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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE

DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO.

AGRAVO DE INSTRUMENTO

ENOCK CAVALCANTI DA SILVA, brasileiro, solteiro, jornalista – DRT/RJ nº


19779, residente e domiciliado em Cuiabá – Mato Grosso, portador da
carteira de identidade nº 1327255 – SSP/DF e do CPF nº 381.971.897-49,
por meio de seu procurador (M.I.), infra-assinado, inscrito na Ordem dos
Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso, sob o nº 2.903, com
endereço profissional na rua Voluntários da Pátria nº 350, Cuiabá Shopping,
2º pavimento, sala 34, centro norte, em Cuiabá – Mato Grosso, CEP nº
78.005-180, telefone 3624.9221, onde recebe as intimações forenses, não se
conformando, com a respeitável decisão interlocutória do MM. Juízo da 13ª
Vara Cível de Feitos Gerais da Comarca de Cuiabá – Mato Grosso, Doutor
Pedro Sakamoto, proferida na Ação de Indenização por Danos Morais c/c
pedido de liminar – Processo nº 2009/878 – Código 396250, movida pelo
agravado, JOSÉ GERALDO RIVA, brasileiro, separado judicialmente,
deputado estadual de Mato Grosso, inscrito no CPF nº 387.539.109-82, com
escritório profissional na Assembléia Legislativa de Mato Grosso, localizada
na avenida Andre Maggi, lote 06, setor A do CPA, nesta capital, onde pela
decisão liminar de antecipação parcial de tutela foi o agravante
compelido a excluir notícias jornalísticas do blog jornalístico na
Internet – http://paginadoenock.com.br /home/post nº 3801, nº 3817 e nº
4255 e determinado que o jornalista agravante se abstenha de emitir
opinião pessoal, que atribua prática de crime ao agravado - sem que
haja decisão judicial com trânsito em julgado que confirme a acusação.
Tudo sob pena de multas, no amparo exegético extensivo e heterodoxo do
artigo 461 do CPC para resguardar pretensamente a dignidade do
agravado, vem interpor AGRAVO DE INSTRUMENTO para revogar a
decisão liminar antecipatória de tutela – que é nula em si mesma de pleno
direito por que viola normas constitucionais – artigo 5º, incisos IV, V, IX, X
e XXXV, no artigo 93, inciso IX, e no artigo 220, §§ 1º e 2º, da
Constituição Federal, expondo:

FUNDAMENTO

01 - INTRÓITO - O exercício do jornalismo deve estar calcado em fatos


e que permitem sempre emissões de opiniões críticas. Trata-se de exercício
da liberdade de expressão - profissional. É garantia de manifestação do
pensamento dada ao profissional de jornalismo. A faculdade de crítica
jornalística está contida na inteligência do artigo 5º, inciso IV c/c o artigo
220 da CF. Afinal, tem tal profissão a responsabilidade social e cívica e não
apenas pessoal de veicular notícia para sociedade. Noticiar e opinar
profissionalmente não deve receber tratamento de caráter pessoal no
ordenamento legal nacional. Neste sentido, a honra subjetiva de autoridade
pública deve ficar subsumida no direito maior de informação – desde que
verdadeira e amparada em fonte fidedigna. É o direito republicano positivado
outorgando prerrogativas de maneira magna, que assegura ao jornalista
expender crítica (ácida ou melífera) - conforme entender necessária e
requisitar a sociedade.
Notoriamente, quando os fatos estão no desfavor de figura pública
proeminente e com maior grau de responsabilidade pela condução do
interesse estatal e que utiliza de tribuna da Assembleia Legislativa para
atacar raivosamente o jornalista e agravante não há por que não equipar
instrumentos de debates na respostas que se entender condigna entre os
difusores de ideias e pensamentos discrepantes. Um pela tribuna do
parlamento e outro pelo blog profissional. Tal como se sucedeu com as
matérias jornalísticas – fls. 93/343 dos autos da ação indenizatória -
anexados. Daí por que o direito limitaria ou impediria debates públicos de
reproduções de pensamentos e críticas mútuas - na tribuna legislativa e no
blog profissional e outros do jornalismo autêntico, que interessa e atinge a
sociedade sedenta de tais informações.

02 - Não se pode reduzir a opinião jornalística ao abuso da liberdade de


imprensa - sem prova ou evidência que se estava divulgando ignomínias –
tal como intentou o agravado. Cuja prova, sem boa-fé processual, limita a
mostrar isoladamente os artigos e textos que sente ofendido. E que não
mostra a fonte fática – processos judiciais que o agravado é parte passiva
para provar que o agravante excedeu e foi além do que contém em
processos públicos e em tramite na Justiça. Tudo porque – tal como posto
na ação civil indenizatória – atenta contra o direito/dever da imprensa de
informar e criticar com base nas fontes originárias, que no caso concreto,
fundamentam em 92 ações civis públicas por improbidades administrativas e
17 ações penais por formação de quadrilha, estelionato e peculato etc. Tem
109 procedimentos legais contra o agravado. Ações formais movidas pelo
Ministério Público, cuja ação indenizatória interposta ocultou. Notadamente
uma ação civil pública - processo nº 206/2008 com decisão meritória
anexada que teve provimento e decisão de afastamento do agravado
direção do Poder Legislativo mato-grossense e ressarcimento do erário em
R$ 2.656.921,20 e indisponibilidade dos bens e multa civil de uma vez o
valor dano, com afastamento de cargo e suspensão de direitos políticos. E
que pelas ofensas rogadas contra o agravante na tribuna do Poder
Legislativo não teve seu direito de exercício de ideias e pensamento tolhido
– tal como se sucedeu ilegalmente com o jornalista ora agravante, que
diante da ação civil indenizatória de defesa do interesse particular obteve
antecipação parcial de tutela (liminarmente) sem o FUMUS BONI IURIS ou
demonstração da difícil ou impossível reparação do pleito - caso a sentença
final lhe seja favorável pela procedência.

03 - IN TESE jurídica mais tradicional e refrataria na melhor exegese da


atual Constituição Federal vigente estaria correta a decisão liminar apenas
para a remoção das matérias ofensivas – se comprovadas robustamente
que as três matérias jornalísticas veiculadas não retratavam os fatos e
verdades nos debates - notícias falsas. Ou contivessem aleivosias nas
críticas profissionais - emitidas. Contudo, a decisão liminar deferida apenas
proibiu e determinou retirada das três matérias jornalísticas na análise
subjetiva e com ausência de prova cabal de direito e quiçá irrefutável –
artigo 333, inciso I do CPC. Inusitadamente proibiu, também, emitir novas
opiniões jornalísticas sobre as acusações processuais até decisões judiciais
com trânsitos em julgados que as comprovassem. Enfim, praticou, neste
sentido, ao proibir judicialmente o jornalista e proprietário do blog de emitir
opinião pessoal (profissional) atribuída ao agravado contendo acusação de
procedimento judicial de prática de crime contra o agravado sem que exista
decisão judicial condenatória definitiva, o que representa imposição de
censura prévia e futurista – vetada pela Constituição Federal.

04 - Abuso e inverdades de imprensa devem ser combatidos com rigor


judicial, mas jamais se pode tolher a liberdade de expressão profissional,
quando se divulgam fatos. Ou se faz crítica jornalística cívica – embora
contundente e ácida merecida, no caso concreto, por que traz forte evidência
de prejuízos enormes ao erário - cerca hoje de desvio de 400 milhões dos
cofres públicos, como se desune das notícias e procedimentos judiciais, que
foram sonegados como provas na ação indenizatória pelo próprio agravado.
Aqui cabe indagar – onde estaria na peça vestibular dito que a opinião
jornalística fundou-se em aleivosia? Que as matérias jornalísticas foram
cunhadas com fundamento em ignomínia? Não há nenhuma prova que
indique ou evidencie imputação de ofensa moral rogada como falsa. O
agravado diz que é parlamentar destacado, produtivo e reeleito com boas
margens crescentes de votos, mas não ousa ele mesmo dizer na sua peça
vestibular, que é parlamentar honesto, cidadão probo ou indivíduo ilibado. E
que o agravante tem assacado contra ele qualquer imputação delinqüente.
05 – Na quadra de debates e polêmicas - decorrentes de discussões
públicas – veiculadas em blog jornalístico e rebatidas na tribuna parlamentar,
quem necessita ter maior proteção jurisdicional, sob pena de se sufocado é
o agravante, que se nega ao discurso leve e diplomático conformista na
defesa da coisa púbica. Dissenso, debate, abertura e transparência são os
elementos fáticos e jurídicos imprescindíveis para o progresso democrático
da sociedade republicana. A credibilidade dos interlocutores (agravante e
agravado) será determinada pelos fatos, provas e argumentos
apresentados. No feito judicial guerreado aprecia-se liminarmente apenas
um lado ao dar vazão às magoas pessoais do agravado por críticas justas e
legais sem perguntar se são verdades ou mentiras. Proibir judicialmente
opiniões pessoais, sob manto de conjectura, suposições e subjetividades é
tecnicamente temerário - seja do parlamentar ou do jornalista. Tal como
posto a decisão IN LIMINAR exercida sem robusta evidência ou prova
mínima de imputação inverídica parte do agravante e jornalista, significa
apenas consagrar uma censura ao mais frágil e beneficiar o mais forte e
truculento.

CONCLUINDO - o ministro do STF Celso de Mello fez defesa mais


apropriada do direito, que tem a imprensa de criticar, principalmente as
autoridades e homens públicos, diz ele: “Ninguém ignora que, no contexto
de uma sociedade fundada em bases democráticas, mostra-se intolerável a
repressão estatal ao pensamento, ainda mais quando a crítica — por mais
dura que seja — revele-se inspirada pelo interesse coletivo e decorra da
prática legítima, como sucede na espécie, de uma liberdade pública de
extração eminentemente constitucional".
O ministro sustentou, ainda, que a liberdade de imprensa compreende
as prerrogativas do direito de informar, buscar a informação, opinar e criticar.
Textualmente - “A crítica jornalística, desse modo, traduz direito impregnado
de qualificação constitucional, plenamente oponível aos que exercem
qualquer atividade de interesse da coletividade em geral, pois o interesse
social, que legitima o direito de criticar, sobrepõe-se a eventuais
suscetibilidades que possam revelar as pessoas públicas”. O ministro
reafirma, ainda, que o direito de crítica se fundamenta no pluralismo político
e que não cabe ao Estado impor-lhe limites e que nem mesmo o Judiciário
tem poderes para cercear a livre manifestação do pensamento pela
imprensa. Textualmente - “É preciso advertir, bem por isso, notadamente
quando se busca promover, como no caso, a repressão à crítica jornalística,
mediante condenação judicial ao pagamento de indenização civil, que o
Estado — inclusive o Judiciário — não dispõe de poder algum sobre a
palavra, sobre as ideias e sobre as convicções manifestadas pelos
profissionais dos meios de comunicação social. E nenhuma autoridade,
mesmo a autoridade judiciária, pode prescrever o que será ortodoxo em
política, ou em outras questões que envolvam temas de natureza filosófica,
ideológica ou confessional, nem estabelecer padrões de conduta cuja
observância implique restrição aos meios de divulgação do pensamento”.

06 – SITUAR PROCESSUAL – Há ação civil de indenização por dano


moral – processo nº 2009/878, que tramita na 13ª Vara Cível da capital
interposto pelo agravado, onde ao agravante foi determinado liminarmente
com antecipação de tutela, que excluísse três notícias jornalísticas, que
estavam postadas na rede Internet – http://paginadoenock.com.br
/home/post nº 3801, nº 3817 e nº 4255 e determinado mais, que o jornalista
agravante se abstivesse de emitir opinião pessoal, que no caso concreto é
sempre profissional no blog jornalístico, que atribua prática de crime ao
agravado sem que haja decisão judicial com trânsito em julgado que
confirme a acusação. Tudo sob pena de multa no primeiro caso no valor de
R$ 500,00 ao dia - limitada aos 30 dias. E no segundo no valor de R$
1.000,00 por ato de desrespeito à decisão para não emitir opinião, no
amparo exegético extensivo do artigo 461 do CPC para resguardar
pretensamente a dignidade indigna do agravado. Contra tal decisão liminar
agraciada insurge o agravante jornalista profissional e tolhido MANU
MILITARI de noticiar fatos e criticar o deputado agravado sem trânsito em
julgado das acusações postas na apreciação judicial e algumas pendentes
de autorização legislativa para prosseguir os feitos e sofrer julgamentos.
Tudo no enlace de improbidades administrativas e ressarcimentos do erário
e condenação penal, que, uma inclusive, afastou liminarmente o agravado
da direção da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
MM. Julgadores, notícias colhidas em processos judiciais ativos e que
correm sem segredo de Justiça não pode ser tolhidas para divulgações no
pretexto de preservar a honra ou dignidade privada. Afinal, ambos os
demandantes (jornalista e parlamentar) têm funções sociais e cívicas e as
discussões são públicas e notórias.

07 - Noticiar e proteger o agente público parlamentar com distorcer da


verdade é que assacaria falta ética profissional no jornalismo. Enfim,
somente é passível de coação judicial ou indenização se noticiar falsidade
com fundamento em calúnia, injúria ou difamação. No caso concreto
agravado colher notícias em processo público em trâmite para divulgação
jornalística e emitir sobre elas opiniões profissionais extensivas de
interesses gerais não revela situação ilícita, que possa sofrer repressão
estatal. Afinal, o ordenamento jurídico magno não expôs ou facultou direito
de reação hostil ao direito fixado de prestar informação verdadeira e opinar
com lhaneza adequada à gravidade dos fatos.
É vetado justamente tratar notícia de abuso de autoridade, desvio de
conduta administrativa grave e desvios financeiros do erário com linguagens
gentis e diplomáticas parcimoniosas. Tudo dando a entender a crítica
jornalística que o grave não é tão grave assim ou pode ser até relevado no
final do processo que um empresário falecido a mais de dez anos retorne da
casa dos mortos e comprove que negociou e realmente emitiu notas fiscais
e endossou cheques públicos – por exemplo. Enfim, que as emissões de
cheques da Assembleia Legislativa e pagamentos por via de factoring do
crime organizado, podendo qualquer dia ser considerado ato legal. E que
tudo isto, com compras excessivas de calcinhas de mulheres na Assembleia
Legislativa e divulgação na mídia nacional não ridicularizou a todos nós e
trouxe prejuízo ao Poder Público.
A exegese elementar do artigo 461 do CPC na decisão agravada não
permite tal façanha contra o direito de informação agasalhado
constitucionalmente. E que não permite a censura ou acautelamento de
proteção individual futura de quem detém função pública ou gerência
financeira de patrimônio estatal - já denunciado por desvio da boa conduta
administrativa. Tudo isto sem ouvir ou pedir defesa de fatos modificativos ou
excludentes de direito mitigado na peça vestibular – artigo 333, inciso II do
CPC. Afinal, se deferir liminar com antecipação de tutela com direito
inexistente e censura aberta e subjetiva do julgador. É fazer valer a Lei da
Mordaça da Imprensa não aprovada no Congresso Nacional e estar-se-á
diante do caos jurídico, prestação jurisdicional falha e agraciando a
libertinagem republicana tupiniquim.
A crítica extensiva na questão concreta é legítima e legal e não
transgride preceito normativo válido - artigo 5º, incisos IV, V, IX, X e XXXV,
no artigo 93, inciso IX, e no artigo 220, §§ 1º e 2º, da CF. E neste sentido
a ordem judicial que assim (proibir noticia verdadeira e crítica fática) fizer é
nula e passível de reforma incontinente junto ao Tribunal Superior, por que
não se pode compactuar inadvertidamente com o pernicioso ou maligno
socialmente. E que violenta norma magna positivada maior - trazendo
prejuízo ao direito de informação de interesse coletivo e cívico, que deve
submeter tudo e todos ao império da Lei em vigor. E tendo limitação após
prova que as noticias veiculadas são falsas – por contas públicas aprovadas
no Tribunal de Contas, por balancetes orçamentários e prova de legalidade
documental dos atos denunciados etc. Na inexistência de prova de direito
cabe no mínimo aguardar contestação com direito de trazer fato modificativo
da alegação sem prova – artigo 333, inciso II do CPC.

08 - Anota-se EN PASSANT que o vício de agir contra o Estado de


Direito Democrático faz escola rápido. O desembargador Dácio Vieira, do
Tribunal de Justiça do Distrito Federal proibiu o jornal Estado de São Paulo
de publicar qualquer informação processual, que esteja sob segredo de
Justiça no inquérito que investiga Fernando Sarney. A liminar foi concedida a
pedido para impedir a publicação das conversas telefônicas gravadas com
autorização judicial. A cópia é sempre mais imperfeita ou disforme que a arte
original. O MM. Juiz singular local proibiu noticiar e ordenou arrancar das
páginas da imprensa três notícias públicas e verdadeiras – liminarmente. E,
curiosamente, vale para toda a imprensa. Nenhum veículo de comunicação
pode citar ou usar material noticioso da lavra do agravante e outros, que
diga sobre os fatos que envolvam o deputado agravado.
Assuntos públicos na tela devem ser ocultados e esperar que estejam
transitados em julgado sobre o tema palpitante de desvio de conduta e
financeira. Aqui cabe perguntar – qual o dispositivo legal realmente expresso
que autoriza ao Magistrado Singular assim decidir - judicialmente? Tudo por
que o artigo 461 do CPC jamais admite tal exegese livre ou hermenêutica
heterodoxa no desatino de impor normas infraconstitucionais ao primado do
ordenamento jurídico pátrio e tolhendo direito constitucional superior, porque
quer o administrador público de plantão.
Há um valor constitucional maior e ferido, que é o da liberdade de
imprensa. O agravante espera que os membros do Tribunal de Justiça
compreendam o significado deste valor constitucional vilipendiado e ferido
mortalmente quiçá somente no anseio de retorno ao duro império mongol.
Do contrário, está ferrado não o agravante, mas o próprio sistema legal
constitucional e cidadania que tem direito de receber notícia verdadeira e no
quente. O agravante não compactua com ignomínias. Alerta que os maiores
inimigos do jornalismo são as mentiras, manipulações políticas, censuras,
ignorância e truculência judicial descompromissada com a verdade e com
dever cívico impostergável – que é o combate à realidade corrupta e
corruptora gracejada no vertente caso concreto. Esperar o final de processo
judicial para noticiar que a acusação é verdadeira atenta contra o Estado de
Direito e Constituição Federal.
Não basta ao agravado ter nas mãos a mídia amestrada que ele defende
livremente no silêncio tumular. Isto tudo nos conduz a uma verdadeira
vanguarda do atraso patrimonialista, que faz do Estado de Direito gato e
sapato e vibra com as falhas do judiciário impedindo da verdade sair dos
autos e cair no domínio amplo e coletivo - quando isso acontece por proibir
ilegal do que tem direito ou não da sociedade saber – notícia verdadeira e
opinião crítica jornalística – há um alivio injusto ao agravado. A Justiça em
qualquer Estado de Direito não pode servir ao interesse deste lado
escatológico da força judicial. Todos os segmentos da sociedade brasileira
precisam reagir contra o agir CONTRA LEGEM para proteger o Estado de
Direito legalizado e ferido por decisão limiar, que limita o que deve saber a
população. O lado obscuro de proibir o que deve ou não deve o cidadão
saber não passa de censura nefasta dos que temem a Justiça.
Não existe delito midiático na legislação nacional, o que deve preocupar
o bom judiciário republicano é punir a mentira ou abuso de imprensa –
notícias falsas. A liberdade de expressão e de comunicar tem caráter público
e cuja notícia sendo verdadeira não pode sofrer sanção judicial e retirada
das páginas da imprensa. Aqui reside justamente uma escolha na pequenez
ou grandeza, que o país e judiciário haverão de vencer o antigo modo
obtuso e servil do Estado de Direito ditatorial.
O regular da liberdade de expressão é imperdoável e perigoso ao regime
do Estado de Direito republicano.

09 - É temerária a decisão liminar, proferida no fundamento CONTRA


LEGEM e sob alegação leviana ou conjectura sem prova e inverídica. É
desmotivada juridicamente do direito de obter proteção sem prova mínima
ou evidência de direito nos autos. As matérias – fls. 93/343 fazem prova
contrária ao pretenso direito do agravado. A própria petição inaugural
recebeu ordem de emenda – fls. 346 por que o pedido de liminar não
precisava o que realmente queria. O que está provado é denúncia grave de
improbidades administrativas. A petição vestibular faz análise perfunctória e
na política subjetiva, negando-se a dizer que o agravado é ilibado. Como
diante de tudo isto se pode cancelar o direito de informação e de crítica
salutar – por tolher o agravante na profissão jornalística. Tudo parece
visivelmente calcado no desejo de defender a dignidade de quem não
precisa mais desta defesa no sentido almejado – além do socorro necessário
nas ações civis públicas e penais instauradas, onde foram colhidas as
notícias e fatos suspensos e não contraditados como falsos na petição
vestibular.

10 - A garantia básica da liberdade de expressão do pensamento


representa algo essencial e tem significado fundamental na ordem jurídica
nacional em que repousa a ordem legal e democrática. Como preleciona
ministro Celso de Mello do STF - Nenhuma autoridade, mesmo a autoridade
judiciária, pode prescrever o que será ortodoxo em política, ou em outras
questões, que envolvam temas de natureza filosófica, ideológica ou
confessional, nem estabelecer padrões de conduta cuja observância
implique restrição aos meios de divulgação do pensamento. Tudo por que o
direito de pensar, falar e escrever livremente, sem censura, sem restrições
ou sem interferência governamental representa, conforme adverte HUGO
LAFAYETTE BLACK, que integrou a Suprema Corte dos Estados Unidos da
América, “o mais precioso privilégio dos cidadãos (...)” “Crença na
Constituição”, página 63 – 1970 – Forense, citado em julgado recente em
caso similar pelo nobre ministro acima referenciado.

11 – DA LIMINAR DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA – Ao alinhavar a


decisão liminar vergastada o MM. Juiz Singular, diz que: Trata-se de ação de
indenização por danos imateriais proposta por JOSÉ GERALDO RIVA em
face de ENOCK CAVALCANTI, ADRIANA VANONI, ADEMAR ADAMS,
VILSON NERY e ANTÔNIO CAVALCANTI, pela qual o Autor busca a
reparação por suposto dano moral oriundo da publicação de matérias
jornalísticas feitas pelos Réus, nas quais teria havido excesso no direito à
informação e, por conseguinte, mácula à imagem e honra do Requerente. O
Autor ainda pediu a concessão de liminar de antecipação dos efeitos da
tutela jurisdicional para que fossem excluídas e/ou tornadas inacessíveis as
matérias jornalísticas apontadas na inicial, constantes em sites da internet,
bem como qualquer reportagem similar, sem fim efetivamente informativo,
que envolvesse o Autor. Também pediu que fosse concedida liminar visando
inibir os Réus a darem publicidade “...a qualquer notícia ou nota de natureza
evidentemente especulativa, pejorativa, deturpadora, e que tenha finalidade
de atingir a honra e a imagem do requerente...” sob pena de imposição de
multa pecuniária por ato de descumprimento da ordem a ser deferida. Com a
inicial vieram os documentos de folhas 84 a 343. Determinei a emenda da
petição inicial para que o Autor explicitasse qual sua real pretensão quanto à
tutela de urgência (fl. 346), uma vez que seu pedido formulado nesse sentido
encontrava-se, a meu juízo, vago e indeterminado, pois buscava impor aos
Réus o cumprimento de obrigações (fazer e não fazer) cujo conteúdo era
obscuro e dava ampla margem a interpretações subjetivas. Em petição de
folhas 347/351 o Autor emendou a petição inicial, oportunidade em que
aditou seus pedidos de tutela urgência para que fosse concedida liminar que
determinasse a imediata exclusão das matérias descritas na petição inicial e
para que os Réus se abstivessem de veicular notícias que imputassem
crimes ao Autor sem que existisse decisão judicial com trânsito em julgado.
O Autor aproveitou o ensejo para juntar os documentos de folhas 353 a 394.
É, em síntese, o relatório. Decido. A questão fática vertida nos autos do
processo, em razão da qual se pediu a concessão de tutela de urgência,
indica que o Autor, que é uma conhecida personalidade pública do Estado
de Mato Grosso, estaria sendo vilipendiado em sua honra e dignidade em
razão do exercício, pelos Réus, do direito de livre expressão e de liberdade
de imprensa. Ocorre que, tanto o direito à dignidade do Autor, quanto o
direito de liberdade de expressão dos Réus, são princípios normatizados
pela atual Carta Política. A liberdade de expressão encontra albergue
constitucional nos incisos IV e IX do art. 5º da Constituição Federal, sendo
que a concretização dessa garantia se dá através dos meios de
comunicação como rádio, a televisão, jornais impressos, internet, etc., razão
pela qual a liberdade de imprensa também se traduz garantia individual
elevada ao patamar de cláusula pétrea (CF, art. 5º, XIV). É dogma
insofismável que a liberdade de expressão e de imprensa é um dos pilares
do Estado Democrático de Direito em que atualmente vivemos. Contudo este
princípio democrático não é absoluto, encontrando limites em outros
princípios regentes deste mesmo Estado Democrático de Direito, entre eles
o direito à privacidade e honra, inerentes à dignidade da pessoa humana.
A solução para casos como o presente, em que há conflito de normas de
sobre direito (princípios constitucionais), deve-se dar através da análise do
caso real, decidindo-se a partir dos fatos qual princípio deve prevalecer em
detrimento do outro, a partir da situação concreta extraída do mundo
fenomênico. Nesse sentido são os dizeres de Sérgio Ricardo de Sousa: “O
equacionamento das tensões principiológicas só pode ser empreendido à luz
das variáveis fáticas do caso, às quais cabe indicar ao intérprete o peso
específico que deve ser atribuído a cada cânone ou valor constitucional em
confronto. É a técnica de decisão que, sem perder de vista os aspectos
normativos do problema, atribuiu especial relevância à suas dimensões
fáticas, equacionando-as a partir da aplicação do critério introduzido pelo
princípio da proporcionalidade, atuando em um balanceamento ou
ponderação racional e proporcionalmente estabelecido, de forma a
possibilitar que o afastamento da aplicação de um princípio se dê dentro dos
limites necessários, não sacrificando os valores nele inseridos, além daquilo
que seja essencialmente necessário.” (Controle Judicial dos Limites
Constitucionais à Liberdade de Imprensa - Rio de Janeiro: Lumen Juris,
2008, p. 126). No caso dos autos, o Autor colacionou inúmeros textos
publicados em sites da internet, de autoria dos Réus, buscando, com isso,
demonstrar que realmente está sendo alvo de injustas maledicências
ofensivas à sua dignidade. Com base nisso pleiteou a concessão de
antecipação parcial dos efeitos da tutela jurisdicional para que: a) fosse
determinada a imediata exclusão das matérias descritas na petição inicial e;
b) para que os Réus se abstivessem de veicular notícias que imputassem
crimes ao Autor sem que existisse decisão judicial com trânsito em julgado.
Após acurada análise dos textos trazidos aos autos pelo Autor, muitos dos
quais sequer foram escritos pelos Réus, tratando-se de meras reproduções
de matérias jornalísticas publicadas em outras mídias, pude constatar que,
em sua grande maioria, as notícias ali constantes encontravam-se pautadas
em fatos, sendo que eventuais opiniões pessoais, via de regra, foram
exercidas com razoabilidade e dentro das balizas autorizadas pela norma
constitucional. Sabe-se que a verdadeira e legítima liberdade de imprensa
deve ser exercida de forma balizada, tendo-se em vista o dever de bem
informar. Para tanto a imprensa deve se ater à notícia, aos fatos, às idéias e
opiniões, à informação de fatos, à objetividade da notícia, ao interesse geral,
à comunicabilidade da informação, a forma de expressão da informação, às
idéias, às opiniões e juízos, sendo que, neste caso concreto, a maioria das
notícias tidas como ofensivas pelo Autor se apresentam com tais
características. Devo lembrar que o Autor é personalidade política de
destaque no Estado de Mato Grosso, fato este que naturalmente atrai os
holofotes da imprensa e dos críticos. Contudo, devo reconhecer que em
algumas matérias os Réus extrapolaram o direito de informação e agrediram
a dignidade do Autor por meio de afirmação indevida da prática de crimes
sobre os quais ainda não há decisão judicial irrecorrível, como é o caso da
notícia intitulada “CHAMEM O LADRÃO” (http://paginadoenock.com.br/
home/post/3801). Também vislumbro ofensa dessa natureza na matéria de
folhas 332/333, onde se afirmou que “de fantasma o deputado Riva entende.
Ele já criou uma porrada de empresas fantasmas, inclusive uma de
calcinhas” (http://paginadoenock.com.br/home/post/3817). Essa prática
irregular se repetiu na matéria de folhas 370/371, onde o Réu se manifesta
no sentido de que: “entendo que todas as evidências apontam que o Sr.
José Geraldo Riva é um ladrão do dinheiro público”
(http://paginadoenock.com.br/home/post/4255). Não pairam dúvidas de que
há provas inequívocas nos autos que indicam que existe grande
probabilidade de o Autor conseguir, ao final, a tutela jurisdicional almejada,
podendo ser extraído daí o requisito da verossimilhança exigido para
concessão da liminar. Estou convicto de que a mantença dessas matérias
jornalísticas em site da internet resultará em prejuízo à imagem do Autor,
uma vez que este está sendo tachado de criminoso antes mesmo da
existência de sentença com trânsito em julgado. Por fim, não há risco de
irreversibilidade da medida, pois as matérias em questão sempre poderão
ser republicadas na internet, caso a liminar seja revogada no futuro. Sendo
assim, defiro parcialmente o pedido de liminar de antecipação de tutela
apenas para determinar a exclusão pelo Réu ENOCK CAVALCANTI das
notícias postadas nos seguintes endereços eletrônicos na internet:
http://paginadoenock.com.br/home/post/3801; http://paginadoenock.com.br/
home/post/3817; http://paginadoenock.com.br/home/post/4255. Esta decisão
deverá ser cumprida no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, sob pena de
imposição de multa diária no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais) por dia
de descumprimento, limitada a 30 (trinta) dias multa. No que tange ao pedido
do Autor para que os Réus se abstenham de veicular notícias que
imputassem crimes ao Autor, sem que exista decisão judicial com trânsito
em julgado, tenho que esta tutela específica de não fazer possa ser deferida
em parte no caso dos autos. Isso porque de todas as matérias trazidas aos
autos, pude constar que em algumas delas os Réus expressam suas
opiniões pessoais contra o Autor tachando-o de “ladrão do dinheiro público”
(f. 168 e 370), “criador de empresas fantasmas” (fl. 332). Por certo, o direito
constitucional de livre expressão não autoriza os Réus a denegrirem a
dignidade do Autor em público, imputando a este a pecha de criminoso,
nada obstante este se encontrar amparado pelo princípio da presunção de
inocência. Nesse sentido, elucidativo é o seguinte acórdão proferido pelo
egrégio Superior Tribunal de Justiça, cuja ementa transcrevo abaixo: “CIVIL.
DANOS MORAIS. DOCUMENTO ESCRITO IMPUTANDO A PECHA DE
“MENTIROSO” A ADVERSÁRIO POLÍTICO. LIDO EM PROGRAMA
RADIOFÔNICO E POSTERIORMENTE DISTRIBUÍDO EM VIA IMPRESSA.
REPROVABILIDADE EVIDENTE. CONDENAÇÃO DE ACORDO COM OS
PRECEDENTES. 1 - A crítica entre políticos que desvia para ofensas
pessoais, atribuindo a prática de mentir ao adversário, causa dano moral,
porque mentir é conduta socialmente desabonadora. 2 - A garantia
constitucional de liberdade de manifestação do pensamento (art. 5.º, IV)
deve respeitar, entre outros direitos e garantias fundamentais protegidos, a
honra das pessoas, sob pena de indenização pelo dano moral provocado,
como decorre dos termos do art. 5.º, V e X, da CF. Não se deve confundir,
por conseqüência, liberdade de expressão com irresponsabilidade de
afirmação. Recurso especial provido.” (REsp 801249 / SC - Ministra NANCY
ANDRIGHI - DJ 17/09/2007 p. 257) Não tenho dúvidas de que a tutela
inibitória prevista no art. 461 do Código de Processo Civil possa ser utilizada
em casos como o presente para resguardar a garantia da dignidade da
pessoa ofendida. O fundamento relevante da demanda (CPC, art. 461, § 3º),
que nas palavras de Joaquim Felipe Spadoni: “...nada mais é do que a
probabilidade de o pedido do autor ser julgado, ao final, procedente.” (Ação
Inibitória - 2ª ed. - São Paulo: RT, 2007, p. 137), é extraído neste caso
concreto dos documentos acostados pelo Autor, onde consta que os Réus
vêm extrapolando continuadamente seus direitos de expressão em
detrimento do direito à dignidade do Autor e da presunção de inocência que
atua em benefício deste. Isso porque os Réus, por mais de uma vez,
atribuíram a pecha de criminoso ao Autor, sem que haja decisão judicial com
trânsito em julgado nesse sentido. Quanto ao perigo da demora da
prestação jurisdicional, é evidente que a refutação destes ataques à
dignidade do Autor apenas após a decisão final trará grandes prejuízos a
este, pois durante todo trâmite da ação o Autor ficará exposto a novos
ataques à sua honra, sem que nada possa ser feito em sua defesa. Posto
isso, também defiro parcialmente a liminar pleiteada pelo Autor, apenas para
determinar que os Réus se abstenham de emitir opiniões pessoais pelas
quais atribuam àquele a prática de crime, sem que haja decisão judicial com
trânsito em julgado que confirme a acusação, sob pena de multa de R$
1.000,00 (mil reais) por ato de desrespeito a esta decisão e posterior ordem
de exclusão da notícia ou opinião. Em face do exposto, defiro parcialmente o
pedido de liminar formulado pelo Autor para: para determinar a exclusão
pelo Réu ENOCK CAVALCANTI das notícias postadas nos seguintes
endereços eletrônicos na internet, sob pena de imposição de multa diária no
valor de R$ 500,00 (quinhentos reais) por dia de descumprimento, limitada a
30 (trinta) dias multa: http://paginadoenock.com.br/home/post/3801;
http://paginadoenock.com.br/home/post/3817;
http://paginadoenock.com.br /home/post/4255. b) para determinar que os
Réus se abstenham de emitir opiniões pessoais pelas quais atribuam àquele
a prática de crime, sem que haja decisão judicial com trânsito em julgado
que confirme a acusação, sob pena de multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por
ato de desrespeito a esta decisão e posterior ordem de exclusão da notícia
ou opinião. Citem-se os Réus para, querendo, contestar o presente feito no
prazo de 15 (quinze) dias, alertando-os quanto aos efeitos da revelia (CPC,
art. 319), intimando-os ainda do conteúdo desta decisão liminar. Expeça-se
o necessário. Cumpra-se - Fls. 396/403 dos autos originais.

12 - Ora, a crítica jornalística fidedigna aos fatos traduzida no apreço é


direito de qualificativo constitucional e não oponível com suspensão por
norma infraconstitucional. Ademais, o próprio exercício de atividade pública
de quem é acusado tem o ônus da prova de dizer que agiu corretamente. E
que o jornalista excedeu e tratou o assunto com aleivosia. Registra que a
ação civil privada e indenizatória na tela não teve a coragem argumentativa
de dizer que as matérias suspensas continham inverdades. Apenas clama
pelo direito da dúvida e conclama esperar decisão final para saber se é
culpado ou inocente. O formal tentando impor sobre o material nas lidas
judiciais.
Ora, a vida privada recatada e tranqüila e isenta de notícia e crítica
jornalística pertence aos negócios particulares, pois o interesse geral e
social legítima o direito de crítica acida e dura e sobrepõe o eventual direito
individual ou melindres pessoais de dignidade que no caso concreto é
indigna. Tem que ser honesto e provar que é honesto no trato da coisa
pública. A coisa pública são bens coletivos. E se tem que prestar contas ao
menor pedido e diante de qualquer acusação – dever/direito do
administrador. Enfim, no que permite a faculdade de limitar judicialmente
uma notícia verdadeira para preservar a honra alheia de assaque
pretensamente ilegal da imprensa só tem lugar na ocorrência deliberada e
comprovada de feitura de delito de imprensa que age com aleivosia, o que
não é o caso das materiais acostadas na ação indenizatória no apreço.

13 - É imperioso e está demonstrado que o ofensor agravado


reiteradamente age contra os cofres públicos e no intuito específico de
impedir a notícia e agride a moral coletiva. Se a matéria jornalística se ateve
a tecer crítica ácida decorrente de Ação Civil Pública interposta pelo
Ministério Publico e já tem deferida liminar de afastamento da gerência da
Assembleia Legislativa não há ANIMUS CRITICANTI - passível de ser
coagido no judiciário, que chame as provas aos autos e decida sem liminar
desassossegada de contraprova e como emitida CONTRA LEGEM. É
apenas o interesse coletivo de ANIMUS NARRANDI que está sob o pálio
das excludentes de ilicitudes constitucionais nas notícias. Tal como se
sucede contra a liminar, que protegeu a honra individual assacada de
suspeita e indigna pelo próprio Ministério Público - fiscal da lei e sem
interesse pessoal na condenação ou absolvição do agravado e acusado. E
não pela informação prestada fidedigna e como exercício regular do direito
de informação do que ocorreu nos processos abertos e públicos.
A marcha do acontecimento processual liminar guerreado de caráter
público outorga benefício de processo judicial em segredo de Justiça num
processo sem decretação de segredo de Justiça. Não se pode limitar
noticias e críticas sociais cívicas sem violar ao artigo 5º, incisos IV, V, IX, X
e XXXV, no artigo 93, inciso IX, e no artigo 220, §§ 1º e 2º, da
Constituição Federal. Assim, o Julgador Monocrático cometeu erro crasso
ao impor o artigo 416, § 3º do CPC sobre as normas magnas, consoante se
comprova, por decisão teratológica e subjetiva juntada.
Não há como olvidar que a imposição de liminar se pode dar em
raríssimos casos – quando existirem falsidades, ignomínias publicadas.
Entrementes, para surpresa e espanto geral e em especial da população
mato-grossense o desfecho da decisão A QUO do Magistrado Monocrático
se deu diametralmente contrário ao que por ele foi pontificado. A mais das
vezes, convém assinalar, data vênia, que a interpretação do ilustre MM. Juiz
Singular é em si controversa aos olhos e termos leigos, vez que ela apenas
se centra em conjecturas formais e afugenta da objetividade ferindo a
persuasão racional adotada pelo CPC vigente e que proíbe julgar
subjetivamente – tal como no agraciamento do agravado na ação
indenizatória.

14 - Afinal, o agravado, deputado José Geraldo Riva é alvo hoje de 92


ações judiciais e propostas pelo Ministério Público, e tem 109 procedimentos
judiciais contra si, nas quais é sempre acusado com provas e evidências
robustas incitando desvios reiterados do erário que se estima já ter
alcançado 400 milhões evasivos dos cofres da Assembleia Legislativa mato-
grossense – segundo traduz notícias da imprensa nacional recente.
Destarte, é opinião unívoca jurisprudencial e salutar, que diante da não
ausência de prova concreta, não se retira a virilidade da alegação jornalística
ou notícia real – tal como se não houvesse necessidade legal de
afastamento do cargo diretivo ou da função de ordenação de despesas
públicas do agravado.
No caso vertente, o Ministério Público, a despeito do que foi explicitado,
provou e apresentou provas de que o agravado estaria dificultando a
instrução processual e que tem cheques aos milhares emitidos ilegalmente e
desvios financeiros de alta monta na Assembleia Legislativa - patrocinados
com assinaturas do agravado.
Não foi o agravante quem criou ou fez as notícias. Apenas reproduziu o
que constam das acusações judiciais e legais ministeriais. Anotando que o
agravado sequer se diz na peça vestibular pessoa honrada, mas apenas
destacado e produtivo. Tudo dando margem para chacota processual, que
diante da seriedade da demanda que envolve liberdade de expressão e
pensamento o agravante por gentileza e fineza processual apenas destaca
sem fazer o sacarmos que a situação mereceria. Afinal, será a própria
Justiça quem dirá si se trata de pessoa honrada ou não.

15 - Desta feita, a incongruência foi tanta, que se arrematou o indigno


por digno na idiossincrasia processual por decisão liminar, que traz à baila,
como meio de justificar o injustificável e silenciar o que não pode ser
silenciado constitucionalmente. Obviamente, que os fatos terão que ser
comprovados ao longo da instrução processual no processo original sob o
crivo do contraditório. A documentação oficial e os cheques e os
pagamentos indevidos e ilegais já amealhados em feitos judiciais do
Ministério Publico contra o agravado e serão elementos mais do que
suficientes no intento de provar os fatos noticiados.
É verdade, que a decisão é infundada legalmente, por não possuir
sequer tênue justificativa da honestidade ofendida – dignidade no trato da
coisa pública. Malferido aos princípios da segurança jurídica constitucional
da ampla defesa e do contraditório. Foi sedimentada num suposto gracejo
subjetivo e adstrito aos títulos das matérias jornalísticas. Tem-se até dúvida
se o julgador monocrático tivesse lido o inteiro teor das matérias censuradas
tivesse deferido a liminar com facilidade e inexplicável razão natural de
processo judicial.
O PARQUET não induz a erro. É fato que existem 92 feitos judiciais e
109 procedimentos judiciais e três notícias jornalísticas contra o agravado,
pois, toda informação foi de maneira devida prestada e com cópias
documentais, que serão juntados aos autos da ação originária em apreço.
Com efeito, a decisão vergastada, não se coaduna com o direito aplicável ao
caso concreto. Por isso, merece ser reformada, em caráter moral e legal.
Fica evidenciado, que a decisão agravada é totalmente equívoca, sendo
divorciada da realidade jurídica. O que leva a nutrir a esperança de vê-la
revogada neste egrégio Tribunal de Justiça, como medida para se retornar à
normalidade processual e noticiosa com retorno da possibilidade de critica
séria e mordaz cívica contra o agravado. Tudo na defesa do interesse
coletivo e patrimônio público.

16 - Ilegalidade da Liminar. Aqui é o inverso a lei proíbe a atrocidade


contra a imprensa e jornalista. É preciso não deixar silenciar a imprensa,
sabe se lá o quanto isto pode custar e a que preço pagará nossa combalida
nação republicana, por tolher a imprensa diária e instantânea, que reproduz
notícia verdadeira e não pode ser censurada quando colhe notícia no Diário
Oficial da Justiça. É preciso censurar primeiro a fonte da notícia - os
processos judiciais. E jamais esperar o trânsito em julgado, por que se assim
for, a vítima maior será a norma constitucional – artigo 5º, incisos IV, V, IX,
X e XXXV, no artigo 93, inciso IX, e no artigo 220, §§ 1º e 2º, da
Constituição Federal. Em derredor, o Julgador Monocrático, mesmo
sabedor do espírito, que emana da referida norma maior, opta por conceder
o afastamento da notícia verdadeira da Internet e contra o direito
constitucional do agravante da liberdade de pensamento e conduta proba e
lidima, atentando contra a Lei Magna e interpretação jurisprudencial mansa
e pacífica, que reconduz o país a ordem democrática e republicana,
submetendo tudo e todos aos primados da Lei e da moral vigente.

17 - JURISPRUDÊNCIA - Tal como já decidiu recentemente no colendo


STF - AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 505.595 - ORIGEM RIO DE
JANEIRO. RELATOR: MINISTRO CELSO DE MELLO. AGRAVANTE JOSÉ
CARLOS AMARAL KFOURI. AGRAVADO RICARDO TERRA TEIXEIRA.
EMENTA: LIBERDADE DE INFORMAÇÃO. DIREITO DE CRÍTICA.
PRERROGATIVA POLÍTICO-JURÍDICA DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL.
MATÉRIA JORNALÍSTICA QUE EXPÕE FATOS E VEICULA OPINIÃO EM
TOM DE CRÍTICA. CIRCUNSTÂNCIA QUE EXCLUI O INTUITO DE
OFENDER. AS EXCLUDENTES ANÍMICAS COMO FATOR DE
DESCARACTERIZAÇÃO DO “ANIMUS INJURIANDI VEL DIFFAMANDI”.
AUSÊNCIA DE ILICITUDE NO COMPORTAMENTO DO PROFISSIONAL
DE IMPRENSA. INOCORRÊNCIA DE ABUSO DA LIBERDADE DE
MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO. CARACTERIZAÇÃO, NA ESPÉCIE, DO
REGULAR EXERCÍCIO DO DIREITO DE INFORMAÇÃO. O DIREITO DE
CRÍTICA, QUANDO MOTIVADO POR RAZÕES DE INTERESSE COLETIVO,
NÃO SE REDUZ, EM SUA EXPRESSÃO CONCRETA, À DIMENSÃO DO
ABUSO DA LIBERDADE DE IMPRENSA. A QUESTÃO DA LIBERDADE DE
INFORMAÇÃO (E DO DIREITO DE CRÍTICA NELA FUNDADO) EM FACE
DAS FIGURAS PÚBLICAS OU NOTÓRIAS. JURISPRUDÊNCIA. DOUTRINA.
JORNALISTA QUE FOI CONDENADO AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO
CIVIL POR DANOS MORAIS. INSUBSISTÊNCIA, NO CASO, DESSA
CONDENAÇÃO CIVIL. IMPROCEDÊNCIA DA “AÇÃO INDENIZATÓRIA”.
CONVERSÃO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO, QUE, PARCIALMENTE CONHECIDO, É, NESSA
PARTE, PROVIDO. DECISÃO.

Outra
“LIBERDADE DE IMPRENSA (CF, ART. 5º, IV, c/c O ART. 220).
JORNALISTAS. DIREITO DE CRÍTICA. PRERROGATIVA
CONSTITUCIONAL CUJO SUPORTE LEGITIMADOR REPOUSA NO
PLURALISMO POLÍTICO (CF, ART. 1º, V), QUE REPRESENTA UM DOS
FUNDAMENTOS INERENTES AO REGIME DEMOCRÁTICO. O
EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÍTICA INSPIRADO POR RAZÕES DE
INTERESSE PÚBLICO: UMA PRÁTICA INESTIMÁVEL DE LIBERDADE A
SER PRESERVADA CONTRA ENSAIOS AUTORITÁRIOS DE
REPRESSÃO PENAL. A CRÍTICA JORNALÍSTICA E AS AUTORIDADES
PÚBLICAS. A ARENA POLÍTICA: UM ESPAÇO DE DISSENSO POR
EXCELÊNCIA.” (RTJ 200/277, Rel. Min. CELSO DE MELLO)

Outra
DIREITO À INFORMAÇÃO (CF, art. 220). DANO MORAL. A SIMPLES
REPRODUÇÃO PELA IMPRENSA, DE ACUSAÇÃO DE MAU USO DE
VERBAS PÚBLICAS, PRÁTICA DE NEPOTISMO E TRÁFICO DE
INFLUÊNCIA, OBJETO DE REPRESENTAÇÃO DEVIDAMENTE
FORMULADA PERANTE O TST POR FEDERAÇÃO DE SINDICATO, NÃO
CONSTITUI ABUSO DE DIREITO. DANO MORAL INDEVIDO. RE
CONHECIDO E PROVIDO - RE 208.685/RJ, Relatora Ministra ELLEN
GRACIE.

Razões do Pedido de Reforma.

18 – Enfim, ignora o Meritíssimo Juiz Monocrático, que artigo 5º,


incisos IV, V, IX, X e XXXV, no artigo 93, inciso IX, e no artigo 220, §§ 1º
e 2º, da Constituição Federal são normas vigentes a auto-aplicáveis e que
somente em raríssimos casos, que são exceções à regra podem não ser
aplicados diante de falsidades e ignomínias comprovadas antecipadamente.
E jamais mitigados na controversa e prática injurídica evidenciada nos vícios
administrativos evidenciados. O trânsito em julgado aplica a notícia deste
fato e não pode impedir a noticia da acusação. Não é imprensa que julga e
condena, mas o judiciário. E que não pode tolher a notícia de acusação e de
condenação separadamente como se fossem a mesma coisa ou tivesse mo
mesmo conceito jurídico, quando houver trânsito em julgado da decisão se
noticiará a absolvição ou condenação, por hora a notícia de acusação e
evidência de desvio de conduta administrativa não pode judicialmente sofrer
restrição – tal como sucedeu no caso concreto, sem oportunizar no mínimo
ao agravante utilizar-se de direito estabelecido no artigo 333, inciso II do
CPC – fato modificativo, excludente de direito alegado sem prova ou indício
nos autos.
Não há margem para o arbítrio do julgador na questão da liminar, para
excluir três notícias fáticas e crítica profissional dura e verdadeira, que
ofende apenas a libertinagem no cargo público.
Não é por outro motivo que as jurisprudências dos tribunais nacionais –
com apoio na doutrina de DAMÁSIO DE JESUS no Código Penal Anotado,
página 400, 407 e 410/411, têm no relevo a necessidade e dever/direito de
criticar - tal como se sucedeu na espécie - atua como fator de
descaracterização da vontade consciente e dolosa de ofender a honra de
terceiro, a tornar legítima a crítica feita, ainda que por meio da imprensa -
RTJ 145/381 – RTJ 168/853 – RT 511/422 – RT 527/381 – RT 540/320 – RT
541/385 – RT 668/368 – RT 686/393.
INDENIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL.
INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE ILICITUDE. PUBLICAÇÃO DE
ARTIGO EM REVISTA COM REFERÊNCIAS À PESSOA DO AUTOR.
INFORMAÇÕESCOLETADAS EM OUTRAS FONTES JORNALÍSTICAS
DEVIDAMENTEINDICADAS. AUSÊNCIA DE CONOTAÇÃO OFENSIVA.
TEOR CRÍTICO QUE É PRÓPRIO DA ATIVIDADE DO ARTICULISTA.
AUTOR, ADEMAIS, QUE É PESSOA PÚBLICA E QUE ATUOU EM FATOS
DE INTERESSE PÚBLICO. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO
IMPROVIDO.” - Apelação Cível nº 638.155.4/9-00, Relator Desembargador
VITO GUGLIELMI – TJSP.
É preciso, também, de prova e demonstração do interesse privado
suplantando o público, que no vertente caso concreto é letra morta. Desta
feita, para evitar prejuízo ao processo democrático nacional, ao direito de
informação fática, conquistado com a CF vigente, com supremacia do direito
de ordem pública é preciso reconduzir a liberdade de imprensa atacada e o
direito de crítica profissional restabelecido para evitar ofensa à Lei maior e
constrangimento à ordem social vilipendiada, por decisão liminar sem
amparo e prova de que o noticiado era falso ou calunioso, injurioso ou
difamante, como prevê a Lei.
Não é menos exato afirmar que o direito de crítica encontra suporte
legitimado no pluralismo político, que representa fundamento que apóia
constitucionalmente o próprio Estado de Direito – inteligência do artigo 1º,
inciso V, da CF.

19 - Da Tutela Antecipada parcialmente em liminar. A Lei nº 8.952 de


13 de dezembro de 1994 ao dar nova redação ao artigo 273 do CPC
possibilitou a antecipação dos efeitos da tutela total ou parcial se trouxer a
possibilidade de prejuízo irreparável ou de difícil reparação. O que as três
notícias suspensas que estavam consolidadas meses a fio poderia acarretar
de mais pretensos prejuízos até final demanda em não sendo deferida a
tutela liminar. Enfim, o que pode levar ao agravado no transcurso da ação
civil proposta tardiamente receber como prejuízo irreparável, se não deferida
tutela antecipada. Nada, por que a ação civil visa apenas reparação
econômica. Tudo foi feito ao arrepio da Lei objurgada que submete a
decisão na tela ao anular de pleno direito. Dessa forma, desde que se
apresentasse prova inequívoca e verossimilhança da alegação a prestação
jurisdicional deveria ser adiantada se houvesse motivação plausível de um
futuro receio de dano irreparável ou de difícil reparação no caso concreto, o
que ocorreu mais no caso concreto evidenciado ao olho leigo.
As condições para que um Magistrado conceda a tutela antecipada são:
verossimilhança da alegação; fundado receio de dano irreparável ou de
difícil reparação. E direito evocado - FUMUS BONI IURIS não está, portanto,
especialmente qualificado na proibição legal de exclusão das matérias
jornalísticas e impedir de manifestação opinativa profissional futura, o que
impulsiona declaração de nulidade da decisão liminar, por que fere ao direito
líquido e certo do agravante de continuar noticiando e criticando a agente
público agravado cm base em fatos. Não havendo motivo justo e legal se faz
necessário que a liminar antecipatória de tutela seja revogada por inaptidão
com o ordenamento legal específico citado acima. Enfim, sob esse aspecto
legal não há como identificar os pressupostos para antecipação da tutela de
mérito do artigo 273 do CPC. Assim, o que a lei exige não é prova da
verdade antecipada, que não está conclusa nem referenciada, mas uma
evidência robusta ou concreta que deve estar presente no processo - antes
mesmo da instrução. Tudo como prova no âmbito de cognição sumária, que
no caso é letra morta e aproxima ou assegura o indeferimento da medida.
Eis o fato irrefutável para se indeferir o julgar antecipado parcial requerido
pelo agravado.
É induvidoso que, no caso em tela, os requisitos exigidos pelo diploma
processual para o deferimento da tutela antecipada não se encontram
devidamente preenchidos. Há inexistência do FUMUS BONI IURIS mostra-
se clara, considerando a documentação acostada, bem como a
inobservância de diversos princípios constitucionais, legais e do direito do
agravado - além da inobservância de diversas normas legais de ordem
pública feridas pelo agravado. A urgência ou PERICULUM IN MORA resta
descaracterizada na medida, que não se pode fazer censura prévia ou futura
na apreciação de liminar do que vai ou pode acontecer no jornalismo no
amanhã. E suspender direito opinativo constitucional cancelado MANU
MILITARI o direito de imprensa com abuso de autoridade trazendo prejuízo
irreparável a sociedade e direito positivado. O que conclama interferência
justa e perfeita para revogação da antecipação parcial de tutela para
restabelecer o império da Lei e preservar o direito ferido de morte pelo
agravado.
Assim, não estão presentes os requisitos necessários à concessão da
tutela antecipada parcial liminar pretendida pelo agravado - com deferir
INAUDITA ALTERA PARTS e gracioso, objetivando estabelecer censura
prévia e futura com interrupção da notícia e crítica justa com fundamento em
fatos. Dessa forma, com base nos argumentos jurídicos apresentados, vem
o agravante apresentar-se ao Tribunal de Justiça na expectativa de ser feita
Justiça quanto ao direito constitucional ferido.

20 - O presente agravo está instruído com cópias, onde o advogado


declara serem autênticas, nos termos do artigo 544, § 1º do CPC, das
peças extraídas da ação indenizatória e procedimentos judiciais abertos
contra o agravado e de outros documentos acostados, que estavam na
posse do agravante: inicial da aludida ação, certidão de intimação da
decisão recorrida, decisão agravada, documentos importantes, para melhor
análise da matéria – artigo 525, inciso II do CPC.
Vale consignar, ainda, que o agravo está instruído, também, com
comprovante do pagamento das custas e do porte de retorno e demais
documentos imprescindíveis – artigos 524 e 525 do CPC.

NA CONCLUSÃO é preciso restabelecer a normalidade administrativa


noticiosa brasileira ofendida. Cumpre ressaltar, ainda, que as supostas
ofensas aos princípios inscritos no artigo 5º, V, X e XIVXXV do texto
constitucional, caso fossem existentes declarados em decisão liminar
guerreada, apresentar-se-ia por via reflexa, eis que a sua constatação
reclamaria - para que se configurasse – a formulação de juízo prévio de
legalidade, fundado na vulneração e instrução processual e no infringir claro
dos dispositivos de ordem meramente legal.
Não se tratando de conflito direto e frontal com o texto da Constituição
Federal como exigido pela jurisprudência da Corte Suprema (RTJ 120/912,
Rel. Min. SYDNEY SANCHES - RTJ 132/455, Rel. Min. CELSO DE MELLO).
Torna-se inviável, quanto a tais alegações são perfunctórias e evasivas ao
pleno convencimento material em referência. Delineado, de forma
incontroversa, nesse contexto fático, assinala-se que o exame do elemento
produzido no reclamo de dignidade e honradez ofendida na causa é em si
embrionário para deferir liminar contra evidência do exercício concreto de
denunciações do Ministério Público. Longe de evidenciar prática ilícita contra
a honra subjetiva do suposto ofendido, traduz, na realidade, o exercício
concreto, pelo profissional da imprensa, da liberdade de expressão, cujo
fundamento reside no próprio texto da Constituição da República, que
assegura, ao jornalista, o direito de veicular e expender crítica, ainda que
desfavorável ao agravado na condição de autoridade pública.
O agravante não denegriu a honra, caluniou, injuriou ou difamou o
agravado. Informou como direito/dever que em si acerca o que vem
ocorrendo em processos judiciais múltiplos – 109 procedimentos judiciais. E
dentro dos parâmetros normais do direito de resposta e informação contra a
dilapidação das coisas públicas – improbidades administrativas.
É a liberdade de manifestação do pensamento e crítica profissional, não
havendo, pois, abuso algum a ser repreendido pelo Judiciário. Não se pode
desconhecer que a liberdade de imprensa - enquanto projeção da liberdade
de manifestação de pensamento livre e de comunicação social reveste do
conteúdo abrangente que contém princípios indeclináveis e prerrogativas
inerentes do direito de informar, do direito de buscar a informação, do direito
de opinar e do direito de criticar.

Nomes e endereços completos dos advogados existentes no feito.

a) – Valber da Silva, procurador e advogado, inscrito na OAB/MT sob o


nº 8.927, que tem escritório profissional na rua Trigo de Loureiro nº 267,
bairro Araés, Cuiabá – Mato Grosso, CEP nº 78.005-690, telefone
3023.2371, onde recebe as intimações forenses de estilo. E outros
substabelecidos.

b) – Hélcio Corrêa Gomes, procurador e advogado, inscrito na OAB/MT


sob o nº 2.903, do ora agravante, que tem escritório profissional na rua
Voluntários da Pátria nº 350, Cuiabá Shopping, 2º pavimento, sala 34,
centro norte, em Cuiabá – Mato Grosso, CEP nº 78.005-180, telefone
3624.9221, onde recebe as intimações forenses de estilo.

PEDIDO

ANTE AO EXPOSTO - presentes os pressupostos legais, requer,


confiando nos suprimentos dos eminentes julgadores, a REVOGAÇÃO
DA LIMINAR como antecipação parcial de tutela, pelos colendos
julgadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a qual deferiu
parcialmente o pedido formulado pelo agravado para determinar a
exclusão de blog das notícias postadas nos endereços eletrônicos na
Internet, sob pena de imposição de multa diária no valor de R$ 500,00
por dia de descumprimento, limitada aos 30 (trinta) dias multa: letra “a”
-http://paginadoenock.com.br/home/post/3801; - Erro! A referência de
hiperlink não é válida.; -
http://paginadoenock.com.br/home/post/4255.
Letra “b” - para determinar que o agravante se abstenha de emitir
opiniões pessoais pelas quais atribuam àquele a prática de crime, sem
que haja decisão judicial com trânsito em julgado, que confirme a
acusação, sob pena de multa de R$ 1.000,00 por ato de desrespeito a
esta decisão e posterior ordem de exclusão da notícia ou opinião - fls.
396/403 dos autos originais – comunicando ao MM. Juízo da 13ª Vara
Cível da Capital a decisão do colendo Tribunal de Justiça. E requisitando
antes as informações de praxe, bem como que seja intimado, o
agravado com endereço declinado acima, para que querendo responda
se quiser e tiver condições, ao Agravo de Instrumento, o qual deverá ser
julgado IN TOTUN procedente e alternativamente de modo parcial
provido quanto na letra “b”. Invalidando a decisão interlocutória singular
– como liminar antecipatória de tutela, que fere abertamente ao direito
constitucional objurgado - artigo 5º, incisos IV, V, IX, X e XXXV e
artigo 93, inciso IX, e artigo 220, §§ 1º e 2º, da Constituição Federal,
bem como a Lei Federal nº 8.952/94 com nova redação dada pelo
artigo 273 do CPC, como medida de máxima e perfeita e justa Justiça.

Nestes termos, pede e espera deferimento.

Cuiabá, 23 de novembro de 2009.

Hélcio Corrêa Gomes


OAB/MT nº 2.903

Rol dos documentos juntados, cujas todas as cópias extraídas de processo


judicial e avulsas são autenticas, a teor do § 1º, do artigo 544 do CPC.

01 – Procuração.

02 – Certidão de intimação da decisão agravada.

03 – Decisão agravada.

04 – Cópia do Processo nº 2009/878 – Ação de Indenização por Dano Moral


promovida pelo agravado.

05 – Cópia da denúncia da Ação Civil Pública – Processo nº 206/2008 e


decisão de primeira instância – fontes principais das notícias jornalísticas
censuradas.

06 – Documentos de preparo fiscal do agravo de instrumento.