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Novembro/2010

Tema desta edição: Aconselhamento e Cuidados Pastorais

Novembro/2010 Tema desta edição: Aconselhamento e Cuidados Pastorais • Jesus – Nosso Modelo para o Ministério

Jesus – Nosso Modelo para o Ministério | George Wood | p.03 O Aconselhamento Cristão Cristocêntrico | Richard Dobbins | p.08 O Conselheiro Cristão Competente | Donald Lichi | p.15 Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas | Doug Wiegand | p.19 Abordagem Convencional, Complementar e Alternativa para Cura | Christina Powel | p.24 Girolamo Savonarola – O Profeta de Florença | William Farley | p.29 Os Pecados da Maldição Hereditária | W. Nunnally | p.32

Novembro/2010 Tema desta edição: Aconselhamento e Cuidados Pastorais • Jesus – Nosso Modelo para o Ministério

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NOVEMBRO 2010 | Recursos Espirituais 1

Editorial É um prazer poder levar até você a 4ª edição da revista Recursos Espirituais, originalmente
Editorial
É um prazer poder levar até você a 4ª edição da
revista Recursos Espirituais, originalmente
publicada pelas Assembleias de Deus dos EUA,
em inglês, sob o título Enrichment Journal.
sã doutrina, promovendo desta forma prejuízos
irreparáveis na vida de muitos crentes.
Após trabalho cuidadoso da equipe editorial,
este número expõe em nosso idioma artigos
simplesmente imperdíveis.
Assim, devido a necessidade de critérios
rígidos para a escolha de uma boa literatura cristã,
esta publicação se apresenta como um subsídio
valioso para dirimir questionamentos e dúvidas
que surgem no dia-a-dia de nossa caminhada
cristã.
Num momento em que vivenciamos na mídia
uma discussão acirrada sobre inúmeros assuntos
polêmicos, abarcando as mais diferentes áreas da
vida, os autores trazem luz às necessidades dos
pastores, dos professores de seminários e dos
demais obreiros da Igreja que ministram ao povo
de Deus, disponibilizando pesquisas relevantes e
atuais, fortemente baseadas nas Sagradas
Escrituras.
Os pontos de vista apresentados em cada
artigo, embora do contexto assembleiano norte-
americano, levam o leitor a construir suas ideias
a partir de princípios bíblicos e experiências
pessoais que o incentivam à inspiração para sua
própria jornada espiritual.
De igual modo, os estudantes de Teologia
também são contemplados com uma rica coleção
de material que dará um suporte consistente à sua
incansável e necessária busca pelo conhecimento
sadio da Palavra de Deus.
Tenho convicção de que os artigos das áreas
ministerial, aconselhamento pastoral, ética mé-
dica, história e teologia, além de serem agradável
à leitura, serão uma verdadeira bênção para você.
Aprecie sem moderação!
Em 30 anos envolvido com o meio teológico,
pude presenciar a publicação de inúmeros artigos
que dizendo-se cristãos, na verdade, traziam
sorrateiramente ideologias totalmente contrárias à
márciomatta
editor | versão em português
Life Publishers International © Copyright Life Publishers 2010 Publicado por Life Publishers, Springfield, Missouri (EUA) Todos

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Equipe Editorial / Versão em Português

Tradução: Nadja Matta e Bruno Ferrari

Revisão de textos: Martha Jalkauskas e Rejane Eagleton

Diagramação: ©MMDesign

Revisão: Neide Carvalho

Coordenação Geral: Márcio Matta

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Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Jesus — Nosso Modelo para o Ministério Por GEORGE O. WOOD Três elementos essenciais do modelo

Jesus

— Nosso Modelo para o Ministério

Por GEORGE O. WOOD

Três elementos essenciais do modelo de Jesus para o ministério servem de exemplo de cuidado pastoral para nós.

L ivros e seminários de lide-

rança dominam a leitura pas-

toral, e isso é bom. A máxi-

ma de que uma organização

ou igreja não cresce mais que seu líder é verdadeira. Mas liderança e ministé- rio são a mesma coisa? Creio que não. Ministério inclui muito mais. Quando procuro um exemplo ou protótipo para o ministério, primeiro olho para Jesus. Como era Seu ministé- rio? Que tipo de ministro era Ele? Se Ele é o Supremo Pastor e eu, um subal- terno, que tipo de pastor ou ministro devo ser? Se devo andar em Seus pas- sos, quais foram eles? Deixe-me extrair de Seu ministério um breve momento que encapsula a preocupação pastoral de Jesus. Não pre- tendo que esse perícope represente a verdade total sobre Jesus como nosso modelo para o ministério, mas encontro nele três pontos essenciais que nos ser-

vem como exemplo. O caso que examinaremos é o da mulher com fluxo de sangue, relatado em Marcos 5:21-34.

Tempo

Toda pessoa engajada em ministério é ocupada. Todos os dias nossa agenda está cheia desde a manhã até à noite:

oração, estudo, compromissos, telefone- mas, reuniões – e interrupções. À medida que a igreja que eu pastoreava crescia, descobri que pode- ria delegar cada vez mais. Isso permitiu que me tornasse mais focado em meus dons e áreas de interesse. Gastava a mai- or parte do tempo administrando minha própria agenda. Minha lista de tarefas estava sempre cheia e o calendário re- pleto. Eu permitia algumas interrup- ções de grandes emergências e de pes- soas que realmente precisavam falar co- migo, mas, caso contrário, era dono do

meu próprio tempo. Esse exemplo é um bom sinal de liderança eficiente e eficaz – delegar responsabilidade e autoridade, e se con- centrar nos pontos fortes. É o exemplo de Êxodo 18 quando Jetro disse a Moisés que bons líderes não tentam fa- zer tudo, ou a instrução de Efésios 4:11, 12 de que liderança ministerial implica em ser o treinador de uma equipe em vez de ser a estrela. Deixei o pastorado e fui para lide- rança distrital como superintendente ad- junto. Das cerca de 30 pessoas que fazi- am parte de minha equipe de suporte da igreja, agora eram apenas eu e meu secretário. Trouxe meu modelo pasto- ral para essa nova função e chegava em meu escritório todos os dias com minha lista de coisas para fazer. Mas o telefone tocava continuamente. Muitas pessoas me procuravam. Fiquei frustrado. Eles estavam to-

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Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Jesus: Nosso Exemplo para o Ministério

mando o tempo da minha agenda. Não conseguia terminar as coisas que havia estabelecido. Comecei a me aborrecer com as interrupções. O que mudou a minha vida foi um devocional dado por um amigo, T. Ray

Rachels (superint. distrital). Ele fala que o ministério de Jesus fluía das interrup- ções. Isso chamou minha atenção. Nenhum dos milagres de Jesus es- tava na lista de coisas para fazer. Ele não se levantava pela manhã e dizia: “Bom, hoje preciso curar 10 leprosos, 2 cegos, curar um paralítico e libertar várias pes- soas possessas.” O mesmo era verdadeiro quanto

aos Seus ensina- mentos. Sim, Ele fez um discurso siste- mático no Sermão do Monte, nas parábo- las do Reino e no ser- mão do Monte das

Oliveiras (Mt 5-7, 13, 24, 25), porém obser- ve uma amostra do que ensinou como resultado das respostas às interrupções. Um expert da Lei O testou quando dis- se: “Quem é o meu próximo?” e assim re- cebemos a parábola do Bom Samaritano (Lc 10). Os fariseus e os mestres da Lei murmuraram contra Ele quando aco- lheu os pecadores e Ele respondeu com estórias da Ovelha Perdida, da Moeda Perdida e do Filho Pródigo (Lc 15). Teríamos perdido o discipulado de Mateus e de Zaqueu se Jesus não tives- se interrompido Seus compromissos. Não teríamos o ensinamento sobre o novo nascimento se Jesus não tivesse passado algum tempo com Nicodemos (Jo 3), ou então o ensinamento sobre adoração se tivesse ignorado a mulher samaritana (Jo 4). O melhor exemplo de Jesus tirando um momento e respondendo às inter- rupções veio quando a mulher com flu- xo de sangue abordou-O a caminho da casa de Jairo.

Marcos observa que a filha de Jairo tinha 12 anos e a mulher sofria, ha 12 anos, de uma hemorragia. O pedido de Jairo foi uma interrup- ção na agenda de Jesus. O Senhor che- gou do outro lado do lago e uma grande multidão veio recepcioná-lO. Lideran- ça exige que demos prioridade à multi- dão, mas o ministério ordena prioridade ao necessitado. Então Jesus afastou-se da multidão e acompanhou Jairo. No caminho houve uma interrupção à interrupção. A mulher passou pela multidão e tocou na barra de Suas ves- tes. Ele poderia ter continuado, mas não

de pessoas em múltiplos cultos todo domingo. Entre um culto e outro uma jovem mãe negra com seus quatro fi- lhos entrou no escritório de Jim. Estava sem dinheiro e chorava porque seus fi- lhos não teriam nada de Natal. Jim dis- se: “Carol e eu iremos ao seu apartamen- to na noite de Natal e levaremos um peru para o jantar. Jantaremos com vocês e haverá presentes para seus filhos.” Meu amigo missionário disse que chorou enquanto observava a conversa. Imagine que o pastor de uma das maio- res igrejas dos EUA teria tempo para al- guém que não poderia fazer nada por ele! A liderança diz:

“Passe tempo com pessoas influentes, pois elas podem dar- lhe algo em troca”. O ministério diz: “Aju- de pessoas que não

podem fazer nada por você”. Jesus doou Seu tempo para outras pessoas. Por que é importante notarmos algo tão óbvio? Porque, às vezes, ficamos tão ocupados no ministério que esquece- mos que o ministério se faz com pes- soas. Você não está no ministério para construir prédios para a igreja (mesmo que isso seja necessário), ou para ocu- par uma posição, ou para se consumir com assuntos ou causas que te afastam de sua responsabilidade mais importan- te que é ministrar às pessoas. Recebo longas cartas de pessoas que passam o tempo tentando endirei- tar procedimentos ou opinião de outras pessoas. Uma pessoa regularmente me envia 24 páginas datilografadas em es- paço simples, argumentando porque a versão da Bíblia que usa é a única inspi- rada. Quando leio essas críticas severas me pergunto o que aconteceria se esses santos saíssem de seus computadores, ou deixassem a caneta de lado, e fos-

O melhor exemplo de Jesus tirando um momento e respondendo às

interrupções veio quando a mulher com fluxo de sangue abordou-O a

caminho da casa de Jairo.

o fez. Por quê? Porque ministério se faz com pesso- as – uma de cada vez. A missão de Jesus incluía momentos não planejados quan- do respondia às necessidades dos indi- víduos. Um homem idoso caminhava pela praia logo de manhã recolhendo estre- las do mar e as jogava novamente no oceano. Ele sabia que, se não fossem devolvidas à água, o sol as secaria e mor- reriam. Um jovem passou e disse: “Ei, se- nhor! O que está fazendo? Existem mi- lhões de estrelas do mar na praia. O que você está fazendo não faz a mínima di- ferença.” O homem respondeu, en- quanto jogava na água mais uma estrela do mar: “Faz diferença para esta aqui.” Um amigo missionário me contou que estava sentado no escritório de Jim Cymbala em um domingo de manhã antes do Natal. Pastor da Igreja Brooklyn Tabernacle, Jim ministra para milhares

Jesus: Nosso Exemplo para o Ministério

sem ganhar almas para o Senhor Jesus.

Toque

Jesus permitiu que as pessoas chegas- sem até Ele. Sejamos sinceros: nossos modelos de ministério são os conside- rados ministérios de sucesso. Existe uma tendência recente de pastores importan- tes contratarem guarda-costas. O minis- tro entra no culto na hora da sua partici- pação e deixa a igreja pela porta lateral quando termina. Jesus passou tempo com o indi- víduo. Seu ministério exigiu algo dele. O texto diz: “Jesus, reconhecendo imedia- tamente que dele saíra poder.” (Mc 5:30). William Barclay explica: “Essa passa-

gem nos diz algo sobre Jesus; fala sobre o custo da cura. Toda vez que Jesus curou al- guém, algo foi exigido dEle. Aqui está uma re- gra universal da vida: nunca produziremos nada de grande a não ser que estejamos pre- parados para investir algo de nossa vida ou de

nossa própria alma

...

Nenhum pregador que

já tenha pregado um verdadeiro sermão des- ceu do púlpito sem um sentimento de que foi esvaziado de algo. Se pretendermos ajudar as pessoas, devemos estar prontos para gas-

tar um pouco de nós

mesmos. ...

A grandeza

de Jesus foi que Ele estava preparado para pagar o preço para ajudar aos outros e esse preço foi sua própria vida. Só seguimos em seus passos quando estamos preparados a empregar não apenas de nossas posses, mas de nossa alma e nossa força.”

Uma criança da igreja que eu pas- toreava perdeu a mãe. Sua adolescên- cia foi turbulenta e eventualmente ele cometeu um crime que resultou em sua prisão por 17 anos. Esse homem conhe- ceu a Jesus e agora é uma testemunha fiel na prisão. Escrevi para o pastor na cidade onde a prisão está localizada pe- dindo que fosse lhe fazer uma visita. Ele nunca foi. A tia da minha esposa sofreu um AVC. Por causa de sua saúde já não ia à igreja há alguns anos. (Quantas pessoas são esquecidas porque não podem mais contribuir?) Sua família contatou um pastor e perguntou se ele poderia lhe fazer uma visita. Ele nunca foi. Final- mente, a família encontrou um pastor presbiteriano que o fez. Um amigo me disse que seu irmão foi à igreja em um domingo quando sua família veio visitá-lo. O irmão já era ido- so, mas naquele dia entregou sua vida ao Senhor. Meu amigo, também pas- tor, ligou para o pastor daquela igreja e perguntou se ele poderia fazer o discipulado do novo convertido. Nada aconteceu. O pastor disse que estava muito ocupado, quando meu amigo conversou com ele. Descobri que aquela igreja possuía 50 membros. Quantas vezes os pastores deixam de ligar para pessoas que precisam de ajuda, não respondem cartas ou e-mails, e não retornam os telefonemas? Que o

Espírito nos mova contra a letargia e a indiferença. Devemos estar dispostos a tocar na vida das pessoas, por Jesus e em nome dEle.

Transformação

Adoro o título que William Barclay deu a esta passagem sobre a mulher com o fluxo de sangue. Chamou-a de “A Últi-

ma Esperança de uma Sofredora.” Certa-

mente, Jesus era a última esperança pa- ra essa mulher, assim como para a filha de Jairo. Note o humor sutil no relato da mu- lher passando pela multidão para tocar a barra das vestes de Jesus. De acordo com a lei de Moisés, essa mulher era considerada impura pelo flu- xo de sangue (Lv 15). Na maioria das vezes no AT, quando uma pessoa con- taminada tocasse em algo, significava que transferia a contaminação para aquilo que era puro ou inocente. Por exemplo, um leproso que tocasse um não leproso tornava a pessoa saudável impura. Uma pessoa ritualmente pura não poderia tocar em mulher após o parto, nem em algum gentio, nem mesmo em um vaso que tivesse sido tocado por um gentio, em certos animais ou em cadá- ver. Um indivíduo que tenha sido con- taminado pelo toque de alguma coisa ou alguém impuro teria que passar por

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Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Jesus: Nosso Exemplo para o Ministério

um procedimento longo e detalhado de purificação. Jesus ficou contaminado no mesmo instante em que a mulher com o fluxo de sangue tocou Suas vestes e também contaminou a Si mesmo quando tocou a mão da menina morta (Mc 5:41). Evidentemente, a mulher pensou que poderia tocar nas vestes de Jesus, ser curada e então misturar-se à multi- dão sem ser notada. No entanto, Jesus parou e perguntou: “Quem me tocou nas vestes?” (Mc 5:30).

e o Evangelho. Em vez da impureza da mulher ter contaminado Jesus, a santi- dade dEle a purificou. Jesus faz o mes- mo com nosso pecado: nos torna justos em vez de nós o tornarmos pecador. O ministério traz transformação. Tra- zemos as boas novas de que Jesus é o Salvador, que batiza com o Espírito San- to e nos cura. Jesus nos disse para impor as mãos sobre os doentes. Este é um sinal físico da saúde que nEle se encon- tra, passando para o doente, fazendo com que entre a saúde em vez de reinar a morte. Pastores que têm o maior efeito nas pessoas transmitem a vida de Jesus no poder do Espírito Santo através de seus exemplos e ensinamentos. Vários anos atrás, eu reclamava ao Se-

o serão. Se formos confiantes que o Se- nhor pode e realmente liberta das dro- gas, do álcool e outros tipos de depen- dências, então elas serão libertas de to- das essas doenças da alma e do espírito. Se orarmos pelos doentes com fé, os do- entes serão então curados. Se desper- tarmos o dom do Espírito que está em nós, pessoas serão então batizadas no Es- pírito e permanecerão fervorosas no Se- nhor. Se demonstrarmos e ensinarmos o discipulado, mais pessoas se tornarão discípulos de Jesus. Se testemunharmos aos perdidos, nossas ovelhas também o farão. Se tivermos uma mente missio- nária, nosso povo também a terá. Você não pode dar aos outros aquilo que não possui, mas aquilo que tem. Quando meu filho se tornou pastor,

Jesus: Nosso Exemplo para o Ministério um procedimento longo e detalhado de purificação. Jesus ficou contaminado

Os discípulos acharam a pergunta ab-

surda, pois muitas pessoas empurravam- se ao Seu redor. Mas a mulher sabia o que tinha acontecido e por esta razão o texto diz que “atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, pros- trou-se diante dele e declarou-lhe toda a

verdade.” (Mc 5:33). Por que estaria atemorizada? Ela sa- bia que havia ritualmente contaminado um homem santo. Se Jesus fosse um fariseu, Ele a teria insultado: “Como ou- sas me tocar? Você me contaminou. Saia de perto de mim!” Sob a Lei, se o impuro tocasse o puro, então o puro se tornava impuro. Mas com Jesus, se o contaminado tocasse o puro, então o puro descontaminaria o contaminado. Existe uma força inversa entre a Lei

D evemos estar dispostos a tocar na vida das pessoas, por Jesus e em nome dEle.

eu lhe disse: “Pastorear não é como ci- ência quântica (mas também não é fá- cil). As duas coisas mais importantes são:

ame a Jesus e ame as pessoas.” Amamos as pessoas quando passa- mos algum tempo com elas, individual- mente. O Senhor nos usa para tocar a vida das pessoas e para sermos agentes que trazem transformação pelo poder do Espírito Santo. Com certeza, nunca devemos parar de aprender tudo o que podemos sobre liderança eficaz, mas não nos esqueça- mos de que liderança é apenas um as- pecto do ministério. Nosso modelo de ministério deve sempre ser Jesus. Ele passa tempo com as pessoas. Ele toca em suas vidas. Ele transforma.

Jesus: Nosso Exemplo para o Ministério um procedimento longo e detalhado de purificação. Jesus ficou contaminado

nhor que, quando impunha as mãos nas pessoas em uma fila de oração, elas não caíam. Ah, de vez em quando, até acon- tecia, mas era raro. Senti que o Senhor me disse: “George, é muito mais fácil cair do que ficar de pé. Você está aju- dando pessoas a ficarem de pé, portan- to, não pense que precisa imitar outros com os quais trabalho de maneira dife- rente.” Nossa tarefa é realizar uma longa transferência de nosso próprio caminhar com Deus na vida das pessoas para quem ministramos. Se amarmos a Je- sus, provavelmente irão também amá- lo. Se demonstrarmos uma atitude cor- reta, também a mostrarão. Se formos cheios do Espírito Santo, elas também

GEORGE O. WOOD Doutor em Teologia Prática Presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus dos

GEORGE O. WOOD

Doutor em Teologia Prática

Presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus dos EUA. Springfield, Missouri (EUA)

O Aconselhamento Cristão

CRISTOCÊNTRICO

O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral

Por RICHARD D. DOBBINS

Qualquer esforço sério para fazer com que o aconselhamento seja verdadeiramente cristão envolverá um olhar cuidadoso na maneira como Cristo desempenhou Seu ministério de aconselhamento.

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Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Tornando o Aconselhamento Cristão Cristocêntrico:

O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral

Tornando o Aconselhamento Cristão Cristocêntrico: O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral N os dias

N os dias de hoje, poderí-

amos descrever mais

precisamente o que se

passa sob a rubrica de aconselhamento cristão como um aconselhamento feito por psicólogos cristãos e conselheiros profissional- mente treinados. Geralmente são pro- fissionais bem formados com excelen- tes técnicas de aconselhamento e ex- periência muito rica. Frequentemente aconselham em igrejas ou em lugares relacionados a elas. É assim, infelizmen- te, que algumas pessoas definem o aconselhamento cristão. Em muitos casos, porém, existe um hiato enorme entre a fé cristã e a prática do aconselhamento. Podem ser cristãos devotos e excelentes conselheiros, mas há pouco em seu aconselhamento que seja caracterizado como cristão, pois se- pararam seu aconselhamento de sua fé pessoal. O que está faltando nesses ca- sos é a integração í ntima desses dois aspectos em suas práticas.

Como Obter a Integração de Fé e Aconselhamento?

Primeiramente, para fazer com que o aconselhamento seja verdadeiramente cristão devemos unir nossa fé e nosso aconselhamento em nossas mentes. Isso começa com o reconhecimento de que Cristo é o único grande Conselheiro. Ele se torna nosso modelo. Não apenas o fazemos Senhor de nossas vidas, mas também Senhor de nossa formação clí- nica e da nossa prática em aconselha- mento. Olhamos para Ele como nosso supervisor clínico que supervisiona tudo o que ouvimos e dizemos no consultó- rio ou escritório. Independentemente da orientação teórica de nosso treinamento (dinâmi- ca, cognitiva, comportamental, objeto

terapia, eclética, etc.) precisamos colo- car tudo o que aprendemos sobre acon- selhamento a partir de nossos estudos, treinamento e experiência, nas mãos de Cristo. Em seguida, podemos confiar nele para nos ajudar a aplicar nossas ha- bilidades, da forma como Ele deseja, enquanto ministramos aos que procu- ram nossa ajuda. Em cada sessão devemos fazer um esforço consciente para vermos as pes- soas através dos olhos do Senhor e

Sem um esforço consciente de nos- sa parte para invocar esta dimensão di- vina no processo de aconselhamento, limitamos a ajuda que podemos ofere- cer aos aconselhados às habilidades pro- fissionais que tenham sido desenvolvi- das pelos nossos estudos, nosso treina- mento e nossa experiência. Como po- dem observar, Deus desafia cada um de nós a descobrir caminhos para consci- entemente reconhecermos o envolvi- mento de Cristo em nosso relaciona-

N um ambiente espiritualmente enriquecido, o poder de Deus

desfaz a escravidão dos aconselhados, cura suas mágoas e providencia a orientação que precisam para resolver outras dificuldades na vida.

entendê-las através do coração e da mente dEle. Isso nos ajudará a melhor servir a Deus e às pessoas. Quando assumimos esta postura es- piritual, Cristo nos capacita a sermos um canal eficaz que liga o coração e a men- te da pessoa aconselhada com o coração e a mente de Deus. Quando somos bem sucedidos nesta tarefa, os recursos ili- mitados de Sua sabedoria, poder e gra- ça incrementam sobrenaturalmente nosso treinamento e experiência no pro- cesso de aconselhamento, levando-o a outro patamar. Num ambiente espiri- tualmente enriquecido, o poder de Deus desfaz a escravidão dos aconse- lhados, cura suas mágoas e providencia a orientação que precisam para resolver outras dificuldades na vida.

mento com as pessoas aconselhadas. No meu trabalho de aconselha- mento, lembro-me, no início de cada sessão, de que Cristo está ali comigo e com a pessoa que irei aconselhar. Ele conhece as pessoas da maneira que pre- ciso conhecê-las. Sabe como motivá-las a usar sua dor como o caminho de pe- dras que poderá conduzi-las de onde estão para onde Deus sabe que pode- rão estar. Em cada sessão procuro me consci- entizar da minha necessidade da cons- ciência espiritual que permitirá que o Senhor compartilhe informações comi- go. Esse é o meu objetivo. Também ter- mino toda sessão orando e pedindo para que Deus me ajude a servir a pessoa, ou o casal, da maneira que Ele quer que

Tornando o Aconselhamento Cristão Cristocêntrico: O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral eu os sirva.

Tornando o Aconselhamento Cristão Cristocêntrico:

O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral

eu os sirva. Peço para que me ajude a ser para eles o que Ele quer que eu seja. Isso me mantém ciente das mi- nhas limitações e também me lembra que dependo do Senhor para dire- ção. Tal oração também centraliza a atenção da pessoa em Jesus como sua fonte primária de ajuda. Isso diminui a tendência da pessoa aconselhada de cri- ar uma dependência nociva de mim e a encoraja a construir uma dependên- cia saudável de Jesus. Qualquer esforço sério para fazer com que o aconselhamento seja ver- dadeiramente cristão também envol-

verá um olhar cuidadoso na maneira como Cristo realizou seu ministério de aconselhamento.

Como Foi que Cristo Abordou o Aconselhamento?

Os Evangelhos indicam claramente que compaixão foi a característica do- minante do ministério de aconselha- mento de Cristo. Pelo menos quatorze vezes no NT os escritores usaram al- guma forma da palavra compaixão para descrever a interação de Cristo com as pessoas. O que é compaixão? É a capacida- de de se colocar, o máximo possível,

no lugar de outra pessoa. Conselheiros compassivos são com- preensivos com as pessoas que acon- selham e sensíveis às suas necessida- des. Em sua mente, invertem os pa- péis com os aconselhados. Usam as in- formações que coletaram sobre eles e imaginam como deveria ser estar no lugar deles, naquela situação. A compaixão de Cristo é clara em seu diálogo com a mulher que estava junto ao poço (Jo 4) e a mulher pega em adultério (Jo 8). Jesus não concordou com os múlti- plos casamentos da primeira mulher e nem aprovou o relacionamento com o

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Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

homem com quem vivia. Também não aprovou o adultério da mulher em João 8. Contudo foi sensível e compreensi- vo em sua abordagem a essas mulhe- res. Jesus geralmente condenava a jus- tiça própria dos fariseus. Estes não es- tavam entre suas pessoas favoritas. Po- rém, quando Nicodemos solicitou sua ajuda (Jo 3), Jesus tratou-o com com- paixão, mesmo sendo Nicodemos um fariseu. Outra característica proeminente do aconselhamento de Cristo é o que cha- mo de confronto amoroso. Por exem- plo, mesmo que os múltiplos casamen- tos e o relacionamento atual da mulher fossem assuntos delicados, Jesus con- frontou-a, pedindo-lhe que chamasse seu marido. Reconheceu também o estado pe- caminoso da mulher pega em adulté- rio, ordenando que fosse e que não pe- casse mais. Jesus lembrou Nicodemos da diferença entre o nascimento natu- ral e o espiritual, confrontando-o com o fato da necessidade de nascer de novo. Jesus sempre encontrou uma ma- neira de confrontar amorosamente as pessoas com a verdade. Nunca foi rude ou insensível com aqueles que eram honestos o bastante para confessar os pecados e admitir a necessidade de aju- da. Não permitia, no entanto, que evi- tassem os assuntos que os trouxeram a Ele. Tanto compaixão como confronto amoroso são necessários para ajudar as pessoas a encarar as circunstâncias e os relacionamentos difíceis da vida. Conselheiros cristãos precisam con- tinuamente pedir ao Senhor que am- plie essa graça na vida deles. Isso é de fundamental importância.

Tornando o Aconselhamento Cristão Cristocêntrico:

O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral

homem com quem vivia. Também não aprovou o adultério da mulher em João 8. Contudo foi

Qual o Envolvimento do Espírito Santo no Aconselhamento?

Em João 14:26 Jesus disse: "mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lem- brar de tudo o que vos tenho dito." O Espírito Santo é um professor. Não apenas trará à memória os

fazer as mudanças que Jesus quer que ela faça para encontrar a cura e liberta- ção que precisa. Ao mesmo tempo, você pode con- tar com o Espírito Santo para lhe dar força interior necessária para tolerar ní- veis crescentes de estresse criados pe- las tentativas conflitantes do aconselha- do para escapar de sua dor espiritual e emocional, mas ao mesmo tempo lidar

A ssim como o Espírito Santo age na mente do conselheiro, age

também na mente do aconselhado.

ensinamentos de Cristo, como também coisas que precisamos lembrar sobre nossos aconselhados. O Espírito Santo pegará as coisas que aprendemos nas ciências sociais e nos ensinará a traduzi-las para termos uma percepção espiritual mais ampla. Mais especificamente, se tivermos ou- vidos para ouvir o que diz o Espírito, Ele nos ensinará como levar, a um pa- tamar mais alto, tudo que aprendemos sobre desenvolvimento humano, do- enças mentais, diagnósticos e técnicas de aconselhamento. Assim como o Espírito Santo age na mente do conselheiro, age também na mente do aconselhado. Em João 16:8 Jesus diz, "Quando ele vier, con- vencerá o mundo do pecado, da justi- ça e do juízo:" À medida que confron- tar compassivamente e amorosamen- te a pessoa com as circunstâncias que a fizeram procurar ajuda, você poderá contar com o Espírito Santo para criar níveis desconfortáveis de tensão den- tro da pessoa para que ela se motive a

com elas. Sem a capacidade de lidar com seus próprios níveis crescentes de ansiedade, a sua necessidade de con- forto pode levá-lo a evitar áreas na vida da pessoa aconselhada que precisem ser mais bem investigadas. Neste pon- to os limites de seu nível de conforto interferem no nível crescente de estresse necessário para provocar mu- danças na pessoa. Permitir que o Espí- rito Santo o ajude a desenvolver tole- rância aos níveis crescentes de tensão quando enfrentar momentos difíceis de aconselhamento, o tornará mais eficaz em acelerar as mudanças redentoras que Cristo quer trazer aos seus aconse- lhados. Lembre-se, até que a dor de per- manecer na mesma situação doa mais que a dor da mudança, as pessoas pre- ferirão permanecer como estão. Níveis intoleráveis de dor são essenciais para mover as pessoas de onde estão para onde Deus quer que estejam. Desen- volver um nível de tolerância maior para conflitos e estresse do que o do acon-

Tornando o Aconselhamento Cristão Cristocêntrico: O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral selhado lhe capacitará

Tornando o Aconselhamento Cristão Cristocêntrico:

O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral

selhado lhe capacitará a ajudá-lo com compaixão através dos períodos difíceis da vida que o fizeram procurar ajuda. É bom saber que, durante momentos desconfortáveis do aconselhamento, as pessoas podem lidar mais facilmente com situações desagradáveis de certeza do que com as de incerteza. Um acon-

ensão bíblica de como esses dons fun- cionam no relacionamento de aconse- lhamento pode nos capacitar a ser con- selheiros mais eficazes.

Discernimento de Espíritos

Os dons da mente podem aumentar grandemente o processo diagnóstico.

O dom de discernir espíritos é umaferramenta valiosa para

o conselheiro cristão para ajudar a

entender o status atual da batalha espiritual do aconselhado.

selhamento bem sucedido conduz a pessoa da incerteza para a certeza.

Dons Espirituais no Proces- so de Aconselhamento

Os dons do Espírito Santo também são recursos valiosos para o conselheiro, par- ticularmente para aqueles que são pentecostais ou carismáticos. Em 1 Coríntios 12:7-12, o apóstolo Paulo de- fine três conjuntos de dons espirituais. Os dons da mente incluem a palavra da sabedoria, palavra da ciência e o dom de discernir espíritos. Três dos dons são verbais: variedade de línguas, interpre- tação de línguas e profecia. Finalmen- te, existem os dons de poder: fé, opera- ção de milagres e dons de curar. Todos estes enriquecem sobrenaturalmente o aconselhamento. Os capítulos 12-14 da primeira carta aos Coríntios tratam do uso ordenado desses dons na adoração pública e na vida privada do crente. Uma compre-

Um clínico treinado desenvolve habili- dades em suas percepções visual, audi- tiva e tátil quando diagnostica os pro- blemas de uma pessoa. Quando o dom de discernimento de espíritos se torna parte deste processo, a capacidade diagnóstica é levada a um patamar su- perior. A abordagem secular ao aconselha- mento vê a atividade mental atual de uma pessoa como um desenvolvimen- to natural da interação entre sua história pessoal, as circunstâncias atuais da vida e os processos neuroquímicos do cére- bro. Não existe reconhecimento de ne- nhum impacto espiritual ou sobrenatu- ral neste processo. Apesar de os conselheiros cristãos reconhecerem o papel importante des- ses elementos naturais na atividade mental de uma pessoa, acreditamos que é principalmente o espírito da pessoa que dirige o processo mental. O ato de pensar é sempre uma guerra espiritual.

Em 1 Coríntios 6:19 e 20, Paulo dei-

xa claro que o propósito do corpo é ma- nifestar a presença de Deus na terra. Em Romanos capítulos 6 e 7, porém, Paulo reconhece o papel poderoso do pecado tentando fazer com que nosso corpo sirva ao mal. Em Romanos 6:16, ele declara o dilema humano: “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça?”

Ao mesmo tempo em que vida eter- na estimula a mente a entreter desejos, fantasias e ideias que resultariam em expressão de vida divina, o pecado esti- mula a mente a entreter desejos, fanta- sias e ideias que resultariam em expres- são do mal. A vontade humana se en- contra no meio desta batalha. A vontade determina a expressão da mente ou do espírito à medida que es- colhas são transmitidas através do cére- bro para serem expressas no corpo. Ob- servando as atitudes e o comportamen- to expressados através do corpo de uma pessoa, pode-se determinar a influên- cia espiritual que está ganhando na ba- talha pela vontade dela. O dom de discernir espíritos é uma ferramenta valiosa para o conselheiro cristão para ajudar a entender o status atual da batalha espiritual do aconselha- do. O clínico não deixa de lado suas ha- bilidades neste processo; ao contrário, o Espírito Santo os amplia.

Palavra de Conhecimento

Clínicos excelentes se tornam experts em unir os pontos da história de uma pessoa para ter o retrato do presente dela, porém, uma palavra de conheci- mento, vinda do Espírito Santo, a res-

12 Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Tornando o Aconselhamento Cristão Cristocêntrico:

O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral

Tornando o Aconselhamento Cristão Cristocêntrico: O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral peito da pessoa,

peito da pessoa, amplia essas habilida-

des. Tal palavra geralmente encontra

seu caminho na mente do conselheiro

sob a forma de palpite ou intuição.

É por isso que o conselheiro precisa

ter cuidado ao determinar como e quan-

do introduz tal palavra à pessoa. O con-

selheiro nunca deve impor essa palavra

de conhecimento. Apresentá-la como

sugestão dá ao aconselhado a oportuni-

dade de aceitá-la ou rejeitá-la.

Palavra de Sabedoria

Qualquer um que aconselha outras pes-

soas sabe que existem momentos críti-

cos na terapia. Como conselheiro, ad-

quire-se sabedoria natural para adminis-

especialmente útil para disciplinar e di-

rigir o diálogo entre o conselheiro e o

aconselhado.

O dom de falar em línguas em parti-

cular também proporciona ao conselhei-

ro pentecostal ou carismático um meio

maravilhoso para se analisar após cada

sessão. Durante este tempo ele pode li-

berar ao Senhor a tensão e o estresse de

sessões anteriores que seriam difíceis de

articular. Pode também usar esse dom

pessoal para interceder por seus acon-

selhados segundo a vontade de Deus

(Rm 8:26,27).

Fé, Operação de Milagres e Dons de Cura

de ter recebido, alguns anos atrás, uma

família missionária das Ilhas Salomão.

Certo dia, já bem tarde da noite, quatro

cidadãos bêbados invadiram a casa e

aterrorizaram a família, de todas as ma-

neiras imagináveis, até ao amanhecer.

Em três dias já estavam no Emerge.

O que não sabiam é que, um ano antes

desta tragédia, Deus havia trazido uma

psiquiatra pediátrica cristã da Albânia

comunista para estar naquele local, na-

quela hora, para ajudar os filhos daque-

le casal. O governo comunista não só ha-

via pago as despesas de viagem da fa-

mília dessa psiquiatra, como também os

custos com seu treinamento cristão. Os

filhos daqueles missionários responde-

trar estas situações. O conselheiro cris-

Segundo Hebreus 11:1,

fé é a certe-

a

ram bem à terapia. Hoje ambos servem

tão, contudo, não é limitado à sabedoria

za de coisas que se esperam, a convicção de

ao Senhor.

natural que vem da experiência.

fatos que se não vêem.” Para que os conse-

Coisas como esta não acontecem fre-

Tiago nos lembra que a sabedoria

lheiros sejam eficazes, é necessário que

quentemente. Por isso as chamamos de

de Deus está disponível para aqueles

sejam pessoas de fé. Até mesmo conse-

milagres.

que se humilham suficientemente para

pedi-la. “Se, porém, algum de vós necessita

de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá

liberalmente e nada lhes impropera; e ser-

lhe-á concedida.” (Tg 1:5).

Entretanto, existe uma palavra es-

pecial de sabedoria que o Espírito San-

to pode nos dar nos momentos de

aconselhamento, quando precisamos de

sua direção. Ela altera o que normal-

mente iríamos dizer ou fazer. Em

retrospecto, reconhecemos facilmente

sua origem divina pelo impacto de cura

que sua implementação tem na pessoa

aconselhada.

Línguas, Interpretação e Profecia

Esses dons verbais colocam à disposi-

ção do conselheiro um nível de fluência

além de sua habilidade natural. Isso é

lheiros seculares precisam ser capazes

de inspirar esperança nas pessoas.

Note o relacionamento entre fé e

esperança. A fé vem da esperança. Uma

das prioridades no início do processo de

aconselhamento é estimular a esperan-

ça nas pessoas. Esperança inspirada pelo

Espírito Santo pode fazer nascer o dom

de fé que permite tanto ao conselheiro

quanto ao aconselhado acreditarem que

a recuperação esperada se tornará reali-

dade.

Em raras ocasiões existe um resulta-

do inesperado divino que vai além da

fé e esperança – o milagre. Lembro-me

Além disso, o Espírito Santo distri-

bui dons de cura para nossos aconselha-

dos. Embora tenhamos, como conse-

lheiros cristãos, uma parte no processo

de trazer cura às pessoas, devemos re-

conhecer que o dom da cura concedida

aos nossos aconselhados vem do Espí-

rito Santo – e não de nós.

O aconselhamento cristocêntrico re-

quer mais que cristãos devotos bem trei-

nados nos campos de aconselhamento

profissional. É a infusão da presença de

Cristo e do Espírito Santo no processo

de aconselhamento que faz um aconse-

lhamento cristocêntrico.

Tornando o Aconselhamento Cristão Cristocêntrico: O Papel do Espírito Santo no Aconselhamento Pastoral peito da pessoa,
RICHARD D. DOBBINS, Ph.D. Fundador do EMERGE e atualmente diretor do Richard D. Dobbins Institute of

RICHARD D. DOBBINS, Ph.D.

Fundador do EMERGE e atualmente diretor do Richard D. Dobbins

Institute of Ministry, em Naples, Flórida (EUA), fundado por ele em 2007. Visite seu website: www.drdobbins.com

1414 •• Recursos Espirituais || NOVEMBRO

Recursos Espirituais

NOVEMBRO 2010

2010

O Conselheiro Cristão

O Conselheiro Cristão Competente Por DONALD A. LICHI Quais são as competências e qualidades essenciais de

Competente

Por DONALD A. LICHI

Quais são as competências e qualidades essenciais de um conselheiro pastoral eficaz?

O fato de que os pastores gas-

tam um bom tempo acon-

selhando é comprovado.

Apesar de um número cres-

cente de sistemas de saúde mental (psi-

cólogos cristãos, conselheiros, especia-

listas em relações humanas, personnal

coach", etc.), a maioria das pessoas ainda

vêem em seu pastor a primeira opção

para um aconselhamento e cuidado da

alma. A razão para isso é fácil de se en-

tender. O acesso natural dos pastores à

vida das pessoas através das pregações,

nascimento de filhos, desenvolvimen-

to infantil, adolescência, formatura, noi-

vado, casamento, novo casamento, cri-

ses, cerimônias, visitas hospitalares,

morte e serviços fúnebres fazem do pas-

tor a primeira opção óbvia em tempos

difíceis.

O pastor está em posição única para

oferecer cuidados abrangentes da alma

porque ele está atento semanalmente

(senão diariamente) ao membro. Dife-

rentemente da maioria dos terapeutas,

o pastor alimenta o rebanho com comi-

da espiritual e cuida para que o mesmo

esteja protegido das astutas ameaças

espirituais.

De diversas maneiras o pastor-pro-

fessor cuida do rebanho a longo prazo,

geralmente do seu nascimento à morte.

Como fundador do ministério EMER-

GE, o Dr. Richard D. Dobbins afirma:

“O pastor está em uma posição única para influenciar a horrível imagem negativa que uma pessoa tem de Deus, as ideias distorcidas, os hábitos destrutivos e lembranças dolorosas do passado”.

De um modo geral as pessoas confi-

am a seus pastores o cuidado de suas

almas. Os problemas apresentados ao

pastor não são diferentes dos apresen-

tados a um conselheiro profissional. Pre-

paração pré-nupcial, problemas matri-

moniais, relacionamento pai e filho, an-

siedade, culpa, depressão, vocação, pro-

blemas sexuais, vícios (incluindo porno-

grafia) e questões de fé estão no topo da

lista das principais preocupações.

Enquanto que igrejas maiores têm

mais pastores preparados e disponíveis

para prestar este tipo de serviço, em sua

maioria, o pastor típico da Assembleia

de Deus oferece aconselhamento den-

tre suas muitas responsabilidades. Mas

como o pastor fornece conselhos cris-

tãos eficazes?

O Que É Aconselhamento Cristão Competente?

Não demora muito para as pessoas des-

cobrirem que após a sua conversão elas

continuam lutando contra os maus há-

bitos de antes da conversão. Infelizmen-

te, problemas pós-conversão geralmen-

te levam os fiéis a duvidarem da sua sal-

vação.

Um cristão ainda carrega influênci-

as de seu histórico familiar, experiênci-

as de família e uma vida de escolhas.

Muito de sua história está enraizada na

estrutura de seus hábitos.

Todos têm, afinal de contas, uma

história que inclui o bem, o mau e o feio.

Tragédias e depressão são situações que

levam os membros da igreja a questio-

narem o amor e o cuidado de Deus.

Com frequência procuram o pastor em

busca de reafirmação, resgate e recupe-

ração.

O aconselhamento cristão compe-

tente exige que passemos além do sim-

ples gerenciamento de pecados ou mu-

dança de comportamento. O aconselha-

mento cristão competente deve ofere-

cer uma direção e meios para que se ini-

cie um programa de desenvolvimento

O Conselheiro Cristão Competente espiritual intencional e consciente onde o amor de Cristo venha antes de

O Conselheiro Cristão Competente

espiritual intencional e consciente onde

o amor de Cristo venha antes de qual-

quer coisa. O efeito será o tipo de for-

mação espiritual no aconselhado ao lon-

go do tempo onde se desenvolve cará-

ter, mente e hábitos

dos por Deus.

• Aquele que ajuda os outros a alcan-

çarem inteireza pessoal, competência nos re- lacionamentos interpessoais, estabilidade mental e maturidade espiritual.”

Gerard Egan afirma: “Conselheiros são

no Reino. A boa nova é que Cristo pode

salvar o pecador e transformá-lo a ima-

gem de Cristo. O Espírito de Deus tra-

balha para transformar a pessoa por in-

teiro. Ele cura o corpo, a mente, as emo-

ções, os relacionamentos e a nossa ca-

santos com-

eficazes na medida em que seus clientes, atra-

minhada com Jesus Cristo. Encorajar o

patíveis

vés da interação conselheiro-cliente, estão em

aconselhado a colocar sua confiança em

com a

melhor condição de gerenciar suas situações

Cristo é um privilegio maravilhoso e res-

vida

problemáticas e/ou desenvolver suas ferra-

ponsabilidade do pastor.

mentas e oportunidades ociosas de maneira

Idealmente, a pessoa que procura

mais eficaz.”

ajuda pastoral amadurece e adquire uma

 

O aconselhamento cristão compe-

condição de aptidão para o exercício das

 

tente auxilia no diagnostico de proble-

suas funções no Corpo de Cristo. Em

mas, determinando expectativas, defi-

outras palavras, a cura de uma pessoa

nindo pontos fortes e desenvolvendo es-

nunca favorece somente a ele. Mais do

tratégias de tratamento que permitem

que isso, Deus traz cura para a vida de

o aconselhado a melhor atingir seu po-

uma pessoa para o bem de outros tam-

tencial no Reino. Abordaremos esses as-

bém.

pectos mais detalhadamente abaixo.

O Propósito do Aconselhamento Cristão

O Planejamento e o Processo do Aconselhamento Cristão

Para que propósito Deus presenteou a

Competente

igreja com o pastor (do qual aconselhar

Para muitos pastores, a ideia de aconse-

d e

é uma função principal)? A resposta está

lhar tem um certo glamour. Afinal de

Cristo.

em Efésios 4:12 onde encontramos a fra-

contas, as pessoas procuram sua sabe-

Em suma, Deus

se

...

para o aperfeiçoamento dos santos.”

doria e direção para as complexas ques-

abençoou a igreja com diversos minis-

térios (apóstolos, profetas, evangelistas

e pastores-mestres) com o propósito de

completar e aperfeiçoar os santos, para

o trabalho do ministério.

Concordo com o Dr. Gary Collins,

pioneiro e líder na área de saúde men-

tal cristã, que oferece a seguinte defini-

ção de aconselhamento cristão: A tenta-

tiva de definir ou descrever o aconselhamento cristão tende a enfatizar a pessoa que acon- selha, as técnicas ou habilidades que são pra- ticadas e as metas a serem alcançadas com o aconselhamento. A partir dessa perspectiva o conselheiro cristão é:

• Um servo de Jesus Cristo profunda-

mente comprometido, guiado pelo e cheio do Espírito Santo.

• Aquele que usa seus dons, habilida-

des, treinamento, conhecimento e ideias da-

Aqui é usado o termo katartismon que

não é encontrado em nenhum outro lu-

gar do NT, apesar de verbos similares

serem encontrados em outros versos (Mt

4:21, “consertando alguma coisa”;

Hebreus 11:3, “trazendo o universo no iní-

cio à sua forma e ordem desejada.”; e

Gálatas 6:1, “restaurar a vida espiritual

de uma pessoa que caiu”).

Lembre-se que, a missão evange-

lística da igreja á apresentar Cristo aos

perdidos enquanto a que missão pasto-

ral (a qual inclui o aconselhamento) aju-

da os crentes a alcançar o seu potencial

tões da vida. No livro BUILDING YOUR

CHURCH THROUGH COUNSEL AND CARE (CONSTRUINDO SUA IGREJA ATRAVÉS DE ACONSELHAMENTO E CUIDADO), Randy

Alcorn escreve que, “Para quem vê de lon-

ge, aconselhar é muito bonito – parece miste- rioso, estimulante e desafiador. Mas de perto se vê as imperfeições.” Sendo o aconse-

lhamento difícil, cansativo e algumas

vezes frustrante, é fácil perder o senso

de glamour

. ...

Eu considerava o

aconselhamento como apenas uma das

fases do ministério pastoral. Agora eu sei

que isso pode facilmente sobrepor não

O Espírito de Deus trabalha para transformar a pessoa por inteiro.

16 Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

O Conselheiro Cristão Competente

O Conselheiro Cristão Competente somente seu ministério como também sua vida inteira. É como o camelo

somente seu ministério como também

sua vida inteira. É como o camelo pro-

verbial que enfia o nariz na tenda e, uma

vez dado esta liberdade, continua enfi-

ando os ombros e as patas dianteiras,

empurrando até que não haja mais es-

paço na tenda.

Eu aconselho pastores a não gastar

mais do que 4 a 6 horas por semana em

sua tarefa de aconselhamento. Também

sugiro que limitem a duração de acon-

selhamento individual para 3 a 5 ses-

sões. Se o problema não estiver basica-

mente resolvido neste período, pode ser

a hora de encaminhar.

Não subestime os efeitos de seus ser-

mões no aconselhado para tratar de suas

dúvidas corriqueiras. Lembre-se, acon-

selhamento individual pode consumir

o seu tempo. O aconselhamento é so-

mente uma dentre várias responsabili-

dades que você tem.

Para manter as expectativas realis-

tas, escreva um documento com alguns

princípios básicos que você usará no

aconselhamento.

Uma vez explicadas as expectativas,

o pastor deve estruturar a relação do

aconselhamento. Aqui está uma breve

amostra da estrutura que eu costumo

utilizar no inicio de uma relação de

aconselhamento:

O processo de aconselhamento con-

siste em três partes: a sua parte, a minha

parte e as coisas nas quais iremos traba-

lhar juntos.

A sua parte é discutir aberta e

honestamente as suas preocupações.

A minha parte é ouvir e tentar

entender. É por isso que faço pergun-

tas e anotações durante a sessão de

aconselhamento.

A terceira parte é uma respon-

sabilidade compartilhada e inclui sigilo,

tomada de decisão e aprendizado. Sigi-

lo significa que eu não irei compartilha-

rei com outras pessoas as coisas que con-

versamos na terapia. (Nota: as exceções

a esta regra incluem: risco de suicídio,

homicídio e abuso ou maus tratos infan-

tis.) Trabalharemos diligentemente jun-

tos para tomar decisões, mas a respon-

sabilidade pelas decisões é sua. Final-

mente, é meu desejo que você aprenda

uma série de coisas nas sessões de

aconselhamento que poderá aplicar em

outras áreas de sua vida.

Após estabelecer a estrutura, uma

boa maneira de iniciar o processo de

aconselhamento é perguntar: “Porque

você está aqui?”; “Como posso serví-

lo?”; “O que lhe trouxe aqui?” Eu per-

mito o aconselhado a dar uma breve ex-

plicação de suas preocupações. Em se-

guida, uso uma abordagem focada na

solução e peço ao aconselhado para ima-

ginar qual seria o resultado se ele pu-

desse solucionar o problema. Curiosa-

mente, as pessoas geralmente não pen-

sam em soluções ou situações preferi-

das quando focam somente seu proble-

ma.

Em seguida vem o planejamento das

metas. Eu oriento o aconselhado a de-

senvolver metas claras e gerenciáveis

que levem a solução do problema e to-

mada de decisão. Juntamente com o es-

tabelecimento das metas, trabalho com

o aconselhado para restaurar intencio-

nalmente uma saúde equilibrada do

corpo, mente, emoções, relacionamen-

tos e especialmente em sua caminhada

pessoal com Jesus Cristo. Portanto, é

comum que no início de cada sessão

subsequente eu faça perguntas sobre

estas cinco dimensões: física (alimenta-

ção, sono, exercício e descanso), inte-

lectual (pensamentos, anotações em for-

ma de diário, obsessões, leitura), emo-

cional (humor, energia), social (relacio-

namentos mais importantes, vida no tra-

balho, vida em casa e amizades) e espi-

ritual (vida devocional, oração, leitura

O Conselheiro Cristão Competente bíblica, disciplinas espirituais). Tam- bém trabalho com o aconselhado para desenvolver metas

O Conselheiro Cristão Competente

bíblica, disciplinas espirituais). Tam-

bém trabalho com o aconselhado para

desenvolver metas mensuráveis em

cada um desses cinco aspectos.

simplesmente rejeitam o trabalho que

foi feito.

O apóstolo Paulo sentiu algo similar

após dedicar sua vida e coração às igre-

car se o aconselhado alcançou os resul-

tados esperados. É importante verificar

o que você esperava. O que funcionou

e o que não funcionou? O aconselhado

Lembre o aconselhado que a força

de vontade é uma parte essencial do

aconselhamento, mas é insuficiente para

lidar com hábitos de pecado que estão

enraizados. A vontade humana nunca

pode suprir o que a graça de Deus pode.

Viver e andar nos caminhos de Deus,

da graça disciplinada, produz em nós

uma disposição a agir e fazer a Sua von-

jas dos Gálatas e descobrir que eles ha-

viam rejeitado a verdade simples da sal-

vação pela fé em Cristo Jesus. Ele so-

freu ao testemunhar membros da igreja

retroceder e voltar para os “rudimentos

fracos e pobres.” de suas vidas passadas

(Gl 4:8,9). Ele comparou sua dor com

“dores de parto até Cristo ser formado em

você.” (Gl 4:19). Talvez você tenha sen-

progrediu na obtenção de seus objeti-

vos? Você percebe os efeitos de uma

vida transformada e o desenvolvimen-

to de novos e bons hábitos? Você per-

cebe o fruto do Espírito na vida do acon-

selhado (Gl 5:16-26)? Você vê o acon-

selhado tomando decisões que negam

o antigo “eu” e reforçam o novo? Ele

evita a imoralidade, o egocentrismo e

tade (Fp 2:13).

Ao final de cada sessão, dê uma li-

ção para casa. Isso demonstra que você

tido o mesmo, tendo doado seu coração

no aconselhamento de alguém em sua

congregação e em seguida vê-lo rejeitar

os vícios? Ele desenvolve afeição pelos

outros, prazer em viver e serenidade?

Existe o desejo de perseverar nas as coi-

espera que ele assu-

ma responsabilidade

no processo de acon-

selhamento. A lição

de casa é um voto de

confiança de que ele

pode fazer mudanças

A vontade humana nunca pode suprir o que a graça de Deus pode.

sas de Deus? Existe

compaixão em seu co-

ração? Resumindo, o

aconselhado ama as

coisas que Deus ama

e rejeita as coisas que

Deus rejeita? Ele se

saudáveis em sua vida com a ajuda de

a sabedoria divina e retroceder a sua for-

entristece com as coisas que entristecem

Deus.

Saúde equilibrada, ao longo do tem-

po, reverte muitas das consequências

ma de vida antiga. Descanse, certo da

verdade da palavra de Deus e de Seus

caminhos.

o Espírito Santo?

Por causa da sua dependência no

Santo Espírito, o pastor deve esperar

dos hábitos não saudáveis e constrói uma

estrutura de hábitos bíblicos na vida do

aconselhado.

A sessão de aconselhamento termi-

Continue encorajando, rogando, avi-

sando, admoestando e expondo ao acon-

selhado as previsíveis consequências de

suas escolhas.

progresso sobrenatural em situações di-

fíceis no aconselhamento.

O aconselhamento Cristão compe-

tente depende do Espírito Santo para

na com uma oração que pede ao Espíri-

to Santo de Deus que lembre, auxilie,

conforte, convença e desafie o aconse-

lhado. A oração também proporciona a

oportunidade de resumir os pontos im-

portantes da sessão de aconselhamento.

Deixe-o avisado de que se continu-

ar alimentando o “velho eu”, isso o le-

vará a uma quebra de relacionamento

com Deus e terá outras consequências

negativas (ver Gl 5:16ss). Por outro lado,

se o aconselhado sabiamente se subme-

dar poder, conforto e discernimento. O

pastor é um canal importante através do

qual o Espírito Santo ministra efetiva-

mente às antigas feridas do aconselha-

do, provê capacitação para as lutas da

vida atual e oferece esperança para um

ter a palavra de Deus e caminhar com o

A Dor do Aconselhamento Cristão Competente

O aconselhamento cristão competente

é arriscado. Algumas vezes é doloroso.

O desapontamento principal que os pas-

tores enfrentam é quando as pessoas

começam a fazer algum progresso e de-

pois começam a falhar, voltam atrás ou

Espírito Santo, sua vida irá produzir o

fruto do Espírito (Gl 5:22ss).

Avaliando o Aconselhamento Cristão Competente

Para avaliar um aconselhamento Cris-

tão competente o pastor precisa verifi-

futuro glorioso. DONALD A. LICHI, Ph.D. Psicólogo e vice-presidente do Emerge Ministries, Inc., em Akron, Ohio
futuro glorioso.
DONALD A. LICHI,
Ph.D.
Psicólogo e
vice-presidente do
Emerge Ministries,
Inc.,
em Akron, Ohio (EUA).

18 Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Os Grandes Desafios do Cuidado Pastoral / DOUG WIEGAND

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas

  • D e todas as necessidades trazidas ao pastor, poucas são tão complexas e difíceis de li dar quanto aquelas de doenças

   

e dores crônicas. Doença crônica e dor crônica

(DC/DC) tem um impacto tremendo na qua-

lidade de vida de um indivíduo. Só de saber

que provavelmente terão que viver a vida toda

(salvo um milagre de cura) lidando com a des-

truição da doença ou da dor é um fardo enor-

me de se carregar. Portanto, a cosmovisão da-

queles com DC/DC, até mesmo a do crente

cheio do Espírito Santo, é bastante diferente

daquela de uma pessoa saudável. Aqueles com

DC/DC pertencem a uma população sui-

generis que os coloca à parte da maioria das

outras pessoas.

 

As duas pragas – DC/DC – existem em

 

Parkinson, cegueira, lesões cerebrais traumá-

proporções epidêmicas nos Estados Unidos.

ticas, malformações congênitas e um grande

De acordo com os Centers for Disease Control

número de doenças mentais.

(Centro de Controle de Doenças) e o National

De acordo com a American Chronic Pain

Center for Chronic Disease Prevention and

Association (Associação Americana para Dor

Health Promotion (Centro de Prevenção de

Crônica), aproximadamente 50 milhões de

Doenças Crônicas e Promoção da Saúde), o

americanos vivem com dor crônica. A dor crô-

número de indivíduos que sofrem com doen-

nica é definida como desconforto físico contí-

ças crônicas varia entre 54 milhões (1 em cada

nuo suficientemente severo para interferir nas

5 americanos) e 90 milhões (1 em cada 3 ame-

atividades normais da vida de um indivíduo.

ricanos). A doença crônica é definida como

Pode incluir: lesões da coluna, artrite reuma-

qualquer incapacidade física, psiquiátrica ou

tóide, neuropatia, câncer, distúrbios gastro-in-

cognitiva que interfira significantemente no

testinais e enxaqueca. Dois terços desses 50

dia-a-dia do indivíduo. Portanto, doença crô-

milhões convivem com dor crônica há mais

nica engloba um grande número de doenças,

de 5 anos. Uma vez que nossa percepção de

incluindo: doenças cardíacas, diabetes,

tempo é relativa, imagine a “eternidade” que

esclerose múltipla, distrofia muscular, mal de

5 anos de dor podem parecer.

DOUG WIEGAND, Ph.D. Conselheiro profissional em Pittsburgh, Pennsylvania (EUA).

Os Grandes Desafios do Cuidado Pastoral / DOUG WIEGAND Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles

A dor crônica aumenta o tormento daqueles que convivem com doença crônica.

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas Muitos que sofrem de

Muitos que sofrem de DC/DC têm receio de discutir seus problemas com qualquer pessoa.

Muitos que sofrem de DC/DC têm receio

de discutir seus problemas com qualquer pes-

soa. O medo de não ser compreendido, a ver-

gonha e sentimentos de fracasso são as razões

mais comuns para não procurarem ajuda. Po-

rém, um pastor compassivo, disposto a lidar

com os problemas esmagadores encarados por

alguém que sofre de DC/DC, tem uma opor-

tunidade única de ministrar esperança ao de-

sesperado.

A dor crônica aumenta o tormento daque-

les que convivem com doença crônica. Inde-

pendentemente de ser moderada ou mesmo

agonizante, a dor constante pode desgastar até

o cristão mais fiel.

A citação a seguir, de um de meus clien-

tes, demonstra o quão difícil é conviver com

neuropatia crônica: “Às vezes, acho que não vou

aguentar. Dia após dia a dor me desgasta. Está sem- pre lá. Me dilacera. Alguns dias são piores que ou- tros, mas está sempre lá. Às vezes, é uma dor monó- tona latejante, como uma dor de dente. Aí, digo a mim mesmo: Não está tão ruim. Você aguenta. Mas a qualquer momento aquela dor piora sem aviso pré- vio e sinto uma pontada, como uma navalha afiada, me cortar. Eu tento não gritar, mas às vezes suspiro surpreso e agarro minha perna. A expressão de tris- teza da minha esposa é pior que a dor.” ( TRUCK

DOWN BUT NOT DESTROYED!: A CHRISTIAN RESPONSE TO CHRONIC ILLNESS AND PAIN.)

Baseado nas estatísticas da citação acima,

as chances são grandes de que você seja cha-

mado para cuidar de um indivíduo com DC/

DC. A doença crônica dessa pessoa pode ter

limitado severamente sua mobilidade. Talvez

a dor crônica tenha tirado a capacidade para

trabalhar. Quando você enfrentar problemas

difíceis ao ajudar um membro da igreja com

DC/DC, certamente precisará da sabedoria do

Espírito Santo para ser eficaz.

É difícil para aqueles que são relativamente

20 Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

saudáveis entenderem as experiências de vida

daqueles que sofrem de DC/DC.

Existe um padrão de atitudes, crenças e

comportamentos comuns aos doentes crôni-

cos ou aos que sofrem de dor crônica. A com-

preensão desses temas ajudará o pastor a es-

tar mais bem preparado para o aconselha-

mento.

A angústia de tentar suportar a dor inces-

sante é prejudicial ao ser humano. Dividi a

personalidade humana em três dimensões

fundamentais que são negativamente impac-

tadas por DC/DC: espiritual, relacional e emo-

cional.

A Dimensão Espiritual

A dimensão espiritual contém os esforços e

desejos sobrenaturais da alma humana. Aque-

les com DC/DC frequentemente têm mui-

tas dúvidas sobre a natureza ou até a realida-

de de Deus. É vital, portanto, que logo no

início de um processo de aconselhamento, o

pastor, respeitosamente, procure uma opor-

tunidade para conversar sobre crenças espiri-

tuais e seu relacionamento com Jesus.

À medida que progredir o aconselha-

mento, o pastor terá preparado o cenário para

apresentar o plano de salvação ou então forta-

lecer a fé do crente.

É somente quando se permite que Jesus

carregue o fardo, que uma pessoa poderá en-

contrar força para suportar a dor ou o sofrimen-

to constante.

Por que?

O pastor conselheiro provavelmente terá que

lidar com os por quês. Especificamente, “Por

que eu preciso sofrer com essa dor e doen-

ça?” Existem muitos outros por quês que se-

rão feitos: “Por que eu não sou curado?”“Por

que um Deus de amor permite dor e sofri-

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas

mento?” Essas questões estão entre as mais

importantes em todo o cristianismo. Falo de-

talhada-mente sobre elas em meu livro,

STRUCK DOWN BUT NOT DESTROYED!: A CHRISTIAN RESPONSE TO CHRONIC ILLNESS AND PAIN (ABATIDOS, PORÉM NÃO DESTRUÍDOS: UMA RESPOSTA CRISTÃ À DOR E À DOENÇA CRÔNI-

CA).

A seguir estão três explicações bíblicas do

por quê das DC/DC estarem presentes no

mundo:

  • 1. Vivemos em um mundo contami-

nado pelo pecado. O paraíso terreno perfeito

que Deus criou (o Jardim do Éden) foi perdi-

do. Paulo explica que “por um só homem (Adão)

entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte,

assim também a morte passou a todos os homens,

porque todos pecaram.” (Rm 5:12). Todas as

pessoas no mundo (com intensidades diferen-

tes) lidam com doença, dor, envelhecimento

e morte por causa do pecado original de Adão

e Eva.

  • 2. Ter DC/DC não é uma indicação

da punição de Deus por causa de seu pecado

individual. Como afirma Paulo na carta à Igreja

em Roma, “pois todos pecaram e carecem da gló-

ria de Deus.” (Rm 3:23). Se DC/DC fosse pu-

nição por pecado individual, então todos teri-

am a mesma oportunidade de serem acome-

tidos dessas enfermidades.

A Bíblia descreve circunstâncias em

que o pecado de uma pessoa levou à sua do-

ença. Mas é essencial que essa possibilidade

seja considerada apenas após muita oração e

confirmação do Espírito Santo. Amigos de Jó

podem causar um grande estrago em indiví-

duos com DC/DC que já se encontram isola-

dos.

  • 3. Deus pode permitir que soframos

para trazer benefícios e crescimento espiritu-

ais. De acordo com o salmista, “Foi-me bom ter

O Que Fazer e o Que Não Fazer Quando Aconselhando Pessoas com Doenças Crônicas e Dor
O Que Fazer e o Que
Não Fazer Quando
Aconselhando Pessoas com
Doenças Crônicas e Dor
O Que Fazer:
O Que Não Fazer:
1.
Estabelecer um relacionamen-
1.
Ficar com medo da pessoa.
to atencioso.
2.
Oferecer chavões superficiais.
2.
Ouvir. Ouvir. Ouvir.
3.
Ser paternalista.
3.
Perguntar sobre a dor e a do-
4.
Ficar frustrado e se afastar.
ença.
5.
Perder o senso de humor.
4.
Aprender sobre a doença.
6.
Presumir que conhece o pla-
5.
Encorajá-los a se aconselha-
no de Deus para o futuro do so-
rem com você ou com outra
fredor.
pessoa.
7.
Orar somente pela cura. Deve-
6.
Confiar no Espírito Santo para
-se orar também para que te-
guiá-lo.
nham forças para perseverar.
7.
Estar alerta para qualquer si-
8.
Esquecer que você pode con-
nal de depressão ou pensa-
sultar outros profissionais.
mento suicida.
9.
Esquecer o isolamento daque-
8.
Orar regularmente com eles.
les com DC/DC.
9.
Ser flexível e paciente.
10. Esquecer que Deus está com
10. Estar ciente das necessida-
você enquanto você aconse-
des do cônjuge e filhos.
lha.
DOUG WIEGAND, Ph.D.
Conselheiro profissional em Pittsburgh, Pennsylvania (EUA)

eu passado pela aflição, para que aprendesse os

teus decretos.” (Sl 119:71). É muito comum pro-

curarmos o Senhor com sinceridade e fé ape-

nas quando sofremos com um problema e não

temos outra saída.

Quando se aconselha aqueles com DC/

DC, é importante enfatizar que Jesus enten-

de a sua dor e se compadece do seu sofrimen-

to. Ele conheceu toda sorte de sofrimento fí-

sico, emocional e espiritual. O profeta Isaías

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas O conselheiro pastoral terá

O conselheiro pastoral terá que lidar com os “por quês”

descreveu Jesus como “homem de dores e que

sabe o que é padecer.” (Is 53:3). Apesar dos sen-

timentos de alienação e solidão que tem a pes-

soa com DC/DC, existe conforto no conheci-

mento de que Jesus “tomou sobre si as nossas

enfermidades e as nossas dores levou sobre si.” (Is

53:4). Jesus está juntamente com a vítima de

DC/DC durante toda sua jornada para ame-

nizar o sofrimento.

Sentimentos de incapacidade e baixa auto-estima

Quando uma pessoa com DC/DC tenta se

ajustar à vida com grandes limitações, é típico

que sua auto-estima sofra. Vivemos em uma

sociedade que dá alto valor ao sucesso e às

realizações. Nosso senso de valor é geralmen-

te vinculado ao nosso trabalho ou aos nossos

bens. Pessoas que se encontram limitadas a

uma cadeira de rodas ou que necessitam de

um cão guia, não possuem mais a mesma ca-

pacidade de produzir ou competir com uma

pessoa saudável. Portanto, não fazem mais par-

te do grupo.

É importante que o pastor conselheiro lem-

bre a pessoa com DC/DC de que existe um

sistema de valores falso neste mundo. As pes-

soas precisam ser encorajadas ao aprenderem

que seu valor para Deus é incondicional e não

baseado em sua capacidade de produzir.

Os cristãos precisam ser fortalecidos pelo

conhecimento de que nosso valor intrínseco

é baseado em dois fatores. Primeiro, “Criou

Deus, pois, o homem à sua imagem.” (Gn 1:27).

Segundo, “O próprio Espírito testifica com o nosso

espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8:16).

Cada cristão é uma parte única e essencial do

corpo de Cristo, independentemente de

suas limitações.

A doença ou a dor não diminui a impor-

22 Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

tância do papel que representamos no plano

de Deus.

A Dimensão Relacional

Afastamento

Existe uma forte tendência para aqueles com

DC/DC de se afastar de amigos, vizinhos, co-

legas de trabalho, membros da igreja e famí-

lia. Também se afastam das atividades nas

quais estavam regularmente envolvidos, in-

cluindo a igreja. Os pastores precisam ter cui-

dado para não se ofenderem ou reagirem

exageradamente às suas ausências. Embora

se isolem como mecanismo de proteção, isso

apenas piora seus sentimentos de alienação e

solidão.

O afastamento de uma pessoa com fre-

quência provoca danos severos ao relaciona-

mento com o cônjuge. De acordo com uma

pesquisa recente da National Health Inter-

view, a taxa de divórcio para casamentos onde

um dos parceiros tenha DC/DC é maior que

75%. Assim, o cônjuge é também uma vítima

de DC/DC. O pastor que aconselha casais com

DC/DC precisa considerar a necessidade de

aconselhamento conjugal e familiar (depen-

dendo da idade dos filhos) juntamente com

as sessões individuais.

Hipersensibilidade

Uma pessoa com DC/DC é hipersensível a

qualquer indício de desaprovação ou condes-

cendência. Por exemplo, poucas palavras irão

afastá-los tão rapidamente quanto: “Sei exa-

tamente o que você está passando.” Mesmo

dita pelo pastor mais amável, essa frase pene-

tra como uma facada na pessoa com DC/DC.

O que foi dito com intenção de ser uma pala-

vra de conforto e empatia acaba sendo recebi-

do como um chavão superficial. Para uma pes-

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas

soa sensível demais que sofre de DC/DC,

serve apenas para afastá-la ainda mais das pes-

soas normais. Porém, o pastor conselheiro com

maturidade espiritual pode agir com a com-

paixão de Jesus. Ele pode ser a ponte que

religa o isolamento causado pela pessoa hi-

persensível. O pastor pode demonstrar o amor

e a aceitação de Deus. O salmista Davi se ale-

grou no amor eterno de Deus pelos Seus fi-

lhos nessas palavras: “Pois a tua misericórdia se

eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nu-

vens.” (Sl 57:10).

A Dimensão Emocional

Depressão e Ansiedade

Em quase todos os casos de DC/DC, a vida

emocional da pessoa é negativamente afeta-

da. Com o passar do tempo, ela perde pro-

gressivamente a capacidade de lidar com o

estresse. Estima-se que 25% daqueles com

DC/DC tem os critérios clínicos para depres-

são crônica (distimia). A maioria das pessoas

com depressão também sofrem de alguma for-

ma de ansiedade. Juntas, essas doenças rou-

bam dessas pessoas recursos espirituais, ener-

gia emocional e foco intelectual necessários

para combater sua dor e doença.

Pessoas com depressão crônica (distimia)

passam pela vida em câmera lenta. Suas rea-

ções emocionais estão comprometidas e uma

nuvem de pessimismo paira sobre suas cabe-

ças. Até mesmo as atividades mais básicas pa-

recem estar além de sua capacidade. Nada traz

alegria e elas se sentem sem esperança.

Agora acrescente os sintomas de ansieda-

de à distimia. Ansiedade faz com que as pes-

soas se sintam nervosas e não se sintam à von-

tade. Preocupam-se com tudo. Suas mentes

correm de um pensamento negativo para ou-

tro. Podem até sofrer um ataque de ansieda-

de causando taquicardia e tremores de mãos,

consequência da adrenalina que corre pelas

suas veias.

Para combater a depressão e a ansiedade,

o pastor deve ajudar essas pessoas a compre-

enderem que a depressão e ansiedade são re-

ações comuns aos problemas de saúde pelos

quais estão passando. O pastor deve lembrá-

las de que Deus é sua força e esperança sem-

pre presentes em tempos de angústia. O

salmista escreveu, “Bendito seja o Senhor que,

dia a dia, leva o nosso fardo!” (Sl 68:19).

Transtorno de Ajustamento

Essa categoria de sintomas se refere à confu-

são e inatividade que inundam aqueles que

sofrem de DC/DC. Sentindo-se esmagadas

em dúvida, congelam e não fazem nada. Os

que sofrem tornam-se passivos e incapazes

de ajudar na própria recuperação.

Tipicamente, o transtorno de ajustamen-

to ocorre durante o estágio inicial da doença

ou da lesão, logo que se vêem obrigadas a

encarar suas limitações e mudanças no modo

de vida. É importante que o pastor contate o

membro de sua congregação assim que sou-

ber da doença ou do acidente. Nesse estágio

inicial, um alicerce poderá ser estabelecido, o

qual ajudará a acelerar o processo de ajuste à

condição. Quando o transtorno de ajustamen-

to torna-se um estilo de vida de longo prazo é

muito mais difícil ajudá-los.

Conclusão

Está claro que os problemas relacionados à

DC/DC são numerosos e complexos. Apesar

das dificuldades, se o Espírito Santo o capaci-

tou com a habilidade e a compaixão de acon-

selhar, eu o desafio aqui a alcançar os que

estão isolados e que sofrem de DC/DC.

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas soa sensível demais que
Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas soa sensível demais que

Quando se aconselha aqueles com DC/DC, é importante enfatizar que Jesus entende a sua dor e se compadece do seu sofrimento.

Ministério&Ética Médica / CHRISTINA M. H. POWEL

Abordagem Convencional, Complementar e Alternativa para Cura

Medicina convencional tende se focar mais em curar doenças do que em manter a saúde.

   

Estados Unidos e em outras nações ociden-

tais é chamada de medicina convencional.

Aqueles que são licenciados para praticar a me-

dicina convencional são médicos, enfermeiras

registradas, e outros profissionais da área de

saúde como, terapeutas, nutricionistas, e psi-

cólogos.

Outro nome para medicina convencional

é medicina alopática, criada por Dr. Samuel

Hahnemann no século XVIII. O termo alopatia

é derivado do grego allo que significa outro e é

baseado na teoria de que sintomas devem ser

tratados por substâncias que suprimem sinto-

mas. Hahnemann então fundou homeo-

patia, um sistema de medicina alternativa ba-

seado na teoria de que semelhante cura se-

melhante.

O foco no tratamento de sintomas e o diag-

 

nóstico preciso de sua causa é um dos maiores

U ma boa saúde é um presente

precioso de Deus. Quando al-

guma doença ou ferimento

ameaça nossa saúde, rapida-

 

pontos fortes da medicina convencional.

Os testes de diagnósticos usados na medi-

cina convencional – raios X, tomografia

computadorizada, EEC, ECG, e vários outros

mente procuramos restabelecê-la.

testes sanguíneos – podem revelar a presença

No mundo da medicina, existem várias

de uma doença antes mesmo que o paciente

abordagens para cura: medicina convencio-

comece a apresentar sintomas. Estes testes de

nal, complementar, e alternativa.

diagnósticos podem salvar vidas.

Pastores podem se beneficiar com pesqui-

A medicina convencional também têm de-

sas de várias abordagens para cura e suas pos-

senvolvido armas poderosas contra doenças in-

síveis implicações espirituais quando procu-

fecciosas, como, antibióticos e vacinas. Exce-

rarem manter sua própria saúde enquanto su-

lentes ferramentas para ajudar a recuperação

prem as necessidades dos membros da igreja

de uma vítima de acidentes também se inclu-

que precisam de cura.

em em medicina convencional – técnicas para

fixação óssea, prevenção de hemorragias, e ci-

Medicina Convencional:

rurgia plástica que recupera a aparência física

Pontos fortes e fracos

de uma pessoa.

A forma dominante de medicina praticada nos

Ainda, a abordagem que faz da medicina

Ministério & Ética Médica / CHRISTINA M. H. POWEL Abordagem Convencional, Complementar e Alternativa para Cura

CHRISTINA M.H. POWEL, Ph.D., ministra norte-americana ordenada e cientista de pesquisas

médicas, prega em igrejas e conferências em todos os EUA. Ela é pesquisadora na Escola de

Medicina de Harvard e no Hospital Geral de Massachussets, assim como fundadora do

Life Impact Ministries.

24 Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas

convencional um sucesso no tratamento de

  • a) Sistema médico alternativo

doenças baseadas em patógenos, desequilíbrio

  • b) Intervenção corpo/mente

químico e lesão aguda pode ser um ponto fra-

  • c) Terapias com bases biológicas

co no tratamento de muitas doenças crônicas

  • d) Métodos baseados em manipulação

como artrite, fibromialgia, e mal de Alzheimer.

corporal

Em geral, a medicina convencional foca-

  • e) Terapias de energia.

se mais em curar doenças e menos em man-

Os sistemas médicos alternativos são sis-

ter a saúde. As principais ferramentas desse

temas completos de teoria e prática que se

tipo de medicina são drogas, cirurgias, e radia-

desenvolveram independentemente da me-

ção.

dicina convencional. Homeopatia e naturo-

Medicina convencional tende a se focar

patia são dois sistemas médicos que se desen-

em partes individuais que não estão funcio-

volveram nas culturas ocidentais, enquanto a

nando ao contrário de focar a pessoa como um

medicina tradicional chinesa e Ayurveda são

todo.

exemplos de sistemas médicos desenvolvidos

Em contraste, medicina alternativa se foca

nas culturas não ocidentais. Ambos sistemas

mais em previnir doenças e manter a saúde

são baseados em crenças religiosas orientais.

através de mudanças de hábitos, como a die-

A teoria por trás da medicina chinesa é ba-

ta, exercícios, e o uso de suplementos nutri-

seada na filosofia Taoísta e no dualismo yin

cionais.

yang. Yin representa o princípio frio, lento ou

passivo, enquanto o yang representa o princí-

Medicina Alternativa:

pio quente, agitado ou ativo.

Capacidade e Cautela

A saúde tem resultados quando o corpo

Medicina alternativa é uma abordagem para

possui as forças de yin e yang balanceadas. A

a cura usada no lugar de medicina conven-

doença acontece devido ao desequilíbrio in-

cional.

terno de yin e yang que levam à um bloqueio

A medicina complementar, por outro lado,

do fluxo da energia vital (qi ou chi) pelas vias

é usada juntamente com a medicina conven-

do corpo conhecidas como meridianos. Atra-

cional. Por exemplo, se uma dieta especial é

vés do uso da acupuntura, preparações com

usada no tratamento de câncer no lugar de

ervas, e massagem, o praticante da medicina

uma cirurgia recomendada por um médico

tradicional chinesa tenta restaurar o equilíbrio

convencional, a dieta pode servir como uma

entre yin e yang.

terapia alternativa. Porém, se uma dieta espe-

Ayurveda significa conhecimento da vida em

cial foi usada para combater colesterol alto em

Sânscrito. Os princípios da Ayurveda destinam-

um paciente com doença de coração, além da

se a capacitar uma pessoa a se encarregar de

cirurgia de revascularização, a dieta pode vir a

sua própria vida e cura. A teoria por trás de

ser como uma terapia complementar.

Ayurveda é baseadas na Vedas, ou escrituras

Uma vez que a mesma terapia pode servir

Hindus. Assim como a medicina tradicional

tanto como complementar ou alternativa, as

chinesa, Ayurveda reconhece energias básicas.

outras terapias fora da medicina convencional

Nesta abordagem para a cura, existem 3

são geralmente agrupadas sob o termo terapi-

energias básicas que devem estar equilibra-

as MCA (medicina complementar e alterna-

das:

tiva).

  • a) Vata (vento)

A National Center for Complementary and

  • b) Pitta (fogo)

Alternative Medicine, do National Institute

  • c) Kapha (barro ou terra).

of Health, classifica terapias MCA em 5 ca-

Através do uso de ervas, nutrição, proces-

tegorias:

so de limpeza, massagem de acupressura, e

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas convencional um sucesso no

Os sistemas médicos alternativos são sistemas completos de

teoria e prática que se desenvolveram

independente-

mente

da medicina

convencional.

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas Uma boa pesquisa científica
Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas Uma boa pesquisa científica

Uma boa pesquisa científica é a chave para discernir a diferença entre tratamentos eficazes e tratamentos inúteis e perigosos

yoga, o praticante da Ayurveda tenta restaurar

o equilíbrio entre as três energias da pessoa.

Os pontos fortes do sistema médico alter-

nativo é a integração da mente, corpo, e espí-

rito que é geralmente deficiente na medicina

convencional.

Para os cristãos, porém, a ligação entre es-

sas abordagens da medicina e antiga religião

oriental é motivo de cautela. As teorias de ener-

gia da vida por trás desses sistemas não possu-

em base científica ou bíblica.

Alguns médicos que rejeitam as teorias

Taoístas de acupuntura, têm desenvolvido

teorias fisiológicas que podem justificar o uso

limitado da acupuntura como analgésico. Em

alguns casos, o motivo da preocupação espiri-

tual é minimizado.

A segunda categoria de teoria MCA é in-

tervenção corpo/mente, onde uma variedade

de técnicas é usada para realçar a capacidade

da mente afetar o corpo. Algumas técnicas

nessa categoria são consideradas parte de uma

terapia convencional, como grupo de suporte

a pacientes. Outras técnicas são também con-

sideradas alternativas, incluindo meditação,

oração, biofeedback, terapias baseadas em arte,

música e dança.

Resultados de pesquisas relacionados com

interação corpo-mente incluem estudos que

revelam a importância de interações sociais,

relacionamentos saudáveis, e o compareci-

mento nos cultos em manter uma saúde am-

bos mental e física. Esses resultados compõem

um material excelente para ilustrações durante

as pregações. Por outro lado, outras terapias

nesta categoria derivam de pensamentos de

Nova Era, por isso deve-se ter cautela.

A terceira categoria de terapias MCA é a

terapia com bases biológicas. Estas terapias

utilizam substâncias encontradas na nature-

za, como produtos à base de ervas, suplemen-

tos minerais e vitamínicos, e antioxidantes de-

rivados de frutas e vegetais.

Ervas são a forma mais antiga de cuidados

com a saúde e são a base de muitas drogas

usadas frequentemente na medicina conven-

26 Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

cional. Na verdade, aproximadamente 25%

de prescrições médicas dispensadas nos EUA

contém pelo menos um ingrediente derivado

de material sintetizado para imitar um com-

posto de planta natural.

Portanto, medicamentos à base de ervas

podem ser eficazes no tratamento de várias

doenças. Além disso, algumas ervas, assim

como drogas usadas na medicina convencio-

nal, podem causar efeitos colaterais e toxici-

dade em altas doses.

A pureza e a dosagem são pontos impor-

tantes relacionados à medicamentos à base de

ervas. Ervas podem conter uma mistura com-

plexa de ingredientes ativos.

As drogas derivadas de ervas são prepara-

ções puras do componente ativo mais impor-

tante de uma determinada planta. Portanto, é

mais fácil estabelecer corretamente a dose (am-

bos segura e eficaz) de um componente puri-

ficado de uma erva do que a dose correta da

própria erva. Além disso, alguns componen-

tes podem ser tóxicos. A purificação permite

o componente medicinal ser separado de qual-

quer componente tóxico.

Por outro lado, a eficácia de algumas ervas

pode vir de alguns constituintes, fazendo com

que a erva não purificada seja mais eficaz que

um ou dois componentes de uma erva puri-

ficada.

Alguns cuidados devem ser observados

para as terapias com bases biológicas.

1. Natural não significa não tóxico. Al-

guns componentes de plantas, como alcalóides

pirrolizidínicos são carcinogênicos. Por exem-

plo, a erva Confrei, cujas folhas e raízes curam

feridas, segundo herbalistas modernos, tem

esta capacidade derivada de seu componente

alantoína, que promove a proliferação de cé-

lulas. Porém, já que Confrei também contém

alcalóides pirrolizidínicos carcinogênicos, a

alantoína purificada poderia ser uma escolha

mais segura que a própria erva.

2. A erva e os suplementos podem

interagir com drogas comuns e causar efeitos

colaterais sérios. Por exemplo, vegetais ver-

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas

des folhosos e brócolis, que possuem vitami-

na K, não devem ser consumidos em grande

quantidades enquanto estiver ingerindo

Coumadin, um anticoagulante (afinador de

sangue). Estes vegetais podem causar a inefi-

cácia da droga, resultando na coagulação do

sangue. Assim, é importante informar a seu

médico qualquer planta medicinal ou suple-

mento que você esteja tomando ou qualquer

mudança de dieta que você tenha feito.

A quarta categoria de terapias MCA inclui

métodos baseados em manipulação corporal,

como manipulação osteopática e quiroprática,

e massagem. Estes métodos focam-se em

manter e restaurar a saúde através do alinha-

mento da estrutura do músculo esquelético

para melhorar a função do corpo.

A ênfase está na saúde ao invés de na do-

ença e na restauração da habilidade natural

do corpo de se curar.

Alguns problemas podem acontecer quan-

do esses métodos são usados na tentativa de

tratar doenças além da capacidade comprova-

da. Enquanto a quiroprática pode ser útil para

problemas no músculo esquelético, tenha cau-

tela com afirmações de que ajustes da coluna

podem tratar órgãos doentes e curar infecções.

Além disso, a manipulação da coluna cervical

(pescoço) em raras ocasiões podem causar

AVC pelo fato de rasgar as paredes arteriais.

Por essa razão, a manipulação do pescoço não

deve ser feita em pacientes idosos.

Uma preocupação espiritual relacionada a

terapia quiroprática é o conceito de inteligên-

cia inata exposta pelo fundador da quiroprá-

tica, David Daniel Palmer (1845-1913). Ele

descreveu uma inteligência inata dentro de

nossos corpos que estava conectada a inteli-

gência universal através de nosso sistema ner-

voso.

Esses conceitos espirituais são compatíveis

a visão panteísta e não a verdade bíblica. Po-

rém hoje, existem muitos cristãos que prati-

cam a quiroprática que anularam os conceitos

de Palmer e pensam em inteligência inata sim-

plesmente como uma energia bioelétrica que

flui do cérebro para o resto do corpo através

do sistema nervoso.

A categoria final das terapias de MCA é a

terapia de energia, a qual envolve o uso de

campos energéticos. Existem dois tipos: tera-

pias do biocampo e terapias bioeletromag-

néticas. Enquanto a existência de biocampos

– campos energéticos ao redor e dentro do

corpo humano – não foi cientificamente pro-

vada, terapias como qi gong, Reiki, e toque tera-

pêutico pretendem manipular esses campos

para restaurar e manter a saúde.

Qi gong é baseada no conceito de energia

vital da medicina chinesa e filosofia Taoísta.

Reiki foi desenvolvida pelo Japanese Tendai

Buddhist Mikao Usui que afirmou que obte-

ve conhecimento dessa terapia através de uma

revelação mística.

O ki em Reiki é a pronúncia japonesa da

palavra chinesa qi, a força da vida Taoísta. Uma

enfermeira e professora de enfermagem da

New York University, Dolores Krieger,

Ph.D., enfermeira registrada, seguidora da

Teosofia, criou o toque terapêutico no início

da década de 70. Cristãos fariam bem se evi-

tassem terapias sem fundamentos bíblicos ou

científicos.

As terapias bioeletromagnéticas envolvem

o uso não convencional de campos eletromag-

néticos para tratar uma série de doenças no

músculo esquelético. Estão inclusas nesta ca-

tegoria: shoe insert, knee wrap, e outros tipos de

bandagens que aliviam dores nas juntas e

músculos por causa de ferimentos causados

por esportes.

Existem duas explicações possíveis para a

eficácia da terapia magnética.

– A primeira teoria postula que os ímãs

simulam as finalizações dos nervos na super-

fície da pele liberando substâncias químicas

naturais do corpo chamados endorfina que

funcionam como analgésicos.

– A segunda sustenta que os ímãs pro-

movem a cura através do aumento do fluxo

sanguíneo pela atração dos íons (moléculas car-

regadas com elétrons) presentes no sangue.

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas des folhosos e brócolis,

Seja cuidadoso com as afirmações que parecem ser muito boas para ser verdade porque tais afirmações provavelmente não são.

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas Curas miraculosas não existem

Curas miraculosas não existem

independente-

mente de milagres bíblicos genuínos.

Medicina Complementar:

O Melhor dos Dois Mundos?

Possivelmente, uma abordagem para a cura

que faz uso de forças de ambas medicina con-

vencional e medicina alternativa poderia ca-

pacitar uma pessoa a experimentar o melhor

dos dois mundos da medicina.

As formas de medicina alternativa com su-

porte científico poderiam ser usadas para man-

ter a saúde e aumentar a aptidão física, en-

quanto a medicina convencional poderia ser

usada para diagnosticar precisamente e

erradicar uma doença. Alguns cuidados, po-

rém, devem ser observados.

Primeiro, um caminho não convencional

para a cura não é necessariamente o caminho

mais bíblico ou espiritual. Uma boa pesquisa

científica é a chave para discernir a diferença

entre tratamentos eficazes e tratamentos inú-

teis e perigosos.

Os praticantes que assumem uma relação

contraditória com a o estabelecimento médi-

co estão tentando evitar a responsabilidade de

fazer com que sua cura pareça uma revisão

científica e médica.

Infelizmente, os cristãos que possuem uma

visão negativa da ciência como um domínio

dos ateístas podem ser vítimas das abordagens

que usam linguagem espiritual. Porém, de-

vemos ter cuidado para discernir as aborda-

gens bíblicas dos outros conceitos espirituais.

Segundo, seja cuidadoso com as afirma-

ções que parecem ser muito boas para ser ver-

dade porque tais afirmações provavelmente

não são. Curas miraculosas não existem inde-

pendentemente de milagres bíblicos genuí-

nos. Suspeite se um produto ou abordagem

estiver sendo usado como tratamento de uma

variedade de doenças.

Finalmente, um sistema que explica os

processos do corpo usando teorias fora do en-

tendimento médico de anatomia e filosofia

deve ser suspeito. Como cristãos, acreditamos

que a verdade é estabelecida através da Pala-

28 Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

vra revelada de Deus e através da observação

cuidadosa da criação dEle. Teorias místicas

que não podem ser validadas através de pes-

quisas não devem ser confiadas.

Implicações para Cuidados Pastorais

O aumento do interesse pela medicina alter-

nativa, o qual tenta tratar corpo, mente e espí-

rito de um paciente, pode ser visto como a

intensidade da fome espiritual em nossa soci-

edade de alta tecnologia.

O desejo dentro da comunidade médica

em integrar tratamentos para as necessidades

espirituais do paciente assim como as neces-

sidades físicas valida a importância dos cuida-

dos pastorais em um hospital. Estas tendênci-

as podem ser vistas como portas de oportuni-

dades para ministros do evangelho.

O aumento do uso de terapias alternativas

baseadas em filosofias da Nova Era e religiões

antigas significa que os ministros devem estar

preparados para educar seu rebanho em im-

plicações espirituais de tais sistemas de cren-

ças do mesmo modo que podem fornecer

ensinamentos sobre o perigo de rituais. Por

exemplo, o modelo bíblico para a cura grifado

em Tiago 4:14, 15 não deve ser confundido

com a imposição de mãos para equilibrar a

energia vital.

Embora um pastor não esteja em posição

de julgar cientificamente a eficácia de uma

terapia alternativa, ele está em posição de for-

necer insight da importância de usar o discer-

nimento quando procurar cuidados médicos.

Além disso, o pastor é também qualificado para

falar sobre as necessidades espirituais de um

membro que esteja procurando por respostas

espirituais e conforto emocional por causa de

fontes questionáveis.

Minha oração para cada pastor é que eles

possam voltar seus corações ao Médico dos

médicos e proteger o rebanho de danos espi-

rituais disfarçados de cuidados médicos.

Uma Abordagem de Aconselhamento Pastoral para Aqueles com Dores e Doenças Crônicas Curas miraculosas não existem

Girolamo Savonarola

O Profeta de Florença

Savonarola foi um profeta, ungido com grande poder espiritual, um dos líderes espirituais mais monumentais da História.

G irolamo Savonarola

(1452-98) foi o João Ba-

tista de Deus para a

Reforma. Morreu ape-

nas 19 anos antes de Martinho

Lutero afixar suas 95 teses na porta

da igreja de Wittenberg. O ministé-

rio de Savonarola foi um chamado

ao arrependimento.

Tragicamente, ninguém o reco-

nhece. Por haver, sem medo e com

vigor, repreendido o papa, pedindo

reforma moral nos níveis mais altos,

a Igreja Romana o repudiou. Como

a maioria dos protestantes, ele ama-

va e pregava a Bíblia, mas como pré-

reformista não via claramente a jus-

tificação pela fé somente, então os

historiadores protestantes não sa-

bem o que fazer com ele. Deus o

conhecia; é isso o que importa. Foi

um profeta, ungido com grande po-

der espiritual, um dos líderes espiri-

tuais mais monumentais da história.

Savonarola foi um nome muito

P O R W I L L I A M
P
O
R
W
I
L
L
I
A
M

Suas obras influenciaram Lutero e

muitos outros grandes nomes. Em

sua velhice, Michelângelo, um dos

admiradores de Savonarola, disse

ainda poder ouvir o som da sua voz.

Quem era este homem e porque é

importante para nós nos dias de

hoje?

Savonarola foi um nome na Europa do século XVI. Sua meditação no Salmo 51, escrito durante o período de tortura, foi um sucesso de venda.

conhecido na Europa do século 16.

Sua MEDITAÇÃO DO SALMO 51, escri-

to durante o período de tortura, foi

um campeão de vendas. Superou o

IMITAÇÃO DE CRISTO, de Thomas à

Kempis, que na época era o mais

vendido na Europa. Sua meditação

ainda era impressa até o ano de 1958.

Nascimento e Formação

Savonarola nasceu em Ferrara, Itá-

lia, em 1452. Seu avô piedoso o criou

na disciplina e instrução do Senhor

e, em uma época em que a Bíblia

era ignorada e desprezada, o ensi-

nou a lê-la e a amá-la. Eventualmen-

te, sua paixão pelas Escrituras foi o

P.

F

A

R

L

E

Y

segredo de seu grande poder espiri-

tual.

Inspirado pela Palavra de Deus,

Savonarola ansiava pregar.

Como os dominicanos eram de-

dicados à pregação, ingressou nessa

ordem quando ainda jovem. Era um

fracasso em oratória. Seu ensina-

mento era tão ruim que as pessoas

saíam no meio de seu sermão. Co-

meçava com a congregação cheia e

terminava com um punhado de pes-

soas. Para acabar com a angústia e o

constrangimento do jovem, seu su-

perior o transferiu para o Monastério

de San Marco, em Florença. Lá, po-

deria ser útil para alguma outra tare-

fa que não fosse a pregação.

A Renascença, um movimento

intelectual que eventualmente ten-

tou substituir a religião revelada pela

razão humana, estava em pleno

auge. Florença era sua capital.

A cidade era um antro de imora-

lidade sexual, corrupção política e

impiedade. A riqueza e poder domi-

nante da família Médici atraía artis-

tas como Michelângelo, Leonardo

da Vinci e Botticelli para praticar

seus ofícios. Foi nesse ambiente

imoral que Savonarola iniciou seu

grande ministério.

Pregação Transformada

Frustrado com seu fracasso,

Savonarola desistiu da ambição de

tornar-se um pregador. Havia che-

gado ao fim de si mesmo. Era uma

humilhação arquitetada por Deus.

Sem o saber, estava agora prepara-

Savonarola – um dos líderes espirituais mais monumentais da História

do para ser usado por Ele.

Foi nesse momento que come-

çou uma série de palestras no jardim

bilo e regozijando com o sermão como se estivesse indo a uma festa de casamento.”

A experiência de Bettucio, uma

vés da pregação do monge. Essa ci-

dade cética, lasciva e orgulhosa tor-

nou-se crente, arrependida e humil-

do monastério sobre o livro do

APOCALIPSE. Nem ele e nem seus su-

pessoa devassa, não cristã, fala por

muitas. Uma testemunha ocular es-

de. Eles alimentavam os pobres, par-

ticipavam da igreja com entusiasmo,

periores esperavam muito, porém,

no propósito soberano de Deus, um

novo poder soprava através dele.

Deus estava lá e o efeito foi eletri-

zante. As pessoas começaram a afluir

às suas palestras. Dentro de poucas

semanas o único assento disponível

era o muro do jardim. Tamanha foi

a procura para ouvir sua pregação

que foi finalmen-

creveu: “Assim que Savonarola subiu ao

púlpito tudo mudou em Bettucio

Não con-

... seguia mais tirar os olhos do pregador. Sua mente estava cativa, sua consciência tocada pelas palavras do frade e disse:

´Enfim me conheci como alguém que es- tava morto em vez de vivo´”. Bettucio en-

tregou sua vida a Cristo e nunca mais

olhou para trás.

limparam a corrupção do governo, e

cantavam hinos nas ruas. É uma das

memoráveis ocorrências na história

da Igreja. Através de Savonarola,

Deus provou que a Renascença e

seus ideais eram impotentes diante

do poder do Espírito Santo.

Sua Perseguição

Deus havia

te transferido pa-

ra o Duomo, uma

catedral enorme

Deus demonstrou a imensidade de Seu poder através de Savonarola.

mostrado ao fra-

de, em sua ado-

lescência, que

no centro de Flo-

haveria de sofrer

rença.

A presença de Deus atrai. Milha-

res de pessoas vinham para ouvir

esse jovem monge. Sua mensagem,

como a de João Batista – seu herói

favorito na bíblia, era sobre arrepen-

dimento e autonegação, não uma

mensagem para a qual os homens

são naturalmente atraídos. A Bíblia

era sempre seu texto. Sem medo

proclamava a necessidade de con-

trição, alertando os homens sobre a

chegada do julgamento de Deus.

Algumas vezes as pessoas esta-

vam tão transpassadas pela realida-

de de seus pecados que Savonarola

tinha que esperar o pranto diminuir

para poder continuar. Pelo menos 10

vezes, enquanto transcrevia seus

sermões, o monge sentiu-se tão to-

mado pela presença e pelo poder de

Deus que não conseguia continuar

por causa das lágrimas.

Jacob Burckhardt, historiador

Renascentista, escreve: “O instrumen-

uma morte vio-

lenta a serviço de Cristo. Alexandre

VI era o papa. Típico da família Bor-

gia, possuía muitas amantes e filhos

ilegítimos. Era opulento, sensual e

ganancioso. Não representava Cris-

to.

Na medida em que a influência

moral e espiritual de Savonarola

crescia – não somente em Florença,

assim como em toda a Itália e Euro-

pa – um confronto com a corrupção

de Borgia era inevitável. Savonarola

Exortava os cidadãos de Florença a

to com o qual Savonarola transformou e

desafiou publicamente Alexandre

confirmar seu arrependimento com

reinou sobre a cidade de Florença foi sua

VI a se arrepender de sua imorali-

atos de justiça. Somente a presença

eloquência. Os poucos relatos que temos,

dade. Até mesmo o chamou de “Re-

do Deus vivo explicaria os resulta-

anotados no local, não nos dão uma no-

presentante de Satanás em vez de

dos. Um biógrafo escreveu:

ção exata desta eloquência. Não é que ele

Cristo”.

 

“A catedral já não podia acomodar as

possuía alguma vantagem externa notá-

O pequeno frade foi longe de-

multidões que acorriam de perto e de lon-

vel, pois a voz, sotaque e habilidade retó-

mais. Alexandre VI valendo-se do

ge

...

Galerias de madeira tiveram que ser

rica eram precisamente seus pontos fra-

grande poder do papado, fez o cora-

construídas na parte de dentro da cate-

cos

...

A eloquência de Savonarola estava

joso monge passar por um julgamen-

dral na forma de anfiteatro para acomodar o povo. E mesmo assim não era suficien-

em sua personalidade dominante

Ele cria

... que sua eloquência era o resultado da ilu-

to forjado, torturou-o por 30 dias e o

enforcou perante grande multidão

te

...

Era uma visão desconcertante ver

minação divina.”

na praça principal de Florença.

aquela massa de gente chegando com jú-

30 Recursos Espirituais | NOVEMBRO 2010

Deus transformou Florença atra-

Savonarola tudo sofreu com grande

Savonarola – um dos líderes espirituais mais monumentais da História

coragem e dignidade. A religião ins-

tituída havia, com sucesso, apagado

uma luz acesa e brilhante no cora-

ção de Florença e da Itália.

Sua Importância

Por que Savonarola é importante?

Primeiramente, ele foi precursor

da Reforma. Essa expressão sempre

nos traz à mente homens como

Wycliffe (1330-84) e Huss (1373-

1415). Mas, assim como João Batis-

ta, Savonarola veio “no espírito e po-

der de Elias” (Lc 1:17). Seu ministé-

Quando você se sentir tentado

pela falta de esperança, lembre-se de

que nenhuma cidade ou nação pode

resistir ao poder do Espírito Santo.

Espere em Deus em arrependimen-

to e fé. Sempre existe esperança para

nossa situação. Servimos um Deus

grande e Onipotente. O que Ele fez

E por último, quando Deus quer

mudar uma cidade ou nação ele le-

vanta um líder, não um programa,

organização ou comitê. Este sempre

foi seu método. É por isso que Je-

sus nos exortou: “A seara, na verda-

de, é grande, mas os trabalhadores são

poucos. Rogai, pois, ao Senhor da sea-

“Michelângelo, em sua velhice, ainda lia as obras do pregador martirizado e se lembrava do som da sua voz.”

rio chamou a atenção da Europa para

o arrependimento, preparando-a

para a Reforma.

Em segundo lugar, o que acon-

teceu em Florença foi um dos pri-

meiros avivamentos da história mo-

derna. Durante 10 anos, o Espírito

Santo moveu profundamente e

transformou aquela cidade corrupta

e imoral. Foi um dos primeiros avi-

vamentos registrados depois do Li-

vro de Atos e precedeu muitos ou-

tros movimentos semelhantes no

mundo Pós-Reforma.

Em terceiro lugar, Deus demons-

trou Seu imenso poder através de

Savonarola. Florença era a capital

Europeia da corrupção moral.

Apesar disso, no auge do minis-

tério do pequeno frade, um obser-

vador descreveu a mudança na ci-

dade: “Nenhuma blasfêmia foi ouvida nos ferreiros, nas padarias e nos armazéns. Às vezes, o mercado local se transformava espontaneamente em festival de música

no século XV em Florença, Ele pode

fazer em Nova York ou Los Angeles.

Savonarola foi um vaso de barro

cheio do tesouro do poder de Deus.

Foi modelo de fraqueza e medo,

como da demonstração do poder do

Espírito, tão proeminentes no minis-

tério de Paulo (1Co 2:1-5).

Em quarto lugar, para desgosto

de muitos historiadores da arte, sua

pregação influenciou profundamen-

te homens como Michelângelo e

Botticelli. Diz-se que Michelângelo

pintou cenas do julgamento na Ca-

pela Sistina de sua lembrança dos

sermões do monge. Botticelli foi tão

profundamente transformado que

deixou de pintar por vários anos.

Quando retornou, suas pinturas ti-

nham abordagem espiritual, o que

antes não acontecia. Um grande

efeito na mente do jovem artista

(Michelângelo) deve ter sido exer-

cido por Savonarola, cuja pregação

religiosa ao ar livre

...

Os sacerdotes anda-

influenciou Botticelli tão profunda-

vam tão ocupados

...

que Savonarola

...

ment