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FACULDADE ASSIS GURGACZ CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

Cezar Rabel

MUSEU DE ARTE DE CASCAVEL:

A Identidade do município representada em uma intervenção.

CASCAVEL

2009

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Cezar Rabel

MUSEU DE ARTE DE CASCAVEL:

A Identidade do município representada em uma intervenção.

Trabalho de Conclusão do Curso de Arquitetura e Urbanismo, da FAG, apresentado na modalidade Projetual, como requisito parcial para a conclusão da disciplina TCC.

Orientador: Arquiteto Fúlvio Natércio Feiber - Ms.

CASCAVEL

2009

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CEZAR RABEL

MUSEU DE ARTE DE CASCAVEL:

A Identidade do município representada em uma intervenção.

DECLARAÇÃO

Declaro, de acordo com item II do Artigo 15 do Manual de TCC do Curso de

Arquitetura e Urbanismo – FAG, que realizei em novembro/2009 a revisão

lingüistico-textual, ortográfica e gramatical da monografia de Trabalho de Conclusão

de Curso denominado: MUSEU DE ARTE DE CASCAVEL: A IDENTIDADE DO

MUNICÍPIO REPRESENTADA EM UMA INTERVENÇÃO, de autoria de Cezar

Rabel, discente do Curso de Arquitetura e Urbanismo - FAG. Tal declaração contará

das encadernações e arquivo magnético da versão final do TCC acima identificado.

Cascavel, 11 de novembro de 2009.

Vanessa Nunes Dos Santos Jardim RG: 7.864.651-9 Bacharel em Letras- UNIPAR

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FACULDADE ASSIS GURGACZ CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

Cezar Rabel

MUSEU DE ARTE DE CASCAVEL:

A Identidade do município representada em uma intervenção.

Trabalho apresentado no Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG, como requisito básico para obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo, sob a orientação do arquiteto professor Arquiteto Fúlvio Natércio Feiber - Ms.

BANCA EXAMINADORA

Arquiteto Orientador Faculdade Assis Gurgacz Fúlvio Natércio Feiber - Ms

Arquiteto Avaliador Interno Faculdade Assis Gurgacz Heitor Othelo Jorge Filho Especialista

Arquiteto Avaliador externo Mario Constenaro Especialista

Cascavel, 11 de Novembro de 2009

5

DEDICATÓRIA

Dedico

este

trabalho

a

meus

pais Pedrinho e Inês Lidia pela

incansável assistência que me

deram em todos os momentos

que

precisei

durante

esta

jornada, e em especial a meu

avo Miguel Juk (in

memorian)

que nas tardes de domingo me

mostrava o lado bom da vida

com suas palavras de incentivo,

sabedoria e experiência.

6

AGRADECIMENTOS

O meu mais sincero muito obrigado é a única expressão

que se encaixa nesse momento

A Deus,

SEMPRE

Aos meus Pais: Pedrinho e Inês por cada palavra, cada gesto,

TUDO

Ao meu irmão Marcos, pelo incentivo e companheirismo

A Silvia, pela compreensão

A todos meus amigos, em especial a Ana Maria, Carlos Eduardo, Lilliane, João

Carlos, João Paulo, Poliana, Rodrigo, Rosangela e Wander.

A todo o corpo docente, pelos ensinamentos, em especial aos professores Fúlvio e

Silmara, por acreditarem no meu potencial, e por me mostrarem o lado apaixonante

da ARQUITETURA.

7

EPÍGRAFE

para mim cada arquiteto deve ter sua arquitetura. Que a

idéia de uma arquitetura ideal, obediente a princípios pré-

estabelecidos,

seria

a

disseminação

monotonia e da repetição.”

da

mediocridade,

da

Niemeyer, Oscar (2000, pag. 91)

8

RESUMO

A intenção deste trabalho é a elaboração do conjunto teórico como parte integrante para a aprovação na modalidade projetual da disciplina de TCC (trabalho de conclusão de curso). A monografia esta emoldurada na linha de pesquisa do orientador arquiteto mestre Fulvio Natercio Feiber na temática ‘’Intervenção na Paisagem Urbana’’. O trabalho a seguir justifica a implantação do, Museu de Arte de Cascavel, acercando-se de temas relevantes para a construção do estudo. Baseado na bibliografia de autores como Heliana Vargas e Ana Luiza Castilho, Gordon Cullen, Jaime Lerner e Kevin Lynch que escrevem sobre o tema desenvolvido. A reflexão deste trabalho teve início pelo fato do atual MAC se localizar no subsolo da Biblioteca Pública Sandálio dos Santos, local impróprio para abrigar os talentos do município e da Região. Um dos princípios é utilizar do edifício do museu como uma intervenção urbana, na Praça Luiz Picolli, popular Praça da Bíblia, situada próximo à Prefeitura, local este de intenso tráfego, pois é ponto de ligação entre várias partes da cidade. Tal situação acaba contradizendo o que determinava o Plano Diretor de 1978, em que o mesmo propusera que a área deveria operar como amenizadora da perspectiva da Avenida Brasil, tendo como funcionalidade principal de ser um centro de vivência. A partir dessas premissas se pretende criar um novo referencial para a cidade, que por meio da arquitetura se crie um elemento urbano, se tornando assim um marco visual para a população.

Palavras chave: Museu de Arte. Intervenção Urbana. Identidade. Arquitetura. Marco Simbólico.

9

ABSTRACT

The intention of this work is the building of theoretical set as part integral of the approval of the mode of discipline projectual TCC (work of completion). The monograph is framed in the research of guiding architect, master Fluvio Natercio Feiber the theme "Intervention in the urban landscape." The project justifies the construction of the Museum of Art Cascavel (MAC), which was close to the topics relevant to the construction of the study based on the bibliography of authors:

Heliana Vargas, Ana Luiza Castilho, Gordon Cullen, Jaime Lerner and Kevin who write about Lunch this theme. Reflection of this, started because of the current MAC is situated in the basement of the public library "Sandalio dos Santos, an inappropriate place to shelter talent this city and the region. One of the principles is to use the building as an urban intervention in Piazza Luiz Picolli, popular "street of the Bible," site of intense traffic. Such a situation contradicts what determines the master plan of 1978, which proposed that the area should be a space which elected the pedestrian Avenida Brazil. Ended with the main feature, being a center of human relations. To rescue the architectural identity that has been lost over time, followed a contemporary language with modernist concept, respecting the principles Vernacular, much practiced in the early colonization of the region of Cascavel. From these fruits intended to create a new benchmark for this, that through the architecture, build up an urban element that has identity thus making this site a visual landmark for the people.

Keys words: Art Museum. Urban, Identily. Mark Symbolic Architecture.

10

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 01. Museu de Arte de Cascavel

FIGURA 02. Interior do atual Museu de Arte de Cascavel, sala de cerâmica

paraguaia.

FIGURA 03. Interior do atual Museu de Arte de Cascavel, sala de plumaria.

FIGURA 04. Mapa da cidade de Cascavel em 2004

FIGURA 05. Vista do MAC, tendo ao fundo o corcovado.

FIGURA 06. Corte esquemático MAC.

FIGURA 07. Planta baixa MAC.

FIGURA 08. Planta baixa MAC.

FIGURA 09. Vista interna do MAC.

FIGURA 10. Imagem do Corcovado ao fundo, demonstrando como a obra

interpenetra no seu contexto.

FIGURA 11. Localização do terreno.

FIGURA 12. Vista externa do Museu Oscar Niemeyer.

FIGURA 13. Vista externa do Museu Oscar Niemeyer, tendo ao fundo o antigo

Edifício Presidente Humberto Castello Branco.

FIGURA 14. Implantação do terreno.

FIGURA 15. Vista externa do Museu Brasileiro de Escultura.

FIGURA 16. Vista do grande vão de concreto armado

FIGURA 17. Pórtico de concreto.

FIGURA 18. Planta baixa MUBE.

FIGURA 19. Vista do jardim.

11

FIGURA 20. Implantação do terreno. Percebe-se na imagem que se trata de uma

área residencial.

FIGURA 21. Visão área da Praça.

FIGURA 22. Terminal rodoviário de Cascavel.

FIGURA 23. Edifício Prefeitura Municipal de Cascavel.

FIGURA 24. Avenida Brasil sentido Oeste, onde se tem a esquerda o Terminal Rodoviário e a direita o edifício da prefeitura.

12

SUMÁRIO

1

2

2.1

2.2

2.3

2.4

2.5

3

3.1

4

4.1

4.2

5

5.1

5.1.1

5.1.2

5.2

6

6.1

6.1.1

6.1.2

6.1.3

INTRODUÇÃO

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

MUSEU DE ARTE

PAISAGEM URBANA

INTERVENÇÃO URBANA

ARQUITETURA VERNACULAR

IDENTIDADE

JUSTIFICATIVA

PROBLEMA DE PESQUISA

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

OBJETIVOS ESPECIFICOS

DESENVOLVIMENTO

Cascavel, Paraná

História

O modernismo na cidade de Cascavel

O Novo Museu de Arte de Cascavel

CORRELATOS

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA, MAC – NITERÓI

Aspectos Contextuais

Aspectos Construtivos

Aspectos Funcionais

11

14

14

15

15

16

17

18

18

20

20

20

20

20

21

22

23

24

24

25

25

26

13

6.1.5

Aspectos Ambientais

28

6.2

MUSEU OSCAR NIEMEYER- CURITIBA

30

6.2.1

Aspectos Contextuais

30

6.2.2

Aspectos Construtivos

31

6.2.3

Aspectos Funcionais

32

6.2.4

Aspectos Estéticos

32

6.2.5

Aspectos Ambientais

33

6.3

MUSEU BRASILEIRO DE ESCULTURA- MUBE- SÃO PAULO

33

6.3.1

Aspectos Contextuais

34

6.3.2

Aspectos Construtivos

36

6.3.3

Aspectos Funcionais

36

6.3.4

Aspectos Estéticos

37

6.3.5

Aspectos Ambientais

38

7.

DIRETRIZES PROJETUAIS

39

7.1

LOCALIZAÇÃO

40

7.2

INTENÇÕES FORMAIS E ESPACIAIS

41

7.3

UM NOVO MARCO PARA CASCAVEL

41

7.4

PROGRAMA DE NECESSIDADES

41

8.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

43

9.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

44

14

1

INTRODUÇÃO

O presente trabalho, um referencial teórico, tem por objetivo dar suporte

para a elaboração da proposta de projeto arquitetônico das novas instalações do

Museu de Arte de Cascavel, Paraná. Desse modo se pretende expôr a necessidade

que o município tem de possuir um espaço adequado para suas obras de arte, de

âmbito nacional e internacional, conservando valores culturais e reforçando o

sentimento de identidade da população com o museu de modo que o mesmo seja

um marco simbólico para o município.

Desde a Idade Antiga que se tem relatos da existência de museus onde

eram acomodados tesouros atenienses. Tal termo museu vem do grego museion, e

se refere aos antigos templos gregos dedicados as musas (Zillmer Neto, 2008). Em

todas as partes do mundo há locais que preservam a memória, a cultura, de forma a

transmitir os valores obtidos de geração em geração, o que prova que a sociedade

anseia por um espaço onde sua identidade, fruto do seu passado ou de suas obras

artísticas, esteja guardado, a disposição para estudo e apreciação.

No

Brasil,

segundo

o

Sistema

Brasileiro

De

Museus,

mais

de

2500

instituições museológicas estão catalogadas em todo o país. Contudo o município de

Cascavel apesar de seu elevado valor cultural, não possui um espaço que realmente

evidencie os seus valores artísticos, pelo fato do atual Museu de Arte de Cascavel

ter como dependência o subsolo da Biblioteca Municipal.

A idéia para as novas instalações do Museu de Arte de Cascavel visa a

elaboração

de

projeto

arquitetônico,

abordando

conceitos

relevantes

como

intervenção urbana, explorando a arquitetura vernacular remetendo a identidade do

indivíduo. O local para a implantação seria a Praça ´´Vereador Luiz Picolli´´, popular

15

Praça da Bíblia, onde se carcterizou como o ponto de distribuição para várias

localidades, como: Toledo, Foz do Iguaçu e até o mesmo o centro da cidade.

Tal

área, de acordo com o Plano Diretor de 1978, desenvolvido pelo arquiteto Jaime

Lerner, seria explorada como centro de vivencia, onde se poderia usufruir de um

espaço agradável dentro da malha urbana, privilegiando o pedestre e atenuando a

perspectiva da Avenida Brasil.

Diante dessas condicionantes, o objetivo é propôr uma intervenção, em que

por meio da arquitetura do novo Museu de Arte se crie um referencial urbano, com o

intuito do mesmo ser um marco simbólico para a população.

Para auxiliar no desenvolvimento do projeto se definiram três correlatos: o

primeiro é o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no estado do Rio de Janeiro,

de autoria de Oscar Niemeyer. Escolheu-se tal projeto pela maestria com o qual se

resolve a proposta da edificação conciliando a arquitetura com o seu entorno sem

agredi-lo visualmente. O segundo, também de Niemeyer, é o Museu do Olho, em

Curitiba, centro metropolitano da capital do estado do Paraná. Tem-se como

referência no projeto a capacidade com que esse atribui força de identidade ao local,

já que tornou-se um lugar turístico e cultural no tecido urbano. O terceiro, Museu

Brasileiro de Escultura de autoria de Paulo Mendes da Rocha, está localizado na

cidade de São Paulo. A importância de citar o MUBE é por ele evidenciar para a

arquitetura brasileira, um marco referencial e simbólico.

Para a explanação do tema, organizou-se o estudo da seguinte maneira:

Fundamentação

Teórica,

onde

se

tem

a

Delimitação

do

Tema;

Justificativa;

Problema de Pesquisa e Objetivos. No Desenvolvimento dividem-se em subtópicos

que acercam os Objetivos Específicos. Logo mais se tem os Correlatos com as

características das obras escolhidas. E no ultimo item apresentam-se as Diretrizes

16

Projetuais, contendo algumas informações como intenções formais, localização e

programa

de

necessidades.

O coroamento

do

estudo

é

finalizado

com

as

considerações finais, onde apresentam-se as conclusões do acadêmico.

17

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A seguir são definidos os principais temas e conceitos estudados para a

elaboração deste trabalho de pesquisa.

2.1 MUSEU DE ARTE

Segundo Ferreira (2004, pag. 1378), Museu é definido como:

Qualquer estabelecimento permanente criado para conservar, estudar, valorizar pelos mais diversos modos e, sobretudo expor para deleite educação do publico, coleções de interesse artístico, teórico e técnico.

Nos termos do Conselho Internacional de Museus (ICOM), o museu se define como:

Uma instituição cultural com caráter permanente, aberta ao público, sem fins lucrativos, em que se conservam estudam e, em parte, se expõem os testemunhos materiais da evolução do universo, dos ambientes físico, biológico e social do mundo passado e atual e das realizações do Homem ao de sua existência.

Logo, pode-se entender que museu é o centro onde se preserva a memória

de um povo ou região, de modo que se preserva o passado para manter a viva a

identidade da cidade. De acordo com Zillmer Neto (2008), é partir dessas definições

que se têm as principais funções de museu que se dão através da conservação,

exposição, ação cultural e investigação. Nele ocorre

o encontro de

pessoas

interessadas em preservar sua cultura e sua identidade.

Para Argan (1998, pag. 252), a Arte tem grande importância, pois suas

peças são únicas, sendo, portanto uma atividade que lança objetos de valor, tendo

enorme qualidade em número reduzido. A tese arganiana reforça a importância dos

processos artísticos com a cidade, pois elas expressam a cultura de seu povo e

mostram sua face.

18

Deste modo para o entendimento da representação do edifício Museu, o seu

conceito é importantíssimo, pois representa a história, anseios, valores entre outros

aspectos de toda uma região.

2.2 PAISAGEM URBANA

Segundo Cullen, (1971) paisagem urbana se define pelo conceito que

traduz a arte de tornar coerente e organizado, visualmente, o emaranhado de

edifícios,

ruas,

placas,

calcadas,

vegetação

e

espaços

que

constituem

esse

ambiente. Ele reforça de forma prática a influência que um “lugar” tem no ambiente

das cidades, a sensação de identificação ou sintonia com o meio, ou seja, elementos

que delimitem um certo lugar de outros.

Para Lynch, (1960, pag. 05) ela deve ser vista e lembrada, de modo que a

mesma, por meio do seu conjunto de elementos, já citados por Cullen, proporcione

prazer ao ser analisada, já que a boa imagem pode oferecer sentimento de

segurança ao seu possuidor.

Alguns exemplos de componentes da paisagem urbana são citados por

Lynch, sendo classificados como a imagem da cidade: vias, limites, bairros, pontos

nodais e marcos, (Lynch 1960, pag. 51), no qual dois tem especial importância para

o presente trabalho.

O primeiro é o ponto nodal, que são basicamente junções, um cruzamento

ou até mesmo uma rotatória, ou seja, são pontos estratégicos onde o observador

pode entrar. Segundo Lynch por esses pontos serem locais de convergência ou

interrupção do fluxo de transito, as pessoas ficam mais atentas a tais lugares e

percebem o elementos que a estão a sua volta com uma perceptibilidade incomum,

19

de tal maneira que alguns elementos são considerados importantes justamente por

sua localização em algum ponto de convergência (Lynch 1960, pag. 81),

O segundo é o marco, que são pontos de referência externos ao observador,

que segundo Lynch são definidos de maneira muito simples através de um edifício,

sinal ou até mesmo uma montanha, sendo alguns deles geralmente vistos por vários

ângulos.

O

autor

reforça

que

tais

marcos

comunamente

são

usados

como

indicadores de identidade, e a medida que se refaz o caminho vai se adquirindo

mais

confiança

pelo

mesmo,

(Lynch

1960,

pag.

53).

Uma

das

principais

características desse elemento é a sua distinção do seu meio, de modo que tenha

algum aspecto único e memorável no conjunto, (Lynch 1960, pag. 89).

Diante de um ambiente, a consciência humana forma a paisagem produto de

seu

potencial

imaginativo

e

criador,

executando

uma

contemplação

visual

e

elaborando dessa um significado e novas imagens, (Segawa, 1996, pg. 259).

A partir dessas premissas, é possível entender que paisagem urbana se

resume na imagem da cidade, como edifícios, avenidas, praças, pontos nodais

marcos simbólicos, ou seja, locais de convivência e uso coletivo que compõem o

tecido urbano. Desse modo, ela é resultado da ação da sociedade no ambiente por

meio de símbolos e lugares, de tal modo que a produção do espaço urbano por

muitas vezes acaba se resumindo a um retrato ou paisagem, que através de uma

única fotografia facilmente identifica qual a cidade que esta representando.

20

2.3 INTERVENÇÃO URBANA

Para Vargas e Castilho (2006, pag.5), Intervenção Urbana basicamente se

define pela prática de atuações que visem à melhoria da qualidade de vida da

população,

atraiam

investidores,

dinamize

o

aspecto

da

imagem

da

cidade,

alavanque

a

economia,

dando

valor

também

para

à

gestão

que

realiza

a

intervenção.

Ainda segundo os autores, se podem destacar algumas motivações que

conduzem à realização da mesma em centros urbanos, como por exemplo, a

utilização dela como referencial para visitantes de um grande centro urbano, e

também como elemento de identidade dos cidadãos, onde se agregam novas

funções urbanas e atraem subseqüentemente novos usuários.

Para Lerner (2005) essa intervenção é como uma leve alfinetada que pode

trazer muitos benefícios aos cidadãos, de modo que por meio de uma proposta se

condicione força ao lugar de tal forma que o mesmo se torne elemento de identidade

da população em meio a paisagem urbana.

2.4 ARQUITETURA VERNACULAR

Segundo Ferreira (2004, pag. 2052), vernáculo se define como próprio da

região em que está algo a que se pertence e se identifica. A arquitetura vernacular é

aquela que é executada a partir de materiais provenientes da região em que o

projeto está sendo realizado. De modo geral, dependendo do clima e dos materiais

utilizados ela pode representar a identidade construtiva de determinado povo ou

região.

21

2.5

IDENTIDADE

De acordo com Ferreira (2004, pag. 1066), identidade se refere a tudo aquilo

que é coletivo de um conjunto de características das quais algum elemento se

reconhece definitivamente tais como altura, cor ou nome.

Para Dias, (2006, pag. 138) identidade faz parte de um processo semiótico,

onde o individuo acaba reconhecendo uma serie de símbolos que lhe da a

segurança de pertencer a uma comunidade ou classe social, que são rapidamente

dizimados e transformados em algo novo.

No

dias

de

hoje,

tal

conceito

se

baseia

no

resultado

continuo

da

autoconstrução do próprio indivíduo, de modo que a todo o momento a sociedade

amplia os seus símbolos de representação, com os quais ela se identifica. (Feiber,

2008, pag. 36).

De forma direta e interessante, Lynch compara este processo de símbolo e

identidade com uma simples placa de saída de um ambiente qualquer. Para que o

indivíduo entenda a informação, é necessário um símbolo ou imagem que identifique

que seguindo esta direção se encontrará a saída do local (Lynch, 1960, pag. 09). Ou

seja, é um elemento que se destaca do seu entorno, que tem uma individualidade.

Esta é uma analogia proposta para se entender um pouco melhor como se produz

um elemento de identidade.

Diante da ampliação dentro do meio urbano dos símbolos de representação,

Colin (2000, pag. 120) reforça que é dentro da cidade que acontecem as realizações

culturais onde diversas camadas sociais adotam um local para se identificar com sua

analogia.

22

Percebe-se, portanto que o mundo passa por uma fase em que a perda de

valores ou lugares que identifique o povo de certo local ou região, acontece de forma

muito rápida, de modo que em muitos casos o acelerado ganho de informações e

novos costumes acabam reduzindo a identificação do individuo com as gerações

anteriores, pela falta de marcos visuais dentro dos centros urbanos.

3.

JUSTIFICATIVA

Diante de uma das atribuições do museu que é promover a ação cultural,

pode-se dizer que uma de suas missões é tornar-se referencial para a população, de

um modo geral pela forma arquitetônica interessante, resumindo-se assim em

pontos

turísticos,

cumprindo

seu

compromisso

de

fortalecendo a identidade dos cidadãos.

preservarem

o

passado

e

Um referencial urbano, que atenda as caracteristicas do povo que ali reside,

pode ser de enorme valia para uma intervenção na paisagem urbana elaborada com

sucesso. É de enorme importância que essa atenda os critérios de identificação, pois

a mesma representa vários aspectos como social, econômico e cultural de forma a

simplesmente fazer parte do convívio humano.

Cascavel

conta

hoje

com

aproximadamente

300

mil

habitantes,

que

apresentam diversas etnias e culturas, no qual se possuem varias produções

artísticas como esculturas e quadros diversificados. Contudo, o município carece de

um espaço adequado para abrigar as obras de arte aqui produzidas. Dessa forma a

cidade necessita um espaço que represente a cultura da polução daqui e de outras

regiões.

23

3.1 PROBLEMA DE PESQUISA

Tem-se em Cascavel, desde a década de 90, as instalações do Museu de

Arte de Cascavel que abriga exposições temporárias de artistas de renome nacional

e internacional. Criado em 15 de março de 1996, ele se encontra no subsolo da

Biblioteca Pública Sandálio dos Santos, prédio que anteriormente funcionava a

prefeitura municipal, sendo que a instalação neste local resultou na anulação das

características arquitetônicas principais do edifício. Ou seja, um predio de conexão

do presente com o passado, gerador de identidades, “improvisado” em um subsolo,

que por sinal é lugar extremamente inadequado (figura 1).

que por sinal é lugar extremamente inadequado (figura 1). Figura 01. Museu de Arte de Cascavel,

Figura 01. Museu de Arte de Cascavel, composto somente pelo andar térreo do edifício.

Fonte: www.cascavel.pr.gov.br/cultura/Espacos/MAC.htm acesso em 25 de maio de 2009, as 20.30h.

Sendo assim, a idéia do novo MAC para Cascavel, pretende propor um

ambiente que abrigue as obras de arte produzidas aqui e na região, e elaborar

24

juntamente um marco que represente a identidade da região, tendo por localização

um ponto nodal do município.

Se tem a seguir algumas imagens do interior do atual MAC.

Se tem a seguir algumas imagens do interior do atual MAC. Figura 02. Interior do atual

Figura 02. Interior do atual Museu de Arte de Cascavel, sala de cerâmica paraguaia.

Fonte: www.cascavel.pr.gov.br/cultura/Espacos/MAC.htm acesso em 25 de maio de 2009, as 20.30h.

acesso em 25 de maio de 2009, as 20.30h. Figura 03. Interior do atual Museu de

Figura 03. Interior do atual Museu de Arte de Cascavel, sala de plumaria.

25

4.

OBJETIVOS

4.1

OBJETIVO GERAL

O objetivo geral é propôr novas instalações para o MAC, por meio de projeto

arquitetônico, em ponto nodal no meio urbano de Cascavel.

4.2

OBJETIVOS ESPECIFICOS

Propôr projeto arquitetônico para o novo Museu De Arte de Cascavel.

Utilizar uma linguagem arquitetônica contemporânea.

Elaborar programa de necessidades

Propor um local adequado onde os artistas possam exibir suas obras.

Criar um edifício que seja um novo marco para Cascavel, sendo este

elemento de identidade para a população.

Projetá-lo em um ponto nodal da cidade.

5.

DESENVOLVIMENTO

A seguir desenrola-se o desenvolvimento, onde acercam as delimitações da

proposta.

5.1

CASCAVEL, PARANÁ

Localizada na Mesorregião Oeste do Paraná, à aproximadamente 500 km da

Capital Curitiba. Com uma população culta e dinâmica

a cidade

é

um pólo

universitário de onde filhos do Paraná e outros estados vêm para executarem seus

estudos. Contudo, mesmo sendo um centro de desenvolvimento cultural ainda não

26

possui local adequado para exposição de trabalhos artísticos desenvolvidos aqui e

na região.

de trabalhos artísticos desenvolvidos aqui e na região. Figura 04. Mapa da cidade de Cascavel em

Figura 04. Mapa da cidade de Cascavel em 2004.

Fonte: Prefeitura Municipal de Cascavel.

De acordo com Sperança (1992, pag. 57) os tropeiros que faziam a rota

entre Guarapuava e os portos do rio Paraná começaram a utilizar a região de

Cascavel como pouso permanente que se resumia em uma tímida clareira as

margens do rio Ribeirão, dando a ela o nome de Encruzilhada. Foi, portanto entre o

final do século XIX e início do século XX que ocorreu o processo de colonização da

chamada Encruzilhada, atual Cascavel.

5.1.1

HISTÓRIA

De acordo com Feiber (2008, pag. 60) a evolução que deu origem a região

Oeste do Paraná, por muito tempo acompanhou o processo de colonização do

27

Brasil, visto que no principio era habitada por grupos indígenas Guarani, dos quais

os mesmo haviam estabelecido uma ampla rede de caminhos na região.

Sperança (1992) relata que de forma geral seu desenvolvimento aconteceu

ao fim da extração da erva mate nas décadas de 1920 e 1930 e início do ciclo de

madeira entre 1940 e 1970, de modo que esta atraiu colonos de várias etnias

principalmente poloneses provenientes de Santa Catarina e Rio Grande Do Sul.

Feiber (2008, pag. 63) aponta também que após essa fase a cidade teve um

crescimento significativo devido o cultivo de grãos como soja e trigo, período esse

entre as décadas de 60 e 70, de forma que foram feitos investimentos com infra-

estrutura

urbana

e

obras

arquitetônicas

de

caráter

moderno.

Essa

intensa

prosperidade atraiu jovens profissionais dos quais se encontravam muitos arquitetos

que com suas idéias inovadoras e atentas as ultimas tecnologias do mercado, foram

projetando os edifícios mais importantes de cascavel sejam eles públicos

ou

comercias, seguindo uma linha de construção modernista.

Nesse período em que as principais obras de Cascavel foram construídas,

eram adotas características modernistas como plantas livres, fachadas em vidro

assim como grandes vãos através do concreto adquirindo assim liberdade estética.

5.1.2 CASCAVEL E O MODERNISMO

Segundo Lerner (2005, pag. 83), para uma pessoa possuir o sentimento de

pertencimento a lugar, a uma cidade ou comunidade, é preciso que haja pontos de

referência

que

expressem

identidade,

familiarizem com o usuário.

autoestima,

enfim

elementos

que

se

28

Propôr uma edificação com linguagem projetual modernista no município de

Cascavel é uma forma de compôr um elemento de identidade de fácil adoção para

os cascavelenses, visto que esta foi a arquitetura em que muitos dos edifícios da

cidade foram concebidos.

.

5.2

O NOVO MUSEU DE ARTE DE CASCAVEL

 

A elaboração do novo Museu De Arte De Cascavel visa apresentar um

espaço

adequado

para

a

exposição

de obras

de

arte

dos

artistas

locais

e

estrangeiros, visto que

hoje se

encontram,

no

museu,

além das

exposições

temporárias, duas salas especiais contendo peças de cerâmica paraguaia e arte

indígena brasileira.

Ao se visualizar a imagem da Torre Heifel, logo nos vem a imagem de Paris,

o Big Ban, imediatamente nos lembramos de Londres. Em Cascavel, geralmente a

imagem da Catedral identifica a cidade. O que se deseja com a intervenção é isso:

criar mais um marco referencial para a cidade, justificado pelo fato de catedral ser

uma obra pequena em altura, e também que mais de uma imagem colabora para

fomentar mais pontos de visita.

Ao se conceber o espaço do novo museu se leva como norteador conceitual

a intervenção na paisagem urbana com o intuito de agregar força ao local, para que

dessa forma o pedestre ao passar pelo edifico o tenha como referencial, o adotando

assim como elemento de identidade.

O projeto aborda temas relevantes da sociedade atual como perda de

identidade, devido ao elevado nível de símbolos e referências que surgem a todo o

29

momento. Diante desta condicionante o museu possuirá linguagem contemporânea

com conceito modernista, visto a grande maioria dos edifícios de Cascavel sejam

privados ou institucionais foram concebidos nessa linha.

6.

CORRELATOS

Para se obter base para elaboração da proposta de implantação do novo

Museu de Arte de Cascavel buscaram-se alguns projetos semelhantes que são

apresentados a seguir.

6.1 MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA, MAC – NITERÓI

O MAC de Niterói é sem sombra de duvida um dos ícones da arquitetura

brasileira, devido à forma com que o edifício se insere na paisagem com sucesso.

De autoria de Oscar Niemeyer 1 , com suas linhas curvas o museu interpenetra o seu

entorno.

No museu de Niterói, o local era tão bonito que foi fácil projetá-lo. Um apoio central, e a arquitetura a surgir à volta dele como uma flor. Depois, a rampa a convidar o povo a visitá-lo, um passeio em torno da arquitetura e a paisagem a correr, belíssima sob os pilotis. (NIEMEYER, 2000, Pag. 81)

É interessante ressaltar a maestria com que Niemeyer resolve o projeto de

forma que a intervenção acaba se localizando sem agredir o local, pois o edifício não

rouba as atenções do publico para a paisagem, e sim a completa. Segundo

1 - Oscar Niemeyer- Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho, nascido no Rio De Janeiro considerado um dos maiores icones da arquitetura brasileira.

30

Underwood (2002, pag. 09), sua arquitetura tem um espírito poético pois as linhas

naturais são a inspiração da resposta para a presença monumental da natureza.

6.1.2 ASPECTOS CONTEXTUAIS

Segundo Campofiorito (2009), em um passeio entre o arquiteto Oscar

Niemeyer, e o então prefeito da cidade de Niteroi Jorge Roberto Silveira, surge a

idéia de elaborar um projeto no Mirante da Boa Viagem, em Niterói. Tal projeto seria

concretizado alguns anos depois, se tornando ponto turístico de forte relevância para

o município.

ponto turístico de forte relevância para o município. Figura 05. Vista do MAC, tendo ao fundo

Figura 05. Vista do MAC, tendo ao fundo o corcovado.

Fonte: http://www.macniteroi.com.br/index.php?op=arquitetura acesso em 20 de maio de 2009, as

22:00h.

6.1.3 ASPECTOS CONSTRUTIVOS

Para Niemeyer (2000. pag.81) se o croqui é simples a idéia é boa, de modo

que a arquitetura tem que ser. No MAC se observa com uma incrível poética, a força

que o local ganha ao receber proposta. Com linhas elegantes, que simplesmente

parecem se

emoldurar

ao contexto do local, o museu apresenta o conceito

modernista em sua forma, que se resume em um elemento central, de onde nascem

31

as vigas invertidas. (figura 03). Sistema esse, que flui como se fosse uma flor em

meio ao oceano, onde se tem um balanço de 11 metros em que se explora a

plasticidade da técnica do concreto armado.

se explora a plasticidade da técnica do concreto armado. Figura 06. Corte esquemático MAC. Fonte:

Figura 06. Corte esquemático MAC.

Fonte: http://www.macniteroi.com.br/index.php?op=plantas acesso em 20 de maio de 2009, as

22:00h.

6.1.4 ASPECTOS FUNCIONAIS

O acesso para o museu se dá através de uma rampa com linhas sinuosas,

que convidam o usuário a entrar no edifício, chegando ao salão principal de

exposições, que possui aproximadamente 390 metros quadrados, que é o local onde

acontecem algumas das exposições (Niemeyer, 2000). Em torno, se localizam as

varandas que privilegiam o usuário com a visão de todo o entorno que envolve o

museu.

32

.
.

Figura 07. Planta baixa MAC.

Fonte: http://www.macniteroi.com.br/index.php?op=plantas acesso em 20 de maio de 2009, as

22:00h.

No andar superior acontecem as galerias que seguem as formas curvas do

edifício, que se comprova uma das características de Niemeyer, que é celebrar as

curvas sensuais femininas demonstrando assim seu conceito de beleza (Underwood,

2002, pag. 50).

assim seu conceito de beleza (Underwood, 2002, pag. 50). Figura 08. Planta baixa MAC. Fonte:

Figura 08. Planta baixa MAC.

Fonte: http://www.macniteroi.com.br/index.php?op=plantas acesso em 20 de maio de 2009, as

33

6.1.5 ASPECTOS ESTÉTICOS

Segundo Underwood (2002, pag.43), ao adquirir uma experiência maior e

amadurecer como arquiteto, Niemeyer acaba por adotar em suas obras linhas livres,

fugindo das formas rígidas e retas que utilizava no início de sua carreira.

É o que se pode notar no MAC Niterói, pois com a maestria das curvas,

respeitando a escala humana, se cria um elemento com conceito moderno que se

torna um símbolo de identidade para o Rio de Janeiro. Para Silveira (2009), a forma

de que o edifício se solta do terreno, através do apoio em único pilar, cria uma

espécie de relação de continuidade do museu com o mar.

espécie de relação de continuidade do museu com o mar. Figura 09. Vista interna do MAC.

Figura 09. Vista interna do MAC.

Fonte: Fúlvio Natércio Feiber, 2007.

6.1.6 ASPECTOS AMBIENTAIS

O edifício do MAC é localizado no Mirante da Boa Viagem, onde integra com

perfeição a arquitetura com o espaço da Baía de Guanabara, a praia de Icaraí e o

34

relevo dominante do Rio de Janeiro. O museu se insere no terreno com um balanço

de 11 metros de forma que o usuário avista o concorvado por baixo dessa estrutura.

o usuário avista o concorvado por baixo dessa estrutura. Figura 10. Imagem do Corcovado ao fundo,

Figura 10. Imagem do Corcovado ao fundo, demonstrando como a obra interpenetra no seu contexto.

Fonte: Fúlvio Natércio Feiber, 2007.

no seu contexto. Fonte: Fúlvio Natércio Feiber , 2007. Figura 11. Localização do terreno. Fonte: Google

Figura 11. Localização do terreno.

Fonte: Google Earth.2009.

35

6.2 MUSEU OSCAR NIEMEYER- CURITIBA

Explorando mais uma vez as propriedades formais do concreto, Oscar

Niemeyer elabora uma intervenção urbana de grande importância na cidade de

Curitiba, capital do Paraná.

Em meados de 1967, ele projetou o edifício Presidente Humberto Castelo

Branco, onde o mesmo tinha previsão de futuras

instalações

do Instituto de

Educação do Paraná. Fazendo parte do complexo do Centro Cívico, o edifício foi

ocupado logo após a sua conclusão pela administração municipal (Boccardi, 2009).

Duas décadas

depois, o governo estadual decidiu transformar a área

disponível em um museu, que para tal todo o edifício foi remodelado tendo suas

instalações adaptadas para o uso de exposições. Reprojetado pelo próprio Niemeyer

renasceu em novembro de 2002, sendo denominado a princípio como Novo Museu,

tendo o Olho como referencial, dominando a entrada. Em 2003, foi aberto, levando

então o nome do arquiteto, tendo espaço para artes visuais, design, arquitetura e

urbanismo.

6.2.1

ASPECTO CONTEXTUAL

Esse

local,

conhecido

também

como

’’Museu

Do

Olho’’,

pode

ser

considerado uma intervenção urbana de sucesso, pois a imagem do museu remete

imediatamente a cidade de Curitiba, provando assim, que com aguçada maestria,

Niemeyer consegue tornar um ponto da cidade que não possuía nenhum referencial

turístico,

em

um

elemento

de

forte

identidade

para

o

cidadão

curitibano.

36

Segundo Lerner (2005), a intervenção urbana pode ser comparada como

uma pequena alfinetada, uma acupuntura, e a autoestima é uma boa acupuntura. É

visível a boa energia e auto estima que o museu remete a quem passe pro ali, pelo

espanto e surpresa que a estrutura proporciona, em um local que antes se passava

despercebido para a maioria dos pedestres.

antes se passava despercebido para a maioria dos pedestres. Figura 12. Vista externa do Museu Oscar

Figura 12. Vista externa do Museu Oscar Niemeyer.

Fonte: Fúlvio Natercio Feiber, 2007.

.

6.2.2 ASPECTOS CONTRUTIVOS

Com um total de 30 metros de altura, o museu agregou força de identidade

ao local. Como no MAC Niterói, toda uma estrutura com duas fachadas em vidro

repousa sob uma base retangular, ao se liga através de um túnel ao prédio

Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco.

Para se vencer o balanço, foi utilizado estrutura em concreto protentido,

dando ao edifício, dessa forma, a plasticidade que se apresenta.

37

6.2.3 ASPECTOS FUNCIONAIS

O edifício do olho é divido em quatro pavimentos, que compõem a forma do

olho, tendo na parte convexa a área de exposições com aproximadamente 1600

metros quadrados, e parte côncava encontra-se a área de apoio e bar, contudo não

é utilizada, pois não é permitido o consumo de alimentos nas áreas expositivas.

é permitido o consumo de alimentos nas áreas expositivas. Figura 13. Vista externa do Museu Oscar

Figura 13. Vista externa do Museu Oscar Niemeyer, tendo ao fundo o antigo Edifício Presidente

Humberto Castello Branco.

Fonte: http://www.museuoscarniemeyer.org.br/areas.htm acesso em 03 de junho de 2009 as 20:22 h.

6.2.4 ASPECTOS ESTÉTICOS

Com uma linguagem contemporânea, seguindo o conceito modernista,

Niemeyer traz a poesia para a arquitetura a transformando em algo que se pode

tocar, combinando assim um método projetual onde se tem o racional, com linhas as

retas do edifício Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, e o irracional com

a ousadia criada pelo balanço do olho de concreto (Underwood, 2002, pag. 70).

38

6.2.5 ASPECTOS AMBIENTAIS

O

museu possui um total de

mais 35

mil metros quadrados de área

construída, tendo em suas proximidades o Bosque do Papa, o qual faz um fundo

verde para o museu.

o Bosque do Papa, o qual faz um fundo verde para o museu. Figura 14. Implantação

Figura 14. Implantação do terreno.

Fonte: Google Earth 2009.

6.3 MUSEU BRASILEIRO DE ESCULTURA- MUBE- SÃO PAULO

Paulo Archias Mendes da Rocha autor do projeto arquitetonico do MUBE, é

um dos arquitetos provenientes da chamada Escola Paulista 2 , ele utiliza com paixão

a técnica do concreto aramdao utilizando grandes vãos, causando surpresa a

muitos.

Foi pela iniciativa de moradores do bairros circunvizinhos ao terreno do

museu, impendido a construção de um shopping center no local, que surge a idéia

2 Escola Paulista- movimento que teve por mentor Vila Nova Artigas, em que se tinha a racionalidade exterior equilibrada pela dinâmica da forma.

39

de construção de um local gerador de cultura. O terreno foi cedido pela prefeitura,e a

obra foi realizada com recursos privados.

Segundo Montaner (1996, pag. 6), o arquiteto não se deixou levar por

tendências, e assumiu sua linha projetual de trabalho, em que o fascinio pelas

possibilidades que o concreto armado pode trazer o levaram a produzir o MUBE, e

entre outras tantas obras com uma linguagem arquitetonica poética, partindo da

fascinação pela engenharia e

conformado pela estrutura.

pela técnica, recriando dessa

6.3.1 ASPECTO CONTEXTUAL

forma o espaço

O Museu data de 1995, situado em São Paulo, capital, onde se tem a

disposição em suas dependências auditório, áreas de exposições permanentes e

temporárias, café e praça das esculturas externas. Mendes da Rocha (1996. pag.

60), afirma que inicialmente, se pensou em fazer um museu de escultura e ecologia

com o intuito de desenvolver um projeto cultural amplo e integrado de restauro e

divulgação, de modo que os artistas locais pudessem expor as suas obras.

40

40 Figura 15. Vista externa do Museu Brasileiro de Escultura. Fonte: Fúlvio Natercio Feiber , 2007.

Figura 15. Vista externa do Museu Brasileiro de Escultura.

Fonte: Fúlvio Natercio Feiber, 2007.

.

de Escultura. Fonte: Fúlvio Natercio Feiber , 2007. . Figura 16. Vista do grande vão de

Figura 16. Vista do grande vão de concreto armado.

Fonte: - www.educatorium.com/projetos/projetos. acesso em 31 de maio- 22.00

41

6.3.2 ASPECTOS CONSTRUTIVOS

O museu se compõe de um pórtico de concreto protendido, emoldurando o

terreno de forma a referenciar uma construção no subsolo, ao passo que ao mesmo

tempo circunscreve o espaço para exposições, a entrada, a esplanada, e o pátio.

Observa-se também um grande vão de concreto armado, que marca a presença do

edifício principal, que convida o público a conhecê-lo. Como que a funcionar como

um portal, esse pórtico possui 12 metros de largura e 60 metros de vão, possível

através do concreto protendido (Mendes da Rocha, pag. 60, 1996).

do concreto protendido (Mendes da Rocha, pag. 60, 1996). Figura 17. Pórtico de concreto. Fonte: -

Figura 17. Pórtico de concreto.

Fonte: - www.educatorium.com/projetos/projetos. acesso em 31 de maio- 22.00

6.3.3 ASPECTOS FUNCIONAIS

O edifício principal do museu aproveita as diferenças de níveis do lote, e

está como que enterrado.

Para Villac (1996, pag. 16), compreender o museu é de

42

forma geral simples, pois o mesmo se resume a um espaço urbano que se compõe

de um teatro aberto e esculturas ao ar livre e jardins concebidos. Segundo Mendes

da Rocha (1996, pag. 60), ao se desenvolver o museu, sua funcionalidade requeria

que se concebesse uma proposta cultural ampla e intrínseca de restauração das

obras existentes na cidade, ao passo que também se oportunizem exposições

temporais

nas

instalações

do

mesmo.

Abaixo,

no

edifício

há:

a

pinacoteca,

depósitos, exposições, administração, sala de atos e um café.

exposições, administração, sala de atos e um café. Figura 18. Planta baixa MUBE. Fonte: -

Figura 18. Planta baixa MUBE.

Fonte: - www.educatorium.com/projetos/projetos. Acesso em 31 de maio- 22.00h.

6.3.4 ASPECTOS ESTÉTICOS

Para Villac (1996, pag. 13), o MUBE no aspecto estético, se baseia na

construção de uma arquitetura que não se mostra onde apenas se tem uma intuição

através do grande pórtico que há ali. A autora reforça também que (pag. 17), o

museu com seu portal de concreto, diante do fato que a cidade se reconstrói, a cada

43

momento, apagando sua memória, instaura um lugar, de modo que o monólito

constrói a paisagem urbana se tornado referencial para o pedestre.

6.1.5. ASPECTOS AMBIENTAIS.

Situado em uma zona residencial da cidade, o MUBE foi uma reivindicação

da população, pois se pretendia construir um shopping naquele terreno. Depois de

concluído o Museu, o que se vê é a adoção do edifício como elemento de identidade

por parte da população. O projeto dos jardins é do renomado paisagista Burle Marx,

onde através da proposta se consegue com sucesso humanizar a obra.

da proposta se consegue com sucesso humanizar a obra. Figura 19. Vista do jardim. Fonte: -

Figura 19. Vista do jardim.

Fonte: - Fúlvio Natercio Feiber, 2007.

44

44 Figura 20. Implantação do terreno. Percebe-se na imagem que se trata de uma área residencial.

Figura 20. Implantação do terreno. Percebe-se na imagem que se trata de uma área residencial.

Fonte: - Google Earth, 2009.

7. DIRETRIZES PROJETUAIS

Para

se

desenvolver

o

novo

MAC

alguns

pontos

básicos

foram

questionados, como escolher o melhor terreno na malha urbana para efetuar a

intervenção. Através do grupo de estudos intitulado ”Intervenção Na Paisagem

Urbana” ministrado pelo arquiteto pesquisador Fúlvio Natercio Feiber, que observa

as relações da arquitetura com seu entorno, se escolhe como local de implantação a

Praça Vereador Luiz Picolli, popular Praça da Bíblia, no qual se alinha ao objetivo do

grupo. De acordo o primeiro Plano Diretor de 1975, esse ambiente, situado próximo

à prefeitura de Cascavel serviria como área de vivência, que privilegiaria o pedestre,

algo que não acontece hoje pelo fato de não ser freqüentada por não ter atrativos. A

idéia para o desenvolvimento do projeto é criar um novo marco simbólico para a

população, de modo que o edifício se torne um referencial urbano.

Para atender esses elementos é importante seguir uma linha de projeto que

atenda a forma plástica de Museu, e que tenha princípios de sustentabilidade. Em

face a essas condicionantes Constenaro (2009) reforça que a Arte da Arquitetura é o

45

respeito, o dialogo de modo que se tenha interatividade com vários elementos sem

se perder em condições avessas ao conceito da Arquitetura.

Logo

para a

elaboração

do

projeto

se adotara princípios

básicos

de

aproveitamento de energia, utilizando os agentes ambientais como aproveitamento

da água da chuva, e utilização da iluminação natural para obter economia de

energia. A questão de acessibilidade no edifício também será abordada para que

dessa forma todo e qualquer cidadão tenha acesso ao local. Condições de conforto

térmico, como ventilação cruzada também serão exploradas para atender o bem

estar dos usuários.

7.1

LOCALIZAÇÃO

A praça tem alguns pontos interessantes a serem expostos. Primeiramente,

é que seu projeto inicial previa que ela devia ser um ponto de amenização da

perspectiva da avenida Brasil, ou seja, uma área para uso de pedestres, que

retirasse a idéia de uma longa avenida reta, (Dias, Feiber, Mukai e Dias, pag. 76). É

importante propôr de dentro da cidade locais que ofereçam atividades para esse

publico, de modo que ele o utilize tanto para lazer como para marco de referência

urbana.

O segundo ponto é sua proximidade com o edifício da prefeitura de

Cascavel, com terminal rodoviário. O primeiro, prédio que abriga o poder político do

município, e o segundo sendo o local de chegada dos visitantes a cidade.

O terceiro ponto é o fato do terreno ser um Ponto Nodal, local onde o

pedestre aumenta a sua atenção por ser uma área de convergência de transito. Para

Lynch esse fato se comprova com tanta lucidez, que por muitas vezes pode se

46

atribuir a importância dos elementos situados nos pontos nodais exatamente devido

a sua localização. (Lynch, 1960, pag. 81).

devido a sua localização. (Lynch, 1960, pag. 81). Figura 21. Visão área da Praça. Fonte:

Figura 21. Visão área da Praça.

Fonte: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=535434&page=54

em 15 de Outubro de 2009, as 20.42.

Marcelo Marcio. Acesso

em 15 de Outubro de 2009, as 20.42. Marcelo Marcio. Acesso Figura 22. Terminal rodoviário de

Figura 22. Terminal rodoviário de Cascavel.

Fonte: - disponível em http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=969778. acesso em 15 de

47

Atualmente a Praça é cortada transversalmente no sentindo leste /oeste pela

avenida Brasil, o que acaba facilitando o fluxo de veículos pela avenida Brasil. Em

face a esta condicionante Cullen (1971) aconselha o uso do passeio que avança

sobre a via, de forma a codificar o comportamento do condutor de que ali acontece a

travessia de pedestres, de forma a se constituir um elemento de ligação.

de forma a se constituir um elemento de ligação. Figura 23. Edifício Prefeitura Municipal de Cascavel.

Figura 23. Edifício Prefeitura Municipal de Cascavel.

Fonte: acervo pessoal.

Prefeitura Municipal de Cascavel. Fonte: acervo pessoal. Figura 24. Avenida Brasil sentido Oeste, onde se tem

Figura 24. Avenida Brasil sentido Oeste, onde se tem a esquerda o Terminal Rodoviário e a direita o

edifício da Prefeitura.

Fonte: acervo pessoal.

48

7.2 INTENÇÕES FORMAIS E ESPACIAIS

A linha de projeto seguirá uma linguagem contemporânea, com conceito

modernista, se utilizando de técnicas do concreto armado. Para tal se terá como

base a inserção de elementos da arquitetura vernacular, seguindo também a

linguagem dos edifícios modernistas de Cascavel. Serão incorporadas ao museu,

áreas sociais de convívio com o intuito de gerar elementos de atração para o

pedestre, de modo que ao freqüentá-lo o tenha como marco de referencia. Assim, o

MAC sendo uma janela de ligação entre o presente e o passado, se pretende fazer

um projeto que intervenha na paisagem urbana criando um elemento de identidade.

7.3 UM NOVO MARCO PARA CASCAVEL

A proposta tem o intuito de privilegiar o pedestre para acessar o museu, e

instaurar a humanização na obra, de modo que ele realmente se torne um elemento

que denote identidade, visto que são locais onde se guardam e apresentam desejos,

sentimentos, reflexões e percepções que ganham força através de imagens, cores e

formas. Um ponto de referência em um foco estratégico, de forma que o observador

possa visitá-lo 24 horas por dia. Segundo Lynch (1960), um marco tem que possuir

características singulares, ser único, pois implica na escolha de um elemento em um

conjunto de possibilidades. Dessa forma a escolha de um terreno situado em ponto

distribuidor de tráfego para varias regiões da cidade, aliado a importância dos

edifícios públicos que circundam o mesmo, acabam por trazer ao Museu de Arte De

Cascavel já uma prévia estima, sendo coroado pelo fato que o edifício é pólo

gerador de cultura e identidade.

49

7.4 PROGRAMA DE NECESSIDADES

Ao se elaborar um comparativo das áreas disponíveis nos três correlatos,

percebeu-se que em todos eles haviam salas de exposições permanentes, e salas

para exposições de obras temporais, ou seja aquelas que estão apenas sendo

expostas por um determinado período. Hoje, no Museu de Arte de Cascavel há duas

salas permanentes, sendo uma de arte indígena do Brasil e outra de arte rural,

compostas de cerâmicas de Assunção, capital do Paraguai. De acordo com a

administração

do

Museu

tem-se

aproximadamente

365

esculturas, fotografias, arte

indígena

brasileira, cerâmica

obras

entre

pinturas,

popular

paraguaia e

artesanato ucraniano, além de 62 fotografias da exposição "Povos do Brasil". Em

media se recebem 12 mil visitantes ao mês.

Diante dessas condicionantes e pelo fato de que deseja privilegiar os

pedestres, lhes fornecendo atrativos para que freqüentem o museu, foi definido o

seguinte programa de necessidades:

Quatro salas de exposições permanentes

Quatro salas de exposições temporárias

Área de convivência, manifestações, praça

Banheiros

Circulações

Estacionamento para 30 veículos

Administração

Posto policial

D.M.L.

50

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um Museu de Arte presente no meio urbano demonstra o atento da

população em manter viva sua história e identidade por meio da arte e cultura, Arte

esta que possui peças singulares de grande importância que expressam a cultura de

seu povo.

Na criação do espaço que compõem a Paisagem Urbana é essencial que o

Arquiteto saiba visualizar com clareza a influência que um “lugar” possui no

imaginário da população, a percepção de identificação ou harmonia com o meio, ou

seja, elementos que delimitem certo lugar de outro qualquer.

Na intervenção urbana, que é a ação direta do Arquiteto na Paisagem

Urbana, o mesmo tem além da responsabilidade técnica, o privilégio de poder criar

ou melhorar determinado local no meio público que vai fazer parte do cotidiano de

milhares de pessoas todos os dias, vindo a influenciar em seu bem estar. Nas

palavras de Lerner se encontra o calor de uma boa reflexão: identidade, autoestima,

sentimento de pertencer, tudo isso tem a ver com os pontos de referência que uma

possui em relação a sua cidade. (Lerner, 2005, pag. 83).

A partir do momento que se realiza tal intervenção em um ponto nodal, que

por si só, segundo Lynch, já agrega valor automático o que vai se inserir ali, o Museu

acaba duplicando a sua imagem de marco referencial.

Seguindo esta linha conceitual, o profissional se depara com a imagem de

um projeto a ser realizado que dialogue com a cultura do povo, lembrando algo já

existente sem copiá-la, mas preservando-a de tal forma que quem venha a passar

pela sua Arquitetura se identifique com a mesma.

51

O fato é que há trabalhos artísticos expostos no Museu de Arte de Cascavel,

que não possuem espaço adequado para a sua importante função, de modo que se

mostra de real importância um local onde os artistas de Cascavel possam vir a

apresentar suas obras à população demonstrando a riqueza cultural da cidade.

Diante dessas condicionantes, o objetivo de apresentar uma intervenção

urbana, onde a arquitetura do novo Museu de Arte se crie um referencial urbano,

com o intuito do mesmo ser um marco simbólico para a população é alcançado.

Situado em ponto de convergência de transito, entre importantes edifícios

públicos, onde o Museu de Arte fica no centro proporciona uma imagem que se

destaca do seu entorno, adquirindo uma identidade.

No decorrer do trabalho foram abordados temas como Paisagem Urbana,

que é a produção do espaço urbano que pode ser resumido a um retrato ou

paisagem; a Intervenção Urbana onde através de uma proposta se condicione força

ao lugar; conceitos de Arquitetura Vernacular, que é a utilização de materiais que

representem sua região, resgatando a identidade da cidade e ainda o Modernismo

na cidade de Cascavel, arquitetura que influenciou os

principais

edifícios

do

município. Por fim, buscaram-se três correlatos de obras com o mesmo conceito que

ser quer alcançar no projeto, a fim de obter base teórica para a elaboração do

mesmo.

A interação dos materiais, o diálogo da Arquitetura com o coletivo, a

gentileza

urbana.

Uma

intervenção.

Uma

alfinetada.

Simples

ações,

grandes

melhorias e conquistas, sendo talvez uma das mais valiosas o sentimento de

pertencer um lugar, de ver a imagem de um edifício de referência gravado em um

cartão postal ou alguma propaganda qualquer. Um determinado ponto no meio

52

urbano que tem seus princípios iniciais restabelecidos através de uma intervenção,

se torna um marco simbólico, identificando a cidade que pertence.

Museu de arte de cascavel. A identidade do município, da Arte, do povo, do

coletivo do sentimento de pertencer. Tudo graças a uma intervenção urbana.

53

REFERÊNCIAS

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CONSTENARO-

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MUSEU

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