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PROVA 224/6 Págs.

EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO


12.º Ano (Decreto-Lei n.º 286/89, de 29 de Agosto)
Curso Geral e Cursos Tecnológicos– Agrupamento 2 – 4 horas semanais

Duração da prova: 120 minutos prova modelo


2001

PROVA ESCRITA DE HISTÓRIA DA ARTE

A prova é constituída por três Grupos, sendo os itens do


Grupo III em alternativa.

As respostas devem integrar a leitura dos textos e das


obras de arte que as figuras reproduzam.

224/1 v.s.f.f.
GRUPO I
(Respostas obrigatórias)

Figura 1 – J. Possidónio da Silva,


Coimbra, Vista do Aqueduto, fotografia, 1863

Figura 2 – J. B. C. Corot,
A Ponte de Mante, óleo sobre tela, 1868-70

A invenção da Fotografia vai exercer uma importante influência sobre a Pintura na segunda
metade do século XIX.

1. Enuncie os principais temas da Fotografia no decorrer do século XIX.

2. Refira alguns dos aspectos que revelam a influência da Fotografia sobre a Pintura.

224/2
GRUPO II

Figura 2 – V. Van Gogh, Retrato do pintor e poeta belga Boch, 1888

1. «Não sei se alguém falou já à minha frente da cor sugestiva. Dar-te-ei um exemplo: eu vou fazer
o retrato de um amigo, um artista, um sonhador: este homem será louro e eu desejo reproduzir
no quadro toda a minha admiração, todo o amor que tenho por ele. Começarei, portanto, por pintá-
lo como ele é, tão fielmente quanto possível. Mas o quadro não fica pronto ainda. Para o acabar
vou tornar-me num colorista arbitrário: exagero o louro dos cabelos e chego aos tons laranja, ao
amarelo-crómio, à cor de limão clara. Por detrás da cabeça, em vez da habitual parede de um
quadro vulgar, pinto o infinito. Faço um fundo do azul mais forte de que sou capaz e, assim, a
cabeça loura e luminosa sobre o plano de fundo recebe da riqueza do azul um efeito místico, como
uma estrela no azul profundo do céu.»

V. Van Gogh, citado por Walter Hess, in Documentos para a Compreensão da Pintura Moderna

Após observar a figura e ler o texto de Van Gogh, refira o que neles existe de ruptura com o
Impressionismo.

224/3 v.s.f.f.
2. A industrialização teve, ao longo do século XIX, importantes consequências no domínio da
Arquitectura.

Figura 3 – Elevador de Santa Justa, Lisboa

Figura 4 – Estação de caminho-de-ferro, Antuérpia

2.1. Relacione as possibilidades oferecidas pelos novos materiais e processos de produção com
as inovações no campo da Arquitectura.

2.2. Explique as dificuldades que se verificaram na aceitação estética desta nova Arquitectura,
designada por Arquitectura do Ferro.

224/4
GRUPO III

Escolha apenas um dos itens deste Grupo.


(Se responder aos dois, apenas será considerada a sua primeira resposta.)

«Criemos uma nova comunidade de artífices em que não exista distinção de classe que erga uma
barreira de arrogância entre o artesão e o artista. Juntos concebamos e criemos o novo edifício do
futuro, que unirá a arquitectura, a escultura e a pintura, que um dia, pelas mãos de milhões de
operários, se elevará no céu futuro, como símbolo cristalino de uma nova fé.»

W. Gropius, Manifesto da Bauhaus, 1919

A Bauhaus surgiu, em 1919, em Weimar, na Alemanha, como resultado da fusão da Escola de


Artes e Ofícios com a Escola Superior de Belas-Artes.

1. Saliente a importância do papel desempenhado pela Bauhaus no processo de definição do Design


Industrial.

Figura 5 – Duane Hauson, Turistas, resina de poliéster, fibra de vidro polícroma, 1970

2. Caracterize o Hiper-Realismo como proposta artística da segunda metade do século XX.

FIM

224/5 v.s.f.f.
COTAÇÕES

GRUPO I
(Respostas obrigatórias)

1. ................................................................................................... 25 pontos
2. ................................................................................................... 35 pontos

GRUPO II
(Respostas obrigatórias)

1. ................................................................................................... 30 pontos
2.
2.1. ............................................................................................. 40 pontos
2.2. ............................................................................................. 30 pontos

GRUPO III
(Respostas em alternativa)

1. ou 2. ......................................................................................... 40 pontos

Total ................................................... 200 pontos

224/6
PROVA 224/C/4 Págs.

EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO


12.º Ano (Decreto-Lei n.º 286/89, de 29 de Agosto)
Curso Geral e Cursos Tecnológicos– Agrupamento 2 – 4 horas semanais

Duração da prova: 120 minutos prova modelo


2001

PROVA ESCRITA DE HISTÓRIA DA ARTE

GRUPO I

1. ................................................................................................... 25 pontos
2. ................................................................................................... 35 pontos

GRUPO II

1. ................................................................................................... 30 pontos
2.
2.1. ............................................................................................. 40 pontos
2.2. ............................................................................................. 30 pontos

GRUPO III
(Respostas em alternativa)

1. ou 2. ......................................................................................... 40 pontos

Total ................................................... 200 pontos

224/C/1 v.s.f.f.
CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO

A classificação da prova deve ter como base os seguintes aspectos:


– rigor científico;
– objectividade, clareza e coerência da resposta;
– capacidade de leitura da obra de arte, considerando o seu enquadramento histórico e
artístico.

NOTA:
Em relação a cada resposta, enunciam-se os conteúdos essenciais a ter em conta para uma
cotação total.
Estes conteúdos podem ser articulados pelo examinando de diversos modos, desde que
se enquadrem nos objectivos visados.
O professor corrector deverá considerar se, ainda que através de referências não contidas
nos tópicos propostos, o examinando revela conhecimento das matérias sobre que incidem as
perguntas e, consequentemente, avaliar a sua adequação e a profundidade das respostas.

TÓPICOS

GRUPO I
(Respostas obrigatórias)

1. Retrato, registo de paisagem rural e urbana, registo de acontecimentos políticos, sociais e do


quotidiano (noção de reportagem); ilustrações, reproduções de obras de arte...

2. Exige dos pintores uma reflexão sobre a natureza da pintura e o seu novo papel no contexto das
artes, já que o registo do real pode ser feito mecânica, rápida e eficazmente pela máquina
fotográfica; leva a um aprofundamento da experimentação pictórica na representação do
movimento, nomeadamente, na captação do instante; permite confirmar a mutabilidade da
realidade objectiva; contribui para a alteração das formas de enquadramento e de concepção
clássicas da composição; serve de instrumento de trabalho ao pintor (substitui, por vezes, a
necessidade de esboços e de apontamentos prévios à execução do quadro).

GRUPO II
(Respostas obrigatórias)

1. Concepção da pintura como meio de expressão de emoções, em oposição à pintura


impressionista, forma de representação de sensações; «arbitrariedade» no uso expressivo da cor,
em oposição à utilização científica da cor; acentuação da forma, em oposição à sua
desmaterialização.

224/C/2
2.1. Os materiais fabricados industrialmente – ferro (associado ao vidro) e, mais tarde, o aço e o
betão –, assim como as novas tecnologias permitiram o recurso à prefabricação e estan-
dardização de peças. A maior resistência/leveza desses materiais tornou possível a construção
de edifícios de estrutura mais resistente, grandes vãos (pontes e viadutos), espaços interiores
mais amplos e iluminados por luz natural, que se puderam adaptar a diversas funções, como:
fábricas, estações de caminhos-de-ferro, pavilhões de exposição, mercados, etc.

2.2. Inicialmente não foi reconhecida, aos novos materiais, a nobreza necessária para serem usados
na Arquitectura. Usados, tendencialmente, por engenheiros, mais bem preparados científica e
tecnicamente para os aplicar, assim como menos dominados pelo peso das concepções
tradicionais e académicas da Arte, a maioria dessas edificações era considerada mera
construção e nunca Arquitectura. No entanto, observa-se, por parte de alguns arquitectos, o
recurso a estruturas de ferro para resolver problemas técnicos ou, ainda, na realização de
profusas decorações revivalistas, sendo, num e noutro caso, sempre devidamente cobertas ou
disfarçadas. Nos finais do século XIX, detecta-se uma mudança de gosto, favorecida pelas
experiências realizadas nas grandes Exposições Universais, tendo sido a Torre Eiffel, em 1889,
um marco indiciador desta nova atitude de aceitação e de reconhecimento das capacidades
estéticas do ferro.

GRUPO III

(Respostas em alternativa, 1. ou 2.)


(Se o examinando responder às duas questões, apenas será considerada a sua primeira resposta.)

1. O século XIX foi marcado pela recusa da máquina, entendida como principal responsável pela falta
de qualidade estética dos objectos produzidos (teoria de Ruskin e W. Morris). Só com o Deutsche
Werkbund (associação que integrava representantes da indústria, artistas e artesãos), se faz a
reconciliação da Arte com a Indústria e com a máquina, nascendo, então, o Design Industrial. Este
projecto, interrompido com a Primeira Guerra Mundial, é retomado e aprofundado, em 1919, pelo
arquitecto W. Gropius que funda a Bauhaus, cujo programa educativo promovia a fusão dos
campos artísticos das duas escolas que lhe deram origem (a de Artes e Ofícios e a de Belas-
Artes). Uniam-se os esforços de artistas e de artesãos na formação de novos profissionais, de
forma a projectar todo o tipo de objectos (incluindo-se no conceito de objecto os próprios edifícios
e espaços vivenciais) que respondessem, cumulativamente, às necessidades materiais,
intelectuais e espirituais do homem. Defensores do Design Industrial, os ateliers da Bauhaus
constituíam-se como ateliers de produção para o mercado exterior.

2. Desenvolve-se nos Estados Unidos, nos finais da década de 60 e durante a década de 70


(século XX), dando continuidade à Pop Art (opondo-se ao hermetismo da Arte Conceptual).
Utilizando a fotografia, busca um registo cruamente objectivo da realidade, revelando um olhar
crítico face à sociedade de consumo. O tipo de registo óptico do espaço resulta igualmente da
utilização da fotografia. Na escultura, o intenso realismo das formas, resultante da utilização de
moldes, é gerador de uma visão perturbadora da realidade.

224/C/3
EXAMES NACIONAIS DO ENSINO SECUNDÁRIO — 2001, Prova Modelo HISTÓRIA DA ARTE (Cód. 224)

Código Número
GRUPO I GRUPO II GRUPO III * TOTAL DA
Confidencial Convencional 1. 2. 1. 2.1. 2.2. 1. ou 2. PROVA
TI T II T III
da Escola da Prova (0-200)
(60) (100) (40)
(25) (355) (30) (40) (30) (40) (40)

* O professor corrector deverá indicar, nesta coluna, o número da questão, 1. ou 2., a que o examinando respondeu.

Data ____/____/____ O Professor Corrector __________________________________________