ser humano. Conforme podemos ver, da era primitiva até hoje os homens vem lutando contra o mal, em defesa do bem. E quanto a humanidade tem sofrido com isso! Quantas pessoas boas foram sacrificadas! Para aliviar tão grande sofrimento, apareceram vários reli- giosos de grande porte Como os fracos eram sempre atormentados pelos fortes e não tinham forças suficientes para se defender, esses religiosos pelo menos tentaram amenizar espiritualmente suas aflições e dar-lhes esperança. Ao mesmo tempo, para combater o mal, pregaram a Lei da Causa e Efeito, na tentativa, de obter o arrependimento e a conversão dos perversos. E inegável que obtiveram alguns resultados positivos, mas não conseguiram mudar a maioria. Por outro lado, materialmente, instituíram-se os estudos, desenvolvendo-se a cultura material como uma tentativa para combater, através do seu progresso, a infelicidade acarretada pelo mal. O progresso dessa cultura foi muito além do que se podia imaginar; entretanto, não só ela foi inútil no sentido de evitar o mal seu primeiro objetivo mas acabou sendo usada para fins maléficos, gerando atos de crueldade cada vez maiores. Essa foi a razão pela qual as guerras passaram a ser realizadas em grande escala, até que acabou se inventando a monstruosa e terrível bomba atômica. Atingindo esse ponto, podemos dizer que chegamos a uma época em que se tornou impossível fazer a guerra. Falando sem reservas, é realmente uma ironia a cultura material ter progredido com a ação do mal e, através deste, ter se chegado a um tempo em que a guerra é impraticável. Naturalmente, no fundo de tudo isso está o milenar e profundo Plano de Deus. Tanto os espiritualistas como os materialistas desejam um mundo de paz e felicidade, mas isso não passa de um ideal, porque a realidade

que nos cerca é bem diferente. Assim, os intelectuais vivem cercados por um mar de dúvidas, batendo a cabeça contra as paredes. Entre eles, exis- tem os que procuram a Religião, a Filosofia e outros meios para decifrar esse enigma; a maioria, no entanto, acredita que o progresso científico resolverá todos os problemas O fato é que a humanidade continua sofrendo, sem perspectivas de uma situação melhor A seguir; descreverei como será o futuro do mundo. Se o mal é a causa fundamental da infelicidade humana, conforme dissemos levanta-se a seguinte questão: por que Deus o criou? Esta é a pergunta que mais tem atormentado o homem até os dias de hoje. Eis, porém, que finalmente Deus esclareceu a Verdade, que eu passo agora a anunciar. O mal foi necessário até o momento porque, através do conflito entre ele e o bem, a cultura material pôde progredir até chegar ao ponto em que se encontra. É surpreendente! Embora nem em sonho pudéssemos imaginar que o motivo fosse realmente esse, é a pura verdade. A propósito, falarei primeiramente sobre a guerra. A guerra ceifou milhares de vidas e, por ser tão trágica, os homens a temem mais do que tudo. Para fugir a essa catástrofe, usaram todos os recursos da inteligência humana, e nem precisamos falar o quanto isso contribuiu para o progresso da cultura. Entre outras coisas, a História nos mostra claramente que, após as guerras, tanto os países vencedores como os vencidos progrediram enormemente. Todavia, se elas chegassem ao extremo ou se prolongassem demasiadamente, os países seriam totalmente aniquilados, o que representaria a destruição da cultura. Sendo assim, Deus as detém num certo ponto, fazendo com que retorne a paz. Através dos relatos históricos, vemos que sempre houve alternância de períodos de guerra e períodos de paz. Na sociedade, a situação é idêntica. Os criminosos e as autoridades vivem fazendo competição de inteligência. Os desajustes de relacionamento entre as pessoas também são decorrentes da luta entre o bem e o mal. Podemos entender, no entanto, que essas divergências contribuem para o desenvolvimento da inteligência humana. Ora, se até hoje a cultura progrediu graças aos atritos entre o bem e o mal, é lícito afirmar que este foi imprescindível. Contudo, precisamos saber que não é uma necessidade eterna, ou seja, há um limite para ela. A esse respeito, devo dizer que, atrás de tudo isso, está o objetivo de Deus, que comanda o Universo. Em termos filosóficos, a expressa-o seria Ser Absoluto, ou Vontade Universal. A começar por Cristo, todos os fundadores de religiões fizeram profecias sobre o "Fim do Mundo", mas essa expressão, em verdade, significa o fim do mundo do mal e o advento de um mundo ideal - o Paraíso Terrestre isentos de doença, pobreza e conflito, o Mundo de Verdade, Bem e Belo, o Mundo de Miroku, o Reino dos Céus, etc. Os nomes diferem, mas o significado é um só. À construção de um mundo tão maravilhoso requer um preparo à altura; um preparo completo, que preencha todas as condições, tanto do ponto de vista espiritual como do ponto de vista material. Deus determinou

que primeiro se efetuasse o progresso material, pois o progresso espiritual não está preso ao tempo, podendo ser efetuado de uma SÓ vez, ao contrário daquele, que necessita de muitos e muitos anos. Para preencher a primeira condição, fez com que, inicialmente, os homens ignorassem Sua existência, concentrando-se apenas nas coisas materiais. Foi assim que surgiu o ateísmo, condição básica para a criação do mal. Assim fortificado, o mal impingiu maiores sofrimentos ao bem e, prosseguindo na luta, atirou o homem ao abismo do sofrimento. Mas o homem sempre se debateu, na ânsia de sair desse abismo, o que desencadeou a força geradora de um grande impulso no progresso da cultura. Foi trágico, porém inevitável. Com tudo que dissemos, creio que puderam ter uma noção básica sobre o bem e o mal. Tendo finalmente chegado o tempo em que o mal não será mais necessário, ou seja, o tempo presente, a questão é seríssima. Não se trata de previsão nem sonho; é a pura realidade. Acreditando ou não, o fato já está saltando aos nossos olhos, através do extraordinário progresso da ciência nuclear Por conseguinte, se estourasse uma nova guerra, não seria uma simples guerra e sim a destruição total, a extinção da humanidade. Não obstante, esse progresso é uma forma de extinguir o mal e, por isso, torna-se motivo de alegria. Como resultado, a cultura, que até hoje foi aproveitada pelo mal, sofrerá uma reviravolta, ficando à inteira disposição do bem. Daí surgirá o tão almejado Paraíso Terrestre.

13 de agosto de 1952

ERA SEMICIVILIZADA

É consenso geral que estamos vivendo um momento em que a civilização atingiu um nível nunca antes alcançado. Se compararmos a época atual com a selvageria e o subdesenvolvimento da era primitiva, veremos que houve de fato um grande progresso. Entretanto, foi um progresso apenas no sentido material, pois espiritualmente permanecemos no estado de semi-selvageria. Desde tempos remotos, continuamente os povos vêm desperdiçando a maior parte de suas energias com a guerra, a maior de todas as violências. Eles em nada diferem dos animais ferozes, que lutam mostrando suas presas e garras. É verdade, também, que existem os pacifistas, os quais não medem esforços para evitar a guerra. Podemos dizer que os primeiros são seres animalescos, e os pacifistas são seres humanos realmente. Cada uma dessas duas espécies contrastantes de homens procura satisfazer seus próprios desejos. E um dualismo que a História veio registrando através dos tempos e perdura em nossos dias. Logicamente, existe essa dualidade de pensamento também a nível indi- vidual, mas a violência está sendo evitada pela Lei, e vem sendo mantida, ainda que precariamente. Os bons e justos, no entanto, são sempre pressionados pelos maus, dos quais se tornam vítimas constantes. Vejamos outro aspecto da questão.

Atualmente, graças ao progresso da Ciência, são feitas grandiosas invenções e descobertas, as quais, dependendo da vontade das pessoas que as manipulam, podem ter resultados funestos ou, ao contrário, contribuir para o aumento do bem-estar da humanidade. O atrito entre esses dois pensamentos opostos - o selvagem e o civilizado - podem tomar-se causa da guerra, na qual essas invenções e descobertas também poderiam ser empregadas para fins maléficos. Analisando o assunto sob outro prisma, constatamos que os povos belicosos não são religiosos, ao contrário dos povos pacifistas; daí a necessidade da Religião. Portanto, não seria demais dizer que, apesar de apregoarem que estamos numa era de elevado nível cultural, na verdade estamos vivendo um período de semi-selvageria, ou semicivilização, de modo que precisamos elevar seu nível, transformando a semicivilização em civilização total, com perfeita unidade espírito-matéria. Assim, a missão dos religiosos, daqui por diante, é realmente importantíssima. 25 de junho de 1949

MATERIALISMO E ESPIRITUALISMO

A maioria dos comentários que fazem sobre a nossa Igreja é que se trata de uma religião supersticiosa. Mas qual a razão dessa afirmativa? A verdade é que o ponto de vista daqueles que tecem tais comentários difere do nosso. Eles analisam as questões espirituais tomando por base a matéria. Material, como o próprio nome está indicando, é aquilo que podemos perceber claramente através da visão ou dos demais sentidos, e por isso qualquer pessoa consegue compreender. O espírito, todavia, não é visível, conseqüentemente torna-se fácil negar a sua existência. Assim, se fizermos uma simples comparação, teremos de concordar que o espiritualismo encontra-se em situação desvantajosa em relação ao materialismo. A visão materialista está limitada pelos cinco sentidos; tem, portanto, uma existência pequena, ao passo que a visão espiritualista não

tem limites. É como se fosse o tamanho da Terra comparado com o tamanho do Universo, que é um espaço sem fim. Daqui onde estou só

consigo ver até o Monte Fuji, e olhe lá

Não passam de algumas dezenas

... de quilômetros. O pensamento, entretanto, que não podemos ver, num instante pode estender-se até o infinito. Diante dele, a imensidão da Terra é insignificante. E como se a visão espiritualista fosse o oceano, e a visão

materialista fosse o navio que nele flutua. Baseados nisso, podemos comparar o materialismo com o macaco Songolai, o qual, tentando fugir dos domínios espirituais de Buda, percorreu milhares de milhas, mas, quando percebeu, ainda estava na palma da mão de Buda, e se arrependeu do que fizera. Entre outros conceitos espiritualistas sobre o materialismo, podemos citar: "Tudo é nada", "Tudo que nasce está condenado à extinção" e "Todo encontro está fadado à separação", de Sakyamuni, ou, segundo o zen-budismo: "As coisas que possuem forma infalivelmente desaparecerão".

Pela exposição acima, acredito que entenderam como está errado analisar as coisas espirituais do ponto de vista da matéria, pois esta é finita, enquanto aquelas tem vida eterna e são infinitas. E a mesma coisa que querer colocar um elefante dentro de um pote ou ver todo o céu atra- vés de um orifício, ou seja, é ter uma visão limitada das coisas. Materialistas! Depois de conhecerem esta verdade, ainda têm algo a dizer? Pensem no que farão!

20 de dezembro de 1949

A ÉPOCA SEMICIVILIZADA E SEMI-SELVAGEM

Talvez todos pensem que a época mais próspera da civilização mundial seja a época contemporânea. Entretanto, quando analisamos bem seu conteúdo, observamos que ela apresenta muitas falhas, como podemos constatar todos os dias através dos jornais, que estão repletos de artigos sobre criminosos e criaturas desventuradas. Analisando com jus- tiça, verificamos que as coisas ruins são muito mais numerosas do que as coisas boas. Há pouco tempo, por exemplo, tivemos um caso de corrupção que se tomou um problema muito sério. Quando as autoridades começaram a investigar, o caso se diversificou tanto que nem podemos imaginar até onde se multiplicará. Portanto, ele também não seria uma pequena parte de um "iceberg"? Aliás, se investigarmos as coisas profundamente, quantas pessoas íntegras encontraremos no mundo político e econômico? Poderíamos arriscar-nos a dizer que nenhuma. Pensando bem sobre o assunto, existe algo difícil de se entender Se as pessoas relacionadas ao caso em questão fossem camponeses de instrução primária, ainda seria compreensível. Mas todas elas são pessoas civilizadas, que receberam educação esmerada. Em geral, acredita-se que, quando as pessoas recebem educação apurada, sua mente se desenvolve e elas se tomam criaturas civilizadas, de modo que, assim, os crimes tendem a diminuir Entretanto, vendo fatos como o que ora se nos apresenta, ficamos desapontados, só podendo dizer que tudo isso é realmente incompreensível. Portanto, como eu disse no titulo deste artigo, a época em que vivemos é semicivilizada e semi-selvagem, e acho que, analisando a realidade que temos diante dos nossos olhos, ninguém conseguiria fazer o contrário. Que devemos fazer então? A solução do problema não é absolutamente difícil; pelo contrario, é muito fácil. Como sempre tenho explicado, basta despertar as pessoas da educação materialista que receberam para a educação espiritualista. Em termos mais claros, destruir o pensamento errôneo de que se deve acreditar somente nas coisas que possuem forma e desacreditar daquelas que não a possuem. A única maneira de se conseguir isso é fazer com que seja reconhecida a existência de Deus através do poder da Religião. Estendendo-se esse entendimento das classes dirigentes a todas as pessoas, corrigir-se-á o conceito errado de que se pode cometer crimes, contanto que eles não cheguem ao conhecimento de terceiros. Assim, não

haverá mais criminosos e, conseqüentemente, formar-se-á um mundo onde impere o bem e a alegria. Parece, no entanto, que ninguém entende um princípio tão simples e claro como este, visto que só se procura controlar o mal por meio de fortes redes e prisões chamadas leis. Isso, porém, é tratar os homens como se fossem animais, não sendo à toa que o método não surte resultados positivos. Ora, se não se consegue manter a disciplina da sociedade nem mesmo com as malhas da lei, torna-se necessário descobrir onde está a causa do problema. Mas ninguém a percebe. A sociedade continua sendo uma coletividade constituída de seres que são meio-homens e meio- animais. Por esse motivo, está demasiado claro que já não é possível eliminar o caráter animalesco do homem através da educação materialista. O ensino ministrado até hoje, como se pode ver pelos seus resultados, não passa de uma técnica para encobrir esse caráter Dessa maneira, não podemos sequer imaginar quando se edificará uma sociedade verdadeira- mente civilizada. Portanto, para solucionar o problema, é fundamental eliminar as características animalescas da alma do homem. Não há método mais eficiente. Eis a missão da Religião. Mas é estranho que, quanto mais elevada é a educação que se recebe, mais se despreza a Religião. Por quê? Talvez seja esta a grande falha da civilização. A causa está no caráter animalesco existente no interior dos homens, o qual recusa a Religião. Ou seja, é porque o mal não gosta do bem. Daí podermos dizer que a educação da atualidade forma as "inteligências" do mal. Entretanto, chegou a hora em que tal coisa não mais será permitida, porque surgiu a Igreja Messiânica Mundial, que prova a existência de Deus e consegue fazer com que as pessoas O alcancem. Talvez achem impossível algo tão maravilhoso, mas, na realidade, pode-se conseguir isso sem nenhuma dificuldade. Pelo simples contato com a nossa Igreja, a pessoa obtém a certeza da existência de Deus, através do milagre. A melhor prova do que dizemos são as inúmeras bênçãos maravilhosas manifestadas por ela. Creio que isso representa a manifestação da Grandiosa Providência de Deus, que finalmente corrigirá essa civilização falha, semicivilizada e semi- selvagem, fazendo com que Espírito e Matéria caminhem lado a lado, para a construção do verdadeiro mundo civilizado.

14 de abril de 1954

O MATERIALISMO CRIA O HOMEM MAU

Talvez estas palavras pareçam demasiado fortes, mas não posso evitá-las, pois correspondem à pura verdade. Segundo nosso ponto de vista, o materialismo, ou seja, o ateísmo, pode ser considerado o pensamento mais perigoso que existe. Vejamos. Se Deus não existisse, eu também ganharia dinheiro enganando o próximo habilmente, de modo que não fosse descoberto; faria o que bem entendesse e, além de viver uma

vida de luxo, estaria ocupando uma posição de maior destaque na sociedade. Entretanto, consciente da existência de Deus, de forma alguma sou capaz de proceder assim. Tenho de percorrer o caminho mais correto possível e tornar-me um homem que deseja a felicidade das outras pessoas. Caso contrário, jamais poderia ser feliz e levar uma vida que vale a pena ser vivida. O que eu estou dizendo não é mera teoria ou algo parecido. Como podemos ver através de inúmeros exemplos que a História nos mostra desde os tempos antigos, por mais que a pessoa prospere por meio do mal, essa, prosperidade não dura muito, acabando por desmoronar. E um fato que deveria ser percebido facilmente, mas parece que isso não acontece. A sociedade continua as solada pelos crimes. Crimes horripilantes, como assaltos, fraudes e assassinatos; casos de corrupção de pessoas que ocupam posições elevadas, os quais se tornam objeto de comentários sociais; incontável número de crimes de pequeno e médio porte, etc. Tudo isso é uma conseqüência do pensamento ateísta; por conseguinte, podemos dizer que esta é a verdadeira causa dos crimes. Está, pois, mais do que claro que só há um meio de eliminar os crimes deste mundo: destruir o ateísmo. Atualmente, porém, os intelectuais, as autoridades e os pedagogos estão confundindo pensamento teista com superstição e tentando obter bons resultados com apoio nos regulamentos da lei, no ensino, nos sermões, etc. Dessa forma, por mais que eles se esforcem, é natural que nada consigam. As notícias publicadas diariamente nos jornais mostram-no claramente. Assim, para criar uma sociedade limpa e pura, é preciso estimular intensamente o pensamento teísta. Por infelicidade, o Japão encontra-se em tal situação que, quanto mais instruída é a classe, maior o número de pessoas ateístas. Além disso, é comum acreditar-se que esta é uma qualificação dos intelectuais e dos jornalistas, de modo que, quanto mais a pessoa enfatiza o ateísmo, mais progressista ela é considerada. Por esse motivo, se não houver uma mudança radical, no sentido de que os ateístas sejam vistos como ultrapassados, e os teístas, como vanguarda intelectual da época, a sociedade não se tornará alegre e feliz.

7 de maio de 1952

A CIÊNCIA CRIA AS SUPERSTIÇÕES

De uns tempos para cá, alguns jornalistas do Japão vêm tachando as religiões novas de supersticiosas e trapaceiras. Dizem eles que, após a Segunda Guerra Mundial, o povo japonês passou a viver uma situação muito confusa, e que, aproveitando-se disso, começaram a aparecer religiões trapaceiras e supersticiosas, confundindo ainda mais as pessoas. Assim eles se expressam a respeito, mas não tentam descobrir as causas

do fato. Acham que as religiões novas são todas iguais e formulam definições baseadas apenas no seu entendimento pessoal e nos boatos. Não podemos deixar de nos sentir decepcionados com a superficialidade do julgamento desses jornalistas, e achamos que é responsabilidade nossa orientá-los e ensiná-los a pensar de modo correto. Entretanto, não queremos negar totalmente sua atitude, pois, como a base de seu raciocínio é materialista, é natural que eles definam como superstição tudo aquilo que não vêem. Se estivéssemos em seu lugar, obviamente agiríamos da mesma forma. Negando-se, porém, a existência do invisível, como ficaria o mundo? Talvez o materialismo o levasse a uma situação calamitosa. As relações de amizade e amor entre as pessoas, inclusive o relacionamento entre pais e filhos ou entre irmãos, passariam a ser meros cálculos de vantagens e desvantagens. A sociedade seria fria como um cárcere de pedra, e nem mesmo os materialistas poderiam suportá-la. Vemos, pois, que o modo de pensar dos jornalistas a que nos referimos encontra-se entre duas posições, sem definição precisa. Analisemos, a seguir, a situação real do mundo em que vivemos. É considerável o número de pessoas supersticiosas entre os intelectuais. Há tempos, li uma estatística dos diferentes tipos de superstições que existem em cada país; a Alemanha, considerada uma das nações mais avançadas no ensino das ciências, acusava o maior número. Desse modo, notamos que as superstições crescem proporcionalmente ao progresso científico. Bis como interpretamos o fato:

Durante longo tempo, recebemos, nas escolas, um ensino materialista cuja base é a lógica; entretanto, quando terminamos os estudos e nos integramos na sociedade, encontramos uma realidade diferente, que está em desacordo com a lógica. Em conseqüência, a maioria das pessoas começa a ter dúvidas, porque, quanto mais age em conformidade com ela, piores são os resultados. Os mais inteligentes pensam, então, em estudar uma nova sociologia que esteja de acordo com a realidade social em que vivem. Como não existe esse tipo de curso, começam a estudar sozinhos. Se forem rápidos, conseguirão atingir seu objetivo em pouco tempo; alguns, todavia, levam muitos anos. Trata-se, em verdade, de um segundo aprendizado, completamente diferente do primeiro, que custou tanto sacrifício. Contudo, é um aprendizado real, seguro, e pode ser aplicado no dia-a-dia. Os mais bem dotados, tendo enfrentado as amarguras e doçuras da vida, adquirem larga experiência, tomando-se "doutores" nessa sociologia. A maioria deles, quando se acham a um passo disso, já estão velhos, sendo que muitos acabam a vida como pessoas comuns. Existem, no entanto, aqueles que sobressaem, como por exemplo o Sr. Yoshida, primeiro-ministro do Japão, o qual se destacou pela sua superioridade e habilidade política. Com essa explicação, penso que entenderam a causa das superstições. Em resumo, se falhamos quando tentamos aplicar os conhecimentos adquiridos na escola nos quais acreditávamos piamente é fatal cairmos na dúvida. Nesse momento, toma-se muito fácil as pessoas

ingressarem em religiões supersticiosas e trapaceiras. Podemos dizer, entretanto, que nenhuma das religiões existentes realmente esclarece dúvidas. Assim, compreendemos que a culpa de tudo cabe ao ensino ministrado nas escolas, o qual está muito distanciado da realidade, e concluímos que, em parte, as superstições são criadas por certo aspecto da Educação contemporânea. Para finalizar, quero dizer que reconhecemos serem numerosas, atualmente, as religiões supersticiosas e trapaceiras, como dizem os jornalistas, mas achamos errado generalizar, porque, sem dúvida, existem algumas às quais não cabem tais designações. Ora, chamar de superstição aquilo que não o é, também constitui uma espécie de superstição. Nesse sentido, queremos prevenir aos jornalistas que escre- vam sobre as religiões supersticiosas e trapaceiras, mas que não definam com esses termos qualquer religião, pois esse procedimento representa um obstáculo para o progresso da cultura.

30 de janeiro de 1950

INADEQUAÇÃO DO ESTUDO

Costumamos referir-nos ao estudo como se só houvesse uma modalidade. Entretanto, existe o estudo vivo e o estudo morto. Parece estranho, mas vou esclarecer o que isso significa. Aprender por aprender é estudo morto, enquanto aprender algo para ser utilizado na sociedade é estudo vivo. O estudo para pesquisar a Verdade é diferente, e muito importante. Mas, vejamos, em primeiro lugar, o que é estudo. Atualmente, nas escolas primárias, secundárias e superiores, utilizam-se os livros didáticos, ou melhor, a teoria, como linha vertical; o que é ensinado pelo professor, constitui a linha horizontal. Esse método de ensino foi elaborado após grandes esforços e inúmeras experiências feitas por didatas. Logicamente, novas descobertas e novas teorias surgiram e desapareceram; algumas surgiram e foram ultrapassadas por outras mais recentes, as quais aproveitaram daquelas apenas o que tinha validade para ser incorporado. Aquilo que em outra época era considerado verdade e respeitado como regra de ouro, foi desaparecendo sem deixar nenhum vestígio, na medida em que aparecia algo que o superava. Existem, contudo, algumas teorias descobertas que se mantêm vivas até hoje, concorrendo para tornar a sociedade mais feliz. E o tempo que determina o valor de todas as coisas. Por esse motivo, embora tenhamos plena certeza de que uma teoria seja absolutamente verdadeira, inalterável e eterna, não podemos saber quando aparecerá outra que a destrua, nem quem o fará. Vários exemplos podem ser citados, desde tempos antigos. Quando aparecem novas descobertas, é natural que elas não se encaixem nos moldes das tradicionais; quanto menos se encaixam, maiores são os seus valores. Resumindo, é uma ruptura das formas enraizadas; na medida em que for mais intensa, maior a sua validade. Desse modo, é evidente que as velhas teorias são afastadas devido ao aparecimento de teorias novas, superiores a elas. Se

a verdade em que acreditávamos é ultrapassada, é porque surgiu outra de maior Luz. E assim que se processa o desenvolvimento cultural. Analisemos mais profundamente. O ensino tradicional foi sedimentando-se através dos anos, mas o progresso cultural faz com que ele se dissocie dessa forma estática numa rapidez incrível. Um dia destes, ouvi do presidente de uma empresa o seguinte comentário: "Embora seja muito inteligente, uma pessoa que saiu da universidade há mais de dez anos não consegue situar-se, em face dos problemas reais do presente. Isso acontece por não haver correspondência entre o que ela aprendeu naquela época e o tempo atual, especialmente no que se refere aos técnicos." Essas palavras vêm ao encontro daquilo que eu explanava, porque, pela sua própria natureza, os conteúdos das matérias estudadas devem se referir à época do estudo, mas, se eles não acompanharem o progresso cultural, fatalmente o estudo perderá sua validade. Exemplifiquemos. Dizem que os políticos contemporâneos tornaram-se muito "pequenos", o que significa dizer que é difícil encontrar políticos de grande envergadura. Os ministros de hoje não são nada hábeis; o máximo que eles conseguem é resolver problemas do momento. Isso ocorre porque, na atualidade, os estadistas de nível ministerial são formados pelas Universidades Federais e deixam-se levar facilmente pelas velhas teorias aprendidas. Racionais em tudo, eles não sabem que existe algo além da lógica. E a mesma coisa que utilizar o cavalo como meio de transporte numa rodovia, ou aprender a dirigir charrete ao invés de carro. O estudo destina-se ao desenvolvimento do cérebro humano. E para edificar uma base, como se fosse o alicerce de uma casa. Sobre essa base, precisamos fazer urna nova construção, ou seja, utilizar o estudo, desenvolvê-lo e com ele criar coisas novas. Isso significa ajustar os passos ao continuo progresso cultura. E não é só isso. O verdadeiro estudo vivo é aquele que avança ainda mais, desempenhando a função de orientar a cultura. Recentemente, o presidente Truman, dos Estados Unidos, declarou que, por volta de 1921, ele era um simples comerciante de variedades. Não se pode imaginar o quanto lhe foi benéfica essa experiência na realidade social. Há mais de dez anos, proclamei uma nova teoria relacionada com a Medicina; tão logo, porém, eu a publiquei em livro, este foi apreendido. Como isso aconteceu três vezes, sem que eu pudesse fazer nada, desisti. O motivo da apreensão é que a minha tese é contrária aos princípios da Medicina atual. Em relação à porcentagem de curas alcançadas por meio desta, os efetivos resultados obtidos através do meu método comprovam que ele é dez vezes mais eficaz. Além disso, não se trata de cura temporária, mas definitiva. O que estou dizendo constitui a pura verdade, sem o mínimo alarde. No prefácio do livro, eu até escrevi: "Estou pronto para comprová-lo a qualquer hora." Entretanto, como as autoridades e os especialistas não deram a mínima atenção, nada mais pude fazer. O objetivo da Medicina é curar os doentes, preservar a saúde do homem e prolongar-lhe a vida. Que objetivo poderia ter além deste? Por

mais que se preguem teorias, que se aperfeiçoem instalações e que haja aparelhagens super-sofisticadas, tudo isso será inútil se não corresponder ao referido objetivo. Baseadas apenas na diferença entre a minha teoria e as da medicina tradicional, as autoridades e os especialistas ignoraram-na sem ao menos tentar discuti-la, revelando-se, portanto, verdadeiros traidores do progresso da cultura. Como os governantes são crédulos e não levantam nenhuma dúvida, só posso dizer que os homens de hoje não passam de ovelhas indefesas. Mas qual será a finalidade da minha arrojada teoria? Eu não sou nenhum louco. Se não tivesse absoluta certeza da sua veracidade, não faria tanto empenho em divulgá-la. Na Medicina, tão orgulhosa do progresso que alcançou, eu descobri uma grande falha. Entre as grandes descobertas efetuadas até o presente, nenhuma se compara à descoberta que eu fiz, porque ela é de importância radical para a solução de todos os problemas relacionados à vida humana. Enquanto os homens não despertarem para essa grande fa- lha, as doenças jamais serão eliminadas. Prevejo, entretanto, que, num futuro próximo, quando a Medicina alcançar um progresso maior, minha teoria será confirmada. Voltando nossa atenção para a sociedade, todos nós poderemos ver como é elevado o número de criaturas que estão sofrendo, acometidas de doenças graves ocasionadas pela medicina errada, Diante disso, não podemos ficar tranqüilos. No momento, porém, nada nos resta fazer senão orar: "Ó Deus, Todo-Poderoso! Fazei, por favor, com que a Medicina abra os olhos, o quanto antes, para as suas falhas e, assim, torne saudáveis todos os homens!"

25 de junho de 1949

A RESPEITO DO ATEÍSMO

Parece regra geral desenvolver o raciocínio do ponto de vista religioso, quando se escreve sobre ateísmo, mas eu pretendo discorrer sobre esse tema sem tocar em Religião, colocando-me a mim próprio na posição de ateu. Quando uma criança nasce, o seio materno lhe fornece o leite para sua nutrição. A criança cresce normalmente e os pais ministram-lhe alimentação adequada á primeira dentição. Assim, ela vai vencendo várias fases de seu desenvolvimento, até atingir a adolescência. A alimentação, portanto, é a base do crescimento. O homem se nutre suficientemente de calorias ao ingerir alimentos com prazer, graças ao paladar. Creio ser esse o maior de todos os prazeres humanos. O físico e também a inteligência vão se desenvolvendo gradualmente através da instrução e, na mocidade, o ser humano está apto a exercer as funções normais de um adulto. Surgem-lhe, então, diversas ambições, como a ânsia de poder, o espírito de competição e de progresso e, no plano físico, em forma de diversões, folguedos e namoros.

Dessa maneira, o homem está pronto para participar da vida social, característica de um ser superior, com os sofrimentos e alegrias que nascem da razão e do sentimento. Consideremos, agora, a Natureza. No Universo, não só os fenômenos visíveis, como o sol, a lua, as estrelas, a via-láctea, a temperatura, o vento, a chuva, os animais, os vegetais e os minerais, que estão diretamente relacionados com o ser humano, mas também os fenômenos invisíveis, tudo está sob a ação e controle do poder da Natureza. Esta é a própria figura do mundo. Obser- vando-a calmamente e sem idéias preconcebidas, qualquer pessoa - a menos que seja insensível - fica embevecida com seu encanto misterioso. A Natureza é dotada de mistério profundo e insondável. Grandioso é o Céu que contemplamos e ilimitada é a sua extensão. Como se apresenta o centro da Terra? Qual o número certo de estrelas, o peso exato do globo terrestre, a quantidade das águas marítimas? Se começarmos a enumerar coisas e fatos, não acabaremos nunca. A especulação nos deixa abismados com o movimento metódico dos astros, a formação da noite e do dia, o fenômeno das estações, o sentido esotérico dos 365 dias do ano, a evolução de todas as coisas, o progresso ilimitado da civilização, etc. Quando surgiu este mundo? Qual a sua extensão? Ele é finito ou infinito? Qual o limite da população mundial? E o futuro da Terra? Tudo permanece envolvido em mistério. Tudo caminha silenciosamente, sem a mínima falha ou atraso, obedecendo a uma ordem determinada. Ainda nos deparamos com os seguintes problemas: Por que viemos a este mundo e que papel devemos desempenhar? Até quando poderemos viver? Voltaremos ao Nada, após a morte, ou existe o desconhecido Mundo Espiritual onde iremos habitar em paz? As reflexões sobre o assunto nos deixam ainda mais confusos, permanecendo tudo na obscuridade. Não há outro qualificativo a não ser o que dizem os bonzos:

"A Realidade é um Nada, e o Nada é uma Realidade." Vasta, ilimitada e infinita é a existência do mundo. O ser humano, com a pretensão de desvendar este mundo misterioso, vem empregando todos os meios, principalmente a pesquisa; apesar de seus esforços, só consegue conhecer uma pequena parcela dos fenômenos infinitos Daí atinarmos com a insignificância da inteligência humana em relação à Natureza. E significativa a expressão "sombrio vazio", também citada pelos bonzos. Entretanto, a vaidade humana, em sua tola presunção, excede-se a ponto de querer subjugar essa mesma Natureza. Sábio é o homem que, antes de mais nada, procura conhecer a si mesmo, submete-se a ela e participa das suas graças. Analisando a Natureza sob o aspecto da vida humana e do ambiente que a rodeia, subsiste um enigma que sobrepuja todos os outros:

"Quem construiu este mundo maravilhoso e o governa à sua vontade?" Ninguém poderá deixar de refletir sobre o seu Criador; nem sobre o

propósito com o qual foi construído um mundo tão esplendoroso. Procuremos imaginar esse Criador Um lar é governado pelo chefe da família; um país, pelo rei ou presidente. Logicamente, este mundo deve ser dirigido por alguém. E quem poderia ser senão o Ente conhecido como Deus? Não encontro outra conclusão. Por conseguinte, negar Deus significa negar o mundo em si mesmo. Tal lógica não permite dúvidas; se alguma pessoa duvidar; coloca- se num plano de obstinado preconceito. Nesse caso, assemelha-se aos irracionais: é desprovida de inteligência. Nossa missão é extirpar do homem essa irracionalidade, transformando-o em verdadeiro ser pensante, numa verdadeira obra de reforma humana. Até mesmo o ateu deve convir que a grandiosidade do Universo e a perfeição cósmica só podem partir de um princípio perfeito:

DEUS.

O JUÍZO FINAL

6 de janeiro de 1954

Os cristãos e todas as pessoas em geral devem estar muito interessados em saber quando e como virá o Juízo Final, profetizado por Cristo. Visto que está se aproximando a hora, vou esclarecer a questão parcialmente. Não se trata de interpretação minha, e sim de um conhecimento que me veio totalmente por intuição espiritual. Por isso, quero que tomem minhas palavras apenas como mais uma referência ou teoria.

Em primeiro lugar, é necessário definir se realmente haverá um Juízo Final. Ora, um ser Divino como Cristo, que hoje é alvo da fé de milhares de seguidores no mundo inteiro, entre os quais se contam povos de nações super-desenvolvidas, não profetizaria algo que não acontecerá. Caso sua profecia não se concretize, ele não passará de um simples mentiroso. Portanto, embora não sejamos cristãos, acreditamos nela piamente As palavras do fundador da Religião Oomoto-Kyo: "O que Deus diz não tem qualquer margem de erro, nem sequer da largura de um fio de cabelo", sem dúvida alguma podem ser aplicadas à profecia sobre o Juízo Final.

Sobre o bem e o mal também existem as seguintes profecias:

"Destruirei o mal pela raiz e construirei o Mundo do Bem"; "O Mundo do Mal já acabou"; "O Mundo do Mal atingirá o seu ápice aos noventa e nove por cento, e, com a ação de um por cento, será transformado no Mundo do Bem"; "Finalmente está chegando a hora da transição do mundo". Todas elas, creio eu, não podem dizer respeito à outra coisa senão ao Juízo Final. E aquilo a que estamos nos referindo constantemente como sendo a Transição da Noite para o Dia. Há uma frase também relacionada a essa transição: "O momento crítico deste mundo está prestes a chegar; por isso, nosso espírito precisa estar polido". Tais palavras significam que é impossível o ser humano transpor esse período estando cheio de máculas.

Tomando a Bíblia como base e analisando o sentido das profecias citadas, podemos afirmar que nos encontramos na iminência de um grande perigo; para ultrapassá-lo, precisaremos estar com o espírito purificado. Isso quer dizer que o homem mau será eliminado para sempre. Se assim for, toma-se imprescindível purificarmos nosso espírito através de uma fé correta, a fim de que possamos transpor essa fase com segurança. Os materialistas podem não acreditar, podem dizer que é um absurdo, que Deus é apenas fruto da imaginação do homem; entretanto, quando chegar o momento decisivo e, aflitos, eles quiserem voltar-se para Deus, já será tarde demais. Isso é mais claro que a luz do dia. Naturalmente, o amor de Deus é infinito e Seu desejo é salvar o maior número possível de criaturas. Nós, que seguimos Sua Vontade, estamos repetidamente advertindo os homens, através da palavra oral e escrita. Sobre o mesmo assunto existe outra advertência: "Deus está querendo salvar os homens, mas, se eles não tomarem cuidado e não derem importância a tantos avisos, encarando-os simplesmente como o canto do galo que estão acostumados a ouvir, chegará a hora em que, prostrados, terão de pedir perdão a Deus. No entanto, quando chegar essa hora, Deus não poderá ficar se ocupando dos homens. Assim, eles terão de resignar-se ante a situação criada pelas suas próprias mãos." Acho que essas palavras têm exatamente o mesmo sentido daquilo que eu acabei de explicar. A propósito, falarei resumidamente sobre o Dilúvio e a Arca de

Noé.

O fato deve ter acontecido há milhares de anos, num antigo país europeu, onde viviam dois irmãos de nome Noé. No estado que hoje chamamos de "transe", o mais velho foi avisado sobre a iminência de um dilúvio e por isso deveria alertar seu povo. Muito apreensivos, eles anunciaram aos homens o perigo iminente, mas ninguém acreditou em suas palavras. Passados alguns anos, finalmente eles conseguiram convencer seis pessoas. Então Deus lhes ordenou que construíssem uma arca, e os oito entraram nela. Pouco tempo depois, começou a chover ininterruptamente. Uns dizem que choveu durante quarenta dias; outros dizem que cem. O certo é que foi um longo período de fortes chuvas. As águas subiam cada vez mais, inundando as casas; apenas o cume das montanhas ficava de fora. Os homens tentavam entrar na arca ou refugiar-se nas montanhas, mas os animais ferozes e as cobras venenosas, querendo salvar-se, faziam o mesmo. Como a arca possuía tampa, ninguém conseguiu entrar. Famintos, os animais devoravam todos os homens; salvaram-se apenas as oito pessoas que estavam na arca. Elas são consideradas antepassados da raça branca. No Novo Testamento, existe uma passagem na qual se diz que João faria o batismo pela água e Cristo faria o batismo pelo fogo. Se o Dilúvio representou o início do batismo pela água, o batismo pelo fogo, atribuído a Cristo, só poderá ser o Juízo Final que está prestes a chegar. Acontece que a água é material, e o fogo é espiritual. Por isso, aquilo que

estamos realizando atualmente - a purificação do espírito através do espírito - nada mais é que o batismo pelo fogo. Como o espírito se reflete na matéria, a influência que esse batismo exercerá sobre ela deverá produzir uma mudança extraordinária. Mas precisamos saber que existe perigo apenas para o mal, e não para o bem. Este artigo, eu o ofereço ás pessoas descrentes. 20 de janeiro de 1950

A TRANSIÇÃO DA VELHA CULTURA PARA A NOVA CULTURA

A cultura atual, comparada à cultura primitiva, de milhares de anos atrás, alcançou um progresso assombroso e esta se expandindo cada vez mais. Todavia, o homem muito sofreu e lutou para chegar a esse ponto, enfrentando catástrofes naturais, guerras, doenças e outros males. A his- tória da humanidade mostra-nos as terríveis batalhas que viemos travando contra esses sofrimentos. E desnecessário dizer que, por trás dos objetivos do progresso, havia um plano no sentido de proporcionar a todos os homens um mundo mais feliz, de eterna paz. Para a concretização desse ideal, no entanto, os homens promoveram apenas o progresso da cultura material e consideraram a Ciência como única verdade, não dando atenção a nada mais. Toda vez que havia uma descoberta ou invenção, a humanidade as aplaudia, achando-as maravilhosas, crente de que, através delas, a felicidade aumentaria e, passo a passo, aquele ideal estaria mais próximo. Foi assim que os homens viveram correndo atrás do sonho de alcançar a felicidade. Entretanto, o progresso da Ciência atingiu o ponto de se descobrir a desintegração do átomo. Essa grande descoberta deveria ser digna de comemoração, mas, ao contrário do que se esperava, foi uma descoberta aterradora. O caminho que percorríamos pensando ser o caminho para o Céu, na verdade era o caminho indesejável para o Inferno. Inventou-se um material que, num segundo, pode acabar com milhares de vidas. Talvez a História ainda não tenha registrado nenhum acontecimento tão contrário à previsão dos homens. A humanidade ou, mais especificamente, os povos civilizados que inventaram esse terrível material, acabaram criando, também, o problema de precisarmos fugir, a todo custo, da ameaça que paira sobre as nossas cabeças. É realmente paradoxal. Contudo, pensando bem, trata-se de uma invenção que, em si mesma, nada tem de temível; pelo contrário, é uma maravilha que vem contribuir para a felicidade do homem. Ela é temida porque pode ser empregada como instrumento de guerra, mas, se for utilizada para a paz, será realmente uma grande aquisição para a humani- dade. No primeiro caso, seu emprego está baseado no mal; no segundo caso, está baseado no bem. Logo, tanto pode se tornar um instrumento benéfico como maléfico. Nesse sentido, se a pessoa que o manipula estiver do lado do bem, não haverá nenhum problema.

Mas o caso não é tão simples assim. Em termos concretos, é preciso transformar o mal em bem. Torna-se desnecessário dizer que esta é a sagrada missão da Religião. Até agora, a Religião, a Moral, a Educação e a Lei contribuíram para isso de certa forma, conseguindo alguns bons resultados, porém, ainda hoje, ao contrário do que se esperava, o bem está sendo subjugado pelo mal. A preocupação existente de que o material atômico venha a ser utilizado por este último, é uma prova do que dizemos. Entretanto, precisamos aprofundar outro aspecto da questão. Se o ato diabólico e destruidor representado pelo lançamento da bomba atômica for permitido, obviamente advirá o fim da humanidade. Sendo assim, é inadmissível que o Criador do Céu e da Terra e de tudo que neles existe, e também arquiteto do progresso atingido pela civilização, consinta passiva- mente essa catástrofe. Interpretando desse modo, que mais poderia ser isso senão o "Fim do Mundo" profetizado por Cristo? Caso não houvesse nenhuma outra profecia, a humanidade nada mais teria a fazer do que aguardar seu fim, mas Cristo também disse: "E chegado o Reino dos Céus". Torna-se evidente, portanto, que essas duas grandes profecias estão indicando o futuro do mundo, ou seja, que virá o Fim do Mundo e se estabelecerá o Céu na Terra. Foi previsto, ainda, o Retorno de Cristo e a Vinda do Messias. A propósito, também devemos pensar que, para ficarmos absolutamente livres da destruição atômica, é necessário transformar o mal em bem, conforme já explanei. E quem poderia ter força ou poder para isso senão o próprio Messias? Não obstante, mesmo ocorrendo essa grande transformação, haverá muitos que não se converterão ao bem. A estes, para os quais não é possível esperar mais nada, só poderá acontecer o pior dos piores. Cristo referiu-se a esse acontecimento com a expressão "Juízo Final". Com base no que acabo de expor, os homens devem conscientizar-se de que estamos na fase imediatamente anterior à efetiva transição do Mal para o Bem, da Destruição para a Construção, da Velha para Nova Cultura. O plano para a Nova Cultura já está muito bem preparado. Não foi elaborado pela inteligência nem pela força humana; há milhares de anos Deus o vem preparando com toda a meticulosidade. Estou vendo tudo isso de forma muito clara, e não apenas espiritualmente, mas inclusive através de fenômenos de ordem material. Vejo realmente com tanta clareza que, sem vacilação, posso afirmar que não há, em absoluto, nenhuma parcela de erro no que estou dizendo. 6 de setembro de 1950

CRIAÇÃO DA CULTURA

A

nossa

religião é denominada Igreja Messiânica Mundial.

Naturalmente, tendo ela surgido para promover a última salvação do

mundo, não há disparidade entre seu nome e sua missão, mas também poderíamos chamá-la de Igreja Criadora. Explicarei por quê. Durante dezenas de séculos, a humanidade veio empregando todas as suas forças para o progresso e desenvolvimento cultural, e, como podemos constatar, atingimos uma cultura notável e exuberante, que chega a deixar-nos maravilhados. Não haveria palavras suficientes para enaltecer esse mérito. O ideal da humanidade, obviamente, era promover a felicidade do homem; entretanto, graças à descoberta da desintegração do átomo, a realidade foi bem diferente daquilo que se esperava. O adjetivo "pavoroso" ainda seria fraco para qualificar tal descoberta, pois ela é capaz de ceifar milhares de vidas num instante. Indubitavelmente, o sonho de felicidade foi traído, mais do que se possa imaginar Quem poderia prever tão grande desgraça? Haverá existido maior desencontro que esse em toda História? A humanidade - ou pelo menos os homens cultos - precisa descobrir a verdadeira causa do problema, pois, enquanto ela não for descoberta e solucionada, o progresso da cultura obtido de agora em diante não terá nenhum sentido. A própria energia atômica, no entanto, torna-se demoníaca porque é utilizada como arma de guerra; se não o for, logicamente toma-se um maravilhoso anjo da paz. De acordo com esse princípio, não há motivo para fazermos alarde contra a bomba atômica, pois o problema está na guerra em si; conseqüentemente, não existe problema mais importante que o da sua extinção. Há milhares de anos, com efeito, a humanidade vem empregando todos os seus esforços para fugir desse horror; é um fato que todos estão fartos de conhecer. Não obstante, ao invés de ele estacionar, a realidade mostra o seu incremento, a cada guerra que é travada. Talvez isso também seja motivado pelo crescimento demográfico, mas a causa principal é o aperfeiçoamento das armas, que culminou com a invenção da bomba atômica. O que mais poderia estar indicando esse acontecimento senão a aproximação da hora de colocar-se um ponto final nas guerras? Acredito que este é o "Fim do Mundo" profetizado por Cristo. Pensando dessa forma, podemos considerar que a civilização atual seja um sucesso, mas também não podemos deixar de admitir a existência de uma falha tão grande que anula esse sucesso. Analisando desse ângulo, o certo seria despertar das falhas da cultura, as quais descrevi acima, e partir para a criação de uma cultura nova e inédita. Em outras palavras, seria o reinicio da cultura. E como se criaria essa nova cultura? Eis o grande desafio que a humanidade vive atualmente. Acredito que a Igreja Messiânica Mundial foi criada para corresponder a esse propósito. Portanto, com tão importante missão, ela visa a desenvolver, de acordo com a Ordem de Deus, a gran- diosa obra de construção do Paraíso Terrestre. Como condição básica para atingir esse objetivo, propomo-nos, antes de tudo, a eliminar a doença da humanidade. Julgo desnecessário falar muito a esse respeito, dados os maravilhosos resultados que vimos obtendo. Obviamente, a verdadeira causa da guerra é a doença; não somente a doença física, mas também a espiritual - a dos doentes do espírito que ainda não são considerados

loucos ou insanos. Fazer deles pessoas verdadeiramente saudáveis, deverá ser a base para solucionar o problema da guerra. Acredito que as demais soluções apontadas não passam de palavras vazias. 13 de setembro de 1950

CONCRETIZAÇÃO DA PROFECIA DO REINO DOS CÉUS - O PARAÍSO TERRESTRE

Creio que, para o momento atual, os pontos mais importantes da Bíblia estão resumidos nestes três: "Juízo Final", "Advento do Reino dos Céus" e "Segunda Vinda de Cristo". Um estudo Sério sobre tais fatos leva- nos a crer que o Juízo Final é obra de Deus, que a Segunda Vinda de Cristo ocorrerá no seu devido tempo, dispensando, portanto, qualquer explicação, e que somente o Reino dos Céus será construído com a força do homem. Nesse caso, é indispensável que alguém se torne o arquiteto e execute a construção. Quanto ao tempo, segundo o nosso conceito, trata- se do presente; quanto ao construtor, a nossa Igreja. A obra já foi iniciada por nós. Referi-me diversas vezes, neste livro, ao protótipo do Paraíso, que está sendo construído atualmente. A profecia de Cristo se realizará com a construção do Paraíso Terrestre, efetuada pela nossa Igreja. Mas não pretendo que, desse fato, advenha orgulho, pois a concretização da profecia bíblica se deve ao Amor Universal de Deus, que utiliza Seus escolhidos para a construção do Mundo Ideal, segundo a necessidade da época. Portanto, como a obra que estamos efetuando foi profetizada há dois mil anos por Cristo, considero cada um de nossos fiéis como participante da missão de concretizar tal profecia.

20 de março de 1950

A CULTURA DE ® ("SU")

Para falar desse tema, começarei por explicar o significado da forma ® ("su"). Como se pode ver, é uma circunferência (O) com um ponto (®) bem no centro. Se fosse apenas isso, não teria um significado muito importante; entretanto, nada é tão significativo. A circunferência expressa a forma de todas as coisas no Universo. A Terra, o Sol, a Lua e até mesmo os espíritos desencarnados e as divindades tomam esse formato para se moverem de um lugar para outro. Isso está bem comprovado pela conhecida expressão "Bola de Fogo". A "Bola de Fogo" das divindades é uma esfera de luz; a dos espíritos humanos desencarnados não possui luz, é apenas algo embaçado ou desfocado, de cor amarela ou branca. Tratando-se de espírito masculino, é amarela, e de espírito feminino, branca, correspondendo respectivamente ao Sol e à Lua. Mas vamos ao mais importante. Naturalmente, este mundo também tem o formato circular; mas não passa de um círculo, pois o seu

interior está vazio. No caso do ser humano, significa não ter alma; assim, colocar-lhe um ponto no centro, ou seja, colocar-lhe alma, é toma-lo um ser vivente. Só dessa maneira ele pode desempenhar atividades. Por conseguinte, a circunferência com um ponto no centro simboliza uma forma vazia na qual se pôs alma. Isso eqüivale à expressão "colocar espírito", usada pelos pintores antigos. Com base no que acabamos de dizer, podemos afirmar que até agora o mundo era vazio, não possuía alma. Eis, portanto, o que significa "Cultura Superficial", sobre a qual já escrevi em outra oportunidade. A prova do princípio exposto acima evidencia-se em todos os setores da cultura. O tratamento alopático das doenças, como sempre digo, também é uma manifestação desse princípio. As dores e a coceira são adormecidas por meio da aplicação de injeções ou de remédios passados no local; a febre, baixa-se com gelo; corta-se, também, a purificação tomando-se remédios. Dessa forma, o doente livra-se dos sofrimentos durante algum tempo, mas, como não se atingiu a raiz da doença, a cura completa é impossível; com o tempo, a doença retoma. Em verdade, o que acontece é apenas o seu adiantamento. Sendo assim, também a causa das enfermidades está na alma, porém até agora não se compreendeu isso. O mesmo se verifica em relação a outros males, como os crimes, por exemplos. Atualmente, eles são evitados de uma só maneira: fazendo- se o criminoso cumprir uma pena dolorosa. Trata-se de um processo idêntico ao tratamento alopático empregado pela Medicina. Por isso é que, quando alguém comete um crime, geralmente vem a cometer outros. Existe quem pratique dezenas deles, e até mesmo quem os cometa a vida inteira, passando mais tempo preso do que em liberdade. A causa disto está na falta do ponto, ou seja da alma. Sobre a guerra pode-se dizer a mesma coisa. Aumentando-se o poderio militar, o inimigo sentirá que não tem condições de vencer e desistirá da luta por algum tempo. Mas isso não passa de um meio de adiar a guerra; a História tem demonstrado que um dia, inevitavelmente, ela recomeçara. Assim, podemos entender que a cultura existente até agora era apenas uma circunferência sem um ponto no centro. Eu sempre falo sobre a teoria dos noventa e nove por cento e do um por cento. Se numa circunferência entrar um ponto, significa que por meio de um por cento modificam-se noventa e nove por cento. Em outras palavras, representa destruir noventa e nove por cento do mal com a força de um por cento do bem. Seria o mesmo que tornar branca uma circunferência preta unicamente com a força desse um por cento. Relacionando isso ao mundo, significa colocar conteúdo, ou melhor, colocar alma numa civilização vazia. Assim, estamos vivificando a civilização que até agora só apresentava forma, como se fosse um objeto inerte. E o nascimento de um novo mundo.

10 de setembro de 1952

PREFÁCIO DO LIVRO "O MUNDO ESPIRITUAL"

Neste volume estão coligidos os Ensinamentos que escrevi sobre os fenômenos do Mundo Espiritual, como resultado de estudos e pesquisas efetuados durante mais de vinte anos. Não há fantasia nem exagero em minhas palavras. Dizem que a cultura humana progrediu muito, mas o que houve foi apenas progresso da parte material; a parte espiritual, lamentavelmente, progrediu muito pouco. E o que é progresso da cultura? Em verdade, progresso da cultura significa o desenvolvimento paralelo do concreto e do abstrato. Apesar do propalado avanço cultural, o homem até hoje não conseguiu alcançar a felicidade, e a razão principal é que o progresso se efetuou num único sentido. Em outras palavras, porque a cultura material se desenvolveu muito, mas a cultura espiritual não acompanhou esse de- senvolvimento. Diante disso, eu desejo despertar a humanidade imprimindo um extraordinário progresso à cultura espiritual. Visto que os fenômenos espirituais, em decorrência de sua própria natureza, não podem ser percebidos pelos cinco sentidos do homem, torna-se muito difícil aprendê- los. Mesmo assim, como não vou evidenciar o que não existe, e sim mostrar o que de fato existe, tenho absoluta certeza de que esse objetivo será alcançado. Crendo nos fenômenos espirituais, torna-se claro que poderemos apreender a causa fundamental da verdadeira felicidade. Em outras palavras, para se obter a perfeita paz de espírito, é necessário profundo conhecimento de tais fenômenos, seja qual for a Fé que se professe. O homem não pode evitar a morte, mas conhece muito pouco sobre a vida após a morte. Meditemos. Embora possa viver muito tempo, geralmente o homem não passa dos setenta ou oitenta anos. Se isso representa o fim de tudo, a vida não é realmente vã? Caso ele pense assim, é porque desconhece totalmente que, após a morte, existe a vida no Mundo Espiritual. Suponhamos, entretanto, que o homem chegue a adquirir profundo conhecimento a esse respeito: viveria uma vida feliz neste mundo e também de pois de morrer. Existe, portanto, a possibilidade de ele se tomar eternamente venturoso. É pelos motivos acima expostos que escrevi o presente volume. 25 de agosto de 1949

O MUNDO DESCONHECIDO

Vivemos e respiramos no Mundo Material, o Mundo Temporal, mas, com a morte, tomamo-nos habitantes do Mundo Espiritual, o Mundo Desconhecido, isto é, o Mundo Intemporal.

O Mundo Espiritual é invisível, impalpável. Não sendo perceptível pelos sentidos, toma-se difícil crer na sua existência apenas por meio de palavras, através de uma simples explicação. Entretanto, visto que se trata de uma realidade e não de um vazio, seria impossível ele não se mani- festar por algum fenômeno, sob qualquer forma. Com efeito, os fenômenos espirituais - grandes, médios ou pequenos apresentam-se em todos os aspectos da vida humana, nos seus mínimos detalhes e em todos os locais do mundo. Só que o homem não os percebe. Essa falta de percepção é causada pelo desinteresse da educação da cultura tradicional em relação ao espírito, em decorrência da fase noturna que o mundo atravessava. No escuro da noite, com a luz da Lua, só se consegue enxergar escassamente, mas de dia, com a luz do Sol, é possível distinguir claramente todas as coisas, de forma global e instantânea. Num futuro bem próximo, o Mundo Conhecido, que era regido pela Lua, será o mundo regido pelo Sol, isto é, o mundo sob a Grande Luz. Como resultado dessa mudança de regência, sento revelados todos os segredos, falsidades e erros.

5 de fevereiro de 1947

O PODER DA NATUREZA

Segundo meus estudos, a Grande Natureza, isto é, o mundo em que respiramos e vivemos, está constituída de três elementos o Fogo, a Água e o Solo conforme já explanei em outra oportunidade. Atualmente, a Ciência e o homem, pelos seus cincos sentidos, têm conhecimento do eletromagnetismo, do ar, da matéria, dos elementos, etc., mas o meu propósito é falar sobre a energia espiritual, que a Ciência e os cinco sentidos do homem ignoram. A expressão "energia espiritual" ou "espírito" tem sido usada até hoje circunscrita á Religião ou à Metafísica. Por isso, na maioria das vezes, é associada à superstição. A tendência é considerar intelectual aquele que nega a existência do espírito, mas como estão enganados os que pensam assim ...

A essência daquilo a que dou o nome de espírito é a fonte do grandioso poder que dirige tudo que existe neste Universo e do qual dependem o nascimento, o crescimento, o movimento e a transformação de todas as coisas. Chamo-o de Poder Invisível. Sendo assim, daqui por diante chamarei o mundo conhecido simplesmente de Mundo Material, e o desconhecido, de Mundo Espiritual. Como lei fundamental de tudo que existe, todos os fenômenos ocorridos no Mundo Material são projeções daquilo que já foi gerado e acionado no Mundo Espiritual. Isso pode ser exemplificado pelos movimentos das mãos ou das pernas, os quais são precedidos pela nossa vontade. Até agora, contudo, os estudiosos têm procurado soluções analisando apenas os fenômenos do Mundo Material, e é por essa razão que embora se diga que houve progresso na cultura, ele não trouxe bem- estar à humanidade. Portanto, para resolver qualquer problema, é

necessário solucioná-lo primeiro no Mundo Espiritual; inclusive as doenças, cujo verdadeiro método de tratamento consiste em tratar o espírito por processos espirituais. Mesmo nos seres vivos, o corpo espiritual esta subordinado ao Mundo Espiritual, e o corpo físico, logicamente, ao Mundo Material. A doença, como já tenho explicado, é a eliminação de toxinas acumuladas, ou melhor, o processo de dissolução das toxinas solidificadas. Relacionando matéria e espírito, a acumulação de toxinas numa determinada região representa a existência de máculas na correspondente região do corpo espiritual, e o processo de dissolução significa a eliminação das máculas. Por conseguinte, todo e qualquer tratamento que se proponha a curar apenas o corpo físico é método contrário, não levando ã verdadeira solução da doença. Se o método fundamental para a erradicação das doenças é a eliminação das máculas do corpo espiritual, qual é o poder que dissipará essas máculas? E a Luz emanada de Deus e irradiada através do corpo humano. A profunda compreensão desse principio só se tornará possível através da prática do Johrei por vários anos. No momento, creio que os leitores poderão obter apenas uma noção geral; por isso, peço-lhes que leiam com esse espírito. Antes de explicar o que é o corpo espiritual do homem, toma-se necessário explicar o que é a morte. Quando o corpo material fica imprestável, por velhice, doença, ferimento, perda de sangue, etc., o como espiritual e o corpo material se separam. A esta separação é que chamamos morte. Ela ocorre quando o corpo espiritual se liberta do corpo material. O primeiro regressa ao Mundo Espiritual e, passado algum tempo, reencarna; o segundo, como todos sabem, apodrece e retoma á terra. Pelo exposto, compreende-se que o corpo espiritual tem vida infinita, e o corpo material, vida finita, existência secundária. Conseqüentemente, quando se trata de questões relativas ao homem, o verdadeiro alvo é o cor- po espiritual. Na ciência contemporânea, está se tomando conhecida a existência de uma espécie de radioatividade em todos os seres, inclusive nos minerais e nos vegetais. Meus estudos revelaram que; a radioatividade do corpo humano é de qualidade superior É como se falava nos velhos tempos: "Espiritualmente, o homem é superior a todos os outros seres." Quanto mais elevado o espírito, maior é o seu grau de rarefação (pureza), e, quanto mais aumenta o grau de rarefação, mais difícil se toma detectá-lo através de instrumentos. Portanto, opondo-se aos conceitos materialistas, é muito mais fácil captar a presença de espíritos de níveis inferiores, assim como acontece com o rádio, entre os minerais, e a fosforescência, em alguns vegetais. Todavia, é importante compreendermos este principio: quanto mais rarefeito (puro) é o espírito, maior é o seu poder de atuação. A irradiação do corpo humano é a mais poderosa, mas a grande diferença que há de umas para outras pessoas, está além da imaginação. Quanto mais poderosa for essa irradiação, maior será a atuação do Johrei.

Assim, para irradiá-la com maior potência, concentrei-a numa parte do corpo, alcançando, com isso, pleno sucesso na eliminação das máculas. Consegui, também, aumentar ainda mais a força da irradiação que cada um possui, através de um método todo peculiar Aplicando esses dois métodos, conhecendo o seu principio e somando experiências, Consegue- se manifestar um poder extraordinário.

5 de fevereiro de 1947

OS ELEMENTOS FOGO, ÁGUA E SOLO

Tudo que existe, é composto de três elementos básicos. O nascimento e o desenvolvimento de todas as coisas dependem da energia destes três elementos: o Sol, a Lua e a Terra. O sol é, a origem do elemento Fogo; a Lua, a origem do elemento Água; a Terra, a origem do elemento Solo. As energias do Fogo, da Água e do Solo movem-se, cruzam-se e fundem-se em sentido vertical e horizontal. Verticalmente, significa que do Céu à Terra há três níveis: o Sol, a Lua e a Terra. Isso pode ser claramente observado por ocasião de um eclipse solar. O Céu é o Mundo do Fogo, centralizado no Sol; o espaço intermediário é o Mundo da Água, centralizado na Lua; a Terra é o Mundo do Solo, centralizado no Globo Terrestre. Horizontalmente, significa a própria realidade em que nós, seres humanos, estamos vivendo na face da Terra, ou melhor, o Mundo Material, constituído do espaço e da matéria. A existência da matéria é perceptível por meio dos cinco sentidos do homem, mas por algum tempo o espaço foi considerado vazio. Com a evolução da cultura, nele se descobriu a existência do meio-matéria (digo provisoriamente meio-matéria) conhecido como ar. Entretanto, nesse espaço em que até há pouco se pensava existir apenas o ar, identifiquei a existência de mais um elemento denominei-o de "espírito". Algumas religiões falam sobre o Mundo Espiritual, sobre espírito dos vivos, sobre espírito dos mortos, sobre encostos, etc. Ascetas e médiuns também falam a respeito dos espíritos. Com a evolução da Ciência Espiritual nos Estados Unidos é na Europa, as pesquisas sobre o assunto estão em franco desenvolvimento, e até certo ponto podemos crer nas explanações de obras como "Raymond", da autoria de Sir Oliver Joseph Lodge (1851-1940), e "Exploration in the Spiritual World", do Dr. Ward. Mas o objetivo do meu estudo situa-se num campo completa mente diverso

Por princípio, o elemento da matéria é o Solo. Qualquer pessoa sabe que toda matéria surge do Solo e retorna ao Solo. O elemento Água, que é meio-matéria, procede da Lua e está contido no ar. O espírito, entretanto, não é matéria nem meio-matéria; irradiado do Sol, é imaterial, e por esse motivo sua existência até hoje não foi comprovada. Resumindo o Solo é matéria; a Água é meio-matéria; o Fogo é imaterial. Da união desses três elementos surge a energia. Cientificamente, quer dizer que os três, como partículas atômicas infinitesimais, tão pequeninas que estão

além da imaginação, fundem-se e agem conjuntamente. Eis a realidade do Universo. Portanto, a existência da umidade e a temperatura adequada para a sobrevivência das criaturas no espaço em que respiramos, são decorrentes da fusão e harmonização do elemento Fogo e do elemento Água. Se o elemento Fogo se reduzir a zero, restando apenas o elemento Água, o Universo ficará congelado instantaneamente. Ao contrário, se restar apenas o elemento Fogo, e o elemento Água se reduzir a zero, haverá uma explosão e tudo se anulará. Os elementos Fogo e Água unem- se com o elemento Solo, e dessa união produz-se a energia que dá existência a todas as coisas. Por essa razão, o fogo, pela sua natureza, arde em sentido vertical, e a água corre em sentido horizontal; o fogo arde pela ação da água e a água se move pela ação do fogo. Desde a antigüidade o homem é considerado um pequeno universo, porque o princípio acima se aplica ao corpo humano. Isto é, o Fogo, Água e o Solo correspondem, respectivamente, ao coração, ao pulmão e ao estômago. O estômago digere o que é produzido pelo Solo; o pulmão absorve o elemento Água; o coração, o elemento Fogo. Sendo assim, podemos compreender por que esses órgãos desempenham papel tão importante na constituição do corpo humano. Entretanto, até hoje o coração é visto apenas como órgão bombeador do sangue, o qual, cheio de impurezas, é levado ao pulmão para ser purificado pelo oxigênio. Assim, ele é tido unicamente como órgão do sistema circulatório, pois se desconhece por completo a existência do elemento Fogo. Como dissemos, o estômago digere o alimento, ou melhor, o elemento Solo ingerido pela boca; o pulmão aspira o elemento água pela respiração; e o coração absorve o elemento Fogo pelas contrações cardíacas. Portanto, a febre que sobrevem quando se adoece, tem por finalidade dissolver as toxinas solidificadas na parte enferma, e o calor necessário ao corpo, isto é, o elemento Fogo, é absorvido do Mundo Espiritual pelo coração. Isso quer dizer que as contrações cardíacas são movimentos bombeadores por meio dos quais esse elemento é retirado do Mundo Espiritual. O aumento das contrações cardíacas, ou melhor, da pul- sação, antes de surgir a febre, deve-se à aceleração da aspiração do elemento Fogo. Os calafrios que se têm na ocasião são motivados pelo desvio de calor necessário ao processo de purificação, e assim, provisoriamente, diminui-se a quantidade de calor que mantinha a temperatura do corpo. A diminuição da febre significa o fim do processo de dissolução das toxinas. Sendo assim, a temperatura do corpo é resultante da aspiração incessante do elemento Fogo do Mundo Espiritual, por meio do coração. Também o pulmão absorve incessantemente, através da respiração, o elemento Água do mundo atmosférico, e por essa razão, além do volume de líquido ingerido pela boca, a água existente no corpo humano também é absorvida, em grande parte, por intermédio dos pulmões. E graças a esse processo que, tão logo a pessoa falece, imediatamente sua temperatura cai, o corpo fica gelado e perde a umida- de, o sangue coagula e o cadáver começa a secar. Explicando melhor,

com a morte o espírito separa-se do corpo carnal e entra no Mundo Espiritual. Como desaparece o espírito, que é o elemento Fogo, a parte líquida solidifica-se. Em outras palavras, o espírito retorna ao Mundo Espiritual; a parte liquida, ao mundo atmosférico, e o corpo carnal, ao solo. 5 de outubro de 1943

ELO ESPIRITUAL

Até agora pouco se tem falado sobre elo espiritual, porque ainda se desconhece a sua importância. Entretanto, embora os elos espirituais sejam invisíveis e mais rarefeitos que a atmosfera, através deles todos os seres são influenciados consideravelmente. No homem, eles tomam-se o veículo transmissor da causa da felicidade e da infelicidade. Em sentido amplo, exercem influência até sobre a História: Portanto, o homem deve conhecer o seu significado. Primeiramente desejo advertir que isso é Ciência, é Religião e também preparação para o futuro. O princípio da relatividade, os raios cósmicos e os problemas referentes à sociedade ou ao indivíduo, tudo se relaciona com os elos espirituais. Vejamos a relação existente entre eles e o homem. Tomemos como exemplo um homem qualquer: pode ser o próprio leitor. Ele não sabe quantos elos espirituais estão ligados a ele; podem ser poucos, dezenas, centenas ou milhares. Há elos espirituais grossos e finos, compridos e curtos, bons e maus, e constantemente causam influência e transformação no homem. Portanto, não é absurdo dizer que este se mantém vivo graças aos elos espirituais. Entre estes, o mais forte é o que existe entre um casal; a seguir, o que existe entre pais e filhos, entre irmãos, entre tios e sobrinhos, entre primos, amigos, conhecidos, etc. Creio que as expressões "laços de afinidade" e "ter afinidade com alguém", usadas desde a antigüidade, referem-se aos elos espirituais. Os elos espirituais sempre se modificam, tornando-se grossos ou finos. Quando há harmonia entre o casal, ele é grosso e brilhante; quando os cônjuges estão em conflito, ele torna-se mais fino e perde o brilho. Entre pais e filhos, entre irmãos, etc., dá-se a mesma coisa. Também podem ser formados novos elos, quando uma pessoa trava conhecimento com outra, quando inicia uma amizade e, principalmente, um namoro. Chegando o namoro ao clímax, o elo toma-se infinitamente grosso e transmite intensas vibrações de um para o outro. São trocadas não só sensações agradáveis e sutis, mas também de tristeza e solidão. Por esse motivo, o elo espiritual torna-se extremamente forte e é impossível a separação. Nesse caso, mesmo que uma terceira pessoa tente interferir no romance, não só não obterá nenhum resultado mas, ao contrário, fará aumentar ainda mais o grau da paixão. Quando duas pessoas se amam, é como o pólo positivo e o pólo negativo em eletricidade, que se tocam e geram a energia elétrica; nesse caso, o elo espiritual trabalha como fio elétrico. Tempos atrás, extinguindo espiritualmente o pólo positivo, salvei duas estudantes que, envolvidas num

amor lésbico, estavam a um passo de duplo suicídio. Consegui que a moça que representava o pólo positivo voltasse à normalidade em cerca de uma semana. Esfriado o ardor da paixão, foi rompido o elo espiritual, e a outra, automaticamente, também voltou à normalidade. O elo espiritual entre pessoas que não têm laços de consangüinidade pode ser rompido, mas é impossível romper o que existe entre parentes consangüíneos. No caso de pais e filhos, deve-se dar atenção a um ponto: como eles sempre estão pensando uns nos outros, o caráter dos filhos sofre a influência do caráter dos pais, através do elo espiritual. Portanto, se os pais desejam melhorar os filhos, em primeiro lugar devem melhorar a si mesmos. Freqüentemente eles fazem coisas erradas e vivem advertindo os filhos, porém isso não dá muito resultado, e o motivo é o que acabamos de expor. Muitas vezes, entretanto, admiramo- nos por ver pais maravilhosos com um filho transviado. A verdade é que esses pais são boas pessoas por interesse e apenas na aparência, mas seu espírito está maculado, e isso se reflete no filho. Pode também acontecer que, entre dois irmãos, um seja bom e outro seja corrupto. A causa está na vida anterior e nas máculas dos pais. Para que possam compreendê-lo, falarei sobre o princípio da reencarnação. Após a morte, o espírito vai para o Mundo Espiritual, isto é nasce nesse mundo. Referindo-se à morte, os budistas usam a expressão "Odyo", que significa "vir para nascer". Analisando do ponto de vista do Mundo Espiritual, é realmente o que acontece. Ali se efetua a purificação das máculas acumuladas no Mundo Material, e os espíritos que atingiram certo grau de purificação voltam a nascer neste mundo, ou melhor, reencarnam. Todavia, há pessoas perversas que se arrependem ao morrer, seja por medo do castigo, seja por outros motivos. Tendo compreendido que o homem nunca deve praticar o mal, fazem o firme propósito de se tornarem virtuosas na próxima vida e, quando reencarnam, praticam realmente o bem. Vemos, pois, que, embora alguém seja muito bom nesta vida, na encarnação anterior pode ter sido um grande perverso. Muitos homens, enquanto estão vivos, não acreditam na vida após a morte e, depois que morrem, não conseguem se integrar no Mundo Espiritual. Pelo apego à vida, reencarnam antes de estarem suficientemente purificados e sofrem várias purificações no Mundo Material, pelas máculas que ainda restam em seu espírito. Como o sofrimento é uma ação purificadora, um homem pode ser infeliz apesar de ter sido bom desde que nasceu. Os defeituosos de nascença, como por exemplo cegos, mudos e aleijados, são pessoas que tiveram morte violenta na encarnação anterior e reencarnaram antes de concluída a purificação. Um caso interessante e freqüente de reencarnação é o de crianças que nascem com feições de velho. Isso acontece porque essas pessoas morreram idosas na vida anterior, e reencarnaram precocemente; só dois ou três meses após o nascimento é que tomam feições de bebê. Ocorre, ainda, o caso do reflexo das más características dos pais sobre um dos filhos, o qual se torna perverso, ao passo que num outro se

reflete a consciência, ou melhor, o lado bom dos pais, e por isso este filho se torna bondoso. Acontece também com freqüência que, tendo os pais enriquecido ilicitamente, um filho se torne esbanjador, gastando dinheiro como água, até acabar com a fortuna da família. Como se trata de riqueza ilícita, os ancestrais escolhem um descendente que, dilapidando essa riqueza, na verdade está trabalhando para salvar a família. Desconhecendo essa E verdade, as pessoas acham que tal filho é desprezível; por isso, ele é digno de pena. Estamos ligados por elos espirituais não só aos parentes e amigos vivos, mas também aqueles que se encontram no Mundo Espiritual. Existe, ainda, o elo espiritual que nos liga a DEUS e também o que nos liga a Satanás. Deus nos estimula para o bem, e Satanás para o mal. O homem é manejado constantemente por uma força ou por outra. Assim, o espírito que foi purificado até certo ponto no Mundo Espiritual, é escolhido como Espírito Guardião, o qual protege a pessoa confiada à sua guarda, através do elo espiritual que os une. Quando ela está sujeita a um perigo iminente, o Espírito Guardião transmite-lhe um aviso e tenta salvá-la. Como exemplo disso, podemos citar o caso de uma pessoa que vai pegar um trem mas que, por ter se atrasado ou por algum outro problema, não o pega, tomando o trem seguinte. Aí, acontece um desastre com o trem que ela não pegou, e muitos morrem ou ficam feridos. A pessoa foi salva graças ao trabalho do Espírito Guardião, que conhece antecipadamente o destino de quem lhe foi confiado no Mundo Material. A quantidade de elos espirituais varia de acordo com a posição que o homem ocupa. Numa família, quem os possui em maior número é o chefe, ligando-o com os familiares, com os empregados, com os amigos, etc. Tratando-se do presidente de uma firma, possui elos com todos os funcionários; se for homem público, como prefeito de uma cidade, governador de estado, primeiro-ministro, presidente, imperador, etc., tem elos espirituais com todos aqueles que estão sob sua administração ou governo. Quanto mais elevada a posição do homem, maior se torna o número de seus elos espirituais. Sendo assim, a personalidade de um líder tem que ser nobre, porque, se no seu espírito houver impurezas, isso se refletirá nocivamente sobre grande número de pessoas, atuando sobre o pensamento delas. O primeiro-ministro de um país, por exemplo, deve ser um homem de além de muita sabedoria, deve ter muita sinceridade. Caso contrário, o pensamento do povo se deteriora, a moral relaxa, e o número de Criminosos torna-se cada vez maior Principalmente os educadores, se soubessem que seu caráter se reflete sobre os alunos através dos elos espirituais, deveriam tomar-se pessoas dignas de exercerem essa profissão, procurando constantemente aperfeiçoar o próprio espírito. Os religiosos - especialmente os fundadores, presidentes ou ministros de uma religião sendo venerados por grande número de fiéis como deuses vivos, devem ter muito cuidado, pois exercem uma influência notável. Se praticarem atos condenáveis, aproveitando-se de sua posição, isso se refletirá no conjunto dos fiéis, e essa religião acabará por se desmoronar, pois aqueles atos serão do conhecimento de todos.

Mas não é só o homem que tem elos espirituais. Também Deus tem elos que O ligam aos homens. A diferença é que os de Deus possuem uma luz intensa, e os do homem, mesmo dos mais elevados, possuem luz tênue; em geral são como linhas branco-acinzentadas. Quanto mais perversa for a pessoa, mais escuros serão os seus elos espirituais. Comumente, ao escolhermos amigos, desejamos que sejam pessoas boas, pois, misturando-se com o bem, o homem toma-se bom, e misturando-se com o mal, toma-se mau, graças as influências transmitidas pelos elos espirituais. Mesmo entre as entidades há os justos e os satânicos. Se o homem sempre venerar as divindades, seu espírito será purificado, porque elas têm elos espirituais intensamente luminosos. Se venerar as entidades satânicas, ao invés de luz, receberá fluidos maléficos que afetarão seu pensamento, e por isso se tomará infeliz. Portanto, para seguir uma Fé, é essencial o homem discernir o bem e o mal. A intensidade da luz varia conforme o nível da divindade. Quanto mais elevada ela for, maior número de milagres promoverá, porque a luz dos seus elos espirituais é muito mais forte.

Existe atividade dos elos espirituais não só no homem, mas em todas as coisas. Por exemplo: a casa onde residimos, os objetos que sempre usamos, entre os quais roupas e jóias, e principalmente as coisas de que mais gostamos, possuem conosco um elo espiritual mais grosso. Numa antiga revista espiritualista dos Estados Unidos, foi publicada uma reportagem sobre uma senhora que tinha um poder misterioso: pelos objetos, ela identificava a fisionomia, a idade e as atividades recentes do seu dono. Quando contemplava atentamente um objeto, tinha a impressão de estar diante da fotografia da pessoa. Isso ocorria por causa do elo espiritual existente entre a pessoa e o objeto. Através desse exemplo podemos perceber como é sutil e profunda a atuação dos elos espirituais. Recentemente, começaram a fazer pesquisas científicas sobre os chamados raios cósmicos, os quais, a meu ver, são os elos espirituais que unem a Terra aos outros astros. Desde que foi criada, a Terra mantém o equilíbrio no espaço graças aos elos espirituais dos astros ao seu redor, que a atraem. Esses elos, cujo número é incalculável - milhões ou bilhões penetram até o centro da Terra. Aproveitando a oportunidade, vou explicar rapidamente a relação entre a Terra e o Céu (espaço sideral). Eles são como dois espelhos, um em frente ao outro. No espaço sideral há dois tipos de astros: os luminosos e os opacos. Por não ter luz, o astro opaco não se toma visível aos olhos humanos, mas, com o passar do tempo, vai se transformando em astro luminoso, pelo endurecimento de matérias cósmicas,; ao atingir o máximo de endurecimento, começa a brilhar. É por esse motivo que o mineral mais duro existente na Terra - o diamante - é o que mais brilha. Na época da criação do nosso planeta, o número de astros visíveis era tão pequeno como a das estrelas durante a madrugada. Esse número cresceu proporcionalmente ao aumento da população; portanto, assim como é impossível calcular o aumento da população humana no futuro, é

impossível calcular o aumento do número de astros. Freqüentemente os astrônomos descobrem novos astros, mas o que realmente acontece é a transformação de um astro opaco em astro luminoso, o qual passa a ser percebido pelos olhos humanos. Quanto às estrelas cadentes, representam a ação de desintegração das estrelas, e o meteoro é um fragmento delas. Todos os astros exercem influencia sobre a humanidade: não só os grandes planetas, como Júpiter, Marte, Saturno, Vênus, Mercúrio e outros, mas também as inumeráveis estrelas - grandes, médias e pequenas. Assim como se destacam os cinco grandes planetas citados, em cada época existem cinco personalidades mundiais. Também acho interessante compararem o homem às estrelas, e, referindo-se a personalidades renomadas, falarem em "passagem de uma grande estrela", ou "queda de uma estrela". A História registra que inclusive no Ocidente houve uma época em que se dava muita importância à Astrologia, e os mestres religiosos consultavam os astros para ver a sorte ou o infortúnio, a felicidade ou a infelicidade do homem, para analisar as doenças, etc. A Astrologia teve, pois, uma importância mundial. Na China, a ciência da adivinhação tam- bém tomava por base os nove planetas. Para ruim, não é sem cabimento o interesse que os antigos tinham pelo estudo dos astros. 25 de outubro de 1949

OS TRÊS ESPÍRITOS DO HOMEM

Todo homem tem, no Mundo Espiritual, um Espírito Guardião que constantemente protege. E comum ouvir-mos dizer que o homem e filho ou templo de Deus: isso significa que ele possui a partícula Divina que lhe foi outorgada pelo Criador e que constitui seu Espírito Primordial. O espírito animal agregado após o nascimento é o espirito secundário; pode ser de raposa, texugo, cão, gato, cavalo, boi, macaco, doninha, dragão, "tengu"(1), aves, etc. Em geral, há uma espécie para cada pessoa, mas em casos menos freqüentes há mais de uma. Dificilmente os homens da atualidade acreditam nisso; creio mesmo que chegam a escarnecer. Contudo, através de inúmeras experiências, eu compreendi que se trata de uma realidade incontestável. O Espírito Primordial é o bem, é a consciência; o espirito secundário é o mal, são os pensamentos vis. No budismo, dá-se à consciência o nome e Bodaishim (espírito do bem) ou Bushim (sentimento de misericórdia búdica), e os maus pensamentos são chamados de Bonno (desejos mundanos). Além desses dois espíritos - Primordial e Secundário - existe o Espírito Guardião. E o espírito de um ancestral. Quando uma pessoa nasce, é escolhido entre seus ancestrais um espírito que recebe a missão de guardá-la. Via de regra, é espírito humano, mas também podem ser espíritos híbridos de homem com dragão, raposa, "tengu" etc. Meu Espírito

Secundário, por exemplo, é "Karassu-tengu" (2), e meu Espirito Guardião é dragão.

E muito freqüente, diante de um perigo, o homem se salvar miraculosamente, sendo avisado em sonho ou tendo um pressentimento. Isso é trabalho do Espírito Guardião. O mesmo se pode dizer em relação à inspiração recebida por artistas e inventores, no momento em que, compenetrados, estão criando alguma obra. No caso de querer satisfazer os desejos corretos do homem ou fazê-lo receber graças através da Fé, Deus atua por intermédio do Espírito Guardião. Os antigos provérbios "A verdadeira sinceridade se transmite ao Céu", ou "A sinceridade se transmite a Deus", significam a concessão das graças Divinas através do Espírito Guardião.

5 de fevereiro de 1947

DEUS EXISTE?

Pude intuir esta maravilha que é o Johrei graças ao conhecimento que tive sobre a existência do espírito e ao principio fundamental de que, com a purificação do espírito, o corpo volta à normalidade. Esse princípio deve ser considerado como um prenúncio da cultura do futuro. Realmente ele representa uma grande revolução para a Ciência, e, se o aplicarmos em todos os setores da vida, o bem-estar da humanidade aumentará incalculavelmente. E não é só isso. Aprofundando- se a pesquisa desse princípio fundamental, pode-se prever que ele influenciará até a essência da própria Religião.

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A

controvérsia sobre a existência de Deus é uma questão que

tem desafiado os tempos e continua sempre presente. E isso se justifica porque, apenas do ângulo de visão materialista, obviamente as pessoas nada podem compreender a respeito de Deus, que é Espírito, o qual, para elas, eqüivale ao Nada. Mas, pela Ciência Espiritual que estou propondo, é possível reconhecer a existência de Deus e, ao mesmo tempo, responder a indagações sobre problemas como a vida após a morte, a reencarnação, a verdade sobre o Mundo Espiritual, os fenômenos de encosto e incorporação e outras questões relativas ao Mundo Desconhecido, que chamo também de Mundo Intemporal. Primeiramente devo explicar como se processou a evolução do meu pensamento. Quando jovem, eu era extremamente materialista. Até mais ou menos quarenta anos nunca entrei em templo algum. Achava tolice adorar ou rezar para uma pedra, um espelho ou um papel escrito, que constituem a imagem de Deus nos templos xintoístas e são colocados num recipiente com formato de caixa, feito por carpinteiros, com tábuas de cânfora, e chamado "Omiya". Nos templos budistas também se adora um Buda desenhado em papel, ou as estátuas de Kannon, Amida e Buda ta- lhadas em madeira, pedra ou metal. Eu costumava afirmar que Kannon e Amida só existiam na imaginação do homem; por conseguinte, achava que era uma adoração ainda mais sem sentido, não passando de idolatria.

Naquele tempo, li a tese do famoso filósofo alemão Rudolf Eucken (1846-1926), o qual diz que o homem possui o instinto inato de adorar qualquer coisa e, assim, criou e adora os seus próprios ídolos, caindo na auto satisfação. Como prova disso, acrescenta ele, todas as oferendas depositadas no altar estão voltadas para o lado dos homens e não para o lado de Deus. Senti-me perfeitamente identificado com a tese e até considerava que a existência de templos era prejudicial ao progresso da Pátria, porque as nações que possuíam muitos templos estavam em declínio e aquelas que quase não os tinham achavam-se em franco desenvolvimento. Apesar disso, mensalmente eu contribuía com uma modesta quantia para o Exército da Salvação, e por esse motivo era visitado por um sacerdote que sempre insistia em que eu me convertesse ao cristianismo. Ele me dizia:

"As pessoas que contribuem para o Exército da Salvação geralmente são cristãs. Por que o senhor contribui, se não é cristão?" Então expliquei: "O Exército da Salvação trabalha para a recuperação de ex-presidiários, transformando-os em pessoas de bem. Se não existisse, talvez um deles tivesse entrado em minha casa para me roubar. Portanto, se o Exército da Salvação está impedindo que isso aconteça, é natural que eu seja agradecido e colabore nas suas obras". Houve muitos casos semelhantes, porém, na época, apesar de fazer o bem, eu não acreditava em Deus nem em Buda. Sendo assim, poderão compreender quão forte era a minha tendência a jamais acreditar naquilo que não se pode ver. Naquele tempo, as minhas atividades comerciais iam muito bem, e eu estava no auge da autoconfiança, mas um de meus empregados me fez perder tudo. A sorte adversa, manifestada através do falecimento de minha primeira esposa, dos embargos judiciais sofridos da falência e de outras desgraças, arrastaram-me para o fiando do abismo. Como resultado, acabei recorrendo àquilo a que todos recorrem nessas ocasiões: a Religião. Também eu fui à procura da salvação no xintoísmo e no budismo, como era de praxe, e assim tive conhecimento da existência de Deus, do Mundo Espiritual, da vida após a morte, etc. Refletindo sobre o meu passado, arrependi-me da vida inútil que levara até então. Após esse despertar, meu conceito sobre a vida deu uma volta de cento e oitenta graus. Compreendi que o homem é protegido por Deus e que, se ele não reconhecer a existência do espírito, não passa de um ser vazio. Também entendi que mesmo na pregação moral, se não fizermos com que as pessoas reconheçam a existência do espírito, ela não terá nenhum valor. Por isso, caros leitores, faço votos de que "abram os olhos" para os esclarecimentos que darei sobre os fenômenos espirituais. 5 de fevereiro de 1947

EXISTEM FANTASMAS?

Desde épocas remotas há controvérsias sobre a existência de fantasmas, mas eu afirmo que eles existem. Trata-se de uma realidade

que ninguém pode negar. Creio que a tese do Inferno e do Paraíso, pregada por Buda, assim como a do Inferno, Purgatório e Céu, da "Divina Comédia" de Dante Alighieri (1265-1321), não são teses sem fundamento, absurdas ou ilusórias. Que é o Mundo Espiritual? Em síntese, o Mundo Espiritual é o mundo da vontade e do pensamento. Sem o empecilho da matéria, há uma liberdade que não existe no Mundo Material. O espírito pode ir aonde quiser, e mais rapidamente do que uma aeronave. No xintoísmo, as palavras "Tome assento nesse templo, vencendo o tempo e o espaço" proferidas nas cerimônias litúrgicas, significam que um espírito pode cobrir a distância de mil léguas em alguns minutos ou até segundos. Entretanto, a rapidez com que ele se move depende da sua hierarquia. Os espíritos elevados, isto é, aqueles que conseguiram atingir os níveis de hierarquia Divina, são mais velozes. O espírito do nível mais alto da hierarquia Divina pode chegar ao local mais distante num espaço de tempo menor do que a milionésima pante de um segundo, mas o espírito de nível inferior leva algumas dezenas de minutos para cobrir mil léguas. Isso porque, quanto mais baixo o nível do espírito, mais pesado ele é, devido as suas impurezas. Além disso, por sua própria vontade, o espírito pode aumentar ou diminuir de tamanho. Numa Morada dos Ancestrais com mais ou menos trinta e cinco centímetros de largura, podem tomar assento várias centenas de espíritos. Nessa oportunidade, é rigorosamente observada a ordem, isto é, cada um ocupa a posição adequada ao seu nível, dentro da maior disciplina e com a indumentária apropriada. No budismo, eles assentam no seu nome intemporal, escrito numa placa de madeira ou de qualquer outro material; no xintoísmo, assentam num espelho, numa pedra, numa letra ou no "Himorogui" (cruz feita de fibras de linho). Logicamente, os espíritos ficam muito satisfeitos pelos cultos que lhes são oferecidos de coração, mas o mesmo não acontece se são atos apenas formais. Assim, nas ocasiões de culto, as pessoas devem colocar o máximo de sentimento e realizá-lo de forma ideal, de acordo com as condições materiais do momento. Desde épocas remotas fala-se em pessoas que ocasionalmente vêem fantasmas, mas na maioria dos casos trata-se de espíritos com poucos dias de desencarnados. O grau de densidade das células espirituais dos recém falecidos é elevado, razão pela qual esses espíritos podem ser vistos por algumas pessoas. Nada há de estranho, portanto, no fato de muitos terem visto a Ressurreição e Ascensão de Cristo. Porém, como o espírito de Cristo era elevado, Divino, ascendeu ao Céu. Com o passar do tempo, o espírito é purificado, ficando menos denso, e, assim, mais difícil de ser visto. Um fantasma pode entrar e sair livremente por um orifício do tamanho do buraco de uma agulha, pois não tem corpo carnal que lhe estorve a passagem. Em vista disso, muitos podem pensar que o Mundo Espiritual seja o lugar ideal para quem ama a liberdade, mas não é bem

assim. Nele existem leis que são aplicadas rigorosamente, e a liberdade é limitada. Agora falarei rapidamente sobre a expressão facial dos espíritos. Os fantasmas geralmente são retratados com a expressão facial dos instantes da morte. Entretanto, com o decorrer do tempo a expressão do espírito vai mudando lentamente, amoldando-se á índole da pessoa. Por exemplo, os tímidos, os pessimistas e os solitários tomam um aspecto lúgubre, raquítico; os possuidores de natureza diabólica e animalesca, tomam a aparência do próprio demônio; os de pensamento vil ficam com a face disforme, e os que têm bom coração adquirem uma expressão bondosa e bela. Neste mundo, é possível encobrir o pensamento, pela configuração chamada corpo carnal, mas no Mundo Espiritual tudo é revelado, aparecendo exatamente como é. Essa imagem verdadeira aparece mais ou menos um ano após a morte. Num livro da autoria de um grande religioso, há mais ou menos esta referência: "Quando o homem falece, seu espírito se extingue. O espírito não é eterno, nem tampouco existe Mundo Espiritual; se existisse, já estaria repleto, pois o número de pessoas que faleceram atinge vários bilhões". Esse autor, apesar de ser um expoente do budismo, desconhece o poder de elasticidade do espírito.

5 de fevereiro de 1947

A EXISTÊNCIA DO MUNDO ESPIRITUAL

Em primeiro lugar, é preciso entender a finalidade do nascimento do homem. Deus criou o homem para construir o Mundo Ideal, que é o objetivo do Seu governo na Terra, concedendo-lhe missões específicas e utilizando-o conforme Sua vontade. A evolução da era primitiva para a brilhante era cultural de hoje e também o desenvolvimento da inteligência humana até chegar ao estágio atual, foram dirigidos exclusivamente para esse fim. Não sé o homem criatura de nível mais elevado, mas todas as outras criaturas, inclusive os vegetais e minerais, enfim tudo aquilo que tem forma, está constituído de dois elementos fundamentais: espírito e corpo. Havendo separação desses elementos, o ser deixa de existir; seja ele qual for. Mas pretendo falar apenas sobre o homem. Quando o corpo carnal se torna inútil, por velhice, doença, perda de sangue, etc., o espírito o abandona e dirige-se ao Mundo Espiritual, onde passa a viver. Esse fenômeno é idêntico no mundo inteiro, seja qual for a raça. Há muitas obras de autores famosos tratando do assunto, entre elas a que se intitula "Raymond", da autoria de Sir Oliver Lodge (3851 - 1940), editada na Inglaterra logo após a Primeira Guerra Mundial. Ele registra as mensagens que lhe foram enviadas do Mundo Espiritual por um filho seu que falecem na Bélgica, durante uma batalha daquela guerra.

Na época, o livro foi lido por muitas pessoas de diversos países, surgindo daí inusitado movimento de pesquisa do Mundo Espiritual e também grandes médiuns. Também o famoso autor de "O Pássaro Azul", o belga Maurice Maeterlinck (1862-1949), tornou-se um estudioso dos fenômenos sobrenaturais após reconhecer a existência do espírito. Com a publicação, logo a seguir; do livro "Exploration in the Spiritual World", do Dr. Ward, as pesquisas tomaram um impulso ainda mais extraordinário. Nesta obra ele descreve minuciosamente o Mundo Espiritual. Conta que, uma vez por semana, entra em estado de transe, sentado numa cadeira, e se transporta para lá. Nessas ocasiões, o espírito de um tio seu acompanha-o para mostrar-lhe todos os aspectos daquele mundo, orientando-o sobre a sua verdadeira natureza. Também os espíritos de seus amigos e conhecidos desempenham papel de instrutores, enriquecem do sobremaneira os conhecimentos que lhe são ministrados. Trata-se de uma obra muito inte- ressante, que pode ser de grande validade para o conhecimento da vida no Mundo Espiritual, razão pela qual espero que os leitores a leiam. Inegavelmente há alguns aspectos diferentes entre o Mundo Espiritual do Ocidente e o do Japão. Pretendo posteriormente, através de diversos exemplos, explicar os fenômenos de um e de outro. Notícias procedentes da Inglaterra há mais de dez anos, dizem que surgiram naquele país centenas de sociedades de pesquisas psíquicas desenvolvendo intensas atividades, e que até foi fundada uma universidade para esse fim, mas eu gostaria de saber a situação presente, porque, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, não tive mais notícias a respeito. 25 de agosto de 1949

CONSTITUIÇÃO DO MUNDO ESPIRITUAL

Como explanei em outras oportunidades, o Mundo Espiritual está constituído dos planos Superior, Intermediário e Inferior, cada um formado de três níveis, perfazendo um total de nove. A diferença entre eles é determinada por dois fatores: a luz e o calor. No nível mais alto do Plano Superior, a luz e o calor são extremamente intensos; o nível mais baixo do Plano Inferior caracteriza-se pela ausência desses elementos; o Plano Intermediário situa-se entre os dois, correspondendo ao Mundo Material. Neste mundo existem pessoas felizes e pessoas infelizes; isso equivale a estarem respectivamente nos Planos Superior e Inferior. Como no nível mais alto do Plano Superior a luz e o calor são muito fortes, seus habitantes vivem quase nus. Poderão ter uma idéia disso lembrando que, nas estatuetas búdicas, Nyorai e Bossatsu são representados no estado de seminudez. À medida que se desce para o Segundo Céu, Terceiro Céu, etc., a luz e o calor diminuem. Se um espírito fosse repentinamente elevado do Plano Inferior para o Superior, seria ofuscado pela luz intensa e não suportaria o calor; preferiria, então, retomar ao Plano Inferior. Isso é idêntico ao que acontece no Mundo

Material: uma pessoa de baixa categoria elevada a uma posição alta sem ter merecimento, tem mais sofrimentos do que satisfação. No Plano Superior, a divindade mais alta e mais sagrada é Deus. Toda organização religiosa tem uma divindade padroeira e também um fundador. Exemplifiquemos com o xintoísmo: na seita "Taisha-Kyo", o padroeiro é Okuninushi no Mikoto; na seita "Ontake-Kyo", é Kunitokotati no Mikoto; na seita "Tenri-Kyo", é Tohashira no carril. O budismo também serve como exemplo: na seita "Shinshu" e Amida Nyorai; na seita "Zen- Shu" é Daruma Daishi; na seita "Tendai" é Kanzeon Bossatsu; etc. Os fundadores de seitas, como Kobo, Shiraam, Nitiren, Honen e outros, situam-se na classe de líderes de cada comunidade. Assim, ao entrarem no Mundo Espiritual, os espíritos das pessoas que tinham religião durante a vida terrena ligam-se á organização a que elas pertenciam, e não se pode calcular o quanto são mais felizes que os espíritos dos descrentes. Estes não tendo uma organização á qual filiar-se, ficam perdidos, extremamente confusos, vagando pelo Mundo Espiritual. Desde épocas remotas fala-se sobre "espíritos errantes", porque tais espíritos ficam perambulando pelo Plano Intermediário. Uma vez passando para o Mundo Espiritual, aqueles que não reconhecem a sua existência e não crêem na vida após a morte, não podem se fixar em nenhum lugar, ficando privados de inteligência e juízo durante certo tempo. Como exemplo, citarei um caso ocorrido há alguns anos. Numa reunião de pessoas que pesquisavam fenômenos espirituais, o espírito de um homem muito famoso manifestou-se, através de um médium. Chamaram, então, a esposa do falecido, a qual, pela maneira como o espírito falava e agia, confirmou que realmente se tratava do marido. Fizeram-lhe muitas perguntas, mas as respostas não eram corretas nem lúcidas, apesar do seu nível de cultura no Mundo Material. Isso acontecia porque aqui neste mundo ele não acreditava na existência do Mundo Espiritual. Vemos, pois, que é necessário o homem crer na existência do Mundo Espiritual e, assim, preparar-se para a vida após a morte.

Mas será que existe realmente aquilo que chamo Plano Superior, mais conhecido como Céu ou Paraíso? A maioria das pessoas pensa que não passa de fantasia dos homens de eras passadas, porém eu estou absolutamente convicto de que ele é uma realidade. Há uma história nesse sentido. Faz muito tempo, um sacerdote budista de alta categoria e um catedrático discutiam sobre a existência do Inferno e do Paraíso após a morte. Ao final da discussão, o sacerdote concluiu que eles existem, e o catedrático, que não existem. Enfim, alegando que para ter certeza não havia outro meio senão morrer, o religioso sugeriu que ambos se matassem, e em vista disso o catedrático se rendeu. O assunto não é para brincadeira, mas, embora o sacerdote budista estivesse com a verdade, se pudermos conhecer o Mundo Espiritual sem recorrer a esse extremo, será muito melhor, não é mesmo?

Citarei alguns fenômenos que pude comprovar através das minhas próprias experiências. Uma senhora de trinta anos, esposa do diretor de uma empresa, solicitou a minha ajuda por estar gravemente enferma. Como já tinha sido desenganada pelo médico, seus familiares me suplicaram que a salvasse. Ela residia a cerca de quarenta quilômetros de distância, razão pela qual não me era possível visitá-la com a freqüência que o caso requeria. Por isso, trouxemo-la imediatamente para a minha casa. Pensando na possibilidade de acontecer o pior durante a viagem, o marido também veio com ela no carro. Eu, ao mesmo tempo em que a segurava com uma das mãos, ministrava-lhe Johrei com a outra. Chegamos sem que houvesse acontecido nada daquilo que nos estava preocupando, mas, pela madrugada, fui tirado da cama pelo acompanhante da doente. Fui vê-la imediatamente. Segurando minha mão com força, ela me disse:

"Sinto que algo vai sair de mim e estou com muito medo. Deixe-me segurar sua mão. Tenho o pressentimento de que vou morrer hoje. Chame meus familiares com urgência". Telefonei-lhes incontinente, e, quando eles chegaram, acompanhados do médico da firma onde o marido da senhora trabalhava, já tinha decorrido uma ou duas horas. A essa altura, ela estava em coma e com o pulso bastante fraco. O médico examinou-a e disse que era questão de horas. À noite, rodeada pelos familiares, a enferma continuava em estado de coma. De repente, mais ou menos ás vinte horas, abriu os olhos e começou a olhar á sua volta, como se não estivesse entendendo nada. Por fim explicou:

"Fui para um local muito bonito, tão maravilhoso que nem sei como descrevê-lo. Era um jardim todo florido, onde estavam muitas pessoas de rara beleza, e lá no fundo divisei um senhor de ares nobres, semelhante à figura de Kanzeon Bossatsu que se vê em pinturas sacras. Ele olhou na minha direção e sorriu. Fiquei tão grata, que me prostrei no chão, mas logo recobrei os sentidos. Agora estou me sentindo muito bem, como não acontecia desde que adoeci". No dia seguinte, ela não tinha mais nenhum sofrimento; estava salva, embora continuasse fraca. Após um mês mais ou menos, recuperou completamente a saúde. Esse exemplo nos mostra que o espírito daquela senhora se separou do corpo por alguns instantes e foi para o Céu, sendo purificado dos seus pecados por Kanzeon Bossatsu. Outro exemplo. Uma jovem de aproximadamente vinte anos foi curada de tuberculose pulmonar em estado gravíssimo, mas, depois de aproximadamente um ano, teve uma recaída e faleceu. Essa jovem tinha um irmão mais velho, vadio e viciado em bebida. Um dia, dois ou três meses depois que ela morreu, estando sentado no seu quarto, ele notou uma espécie de fumaça ou neblina roxa a uns dois metros á sua frente, no alto. Essa nuvem começou a descer devagarzinho, e acima dela, de pé, ele

viu sua falecida irmã. Olhando bem, notou que ela estava muito mais bonita do que quando era viva; vestia-se elegantemente e irradiava uma nobreza divinal. Ela, então, lhe disse carinhosamente: "Vim para aconselhá-lo a abandonar a bebida. Pense no bem da nossa família e no seu próprio e deixe o álcool". Dizendo isso, subiu novamente na nuvem e começou a elevar-se até desaparecer. Decorridos alguns dias, aconteceu a mesma coisa, e o fato tomou a se repetir pouco tempo depois. Na terceira vez, surgiu diante do rapaz uma bela ponte curva, toda pintada de vermelho, e a irmã, descendo da nuvem, atravessou essa ponte e lhe disse: "E a terceira vez que venho. A partir de hoje não terei mais permissão para vir Esta é a última vez". Depois disso, o fato não se repetiu. Através desse caso, vemos que é possível ter "visões" temporariamente. Mais um exemplo. Um rapaz de vinte e poucos anos sofria de uma doença que poderíamos classificar de psíquica. Nessa época, ele estava loucamente apaixonado por uma mulher que trabalhava num bar noturno, e os dois iam suicidar-se juntos. Entretanto, a um passo da tragédia, tive a grata felicidade de salvá-los, pois encontrei, no bolso do rapaz, o veneno que ambos iam tomar. Levando o casal para minha casa, examinei-os espiritualmente. Segundo constatei pelas palavras do próprio rapaz, um espírito de raposa encostara nele para levá-lo ao suicídio. Nuns vinte minutos terminei o exame, não sem antes ter advertido aquele espírito. O jovem, no entanto, continuava na postura anterior; de olhos cerrados e com as palmas das mãos unidas à altura do peito. Virando-se para a esquerda, inclinou a cabeça como se não compreendesse algo. Passados uns três ou quatro minutos, abriu os olhos, mas continuou de cabeça inclinada. Disse então:

"Vi uma coisa bastante estranha. Alguém ao meu lado estava tocando "koto" (3), e o som desse instrumento era extraordinariamente belo e nobre. Embevecido, eu olhava à minha volta e notei que estava num lugar que me pareceu o interior de um santuário muito espaçoso. No fundo havia uma escada que levava a uma sala toda acortinada. Aí, o senhor, vestido com trajes litúrgicos, subiu a escada suavemente e entrou na sala". Ouvindo isso, eu comentei: "Se você viu a pessoa de costas, não podia ter reconhecido quem era". Mas ele confirmou: "Tenho a certeza de que era o senhor". E descreveu a indumentária que, segundo disse, era constituída de chapéu, blusa azul e calça vermelha. Ele pôde "ver?" isso porque, momentaneamente, teve a faculdade de visão espiritual. Esse rapaz era empregado de uma loja e não professava nenhuma Fé, não tinha nenhum conhecimento sobre assuntos espirituais; portanto, creio que o seu relato merece ainda mais confiança. Ressalta-se que à esquerda do lugar onde ele estava sentado ficava o Altar. Os três exemplos citados poderão servir de ilustração para o conhecimento do interior e do exterior da morada celeste, e também para comprovação da descida de seus habitantes. Em seguida, escreverei sobre as condições do Paraíso Búdico.

Uma moça virgem, de dezoito anos, serviu de médium, incorporando o espírito de um de seus ancestrais, um samurai que falecera numa batalha travada há mais de duzentos anos. Fora ardoroso adepto do budismo e pouco depois de falecido entrou na seita fundada por Kobo Daishi. Em resposta às minhas perguntas, ele disse:

"Quando eu cheguei aqui, havia uns quinhentos ou seiscentos espíritos, mas, ano após ano, reencarnavam mais espíritos do que entravam, de modo que agora só existem mais ou menos cem. Moramos numa casa grande, mas não há serviço propriamente dito, e passamos as horas divertindo-nos: tocamos "koto", "shamissen" (4), flauta, tambor e outros instrumentos musicais; pintamos, esculpimos, lemos, escrevemos, jogamos xadrez, cartas, etc., ou divertimo-nos de outras maneiras que também existem no Mundo Material. De vez em quando há palestras feitas pelo próprio Kobo Daishi e por outros espíritos, e isso constitui a maior das alegrias para nós. As vezes Kobo Daishi encontra-se com Buda, mas este, segundo ele diz, está num nível acima do Paraíso, onde a luz é muito intensa; quase não se pode olhar para cima, de tão ofuscante que ela é. Fora da casa, há um grande lago em cuja superfície bóiam inúmeras "hassu no ha" (folhas semelhantes à vitória-régia do Rio Amazonas), tão grandes que nelas cabem duas pessoas. A maioria é ocupada por casais, que nem precisam remar para se dirigir ao local aonde desejam ir. Não há noite; é sempre dia, e a claridade é um pouco inferior á do dia claro. O sol é semelhante ao do Mundo Material, e seus mios luminosos, purpurinos e suaves, provocam uma sensação agradável". Em muitas oportunidades ouvi os espíritos que habitam o Paraíso Búdico dizer que se sentem entediados quando já se encontram ali há muito tempo. Como estão sempre se divertindo, acabam perdendo o interesse e por isso manifestam o desejo de serem transferidos do Mundo Búdico para o Mundo Divino. Não foram poucos os espíritos que transferi para este último, atendendo a seus pedidos. Tal desejo é motivado pelo fato de saberem que o Mundo Divino entrou recentemente numa fase de grande atividade e que todas as divindades e espíritos estão extremamente atarefados. Não preciso dizer que isso se deve à aproximação da Era do Dia, que é regida por Deus, ao passo que a da Noite era regida por Buda. Passemos, agora, ao Plano Inferior. O mais baixo dos três níveis que constituem o Plano Inferior é chamado pelos xintoístas "Nezoko no Kuni" (Reino do Fundo da Raiz); os budistas o chamam de "Gokukan Jigobi" (Inferno de Frio Extremo),e no Ocidente dão-lhe o nome de Inferno. Mas, seja qual for a designação, é um local completamente escuro e gelado. O espírito que cair aí, fica sem enxergar nada durante dezenas ou centenas de anos; petrificado pelo frio intenso, não pode se mover nem um centímetro. Sua situação é tão lastimável, que não encontro adjetivos para descreve-la. O que eu ouvi de um espírito salvo desse local fez-me arrepiar os cabelos. O gélido Inferno retratado por Dante Alighieri na "Divina Comédia" não é absolutamente nenhuma fantasia.

O nível médio do Plano Inferior é o local onde existe carnificina, desejo carnal animalesco, fome, monte de agulhas, lagoa de sangue, poço de serpentes, sala das abelhas e das formigas e outras coisas de que se costuma falar Os demônios encarregados da vigilância assemelham-se àqueles que vemos nos desenhos, pintados de verde ou vermelho. Um dos castigos do Inferno consiste em açoitar os espíritos com barras de ferros cheias de espinhos. Segundo eles relatam, a dor é muito maior do que se fosse no corpo carnal, porque, sem a proteção deste, a parte espiritual correspondente aos nervos é atingida diretamente. Darei mais alguns exemplos de sofrimentos infernais. Monte de agulhas, a própria expressão já está dizendo o que é: os espíritos são obrigados a andar descalços em cima de agulhas, e a dor que sentem é algo indescritível. A lagoa de sangue é o lugar para onde vão obrigatoriamente os espíritos das pessoas cuja morte foi motivada por gravidez ou parto. Pelo que ouvi de muitos espíritos, eles ficam submersos até o pescoço nessa lagoa, o ar está impregnado do cheiro de sangue, e continuamente uma in- finidade de insetos e vermes sobem até o seu rosto, provocando uma sensação tão horrível que eles se vêem incessantemente obrigados a tirá- los com a mão. Esse sofrimento geralmente dura mais ou menos trinta anos.

Quanto á sala de abelhas, foi descrita pelo espírito de uma gueixa que incorporou no empregado de um salão de beleza. Os espíritos são colocados dentro de uma caixa onde mal cabe uma pessoa, e inúmeras abelhas picam todo o seu corpo, causando-lhes um sofrimento espantoso. O castigo do fogo é infligido àqueles que morreram queimados ou se atiraram na cratera de um vulcão ativo. Vou relatar um caso sobre esse castigo.

Um homem de meia-idade sofria de epilepsia causada por fogo. Ele conta que, á noites deitava-se na cama e adormecia, mas à meia-noite despertava. Então, a uns dez metros de distância, enxergava labaredas que cada vez se tornavam mais próximas. Quando chegavam bem peito, ele tinha um espasmo e ficava com uma febre altíssima. Sentia todo o corpo queimar e entrava em transe. Isso havia começado no ano seguinte ao Grande Terremoto, razão pela qual se pode concluir que, em outra vida, ele morrera carbonizado por ocasião de um terremoto. Relações carnais impuras entre homem e mulher fazem com que os espíritos caiam no Inferno, mas a situação varia de acordo com a gravidade do caso. Por exemplo: quando eles se suicidam por amor, os espíritos de ambos ficam ligados e não podem se separar. Isso é causado pelo desejo que tiveram de permanecer sempre juntos. Os que se suicidam abraçados ficam grudados, sentindo uma vergonha tão grande, que se arrependem seriamente. As vezes lemos nos jornais a notícia do nascimento de gêmeos ligados por uma parte do corpo; geralmente se trata da reencarnação de um casal que se suicidou por amor Em casos de amor abomináveis - por exemplo, entre pais e filhos, entre irmãos, entre alunos e professores, etc. - os espíritos também ficam grudados, mas,

enquanto um permanece de pé, o outro fica de cabeça para baixo. O incômodo e a vergonha a que os espíritos se expõem levam-nos a um profundo arrependimento. Diante de tudo isso, poderão entender o equívoco daqueles que, por causa de um amor impossível, recorrem ao suicídio acreditando poderem alcançar a felicidade no Céu. Pode-se, também, compreender claramente a justiça reinante, no Mundo Espiritual. E preciso saber ainda o que acontece com os que são avarentos no Mundo Material, apesar de possuírem muito dinheiro. Trata-se de pessoas materialmente ricas, mas espiritualmente pobres. Passando para o Mundo Espiritual, ficam numa situação de penúria e reconhecem seu erro. Outros, porém, no Mundo Material, têm um nível de vida inferior ao da classe média, mas se contentam com o que têm, vivendo a vida cotidiana cheios de gratidão e empregando suas economias em obras que visam à salvação da humanidade. Ao entrarem no Mundo Espiritual, tomam-se ricos e vivem muito felizes. Mas existe outra causa para o empobrecimento dos milionários. Há pessoas que não desembolsam o dinheiro que deveriam desembolsar ou não pagam o que deveriam pagar, e isso constitui uma espécie de roubo; espiritualmente, estão acumulando dinheiro furtado, a que se acrescentam juros. O resultado é que os bens vão se esgotando, e, pela Lei do Espírito Precede a Matéria, um dia essas pessoas acabam perdendo tudo o que têm. Muitas vezes vemos o herdeiro de um novo-rico esbanjar toda a fortuna da família por incapacidade ou imoralidade, mas, conhecendo o princípio acima referido, poderão compreender por que isso acontece. Falemos agora sobre o nível mais alto do Plano Inferior. É o local para onde vão os espíritos que estão prestes a alcançar o Plano Intermediário, após terem sofrido os castigos infernais. Por conseguinte, os trabalhos a que estão submetidos são de natureza leve, como, por exemplo, servir os alimentos oferecidos nas Moradas dos Ancestrais, consagrados nas casas dos seus descendentes, levar men- sagens, dar assistência a outros espíritos, etc. A propósito, convém saber algo a respeito dos alimentos ofertados aos espíritos. Embora desencarnado, o espírito sente fome se não se alimentar. Mas em que consiste esse alimento? O espírito serve-se do espírito dos alimentos; entretanto, ao contrário do que acontece no Mundo Material, ele se satisfaz com pouca quantidade de comida. Sua alimentação diária cons- ta de uns três grãos de arroz. Portanto, a comida comumente ofertada nos lares dá para um grande número de espíritos e ainda sobra muito. As sobras são dadas àqueles que se encontram na camada dos famintos. Graças a isso, os espíritos ligados a essa família elevam-se mais rapidamente. Sempre que possível devemos oferecer alimentos aos antepassados, pois, levados pela fome, eles podem se ver forçados a roubar para comer, e, conseqüentemente, cair no Inferno ou encostar em animais, como cão ou gato. Quando o branco se mistura com o vermelho, fica vermelho, e o mesmo acontece quando o espírito humano encosta em

animais: vai se degradando progressivamente até que se animaliza. Quando ocorre a reencarnação de um espírito híbrido de homem e animal, o corpo toma a forma desse animal. Existem cavalos, cães, gatos, raposas, texugos e serpentes que entendem o que os homens dizem:

trata-se da reencarnação de espíritos híbridos. Sob forma animal, eles são obrigados a um certo grau de aprimoramento, terminado o qual, voltam a nascer sob forma humana. Há ocasiões em que, após matarem cobras, gatos, etc., as pessoas são perseguidas por grandes sofrimentos. Muitos os atribuem àquele ato, e na maioria das vezes têm razão. Tratando-se de espírito humano sob forma de animal, ele se vinga; se não for o caso, isso não acontece. Na casa de famílias tradicionais, às vezes existe uma cobra de cor verde chamada comumente de "Aodaisho". Nela está reencarnado o espírito híbrido de um ancestral e de uma cobra, o qual está protegendo seus descendentes. Se estes a matarem, ela se zangará e fará sérias advertências. Caso não se dê atenção a essas advertências, poderá ocorrer a morte de um dos descendentes ou chegar-se ao extremo de ver extinta a família, razão pela qual se deve tomar muito cuidado. O mesmo pode acontecer quando se destrói o "Inari" (5) ou quando se deixa de realizar cerimônias que nele vêm sendo realizadas há muito tempo. Citei vários exemplos, e entre os leitores provavelmente há alguém que conhece ou ouviu falar de casos que se enquadram dentro daquilo que acabo de explicar Vou contar uma das experiências que tive. Uma vez fui ministrar Johrei numa casa onde havia um cão de grande porte. O dono da casa esclareceu: "Esse cão não é normal. Nunca sai para a rua, vive a maior parte do tempo dentro de casa e só se senta em almofada de seda. Se uma pessoa da família o chama, ele atende, mas o mesmo não acontece se for um empregado. Em relação á comida também é cheio de luxo, e jamais come coisas vulgares. Entende perfeitamente o que lhe falam e não gosta de ficar na cozinha nem nas salas e cômodos inferiores; em tudo, enfim, é idêntico a um ser humano". Então eu dei a seguinte explicação: "Esse cão é um ancestral seu que se degradou ao nível de vida dos irracionais, reencarnando em forma de cão. Pela afinidade espiritual, foi parar na sua casa. Por isso ele faz questão de que lhe dispensem o tratamento devido a um ancestral". O dono da casa entendeu a explicação e ficou satisfeito. O caso seguinte, também verídico, foi vivido por um dos meus discípulos. Eis o que ele contou:

"Há uns vinte e cinco anos, tendo tomado conhecimento de que urna senhora de meia-idade, residente em Yokohama (principal porto do Japão), estava sofrendo uma tortura incomum, fiquei muito curioso e fui visitá-la. Ela usava um pano branco em volta do pescoço, e qual não foi a minha surpresa quando ela o tirou: havia uma cobra enroscada em seu pescoço! Essa cobra entendia o que lhe falávamos, e na hora das refeições a referida senhora pedia permissão para se alimentar, dizendo que limitaria a comida a uma ou duas tigelas. Nesse caso, a cobra afrouxa-

va a pressão, mas, quando o limite prometido era ultrapassado, pressionava novamente e não a deixava comer de forma alguma. Foi a própria senhora que me contou por que aquilo acontecia. Pouco depois do seu casamento, a sogra adoeceu, e ela não lhe dava comida, para que morresse logo. De fato a sogra acabou falecendo, mais por falta de alimento do que pela própria doença. Por esse motivo, seu espírito foi tomado de grande ódio e, para vingar-se, reencarnara sob forma de cobra e torturava a nora daquela maneira. Assim, esta queria alertar as pessoas o mais possível sobre a temeridade daquele pecado, a fim de redimir-se um pouco que fosse". A respeito do trabalho dos animais, há um pensamento errado. O erro consiste em colocá-los no mesmo nível do ser humano. Os trabalhos que deles são exigidos, podem parecer muito cruéis do ponto de vista humano, mas não tanto como se está pensando. Bois e cavalos, por exemplo, até desejam ser maltratados, por isso caminham devagar, propositalmente, desejando ser chicoteados. Não correm por causa da dor; mas para saborear o prazer do açoite. Entre os homens, existe uma anomalia sexual conhecida como sadismo, em que as pessoas atingem o orgasmo maltratando o corpo do outro. Isso é motivado pelo encosto do espírito de animais como bois e cavalos. Sendo assim, é muito bom defender os animais, mas antes deveríamos pensar em defender os homens que são tratados desumanamente. Para finalizar, acrescento uma explicação sobre a Moradia dos Ancestrais do Lar, do tipo budista. Seu interior representa o Paraíso, e para ali são convidados os ancestrais. No Paraíso, a comida e a bebida são fartas, há todos os tipos de flor; cujo perfume impregna o ar, e soam as músicas mais belas e suaves, de modo que se deve copiar tudo isso, oferecendo aos ancestrais alimentos, flores e incenso. Mesmo nos templos, o bater do bloco de madeira ou de pratos de metal, o toque de flautas, etc., têm efeito de música. O bater do sino na ocasião em que se oferece a comida, serve de chamada para os espíritos. 5 de fevereiro de 1947

CAMADAS DO MUNDO ESPIRITUAL

Já expliquei que o Mundo Espiritual está constituído dos planos Superior, Intermediário e Inferior, mas explicarei agora a estreita relação entre eles e o destino do homem. Cada um desses planos se subdivide em sessenta camadas, de modo que, no total, são cento e oitenta camadas. Eu as chamo de Camadas do Mundo Espiritual. O homem nasce no Mundo Material por desígnio de Deus. Creio que, nesse sentido, o elemento "mei" (desígnio), que aparece em "seimei" (vida), tem a mesma significação que o "mei" de "meirei" (ordem). Eis uma pergunta que todos fazem: por que razão o homem nasce? Enquanto não compreender isso, o homem não poderá ter

comportamento correto nem verdadeira tranqüilidade, estando sujeito a levar uma vida vazia e ociosa. O objetivo de Deus é fazer da Terra um mundo ideal, ou melhor; construir o Paraíso Terrestre. No desenvolvimento do Seu plano, há uma grandiosidade que não pode ser expressa com palavras, pois o progresso da cultura não tem limite. Assim, todos os acontecimentos da História Mundial, até hoje, não passaram de operações básicas para concretizar o objetivo de Deus. Este, concedendo diferentes missões e características a cada pessoa e alternando a vida e a morte, está fazendo evoluir Seu plano em direção ao objetivo estabelecido. Portanto, concluímos que o bem e o mal, a guerra e a paz, a destruição e a construção são processos necessários à evolução. Como já expliquei minuciosamente, estamos atravessando a fase de transição da Noite para o Dia. O mundo, atualmente, está prestes a dar um grande salto para a Nova Era, e a humanidade, libertando-se da selvageria, está procurando alcançar o mais alto nível da cultura. Aí, a guerra, a doença e a pobreza terão fim. E claro que o aparecimento do Johrei é o prenúncio disso e constitui mesmo um fator essencial. Para o cumprimento de Seu plano, Deus emite ordens ao homem constantemente, através de algo que é como a semente de cada indivíduo numa das camadas do Mundo Espiritual. Dei-lhe o nome de YUKON. A ordem é primeiramente baixada ao YUKON, e este, através do elo espiritu- al, a transmite à alma, núcleo do corpo espiritual do homem. Entretanto, é dificílimo o homem comum conseguir perceber a ordem Divina; somente aqueles cujo corpo espiritual foi purificado até certo ponto é que o conseguem. Essa percepção é dificultada não só pela grande quantidade de máculas, mas também pela ação de Satanás, que se aproveita dessas máculas. Uma prova disso é que, às vezes, as coisas não correm como o homem deseja, e o seu destino toma um rumo que ele jamais imaginaria. Existem, também, pessoas que se sentem sempre governadas por uma força estranha e não conseguem mudar seu destino. E que, de acordo com a posição do YUKON no Mundo Espiritual, há diferença na missão e também no destino. Isto é, quanto mais alta for a camada em que estiver o YUKON de uma pessoa, melhor ela perceberá as ordens Divinas e mais feliz será. Ao contrário, quanto mais baixo ele estiver, mais infeliz a pessoa. As camadas superiores correspondem ao Céu: mundo de alegria, saúde, paz e riqueza material; em contraposição, as camadas mais baixas correspondem ao Inferno: mundo de sofrimento, doença, conflito e pobreza. Assim, para ser verdadeiramente feliz, o homem deve, antes de mais nada, elevar a posição do seu YUKON. E como é que ele pode conseguir isso? Purificando seu como espiritual. Este está sempre se elevando ou baixando, dependendo da quantidade de máculas; o espírito purificado se eleva, por ser leve, e o espírito maculado desce, pelo peso das máculas. Portanto, para purificar seu espírito, o homem deve praticar boas ações e acumular virtudes. 5 de fevereiro de 1947

A SITUAÇÃO DO MUNDO CONTEMPORÂNEO E O MUNDO ESPIRITUAL

A situação do mundo contemporâneo apresenta-se realmente periclitante, talvez como jamais se tenha visto na História. O temor pela Terceira Guerra Mundial domina quase toda a humanidade. E um problema seríssimo, pois o conflito envolveria todos os países, e não apenas os litigantes; seria inédita, portanto, a extensão da sua influência. Essa é a imagem do mundo atual, que se projeta à vista de qualquer um; todavia, se não conhecermos a verdade sobre o Mundo Espiritual, onde está a origem de tudo que acontece neste mundo, não poderemos descobrir a causa do problema. Só depois disso conseguiremos prever o futuro e ter tranqüilidade de espírito. E sobre esse tema que vou escrever agora. O Plano de Deus é construir o Paraíso Terrestre, e para isso era necessário que a cultura material progredisse até certo ponto. Com esse objetivo, Ele criou o bem e o mal, e foi pelo atrito entre ambos que alcançamos o extraordinário progresso material da atualidade e estamos agora a um passo do advento do Paraíso. Já expliquei isso muitas vezes, mas vou tornar a fazê-lo, caso contrário, as pessoas que nunca ouviram falar sobre o assunto teriam dificuldade de compreender aquilo que hoje pretendo expor. A luta entre os homens iniciou-se no Mundo Espiritual a partir do momento em que o ser humano foi criado. Os mais fortes queriam apoderar-se de todas as regiões conhecidas àquela época, governando-as conforme sua vontade. Para isso, recorriam â violência, sem distinguir o bem e o mal, tal como vemos presentemente. Assim, pouco a pouco, a inteligência do homem foi se desenvolvendo, e, paralelamente ao aumento da população, ampliou-se a escala da luta, tendo-se chegado, enfim, à situação atual. O plano de conquista da supremacia mundial foi elaborado há cerca de três mil anos, e seu chefe em um dragão possuidor de grande poder no Mundo Espiritual. Esse dragão incorporou numa divindade e, através dela, quis apoderar-se do inundo, tendo utilizado os métodos mais atrozes. Durante algum tempo a divindade se saiu bem, recorrendo a tudo para atingir seu objetivo, mas, quando já estava prestes a atingi-lo, falhou e recebeu severa punição de Deus. Arrependendo-se, voltou ao seu estado natural. A partir daí, o dragão passou a incorporar nas grandes personalidades de cada época, procurando despertar nelas a ambição de dominar o mundo. Fracassou sempre, mas não aprendeu, e até hoje está lutando tenazmente, com toda a força. Muitos homens considerados impor- tantes estão nesse caso. A História nos mostra que, embora eles tivessem grandes poderes na época, acabaram tendo um triste fim. César, Napoleão, Guilherme 11, Hitler e outros podem servir de exemplo. Creio que agora já podem ter mais ou menos uma idéia da origem da situação atual.

Referindo-me a personagens como os que mencionamos acima, eu sempre digo que são chefes dos demolidores do mundo, pois até agora este não era verdadeiramente civilizado, ainda restando ao homem cerca de cinqüenta por cento de características selvagens. Espiritualmente falando, significa que o homem pecou muito e acumulou máculas; portanto, surge de vez em quando a necessidade de uma ação purificadora. Como para isso é preciso haver demolidores e também limpadores, compreendemos que o aparecimento deles sob forma de grandes personagens é apenas uma manifestação do Plano de Deus De nada adianta nos aborrecermos ou nos desesperarmos.

25 de fevereiro de 1951

JULGAMENTO NO MUNDO ESPIRITUAL

Enquanto vive no Mundo Material, o homem deve se esforçar para cumprir plenamente a missão que lhe foi concedida por Deus, contribuindo para o bem da sociedade. A maioria das pessoas, no entanto, fica atenta apenas aos aspectos exteriores das coisas e, inconscientemente, pratica ações subordinadas ao mal. Em conseqüência, no seu corpo espiritual vão se acumulando máculas. Passando para o Mundo Espiritual, nele se efetua uma rigorosa eliminação dessas máculas. Realizei minuciosos estudos e pesquisas procurando ouvir o maior número possível de espíritos desencarnados, através de médiuns. De tudo que esses espíritos disseram, eliminei aquilo que pode não ser verdade, transcrevendo apenas os pontos coincidentes entre os muitos depoimentos que ouvi. Por isso, tenho certeza de que não há erros em minhas explanações. Ao entrar no Mundo Espiritual, a maioria dos espíritos é conduzida para o local a que dou o nome de Plano Intermediário. No xintoísmo, chamam-no de "Yatimata" (encruzilhada de oito direções); no Budismo, "Rokudo no Tsuji" (esquina de seis caminhos), e no cristianismo, Pur- gatório. Entretanto, desejo chamar a atenção para um fato:

o Mundo Espiritual do Oriente é mais verticalizado que o do Ocidente, e o Mundo Espiritual do Japão é o que se apresenta mais vertical. Por isso é que a sociedade japonesa é particularmente constituída de muitos níveis hierárquicos, e a sociedade ocidental, menos hierarquizada, mais propensa à igualdade. O objeto de minhas pesquisas foi o Mundo Espiritual do Japão; espero que não esqueçam esse fator, ao lerem minhas palavras. Fundamentalmente, o Mundo Espiritual é constituído de nove níveis, pois tanto o Plano Superior, quanto o Intermediário e o Inferior são formados de três níveis. Após a morte, o espírito das pessoas comuns vai para o Plano Intermediário, mas o espírito daqueles que foram muito bons sobe imediatamente ao Plano Superior, e o dos perversos desce

incontinenti ao Plano Inferior. Podemos ter mais ou menos uma idéia disso observando a forma como ocorre a morte. Aqueles cujo espírito vai para o Plano Superior, sabem a data aproximada em que vão morrer e, nessa ocasião, não sentem nenhum sofrimento; chamam os mais chegados, expressam seus últimos desejos e morrem em paz, como se a morte fosse a coisa mais natural. Ao contrario, aqueles cujo espírito vai para o Plano Inferior têm morte muito dolorosa, agonizando em meio a sofrimentos extremos. Os que vão para o Plano Intermediário estão sujeitos a sofrimentos menos dolorosos. A maioria dos espíritos vai para este plano, e podemos deduzir isso observando a face do cadáver. Se o espírito foi para o Plano Superior; não há nenhuma expressão de sofrimento; pelo contrario, a pessoa fica como se estivesse viva. Se foi para o Plano Inferior, a face do cadáver se apresenta escurecida ou preto-esverdeada, com uma expressão de agonia. A face daqueles cujo espírito foi para o Plano Intermediário, em geral mostra-se amarela, como é o caso da maioria dos cadáveres. Falarei primeiramente sobre os espíritos que se destinam ao Plano Intermediário. Para chegarem lá, eles têm de atravessar um rio. Nessa ocasião, um funcionário examina-lhes a roupa; se esta é branca, o espírito passa, mas se é de cor; ele é obrigado a trocá-la por uma de cor branca. Há duas versões: segundo uns, o espírito passa por uma ponte; segundo outros, não há ponte, e ele atravessa o próprio rio. Estes últimos falam, ainda, que o rio não tem água e que as ondas que se tem impressão de ver nada mais são que as ondulações dos corpos de inúmeros dragões se movimentando. Quando o espírito acaba de atravessar o rio, a veste branca apresenta-se tingida; a cor varia de acordo com a quantidade de máculas. A dos espíritos mais maculados tinge-se de preto. A seguir, por ordem decrescente de máculas, a veste pode tomar-se azul, vermelha, amarela, etc., sendo que a dos mais puros permanece branca. Em seguida, de acordo com a tese budista, o espirito vai para o Fórum, onde é julgado. O julgamento é bem diferente do que ocorre no Mundo Material: caracteriza-se pela imparcialidade, não havendo o mínimo de favoritismo nem de equívocos. Na hora do julgamento, os espíritos vêem de forma diferente a face de Enma Daio, o juiz. Para os perversos, ele se apresenta com os olhos brilhando assustadoramente, abre a boca até ás orelhas, e, quando fala, cospe fogo; só de vê-lo o espírito já fica atemorizado. Entretanto, os bons vêem-no com uma expressão afável, branda e afetuosa, mas sóbria; o espírito, naturalmente, sente simpatia e respeito por ele. Um por um, os pecados são refletidos num espelho de cristal puro e, em seguida, julgados. O julgamento é precedido de uma investigação, procedendo-se, em seguida, à comparação das condições presentes do espírito com os outros registros seus existentes no Fórum. Quem exerce a função de juiz no fórum do Mundo Material, também a exerce no Mundo Espiritual. Segundo o xintoísmo, o fiscal dos promotores é "Haraido no

Kami" (deus da purificação), e o Enma Daio é a divindade chamada "Kunitokotati no Mikoto". Após receber a sentença, o espírito dirige-se para um dos três níveis do Plano Superior ou do Plano Inferior. Portanto, a "esquina de seis caminhos" a que aludimos, como o próprio nome indica, é a encruzilhada para ele ir a um daqueles níveis. Todavia, embora tenha ficado decidido que o espírito vai para o Plano Inferior, concede-se a ele mais uma oportunidade: fazer aprimoramento no Plano Intermediário, para a sua elevação. Aqueles que se arrependem e se convertem, ao invés de irem para o Plano Inferior como estava determinado, vão para o Plano Superior. O trabalho de orientação é realizado pelos eclesiásticos das respectivas religiões, como faziam no Mundo Material. Tais eclesiásticos, após seu falecimento, recebem ordem para cumprir essa missão. No Plano Intermediário, o período de aprimoramento vai de alguns dias até trinta anos, e aqueles que não conseguem arrepender-se, descem ao Plano Inferior. Há um outro fator ainda. Se os parentes, amigos e conhecidos lhe oferecem cultos após a morte - cultos feitos de coração, com toda a sinceridade - ou somam méritos e virtudes praticando o bem, fazendo feliz o próximo, a purificação do espírito desencarnado será acelerada. Por essa razão, a dedicação aos pais, a fidelidade ao cônjuge, etc., aqui no Mundo Material, revestem-se de grande significado mesmo após a sua morte, e eles ficam muito contentes com os cultos feitos em sua memória. 5 de fevereiro de 1947

MUNDO ESPIRITUAL E MUNDO MATERIAL

Se alguém se interessa por Religião e deseja compreendê-la a fundo, é-lhe indispensável, antes de mais nada, conhecer a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material. Isso porque o alvo da Fé é Deus, e Deus é Espírito, invisível aos olhos humanos; querer apreender a Sua essência apenas teoricamente é tão inútil como procurar peixe numa árvore

Deus existe; é impossível negá-lo. No entanto, assim como é difícil fazer com que aborígines reconheçam a existência do ar, também é difícil fazer com que a maioria dos homens da era contemporânea reconheça a existência do espírito. Em primeiro lugar, tentarei explicar a estrutura do Mundo Espiritual, a vida de seus habitantes e outros aspectos desse mundo. O homem é formado por dois elementos: o corpo carnal e o corno espiritual. Com a morte, os dois se separam e o espírito imediatamente entra no Mundo Espiritual, onde começa a viver No momento da separação, o espírito das pessoas muito bondosas sai pela testa; o espírito dos perversos, pela ponta dos dedos do Pé, e o das pessoas de nível mediano, pela região umbilical. Os budistas referem-se â morte com a expressão "vir para nasce?'. Analisando do Mundo Espiritual, é realmente "vir para nasce?'. Eles também dizem "antes de nascer", ao invés de "antes de morrer".

Pelas mesmas razões os xintoístas usam as expressões "voltar para o Mundo Espiritual" ou 'transmutação para voltar". Ao passar para o Mundo Espiritual, o espírito primeiramente atravessa um rio e, a seguir, dirige-se para o Fórum. E um fato incontestável, pois coincide com o que ouvi de muitos espíritos. Quando o espírito acaba de atravessar o rio, a cor de suas vestes se altera. As vestes dos que têm menos máculas tornam-se brancas; as dos outros tomam cores diferentes, de acordo com o peso das máculas: amarelo, vermelho, azul ou preto. Entre as divindades, elas tomam a cor violeta. O Fórum do Mundo Espiritual é semelhante ao do Mundo Material. Nele, o juiz e seus auxiliares procedem ao julgamento do espírito, decidindo o prêmio e o castigo de cada um. Nessa ocasião, os muito bondosos são conduzidos ao Plano Superior; os perversos caem no Plano Inferior; os que se situam entre uns e outros, ficam no Plano Intermediário, que no xintoísmo chamam de "encruzilhada de oito direções" e no budismo "esquina de seis caminhos". A grande maioria vai para este plano e aí faz um curso de aprimoramento, cuja parte principal consta de ensinamentos transmitidos pelos sacerdotes da respectiva religião. Esse aprimoramento dura mais ou menos trinta anos. Decorrido esse tempo, é determinado o local a que o espírito será destinado. Aqueles que conseguem arrepender- se vão para o Plano Superior; os demais, para o Plano Inferior. O Mundo Espiritual é constituído de três planos, cada um dos quais também está subdividido em três níveis, formando, ao todo, nove níveis. O Plano Superior é o Céu; o do meio é o Plano Intermediário; o Inferior é o Inferno. Como o Plano Intermediário corresponde ao Mundo Material, no budismo ele é designado com a expressão "esquina de seis caminhos", pois se liga aos três níveis do Plano Superior e também aos três níveis do Plano Inferior No xintoísmo, além desses, acrescentam, acima do Plano Superior; o "Céu Superior", e, abaixo do Plano Inferior; o "Fundo do Abismo". Daí designarem o Plano Intermediário como "encruzilhada de oito direções". A seguir descreverei sucintamente o Céu e o Inferno. Quanto mais próximo do ponto mais alto do Céu, mais intensa é a luz e o calor; e a maioria dos espíritos vivem quase nus. Por isso, na maior parte das pinturas e esculturas budistas, as divindades são representadas sem vestes. Ao contrário, quanto mais próximo do ponto mais baixo do Inferno, mais fraca é a luz e o calor; o ponto extremo é completamente escuro e gélido. Portanto, ao deparar com esses sofrimentos, mesmo os espíritos mais perversos são levados ao arrependimento. Talvez as pessoas da atualidade achem que essa descrição, feita em termos genéricos, seja produto da minha imaginação, mas em verdade trata-se de pontos coincidentes entre levantamentos e estudos que fiz durante mais de vinte anos com inúmeros espíritos, através de médiuns e de todos os meios possíveis. Por isso podem estar certos da veracidade do que lhes estou transmitindo. O Céu e o Inferno pregados por Buda, e o Paraíso, Purgatório e Inferno da "Divina Comédia" de Dante Alighieri (1265- 1321), tenho certeza, não são fantasias.

Pode-se mais ou menos deduzir para que plano vai o espírito observando-se a face do morto. Os que não apresentam expressão de sofrimento e cuja pele permanece corada e fresca, como se ainda estivessem vivos, vão para o Plano Superior; aqueles cuja expressão é triste e sombria, e cuja pele se apresenta pálida, sem sangue, ou azul- amarelada, como ocorre com a maioria, vão para o Plano Intermediário; os que ficam com uma expressão de profunda agonia e com a pele escura ou preto-azulada, vão, logicamente, para o Plano Inferior. Estas explanações têm por objetivo dar-lhes conhecimentos básicos sobre o Mundo Espiritual, mas em outras oportunidades voltarei a falar sobre diversos fenômenos espirituais constatados através de minha própria experiência.

25 de agosto de 1949

DERROTA DO DEMÔNIO

Assim como Cristo foi tentado por Satanás e Buda foi atormentado por seu primo Daiba, no caso da nossa Igreja, Satanás e Daiba também nos espreitam insistentemente. O interessante é que, com o passar do tempo, os demônios estão cada vez mais desesperados; atualmente, eles agem com vigor e força leonina. Todos poderão comprovar a veracidade das minhas palavras através dos fatos que nos últimos tempos estão sendo freqüentemente publicados pelos jornais. Por isso pode-se imaginar que a derrota do demônio está iminente, o que significa que estamos atravessando a véspera do "Fim do Mundo" profetizado por Cristo. Falando-se em demônio, tem-se a impressão de que seja um só. Na verdade, existem vários, de grande, médio e pequeno poder Quanto mais máculas o ser humano tiver, mais livremente será manipulado por eles, através de elos espirituais maléficos. Dessa forma, inconscientemente, o homem tomará atitudes que se opõem a Deus. Como os demônios vêm agindo à vontade há milhares de anos, continuam com sua maldade e pensam que nada mudou, porque desconhecem a transição do Mundo Espiritual. Entretanto, como essa transição está se processando, é com razão que eles estão confusos e ainda não despertaram. Á medida que o Mundo Espiritual vai clareando, a luz vai se tornando mais intensa. Quer dizer que está chegando a época de terror para o demônio, pois Luz é o que ele mais teme; diante dela, ele se encolhe e perde a força de ação. E por isso que até nas experiências mediúnicas, se não apagarem a luz, esses espíritos não podem atuar. Só ocorre o contrario quando se trata de um espírito muito elevado. Por esse motivo, como os espíritos satânicos temem a Luz que emana do Poder de Deus, fazem tudo para interromper-lhe o fluxo, procurando criar obstáculos para nossa Igreja.

20 de novembro de 1949

ATUAÇÃO DOS DEMÔNIOS

O Universo inteiro movimenta-se pela Lei do Espírito Precede a Matéria. Todos os fenômenos surgem primeiramente no Mundo Espiritual e depois são projetados no Mundo Material em maior ou menor tempo, dependendo da grandeza do fenômeno. A projeção pode ocorrer em al- guns dias ou após alguns anos. Entretanto, esse tempo será abreviado á medida que for se aproximando a Era do Dia, o que de fato está acontecendo. Isso, contudo, não é nada em comparação ao Mundo Espiritual, que, atualmente, acha-se numa situação contusa como nunca esteve. A rapidez com que ocorrem as transformações, por sua vez, também evidenciam claramente o Final dos Tempos.

Intensificação das atividades dos demônios

Hoje em dia, o que mais se pode observar é a atuação desesperada dos demônios. Eles exerceram grande influência durante milhares de anos, e à medida que se aproximam seus derradeiros momentos estão se debatendo desesperadamente. Entre os espíritos satânicos existem chefes; quem está atuando mais, agora, é o dragão vermelho e o dragão preto, e sua família chega a somar quase um bilhão de componentes. Entre eles também há classes - superior; média e inferior - e as tarefas são determinadas de acordo com elas. Os demônios se esforçam bastante para executar fielmente os trabalhos que lhes são ordenados, pois se sentem estimulados ante a possibilidade de subir de classe e receber prêmios, conforme seu mérito. De sua sede, o chefe emite ordens que são transmitidas ao Espírito Secundário do homem, através dos elos espirituais. Nesse caso, atuam os demônios que correspondem à posição ou classe das pessoas aqui neste mundo, e sua missão é encaminhar o homem cada vez mais para o mal, utilizando-se de todos os meios. E lamentável, mas isso se manifesta claramente na sociedade. Os métodos são de fato extremamente hábeis e cruéis. Por exemplo: os demônios fazem os homens de nível baixo cometer crimes perversos, como assassinatos, assaltos ou violências; se a pessoa está num nível mais elevado, induzem-na á fraude, à falsificação de dinheiro, de títulos, de obras de arte, etc. Fazem, também, com que o homem se divina ludibriando mulheres e mocinhas por meio de palavras hábeis, praticando adultério e outras ações condenáveis. Quando a pessoa está acima desse nível, vê-se induzida à prática de crimes astuciosos, embora aparente ser pessoa de bem: usurpar a fortuna alheia, ganhar dinheiro enganando o próximo, subornar, sonegar, esconder produtos, negociar no mercado negro e outros atos escusos. Também é hábito desses demônios levar os homens a embriagar mulheres a fim de abusar delas. Todos esses casos representam infração da lei; se as pessoas forem descobertas, serão consideradas criminosas. Contudo, há ocasiões em que elas são induzidas a praticar ações que parecem boas, mas que em verdade não o são. Isso ocorre mais freqüentemente entre as pessoas de nível médio para cima, e, como nesses níveis existe um grande número de intelectuais, é preciso muito cuidado. Para inspirar confiança, eles

sempre defendem teses orais ou escritas que á vista de qualquer um parecem corretas, mas secretamente fazem o contrário do que pregam. Tratando-se de indivíduos demasiadamente hábeis, todos confiam neles, e por essa razão toma-se difícil avaliar a justeza do que dizem. Isso acontece muito entre os políticos, entre os homens renomados, que gostam de polêmicas, e também entre aqueles que têm certa posição social, de modo que é necessário estar sempre prevenido.

O bem, do ponto de vista de Deus

Não há nada pior do que alguém se dedicar devotadamente a uma causa que acredita ser justa e os resultados mostrarem exatamente o contrário. As pessoas envolvidas nos incidentes de 15-05-32 e 26-02-36 incluem-se nesse caso, assim. como aquelas que, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, cometeram atos pelos quais foram julgadas criminosas de guerra e executadas há pouco tempo. Eis um crime que geralmente passa despercebido: uma pessoa devotar-se à prática de uma teoria, julgando-a maravilhosa, e, na realidade, estar causando desgraça aos seus semelhantes. Tais criaturas são dignas de pena, porque, com o cérebro bitolado pela Ciência, não têm pos- sibilidade de compreender que são manipuladas pelo demônio. Entretanto, existem pessoas de nível superior, como fundadores de religiões, grandes cientistas que descobriram novas teorias, pensadores renomados, etc., que estão acima da natureza humana e por isso, freqüentemente, tornam-se ídolos, sendo venerados e respeitados durante muitos séculos após sua morte. Evidentemente, não têm nenhuma parcela de maus pensamentos, nenhuma partícula de egoísmo, e entregam sua vida a uma causa; são dignos de admiração. Todavia, mesmo nessas realizações há pontos que beneficiaram a humanidade e pontos que lhe causaram danos. Por isso mesmo não são poucos os casos em que é impossível determinar méritos e deméritos. Torna-se desnecessário dizer que tais pessoas não têm nenhuma relação com o demônio, mas pode acontecer que suas obras sejam úteis até certa época e depois venham a ser prejudiciais. Entre os cientistas e os religiosos isso ocorre com freqüência. E comum chegar ao nosso conhecimento o caso de religiões que eram magníficas na época de sua fundação, mas que, com o tempo, acabaram relaxando, nelas surgindo conflitos e corrupção, de modo que se tomaram nocivas. Idêntico é o que acontece com certas teorias e teses:

algo que na ocasião de sua descoberta era de grande importância para o mundo, muitas vezes, com o passar dos anos, pode vir a ser prejudicial. Em suma, tudo faz parte do Plano de Deus, e para o progresso da cultura lutam o bem e o mal, intercalam-se o claro e o escuro, o belo e o feio. Assim, aproximamo-nos passo a passo do Ideal, que é o profundo Propósito Divino, insondável pela inteligência humana. 25 de dezembro de 1950

INCORPORAÇÃO

Desde épocas remotas são muito numerosos os casos de incorporação, cujos tipos também variam bastante. Atualmente, as pessoas consideradas intelectuais julgam que se trata de superstição; além de não darem atenção ao fato, dão à palavra um sentido pejorativo. Entretanto, segundo meus estudos, a incorporação não é absolutamente superstição, podendo ser de espírito do bem ou de espírito do mal. O importante é distinguir exatamente quando se trata de um caso ou de outro.

Há três tipos de incorporação: de divindades de nível elevado, médio ou baixo; de espíritos de animais, que fingem ser divindades, e de espíritos de seres humanos. No primeiro tipo, inclui-se, por exemplo, o espírito dos fundadores de religiões, como a Sra. Miki Nakayama, da religião Tenri-Kyo, a Sra. Naoko Deguti, da religião Oomoto-Kyo, os fun- dadores das seitas Reimyo-Kyo, Konko-Kyo, Kurozumi-Kyo e Hito no Miti, e, ainda, os iniciados Kobo, Nitiren, Honen e En-no Gyodja, dos velhos tempos. No segundo tipo, situam-se as incorporações observadas em muitas crenças vulgares, existentes em grande número na sociedade, tais como "Inari Kudashi no Gyodja", "Iizuna-Tsukai" e outras. O terceiro tipo, isto é, a incorporação de espíritos de seres humanos, refere-se principalmente aos espíritos dos ancestrais e de parentes mais próximos e recém-falecidos. Se desenvolvêssemos a capacidade de discernir os tipos de incorporação e soubéssemos dispensar-lhe as devidas cautelas e orientações, a incorporação seria muito útil à sociedade humana. Mas deixo claro que, além desse discernimento ser quase impossível, se o conhecimento sobre o assunto for apenas superficial, as conseqüências poderão ser desastrosas. Na Europa e na América, estão realizando ativas pesquisas de Parapsicologia. Na Inglaterra e em vários outros países, já existe até Faculdade de Estudos Parapsicológicos, e também estão se desenvolvendo pessoas de alto potencial mediúnico. Como transmissoras de mensagens emitidas do Mundo Espiritual, são dignas de nota as obras do americano Woodrow Wilson (1856-1924) e de Sir Northcliffe (1868- 1940), ex-editor do "The London Times". Entretanto, em todos os lugares a situação é idêntica, e na verdade, mesmo na Europa ou nos Estados Unidos, aqueles que se dedicam a esse tipo de pesquisas estão sempre lutando contra o ceticismo das pessoas obstinadas, intituladas intelectuais, e contra a descrença dos cientistas bitolados no materialismo. Mas a vantagem é que, como naqueles países as leis não são medievais, a pesquisa é livre. Se fizermos uma comparação, concluiremos que, pela opressão do governo e pela descrença dos cientistas, até hoje, lamentavelmente, ainda não foram realizadas pesquisas consideráveis no Japão.

5 de fevereiro de 1947

INCORPORAÇÃO E ENCOSTO DE ESPÍRITO ENCARNADO

Falei a um universitário sobre espírito e fenômenos espirituais, mas ele não se convencia. Como que me desafiando, disse: "Então veja se há algum espírito incorporado em mim". Imediatamente procedi ao exame espiritual e, não demorou muito, o rapaz entrou em transe e começou a falar com jeito de mulher jovem. Havia incorporado o espírito de uma pessoa viva: o da empregada de um bar noturno que dele se enamorara e com quem de vez em quando ia passear. O espírito fez este pedido: "Faz tempo que ele não vem me ver. Gostaria que lhe dissesse para vir, pois estou com muita saudade". Apesar de o pedido ter sido feito por espírito de gente viva, fiquei constrangido ao ser solicitado para transmitir o recado. O universitário voltou a si sem compreender o que estava se passando, e eu então lhe perguntei: "Como foi?" Ao que ele respondeu:

"Não sei se entrei em transe, não entendi nada". Quando lhe contei o que acontecera, espantou-se e, envergonhado, coçando a cabeça embaraçado, teve de admitir a existência do espírito. Também fiz exame espiritual numa jovem gueixa que incorporou o espírito do amante. Depois de lhe fazer várias perguntas, compreendi que se tratava do espírito do proprietário de uma casa que vendia açúcar por atacado. Ele disse o seguinte: "Combinei encontrar-me com esta gueixa boje à noite, mas, como surgiu um compromisso, peço-lhe o favor de dizer- lhe que só posso encontrar-me com ela amanhã". Suas palavras e gestos eram de um homem de quarenta a cinqüenta anos, não havia dúvida. Quando transmiti o recado à jovem, ela se espantou. Disse que entrara em transe e não sabia absolutamente o que falara, mas que realmente havia combinado aquele encontro. Certa vez, fui procurado por uma moça de mais ou menos vinte anos, a qual me disse que lhe parecia ter sido acometida de hipocondria, e que estava achando o mundo muito sem graça. Então eu lhe fiz várias perguntas, dizendo, entre outras coisas, que não havia razão para uma pessoa de aparência tão sadia estar assim, além do mais sendo tão bonita. Acrescentei que devia haver um motivo especial. Finalmente, compreendi que a causa de tudo era um rapaz da vizinhança, o qual se apaixonara por ela. "Ele tenta me conquistar através de cartas e vários outros meios - disse a moça - mas eu não gosto dele e já lhe disse não várias vezes; entretanto, ele fica sempre postado perto da minha casa e, de medo, eu quase não saio" Então eu expliquei á jovem que o espírito daquele rapaz estava encostado nela. Sabendo disso, ela ficou tranqüila, pois compreendeu que não estava doente. A partir daí, foi melhorando pouco a pouco e acabou por se recuperar completamente. Se é difícil fazer uma pessoa compreender a existência de espírito desencarnado, muito mais difícil ainda é fazê-la compreender encosto de espírito encarnado. Todavia, trata-se de uma verdade indubitável, e eu gostaria de que lessem conscientizados disso. Ainda poderia citar vários exemplos, mas acho que esses três são suficientes. Acrescento, porém, que o fato geralmente ocorre nas relações amorosas entre homem e mulher. Quanto à hipocondria daquela moça, era motivada pelo pessimismo do rapaz, gerado pelo amor não correspondido.

Esse estado refletia-se nela, através do elo espiritual. Como se pode concluir; encosto de espírito encarnado significa o reflexo do pensamento de outra pessoa. Quando, ao contrário do caso que citei, os dois se amam, os elos espirituais de ambos se interrelacionam, produzindo uma sensação extremamente agradável. Se a ligação se toma inseparável, é, em grande parte, devido a essa sensação. Encosto de espírito desencarnado provoca uma sensação de frio; encosto de espírito encarnado, sensação de calor. Tratando-se de espíritos encarnados como os dos casos citados, não há grande problema, mas existem os que são terríveis. E o que ocorre, por exemplo, no triângulo amoroso. Quando duas mulheres disputam um homem, os ciúmes de ambas se materializam e lutam entre si. Em geral a esposa sai vencedora, porque é natural o justo vencer; sua obstinação fará com que a amante acabe se afastando, acometida por doença, falecendo ou arranjando outro amante. Se o espírito encarnado for de gente, a incorporação não é tão grave; pior é quando se trata do espírito de "kudaguitsune". Desde a antigüidade, quem pratica esse tipo de incorporação são ascetas aos quais se dá o nome de "iizuna-tsukai". Eles aceitam todos os trabalhos que lhes pedem, como, por exemplo, fazer vinganças. O "kudaguitsune" é um tipo de raposa pouco menor que um melão e tem um pêlo branco e macio; seu espírito é muito obediente ao homem e faz qualquer maldade que lhe ordenem. Desde tempos remotos há muitos "iizuna-tsukai" na região sul, e aí se aconselha que ninguém se case com eles, porque, se lhes desagradarem na menor coisa que seja, eles se vingarão. Há, também, a incorporação do espírito encarnado de outros tipos de raposa. Seu corpo permanece no "Inari" (6) ou nas matas, e só o seu espírito atua. 25 de agosto de 1949

VIDA E MORTE

Para a vida humana, talvez não haja problema tão premente quanto o da morte. Não será, pois, uma grande felicidade se o homem tiver esclarecimentos comprobatórios, e não fantásticos, a respeito dessa questão? Desejo esclarecer as dúvidas existentes transmitindo a todas as pessoas o resultado dos meus estudos sobre os fenômenos espirituais. Com relação ao problema da vida após a morte, existem no Ocidente muitas obras famosas, tais como as de Sir Oliver Joseph Lodge (1851 - 1940) e do Dr. Ward, que são autoridades no assunto. No Japão temos Wazaburo Assano, um profundo pesquisador com quem eu tive certo relacionamento e que deixou vários trabalhos. Infelizmente, ele faleceu há alguns anos. Falando sobre os fenômenos espirituais, no entanto, quero deixar bem claro que, na medida do possível, me basearei apenas na minha própria experiência. Agirei assim para garantir a exatidão do que digo, pois, como esses fenômenos são invisíveis, é difícil apresentá-los de forma concreta, sem cair em dogmas.

Desprendido do corpo, que se tornou inútil, o espírito retoma ao Mundo Espiritual, onde passa a habitar, começando uma nova vida. Descreverei, inicialmente, como se processa o instante da morte, observado do Mundo Espiritual. Geralmente o espírito se desprende do corpo pela testa, pela região umbilical ou pela ponta dos dedos do pé. O espírito puro sai pela testa; o que tem muitas máculas, pela ponta dos dedos do pé; o mediano, pela região umbilical. Isso se explica porque o espírito puro praticou o bem enquanto vivia, somou méritos e foi purificado; o que tem muitas máculas somou muitos pecados, e o mediano situou-se entre os tipos mencionados. Tudo está fundamentado na Lei da Concordância. O exemplo que se segue é a experiência de uma enfermeira que "viu" a morte de um doente; sua descrição é tão perfeita, que serve de ilustração. E um exemplo ocidental, porém, tanto no Ocidente como no Japão, existem pessoas que têm a faculdade de ver espíritos. Não guardei os pormenores da descrição, mas vou reproduzir as partes mais importantes. "Certa vez - disse ela fitando um doente prestes a morrer; notei que de sua testa subia algo branco, uma espécie de névoa que, espalhando-se lentamente pelo espaço, tornou-se uma massa disforme, semelhante a uma nuvem. Pouco a pouco, entretanto, começou a tomar a forma humana; minutos depois, apresentou-se exatamente com as mes- mas características físicas da pessoa. De pé, no espaço, olhava atentamente seu corpo inerte, junto do qual os familiares choravam. Parecia que desejava mostrar-lhes sua presença, mas desistiu, por saber que estava em dimensão diferente; mudou, então, de posição, dirigiu-se para a janela e saiu suavemente". Realmente, a descrição acima retrata muito bem os instantes da morte, que os budistas designam pela expressão "vir para nascer". De fato, se analisarmos do Mundo Material, é "ir para morrer", mas, se o fizermos do Mundo Espiritual, é "vir para nasce?'. Da mesma forma, ao invés de dizerem "antes de morrer", eles dizem "antes de nasce?'. Assim, o espírito vive no Mundo Espiritual durante determinado tempo, ás vezes dezenas, centenas ou milhares de anos, para nascer novamente. Desse modo, o homem nasce e morre muitas vezes. Para se referirem a esse nascer e re- nascer, os budistas usam a expressão "Rin-ne Tensho". Qual a relação entre o Mundo Espiritual e o homem? O homem vem ao Mundo Material para cumprir a missão que lhe foi determinada por Deus, tenha ou não tenha consciência disso. No cumprimento dessa missão, acumula maculas no seu corpo espiritual. Chega, porém, um momento em que, por doença, velhice ou outros motivos, toma-se-lhe difícil continuar a cumpri-la. Quando isso ocorre, o espirito abandona o corpo e retorna ao Mundo Espiritual. Nesse sentido, desde tempos remotos chama-se "Nakigara" (invólucro vazio) ao corpo sem espírito, e "Karada" (invólucro) ao corpo carnal de uma pessoa viva. Na ocasião em que o espírito entra no Mundo Espiritual, inicia-se, na maioria deles, o processo purificador das máculas. Dependendo do

peso e da quantidade destas, logicamente ele vai ocupar um nível mais elevado ou mais baixo. O período de purificação é variável. Os períodos mais curtos duram poucos anos, às vezes dezenas, e os mais pro- longados, centenas ou milhares de anos. Os espíritos que foram purificados até certo ponto, reencarnam, por determinação de Deus. Essa é a ordem normal, porém, de acordo com a pessoa, há situações em que não se obedece a ela. Isso acontece com aqueles que, na ocasião da morte, têm forte apego à vida. Eles reencarnam antes de terem sido suficientemente purificados no Mundo Espiritual. Geralmente têm destino infeliz, porque lhes restam consideráveis máculas da vida anterior; que precisam ser eliminadas. Por essa razão é que muitos praticam o bem mas vivem perseguidos pelos infortúnios. são pessoas que na vida anterior cometeram muitos pecados e, quando morreram, arrependeram-se seriamente, tomando a firme decisão de não persistir no erro. Esse propósito ficou impregnado em seu espírito, mas, como reencarnaram sem terem sido suficientemente purificadas, vivem sempre cercadas de sofrimento, apesar de detestarem o mal e praticarem o bem. Entretanto, não são poucos os exemplos de pessoas que, passando um período de infelicidade e tendo redimido os seus pecados, tornam-se subi- tamente felizes. Há homens que se orgulham de não conhecerem outra mulher além de sua esposa, e outros que não desejam casar-se, terminando a vida solteiros. São indivíduos a quem as mulheres causaram muita infelicidade na vida anterior, e por esse motivo morreram com uma espécie de temor ao sexo feminino, sentimento que deixou marcas em seu espírito. Algumas pessoas têm especial aversão ou receio de aves, insetos ou outros bichos. Isso tem origem na morte que tiveram, causada por um desses animais. O mesmo pode ser dito em relação àqueles que temem a água, o fogo ou os lugares altos. Outros têm medo de lugares onde se aglomera muita gente. Quando alguém sente isso, é porque em outra vida morreu pisoteado pela multidão. E interessante o pavor que certas criaturas têm de ficar sozinhas. Ministrei Johrei numa pessoa assim. Ela não podia ficar sozinha dentro de casa. Nessas ocasiões, saia para a rua e ficava esperando alguém chegar. Provavelmente, na vida anterior, tais pessoas faleceram de um mal súbito, quando estavam sozinhas. Pelos diversos exemplos mencionados, concluímos que, no dia-a- dia da sua vida, o homem deve se esforçar para morrer em paz, sem apegos, temores e outras preocupações. Quando uma pessoa nasce deformada ou aleijada, geralmente é porque reencarnou antes de estar suficientemente purificada no Mundo Espiritual. Por exemplo: antes de ser curada de fratura nas mãos ou nas pernas, provocada pela queda de um lugar alto. Além do apego do próprio falecido, há outro motivo para a reencarnação prematura: a influência do apego dos familiares. E comum o caso de mulheres que engravidam logo após o falecimento de um filho querido. Esse novo filho é aquele que morreu e reencarnou

prematuramente, em virtude do apego da mãe. Geralmente essas crianças não são muito felizes. Existem pessoas sábias e pessoas ignorantes. Por que? Pela diferença de idade entre suas almas: as primeiras têm alma velha; as segundas têm alma nova. A alma velha, por ter reencarnado muitas vezes, possui uma larga experiência do mundo, ao passo que a nova, por ter sido criada recentemente no Mundo Espiritual, tem pouca experiência, motivo pelo qual é mais ignorante. Como vemos, também há um processo de procriação no Mundo Espiritual. Ainda podemos citar algumas experiências pelas quais muitos já passaram. Certas pessoas, ao encontrarem alguém que nunca viram, têm a impressão de tratar-se de pessoa já conhecida. Sentem uma grande emoção, como se fossem pai e filho, ou irmãos; podem até experimentar um sentimento mais profundo. A razão é que na vida anterior eram parentes bem próximos ou tinham laços de estreita amizade; a isso se convencionou chamar de INNEN (afinidade espiritual). Também, por ocasião de uma viagem, encontramos lugares pelos quais sentimos especial simpatia ou atração e onde desejaríamos residir E porque em outra vida residimos ou passamos muito tempo nesse locais. No relacionamento entre homem e mulher, há casos em que ambos ficam em idílio ardente, que progride até se tornar um amor cego. A explicação é que na vida anterior, apesar de enamorados, eles não conseguiram unir-se. Entretanto, na vida atual, apresentando-se essa oportunidade, cria-se entre os dois um amor apaixonado. Ao lermos ou ouvirmos falar de determinados personagens ou acontecimentos históricos, podemos sentir simpatia ou até ódio. Isso acontece porque já vivemos na época em que aqueles fatos ocorreram, ou porque tivemos algum relacionamento com aqueles personagens. 5 de fevereiro de 1947

AS DIVERSAS EXPRESSÕES FACIAIS APÔS A MORTE

A morte pode ocorrer de muitas formas. Uns morrem de repente, por hemorragia cerebral, apoplexia, ataque cardíaco, desastre, etc., e quem nada conhece sobre o assunto diz que essas pessoas é que são felizes, porque não passam pelas angústias nem pelas dores da doença. Entretanto, nada mais errado; ninguém é mais infeliz do que elas. Como não estavam preparadas para morrer, mesmo habitando o Mundo Espiritual não têm noção de que faleceram e continuam pensando que estão vivas. Além do mais, como os elos espirituais se mantêm após a morte, o espírito, através desses elos, tenta encostar num parente consangüíneo. Geralmente encosta em criança ou em pessoas fisicamente enfraquecidas, como senhoras anêmicas em conseqüência de parto, visto que nelas o encosto se torna mais fácil. Essa é a causa da paralisia infantil autêntica, e também pode ser a causa da epilepsia. É por isso que a paralisia infantil freqüentemente

apresenta sintomas semelhantes aos da hemorragia cerebral. A epilepsia manifesta os sintomas dos instantes da morte. Por exemplo: quando a pes- soa espuma, é porque se trata da incorporação do espírito de alguém que morreu afogado; se tem ataque ao ver fogo, trata-se da incorporação do espírito de uma pessoa que morreu queimada. Há diversos outros casos em que se manifestam condições relacionadas com morte antinatural. O sonambulismo também tem a mesma causa, assim como muitas doenças de origem espiritual. Sobre mortes antinaturais, há um aspecto que convém conhecer Os espíritos daqueles que morreram assassinados, que se suicidaram, etc., durante algum tempo tino podem sair do local em que ocorreu a morte, e são chamados de "espíritos presos á terra". Geralmente eles ficam circunscritos a um espaço mais ou menos exíguo (de dez a cem metros) e, não suportando a solidão, tentam atrair companheiros. Por essa razão, tornam-se freqüentes as mortes nos locais onde aconteceram desastres, como estradas de rodagem e de ferro, nos locais onde houve afogamentos, como lagos e rios, ou onde alguém se enforcou. Os "espíritos presos à terra" não podem desligar-se desses locais durante cerca de trinta anos, mas, de acordo com a atenção e o carinho que seus familiares lhes dispensam, oferecendo-lhes cultos para sua elevação, esse tempo pode ser muito abreviado. Por isso, devem dispensar uma atenção toda especial aos espíritos daqueles que não tive- ram morte natural. Todos os mortos, especialmente os suicidas, continuam no Mundo Espiritual com as dores e as angústias do momento em que morreram. Os suicidas se arrependem seriamente, porque o Mundo Espiritual é a continuação do Mundo Material. Por essa razão, se a morte ocorre em meio a sofrimentos, o espírito vai para o Plano Intermediário ou para o Plano Inferior, mesmo que se trate de uma pessoa bondosa. Quem era solitário antes de morrer, continua solitário no Mundo Espiritual; os que não tinham sorte, continuam sem sorte. Contudo, há casos particulares em que a situação no Mundo Espiritual toma-se o oposto do que era no Mundo Material. E o que acontece, por exemplo, com aqueles que enriqueceram à custa do sofrimento alheio. E, também, o caso dos avarentos. Indo para o Mundo Espiritual, eles ficam paupérrimos e se arrependem enormemente. Ao contrário, pessoas que no Mundo Material gastaram grandes somas para o bem da humanidade, acumulando méritos pelo altruísmo praticado, no Mundo Espiritual tornam-se ricas e afortunadas. Criaturas que aparentavam uma dignidade que não tinham, poucos meses ou um ano depois da passagem para o Mundo Espiritual tomam uma aparência de acordo com seu verdadeiro caráter Isso se justifica porque o Mundo Espiritual é o mundo do pensamento, e aquilo que esconde o pensamento, ou seja, o corpo carnal, já não existe. Os pensamentos malévolos e indignos fazem com que o espírito tome um aspecto feio ou até horrível; já o espírito daqueles que acumularam méritos pelo seu altruísmo, toma uma aparência bondosa e agradável. Podem, pois, compreender a diferença

entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material. Realmente, no Mundo Espiritual não há parcialidade de forma alguma. Anos atrás, havia entre meus subordinados um jovem chamado Yamada. Um dia, ele me disse: "Peço licença para ir a Ossaka tratar de um assunto". Sua expressão e seu comportamento não eram normais. Perguntei-lhe que assunto ele tinha a tratar naquela cidade, mas suas respostas foram evasivas e contusas. Decidi, então, examiná-lo espiritualmente. Nessa ocasião, eu estava pesquisando os fenômenos espiritais com grande interesse. Fiz com que o rapaz se sentasse e cerrasse as pálpebras. Quando iniciei o exame espiritual, ele começou a se contorcer de dor Manifestou- se, então, um espírito que se identificou como sendo o de um amigo seu. "Quando eu era empregado de uma firma de Ossaka disse ele - fui despedido por um dos diretores, que acreditou nas calúnias de certo indivíduo. Fiquei num tal estado de inconformismo e desespero, que me matei, tomando veneno. Pensava que, suicidando-me, estaria pondo fim na minha existência, que voltaria ao nada, mas, ao invés disso, os sofrimentos dos instantes da morte continuavam indefinidamente. Fiquei deveras surpreso e me arrependi seriamente do que havia feito. Ao mesmo tempo, pensei em vingar-me do diretor da firma, que fora o causador de tudo, e por isso encostei em Yamada, para levá-lo a Ossaka, e, por suas mãos, assassinar aquele homem". O espírito parecia estar padecendo intensamente e me suplicou que lhe aliviasse o sofrimento. Então eu lhe fiz ver seus erros e lhe ministrei Johrei. Imediatamente ele se sentiu aliviado e me agradeceu muitas e muitas vezes. Prometendo desistir do seu intento, retirou-se. Durante o tempo em que o espírito esteve incorporado em Yamada, este ficou completamente inconsciente; depois, não se lembrava de nada do que tinha falado. Quando retomou a si, contei-lhe o que se passara. Ele ficou surpreso e, ao mesmo tempo, muito contente por se ver salvo de um grande perigo. Pelo exposto, devem compreender que, embora esteja enfrentando o maior dos sofrimentos, o homem jamais deve cometer suicídio. Os casais que se suicidam por amor estão completamente afastados da realidade. Muitos pensam que, morrendo, vão para o Céu, onde deslizarão por um lago tranqüilo, sentados numa folha de lótus, e viverão na maior felicidade. Isso é um grande engano. Vou explicar com mais detalhes. Quando um homem e uma mulher se suicidam abraçados, os espíritos de ambos, ao entrarem no Mundo Espiritual, ficam grudados um ao outro sem poder separar-se, sujeitos a grandes incômodos. Como essa situação vergonhosa é vista pelos demais espíritos, não é pequeno o seu arrependimento. Casais que se matam por amor, geralmente ficam colados costa com costa, ou barriga com costa, etc., conforme o pensamento e a atitude do momento da morte, e perdem toda a liberdade, o que toma tudo mais difícil. Os espíritos daqueles que tiveram relações sexuais imorais e abomináveis, como por exemplo o incesto, além de ficarem grudados, se

um fica de pé, o outro fica com a cabeça para baixo, de modo que a sua dor e desconforto estão além da imaginação. Quando se trata de relações imorais de eclesiásticos, professores e outras pessoas que devem dar exemplo às demais, evidentemente a pena é mais pesada. 25 de agosto de 1949

DOENÇA DO ESPÍRITO

Conforme já expliquei pormenorizadamente, a doença é o aparecimento e o transcurso do processo de purificação, mas convém saber que existem muitas doenças de origem espiritual. Muito se tem falado sobre isso desde tempos remotos, havendo mesmo certas religiões que afirmam que quase todas as doenças têm origem espiritual. Através de pesquisas, entretanto, eu soube que a doença pode ser decorrente de ação espiritual ou processo purificador Também descobri que entre os dois tipos há uma relação íntima e inseparável, pois o encosto de espírito enfermo limita-se ao local maculado do corpo espiritual. Portanto, se este, pela dissolução das máculas, ficar purificado até certo grau, não só desaparecerá a doença do corpo material, mas também será impossível o encosto do espírito enfermo, e a pessoa se tornará saudável, física e espiritualmente.

5 de fevereiro de 1947

OS JAPONESES E AS DOENÇAS PSÍQUICAS

Atualmente, as pessoas vivem falando sobre degradação moral, aumento de crimes, política deficiente, etc. Vou mostrar que tudo isso tem profunda relação com a doença psíquica. Em primeiro lugar, explicarei a verdadeira causa desse tipo de doença. Todos vão se surpreender, mas, como se trata da própria Verdade, estou certo de que compreenderão, a menos que se trate de um doente mental. A verdadeira causa da doença psíquica é física e, ao mesmo tempo, fenômeno de encosto. Para os homens da atualidade, que receberam uma educação materialista, talvez seja um pouco difícil entender isso, o que é plenamente justificável, pois lhes incutiram na mente que não se deve acreditar naquilo que não se vê. Porém, a Verdade é a Verdade, mesmo que a neguem. Se disserem que o espírito não existe, por ser invisível, terão de concluir que também não existe o ar nem os sentimentos. O espírito existe porque existe; o fenômeno de encosto também existe porque existe. Se não partirmos desse princípio, não poderei explanar a minha tese. Assim, é melhor que aqueles que negam firmemente a existência do espírito não a leiam. Há pessoas que nos julgam supersticiosos, mas para nós elas é que o são: portanto, consideramo-las dignas de pena. Mostrarei, a seguir, por que eu afirmo que a doença psíquica é um fenômeno de encosto.

Muita gente se queixa de ter o pescoço e os ombros enrijecidos. Creio mesmo que quase todos os japoneses se queixam disso. Aliás, pela minha longa experiência, posso afirmar que todas as pessoas apresentam esses sintomas. E raro alguém dizer o contrário, mas, em tais casos, o que acontece é que o pescoço e os ombros da pessoa se encontram tão rijos, que se tornam insensíveis à dor. Esse enrijecimento constitui a verdadeira causa da doença psíquica. Posso imaginar o espanto e a surpresa dos leitores, mas creio que, com o desenrolar da explicação, vão acabar compreendendo. Como enrijecimento do pescoço e dos ombros, as veias que levam o sangue ao cérebro ficam comprimidas, causando anemia na parte frontal da cabeça. Aí está o problema, pois a anemia cerebral não se resume numa simples anemia. Como o sangue é espírito materializado, ela não é senão a falta de células espirituais que alimentam o cérebro, provocando o enfraquecimento espiritual, causa imediata da doença psíquica. Os espíritos aguardam essa oportunidade para encostar, A maioria é de animais como raposa, texugo e, mais raramente, cães e gatos, e sempre é um espírito desencarnado. Pode haver, também, encosto simultâneo de espírito humano e animal. Analisando o pensamento humano, diremos que ele é constituído de razão, sentimento e vontade, os quais levam o homem á ação. A função da parte frontal do cérebro é comandar a razão, e a da parte posterior é comandar os sentimentos. Como prova disso, o amplo desenvolvimento da, parte frontal da cabeça, nas pessoas de raça branca, indica a riqueza da razão; ao contrário, as de raça amarela possuem a parte frontal estreita e a parte posterior desenvolvida, indicando a riqueza dos sentimentos. Todos sabem que a raça branca é a mais racional, e a raça amarela a mais emotiva. A razão e o sentimento estão sempre em luta dentro do homem. Se a razão vencer, não há falhas, mas a pessoa toma-se fria; se o vence- dor for o sentimento, os instintos ficam em liberdade, o que é perigoso. O ideal é os dois se harmonizarem e a pessoa não pender para um só lado, mas geralmente isso não acontece. Para o sentimento ou a razão se expressarem em ação, seja grande ou pequena, necessita-se da vontade, a qual provém de uma função situada em determinado ponto da zona umbilical. Essa é a origem de todas as ações, e a união dos três elementos razão, sentimento e vontade constitui a trilogia do pensamento. O enfraquecimento espiritual na pane frontal da cabeça provoca insônia. Esta, na maioria das vezes, é causada por pontos solidificados na zona occipital direita, que comprimem as veias. Como a insônia acelera o enfraquecimento espiritual, os espíritos aproveitam a oportunidade para encostar. A parte frontal da cabeça é a sede de comando do corpo, e o espírito, ocupando essa parte, consegue dirigir livremente o indivíduo. Ele tem interesse em utilizá-lo à sua vontade, pois com isso se torna influente entre os companheiros. O ser humano nem pode imaginar como é grande esse interesse. Brevemente, baseando-me nas minhas observações, pretendo escrever sobre os espíritos de raposa.

Conforme eu vinha explicando, a razão controla constantemente o sentimento - que é o instinto do ser humano - cuidando para este não cometer erros. Por isso o homem pode, mesmo precariamente, levar uma vida normal, pois o instinto está sendo dominado pela razão que, funcio- nando como lei, mantém a ordem na vida. Portanto, se o homem perde a força dessa lei, o sentimento se desvia, livre e desenfreado. Eis o que é a doença psíquica. Sabedor de que a lei está brilhando dentro da parte frontal da cabeça do homem, o espírito desejoso de dominá-lo encosta num certo ponto, objetivando aquela região. E claro que, se a pessoa estiver com a plenitude de sua energia espiritual, não há possibilidade de encosto. A força de atuação do espírito é variável. Se na parte frontal da cabeça a energia espiritual da pessoa for de 100%, o encosto é impossível; se for 90%, o espírito encostará 10%; no caso de se tomar 80, 70, 60, 50 ou 40%, o espírito encostado conseguirá manifestar uma força de 20, 30, 40, 50 ou 60%. Quando a força da razão é 40%, torna-se impossível controlar a força do sentimento, que é 60%; assim, o espírito encostado pode governar livremente o homem. Como explanei no início, o enrijecimento do pescoço e dos ombros comprime as veias e causa o enfraquecimento espiritual, propiciando ao espírito encostado atuar na mesma proporção desse enfraquecimento. Atualmente, todo mundo está nessas condições. Pode-se dizer; portanto, que não há ninguém com energia espiritual total; até aqueles que são respeitados na sociedade pela sua integridade moral, têm deficiência de mais ou menos 20 a 30%. As vezes acontecem coisas que nos levam a perguntar: Por que uma pessoa tão maravilhosa cometeu tal erro? Será que não entendeu aquilo? Por que será que falhou? E outras perguntas semelhantes. A razão de tais atitudes está nos 20 ou 30% de deficiência da energia espiritual da pessoa. Entretanto, essa porcentagem não é fixa; está constantemente oscilando. Mesmo quando tomam atitudes louváveis, os homens têm cerca de 20% de deficiência; quando têm maus pensamentos e por algum motivo cometem um crime, estão com aproximadamente 40% de deficiência. Isso é o que vemos acontecer com freqüência. Quando retoma aos 20%, em geral a pessoa se arrepende do que fez. Segundo um dito popular, ela foi tentada pelo demônio. O normal é ter-se de 30 a 40% de enfraquecimento da energia espiritual, mas, conforme o motivo, a qualquer momento essa porcentagem pode ultrapassar os 50%. Nesse caso, as pessoas cometem crimes inesperados. Um exemplo disso é a histeria, cuja causa, quase sempre, é o encosto de um espírito de raposa, o qual domina a razão e, levado pelo ciúme ou pela ira, atua com uma força que excede o limite dos 50%. Assim, as pessoas fazem escândalos ou falam coisas incoerentes, nas quais nem estavam pensando. Mas isso não continua por muito tempo, porque aquele limite de 50% novamente se reduz. Sendo assim, o homem deve fazer o possível para manter o limite de no máximo 30% de enfraquecimento da sua energia espiritual; se chegar a 40%, já é perigoso.

Creio que, tomando conhecimento do que acabamos de explicar, poderão compreender perfeitamente por que há tantos criminosos hoje em dia. Como o espírito encostado é de animal, se a sua força de atuação ultrapassar o limite dos 50%, temporariamente o espírito da pessoa ficará nas mesmas condições daquele, embora a aparência seja de ser humano. A diferença mais notável entre o homem e o animal é que o primeiro tem capacidade de reflexão, mas o segundo não tem. A vontade do animal é apenas matar a fome, mas, como a ganância do homem é ilimitada, uma vez que ele manifesta características animais, revela uma crueldade inimaginável. Como eu falei, já que não existe ninguém cujo espírito seja 100% forte, todas as pessoas umas mais, outras menos - são influenciadas pelo encosto de um espírito; assim, proporcionalmente à força de atuação desse espírito, todas sofrem de doença psíquica Falando sem reserva, não é exagero afirmar que todos os japoneses, sem exceção, são doentes mentais, mesmo que em pequena proporção. Vou relatar minha experiência sobre isso. Diariamente encontro dezenas de pessoas e converso com elas sobre vários assuntos, mas posso dizer que todas cometem falhas, que todas fazem coisas esquisitas; até mesmo as que merecem consideração social, embora nestas, normalmente, as falhas não sejam percebidas. Sendo assim, creio que podemos dizer que a doença psíquica em menor grau está generalizada. E não é só o que as pessoas dizem, mas também o que fazem. Pelas atitudes do dia-a-dia percebe-se claramente que quase ninguém tem bom senso. As criaturas não mostram o mínimo interesse pela etiqueta e pelas boas maneiras. Em geral, quando entram na sala e me cumprimentam, olham para lugares como a parede, o jardim, etc. Há algumas que são cheias de mesuras, e outras, ao contrario, secas demais, pelo que se pode concluir que todo mundo é doente psíquico em pequeno grau.

25 de setembro de 1949

AS TRÊS GRANDES CALAMIDADES E AS TRÊS PEQUENAS CALAMIDADES

Vou explicar o significado fundamental das Três Grandes Calamidades - vento, chuva e fogo - e das Três Pequenas Calamidades - fome, doença e guerra - comentadas desde eras remotas. O vento e a chuva são ações purificadoras do espaço entre o Céu e a Terra, causadas pelas máculas acumuladas no Mundo Espiritual, isto é, impurezas invisíveis. Dispersá-las com a força do vento e lavá-las com a chuva, é a finalidade da tempestade. Mas que máculas são essas e de que forma se acumulam? São máculas formadas pelos pensamentos e palavras do homem. Pensamentos que pertencem ao mal, como ódio, insatisfação, inveja, cólera, mentira, desejo de vingança, apego, etc., maculam o Mundo

Espiritual. Palavras de lamúria, inclusive em relação á Natureza, como, por exemplo, comentários desairosos sobre o tempo, o clima e a safra, censuras e agressões ás pessoas, gritos, intrigas, cochichos, enganos, repreensões, críticas e outras coisas desse gênero também partem do mal e maculam o Reino Espiritual das Palavras, que, em relação ao Mundo Material, situa-se antes do Reino do Pensamento. Quando a quantidade de máculas acumuladas ultrapassa certo limite, surge uma espécie de toxinas que causarão distúrbios na vida humana, e então ocorre a purificação natural Essa é a lei do Universo Como expliquei, as máculas do Mundo Espiritual, ao mesmo tempo que influenciam a saúde do homem, afetam as ervas, as árvores e principalmente as plantações, tornando-se a causa da má colheita e do alarmante aparecimento de insetos nocivos. E esse o motivo pelo qual, atualmente, estão surgindo pragas que secam pinheiros e cedros em todas as regiões do Japão. Portanto, se os japoneses não se elevarem muito, será difícil evitar que isso aconteça. Em outras palavras: os erros dos próprios japoneses estão secando os pinheiros e os cedros do seu pais, de modo que eles precisam moderar bastante o seu pensamento e as suas palavras. Tal como nas calamidades naturais, nas calamidades humanas também há algo de aterrorizador, principalmente na guerra - aquela que maiores danos cansa ao homem. Sobre as causas da guerra, apresentarei uma tese nova, que poderá surpreender, por ser algo fora de qualquer expectativa. Gostaria de que os leitores lessem com toda a atenção. A guerra é a luta de grupos, e até hoje a humanidade tem demonstrado mais propensão a ela que à paz. E não é só internacionalmente. Observando cada região de um pais, veremos que quase não há lugares sem conflito. Nas repartições, nas firmas, nas associações, enfim, em qualquer grupo, sempre há lutas nos bastidores, ininterruptamente, e as pessoas vivem se criticando e se rejeitando. Observamos, ainda, conflitos entre profissionais, conflitos no lar, entre casais, entre irmãos, entre pais e filhos, conflitos entre amigos, etc. O homem realmente aprecia muito os conflitos. Notamos que freqüentemente eles ocorrem até no interior de transportes, ou na rua, com os transeuntes. Creio ser desnecessário continuar enumerando todos os conflitos que exis- tem entre os homens. Vou explicar a causa dessa tendência humana. Todas as pessoas possuem toxinas de diversas espécies, inatas ou adquiridas após o nascimento. Essas toxinas se acumulam no local em que os nervos são mais instados pelo homem, isto é, do pescoço para cima. Mesmo que as mãos e os pés estejam descansando, órgãos como o cérebro, os olhos, o nariz, a boca, os ouvidos e outros estão em constante ação enquanto o homem se encontra acordado. E natural, portanto, que as toxinas se reunam nas proximidades desses órgãos. Essa é também a causa do enrijecimento da região do pescoço e dos ombros, de que muitos se queixam. A medida que as toxinas se acumulam, vão se solidificando, e, quando a solidificação atinge certo estágio, surge a ação contrária, isto é, a dissolução e eliminação, a que nós chamamos processo purificador Ele é

sempre acompanhado de febre, que surge para dissolver as toxinas solidificadas e, assim, facilitar a sua eliminação. Essa purificação natural é o resfriado; excreções como escarro, coriza, suor, etc., representam eliminação das toxinas. A grande maioria das pessoas estão constantemente em processo de purificação, com resfriado ameno, mas, sendo ele quase imperceptível, elas se julgam sadias, o que não corresponde absolutamente à verdade. Caso se submetam a um exame minucioso, será constatado, infalivelmente, que elas têm um pouco de febre da cabeça aos ombros, apresentando, entre outros sintomas, peso e dor de cabeça, secreção ocular, coriza, zumbido no ouvido, piorréia e enrijecimento do pescoço e dos ombros. Por isso, sempre há uma cena indisposição. Essa indisposição é a origem da ira, que se concretiza em forma de conflito, cujo aumento, por sua vez, acaba em guerra. Assim, para extinguir o espírito belicoso, só há um método: eliminar aquela indisposição. Eis por que, quando a pessoa se sente bem, não se incomoda ao ouvir alguma coisa desagradável, mas, se ela está indisposta, não consegue evitar a ira. Creio que quase todos já tiveram essa experiência. É muito comum vermos bebês que choram muito. Geralmente se diz que eles são nervosos, mas, se forem examinados, sempre se constatará um pouco de febre em sua cabeça e na região dos ombros. Embora se trate de bebês, muitos têm os ombros endurecidos. Em tais casos, com a ministração de Johrei, as toxinas diminuirão, cessará a febre e eles deixarão de chorar constantemente. Com as crianças que facilmente se irritam acontece o mesmo, mas por meio do Johrei o problema se resolve, e elas se tornam obedientes; além disso, seu nível de aproveitamento escolar também melhorará. O conflito entre casais tem a mesma origem; recebendo Johrei, eles conseguirão se harmonizar. Como a causa fundamental do conflito é a febre decorrente da dissolução das toxinas da cabeça e da região do pescoço e dos ombros, o único meio de solucioná-lo é eliminar completamente a febre. Então não será exagero afirmar que o Johrei da nossa Igreja, apesar de o mundo ser tão grande, é o único, inigualável, absoluto e radical meio de eliminação do conflito. O mesmo podemos dizer em relação a todos os problemas que hoje constituem motivo de sofrimento. Ideologias destrutivas ou que fomentam lutas de classes, também têm origem na insatisfação e nas queixas provenientes da indisposição das pessoas. Muitos, para fugirem dela, inconscientemente procuram sensações fortes, e isso, evidentemente, resulta em crimes, alcoolismo, devassidão, ociosidade, brigas, etc. Fazendo mau uso da razão, os materialistas ambiciosos de cada época geram o aumento da insatisfação e das queixas, instigam a guerra e provocam a revolução social de caráter nocivo. Conseqüentemente, para se construir a paz eterna sobre a Terra, em primeiro lugar se deve erradicar a indisposição de cada homem e aumentar-lhe o bem-estar. Não há dúvida de que, assim, o ser humano abominará o conflito e amará a paz.

13 de agosto de 1949

A TEMPESTADE É UMA CALAMIDADE HUMANA

Desde tempos remotos os tufões e as inundações são considerados calamidades naturais. Todo mundo os aceita como fenômenos inevitáveis. No meu ponto de vista, entretanto, são calamidades humanas. Vou explicar por quê. Atualmente, os cientistas objetivam a diminuição de tais ocorrências através da pesquisa e do progresso da meteorologia. No Japão, são aplicadas anualmente enormes quantias em instalações adequadas a esse fim. Vem se desenvolvendo um esforço constante, e de fato se têm obtido alguns resultados, mas parece que dificilmente se atingirá o objetivo final. Somente no Japão, os prejuízos anuais causados por tufões e inundações elevam-se a uma soma realmente alta. No recente tufão perderam-se 6.500.000 sacos de arroz, 4.229 casas ficaram danificadas ou foram carregadas pela água, 144 pessoas desapareceram ou morreram, e o número de feridos atingiu vários milhares. Além disso, os prejuízos com plantações e com estragos nas rodovias, construções e instalações, segundo declaração do órgão competente, atingiram mais de duzentos e cinqüenta milhões de dólares. Vemos, pois, a enormidade dos prejuízos. Somando-se, também, os danos materiais e morais causados por grandes e pequenos tufões, várias vezes ao ano, creio que o resultado será gigantesco, difícil de calcular. Em face de tal situação, mesmo que não haja possibilidade de exterminar essas calamidades, é necessário fazer todo esforço para que os danos sejam os menores possíveis. O Governo e o povo estão empregando todos os métodos praticáveis, mas há falta de verbas e a aparelhagem não chega nem de longe ao montante previsto. Se as deficiências persistirem, é claro que não se encontrará solução para o problema. Nas condições atuais, em que se depende apenas da pesquisa meteorológica, é impossível prestar auxilio em casos de urgência. Dizemos impossível porque as pesquisas científicas estão baseadas no materialismo, isto é, pesquisa-se somente a parte superficial das coisas, sem se procurar descobrir o seu interior Para solucionar o problema, só há um recurso: apreender a essência desse interior e providenciar, a prevenção das calamidades. Mas aí surge a pergunta: E possível conhecer as causas fundamentais do problema? Eu gostaria de provar que sim. Inicialmente direi que a tempestade é a ação purificadora do espaço acima da Terra, isto é, daquilo que chamamos de Mando Espiritual, pois até nele ha uma constante acumulação de impurezas. Materialmente falando, é como acumular poeira numa cidade ou numa casa. Só que, como o Mundo Espiritual é invisível, o homem não percebe o acúmulo de impurezas. Se até hoje essa percepção não foi possível, é porque a educação está voltada apenas para a matéria, negligenciando os estudos espirituais. Sempre falamos que essa é a maior falha da humanidade. Se

ela não reconhecer a existência do Mundo Espiritual e não fizer pesquisas baseadas nesse conhecimento, não lhe será fácil compreender o princípio da tempestade. Sendo assim, a missão original da Religião é fazer reconhecer a existência do Mundo Espiritual, ignorado e negado por quase todos. Entretanto, parece-me que as antigas religiões sempre se mostraram desinteressadas em relação ao assunto, o que eu acho muito estranho. Mas deixemos isso de lado. Como já expliquei em outras oportunidades, quando se acumulam impurezas no Mundo Espiritual, surge naturalmente uma ação purificadora. O vento dispersa as impurezas e a água as lava: eis o que é a tempestade. Realmente, não há nenhuma diferença entre ela e a limpeza que se faz diariamente no Mundo Material. Portanto, identificar a causa dessas impurezas é a única chave para solucionar o problema. A impureza é a mácula criada pelo pensamento, pela palavra e pela ação do homem. Isto é, os maus pensamentos, más palavras e más ações do ser humano influenciam o Mundo Espiritual, gerando máculas. Por essa razão, em face da freqüente ocorrência de grandes tufões, podemos compreender como os pensamentos se tomaram maus, quantas más palavras são pronunciadas e quantas más ações são praticadas. Direi, entretanto, que há uma maneira extremamente fácil de eliminar as máculas: basta que a situação se inverta, ou melhor, que os pensamentos, as palavras e as ações do homem se tomem bons. Em outros termos: atra- vés do bem, purificar o Mundo Espiritual maculado pelo mal. Nesse caso, o bem transforma-se em luz para eliminar as máculas. Os hinos cristãos, os sutras budistas e as orações xintoístas são preces de Amor e Louvor e por isso contribuem para a limpeza do Mundo Espiritual. Se elas não exis- tissem, os tufões seriam ainda mais violentos. Diante do exposto, podemos afirmar que quem gera o tufão é o homem, e ele próprio sofre com isso. Realmente, a natureza é perfeita. A tempestade é um fenômeno semelhante ao processo de purificação conhecido como doença, o qual surge no corpo humano quando nele se acumulam impurezas. Portanto, como método para prevenir a tempestade, basta que compreendam esse princípio e deixem de praticar o mal, pas- sando a praticar o bem. E preciso reconhecer que, além deste, não há outro método que apresente soluções radicais.

24 de setembro de 1949

CONSIDERAÇÕES ESPIRITUAIS SOBRE OS INCÊNDIOS

Todos sabem como surgem os incêndios. Os jornais estão sempre publicando notícias de incêndios causados por fósforo, cigarro, aquecedor elétrico, etc. Geralmente eles acontecem por descuido do homem, não vamos negar que isso seja verdade. Mas creio que, na posição de religiosos, devemos procurar descobrir a causa espiritual dos incêndios. A doença, como sempre explicamos, é a ação purificadora do corpo humano. Quando as toxinas que nele se acumulam atingem certa quantidade, causam distúrbios á saúde, surgindo, então, a ação para

eliminá-las, isto é, a ação de limpeza. Sem ela, não é possível o homem manter a saúde; é uma Lei Universal e, realmente, uma grande dádiva de Deus. Como a Ciência ainda não conseguiu descobrir esse principio, interpreta a doença de forma completamente errada. Apesar de todo o progresso, o fato é que a humanidade continua sofrendo, pois a Ciência mostra-se impotente ante o elevado número de pessoas enfermas. Talvez achem incoerência falar de doença para explicar as causas do incêndio, mas, na verdade, a causa de ambos é a mesma, visto que o incêndio também é uma ação purificadora. O mesmo podemos dizerem relação à tempestade. Nesse caso, há um acúmulo de impurezas no Mundo Espiritual, isto é, máculas motivadas pelos maus pensamentos, más palavras e más ações do homem, e a tempestade sobrevêm como ação purificadora dessas máculas Quer dizer, as impurezas dispersas pelo vento, são lavadas e carregadas pela água e secas pelos raios solares. Assim se processa a purificação. Como esclareci, a doença é a ação purificadora do corpo humano, e a tempestade é a purificação do espaço acima da terra. Mas as casas, os edifícios e outros tipos de construções, quando as máculas neles acumuladas atingem certo ponto, também sofrem uma ação purificadora: o incêndio. A origem de tais máculas é o dinheiro impuro que se empregou nessas construções ou o acúmulo de más ações praticadas por aqueles que as utilizam. Sobre isso, outrora ouvi um caso interessante, relatado por uma senhora vidente. Alguns anos antes do grande terremoto que atingiu a Região Leste, andando pelas ruas da cidade de Tóquio, ela viu rústicos barracões enfileirados, em lugar dos altos prédios. Achou esquisito, mas, quando ocorreu o terremoto, entendeu o significado do que vira. Como sempre falamos, tudo acontece primeiro no Mundo Espiritual, isto é, pela Lei do Espírito Precede a Matéria a purificação ocorre primeiro no Mundo Espiritual e depois se reflete no Mundo Material. Por ocasião do último incêndio de Atami, o edifício onde funcionava a sede provisória da nossa Igreja foi salvo, apesar de ter sido envolvido pelas chamas. Isso aconteceu, naturalmente, porque nele não havia impurezas. Assim, se materialmente fizermos construções à prova de fogo e nos esforçarmos espiritualmente para não maculá-las, elas não se incendiarão, deixando de oferecer qualquer perigo. A esse respeito, talvez surja uma dúvida: que não há razão para cidades à prova de fogo, como as do Ocidente, virem a incendiar-se, mesmo havendo impurezas. Entretanto, não existe outra explicação para o fato de muitas cidades terem sido destruídas por bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial, a não ser o princípio que acabamos de expor E preciso saber que realmente as Leis do Universo são absolutamente invioláveis.

20 de maio de 1950

INCÊNDIO E JOHREI

São freqüentes as experiências de fé relatadas por pessoas que, por ocasião de um incêndio, conseguiram fazer mudar a direção do vento ministrando Johrei, quando as chamas já haviam atingido a casa do vizinho. Isso acontece porque o incêndio é a ação purificadora através do fogo. Quando se acumulam impurezas na matéria, o espírito também está impuro; conseqüentemente, o fogo alastra-se com facilidade. Ao se ministrar Johrei, essas máculas desaparecem; deixando de existir aquilo que deveria ser queimado, o fogo muda de direção. Realmente a Natureza é perfeita. Portanto, para acabar com os incêndios, é preciso, antes de tudo, evitar que o espírito da matéria se macule; não há outro processo para exterminá-los radicalmente. Assim, em primeiro lugar, devemos entronizar a Imagem da Luz Divina em nosso lar, para purificar o mundo espiritual da família. Nos últimos tempos tem havido incêndios em varias regiões. São muitas as casas destruídas pelo fogo, numa época em que já há grande falta de residências, de modo que, embora se esteja construindo muito, o problema continua sem solução. E o incêndio não causa apenas danos materiais, mas também grandes danos morais. Além disso, sabemos que não é pequena a mão-de-obra necessária para reconstruir aquilo que foi destruído, nem são poucos os prejuízos com a suspensão do trabalho, no caso de uma empresa. Diante de tal situação, as autoridades competentes estão fazendo um esforço desesperado para solucionar o problema, mas inutilmente, porque não compreendem as bases espirituais acima explicadas. Para terminar definitivamente com os incêndios no Japão, é preciso que a grande maioria de seus habitantes se tomem fiéis da nossa Igreja Todavia, como creio que isso é impossível atualmente, não há outro recurso senão utilizar métodos materiais contra os incêndios e esperar, dando tempo ao tempo, pois acredito que, futuramente, Deus solucionará o problema.

20 de fevereiro de 1952

COMO ENCARAR A RELIGIÃO

Tenho observado que, quando as pessoas analisam a Religião, não compreendem o ponto mais importante: sua posição. A Religião está acima de qualquer outro valor. A Filosofia, a Moral e a Ciência ocupam uma posição inferior. Entretanto, por ignorância dessa verdade, usam-se expressões como "Religião Filosófica" e outras parecidas, baseadas na interpretação filosófica da Religião, o que é absolutamente errado. Explicar a Religião sob o ponto de vista da Filosofia, é tentar explicar algo que não possui forma através de algo que a possui A Religião foi criada por Deus, e a Filosofia, pelos homens. A Moral também difere da Religião. Tal como a Filosofia, ela foi criada pelo homem, 'nas há uma diferença entre ambas: a Filosofia é de caráter ocidental e científico, ao passo que a Moral é de caráter oriental e psicológico. Comparada com a Filosofia e a Moral, a Ciência é muito mais materialista, sendo patente a

distância que há entre ela e a Religião. Por todas essas razões, podemos perceber como está errado o conceito que os intelectuais da atualidade têm sobre esta última. Todavia, se analisarmos mais profundamente, veremos que a Filosofia é o conjunto das teorias criadas pelo homem até hoje, e por isso, quando a comparamos com a Religião, a importância desta revela-se por si mesma. Se tentamos descobrir, através da Filosofia, o ponto mais profundo de uma questão, encontramos barreira e nada conseguimos. Uma prova disso é que, quanto mais pesquisamos através dela, mais confusos ficamos. Uma dúvida puxa outra, e na maioria das vezes não recebemos resposta para as nossas perguntas. A conseqüência é nos cansarmos facilmente da vida, havendo pessoas que chegam ao extremo de pensar que a única solução para tal angustia é o suicídio. Esse é um fato que ninguém desconhece. Quanto á Moral, não se pode negar que tem contribuído muito para o bem da sociedade. Entretanto, embora ela tenha surgido com o objetivo de melhorar a conduta do homem por meio de códigos, não conseguiu dominar-lhe totalmente o espírito, pois também nasceu do cérebro dos intelectuais. No antigo Japão, talvez fosse possível aceitá-la, mas hoje em dia, tendo a Moral caráter oriental e estando tudo dominado pela cultura ocidental, ela já não consegue convencer as pessoas e, obviamente, tende a desaparecer. A respeito da ciência materialista, que nós sempre criticamos, não há necessidade de maiores comentários. Atualmente, falar em cultura é o mesmo que falar em Ciência; interpreta-se progresso cultural como progresso científico. E duvidoso, porém, que o homem tenha se tomado mais feliz com o progresso da Ciência. Ao contrário, somos levados a pensar que a infelicidade cresceu proporcionalmente a ele. Ante a terrível ameaça de guerra nuclear que paira sobre a humanidade, não é preciso dizer mais nada. Evidentemente, o desejo dos homens, excetuando-se uma parte, é alcançar a felicidade. A expansão e o progresso da Ciência também têm esse objetivo. Mas é muito triste constatar que na realidade acontece justamente o oposto. Urge, portanto, averiguar a causa disso. Se a Filosofia, a Moral e a Ciência, como acabei de expor; não têm força suficiente para resolver o problema, o que é que poderá resolvê-lo a não ser a Religião? Certamente, os intelectuais têm consciência do fato, mas na verdade, enquanto o consenso geral tomar como padrão as religiões tradicionais, acho que o problema continuará sem solução. Dessa forma, não é possível prever quando se concretizará a felicidade do ser humano. Vemos, pois, que são muito sombrias as condições da sociedade atual.

Todavia, neste mundo resignado, apareceu a nossa Ultra-Religião, com enorme poder salvador Talvez seja difícil aceitá-la, pois ninguém poderia imaginar uma religião semelhante, mas o fato é que não se pode negar aquilo que é evidente. Uma vez conhecendo a sua verdadeira essência, como os cegos que experimentam a alegria de ver a luz, todos

despertarão. A prova do que dizemos está nos relatos cheios de alegria que enchem as nossas publicações. Por isso, aqueles que desejam a verdadeira felicidade, façam uma experiência, entrem em contato com a nossa Igreja! Por mais saborosa que seja uma comida, é impossível

avaliarmos seu sabor apenas ouvindo explicações sobre ela ou olhando-a; antes de mais nada, é preciso prová-la. Tenho a certeza de que todos ficarão satisfeitos com o sabor jamais experimentado até então.

FÉ E RELIGIÃO

  • 29 de abril de 1950

É comum as pessoas pensarem que Religião e fé significam a mesma coisa, mas, na verdade, há muitos aspectos em que uma e outra se diferenciam. O provérbio popular "Não importa qual seja a crença, contanto que se creia", é próprio da fé, e não da Religião. O mesmo se pode dizer em relação ao ato de adorar monstruosas esculturas de pedra ou de madeira feitas por selvagens. Por esse motivo, não é de admirar que, atualmente, as pessoas civilizadas não dêem atenção ao tipo de fé em que se adoram ídolos, considerando-o como de baixo nível. Entretanto, não quero dizer que uma religião seja boa pelo simples fato de ser religião. Isso porque há religiões de nível superior' médio e inferior A que pode realmente salvar a humanidade é a de nível superior Parecerá estranho ouvir-se afirmar que entre as religiões existem níveis; o fato é que em todas as coisas há una hierarquia, e as religiões não fogem à regra. Logicamente, quem dirige a religião de nível mais alto é o Supremo Deus; sendo assim, sua autoridade e virtude são muito elevadas e poderosas. É mais do que óbvio, portanto, que essa religião possua força de salvação própria daquele nível. A melhor prova disso consiste na evidência de inúmeros milagres. Eis por que ocorrem tantos milagres em nossa Igreja. Verifica-se a cura de doenças consideradas incuráveis pela Medicina, evita-se o perigo de desastres, incêndios e outras ocorrências desagradáveis que poderiam ter acontecido às pessoas, etc. Por conseguinte, quanto mais benefícios materiais se manifestam, mas devemos nos conscientizar de que, no centro da Igreja Messiânica Mundial está presente o Supremo Deus.

  • 20 de abril de 1950

INSENSIBILIDADE EM RELAÇÃO À FÉ

De acordo com o senso comum, não há dúvidas de que servir em prol do bem-estar social e fazer feliz o próximo são boas ações. Por conseguinte, deveria ser próprio da natureza humana apoiá-las e ter vontade de Servir; entretanto, por incrível que pareça, freqüentemente vejo pessoas que agem friamente com referência a essa questão. Parece que não se interessam por aquilo que não lhes diz respeito, nem pelo bem da sociedade. Para elas, estas coisas só as fazem perder tempo; em tudo, o que importa mesmo são elas próprias; se tiverem lucros, está ótimo.

Acham que agir assim é que é ser inteligente, pois, de outro modo, é impossível ganhar dinheiro ou subir na vida. De fato, o mundo é engraçado, porque pessoas desse tipo é que são tidas como espertas. Criaturas assim pensam de forma calculada e materialista quando deparam com qualquer sofrimento. No caso de ficarem doentes, por exemplo, basta-lhes consultar um médico; em assuntos complicados, basta-lhes pedir ajuda à Lei; a quem não lhes obedece, bastam carões ou castigos. Dessa forma, simplesmente acomodam os problemas. Como acham que, se estiverem bem, não importa como estejam os outros, procuram comodidade apenas para si. Ora, por não pensarem também no próximo, não são merecedores de estima nem de consideração. Os que se juntam á sua volta são interesseiros, e por isso, quando a situação começa a piorar, todos se afastam. E natural que, justamente para tais pessoas, problemas e sofrimentos sejam uma constante. Quando tudo principia a correr mal e fracassai, elas se afobam, tentando recuperar-se com suas próprias forças; forçam a situação que já estava forçada e, assim, acabam num estado calamitoso, nunca mais voltando ao que eram antes. Exemplos como esses são muito freqüentes na sociedade. Obviamente, pessoas desse tipo não querem nem ouvir falar em Fé. Acham que Deus não existe que tudo não passa de superstição, ou que Deus existe dentro de cada um. Além de se jactarem de também serem deuses, dizem que gastar tempo e dinheiro com semelhantes coisas é a maior tolice que existe. Acham que a Fé não passa de consolo mental para covardes ou passatempo de quem não tem nada a fazer. Consideramos tais pessoas insensíveis em relação à Fé. 8 de abril de 1950

RELIGIÃO E MANDAMENTOS

Assim como a Política, as religiões também podem ter características liberais ou despóticas. A maioria das religiões tradicionais é do segundo tipo. Os inúmeros mandamentos que possuem, preconizando o que deve ser feito, comprovam-no. Elas são de caráter "Shojo", ao contrário da Igreja Messiânica Mundial, que é de caráter "Daijo", liberal, quase não tendo mandamentos. Os mandamentos religiosos assemelham-se às leis da sociedade. E falso que os homens só conseguem conter o mal pela força da Lei. Se um homem for realmente íntegro, esteja ele onde estiver, mesmo num local onde não haja leis moderadoras, jamais praticará o mal, porque é um homem verdadeiro. Os mandamentos constituem as leis das religiões. Caso só se consiga um comportamento bom e correto por meio deles, é porque a Fé professada não é verdadeira. Apesar dessa observação, sabemos que no tempo dos homens primitivos e selvagens, sendo bem precária a inteligência humana, não havia condições de se compreender realmente a Religião. Por isso foi necessário prevenir o mal através dos mandamentos.

Está claro, pois, que a religião de uma época altamente civilizada, na qual os homens conseguirão evoluir a ponto de compreenderem profundamente a Vontade Divina, prescindirá dos castigos estabelecidos pelos mandamentos. Ela será de fato uma religião capaz de construir o Paraíso Terrestre, mundo de autêntica e eterna paz. 17 de dezembro de 1949

PRÁTICAS ASCÉTICAS

Desde a antigüidade, a fé e as práticas ascéticas são vistas pelo povo como se tivessem íntima relação entre si. As práticas ascéticas tiveram origem no bramanismo, que predominava na metade da antiga Índia, antes do nascimento de Sakyamuni (Buda). A pintura e a escultura "Arhat" revelam a crueldade dessas práticas. Por exemplo: os praticantes suspendiam algo só com um braço, sentavam-se entre a bifurcação de dois galhos, ou chegavam ao cúmulo de praticar o "Zazen" (meditação profunda, com as pernas cruzadas) sentados numa tábua cheia de pregos. Houve religiosos que se mantiveram anos seguidos na mesma posição. Eles acreditavam que, perseverando em tais sofrimentos, conseguiriam atingir a Iluminação, ou melhor, sentir-se-iam iluminados. É muito famoso o martírio de Dharma, o qual abraçou a Verdade no momento em que se sentiu profundamente iluminado pelo luar, que ele estava contemplando numa noite de prática ascética. Segundo a tradição, Dharma não tem pernas porque elas ficarem atrofiadas, deixando de funcionar durante os nove anos que ele passou sentado diante de uma parede, em estado de meditação. Dizem que ainda há muitos ascetas brâmanes na Índia, os quais chegam a operar milagres. A meditação do falecido Rabindranath Tagore, nas profundezas de uma floresta, e o jejum praticado diversas vezes por Mahatma Gandhi devem ser práticas ascéticas brâmanes. A ascese era amplamente praticada na época em que surgiu Sakyamuni. Não contendo sua compaixão por aqueles que se entregavam ao martírio da auto-tortura, ele pregou a possibilidade de qualquer pessoa tomar-se mais iluminada através da leitura das escrituras búdicas. Emocionado com a eminente virtude de Sakyamuni, o povo hindu fez dele objeto de adoração. Assim, pela lógica, os budistas que praticam a ascese estão contrariando as boas-novas de Sakyamuni. Não posso concordar com os religiosos japoneses que ainda persistem nas práticas ascéticas brâmanes. Isto porque os fiéis da nossa Igreja abraçam a Verdade, seguem o Caminho e conseguem cumprir sua missão sem fazer prática ascética de espécie alguma.

FÉ "SHOJO"

25 de janeiro de 1949

Falando sobre Religião, ouço muitas críticas a respeito dos líderes religiosos. Dizem que eles deveriam viver com mais sobriedade, comer; beber e morar pobremente, assim como andar de trem, de Ônibus ou até mesmo a pe. E fato que, antigamente, para fazerem suas pregações, os fundadores de religiões calçavam sandálias de palha e usavam panos enrolados nas pernas, como se fossem polainas, a fim de facilitar-lhes as longas caminhadas. As vezes, retiravam-se para as montanhas, faziam jejuns, tomavam banhos de cascata, experimentavam todos os tipos de sofrimentos e sacrifícios; outras vezes, eram jogados na prisão, ou exilados em ilhas longínquas. Ainda hoje sentimos tristeza ao pensar nos sofrimentos que eles tiveram que passar. Entretanto, apesar de tantos sacrifícios, só conseguiram estender suas doutrinas a um território restrito; para que elas se expandissem mais amplamente, foram necessárias dezenas de gerações. Comparadas aos dias atuais, as condições precárias a que esses pregadores tiveram de se sujeitar a vida inteira vão muito além de nossa imaginação. A lembrança das práticas religiosas a que nos referimos permanece gravada na mente das pessoas, e por isso é natural que elas tenham uma visão errada sobre as religiões novas. As religiões caracterizadas por tais práticas particularizam-se pela fé "Shojo", que é anterior ao nascimento de Sakyamuni e tem sua origem no bramanismo da índia. Seus ensinamentos valorizam, principalmente, a Iluminação através da ascese. Segundo dizem, ainda hoje existe, naquele país, um pequeno número de bramanistas que conseguem fazer milagres graças a um enorme esforço espiritual. O jejum praticado pelo famoso Mahatma Gandhi talvez fosse uma decorrência do fato de ele ter professado o bramanismo quando jovem. Há uma história interessante sobre a origem dos oitenta e quatro mil sutras budistas divulgados por Sakyamuni. Naquele tempo, o bramanismo estava em grande expansão na Índia, e acreditava-se que a Iluminação só podia ser alcançada por meio da ascese, considerada o verdadeiro caminho da Fé. Vendo a expressão das esculturas e pinturas representativas de ascetas brâmanes existentes em diversos locais do Japão, podemos imaginar a situação deles naquela época. Não suportando semelhante estado de coisas, Sakyamuni, com sua grande misericórdia, descobriu uma forma para as pessoas obterem a Iluminação sem precisar recorrer às práticas ascéticas: os sutras budistas. Segundo ele, a simples leitura desses textos seria bastante. Obviamente o povo se alegrou com isso e passou a considerá-lo o mais respeitável e benéfico de todos os santos. Foi assim que o budismo se espalhou por toda a Índia. Podemos mesmo dizer que essa foi a maior realização de Sakyamuni entre as suas atividades de salvação. Diante do exposto, é fácil entender quão erradas estão as práticas ascéticas da fé "Shojo", que contrariam a vontade e a grande misericórdia de Sakyamuni, aproximando-se do bramanismo, o qual foi alvo de sua atividade salvadora. Creio que, do Paraíso, ele estará lamentando essa

situação. Assim, podemos concluir que a fé "Shojo", além de errada, é inadequada ao nosso tempo. Por outro lado, no que se refere à difusão religiosa, observamos que aquilo que antigamente se levava dez anos para conseguir, hoje pode ser feito apenas em um dia, graças ao progresso tecnológico da imprensa e dos meios de transporte. O correto, por conseguinte, é nos adequarmos a época em que vivemos, utilizando-nos de todos os recursos que a civilização moderna nos oferece. Se a religião se basear unicamente nos métodos antigos, obviamente não conseguirá atingir seus verdadeiros objetivos. Isso se evidencia na tendência que as religiões tradicionais têm de se afastar da época atual. Quando as pessoas de fé "Shojo" vêem as atividades religiosas que estamos realizando, limitam-se a ficar admiradas e não tentam sequer compreender aquilo que verdadeiramente objetivamos. Se elas se restringissem a isso, não haveria nada de mau; algumas, porém, começam a espalhar boatos contra nós, dizendo que levamos vida de nababos. Entretanto, nós dependemos apenas das contribuições dos fiéis; não temos necessidade de dinheiro. Se dermos atenção aos comentários, deixaremos que essas contribuições em gêneros alimentícios, feitas com tanto sacrifício, apodreçam, obrigando-nos a jogá-las fora. Por outro lado, não podemos vendê-las nem devolvê-las. Da mesma forma, não poderíamos deixar de utilizar as casas que nos são oferecidas de boa vontade pelos fiéis. Ao invés de dar ouvidos a comentários, devemos atentar para o grande trabalho que essas doações nos estão possibilitando realizar: a salvação da humanidade. Diante disso, poder-se-á entender o quanto é errado o pensamento "Shojo". Como o ideal de nossa Igreja é construir um mundo sem doença, pobreza e conflito, as pessoas que nela ingressam adquirem uma vida alegre e saudável, cheia de harmonia e prosperidade. Todavia, para os que vivem no lamentável inferno da sociedade atual, isso é algo inconcebível. Além de negarem a concretização desse ideal, eles pensam, naturalmente, que tudo não passa de uma boa isca para iludir o povo. Pode ser também que, para essas pessoas, o protótipo do Paraíso Terrestre que estamos construindo sejam meros palacetes luxuosos. O nosso objetivo, no entanto, é cultivar os nobres sentimentos dos homens, possibilitando-lhes oportunidade para se distanciarem, de vez em quando, da sociedade infernal de hoje em dia e visitarem terras paradisíacas, que os envolvam nos ares celestiais de Verdade, Bem e Belo, fazendo-os sentir-se no estado de suprema alegria. Assim, evidencia-se a grande necessidade da construção do protótipo do Paraíso Terrestre para o homem contemporâneo. Se a sociedade continuar como está, crescerá cada vez mais o número de pessoas de baixo nível, de jovens degradados, e não haverá um lugar sequer que não seja um viveiro para a maldade social. Por isso podemos afirmar que o único "oásis" do mundo hodierno é este protótipo do Paraíso Terrestre. Se as pessoas compreenderem realmente a

grandiosidade do nosso sublime projeto, ao invés de nos censurarem, o que elas deverão fazer é manifestar-se seu inteiro apoio. Ainda tenho algo importante a dizer. Os japoneses, por causa das invasões bélicas que empreenderam há algum tempo, foram tão mal interpretados que perderam a confiança do mundo. Sentimos que é preciso recuperar, o mais breve possível, essa confiança. Justamente por esse motivo é que o protótipo do Paraíso Terrestre constitui um patrimônio importantíssimo, para mostrar não só a beleza natural do nosso país, como também o indiscutível pendor artístico dos japoneses. Doravante, surge uma grande oportunidade para que os turistas nos visitem cada vez mais e compreendam o nosso alto nível cultural, ao mesmo tempo que desfrutam o prazer da viagem. Fico na expectativa da grande admiração que o protótipo do Paraíso Terrestre despenará, quando ficar concluído. Como o que se diz acima, fica explicado o que é fé "Shojo" e fé

"Daijo".

11 de março de 1950

LIBERDADE NA FÉ

No Japão, a liberdade religiosa só foi alcançada após a promulgação da nova Constituição. Não é disso, porém, que vou tratar; pretendo discorrer sobre a liberdade na própria Fé. Há inúmeras religiões grandes, médias e pequenas no mundo inteiro. Entretanto, todos pensam que sua religião é a melhor e, logicamente, considerando as demais de nível inferior, advertem insistentemente os adeptos para não terem nenhum contato com elas. Dizem que as outras religiões provêm do demônio, que se deve temer o castigo de Deus e, ainda, que não se obterá a salvação seguindo a dois senhores. Essas atitudes dependem de cada religião. Existem as que são muito rigorosas e cujos missionários procuram impedir o relacionamento dos adeptos com outros credos. Algumas até intimidam as pessoas dizendo-lhes coisas atemorizantes, como, por exemplo, que, se mudaram de fé, lhes advirão grandes desgraças, sofrerão doenças graves, perda da própria vida ou da família inteira, etc. E a costumeira tática utilizada pelas falsas religiões. Se nos basearmos no senso comum, perceberemos que tudo não passa de tolice, mas geralmente as pessoas se deixam influenciar, ficando indecisas. E isso não ocorre apenas com as religiões novas; mesmo nas religiões antigas e dignas de respeito acontecem fatos semelhantes, o que é incompreensível. Analisando bem, podemos concluir que o pensamento liberal não se restringe às áreas políticas e sociais. Parece-nos que os grilhões do pensamento despótico persistem também nas religiões. Sendo como discorri acima, devo dizer, a respeito da liberdade em Religião, que promover vantagens para a Igreja em detrimento dos fiéis, cerceando sua vontade, é um abuso que atinge as raias do absurdo. Além do mais, empregar para isso a ameaça verbal, é algo que, a essas alturas,

pode ser considerado uma imperdoável chantagem religiosa. Como ilustração, citarei o que tive ensejo de ouvir de uma pessoa: "Há muito tempo sou adepto fervoroso de determinada religião, mas vivo constantemente enfermo e não consigo livrar-me do sofrimento causado pela pobreza. Por esse motivo, fui perdendo a fé e resolvi abandoná-la. Entretanto, quando participei ao ministro a decisão que tomara, ele me disse coisas aterrorizantes. Sem saber como agir; venho pedir conselhos ao senhor" Eu expliquei a essa pessoa que aquela religião, sem sombra de dúvida, era demoníaca e que o melhor seria deixá-la o quanto antes. Exemplos como esses existem aos montes. O principal motivo que leva as religiões a tomarem tais atitudes é o medo que elas têm de ver diminuir o número de seus fiéis. Por outro lado, há uma razão que já se registra desde eras remotas. Quando a religião se torna atuante e conhecida, observa-se uma tendência para o aparecimento de imitações. Até mesmo com a nossa Igreja ocorre esse fato. Nessas oportunidades, eu explico que as religiões se assemelham aos cosméticos: quando são bem aceitos, surgem imitações. Ora, se isto acontece, é uma prova de que o produto foi bem aceito pelo povo. Portanto, ao invés de condenar o fato, devemos alegrar-nos com ele. No cristianismo, parece que existe a mesma tendências em outro sentido. Referimo-nos à advertência sobre a vinda do Anticristo ou falso salvador Trata-se de uma advertência que apresenta não só pontos positivos como também negativos, pois, caso apareça o verdadeiro Salvador, será fácil confundi-lo com o falso, e muitas pessoas deixarão de ser salvas. O mais grave, entretanto, é que muitos adeptos oferecem sua ardorosa fé acreditando que a religião que professam é a melhor de todas. Como são realmente sinceros, espiritualmente já estão salvos, e pessoalmente se sentem satisfeitos. Mas isso não é o certo. A verdadeira felicidade consiste em viver-se uma vida paradisíaca, em que a matéria esteja salva juntamente com o espírito. Embora sejam crentes fervorosos, muitos desconhecem esse particular; assim, é grande o número de pessoas que não conseguem se livrar da infelicidade. A propósito, quero fazer mais uma advertência. O motivo pelo qual uma religião proíbe seus fiéis de terem contato com outras, talvez seja o receio de que eles possam encontrar uma religião superior Isso significa que existe um ponto fraco nessa religião; portanto, os fiéis devem acau- telar-se. Nesse ponto, nossa Igreja é realmente liberal. Todos os messiânicos sabem que até achamos muito útil o contato com outras religiões, porque, através das pesquisas, estamos ampliando nosso campo de conhecimentos. Por Conseguinte, se acharem uma religião melhor que a Igreja Messiânica Mundial, podem converter-se a ela a qualquer momento. Isso jamais constituirá um pecado. Para o Verdadeiro Deus, o importante é a pessoa ser salva e tornar-se feliz.

8 de outubro de 1952

RELIGIÃO ANTIGA E RELIGIÃO MODERNA

Embora simples, os princípios religiosos utilizados por mim na obra salvadora que venho empreendendo, diferem grandemente dos princípios religiosos existentes até hoje. Os antigos fundadores ou pregadores de religiões adotavam a frugalidade na alimentação, vestiam-se sumariamente e levavam uma vida simples. Para se aperfeiçoarem, faziam penitências, permanecendo isolados em montanhas quase inacessíveis, debaixo de cascatas (ato considerado purificador), lendo os livros sagrados dia após dia. Dessa maneira, entre Verdade, Bem e Belo, este último era negligenciado. Poucos religiosos se interessavam pelas artes. O milagre era vagamente conhecido; entretanto, eles tinham especial consideração pelos princípios dos livros búdicos, apreciavam as formalidades e as celebrações religiosas e procuravam salvar a humanidade unicamente com a pregação. Essa análise limita-se ao budismo. Tomei-o como exemplo porque o xintoísmo e o cristianismo são religiões modernas. Deixo de fazer referência ao antigo xintoísmo, anterior à introdução do budismo, porque quase não consta da História nem da tradição. O trabalho que estou realizando, é bem diferente do que era feito pelos antigos. Em primeiro lugar porque, objetivando o mundo isento de doença, pobreza e conflito, proclamei, audaciosamente, a construção do Paraíso Terrestre, o que já é suficiente para evidenciar a grande diferença entre a Igreja Messiânica Mundial e as demais religiões. Como primeira meta para atingir o nosso objetivo, estamos libertando o homem do seu maior inimigo a doença - e os resultados são cada vez mais evidentes e indiscutíveis. A condição fundamental para a concretização do Paraíso Terrestre, é ser saudável de corpo e alma, o que, por sua vez, elimina a pobreza e o conflito. Os fiéis da nossa Igreja estão trabalhando dia e noite, unidos por esse princípio. Assim, a construção do Paraíso Terrestre, longe de ser um mero ideal, é uma realidade que está apresentando surpreendentes resultados. Projetamos o protótipo do Paraíso Terrestre escolhendo locais maravilhosos, em Atami e Hakone, onde estão sendo edificados magníficos edifícios e jardins. Com a conclusão dessas obras, pretendo mostrar ao mundo a sublimidade e formosura do Supremo Céu. O Paraíso Terrestre pode ser considerado, essencialmente, o Mundo da Arte, razão por que a nossa Igreja confere às manifestações artísticas uma atenção toda especial. Paralelamente à marcha do Plano Divino, pretendo publicar projetos mais recentes, elaborados sob a Orientação de Deus, os quais abrangem Política, Economia, Educação, etc. Através deles, os leitores poderão reconhecer a magnitude dos objetivos da Igreja Messiânica Mundial.

9 de julho de 1949

O QUE É UMA RELIGIÃO NOVA

Atualmente, em vários setores sociais, fala-se sobre o tema Religião Nova, sendo ele também abordado, com muita seriedade, em jornais e revistas. Isso é bastante animador. Observamos, entretanto, que esses órgãos de comunicação consideram nova uma religião apenas porque ela surgiu recentemente, sem se interessar pelo seu conteúdo. E é muito triste constatar que até mesmo as pessoas que fazem parte de tais religiões pensem assim. A propósito, devo dizer que não tem sentido uma religião apresentar-se com o nome de nova e seu conteúdo não corresponder a essa designação. Se a religião apenas mudar ou acrescentar, de acordo com o entendimento do seu fundador; algumas interpretações ou sentidos às palavras que há muito tempo vêm sendo ditas em livros ou ensinamentos muito conhecidos, revelados pelo fundador de uma religião antiga, não se poderá dizer que ela é uma religião nova. Aliás, conservando as mesmas formas e construções e chegando ao ponto de aconselhar a volta aos ensinamentos desse fundador; ela se distancia cada vez mais da época atual. E impressionante haver quem não ache estranho esse procedimento. Se tivermos de lidar com pessoas inteligentes, de nível cultural elevado, principalmente entre a camada jovem, certamente elas não aceitarão uma doutrina cheirando a mofo. Assim, podemos dizer que, atualmente, a maioria dos seguidores das religiões tradicionais são arrastados apenas pelas tradições e costumes. Quanto ás religiões novas, seus adeptos ingressam nelas à procura de algo novo; parece, todavia, que os crentes verdadeiramente firmes são muito poucos. Por conseguinte, para fazermos com que o homem da atualidade creia sinceramente, é preciso oferecer-lhe uma teoria baseada na razão e acompanhada de insofismáveis Graças Divinas; caso contrário, de nada adiantará tentar convencê-lo. Diante de tudo isso, é muito natural ser efêmera a fé daqueles que seguem uma religião apenas como seguem a moda. Não quero dizer que o homem contemporâneo seja destituído de sentimentos religiosos, mas, observando a realidade que nos cerca, constatamos que não existem muitas religiões nas quais possamos crer. Se houvesse alguma, quase todos, indubitavelmente, a procurariam; não a encontrando, as pessoas tornam-se descrentes, por não terem outra alternativa. Uma vez que a Ciência é mais compreensível, pelo fato de ser concreta e satisfazer os desejos humanos, essas pessoas apoiam-se nela naturalmente. Por isso eu acho que não podemos censurar os descrentes. Analisemos a questão:

Como, inúmeras vezes, nem a Ciência, na qual têm tanta confiança, nem a própria Religião conseguem resolver-lhes os problemas, as criaturas ficam num dilema. Entre os intelectuais, alguns, não podendo prever os acontecimentos futuros, passam a duvidar; outros, sentindo-se fartos da vida, perdem o gosto de viver ou vivem apenas para o momento presente; outros, ainda, em melhores condições financeiras, procuram

mais divertimentos. Além disso, a crença de que não mais aparecerá um líder na história religiosa também contribui para o desespero das pessoas. Algumas estão quase desistindo, quase desligadas da realidade, pesquisando doutrinas ultrapassadas. Essa é a realidade da época em que vivemos. O pensamento do mundo atual está totalmente confuso, não se encontrando uma saída. Contudo, em meio desta confusão, repentinamente surgiu a Igreja Messiânica Mundial, que, com muita coragem, pretende alertar todos os setores da cultura tradicional, apontar um por um de seus erros e mostrar como deve ser a verdadeira civilização. Como essa grande força de atuação já está sendo manifestada continuamente, podemos afirmar, sem nenhuma parcialidade, que ela é o assombro do século XX. Tal afirmação fundamenta-se naquilo que sempre digo: o mundo, até agora, estava na Era da Noite, iluminado unicamente pela fraca luz da Lua, mas surgiu a luz do Sol, e todas as coisas desnecessárias e prejudiciais que estavam encobertas começaram a aparecer abertamente. Eis o significado da expressão "Luz do Oriente", usada pelos antigos. Atualmente, estamos atravessando a fase da aurora; com o passar do tempo, o Sol se levantará até o centro do Céu e iluminará o mundo inteiro. Por esse motivo, as teorias que venho divulgando, desconhecidas por todos até o momento, causam espanto e até muitos mal-entendidos. Como o mundo esteve durante longo tempo na Era da Noite, não é de se admirar que os olhos tenham se acostumado á escuridão e fiquem ofuscados ante a repentina revelação da Cultura do Dia. Existe, no entanto, um problema: uma vez chegado o Mundo do Dia, Deus aproveitará da Cultura da Noite apenas as coisas úteis, não havendo outro recurso senão eliminar as inúteis. Além do mais, sendo a luz do Sol sessenta vezes mais clara do que o luar, até as doenças não identificadas ou consideradas incuráveis serão facilmente solucionadas. Os fatos reais evidenciados diariamente através do Johrei de nossa Igreja mostram isso muito nitidamente. Falando com mais clareza, assim como a Lua perde seu brilho ante o esplendor do Sol, também a civilização sofrerá uma grande transformação. Com o que acabo de dizer; creio que poderão entender a grandiosidade dos empreendimentos da Igreja Messiânica Mundial. 8 de abril de ]953

RELIGIÕES NOVAS E RELIGIÕES TRADICIONAIS

Quando analiso o comércio da atualidade, observo que existem dois tipos de lojas as novas e as tradicionais. As primeiras são dinâmicas, objetivando expandir-se amplamente, mas ainda não ganharam plena confiança do povo, pois este desconhece a qualidade das suas mercadorias, não sabendo se os preços são razoáveis. Preocupadas, as pessoas compram nelas apenas a título de experiência, ou para atender às suas próprias necessidades. Entretanto, se a loja é tradicional, merece

absoluta confiança dos fregueses. Para eles, sendo artigos dessa loja, por certo são bons. Ao invés de comprar na incerteza, em outros locais, preferem ir a um lugar de confiança, ainda que seja mais distante. No caso de uma compra de certo vulto, é certo dirigirem-se às lojas tradicionais, pelo nome que elas possuem, conseguido através de um longo tempo de vendas. Em face disso, as lojas novas empenham-se arduamente para atrair pelo menos algumas pessoas acostumadas a comprar nas casas tradicionais. Trata-se de uma situação que todos conhecem, e por isso dispensa maiores comentários. Interessante é que no campo religioso ocorre o mesmo. O aparecimento de uma nova religião ainda é cercado de dificuldades maiores que o das pequenas lojas comerciais. De imediato, ela é tachada, de supersticiosa e maléfica, ou até mesmo de trapaceira. E realmente cruel. Existem, sem dúvida, muitas religiões novas às quais se possam atri- buir esses adjetivos, mas, de vez em quando, aparecem religiões verdadeiras. Também não podemos esquecer que todas as religiões respeitadas atualmente já foram novas; com o passar do tempo é que elas ganharam tradição. A loja nova, esforçando-se para oferecer preços e mercadorias equivalentes aos das lojas tradicionais, acaba tomando-se uma delas. Sendo assim, é errado tachar de trapaceiras e maléficas todas as religiões que surgem. Pelos motivos expostos, creio que o primeiro dever das pessoas que criticam as religiões novas é analisá-las bastante, para poderem classificá-las de "boas" ou mas Sé depois é que devem escrever a seu respeito.

30 de março de 1949

RELIGIÃO E OBSTÁCULO

Desde a antigüidade, costuma-se dizer que os obstáculos são inerentes á Religião. O maior deles, talvez, tenha sido aquele que foi imposto a Cristo. Os obstáculos impostos a Buda por Daiba também são famosos. No Japão, registram-se os de Honen, Shinran, Nitiren e outros, os quais são do conhecimento de todos. Mais próximo de nossos dias, podemos citar as pressões feitas às Igrejas Tenri-Kyo, Oomoto-Kyo, Hito- no-Miti, etc. Nossa Igreja também não constitui exceção; já foi pressionada inúmeras vezes, enchendo as páginas dos jornais, onde ocupou o desagradável lugar de honra entre as religiões novas. O interessante é que, quanto mais brilhante se anunciar o futuro de uma religião e quanto mais alto for o seu valor, maiores serão os obstáculos enfrentados por ela. Vou explicar por quê. Pela Lei do Espírito Precede a Matéria, as divindades do Mundo Espiritual, cumprindo as determinações de Deus, procedem á salvação da humanidade através das religiões, de acordo com o tempo, o lugar e o povo. O cristianismo, o budismo e o islamismo são os exemplos mais importantes. Naturalmente, toda religião ensina o bem e tem como objetivo transformar o mundo em paraíso. Isso é ótimo para os homens, mas, para

os demônios, é justamente o contrário, pois seu objetivo é criar homens maus, a fim de construir uma sociedade infernal, repleta de angústias e sofrimentos. Para atingir esse propósito, eles lutam incessantemente com as divindades. Essa é a realidade do Mundo Espiritual, que se reflete no Mundo Material, e por isso este é um mundo diabólico, como podemos constatar. Para um pequeno bem, surge uma ação contrária praticada por um demônio de pouca força; para um grande bem, surge a ação de um demônio muito poderoso. Assim, a Igreja Messiânica Mundial vem enfrentando contínuos obstáculos provocados pelos chefes do mundo satânico. Sendo ela a mais elevada de todas as religiões que já existiram desde o começo da História, aquele mundo está em pânico. Para mim, o fato não requer maiores explicações, mas os messiânicos de todos os lugares podem comprová-lo, em parte, através de encostos espirituais ou fenômenos semelhantes. Atualmente, os demônios que atuam com mais força são o chefe dos dragões vermelhos e o chefe dos dragões pretos; utilizando-se de seus sequazes, eles estão criando obstáculos em conjunto. Essa luta é travada de uma forma que vai além da imaginação. Gostaria de escrever tudo a respeito, porém, como não tenho a permissão de Deus, deixarei para uma próxima oportunidade, quando tiver chegado o tempo certo. Entretanto, por mais que os chefes dos demônios tentem nos atrapalhar, nós temos ao nosso lado o Supremo Deus, o qual manifesta um poder absoluto; mesmo que estejamos perdendo a batalha por uns instantes, ao final sairemos vencedores, não havendo, portanto, motivo para preocupação. O sofrimento até !á será intenso, mas percebe-se claramente que estamos crescendo de forma considerável, apesar dos contínuos obstáculos. Convém conhecer a característica dos demônios. Eles possuem uma persistência assustadora e ainda que falhem inúmeras vezes, não se arrependem nem desistem de seus objetivos de maneira nenhuma. Tentam atingi-los por estes e aqueles meios, insistentemente, utilizando-se de artifícios que nem podemos imaginar Não há adjetivos para definir sua impiedade, barbárie e crueldade. No entanto, sendo esta a própria natureza dos demônios, o que fazer? Os mais poderosos escolhem e encostam nas pessoas que ocupam posições de destaque na sociedade, nos intelectuais e nos jornalistas. Todo mundo ficaria aterrorizado se conhecesse a extensão desta verdade. Embora a luta entre Deus e esses terríveis demônios seja travada incessantemente, não tomamos conhecimento dela, por se, tratar de um fato ocorrido no invisível Mundo Espiritual. E por esse motivo que o homem o Rei da Criação - é manejado como se fosse um boneco. Estando diretamente relacionado com o assunto, entendo perfeitamente essa luta, mas creio que é difícil alguém compreender o meu estado espiritual em relação a ela, pois á vezes sinto medo, e às vezes acho graça e até me divirto.

A luta entre o bem e o mal, na Obra Divina, nunca foi tão intensa e variada como atualmente. Ela constitui uma grande peça teatral formada

de verdades e falsidades, a qual só pode ser qualificada de misteriosa. Há, porém, um fato muito importante a considerar: a grande transformação do mundo. Na luta travada até hoje entre Deus e o demônio, quando Deus cedia algum terreno, porque se estava na Era das Trevas, era necessário bastante tempo para Ele reconquistar o que perdera; agora, como todos os fiéis sabem, esse tempo está se encurtando consideravelmente. Encontramo-nos na transição para o Mundo do Dia, e a força dos demônios está enfraquecendo cada vez mais. Por essa razão, a rapidez com que vem se efetuando a reconquista, em algumas ocasiões até nos traz vantagens, e a realidade nos mostra isso. Em maio do ano retrasado, recebemos um golpe que, por um momento, parecia fatal á nossa organização. Pensamos até que jamais conseguiríamos nos recuperar. Hoje, porém, passados apenas dois anos, o progresso da construção dos protótipos do Paraíso Terrestre, em Hakone e Atami, e a expansão da Fé são tão grande como ninguém poderia imaginar. Essa é uma prova de que o poder de Deus está sendo manifestado com maior intensidade e de que estamos a um passo do advento do Mundo do Dia. Logo virá o tempo em que a Igreja Messiânica Mundial será procurada pelo mundo inteiro. Portanto, uma vez que ela desenvolve uma obra tão grandiosa para a salvação da humanidade, acho até natural que enfrente obstáculos de grandes dimensões. 3 de setembro de 1952

RELIGIÃO CELESTIAL E RELIGIÃO INFERNAL

Como as principais religiões que existem sofreram perseguições na época da sua fundação, tornou-se comum associar Religião e perseguição. Os exemplos de que foram vítimas os adeptos, contam-se em grande quantidade na história das religiões. Entre eles, figuram casos aterradores, como a perseguição dos fariseus e a crucificação de Cristo, fundador do cristianismo, religião que predomina no mundo inteiro. No Japão, embora diferisse o grau de sofrimento, todos os religiosos também tiveram de atravessar um período espinhoso. As únicas exceções foram Sakyamuni e Shotoku, que não sofreram perseguições pelo fato de serem príncipes. Os fundadores de religião superam os outros homens em honestidade, sendo dotados de um extraordinário sentimento de amor e caridade. São homens santos, modelados pela essência do bem, por arriscarem a própria vida na salvação dos sofredores. Entretanto, ao invés de reconhecerem devidamente o seu esforço e, agradecidos, acolherem- nos com honrarias, o governo e o povo os têm odiado como se eles fossem enviados do demônio, perseguindo-os a ponto de lhes tirarem a vida. A injustiça está mais do que evidente. Semelhante fato, á luz do raciocínio, leva-nos a considerar como demoníacos os homens que odeiam, torturam e tentam eliminar esses grandes benfeitores. O homem, por natureza, pertence ao bem ou ao mal; não existe estado intermediário. Em outras palavras, ele está associado a Deus ou a

Satanás. Assim, quem alimenta idéias ateístas e mostra-se contrário às boas ações, abomina Deus, tornando-se, evidentemente, sem o saber, um servo do demônio. Até os fundadores de religiões hoje consideradas importantes, inicialmente foram tratados como demônios e tenazmente perseguidos. Mas, como a própria História mostra, o mal foi derrotado pelo bem. As santas palavras de Cristo, "Venci o Mundo", encerram o mesmo sentido e são dignas de reflexão. Assim, longos anos após a morte dos seus fundadores, a maioria das religiões foram reconhecidas e tiveram suas divindades reverenciadas. Isso aconteceu devido à alegria que eles proporcionaram ao povo, com seus ensinamentos, e â notável contribuição que trouxeram ao aumento do bem-estar social. Nenhuma religião foi devidamente reconhecida durante a existência do seu fundador, e as perseguições tomaram-se fatos comuns. Os crentes até adquiriram o hábito de se comprazer com uma vida atribulada. A leitura da história trágica dos missionários cristãos que, seguindo o exemplo do ato redentor de Cristo, enfrentaram a morte em territórios selvagens, é realmente comovedora. Nenhuma outra religião encontra-se, hoje, tão solidamente enraizada em todos os recantos do mundo como o cristianismo. A perseguição religiosa ocorrida no Japão e conhecida como "Conflito de Amakussa", pode dar uma idéia da realidade mencionada acima. Foram sofrimentos inevitáveis, causados por terceiros, mas existem religiões que até procuram o martírio. O maometismo, o taoísmo, o lamaísmo e o bramanismo da índia caracterizam-se pela prática de penitências e do ascetismo, considerando-os como essência da fé. Embora com alguma diferença, ocorrem fatos semelhantes entre diversas religiões tradicionais do Japão, onde continuam a existir algumas seitas que levam ao extremo o cumprimento dos mandamentos, fazem penitências e vivem à procura de aperfeiçoamentos. Como vemos, essas religiões são infernais, pois consideram o martírio um meio fundamental para polir a alma. Assim, o homem toma-se uma espécie de ser anormal, que transforma o sofrimento em prazer. Em verdade, isso acontece devido à necessidade que ele tem de suprir, com as próprias forças, a insuficiência do poder da Religião. A Igreja Messiânica Mundial surgiu por uma necessidade imperativa, neste momento em que o mundo está repleto de religiões de fé infernal. No que diz respeito às pregações e às atividades, a nossa Igreja difere radicalmente das outras, vindo a ser até mesmo o seu oposto. Ela repudia principalmente a penitência, considerando a vida celestial como a verdadeira forma de professar a Fé. Além disso, caracteriza-se pelo seu amplo conteúdo, abrangendo Religião, Filosofia, Ciência, Arte e demais setores do conhecimento humano, sobretudo os referentes à saúde e à agricultura, que são pontos fundamentais da salvação. Tudo isso, pode-se dizer, constitui a condição fundamental para transformar o Inferno em Paraíso. E o que seria senão o próprio Amor Divino? Por conseguinte, as penitências constituem heresias, e a verdadeira salvação implica numa si-

tuação de vida celestial, transbordante de alegria. Quando esta situação abranger o mundo inteiro, surgirá o autêntico Paraíso Terrestre. Nesses termos, o Paraíso Terrestre, que vem a ser a meta da nossa Igreja, inicia-se no lar. O aumento gradativo de lares celestiais chegará a transformar o mundo num paraíso. Se essa verdade fosse compreendida, ninguém deixaria de louvar a Igreja Messiânica Mundial e nela ingressar. Como os homens têm a mente afetada por conceitos materialistas e ateístas, ou por religiões de caráter limitado, perdem a oportunidade de conhecer essa alegria, por desconfianças e equívocos. Entretanto, a verdade sobre a nossa Igreja não deixará de vir à luz; estou à espera desse dia, lutando incessantemente, sob Orientação Divina. 25 de março de 1953

RELIGIÃO E SEITAS

As religiões estão subdivididas em seitas. O cristianismo, por exemplo, entre outras seitas, subdivide-se em catolicismo e protestantismo, que se destacam sobre as demais. Quanto ao budismo, só no Japão existe o Shingon, Jodo, Shinshu, Zen, Nitiren e outras, as quais, por sua vez, também estão subdivididas; atualmente, há cinqüenta e oito sub-seitas. No xintoísmo, excetuado o Shinto de Templo, há treze seitas principais: Taisha, Mitake, Fusso, Missogui, Tenri, Konko, etc. A subdivisão das religiões parece ilógica, mas vejo o caso da seguinte maneira: será que a causa não está nos cânones? Isto porque tanto a Bíblia como os preceitos búdicos contêm muitos pontos incompreensíveis, cuja interpretação varia de pessoa para pessoa, contribuindo forçosamente para a criação de várias seitas. Quanto ao xintoísmo, não possui um fundador como o cristianismo e o budismo. Formou-se baseado nos livros clássicos, entre os quais o "Kojiki" e o "Nihon Shoki", ou através de ensinamentos transmitidos por médiuns. Embora as religiões citadas sejam religiões por natureza, sua subdivisão em seitas tende a ocasionar conflitos, prejudiciais á obra educacional de fraternidade, que é a missão principal da Religião. A causa da subdivisão, sem dúvida alguma, está na dificuldade de interpretação dos ensinamentos. Entretanto, se a finalidade das religiões é salvar toda a humanidade, creio que tudo deveria ser claro para todos. Para evitar tais dificuldades, pregarei a doutrina por um novo método, de modo que ela possa ser facilmente assimilada pelas pessoas. Pretendo, ainda, do ponto de vista da Religião, publicar, gradativamente, interpretações novas sobre Política, Economia, Educação, Arte, etc. 25 de janeiro de 1949

A VERDADEIRA RELIGIÃO

A verdadeira religião deve fundamentar-se no universalismo. Não será verdadeira se for limitada a um país, povo ou classe, porque tal limitação provoca disputa de poderes, o que contraria a própria essência

das religiões, cuja missão é eliminar conflitos e promover a paz. Qualquer hostilidade significa afastar-se do objetivo da Religião. Por isso, é estranho que a História registre tantas lutas religiosas. Chamamos "Shojo" a religião limitada, e "Daijo", a de objetivos universais. Logo se vê que só esta última pode ser considerada verdadeira. 5 de novembro de 1949

BENEFÍCIOS MATERIAIS

Modéstia à parte, em nossa Igreja ocorrem maravilhosas Graças

Divinas.

Na antigüidade surgiram religiões magníficas, e até hoje isso vem acontecendo. Entre elas, as três mais importantes - o cristianismo, o islamismo e o budismo - e mais algumas já conquistaram suas respectivas posições. A maioria, porém, desde o início, sempre se ocupou unicamente da salvação espiritual. A Igreja Messiânica Mundial ainda tem pouco tempo de vida, e, comparada com outras, é uma religião pequena. Apesar disso, a rapidez de seu progresso pode ser considerada inédita e está sendo alvo de muita atenção, o que, às vezes, até se toma um problema. Mas isso é um fenômeno transitório, uma das inevitáveis experiências pelas quais temos de passar. É uma questão de tempo; naturalmente, virá o dia em que, por opinião imparcial, será reconhecido seu verdadeiro valor. Como todas as religiões, nossa Igreja tem seus ideais, seus princípios religiosos, e vem se esforçando para progredir Vou mostrar os pontos em que ela difere das religiões tradicionais, pois, se não os conhecerem, não conseguirão compreende-la verdadeiramente. A grande diferença é que nela ocorrem muitos benefícios materiais. Entretanto, as pessoas que se dizem entendidas no assunto acham que esse tipo de religião é de baixo nível e por isso não lhe dão atenção. Se pensarmos bem, encontraremos uma explicação para essa atitude.

Atualmente, analisando as inúmeras religiões do Japão, constatamos que existem dois tipos: as que são populares e as que não o são. No primeiro caso, por exemplo, a fé está voltada para este ou aquele ídolo ou deus, e seus adeptos as pessoas de baixo nível cultural, que nada entendem de teorias religiosas ou de Filosofia têm um único objetivo:

receber benefícios materiais. Ora, do ponto de vista dos intelectuais, isso é tolice e não merece a mínima atenção. Assim, eles concluem que a busca desses benefícios é própria da Fé de nível inferior. Por outro lado, valo- rizam as religiões que, não se importando com os benefícios materiais, colocam os princípios religiosos em termos didáticos, dotando-os de inteligentes razões. Se tais religiões tiverem uma longa tradição e durante esse tempo nela tiverem surgido grandes líderes ou sacerdotes de alta virtude, eles as valorizam ainda mais, considerando-as de alto nível. Em síntese, para os intelectuais o que vale é a força do nome e a tradição. A propósito disso, desejo expor minha sincera crítica.

Dos dois tipos de Fé mencionados, o primeiro pode ser de baixo nível, mas a verdade é que ele está atingindo a massa popular mais do que podemos supor. Como as pessoas que o professam têm pouca cultura, não lhes interessam princípios nem teorias; elas vão de vez em quando à Igreja, fazem pedidos de graça, dão uma esmola e se satisfazem com isso. Trata-se de uma fé muito simples, mas é indiscutível que impressiona bem e contribui para mudar o sentimento de outras pessoas. Se essas religiões acreditam no invisível, é porque têm uma visão espiritualista; portanto, elas contribuem de alguma forma para o bem social, mais do que aquelas que estão baseadas num sólido materialismo. Seus seguidores cultivam o bom sentimento de pedir ajuda a Deus, por isso não haverá motivos para que cometam, inescrupulosamente, os crimes horríveis a que ficam sujeitos os materialistas. Quanto ao segundo tipo de fé, diferentemente do primeiro, é seguido por pessoas que, acreditando somente no que vêem, desprezam aqueles que crêem no invisível, considerando-os supersticiosos. Parece que, atualmente, a maioria pertence á classe dos intelectuais. Naturalmente, uma vez que são materialistas, eles acham que devem lidar com as religiões didaticamente; quando discutem sobre o assunto, não ficam satisfeitos se não o colocarem em termos lógicos e filosóficos. Por isso, a nosso ver, suas teses são superficiais, e as críticas que fazem à nossa Igreja não passam de comentários malévolos. Para fazer a verdadeira análise de uma religião, é preciso penetrar nela profundamente, procurando averiguar seu conteúdo com os olhos bem abertos. Deve-se analisá-la livre de conceitos pessoais. Originariamente, a natureza de uma religião não está na sua forma, mas no seu conteúdo. Portanto, é necessário que os intelectuais mudem bastante suas atitudes críticas. De acordo com o exposto acima, criticar nossa Igreja vendo apenas as aparências externas e classificá-la como religião vulgar por estar centralizada no recebimento de benefícios materiais, é uma grande leviandade ou descortesia. Enquanto se persistir nessa atitude, as críticas não terão nenhum sentido. Se fizerem uma profunda análise da Igreja Messiânica Mundial, compreenderão que ela não só é de caráter popular como teórico. Podemos dizer mesmo que é uma Ultra-Religião, inédita para a humanidade. E não é só isso. O que defendemos não se restringe apenas à Religião. Nosso objetivo é dar a mais alta diretriz ao campo da Medicina, da Agricultura, da Arte, da Educação, da Economia, da Política, enfim, a tudo quanto diz respeito ao homem. Em suma: queremos colocar a teoria em prática, de maneira que a Fé seja vivida no nosso dia-a-dia. 8 de novembro de 1950

MILAGRE E RELIGIÃO

Seria desnecessário dizer que milagre é o acontecimento de algo considerado impossível, algo que, não coincidindo com a lógica e não se

podendo medir com o senso comum, só podemos afirmar que é um mistério. Mas desde quando existe esse mistério chamado milagre? Temos registrados os milagres de Cristo, os quais são muito conhecidos e dispensam comentários; no Japão, evidenciaram-se, entre outros, o milagre acontecido a Nitiren e os realizados pelos fundadores das Igrejas Tenri-Kyo, Oomoto-Kyo, Konko-Kyo e Hito-no-Miti (atualmente Igreja P.L.). Sabe-se que em vários outros lugares ocorreram pequenos milagres, mas o interessante é que nas mais antigas e abalizadas religiões eles quase não ocorrem. Enquanto seus fundadores estavam vivos, é possível que muitos milagres tenham sido realizados, porém, com o passar do tempo, eles se extinguiram por completo. Por esse motivo, em certas religiões tradicionais, as pessoas de posição elevada precisaram encontrar algo de valor que substituísse os milagres, pela necessidade de fazê-las sobreviver Como resultado, apareceram as religiões filosóficas, as ciências religiosas, a Teologia e outras formas de estudos sistematizados. Obviamente, elas consideram que o ponto mais importante da Religião é a salvação do espírito, razão pela qual desprezam as graças materiais. Além disso, acrescentam as formalidades tradicionais de cada uma. Assim, vieram mantendo sua existência como organização religiosa. As pessoas conscientes e os povos civilizados não as aceitam, e, não encontrando uma Fé cujo teor os satisfaça, muitos se tomam incrédulos, como vemos atualmente. Torna-se claro, portanto, que a Fé ardentemente desejada pelas pessoas é, antes de mais nada, uma nova Fé, que se tenha despojado das velhas roupagens e cujos princípios sejam racionais e comprovados por provas autênticas. Existem, no momento, algumas religiões que estão se expandindo muito, como a Narita-no-Fudosson, Toyokawa, Fushimi-Inari, Kompira Gonguem e certas seitas da Religião Nitiren, as quais, indubitavelmente, de certa forma estão sendo úteis à sociedade. Entretanto, elas visam apenas os benefícios materiais, e seus níveis são tão baixos, que não exercem nenhuma atração sobre as pessoas de cultura elevada nem sobre a camada jovem. Em verdade, satisfazem apenas um numero limitado de pessoas. De acordo com o que acabo de expor, podemos dizer que, atualmente, só há duas espécies de Fé no Japão: as religiões teóricas e as religiões praticas, ou seja, as que visam unicamente as graças. Essa é a situação inexpressiva do campo religioso japonês. Portanto, pensando naquilo que as circunstâncias atuais estão exigindo, concluímos que é ne- cessário o aparecimento de uma religião nova e ideal. A peculiaridade da nossa Igreja é que, através de princípios religiosos, ela formula conceitos inéditos sobre a Teologia, a Ciência e a Filosofia, dando-lhes novas interpretações. Além disso, aponta os defeitos da cultura contemporânea, ensina como deve ser a nova cultura e indica o caminho para a criação da nova civilização mundial. Por conseguinte, podemos dizer que ela está acima da conceituação de uma simples religião.

Uma vez ingressando na Fé Messiânica e analisando-a minuciosamente, a pessoa se surpreenderá com a veracidade do que acabamos de dizer. Tornando-se fiel, compreenderá, também, que uma das grandes características da nossa religião e a ocorrência de muitos milagres. Certamente a História das Religiões não registra nenhuma outra em que eles sejam tão numerosos. Milagre, como já dissemos, e beneficio material, por isso não há dúvida de que conseguiremos atingir o nosso objetivo: construir um mundo absolutamente isento de doença, pobreza e conflito. Mas não basta lerem o que escrevi; antes de mais nada, é necessário conhecerem a Igreja Messiânica Mundial.

5 de março de 1952

RELIGIÃO É MILAGRE

Desde tempos remotos costuma-se dizer que os milagres são inerentes à Religião, o que realmente é verdade. Modéstia á parte, nunca houve religião que evidenciasse tantos milagres como a Igreja Messiânica Mundial. Em poucas palavras, direi que isso ocorre porque ela é dirigida pelo Supremo Deus. Pensando que todas as divindades são iguais, as pessoas geralmente tendem a cultuá-las da mesma forma. Entretanto, precisamos saber que até entre as divindades existe hierarquia: superior, média e inferior. Em ordem decrescente, essa hierarquia, iniciando pelo Altíssimo, vai até Ubussunagami, Tengu, Ryujin, Inari e outros. Gostaria de falar detalhadamente sobre todas essas classes, mas assim eu estaria desvelando divindades de outras religiões. Portanto, por uma questão de respeito, não o farei. Desejo apenas mostrar, através de um fato, quão elevado é o deus que dirige a Igreja Messiânica Mundial. Nem preciso falar sobre a maravilha que é o Johrei, pois, com o passar do tempo, na medida que vai se tornando conhecido, ele está constituindo o elemento mais eficiente para a expansão da nossa Igreja. Aliás, sobre a solução de doenças através do Johrei, devo esclarecer que, mesmo a pessoa duvidando e recebendo-o apenas a título de experiência, ou achando impossível obter a cura por meio de "uma tolice dessas", a graça será alcançada da mesma forma, e rapidamente, o que muitos acham um mistério. Até o presente acreditava-se imprescindível a pessoa ter fé para ficar curada de uma doença. Era corrente este pensamento: "Acredite; você não pode duvidar." Assim, é natural que, condicionadas a essa idéia fixa, as pessoas estranhem o que acabo de dizer. Vou explicar a razão. Primeiramente, crer na validade de algo sem ter nada que a comprove é enganar a si próprio, pois ninguém pode acreditar numa coisa antes de ter provas. Assim, é óbvio que aquele pensamento está errado. Empregar todos os esforços para crer porque nos foi dito para crer, produz algum efeito, pois isso é melhor do que duvidar Tal efeito, porém, não provém de Deus, como muitos pensam, mas da própria força de cada um. Mas por que motivo um pensamento tão errado vinha sendo aceito como a coisa mais natural? E que, até agora, ignorando que a divindade á qual se

dirigiam não tinha poder suficiente, as pessoas tentavam suprir essa deficiência com a força humana. Nesse sentido, em nossa Igreja, as pessoas melhoram mesmo que duvidem. Isso acontece por conta da grande força de Deus não sendo necessário, portanto, acrescentar a força humana. Logo, se uma divindade não tem poder para curar uma doença, é porque seu nível é inferior. Muitas vezes, quando as graças não ocorrem do modo desejado, o ministro ou o orientador dão desculpa de que a pessoa tem pouca fé. Parece-me que eles acham que a graça é conseguida com o esforço do homem, ao invés de ser concedida por Deus. Na verdade, Deus é infinitamente piedoso; por isso, mesmo que façamos apenas um pedido, infalivelmente Ele nos atenderá. Quando o homem emprega demasiado esforço para alcançar uma graça e ultrapassa os limites, Deus não fica satisfeito, se é que se trata do Verdadeiro Deus. Principalmente fazer penitências, jejuns e abstenções são atitudes que estão em desacordo com a Vontade de Deus, pois Seu grande amor vê com tristeza o sofrimento humano. Pensemos bem. Nós, seres humanos, somos filhos de Deus. Como nosso pai, não há razão para Ele se alegrar com o nosso sofrimento. Ainda que a pessoa tenha conseguido receber uma graça através de penitência, quem a concedeu não foi Deus, mas algum espírito pertencente à falange dos demônios. Graças desse tipo são efêmeras, não duram muito tempo. As graças concedidas por Deus são diferentes. Ã me- dida que nos dedicamos à Fé, nossos infortúnios irão diminuindo gradativamente, atingiremos um estado espiritual de paz e segurança e seremos felizes. Em síntese: trata-se de religião de baixo nível aquela em que a pessoa, embora não creia, esforça-se para crer, com o objetivo de alcançar graças; trata-se de religião de nível superior aquela em que Deus concede a graça mesmo que a pessoa duvide ou não acredite.

11 de abril de 1951

RELIGIÃO É MILAGRE

Várias heranças literárias provam que Religião e milagre são coisas inseparáveis. Religião sem milagre deixa de ser Religião. Isto porque o homem é totalmente incapaz de operar qualquer milagre, o qual é obra de Deus. Sendo assim, uma religião que não apresente milagres é como uma existência nula. Falta-lhe a essência, embora ostente aparência religiosa. A magnitude de uma religião é proporcional à ocorrência de milagres. Milagre, em outras palavras, significa o aparecimento de benefícios inesperados. Isso estimula e da origem a um profundo sentimento religioso, que conduz o homem à Fé e salva-o da desgraça. Que religião podemos chamar de verdadeira a não ser essa? É desnecessário dizer que uma única prova vale por mil argumentos. Embora a situação que vivemos atualmente seja uma conseqüência da Segunda Grande Guerra, o aumento do mal social, principalmente os pensamentos

insanos que infestam os jovens - verdadeiros sustentáculos do futuro - e o estado confuso em que estes se encontram, não deixam de representar uma realidade apavorante. A causa de tudo isso é a educação recebida pelos jovens, a qual os levou a aceitar o materialismo como norma de ouro. Enquanto os homens não despertarem desse engano, não haverá solução para o problema. Naturalmente, para combater os conceitos materialistas, é preciso despertar o homem para a Religião, começando por convencê-lo da existência de Deus. Nossa Igreja vem insistindo neste ponto, e o milagre é o único recurso para ela atingir seu propósito. Milagre é tornar possível aquilo que se considera impossível realizar pela ação do homem. Como ele mostra, na realidade, o que não se pode interpretar teoricamente, quaisquer dúvidas a respeito serão, logicamente, dissipadas de imediato. Assim, mesmo na exclusão do mal social ou na criação de países pacíficos, não se poderão obter resultados satisfatórios a não ser que se dê a exata consciência de Deus através do milagre, cultivando, dessa forma, a espiritualidade. Na história da humanidade, não se conhece nenhuma religião que tenha apresentado tantos milagres como a nossa. Neste sentido e nesta fase de grande transição que estamos atravessando, o objetivo da Igreja Messiânica Mundial é sacudir a alma do mundo, que está adormecida, despertando-a com o poderoso sopro do milagre. Deus, Todo-Poderoso, veio á Terra como Kanzeon-Bossatsu (encarnação da Misericórdia), conhecido também como Komyo-Nyorai (encarnação da Luz) e, após transformar-se em Oshim-Miroku (encarnação da Ação Livre e Desimpedida), está manifestando, pelas Divinas Mãos do Messias, os mais variados e incontáveis milagres, utilizan- do livremente a sagrada energia vital. Dessa forma, através da Igreja Messiânica Mundial, Deus está realizando a grandiosa obra da salvação do mundo.

11 de junho de 1949

ANÁLISE DO MILAGRE

Em poucas palavras, chama-se milagre a realização daquilo que achamos impossível, mas, na verdade, nada acontece por acaso. Quem pensa de forma diferente, está redondamente enganado. Parece um tanto complicado, contudo vou mostrar por que estou fazendo essa afirmativa. A idéia preconcebida de que determinada coisa nunca poderá acontecer, já constitui um erro, pois leva em consideração apenas aquilo que se manifesta exteriormente, isto é, as aparências. Como até agora o pensamento da maioria dos homens baseava-se em conceitos materialistas, se ás vezes sucede algo diferente, eles pensam que se trata de milagre. Por exemplo: uma criança cair de um penhasco e não sofrer nada; um carro bater numa bicicleta e não haver ferimentos nem prejuízos; uma pessoa se salvar por ter se atrasado e perdido um trem que depois descarrilhou, virou ou colidiu com outro; um ladrão que estava entrando

numa casa fugir, pela ministração do Johrei; uma pessoa recuperar o que lhe foi roubado; um incêndio que havia se alastrado até à casa do vizinho ser desviado, devido à repentina mudança de direção do vento, por efeito do Johrei. Com os fiéis da nossa Igreja ocorrem constantemente grandes e pequenos milagres, isto é, fatos fora do comum. E por que motivo eles ocorrem? Onde está a causa? Creio que todos querem sabê-lo. E claro que a verdadeira razão do milagre está no Mundo Espiritual. Entretanto, há milagres decorrentes da força pessoal de cada um e outros decorrentes da força de terceiros. Inicialmente falarei sobre o primeiro tipo. O homem possui aquilo a que chamamos aura, que é como se fosse a vestimenta do espírito. Ela tem o formato do corpo, que parece coberto por uma espécie de névoa branca, e não é visível ás pessoas de sensibilidade comum. Sua largura é variável, e isso se deve ao grau de pureza do espirito; quanto mais puro ele for, mais larga é a aura. Nas pessoas comuns, ela varia de três a seis centímetros; a dos virtuosos tem de sessenta a noventa centímetros; nos salvadores da humanidade, ela é infinita. Ao contrário, se o corpo e o espírito são impuros, a aura é estreita e tênue. Em caso de desastre, por exemplo, na hora exata em que um carro que também possui espírito vai bater numa pessoa, não conseguirá atingi-la se for alguém de aura larga. Ela se salva, porque é afastada para o lado. Pessoas assim, quando caem de um local alto, mesmo indo de encontro ao espírito da terra ou de uma pedra, não se machucam, apenas batem de leve. As casas também possuem espírito, de modo que, se o dono for virtuoso, a aura da casa será larga; no caso de incêndio, o espírito do fogo não a atinge, pois é barrado pela aura. Por isso, na ocasião do grande incêndio de Atami, a sede provisória da nossa Igreja foi milagrosamente poupada. Se ocorre o contrário o que é difícil - é porque há necessidade de queimar impurezas; por conseguinte, o fato obedece ao Plano de Deus. Vejamos, a seguir; os milagres decorrentes da força de terceiros. O homem tem três espíritos: o Primordial, o Guardião e o Secundário. Vou me abster de maiores explicações sobre a relação existente entre eles, pois já falei sobre isso em outras oportunidades. O Espírito Guardião é escolhido entre os ancestrais; ele salva seu protegido no caso de um perigo, ou lhe faz avisos importantes através de sonhos. Quando se trata de pessoa que tem missões especiais, há casos em que uma divindade vem em seu socorro (em geral, o padroeiro do local onde a pessoa nasceu). Por exemplo, se um trem está prestes a colidir com outro, como essa divindade tem conhecimento do fato, pode fazer parar o espírito do trem instantaneamente. Mesmo que o fato esteja ocorrendo a milhares de quilômetros, ela chega ao local numa rapidez extraordinária. Como vemos, o milagre não ocorre absolutamente por coincidência ou por acaso; há sempre uma razão. Se compreenderem isso,

verão que ele não tem nada de sobrenatural. Para mim, o natural é haver milagres; se não houver é que eu acho estranho. Às vezes, quando me encontro diante de um problema difícil, cuja solução está demorando, começo a esperar que repentinamente aconteça um milagre, e geralmente ele acontece, solucionando o problema. Isso é muito freqüente. Creio que aqueles que têm fé profunda e acumularam virtudes, já passaram por muitas experiências nesse sentido. Portanto, se o homem pensar e praticar o bem, acumular virtudes e fizer esforços para tomar mais larga sua aura jamais lhe acontecerão desgraças inesperadas. Em nosso contato com as pessoas, quanto mais espessa for sua aura, mais calor sentiremos, surgindo, daí, grandes afeições. Tais pessoas sempre cativam outras, que se reúnem a sua volta em grande número, e assim elas terão êxito e progresso no trabalho.

5 de junho de 1951

RELIGIÃO Á LUZ DA VERDADE (RELIGIÃO "DAIJO")

Embora se saiba que existe a classificação "Daijo" e "Shojo" referente ás religiões - classificação usada principalmente no budismo - até nossos dias ainda não foi divulgada uma explicação radical sobre o assunto. Procurarei expor o meu ponto de vista. Resumindo, "Daijo" significa Natureza e refere-se às atividades de criação e desenvolvimento de todas as coisas existentes no Universo. Portanto, "Daijo" abrange tudo, nada lhe escapa. De acordo com este sentido, falarei não sobre o "Dato" búdico, mas sobre o "Daijo" universal. Isto é, não somente Religião, Filosofia, Ciência, Política, Educação, Economia e Arte, mas também a guerra e a paz, o bem e o mal. Podemos observar uma ordem natural nas atividades de todo o Universo. Considera-se realmente homem o indivíduo que reconhece a obediência á ordem como fator natural do progresso. Por essa razão, o desvio da ordem acarreta, infalivelmente, obstáculos, estacionamento ou destruição. A obediência ou a desobediência à ordem constrói ou destrói, e a realidade mostra que no mundo sempre tem ocorrido construção e destruição. As religiões podem servir como exemplo. Embora os homens as condenem, tachando-as de supersticiosas ou heréticas, elas progredirão se forem necessárias á humanidade; caso contrário, submeter-se-ão á seleção natural. Devemos confiar até certo ponto na ação da Natureza. Se as religiões tiverem realmente vida e valor, a perseguição humana contribuirá para o seu progresso. Temos um exemplo vivo no cristianismo. Quem objetará contra a sua predominância atualmente, apesar da crucificação do seu fundador? O homem moderno possui uma visão demasiadamente estreita e curta, cujo erro, creio eu, deve ser analisado seriamente. 25 de outubro de 1949

A VERDADEIRA RELIGIÃO "DAIJO"

É do conhecimento de todos que há religiões de caráter universal e outras de caráter restrito. As opiniões dos religiosos e filósofos a esse respeito são extremamente ambíguas e quase se acham desviadas da Verdade. Portanto, exponho o assunto, aqui, de maneira mais clara. Primeiramente, precisamos conhecer a natureza de todas as religiões existentes no mundo. Elas diferem entre si, possuindo suas próprias formas e meios doutrinários, baseados nos princípios dos respectivos fundadores. Basta uma simples reflexão para sentirmos o absurdo da existência de seitas, com características próprias, dentro de religiões consideradas universais, como o budismo, o cristianismo e, no Japão, o xintoísmo. Pensemos no que vem a ser a Religião. Se ela tem por princípio, como sabemos, o amor fraternal e o espírito de conciliação e paz, todas as religiões devem possuir um único objetivo. Não seria sensato, portanto, estabelecer unidade nos sistemas doutrinários? A separação influi na ideologia da humanidade, tornando-se uma das causas da confusão social. Como a força dos que estão ao lado da Religião, ou seja, do bem, é dispersada, os homens perdem, também, a resistência contra o poder do mal.

A realidade mostra freqüentemente a vitória do mal. No fim, Deus vencerá, por ser onipotente, mas imaginemos a luta que terá de ser travada pelo bem. Como o mal é prepotente e controla quase tudo, fica à espreita, aproveitando a menor oportunidade para influenciar-nos. Parece que as conhecidas relações entre Cristo e Satanás, e entre Buda e Daiba (Devadatta), não sofreram nenhuma modificação até a presente data. Vemos, portanto, que a Religião precisa ter maior poder que o mal; do contrário, não conseguirá transformar este mundo num mundo feliz, onde triunfe o bem. Somente assim haverá unidade religiosa, dando lugar a um mundo de felicidade, isento de inquietações. Será uma obra difícil, mas não impossível. Isso, porque está próximo o advento do Paraíso Terrestre, que é o objetivo de Deus. A condição básica para a sua concretização é substituir o espírito restrito pelo universal, ou melhor, desenvolver uma super-atividade cultural que abranja todos os, setores: Religião, Ciência, Política, Economia, Arte, etc. E também necessário que, para desempenhar a função de liderança, apareça um gigante com poder e sabedoria sobre-humanos. 6 de janeiro de 1954

A RELIGIÃO PRECISA SER UNIVERSAL

Não adianta uma religião ter todas as condições; se não tiver base universal, não será uma religião verdadeira. Caso ela se restrinja a uma nação ou povo, ocorrerá aquilo que vemos no mundo atual: surgirão motivos para conflitos. Cada qual se orgulhará da superioridade da sua religião e rebaixará as outras, acabando por haver atritos. Pode acontecer;

também, que as religiões sejam utilizadas na política governamental. A exploração exagerada do xintoísmo pelo exército japonês, durante a Segunda Guerra Mundial, e as Cruzadas da Europa exemplificam o que estamos dizendo. Os exemplos não são poucos, e a causa está no fito de que as religiões se restringiam a determinados povos. Mas não havia outro recurso, pois, naquela época em que a civilização ainda estava engatinhando, não existiam os rápidos meios de transporte que existem atualmente, e as relações internacionais estavam limitadas a pequenas áreas. Hoje, tudo se tornou mundial e internacional, e as religiões também deveriam seguir esse caminho. E por isso que passamos a chamar nossa Igreja de Igreja Messiânica Mundial, e não mais de Igreja Japonesa, como antes.

11 de fevereiro de 1950

RELIGIÃO PROGRESSISTA

Observando atentamente a sociedade atual, constato que tudo progride rapidamente; não há nada que não esteja acompanhando esse progresso. Entretanto, por incrível que pareça, a Religião, entidade que tem a mais profunda relação com a humanidade, continua da mesma forma, não apresentando nenhum progresso. Pelo contrário. Como prova, as religiões tradicionais nos ensinam a voltar ao início, ao ponto de partida dos seus fundadores. Ora, se devemos voltar á origem, é porque saímos do caminho certo; caso o fato se repita várias vezes, não progrediremos nada, ficando em total desacordo com a cultura. Tais religiões nos mostram isso claramente na medida em que perdem o poder de atrair pessoas e teimam em permanecer na situação em que se encontram. De fato, todas as religiões que existem, sofreram perseguições e pressões na época de sua fundação. Podemos mesmo dizer que esse é o destino de toda religião nova. Apesar disso, com fôlego renovado, expandiram-se vigorosamente, passando por épocas maravilhosas. A ver- dade, porém, é que, com o tempo, a maioria das religiões tende a estacionar. Vamos analisar por que isso acontece. Sem dúvida alguma, as religiões entram em decadência por não acompanharem a marcha do tempo. Quando cumprem rigorosamente os ensinamentos do seu fundador, considerando-os como as mais sublimes e importantes determinações, mas não dão atenção a outros fatores, tornam- se anacrônicas. Como a brecha vai ficando cada vez maior, passam a ser acusadas de incapazes, conforme está ocorrendo atualmente. Se todas as coisas estão sujeitas à Lei de Causa e Efeito, faz-se absolutamente imprescindível que as religiões tradicionais reflitam muito sobre o assunto, pois não há motivos para elas continuarem eternamente transcendentais. Um dos princípios básicos de nossa religião é que tudo deve progredir e acompanhar o tempo. Essa é a razão pela qual não damos atenção às formalidades das religiões tradicionais, dispensando o tempo e os gastos que elas requerem. Na realidade, as formalidades não

trazem beneficio algum. Assim, não há motivo para as divindades ficarem contentes com elas. Em face do que dissemos, a missão da verdadeira religião é dar orientações no sentido de melhorar, cada vez mais, a vida do homem atual. Resumindo, só uma religião progressista poderá realmente salvar a humanidade.

5 de novembro de 1950

A LÓGICA EM RELIGIÃO

O critério para distinguirmos se uma religião é ou não é boa e correta, o método mais simples e que apresenta menos margem de erros, consiste em averiguar se ela é de natureza lógica ou ilógica. Nesse ponto, as religiões mediúnicas São perigosas; entretanto, não estou dizendo que todas elas devam ser evitadas. Na verdade, entre os fundadores de reli- giões que hoje são consideradas grandes, muitos eram médiuns. Mesmo se tratando de religiões mediúnicas, cada uma é boa ou má de acordo com a sua própria natureza. Sendo assim, para distinguir as religiões, o melhor é começar a analisá-las pelo senso comum.

PAZ E SEGURANÇA

23 de julho de 1949

As pessoas acham que as expressões "paz e segurança" limitam- se apenas ao espírito, mas esse modo de pensar constitui um grande erro, uma vez que, para obtermos a verdadeira paz e segurança, não podemos excluir a matéria. Pensem bem: se houver uma que seja das três grandes desgraças doença, pobreza e conflito - onde estará a paz? Quando as pessoas estiverem certas de que, durante toda a sua vida, não terão preocupações com doenças, não ficarão pobres, nem haverá possibilidade de se envolverem em conflitos, aí sim, elas terão a verdadeira paz e segurança. Entretanto, no mundo contemporâneo, possuir essas três condições ao mesmo tempo não passa de utopia. Diríamos que provavelmente não existe uma pessoa sequer, no mundo inteiro, que possa afirmar possuí-las. Observando este mundo, logo percebemos que nada ocorre conforme desejamos; as coisas más acontecem incessantemente, e as boas, só de vez em quando. O mundo em que vivemos é a própria imagem do inferno. No que se refere à saúde, por exemplo, não sabemos quando vamos ficar doentes. Um simples resfriado pode acabar logo, como também perdurar e gerar uma doença terrível. Portanto, não podemos estar despreocupados, pensando que um resfriado não é nada. Como diz a Medicina, os vírus estão em toda parte, e por isso é impossível saber quando vamos contrair uma doença contagiosa ou a que hora um bacilo vai nos atacar Conseqüentemente, as autoridades são muito exigentes em matéria de higiene, aconselhando-nos a conservar a limpeza, não comer

nem beber em demasia, fazer gargarejo ao voltar da rua, lavar as mãos antes das refeições, tomar cuidado com os alimentos e outras medidas semelhantes. São tantas as advertências, que até ficamos saturados. Levar tudo isso em consideração é o mesmo que viver sob a constante ameaça de todos os tipos de perigos. Quanto à pobreza e aos conflitos, na maior parte dos casos provêm de problemas financeiros, que se originam do desequilíbrio entre o espírito e a matéria. Assim, é óbvio que, se não conservarmos o espírito e o corpo sadios, jamais conseguiremos a tranqüilidade absoluta. Talvez as pessoas achem impossível consegui-la; contudo, se pudermos realmente obtê-la, não será uma maravilhosa Graça do Céu? Eu afirmo, sem qualquer sombra de dúvida, que é possível alcançar essa Graça. 10 de dezembro de 1952

O BEM E O MAL

O mundo apresenta um aspecto multiforme, com a mescla do bem e do mal. Tragédia e comédia, desgraça e felicidade, guerra e paz, tudo é impulsionado pelo bem ou pelo mal. Há homens bons e homens maus. Precisamos, portanto, ser esclarecidos sobre a existência de uma causa básica, determinante desses dois elementos. No momento, parece-me indispensável conhecê-la, e por isso desejo explicá-la. Por uma inclinação normal, o homem odeia o mal e procura o bem. Com raras exceções, tanto os governos, como a sociedade ou a família, amam o bem, porque sabem que o mal não gera paz ou felicidade.

Há dois pontos a salientar na definição do bem e do mal.

"Homem bom é aquele que crê no invisível; mau é o que não crê." O primeiro crê em Deus: é espiritualista; o segundo, pelo fato de não O ver, não crê: é materialista.

A boa ação parte do amor, da compaixão ou da justiça social, isto é, do amor à humanidade. Há pessoas que praticam o bem por saberem que a boa ação produz bom fruto, e a má ação, mau fruto. Outras socorrem o próximo impelidas pela compaixão. Os quatro princípios do budismo - evitar o desperdício, ser moderado, fazer economia e tudo poupar - são práticas do bem. O desejo de ser simpático, gentil, fiel á profissão, almejar o beneficio e a felicidade do próximo, render graças, manifestar gratidão e esforçar-se no sentido de agradar a Deus, também são práticas do bem. Ainda existem várias outras práticas, mas creio que essas sejam as mais comuns. A má ação, produto do pensamento destrutivo fechado à existência Divina, justifica o delito, contanto que se consiga ludibriar os outros. Então, a fraude é praticada como ação perfeitamente normal; torturam-se inocentes, não importando se isso desgraça os homens e a sociedade, e chega-se até ao cúmulo da prática do homicídio. A guerra é um homicídio coletivo. Desde a antigüidade, os homens considerados heróis provocaram guerras para conseguir poderes e satisfazer desatinadas ambições. Diz um provérbio: "O vitorioso domina o

mundo, mas este o subjuga quando readquire seu equilíbrio." A História nos mostra o fim, quase sempre trágico, desses "heróis" que brilharam apenas temporariamente, como conseqüência natural do mal que cometeram. Se fosse certo o conceito popular de que "não importa enganar, contanto que não se seja descoberto", seria até mais vantajoso e inteligente praticar toda espécie de maldades e viver luxuosamente. O mal surge, ainda, da crença de que, após a morte, o homem retorna ao Nada; é a negação da vida após a morte, isto é, da vida no Mundo Espiritual. Embora a sorte o favoreça durante algum tempo, a realidade evidente é que o faltoso está fadado à mina. Aquele que comete delitos vive inquieto e atormentado pelo receio de ser preso. Sob a tortura da sua consciência acusadora, é induzido ao arrependimento, sendo freqüente o caso de criminosos que se entregam ou se alegram em cumprir a pena, porque assim adquirem tranqüilidade. Isto significa que sua alma, através do elo espiritual, está sendo censurada por Deus, seu Criador. Portanto, ao praticar o mal, mesmo que consiga enganar os outros, a pessoa não pode enganar a si mesma e muito menos a Deus Onisciente, ao qual todo ho- mem está ligado por um elo espiritual. Por essa razão, jamais o crime compensa.

Existem pessoas que deixam de praticar ações condenáveis, entre outros motivos, por estes dois: por autodefesa, pois, apesar de pretenderem o mal, temem o descrédito da sociedade, e por covardia, não obstante desejarem os seus proveitos. Por outro lado, muitos praticam o bem por conveniência, sabendo que as boas ações conquistam simpatia e são compensadoras; ou melhor, praticam o bem na esperança de retribuição. Isso não passa de uma transação, pois essas pessoas vendem favores para comprar gratidão. Tais ações não oprimem o próximo nem afetam a sociedade, sendo

melhores que as más, porém, não são verdadeiramente benéficas. Portanto, perante Deus, cujo olhar penetra no intimo do homem, nelas não há honestidade. A dúvida quanto a isso é decorrente da superficialidade do ponto de vista humano. Essas atitudes são perigosas, próprias dos que não crêem no Ser Invisível; os que as praticam são levados, no momento oportuno, a cometer algum mal que possa passar despercebido na sociedade. Ao contrário, quem realmente crê em Deus, não se deixa ludibriar por "brilhantes perspectivas". Ainda que seja considerado um homem de bem, do ponto de vista terreno e objetivo, se o indivíduo não crê em Deus, situa-se na esfera do mal, visto estar propenso a transformar-se num mau elemento a qualquer instante. Por isso eu insisto: ter fé, crer naquele Ser Invisível, é o atributo essencial do autêntico homem de bem. Estou convencido de que nada, além da fé, nos poderá salvar dos conceitos excessivamente desmoralizadores que caracterizam a época atual.

Embora o homem continue criando leis, polícia, tribunais e prisões para impedir a ocorrência de crimes, tudo isso é como ele construir jaulas de ferro para animais ferozes, a fim de proteger-se do perigo. Dessa forma, os criminosos não estão recebendo tratamento apropriado a seres humanos. E haverá maior infelicidade para alguém do que terminar a vida descendo às condições de animal, quando foi criado como um ser superior a todos os demais? "O homem se transforma em animal quando se corrompe, e em ser Divino, quando se eleva." Esta é uma verdade secular. O homem é realmente um ser intermediário entre Deus e a besta. De acordo com esta verdade, o verdadeiro civilizado é aquele que se libertou do instinto animal. Creio que se pode conceituar o progresso da civilização como a evolução do homem animal para o homem Divino. E o lugar onde se reúnem homens Divinos poderá ser outro que não o PARAÍSO TERRESTRE?

25 de janeiro de 1949

ATEÍSMO É SUPERSTIÇÃO

O problema do suborno de funcionários públicos tem ocupado os noticiários jornalísticos. Surge um caso após o outro e parece que a coisa não tem fim. Isto nos mostra que o serviço público está completamente corrompido. Assemelha-se a um sifilítico purulento em terceiro grau. Jamais vi, até hoje, tanta corrupção. A polícia estuda novos meios para prevenir o problema, mas não encontra solução, embora venha aplicando severamente os recursos legais. Todas as medidas revelam-se provisórias, pois não se conhece a raiz do mal, e por isso é impossível evitar que surjam problemas dessa espécie. Dentro da mesma ordem de fatos, temos os aproveitadores dos serviços públicos, cujas atividades obscuras vêm se tomando notórias nos últimos tempos. Tais indivíduos convidam funcionários para reuniões em restaurantes ou casas noturnas e, após oferecer-lhes magníficas recepções, conseguem concluir negócios altamente vantajosos para si próprios. Desse modo, enfraquecem todas as resistências. As despesas que isso acarreta são geralmente consideráveis, e é o povo que vai pagá- las através do aumento do preço das mercadorias e dos impostos. O problema em questão exige solução radical e urgente. Infelizmente, nada poderá ser feito enquanto a policia e os especialistas ignorarem as causas do fato. Vou sugerir um meio infalível para solucioná- lo.

De início, parece-nos contraditório que pessoas de cultura superior ou, pelo menos, de nível médio, cometam crimes. Entretanto, o povo se engana, julgando que os homens mais instruídos sejam incapazes de praticá-los. Talvez o homem culto não use métodos violentos, mas recorre às sutilezas da inteligência. Conseqüentemente, seus delitos serão mais graves, pois ele exerce maior influência social. E qual é o motivo que o leva à prática de crimes revoltantes?

A causa principal é uma falha psicológica: sua visão materialista, que o faz crer no êxito da ação culposa executada com habilidade, às ocultas, sem o testemunho de outrem. Acontece, porém, que, quando me- nos se espera, o crime é descoberto. Então, o culpado se surpreende e se põe a pensar. O que se passa em seu íntimo deve ser mais ou menos o seguinte: "Infelizmente fui descoberto, apesar de minha habilidade. Conhecendo a lei como conheço, não deixei nenhuma pista. Como vieram a saber? E inútil ficar me lamentando. Farei o possível para fugir às conseqüências e, da próxima vez, serei mais esperto." Esta é a tendência geral. Há, também, os que caem em si c refletem: "Eu não devia ter burlado a lei. Vou cumprir a pena e me regenerar." Entretanto, com o decorrer do tempo, tal decisão poderá enfraquecer e o culpado reincidir no erro. Isso acontece porque ele não crê em Deus. O único meio de resolver estes problemas é a Fé. E através dela que vislumbramos a existência de Deus. Creio na força da Fé para resolver tais casos, porque a psicologia do delinqüente se baseia na convicção de que Deus não existe. Quase todos eles acreditam que, acima da Terra, existe apenas o ar, e mais nada. E um conceito simplista. Além disso, julgam-nos supersticiosos, por crermos num Deus invisível. Embora crentes, não somos nós os supersticiosos. Só há uma perigosa superstição: a do ateísmo, que se oculta sob a obstinada negação da existência de Deus. Os ateus merecem realmente piedade. Se destruirmos a base da psicologia do criminoso - a descrença em Deus - teremos so- lucionado o problema. Mas por que tantos homens da atualidade caíram nas garras desse fanatismo? O fato se deve à educação materialista que desde o berço lhes veio sendo ministrada. Nossa missão é convertê-los, isto é, reeducá-los. Não há outro meio para formar cidadãos honestos. Se os políticos e educadores não tomarem consciência da base, do problema, tudo o mais que fizermos será provisório. E nossa tarefa fazer os delinqüentes compreenderem que, embora ocultem seus crimes aos olhos do mundo, jamais poderão enganar a Deus.

12 de dezembro de 1951

POR QUE O MAL SE REVELA

Como já me referi em "ATEÍSMO É SUPERSTIÇÃO" (7), a causa das injustiças que infestam o mundo reside na própria mente humana. O pensamento que admite a possibilidade de se manterem despercebidos os delitos, sejam eles quais forem, acha-se enraizado entre os que não crêem verdadeiramente em Deus. Segundo tal raciocínio, é muito mais fácil e vantajoso ganhar dinheiro de modo ilícito. Claro está que esse conceito é largamente seguido entre os que praticam o mal, mas o fato é que o crime sempre é descoberto. No fundo, o próprio culpado sabe disso, porém, como desconhece a razão dessa verdade, não consegue abandonar a senda do mal.

Considera-se que todo cidadão é independente, apesar de ser um membro da sociedade, e que, portanto, ele é livre para praticar quaisquer atos. Atualmente, "viver com inteligência" significa empregar a habilidade exclusivamente no que possa proporcionar benefícios á própria pessoa. O homem, simulando admiração pelas palavras dos seus superiores ou religiosos, no íntimo zomba delas, achando que são tolices. Prende-se a formalidades, tomando-se nulo não apenas espiritualmente, mas também quanto ao seu valor humano. Esse é o pensamento moderno da maioria dos homens, os quais, longe de conseguirem a almejada felicidade, acabam fracassando. E fracassam porque, embora o mal não seja descoberto pelos outros, a própria pessoa sabe que o cometeu. Aí é que está o problema, pois o conteúdo do consciente e do subconsciente reflete-se num local do Mundo Espiritual que corresponde, na Terra, ao nosso Palácio da Justiça. Pode ser chamado de Fórum do Mundo Espiritual. Infelizmente, é difícil para o homem, vítima do materialismo, crer na existência do Mundo Espiritual, que ele nega sumariamente. A ignorância da existência desse mundo é a fonte do mal. Assim, para extirpar o mal pela raiz é necessário pregar esta verdade e convencer o homem; não há meio mais eficiente. Vejamos como é feita a comunicação ao Fórum do Mundo Espiritual. Há um elo espiritual semelhante ao telégrafo sem fio que estabelece uma ligação entre cada homem e esse Fórum, no qual as nossas ações são registradas com assombrosa exatidão. O registrador anota tudo minuciosamente num livro, e os delitos são julgados de acordo com o grau de perversidade. Por esse julgamento do Mundo Espiritual, o delito é revelado no Mundo Material, de forma hábil, para a pena correspondente. Quando o homem tomar consciência desse fato, deixará de cometer qualquer espécie de mal. Se, ao contrário, praticar bons atos, será recompensado também, segundo o próprio mérito. Esta é a realidade dos dois mundos, o Espiritual e o Material. Deus construiu-os sabiamente. Sendo esta a Verdade Absoluta, não há outra solução a não ser aceitá-la. Atualmente, a maioria dos homens cultos é cega a essas questões espirituais e menospreza o ato de revelá-las ao povo. Inclusive mostram-se prevenidos contra a pregação desse princípio fundamental, considerando-o superstição, quando, na realidade, são eles que se portam como verdadeiros supersticiosos. A maior prova do que dizemos é que, apesar de intenso empenho nesse sentido, os delitos não têm diminuído. A justiça terrena tenta evitá-los punindo-os com medidas provisórias e superficiais, depois que eles vêm à tona. Estabelece leis que podem ser transgredidas, deixando de tocar no ponto vital, e a humanidade, imatura, chega a orgulhar-se do que denomina "Civilização". Digamos, antes, pela evidência dos fatos, que estamos vivendo, atualmente, a era da "cultura selvagem". 26 de dezembro de 1951

O HOMEM MAU É IGNORANTE

Sabemos que o homem mau é aquele que sacrifica o próximo para satisfazer os seus interesses, dando a impressão, muitas vezes, de estar agindo apenas por uma espécie de capricho. Passarei a uma análise psicológica desse tipo de pessoas. É costume dos homens maus expressarem o desejo de gozar a vida enquanto podem. Ora, os delitos não ficam ocultos por muito tempo, e esses infelizes, receosos de tal fato, preparam-se para o fim iminente do seu breve gozo. Os delitos não se restringem aos de banditismo, roubo ou homicídio, como se costuma supor. Homens de elevada posição social também cometem desonestidades sumamente lamentáveis. Os jornais de após-guerra alardeavam repelentes delitos , como desvio de mercadorias, contrabando, sonegação de impostos e fraudes. Surpreendia-nos a prisão de personagens que jamais poderíamos imaginar em semelhante situação. Eles supunham que seus crimes passariam despercebidos, por terem sido habilmente executados, esquecendo-se de que a maldade é sempre descoberta, porque Deus tudo observa do invisível Mundo Espiritual. A nossa constante afirmação de que o homem descrente é perigoso, está fundamentada justamente nisso. Trata-se de um ponto importantíssimo e difícil de ser compreendido ate por pessoas inteligentes. Uma vez descobertas e condenadas as más ações, as pessoas caem no conceito público, levando anos para recuperarem a confiança perdida> Muitas, caindo em descrédito, ficam relegadas para o resto da vida. Reflitamos um pouco. O prejuízo será muitas vezes superior aos lucros obtidos por meios ilícitos. Na Era Meiji (1868-1912), o famoso ladrão Sadakiti Shimizu, quando foi preso, assim expressou seu arrependimento: "Não há coisa pior do que roubar. Se eu dividisse o dinheiro que roubei até hoje pelo número de dias que se passaram, o resultado seria de apenas 45 centavos por dia." Concordo que não deve ter sido compensador, por mais baixos que estivessem os preços na Era Meiji. Praticar o mal, além de não ser compensador do ponto de vista religioso e material, também não o é pela inquietação de que o criminoso se torna vítima até ser descoberto. O maior ignorante é o indivíduo que comete o mal e sacrifica o próximo para satisfazer os seus próprios interesses.

30 de abril de 1949

O HOMEM MAU É ENFERMO

O título acima suscitará dúvidas em inúmeras pessoas, pois há muitos homens maus com aparência sã. Entretanto, eles são sadios apenas aparentemente; na realidade espiritual, são autênticos enfermos. Conforme venho asseverando, os homens maus são vítimas dos maus espíritos. Estes dominam o Espírito Primordial, afastam o Espírito Guardião e agem a seu bel-prazer, como se fossem a própria pessoa. Podem ser de animais como raposa, texugo, dragão, etc., e praticam atos não muito diferentes daqueles que esses animais praticariam. Nessas condições, sem nenhum constrangimento e até com satisfação, fazem coisas impiedosas e cruéis, que o homem jamais faria. Pode-se compreender, portanto, como esses espíritos são desumanos, porque escapam à compreensão pelo senso comum. Como sempre afirmo, o homem é constituído de Espírito Primordial, de natureza Divina, e de Espírito Secundário, de natureza animal. Este Último incorpora-se ao homem por permissão de Deus, pois comanda todos os desejos materiais indispensáveis à existência humana. Analisando um homem mau, constatamos que ele está revelando O seu instinto animal, inerente ao Espírito Secundário, ou manifestando o instinto de um espírito animal "encostado". Isto acontece devido às máculas existentes no seu corpo espiritual, sendo que o grau de encosto é proporcional à densidade dessas máculas. O Espírito Guardião será então dominado pelo espírito animal e agirá sob suas ordens. As máculas espirituais são a causa do homem mau. Como elas se refletem no sangue, de acordo com a Lei do Espírito Precede a Matéria, infalivelmente sobrevirá, algum dia, uma intensa ação purificadora, proporcional, em sofrimento, à densidade das máculas, causando acidentes imprevistos, doenças e outras desgraças. E curioso o fato observado muitas vezes entre os grandes criminosos: são presos só depois que se arrependem e desejam aproximar-se de Deus. E a ação da Lei da Purificação pelo sofrimento, decorrente das máculas do corpo espiritual. Observamos, assim, que o homem mau é um autêntico enfermo, porque a causa da maldade reside nas máculas do espírito. Quanto maior o crime, mais intensa a ação purificadora, que transforma o culpado em enfermo gravíssimo, submetido a dores infernais. As máculas surgem porque falta força, isto é, Luz ao Espírito Primordial, de natureza Divina. Portanto, para livrar-se delas, o homem precisa contar com o apoio da Religião, ter fé e manter sempre em vista o Todo-Poderoso. Se ele agir dessa forma, a Luz de Deus penetrara na sua alma, através do elo espiritual, diminuindo-lhe as máculas. O espirito mau padecerá com isso e, intruso que é, abandonará imediatamente sua vítima, fazendo com que o Espírito Secundário se retraia e fique sem ação para o mal.

Quem não reverencia Deus, está sujeito a transformar-se em mau elemento, em qualquer oportunidade ou a qualquer momento. Podemos afirmar que os indivíduos afastados de Deus, cujo número é elevadíssimo na sociedade atual, são elementos perigosos. Assim, o mal social tende a

não diminuir. Por mais honesto que o homem seja, não será autêntico, se estiver afastado de Deus; será apenas um homem superficial, cuja má índole, em estado latente, não permite que nele se possa confiar. Lamentavelmente, muitas pessoas, incapazes de .3; compreender essa simples verdade, negam a Religião e contam somente com o apoio da lei humana para o extermínio do mal. O que foi exposto, no entanto, demonstra o quanto elas estão equivocadas.

21 de novembro de 1951

COMO ACABAR COM OS CRIMES

Dentre os crimes cometidos ultimamente, os mais graves são os crimes praticados por indivíduos que, para roubar uma pequena soma em dinheiro, não hesitam em tirar a vida de seu semelhante. Para eles, isso é mais simples do que matar um cão. Quando analiso esse tipo de pessoa, fico pasmado com sua estupidez, inconcebível por meio do senso comum. Que situação tenebrosa! Tais indivíduos não pensam no sofrimento da vítima e de seus familiares. Além disso, não passa pela sua cabeça que, no caso de serem presos, a pena de morte seria fatal, ou que, na melhor das hipóteses, não escapariam à prisão perpétua. Seja como for; com uma vida pela frente, eles não poderiam mais integrar a sociedade e estariam jogando fora a sua própria existência. Esse é o pensamento que deveria ocorrer-lhes, mas parece que tal não acontece, o que revela um estado psicológico realmente de se estranhar. Os atos dessas criaturas estão à mercê dos seus instintos e não passam de satisfações momentâneas; seu objetivo é divertir-se por curto espaço de tempo. Uma vez que terão de pagar bem alto - um prejuízo talvez dezenas ou centenas de vezes maior do que o lucro obtido - não podemos considerá-las como seres humanos. São exatamente como os quadrúpedes. As "pessoas de quatro pés", como todos sabem, não têm nenhuma percepção para ver que, após o crime, poderão ser condenadas à morte. Por isso mesmo, é difícil lidar-se com elas.

Com base no que acabamos de dizer, talvez se pense que não há uma explicação para os crimes, mas na realidade Sessão perfeitamente explicáveis. Do ponto de vista espiritual, podemos compreendê-los muito bem. Segundo os Ensinamentos de nossa Igreja, o homem possui três espíritos: o Espírito Primordial, atribuído por Deus; o Espírito Guardião, escolhido entre os Ancestrais, e o Espírito Secundário, responsável especialmente pelos desejos físicos e seculares do homem. Naturalmente, o Espírito Primordial é a fonte dos bons sentimentos, e o Espírito Guardião incentiva a pessoa para o bem. Quando o Espírito Secundário predomina, quem está dominando é o quadrúpede. Por isso, embora tenha aparência humana, a pessoa torna-se semelhante a um animal. Nestas circunstancias, não se justifica á sentimento de pena ou compaixão; ela demonstra caráter perverso do princípio ao fim. Esta é a causa básica dos crimes sem escrúpulos. Por isso é muito perigoso o homem deixar que sua alma seja dominada pelos animais, pois

basta qualquer estímulo para lhe surgirem desejos maléficos e ele se tornar um criminoso. Mas o que é que se deve fazer? Não há outro meio para solucionar o problema a não ser a força da Religião. E por que deve ser através da Religião? Como eu disse anteriormente, o homem é dominado pelo espírito animal, isto é, pelo Espírito Secundário. Portanto, é preciso enfraquecer a força de domínio deste último. Em termos mais claros, aumentar a força do bem numa proporção muito maior que a do mal, fazendo com que o Espírito Secundário se torne o dominado. Afirmo que não existe método mais eficaz. Antes de mais nada, é necessário ingressar na fé, voltar-se para Deus, adorá-Lo e orar. Uma vez que a pessoa esteja ligada a Deus pelo elo espiritual, através deste a Luz Divina será derramada em sua alma; á medida que a alma for sendo iluminada, o Espírito Secundário se retrairá e a força que ele tem para utilizar a pessoa a seu bel-prazer irá enfra- quecendo. No íntimo de todo ser humano, há uma luta constante entre o bem e o mal. Isso acontece em virtude do princípio exposto acima. Assim, por mais minuciosas que se tornem as leis e por mais que se fortaleça o sistema de policiamento, será o mesmo que combater o crime com uma força estranha. Sem dúvida é melhor do que nada, mas, enquanto não se for ao âmago do problema, os resultados serão insignificantes, apresentando-se situações sociais nefastas, como acontece hoje em dia. E incompreensível que nem o governo nem os educadores percebam algo tão óbvio. Eles se limitam a suspirar, dizendo que, atualmente, há muitos crimes inescrupulosos e que a delinqüência juvenil aumenta dia a dia. Não conseguem libertar-se de idéias anacrônicas, que cheiram a mofo, e só a muito custo determinam o restabelecimento deste ou daquele princípio ético ou moral; a reforma de métodos educacionais, etc. Achamos isso muito triste. Pode parecer ironia, mas é o mesmo que colocar água numa peneira e, notando que ela vaza demais, fazer uma peneira de furos menores.

25 de julho de 1951

VENÇA SEU PRÓPRIO MAL

Já escrevi a respeito da necessidade de vencer o mal, dando à expressão o sentido de não ser vencido pelo homem perverso. Agora falarei da vitória sobre o mal que existe em nosso intimo. Dentro de cada ser, humano há uma batalha constante entre o bem e o mal. E a luta para subjugar as paixões do mundo, conforme a interpretação budista. A ambição humana é ilimitada. Embora o homem viva tentando refrear-se em relação ao dinheiro, ao sexo, ao poder; à fama e ao egoísmo, vê-se constantemente tentado por eles. A consciência lhe adverte que seja prudente, que evite isto e aquilo que será castigado se for a determinado lugar, etc. O campo de batalha desta luta sem trégua encontra-se no interior de cada indivíduo.

A vitória do mal resulta em pecado e infelicidade; a vitória do bem cria felicidade. E tudo tão simples e nítido quando examinamos a questão, que parece fácil de praticar. Entretanto, mesmo com uma clara noção do assunto, os homens não são capazes de triunfar na luta contra o mal, principalmente quando não têm fé. Eis por que os fiéis mais esclarecidos pecam menos que os outros. Mas, para isso, é necessário que eles façam um grande esforço. Naturalmente, a força que nos arrasta à prática do mal pertence ao Espírito Secundário, e a que nos conduz pelo caminho do bem, ao Espírito Guardião. Como, além destes, temos o Espírito Primordial, que determina o Absoluto Bem, precisamos fazer algo para aumentar-lhe o poder de atuação, porque essa é a força que domina o mal pela raiz. Sendo assim o único recurso é adorar a Deus e solidificar a fé. Não existe outro meio para se obter a felicidade.

20 de junho de 1951

O VERDADEIRO HOMEM FORTE

Atualmente, fala-se muito sobre os erros sociais, mas, esses erros são causados pela existência de um grande número de criaturas corruptas. Uma rápida visão do passado mostra-nos que sempre houve necessidade de combater os perversos. Se examinarmos a psicologia dos que vivem a prejudicar o próximo, veremos que eles têm plena noção do que fazem, com exceção dos grandes criminosos, destituídos da menor parcela de discernimento. Quase todos se encaminham para o mal em busca de riquezas, bebidas e sexo, embora saibam que isso é condenável. Sustentam a idéia medíocre de que é impossível a regeneração para os que já trilharam o caminho do erro. Naturalmente, eles temem a lei; mas, como lhes é difícil satisfazer honestamente suas ambições, usam de todos os meios para fugir á punição e esconder seus malfeitos. Mentem e ludibriam com crescente habilidade, enganar os outros acaba se tomando, para eles, algo extre- mamente fácil. Os ludibriados se resignam porque são honestos e não têm experiência dos ardis utilizados pelos perversos. Isso ajuda a intensificação do crime, e os corruptos passam a auferir grandes vantagens. Quando o mal compensa, é muito difícil a reabilitação. Então, pouco a pouco, eles começam a se afundar na lama do pecado. Geralmente, o tipo que obtém muito proveito de seus delitos é um criminoso intelectual, pertencente à classe superior ou média. Dizem os antigos que todas as pessoas têm sete manias, ainda que não tenham consciência disso. Creio que as manias do homem malvado não o impedem de passar por tormentos de consciência ao prejudicar os outros, criando máculas e infelicidade para si mesmo, nem de reconhecer que o hábito de beber, de gastar em excesso e afligir a família, é uma fonte de padecimentos. Mas ele não consegue se dominar e continua agindo de maneira errada. Sabe que o relacionamento

extraconjugal custa dinheiro e que se arrisca a contrair doenças malignas, causando preocupação aos familiares; entretanto, persiste em seu modo perigoso de viver. Entrega-se a jogos de azar, que sempre lhe acarretam prejuízo, mas teima em arriscar a sorte. Acredito que quase todos nós temos conhecimento de casos semelhantes, tão comuns hoje em dia. Eis por que me detive nesses aspectos da questão. Quem não consegue se dominar, apesar de compreender que deve abandonar as práticas viciosas, é um ser destituído de força, isto é, de verdadeira coragem, o que há de mais precioso no homem. Costumo dizer: "Quando o homem enobrece, identifica-se com Deus". Manter vigi- lante esforço contra o mal, dominá-lo e superá-lo, significa tomar-se Divino. Esta é a força autêntica, proveniente de Deus. Portanto, para mim, o perverso não passa de um homem fraco.

29 de outubro de 1949

O HÁBITO DE RESIGNAÇÃO DOS JAPONESES

Dizem que não há país civilizado cujo povo seja tão resignado quanto os japoneses. E não é para menos. Como diz um antigo ditado, é impossível ganhar de autoridades e crianças que choram. Assim, ainda hoje restam heranças do feudalismo. Vejamos. Mesmo que uma pessoa seja prejudicada por um artigo difamatório de jornal ou revista, desiste de reclamar, com medo do que o jornalista possa publicar no artigo seguinte. No caso de não ficarem satisfeitos com resoluções tomadas pelas autoridades, os japoneses se resignam, porque têm medo das conseqüências que lhes podem advir se expressarem sua insatisfação. Se acham que os impostos estão sendo cobrados injustamente, eles não se rebelam, por temor de serem visados daí em diante. Também não denunciam pessoas que tomam empréstimos forçados nem chantagistas, pelo medo de represálias. E todos sabem que, aproveitando-se dessa resignação, os chefões do submundo, que ainda existem em todos os lugares, vivem atormentando e ameaçando o povo. Dizem que nos Estados Unidos, se os direitos humanos não são respeitados, ou se as pessoas são tratadas de maneira inconveniente, elas protestam e jamais recuam até que seja feita justiça. Só quando todos os homens tiverem essa coragem é que as injustiças sociais serão eliminadas, respeitando-se a justiça. Com isso, realizar-se-á uma verdadeira sociedade democrática. Por conseguinte, se o povo japonês quiser construir uma sociedade feliz e democrática, é preciso que ele não se dobre de maneira alguma quando vir a justiça desrespeitada. Ou seja, é preciso que o bem vença o mal. Quando esse pensamento se estender a toda a sociedade japonesa, o Japão começará realmente a se tomar um pais democrático.

VENCER O MAL

31 de maio de 1949

Desde a antigüidade, as religiões têm se desenvolvido com base no princípio da absoluta "não-resistência". Cristo falou: "Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda." Quando se achava na cruz, no Gólgota, ele disse: "Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem." Esses fatos evidenciam Cristo como a personificação do Amor.

Também Sakyamuni, interpretando como uma provação para o seu próprio aperfeiçoamento as insistentes perseguições de seu primo Daiba, que pretendia destruí-lo a fim de herdar seu poder e sua glória, não assumiu nenhuma atitude de resistência. Entretanto, ao analisarmos os resultados, embora estejamos convencidos de que o amor cristão e a misericórdia búdica cativam a alma humana, tornando-se a fonte da fé, não podemos concluir se esses resultados foram ou não benéficos, pois, decorridos mais de dois mil anos da morte de Sakyamuni e de Cristo, o mal continua a aumentar, ao invés de diminuir O fato de homens bons viverem molestados por maus elementos e de homens honestos serem ludibriados, é uma realidade que tem resistido aos séculos, dando-nos a impressão de que não tem nada a ver com o progresso da cultura. Este, pelo contrário, serviu para esmerar a técnica na execução do crime, em nada alterando sua natureza. Reflitamos: por que o mal não é exterminado? Indubitavelmente, a causa está na passividade do bem. Os indivíduos maus aproveitam a situação e perseguem constantemente os bons, que são ridicularizados e tidos no baixo conceito de tolos e covardes. Os bons, por sua vez, superestimam os maus, deixando de oferecer-lhes resistência; temendo prejuízos ou inesperadas agressões, preferem tolerá-los, como se essa resignação fosse sensata. Isso contribui para aumentar o ânimo dos maus, que afiam suas garras na intensificação do mal, não deixando, porém, de precaver-se, a fim de escaparem á lei. Infelizmente, vivemos numa sociedade onde o povo é sempre a vítima. A esperança da realização de um mundo onde os bons possam viver tranqüilos, ainda se perde no horizonte. Nós, religiosos, pregamos que o bem não deve, em momento algum, sucumbir ao mal, pois sua derrota evidenciaria que não é um bem verdadeiro, e sim, covardia. Cabe- nos provar que o mal não conseguirá vencê-lo. Acredito ser este o modo correto de agir, numa religião autêntica e sincera. Os maus elementos consideram os religiosos como seres diferentes dos indivíduos comuns, encarando-os da seguinte maneira:

"Eles são seguidores do principio da não-resistência; não nos causarão, portanto, grande perda, ainda que os maltratemos." Aqui reside a fraqueza dos religiosos, ou melhor, a razão pela qual eles são julgados assim. Por conseguinte, precisamos verdadeiramente, e a todo custo, erradicar o conceito satânico dos maus elementos, lutando incansavelmente contra o mal.

Creio ser do conhecimento de todos que, por ocasião do ataque à nossa Igreja feito por um jornal de grande circulação, lutamos sem nenhum

temor de sua maldade. Lutamos destemidamente, ainda que o nosso adversário tentasse esmagar-nos pela força, e até que ele se arrependesse dos seus atos. Não seria essa a verdadeira Vontade de Deus? conseqüentemente, cabe-nos despertar os seres humanos para a melhor solução, que é o abandono do mal pela conversão ao bem, pois, de fornia alguma, este poderá ser vencido pelo mal. Penso ser este o procedimento correto de uma religião autêntica e sincera. Mantive-me, até hoje, fiel a esse princípio e creio que jamais sucumbirei a injustiça Uma prova disso é que venho lutando, na condição de réu, por um caso de propriedade que, por incrível que pareça, não foi resolvido no espaço de quatorze anos Toda vez que ocorre a mudança ou a substituição de um magistrado, quem vem para o seu lugar tem de recomeçar o estudo de todo o processo, afligindo-se ante a obrigação de ler um relatório processual cada vez mais extenso, razão pela qual me sugere um acordo. Como meu objetivo é combater a injustiça, coloco a questão pessoal em segundo plano, evitando a reconciliação, enquanto meu adversário não tomar consciência de seu erro. O objetivo da Religião é incentivar o bem e combater o mal. Este jamais deve derrotar o bem A razão está no fato de que o mal decresce à medida que o bem triunfa, contribuindo para o melhoramento da sociedade. Assim surgirá o Paraíso Terrestre.

18 de abril de 1951

SEJAM FORTES OS VIRTUOSOS

O mundo atual está fortemente dominado por maus elementos. A opressão e o sofrimento causados aos homens de bem, é fato que ninguém ignora. Esclarecerei a causa fundamental de semelhante situação. Em todas as épocas, os honestos foram considerados fracos, e os perversos, fortes, conceito que facilita ainda mais o predomínio e o abuso dos corruptos e dos corruptores. Antigamente, os homens de bem eram forçados a resignar-se, impotentes contra a violência dos malfeitores, pela falta de leis e órgãos de policiamento. Dentre os civis, os mais fortes e arrojados sobrepunham-se aos demais. A História e os contos japoneses dão exemplos de maus elementos da classe dos samurais que abusavam da espada, impondo, assim, obediência aos civis indefesos. Há uma diferença capital entre a sociedade antiga e a moderna. Após a reforma Meiji, em 1868, quando o imperador Meiji restaurou o poder monárquico que esteve nas mãos de governos militares durante trezentos anos, deu-se início à era da civilização, aperfeiçoando-se, paulatinamente, as leis e a sociedade em geral, até os dias de hoje. Após a guerra, aliviou-se o ambiente social, com o desaparecimento da oligarquia e a repressão quase total do banditismo. Ultimamente, os maus elementos substituíram a violência por processos ardilosos, atormentando as pessoas honestas com interesses monetários, intimidações e ameaças que escapam sutilmente à Lei. São

casos típicos de extorsão e exploração, mas outros fatores não mencionados aqui existem ainda para tormento dos homens. Sempre partem de criaturas inescrupulosas e astutas, que vivem abusando da Lei, através de trapaças e estratagemas engendrados para a satisfação de seus interesses. Lamentavelmente, tais elementos pertencem, muitas vezes, às classes média e alta. Os "chefões" não desaparecem e os escândalos burocráticos continuam, porque os inocentes não recorrem à Justiça, temerosos de vinganças descabidas. Ninguém ignora que uma das causas do mal social é a fraqueza dos homens honestos. Sempre me mantive fiel ao princípio de que o honesto e virtuoso deve vencer o malvado. Graças a esse princípio, sempre recorri á Justiça para solucionar diversas questões. A mais longa batalha judicial que já enfrentei vem se prolongando há mais de dez anos, pois tenho por critério que o homem de bem, o homem justo, nunca deverá ser vencido pelo homem perverso, e que o autêntico bem é muito mais forte do que o mal. A principal razão de ainda não se ter conseguido exterminar o mal da sociedade humana, reside no fato de que os virtuosos se deixam vencer pelos desonestos e inescrupulosos, dos quais o mundo está cheio. O indivíduo honesto, mas fraco, não é um honesto autêntico, e sim um pusilânime. E um honesto passivo, que não se insurge contra o mal. Embora não pratique más ações, não passa de um covarde, permitindo o alastramento do mal para poder manter-se em segurança. Se os indivíduos perversos chegassem a se convencer da inutilidade dos seus esforços e da conveniência de participar do mundo dos honestos, por serem estes invencíveis, poderosos e incontroláveis, certamente o mal social decresceria e teríamos um mundo mais confortável e alegre. Aceita esta teoria, ainda que os honestos, apesar da maior boa vontade, nada possam fazer individualmente, o recurso seria formar uma entidade denominada, por exemplo, "Associação contra o Mal". Sugiro este plano por considerá-lo urna excelente medida para a reforma social que precisa ocorrer urgentemente.

15 de outubro de 1949

ACABAR COM OS PERVERSOS

Talvez estranhem o título acima, mas acho que ele é o mais adequado. A explicação é a seguinte:

Estou cercado de indivíduos desonestos, que procuram enganar- me pelo fato de eu ser um religioso e parecer-lhes até mesmo um santo. Esses infelizes, dotados de grande astúcia e de inteligência maléfica, preparam-me ciladas incríveis. Alguns deles possuem posição social e são atrevidamente insistentes. Eu os deixo agir á vontade. Mesmo assim eles tentam ludibriar-me de várias maneiras. E não desistem, apesar de pressentirem o fracasso. Pelo contrário, aguardam um acordo, julgando- me constrangido pelo cerco, pois mantenho uma atitude calma e completamente indiferente ao assunto. Por fim, colocados em má situação,

pelo esgotamento de recursos e de findos, a afobação acaba por arruiná- los de uma vez. Há, também, os astuciosos, que prepararei ardilosamente as a~ e empregam mil táticas para me enredar. Pensando que a Igreja dispõe de muitos bens e que eu, seu fundador; talvez seja inexperiente em questões sociais, eles acham que acabarei entregando-lhes uma quantia considerável. Além disso, mostram-se despreocupados, na certeza de que, para evitar aborrecimentos, eu não vou processá-los, embora eles me tenham causado prejuízo. Ciente de suas intenções, deixo-os frustrados e perplexos, obrigados a desistir. Deus nunca deixa de auxiliar o bem, jamais apoiando o mal, por mais insignificante que seja. E por isso que estou sempre insistindo sobre a necessidade de vencer o mal. Esse é o procedimento do homem verdadeiramente honesto, autêntico e sincero. Caso contrário, não se conseguirá melhorar o mundo corrompido em que vivemos. Convicto de que assim deve agir uma religião viva e atuante, faço questão de acabar com todos os perversos.

ÓDIO AO MAL

20 de fevereiro de 1952

Mediante observação cuidadosa, constatei que o homem de nossos dias é destituído de ódio ao mal. São poucos as que ficam indignados quando sabem que um inocente está nas garras de um perverso. Imagino que muitas pessoas, ao lerem o que escrevi acima, refletirão assim: "Que adianta rebelar-me contra o mal que atinge os outros? Não fere meus interesses! E bobagem atormentar-me com tais

fatos

Bastam-me as minhas preocupações! A vida já é tão cheia de

... problemas e sofrimentos, que o melhor é disfarçar e fingir que não vejo

certas coisas"- Ora, quem pensa assim geralmente é considerado hábil e dotado de experiência. A seu respeito, costuma-se dizer: "E um sujeita vivido!" Esse tipo, pretensamente experiente, é tido como padrão, sendo respeitado e imitado por muita gente. Na Política, que sempre funciona muito mal, o descalabro é evidente. A maioria dos políticas e funcionários públicas são corruptos. Ex- dirigentes de sociedades são denunciados por escândalos de suborno e prevaricação. A onda de crimes avoluma-se dia a dia. Segundo a opinião geral, urge dar fim á delinqüência juvenil, evitando-se, dessa forma, um negro futuro para o Japão e para a mundo. Essas observações que fiz cuidadosamente, demonstram que o mal não é odiado. Os funcionários públicos conservam o autoritarismo feudal. Esfriam-se as relações entre os familiares e aumenta a crise entre educadores e educandos, por ter-se abraçado a democracia de maneira deturpada. A bela capa da democracia oculta a exploração dos impostos e o sofrimento do povo sob a opressão do poder burocrático.

O número de problemas desagradáveis é tal, que se torna difícil relacioná-los.' A causa de tudo isto é uma generalizada despreocupação quanto ao sentido de justiça, acrescida do egoísmo de muitas criaturas, erroneamente consideradas "experientes". Todavia, examinando os fatos, vemos que a sociedade atual não poderia possuir outras características. Chega a ser lógico. Em todas as épocas, os jovens possuem vigoroso senso de justiça e ódio ao mal. Ao deixarem os bancos escolares, no entanto, enfrentam uma realidade tão inesperada, que golpeia todas as suas convicções, dissolve seus velhos ideais e exige a reformulação de seus valores, para que eles adquiram a chamada experiência da vida Qualquer manifestação do espírito de justiça cria mal-entendidos, suscita antipatia de superiores hierárquicos e dificulta-lhes o sucesso na profissão. Qualquer intenção de justiça é considerada coma pedantismo ou inexperiência. A essa altura, a sentimento de justiça é posto de lado, num canto do coração, sendo substituído pelo "senso prático". Considera-se, então, que o jovem se aprimorou na arte de viver em sociedade. Não digo que isto seja propriamente mau; contudo, o aumento de pessoas acomodadas afrouxa a estrutura da sociedade e facilita o aparecimento de corruptos e criminosos. A nossa realidade social torna patente o que acabo de afirmar. Para definir o valor de um homem, julgo importante verificar a sua dosagem de ódio ao mal. Quanto maior ojeriza tiver pelo mal, mais firme é a pessoa, mais sólido é o seu caráter. Mas não me refiro ao ódio simplista, que geralmente traz complicações. Os jovens costumam exaltar-se facilmente, importunar a próximo, ameaçar a ordem social e causar uma sensação de desconforto à sua volta. Para evitar esse ódio nocivo, precisam do apoio da Inteligência Suprema. Quem abomina profundamente o mal, deve amadurecer seu pensamento, evitar atos impulsivos, dar .bons exemplos à sociedade, praticando tudo que é bom e justo, virtuoso e útil. Gostaria de contar a minha experiência sobre esse assunto. Desde menino, desenvolvi um fone sentimento de justiça. Tinha um ódio profundo pelas desigualdades que há no mundo e muito lutei para reprimir o furor que me dominava quando sabia de alguma injustiça ou desonestidade. Esse autodomínio é difícil e doloroso, mas será facilitado se o encaramos como um treinamento Divino que nos aprimora espiritualmente. Sob esse aspecto, vemos que tal controle minora o sofrimento e lapida a alma.

Eis uma característica que conservo até hoje: continuo tendo horror pelo mal. Porém aceito os fatos, buscando ser tolerante, tomando tudo como provação. A boa norma de conduta determina o ódio ao mal, mas também prudência nas ocasiões em que ele se manifeste. Melhor dizendo, temos de ter cuidado para que esse sentimento não se mostre

exagerado nem prejudique o próximo; que ele não fira o bom senso, não falte aos preceitos do amor e da harmonia. É um ódio útil, que nos permite caminhar com um sentimento semelhante ao de Deus.

25 de fevereiro de 1951

O VALOR DO HOMEM RESIDE NO SEU ESPÍRITO DE JUSTIÇA

O meio mais eficiente para a avaliação de uma pessoa, é o conhecimento do grau do seu espírito de justiça. O processo mais correto é determinar o padrão de honestidade, o senso de responsabilidade e a confiança que ela inspira. Realmente, creio que o espírito de justiça é a essência do homem. Quem não o possui, assemelha-se á medusa, vulgarmente conhecida como água-viva, a qual é destituída de ossos, de modo que não merece confiança alguma. Devemos distinguir, em primeiro lugar, o certo e o errado das coisas. Se a pessoa que de nós discorda estiver desorientada, é nosso dever ajudá-la com espírita de justiça, sem nos intimidarmos. Essa atitude poderá causar momentos amargos, em nossa vida, mas promete a realização dos nossos desejos, não havendo motivos para preocupação. Atualmente, o mundo está repleto de pessoas más. Basta a menor distração para cairmos nas malhas de seus enganos e explorações. Isso provém da falta de um espírito de justiça inabalável. Minha longa experiência é a melhor prova do que estou dizendo, e por essa razia vou tomá-la como exemplo. Na época em que eu era comerciante (antes de me tornar religioso), muitas vezes fui vitima de embustes e experiências pavorosas. Por felicidade, possuo inquebrantável espírito de justiça. Lutei contra todos os obstáculos, indiferente ás conseqüências monetárias. O esforço empre- endido na preservação da justiça acarretou-me muitas desvantagens, que felizmente foram passageiras. Com o tempo, a situação melhorou e acabei por vencer, não só recuperando como ganhando muito mais do que tinha perdido. Involuntariamente tive três ou quatro casos judiciais, e um deles vem se prolongando até hoje. No tempo em que eu vivia na pobreza, uma associação perseguiu- me, aproveitando-se do seu dinheiro e posição. Com o decorrer do tempo, fui favorecido pelas circunstâncias e essa associação teve de desistir Foi o seguinte:

Eu possuía uma fábrica de objetos de fantasia e obtive, em dez países a patente de um artigo que teve extraordinária aceitação, propiciando-me um contrato especial com certa firma. Como o artigo tivesse entrado em moda, recebi uma proposta sumamente egoísta de uma associação de lojas varejistas de objetos de fantasia, sediada em Tóquio, a qual me pedia que lhe vendesse uma das duas exclusividades reservadas àquela firma. Vendo-se rejeitada pela minha honestidade, tentou boicotar-me com a colaboração de todas as lojas do gênero, a fim de obrigar-me a ceder. Dois anos de resistência me acarretaram

considerável prejuízo, mas a associação deu-se por vencida e entramos. em acordo. Outro caso interessante foi quando, em protesto contra uma injustiça comercial, tentei suspender determinada transação. O encarregado, surpreso, disse-me ter sido eu a primeira pessoa que rompera a tradicional obediência às imposições feitas aos comerciantes. Reconhecendo que eu estava com a razão, a firma desculpou-se, e o caso foi resolvido. Após tomar-me religioso, por diversas vezes passei momentos agitadíssimos, de sério perigo. Nessa época, bastava a religião ser nova para sofrer pressão e perseguição. Não havia meios para reagir, e eu padeci bastante. Mas, afinal, a pressão e a perseguição cessaram, o que prova a vitória da justiça. Por essas experiências, vemos que, embora o bem se renda temporariamente ao mal, a perseverança assegurará a sua vitória definitiva. Dai a conclusão de que o homem deve abraçar a justiça e marchar destemidamente, tomando-se, assim, sustentáculo da comunidade, baluarte contra o mal social e construtor de uma sociedade sadia, porque Deus não deixará de ajudar os justos, como jamais deixou. 10 de outubro de 1951

ESPÍRITO DE JUSTIÇA

Vejo-me na obrigação de escrever sobre o tema em foco, demasiadamente comum, porque, nos dias de hoje, o espírito de justiça está sendo muito negligenciado. Se observarmos os diversos aspectos do mundo ao nosso redor, notaremos que ele é quase que destituído do espírito de justiça. Tão enormes são os interesses em jogo, de tal forma predomina a cobiça na mente humana, que, quando alguém se refere à justiça, é menosprezado. Todavia, nem sempre as coisas ocorrem como os homens desejam; muito pelo contrário, os fracassos e desgraças são mais freqüentes que o sucesso. Apesar disso, nada lhes causa surpresa, como se fosse um estado normal da vida; assim, eles continuam a viver inconscientemente. Esta é a realidade do mundo moderno. Para tal situação, na entanto, existe, a nosso ver, uma causa evidente, que a maioria das pessoas não consegue perceber É justamente a carência do espírito de justiça, do qual falarei em seguida. A maior parte dos homens vive contaminada pelos maus pensamentos, que anuviam seu espírito. Esta cegueira espiritual os impede de descobrir a causa a que nos referimos. Tenho certeza disso pela observação que há longo tempo venho fazendo sobre a sorte dos homens. A causa da falta do espírito de justiça acha-se relacionada com o Mundo Espiritual, cuja existência é absoluta, embora ele seja invisível. Naquele mundo, há uma lei de Deus, rigorosa e imparcial - diferente da lei humana - que julga as ações dos homens com perfeita justiça. Infelizmente

o homem não compreende nem acredita nisso pela simples menção, e assim, com as próprias mãos, contribui para a sua infelicidade. A maioria das pessoas é hábil no falar, no falsificar as aparências e simular um valor pessoal inexistente. Tudo, porém, será inútil, porque, como eu disse anteriormente, o Olhar de Deus desvenda o intimo dos homens, cuja sorte Ele decide, pesando o bem e o mal na mesma balança. Se uma verdade tão patente deixa de ser compreendida até por homens ilustres, cultos, com posição e fama, é porque eles só vêem a parte superficial do mundo, ignorando a existência da parte principal - o Mundo Espiritual. Conseqüentemente, forçam a inteligência para falsear a vida e lutam no sentido de enganar o próximo. Pobres de espírito os que julgam ser isso esperteza! Não obstante a prova que se evidencia nas conseqüências sempre contrarias a essa realidade, a generalização de tal conceito faz aumentar o número de criminosos e a insegurança social. Assim, apesar dos seus desdobrados esforços, quando os homens procuram realizar algo na so- ciedade atual, são marcados pelo fracasso, resultante das pedras lançadas em seus caminhos. Alguns caem na desdita de figurar nos periódicos como vítimas de casos judiciais. Considero "espertos imbecis" os indivíduos desse tipo e estou tentando convencê-los dos seus erros. O recurso é fazer com que eles reconheçam a existência de Deus, e essa tarefa é bastante árdua. Para tanto, é necessário criar oportunidade para mostrar-lhes o milagre. Eis por que estou realizando surpreendentes milagres com o poder que me foi concedido por Deus, e sinto-me jubiloso em saber que o fato está sendo reconhecido pela sociedade. Resumindo: a justiça é o próprio Deus; a injustiça pertence ao mal, sendo própria de Satanás. Deus é a própria justiça, e Satanás, a própria maldade. Por natureza, Deus promove a felicidade, e Satanás a desgraça. O essencial é nos convencermos desta verdade: tanto a felicidade como a desgraça dependem do comportamento humano. Para nos tomarmos felizes, é absolutamente necessário basear-nos no espírito de justiça. Vemos, portanto, que o mal jamais compensa. Costumo afirmar que os homens maus são idiotas; se o sentido de minhas palavras for compreendido, eles tornar-se-ão aptos a percorrer o caminho da felicidade. Entretanto, para isso acontecer, existe uma condição. Quando se fala de justiça, três aspectos devem ser considerados: a justiça menor, de objetivos individuais; a intermediária, baseada no interesse da comunidade ou da nação; e ainda a justiça ampla, que visa a humanidade. O Japão foi derrotado, na última guerra mundial, porque se baseou numa pseudo- justiça, que visava somente o seu próprio bem. A justiça menor e a inter- mediária são falsas; somente a justiça ampla, que augura benefícios para o mundo inteiro, é verdadeira, e apenas ela perdurará eternamente. Esta é uma verdade que se aplica também à Religião. A Igreja Messiânica Mundial tem por objetivo a construção do Paraíso na Terra - isento de doença, pobreza e conflito. Isso beneficiará

toda a humanidade e representará a concretização da verdadeira e integral justiça. 23 de dezembro de 1953

O MUNDO DOMINADO PELO MAL

Ninguém ignora que os povos do mundo atual estão submetidos a diversos sofrimentos, tais como guerras, doenças, insegurança, crises políticas, econômicas, etc. Tratarei, aqui, dos itens relacionados, sem me referir - é claro - a este ou àquele país, mas de um modo amplo e geral. Começarei pelos aspectos que constituem problemas mundiais. Em primeiro lugar, salientarei o problema econômico, por representar um dos motivos de maior preocupação. A crise econômica, que atinge não só o governo, como também o povo, deixa de ser uma novidade, embora a maioria ignore a sua causa. Indubitavelmente, ela surge por influência do mal. Os governos, por exemplo, são prejudicados pelo mau procedimento dos funcionários. Que aconteceria se estes agissem conscienciosamente? Evitar-se-ia o esbanjamento de recursos, pois os funcionários teriam consciência de que tais recursos são provenientes dos impostos, que custaram o suor do povo. O número de funcionários poderia ser reduzido á metade, ou até menos, devido á eficiência do trabalho, motivada pela supressão do desperdício de tempo durante o expediente. A fidelidade dos funcionários no cumprimento dos deveres favoreceria o sucesso de todos os empreendimentos e cativaria a simpatia do público, que, por sua vez, os olharia com respeito, deixando de temê-los ou desprezá-los. Além disso, a extinção dos subornos impediria a prevaricação dos mesmos funcionários, tomando-os dignos da confiança do povo. Se tudo isso acontecesse, não haveria mais necessidade de fiscalização, nem de processos jurídicos onerosos, resultando em incalculável beneficio para a economia do país. Em relação à vida privada, o indivíduo adquiriria mais saúde, uma vida mais confortável e um lar feliz, pelo abandono do uso de bebidas alcoólicas e extravagâncias prejudiciais. Notaríamos, ainda, o lucro inesperado que adviria da baixa de todos os preços, pelo desaparecimento das negociatas, muito comuns nos empreendimentos. Realizado o que foi exposto, o governo não necessitaria sequer da metade do presente orçamento e o povo exultaria de alegria pela redução dos impostos. O mesmo podemos dizer em relação às empresas particulares. Que sucederia se todos os empregados conseguissem vencer a sua má índole? A fiel execução do serviço dispensaria gastos supérfluos; a astúcia e a fraude tornar-se-iam uma raridade. Por conseguinte, facilitar-se-iam as

boas transações, poupariam tempo, os negócios seriam efetuados em ambiente agradável, haveria aumento de produção e, conseqüentemente, baixa do custo e ampla saída dos produtos. No setor da exportação, nos tornaríamos imbatíveis mundialmente. O resultado mais agradável seria o desaparecimento de conflitos entre empregados e empregadores. O prazer com que todos se dedicariam á produção, a conciliação e a disposição saudável, dariam grande impulso ao serviço, o que, por sua vez, ocasionaria aumento da renda, extinguindo por completo a preocupação com problemas econômicas. As empresas prosperariam, sem dúvida, em ambiente saudável, desaparecendo bajulações e traições entre chefes e subordinados. No setor político, as pessoas estão conscientes do habilidoso emprego do mal e do pequeno número de membros de partidos que têm por princípio velar pela felicidade do Estado e do povo. Certamente os políticos não deixam de levar em consideração o bem-estar da Nação e do povo, mas a realidade prova que eles são dotados de conceitos egoísticos e fazem tudo em beneficio próprio e do partido a que pertencem, tendo por costume atacar as opiniões dos partidos opostos. Esse ataque, de caráter extremamente desprezível, que consiste no simples prazer doentio de criticar, hoje é tido como um ato comum. Nas assembléias, as sátiras, os termos indecorosos, os tumultos, que se convertem em vexame, assim como as agressões, dão a impressão de encontros de bandoleiros. Vejamos, agora, o que está acontecendo com a sociedade. Ninguém ignora que a corrupção é geral em todos os setores. E raríssimo encontrar um lar pacífico, pois em todas as famílias fomentam-se os conhecidos conflitos entre casais, entre pais e filhos, etc. Vemos, também, com freqüência, desavenças entre amigos e conhecidos. Ultimamente, os crimes contra parentes próximos entraram em moda, ultrapassando o limite do lamentável e causando terror. Além disso, os jornais estampam, diariamente, invasões domiciliares, assaltos, roubos violentos, fraudes, usurpações, furtos em lojas, ameaças e outros horrores. Em linhas gerais, esse é o aspecto da sociedade; podemos, pois, afirmar que este mundo é um atoleiro de pecados. E conforme disse Buda: "Um mundo de sofrimentos". Portanto, não há exagero em afirmar que a sociedade é constituída pelas vitimas do mal. Com efeito, entre milhares de pessoas, não existe uma só que possa viver um dia livre de preocupações. Dentre as preocupações, a maior, certamente, é a doença. O medo de ladrões resolve-se trancar as portas; com saúde, conseguimos livrar-nos da pobreza, porque podemos trabalhar; processos jurídicos são evitados com prudência. Mas é impossível evitar doenças e guerras. Uma análise minuciosa, entretanto, esclarece-nos sobre a possibilidade de evitá-las, unicamente através da Religião, já que toda desgraça tem sua origem no mal.

17 de setembro de 1952

ELIMINAÇÃO DO MAL

Que é o mal? Mal, sem dúvida, é ameaçar o próximo, causar-lhe sofrimento e prejudicar a sociedade em busca de vantagens pessoais. Por causa dele, os prejuízos individuais e sociais são incalculáveis. Em todo relacionamento humano, não há ninguém que, em maior ou menor proporção, não seja vítima do mal. As pessoas se vêem obrigadas a reforçar janelas, trancar portas, mantê-las fechadas em pleno verão e deixar alguém de guarda ao se ausentar, a fim de impedir a entrada de gatunos. Também somos levados a desconfiar de quem nos acena com negócios vantajosos; enfim vemo- nos forçados a desconfiar de tudo. Além disso, qualquer noticia relativa a roubos na vizinhança perturba o sono de muitos, e sair à noite - principalmente tratando-se de mulheres - é extremamente perigoso. Não podemos descuidar-nos dos batedores de carteiras nos transportes coletivos, nem dos empregados infiéis, nem da vigilância rigorosa que as casas comerciais têm de manter para evitar fraudes. Vivemos assustados, intranqüilos, pois estamos cercados de velhacos. Eis a realidade do mundo atual.

Mas ainda há coisas piores. Os pais se preocupam com os filhos adolescentes expostos ás tentações. As esposas vivem alarmadas com a infidelidade dos maridos, e estes, com a infidelidade das esposas. Surgem fracassos imprevistos nas empresas, e os gastos do Governo para manter a polícia e as instituições de defesa social, são enormes. Casas e firmas constróem sólidos depósitos para resguardar seus bens contra os assaltantes. Nas fábricas, há dispendiosa vigilância contra o furto de matérias-primas. Exigem-se providências contra a desonestidade de empregados por ocasião de armazenagem e pagamentos. Instalam-se cofres, cria-se exagerado número de livros de registro, guias e recibos, que devem ser carimbados um por um. As mercadorias são de qualidade duvidosa, os profissionais negligenciam seus serviços, as greves são mal intencionadas e os ricos buscam lucros excessivos. Todas estas coisas têm raiz no mal. A desonestidade dos funcionários realiza-se quase a vista do público. Fala-se que se podem obter matrículas nas escolas por meio de gratificações, e alvarás, nas repartições públicas, agindo-se nos bastidores. E raríssima a imparcialidade em qualquer setor social. Ninguém acredita que seja possível sobreviver sem alguma forma de transação ilegal. Se quisermos calcular a proporção do bem em relação ao mal, nesta enumeração de fatos, veremos logo que a proporção do mal é bem maior. Não conseguiremos, sequer, avaliar os prejuízos que sofrem os indivíduos e a sociedade, por mais que relacionemos os danos e a insegu- rança do mundo atual. O progresso da civilização e o advento de um mundo melhor só serão possíveis pela erradicação do mal que ora nos aflige. Todas as questões, mesmo os sucessos e os fracassos, dependem do grau de incidência do bem e do mal. Portanto, os políticos e os educadores devem

empenhar-se para diminuir a porcentagem do mal. E eu estou certo de que o único recurso para isto é a Pé Verdadeira. 25 de janeiro de 1949

A FONTE DA CORRUPÇÃO

Todos já devem estar fartos dos casos de corrupção, os quais, como é do conhecimento gemi, têm ocorrido uns após outros. Talvez nunca tenha havido tantos ao mesmo tempo, como acontece no momento. Naturalmente, com o julgamento feito pelas autoridades, um dia ficará esclarecido se a alma das pessoas implicadas é "preta" ou "banca". Mas a importância do problema está no fato de que ele não pode ser resolvido apenas dessa forma. Excluindo o último acontecimento, no caso de tais escândalos, que se tomaram urna espécie de atividade anual desde os tempos antigos, não teremos uma solução definitiva se julgarmos apenas o que vem à tona. Urge erradicá-los de uma vez, pois eles são exatamente como larvas que proliferam num monte de lixo, e por isso é preciso fazer uma limpeza. Não há método mais eficaz e, com certeza, é o que o povo mais deseja. A única dificuldade é que não se tem consciência do ponto vital do problema. Mas qual é esse ponto vital? E justamente o teísmo, aquilo que os intelectuais mais abominam. Na realidade, o ateísmo, ou seja, o contrário do teísmo, é a fonte da corrupção. Por isso é difícil lidar-se com esta. O ateísmo é o pensamento subversivo de que se pode praticar ações ilícitas, agir com esperteza, contanto que nada seja descoberto. Além disso, quanto mais se desenvolve a inteligência humana, mais hábeis se tornam os seus métodos. Atualmente, pensa-se que o ateísmo é a principal condição para se obter sucesso, mas o interessante é que, quando se tenta colocá-lo em prática, nada corre como se esperava. Ainda que, momentaneamente, tudo corra bem, cedo ou tarde a pessoa acabará sendo desmascarada, como podemos constatar pelo caso a que nos referimos linhas atrás. Talvez as pessoas implicadas saibam disso até certo ponto; entretanto, uma vez que seu pensamento está fundamentado na sólida crença de que Deus não existe, elas não chegam a compreender de fato. Assim, é realmente duvidoso quantas pessoas conseguirão se arrepender e se regenerar, não obstante as conseqüências sofridas. A maioria deverá pensar: "Falhei porque o método empregado não foi bom e porque me faltou inteligência. Da próxima vez, agirei com mais habilidade e não serei apanhado de maneira alguma". Provavelmente seja este o pensamento natural dos ateus. Portanto, para acabar de vez com essa tendência ruim, é preciso cultivar o teísmo por meio da Religião. Não existe método mais eficiente. Além disso, enquanto os ateístas forem numerosos nas camadas superiores, como acontece hoje, será difícil a sociedade sair do atoleiro ao qual está presa. E o que se evidencia quando analisamos o transcorrer do caso a que aludimos. Pelo que ficou esclarecido até agora - e talvez isto seja apenas uma pequena parte de um "iceberg" - os prejuízos causados à

nação e o incômodo sofrido pelo povo são bem grandes. Também não podemos menosprezar a grande influência exercida sobre o pensamento do povo. Obviamente, se as pessoas da classe dirigente praticam más ações ás ocultas e gozam do bom e do melhor, e se o dinheiro gasto desordenadamente pelos partidos e pelos políticos provém dos impostos pagos à custa do sangue e do suor do povo, este não se sente motivado a trabalhar honestamente. Por conseguinte, passa a pensar que, por mais que os dirigentes falem de coisas brilhantes e magníficas, ele não mais se deixará enganar. O respeito que até então as pessoas sentiam se transformará em desprezo, sua consideração pelo pais diminuirá, e a ordem social perderá sua força. São, pois, incalculáveis os danos que isso trará ao destino da nação. A causa da corrupção, conforme dissemos, é o ateísmo. Assim, a erradicação do pensamento ateísta é a chave principal para solucionar o problema. Para tanto, é preciso fazer com que as pessoas se conscientizem da, existência de Deus através das ações dos religiosos. E preciso semear nelas a sólida crença de que, embora consigam enganar o próximo, não conseguirão enganar a Deus. Dessa forma, tomar-se-á impossível acontecerem casos de corrupção e outros semelhantes. Os personagens principais do caso recentemente descoberto, são pessoas que receberam educação esmerada, que ocupam considerável posição social, que são respeitadas e inteligentes. Mas fica uma dúvida: por que elas agiram daquela forma? Exatamente por causa do seu pensamento ateísta. Daí se conclui que a educação e os estudos nada têm a ver com o senso de moral. Como os planos foram habilmente arquitetados por pessoas tidas como dignas pela sociedade, julgar-se-ia impossível que eles fossem descobertos. Mas o fato é que se acabou criando um enorme problema, em conseqüência de uma pequenina brecha, tal como um pequeno buraco feito por uma formiga. Diante disso, só podemos pensar em juízo de Deus. Existe outro fator importante. O Japão orgulha-se de ser um país regido por leis, mas, pensando bem, isso é um grande disparate. Se um pais é regido apenas por leis, basta os criminosos serem hábeis para escaparem delas e fugirem á condenação, de modo que os maus elementos é que saem ganhando. Deter o mal através de jaulas chamadas leis significa tratar os seres humanos como animais. O pobre homem soberano das criaturas perde todo o seu "status". Se chamarmos a isso de nação civilizada, com certeza a civilização chorará de tristeza. Sempre digo que a época atual é uma era semicivilizada e semi- selvagem, e provavelmente não há uma só pessoa que possa negá-lo. Suponhamos, por exemplo, que uma carteira esteja caída bem na frente de alguém. Tratando-se de uma pessoa comum, se ninguém estiver olhando, certamente ela a embolsará; quem não a embolsa de forma alguma é porque acredita sinceramente na existência de Deus. Formar pessoas desse tipo é a missão da Religião. Entretanto, as autoridades e os jornalistas mantêm-se indiferentes em relação a ela, tacham-na de supersticiosa e fazem tudo para. que o povo se afaste dela, como se

achassem sua existência desnecessária. Tal atitude é realmente incompreensível. Desse modo, eles se tornam aliados do ateísmo e, conseqüentemente, uma das principais causas da corrupção. Por todos esses motivos, as autoridades devem, nesta oportunidade, abrir muito bem os olhos, numa visão espiritual, e tomar todas as providências que a situação requer Caso contrário, esses problemas indesejáveis nunca serão exterminados, prejudicando enormemente o progresso da nação. Contudo, se elas lerem minhas palavras e, como de costume, não derem atenção ao problema, fazendo de conta que ele nem existe, provavelmente chegará o dia em que venham a se arrepender, mas então será tarde demais Atualmente, a nação está imprimindo um largo incremento à Educação e a outros setores, num esforço para desenvolver a inteligência do homem e reformar-lhe o pensamento. Todavia, enquanto não se exterminar pelas raízes o pensamento ateísta - que é a principal causa do problema será como tentar encher uma peneira com água. Obvia mente, os conhecimentos obtidos com tanto sacrifício viriam a ser mais utilizados para o mal do que para o bem. Seria, portanto, uma idiotice tão grande, que não há palavras para expressá-la. A melhor prova disso é o crescente aumento do número de crimes intelectuais ã medida que a cultura progride. Talvez seja inútil, mas, com esta explanação, desejo alertar os intelectuais do mundo inteiro.

3 de março de 1954

A ORIGEM DOS MALES SOCIAIS

Falarei a respeito dos males sociais, que, atualmente, constituem o maior problema do Japão. Antes, porém, é necessário analisarmos o método que os intelectuais e os governantes empregam para evitá-los. Os males sociais estão sendo controlados de forma cada vez mais rigorosa, através de leis e regulamentos, mas, como essas medidas não atingem o ponto vital do problema, os homens maus só pensam nos meios de livrar-se delas habilmente. Se encontram alguma brecha, logo tentam aproveitar-se, de modo que as autoridades se esforçam por não lhes dar oportunidades, tornando as leis e os regulamentos cada vez mais rigorosos. E realmente uma competição entre a inteligência do Bem e a inteligência do Mal. Geralmente pensamos que os violadores das leis são os criminosos, os delinqüentes, os chefes de bandos, etc. Na realidade, porém, o problema não envolve apenas as pessoas das classes inferiores; ele vem de cima, começando por ministros, políticos, deputados e funcionários públicos, e atingindo até famosos empresários. Podemos dizer que poucas são as pessoas que não cometem crimes. Acontece que os criminosos que se mostram abertamente como tal, são apenas uma parte; costuma-se mesmo dizer que os que foram agarrados pelas malhas da lei não tiveram sorte, o que prova a existência de muitos crimes submersos, que não vêm à tona.

Quando analisamos profundamente os criminosos, não temos dúvida em afirmar que eles não temem o crime. Não sabem que é uma vergonha causar danos à nação, prejudicar a sociedade ou fazer mal às pessoas. Os criminosos podem saber criticar os outros, mas não sabem criticar a si próprios. E não é raro sabermos, atualmente, de funcionários que fazem festas e gastam a rodo, enquanto o povo está sofrendo sob a pressão dos impostos. Se o homem não tiver receio de cometer más ações, se não sentir vergonha de praticar atos impuros nem pena de fazer os outros sofrerem, esse homem já perdeu o valor como ser humano. Por mais que fale de teorias excelentes e se orgulhe de ter instrução, somente isso não lhe con- fere valor como ser humano. E um objeto, é um homem sem alma. Por haver muitas pessoas desse tipo atualmente, o mal social é intenso, apresentando-se o mundo em estado infernal. Resumindo, podemos dizer que no Japão existem doentes em estado gravíssimo. Qual será o motivo de ocorrências tão aflitivas? Indubitavelmente elas são conseqüência da educação materialista de que tanto falamos. Por isso, e' muito fácil exterminar totalmente o mal social: basta destruir o pensamento materialista. Mais nada. Mas de que maneira? Obviamente, através da educação espiritualista, isto é, do reco- nhecimento da existência de Deus, do Espírito e do Mundo Espiritual. Esta é a verdadeira e valiosa missão da Religião. Entretanto, é impossível fazer as pessoas reconhecerem a existência de Deus e do Espírito somente por meio de princípios religiosos, sermões e preces. E necessário manifestar milagres, conceder beneficies materiais, ou seja, Graças Divinas palpáveis. Não existe absolutamente outro meio, além desse, para eliminar o pensamento materialista.

14 de maio de 1949

A VERDADEIRA CAUSA DA INTRANQÜILIDADE SOCIAL

Atualmente, ouve-se falar muito sobre as medidas que devem ser tomadas em face do aumento assustador da criminalidade. Vou dar minha opinião a esse respeito. Falando abertamente, o homem contemporâneo não se completou como verdadeiro ser humano, pois ainda tem muitas características animalescas. Poder-se-ia dizer que é um ser meio-humano e meio-animal. Talvez achem que eu esteja me expressando de uma forma demasiado agressiva, mas não tenho outro recurso, já que essa é a pura realidade. Vou explicar por que faço tal afirmação, e estou seguro de que as pessoas que lerem minhas palavras hão de concordar comigo. Existem, presentemente, várias organizações destinadas a prevenir os crimes: polícia, tribunais, presídios e um número incontável de funcionários que se encarregam de administrá-los, além de centenas de milhares de leis. Assim, aparentemente, a sociedade está aparelhada a ponto de quase não haver brechas para a ocorrência de crimes.

O método é idêntico àquele que se utiliza para defender os homens contra os animais ferozes que constituem uma ameaça para eles:

fazem-se jaulas fortes para protegê-los do perigo. Mas, tal como animais que logo conseguem quebrar as jaulas, por melhor que elas tenham sido preparadas, os seres humanos vêm espremendo sua inteligência, desde os tempos antigos, para diminuir cada vez mais habilmente os pontos fracos dos métodos preventivos contra os crimes. Eis a situação atual desses métodos. E a cada ano aumenta o número de leis, o que é o mesmo que tecer redes com pontos pequenos. Torna-se necessário agir de tal forma porque os "homens-animais" afiam suas unhas e presas para romper as jaulas. Esta é a causa da intranqüilidade social. Com efeito, ainda que, exteriormente, os homens tenham forma de seres humanos, interiormente são como animais. Se fossem verdadeiros seres humanos, a sociedade não necessitaria de jaulas. Quem jamais pratica o mal, esteja onde estiver, é que tem a qualificação de autêntico ser humano. Se a decadência moral continua, apesar do crescente progresso da cultura, é porque o método de quebrar jaulas está vencendo o método de fortalecê-las. Este é o motivo pelo qual sempre afirmamos que a cultura da atualidade é uma cultura desequilibrada, onde só houve progresso da parte material. O mundo dos seres humanos é um mundo sem leis nem organizações anti-criminais. O esforço que estamos empreendendo tem um único objetivo: construir esse mundo.

3 de setembro de 1949

O MAL SOCIAL É OU NÃO É CAUSADO PELO MEIO AMBIENTE?

Desde os tempos mais remotos é costume dizer: "Se tiveres riqueza consolidada, terás espírito correto". Isso significa que, quando q homem deixa de passar por dificuldades materiais, suas palavras e atitudes também melhoram. Assim, muitos intelectuais interpretam que a carência material é a causa dos males sociais que infestam o mundo atualmente. Em parte isto é verdade, mas não é o ponto vital do problema. Se essa fosse a verdadeira causa dos males sociais, as pessoas abençoadas materialmente deveriam ser corretas; todavia, a realidade nos mostra que nem todas o são. Existem muitas pessoas ricas que praticam atos ilícitos e ás vezes perturbam e prejudicam a sociedade muito mais do que os pobres. Através do poder do dinheiro, apoderam-se de muitas residências e deixam-nas desabitadas, numa época em que estamos passando por séria crise habitacional; alvoroçam a moral; tiram a liberdade dos fracos e indefesos, impedindo-os de subir na vida; corrompem o mundo político; e tantas outras coisas, que chega a ser impossível enumerá-las. Por esses fatos, fica evidente que o aumento dos males sociais não é causado unicamente pela carência material. Conclui-se, daí, que eles provêm da falta de fé, como sempre costumamos dizer. Esta é a sua

verdadeira causa. Enquanto não solucionarmos essa questão, será impossível pensarmos na erradicação dos males sociais. A solução básica e incontestável do problema está no aparecimento de urna religião poderosa. O maior erro que existe no pensamento dos homens civilizados da atualidade é a mania de atribuir ou transferir todas as culpas para terceiros. Creio que a influência do marxismo constitui o centro desse modo de pensar, pois, segundo sua teoria socialista, a infelicidade do homem é causada unicamente pelo péssimo mecanismo da organização social. De fato, torna-se necessário melhorar cada vez mais esse mecanismo, mas é um grande equívoco determinar que esta seja a causa única da infelicidade do homem. Mesmo que se chegue a uma organização ideal, se o modo de pensar e agir de cada indivíduo estiver errado, essa organização não poderá ser administrada com eficiência, e o resultado, infalivelmente, será a bancarrota. Portanto, a única forma de solucionar o problema é melhorar a natureza espiritual de cada indivíduo. Ou seja, deve-se considerar que o homem é o ponto principal, e a organização social, um ponto secundário. E evidente que esse pensamento errado surgiu das teorias materialistas, que não reconhecem a natureza espiritual do homem. Tenta- se solucionar todos os problemas através dessas teorias e nisso está o grande erro. Como resultado, os homens da época atual julgam que suas próprias palavras e ações são corretas e procuram atribuir a culpa dos males sociais a terceiros. Na realidade, porém, a causa de quase todos esses males está no próprio indivíduo. Se os homens estiverem profundamente conscientizados disso, a humildade e o espírito filantrópico surgirão por si mesmos, nascendo uma sociedade feliz e pacífica. Jamais se conseguirá tal coisa por outro caminho que não seja a fé. O pensamento de que a culpa dos males sociais está em terceiros - princípio da revolução socialista - baseado no qual se pretende destruir a organização social, faz com que o povo se rebele, transferindo a culpa à organização, ao invés de assumi-la. Gostaríamos, portanto, que os homens da atualidade, plenamente conscientizados do que estamos dizendo, reconsiderassem os erros cometidos até o presente e começassem tudo de novo.

25 de maio de 1949

É POSSÍVEL SOLUCIONAR OS MALES SOCIAIS?

Nunca houve um número tão grande de criminosos, em nosso país, como atualmente. Vêm ocorrendo casos assustadores, como o roubo praticado por um grupo de mais de cem pessoas, causando prejuízo de quatrocentos milhões de ienes, e também casos de violência coletiva e aumento gradativo de crimes praticados por adolescentes. A situação social é tão calamitosa, que não pode continuar como está. Analisemos a situação das classes situadas acima da média. Aí também é uma calamidade. Verifica-se o suborno de entidades públicas, especulações, negociatas e muitas outras irregularidades. Se fôssemos

enumerá-las, não chegaríamos a um ponto final. Mas esses são apenas os casos que vêm à tona eventualmente, não passando da pequena parte visível de um "iceberg". Os males sociais do Japão atual parecem não ter fim. E como se fosse um monte de lixo tão grande que não se tem lugar para pisar. Portanto, o grande problema com o qual nos defrontamos é encontrar o meio de eliminar esse lixo. Naturalmente, as autoridades e os homens conscientes estão preocupados com o problema, e reconheço que vêm fazendo o maior esforço para encontrar uma solução. Entretanto, por que não se conseguem vislumbrar ao menos uma pequena luz de esperança? Em nossa opinião, essas pessoas partem de idéias totalmente erradas, estão completamente fora do caminho certo. Raciocinemos. Em primeiro lugar, é preciso descobrir por que as pessoas cometem crimes. Se isso não ficar bem esclarecido, não será possível tomar-se medidas apropriadas. A cansa fundamental do crime está na alma humana, em nenhum outro lugar Dependendo de ter alma 'tranca" ou 'preta", a pessoa será boa ou má. Por conseguinte, o ponto vital para a solução do problema dos crimes é transformar o portador de alma "preta" em portador de alma "branca". Acontece que as autoridades e os intelectuais da atualidade não percebem isso. Planejam todas as variedades de métodos, tendo como ponto de referência aspectos secundários e terciários, que aparecem externamente, e empenham-se na tomada de medidas anti-criminais. Mas isso é o mesmo que estarem enchendo de água uma vasilha furada, motivo pelo qual jamais conseguirão extinguir os crimes, levem quantos anos levarem. Alguém disse: "Para exterminar o crime por completo, é preciso que haja um policial vigiando cada pessoa . E com razão, porque, apesar do crescente aperfeiçoamento do sistema jurídico e do esforço cada vez maior empreendido pelos tribunais e pelos policiais, não se obtêm os resultados esperados. Mas não existirá uma medida eficaz, uma medida que apresente resultados positivos? Sim, existe. Vou escrever a respeito. Como eu disse antes, só há um meio de tornar 'tranca" a alma dos seres humanos: a Religião. Contudo, será que basta ser simplesmente uma religião? Isso também requer uma análise. Como todos sabem, religiões existem muitas. Começando pelas mais novas, as que realmente nos trazem tranqüilidade de espírito infelizmente são tão poucas quanto as estrelas do amanhecer. E as religiões tradicionais? Talvez todos concordem que nenhuma tem força suficiente para transformar o "preto" em "branco". Portanto, em primeiro lugar, é preciso analisar as religiões com muita cautela, selecionar algumas que pareçam razoáveis e, mesmo que não se chegue a cooperar com elas, pelo menos tratá-las com simpatia. Não existe alternativa melhor. As autoridades têm uma grande preocupação com os males sociais; todavia, não entendo por quê, não passa por suas cabeças a idéia de recorrer à Religião. Elas sempre se apoiam nos métodos materialistas, dos quais não querem se desapegar. Esta é a situação atual.

conseqüentemente, o povo é que sofre. Portanto, torna-se imprescindível e urgente curar esta cegueira e fazer com que as pessoas se conscientizem da verdadeira essência da Religião. Uma vez que o pensamento dos criminosos se fundamenta no princípio materialista de não acreditar no que é invisível, eles pensam que basta enganar as pessoas e, concentrando nisso toda a sua inteligência, empenham-se em fomentar o mal social. Assim, enquanto não exterminarmos esse pensamento, será inútil valer- nos de outros métodos, pois eles não passarão de paliativos momentâneos. E preciso tomar por base o pensamento espiritualista e fazer os criminosos se conscientizarem da existência de Deus. Se eles acreditarem que os seres humanos estão constantemente sendo obser- vados pelos olhos de Deus e entenderem a Lei de Causa e Efeito, será facílimo eliminar o crime pela raiz. Os intelectuais que lerem minhas palavras certamente dirão: "Não duvido de que seja exatamente como o senhor está argumentando, mas essa argumentação não é suficiente para fazer os criminosos reconhecerem a existência de Deus". Ora, eles dizem isso porque seu pensamento também é materialista. Acham que forçar as pessoas a acreditar em Deus é, sem dúvida, coisa de religião supersticiosa. Mas sua interpretação é justificável, pois eles têm como ponto de referência as religiões surgidas até hoje. Agora eu gostaria de que os intelectuais refletissem profundamente sobre a cultura científica. De fato, ela progrediu rapidamente. Surgiram descobertas umas após outras, e aquilo que há cem anos era considerado um sonho, hoje se tornou realidade. Entretanto, as religiões, e somente elas, não mudaram nem um pouco em relação à época de sua fundação, há milhares de anos. Seria impossível, portanto, não surgirem dúvidas quanto à causa dessa contradição. Conseqüentemente, analisando as reli- giões, os intelectuais da atualidade acham que elas não passam de simples relíquias. Sua visão é a mesma que se tem em relação às antigüidades. Assim, quando nós argumentamos que, para solução do mal social, é preciso recorrer à Religião, eles nem dão ouvidos. Eis aí o problema. Conforme já tive oportunidade de escrever, assim como o progresso da civilização científica está construindo uma nova época, é preciso, também, que, no campo da Religião, surja algo equivalente. Ou melhor, não será nada estranho que surja uma religião de nível mais elevado que o alcançado pela Ciência. Também não será estranho que essa religião tenha um poder capaz de solucionar os problemas que a Ciência não consegue resolver. Se compreenderem e aceitarem o que estou dizendo, poderão entender a verdadeira natureza da Igreja Messiânica Mundial. Modéstia à parte, ela tem um poder grandioso, e, uma vez ingressando nela, qualquer pessoa reconhecerá isso facilmente. Raciocinem: por mais bela que seja uma coisa, se não nos aproximarmos dela, não conseguiremos ver sua beleza; por mais saborosa que seja uma comida, se não a provar-mos, não saberemos seu sabor; se houver um tesouro enterrado, mas não cavarmos a terra, não o encontraremos. Da

mesma forma, não adianta ficar do lado de fora apenas imaginando o que é a nossa Igreja. Pensar que ela não passa de mais uma religião supersticiosa e trapaceira, deixando-se influenciar por boatos e pelas falsas notícias publicadas nos jornais, será rejeitar a própria felicidade. Antes de mais nada, é preciso entrar em contato com ela. "Se não entrarmos na toca da onça, não conseguiremos agarrar seus filhotes". E um sábio ditado, não acham?

25 de janeiro de 1951

JORNAL QUE ENALTECE O BEM

Em todos os jornais da atualidade há um exagerado número de notícias relacionadas ao mal: roubos, assaltos, assassinatos, fraudes, mercado negro, contrabando, suicídios, adultério, etc. São tantas notícias desagradáveis, que chega a ser quase impossível enumerá-las. Se estivéssemos no exterior e soubéssemos de tudo isso, poderíamos pensar que não existe país tão horrível quanto o Japão. Entretanto, por pior situação em que ele se encontre, deve haver alguma coisa que se possa elogiar ou que seja motivo de orgulho. Acontece que as coisas boas ficam mais escondidas e são mais difíceis de aparecerem. Desde os tempos antigos, diz-se que as más ocorrências vão longe; de fato, parece que as coisas más logo se tornam conhecidas e se espalham. Também no que se refere aos noticiários dos jornais, o que está relacionado ás coisas boas não atrai os leitores. Quanto pior é o assunto, maior é o interesse das pessoas. Principalmente os artigos que falam de fatos macabros, fora do comum, são do interesse de cem por cento dos leitores e por isso aparecem escritos em caracteres bem grandes. A melhor prova é que as manchetes dos jornais dizem respeito aos artigos que relatam notícias ruins.

De vez em quando, aparecem algumas noticias boas, como por exemplo a que saiu estes dias, sobre o Professor Yugawa. Mas isso talvez não passe da centésima parte, em comparação com o número de noticias más. Como podemos ver por esses fatos, os leitores que lêem diariamente jornais tão cheios de males, inconscientemente são influenciados por eles. Assim, a consciência do homem sobre o mal diminui e, devido ao seu próprio caráter; ele se acostuma até mesmo àquilo que, em estado psicológico normal, lhe pareceria terrível. Em princípio, o objetivo pelo qual os jornalistas mostram apenas a parte escura das coisas é advertir a sociedade, num esforço para melhorá- la cada vez mais. E uma ironia, no entanto, pois esse esforço surte um efeito contrário. Talvez até a mente dos jornalistas acabe ficando entorpecida e eles comecem a achar que é muito normal relatar ocorrências criminosas com grande eloquência. Como não conseguimos ficar calados diante desta sua tendência ao estado de torpor em relação ao mal, não temos outra saída senão adotar o método contrário ao deles. Observando a redação de nosso jornal, poderão compreender isso muito bem. Os crimes ou aspectos negativos da sociedade jamais são

explorados de forma sensacionalista. Dessa forma, despertamos a sociedade e reafirmamos a absoluta rejeição do mal. Talvez seja uma posição muito natural para um jornal religioso, mas, se publicações desse tipo contiverem simplesmente artigos semelhantes a sermões, como se estivessem mastigando vela, não atrairão a atenção das pessoas e por isso acabarão não sendo lidas. Como essas publicações são infrutíferas, o nosso jornal, mesmo que se trate de um pequeno comentário, publica artigos que toquem a fundo o coração dos leitores. Publica, também, teorias novas, que raramente são apresentadas. E assim que ele atrai as atenções. Além disso, através do "suntetsu" (sátira curta e incisiva), fazemos com que os leitores consigam captar o ponto vital das coisas. Principalmente os relatos de graças recebidas, que são artigos característicos de nosso jornal e representam fatos verídicos recentes milagres de valiosas vidas que foram salvas - nunca deixam de ser lidos. Os leitores ficam maravilhados e talvez não haja um só que não se comova. Como podemos ver, talvez não exista atualmente um jornal igual ao nosso, que rejeita o mal e inspira fortemente o bem. Podemos, portanto, dizer que, mesmo em pequena escala, ele é uma existência de caráter luminoso cujo brilho é único, destacando-se pelo seu objetivo de melhorar o sentimento das pessoas.

18 de fevereiro de 1950

OS VIRTUOSOS BEM-SUCEDIDOS NA VIDA

Este título parece um tanto estranho, mas trata-se de uma verdade que poucos percebem, e por isso vou escrever a respeito. Até hoje, tanto no Ocidente como no Oriente, quando analisamos as pessoas bem-sucedidas na vida - não só as que realizaram empreendimentos que lhes valeram fama mundial, mas também as que obtiveram sucesso de alcance limitado - vemos que quase todas elas são pessoas más. Na realidade, é difícil o virtuoso ser bem-sucedido, pois ele difere muito do perverso. De fato, a maioria das pessoas que não hesitam em incomodar os outros ou em aumentar os males da sociedade, escapam habilmente das malhas da lei e vencem na vida; parece que, para elas, não existe outro método para galgar o sucesso. Assim, quando alguém vê um indivíduo bem-sucedido, logo lhe vem o preconceito de que seja um espertalhão, o qual, sem dúvida, está fazendo coisas desonestas às escondidas. E não está pensando errado, pois é isso mesmo que acontece. Conseqüentemente, as criaturas ávidas de sucesso os imitam, julgando ser um método hábil a pessoa não escolher meios para alcançar seus objetivos. Por isso, o virtuoso é prejudicado. Esta é a causa dos males sociais da época atual. Esse ponto de vista está tão enraizado na cabeça dos homens da atualidade, que eles nos olham da mesma maneira. Pelo fato de nossa Igreja ter conseguido trezentos mil fiéis em apenas três ou quatro anos, logo de saída ela é incluída no grupo dos bem-sucedidos. Vendo-a através

do preconceito dos "óculos escuros", esses homens pensam que, embora se trate de uma religião, sem dúvida ela está fazendo coisas desonestas ocultamente e por isso vem obtendo sucesso. Eles acabam concluindo que, no mundo atual, não há motivos para se vencer na vida unicamente através do bem. Naturalmente, não é apenas o povo que pensa dessa forma; até as autoridades tem uma tendência, pequena ou grande, para tal pensamento. E não somos só nós que achamos isso. Além do mais, a soma de pessoas prejudicadas com a expansão da nossa Igreja e de materialistas que não simpatizam com as religiões novas, assim como as queixas e denúncias feitas em segredo por chantagistas que se deram mal conosco e os boatos espalhados pelos jornais de má-fé, confundem o pensamento das autoridades, muitas vezes levando-as a fiscalizar-nos, embora elas o façam mais pela responsabilidade que têm. Esse é o motivo das críticas da sociedade em relação á nossa Igreja. Mas elas ocorrem justamente porque os que obtiveram sucesso através da prática do bem são muito poucos. Tais críticas representam uma prova do que estamos dizendo. Por conseguinte, precisamos varrer o pensamento errôneo de que só se consegue sucesso através do mal e mostrar que saímos vitoriosos quando caminhamos ao lado do Bem e da Justiça. E por isso, também, que estamos nos esforçando ao máximo. Se fizermos com que a sociedade se conscientize dessa verdade, é óbvio que isso trará uma influência muito positiva para ela e para cada indivíduo. E acredito que este também seja um meio para que a Religião possa cumprir a missão que lhe é inerente.

18 de março de 1950

A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL PODE SER EVITADA

A maior ameaça que paira atualmente sobre a humanidade é, sem dúvida alguma, a eclosão da Terceira Guerra Mundial. Como é do conhecimento de todos, os intelectuais do mundo inteiro, cada um na sua posição, estão procurando evitá-la, discutindo o assunto oralmente ou por escrito e usando toda a sua inteligência. Entretanto, não sei por que razão, apenas entre os religiosos não há ninguém opinando sobre o assunto, o que é realmente incompreensível. Diante disso, eu gostaria que, antes de mais nada, refletissem sobre o objetivo da Religião. Nem seria necessário dizer, de tão óbvio, que o objetivo da Religião é construir um mundo de paz, um mundo sem conflitos. Sendo assim, acho muito estranho o absoluto silêncio que, talvez por não saberem o que fazer; os religiosos mantêm atualmente, ante o perigo da Terceira Guerra Mundial. Naturalmente, sem o apoio do Governo e por não poderem pegar em armas, devido â idade, eles deve riam, através de métodos pacíficos, compatíveis com a sua condição de religiosos, trabalhar para que a guerra seja evitada. Assim, gostaria de mostrar as causas da guerra e como evitá-las, ou melhor, apresentar o princípio que possibilita a sua erradicação. Para compreenderem melhor, falarei sobre a doença e a saúde.

Sempre afirmo que a doença é um sofrimento que surge quando a eliminação das máculas acumuladas no espírito do homem se reflete no corpo. Seja qual for o tipo de sofrimento, a causa está nas máculas espirituais. No que se refere ao corpo material, é o processo de eliminação das impurezas; por conseguinte, se o homem quer se libertar desse sofrimento, só há uma forma: não acumular impurezas e, ao mesmo tempo, eliminar as que já estão acumuladas. Sofrimentos coletivos como os danos causados por vento, chuva, incêndio, terremoto, agitações sociais, etc., também são ações purificadoras. A guerra nada mais é que esse sofrimento em forma ampliada. Para evitá-la, está mais do que claro, é preciso eliminar as máculas espirituais de cada indivíduo. Supondo-se que seja declarada a Terceira Guerra Mundial, isso aconteceria por ter aumentado demasiadamente o número de homens com espírito maculado, chegando-se a uma situação em que não havia outro recurso. Creio mesmo não ser exagero afirmar que atualmente o mundo está repleto de homens impuros. O ser humano acumulou máculas pela prática do mal, decorrente de uma educação baseada no materialismo, o qual ignora a existência de Deus. Sendo assim, o problema só poderia ser solucionado pela retificação das idéias materialistas. Com o espírito extre- mamente maculado por esse tipo de educação, o homem ficou cego, o que é um resultado muito normal. Mas é preciso saber que, pela Lei do Universo, onde se acumulam impurezas, infalivelmente surge o processo purificador natural. O surto de epidemias, por exemplo, embora o aparecimento do vírus seja uma causa direta, deve-se ao fato de terem surgido homens com necessidade de purificar. Trata-se, pois, de uma ocorrência natural, baseada na Lei da Concordância, que se aplica a todas as coisas existentes sobre a face da Terra. As grandes metrópoles, as obras arquitetônicas da atualidade e, por assim dizer, quase todas as coisas materiais, são produtos do mal, isto é, um conglomerado de máculas; conseqüentemente, estão fadadas à destruição. Assim, através da guerra, o homem e todas as coisas onde se acumulem impurezas serão purificados de uma só vez. Essa é a imutável Lei do Universo; nada há a fazer. Portanto, para evitar a Terceira Guerra Mundial, o homem e todas as coisas existentes sobre a Terra devem ser purificados até que não haja mais necessidade de uma grande ação purifi- cadora. Caso perguntem se existe um método para promover essa purificação geral, responderei que sim. Esta é a missão da nossa Igreja Messiânica Mundial; para isso é que ela nasceu. Em outras palavras: como o mundo é a soma de indivíduos, basta cada um tomar-se digno, a tal ponto que seja desnecessária a purificação.

17 de outubro de 1951

ELIMINAÇÃO DA TRAGÉDIA

Entre todas as coisas do mundo, o que o homem mais detesta é a tragédia. Eliminá-la totalmente é impossível, mas, de certo modo, não será tão difícil diminuí-la. Passemos a estudar sua natureza. A realidade evidencia que a maioria das tragédias é causada pela doença. Entretanto, elas também são geradas por problemas sentimentais e pela desonestidade proveniente de interesses materiais. Através de uma pesquisa acurada, no entanto, descobri que todas as tragédias têm sua raiz na enfermidade espiritual. Dizem que um espírito são habita um corpo são, e isso é uma grande verdade. Verifiquei, após longos anos de pesquisa, que a imoralidade, a injustiça, a impaciência, o alcoolismo, a preguiça e a corrupção de jovens existem quase sempre em físicos doentes. Infelizmente, ainda não se descobriram métodos positivos para solucionar o problema da doença e restabelecer a saúde física e espiritual, nem mesmo apelando para a medicina ou para outros meios. Ainda que se tivesse encontrado a causa das doenças, não existiria uma forma para resolver o problema verdadeiramente. Há quem se orgulhe de ter descoberto a origem delas e o processo de cura; a maioria dos processos, contudo, não passa de paliativos. E realmente desolador. Todavia, dentre os casos milagrosos relatados em nossas publicações, encontramos muitos exemplos da cura de doenças gravíssimas, e a alegria e gratidão dos agraciados nos comovem até as lágrimas. A verdadeira solução das doenças e de outras desgraças depende de uma força invisível, e só aos que a experimentaram é dado reconhecer o incomensurável Poder Divino. Os homens modernos não se convencem senão através da realidade ou de provas; portanto, sem a apresentação de resultados concretos, é inútil pregar princípios elevados e divulgá-los. Para esses homens, a salvação da humanidade e a obra em prol da sociedade não passam de um sonho. A essência da verdadeira Fé consiste em mover o que é visível por ação de um poder invisível. Esse poder maravilhoso está sendo manifestado pela nossa Igreja e, por essa razão, creio eu, poderíamos dizer que ela é a Religião do Poder. Como a maioria das religiões hoje existentes se limita a pregar doutrinas, suas forças agem do exterior para a alma. Mas o ato purificador empregado pela Igreja Messiânica Mundial - o Johrei - projeta a Luz Espiritual diretamente na alma, despertando-a instantaneamente. Isto é, a Igreja converte a pessoa sem a intervenção humana, deixando os sermões para segundo plano. Os que nela ingressam, alcançam rapidamente uma percepção superficial, e, em seguida, uma percepção mais profunda. Além de superarem as suas próprias tragédias, tornam-se aptos, também, a eli- minar as tragédias alheias.

11 de junho de 1949

EXCLUSÃO DO TEMOR

Conforme venho repetindo, o objetivo de nossa Igreja é a salvação da humanidade. Em poucas palavras, significa eliminar toda espécie de temor da sociedade humana. Evidentemente, os maiores temores do homem vêm a ser o da doença, o da pobreza e o dos conflitos. Dentre os três, o pior, indiscutivelmente, é o temor da doença; nada tão ameaçador pana o ser humano. Certamente, durante sua vida, ninguém consegue livrar-se dessa ameaça. Com o progresso da civilização, ao invés de diminuir, ela tende até a aumentar. O segundo temor é a pobreza, geralmente motivada pela própria doença. Atualmente, julga-se que quase todas as doenças são causadas por vírus. A doença nunca foi tão temida como nos dias atuais, motivo pelo qual estão se tomando as medidas consideradas adequadas, tais como atestados de saúde, vacinação e radiografias, entre outras. Todas as organizações criadas para evitar as doenças, ou seja, centros de saúde, hospitais públicos e particulares, etc., dispõem de muitos recursos, e é realmente grande o sacrifício do povo para sustentar as incalculáveis despesas e o trabalho despendido. A vultosa quantia empregada no tratamento de uma doença e o prejuízo sofrido com a impossibilidade de ~ principalmente quando o enfermo é o chefe da casa, acarretam as maiores dificuldades econômicas para os seus familiares. Isso constitui uma das principais causas do surpreendente aumento de crimes que vêm sendo cometidos após a guerra. Naturalmente esse fato não deixa de ser conseqüência da guerra, cujos danos são passageiros; a doença, no entanto, assume maior gravidade, por ser permanente. A agitação por que a humanidade passa, atualmente, revela a intensidade do seu temor à guerra. Isto porque as relações entre os países tendem a se agravar. Até hoje, o homem viveu num mundo de sofrimentos ininterruptos. Entretanto, como a existência de Deus é uma realidade, Seu incomensurável amor não permitirá que a humanidade permaneça por longo tempo nessa condição. Indubitavelmente, esta época de agonia terá um fim, para dar lugar ao magnífico Paraíso Terrestre. Estamos absolutamente convictos disso e, imbuídos de tal convicção, prosseguimos com fé inabalável. Que outro sentido poderia ter a profecia de Jesus sobre o advento do Reino dos Céus a não ser a predição desse acontecimento? Por essa razão, estou convencido de que a verdadeira missão da Religião é eliminar os três grandes temores aqui citados.

O HERÓI DA PAZ

7 de janeiro de 1950

Atualmente, só de ouvir a palavra "herói" algumas pessoas sentem uma espécie de admiração. Por outro lado, existem outras, como eu, que sentem certa rejeição, porque essa palavra lhes inspira um pouco de tristeza. Como podemos ver através da História, por trás das magníficas

realizações dos heróis, estão ocultos os crimes que eles cometeram, fazendo do povo de sua época uma vítima de seus desejos egoístas e causando-lhe, conseqüentemente, grandes prejuízos. São fatos que não podemos ignorar e tampouco apagar da nossa memória. Não obstante, devemos agradecer-lhes os temas que proporcionaram á literatura, ao teatro, ao cinema, etc., e que tanto têm contribuído para o nosso deleite. Não levando em conta o aspecto artístico, parece que o mundo confunde herói com grande personagem. Cristo, Sakyamuni e Maomé, por exemplo, são realmente grandes religiosos, mas não são heróis. Se pensarmos um pouco, poderemos entender que a diferença está em suas realizações. E desnecessário dizer que esses três grandes religiosos tentaram, a qualquer preço, salvar a humanidade, mas salvar no sentido espiritual. Assim, comparando suas realizações às da Ciência, toma-se evidente que o mérito da construção da magnífica civilização atual pertence a esta última. Isso é apenas o aspecto que veio à tona e se tornou perceptível, mas não podemos deixar passar despercebidas as atividades dos religiosos no outro aspecto da questão. O que acontece é que, não sendo visíveis, elas não atraíram muita atenção. Muito pelo contrário vieram sendo interpretadas erroneamente, como se fossem coisas separadas, e não se pode imaginar quanta infelicidade isso causou aos seres humanos. Na realidade, é justamente com a força dos dois lados - matéria e espírito, frente e verso, luz e sombra - que a civilização pôde alcançar o nível atual. Naturalmente, isto foi obra da Providência de Deus. Em termos humanos, o progresso da parte material pode ser considerado como contribuição dos heróis e cientistas, e o da parte espiritual, fruto da realização dos grandes religiosos. Todavia, embora a civilização tenha alcançado tão grande progresso, não podemos esperar que ela vá, além disso. Significa que a civilização chegou a um beco sem saída. Realmente, como podemos constatar; a infelicidade e a intranqüilidade dos homens aumentam a cada dia; se continuar assim, nem poderemos ter idéia de quando virá o mundo de Paz e Felicidade, que é o ideal de todos os seres humanos. Conseqüentemente, faz-se necessária a construção de uma civilização ainda mais elevada, através de um grande salto da civilização atual. Por grande felicidade, este momento chegou. Deus mostrou-me claramente os fundamentos desse Mundo Ideal e atribuiu-me um grande poder, de modo que já comecei a executar a sua construção. Talvez as pessoas se espantem com as minhas palavras e cheguem a pensar que se trata de auto-elogio, mas não tenho outra alternativa, porque o que estou dizendo é a pura verdade. Observando a transformação que se processará no mundo daqui para frente e o desenvolvimento paralelo de meus trabalhos, poderão entender que não estou mentindo. Retrocedendo ao que dizia antes, falarei mais um pouco sobre a Ciência e a Religião. Até hoje, os fundamentos das religiões eram de caráter "Shojo", isto é, as pregações dos fundadores não eram muito profundas. Poderão

certificar-se disso observando que sempre houve muita hesitação e que a verdadeira Paz e Iluminação não foram alcançadas. Isso era inevitável, devido ao Tempo. Mas Deus revelou-me até os fundamentos absolutos e infinitos, só que não me é permitido expô-los agora, razão pela qual escrevo apenas até certo ponto. A esse respeito, como podemos ver pelas religiões tradicionais, geralmente as religiões se utilizam de dois meios de salvação: os Ensinamentos Sagrados, através das escrituras, e os sermões, através das palavras. Além das religiões, restam-nos, como herança principal de nossos antepassados, o desbravamento de matas e terras, construções, objetos artísticos, etc. Entretanto, quando faço uma análise mais profunda, vejo que é imperioso o aparecimento de uma força com capacidade para liderar o mundo daqui para frente. Agora, torna-se necessário que eu fale a meu respeito. Como todos sabem, escolhi três locais para Solo Sagrado - Hakone, Atami e Kyoto, no Japão - lugares extremamente aprazíveis, onde estou construindo, atualmente, um pequeno protótipo do Paraíso Terrestre. Meu objetivo é criar um ambiente paradisíaco cujas características internas e externas estejam harmonizadas: enormes jardins com a beleza das montanhas e das águas, um palácio das belas-artes, construções inéditas entre as religiões, etc. Dedico-me, também, ao desenvolvimento revolucionário da medicina e da agricultura; além disso, através de infinitos e fabulosos milagres, empenho-me em fazer com que o homem se cons- cientize da existência de Deus. Enfim, faço difusão religiosa por métodos ainda não explorados, ainda não utilizados por nenhum homem. Estas atividades constituem o importantíssimo alicerce do mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo. Gostaria de acrescentar que todas as atividades de construção a serem realizadas de agora em diante, da primeira à última, já estão elaboradas na minha mente, só restando esperar pelo tempo certo. Com o passar do tempo, tudo irá se concretizando. Trata-se de um plano por demais grandioso; pode-se dizer que é a criação da nova civilização mundial. Como se pode ver, a Igreja Messiânica Mundial não é propriamente uma religião, e não estamos conseguindo sequer dar-lhe um nome adequado. Além do mais, tudo veio se concretizando conforme o Plano de Deus; chega mesmo a assustar-me a exatidão com que isso vem se processando. Iniciada como religião em agosto de 1947, nossa Igreja conseguiu, em apenas seis anos, a magnífica expansão que vemos atualmente. Se observarmos que ela conseguiu tamanho progresso enfrentando a pressão das autoridades, a incompreensão dos jornalistas e os mais variados obstáculos durante esse período, teremos de admitir que isso não seja obra do homem. Naturalmente, daqui por diante, continuaremos caminhando de acordo com o programa definido por Deus e, dessa forma, um dia se descortinará o grande Drama Divino que tem o mundo como palco. A esse simples pensamento, sentimo-nos tomados de

grande interesse e curiosidade. Além disso, doravante se evidenciarão, uns após outros, milagres surpreendentes e cenas de eufórica alegria. Portanto, desejo que aguardem com muita atenção. Em suma, eu me considero o Herói da Paz.

11 de maio de 1953

A BÚSSOLA DA RECONSTRUÇÃO DO JAPÃO

Baseado na atual conjuntura, desejo tecer considerações a respeito da política nacional que o Japão precisa adotar daqui para frente. Antes, porém, tenho que falar sobre a missão da nação japonesa. Deus, para governar o mundo, concedeu a cada pais uma missão específica. Evidentemente, o Japão não constitui exceção. Como a missão que lhe cabe não estava esclarecida até o presente momento, foram praticados os mais gritantes erros, decorrentes da interpretação caprichosa do homem. O resultado foi a nação caótica que vemos atualmente. Analisando a história do Japão, evidencia-se que, desde a antigüidade, têm surgido grandes heróis e guerreiros, a maioria dos quais, utilizando-se da violência chamada guerra, enfeixou o poder em suas mãos. Em quase todos os lugares, podemos ver os males e crimes que eles cometeram, devastando territórios e fazendo o povo viver na pior das agonias. Em poucas palavras, pode-se afirmar que a história do Japão não passa do registro de uma disputa de poderes entre os dominantes. E fato real, sem margem de dúvida, que a maior e a última dessas disputas foi a Segunda Guerra Mundial. Desde que o Japão foi instituído como nação, seu povo tem sido muito sacrificado, vítima dessa situação conflitante. Vê- se, portanto, que não houve absolutamente história do povo. Todavia, durante esse longo período, também houve épocas pacificas de tempos em tempos. Nos períodos As sulca (592-707), Hakuho (646-723), Tempyo (710-797), Heian (801-899),Ashikaga (1338-1573), Kamakura (1205-1333), Momoyama (1574-1600), Guenroku (1688-1704), Kyoho (1763-1782), Bunka (1804-1817), Bunsei (1818-1829) e Meiji (1868- 1911), apesar de sua curta duração, desenvolveu-se uma cultura pacífica, da qual foram preservadas até hoje algumas heranças. São quadros que retratam sua época, esculturas, objetos artesanais, etc. O fato de haverem sido criadas tantas peças artísticas maravilhosas em tão curto período de paz - peças que ainda hoje podemos apreciar - mostra-nos a elevada tendência dos japoneses para o Belo. Outro ponto a ressaltar é a natureza do Japão. Todos os turistas que o visitam ficam admirados, dizendo que nenhum país tem paisagens tão puras e lindas como as japonesas. E também um dos países mais ricos em espécies de ervas, árvores e flores. Além disso, dizem que, no Japão, a variação das estações é incomparável, evidenciando-se nas transformações das montanhas, rios, gramas e árvores, nas flores da

primavera, no verde do verão, no bordo do outono, na queda das folhas durante o inverno e em outros aspectos, cada qual expressando a beleza

de sua estação. É também característica a arte e a técnica dos japoneses na utilização da beleza natural da madeira e outros imateriais nas construções. As artes plásticas e o artesanato são muito apreciados pelos estrangeiros, seja a pureza e riqueza das pintaras, os característicos 'makiê", as cerâmicas e outros objetos. Kyoto e Nara escaparam aos bombardeios aéreos durante a guerra graças ao trabalho do Professor Langdon Warner (1881-1955), que se empenhou na preservação das duas cidades pela compreensão que tinha da arte japonesa, não obstante ser estrangeiro. No que se refere aos produtos alimentícios, a grande quantidade de alimentos provenientes do mar, as verduras variadas e a técnica da culinária também evidenciam uma cultura muito característica, que vivifica o sabor natural das coisas. Refletindo sobre tudo isso, pode-se perceber qual é a missão inata do Japão: por meio da beleza natural e da beleza criada pelo homem, cultivar o espírito de nobreza do ser humano, dar-lhe tranqüilidade e fortalecer-lhe o desejo de desfrutar da paz. Em termos mais concretos, tornar-se o jardim público do mundo e a fonte de toda e qualquer ex- pressão do Belo. Entretanto, em que situação nos encontramos! Ao invés de cumprir sua verdadeira missão, o Japão viveu por longo tempo sob a bandeira do militarismo, sem voltar sua atenção para mais nada. Uma vez que despertem para o significado de sua missão e reflitam profundamente, os japoneses poderão compreender o quanto estavam errados. A situação inédita em que o país se encontra, obrigado a dispensar os armamentos militares em conseqüência da derrota sofrida na guerra, só pode ser determinação de Deus para fazê-lo entender sua verdadeira missão. A propósito da inexistência de forças armadas, talvez haja, entre os japone- ses, pessoas que se preocupam com o futuro da nação, mas acredito que seja uma preocupação desnecessária. Isto porque, se o Japão se tomar o parque público do mundo, incorporando o Bem e o Belo e apresentando-se como um jardim paradisíaco, embora ocorra uma guerra, os inimigos, e muito menos os aliados, não teriam coragem de destruí-lo. Também em nossa Igreja, como todos sabem, estamos preparando e executando a construção do protótipo do futuro Paraíso Terrestre, nas cidades de Hakone e Atami, em locais escolhidos pela sua paisagem pitoresca. Nele está expresso o máximo da beleza das construções arquitetônicas e dos jardins. Além disso, estamos instalando o que se poderia chamar de local de apresentação das belas-artes para o exterior. A propósito, gostaria de ressaltar que, dentre os muitos produtos exportados pelo Japão, dificilmente a exportação dos produtos têxteis, que são tão característicos, poderá ultrapassar certo limite. Quanto ás maquinarias, construções navais, trens, bondes, automóveis, bicicletas, etc., restringem-se a artigos comuns, destinados á massa popular dos

países altamente desenvolvidos; para os países cuja população é de baixo nível, são exportados produtos que apenas satisfazem suas necessidades. Em termos de maquinaria de alto nível, de mercadorias variadas e de material cultural, talvez ainda estejamos longe de alcançar países desenvolvidos como os Estados Unidos. Por esse motivo, a política nacional que o Japão deve adotar daqui para frente são os empreendimentos turísticos e a exportação de objetos de arte, obras artesanais e flores. Não seria exagero dizer que, além disso, quase nada tem futuro. Existe, no entanto, um fator da maior importância: os problemas de saúde dos japoneses. Por mais perfeitas que sejam as instalações turísticas e por mais que nos tornemos alvo da admiração dos visitantes, se o Japão estiver infestado de doenças contagiosas, como a tuberculose, seria o mesmo que convidá-los para uma bela mansão de portas fechadas. Outro ponto importante é o que se refere ás verduras japonesas. O fato de, no Japão, se utilizar excremento humano como adubo, desde a antigüidade, constituiria por si só um grande obstáculo para atrair os estrangeiros, dado o perigo da transmissão de vermes. Assim, o ideal seria explicar o método de Cultivo Natural preconizado pela nossa Igreja Com isso, todos os obstáculos mencionados anteriormente seriam eliminados. Penso que, com estas explicações, possam ter uma compreensão geral dos nossos objetivos. Entretanto, quando chegar o dia em que os projetos e instalações a que nos referimos ficarem concluídos em todo o território japonês, verão realmente concretizado o Paraíso Terrestre que nós proclamamos, e acredito que nenhum pais terá motivos para deixar de recebê-lo com alegria e satisfação.

A PALAVRA "SU"

30 de maio de 1949

Eu sempre aconselho manter a ordem em tudo, e a transcrição da palavra "SU" (chefe, senhor, dono) nos sugere a mesma idéia. Ela é transcrita da seguinte forma: (~). Vamos analisá-la. Os três traços horizontais significam: Céu, homem e Terra; ou Sol, Lua e Terra; ou os números sagrados 5, 6 e 7; ou Deus, espírito e matéria. Esses traços são completados por outro, vertical, que os atravessa no meio, e em cima de todos há um sinal. A Política, a Economia, a Educação, a Religião, ou qualquer outra atividade humana, tudo, em suma, deve observar essa hierarquia. Se assim não for, nada poderá correr bem. Mas, até hoje, tudo que existe geralmente está separado, situando-se no plano vertical ou no plano horizontal. Uma das maiores conseqüências disso nós observamos no antagonismo entre o pensamento fundamental do Oriente e do Ocidente. Finalmente chegou o tempo de cruzar os pensamentos e as atividades, como os traços e planos da palavra analisada, isto é, o tempo de seguir o exemplo da palavra "SU", cujo significado, como já vimos, é "senhor", "chefe", "dono".

Observemos que no meio da palavra forma-se uma cruz (-]~.) e relembremos que o traço de cima representa o Céus e o de baixo, a Terra. Isso quer dizer que o mundo dos homens está entre o Céu e a Terra; por essa razão ele tem forma de cruz. E essa a realidade do Paraíso Terrestre, ou Reino de Deus. A palavra que designa Deus ("Kami") tem a mesma significação. "KA" (Ã) significa "fogo"; "MI" (71<) significa "água". O fogo arde verticalmente, e a água corre horizontalmente. Unindo "KA" e "MI", obtemos "KAMI", ou seja, Deus, cujo trabalho é unir, atar. Agora chegou o momento em que Deus quer unir o que está separado, porque está próximo o Reino dos Céus. Os católicos fazem o sinal da cruz sobre o peito. A significação é idêntica á do símbolo dos budistas 4+9 e tem a mesma explicação. Na cruz búdica, entretanto, as pontas estão curvadas, o que significa que, após o cruzamento, a cruz começa a girar. Pelo exposto, a Política também precisará estar estruturada em três camadas, para urna boa atuação. Se assim não for; haverá distúrbios e incompreensão, o que gerará conflitos. A cruz que se observa na palavra "SU" liga perfeitamente a parte de cima e a de baixo; assim, a classe média, entre o povo, tem a função de harmonizar as classes alta e baixa. Acima de todos, temos o Presidente ou o Primeiro-Ministro para governar Desse modo, tudo que obedecer á forma da palavra "SU" (1) correrá bem, sem interrupções ou obstáculos, inclusive na administração de firmas ou de sociedades civis. Obedecendo-se a essa ordem hierárquica, estará concretizado o mundo ideal, ou seja, o Mundo de Miroku - mundo da Luz. 3 de setembro de 1949

NOVO CONCEITO DE AMOR Á PÁTRIA

O amor à pátria parece ser comum a todos os povos. Talvez não exista um só país que não o adote como regra de ouro e máxima do civismo. No Japão também, até o fim da guerra, um fone sentimento de amor à pátria tomava conta de toda a população. Uma das causas, naturalmente, era o regime imperialista, em que o Imperador era o símbolo do povo, adorado como encarnação de Deus. O fato está nitidamente gravado em nossa memória. E óbvio que o respeito e a crença na eternidade da família imperial criaram esse sentimento no povo e que certo grupo de ambiciosos e de governantes exerceu enorme influência sobre o ensino e a propaganda, fazendo com que tudo saísse a seu favor. Como resultado, construiu-se uma nação singular; como jamais se viu outra igual. Considerando-se um pais Divino, o Japão acabou caindo na auto-satisfação, fez-se de "filhinho mimado", sem ao menos ser tão rico assim. Habilmente, os escolásticos insuflaram esse complexo de superioridade em termos lógicos e históricos, o que foi desastroso. Assim, o sentimento de lealdade e patriotismo assolou o país inteiro, e o povo acabou por achar muito normal fazer

qualquer coisa em prol da nação e do Imperador, até mesmo sacrificar a própria vida. Isto era considerado o mais elevado ato moral. Com a perda da guerra, o orgulho dos japoneses voou longe e, ao contrário, até nasceu neles um sentimento de inferioridade. Nessa ocasião, houve uma declaração do Imperador que deixou o povo perplexo: "Eu não sou Deus, sou um homem". Nasceu, então, a nova Constituição, que dizia estar o poder político nas mãos do povo. Dessa forma, o Japão se tornou uma nação democrática. Foi realmente um acontecimento inédito desde o começo de sua existência histórica. Além disso, a mudança de posição do Imperador, que antes se colocava em posição Divina, determinou que, á exceção dos intelectuais, o futuro da grande massa popular, já sem razão de existência, ficasse totalmente obscuro. E todos sabem que o povo acabou por perder o rumo, situação que continua até os dias de hoje. A propósito, houve um fato muito engraçado. Logo após o término da guerra, todas as pessoas que se encontravam comigo diziam, com expressão desapontada: "O 'vento Divino' acabou não soprando, não é?" Então eu respondia: "não digam tolices. O 'vento Divino' soprou, mas vocês o estavam interpretando erradamente. Em verdade, a Vontade de Deus é ajudar o bem e castigar o mal. Já que o Japão é que estava errado, é natural que tenha perdido a guerra. Portanto, ao invés de nos lamentarmos, deveríamos agradecer e até comemorar. Como não podemos fazer isso, temos de ficar quietos, mas virá o dia em que todos compreenderão a verdade". Ouvindo isso, as pessoas diziam: "Entendi perfeitamente", e voltavam alegres para suas casas. Através desse fato, podemos ver que os japoneses deixavam em segundo plano o que é bom e o que e mau, quando se tratava de assuntos relativos à nação. Pensando apenas no seu próprio bem, chegaram até a estabelecer e propagar o "slogan" "Hakko iti u" (o mundo sob a égide do Japão) e a julgar que, se o seu país estivesse bem, pouco importavam os outros países. Isso foi considerado lealdade e patriotismo, e assim os japoneses vieram avançando como cavalos refreados a cabresto. Desde essa época, portanto, estava sendo plantada a semente terrível da catástrofe. Quando pensamos em tudo isso, compreendemos que o amor á pátria deve estar de acordo com a época. Além do mais, se não for com base no conceito do bem e do mal, do certo e do errado, é impossível formar um plano a longo prazo, em termos nacionais. Sendo assim, vou mostrar o sentimento de amor á pátria que está de acordo com a era vindoura. Em termos mais claros, o fundamental é tomar "Daijo" o pensamento do Japão, que até então era "Shojo". Sintetizando: criar o amor internacional, o amor humanitário, isto é, amar o mundo por amar o Japão. Atualmente, tudo está se tornando universal e internacional, e as aspirações independentes e transcendentais já se tornaram sonho do passado. conseqüentemente, em termos concretos, o amor a pátria, daqui para frente, deve consistir, antes de mais nada, em tomar segura a vida de nossos irmãos - noventa milhões de pessoas e fazer do Japão uma nação

justa, baseada na moral, merecedora do respeito do mundo inteiro. A propósito, existe o problema do rearmamento, que está em ativa discussão. As teses favoráveis e contrárias acham-se em confronto há algum tempo e não se obtém nenhuma solução. Entretanto, acho que não é um problema tão difícil assim. Encarando-o como um problema real, logo compreenderemos a solução adequada, ou seja, abandonar o rearmamento se houver garantia de que não há absolutamente nenhum país que possa invadir o Japão; caso contrário, fazer uma defesa de acordo com a capacidade do pais.

3 de dezembro de 1952

O JAPÃO É UM PAÍS CIVILIZADO OU SELVAGEM?

Lendo o título acima, talvez duvidem da minha sanidade mental, pois, embora tenha perdido a Segunda Grande Guerra, incontestavelmente o Japão está situado entre os países ditos civilizados. Quando, se fala em país selvagem, pensa-se logo nos países da África e em alguns outros, mas, refletindo bem, eles não devem ser considerados pura e simplesmente selvagens: seria mais correto dizer que são selvagens- subdesenvolvidos. O Japão certamente não é subdesenvolvido, mas o fato é que ele continua selvagem como antes. O que me faz pensar assim é a observação da conjuntura atual. Vejo serem praticados inúmeros atos de selvageria, como violências de grupo, ameaças, brigas, roubos de armas, pessoas ferindo e sendo feridas, e muitos outros atos que assustam o povo e intranqüilizam toda a sociedade. Esta vive num estado de extrema aflição. Até os estudantes das escolas superiores, que deverão ser os futúros líderes da cultura, participam dessa agitação. E de fato desolador Entre outras coisas, a título de roubar pequenas quantias, sufocam-se ou espancam-se motoristas de táxi até que eles desfaleçam, e matam-se pessoas por motivos insignificantes. Vemos, ainda, assassinatos e mutilações entre pais e filhos, ou entre irmãos. A sociedade é realmente selvagem, e não há um só dia em que tino apareçam nos jornais manchetes sobre assaltos, estupros, batidas de carteira, incêndios provocados, brigas, assassinatos, etc. Se quiséssemos enumerar todos os atos selvagens, não chegaríamos ao fim; somos, portanto, levados a duvidar de que este mundo seja civilizado. Talvez fosse adequado dizer que ele é uma sociedade mais próxima à dos animais. Em vista disso, o homem contemporâneo parece ainda ignorar o que é civilização. A civilização atual, com o desenvolvimento das máquinas, tornou- se muito prática, e a organização e estruturação social foram hábil e cientificamente formadas, de modo que, à primeira vista, tem-se impressão de um progresso espantoso. Diante dessa realidade, a maioria exulta de contentamento, achando que civilização é isso. Entretanto, ao nosso ver, não passa de uma civilização superficial; por trás dela, somos forçados a pensar que ainda resta muito de selvageria. Para melhor compreensão, farei um retrospecto histórico.

Em prosseguimento às eras primitiva e selvagem-subdesenvolvida, surgiu a civilização decorrente do progresso da Religião e da Educação. Paralelamente, deveria ter diminuído a selvageria, porém o que se vê na realidade é até o contrário. Pode parecer paradoxal, mas é mais apropriado dizer que estamos numa era semicivilizada. A era da verdadeira civilização só se efetivará no mundo que vai ser construído daqui para frente. Será o mundo de paz e felicidade tão esperado pelos homens. Para nossa grande alegria, esta época está diante dos nossos olhos. A Igreja Messiânica Mundial surgiu para promover a concretização desse mundo. Todos poderão entender isso observando as atividades que ela vem realizando; a primeira consiste em apontar os muitos erros subjacentes na civilização atual e pregar o que é a verdadeira civilização. Para que as pessoas acreditem nas minhas palavras, Deus está me permitindo realizar inúmeros milagres, através dos quais fica patenteada a Sua existência. Sendo assim, a nossa Igreja não é uma religião comum, que se possa aquilatar pelos critérios tradicionais. Podemos compreender que ela é a criadora de uma civilização inteiramente nova e, também, a encarregada de concretizar o majestoso plano arquitetado por Deus para esta época de grande transição na história do mundo.

4 de junho de 1952

O CARÁTER DEPENDENTE DOS JAPONESES

Nos japoneses da atualidade, nota-se uma característica muito fone: sua dependência. Em maior escala, a nível de governo, comércio e outros setores, eles estão na dependência dos demais países. Também existe subsídio do governo para diversos artigos de consumo e ajuda finan- ceira do Banco do Japão. Médios e pequenos empresários afirmam que irão à falência se não obtiverem empréstimos bancários; algumas pessoas dizem não lhes ser possível viver sem pedir dinheiro emprestado a parentes e conhecidos; crianças não conseguem estudar se não tiverem ajuda dos pais. Além disso, existem os desempregados, viúvas, etc., que vivem na dependência da ajuda do governo, dos serviços sociais e da assistência de instituições. Onde quer que se observe, parece que nada é possível sem a ajuda de terceiros; conseqüentemente, não podemos deixar de ficar espantados com o caráter dependente dos japoneses. Somos forçados a admitir que a causa fundamental dessa dependência é o fato de o Japão ainda não se ter libertado dos fortes laços do feudalismo. Naquela época, a classe predominante eram os samurais e os funcionários do governo; o restante era a classe dos cidadãos em geral. Os mais graduados viviam da pensão a eles concedida pelos senhores feudais; os menos graduados - excetuando os patronais. - embora recebessem uma pequena quantia, tinham sua vida garantida durante muitos anos. Caso, por exemplo, o empregado de uma loja iniciasse uma atividade autônoma, em costume o patrão permitir que ele usasse o nome da sua loja e até recomendar a uma parte da freguesia

que comprasse na loja do ex-empregado. Os operários não tinham direito de sociedade de classe, como hoje, e por isso viviam á custa dos senhores feudais ou da ajuda dos patrões mais ricos. Entre a maioria das pessoas, portanto, não havia independência nem igualdade. Elas dependiam da ajuda dos mais poderosos e, logicamente, não eram donas da sua própria vida. Uma vez que esta situação se prolongou por vários séculos, é perfeitamente justificável a dificuldade do povo em se libertar desse sentimento de dependência. No que se refere às mulheres, nenhuma trabalhava fora como agora, mesmo que atingisse cena idade, de modo que elas não tinham outra alternativa senão depender dos pais, e, uma vez casadas, deviam prestar fidelidade absoluta á família do marido até a morte. Além disso, desobedecer ao marido ou à sogra era tido como trair os deveres de esposa, o que tornava a situação muito mais difícil. As mulheres estavam, pois, numa situação semelhante à de uma planta parasita, que não consegue sobreviver senão se agarrar a algo bem fone. Nos Estados Unidos, a situação é muito diferente. Entende-se isto analisando a história de sua formação. No começo do século XVII, centenas de puritanos da Inglaterra emigraram para a América sem levar quase nada. Desbravaram as montanhas e os campos desabitados e, com sacrifício e esforço, conseguiram construir, em pouco mais de duzentos anos, a nação civilizada que vemos atualmente. Por isso, é natural que haja uma diferença tão grande entre o pensamento dos americanos e o pensamento dos japoneses. Os americanos não tinham em quem se apoiar, mesmo que quisessem; não havia quem os ajudasse, além deles próprios. Por maiores que fossem as dificuldades, só dependiam de si mesmos. O único recurso era produzir algo a partir do nada, com a própria força. E por esse motivo que sinto realmente uma grande admiração pelos americanos. Se o povo japonês, pelas críticas que tem sofrido, pretende reconstruir este país, precisa, antes de tudo, seguir o espírito desbravador do povo americano. Estou certo de que a introdução desse pensamento é muito mais eficaz que a introdução de capital. E o método fundamental, pois está baseado na Verdade de que o espírito domina a matéria. Entretanto, podemos dizer que, entre os intelectuais do Japão, quase ninguém percebe isso. Mesmo nos órgãos de comunicação, o que se faz é incentivar o espírito de dependência. Talvez eu esteja exagerando, mas essa característica é própria dos pedintes acovardados, que compram a compaixão das pessoas. Além disso, quando alguém não atende suas exigências conforme eles desejam, os japoneses reclamam, queixam-se, revoltam-se e, por fim, com a ajuda de terceiros, tentam até derrubar esse alguém. Parecem não perceber que, em conseqüência disso, também estão derrubando a si próprios. Com efeito, não há tolice igual. Pode-se até dizer que, com essa atitude, não só se toma difícil reconstruir o Japão, mas até mesmo manter a situação atual. Quase sempre fazem-se greves como único meio de resolver os problemas existentes entre empregados e empregadores. Talvez seja algo

inevitável, mas, pensando bem, o que pode acontecer é o seguinte: quanto mais se faz greve, mais a empresa regride, e o resultado é a diminuição da receita e, logicamente, do salário dos empregados. E o mesmo que a pessoa apertar o seu próprio pescoço. Obviamente, tanto os empregadores como os empregados têm por objetivo a felicidade. Se é assim, não tem fundamento que um lado esteja feliz e o outro infeliz. Uma vez que há uma relação de reciprocidade entre ambos, se os empregados não fizerem os empregadores lucrar, não receberão salários maiores. Não há coisa tão simples quanto essa. Conseqüentemente, os capitalistas estão errados em desejar lucros além do normal, e os trabalhadores também estão errados em pensar apenas em seus próprios benefícios. Além disso, quando se analisa imparcialmente o mundo empresarial da atualidade, vê-se que, na época anterior à guerra, os lucros dos capitalistas eram exagerados e a economia nacional também tinha uma disponibilidade incomparável em relação à época contemporânea. Mas qual é a situação atual? Poderíamos afirmar que quase já não existem verdadeiros empresários e capitalistas. Grandes grupos econômicos foram dissolvidos e a maioria dos milionários foi à falência. Como desapareceram os capitalistas e também os grandes proprietários de terras, que eram os inimigos dos comunistas, é difícil, para estes, continuar arquitetando suas lutas.

Quando se leva em conta essa situação, apesar de os grandes capitalistas serem um tanto indesejáveis na conjuntura atual, chega-se à conclusão de que, se não surgir um grande número de médios capitalistas, será quase impossível pensar-se no êxito dos empreendimentos. Esta é a necessidade imediata para os dias atuais. Talvez seja por esse motivo que, no ano passado, os Estados Unidos incentivaram o Japão a adotar a política de capitalização dos recursos. E isto se toma ainda mais evidente quando verificamos que, mesmo na União Soviética, devido ao exagerado empenho inicial para derrubar os capitalistas, os empreendimentos sofreram percalços e Stalin utilizou-se da política da abertura de meios para a formação de médios capitalistas. Por esses exemplos, vemos que, no momento, é preciso haver um sólido aperto de mão entre os trabalhadores e os capitalistas japoneses, e não simples acordos. Somente assim poderemos aspirar ao aumento da felicidade e do bem-estar dos trabalhadores. Entretanto, é um terrível engano pensar que nada pode ser resolvido a não ser através de lutas. Caso isto não seja percebido, fatalmente haverá a auto-extinção não só dos empregados como dos empregadores. Raciocinando dessa forma, fica bem claro que o método de fazer greves para resolver os problemas entre empregados e capitalistas não passa de simples manifestação do espírito de dependência, pois, se os empregados pedem aumento de salário aos capitalistas é porque dependem deles. Se trabalhassem dando o máximo de seu espírito de independência, os resultados do seu trabalho seriam muito melhores e certamente os capitalistas é que ficariam na sua dependência. Por conseguinte, primeiro os empregados devem fazer com que os capitalistas lucrem e, depois, exigir ajusta distribuição dos lucros.

Como isso é o certo e o justo, logicamente os capitalistas não poderiam recusar-se a atender as suas reivindicações. Seguindo-se essa diretriz, a solução dos problemas entre trabalhadores e capitalistas não seria tão difícil. Atualmente, porém, tenta-se apenas obter a elevação dos salários, sem levar em conta as dificuldades; portanto, só podemos julgar que esta se tentando forçar a situação. Sintetizando, nesta oportunidade eu gostaria de alertar que, para resolver esse problema, não há meio mais eficiente do que eliminar de vez o espírito de dependência que caracteriza o povo japonês. 25 de março de 1950

OS JAPONESES NÃO TÊM AMBIÇÃO

Sem dúvida, os leitores ficarão espantados se eu disser que não existe um povo tão desprovido de ambição como os japoneses. Entretanto, não posso deixar de dizê-lo, pois é a pura verdade. Acontece simplesmente que a maioria das pessoas não percebe isso. Dando exemplos concretos, os japoneses da atualidade quase não se interessam em ganhar a confiança do próximo. Falam, sem a menor perturbação, mentiras que inevitavelmente serão descobertas, ou que estão mais do que evidentes. E o pior: mentiras que serão descobertas assim que eles virarem as costas. Mais do que tudo, existem muitas pes- soas que não cumprem os horários combinados. Isso também constitui uma mentira, mas, achando que é algo muito natural, qualquer pessoa faz dessa prática urna rotina. Quando se vai fazer uma compra, o vendedor e o comprador mentem um para o outro. Como o vendedor não lucra se for muito honesto, talvez, até certo ponto, a mentira seja inevitável, mas em geral elas são exageradas. Em primeiro lugar; o tempo que os dois perdem nas negociações e complicações burocráticas é insuportável; além do mais, um perde a confiança no outro. Como o comprador pede desconto, o vendedor aumenta o preço, e vice-versa. Tratando-se de negócios de maior vulto, é preciso fazer-se ofertas e contra-ofertas, durante meio dia ou um dia inteiro, havendo até os que demoram dias ou meses Assim, é um grande desperdício de tempo e dinheiro para ambos os lados. Dar exemplo de si próprio é meio constrangedor, mas, quando vou fazer compras, sou do tipo que quase nunca pede desconto. Só quando os artigos são espantosamente caros ou quando percebo que vou ser enganado é que me vejo forçado a regatear, porém é muito raro. Ajo assim porque, se eu pechinchar, não há dúvida de que o vendedor aumentará o preço na próxima ocasião; aí eu vou pechinchar outra vez, e assim por diante. Isso dá muito trabalho e só causa experiências desagradáveis. Os exemplos acima relacionam-se a compra e venda, mas o mesmo parece ocorrer com os funcionários de órgãos públicos e empresas privadas. Querendo subir rápido na vida, eles gostam de mostrar suas realizações, de contar seus feitos para todos e de se apresentar como benfeitores. Acham-se espertos por agirem dessa maneira, mas, como seus chefes têm percepção mais aguda, acabam descobrindo a verdade e

pensando: "Este indivíduo mostra-se bom diante dos superiores, mas não deve ser leal de coração". Assim, tais pessoas não se tornam dignas de confiança. Os empresários, por sua vez, gostam de mostrar que têm di- nheiro, quando na realidade não o tem; querem mostrar que têm apoios poderosos atrás de si e anunciar que seus empreendimentos são muitíssimo vantajosos. Entretanto, ainda que eles triunfem momentaneamente, estas artimanhas nunca dão bons resultados. O que acabamos de dizer também se aplica, freqüentemente, à propaganda feita pelos padrinhos de casamento. Quando alguém apresenta o proponente de casamento e o elogia além do que ele merece, mesmo que o casamento fique acertado, será um desastre, antes ou de- pois de realizado. Além disso, os noivos e seus familiares serão prejudicados, e o padrinho ou a pessoa que serviu de intermediário, daí por diante não será merecedor de confiança. Muitas vezes, também, acontece de ser feita urna intensa propaganda de remédios e cosméticos que, por um momento, são muito bem vendidos, mas que acabam não tendo mais saída, por seus efeitos não corresponderem à propaganda. Os exemplos são tão numerosos que parecem não ter fim. Resumindo, em todos os nossos empreendimentos a confiança deve estar em primeiro plano. Se perdermos a confiança dos outros, será o nosso fim. Ainda que façamos tudo com perfeição, nada dará certo. Será o mesmo que tentar encher uma peneira com água. Todavia, parece que pouquíssimas pessoas percebem isso. Muitas, embora julguem ter feito algo com inteligência, visando a grandes lucros, acabam perdendo a confiança do próximo. Perdem todo o seu trabalho, restando-lhes apenas o cansaço. Quem age dessa maneira não possui ambição. Portanto, se agir- mos honestamente, sem mentir; nos tomaremos pessoas de quem todos dirão "O que essa pessoa diz não tem erro. Tratando-se dela, posso ter absoluta confiança". Assim, é lógico que ganharemos dinheiro, subiremos na vida e seremos amados e respeitados pelos outros. Esse tipo de pessoa é que tem verdadeira e profunda ambição. Aliás, eu sempre costumo dizer que o homem deve ter grandes ambições, mas a ambição de bens eternos, e não de bens momentâneos.

1° de novembro de 1950

NAÇÃO REGIDA PELO CAMINHO

O Japão, assim como todos os países que se dizem civilizados, é regido por leis. Entretanto, a realidade nos mostra que essa não é a forma ideal para se governar uma nação. Através da História, vê-se que é difícil exterminar os crimes somente com o poder das leis. Como não se conse- gue eliminar todo o mal do homem, os crimes são inevitáveis; conseqüentemente, só a Religião poderá trazer a verdadeira solução para o problema. Contudo, casos que exigem soluções imediatas não poderão ser resolvidos apenas por meio dela. Por esse motivo, em primeiro lugar é

preciso ensinar ao homem o Caminho. Refiro-me ao Caminho Perfeito e á lógica.

Embora o assunto se assemelhe à antiga moral oriental, o que agora desejo anunciar é uma moral nova e progressista. Sou levado a isso pela evidente decadência moral da sociedade contemporânea, onde saltam aos nossos olhos a corrupção dos jovens, o aumento do índice de criminalidade e outros fatos. Até mesmo os intelectuais já estão percebendo a situação, tanto assim que aconselham a volta ao ensino da Moral nas escolas e a elaboração de algo que preencha as falhas da Educação. O assunto tem servido de tema para varias discussões, e é muito animador constatar a existência de uma preocupação nesse sentido. Após a Segunda Guerra Mundial, os japoneses ficaram sem qualquer apoio, não tendo a que recorrer. O resultado é que aumentou o número de criaturas desorientadas. Até o fim da guerra, em todas as escolas do país, o ensino tinha por base a Moral, as sábias palavras do Imperador e também a lealdade e o amor aos pais, profundamente en- raizados no coração do povo japonês desde épocas antigas. E inegável, portanto, que a sociedade daquela época era muito mais honesta e sincera que a da época atual. Mas nem por isso devemos revitalizar essa velha moral; torna-se imprescindível criar uma ordem moral para a Nova Era. Após a guerra, estabeleceu-se a democracia no Japão, e assim nos libertamos do despotismo. Isso foi muito bom; pena é que se tenha ido além dos limites e chegado à situação presente, ou seja, a uma sociedade predisposta à anarquia. Sendo assim, urge formar uma nova idéia moral que esteja em conformidade com a época, eliminando o que há de mau e aproveitando o que há de bom no antigo e no novo pensamento. E necessário construir um novo espírito japonês, semelhante ao do cavalheirismo inglês, por exemplo. Para tanto, como expus acima, a base é o Caminho, cuja noção deve ser intensamente apregoada, não só no ensino como na sociedade. Se conseguirmos, com isso, diminuir uma parte que seja do mal social, ficaremos muito satisfeitos. Dando uma explicação mais compreensível sobre Caminho, isto é, o Caminho Perfeito, devo dizer que se trata de algo aplicável a todas as coisas; ou melhor, ele é a bússola orientadora da conduta humana. Seguindo o Caminho, o homem não terá insucessos nem desgraças, tudo lhe correrá bem. Gozará de maior confiança, será respeitado e amado pelo próximo e, logicamente, ficará em situação de harmonia e de paz. Na medida em que aumentar o número de indivíduos e de lares com tais características, o mal social irá diminuindo cada vez mais, graças à influência exercida por eles. Por esse motivo, se continuarmos apoiando-nos apenas nas leis, como fazemos atualmente, crescerá o número de indivíduos espertos e malvados, os quais pensam que lhes basta agir de modo a não caírem nas mãos da Justiça. Em outras palavras, Deus, como sempre digo, é o Caminho Perfeito; adorar a Deus significa seguir o Caminho. Portanto, o homem que se submete ao Caminho Perfeito e por ele é regido, é um verdadeiro homem civilizado.

Este artigo, eu ofereço aos intelectuais do mundo inteiro. 7 de fevereiro de 1951

OBEDIÊNCIA AO CAMINHO PERFEITO

A essência da fé, em última análise, é a obediência ao "Dori" (Caminho Perfeito). O termo "Dori" é constituído de "do" e "ri": "do" e o mesmo que miti", ou seja, caminho; "ri significa lógica. Não existe palavra tão significativa quanto "miti". Pela ciência do espírito das palavras e água, matéria, e 'ti" é sangue, espírito; "mi" também significa negativo, e "ti", positivo. Na representação gráfica da palavra "miti" entra a letra que, isoladamente, representa a palavra "kubi" (pescoço), e o sinal chamado "shinnyu", que indica ligação. O pescoço é a parte mais importante do corpo; podemos viver mesmo que nos cortem os braços ou as panas, mas, se nos cortarem o pescoço, morreremos. E muito expressivo aquilo que se costuma dizer quando uma pessoa é despedida do emprego: "Cortaram-lhe o pescoço". O acréscimo do referido sinal a uma letra tão importante, toma extremamente significativa a palavra "miti".

Caminho é também o meio pelo qual todas as coisas se ligam. Os meios de transporte, as ondas elétricas, os raios luminosos, o deslocamento das pessoas de um lugar para outro, tudo depende do caminho. Até o Sol, a Lua e as estrelas possuem uma órbita definida, isto é, um caminho. Sendo assim, o caminho é a base de todas as coisas e, conseqüentemente, podemos concluir como é errado desviar-nos dele. A seguir explicarei o sentido espiritual da palavra "ri". Ela faz parte da seqüência de "ra" (a seqüência e ra-ri-ru-re-ro), que significa espiral e cuja expressão concreta toma a forma de redemoinho. Este possui um cento, dependendo do qual se produzem movimentos de expansão ou de contração. Se o movimento for da esquerda para a direita, torna-se centrípedo; se for da direita para a esquerda, toma-se centrífugo. Exemplifiquemos:

O centro de nossa Igreja é Cora, na cidade de Hakone. "Co" significa cinco, e também fogo; "ra" é redemoinho. Isso quer dizer que o espírito do fogo se expande em movimentos centrífugos. O desenho chamado 'tomoê" (8) encerra um significado que é realmente um profundo mistério: todo movimento para a esquerda transforma-se em movimento para a direita. O sentido espiritual das sílabas da seqüência ra-ri-ru-re-ro caracteriza a atividade do dragão ("ryu-jin"). O termo ryujin , e constituído de "ryu e jin ; "ryu", por sua vez, é constituído de "ri" e "ti". Quando o dragão está imóvel, toma a forma de redemoinho. O engraçado é que a maioria das pessoas cujo nome tem uma das sílabas ra-ri-ru-re-ro, apresentam características de dragão. Observando-as, poderemos constatar isso.

Se eu continuar explicando essas coisas, não acabarei nunca, por isso vou me deter na palavra "ri". Ela é formada pela junção de duas letras que, sozinhas, representam palavras cujo sentido é, respectivamente, rei (1) e povoado (~). A primeira compõe-se de três linhas horizontais parale- las, sendo que da linha superior; a qual representa o Céu e o Fogo, parte uma linha vertical; esta atravessa a linha mediana, que representa o Interregno e a Água, e termina na linha inferior, que representa a Terra e o Solo. A letra com que representamos a palavra que significa povoado (jn) é constituída, por sua vez, de duas outras que, isoladas, representam pala- vras que significam, respectivamente, arrozal em campo alagado (Ffl) e solo (1). A primeira, originariamente, era uma cruz dentro de um círculo; a segunda é expressa da mesma forma que o número li em algarismos japoneses, ou seja, uma cruz sobre uma linha. O número 11 também tem o sentido de unificação; portanto, "ri" e a ação básica de todas as coisas e tem o sentido de PERFEIÇÃO. O nome da Igreja Tenri-kyo, onde também entra essa palavra, é um nome muito bom. "Riho" (lei) é uma palavra bastante usada e, a propósito, vou explicar o sentido espiritual de "ho". "Ho" é fogo, e "o" e água. De acordo, porém, com a ciência do espírito das palavras, o está incluído em "ho"; isto quer dizer que o fogo arde continuamente por ação da água. Graficamente, "ho" compõe-se de duas palavras cujo sentido é: anular a ação da água. Como esta corte horizontalmente, há o perigo de gerar desordem; portanto, anulada sua ação, fica apenas o vertical, o que significa a imobilidade absoluta. Daí se conclui que não podemos infringir o "ho", que é a Lei. Se juntarmos tudo isso, entenderemos o profundo significado do "Dori". Em resumo, podemos dizer que "Dori" (Caminho Perfeito) é Deus. Obedecer a ele é obedecer a Deus. O homem, em quaisquer circunstâncias, deve sempre respeitá-lo, obedecer-lhe e jamais desviar-se dele.

20 de novembro de 1950

RELIGIÃO, EDUCAÇÃO E POLÍTICA

Atualmente, a sociedade está repleta de males. Por toda parte ocorrem fatos desagradáveis, uns após, outros; a intranqüilidade das pessoas alcança o auge. E urgente, portanto, meditar muito, para encontrar a causa dos males sociais. De onde eles provêm? A quem responsabilizar? Obviamente, a culpa não poderia deixar de ser da Religião, da Educação e da Política. A chave para a solução do problema é saber em que ponto está localizado o gravíssimo equívoco. Em primeiro lugar tratarei da Religião. Excetuando o cristianismo, as outras religiões tradicionais estão muito atrasadas. Inclusive o budismo, que nasceu há mais de dois mil e seiscentos anos, visando o povo hindu, já não condiz com a nossa época, por mais importante que tenha sido Sakyamuni e por mais profundos que sejam os seus ensinamentos. Naturalmente, a situação é ainda mais grave com a sociedade japonesa atual. Os hindus daquela época faziam

meditações diárias no interior das matas e liam milhares de livros sagrados para encontrarem a Verdade. Para os homens atuais, no entanto, que precisam trabalhar da manhã á noite a fim de ganhar o pão de cada dia, isso é impraticável. E mesmo natural que, apesar de todos os seus esforços para se manterem ativas, as religiões tradicionais nada conseguiam fazer além de proteger os túmulos e lamentar a situação em que se encontram. Se elas se valem da assistência social corno único meio para sobreviver; ninguém poderá negar que estão fora dos campos da atuação religiosa. Quanto á Educação, também está muito distante do verdadeiro caminho. Seu real objetivo é formar homens íntegros, isto é, homens que façam da justiça o seu código de Fé e se esforcem para aumentar o bem- estar social, contribuindo para o progresso e a elevação da cultura. Na situação atual, porém, até mesmo os que se formam nas melhores escolas superiores praticam crimes e outras ações que prejudicam a sociedade. Urge fazer algo para modificar essas condições. O maior erro da Educação é ser totalmente materialista. Estamos cansados de dizer que, se ela não evoluir juntamente com o espiritualismo, não lhe será possível nem mesmo sonhar em atingir seu verdadeiro objetivo. Entretanto, como esse erro vem de longa data, estamos conscientes de que enfrentaremos muitas dificuldades se tentarmos eliminá-lo bruscamente. O ideal espiritualista é fazer reconhecer a existência do espírito, o que significa fazer reconhecer a existência de Deus. Sem isso, o espiritualismo não teria fundamento. Naturalmente, a Religião encarregou- se disso até hoje, mas não obteve resultado visível, porque não havia uma religião com força suficiente para tanto. Nasceu, então, a nossa Igreja, dotada de força para fazer com que todos reconheçam o espiritualismo e com que a Religião e a Ciência caminhem lado a lado. Dessa forma, nascerá um mundo de eterna paz, onde todos poderão viver uma vida celestial. Se o progresso da cultura, por maior que ele seja, não promove, paralelamente, o aumento da felicidade, a culpa cabe ao próprio homem, que ficou preso apenas à cultura material. A humanidade precisa perceber isso o quanto antes. No que concerne à Política, sua situação também é calamitosa. Tomarei por base exclusivamente a política japonesa, que, mesmo sob domínio estrangeiro, é assaz medíocre. Sendo ela materialista; seu conteúdo toma-se mais medíocre ainda. Podemos afirmar que não existem muitos políticos de visão ampla e que a maioria se restringe ás tarefas do dia-a-dia. Isso acontece porque seus espíritos estão maculados, de modo que, embora sejam políticos, eles não conseguirão, de maneira alguma, manter um desempenho desejável se não tiverem por base a Fé. Como as religiões tradicionais não têm força suficiente para modificá-los, a única solução é o aparecimento de uma religião nova e poderosa. 27 de agosto de 1949

RELIGIÃO E POLÍTICA

Apesar de haver uma estreita relação entre Religião e Política, é estranho que isso não tenha despertado muito interesse. Na realidade, até o término da Segunda Guerra Mundial, a Política, longe de apreciar a participação da Religião, vivia oprimindo-a. Desde a antigüidade este fe- nômeno se fez notar em vários lugares, registrando-se não poucos casos da quase extinção de religiões devido á violência das perseguições. No entanto, por mais que a Religião tente realizar o seu objetivo, que é a construção de um Mundo Ideal, para incrementar a felicidade do homem, torna-se evidente que ela jamais atingirá essa meta se a Política não for justa. Sendo assim, uma Política escrupulosa requer políticos íntegros e, para preencherem essa condição, eles devem ser dotados de religiosidade. No Japão - desconheço a situação no estrangeiro um erro no qual os políticos têm inclinação para incorrer é a corrupção. Pode-se dizer. que isso acontece porque eles são escravos do materialismo, cuja origem está na falta de religiosidade. E desejável o aparecimento de políticos dotados de espírito religioso, pois só assim poderemos alimentar esperanças quanto ao futuro, aguardando o bom desenrolar dos destinos da Nação. No que se refere à construção de um novo Japão, é necessário, sobretudo, incutir espírito religioso nos políticos, para que seja realizada uma Política arraigada no senso religioso. Atualmente o povo vive criticando, e com razão, a degeneração da Política, as fraudes eleitorais, a prevaricação dos funcionários públicos, a degradação dos educadores, etc. Os próprios políticos, os órgãos competentes e o povo empenham-se com unhas e dentes na solução purificadora dos problemas dessa lamacenta sociedade. Infelizmente, na prevenção do crime, conta-se apenas com a força da Lei, mas esta não atinge o âmago da questão, pois a causa dos crimes está no interior do homem, ou seja, na sua alma. Purificar a alma é o método verdadeiramente eficaz. Estou convicto de que isso só poderá ser conseguido através de uma Fé verdadeira.

25 de janeiro de 1949

AS LEIS E O CARÁTER SELVAGEM DO HOMEM

No mundo atual, quanto mais civilizado é um país, mais complexo é o seu sistema legislativo. Como todos podem ver, os artigos das leis tendem a aumentar a cada ano; pode-se até dizer que a época contemporânea é a época da onipotência da legislação. Ora, a existência de muitas leis significa que é difícil os oficiais de justiça e os advogados de uma repartição memorizarem todas elas, mesmo utilizando a vida inteira. De fato, se eles não conseguem dar conta daquilo que lhes diz respeito, os efeitos das leis deveriam ser mais visíveis; entretanto, ao invés de diminuírem, os crimes tendem a aumentar cada vez mais com o passar dos, anos. Por que será? Não é realmente incompreensível? E uma total contradição ao progresso da cultura. Por isso, desejo analisar a causa do problema.

Seria desnecessário dizer que o principal objetivo das leis é diminuir a criminalidade e construir um mundo sem crimes. Entretanto, o que se vê é justamente o contrário, como dissemos há pouco. No Congresso Nacional realizado anualmente, o assunto que mais se discute é o aumento dos artigos das leis. No entanto, se a cultura progredisse do modo previsto, o número de criminosos iria diminuindo cada vez mais e, com certeza, surgiriam artigos desnecessários nas leis. Sendo assim, não deveria ser discutida também, no Congresso Nacional, a eliminação de partes da lei? Mas o interessante é que, embora isso não aconteça, ninguém estranha o fato, pois as pessoas perderam as esperanças, achando que a situação não tem mais solução. Compreendemos perfeitamente que é impossível eliminar os crimes somente com as leis. Todavia, no momento, se elas não existissem, haveria uma catástrofe: o mundo seria dominado pelos maus, e os bons não conseguiriam dormir tranqüilos. Por isso, as leis precisam continuar existindo, mas seria bom unir a elas um meio eficaz. Em princípio, só podemos valer-nos da Educação e da Religião, mas delas também não podemos esperar muito, pois, durante dezenas de séculos, viemos nos utilizando desses recursos e o mundo humano ainda se encontra na situação de que estamos vendo. Já escrevi anteriormente que as leis têm quase o mesmo significado que o aprisionamento de animais ferozes em jaulas. Se estas não existissem, haveria perigo de que eles fizessem mal ás pessoas e aos animais domésticos. Assim, as leis não passam de um rígido controle feito com redes e grades fortes. Como os homens tentam violá-las, se nelas houver brechas, elas vão se tomando cada vez mais fechadas. Para impedir essa violação, a cada ano se fazem leis mais complexas e policiamento mais rigoroso, o que, aliás, é uma vergonha para o ser humano. Por esse motivo, se os homens de hoje estão sendo tratados como se fossem animais, não é possível nos orgulharmos muito de nossa condição humana. Caso refletíssemos bem sobre esses pontos, despertaríamos o quanto antes. A antiga expressão "animal com aparência de homem" se adapta perfeitamente aos homens da atualidade. Em suma, o homem ainda não conseguiu se libertar do estado semicivilizado e semi- selvagem. Naturalmente, existem diversos níveis de pessoas, isto é, as que merecem ser tratadas como gente e as que devem ser tratadas como animais. Do mesmo modo que existem países belicosos, existem países pacifistas, sendo que aqueles são selvagens, e estes, verdadeiramente civilizados. A seguir falarei sobre a Educação. O tema já passou pelo cinco das experiências realizadas até hoje; portanto, não há necessidade de escrever muito a respeito. Há muitos séculos, como todos sabem, inúmeros pedagogos vêm se esforçando nesse campo. Podemos reconhecer-lhes certo mérito, mas sua força não vai além disso. Não obstante, em relação á época selvagem, a sabedoria humana se desenvolveu bastante, e tanto a política como as

organizações sociais e demais setores da sociedade conseguiram espantoso progresso, de modo que não podemos desprezar a contribuição da Educação. E inegável, entretanto, que faltou força na parte espiritual, ou seja, no aspecto referente ao melhoramento do espírito, visto que até agora não foi possível prescindir-se da jaula denominada lei. Quanto à Religião, obviamente lhe reconhecemos certo mérito no sentido da salvação espiritual. Mas ela também não conseguiu fazer com que as leis se tornassem desnecessárias, apesar do aparecimento de inúmeros santos maravilhosos e personalidades relevantes, e dos esforços e sofrimentos de seus seguidores e até mesmo de fiéis, que chegavam a sacrificar sua vida. Conseqüentemente, não podemos esperar muito das religiões tradicionais. Então, surge o problema: que fazer para eliminar verdadeiramente o caráter animal do homem e construir uma sociedade que não tenha necessidade de jaulas? Evidentemente, é preciso que surja uma força até agora nunca vista, que supere a cultura tradicional. Mas devemos nos alegrar, pois essa força nos foi atribuída por Deus - Senhor do Universo - e de fato nós a estamos manifestando. Como ela é a essência da nossa religião, podemos dizer que esta é realmente uma Ultra-Religião. Na qualidade de precursores do Mundo da Luz, que está para se concretizar, gostaria que considerassem minhas palavras como o primeiro alarme para despertar a humanidade da ilusão em que ela está vivendo. 22 de agosto de 1951

PODER REVOGANTE OU PODER CONSTITUINTE?

Estes termos referem-se ao Congresso Legislativo. De fato, a cada ano, aprovam-se novas leis. Entretanto, isso não é motivo para orgulho, pois as leis são instituídas porque o mal social aumenta. Caso aumentasse o número de homens honestos, não haveria necessidade de leis; portanto, não seria necessário instituí-las. O verdadeiro progresso da cultura só terá sido alcançado quando a função do Congresso Legislativo consistir em revogar as leis.

6 de agosto de 1949

A TOLICE DO CONTROLE DA NATALIDADE

Em três oportunidades escrevi a respeito do controle da natalidade, mas volto a fazê-lo por ainda haver pontos em que não foi dito o suficiente. Atualmente, o Japão está incentivando o controle da natalidade, devido à insuficiência de alimentos em relação ao elevado número de seus habitantes. Analisando bem, essa é realmente uma visão a curto prazo. Suponhamos que uma criança nasça agora. Para ela se tornar adulta, são necessários vinte anos; todavia, uma vez que estamos atravessando uma situação tão instável, não podemos imaginar como será o mundo daqui a vinte anos. Nem mesmo se pode ter idéia das grandes mudanças que poderiam ocorrer num prazo de cinco anos. Por conseguinte, ainda que

entre em vigor neste momento o método para diminuir a população do país através do controle da natalidade, é impossível saber se daqui a alguns anos ainda será necessária essa preocupação. Isso não significa que devamos pensar em expandir nosso território, cometendo os mesmos erros do passado; nem em sonho deve-se pensar nisso. Mas quem pode dizer que não virá a época em que o problema da população será resolvido pacificamente? Vejamos. Caso fosse concretizada a Nação Mundial de que falam certos intelectuais dos Estados Unidos, talvez fosse possível a política de contrabalançar a população dos países, isto é, fazer com que parte da população de um país superpovoado emigrasse para lugares onde a densidade demográfica seja baixa. Acredito que haja muita possibilidade de se colocar em prática essa política, pois o desequilíbrio populacional é um dos motivos de intranqüilidade para um país. Sendo assim, os que são a favor do controle da natalidade talvez precisem levar em conta esses pontos. Na minha opinião, a Nação Mundial provavelmente se concretizará mais rápido do que se imagina. Digo isso porque no dia em que, pacificamente ou por meio da guerra, for resolvido o grande problema do mundo atual, isto é, a ameaça representada pelas relações entre os Estados Unidos e a União Soviética, concretizar-se-á, obviamente, a Era de Paz eterna, e então nascerá a Nação Mundial.

20 de agosto de 1949

NÃO MENOSPREZE OS CÁLCULOS

Na minha opinião, o que mais falta aos políticos japoneses são conhecimentos sobre Economia. Em síntese, são os cálculos. Entretanto, isso não acontece somente na política; em qualquer empreendimento é impossível obter êxito quando se esquecem os cálculos. E estes não dizem respeito apenas às coisas relacionadas a dinheiro. Seja qual for a circunstância, para sabermos claramente as possibilidades de lucros e prejuízos, vantagens e desvantagens, não podemos menosprezar os cálculos. E óbvio que, segundo a teoria política da democracia, deve ser respeitada a vontade da maioria da população, mas isso é conseguido através do número de votos, e estes só podem ser obtidos através dos cálculos. Não há qualquer probabilidade de sucesso ou progresso quando se negligencia esse aspecto. O melhor exemplo do que dizemos é a última grande guerra. Talvez haja várias causas para a derrota do Japão, mas a principal foi o pouco caso que se fez dos cálculos. Com base nestes, os japoneses não deveriam ter iniciado a guerra, mas, uma vez iniciada, ainda que por um erro, deveriam ter-lhe colocado um ponto final o mais rápido possível. Deixando-se escapa;> essa oportunidade, à medida que a guerra prosseguia, mais desvantajosa ficava a situação, o que se torna evidente, ao relembrarmos aquela época.

Não é apenas para o mundo atual que os cálculos têm importância; eles sempre foram importantes. Um dos principais motivos pelos quais o senhor feudal de nome Yoritomo (1147-1199) conseguiu dominar o Japão foi a grande riqueza que ele acumulou utilizando um homem hábil em descobrir minas de ouro, chamado Kanebori Kitiji. O mesmo aconteceu com Toyotomi Hideyoshi (1536-1598), que se tomou poderosíssimo graças ao ouro obtido na mina de Sado. Podemos ter idéia da quantidade de ouro e prata que ele armazenou através de uma famosa história que contam a seu respeito. Quando Hideyoshi construiu a mansão Jurakudai, convidou, para uma festa, todos os senhores feudais daquela época, aos quais deu o seguinte presente: margeou com pepitas de ouro e prata o caminho que eles teriam de percorrei; desde o portão da casa até a entrada - um percurso nada pequeno - e deixou que eles levassem as pepitas que pudessem. O mesmo ainda se poderia dizer de Ieyassu Tokugawa (1542- 1616), cuja dinastia conseguiu manter-se no poder durante trezentos longos anos graças ao ouro da mina de Sado. Segundo uma famosa história, com intenção de procurar ouro por todo o país, ele se valeu do célebre descobridor de minas Okubo Iganokami, o qual descobriu a mina de ouro de Izu Oohito. Com o passar do tempo, entretanto, o ouro da mina de Sado foi escasseando. No fim da época feudal no Japão, tendo diminuído grandemente a exploração dessa mina, surgiu a ameaça de falência econômica; conseqüentemente, os soldos pagos até então aos vassalos tornaram-se inconstantes, o que os levou a passar dificuldades financeiras. E indiscutível que essa foi a causa da queda do regime feudal. Como sou religioso, qualquer pessoa poderia pensar que não me interesso por Economia. Mas isso não corresponde á realidade. Talvez pelo fato de já ter sido empresário, estou seguro de que ninguém poderia me passar para trás em matéria de cálculos. Para falar a verdade, comendo e vestindo-me humildemente, e morando num barraco, como os religiosos antigos, não me seria possível salvar o homem contemporâneo. Os tempos são outros, e os terrenos e as construções devem estar de acordo com eles. Até para construir o modelo do Paraíso Terrestre é preciso uma enorme soma de dinheiro. Por isso, é óbvio que os recursos financeiros constituem uma das bases para a expansão de nossa Igreja. Nesse aspecto, a religião mais conhecida do mundo religioso atual é a Igreja Tenri-kyo. Seu ponto fone, todos o sabem, é a grande importância que ela sempre deu á obtenção de capital desde os tempos antigos. Por essa variedade de exemplos, pode-se entender que, desde o governo de uma nação até um empreendimento particular, nada vai bem se desprezarmos os cálculos. A esse respeito, convém lembrar os Estados Unidos. A maioria dos poderosos políticos americanos saiu do mundo empresarial. E famoso, também, ocaso do Presidente Trumann, que há vinte anos era comerciante de miudezas. Fala-se, ainda, que muitos militares poderosos foram empresários. Por isso, a principal razão de os Estados Unidos ocuparem a posição que hoje ocupam é que a maior parte de seus governantes foram empresários hábeis nos cálculos.

Em contrapartida, observando os dirigentes do Japão, vemos que quase todos se tornaram funcionários do governo logo depois que saíram das universidades, só tendo conseguido posição após longo tempo no cargo. Por isso, além de não saberem nada sobre a sociedade, não têm o menor interesse pelos cálculos. Assemelham-se a filhinhos de papai, ou a principezinhos. A melhor prova são os empreendimentos governamentais. A Ferrovia Nacional, por exemplo. Enquanto as companhias ferroviárias particulares continuam distribuindo dividendos anualmente, embora irrisórios, a Ferrovia Nacional tem um déficit de vários milhões de ienes. O mesmo acontece com a venda de cigarros: eles são vendidos a um preço exorbitante, apesar de sua má qualidade. Realmente, os governantes não passam daquilo que<ô povo costuma chamar de "negociantes amadores". Por conseguinte, seria desejável que, doravante, surgissem muitos políticos que atuem ou tenham atuado na área empresarial. Esclareço que esta é a condição fundamental para a reconstrução do nosso país. 10 de setembro de 1949

A CAUSA DA POBREZA

O objetivo da nossa Igreja é construir um mundo isento de doença, pobreza e conflito. Quanto às questões relacionadas à doença, tenho a impressão de já tê-las examinado e explicado detalhadamente, sob todos os ângulos; não obstante, pretendo continuar dando esclarecimentos a res- peito, pois se trata da medicina indicada por Deus. Agora, porém, falarei sobre o problema da pobreza. A pobreza é decorrente da perda da saúde. Contudo, existem outras causas importantes. Além de não poder trabalhar, por causa da doença, a pessoa tem de gastar muito dinheiro com tratamentos médicos. Se for pouco tempo, ainda é suportável, mas, quando a doença se prolonga por um longo período, acarreta desemprego. Assim, o sofrimento causado pela doença é acrescido das dificuldades financeiras, de modo que a pessoa, com seu sofrimento duplicado, fica envolvida pelas escuras nuvens da intranqüilidade em relação ao futuro, não conseguindo ir nem para frente nem para trás. Podemos dizer que esse sofrimento é um ver- dadeiro inferno. Por toda parte existem inúmeras criaturas em tal situação. Esses infelizes, ao conhecerem a nossa Igreja, logo conseguem vislumbrar a luz da esperança em relação ao futuro e sair do inferno em que vivem, começando a ter uma vida alegre. São exemplos concretos, que podem ser vistos em quantidade nas Experiências de Fé. A maior parte dos casos de pobreza podem ser solucionados dessa forma. Mas, aprofundando um pouco mais, abordarei outro aspecto importante. Para tanto, relatarei minha experiência sobre o assunto, com a qual desejo ensinar o segredo da solução definitiva do problema. Quando eu era jovem, apesar de ser ateu, sempre tive o desejo de melhorar a sociedade. Achando que, para isso, não havia meio mais eficaz do que uma empresa jornalística, fiz várias pesquisas e fiquei sabendo

que, naquela época, precisaria de mais ou menos um milhão de ienes. Ora, eu sou de família pobre e só pude me casar e ter um lar graças à pequena soma em dinheiro que me foi presenteada por meus pais. Abri, então, uma lojinha de miudezas a varejo, a qual tinha uma largura de 2,70 m. Como os resultados foram bons, em pouco mais de um ano comecei no comércio por atacado e, aproximadamente dez anos depois, era considerado um bem-sucedido na vida; meus bens somavam o equivalente a cento e cinqüenta mil ienes daquela época (1919). Precipitando-me em conseguir logo a quantia necessária para a abertura da empresa jornalística, estendi demais a mão, de modo que acabei falindo, com dívi- das até o pescoço. Conseqüentemente, tive de desistir da idéia de abrir a empresa. Desesperado, recorri à Religião. Durante mais ou menos vinte anos, passei por inúmeros percalços e dificuldades, tendo sofrido muito por causa de vultosas dívidas. Agora, entretanto, vejo que tudo isso constituiu a minha prática ascética. Em geral, os religiosos se isolam nas montanhas, banham-se em cascatas e fazem jejum, mas acho que a minha prática foi muito mais difícil e sofrida. E não foi apenas uma ou duas vezes que me vi afundando em problemas financeiros. Vou revelar a "filosofia da pobreza", que adquiri nessa época, através do estado de Iluminação. Além da doença, a causa da pobreza são as dívidas. Cheguei à conclusão de que, se não as contrairmos, jamais ficaremos pobres. Ora, quando se toma dinheiro emprestado, inevitavelmente chega o dia em que se tem de pagar a dívida. Entretanto, ainda que se disponha do dinheiro suficiente, geralmente a data determinada para o pagamento é adiada. Aí está o desencontro. Quando se faz urna dívida, correm juros todos os dias, sem falhar um só, até que ela seja liquidada completamente. Por conseguinte, ainda que a pessoa tenha calculado um lucro considerável, subtraindo-se os juros, quase não haverá lucro. Além do mais, a dívida pro- voca uma constante intranqüilidade espiritual, e, nesse estado, a inteligência se atrofia, sendo impossível surgirem boas idéias. As dívidas são a causa da maioria dos fracassos ocorridos na sociedade, e da maioria dos casos de pobreza. Eu, que despertei para essa realidade, sempre digo às pessoas:

"Se você tiver cem mil ienes, empregue num negócio apenas um terço dessa quantia, isto é, trinta mil ienes". Esse empreendimento, á primeira vista, parece pequeno, mas, com o passar do tempo, tomar-se-á grande. Caso haja um fracasso, a pessoa poderá começar tudo novamente, com outros trinta mil ienes, e um novo método, pois já tem experiência do fracasso. E assim que a maioria começa a percorrer o caminho do sucesso. Ocorrendo outro fracasso, ainda restarão à pessoa os últimos trinta mil ienes; se ela fizer nova tentativa, é certo que desta vez será bem sucedida. A maior parte das pessoas, no entanto, se tiverem cem mil ienes, começam empregando essa quantia toda; às vezes até fazem empréstimo de mais cinqüenta mil. Assim, começam com cento e cinqüenta mil, o que é realmente uma aventura. Se o empreendimento falhar, é natural que elas

recebam um golpe fatal, do qual nunca mais conseguirão se recuperar. Todavia, se as pessoas agirem como eu faço, haverá um superávit monetário. Por isso, quando aparecem negócios pouco dispendiosos ou de lucro certo, deve-se entrar logo em ação. Ao contrário, quando a pessoa está com todos os seus recursos empatados, muitas vezes pode surgir um imprevisto na hora do pagamento, obrigando-a a deixar passar o prazo determinado. Com isso, a confiança que depositaram nela diminui. Se há uma reserva de dinheiro, ela sempre pode cumprir {com a palavra no prazo do pagamento e, assim, ganhar maior crédito. É dessa forma que se obtêm grandes lucros. Darei maiores exemplos sobre o assunto. O principal motivo da derrota do Japão na última guerra foi a política de empréstimos. Parece que quase ninguém percebe esse fato, mas é preciso que se atente bastante para ele. Até o início da guerra, o Japão veio aumentando suas importações a cada ano. Como as dívidas se avolumavam, foi necessário fazer novos empréstimos para pagá-las. Com esses empréstimos, o país aumentou seu poderio militar, expandiu seu território e cada vez estendeu mais suas mãos para invadir outros países. Naturalmente, além de empréstimos externos, também se fizeram empréstimos internos, de modo que o Japão acabou expandindo a política das dívidas públicas até o fim dos limites. Os prejuízos que a Ferrovia Nacional está sofrendo, atualmente, também são herança dessa política. Caso não a tivessem adotado, talvez não surgissem pessoas ambiciosas, ávidas de invasões. E mais: a cada ano o comércio aumentaria as exportações, e, sem dúvida alguma, o Japão estaria numa ótima situação. Em conseqüência, a cultura de cunho pacífico expandir-se-ia amplamente, a moral do povo se elevaria e seríamos uma nação feliz, invejada pelo mundo inteiro. Além disso, o país poderia importar com facilidade tudo quanto precisasse em matéria de alimentos, dando aos demais países urna sensação de paz e tranqüilidade em relação ao seu povo. Como resultado, as nações possuidoras de grandes territórios receberiam com muito prazer os imigrantes japoneses, e tornar-se-ia desnecessário o controle da natalidade. Se a política de empréstimos de uma nação tem essas conseqüências, nos casos particulares acontece o mesmo. Acredito que, através de minhas palavras, compreenderam o método que deve ser empregado para solucionar o problema da pobreza.

30 de junho de 1949

A RESPEITO DAS DÍVIDAS

Como tenho dito várias vezes, durante longo tempo sofri por causa das dívidas, e posso dizer que não há nada mais horrível. Talvez todos passem por essa experiência, pois, quando se contrai uma dívida, é muito difícil saldá-la. Ao fazer um empréstimo, a pessoa pensa em pagar o mais rápido possível, mas, ainda que consiga o dinheiro suficiente, é próprio do ser

humano não fazê-lo tão facilmente. Pensando em empregar esse dinheiro, ela deixa o tempo correr , acreditando que poderá pagá-lo depois de lucrar mais um pouco. Assim, arranja pretextos que lhe convêm. Se, por felicidade, a pessoa consegue pagar a dívida assim que obtém a quantia suficiente, ganha a confiança daquele que lhe emprestou o dinheiro, o qual se mostra disposto a conceder-lhe novo empréstimo. Então, ela pede mais dinheiro, elevando a quantia. O dinheiro nunca entra de acordo com o previsto, mas sempre sai de acordo com o estabelecido, e é por isso que não se consegue devolvê- lo no prazo estipulado. Uma vez aprisionada pelas dívidas, não é fácil a pessoa desvencilhar-se delas; por fim, toma-se um hábito pedir dinheiro emprestado. Existe até quem se sente mal quando não tem dívidas. Talvez, em dez pessoas, não haja uma só que, tendo feito uma divida, consiga livrar-se desse hábito para sempre. Atualmente, a maior parte dos problemas sociais tem origem nas dívidas contraídas. Dizem que a maioria, senão todos os casos judiciais, são causados por elas. Por conseguinte, a primeira condição para eliminar os conflitos que existem no mundo, é fazer todo o possível para não contrair dívidas. Quando elas forem inevitáveis, devemos saldá-las o quanto antes. Se todos agissem assim, formar-se-ia uma sociedade feliz e diminuiriam os problemas das pessoas. Outro fato que eu gostaria de frisar é que as dívidas encurtam a vida. O falecido St Kihatiro Okura sempre dizia isso, e realmente é a pura verdade. Nada obscurece tanto o espírito do homem como as dívidas. Tomando como exemplo a minha própria experiência, após libertar-me delas, senti-me como se tivesse saído de um longo período na prisão. 25 de fevereiro de 1950

DEVEMOS OU NÃO DEVEMOS FAZER DÍVIDAS?

Durante mais de vinte anos, provei sofrimentos causados pelas dívidas. Para que possam fazer uma idéia, recebi várias intimações judiciais e sofri uma falência. A "filosofia da dívida", da qual falarei a seguir, baseia-se nas conclusões que tirei de todas estas experiências. Farei uma análise da pessoa que está para fazer um empréstimo. Existem empréstimos ativos e passivos. O empréstimo ativo é aquele que se faz quando se vai começar um empreendimento, já calculando que uma quantia X vai dar um lucro Y; isto é, faz-se o cálculo de modo que sobre algum dinheiro mesmo depois de subtraídos os juros. Esse tipo de empréstimo, todos o conhecem. Entretanto, no caso dos empréstimos passivos, sai mais dinheiro do que entra, por isso ele está sempre faltando. É comum a pessoa fazer dívidas por não haver outra alternativa. Quando as coisas começam a apertar, ela não consegue pensar no futuro. Diante de uma situação difícil, tenta livrar-se dos compromissos imediatos, sem levar em consideração se os juros são altos ou baixos; o importante, para ela, é conseguir o empréstimo. Muitos anúncios publicados

atualmente nos jornais, sobre a concessão de empréstimos, são desse tipo. Podemos dizer que, a essa altura, entre dez dessas pessoas, oito ou nove estão a um passo do abismo. Esta classificação dos empréstimos é uma classificação feita a grosso modo. Agora vamos analisar o caso de não se fazer o empréstimo. Começa-se o empreendimento com o capital que se possui no momento. Mesmo que seja um negócio de pequeno porte, não há outro recurso. Suponhamos, por exemplo, que se tenha cem mil ienes. Inicialmente, emprega-se a metade ou um terço desse capital. Como o restante fica guardado, poder-se-á pensar que o negócio progredirá muito lentamente. Além disso, esses cem mil ienes devem ser obtidos com o esforço próprio, sem a ajuda de ninguém, pois assim estarão impregnados de suor e terão força. Depois, inicia-se o empreendimento, que deve ser do menor porte possível. Exemplifiquemos. Comecei o método de terapia pela Fé no mês de maio de 1934, alugando uma casa de cinco cômodos por setenta e sete ienes. Estava situada na rua Hiraga-tyo, no bairro de Koji Mati (Tóquio). Achei que era uma casa boa demais; entretanto, como as condições eram ótimas, decidi alugá-la. Na época, eu ainda tinha muitas dívidas, mas fiz esse empreendimento pensando em praticar a filosofia para a qual despertara através delas. As idéias sobre esse princípio filosófico me foram fornecidas pela Grande Natureza. Podemos entendê-lo observando os seres humanos. A criança recém-nascida, com o passar dos meses e dos anos, vai crescendo cada vez mais, e a sua força e inteligência tomam-se adultas. O mesmo acontece com as plantas. Plantando-se uma pequena semente, ela germina, formando um broto; a seguir saem duas folhinhas e, depois das folhas propriamente ditas, o caule se desenvolve, os galhos se expandem, até que a planta se torna uma enorme árvore. Esta é a verdade. Portanto, os seres humanos precisam seguir esse exemplo. Eu tive a revelação de que, praticando fielmente o princípio acima, não deixaria de obter grande sucesso. Decidi, pois, em qualquer empreendimento, partir da menor forma possível. A maior parte das pessoas, no entanto, tenta fazer coisas grandes e aparatosas desde o começo. Observando bem, vemos que a maioria acaba fracassando. Quase todos os empreendimentos da sociedade são assim. As pessoas começam por negócios de grande porte e só depois de fracassarem é que, forçadas pelas circunstâncias, seguem a ordem, ou seja, começam tudo de novo, fazendo pequenos empreendimentos. Só então é que conseguem sucesso. A propósito, os negócios nunca se processam de acordo com a lógica ou com os cálculos. Existem vários motivos para isso, mas o mais importante é a influência da mente. Como o dia do vencimento da dívida nunca deixa de chegar, aconteça o que acontecer, essa preocupação está continuamente martelando a cabeça da pessoa. Naturalmente, a realidade nunca acompanha os planos. Com essa preocupação constante na mente, não surgem boas idéias. Esse é o ponto mais desvantajoso. Ora, com os bolsos sempre vazios, as pessoas não têm vitalidade. Mesmo que se enfei-

tem exteriormente, são pobres material e espiritualmente. Por isso, mostram-se inibidas em todos os seus empreendimentos, não têm força para crescer, estão sempre descontentes. Os comerciantes, por exemplo, não conseguem fazer compras mesmo que as mercadorias estejam baratas; conseqüentemente, deixam de lucrar Como a maioria prorroga o prazo do pagamento da dívida, a confiança dos outros diminui. Se o prazo se prolonga por muito tempo, começam a correr juros em cima de juros. A essa altura, a pessoa começa a se afobar e força a situação. Quando isso acontece, é o seu fim. Eu sempre faço advertências sobre a afobação e as situações forçadas, mas a maioria das pessoas não percebe isso. Mesmo que momentaneamente os resultados sejam bons, eles nunca duram muito tempo.

Os famosos senhores feudais Nobunaga e Hideyoshi, por exemplo, fracassaram porque se afobaram e forçaram situações. Em contrapartida, o domínio da dinastia Tokugawa durou trezentos longos anos porque, nos métodos empregados por Ieyassu, seu fundador, não houve afobação ou situação forçada nem mesmo para ele assumir o poder. Ieyassu utilizava- se da famosa tática de "ceder para vencer", quando achava que a situação estava um pouco difícil: esperava a oportunidade propicia, isto é, aguardava que o tempo ficasse a seu favor. Assim, fez com que o poder rolasse naturalmente para as suas mãos. Eis o conselho de Ieyassu: "A vida do homem é como uma longa caminhada carregando um pesado fardo. Não se deve ter pressa". Essas palavras expressam muito bem o seu caráter. A derrota do Japão, nesta última guerra, teve várias causas, mas não há dúvida de que a afobação e as situações forçadas foram fatores decisivos, embora, desde o início, o procedimento dos japoneses tenha sido errado. Não se deve fazer empréstimos para pagar dívidas, mas foi o que aconteceu no período final da guerra, e pelo mesmo motivo foi emitido dinheiro de maneira bem desordenada. Essa foi, em grande parte, a causa da inflação. A Inglaterra, logo após a formação do gabinete trabalhista, tomou dos Estados Unidos um empréstimo de três bilhões e setecentos milhões de dólares. Acho que seria uma boa iniciativa se, futuramente, não se tomasse motivo de problemas financeiros; mas, depois disso, foi preciso tomar empréstimos em cima de empréstimos. A desvalorização da libra também é uma conseqüência desse fato. Na época em que o Império Britânico era próspero, sua receita anual elevava-se a três bilhões de libras, provenientes de suas colônias e de outras fontes. Que diferença entre a situação atual e a situação antiga! O equilíbrio financeiro da Inglaterra, que até então era um dos seus motivos de orgulho, acabou em tal estado após o país passar por duas guerras. Foi um destino inevitável. Pelo que foi exposto, fica evidenciada esta verdade: não se deve contrair dívidas, e, em todas as iniciativas, e preciso começar de forma pequena. Gostaria que fizessem disso um lema a ser seguido. Contudo, quando se tem absoluta certeza de poder saldar a dívida em curto prazo, é admissível contraí-la.

Esta é a minha filosofia da dívida, que eu recomendo a todos. 12 de novembro de 1949

DINHEIRO MAL GANHO, DINHEIRO MAL GASTO

Há um antigo ditado que encerra uma grande verdade: "Dinheiro mal ganho, dinheiro mal gasto". Vou interpretá-lo espiritualmente. Existem vários tipos de investimentos, como a Bolsa de Valores, o aumento ou a diminuição do preço das mercadorias, as apostas em corridas de cavalos, etc. De todos eles, o mais representativo é a Bolsa de Valores, e por isso vou me deter em sua análise. Na época em que eu era agnóstico, lancei mão desse investimento. Durante alguns anos vendi e comprei ações, mas acabei tendo um grande prejuízo. Naturalmente, esse também foi um dos motivos que me levaram a entrar para a vida religiosa. Além disso, os conhecimentos que adquiri sobre o lado espiritual da questão, mostraram- me que jamais se deve fazer tal tipo de investimento. Gostaria, portanto, que as pessoas interessadas na Bolsa de Valores não deixassem de ler

este artigo. É costume dizer-se que, na Bolsa de Valores, cem pessoas perdem para uma lucrar, e é exatamente assim. Não existe, entretanto, uma só pessoa que, tendo-se tornado multimilionária da noite para o dia, consiga conservar essa fortuna por muito tempo. Além disso, quem tem grandes ganhos é quem mais perde; quanto mais a pessoa lucra, é como se em seu caminho existisse um precipício a esperá-la. Espiritualmente, a explicação é a seguinte:

A grande maioria das pessoas que perde na Bolsa de Valores sente-se decepcionada, inconformada, querendo de qualquer jeito recuperar o dinheiro perdido. Conseqüentemente, esse ressentimento converge para a pessoa que lhes sugou o dinheiro, mas, como não sabe quem e, nem onde reside, acaba convergindo, naturalmente, para a Bolsa de Valores e se acumula nas notas de dinheiro. Analisando es- piritualmente, no dinheiro que circula na Bolsa de Valores imprime-se, nesse momento, a imagem do ódio, do rancor, do ressentimento de milhares de pessoas. Como essas imagens e as próprias pessoas prejudicadas estão ligadas por um elo espiritual, o desejo que elas têm de recuperar o dinheiro perdido continuamente está puxando esse dinheiro. Por isso, ele nunca permanece muito tempo nos cofres da pessoa que o ganhou. Um dia, ele é puxado, e a pessoa sofre um grande prejuízo, ficando sem um vintém. Isso não ocorre apenas nos investimentos, mas em tudo que se relacione com dinheiro. Por exemplo: quando as riquezas são obtidas de forma ilícita; quando não se dá a alguém, intencionalmente, o dinheiro que se deveria ter dado, quando não se paga uma dívida e em outras situa-

ções. Em tais oportunidades, a pessoa lesada fica furiosa, e, como no caso da Bolsa de Valores, aquele que a lesou fatalmente perderá dinheiro. Outro fato que se precisa saber é que, desde os tempos antigos, muitos prédios religiosos ficaram reduzidos a cinzas em conseqüência de incêndios. Parece impossível que templos, relicários, santuários e outras construções realizadas com recursos puros sejam destruídos dessa forma. Mas existe um motivo. E que, por ocasião de se angariarem fundos para construí-los, forçou-se a situação. Às vezes, determina-se uma quantia para os membros ou igrejas filiais, que são forçados a colaborar. Mas é uma atitude errada. Tratando-se de ofertas em dinheiro para a Obra Divina, o correto é que a quantia seja determinada pela livre e espontânea vontade da pessoa. Só quando se faz uma oferta com alegria e satisfação é que o dinheiro se toma realmente puro. Outro fator importante é que as construções religiosas devem ser utilizadas de acordo com a Vontade de Deus; não se devem fazer coisas erradas, que as impregnem de máculas, caso contrário elas receberão o batismo do fogo. Voltando ao caso da Bolsa de Valores, quando o objetivo não for o de lucrar com as cotações, trata-se de um bom investimento. Está muito certo comprar ações visando os juros, isto é, os dividendos; não representa "comprar" nenhuma espécie de rancor. Pelo contrário, é um investimento muito útil ao desenvolvimento da indústria e deve ser bastante incentivado. 25 de junho de 1949

A INSTRUÇÃO PREMATURA É PREJUDICIAL

Talvez achem paradoxal eu falar que o homem da atualidade desenvolveu sua inteligência, mas prejudicou sua capacidade intelectual. O que eu quero dizer, no entanto, é que aumentaram as pessoas de inteligência limitada, superficial, ágil, e diminuíram as pessoas gabaritadas, dotadas de inteligência profunda. Mas por que será que isso acontece? Segundo minhas observações, é uma conseqüência da instrução efetuada antes do tempo apropriado. A instrução prematura é maléfica porque se incutem conhecimentos sem que a mente esteja suficientemente desenvolvida, isto é, há um desequilíbrio entre as noções transmitidas e o desenvolvimento psicofísico. Em verdade, o homem tem que utilizar o corpo e a mente de acordo com sua idade. Dar a uma criança de sete ou oito anos um trabalho mental apropriado a um jovem de quinze ou dezesseis é uma tarefa excessivamente pesada. Qual será o resultado disso? Vou mostrá-lo através de um exemplo. Quando eu estava no curso primário (entre sete e onze anos), quis aprender judô, mas disseram-me que antes dos quinze eu não poderia fazê-lo. Como eu perguntasse o motivo, responderam-me que, se a pessoa praticar judô ou qualquer outro esporte inadequadamente, poderá preju- dicar seu crescimento e desenvolvimento. Naturalmente eles param por causa do excesso de esforço físico. Da mesma forma, no ensino atual, acha-se que é bom uma criança de doze ou treze anos fazer o que um adulto faz. Realmente, durante algum tempo, a capacidade intelectiva se desenvolve com grande rapidez, e por isso a instrução pode parecer boa,

mas não há um desenvolvimento em profundidade, formando-se adultos com capacidade intelectiva inadequada e sem uma lógica profunda. Na realidade, no Japão também está diminuindo cada vez mais o número de "grandes" políticos. Portanto, os que estão ligados à Educação (9) (to) devem pensar bastante sobre esse problema.

2 de julho de 1949

O MAU COMPORTAMENTO DOS FILHOS

Atualmente, o mau comportamento das crianças é considerado um problema social, mas parece-me que ainda não lhe foi atribuída nenhuma solução adequada. As variadas teorias preventivas ainda são muito superficiais, e é extremamente lamentável que nenhuma delas toque no âmago da questão. Vou mostrar o método que eu acredito ser a prevenção absoluta. Antes de mais nada, é preciso deixar bem clara a causa fundamental do problema. Para isso, temos de pensar na relação entre pais e filhos. Em termos mais claros, se o pai é o tronco da arvore, o filho é o ramo; por conseguinte, tomar medidas para não deixar apodrecer o ramo, mas esquecer-se de cuidar do tronco, assemelha-se a colocar o carro na frente dos bois. A condição básica para solucionar o problema é ter plena consciência de que a causa do mau comportamento dos filhos está nos pais Em primeiro lugar, façamos urna análise espiritual. Como sempre digo, os pais e os filhos estão ligados por um elo espiritual. Conseqüentemente, se houver máculas no espírito dos pais, através desse elo o espírito dos filhos também ficará maculado. Esta é a causa do seu mau comportamento. Sendo assim, o método para evitar a delinqüência infantil é fazer com que o espírito da criança não adquira máculas. Para isso, é preciso, em primeiro lugar, fazer com que o espírito dos pais não fique maculado. Ignorando esse princípio, os pais têm precon- ceitos errados e, sem saber, cometem pecados que dão origem a máculas, as quais se refletem nos filhos. Portanto, é necessário que eles pensem constantemente no bem e tenham um comportamento correto, preocupando-se sempre em elevar o seu próprio caráter. Este é o único método eficiente; não existe outro. A interpretação acima se baseia no aspecto espiritual. Agora vou explicar materialmente. Como todos sabem, os filhos aprendem com os pais e procuram imitá-los. Por isso, quando os pais pensam no que não é correto ou praticam o que não é bom, por mais habilmente que o escondam, é certo que um dia os filhos ficarão sabendo, uma vez que moram sob o mesmo teto. Então, é óbvio que a criança pense assim: "Se nossos pais fazem isso, que mal há em que nós façamos também?" Em síntese, não é errado dizer que o mau comportamento dos filhos é uma conseqüência do mau comportamento dos pais. Por conseguinte, não passa de uma forma para desmascarar a corrupção destes.

Pessoas que têm filhos! Saboreiem bem esta tese e, se desejam que eles sejam bons, tomem-se bons pais primeiro. 22 de abril de 1950

POR QUE SURGEM CRIANÇAS PRODÍGIO

Há algum tempo, apareceu nos jornais a notícia de uma criança de seis anos que pintava quadros magníficos. Vou explicar por que nascem crianças assim. Desde os tempos antigos, de vez em quando têm surgido crianças prodígio. No Ocidente, segundo ouvimos dizer, existiram grandes músicos que, aos seis ou sete anos de idade, já tocavam muito bem piano ou violino, e, com pouco mais de dez anos, compunham esplêndidas melodias. Conta-se que o famoso Schubert, dos dez anos aproximadamente até sua morte ocorrida quando ele estava com trinta e um anos, fez mais de quinhentas composições. Por isso, não há dúvidas de que tenha sido um gênio. Mas há uma causa especial para o nascimento desses gênios. Naturalmente, através da ciência materialista é impossível imaginá-la, mas precisamos conhecê-la. Nós explicamos o fato pela ciência espiritual. No caso de um músico, por exemplo, as causas podem ser duas. Uma é a reencarnação do espírito de um grande músico; a outra fenômeno de encosto. Suponhamos que um grande músico morra. Mesmo no Mundo Espiritual ele não consegue esquecer sua tão adorada arte. Assim, em virtude desse forte apego, ele pode reencarnar prematuramente. Esta é uma das causas. Pode acontecer também que, não conseguindo esperar até a reencarnação, ele procure um descendente seu, de preferência uma criança, e nela encoste. Espera para encostar quando seus dedos começarem a ficar ágeis, por volta dos seis ou sete anos. Como é um grande músico, manifesta uma enorme capacidade. Entretanto, ele não consegue encostar em pessoas com as quais não tenha nenhuma ligação, mas apenas, em pessoas de sua linhagem espiritual, principalmente em crianças. Isto porque é mais fácil encostar em crianças do que em adultos; é também mais fácil manejá-las á sua vontade. Pensem bem. Uma criança de seis ou sete anos não pode ter a capacidade de um adulto. Conhecendo, porém, essas causas, não é nada estranho o aparecimento de crianças prodígio. Entretanto, nem todas elas se tomarão grandes músicos, grandes pintores, etc. Algumas serão até certa idade, depois se tornarão pessoas normais. E o que acontece no caso de encosto de espírito, porque ele só tem permissão de encostar até certa época, devido à missão dada por Deus ou ao desejo de seus ancestrais. Tratando-se de reencarnação, o espírito é da própria pessoa, de modo que é impossível haver mudança.

11 de março de 1950

PARAÍSO TERRESTRE

"Paraíso Terrestre" é uma expressão que soa maravilhosamente. Não há nenhuma outra que inspire mais Luz e Esperança. A maioria das pessoas, no entanto, considera o Paraíso Terrestre uma utopia, algo sem qualquer possibilidade de realização. Quanto a mim, creio na sua chegada e sinto-a bem próxima. Meditemos na grande advertência bíblica: "Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus". Parece-nos impossível que o grande fundador do poderoso cristianismo, que influenciou metade do mundo, tenha proferido palavras sem fundamento. E natural que todos queiram saber o que seja o Paraíso Terrestre. Vou descrevê-lo apelando para a imaginação. O Paraíso Terrestre pode ser compreendido como o Mundo dos Felizes. Será um mundo de alta civilização, isento de doença, pobreza e conflito. Cabe a nós, entretanto, encontrar a forma de minorar o sofrimento humano e transformar em paraíso este mundo repleto de males. Inicialmente, precisamos descobrir como eliminar a doença, pois, entre as três grandes desgraças que citamos, ela é a principal. Em seguida, temos de vencer a pobreza, cuja causa primária é a doença; os pensamentos errados, as falhas políticas e a deficiente organização social são causas secundárias. Quanto á inclinação para o conflito é motivada pelo estado selvagem de que a humanidade ainda não conseguiu se libertar. Portanto, é essencial eliminar as três grandes desgraças. Como adquiri confiança na solução desses problemas, vou esclarecer a realidade da forma mais simples possível. Todos aqueles que ingressam em nossa Igreja e seguem seus ensinamentos, para sua própria surpresa, vão sendo purificados espiritual e fisicamente, libertam-se pouco a pouco da pobreza e tomam aversão aos conflitos. Há inúmeras experiências de fé provando que a maioria dos fiéis, com o correr dos anos, goza de crescente felicidade. E condenável salientar os defeitos alheios, mas, neste momento, devo fazer referência ás pessoas que, embora possuam fé, tombam nas garras de doenças fatais ou continuam vivendo de forma miserável, porém satisfeitas e contentes. Comparando-as com os descrentes, pode ser que estejam salvas espiritualmente, mas não fisicamente. A salvação foi feita pela metade. A Verdadeira Salvação abrange o espírito e o corpo. Numa família, todos devem tornar-se saudáveis, libertar-se da pobreza e usufruir de alegria plena. Até hoje, porém, visava-se apenas á salvação do espírito, não havendo preocupação com o corpo físico; todos se resignavam, considerando que a Fé limita-se á salvação da alma. Muitos religiosos afirmam que a Fé que busca obter graças imediatas é de nível inferior Trata-se de uma concepção ilógica, pois não há quem não aspire a graças imediatas. Se alguém se queixa de dores físicas, é estranho retrucar que o homem deve superar a vida e a morte.

Ora, ninguém é capaz de tal superação. Pensar que se conseguiu tal coisa é enganar a si próprio. Um episódio relacionado á história do mestre Takuan é bem ilustrativo. Quando ele estava ás portas da morte, cercado de pessoas, alguém lhe solicitou que escrevesse uma frase. Takuan, tomando da pena, escreveu: "Não quero morrer." Imaginando algum engano, pois julgavam que um mestre tão notável não escreveria tal coisa, entregaram-lhe novamente a pena e o papel. E o mestre escreveu: "Não quero morrer de maneira alguma." Admiro essa atitude. Em igual circunstância, a tendência vaidosa seria escrever: "Acaso temerei a morte?" O mestre, porém, abandonou todo falso orgulho e revelou francamente seus sentimentos. Isso merece consideração, porque um simples bonzo não conseguiria agir assim. Muitas pessoas que pretendem salvar o próximo, fazem auto- propaganda, apesar de ainda não viverem livres das desgraças. A intenção pode ser boa, mas os meios são incorretos. Só devemos pensar em conduzir aqueles que são vítimas de sofrimentos e misérias, quando já ti- vermos conseguido a nossa própria salvação e felicidade; então, poderemos trazê-los ao nível em que estamos. Nossos semelhantes sentir- se-ão atraídos ao presenciar nosso estado feliz. E quando a propaganda surte cem por cento de efeito. Eu mesmo não ousei difundir meus ensinamentos antes de me encontrar em boas condições. Só o fiz quando me senti abençoado pelas Graças Divinas. Se considerarmos que o Paraíso Terrestre é o Mundo dos Felizes, concluiremos que, no lugar onde as pessoas se reúnem e se tornam felizes, está estabelecido o Paraíso Terrestre.

25 de janeiro de 1949

VERDADE, BEM E BELO

Conforme tenho dito, o Paraíso Terrestre que idealizamos é um mundo de perfeita Verdade , Bem e Belo. Mas gostaria de escrever a respeito com maiores detalhes. Para seguir a ordem, começarei explicando o que entendemos por VERDADE. Evidentemente, referimo-nos à manifestação concreta da Verdade, isto é, a própria realidade, autêntica, expressa corretamente, sem o mínimo erro, impureza ou obscuridade. A cultura desenvolvida até o presente vinha confundindo e considerando como verdade muita coisa que não o era, e por isso muitos conceitos falsos eram tidos como verdadeiros. Entretanto, ninguém percebeu isso, porque, obviamente, a cultura era de baixo nível. Basta observarmos a sociedade atual para percebermos que a maioria dos homens são forçados a trabalhar desde a manhã até a noite para ganhar o pão de cada dia, fazendo-o sem nenhuma parcela de ânimo, alegria e esperança, mas apenas para se manterem vivos. Embora estejam se afogando num lamaçal de preocupações, motivadas pela doença, pelas dificuldades financeiras e pelo medo da guerra, eles insistem

em dizer que este mundo em que vivemos é avançado, civilizado. Não obstante, observando com rigorosa imparcialidade, percebemos que quase todos os homens lutam entre si, odeiam-se e entram em choque, tal como os animais, agonizando num redemoinho de insegurança e ansiedade; é como se estivéssemos olhando o próprio Inferno. E este é justamente o resultado da cultura da pseudoverdade, à qual me referi há pouco. Os próprios intelectuais não percebem isso e, acreditando tratar-se de um mundo civilizado, continuam a enaltecê-lo. Coitados, são dignos de nossa compaixão ... O mesmo acontece com a doença, por exemplo. Justamente porque a Medicina está em desacordo com a Verdade, todos os lugares estão repletos de pessoas doentes. E tuberculose, é disenteria infecciosa, é meningite, é derrame cerebral, é paralisia infantil, enfim são inúmeras espécies de doenças. E eis a justificativa que dão para isso: "Antigamente também existiam várias enfermidades, só que a Medicina não estava desenvolvida a ponto de descobri-las; hoje, porém, ela adquiriu essa capacidade". Insistindo sobre o assunto, o que nós desejamos é que o número de doentes diminua e o número de homens realmente saudáveis aumente. Apenas isso. Vejamos. Os homens contemporâneos temem exageradamente a doença. Por essa razão, as autoridades e os especialistas preocupam-se com a higiene e empenham-se na prevenção das doenças. O mais engraçado nisso é a vacina preventiva: ela mesma é que não cura; não passa de simples paliativo. Dessa forma, a Medicina nem ao menos sabe distinguir a cura temporária da cura verdadeira e radical. E, mesmo que soubesse, não adiantaria nada, pois desconhece o método para erradicar a doença. Além do mais, como ignora completamente que ela é uma Providência de Deus para aumentar a saúde, empenha-se tão simplesmente em deter sua mar- cha, pensando que isso é progresso. Outrossim, por total desconhecimento de que esse método se torna origem da doença - como mostra a realidade - quanto mais a Ciência progride, mais se multiplicam as enfermidades e o número de doentes, diminuindo cada vez mais a resistência física. Por isso, os homens sofrem de cansaço e insônia, não têm persistência, não podem fazer qualquer excesso; caso pratiquem um exercício um pouco pesado, acabam sentindo-se "quebrados". Por quê? Isso não é incompreensível? A realidade mostra-nos, porém, que, seguindo-se o princípio da doença ensinado pela nossa Igreja e recebendo-se Johrei, as doenças desaparecem e as pessoas tomam-se verdadeiramente saudáveis. A seguir, escreverei a respeito do BEM, que, evidentemente, é o contrário do MAL. Mas o que é o MAL? Ele é causado pelo ateísmo nascido do pensamento materialista, e o Bem é o seu oposto: nasceu do teísmo. Esta é a Verdade. Entretanto, como a razão da Ciência consiste na negação do teísmo, que é a Verdade, quanto mais ela progride, mais aumenta o Mal; sendo assim, o progresso da cultura não passa de superficial. Dessa forma, reconhecemos os méritos da Ciência, mas não podemos deixar de levar em conta o Mal que ela produz. Sem perceber

isso, os homens enaltecem apenas os seus pontos positivos e, elaborando habilidosas teorias para ocultar-lhe os pontos negativos, subjugam as classes dirigentes e levam-nas a concluir que, soma Ciência, nada terá solução. Assim, acabaram por afastar-se da felicidade espiritual. Em seguida, analisemos o BELO, que também constitui um problema. De fato, acompanhando o desenvolvimento da cultura, os elementos representativos do Belo multiplicaram-se e, individualmente, estão em nível satisfatório, mas o povo não consegue usufruir deles. Somente uma parte a classe privilegiada - desfruta de boas roupas, boa alimentação e boas moradias, enquanto a classe popular mal consegue alimentar-se, não tendo condições para pensar no Belo. Talvez isso ocorra apenas no Japão, mas essas pessoas dispõem de alimento simplesmente para matar a fome; de casa, para dormir; de ruas, para passagem e condução, e onde têm de enfrentar os empurra-empurras. Da mesma forma, a sociedade não consegue gozar das belezas naturais, que são dádivas de Deus, tal como as montanhas, as águas, as plantas e as flores, nem das belezas artísticas criadas pelo homem. Assim, não obstante o grande desenvolvimento da civilização, uma vez que toda a humanidade não pode usufruir de tais dádivas, o mundo contemporâneo é realmente o paraíso dos ricos e o inferno dos pobres. A causa disso é a existência de uma grande falha em algum lugar da civilização; quando essa falha for corrigida e a felicidade desfrutada eqüitativamente, o mundo será de fato civilizado. Essa é a missão da Igreja Messiânica Mundial. Por tudo que aqui foi exposto, creio que puderam entender o verdadeiro significado da Verdade, do Bem e do Belo, mas o mais importante é o poder de concretizá-los. De nada adiantarão as palavras se elas constituírem apenas um lema pintado num quadro. Todavia, devemos alegrar-nos, pois este sonho tão almejado está para se tomar uma realidade em nosso planeta.

25 de setembro de 1953

A RESPEITO DO PARAÍSO TERRESTRE

Diariamente, através do rádio e dos jornais, tomamos conhecimento de que a sociedade está repleta de males. Numa visão a grosso modo, e excluindo a guerra, podemos enumerar a corrupção dos funcionários públicos, assassinatos, roubos, fraudes, suicídios, tuberculose e outras doenças contagiosas, falta de alimentos, crises habitacionais, dificuldades financeiras, opressão de impostos, etc. As coisas boas são tão

poucas quanto as estrelas do amanhecer

..

Então surge a dúvida: por que a

sociedade chegou até esse ponto? Realmente, pode ser que existam muitas causas, mas, em poucas palavras, diríamos que a situação é decorrente da decadência moral e também da acentuada decadência do nível do homem. E por isso que, ultimamente, os entendidos no assunto e os educadores começaram a interessar-se por essa questão. Outra causa que pode ser levantada é que,

após a Segunda Grande Guerra, o pensamento liberal passou dos limites. Parece que se discute a reforma e o incremento da educação, da moral e da educação cívica por não haver outra alternativa. Mas é interessante observar que, em tais ocasiões, o Japão nunca recorre á Religião, o que talvez possa ser explicado. As religiões antigas são fracas de; mais, e as novas, em sua maioria, são supersticiosas e falsas. E por isso que, como todos vêem ainda não se conseguiu achar um caminho que levasse á solução radical do problema. Eu, porém, elaborei um plano concreto, objetivando solucioná-lo de forma diferente. Para começar, baseei-me nas diversões populares. Naturalmente, em qualquer época, a grande massa popular necessita de diversões. Na sociedade atual, entretanto, as que existem são de baixíssima categoria. De fato, teatro, cinema, esporte, xadrez, dominó, etc., são diversões aceitáveis, mas acho que se fazem necessárias recreações de nível ainda mais elevado. E com esse objetivo que a nossa Igreja está construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, nas terras de Hakone e Atami. Como já escrevi várias vezes, aí será construído o paraíso ideal, onde se acham perfeitamente harmonizadas a beleza natural e a beleza criada pelo homem. Um projeto grandioso como esse, não creio que já tenha sido elaborado por alguém. Encantada com a atmosfera tão diferente do mundo a que está acostumada, qualquer pessoa, nesses locais, esquece-se de tudo e até pensa estar em cima das nuvens. Visto que isso acontece antes mesmo de termos concluído metade da obra, todos ficam maravilhados. O protótipo de Hakone já está próximo de sua conclusão, mas, como é uma obra de pequena escala, falarei a respeito do protótipo de Atami, em plena construção, atualmente. No jardim de cem mil metros quadrados, com altos e baixos, estão sendo plantados arbustos e árvores que dão flores, como ameixeiras, cerejeiras, azaléias, etc., mescladas com árvores que estão sempre verdes. Também está em fase de preparação a construção de um jardim com as mais diversas variedades de flores. Pela sua beleza encantadora na primavera e pela paisagem da Baía de Sagami, que se pode avistar ao longe, não seria exagero dizer que o protótipo de Atami é um enorme e ideal "Jardim do Éden". Como localização, este protótipo do Paraíso Terrestre está situado no melhor local de Atami. Além do mais, para acrescentarmos maior beleza ao lugar, construiremos um magnífico museu de belas-artes, cuja conclusão certamente fará com que o protótipo do Paraíso Terrestre de Atami se tome alvo da admiração não só de japoneses como de estrangeiros. Por conseguinte, qualquer pessoa que visite esse local purificará seu espírito maculado pelas condições do mundo, e sua alma, completamente árida, será regada na própria fonte. Assim revigorada, seu trabalho renderá mais e, naturalmente, seu caráter também se elevará. Por isso, a contribuição do protótipo do Paraíso Terrestre para o espírito das pessoas da sociedade será inestimável.

1° de janeiro de 1952

CONSIDERAÇÕES SOBRE O PARAÍSO TERRESTRE

Paraíso Terrestre a que costumamos nos referir é, em termos mais claros, o Mundo do Belo. Em relação ao homem, é a beleza dos sentimentos, o belo espiritual. Naturalmente, as palavras e atitudes do homem devem ser belas. Da expansão do belo individual nasceria o belo social, isto é, as relações pessoais se tomariam belas, assim como também as casas, as ruas, os meios de transporte e as praças públicas. Em grande escala, como é natural que a limpeza acompanhe o Belo, a política, a educação e as relações econômicas também se tomariam belas e limpas, da mesma forma que as relações diplomáticas entre os países. Pensando desse modo, podemos perceber o quanto a sociedade contemporânea está cheia de fealdade e maldade. Nas classes baixas, principalmente, o Belo é escasso demais, em virtude das péssimas condições financeiras, que causam a decadência do ensino e a precariedade dos estabelecimentos e instalações de atendimento ao público. Daí, conseqüentemente, nasce a intranqüilidade social. Agora, gostaria de falar em especial sobre a parte relativa às diversões. Nesse campo, o Belo precisa ser muito enriquecido, pois a consciência do Belo é o que de melhor existe para a elevação dos sentimentos humanos. Esse é um dos motivos pelos quais sempre incentivamos a Arte. Nem é preciso mencionar o quanto o baixo nível das artes, na época atual, está degradando a espiritualidade das pessoas. Como se vê, o fator essencial para a criação do Mundo do Belo é o poder econômico. Enquanto o povo for pobre, não poderemos sequer sonhar em concretizar esse mundo. Mas como fortalecer o poder econômico? Se todos os indivíduos trabalharem com total empenho visando a elevar o poder de produção, estarão fortalecendo-o. A condição básica para tanto é a saúde de cada indivíduo. E a saúde é o principal objetivo de nossa Igreja, o que se torna evidente pelo grande número de pessoas perfeitamente saudáveis que estamos conseguindo criar unicamente com o poder de purificação por nós manifestado. Portanto, devemos dizer que a Igreja Messiânica Mundial é a primeira religião à qual Deus atribuiu a qualificação para o estabelecimento do Mundo do Belo. Concretizá-lo, é questão de tempo. Para se certificarem dessa verdade, basta observarem atentamente a atuação de nossa Igreja daqui em diante.

A ARTE DE DEUS

3 de junho de 1950

Como

seres

contemporâneos,

é

chegada

a

hora

de

nos

conscientizarmos da época em que estamos vivendo. Vou explicar o que isso significa. A cultura material progrediu tanto que, através da invenção do rádio, da televisão e de outros meios de comunicação, podemos tomar ciência dos acontecimentos mundiais em poucos instantes. Se não

compreendermos a importância desse fato, não poderemos falar sobre a civilização atual. Nos Estados Unidos, começou-se a falar, há alguns anos, sobre a Nação Universal e Governo Universal. Tais expressões não estarão prenunciando, para um futuro próximo, o advento de um mundo ideal? Será, com efeito, um grande acontecimento. Quando raiar esse dia, naturalmente se escolherá um Presidente Mundial, e qualquer nação poderá apresentar seus candidatos. Entretanto, para o nascimento desse Novo Mundo, será necessário haver uma enorme revolução em todos os setores, especialmente no pensamento humano. Obviamente, todos os "ismos" serão varridos, e, ao mesmo tempo, haverá unificação dos pensamentos. Para melhor compreensão, darei um exemplo. Suponhamos que um exímio pintor pinte um grande quadro representando o mundo. Ele o expressaria com a máxima beleza, através de linhas e cores variadas, sem nenhum defeito, com Técnica Divina. Como não é difícil imaginar, os preparativos para a pintura desse quadro levariam vários milênios. As primeiras linhas seriam o mais importante, pois representariam as fronteiras dos países, e levariam muito tempo para serem traçadas. Em seguida, viria a escolha das cores: vermelho, azul, amarelo, branco, violeta, enfim, uma variedade delas. A título de experiência, tentemos aplicar isso aos diferentes povos e países. Quero, porém, alertar-lhes que se trata apenas de uma suposição. Cada país desempenharia uma função de acordo com a peculiaridade de sua cor. Desenhadas as linhas e usadas habilmente as cores, estaria pronto o quadro do mundo. E que mais poderia ser este quadro senão a Grande Arte de Deus Todo-Poderoso? Até hoje, entretanto, considerando a cor de seu país a melhor de todas, os homens quiseram pintar o quadro somente com essa cor, razão pela qual não foi possível obterem êxito. Naturalmente, outro fator que eles não levaram em conta foi o tempo. A derrota sofrida pelo Japão e pela Alemanha na última guerra ilustra muito bem o que estamos dizendo. Por analogia, os "ismos" ou ideologias podem ser comparados às tintas fabricadas por cada país. Conseqüentemente, uma nação não pode tentar pintar além da sua linha limite, porque isso provoca atritos com as outras, cujos objetivos são os mesmos. Como esses atritos constituem um estorvo para o quadro do mundo, elaborado por Deus com base no amor a humanidade, obtém-se apenas um sucesso temporário. Vejamos. A maioria dos heróis que apareceram desde os tempos antigos, acabaram sendo derrotados por terem cometido o erro de criar obstáculos para a Arte de Deus. Baseadas nesse fato, as potências mundiais, ao invés de tentarem pintar os outros países com a sua cor, devem se esforçar para tornar mais viva e mais bela a cor de cada país. Se adotarem essa política, estarão concordes com a Vontade Divina, e assim se concretizará o Mundo Ideal.

Estes são os motivos pelos quais é necessário pensar na Religião. Entretanto, na forma como vêm sendo praticadas até hoje, cada uma

querendo pintar a outra com a sua cor, as religiões deixam de acompanhar a marcha do tempo, ficando em desacordo com o Plano de Deus. Por isso, precisamos entender a Vontade Divina que está por trás do progresso da civilização e, dando-nos as mãos, fazer de todas as religiões uma só força, para a construção do mundo Ideal que está prestes a surgir. 20 de dezembro de 1949

RELIGIÃO E ARTE

O conceito atual de que Religião está desligada da Arte parece-me um grande equívoco. Enobrecer os sentimentos do homem e enriquecer- lhe a vida, proporcionando-lhe alegria e sentido, é a missão da Arte. Os entendidos no assunto sentem indizível prazer em apreciar as flores, na primavera, e as paisagens campestres ou marítimas. Não é exagero dizer que o Paraíso Terrestre, que temos por ideal, é o Mundo da Arte, o qual não é outro senão o mundo da Verdade, do Bem e do Belo, a que costumo me referir. A Arte é a representação do Belo. Mas por que será que ela foi negligenciada até os nossos dias? Monges antigos e famosos demonstraram notável generalidade no campo artístico, esculpindo e construindo templos. Entre esses artistas religiosos, sobressaiu o príncipe Shotoku. Dificilmente se pode crer, dizem todos, que a magnificência arquitetônica do Templo Horyuji, de Nara - obra-prima do príncipe - e as pinturas e esculturas que adornam o seu interior; tenham sido criadas há mais de mil e trezentos anos. Por outro lado, como houve muitos monges que divulgaram doutrinas adotando a simplicidade e o ascetismo, certamente nasceu o conceito de que não há nenhuma relação entre a Arte e a Religião. Aqui impera a Verdade e o Bem, mas falta o Belo. Pelas razões expostas, pretendo fazer uma grande divulgação da

Arte.

25 de janeiro de 1949

RELIGIÃO E ARTE

Sempre dizemos que o objetivo de Deus é construir o Paraíso Terrestre. Ora, se o Paraíso Terrestre é um mundo sem conflitos, um mundo de eterna paz e absoluta Verdade, Bem e Belo, a Arte terá um desenvolvimento extraordinário. Segundo diz um antigo ditado, a Religião e a mãe da Arte; é óbvio, portanto, que ambas estão profundamente relacionadas. Todavia, é interessante notar que, entre os fundadores das inúmeras religiões que surgiram até hoje, foram poucos os que demonstraram interesse artístico. Dos religiosos que se destacaram nesse campo, podemos citar: no Ocidente, o pintor Leonardo da Vinci e os compositores Bach e Hendel; no Japão, a arte budista do príncipe Shotoku, Gyoki, as esculturas de Kukai,

etc.; na China, durante a Era So-Guem, e no Japão, durante a Era Tempyo, as pinturas de alguns bonzos. Vou explicar a causa do desinteresse dos religiosos pela Arte. Como o mundo se achasse completamente mergulhado na Era da Noite e a Era da Luz estivesse longe demais, não havia necessidade de preparativos para a concretização do Paraíso Terrestre. Em outras palavras, estava-se na época infernal. Encontrando-se em condição in- fernal e não em situação celestial, os fundadores de religiões, para difundir seus ensinamentos, tiveram de percorrer caminhos espinhosos e passar por enormes sofrimentos. Sendo assim, não havia motivo para se falar em Paraíso ou Arte, e até podemos dizer que nenhum deles afirmou que iria construir o Paraíso Terrestre. Contudo, houve profecias sobre o advento de um mundo ideal, embora não se esclarecesse quando. Entre elas, podemos citar o "Mundo de Miroku", anunciado por Buda; o "Reino dos Céus", profetizado por Cristo; a "Agricultura Justa", de Nitiren; o "Pavilhão da Doçura", do fundador da Igreja Tenri-kyo, e o "Mundo dos Pinheiros", do fundador da Igreja Oomoto-Kyo. Foi-nos revelado, porém, que finalmente o tempo é chegado. Como o Paraíso está prestes a nascer, queremos anunciar o seu advento para toda a humanidade. Naturalmente, seria impossível imaginar que um projeto tão grandioso - que poderíamos considerar um sonho pudesse ser concretizado com a força humana; entretanto, como se trata do Plano de Deus, Todo-Poderoso, não resta a menor dúvida que ele se tomará realidade. Atualmente, Deus está manifestando inúmeros milagres para demonstrar Sua Força e, dessa maneira, infundir-nos uma sólida fé. Poderão compreender isso ao ver que todos os messiânicos, experimentando tais milagres, vão adquirindo uma fé inabalável. Visando à concretização do Plano Divino, a Igreja Messiânica Mundial não mede esforços para promover a Arte. E é para iniciar essa promoção que estamos construindo os protótipos do Paraíso Terrestre de Hakone e Atami, em locais de magnífica paisagem. Se as pessoas não estiverem conscientes desses pontos, não conseguirão entender o ver- dadeiro significado do nascimento de nossa Igreja. Em resumo, as religiões existentes até hoje tiveram a missão de preparar os alicerces para a construção do Paraíso Terrestre, e a missão da Igreja Messiânica Mundial é concretizá-la.

RELIGIÃO ARTÍSTICA

6 de maio de 1950

Sempre se pensou que não há muita relação entre Arte e Religião. Entretanto, no Japão, as manifestações artísticas tiveram início com a arte budista, não obstante se limitassem a simples quadros, estátuas, tecelagem, etc. No que se refere á música, existiam instrumentos tais como "sho" (11), "hitiriki" (12), "mokugyo" (13) e "dora" (14) e os sons emitidos na leitura dos sutras budistas. Por isso, podemos dizer que se tratava de uma arte primitiva.

Mais tarde, estimulada pela introdução das artes chinesa e coreana no país, a arte japonesa passou por um período de imitações, até que conseguiu criar um estilo próprio. Atualmente, com a importação da cultura ocidental, também foi introduzida a arte do Ocidente. Princi- palmente após a Era Meiji (1868-1912), afluíram, com grande intensidade, as artes dos Estados Unidos e da Europa. Em conseqüência, no panorama artístico japonês da época atual, encontram-se as melhores obras de todo o mundo, as quais estão sendo absorvidas e assimiladas, de modo que, aos poucos, vai se criando uma arte universal. Por isso, talvez possamos afirmar que o Japão é um centro cultural. Não existe, ou melhor; nunca existiu uma religião que desse tanta importância à Arte quanto a Igreja Messiânica Mundial. Isto porque o Paraíso Terrestre nosso objetivo último - é o Mundo da Arte Obviamente, se ele é um mundo isento de doença, pobreza e conflito, isto é, o mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo, o homem seguirá a Verdade, amará o Bem e odiará o Mal; assim, todas as coisas se tornarão belas. Nesse sentido, a Arte não será apenas um deleite indispensável; ela constituirá a própria vida e se desenvolverá intensamente. Ou seja, o Paraíso Terrestre será o Mundo da Arte. Eis o motivo pelo qual tenho grande interesse por ela e pretendo incentivá-la bastante, no futuro. Como primeiro passo, estou construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, em Atami; quando ele estiver concluído, atrairá ainda mais a atenção da sociedade, recebendo muitos elogios. Infalivelmente, merecerá consideração a nível mundial. Portanto, estamos dando prosseguimento aos planos sob essa diretriz. 6 de junho de 1951

CIÊNCIA E ARTE

O mundo contemporâneo pensa que tudo pode ser resolvido pela Ciência. Entretanto, embora quase ninguém chegue a perceber, existem diversas coisas importantes que a Ciência não consegue resolver. Analisemos a Arte, por exemplo. A pintura e as mais diversas expressões artísticas, como a literatura, a música, o cinema e até o teatro, possuem algum teor científico, mas não é preciso dizer que estão quase totalmente fundamentadas no conjunto da generalidade, inteligência, consciência e esforço do homem. Todos sabem o quanto a Arte é necessária para a sociedade humana. Se ela não existisse, a vida seria seca e sem sabor, como se estivéssemos dentro de uma cela de pedra. Exemplifiquemos: sempre que caminho pela cidade, sinto que, se não houvesse lojas, residências e prédios ao redor; e eu não pudesse ver o verde das árvores da rua ou dos jardins das casas, mas apenas uma parede semelhante à de um presídio de uma só cor sombria, prolongada em linha reta, talvez eu não suportaria andar sequer alguns quarteirões. Assim, a bela visão proporcionada pelo rico colorido das casas, pelas diferentes feições e expressões das pessoas, com sua maneira característica de se vestir e de andar - a exuberância dos jovens exibindo a

moda; as pessoas de idade, os recém-chegados do interior - enfim, os infinitos aspectos que encontramos, cada um com algo de interessante, é que nos permitem andar pela rua sem entediar-nos. Quando nos distanciamos da cidade, dentro de um ônibus ou de um trem, não ficamos cansados porque a paisagem variada - montanhas, rios, plantas, árvores e plantações - nos faz passar o tempo. Além do mais, as diversas transformações ocasionadas pelo clima das estações enriquecem o nosso sentimento. O mundo é realmente, uma arte criada pela Natureza e pela mão do homem. E por isso que vale a pena viver Pensando dessa forma, poderão concluir que até a Ciência é uma parte da Arte e entender, portanto, que ela tem uma função auxiliar. Assim, é por demais evidente que há uma ligação inseparável da Arte com a vida do homem. Ante essa evidência, a Igreja Messiânica Mundial interessa-se pela Arte e estimula-a como nenhuma religião o fez até agora. Entretanto, até mesmo na Arte existem níveis. Se ela é de nível inferior, corre o perigo de abaixar o nível das pessoas, levando-as á degradação, motivo pelo qual é preciso muita cautela. Por isso, a Arte deve ser de nível elevado - uma arte que, deleitando a pessoa, eleve o seu sentimento. A teoria é fácil, mas existirão organizações que se encarreguem disso? Quanto ao exterior, nada posso afirmar; porém, todos sabem que, nesse ponto, a situação do Japão é muito precária. Para corrigir essa falha, nossa Igreja está efetuando a construção do protótipo do Paraíso Terres- tre, do qual faz parte o Museu de Belas-Artes. Há um sábio e antigo ditado que diz: "A Religião é a mãe da Arte". Ele exprime muito bem a atividade de construção que estamos desenvolvendo.

A MISSÃO DA ARTE

30 de abril de 1952

Cada coisa existente no Universo possui uma utilidade específica para a sociedade humana, ou seja, uma missão atribuída pelos Céus. Naturalmente, a Arte não constitui exceção. Portanto, uma vez que o artista é um membro da organização social, ele deve conscientizar-se de sua missão e exercê-la plenamente, pois essa é a Verdadeira Arte e também a responsabilidade que lhe cabe. Entretanto, quando observo os artistas da atualidade, não posso deixar de ficar decepcionado com as atitudes inconseqüentes da maioria. E claro que existem artistas excelentes, mas a maior pane se esquece da sua responsabilidade, ou melhor, não tem nenhuma consciência dela. Além do mais, eles constituem um problema, pois, tendo-se como criaturas superiores, fazem o que bem entendem sem a menor vergonha. Acham que, agindo de acordo com sua própria vontade, estão manifestando sua personalidade e seu caráter de gênio. A sociedade, por sua vez, os superestima, considerando-os pessoas especiais, e aprova quase tudo que eles fazem. Por isso, sua mania de grandeza torna-se ainda maior. E

preciso, todavia, que o caráter dos artistas seja muito mais elevado que o das pessoas comuns. Explicarei isto com base na Religião. Inegavelmente, nos primórdios da sua história, há dúvida de que, após a era selvagem, ela veio progredindo gradativamente, construindo-se, pouco a pouco, a civilização ideal. Neste sentido, o progresso da civilização consiste na eliminação do caráter animal do homem. Alcançar esse nível é alcançar a Verdadeira Civilização. Ainda hoje, porém, a maioria das pessoas está sujeita ao terror da guerra, prova de que persiste no homem uma grande parcela de características animais. Assim, cabe ao artista uma grande missão: ele é um dos encarregados da eliminação de tais características. Toma-se necessário, portanto, elevar o caráter do homem por meio da Arte. Naturalmente, esse objetivo será alcançado através da literatura, da pintura, da música, do teatro, do cinema e de outras artes. O espírito dos artistas, comunicando-se por esses veículos, influenciará o espírito do povo. Falando mais claro, as vibrações espirituais emitidas pela alma do artista tocarão a sensibilidade das pessoas através das obras literárias, da pintura, dos instrumentos musicais, dos cantos, das danças, etc. Em outras palavras:

Haverá uma sólida ligação entre o espírito do artista e o espírito de quem apreciar suas obras. Se o caráter daquele for baixo, o das pessoas também se degradará; obviamente, se for um caráter elevado, terá o efeito contrario. Eis a importância da Arte. O artista deve funcionar como orientador espiritual do povo. Neste sentido, não seria exagero afirmar que uma parte da responsabilidade do aumento do mal social cabe aos artistas. Vejamos: erotismo cada vez mais vulgar, literatura cada vez mais grotesca, quadros cada vez mais monstruosos; as opiniões dos artistas, assim como também a música, o teatro e o cinema, cada vez piores. Se analisarem minuciosamente tais fatos, certamente compreenderão que a minha tese não é errada.

15 de outubro de 1949

PARAÍSO - MUNDO DA ARTE

Costumo dizer que o Paraíso é o Mundo da Arte, mas isso não deixa de ser um conceito bastante resumido. Naturalmente, o aperfeiçoamento da Arte é desejável, seja a pintura, a escultura, a música, as artes cênicas, a dança, a literatura, a arquitetura, etc., entretanto, para se poder falar em Paraíso, é preciso que todas as artes estejam reunidas, ou melhor, que tudo seja artístico. Segundo o meu princípio, a solução dos sofrimentos pela Graça Divina não é outra coisa senão a magnífica Arte da Vida, isto porque a Arte, na sua essência, deve satisfazer as condições da Verdade, do Bem e do Belo.

Em

primeiro

lugar,

no

sofredor

não há, fundamentalmente,

Verdade. O homem deve ser sadio por natureza. Quando ele perde a

saúde espiritual ou material, significa que deixou de ser o que em:

Verdade. Tomemos por exemplo uma jarra: se ela apresentar um defeito, perderá sua utilidade. Como objeto, nela não há Verdade se deixar vazar água, se cair quando a colocarmos em pé, ou quebrar-se quando tentarmos usá-la. Para que a jarra possa ser utilizada, é preciso consertá- la. O mesmo acontece com os homens. Se uma pessoa, por motivo de doença não puder cumprir as missões para as quais foi criada, tomar-se-á inútil para a sociedade. Deverá, pois, submeter-se à reforma que vem a ser o Johrei da nossa Igreja, prece a Deus em favor de quem sofre. A seguir, consideremos o Bem. Se não houver, no homem, nenhuma parcela de Bem e ele praticar somente o mal, também deixará de ser um homem verdadeiro: será um animal. Tal espécie de homem prejudicaria a coletividade em que vive, e precisaríamos, ao invés de condená-lo, evitar sua existência. Mas isso compete a Deus, que possui o direito sobre a vida e a morte. Inúmeras pessoas tornam-se vitimas do fracasso, da doença e da pobreza; algumas chegam até a perder a vida. Elas estão sendo julgadas por Deus. Entretanto, embora se fale no mal de forma genérica, existe aquele que é praticado conscientemente e aquele que é praticado inconscientemente. O sofrimento varia de acordo com essa diferença. A justiça é perfeita. Dispenso maiores explanações sobre o Belo, por ser assunto do domínio de todos; mas, como temos dito, a condição fundamental para transformar este mundo em paraíso está na concretização da Verdade, do Bem e do Belo. Assim, tanto a eliminação das máculas causadoras das do- enças, como a reformulação dos métodos agrícolas, são, logicamente, artes. A primeira é a Arte da Vida, e a segunda, a Arte da Agricultura. Acrescentemos, ainda, a construção do protótipo do Paraíso Terrestre, que é a Arte do Belo. Com a junção das três, construiremos o Mundo, da Luz, consubstanciado na trindade Verdade-Bem-Belo. E o Paraíso Terrestre, ou a concretização do Mundo de Miroku.

4 de outubro de 1950

O PARAÍSO É O MUNDO DO BELO

Os fiéis da nossa Igreja estão bem cientes de que o objetivo de Deus é a construção do mundo ideal, de perfeita Verdade, Bem e Belo. Sendo assim, o objetivo de Satanás, Seu antagonista, é obviamente a Falsidade, o Mal e a Fealdade. Falsidade e Mal não necessitam de explicações; portanto, falarei a respeito da Fealdade. Neste mundo, existem coisas erradas. Há casos, por exemplo, em que a Fealdade se associa à Verdade e ao Bem. Ao ver tais fatos, muitas vezes as pessoas fazem deles alvo de admiração e respeito. Em termos mais claros, desde tempos remotos, não são poucas as pessoas que, comendo e vestindo-se precariamente, morando em cabanas, enfim, viven- do uma vida miserável, realizam práticas virtuosas para o bem do próximo e da sociedade. Realmente, se suas condições de vida fossem

desfavoráveis, isso seria inevitável para elas poderem sobreviver, mas algumas, mesmo tendo condições para viverem de modo diferente, escolhem espontaneamente tal forma de vida, o que acredito não ser dese- jável. Entre elas, encontram-se muitos religiosos que escolhem uma vida de abstinência como meio de aprimoramento, achando ser um meio excelente. Quem vê isso, considera-os pessoas sublimes. Mas, para falar a verdade, esse pensamento não é correto, pois se negligencia um fator importantíssimo, que é o Belo; ou seja, temos Verdade, Bem e Fealdade. Neste sentido, desde que não ultrapassem as condições adequadas a cada indivíduo, as vestes, a alimentação e a moradia do homem devem ser utilizadas da maneira mais bela possível, porque isso está de acordo com a Vontade Divina. Além do mais, o Belo não é simplesmente uma satisfação individual, mas também o que causa uma sensação agradável aos outros; assim, podemos dizer que é uma espécie de boa ação. Na verdade, quanto mais alto grau de civilização a sociedade alcançar, tudo deverá se tomar mais belo. Pensem bem. Na vida dos selvagens não existe quase nenhuma beleza. Por isso, também podemos dizer que o progresso da civilização é, em parte, o progresso do Belo. Naturalmente a nível individual, os homens também devem procurar manter uma beleza adequada, para causar boa impressão às demais pessoas; sobretudo as mulheres, devem procurar mostrar-se ainda mais belas. Talvez não seja da minha conta falar-lhes semelhantes coisas, mas é a pura verdade: dentro de casa, deve-se sempre ter o cuidado de não deixar teias de aranha no teto, de conservar o assoalho tão limpo que não haja nem um cisco, de amimar logo os objetos desagradáveis á vista e deixar os utensílios bem organizados. Assim, tanto os moradores da casa como as visitas sentir-se-ão bem, o sentimento de respeito nascerá naturalmente, e o conceito do chefe da casa também se elevará. Devemos, ainda, cuidar do aspecto externo das residências. Mas não é preciso gastar dinheiro para isso; se procurarmos conservar nossa casa sempre limpa e em bom estado exteriormente, não só causaremos uma boa impressão às pessoas que passam pela sua frente, como também contribuiremos para influenciar positivamente o plano de turismo nacional. A esse respeito, existe um comentário sobre a Suíça, o qual, em pane, talvez se justifique pelo tamanho do país. De qualquer forma, dizem que, lá, tanto as ruas como as praças públicas são sempre conservadas limpas e por isso a sensação que se tem é realmente a melhor possível. Este é um dos motivos pelos quais o país recebe tantos turistas; portanto, poderíamos tê- lo como exemplo a ser imitado. As razões expostas mostram que nós, japoneses, também precisamos cultivar o senso do Belo. Através disso, exerceremos boa influência sobre os indivíduos e, em grande escala, muito mais do que pensamos, sobre a sociedade e a nação. E mais ainda; através desse ambiente belo, os sentimentos dos cidadãos também se tomarão belos, e os crimes e os acontecimentos desagradáveis diminuirão, o que, conseqüentemente, se tomará um dos fatores determinantes do Paraíso Terrestre.

Finalizando, escreverei a meu respeito. Desde jovem eu gostava de tudo que dissesse respeito ao Belo. Embora fosse muito pobre, cultivava flores em espaços vazios e, quando dispunha de tempo, pintava quadros. Sempre que me era possível, visitava museus e exposições. Na primavera, apreciava as flores, e no outono, o bordo. Agora, pela graça de Deus, minha vida se tomou mais afortunada, e, além de apreciar o Belo como desejo, isso constitui uma ajuda para a realização das atividades da Obra Divina. Entretanto, para terceiros, que desconhecem esse fato, minha vida parece exageradamente luxuosa, o que é inevitável. Desde tempos antigos, como sempre digo, os fundadores de religiões faziam a divulgação das doutrinas levando uma vida paupérrima e realizando penitencias. Comparando-me com eles, talvez todos achem minhas atitudes um tanto estranhas, pela grande diferença observada. Na verdade, aqueles religiosos estavam na Era da Noite, e até mesmo a Religião era divulgada por meios infernais. Chegou, porém, a Época de Transição e, atualmente, quando o mundo está para se tomar Dia, a salvação é efetuada num estado paradisíaco, de modo que é necessário refletir profundamente sobre esse ponto.

11 de julho de 1951

OBRAS-PRIMAS DA ARTE AO ALCANCE DO POVO

Vou explicar o significado fundamental da construção do Museu de Belas-Artes de Hakone. Como sempre digo, o objetivo da nossa Igreja é construir um mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo. Para expressar este último, construí uma obra de arte inédita, unindo a beleza natural á beleza criada pelo homem. Que pretendo atingir com isso? Embora o Japão, desde um passado bem remoto, sempre tivesse possuído grande número de magníficas obras de arte, que nunca deixaram nada a desejar em relação ás de qualquer outro país, até hoje elas estavam nas mãos da classe dominante, bem guardadas nos seus palácios. Só de vez em quando essas obras eram expostas e, assim mesmo, a um limitado número de pessoas. Portanto, em termos mais cla- ros, vigorava, até algum tempo atrás, o monopólio das belas-artes, produto do pensamento feudalista dos japoneses. Já há muito tempo eu vinha me rebelando contra esse mau costume. Pensava modificá-lo de alguma forma, colocando as belas-artes ao alcance de todos. Enfim, queria libertá-las e, com elas, deleitar o povo. Acreditava que, dessa maneira, também daria um novo sopro â vida da Arte. Como sou líder religioso e, conseqüentemente, pude contar com a dedicação dos fiéis, o Museu de Belas-Artes foi concluído em curto espaço de tempo. Vendo concretizada uma aspiração de longos anos, estou imensamente feliz. Atualmente, existem museus de Arte particulares, mas o objetivo destes é muito diferente do meu. São museus organizados por milionários, com os inúmeros objetos que eles colecionaram para preservação e

segurança de seu futuro. Esses milionários dispendem grande soma de dinheiro para satisfazer seus próprios "hobbies", proteger sua fortuna, receber honrarias, etc. Entretanto, como existe uma lei regulamentando que, num determinado número de dias do ano, as peças dos museus particulares devem ser expostas ao público, esses museus abrem suas portas durante um curto período, na primavera e no outono, apenas para cumprirem a exigência da lei. Por isso, devemos dizer que seu significado social ainda é muito limitado. Em contraposição, o nosso Museu de Belas-Artes fecha somente durante os três meses de inverno - dezembro, janeiro e fevereiro devido ao clima impróprio de Hakone. No restante do ano, ele está aberto, podendo ser visitado quando se desejar. Assim, também nesse aspecto podemos dizer que ele é um museu ideal. Além disso, os objetos nele expostos são tão famosos e raros, que as pessoas interessadas em Arte desejam admirá-los pelo menos uma vez. Imagino, pois, quão grande seja sua satisfação. Acrescente-se que o preço do ingresso é bem acessível; dessa forma, estamos contribuindo grandemente para o bem da sociedade. Outro aspecto positivo é que, quando os artistas da atualidade queriam ver um objeto de arte como ponto de referência para os seus estudos, não encontravam um museu de arte japonesa no verdadeiro sentido da palavra. Como todos sabem, os museus históricos possuem grande número de objetos históricos e arqueológicos, mas trata-se, princi- palmente, de arte budista, ao passo que outros, como os particulares, por exemplo, expõem sobretudo arte chinesa e ocidental. Assim, poderemos contribuir para a preservação dos valiosos patrimônios culturais que tendem a se dispersar facilmente. Outro dia, em visita ao museu, o Sr. Assano, diretor do Museu Nacional do Japão, e o Sr. Fujikawa, chefe do Departamento do Conselho de Desenvolvimento do Patrimônio Histórico e Artístico Japonês, disseram que esse tipo de museu preenche as condições de que a nação mais necessita atualmente, razão pela qual eles nos manifestavam seu irrestrito apoio e o desejo de que alcançássemos um êxito cada vez maior. Isso veio firmar mais ainda a minha convicção. Por fim, quero dizer em especial que, no futuro, virão turistas ao Japão, uns após outros e, como não existem turistas que não passem por Hakone, sem dúvida eles visitarão o nosso Museu de Belas-Artes. Também nesse aspecto ele será de grande utilidade, contribuindo para que os visitantes se conscientizem do elevado nível da cultura japonesa. A pro- pósito, estrangeiros de grande influência tal como o Professor Langdon Warner(1 881-1955) nos solicitaram permissão para visitar o museu, de modo que, um dia, ele também será conhecido no exterior; creio mesmo não estar muito longe o tempo em que se tomará urna das atrações do Japão. No desejo de corresponder a essa expectativa, estou me esforçando ao máximo para o aperfeiçoamento de todos os seus detalhes. 6 de agosto de 1952

CARACTERÍSTICAS PARTICULARES DA CIVILIZAÇÃO JAPONESA

Tenho muito a dizer sobre as características peculiares do Japão e do seu povo. Se os japoneses tivessem profunda compreensão a esse respeito, jamais precisariam ter experimentado o amargo destino de povo vencido na guerra, nem ter visto seu pais em ruínas. Existe uma expressão que nos aconselha a conhecermos bem a nós mesmos, mas é necessário estender esse pensamento aos limites do conhecimento de nossa pátria. Na época do isolacionismo (séc. XVII(197)séc. XIX), ainda seria admissível os japoneses desconhecerem seu próprio pais; atualmente, porém, quando tudo se processa em âmbito mundial e internacional, é de vital importância conhecermos profundamente o país em que nascemos. Em termos de Japão, esse conhecimento consiste em estarmos perfeitamente cientes da missão que ele deve, cumprir E evidente que, se não compreendermos o motivo da existência do Japão, não poderão ser consolidadas as grandiosas metas nacionais. Para melhor entendimento, basta lembrar a situação do país até o fim da Segunda Guerra Mundial. Havia uma classe militar dominante, chamada "Gumbatsu", que era detentora de poderes absolutos. Escolhida por um pequeno número de pessoas, governava o pais como bem entendia. Por isso, no que se relacionava aos governantes, o povo não tinha direito ao uso da palavra, acomodando-se à condição de serviçais. Esta situação ain- da está bem gravada em nossas mentes. A partir da Era Meiji (1868-1911), instituiu-se a Constituição e foi criado o Sistema Representativo. Com isso, embora desse a impressão de que se estavam respeitando as idéias do povo, na verdade a política encontrava-se nas mãos de uma minoria, que acabou por fazer aquela terrível guerra. Foi a mesma coisa que vender gato por lebre. Vamos refletir sobre a história do Japão. Desde a remota época do imperador Jinmu, este país não teve um período sequer de paz, sendo contínuas as guerras internas. A política sempre esteve totalmente dominada pelo, regime de força. Disfarçados sob o belo nome "Código de Ética do Samurai", bárbaros assassinos recebiam condecorações heróicas. O vencedor das guerras assumia a hegemonia desse tempo. Até o fim da Segunda Guerra Mundial o Japão veio sendo arrastado sob esse regime de brutalidade, só interrompido após o grande choque da derrota. Se os japoneses não se conscientizarem profundamente do significado de tudo isso, será impossível surgir uma verdadeira política nacional, digna de uma nação pacífica. Para tanto, o mais importante é uma nova conscientização do país. Em verdade, o Japão deveria. ser o oposto da nação violenta e despótica a que costumamos nos referir; assim, é preciso que ele se tome uma nação pacífica e artística. Esta é a missão que Deus lhe concedeu. Fala-se muito sobre a reconstrução do país, mas isso por si só não tem grande significação. Se analisarmos com imparcialidade, veremos que não passamos de uma nação democrática sem preparo bélico, o que,

naturalmente, constitui motivo de alegria. Entretanto, o Japão precisa com- preender sua missão peculiar em relação ao mundo e empenhar-se pelo bem-estar de todos os povos: eis o verdadeiro papel do Novo Japão. Vou enumerar algumas das razões que me levam a fazer essa afirmativa. Em primeiro lugar, as maravilhosas paisagens da terra japonesa. No mundo, talvez não haja outras que se lhe comparem; estamos sempre ouvindo elogios por parte daqueles que nos visitam. No que se refere ao tempo, as estações do ano são bem definidas, o que é muito significativo. Há uma contínua renovação dos aspectos da Natureza: as montanhas, os rios, a grama, as árvores, etc. Isso está bem claro nas palavras do famoso poeta Kyoshi Takahama, que, após ter viajado pelo mundo inteiro, disse o seguinte: "Não existe país onde as estações sejam tão bem definidas como no Japão. O haicai (15) canta as estações do ano, de modo que, em outros países, não é possível compor um haicai autêntico". Além disso, ouve-se dizer que a nossa riqueza em variedade de grama, árvores, flores, folhas, frutos e produtos do mar é realmente incomparável. Outra característica marcante do povo japonês é a habilidade manual, o que justifica o seu pendor artístico. A prova disso é o número elevado de magníficas obras de arte criadas no Japão, não obstante o seu passado de constantes guerras internas. Ainda hoje nos surpreendemos com essa técnica e dom admiráveis. Com tudo que foi explicado, creio que se pode entender a missão do Japão e do seu povo. Em resumo, é preciso transformar todo o território japonês no Jardim do Mundo e empreender contínuos esforços no sentido de promover a Arte, até que ela atinja o seu mais elevado nível. Ou melhor, deve-se estabelecer uma política nacional baseada no turismo, na Arte e no artesanato, empregando todo o empenho na sua concretização. Como resultado, é natural que isso contribuirá para a elevação do pensamento de toda a humanidade, proporcionando, também, um nível mais alto de recreação e distração. Em poucas palavras, é importante fazer do Japão um país de elevadíssimo nível artístico e cultural. Podemos afirmar que nunca se temeu tanto a guerra e se desejou tão ardentemente a paz como na época atual. A causa da guerra, como sempre dizemos, é substituir nos homens uma forte disposição para a luta. Logicamente, essa disposição tem origem no pensamento selvagem, o que significa dizer que, embora os homens se considerem civilizados, na realidade ainda lhes falta muito para se despojarem da selvageria. O meio para solucionar o problema é fazer com que a humanidade mude o objetivo pelo qual está vivendo. A meta dessa mudança deve ser a Arte, isto é, deve-se transformar o mundo infernal, repleto de lutas, num mundo paradisíaco, repleto de Arte. Através da ameaça armada, podemos obter uma paz momentânea, mas a paz duradoura só poderá ser conseguida pela renovação do pensamento. Essa renovação, eu afirmo, só se efetivará por meio da Religião e da Arte.

Não falemos, portanto, em reconstrução do Japão, e sim na construção de um Novo Japão. Para que isso possa se tornar realidade, só há um meio: transformá-lo numa nação artística. 1° de janeiro de 1950

O JAPÃO É O PAÍS DO ESPÍRITO

O Japão é o pais que representa o espírito; os outros países representam a matéria. Este assunto não é muito conhecido, por isso vou focalizá-lo, expondo alguns pontos que fundamentam minhas palavras. Em primeiro lugar, falarei sobre as construções. No Japão, predominam as de madeira ("1(1"); no exterior, as de pedras naturais, Concreto ou tijolos. Quanto aos instrumentos musicais, temos o "koto", o "shamissen" e a flauta, feitos geralmente de madeira e bambu; já nos demais países, os instrumentos musicais costumam ser de metal. Além disso, a voz dos japoneses lembra a voz dos pássaros, ao passo que a dos estrangeiros assemelha-se à voz de outros animais. Nas casas japonesas tradicionais, anda-se e dorme-se sobre esteiras feitas de plantas; nas casas estrangeiras, anda-se, geralmente, sobre pedras, cimento ou tapetes confeccionados com peles de animais. Dizem que o Japão é o país do pneuma (16). Ora, pneuma é espírito. Os outros países, como dissemos, são o corpo, isto é, a matéria ("tai"). "Ki" ainda significa fogo, positivo, por isso é masculino, enquanto "tai" também significa água, negativo, e por isso é feminino. Antigamente, os, homens eram prepotentes e as mulheres eram passivas. E uma observação curiosa, mas a comida típica dos japoneses, o arroz, tem o formato do órgão genital masculino, e o trigo dos estrangeiros tem o formato do órgão genital feminino. Muitas outras razões poderiam ser apontadas para fundamentar a afirmação que fizemos inicialmente, mas acho que estas são suficientes. A medida, porem, que o Paraíso vai se estabelecendo, o Oriente e o Ocidente irão se aproximando, e o vertical e o horizontal se cruzarão, formando o "Izunomê". Compreendendo isso e observando o mundo atual sob esse prisma, tudo se torna muito claro. O Japão começou a assimilar com grande intensidade a cultura norte-americana, materialista; mais recentemente, a cultura japonesa também começou a ser admitida nos Estados Unidos. Isso significa a fusão das culturas oriental e ocidental. Os homens podem não perceber, mas o Plano de Deus está avançando passo a passo.

8 de abril de 1953

A RESPEITO DO JARDIM DA TERRA DIVINA

O Jardim Sagrado que estou construindo há cinco anos, em Gora, na cidade de Hakone, só está cerca de oitenta por cento pronto. Mesmo assim, comparado aos famosos jardins existentes em todo o Japão, desde

os tempos antigos, não deixa nada a desejar. Talvez soe como auto-elogio, mas há uma grande diferença de nível entre este jardim e os demais. E claro que existem muitos jardins maravilhosos, cada um com suas características; porém, seja ele qual for, não possui aspectos tão relevantes quanto o de Hakone. A Terra Divina, como podemos ver, é totalmente diferente de outros locais. Possui tal abundância de pedras e rochas naturais, que chega a espantar. Estou dispondo-as conforme a Orientação Divina, não me submetendo às tradicionais formalidades relativas a jardins Não me baseio em modelos; estou construindo este jardim num estilo totalmente novo. Até no que diz respeito às árvores, juntei várias espécies, combinando-as bem, para que possam estar em harmonia com as pedras e rochas. As cascatas e correntes d'água foram aproveitadas para expressarem, ao máximo, o sabor da natureza. Assim, somando a beleza das montanhas e das águas com a beleza dos jardins, tentei expressar o que há de melhor e mais elevado na arte natural. Meu objetivo é fazer aflorar, através dos olhos da pessoa que vê esse quadro, o sentimento do belo latente nos seres humanos, elevar seu caráter e eliminar as impurezas de seu espírito. Por esse motivo, tanto as pedras como as árvores e plantas foram selecionadas e combinadas cuidadosamente, colocando-se amor em cada uma delas. E como se fôssemos pintar um quadro utilizando materiais "in natura". Gostaria, portanto, que o admirassem com esse espírito.

Construí esse jardim de modo que, visto de perto ou de longe, parcialmente ou em conjunto, ou de qualquer ângulo, sobressaia cada uma de suas características. Além disso, com o passar dos meses e dos anos, vão nascendo vários musgos típicos de Hakone, plantinhas de nome desconhecido, minúsculas flores graciosas e brotos de árvores que crescem nas reentrâncias das pedras como "bonsai" (17), as quais, por si mesmas, parecem querer atrair a atenção das pessoas. No ano passado, o jardim todo ficou mais "maduro", assumindo um aspecto mais tranqüilo:

melhorou tanto que nem o reconhecíamos. Eu mesmo cheguei a percorrê- lo diversas vezes, sem ter coragem de afastar-me.

Após a chuva, quando a água é abundante, temos a impressão de estar vendo, de lugar bem alto, uma correnteza no meio da mata. O som da água escorrendo pelas pedras, a corrente quebrando-se, lançando gotas para todos os lados, mais adiante descrevendo graciosas curvas e

terminando em duas cascatas

Visão panorâmica deslumbrante! A

... cascata do lado direito, chamada "Ryuzu no Taki" (Cachoeira Cabeça de Dragão), é maravilhosa, e a do lado esquerdo divide-se em vários fios d'água, para mais abaixo quebrar-se e espirrar para todos os lados. Vejo de relance até uma andorinha voando rápido, bem rente ás cascatas. Realmente, a harmonia da beleza natural com a beleza artificial está expressa muito melhor do que eu esperava. Fico satisfeitíssimo. Ao contemplar essas cascatas, sinto-me como se estivesse nas profundezas de montanhas e vales ou diante de um quadro magnífico. Geralmente, as cascatas artificiais têm certo sabor mundano que as prejudica, mas isso

não acontece com as deste jardim, plenamente identificadas com as cascatas naturais. O vermelho e o amarelo dos bordos, que nelas se refletem esplendorosamente, as cores de cada árvore e a forma tridimensional de plantio fazem com que eu me sinta no meio de densas matas.

Mas deixemos, aqui as explanações a respeito do que já foi concluído. Também no terreno baldio, bem espaçoso e próximo à parte posterior do jardim, estou pensando em construir outro jardim muito diferente, e já dei inicio à sua construção. Também para este tenho um plano bem diferente, inaudito; quando ele estiver terminado, talvez cause assombro a todas as pessoas. Vim escrevendo à proporção que as idéias me afloravam à mente, e talvez me achem orgulhoso demais por estar elogiando o que eu mesmo fiz. Sem dúvida, na opinião das pessoas comuns, isso está errado. Mas este jardim da Terra Divina foi construído por Deus; eu sou apenas o Seu Instrumento. Portanto, como ele foi construído pela técnica, ou, melhor, pela Arte Divina, não seria nada de mais elogiá-lo. E o mesmo que louvar a Deus; por conseguinte, um ato muito justo. Há algum tempo, o Sr. William W. Shudler, professor de Geografia de um colégio dos Estados Unidos, veio apreciá-lo e, com visão de profissional, assim exprimiu sua admiração:

"Já vi jardins do mundo inteiro, mas nenhum tão raro e artístico como este. Talvez possamos afirmar que ele seja único em todo o mundo". A seguir, falarei sobre o Museu de Belas-Artes, que será construído por último. A construção está planejada até o verão do ano que vem e, quando ela estiver concluída, o Jardim Sagrado da Terra Divina ficará ainda mais magnífico. Quanto às obras artísticas a serem expostas, já tenho algumas e já andei pesquisando as que são avaliadas como Tesouro Nacional, existentes em museus históricos e de belas-artes de várias regiões, em coleções particulares, em templos, etc., com os quais, pouco a pouco, estou fortalecendo meu relacionamento. Assim, tenho certeza de que o Museu de Belas-Artes de Hakone nada ficará devendo a outros do gênero. Minha intenção é expor poucas obras históricas e arqueológicas, tendo como critério meu senso estético, independente de ser arte oriental ou ocidental, antiga ou moderna. Pretendo selecionar somente as obras- primas de artistas famosos de cada época. Isso porque o significado do Museu de Belas-Artes deixará de ser alcançado se todas as pessoas, entendidas ou não em Arte, não se sentirem tocadas e extasiadas com a beleza das obras expostas. Naturalmente, este museu, a começar pela sua arquitetura, instalações internas, decoração e tudo o mais, será construído de acordo com a orientação de Deus; por isso, quando ele estiver concluído, apresentará resultados absolutamente especiais. Com a sua conclusão, praticamente estará terminada a construção do protótipo do Paraíso da Terra Divina. No momento em que isso se concretizar, a Obra Divina entrará em sua verdadeira fase de expansão. Mas não pararemos aí. A construção do protótipo do Paraíso de Atami também terá rápido

progresso. Deus faz com que tudo se processe de acordo com a Ordem, esta é a Verdade. 19 de setembro de 1951

SIGNIFICADO DA CONSTRUÇÃO DO MUSEU DE BELAS- ARTES

Sou Mokiti Okada, Líder Espiritual da Igreja Messiânica Mundial. Meus sinceros agradecimentos aos senhores pela sua presença no dia de hoje, apesar de estarem tão atarefados. Convidei-os especialmente, antes da inauguração deste museu, para ouvir suas impressões de abalizados "experts" das belas-artes, e, também, para expor, em rápidas palavras, os meus propósitos. O objetivo primordial da Religião é a criação do mundo da Verdade, do Bem e do Belo. A Verdade e o Bem são coisas espirituais, mas o Belo expressa-se por meio de formas, elevando o espírito do homem pela sua contemplação. Como é do conhecimento geral, no Ocidente, desde a antigüidade greco-romana até aproximadamente a Idade Média, e também no Japão, desde a época Shotoku (574-622) até a Era ,Kamakura (1192-1333), a arte sacra era muito próspera. E incontestável que a Religião foi o corpo materno de todas as artes, seja da pintura, da escultura, da música, etc. Na era contemporânea, todavia, esse elo entre Religião e Arte foi enfraquecendo pouco a pouco, de tal modo que elas acabaram se dissociando por completo. Por influência da Ciência, fala-se muito, hoje em dia, em estagnação da Religião. Entretanto, pelo motivo exposto acima, acho que a Religião e a Arte têm de caminhar tal como as rodas de um carro.

Desejo falar agora sobre as características do Japão. Tal como os indivíduos, cada país possui uma ideologia cultural particular. A do Japão consiste em contribuir para a elevação da cultura, deleitando a humanidade através do Belo. Poderemos compreender isso observando a magnificência da paisagem desse país; a abundância e variedade de suas flores, plantas e árvores, a sensibilidade aguçada de seu povo em relação ao Belo, a excelência de seu artesanato, etc. Todavia, por desconhecimento da natureza de sua missão e por sua ambição demasiado imprudente, o Japão acabou sofrendo aquela amarga derrota na Segunda Guerra Mundial. Nem seria preciso dizer que o fato de ter sido despojado até de armamentos para não provocar novas guerras, foi Obra de Deus a fim de despertar os japoneses para a sua verdadeira missão. Ultimamente, tem-se falado muito sobre rearmamento, mas trata-se apenas de uma medida de defesa, sendo evidente que não contém outro significado. Está claro, portanto, o caminho que o Japão deve seguir daqui para a frente. Tendo isso como objetivo, infalivelmente lhe advirá eterna paz e prosperidade. Consciente dessa verdade, venho me esforçando para concretizá-la, embora, no contexto geral, talvez seja insignificante o meu

esforço. Como método concreto, primeiramente construí um pequeno Paraíso do Belo, com a intenção de mostrá-lo ao mundo. Os locais que preenchem este requisito, sem dúvida alguma, são Hakone e Atami, pelas facilidades de acesso, pela beleza das paisagens, pelas fontes termais, pela excelência do clima e do ar. São lugares plenamente satisfatórios. Escolhendo um local particularmente belo, nessas duas cidades, e unindo a beleza natural à beleza criada pelo homem, para formar um ambiente artístico ideal, consegui, finalmente, concluir o protótipo do Paraíso Terrestre de Hakone e este Museu de Belas-Artes. Como é do conhecimento de todos, até hoje não existia, no Japão, nenhum museu de belas-artes tipicamente japonês. Existe museu de belas-artes chinesas, de belas-artes ocidentais, o de arte sacra, nas dependências do Museu Histórico, e outros museus, mas nenhum de arte japonesa. Sendo assim, nem mesmo os próprios japoneses podiam admirar as belas-artes de seu país. Se, por acaso, um estrangeiro nos visitasse e desejasse apreciar obras de arte tipicamente japonesas, era impossível satisfazer sua vontade. Isso não constituiria uma grande falha do Japão, o país das belas-artes? Portanto, se este museu for capaz de suprir pelo menos uma parte dessa falha, será para mim uma grande e inesperada felicidade. Também gostaria de que os senhores tomassem conhecimento de outro fato. Desde tempos remotos, o Japão possui um grande número de verdadeiras obras-primas da Arte, das quais poderia vangloriar-se perante o mundo inteiro. Entretanto, até o término da Segunda Guerra Mundial, elas eram propriedades intocáveis, guardadas com todo o zelo pelas famílias milionárias e nobres e raramente expostas ao público. Creio que isso foi motivado pela ideologia monopolista e feudalista. Hoje, porém, tendo-se tornado o Japão uma nação democrática, o fato ficou apenas como imagem do passado. Pela sua própria natureza, as obras-primas da Arte existem para serem mostradas o mais possível ao povo, a fim de deleitá-lo e fazê-lo, inconscientemente, elevar sua espiritualidade. Assim sendo, é preciso, antes de mais nada, erradicar a ideologia monopolista e liberar as belas-artes. Felizmente, por ocasião da grande mudança ocorrida em nível nacional, após a guerra, muitos tesouros culturais que estavam escondidos foram lançados no mercado, sendo evidente o quanto isso f o i útil para a constituição do nosso Museu de Belas-Artes. E um museu pequeno; entre- tanto, tenciono fazer dele um modelo, pois acredito que, doravante, surgirão, seguidamente, vários museus, tanto no Japão como no exterior Por isso, o seu conjunto e até os mínimos detalhes foram objeto de minha especial atenção; naturalmente, os jardins - cada árvore e cada planta - também são projetos meus. Como é obra de amador, esse museu pode ter muitos defeitos, mas, se puder ter alguma utilidade, sentir-me-ei muito satisfeito. Além disso, pensando em possíveis bombardeios aéreos, incêndios, roubos, etc., tomei precauções suficientes tanto no que

concerne ao ambiente como às instalações. Creio, portanto, que ele tam- bém preencha condições para a conservação de Tesouros Nacionais. Acredito que os senhores tenham compreendido meus propósitos; mas, repetindo, não tenho outro objetivo senão o de fazer aflorar a natureza intrínseca do Japão, ou seja, a de País do Belo e Paraíso do Mundo. Também tenho planos de, num futuro próximo, construir protótipos do Paraíso Terrestre, e seu indispensável museu de belas-artes, em Atami e Kyoto. Aproveito o ensejo para expressar meu desejo de poder contar com o apoio de todos os senhores.

15 de junho de 1952 9 de julho de 1952

POR QUE AS OBRAS-PRIMAS CHEGARAM ÀS MINHAS MÃOS

Como as pessoas que já visitaram o Museu de Belas-Artes de Hakone devem saber, temos inúmeras peças que não se conseguem facilmente. Por isso não há quem não se espante. Vou contar; desde o início, como ocorreram os fatos. Comecei a comprar objetos de arte logo após o término da guerra. Naquela época, o Japão estava passando por uma transformação até então nunca vista. Os nobres, os milionários, os senhores feudais, os grandes grupos econômicos, enfim, todos aqueles que ocupavam posições privilegiadas foram despojados delas de uma só vez. Premidos pelas dificuldades financeiras, eles viram-se obrigados a desfazer-se das caligrafias, quadros e antigüidades de valor artístico que eram tesouros de família desde a época de seus ancestrais. Por conseguinte, Surgiram no mercado muitas peças famosas e raras, e a preços baixos. Fiquei com muita pena, pois essas pessoas precisavam vendê-las mesmo a contragosto, para poderem pagar os altíssimos impostos lançados sobre seus bens. Assim, ao comprar os objetos, eu também fui levado por uma grande vontade de ajudá-las, de modo que não pedi desconto, tendo comprado a maioria pelo preço ofertado. E óbvio, porém, que fiz um balanço dos ganhos exorbitantes de vendedores ambiciosos. Dessa forma, as peças foram sendo colecionadas pouco a pouco. Como tenho dito várias vezes, desde jovem eu gostava muito das belas-artes. Entretanto, minha capacidade de avaliação ainda era de amador; além disso, eu não tinha experiência em compras desse tipo, nem entendia de preços do mercado. conseqüentemente, só. comprei as obras de que gostava. E parece que esse método não falhou; posso até dizer que não comprei nenhuma peça falsa. Os especialistas no assunto que visitaram o Museu de Belas-Artes de Hakone, teceram-lhe elogios sinceros e não apenas para serem gentis:

"Em todos os museus de belas-artes que visitei até hoje, as peças, expostas são de valor duvidoso, mas as deste museu não. E um conjunto de objetos de primeira classe!" O Sr. Alan Priest, Curador do Setor de Belas-Artes Orientais do Museu Metropolitano de Nova lorque, também elogiou especialmente esse ponto.

Enquanto fazia isto e aquilo, fui colecionando muitos objetos, e minha capacidade de avaliação tornava-se cada vez mais aguçada. Comecei, então, a pensar que, um dia, deveria construir um museu de belas-artes. Isso ocorreu há mais ou menos três anos. A partir daí, misteriosamente, superando todas as expectativas, começaram a aparecer peças que vinham ao encontro desse objetivo, e eu então compreendi claramente que, por fim, Deus começara a executar a construção do Museu de Belas-Artes. Os milagres ocorridos nesse sentido foram muitos, e, como não conseguiria enumerar todos, citarei apenas os mais relevantes. Foi logo no começo. Certo vendedor, especialista em "makiê", misteriosamente me trazia, uma após outra, obras de alto nível. E não era só eu que me espantava: o próprio vendedor dizia que, para ele, o fato também em realmente um mistério. Além disso, a época era propícia e consegui objetos valiosos por preços incrivelmente baixos; em termos de mercado atual, custaram várias vezes menos. Todas as peças de "makiê" que atualmente estão expostas no Museu de Belas-Artes são dessa época, tendo sido colecionadas em apenas meio ano. Entre elas, destacam-se duas do extraordinário artesão Shossai Shirayama, e ainda tenho algumas outras guardadas, que pretendo expor um dia. Hoje, quase já não existem ã venda obras desse artista; restam muito poucas, e seus<proprietários não abrem mão delas. Há muito tempo aprecio os objetos de estilo Rin e as cerâmicas Ninsei. Com o passar dos anos, eles foram ficando cada vez mais caros; ultimamente, já não existe quase nenhum à venda, e dizem que os interessados estão desalentadíssimos. Entretanto, na confusão do período logo após a guerra, os preços eram baixíssimos e eu pude adquirir muitas obras; podemos, pois, entender que isso foi obra do Poder de Deus. E por esse motivo que eu nunca deixava de conseguir as peças que gostaria de possuir ou que necessariamente deveriam existir no Museu de Belas-Artes. Todas as vezes que isso acontecia, o vendedor exclamava: "E um mistério! E um milagre!" A esse respeito, ocorreu um fato interessante. Eu estava querendo adquirir a famosa xilogravura "Tokaido Gojusantsugui", de Hiroshigue, quando me apareceu um vendedor especializado em xilogravuras, que me ofereceu algumas obras desse artista. Eu lhe disse que, se fosse a impressão original dá "Gojusantsugui", eu a compraria a qualquer hora. Qual não foi o meu espanto quando, no dia seguinte, ele a trouxe para mim, dizendo: "Não há nada mais misterioso. Ontem, assim que voltei para casa, uma pessoa me levou exatamente o que o senhor queria. Fiquei muito surpreso, pois estava à procura dessa obra há mais de quarenta anos, e justamente ontem apareceu alguém para vendê-la. Não consigo entender!" É claro que eu também exultei com o grandioso milagre. Examinando atentamente, vi que era de fato a obra original, que estava sendo guardada por um lorde feudal. Percebi, inclusive, que a encadernação parecia ter sido feita por um ancestral seu; por isso, fiquei

duplamente maravilhado em poder adquiri-la. Além disso, o preço era muito baixo, o que me deixou mais contente ainda. A seguir, falarei sobre a cerâmica chinesa. Anteriormente, eu não sentia nenhuma atração nem entendia nada sobre o assunto, mas, quando pensei que essas peças seriam necessárias ao Museu de Belas-Artes, não tardou que elas se fossem acumulando. São estas que agora estão expostas, e as pessoas não acreditam que tenham sido colecionadas em apenas um ano. No princípio, eu não entendia absolutamente nada, como disse, mas fui escolhendo-as com base nas explicações dos vendedores e no meu sexto sentido. Hoje, os especialistas dizem que ficam impressionados em ver como se conseguiu reunir tantos objetos de valor. Por isso não tenho palavras para exprimir a grandiosidade das graças concedidas por Deus. Ainda poderia contar muitos outros fatos, mas gostaria que imaginassem o restante. Agora, explicarei por que ocorreram tais milagres. Os espíritos dos autores dessas obras, que, obviamente, estão no Mundo Espiritual, assim como os espíritos das pessoas que as apreciavam e os daqueles que tinham alguma relação com elas, pensando em praticar um ato meritório, faziam com que as peças chegassem às minhas mãos por diversos meios. Isto porque, através desse mérito, eles se salvariam e subiriam de nível no Mundo Espiritual. Não é preciso dizer que foi pelo mesmo motivo que conseguimos este esplêndido Museu de Belas-Artes em tão pouco tempo. Pensem bem. Até agora, para se conseguir um museu de belas-artes, era necessário o empenho de uma geração inteira de milionários; se este foi conseguido num piscar de olhos, qualquer pessoa poderá ver que não é obra humana.

8 de outubro de 1952

CAMPANHA DE FORMAÇÃO DO PARAÍSO POR MEIO DAS FLORES

O objetivo da Igreja Messiânica Mundial é a construção do Paraíso Terrestre. Mas o que significa isso? Obviamente, o Paraíso Terrestre é o mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo. O método para obtenção da saúde - o Johrei - que é a vida de nossa Igreja, e a Agricultura Natural, são meios de que nos utilizamos para materializá-lo, mas o Johrei, além de promover a renovação do corpo físico, visa também á renovação do espírito. Independentemente de tais métodos, é de extrema urgência elevar o espírito das pessoas através do Belo. Esse é um novo projeto da Igreja Messiânica Mundial, que agora estamos colocando em prática. Para falar a respeito, vou expor; em primeiro lugar; a situação atual do Japão. Numa classificação sumária, o Belo situa-se no domínio da audição, da visão e do paladar. No que se refere à audição, talvez nunca tenha havido época tão próspera em música como a época atual, em virtude, principalmente, do rádio, sendo muito significativo, também, o progresso do toca-discos, dos discos, etc. No tocante à visão, entretanto, a

situação é muito precária, existindo apenas o teatro, o cinema e coisas do gênero. Em verdade, queremos algo que toque nosso sentimento pela beleza, que seja mais simples, mais próximo de nós, e que não esteja limitado pelo tempo. Ora, o teatro e o cinema são excelentes meios para deleitar os olhos, mas, como implicam limitação no tempo, questões financeiras e meios de transporte, não podem ser aceitos integralmente. O que propomos aqui, é o cultivo e distribuição das flores, excelente forma de propagação do Belo. Consiste em ornamentar com flores não só as residências como outros locais. Hoje em dia, as flores ornamentam, geralmente, as residências de pessoas acima da classe média, mas isso e insuficiente. Nosso objetivo é adornar com elas todos os lugares e classes sociais, colocando-as á vista de qualquer pessoa. No canto do escritório, em cima da escrivaninha, onde quer que seja, não é nem preciso dizer o quanto uma flor nos reanima e nos faz sentir um toque de pureza. Em termos ideais, desejamos ornamentar até mesmo prisões e locais de execução. Quão boa influência isso exerceria sobre os detentos! Se chegarmos ao ponto de existirem flores onde quer que haja pessoas, a força para tornar ameno este mundo infernal será bem grande. Atualmente, porém, isso é impossível, dado o alto preço das flores; por conseguinte, precisamos fazer com que elas possam ser adquiridas a preços bem baixos. Para tanto, devemos intensificar o seu cultivo, mas de modo a não prejudicar a produção de alimentos. O Japão é considerado o primeiro país do mundo no que se refere á variedade de flores. Quanto aos métodos de cultivo, também parece atingir o nível mais alto, e todos sabem que a tulipa, que era produzida exclusivamente na Holanda, começou a ser cultivada, antes da última guerra, não só no Estado de Niigata, com exceção da Ilha de Sado, mas também no Estado de Kanagawa. Está sendo exportada para a Inglaterra e para os Estados Unidos, e a produção vem aumentando a cada ano. Pela pesquisa que fizemos, constatamos, por exemplo, que os americanos admiram muito as flores existentes no Japão, interessando-se pelas raridade que não possuem em seu país. Assim, doravante, devemos fazer das flores mais um recurso para a obtenção de divisas, cultivando-as em larga escala. Até hoje essa prática veio sendo negligenciada, mas de agora em diante deve ser estimulada ao máximo. Além do mais, como a flor é um produto cuja exportação não sofre limitações de quantidade, torna-se objeto de enorme expectativa.

8 de maio de 1949

AS PLANTAS TÊM VIDA

Gosto muito de cuidar das plantas do jardim e sempre corto seus galhos, arrumando-lhes o formato. De vez em quando, porém, sem perceber, acabo cortando demais ou deixando de cortar onde é necessário. As vezes, quando vou plantar uma árvore, não havendo outra alternativa, por causa do espaço, planto-a num lugar que não é do meu agrado e deixo a parte da frente para trás, ou meio de lado, o que me incomoda, toda vez

que a observo. Mas é engraçado, pois, com o passar do tempo, vejo que a árvore vai se acomodando aos poucos, por si mesma, até que acaba se harmonizando perfeitamente com o lugar. Acho isso interessantíssimo e não posso deixar de pensar que ela está viva. Certamente, as árvores também possuem espírito. Nesse ponto, assemelham-se ao homem que cuida de sua aparência para não passar vergonha perante os outros. Temos atrás, ouvi um velho jardineiro contar que, quando uma planta não dava flores como ele queria, dizia-lhe estas palavras: "Se este ano você não der flores, vou cortá-la." Assim, ela não deixava de florir. Ainda não experimentei fazer isso, mas o fato parece-me verossímil. Não há erro em lidarmos com qualquer elemento da Grande Natureza acreditando que ele possui espírito. Num livro que li, de autor ocidental, dizia-se que uma árvore que geralmente leva quinze anos para crescer; tendo sido cuidada com amor e dedicação, cresceu da mesma forma na metade do tempo, isto é, em sete ou oito anos. O mesmo pode ser dito em relação às vivificações florais. Eu próprio vivifico as flores de todos os compartimentos de minha casa; entretanto, ainda que elas não estejam do meu completo agrado, deixo-as assim mesmo. No dia seguinte, noto que elas estão diferentes, com um aspecto agradável, como se realmente estivessem vivas. Nunca forço o formato das flores; vivifico-as da maneira mais natural possível. Por isso, elas ficam cheias de vida e duram mais. Se mexermos muito, as flores perdem sua graça natural, o que não acho bom. Assim, quando vamos vivificá-las, devemos, primeiramente, imaginar como iremos fazê-lo, para depois cortá-las e fixá-las rapidamente. Isso porque, tal como os seres vivos, quanto mais mexermos, mais fracas elas ficam. Esse princípio também se aplica ao homem. Com os pais, por exemplo: quanto mais cuidados tiverem na criação dos filhos, mais fracos eles serão. Como vivifico as flores dessa maneira, minhas vivificações duram mais do que o dobro do normal, e todos se admiram. Em geral não se usa bambu e bordo - certamente porque não duram muito - mas eu gosto de vivificá-los, e eles sempre duram de três a cinco dias; às vezes o bambu dura mais de uma semana, e o bordo, quase duas. Além disso, qualquer que seja a flor; não mexo em seus cones, deixando-as ao natural.

5 de agosto de 1953

A RESPEITO DA COLETÂNEA DE POEMAS "YAMA TO MIZU" (MONTE E ÁGUA)

Como sempre digo, o objetivo da Fé é polir a alma e purificar os sentimentos. Existem três maneiras para conseguirmos isso: pelo sofrimento oriundo não só de abstinência ou penitências, mas também de danos e catástrofes; pela soma de méritos e virtudes e pela elevação da alma por influência da arte de alto nível. Dentre elas, o caminho mais rápido é este último. E não existe nada melhor, pois nossa alma vai sendo polida imperceptível e prazerosamente.