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Do barroco para o barroco - está a arte contemporânea
Casa Museu Guerra Junqueiro, Porto

Curadoria
FÁTIMA LAMBERT e LOURENÇO EGREJA

GABRIELA ALBERGARIA | CRISTINA ATAÍDE | DANIEL BLAUFUKS | AMÉLIE BOUVIER
| PEDRO CALAPEZ | MANUEL CAEIRO | JEANINE COHEN | ÂNGELA FERREIRA |
RAMIRO GUERREIRO |GABRIELA MACHADO | VERA MOTA | DING MUSA |
RODRIGO OLIVEIRA | CLAIRE DE SANTA COLOMA | ALEJANDRO SOMASCHINI |
JOSE SPANIOL | PEDRO TUDELA | JOÃO PEDRO VALE & NUNO ALEXANDRE
FERREIRA

Do barroco ao barroco - está a arte contemporânea

… as obras reinventam-se, consoante os espaços, a duração e aqueles com
quem se confrontam, uma e outra vez, sempre diferentemente, como se a
paisagem mudasse de lugar.

Os 18 artistas, presentes nesta mostra, desenvolveram em contexto de residência, as obras
que impulsionaram este projeto curatorial. Entre 2009 e 2013, as obras foram concebidas e
apresentadas em diferentes edições da programação Carpe Diem – Arte e Pesquisa (Lisboa),
sob curadorias de Paulo Reis e Lourenço Egreja.
Entre maio e setembro de 2012, iniciou-se o “deslocamento” das obras – por via da
extensão curatorial - no âmbito da mostra: Uma coleção de arte contemporânea para Josefa
de Óbidos (curadoria de Fátima Lambert e Lourenço Egreja). Assim, cumpriu-se a primeira
etapa do projeto de itinerância, baseado na versatilidade dos espaços escolhidos (versus
desenho de montagem em adequação) e correspondendo ao desafio instituído neste
procedimento de “viagem” das peças.
As obras, que se apresentam na Casa Museu Guerra Junqueiro, foram compiladas para a
exposição na Casa da Parra (edifico barroco galego) em Santiago de Compostela. Adquiriram
uma outra existência fora do lugar e implantação específicos originários. Seguiu-se, depois, a
2ª mostra em Vila Nova de Cerveira. Agora, cabe o desafio – acarinhado pelos artistas,
quanto pelos curadores – de chegarem à Casa-Museu Guerra Junqueiro, permitindo-se, mais
uma vez, outras assunções e resultados.
Sob o olhar esculpido, em 1970, por Leopoldo de Almeida que retratou o poeta, as peças
atingem a errância destinada, proporcionando uma recepção dinâmica, improvisando
interpretações e disponibilidades culturais. Esta exposição é um repouso do caminho,
permanência e uma espécie de “peregrinação” estética que subvertem o sentido afirmado
por Peter Handke: “…E os locais da duração também nada têm de notável, / muitas vezes nem estão
assinalados em nenhum mapa/ ou não têm no mapa qualquer nome.”
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Evoquem-se as viagens do poeta que, ao longo de décadas, adquiriu as peças que integram a
Coleção, doada pelos herdeiros à Câmara Municipal do Porto em 1940. A Casa-Museu
Guerra Junqueiro é um equipamento museológico radicado num Palacete barroco (1730),
cuja arquitetura se atribui a Nicolau Nasoni. Residindo num espaço patrimonial privilegiado,
situa-se num envolvimento arquitetónico e urbanístico singular – Freguesia da Sé, Porto. É o
local onde se cumpriu o anseio de Guerra Junqueiro, congregando o espólio adquirido com
critério. A carga histórica e simbólica que a envolve - retrocedendo na cronologia do barroco

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Peter Handke, Poema à duração, Lisboa, Assírio & Alvim, 2002, p.53
2
no Porto - aponta afinidade ao Palácio de Pombal (Palácio dos Carvalhos) – localizado em
pleno Bairro Alto, Lisboa – local de onde as obras procedem ou foram geradas.
A edificação lisboeta, berço do Marquês de Pombal, é, igualmente, uma referência
emblemática no tecido urbano – entre a esquina da rua do Século e a rua da Academia das
Ciências. À construção barroca, dos inícios do séc. XVII, acresce um amplo jardim, pontuado
pela fonte. As caraterísticas do espaço exterior conferem-lhe a proporção de um arquivo,
quase orgânico, densificado pela aura de tempos sobrepostos.
Ambos espaços, situados em áreas históricas, estão na salvaguarda dos respetivos
patrimónios culturais, zelando por suas identidades e projetando-se para o futuro, mediante
a promoção da arte contemporânea e acolhendo propostas bem atuais. Ambas estruturas
comprovam quanto, em sociedades perspicazes e lúcidas, os arcos cronológicos
providenciam a exponencialidade dos tempos vindouros. Abrigam poéticas e autorias
artísticas, provenientes de países como Moçambique, Argentina, Brasil, Bélgica, França e
Portugal… com raízes e experiências de viagens por tantos mais destinos.Tal confluência de
origens é, por si só, demonstrativa de como as viagens e as permanências se organizam,
convergindo nas intenções e produtos artísticos, ultrapassando fronteiras, denotativas de
miscigenações: “O viajante, no seu movimento incessante, vê tudo à distância.”
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A distância,
que se tenha para rececionar as coisas de arte, corresponde a um movimento de “duplo
sentido” – talvez, seguindo Benjamin, seja uma …rua de sentido único, convergência de
ações que desenham o desenvolvimento social e cultural. A duplicidade, abertura, para
olhar as obras, apropriando-se de idiossincrasias e particularidades, expande-se. Preserva-
lhes, todavia, a autonomia que muito precisamente as distingue. Se, por um lado, a obra se
realiza – em casos específicos, na relação ao local pré-estabelecido, por outro lado, a
espessura e densidade da concreção (independendo da sua filiação estética) permite que se
reveja a sua função originária, acrescendo-lhe a alteridade.
As produções realizadas pelos 18 artistas, neste périplo, propõem leituras em processo,
correspondendo a intervenções socioculturais e artísticas expandidas. Compreensões
diferidas, apropriações ativas, regidas pelas convições de sustentabilidade e diálogo
institucional, viabilizadas por entidades e organizações de responsabilidade pública e
societária, em articulação aos artistas e demais operadores culturais. Pretendeu-se, pois,
vivificar obras em contexto de descentralização cultural, atendendo à componente
patrimonial mista (imaterial, natural e arquitetónica), num movimento fluído, em prol de
futuro acrescido, consubstancializando-se no presente em atos de desenvolvimento.
Entre o desenho, vídeo, pintura, fotografia, escultura e instalação alinham-se as expressões
e os registos determinados na visibilidade da arte.
Os 18 autores posicionam-se em tendências estéticas próprias que viabilizam diálogos entre
si. Os denominadores comuns, que se podem detetar, residem na exigência e ética de
conceção e criatividade que os move. Os valores estéticos confluem na rigorosa consciência
do papel do autor na sociedade contemporânea, abrindo viagens para a revisão histórica da
arte e da cultura no humano e alertando para o incontornável respeito pelas identidades
pessoais. A ética do eu que colabora com os outros, para promover as condições de
existência está implícita nos quadros concetuais das peças artísticas apresentadas.
Propõem-se alguns tópicos para a leitura olhada das peças que integram a exposição que
viajou de (lugar) barroco até outro (lugar) barroco, sob auspícios do mais contemporâneo:
Arquivos de memórias e lembranças – pessoais e societárias; Exercícios de reescrita de
olhares – sobre a paisagem, arquitetura e urbanismo; Apropriação de indícios, rastos e
vestígios nos lugares; Sedimentação de conceitos - objetos quase desmaterializados /
substâncias visuais e sonoras; Concreção de elementos e escritas – acerca do visceral e/ou

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Nelson Brissac Peixoto – “Miragens”, Cenários em ruínas – a realidade imaginária contemporânea, Lisboa,
Gradiva, 2010, p.137
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do simulado; Isolamento de sinais, linhas e convergência de elementos compósitos;
Indexação de tópicos – geografias localizadas e cartografias (quase) utopistas…
Entre a visão intermediada de situações e pessoas, num mundo onde dominam culturas que
visibilizam paradoxos, dogmas e ambiguidades e as “capitais dolorosas” das poéticas (Paul
Éluard dixit) existem inúmeras redenções, que no tempo e o espaço, são sistematizadas e
acontecem em obra. Entre coordenadas, por vezes quase oposicionais, avançando para
resoluções singulares, os autores desenvolvendo trabalho nestas décadas iniciais do séc. XXI,
asseguram, portanto, a riqueza das perspetivas diferenciadas. Está-se perante decifrações
convictas, definidas por estratégias pertinentes que são decisórias e que mostram a
impossível uniformidade de pensamento. É o tempo da versatilidade, das múltiplas opções
que aos artistas melhor servem. O artista será um viajante, nos seus trajetos e processos. E
as suas produções viajam, tornando-se experiências para os públicos diversos que as
acolhem e delas se apropriam.

“O pensamento só é interessante quando é perigoso.”
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Maria de Fátima Lambert


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Michel Maffesoli, O ritmo da vida – variações sobre o imaginário pós-moderno, RJ/SP, Record, 2007, p.13
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ARTISTAS

PEDRO CALAPEZ


















Ficha
técnica
Árvore Jacente II
251 x 447 cm
Impressão Ultrachrome, jacto de tinta s/papel acid free
112 folhas 35 x 27 cm., espaçadas aprox. 0,5/1cm- 7 linhas e 16 colunas. Edição de 2, 2013

Biografia
Pedro Calapez nasceu em Lisboa (1953) onde vive e trabalha.
Começou a expôr os seus trabalhos nos anos 70 e em 1982 teve a sua primeira exposição
individual. Desde então, tem vindo a expor individualmente em várias galerias e museus,
nomeadamente Histórias de objectos, Casa de la Cittá, Roma, Carré des Arts, Paris e
Fundação Gulbenkian, Lisboa (1991); Petit jardin et paysage, Salpêtriére Chapel, Paris
(1993); Memória involuntária, Museu do Chiado, Lisboa (1996); Campo de Sombras, Pilar i
Joan Miró Foundation, Maiorca (1997); Studiolo, INTERVAL-Raum fur Kunst & Kultur, Witten,
Germany (1998); Madre Agua, MEIAC - Contemporary Art Museum, Badajoz and CAAC -
Andalucia Contemporary Art Centre (2002); Selected works 1992-2004, Fundação
Gulbenkian, Lisboa (2004); piso zero, CGAC - Galicia Contemporary Art Centre, Santiago de
Compostela (2005); Lugares de pintura , CAB - Caja Burgos Art Centre, Burgos (2005).
Das exposições colectivas que fez parte é particularmente importante referir a Bienal de
Veneza (1986) e de São Paulo (1987 and 1991) e as exposições: 10 Contemporâneos, Museu
de Serralves, Porto (1992); Perspectives, Marne-La-Vallée Contemporary Art Centre (1994);
The day after tomorrow, CCB – Centro Cultural de Belém, Lisboa (1994); Ecos de la materia,
MEIAC, Badajoz (1996); Tage Der Dunkelheit Und Des Lichts, Bonn Art Museum (1999);
EDP.ARTE, Museu de Serralves, Porto (2001); Del Zero al 2005. Insights on Portuguese art -
Marcelino Botín Foundation, Santander (2005); Beaufort Outside - Inside, Contemporary Art
Triennial, PMMK Museum, Ostende (2006).

www.calapez.com
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2. DANIEL BLAUFUKS


Ficha técnica
A memória dos outros, 2010, 5 fotografias c-print

Biografia
Daniel Blaufuks nasceu em Lisboa em 1963, numa família de refugiados judeus alemães.
A sua formação dividiu-se entre a AR.CO, Lisboa, o Royal College of Arts, Londres, e a
Watermill Foundation, Nova Iorque.
Desde «My Tangier» (1991), em que colaborou com o escritor Paul Bowles, que o seu
trabalho se tem centrado na relação entre fotografia e literatura.
Mais recentemente, em «Collected Short Stories» (2003), apresentou vários dípticos
fotográficos numa espécie de "prosa de instantâneos", um discurso baseado em fragmentos
visuais que insinuam histórias privadas a caminho de se tornarem públicas. A relação entre o
público e o privado tem sido uma das constantes interrogações no seu trabalho, assim como
a ligação entre a recordação pessoal e a memória colectiva.
Utilizando principalmente fotografia e vídeo, é autor de livros, instalações, filmes e diários
fac-similados, como «London Diaries» (1994) e «Uma Viagem a São Petersburgo» (1998).
Depois de «Sob Céus Estranhos» (2002), realizou «Um Pouco Mais Pequeno do Que o
Indiana» (2006), um ensaio sobre paisagem e memória colectiva em Portugal.
O seu trabalho encontra-se representado em várias colecções, entre as quais a da Fundação
Calouste Gulbenkian (Lisboa), a Colecção Berardo (Lisboa), o Centro Galego de Arte
Contemporânea (Santiago de Compostela), o Palazzo delle Papesse (Siena), a Sagamore
Collection (Miami), e The Progressive Collection (Ohio).
Em 2007, foi o vencedor do Prémio BES Photo 2006, o mais importante prémio nacional de
fotografia.

www.danielblaufuks.com
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ALEJANDRO SOMASCHINI


Ficha técnica
Arquivo Carpe Diem #4 barro , 2010
argila; cerâmicas; texturas do piso do Palácio de Pombal; forno de Almada; arame

Biografia
Alejandro Somaschini nasceu em Buenos Aires, Argentina onde vive e trabalha.
Formado em Ciência da Educação e Comunicação Social, pela USAL, inicia a sua atividade
artística participando de circuitos de Arte Postal e poesia visual. As desproporções e as
falhas nos diversos sistemas (de informação, de produção, de montagem, publicitários, de
embalagem, etc.) são os temas que aborda em cada um de seus trabalhos.


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GABRIELA ALBERGARIA


Ficha técnica
Fingidos 2013, Desenho texto, Lapis verde e acrílico sobre papel, dimensão variável (total
em bloco 100 x 193 cm)
Fingidos, 2013, Lápis verde e acrílico s/ pape, l73 x 204 cm

Biografia
Gabriela Albergaria nasceu em 1965, em Vale de Cambra, Portugal. Vive e trabalha em Nova
Iorque. Em 1985 concluiu a licenciatura em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas
Artes da Universidade do Porto. Expõe regularmente desde 1999.
Fez parte de vários programas de residências artísticas, entre as quais: Kunstlerhaus
Bethanien, Berlim (2000/2001); Cité Internationale des Arts, Paris (2004): Villa Arson, Centre
National d'Art Contemporain, Nice, France (2008); Museu de Arte Moderna da Bahía, São
Salvador da Bahía, Brasil (2008); The University of Oxford Botanic Garden in collaboration
with The Ruskin School of Drawing and Fine Art, Oxford, UK (2009/2010). Em 2002/2003 foi
nomeada para o prémio Ars Viva – Landschaft na Alemanha. Em 2008 foi nomeada para o
Prix Pictet 2008 – The World's Premier Photographic Award in Sustainability.
O seu trabalho integra várias colecções privadas e públicas. É representada pela Vera Cortês
– Agência de Arte Contemporânea e pela Galeria Vermelho, Brasil.

www.gabrielaalbergaria.com

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JOSE SPANIOL




Ficha técnica
A História do Homem, 1994- 2009, impressão tipográfica, 200x240 cm

Biografia
José Paiani Spaniol nasceu em São Luiz Gonzaga, Rio Grande do Sul, Brasil, 1960. Pintor,
desenhador, gravador, escultor e professor. Entre 1978 e 1983, frequentou o curso de artes
plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, em São Paulo, e teve aulas de
gravura com Evandro Carlos Jardim (1935). Paralelamente, frequentou cursos de modelo-
vivo e pintura de paisagem na Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp. Nesta instituição,
entre 1985 e 1986, orientou oficinas de pintura e gravura. Em 1988 e 1989, foi professor de
artes plásticas na Faap. Realiza a mostra individual Pinturas e Objetos, em 1989, na Pesp.
Vive em Colónia, Alemanha, entre 1990 e 1993, como bolsista do Deutscher Akademischer
Austauch Dienst - DAAD [Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico]. Em 2003, com Marco
Giannotti (1966), Mário Ramiro (1957) e Osmar Pinheiro (1950), cria o espaço de ensino e
pesquisa de arte Oficina Virgílio, em São Paulo. No mesmo ano, faz a exposição individual no
Museu Alfredo Andersen, em Curitiba.

www.josespaniol.com









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AMÉLIE BOUVIER


Ficha técnica
Maquette Para Um Continuum Em Três Tempos, Série de 10 desenhos
Lapis sobre papel (moldura em mdf), 20 x 29 cm, 2011

Biografia
Nascida em Dezembro de 1982 em Paris. Vive e trabalha actualmente entre Lisboa e
Bruxelas. Licenciada em comunicação visual pela Universidade de Belas Artes de Toulouse
(França) em 2008, regressou recentemente a Lisboa onde tem vindo a desenvolver o seu
trabalho como artista visual. Bolseira da segunda edição do programa Inov-art em 2010,
colaborou no Centre d’édition contemporaine em Genebra, Suíça. Participou em exposições
colectivas internacionais tais como Final Fight (2008) e L’Atelier des Ouragants (2009) no
centro de Arte Lieu-Commun, Toulouse (França) e em Braconnages / Passage(s): une
exposition 2ª edição, na mediateca do museu Les Abattoires de Toulouse.
Em Portugal realizou uma exposição individual na livraria Trama – ELES – Lisboa, em 2010 e
participou na exposição colectiva Estética Solidária III na Galeria Abraço, em Lisboa, no
mesmo ano. Amélie Bouvier foi recentemente premiada pelo público no prémio Jeunes
Crétion do centro de Arte Le Moulin des Artes de Saint-Remy e foi finalista do prémio
CIC’Art, ambos em França. Foi seleccionada para participar no projecto Rooms Junho das
Artes em Óbidos e foi convidada para participar na 16ª Bienal de Cerveira com o trabalho
EnvelopperII e na 6ª Bienal de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe com o trabalho
Reseau(x).

ameliebouvier.com





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MANUEL CAEIRO


Ficha técnica
A Nave #1, 2013, Fotografia c-print, 120 x 90 cm
A Nave #2, 2013, Fotografia c-print, 120 x 90 cm

Biografia
Manuel Caeiro nasceu em Évora em 1975.
A pesquisa pictórica de Manuel Caeiro é produto de uma reflexão que abarca várias
disciplinas artísticas. Arquitetura, desenho e pintura são confrontadas na construção do
espaço, que colocam o espectador não como mero assistente, mas também como
usufruidor e construtor.
No trabalho de Caeiro a casa e as suas ramificações ocupam um lugar de destaque. Desde as
suas primeiras pesquisas é notória a atenção que o artista confere “aos sinais do fazer e do
fazer do tempo”. A memória é talvez a sua necessidade primária, a pintura encerra memória
de outros espaços, que o artista descobre no seu inventar. O prazer de fazer pintura é
natural, o espaço não é um dado obtido mas um desenvolvimento permanente, que o fazer
da pintura revela.
Nos seus trabalhos mais recentes concretizados com estruturas de segurança existentes em
canteiros de obras, o artista procura ampliar o seu potencial pictórico e escultórico. O
objetivo é a criação de espaços pictoricamente funcionais, que aproxime o espectador, de
estruturas arquitectónicas que apelem à contemplação.
Em 1999, Caeiro inicia o seu percurso ainda enquanto estudante da escola de Belas Artes de
Lisboa. Desde então tem participado em diversas exposições individuais e coletivas, em
Portugal e na Europa, sendo presença assídua na Feira de Madrid, ARCO.
As suas mostras individuais mais importantes são: “Reconstruction and Rebuilding”,
Guimarães, Portugal (2006); “Reconstruyendo el Vacío”, Léon, Espanha (2007); e “Paredes
Ocas”, Barcelona, Espanha (2008).
Das coletivas destacam-se “Surrounding Matta-Clark”, Lisboa, Portugal (2006) e “Parangolé”,
fragmentos desde os anos 90- Brasil, Portugal e Espanha.
A série Casas da Caparica em 2005, tem uma contribuição importante neste percurso,
abrindo outros caminhos fundamentais para o desenvolvimento do seu trabalho
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JEANINE COHEN


Ficha técnica
Owners left! #1, 2012, Acrylic on wood, 170 x 300 x 15 cm

Biografia
Jeanine Cohen (BE, 1951) vive e trabalha em Bruxelas.
O trabalho de Jeanine Cohen consiste, sobretudo, em pinturas site-specific sobre parede
para instituições e coleções públicas, privadas e empresariais.
Em Portugal desenvolveu recentemente duas exposições individuais, uma na Galeria
Caroline Pagès em Lisboa, com o trabalho Keeping things pretty straight, e outra na Galeria
Presença, no Porto.
Na Bélgica a artista expôs no Palais des Beaux-Arts (BOZAR), no Centro de Arte Nicolas de
Staël, no Museu de Tapeçaria, no Centre for Contemporary Non-Objective Art, no Centre de
Couleur Contemporaine CO21 e nas seguintes galerias em Bruxelas: Nomad, Archetype,
Etiene Tilman, In Situ, 175 e X+.
Em 2011, Cohen participou no festival de escultura contemporânea Escaut. Rives, Derives no
Cambrai Fine Arts Museum, em França.
Em 2008 foi comissariada para criar a fachada de 900m da nova extensão do Museu de
Fotografia em Charleroi (Bélgica).
O trabalho de Jeanine Cohen faz parte de coleções públicas e empresariais na Bélgica
(Comunidade Francesa na Bélgica, Winterthur, Zurique, Agoria Group, Quai 55), Suécia
(Statens Konsrad), Islândia (SAFN Museum) e em numerosas coleções privadas na Bélgica,
Islândia, Israel, Inglaterra, E.U.A., Portugal, Espanha e França.

www.jeaninecohen.net
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GABRIELA MACHADO


Ficha técnica
Série ‘Jardins de Lisboa’, 2011, Acrilico sobre papel, 200 x 152 cm

Biografia
Nasceu em Santa Catarina, em 1960. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Santa Úrsula (RJ), 1984.
Antes de se dedicar exclusivamente às artes plásticas a partir de meados dos anos 80,
participou de trabalhos de restauração na Fundação Roberto Marinho. "Morava numa casa
do século XVIII com afrescos pintados por José Maria Villaronga. Meu pai gostava muito do
cuidado com a recuperação dos afrescos e da arquitetura da casa. Pude assistir de perto a
riqueza desse trabalho detalhado, ao longo da minha infância."
Gabriela estudou gravura, pintura, desenho e teoria da arte na Escola de Artes Visuais do
Parque Lage (Rio de Janeiro, 1987-1992). Frequentou cursos em História da Arte,
ministrados pelos críticos Paulo Venâncio Filho, Paulo Sérgio Duarte (1993-1995) e cursos de
Estética e História da Arte, ministrados por Ronaldo Brito, na PUC e UNI/RIO (Rio de Janeiro,
1992-1997).
No ano de 2009, Gabriela Machado foi vencedora do Prêmio de Artes Plásticas FUNARTE
Marcantonio Vilaça. Inaugurou o espaço da Caixa Cultural de São Paulo com a exposição
Doida Disciplina (2009), com curadoria de Ronaldo Brito após realizar a mesma exposição na
Caixa Cultural do Rio de Janeiro e lançar um livro homônimo (Doida Disciplina – Editora
Aeroplano, Rio de Janeiro) com sua produção mais recente.
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Em 2008, Gabriela fez uma exposição individual na Galeria 3 +1 em Lisboa, Portugal e foi
também contemplada com o prêmio Marcantonio Vilaça em aquisição coletiva da Fundação
Ecco (Brasília). Ainda em 2008 lançou um livro intitulado Gabriela Machado (Editora Dardo,
Santiago de Compostela, Espanha), com um apanhado de textos críticos e imagens de
diferentes fases da sua carreira.
Entre as suas exposições individuais ocorridas em anos anteriores destacam-se: Desenhos
no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, com texto de Paulo Venâncio (2002);
Centro Universitário Maria Antônia, texto de Afonso Luz (São Paulo, 2002); Neuhoff Gallery
de Nova York, com texto de Robert Morgan (2003). Podemos citar ainda: Largo das Artes,
juntamente com o escultor José Spaniol (Rio de Janeiro, 2007), Pinturas, na Galeria Virgílio,
com texto de Alberto Tassinari (São Paulo, 2006); Pinturas, H.A.P. Galeria, texto Ronaldo
Brito (Rio de Janeiro, 2005); H.A.P. Galeria, texto Paulo Sergio Duarte (Rio de Janeiro, 2002);
Projeto Macunaíma, na Funarte (Rio de Janeiro,1992). Teve seus trabalhos representados
em importantes feiras internacionais, com destaque para Valencia Art (2009), Arte Lisboa
(2009, 2008 e 2006) e Pinta Art Fair em Nova York (2008 e 2009). Também em 2008 expôs
com grande repercussão e reconhecimento na ARCO'08 - Feira de Arte Contemporânea em
Madrid (2008), onde ocupou por inteiro o stand da H.A.P. Galeria. Outras participações em
feiras e exposições coletivas incluem outros anos na ARCO Madrid (2001/1998); SP Arte (São
Paulo, 2008/2007/2006/2005); Arquivo Geral (Rio de Janeiro, 2008/2006/2004); Art Chicago
(Chicago, 2004); Art Cologne (Alemanha, 2003); San Francisco International Art Exposition
(NY, 2002); Desenho Contemporâneo, Centro Cultural São Paulo e Caelum Gallery (NY,
2002); Novas Aquisições Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM (Rio de Janeiro, 1998); Paço
Imperial (Rio de Janeiro, 1998); Mostra América (1995); 1ª Bienal Nacional da Gravura (São
Paulo, 1994); Centro Cultural São Paulo (1993); X Bienal do Desenho de Curitiba (1991);
Projeto Macunaíma, na Funarte (Rio de Janeiro, 1992/1990). A obra de Gabriela Machado
alcança gradualmente novos espaços fora do país. Além da exposição lisboeta em 2008, em
2002 a Neuhoff Gallery de Nova York inseriu o trabalho da artista em duas coletivas – uma
delas, The Gesture, junto com conceituados pintores americanos como Frank Stella e Franz
Kline. Já apresentou seus trabalhos em Bergen, na Noruega, a convite da curadora Mallin
Barth.

www.gabrielamachado.com.br




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VERA MOTA


Ficha(s) técnica(s)
1. a-, 2011. Aguarela e tinta da china sobre papel. 76,5 x 58 cm.
2. Schema (amarelo de Nápoles I), 2011. Aguarela, acrílico e grafite sobre papel artesanal de
algodão. 75 x 55cm
3. Schema, 2011. Guache e tinta da china sobre papel. 70 x 50 cm
4. S/ título, 2012. Guache e tinta da china sobre papel. 70 x 50 cm

Biografia
Nasceu em 1982. Vive e trabalha no Porto. Em 2008, termina o Mestrado em Práticas Artísticas
Contemporâneas (2006/2008),na Faculdade de Belas Artes, Universidade do Porto, (FBAUP).
Licenciada em Artes Plásticas – Escultura, FBA.UP, 2005. Conclui o curso de pesquisa e criação
coreográfica, pelo Fórum Dança, Porto, em 2006. Recebe bolsa por mérito da FBAUP e prémio de
melhor aluno finalista do Curso de Artes Plásticas – Escultura, 2005. Bolseira Erasmus na Academia
de Belas Artes de Bolonha, Itália, 2004.
Exposições individuais: em 2012, SCHEMA, Appleton Square, Lisboa; Galeria pedro Oliveira, Porto;
em 2011, Acontecimento V, Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lx; Acontecimento III, Espaço Campanhã,
Porto; [kri :s], Galeria Fernando Santos, Porto; VER A, MCO Arte Contemporânea, Porto, 2007;
Vestígios, MCO Arte Contemporânea, Porto, 2006. Espaços dolorosos, Cirurgias Urbanas, Porto.
Exposições colectivas: Está a morrer e não quer ver, 2009, (comissariada José Maia), Espaço
Campanhã, Porto. Em 2007, Deslocações, (comissariada Rui Prata), Braga Parque, Braga; Pack,
Reitoria Universidade do Porto; Distorciones e identidad, Badajoz, Espanha; Antimonumentos, Viseu
(comissariada por Miguel von Hafe Pérez). All my independent Women, EIRA 33, e Anteciparte, 2006,
Lisboa. Em 2005, Blue Screen, Galeria do Palácio, Porto; Bienal de Cerveira, Tui. Outros lugares,
Faculdade Direito, Univ. do Porto, 2004. Contra péssimos hábitos, Maus Hábitos, Porto, 2003.
Realiza ainda, com frequência, trabalhos no âmbito da performance dos quais se destacam, entre
outros: Perfection in your hands, Apêndice, Porto; S/ Título (Gravidez) - I Acto, Arco, Madrid,
Espanha; Can, MCO Arte Contemporânea, Porto, 2006; Eu desejo, Artes Múltiplas e Cão Danado,
Porto, 2005; Corto os pulsos, Bolonha, Itália, 2004; How do you look? Maus Hábitos, Porto, 2003; Co
(po) patologia, CENTA, Castelo Branco, 2002.
Participou em performances colectivas: Entretanto, em colaboração c/ António Pedro Lopes,
Porto, 2006; As.Atletas.Porto.2003, com Nadia Lauro e Franz Poelstra, MAC Serralves, Porto,
2003.

veraamotaa.blogspot.pt
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CLAIRE DE SANTA COLOMA


Ficha(s) técnica(s)
Line series #1, 2011, Tinta da china sobre papel, 29,5 x 21,5 cm

Line series #2, 2011, Tinta da china sobre papel, 29,5 x 21,5 cm

Line series #3, 2011, Tinta da china sobre papel, 29,5 x 21,5 cm

Line series #4, 2012, Tinta da china sobre papel 32 x 24 cm

Biografia
Claire de Santa Coloma (Buenos Aires, 1983) vive e trabalha em Lisboa. Estudou talha direta
no Atelier Beaux Arts em Paris entre 2003 e 2007 e na mesma altura concluiu a licenciatura
e mestrado na Sorbonne. Entre 2007 e 2009 é artista em residência na Casa de Velázquez,
em Madrid. Em 2009 recebe o prémio da Académie des Beaux-Arts, Institut de France Prix
Georges Wildenstein. Entre 2009 e 2010 frequenta a Independent Study Program da
Mamaus, Escola de Artes Visuais em Lisboa e, a partir da qual, é convidada a participar de
forma paralela à 29ª Bienal de São Paulo. Participou de diversas exposições individuais e
coletivas nacionais e internacionais, das quais se destacam As coisas que aparecem,
Biblioteca Joanina, Universidade de Coimbra, Coimbra (2012) mcm, jugada a tres bandas,
Galeria José Robles, Madrid (2012); Ensaio sobre o equilíbrio, na Bienal de Cerveira de 2011,
V.N. Cerveira; Colección José Luis Lorenzo, Museo Superior de Bellas Artes Evita, Palacio
Ferreira, Córdoba, Argentina (2011); Escape, Lund Konsthalle, Lund, Suécia (2011); A
escassez nos salvará da catástrofe. Galeria 3+1 Arte Contemporânea, Lisboa (2011), A
experiência da Medida. Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa (2010); Artistes de la Casa de
Velázquez 2009, Espace Evolution Pierre Cardin, Paris (2009); Paisajes en el arte
contemporáneo, Casa de Velázquez, Madrid (2008)
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PEDRO TUDELA


Ficha técnica
That emerges of some unknown place, 2012 , Madeira; cabos de aço; altifalante
(dimensões variáveis)

Biografia
Nascido em Viseu em 1962, Pedro Tudela estudou pintura na Espab. É professor na FBAUP
desde 1999 e um dos principais nomes da instalção e da música tecno em Portugal. foi co-
fundador do grupo missionário:
organizou exposições nacionais e internacionais de pintura, arte postal e performance e
autor e apresentador dos programas de rádio “escolhe um dedo” e “atmosfera reduzida” na
xfm entre 1995 e 1996.
Em 1992, por ocasião da exposição “mute…life” funda o colectivo multimédia mute life dept.
É dj desde esta mesma altura. Colabora com o grupo virose e ingressa na [virose-associação
cultural e recreativa] a partir de 2000, é co-fundador e um dos elementos do projecto de
música electrónica @c, e um dos elementos da media label crónica. É também elemento do
trio beat map, com miguel carvalhais e joão cruz.
Actualmente vive a trabalha no Porto.

www.pedrotudela.org
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RODRIGO OLIVEIRA


Ficha técnica
Gato, 2010, Gambiarras em macramé;fios eléctricos coloridos; lâmpadas; instalação
eléctrica.

Biografia
Rodrigo Oliveira nasceu em 1978, em Sintra, Portugal.
Vive e trabalha em Lisboa, Portugal.
Graduado em escultura pela Escola de Belas Artes da Universidade de Lisboa em 2003,
cursou o Independent study programme, da Maumaus, participou do programa Erasmus na
Universität der Künste Berlim, Alemanha. Em 2006 obteve o título de mestre em artes
visuais pelo Chelsea College of Art & Design, Londres. Participou de inúmeras mostras
colectivas e individuais entre as quais destacam-se: At First Sight, galeria Filomena Soares,
Lisboa; Ekosusak 2008 - International Festival of Ecoculture, Susak Island, Croatia; Partilhar
Territórios, V Bienal de Arte e Cultura de S. Tomé e Príncipe; On the edge, in the middle,
New Portuguese Art I, Janalyn Hanson White Gallery, Cedar Rapids, Iwoa; Where are you
from? Contemporary Portuguese Art / De onde és? Arte Contemporânea de Portugal,
Faulconer Galley, Grinnell, Iowa, USA; Cidades invisíveis, trabalhos da colecção PLMJ, Lisboa;
There’s no place like home, Homestead gallery, Londres; Território Oeste, Aspectos
Singulares del Arte Portugués Contemporáneo, MACUF - Museo de Arte Contemporáneo
Unión Fenósa, A Coruña, Espanha, entre outras.

www.rodrigooliveira.com
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ÂNGELA FERREIRA


Ficha técnica
Werdmuller Centre (detail of Studio Version for Carpe Diem) (díptico), 2010
Jacto de tinta de pigmento sobre papel fotográfico barita, 30 cm x 22,5 cm.

Biografia
Com dupla nacionalidade, a artista tem vivido alternadamente entre a África do Sul e Portugal.
Completou estudos na Michaelis School of Fine Arts da Universidade de Cape Town, em 1985, e
residiu nos anos seguintes em Lisboa, onde rapidamente se afirmou no meio artístico. Portugal é
um país estranhamente desprovido de memória sobre a história recente, sobretudo no que diz
respeito ao passado colonial. Sendo a primeira a eleger essa questão como temática, a autora
inaugurou em termos nacionais uma nova problemática artística. A questão das identidades,
considerada em termos de cultura, género, etnia ou orientação sexual, enquadra todo o debate
artístico dos anos 90. Utilizando a sua dupla experiência cultural, europeia e africana, Ângela
Ferreira procura encontrar esse difícil ponto de vista que se apresenta como um não-ponto de
vista, ou seja, como uma proposta de diálogo continuado. A artista desconstrói o referencial
minimalista minando-o com o poder evocativo da memória. Entre 1996 e 1997 empreende um
projecto emblemático na Fundação Chinati, Marfa, Texas, onde Donald Judd depositou o seu
espólio, criando uma instalação que evoca a artista popular Sul-Africana Helen Martins. Em Nieu
Bethesda, lugar da residência desta, instala objectos reminiscentes da obra de Judd. A dupla
instalação foi nomeada Double Sided e através dela Ângela Ferreira cria uma dialéctica de
contextos que permanece um testemunho da transciência geográfica e cultural da existência. Em
Amnésia (1997) produz um cenário de estilo colonial, usando mobiliário de época para recriar uma
sala de estar onde o espectador é convidado a sentar-se assistindo a um vídeo de carácter
sentimental sobre o passado colonial português. Na sala contígua três troncos de árvores africanas
jazem no chão. A ambivalência na relação com a memória colonial faz-se sentir tanto no
tratamento da "história oficial" quanto no modo como se lhe associam referências pessoais.
Organizando, justapondo e confrontando objectos, memórias e arquitecturas, Ângela Ferreira
empreende uma estratégia de interrogação que tanto se dirige a um paradigma do artístico, pelo
constante questionar da estrutura modernista, a nível formal, quanto a um paradigma civilizacional,
pelo constante questionar de determinismos culturais, a nível conceptual. Foi escolhida para a
Representação Portuguesa na Bienal de Veneza 2007.
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CRISTINA ATAÍDE


Ficha técnica
Lar Doce Lar, lápis glasochrom sobre papel impresso, 2012, 1,82 x 14,5 m

Biografia
1951 Nasceu em Viseu. Vive e trabalha em Lisboa.
Licenciada em Escultura pela ESBAL, Lisboa.
Frequentou o Curso de Design de Equipamento da ESBAL, Lisboa.
Foi directora de produção de Escultura e Design da Madein, Alenquer de 1987 a 1996.
Integra o grupo de estudos do Atelier Fidalga, S. Paulo, Brasil desde 2010.

www.cristinataide.com

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DING MUSA


Ficha técnica
Fronteira , 2012 , Fotografia, 110 x 150 cm
Fronteira , 2012 , Fotografia, 110 x 162 cm

Biografia
Ding Musa é artista e fotografo profissional, participou de exposições em diversos países,
em galerias, instituições e museus. Fez residência de arte em Cardiff, Wales em 2004 e
desenvolve seu trabalho de arte morando na cidade de São Paulo. Ding tem suas fotografias
publicadas em livros, revistas e catálogos, trabalha com fotografia e direção de fotografia
para cinema. Dirigiu a fotografia para curtas metragens séries de web, documentários e
vídeo clips. Recentemente dirigiu a fotografia do longa metragem "Campo da Paz", realizado
na Palestina. Atualmente realiza longa metragem sobre a Dominguinhos. Ding tem suas
obras em diversos museus no brasil e no exterior, como os Museus de Arte Moderna de
Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, além do Fortaleza, MAC de Goiás, MEP em Belém, SARP
em Ribeirão Preto, entre outros. Fez cenografia para a peça de teatro "as desgraçadas"
Ministrou aulas de história da fotografia no SESC Santana em 2010 e também no Senac
Santana em 2009.
Ding Musa nasceu e trabalha em São Paulo.

www.dingmusa.com
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JOÃO PEDRO VALE e NUNO ALEXANDRE FERREIRA


Ficha técnica
Werther Effect , 2013, Vídeo HD, 16:9, cor, som, 85 min

Biografias
João Pedro Vale nasceu em 1976 em Lisboa, onde vive e trabalha. Licenciou-se em Escultura na
Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e estudou na Escola Maumaus. Tem realizado,
desde 1999, diversas exposições individuais e colectivas tanto em Portugal como no estrangeiro.
Das suas exposições individuais destacam-se: Galeria Leme, São Paulo (Brasil); NurtureArt, Nova
Iorque (EUA); Fundação PLMJ, Lisboa; Museu do Chiado, Lisboa; Wuestenhagen Contemporary,
Viena (Áustria); Museo Union Fenosa, Corunha (Espanha). Das suas exposições colectivas destacam-
se: Fundação EDP; Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura; Museu do Chiado; Museu de
Serralves; Museu Berardo; Elipse Foundation; CAM - Gulbenkian; Museo Patio Herreriano de
Valladolid (Espanha); Centre PasquArt (Suiça); Estação Pinacoteca e Centro Helio Oiticica (Brasil);
Gasworks, Londres (R.U.); Smithsonian Museum, Washington (EUA).
As suas obras fazem parte de colecções particulares e públicas, entre as quais, Tate (Londres),
Fundação de Serralves, Museu do Chiado e Fundação Calouste Gulbenkian.
Em 2002 foi nomeado para o Prémio União Latina e em 2004 ganhou o prémio City Desk de
Escultura. Tem desenvolvido o seu trabalho em meios que vão desde a escultura à fotografia,
performances e filmes.
Tem produzido e realizado um conjunto de longas-metragens experimentais em parceria com Nuno
Alexandre Ferreira, onde tem colaborado com actores como John Romão ou André Teodósio,
apresentadas tanto em Portugal (Museu Colecção Berardo, Festival Temps d'Image, Queer Lisboa,
Cine Clube de Ponta Delgada) como em Nova Iorque (SVA Theater). Desenvolve ainda o projecto
editorial “P-Town”, um queerzine de cruzamento de temáticas LGBT e a ideia de portugalidade.
www.joaopedrovale.com

Nuno Alexandre Ferreira nasceu em Torres Vedras, em 1973. Vive e trabalha em Lisboa. Estudou
Sociologia na Universidade Nova de Lisboa. Desde 2004 que colabora com João Pedro Vale em
projectos em onde proliferam, desde 2008, meios que vão desde a escultura à fotografia, passando
pela produção de exposições, performances e filmes. Em 2009 apresentaram "Hero, Captain and
Stranger" (Cine Paraíso, Museu Colecção Berardo e SVA Theater em Nova Iorque). Em 2010,
“English As She Is Spoke" (Cine Clube de Ponta Delgada, Cinema Nimas/Festival Temps d'Image e
Fundação PLMJ) e em 2012 "O Rei dos Gnomos" (Paço dos Duques/Guimarães 2012 – Capital
Europeia da Cultura, Galeria Leme – Brasil – e Teatro do Bairro/QueerLisboa). Desde 2011 que
desenvolve, em parceria com João Pedro Vale, o projecto “P-Town” resultante de uma residência
que ambos realizaram em Provincetown, Massachusets (EUA) com a realização de exposições
(NurtureArt, em Nova Iorque e Galeria Boavista em Lisboa) e publicação de um queerzine de
cruzamento de temáticas LGBT e a ideia de portugalidade.
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RAMIRO GUERREIRO


Ficha técnica:
Corredor com abertura zenital para capela, 2011, Desenho, colagem e decalques sobre
papel (técnica mista), 61 X 49 cm (a folha), 73 x 61 cm (com moldura em caixa de faia crua).
Mostrado na exposição individual com o mesmo nome, CDAP, Lisboa.

Biografia
Ramiro Guerreiro (Lisboa, 1978). Vive e trabalha em Lisboa.
O artista começa o curso de Arquitectura na Faculdade de Arquitectura do Porto e vem a
terminar os seus estudos no programa de Estudos Independentes da escola Maumaus, em
Lisboa.
Ramiro expõe regularmente desde meados dos anos 2000. Das suas recentes exposições
individuais, destacam-se as seguintes: “Teatro del Mondo” (Casa d’Os Dias da Água, Lisboa,
2007); “Vislumbre” (Igreja de São Tiago, Óbidos, 2008); “Acções, Propostas e Uma
Intervenção” (Lumiar Cité, Lisboa, 2009); “Verdes Anos” (Sala do Cinzeiro 8 do Museu da
Electricidade, Lisboa, 2009).
Realizou também várias residências artísticas: na Casa Velásquez em Madrid (2005), e no
Palais de Tokyo (2009/2010).
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EXPOSIÇÃO
FICHA TÉCNICA

CURADORIA
FÁTIMA LAMBERT
LOURENÇO EGREJA

ASSISTENTE DE CURADORIA
MARTA ALVAREZ, VALTER VENTURA

PRODUÇÃO
TÂNIA GEIROTO MARCELINO

AGRADECIMENTOS

PEDRO CALAPEZ | DANIEL BLAUFUKS | ALEJANDRO SOMASCHINI | GABRIELA ALBERGARIA |
JOSE SPANIOL | AMÉLIE BOUVIER | MANUEL CAEIRO | JEANINE COHEN | GABRIELA
MACHADO | VERA MOTA| CLAIRE DE SANTA COLOMA | PEDRO TUDELA | RODRIGO
OLIVEIRA | ÂNGELA FERREIRA | CRISTINA ATAÍDE | DING MUSA | JOÃO PEDRO VALE |
GALERIA GRAÇA BRANDÃO | GALERIA FILOMENA SOARES | VERA CORTÊS ART AGENCY | 3 +
1 ARTE CONTEMPORÂNEA | CAROLINE PAGÈS GALLERY | TÂNIA GEIROTO MARCELINO |
BRUNO PORTUGAL | CAROLINA VICENTE | BRUNA LATINI | LAURA PASTOR | LUIS ALCATRÃO
| MARIANA OLIVEIRA | FERNANDO PIÇARRA | VALTER VENTURA