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Sistemas com autovalores complexos

ED Sistemas de Equações Lineares de 1 a Ordem

0.1 Sistemas com autovalores complexos

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE : Uma aplicação da fórmula de Euler (que recordaremos abaixo), permite calcular soluções reais par a sistemas de equações diferenciais cujas equações características possuem raíz es complexas.

Exemplo 1 Determine a solução geral de

Y =

3 2 −→ Y
4

1

Solução: Procedendo como no caso de autovalores reais, temos:

A :=

3

4 1

2

det(A λId) = 0 ⇐⇒ λ 2 2 λ + 5 = 0 ⇐⇒ λ = 1 + 2 i, 1 2 i.

Resolvendo a equação vetorial (A λId) V = 0 exatamente como no caso real, obtemos os autovetores complexos

−→ = 1 / 2+1 / 2 i

V

C1

1

;

−→ = 1 / 2 1 / 2 i

V

C2

1

.

Portanto os autovalores são complexos conjugados e têm asso ciados a si auto- vetores com coordenadas complexas.

Procedendo por analogia com o caso em que os autovalores são r eais, com au- tovetores de coordenadas também reais, formamos as soluçõe s complexas:

e

−→ (t )= e (1+2i)t 1 / 2 + (1 / 2) i

Y

C1

1

−→ (t )= e (1 2i)t 1 / 2 (1 / 2) i

Y

C2

1

Tomemos a primeira solução complexa. Usando a fórmula de Eul er

Aula 2

e a+bi = e a cos b + i e a sen b

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Obtenção de Soluções de Sistemas Lineares de 1 a Ordem

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podemos desmembrar a solução acima em

(e t cos 2 t + ie t sen 2 t ) 1 / 2

1

+ i 1 / 2

0

Efetuando as contas e agrupando convenientemente:

−→ (t )(t ) = (e t cos(2 t ) e t sen (2 t ) )/ 2 + i (e t sen (2 t ) + e t cos(2 t ) )/ 2

Y

C1

e t sen (2 t )

e t cos (2 t )

Aplicamos agora a seguinte proposição:

Proposição: Seja −→ −→ −→ Y C (t )= Y 1 (t )+ i Y
Proposição:
Seja
−→
−→
−→
Y C
(t )=
Y 1
(t )+ i
Y 2
(t )
−→
uma solução complexa de −→ Y ′ = A −→ Y , sendo A uma matriz real. Então
−→
Y 1
(t ) e
Y 2
(t ) são soluções reais, linearmente independentes de
−→ Y ′ = A −→ Y .

Consequentemente, a solução geral do sistema

Y =

3 2 −→ Y 4

1

é

−→

Y (t )= c 1 (e t cos(2 t ) e t sen (2 t ) )/ 2 + c 2 (e t sen (2 t ) + e t cos(2 t ) )/ 2

e t sen (2 t )

e t cos (2 t )

.

Observação : Não há necessidade de utilizar o autovalor complexo conjug ado. Afinal já calculamos duas soluções reais linearmente indepe ndentes, utilizando

o primeiro autovalor. E isso basta.

O

mesmo vai acontecer com autovalores complexos de matrizes (ou sistemas)

com coeficientes reais de qualquer dimensão: cada autovalor complexo dá origem a duas soluções reais linearmente independentes. Não preci samos refazer os cálculos com o autovalor conjugado.

Exemplo 2 Resolva o problema de valor inicial

X =

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0

2

0

0

2

0

0

0

0

0

2

3

0

0

3

2

X ;

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X (π )=

1

1

1

0

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Sistemas com autovalores complexos

Solução :

Cálcuo dos autovalores:

det(λId A) = 0

⇐⇒

⇐⇒

⇐⇒

det

λ

2

0

0

2

λ

0

0

0

0

λ 2 3

0

0

3

λ 2

=0

(λ 2 + 4)[(λ 2) 2 + 9] = 0

λ = ± 2 i ;

λ =2 ± 3 i

O sistema possui dois pares de autovalores complexos conjug ados.

Cálculo de autovetores:

Chamemos de

−→

V C

um autovetor associado a λ = 2 i . Temos

(2 i Id A)

−→

V

C

= 0

⇐⇒

⇐⇒

⇐⇒

2 i

2

0

0

2

2

i

0

0

0

0

2 i 2 3

0

0

3

2 i 2

  2 iv 1 2 v 2 =0

 

2 v 1 + 2 iv 2 =0

 

(2 i 2)v 3 +3 v 4 =0

3 v 3 + (2 i 2)v 4 =0

v 2 = i v 1

v 3 = v 4 =0

 

 

 

Por exemplo

V −→ C =

1

i

0

0

,

v

v

v

v

1

2

3

4

de onde obtemos a solução complexa

−−→

X

1,C =

1

i

0

0

e 2it .

Utilizando a fórmula de Euler:

=

0

0

0

0

e 2it = e 0+2ti = c 0 (cos 2 t + i sen 2 t ),

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de modo que a solução complexa se desdobra como

ou ainda

−−→

X

1,C =

1

i

0

0

(cos 2 t + i sen 2 t ) =

−−→

X

1,C =

cos 2 t

sen 2 t

0

0

+ i

cos 2 t + i sen 2 t ) i (cos 2 t + i sen 2 t ))

0

0

sen 2 t

cos 2 t

0

0

,

e assim obtemos d uas soluções reais, associadas ao autovalor complexo 2 i , a saber

X 1 (t )=

cos 2 t sen 2 t

0

0

e

X 2 (t )=

sen 2 t cos 2 t

0

0

.

Procedemos analogamente com um dos outros dois autovalores complexos 2 ± 3 i . Vamos trabahar com 2 + 3 i . Temos:

((2 + 3i) Id A)

−→

V

C

Por exemplo

= 0

⇐⇒

⇐⇒

2+3i

2

0

2

2+3i

0

0

0

2+3i 2

0

0

3

  (2 + 3i)v 1 2v 2 =0

 

2v 1 + (2 + 3i)v 2 =0

3iv 3 +3v 4 = 0

 

3v 3 + 3iv 4 = 0

v 3 =iv 4 v 1 =v 2 =0

V −→ C =

0

0

i

1

,

de onde obtemos a solução complexa

−−→

X

2,C =

0

0

i

1

e (2+3i)t .

0

0

3

2+3i 2

 

 

v

v

v

v

1

2

3

4

=

0

0

0

0

Usando a fórmula de Euler e agrupando convenientemente, pod emos reescrever −→ V C como

−−→

X

2,C =

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0

0

e 2t sen 3 t

e 2t cos 3 t

+ i

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0

0

e 2t sen 3 t

e 2t cos 3 t

,

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e então temos mais duas soluções reais:

 

X 3 (t )=

0

0

e 2t sen 3 t e 2t cos 3 t

Uma solução geral do sistema

é

X (t )= c 1

cos 2 t

sen 2 t

0

0

X =

+

c 2

0

2

0

0

sen 2 t

cos 2 t

0

0

 

X 4 (t )=

e

0

0

e 2t sen 3 t e 2t cos 3 t

2

0

0

0

0

0

2

3

+

c 3

0

0

3

2

−→ X

0

0

e 2t sen 3 t e 2t cos 3 t

+

 

.

c 4

0

0

e 2t sen 3 t

e 2t cos 3 t

.

Fica como exercício o cálculo dos parâmetros c 1 · · · c 4 tais que X (π ) = (1 , 1 , 1 , 0).

Exemplo 3 Considere o sistema

−→ Y = a b −→ Y b

a

a) Mostre que os autovalores da matriz A do sistema são

b)Mostre que

a + bi e a bi

i 1

é um autovetor pertencente ao autovalor a + bi

c) Conclua (usando o autovalor a + bi ) que

−→ Y 2 (t )= e at sen bt e at cos bt

e Y

1 (t )= e at

cos bt

e at sen bt

são duas soluções linearmente independentes do sistema pro posto.

Solução :

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Exemplo 4 Determinar a solução geral de

Solução :

X =

1

0

1

0

1

1

2

0

1

−→ X

Exemplo 5 Resolva o problema de valor inicial

Solução :

y = 1

3

2

0

1

1

2

0

0

y ;

y (0) =

0

1

2

Exemplo 6 Determine todos os vetores y 0 tais que a solução do problema de valor inicial

1

y = 0

1

0

1

1

2

0 y ;

1

y (0) = y

0

seja uma função periódica do tempo.

Solução :

Exemplo 7 Determine a solução geral de

Solução :

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Y =

3

0

0

0

3

1

0

2

1

−→ Y

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Resumindo:

Dado um sistema de equações diferenciais lineares de primera or- dem, homogêneo, com coeficientes reais

Y = A Y

cuja equação característica

det (λI A) = 0

tem raízes complexas (que sempre ocorrem em pares conjugado s),

λ k = A k ± B k i,

para cada autovalor complexo - digamos A m + B m i -, calculamos um autovetor (complexo) K C,m associado a ele.

A solução complexa correspondente é Y C,m (t )= e (A m +B m i)t K C,m . A par- tir daí, usando a fórmula de Euler, calculamos duas componentes da solução geral real

X 1,m (t ) e X 2,m (t ),

sendo X 1,m (t ) e X 2,m (t ) as partes real e imaginária de Y C,m (t ).

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