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Michael Hermann Garcia

Serviço Social e Violência Doméstica

Entre o olhar e o fazer interdisciplinar.

Doméstica Entre o olhar e o fazer interdisciplinar . Aracaju-Sergipe-BRASIL Edição do autor Relançamento em

Aracaju-Sergipe-BRASIL Edição do autor Relançamento em junho de 2012

3 Serviço Social e Violência Doméstica

Sobre o autor Michael Hermann Garcia Assistente Social graduado pela Universidade Federal de Juiz de

Sobre o autor

Michael Hermann Garcia

Assistente Social graduado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). Especialista em Violência Doméstica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Atuou em diversos campos sócio-ocupacionais, principalmente nos campos sócio-jurídico e na política de segurança pública nos Estados do RJ e MG. Possui quase duas décadas de exercício no magistério, sendo um quarto deste tempo já dedicado à docência em Serviço Social, lecionando em instituições de ensino superior nos Estados de MG (FAVAG – Faculdade Vale do Gorutuba e FACIG – Faculdade Cidade de Guanhães) e BA (UNIRB – Faculdade Regional da Bahia e Faculdade Delta). Entre 2007 a 2010 fez parte do quadro de docentes da UNIME Salvador, unidade Paralela, ministrando as disciplinas de Fundamentos Históricos Teóricos Metodológicos em Serviço Social II e III e Política Social II, além de ter sido responsável pela coordenação técnica do NEPSSI – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Serviço Social e Interdisciplinaridade, campo de pesquisa e extensão vinculado ao curso de Serviço Social da mesma instituição supracitada, que enfoca estudos sobre a prática profissional da profissão de Serviço Social no campo sócio-jurídico no Estado da Bahia. Entre 2011 e 2012 atuou profissionalmente como docente e coordenador acadêmico da graduação de Serviço Social da UNIME Itabuna. No momento está concluindo o mestrado em Políticas Sociais e Cidadania pela Universidade Católica do Salvador, além de ser graduando em Biblioteconomia e Documentação na Universidade Federal de Sergipe.

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Projeto editorial:

Michael Hermann Garcia Teixeira

Contato com o autor/editor:

michael-hermann@bol.com.br Acessem o blog do autor/editor:

http://servicosocialcamposocio-juridico.blogspot.com/

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GARCIA, Michael Hermann Serviço Social e Violência Doméstica: entre o olhar e o fazer interdisciplinar. Edição do autor – M.H.G.Teixeira: QUIRUS; Aracaju-Sergipe-Brasil, 2010 (relançamento em Jun/2012); 179 pag.

ISBN 978-85-911010-0-9 1.Serviço Social. 2. Violência Doméstica. 3. Interdisciplinaridade

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Dedicatória

A Maria Da Glória (minha avó – figura mitológica – in memoriam) – “muito distante!” À Vera Caetano e Bizuca – “distante!” Ao meu herdeiro Miguel e minha esposa Marissol – “perto de mim!”

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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO CAPÍTULO I :

Violência Doméstica e os Direitos da Criança, Adolescente e da Mulher

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1-Violência Doméstica: suas definições

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2-Direitos da Criança, do Adolescente e da Mulher CAPÍTULO II:

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Serviço Social e o Campo de Atuação: A Delegacia de Polícia

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1-Violência Doméstica: Objeto do Serviço Social e parte do cotidiano

no âmbito policial

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2-O Programa Delegacia Legal

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3-A inclusão de novos profissionais não policiais e os cursos de

aperfeiçoamento

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CAPÍTULO III:

A Delegacia de Polícia – “o olhar – fazer interdisciplinar” 88

1-“O olhar - fazer interdisciplinar”: Relato de dois casos

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2-“O olhar - fazer interdisciplinar”:

Relatos dos Profissionais (Policiais e Assistentes Sociais) 134 Algumas Considerações não conclusivas sobre o Serviço Social no

contexto da Segurança Pública Referências Bibliográficas

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Apresentação

Apresentação D esde o início da graduação do autor deste estudo em Serviço Social na Universidade

Desde o início da graduação do autor deste

estudo em Serviço Social na Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, o mesmo tomou conhecimento da Pós-Graduação na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, especialmente, em seu curso de “Especialização no Atendimento à Criança e Adolescente Vítima de Violência Doméstica”. Este estudo foi produto desta especialização, que veio a corroborar a sua passagem como Comissário de Justiça credenciado do Juizado da Infância e Juventude da Comarca de Juiz de Fora/MG, onde o mesmo presenciou e atuou em casos de Violência Doméstica perpetrada contra Crianças e Adolescentes. No Juizado da Infância e Juventude, a atuação como Comissário de Justiça foi tomando novas conformações com os conhecimentos adquiridos com a graduação e com o trabalho em conjunto com a equipe técnica - composta pelas

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Assistentes Sociais e Psicólogas Judiciais. 1 O tema “Infância e Juventude” se transformou no principal eixo de estudo, atuação e intervenção profissional como Assistente Social. Na graduação, o autor deste breve estudo participou no “Núcleo de Sujeitos Coletivos e Cidadania” e no “Pólo da Infância e Juventude”, ambos ligados à Faculdade de Serviço Social da UFJF, onde se inseriu como bolsista de iniciação científica, em uma pesquisa sobre Movimentos Sociais, ONGs – Organizações Não Governamentais – e Infância e Juventude. Com a inserção na pesquisa, teve a oportunidade de participar e de apresentar relatórios da mesma, tanto na iniciação científica na UFJF como no Juizado da Infância e Juventude de Juiz de Fora/MG. No Fórum Social Regional 2 , ocorrido em dezembro de 2003 na mesma cidade, apresentou, como conferencista, os resultados da pesquisa feita no Comissariado da Infância e Juventude da Comarca local com o

1 No Estatuto da Criança e do Adolescente, a equipe técnica é composta por Assistentes Sociais, Psicólogos e outros profissionais que possam dar laudos periciais, pareceres ou outros quaisquer documentos que possam subsidiar a autoridade judiciária em uma determinada questão. O corpo de comissários de justiça, embora não seja descrito no ECA, são descritos na estrutura da organização judiciária. No “jargão” dos tribunais ele é apresentado como os “olhos e a visão da autoridade judiciária ou do juiz”. 2 O Fórum Social Regional de Juiz de Fora foi, em microescala do Fórum Social Mundial, um grande encontro que reuniu entidades governamentais e não governamentais a discutirem temas dos mais variados, sendo um dos temas centrais a formulação de Políticas Públicas para os segmentos mais excluídos. Abrangeu as regiões da Zona da Mata, Campos das Vertentes e Sul de Minas.

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título “O Perfil do Adolescente em situação de risco”. Neste trabalho foi explicitado o perfil dos adolescentes atendidos pelo Juizado da Infância e Juventude naquele momento, e as situações de extrema violência a que são expostos no seu cotidiano. Depois da graduação, teve a oportunidade de fazer a Pós-Graduação na PUC/Rio de Janeiro, e nele pode alargar o horizonte de compreensão, como por exemplo valorizar como se processa a história da violência, sobretudo a ocorrida no âmbito doméstico. A cultura que relativiza os modos de agir sobre o tema da violência e o subseqüente desenvolvimento da sensibilidade para diferentes intervenções foram alguns dos pontos mais positivos ocorridos durante a especialização. No início da Pós (abril de 2004) teve o ingresso no estágio curricular no Escritório Modelo de Advocacia “D. Evaristo Arns” (EMA-PUC/Rio), onde se aproximou do tema – “Violência Doméstica” – nas suas facetas ocultas e subliminares. Os litígios ocorridos no campo jurídico da família, a violência não é colocada como a queixa principal dos atores envolvidos – pai, mãe, responsáveis e filhos – e sim questões materiais e de subsistência. A procura por ações judiciais de alimentos é a demanda mais corrente no EMA- PUC/Rio, embora haja outras como divórcio, dissolução de união estável, guarda, e a outras que fazem parte do Direito de Família.

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A inserção foi no projeto de pesquisa coordenado pela Profª Ilda Lopes Rodrigues da Silva, do Departamento de Serviço Social da PUC/Rio, onde o tema era o “Estudo da Ocorrência de Violência Doméstica nas Famílias Atendidas no EMA-PUC/Rio”, com alunos do programa PIBIC - CNPq/PUC-Rio. O Serviço Social está presente no Escritório Modelo de Advocacia da PUC-Rio, desde o ano de 1996 até a presente data, através do curso de Especialização em “Atendimento às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência Doméstica” com seus alunos do Departamento do Serviço Social, sob a orientação da referida Profª Drª Ilda Lopes e com a assessoria jurídica da advogada Inês Alegria Rocumback. O projeto não fica apenas com o objetivo de mostrar como é prevalente a violência dentro do âmbito doméstico nas famílias atendidas no Escritório Modelo, mas tem o compromisso de orientar – individualmente ou em grupo – os atores envolvidos na questão, em uma perspectiva pedagógica e de prevenção. Os objetivos gerais deste projeto são: aprofundar o conhecimento das categorias jurídicas como separação, divórcio, guarda e pensão alimentícia para os filhos, com um recorte de violência familiar; desenvolver uma metodologia de atendimento de família em situação de risco na interface sócio-jurídica;

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configurar situações de risco de violência familiar nas categorias eleitas para estudo; propiciar o atendimento do SERVIÇO SOCIAL junto aos usuários 3 dos serviços da área de Direito de Família que apresentam indicadores de violência familiar. O ingresso nesta pesquisa foi de primaz importância na minha formação no curso de especialização. Em junho de 2004, durante a especialização na PUC/Rio, ingressou no Programa Delegacia Legal da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, por meio de processo seletivo. A inserção foi como Supervisor de Atendimento Social (SAS); a atuação no Balcão de Atendimento era dirigida ao usuário que buscava auxílio dentro de uma Delegacia de Polícia, onde sua demanda principal podia ou não ser um crime ou contravenção penal. O Balcão visa dar atendimento humanizado à população em geral, especialmente às vítimas, necessitadas de demandas e atenção especiais – sobretudo os incapazes 4 – determinado através de uma investigação de qualidade para amenizar o seu sofrimento, e buscar os resultados do processo e seu posterior encaminhamento ao Ministério Público (MP) e a Vara Criminal (VC) subseqüente.

3 No EMA/PUC-Rio, o usuário era configurado pela expressão mercadológica de “cliente” ou “clientela”. 4 Termo muito usado pelos policiais civis quando se refere a criança – abaixo dos 12 anos de idade.

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O encaminhamento aos serviços de referência, responsabilidade do Balcão de Atendimento, é uma das suas principais ações demandadas tanto pela população quanto por critério e orientação do profissional especializado. O Supervisor, como a própria expressão denota, era o responsável pela operacionalização do Balcão, que era composta por mais duas estagiárias – geralmente dos cursos de Serviço Social, Psicologia ou Pedagogia. Todo o sistema da Delegacia, isto incluindo o Balcão de Atendimento, é integrado por um sistema de informatização central. O sistema do Balcão de Atendimento é denominado SAT – Sistema de Atendimento Social – onde se registra todo o banco de dados dos usuários que requisitavam desde informações até os serviços da Delegacia e das instituições, organizações governamentais ou não que integravam os serviços de referências para onde a população – principalmente a mais carente de serviços públicos e sócio- assistenciais – é encaminhada. Até a saída do Programa, em maio de 2005, presenciou-se vários episódios como: conflitos entre profissionais policiais e não policiais; as práticas multiprofissionais no atendimento e posterior inquérito de violência doméstica contra a

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mulher, criança e adolescente. 5 Foi vivenciada a tentativa de um trabalho em equipe em uma perspectiva interdisciplinar, e o questionamento da organização e metodologia de trabalho considerada pelo Grupo Gestor do Programa 6 . Uma experiência que jamais deverá ser esquecida. Rica em conflitos de todas as espécies dentro e fora do campo de atuação, e nascedouro de profissionais – policiais ou não – comprometidos, não só no combate à violência, mas na democratização e sua posterior acessibilidade e participação nos serviços públicos. É este trabalho que será exposto nos capítulos que se seguem.

Considera-se que esta experiência foi importante para a formação continuada não só do autor, mas que sirva de subsídios para aqueles que atuam na prática interventiva do Serviço Social no campo da segurança pública. O enfoque será o olhar interdisciplinar no trato da questão no ambiente policial, e a atuação do Serviço Social neste contexto. No capítulo I serão

5 A violência de gênero só foi vislumbrada – profissionalmente – pelo autor em questão, quando o mesmo se inseriu no Programa Delegacia Legal, sendo lotado em uma das delegacia de polícia (não especializadas) na região da Baixada Fluminense, Estado do Rio de Janeiro.

6 Grupo Gestor do Programa Delegacia Legal é denominado de GE – Grupo Executivo, constituído por quase 80% de profissionais não policiais, que possui o objetivo principal de colocar uma nova metodologia e organização profissional às Unidades Policiais de Autoridade Judiciária (UPAJ´s) dentro da Secretaria de Estado de Segurança Pública do RJ.

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tratados, além do tema em questão e dos direitos de suas vítimas que são as crianças, os adolescentes, e as mulheres, também as definições sobre a violência doméstica também serão apresentadas. No capítulo II será descrito o campo de atuação, ou seja, a Delegacia de Polícia em questão. Além da atuação do Serviço Social e seu olhar perante o seu objeto de estudo e intervenção profissional. Neste caso será descrito o Programa Delegacia Legal que vem implantando uma nova metodologia de trabalho e com sua organização no âmbito da Segurança Pública Estadual. Também será apresentado como o tema em questão - central no nosso estudo - é visto no cotidiano num âmbito policial, neste caso exporei tanto a violência conjugal como a violência contra crianças e adolescentes, dando enfoque a região da Baixada Fluminense. No capítulo III serão descritas, não só algumas experiências interdisciplinares, relatando dois casos, como também indicarei o “olhar-fazer interdisciplinar” no relato dos profissionais envolvidos. E no final, a conclusão será a exposição de algumas considerações sobre esta experiência significativa, comparando com outras (e poucas) experiências em delegacias de polícia nos estados da Bahia e Minas Gerais, além de colocar algumas críticas e possibilidades de avanços; além de fazer algumas considerações teórico-metodológicas sobre as

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práticas multi e inter dos assistentes sociais no contexto da segurança pública. Este é o início de um desafio. Uma boa leitura para todas e todos!

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CAPÍTULO I Violência Doméstica e os Direitos da Criança, do Adolescente e da Mulher

1-Violência Doméstica: suas definições. 2-Direitos da Criança, do Adolescente e da Mulher.

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