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CURSO ON-LINE – PACOTE DE EXERCÍCIOS – SEPLAG

Olá Pessoal! Tudo Bem? Hoje o assunto é Bens Públicos. Diante da escassez de questões FUNIVERSA a saída foi adotar questões do CESPE, e ainda uma parte teórica leve para ajudar na resolução de questões mais complicadas que possam vir a aparecer. Vamos apostar, assim, no conhecimento mais amplo sobre a matéria. Por isso, primeiro vamos conhecer a abordagem da banca e depois partir para as questões do CESPE, ok? Vamos nessa!!

QUESTÕES EM SEQUÊNCIA - FUNIVERSA

1)(2009/FUNIVERSA/ADASA – REGULADOR DE SERVIÇOS PÚBLICOS)

Acerca de bens públicos, assinale a alternativa incorreta.

(A) As cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e

pré-históricos, desde que não situados em propriedade dos Estados, pertencem à União.

(B)

Nem todas as terras devolutas pertencem à União.

(C)

Os lagos e rios que banham mais de um Estado pertencem à

União.

(D)

Todos os potenciais de energia hidráulica pertencerão a União.

(E)

Todas as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são de

propriedade da União.

2)(2009/FUNIVERSA/ADASA –ADVOGADO) A Constituição Federal garante a todos um meio ambiente ecologicamente equilibrado. A fim de efetivar esse direito, estabelece algumas regras a serem observadas pelo Poder Público. A respeito dos deveres, assinale a alternativa incorreta.

(A) Cabe ao Poder Público prover o manejo ecológico das espécies e

ecossistemas.

(B) As usinas que operam com reator nuclear não poderão se instalar

sem que antes seja elaborada lei federal definindo sua localização. (C) Em razão da importância para o ecossistema, a Constituição

Federal prevê que a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato- Grossense e a Zona Costeira são áreas da União.

(D) Por meio de uma interpretação constitucional é possível afirmar

peremptoriamente que o Brasil não admite as rinhas de galo.

(E) Somente por lei é permitida a alteração do regime jurídico de

Área de Preservação Permanente.

3)(2009/FUNIVERSA/ADASA –ADVOGADO) Os potenciais de energia hidráulica são bens

(A) da União, apenas.

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(B)

dos estados e do Distrito Federal, apenas.

(C)

da União, dos estados e do Distrito Federal.

(D)

dos municípios, apenas.

(E)

de todos os entes da Federação.

QUESTÕES COMENTADAS

1)(2009/FUNIVERSA/ADASA – REGULADOR DE SERVIÇOS PÚBLICOS)

Acerca de bens públicos, assinale a alternativa incorreta. (A) As cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos, desde que não situados em propriedade dos Estados, pertencem à União.

(B) Nem todas as terras devolutas pertencem à União.

(C) Os lagos e rios que banham mais de um Estado pertencem à

União.

(D)

Todos os potenciais de energia hidráulica pertencerão a União.

(E)

Todas as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são de

propriedade da União.

Comentários: Percebe-se que a banca resolveu esmiuçar o artigo 20 da CF, então vamos analisá-lo:

Art. 20. São bens da União:

I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;

II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;

III

- os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos

de

seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de

limites com outros países, ou se estendam a território

estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;

IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 2005)

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V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;

VI - o mar territorial;

VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;

VIII - os potenciais de energia hidráulica;

IX

- os recursos minerais, inclusive os do subsolo;

X

- as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos

e

pré-históricos;

XI

- as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.

§

1º - É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito

Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.

§ 2º - A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura,

ao longo das fronteiras terrestres, designada como faixa de

fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.

Alternativa A – Agora ficou fácil, não é? O inciso X não fala em “desde que não situados em propriedade dos Estados”. Está aí o erro da questão.

Alternativa B – Corretíssimo, não são todas as terras devolutas mesmo, de acordo com o artigo, apenas “as terras devolutas

indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;

Alternativa C – Correto, podemos verificar a resposta no inciso III.

Alternativa D – Correto, podemos verificar a resposta no inciso VIII.

Alternativa E – Correto, podemos verificar a resposta no inciso XI.

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Gabarito: Alternativa A

2)(2009/FUNIVERSA/ADASA –ADVOGADO) A Constituição Federal garante a todos um meio ambiente ecologicamente equilibrado. A fim de efetivar esse direito, estabelece algumas regras a serem observadas pelo Poder Público. A respeito dos deveres, assinale a alternativa incorreta.

(A) Cabe ao Poder Público prover o manejo ecológico das espécies e

ecossistemas.

(B) As usinas que operam com reator nuclear não poderão se instalar

sem que antes seja elaborada lei federal definindo sua localização. (C) Em razão da importância para o ecossistema, a Constituição Federal prevê que a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são áreas

da União. (D) Por meio de uma interpretação constitucional é possível afirmar peremptoriamente que o Brasil não admite as rinhas de galo.

(E) Somente por lei é permitida a alteração do regime jurídico de

Área de Preservação Permanente.

Comentários: Do artigo 20, pulamos para o 225 da CF:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; (Regulamento)

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio

genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa

e manipulação de material genético; (Regulamento) (Regulamento)

III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que

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comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; (Regulamento)

IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; (Regulamento)

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de

técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; (Regulamento)

VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de

ensino e a conscientização pública para a preservação do meio

ambiente;

VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as

práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. (Regulamento)

§ 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a

recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.

§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio

ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

§ 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra

do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são

patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

§ 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.

§ 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter

sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão

ser instaladas.

Alternativa A – A confirmação da alternativa está no inciso I.

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Alternativa B – A confirmação da alternativa está no §6º.

Alternativa C – Vamos ver o texto correto. A Floresta Amazônica

brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

Alternativa D – Podemos perceber que esta alternativa está correta

se verificarmos o inciso VII “proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade”.

Alternativa E – A confirmação da afirmação encontramos na interpretação do inciso III.

Gabarito: Alternativa C

3)(2009/FUNIVERSA/ADASA –ADVOGADO) Os potenciais de energia hidráulica são bens (A) da União, apenas.

(B)

dos estados e do Distrito Federal, apenas.

(C)

da União, dos estados e do Distrito Federal.

(D)

dos municípios, apenas.

(E)

de todos os entes da Federação.

Comentários: Essa fica fácil alternativa correta A.

Gabarito: Alternativa A

após

a

leitura do

artigo 20,

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TEORIA:

1 – O DOMÍNIO PÚBLICO

Como já sabemos, tratando-se de concursos públicos hoje em dia nem sempre o simples conhecimento literal das Leis e da Constituição, é suficiente para resolvermos questões de prova. Dessa forma, resgatemos, como de costume, alguns conceitos doutrinários úteis.

A primeira coisa é fazer distinção entre dois conceitos: domínio público e bens públicos.

Domínio público diz respeito ao poder, a prerrogativa, que detém o Estado de controlar, de proteger, de zelar, de regulamentar todos os tipos de bens públicos. Mas essa conclusão é óbvia, pensa o concursando! Calma: não é tão fácil quanto pode parecer

Existem bens públicos (que é outro conceito, como veremos), como o ar, os mares, que são indisponíveis por natureza, ou seja, não estão, em termos jurídicos, relacionados ao conceito de propriedade, de domínio público. Então que domínio é esse, sobre bens que não estão sob o domínio público? É domínio eminente, decorrente soberania nacional, ou seja, é poder político pelo qual o Estado submete à sua vontade todas as coisas situadas no território (bens públicos, privados, e os bens não sujeitos à propriedade). Em outros termos, o Estado não é proprietário de todos os bens dentro de determinado território delimitado.

Relativamente ao conceito de bens públicos, encontramos algumas divergências doutrinárias, razão pela qual serão reproduzidas a noção legal e a doutrinária prevalente para efeito de prova de concurso.

Em termos legais, o conceito de bens público é dado pelo art. 98 do Código Civil de 2002. Vejamos:

Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem

Assim, pelo conceito do CC/2002, BENS PÚBLICOS SÃO OS QUE PERTENCEM ÀS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO.

Agora, quanto ao conceito doutrinário, os bens públicos

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podem ser conceituados como todas as coisas, corpóreas ou incorpóreas; imóveis, móveis ou semoventes (leia-se: dotados de movimentos próprios); créditos, direitos e ações, que pertençam às entidades estatais, autarquias, fundações e empresas governamentais (leia-se: sociedades de economia mista e empresas públicas). No caso das últimas (empresas governamentais), a doutrina informa que os bens em questão devem estar voltados à prestação de serviços públicos ou outra finalidade pública (como proteção ambiental, no caso da Lei 11.284/2006). A rigor, a rigor, o entendimento DOUTRINÁRIO é que os bens pertencentes às empresas governamentais seguem o REGIME dos bens públicos, ou seja, normas diferenciadas.

Perceberam que o conceito DOUTRINÁRIO é mais amplo que o conceito do CC/2002? Tem que ter cuidado com isso na prova Imagina que o examinador faz uma questão assim: de acordo com o

CC/2002, os bens públicos envolvem os pertencentes às mistas ou

empresas públicas

ERRADO!!!! Esse é o conceito doutrinário e não

do CC/2002! Cuidado então, ok?

Bom, voltando ao CC/2002, o art. 99 divide os bens públicos em três categorias:

Art. 99. São bens públicos:

I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;

II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias;

III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.

Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado.

Enfim, fechando essa rápida introdução: o conceito de domínio, público ou eminente, conforme o caso, é mais extenso que o de propriedade, pois ele inclui bens que não pertencem ao poder público, em sentido estrito. Assim, o DOMÍNIO não envolve apenas bens públicos, a depender da circunstância. Mas como a aula se

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refere

assunto.

Vamos adiantar a vida, então, e ver as classificações mais usuais de bens públicos.

esse

a

BENS

PÚBLICOS,

atacaremos,

especificamente,

2 – CLASSIFICAÇÃO DOS BENS PÚBLICOS

Diversas são as classificações existentes quanto aos bens públicos. Vamos falar, então, das mais comuns, certo?

2.1 – QUANTO À TITULARIDADE

Essa classificação é bem “light”. Basta identificar a pessoa jurídica a quem pertence o bem. Desse modo, os bens públicos, quanto à titularidade, podem ser federais, estaduais, distritais ou municipais, quando pertencentes à União, estados, Distrito Federal e municípios, respectivamente. Consigne-se que os bens das entidades da administração indireta também devem ser classificados, quanto à titularidade, de acordo com a vinculação que estas entidades possuam. Por exemplo, os bens de uma autarquia estadual são bens estaduais. Moleza essa classificação, não é? Então, vamos melhorar a “parada”.

Nos termos do art. 20 da CF/1988, são bens da União, dentre outros:

- terras devolutas necessárias à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares;

- mar territorial;

- terrenos de marinha;

naturais

- plataforma continental!), e

recursos

da

plataforma

continental

- lagos e os rios que banhem mais de um Estado.

De

forma

idêntica,

a

Constituição

enumera

(e

os

não

a

bens

estaduais (de forma não taxativa!), conforme prevê o art. 26,

dentre os quais:

- as terras devolutas não compreendidas entre as da União;

- as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;

- as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no

seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros.

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Atenção: a regra é que as terras devolutas pertencem aos Estados. E - Cuidado: a CF/1988 não previu terras devolutas para os municípios, o que não significa, sobremaneira, que não possam detê- las, isso porque as Constituições Estaduais ficam autorizadas a doações.

Por fim, os bens públicos pertencentes aos municípios. Acontece que o texto constitucional não previu (enumerou) os bens públicos sob o domínio municipal, de uma maneira geral, o que, certamente, não importa em sua inexistência.

Não há duvida de que municípios contam com repartições públicas (bens de uso especial); praças públicas (bens de uso comum); e terrenos sem serventia específica (bens dominiais). Assim, claro, existem bens públicos municipais.

Cabe aqui uma última informação e forte item de Prova. Com a EC 46/2005, o art. 20, inc. IV, da CF/1988, sofreu alteração:

Art. 20. São bens da União:

IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II;

Agora nas ilhas costeiras podem pertencer aos Municípios a área em que estiver localizada sua sede, por exemplo: São Luís, Florianópolis, Vitória, Ilha de Marajó, e Ilha Bela.

Síntese básica quanto às ilhas marítimas (oceânicas e costeiras):

- são de domínio da União (regra geral);

- art. 26, II – o domínio pode ser de estados, de municípios, e de particulares;

- os municípios detêm o domínio da área da localização de suas respectivas sedes;

- agora, em havendo afetação a serviço federal ou à unidade

ambiental, as áreas pertencerão à União e não aos municípios.

Ficou “bom” agora, não? Pois é, pessoal, se o examinador

quiser “enrolar”, tem sempre assunto para isso

rsrsrsrs

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2.2 – QUANTO À DESTINAÇÃO

De acordo com essa classificação, os bens públicos podem ser divididos em de uso comum do povo; de uso especial; e bens dominicais.

Os bens de uso comum do povo são aqueles destinados à utilização geral dos indivíduos, podendo ser usufruídos por todos em igualdade de condições, sendo desnecessário consentimento individualizado por parte da Administração. Regra geral, o uso dos bens dessa espécie é gratuito, mas pode ser onerosa, tal como na cobrança de pedágio em estradas rodoviárias. São exemplos de bens de uso comum: ruas, praças, mares, praias, estradas, logradouros públicos, etc. Aqui, cabe uma “notinha”.

O fato de haver cobrança dos bens públicos de uso comum (p. ex.: estradas com cobrança de pedágio) não desnatura (não retira) a qualidade do bem público de uso comum, enfim, não o converte em bem público de uso especial.

Fica assim, então: uso comum ordinário – quando o bem se encontra aberto a todos de forma indistinta, sem retribuição ou maiores exigências de uso; uso comum extraordinário – situação em que existem restrições sobre os bens públicos (como do Poder de Polícia do Estado) ou cobrança pelo uso (preços públicos, pedágios, conforme o caso).

Exemplos: a Praça “X” é aberta a todos em qualquer horário do dia, logo, uso comum ordinário. A Avenida Brasil ou Tietê é aberta a todos, porém, nem todos os caminhões têm acesso, em razão da limitação de altura das pontes (limitação decorrente do Poder de Polícia) – uso comum extraordinário; a Via Dutra é franqueada a todos os veículos, contudo, é sujeita à remuneração – uso comum extraordinário

Bens de Uso Especial, ou do patrimônio indisponível, são todos aqueles que visam à execução dos serviços administrativos e dos serviços públicos em geral. Em resumo, abrangem todos os utilizados pela Administração para a execução dos serviços públicos. O art. 99, II, CC, estatui que são bens públicos os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviços ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias. Podem ser citados como exemplos de bens de uso especial: os edifícios públicos, tais como escolas e universidades, os mercados públicos, os veículos oficiais, etc.

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Em síntese, todos os bens utilizados pela Administração para a prestação de serviços externa ou internamente entram na categoria de bens de uso especial e não dominiais (administrativos, por exemplo: Imprensa Nacional)

Por fim, bens dominicais, ou do patrimônio disponível, também estão tratados no CC, da seguinte forma: consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado.

Pelo difícil entendimento da norma, é melhor registrar que bens dominicais são os que não tem uma destinação pública específica (estão “desafetados”, como veremos), podendo mesmo ser utilizados pelo estado para fazer renda (alienados). Constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal ou real de cada uma dessas entidades. A doutrina caracteriza os bens dominicais como de caráter residual: se não são de uso comum ou de uso especial, os bens são dominicais, tais como: terras devolutas, prédios públicos desativados, móveis inservíveis, dívida ativa, etc.

2.3 – Quanto à disponibilidade

Sob esta classificação, os bens podem

ser divididos em:

indisponíveis, patrimoniais indisponíveis, e patrimoniais disponíveis.

Os bens indisponíveis caracterizam-se pela impossibilidade de serem alienados ou onerados. São os bens de uso comum do povo, coisas fora do comércio de Direito Privado (extracomércio), incluindo mares e rios, por exemplo, pelo fato de não serem dotados de valor patrimonial. Destacamos, que, em face disso, não estão sequer sujeitos ao lançamento no Balanço Patrimonial das Entidades Públicas, por não serem “mensuráveis” economicamente, em sentido estrito. Quanto vale um rio? Difícil dizer, não é? Assim, tal como afirma o examinador, a expressão domínio vai além (muito, aliás, como vimos no tópico 1) do conceito de propriedade, por indicar bens que não pertençam, efetivamente, ao Poder Público, mas sim ao povo, à nação brasileira, em sentido amplo.

Já os bens patrimoniais indisponíveis, apesar de possuírem caráter patrimonial (suscetíveis de avaliação pecuniária), e serem utilizados por terceiros, encontram-se fora do comércio, pelo menos enquanto conservarem sua qualificação. Os bens de uso especial

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se encaixam nesta classificação, tais como os prédios onde se situam as Secretarias de Governo.

Por fim, os bens patrimoniais disponíveis. São os bens que se enquadram no domínio privado do Estado, enfim, aqueles regulados pelo direito comum, no sentido de serem suscetíveis de alienação (doação, permuta, compra e venda etc.). Porém, como alertamos na aula de Licitações, a alienação de tal categoria de bens deve observância a determinados requisitos prévios: avaliação, autorização legislativa, presença de interesse público, e, como não poderia deixar de ser, licitação (em regra).

3 – CARACTERÍSTICAS DOS BENS PÚBLICOS

Vamos

“passear”

pelas

características

dos

bens

apontadas pela doutrina majoritária:

I – Impenhorabilidade;

II

– Imprescritibilidade;

II

– Não-oneração; e

IV – Alienação condicionada.

públicos

I – Impenhorabilidade: os bens públicos não podem ser penhorados.

Então, se os bens públicos são impenhoráveis, como a Administração paga suas dívidas, em caso de inadimplência?

De acordo com o art. 100 da CF/1988, as dívidas da Fazenda Pública serão pagas mediante precatórios, regra geral (exceção feita aos débitos de pequeno valor, pois dispensam a inscrição em precatórios). Tais precatórios representam um processo especial de execução de natureza eminentemente protetora do patrimônio público.

O Código de Processo Civil, ao tratar do assunto, diz (artigos

730 e 731):

Art. 730. Na execução por quantia certa contra a Fazenda Pública, citar-se-á a devedora para opor embargos em 10 (dez) dias; se esta não os opuser, no prazo legal, observar-se-ão as seguintes regras:

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I - o juiz requisitará o pagamento por intermédio do presidente do tribunal competente;

II - far-se-á o pagamento na ordem de apresentação do precatório e à conta do respectivo crédito.

Art. 731. Se o credor for preterido no seu direito de preferência, o presidente do tribunal, que expediu a ordem, poderá, depois de ouvido o chefe do Ministério Público, ordenar o seqüestro da quantia necessária para satisfazer o débito.

Um

detalhe

pouco

percebido

entre

amigos

concursandos:

apesar de impenhoráveis, seria possível o sequestro de bens públicos? A resposta é positiva!

Vejamos o que dispõe o §2º do art. 100 da CF/1988:

§2º As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados diretamente ao Poder Judiciário, cabendo ao Presidente do Tribunal que proferir a decisão exeqüenda determinar o pagamento segundo as possibilidades do depósito, e autorizar, a requerimento do credor, e exclusivamente para o caso de preterimento de seu direito de precedência, o sequestro da quantia necessária à satisfação do débito.

Os grifos são para deixar claro que: a ofensa a ordem de precedência não é a única hipótese constitucional de sequestro, como apontam bons manuais de Direito Administrativo e Constitucional. Evidente que expressões como seqüestro, penhora, e outras, demandam mais atenção. Todavia, como a matéria é bem mais ligada ao direito processual, deixamos de abordá-la com maior grau de detalhe por aqui.

De acordo com o art. 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, determinadas dívidas do Estado foram parceladas em dez anos. Assim, vencido o prazo, em caso de omissão no orçamento, e, igualmente, preterição ao direito de precedência, o credor poderá requerer e o juiz determinar o sequestro de recursos financeiros da entidade, suficientes à satisfação da prestação.

Detalhe: a doutrina e a jurisprudência (majoritária) entendem que os bens de empresas públicas e sociedades mistas, prestadora de

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serviços públicos, desde que afetados ao uso especial, são impenhoráveis.

Isso mesmo: entidades da indireta com personalidade jurídica de direito privado contam também com bens impenhoráveis, desde que tais bens estejam dirigidos à consecução dos serviços públicos, tudo em nome do princípio da continuidade do serviço público.

Destacamos que nem todos os bens são impenhoráveis, enfim, aqueles que não estejam atrelados ao serviço público ou outros que, mesmo que atrelados à prestação dos serviços públicos, não prejudiquem a continuidade dos serviços públicos (como a penhora da bilheteria dos Metrôs – AC 669/STF) podem ser excutidos (penhorados).

Por fim, alertamos que, depois os esforços e recursos da empresa prestadora do serviço público terem se esgotado, ao Estado criador (ou concedente, conforme o caso) caberá responder subsidiariamente pelas dívidas.

II – Imprescritibilidade: a palavra prescrição quer dizer decurso de prazo. Portanto, seriam os bens públicos suscetíveis de aquisição em razão do decurso do prazo? Em outros termos, estariam os bens públicos sujeitos à usucapião? A resposta é um sonoro não.

Dispõe o art. 102 do Código Civil: os bens públicos não estão sujeitos à usucapião, ou seja, não há como cogitar de prescrição aquisitiva diante de quaisquer bens públicos.

Nem mesmo os bens públicos dominicais, bens alienáveis (regra geral), são passíveis da usucapião, como informa o STF (Súmula 340):

Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião.

Informação de utilidade concursística: embora os bens públicos não sejam suscetíveis de usucapião, a exemplo do que acontece com os bens privados em zona urbana (art. 183 da CF/1988), o Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257/2001) institui a denomina concessão de uso especial para fins de moradia, desde que o possuidor atenda determinados pressupostos até 30 de junho de 2001:

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a) posse, ininterrupta e pacífica, por cinco anos;

b) imóvel urbano público (não funcional, enfim, que não

seja de uso especial), com área de até 250 m 2 ;

c) uso do terreno para fins de moradia do possuidor ou

de sua família;

d) não ter o possuidor a propriedade de outro imóvel urbano ou rural.

A concessão de uso especial acima elencada, para fins de moradia, é ato administrativo (e não contrato) vinculado (e não discricionário), quer dizer, preenchidos os requisitos acima, o Poder Público não tem escolha em conceder ou não conceder.

III – Não-oneração: quer dizer que os bens públicos não podem ser gravados com direitos reais de garantia. Para fins de Direito Administrativo, suficiente, a nosso ver, guardar que não podem ser onerados com penhor, hipoteca, e anticrese.

Um parêntese para esclarecer que, apesar de não haver incidência de direitos reais de garantia sobre os bens públicos, é possível a incidência dos direitos reais de fruição ou de gozo. Esses direitos são autônomos ou independentes, já os de garantia são acessórios, porque se extinguem com o pagamento da dívida (penhor, hipoteca, e anticrese).

Os direitos de fruição garantem sempre garantem a transferência da posse (como é o caso do direito de superfície e a enfiteuse), já os de garantia nem sempre transferem a posse, apenas asseguram que o credor possa executar futuramente o devedor.

IV – Alienabilidade Condicionada: bens públicos não podem ser “vendidos”. Em realidade, não é “vendido”, é ALIENADO, que é mais do que vender. Mas, DETALHE: Os bens públicos de uso comum e de uso especial são inalienáveis, porém, só enquanto mantiverem essa qualificação, isto é, enquanto estiverem afetados à destinação pública são inalienáveis.

Logo, a partir da desafetação, os bens poderão ser alienados, observadas, em todo caso, as condições previstas na Lei de Licitações (art. 17). E, claro, existem bens do domínio público que são absolutamente inalienáveis, como o ar atmosférico e as praias etc.

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Outra coisa: bens públicos, mesmo que afetados, podem ser alienados entre integrantes do Estado. Ou seja, a União, por exemplo, poderia vender ou doar uma praça a um Estado, por exemplo. Assim, esta característica, de alienabilidade condicionada diz respeito a transações de bens públicos com particulares, não atingindo transações entre integrantes do Estado.

vamos explicá-la logo

a seguir

Ah – calma com relação à desafetação

4 – AFETAÇÃO E DESAFETAÇÃO

Já vimos o conceito LEGAL de bens públicos dominiais (ou

dominicais, como prefere o Código Civil). Porém, para tentar facilitar

e à título de lembrança: podemos entender os bens dominiais como

aqueles sem qualquer destinação pública específica, ou seja, bens que integram o patrimônio fiscal do Estado, domínio privado do Estado, e que podem ser alienados, desde que se cumpram os requisitos legais para tanto (já falamos sobre o assunto “alienação de

bens” na aula de licitações, lembram?). Bens dominicais, portanto, estão “desafetados”, como veremos agora.

Sinteticamente, podemos afirmar que a afetação decorre de fato ou pronunciamento do Estado atribuindo a determinado patrimônio uma finalidade pública específica. Já a desafetação é fato ou manifestação de vontade do Poder Público mediante o qual o bem do domínio público é transpassado para o domínio privado do Estado ou do administrado. Daí, um bem público para ser alienado precisa ser preliminarmente DESAFETADO.

Relembrando: os bens dominiais são os bens públicos não ligados a qualquer finalidade de interesse público específico. Assim, a doutrina aponta que, por intermédio da afetação, os bens públicos dominicais podem passar ter destinação pública, e, assim, classificando-se, conforme o caso, em bens de uso especial (p. ex:

terreno baldio afetado para a construção de um Aeroporto) ou em bens de uso comum do povo (p. ex: terra devoluta – sem serventia específica – transformada em Pracinha).

Mas, então, como “consagrar” (afetar-se) um bem público dominial: será mediante Lei, apenas? Ou simples ato administrativo, apenas? Ou ambos? Bom, nenhuma das respostas estaria inteiramente correta. Vejamos.

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Os bens públicos podem ser afetados por LEI, ATO ADMINISTRATIVO, ou, ainda, um FATO ADMINISTRATIVO. A primeira situação é de fácil visualização: lei que converte terra devoluta (dominial) em terreno de preservação ambiental (uso especial). A segunda é a procedida por meio de ato administrativo, por exemplo: Decreto do Prefeito que determina a instalação em prédio desativado (dominial) de creche municipal (uso especial). Por fim, o fato administrativo, o qual pode ou não decorrer de um ato de vontade do Estado, por exemplo: construção (ato material ou fato administrativo) em terras devolutas de edifícios ou de logradouros públicos.

Então, em síntese: PARA QUE UM BEM PÚBLICO POSSA SER ALIENADO, A PRINCÍPIO, DEVE ESTAR DESAFETADO DE QUALQUER FINALIDADE PÚBLICA.

5 – FORMAS DE UTILIZAÇÃO

Vamos tentar um caminho diferente para entendermos essa parte do assunto, partindo de exemplos:

Rio de

Janeiro;

mesas

e cadeiras de

bar na calçada das

ruas

do

-

- bancas de jornal na calçada de São Luís;

- instalação de restaurante nem órgão do Estado;

- boxe no Mercado Municipal na cidade de São Paulo;

- prédio do INSS desativado em Brasília utilizado por particular.

Perceberam? São todos bens públicos, de todas as categorias (de comum a dominical), mas o uso não é indiscriminado, ao contrário disso, a Administração confere privacidade (certa exclusividade) a particulares, afastando a concorrência de outras pessoas.

Obviamente, para que o particular faça jus ao uso privativo, deve junto a Administração proceder à devida formalização por meio de institutos próprios, por exemplo: autorização de uso; concessão de uso; cessão de uso; concessão do direito real de uso; e permissão de uso. Tais formas de uso são do direito público.

Ao lado dessas formas, o uso privativo pode ser regido, ainda, por normas de direito privado, por exemplo: direito de superfície; locação; e comodato.

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Não se assustem com a lista acima, afinal de contas, temos percebido que não é costume das bancas examinadoras solicitar a definição de cada um dos termos enumerados.

O importante é que o candidato saiba a existência de tais

institutos e que nem sempre o uso dos bens é regido predominantemente por normas de direito público.

Mas vamos passear pelas principais formas de utilização privativa de bens públicos: autorização de uso; permissão de uso; e concessão de uso.

A autorização de uso é ato administrativo negocial, unilateral,

discricionário, e precário, pelo qual o Estado, sem licitação e sem autorização legislativa, consente (faculta) que particulares utilizem o bem público com certa exclusividade, em caráter gratuito ou oneroso.

A unilateralidade é devida ao fato de a autorização só se aperfeiçoar com a manifestação da Administração; a discricionariedade decorre do fato de que mesmo preenchidas as condições, fica a critério do administrador a conveniência e a oportunidade do consentimento; a precariedade no sentido de o Poder Público a qualquer tempo poder revogar o ato.

Outra importante peculiaridade é que a autorização não atende, necessariamente, a utilidade pública, mas sim predominantemente o interesse privado de quem solicitou (do utente – que é o sujeito que se utiliza da autorização), o que, em parte, a torna distinta da permissão e da concessão.

Por fim, a autorização pode ser simples (sem prazo) e condicionada (qualificada - com prazo), sendo certo que neste último caso, a estipulação de prazo afasta a dose de precariedade peculiar ao instituto, garantindo ao utente certa estabilidade e, inclusive, direito a indenizações em caso de desfazimento antecipado.

a permissão de uso

é o ato administrativo negocial,

unilateral; discricionário; precário; gratuito ou oneroso, pelo qual o Poder Público consente a utilização privativa de bem público.

Em rápida comparação com a autorização, seríamos levados ao entendimento de serem institutos gêmeos, não é verdade? Pois é, é isso mesmo.

Na realidade, é a doutrina quem aponta que na permissão, o interesse público é predominante; enquanto na autorização, o interesse privado é que predomina. Obviamente, nos dois casos,

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o pressuposto de interesse público se faz presente. Ou seja: se tem MAIS interesse público do que particular, seria caso de PERMISSÃO; se tem MAIS interesse particular do que público, seria caso de AUTORIZAÇÃO. Mas como dissemos isso é da doutrina. Não tem nenhuma lei que diga claramente isso

Outra distinção apontada é que as permissões servem para a formalização de situações mais duradouras (permissão de espaço público para instalação de restaurante nas maravilhosas praias do Maranhão, por exemplo); já a autorização, situações transitórias, de curta duração (fechamento de rua para festa de final de semana – as chamadas festas de Rua, as feiras de livros). Tratando-se de concurso, fiquem tranquilos, pois as bancas não são (esperamos!) loucas de citar exemplos.

Relativamente ao prazo, válidos os comentários da autorização. Em síntese, as permissões de uso de bem público podem ser qualificadas ou simples.

Informamos que a licitação também não é regra, a não ser, obviamente, que leis específicas assim estipulem. O concursando mais curioso se questiona: mas a Lei n. 8.666/1993 não alcança as permissões (art. 2º)? Alcança em termos, mas não propriamente quanto às permissões de uso privativo de bem público. Vejamos, inicialmente, a redação do dispositivo:

Art. 2 o As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação, ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei.

Ora, a permissão de uso de bem público não é contrato, é ato administrativo, logo, não é então o caso de sempre fazer uso da Lei de Licitações. Quando for o caso, principalmente nas permissões qualificadas, as permissões serão previamente licitadas.

Ainda dentro do contexto, questionamos: será que existem permissões contratadas pela Administração? Sonoramente sim.

Da leitura do art. 175, percebemos que as permissões de serviços públicos serão precedidas de licitação e, de acordo com a Lei n. 8.987/1995, serão formalizadas mediante um contrato de adesão.

Mas são coisas distintas. Resumidamente, fica assim:

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PERMISSÃO

DE USO DE BEM PÚBLICO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO
DE USO DE BEM PÚBLICO
DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO
PÚBLICO
DE USO DE BEM PÚBLICO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO É ATO ADMINISTRATIVO É CONTRATO (DE

É ATO ADMINISTRATIVO

É CONTRATO (DE ADESÃO) ADMINISTRATIVO

TESTANDO – MARCA RÁPIDO AÍ: A PERMISSÃO PODE TER OBJETO USO DE BEM PÚBLICO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. GABARITO: CERTO, pois o examinador não disse qual o objeto da permissão. Todavia, PRESTEM ATENÇÃO NO CONTEÚDO DA PERMISSÃO, quer dizer: se ele disser, por exemplo, que a permissão de USO DE BEM PÚBLICO é formalizada mediante CONTRATO está ERRADO, pois para USO DE BEM é ATO e não contrato. Dêem atenção a isso!

Por fim, a concessão de uso. Diferentemente das modalidades anteriores, é contrato administrativo (gratuito ou oneroso), em que a Administração faculta ao particular a utilização privativa de bem público.

Portanto, decorrem as seguintes características: comutativo, intuitu personae, e sinalagmático. Podemos citar, a título de exemplificação, as concessões em mercados municipais e cemitérios públicos. Distintamente dos institutos anteriores, a concessão exige licitação, nos termos do art. 2º da Lei n. 8.666/1993.

Mas vejamos outras formas de uso de bens, que têm “chance” de serem exigidas em prova: a cessão de uso e a concessão de direito real de uso.

A cessão de patrimônio público é a permissão feita pela União, a título gratuito, por decreto Presidencial, sendo formalizada por termo ou contrato, com a garantia de uso privativo por parte dos estados, do DF, dos municípios, e até mesmo de particulares (como entidades com finalidades sociais).

A cessão não se confunde com a concessão de uso, pois, enquanto esta pode ser onerosa, alcançar qualquer categoria de bens públicos, e exige autorização legislativa; aquela (cessão) é sempre

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gratuita, só se aplica a bens dominicais, dispensa autorização legislativa e concorrência.

De acordo com o Decreto-lei n. 9.760, de 1946, a competência para a cessão poderá ser delegada ao Ministro da Fazenda, sendo permitida, ainda, a subdelegação.

A concessão de direito real de uso é o contrato por meio do qual a Administração transfere o uso remunerado ou gratuito de terreno público a particular, como direito real resolúvel, para que dele se utilize em fins específicos de urbanização, industrialização, edificação, cultivo ou qualquer outra exploração de interesse social. Este é o conceito que se extrai do art. 7º do Dec. lei federal 271, de 28.2.67, que criou o instituto, entre nós.

A concessão de uso, como direito real, é transferível por ato

inter vivos ou por sucessão legítima ou testamentária, a título gratuito ou remunerado, como os demais direitos reais sobre coisas alheias, com a diferença de que o imóvel reverterá à Administração concedente se o concessionário ou seus sucessores não lhe derem o uso prometido ou o desviarem de sua finalidade contratual. Desse modo, o Poder Público garante-se quanto à fiel execução do contrato, assegurando o uso a que o terreno é destinado e evitando prejudiciais especulações imobiliárias dos que adquirem imóveis públicos para aguardar valorização vegetativa, em detrimento da coletividade.

A concessão de direito real de uso pode ser outorgada por

escritura pública ou termo administrativo, cujo instrumento ficará sujeito a inscrição no livro próprio do registro imobiliário competente. Desde a inscrição o concessionário fruirá plenamente o terreno para os fins estabelecidos no contrato e responderá por todos os encargos civis, administrativos e tributários que venham a incidir sobre o imóvel e suas rendas.

Essa concessão, embora erigida em direito real, não se confunde com a enfiteuse ou aforamento, que é instituição civil bem diversa e menos adequada ao uso especial de bem público por particulares

Além das formas acima expostas, existem formas de uso de bens públicos reguladas pelo direito privado, mediante as quais o Poder Público confere a determinadas pessoas o uso privativo de bens públicos, tais como a locação e o comodato. De toda forma, em razão

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de sua menor grau de exigência nos concursos públicos, deixamos de tratá-las aqui.

6 – ESPÉCIES DE BENS PÚBLICOS

Apontam-se, a seguir, notas a respeito de algumas espécies de bens públicos. O Objetivo do presente trecho é apenas produzir algumas informações, dada a sua pequena exigência em concursos do Tribunal, ok? Não falaremos, por exemplo, de águas públicas, de maneira ampla, por ser um tema que é difícil, mas muito, de cair em prova. Como a intenção desse curso é ser preciso (sem sermos lacônicos), reiteramos que algumas espécies de bens públicos não são vistas aqui.

6.1 – Terras Devolutas

De modo geral, podemos dizer que terras devolutas são aquelas

que ninguém se apossou. Não são bem limitadas (ainda

necessitam ser demarcadas e separadas de outras propriedades. A demarcação pode ser judicial ou administrativa, sendo que a demarcação JUDICIAL só é utilizada se for insuficiente. No caso de demarcação JUDICIAL a ação apropriada é a ação discriminatória, prevista na Lei 6.383/1976.

e

)

Em regra, terras devolutas são dos estados (art. 26, inc. IV, CF/1988). Todavia, em razão de segurança, são de domínio da União, como por exemplo as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares.

Ah – detalhe: a doutrina entende que terras devolutas são bens dominicais, ou seja, podem ser alienadas, por não estarem, a princípio, afetadas ao interesse público.

8.2 – Terrenos de Marinha

São as áreas que, banhadas pelas águas do mar ou dos rios navegáveis, em sua foz, se estendem à distância de 33 metros para a área terrestre, contados da linha do preamar médio de 1831. Conforme o art. 20, VII, da CF/88, os terrenos de marinha e seus acrescidos pertencem à União. Ex’s: são os terrenos situados no continente, na costa marítima e nas margens dos rios, dos lagos, até onde se faça sentir a influência das marés.

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Nota: os terrenos acrescidos de marinha são os que se tiverem formado, natural ou artificialmente, para o lado do mar ou dos rios ou dos lagos, em seguimento aos terrenos de marinha.

Ah – tem uma questão muito interessante a respeito de terrenos de marinha que caiu na prova do TCU em 2007. Aguardem a parte das questões objetivas, então!

8.3 – Terrenos Marginais ou Reservados

Vejamos o conceito do art. 14 do Código de Águas (Decreto n 24.643, de 10-7-34); terrenos reservados são os que, banhados pelas correntes navegáveis, fora do alcance das marés, vão até a distância de 15 metros para a parte da terra, contados desde o ponto médio das enchentes ordinárias.

Detalhe: o ponto médio, citado no dispositivo, das enchentes ordinárias foi o medido em 1831!!! conforme critério fixado pelo Decreto n 4.105, de 1868.

A expressão “fora do alcance das marés” serve para distinguir os terrenos reservados dos terrenos de marinha: se o terreno marginal ao rio estiver sob influência das marés, ele entra no conceito de terreno de marinha dado pelo artigo 13 do Código de Águas.

Os terrenos reservados podem pertencer a um órgão público ou

a um particular, pois, nos termos do art. 11 do Código de Águas, são

bens dominicais.

6.4 – Terras Indígenas

O art. 20, inc. XI, da CF/1988 estabelece que as terras

tradicionalmente ocupadas pelos índios pertencem à União. Vejamos

o que dispõe o art. 231 da CF/1988:

§1º - São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.

Em tais áreas, é possível o aproveitamento de recursos hídricos, bem como a pesquisa e a lavra das riquezas minerais, no

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entanto, em todo caso, caberá prévia autorização do Congresso Nacional, ouvida a comunidade afetada, sendo assegurada participação nos resultados.

São bens de uso especial, no entanto, não podem ser desafetados, porque são indisponíveis e inalienáveis. Por esse motivo, o STF (no caso Raposa Serra do Sol) julgou nulos os títulos de ocupação, de domínio, e de posse de tais terras, sem direito à indenização ou ações contra a União (ressalvadas às benfeitorias da ocupação de boa-fé).

6.5 – Ilhas

Ilhas são porções de terra menor que os continentes, cercada por águas por todos os lados. Conceito bobo, mas é esse mesmo o correto

Ilhas podem ser: marítimas (oceânicas e costeiras); fluviais e lacustres. A regra é que as ilhas fluviais e lacustres pertencem aos estados de suas localizações, mas (cuidado!!) atentem para o parágrafo a seguir.

Pertencem à União as ilhas fluviais e lacustres situadas NAS ZONAS DE FRONTEIRA COM OUTROS PAÍSES, as ilhas dos rios QUE CORTAM MAIS DE UM ESTADO OU QUE SIRVAM DE DIVISA; e também as ilhas MARÍTIMAS, OCEÂNICAS OU COSTEIRAS (art. 20, IV, da CF).

as ilhas fluviais e lacustres não

incluídas entre os bens da União (art. 26, III, da CF).

Detalhe: se não estiverem afetadas ao uso comum ou uso especial, as ilhas figuram entre os bens dominiais.

Cabe aqui uma informação e forte item de Prova. Com a EC 46/2005, o art. 20, inc. IV, da CF/1988, sofreu alteração:

Ah - pertencem ao Estado

Art. 20. São bens da União:

IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II;

Agora nas ilhas costeiras podem pertencer aos Municípios a área em que estiver localizada sua sede, por exemplo: São Luís, Florianópolis, Vitória, Ilha de Marajó, e Ilha Bela.

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Síntese

costeiras),

quanto

às

ilhas

marítimas

(oceânicas

e

- são de domínio da União (regra geral);

- art. 26, II – o domínio pode ser de estados, de municípios, e de particulares;

- os municípios detêm o domínio da área da localização de suas respectivas sedes;

- agora, em havendo afetação a serviço federal ou à unidade

ambiental, as áreas pertencerão à União e não aos municípios.

6.6 – Plataforma Continental

É

a

profundidade de cerca de duzentos metros.

Nota: a atual CF não previu expressamente a plataforma continental como bem da União, todavia o art. 20, I, inclui entre os bens da União os que já lhe pertencessem. Como a Constituição anterior (a de 1967) atribuía a plataforma continental à União, tem-se entendido que se trata de um bem da União. E, detalhe: verifica-se no referido artigo 20, inc. V, que os recursos naturais da plataforma e da zona econômica exclusiva pertencem, de forma expressa, à União.

a

extensão

das

áreas

continentais

sob

o

mar

até

6.7 - Faixa de Fronteiras

É a área de 150 Km de largura, que corre paralelamente à linha

terrestre demarcatória da divisa entre o território nacional e países

estrangeiros, considerada fundamental para a despesa do território nacional (art. 20, §2º, CF).

Apesar disso, nem toda a faixa é propriedade da União, como se costuma pensar. De acordo com o art. 20, II, apenas as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras é que são bens da União.

da

municípios, e particulares (em geral) detêm a propriedade de terras.

A Lei n. 6.634/1979 impõe uma série de restrições de uso e de

alienação de terras situadas na faixa de fronteiras, contudo, não proíbe que estados autorizem a terceiros o uso das terras, sendo que deverá haver assentimento prévio pelo Conselho de Segurança Nacional, daí a incorreção do item.

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Em

síntese:

ao

longo

faixa

de

fronteiras,

estados,

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6.8 - Mar Territorial

Bem público de uso comum,

é

a

faixa

de

12 milhas

marítimas de largura (1.852 metros, mais ou menos), contadas a partir da linha do baixa-mar do litoral continental e insular do País.

Ressalte-se que, após o mar territorial, tem-se a zona contígua, que começa a partir de 12 milhas marítimas, estendendo-se até 200 milhas.

Ah – detalhe curioso: sabe aquele papo de alto-mar, que gente em quando a gente ouvia lá nos filmes de piratas (ah, saudosa

infância

pois é, isso existe mesmo juridicamente, compreendendo

toda extensão de águas marítimas compreendidas entre as zonas

contíguas dos continentes. Mas o alto mar é “água de ninguém”, ou de todos, pois se tratam do se chama res nullius. Desse modo, nenhuma nação exerce soberania sobre o alto-mar. Bacana, não é?

Pena que não cai em concurso

questão assim: Jack Sparrow [o do filme Piratas do Caribe], quando em alto-mar, não se submeteria à soberania de nenhuma nação

estaria certo, mas não cai em prova

)?

Já imaginaram se caísse uma

infelizmente.

QUESTÕES EM SEQUÊNCIA

1 - (2007/TCU/Analista) Domínio público é um conceito mais

extenso que o de propriedade, pois ele inclui bens que não pertencem ao

poder público.

2 - (2007/PGE-PA/ADVOGADO) Bens públicos dominiais são aqueles afetados ao serviço público.

3 - (2004/TCU/Analista) Os bens dominiais ou do patrimônio disponível podem ser afetados a uma utilidade pública, por ato administrativo ou por lei.

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4 - (2004/Cespe – AGU) Um prédio adquirido pela União para que nele

funcione repartição da Secretaria de Receita Federal, em um estado da Federação, pode ser classificado como bem público federal dominial.

5 - (2009/Cespe – Anatel/Nível Superior) Considerando que um governador de estado prometa a construção de uma praça para atividades esportivas para toda a comunidade de seu estado, é correto afirmar que essa praça, tão logo seja construída, será classificada no direito administrativo brasileiro como bem de uso especial.

6 - (2009/Cespe – AGU/Advogado da União) A praça, exemplo típico

de bem de uso comum do povo, perderá tal característica se o poder público tornar seu uso oneroso, instituindo uma taxa de uso, por exemplo.

7 - (2007/TRT-5/JUIZ) Os bens das empresas públicas e sociedades de

economia mista, bem como os bens de particulares que prestam serviços públicos, ainda que afetados, são penhoráveis.

8 - (2007/TRT-5/JUIZ) Por serem inalienáveis a priori, os bens públicos

não se sujeitam à penhora e, portanto, a administração submete-se à disciplina de precatórios para o pagamento das suas obrigações.

9 - (2005/SERPRO/Analista) Os bens dominiais, ao contrário dos

bens de uso especial e de uso comum, podem ser adquiridos por usucapião.

10 - (2004/CESPE/TCU/Analista) Segundo entendimento

jurisprudencial, a imprescritibilidade é qualidade apenas dos bens de uso

comum do povo e dos bens de uso especial.

11- (2004/Cespe – STJ/ Analista) Para que sejam considerados alienáveis, os bens de uso comum ou de uso especial precisam ser transformados em dominiais e submetidos ao procedimento da desafetação.

12

-

(2007/Cespe

PGE-PA/Advogado)

Bens

públicos

dominiais são aqueles afetados ao serviço público.

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são

juridicamente considerados bens públicos de uso especial; juridicamente, esses prédios podem vir a ser desafetados e, por lei, tornados de uso comum.

13 -

Os

prédios

públicos

onde

funcionam

os

órgãos

da

AGU

14 -

localizados nas ruas públicas e cuja utilização gera pagamento à administração são bens de uso especial.

estacionamentos

(2008/Cespe

INSS/Analista/Direito)

Os

15 -

extracomercium, não são suscetíveis à prescrição aquisitiva.

(2007/TRT-5/JUIZ)

Os

bens

públicos,

por

constituírem

res

16 - (2004/Cespe – TRE-AL/Analista Judiciário) Como regra, a

utilização dos bens de uso comum prescinde de autorização específica do poder público. Em alguns casos, dependendo de permissão, pode haver a utilização de bens de uso comum, por particular, com certo grau de exclusividade.

17 - (2007/TCU/Analista) São bens públicos tanto as águas correntes,

como os rios e riachos, quanto as dormentes, como as lagoas e os reservatórios construídos pelo poder público. As lagoas que não sejam alimentadas por correntes públicas, ainda que situadas ou cercadas por um só prédio particular, permanecem no domínio público.

18 - (2007/TCU/Analista) A utilização da linha de jundu como critério

para demarcar os terrenos de marinha é uma prática que atende à

legalidade estrita no processo de gestão dos bens públicos.

19 - (2008/CESPE – ABIN – Agente de Inteligência) A respeito da

organização da União, julgue os itens subseqüentes.

Considere a seguinte situação hipotética.

Joana ocupa uma grande área rural localizada a 2 km da fronteira do Brasil com o Paraguai, a qual teria sido concedida a Joana, pelo estado do Paraná, antes do advento da atual CF.

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Nessa situação, com base na CF, o domínio dessa área é da União, não sendo válida a referida concessão de uso.

20 - (2009/Cespe – AGU/Advogado da União) As terras devolutas são

espécies de terras públicas que, por serem bens de uso comum do povo, não estão incorporadas ao domínio privado. São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos estados-membros, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. Constituem bens da União as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei.

21 - (2009/Cespe – AGU/Advogado da União) Os rios públicos são bens da União quando situados em terrenos de seu domínio, ou ainda quando banharem mais de um estado da Federação, ou servirem de limites com outros países, ou se estenderem a território estrangeiro ou dele provierem. Os demais rios públicos bem como os respectivos potenciais de energia hidráulica pertencem aos estados membros da Federação.

22 - (2007/Cespe – IEMA/ES/Advogado) Quanto aos bens públicos,

julgue os próximos itens.

O STF considera que as margens dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis de expropriação e, por isso, excluídas de indenização.

23 - Os terrenos de marinha banhados pelo mar são bens da União e os

situados às margens de rios são bens dos estados.

MARQUE O SEU GABARITO

1 11

21

2 12

22

3 13

23

4 14

 

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5 15

6 16

7 17

8 18

9 19

10 20

CONFIRA O SEU DESEMPENHO

1 C

11

C

21

E

2 E

12

 

22

C

3 C

13

 

23

E

4 E

14

   

5 E

15

 

6 E

16

 

7 E

17

 

8 C

18

 

9 E

19

 

10 E

20

 

1 - (2007/TCU/Analista) Domínio público é um conceito mais extenso que o de propriedade, pois ele inclui bens que não pertencem ao poder público.

Gabarito: CERTO

Comentários:

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Boa questão. Como vimos, o conceito de domínio é mais amplo que o de propriedade pública. Envolve bens que não se enquadram, exatamente, como “coisas” ou propriedade. Por isso, podemos dizer, como nesse item, que DOMÍNIO PÚBLICO VAI ALÉM DA PROPRIEDADE PÚBLICA, envolvendo bens que não pertencem, estrito senso, ao poder público, como mares, o ar, etc.

2 - (2007/PGE-PA/ADVOGADO) Bens aqueles afetados ao serviço público.

Gabarito: ERRADO

Comentários:

públicos dominiais são

Já vimos o conceito LEGAL de bens públicos dominiais (ou dominicais, como prefere o Código Civil). Porém, vamos relembrar: os bens dominiais são aqueles sem qualquer destinação pública específica, ou seja, bens que integram o patrimônio fiscal do Estado, domínio privado do Estado, e que podem ser alienados, desde que se cumpram os requisitos legais para tanto.

Bom, um bem público dominial, sem destinação pública específica, é dito DESAFETADO, enfim, sem destinação que atenda interesses públicos específicos. No quesito proposto pelo CESPE, há menção ao fato de estarem AFETADOS, o que torna a questão ERRADA, claro.

3 – (2004/TCU/Analista) Os bens dominiais ou do patrimônio disponível podem ser afetados a uma utilidade pública, por ato administrativo ou por lei.

Gabarito: CERTO

Comentários:

Recordar é viver

vejamos o que dissemos na parte teórica:

Os bens públicos dominiais podem ser afetados por LEI, ATO ADMINISTRATIVO, ou, ainda, um FATO ADMINISTRATIVO. A primeira situação é de fácil visualização: lei que converte terra devoluta (dominial) em terreno de preservação ambiental (uso especial). A segunda é a procedida por meio de ato administrativo, por exemplo: Decreto do Prefeito que determina a instalação em prédio desativado (dominial) de creche municipal (uso especial). Por fim, o fato administrativo, o qual pode ou não decorrer de um ato de vontade do Estado,

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por

exemplo:

construção

(ato

material

ou

fato

administrativo)

em

terras

devolutas

de

edifícios

ou

de

logradouros públicos.

Logo, CORRETO o item.

4 - (2004/Cespe – AGU) Um prédio adquirido pela União para

que nele funcione repartição da Secretaria de Receita Federal, em um estado da Federação, pode ser classificado como bem público federal dominial. Gabarito: ERRADO. Comentários:

A questão é relativamente simples, pois decorre da literalidade do art. 99, inc. II, do CC/2002:

II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias.

Em síntese, todos os bens utilizados pela Administração para a prestação de serviços externa ou internamente entram na categoria de bens de uso especial e não dominiais (administrativos, por exemplo: Imprensa Nacional), daí a incorreção do item.

5 - (2009/Cespe – Anatel/Nível Superior) Considerando que um governador de estado prometa a construção de uma praça para atividades esportivas para toda a comunidade de seu estado, é correto afirmar que essa praça, tão logo seja construída, será classificada no direito administrativo brasileiro como bem de uso especial.

Gabarito: ERRADO.

Comentários:

Para a resolução do presente quesito, é suficiente a transcrição dos seguintes artigos, com os destaques:

Art. 99. São bens públicos:

I – os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;

Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.

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Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.

Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.

O erro do item é facilmente identificado: as praças são bens públicos

de uso comum e não especial.

6 - (2009/Cespe – AGU/Advogado da União) A praça, exemplo típico de bem de uso comum do povo, perderá tal característica se o poder público tornar seu uso oneroso, instituindo uma taxa de uso, por exemplo.

Gabarito: ERRADO.

Comentários:

O fato de haver cobrança dos bens públicos de uso comum (p. ex.:

estradas pedagiadas) não desnatura (não retira) a qualidade do bem público de uso comum, enfim, não o converte em bem público de uso especial.

O que acontece, na prática, é o uso comum extraordinário – situação em que existem restrições sobre os bens públicos (como do Poder de Polícia do Estado) ou cobrança pelo uso, no caso em exame, a taxa.

7 – (2007/TRT-5/JUIZ) Os bens das empresas públicas e sociedades de economia mista, bem como os bens de particulares que prestam serviços públicos, ainda que afetados, são penhoráveis.

Gabarito: ERRADO

Comentários:

Esta questão trata de uma das características dos bens públicos: a impenhorabilidade.

Como dissemos na parte teórica, bens pertencentes a empresas públicas e mistas prestadoras de serviço público que estiverem afetados à prestação de serviços públicos não podem, de modo geral, ser penhorados.

Contudo, acrescentando informações à parte teórica, informe-se que o STJ, ao apreciar o Recurso Especial 1.070.735, de 2008, disse ser possível, sim, a penhora de bens de prestadoras de serviço público, desde que tal penhora não importem prejuízo à prestação dos serviços públicos, em si. A despeito da dificuldade em se identificar quais seriam os

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bens que poderiam ser penhorados, nesse caso, poderíamos concluir É POSSÍVEL A PENHORA DE BENS DE MISTAS, EMPRESAS PÚBLICAS E CONCESSIONÁRIAS DE SERVIÇO PÚBLICO, MESMO QUE ATRELADOS À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS, MAS DESDE QUE NÃO PREJUDIQUEM O SERVIÇO PÚBLICO EM SI.

Ah – por que a questão está errada? Por que o julgado do STJ é de

2008 e a questão é de 2007

ter mais detalhes, do tipo: os bens podem ser penhorados, mesmo que

prejudiquem a continuidade do serviço público errado.

Aí, sim, estaria mesmo

Hoje, em nossa opinião, a questão deveria

8 – (2007/TRT-5/JUIZ) Por serem inalienáveis a priori, os bens

públicos não se sujeitam à penhora e, portanto, a administração submete- se à disciplina de precatórios para o pagamento das suas obrigações.

Gabarito: CERTO

Comentários:

Como já sabemos, bens públicos são impenhoráveis, contando a Fazenda Pública com um procedimento especialíssimo para pagamento de seus débitos, o sistema dos precatórios.

Ao estudarmos as características dos bens públicos, foi registrado que bens públicos são inalienáveis “a priori”, isto é, enquanto conservarem sua qualificação (bens de uso comum e especial) ou atendidas as exigências da Lei (bens dominiais). Daí, por tudo, o item está correto.

9 – (2005/SERPRO/Analista) Os bens dominiais, ao contrário dos

bens de uso especial e de uso comum, podem ser adquiridos por usucapião.

Gabarito: ERRADO

Comentários:

Não sei se estão notando, mas as questões do CESPE, pelo menos em se tratando da parte de bens públicos, não têm oferecido grandes dificuldades, o que, sobremaneira, não diminui nossa preocupação, afinal, temos o dever de acertar a questão fácil! Podemos ter a prerrogativa de errar ou de deixar em branco uma questão de alta complexidade, mas, QUESTÃO FÁCIL NÃO!!!!

E esta questão se tornou fácil com o que vimos na parte teórica:

BENS PÚBLICOS, INDEPENDENTE DE CATEGORIA, NÃO PODEM SER OBJETO

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DE USUCAPIÃO. No mesmo sentido é a súmula 479 do STF: “desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião”.

As observações são válidas neste item, que, claro está ERRADO, dado que bens públicos, de qualquer natureza, são imprescritíveis (não podem ser adquiridos por usucapião).

10 – (2004/CESPE/TCU/Analista) Segundo entendimento jurisprudencial, a imprescritibilidade é qualidade apenas dos bens de uso comum do povo e dos bens de uso especial.

Gabarito: ERRADO

Comentários:

O estilo é sempre o mesmo. Vimos que todos os bens públicos, inclusive os dominicais (terras devolutas e terrenos de marinha, por exemplo), não são suscetíveis de prescrição aquisitiva – USUCAPIÃO.

Esse raciocínio pode ser extraído, facilmente, do próprio Texto Constitucional (art. 183, §3º e art. 191, parágrafo único): “Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião”.

11 - (2004/Cespe – STJ/ Analista) Para que sejam considerados

alienáveis, os bens de uso comum ou de uso especial precisam ser transformados em dominiais e submetidos ao procedimento da desafetação.

Gabarito: CORRETO

Comentários:

Fixação da aula teórica: os bens públicos são RELATIVAMENTE inalienáveis, isto é, enquanto permanecerem afetados a fins de interesse públicos, não podem ser alienados. Todavia, caso desafetados, ou seja, não ligados ao atendimento dos interesses públicos, podem ser alienados.

12 - (2007/Cespe – PGE-PA/Advogado) Bens públicos dominiais

são aqueles afetados ao serviço público.

Gabarito: ERRADO

Comentários:

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É o contrário – quando não afetados é que os bens são dominiais. Bens AFETADOS são de uso comum e de uso especial, portanto.

13 - Os prédios públicos onde funcionam os órgãos da AGU são juridicamente considerados bens públicos de uso especial; juridicamente, esses prédios podem vir a ser desafetados e, por lei, tornados de uso comum.

Gabarito: CERTO.

Comentários:

Os bens de uso especial e de uso comum do povo são bens afetados,

enquanto que os dominiais são bens desafetados, pelo fato de não deterem destinação pública específica.

Aprendemos, ainda, que bens dominicais podem ser transformados em bens de uso comum pelo processo de afetação (exemplo: construção de praça – uso comum do povo – em terreno sem serventia – bem dominical).

Em sentido reverso, notamos, também, que os bens especiais e de uso comum podem tornar-se dominicais pelo processo de desafetação (exemplo: incêndio – evento da natureza – em repartição pública – bem de uso especial – transforma-o em prédio inservível – bem dominical).

E, agora, vem o quesito: seria possível a sede de uma repartição pública perder sua qualificação específica por desafetação transformando-se em bem de uso comum, a exemplo de uma praça?

Realmente, não há óbice jurídico de que bens de uso especial (e os meramente dominicais) sejam afetados em bens de uso comum do povo (lei ou ato do Executivo). Nessa linha, não há óbice de afetação de bens de uso comum (maior destinação pública, uso indiscriminado) em bens de uso especial (com destinação pública, mas com maiores exigências de uso).

Síntese:

O Código Civil de 2002 enumerou os bens públicos em ordem

decrescente de afetação: uso comum (mais afetação), uso especial (média afetação), dominicais (sem afetação). Vejamos os movimentos possíveis:

Bens de uso comum e uso especial EM dominicais – DESAFETAÇÃO.

Bens dominicais PARA bens de uso especial ou comum – AFETAÇÃO.

Bens especiais e dominicais PARA bens de uso comum – AFETAÇÃO.

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Bens

de

uso

DESAFETAÇÃO.

comum

PARA

dominicais

ou

de

uso

especial

14 - (2008/Cespe – INSS/Analista/Direito) Os estacionamentos localizados nas ruas públicas e cuja utilização gera pagamento à administração são bens de uso especial.

Gabarito: Certo

Comentários:

esse item foi cobrado em prova (em

concursos para a magistratura e procuradoria foram as outras). Agora,

finalmente, em provas de analistas.

Deve ser a terceira

vez que

Um candidato bem preparado seria levado ao entendimento de que, em sendo as ruas bens de uso comum, os estacionamentos nelas localizados, igualmente, seriam bens de uso comum. Não é bem assim!

Por exemplo: se a Administração construir um mercado municipal onde se localiza uma praça, teremos, ainda assim, um bem de uso comum? Se a Administração, no lugar da rua, construir um mercado municipal, ainda assim, teremos um bem de uso comum?

Obviamente, não. Em todos os casos, os bens de uso comum, que antes tinham o uso indiscriminado, perderam sua afetação passando à qualidade de bens de uso especial, haja vista servirem, agora, para a prestação de serviços públicos aos cidadãos.

Retomemos

o

quesito:

se

a

rua,

bem

de

uso

comum,

for

transformada em estacionamento (com ou sem remuneração), teremos, agora, bem de uso especial, daí a correção do quesito.

15 - (2007/TRT-5/JUIZ) Os bens públicos, por constituírem res extracomercium, não são suscetíveis à prescrição aquisitiva.

Gabarito: CERTO

Comentários:

em essência res

extracomercium (fora do comércio), afinal, contra eles não pode correr prescrição aquisitiva (usucapião). Cabe aqui informação histórica: as Constituições Federais (de 1937 – art. 148, e 1946) permitiam a usucapião através do chamado usucapião pro labore:

De

fato,

os

bens

públicos

constituem

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Art. 148 - Todo brasileiro que, não sendo proprietário rural ou urbano, ocupar, por dez anos contínuos, sem oposição nem reconhecimento de domínio alheio, um trecho de terra até dez hectares, tornando-o produtivo com o seu trabalho e tendo nele a sua morada, adquirirá o domínio, mediante sentença declaratória devidamente transcrita.

Todavia, como já dito na parte teórica, a Constituição em vigor proíbe expressamente a usucapião com relação a bens públicos (art. 183, §3º, e 191, parágrafo único). Redação reproduzida, inclusive, no art. 102 do CC/2002.

Ah - pedimos ao amigo concursando que não confunda res extracomercium com res nullius, este último conceito é vulgarmente conhecido como “terra de ninguém”, por exemplo, as águas de uso comum (o alto-mar) que separam os continentes, em que nenhuma Nação exerce direito de soberania.

16 - (2004/Cespe – TRE-AL/Analista Judiciário) Como regra, a utilização dos bens de uso comum prescinde de autorização específica do poder público. Em alguns casos, dependendo de permissão, pode haver a utilização de bens de uso comum, por particular, com certo grau de exclusividade.

Gabarito: CERTO

Comentários:

Pois

é.

Recordemos.

Falamos um pouco

sobre

o

assunto na parte teórica.

EM REGRA os bens de uso comum não dependem de autorização do poder público para ser utilizados por particulares. Mas EM ALGUNS CASOS necessitará de tal permissão. E mais: o particular pode utilizar tal bem com certo grau de exclusividade. Exemplo disso: um boxe no Mercado Municipal na cidade de São Paulo. Nesses casos, além da permissão, o particular, claro, usa do bem, do patrimônio público, com um certo grau de exclusividade, como diz a questão.

17 – (2007/TCU/Analista) São bens públicos tanto as águas correntes, como os rios e riachos, quanto as dormentes, como as lagoas e os reservatórios construídos pelo poder público. As lagoas que não sejam alimentadas por correntes públicas, ainda que situadas ou cercadas por um só prédio particular, permanecem no domínio público.

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Gabarito: Errado.

Comentários:

Questão moleza, quando você analisa a parte final: lagoas que não sejam alimentadas por correntes públicas, ainda que situadas ou cercadas por um só prédio particular

Alguém constrói uma enooooorme piscina dentro de um terreno da propriedade dele. Então, a piscinha passa a ser do domínio público? Obviamente, não.

Imagina o contrário disso: os amigos passam no SEPLAG, juntam um dinheirinho razoável e constroem uma piscina em suas respectivas casas. Domingo, então, aparece um monte de gente, porque a piscina passou a ser um “bem público”

É, o examinador é um “fanfarrão”, de vez em quando! Rsrs

18 – (2007/TCU/Analista) A utilização da linha de jundu como critério para demarcar os terrenos de marinha é uma prática que atende à legalidade estrita no processo de gestão dos bens públicos.

Gabarito: ERRADO

Comentários:

Com toda sinceridade, não abordamos o tema “linha de jundu” em cursos ‘on line’ do passado, ou mesmo nas aulas presenciais que proferimos, por uma razão simples: é impossível dar TODO o conteúdo de TODO o edital, com os detalhes que, eventualmente, o examinador

pode cobrar

E há sempre a possibilidade de, caso seja necessário, deixar

em branco em prova do CESPE, para evitar a perda de pontos à toa.

Mas vamos às explicações do item.

Terrenos de marinha são os banhados pelas águas do mar ou dos rios navegáveis. Alcançam até a distância de 33 metros, para a parte da terra, contadas da linha de preamar (maré alta) média de 1831, conforme estabelece o do Código de Águas. Esse, então, nosso critério legal: utilizar a linha de preamar média do ano de 1831, “medir” 33 metros, pronto, esses são os terrenos de marinha.

Efetivamente, não se tem dado cumprimento de maneira estrita ao dispositivo. Primeiro, em razão da dificuldade de implementá-lo. Segundo, por se tratar de um ano longínquo para determinação de terrenos de marinha (1831).

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Existem vários estudos indicando que boa parte dos considerados terrenos de marinha já estão encobertos pelas águas do mar. Então como os vários órgãos administrativos e até mesmo judiciais devem proceder para determinar o que é um terreno de marinha?

Usam a famosa linha de jundu (é aquele matinho rasteiro depois da praia), o que não atende evidentemente, de maneira estrita, o princípio da legalidade, dado que esse seria atendido caso lançássemos mão do critério da linha de preamar média de 1831

Quanto à titularidade dos terrenos de marinha, cabe deixar de lado a controvérsia existente com relação à qual pessoa jurídica pertencem. Hoje, a Constituição os inclui entre os bens da União (art. 20, VII) e pronto.

Por fim, cumpre registrar que os terrenos de marinha têm a natureza de bens dominicais, podendo ser utilizados pelo Poder Público para obtenção de renda. Assim, a utilização do terreno de marinha por particular se faz sob regime de aforamento ou enfiteuse, pelo qual fica a União com o domínio direto e transfere ao enfiteuta o domínio útil, mediante pagamento de importância anual, denominada foro ou pensão ou cânon (lembramos, por oportuno, que as enfiteuses foram extintas a partir do novo Código Civil).

19 - (2008/CESPE – ABIN – Agente de Inteligência) A respeito da organização da União, julgue os itens subseqüentes.

Considere a seguinte situação hipotética.

Joana ocupa uma grande área rural localizada a 2 km da fronteira do Brasil com o Paraguai, a qual teria sido concedida a Joana, pelo estado do Paraná, antes do advento da atual CF.

Nessa situação, com base na CF, o domínio dessa área é da União, não sendo válida a referida concessão de uso.

Gabarito: ERRADO.

Comentários:

A faixa de fronteiras tem a largura de 150 km e é, claro, de grande interesse para a defesa do território nacional, sendo sua ocupação e utilização reguladas em lei.

Apesar disso, nem toda a faixa é propriedade da União, como se costuma pensar. De acordo com o art. 20, II, apenas as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras é que são bens da União.

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Além disso, relembremos que pertencem também à União os bens que já lhe pertencessem anteriormente à Constituição de 1988. Contudo, não há nenhuma informação nesse sentido no item em exame.

LEMBREM-SE: ao longo da faixa de fronteiras, estados, municípios, e particulares (em geral) detêm a propriedade de terras.

A Lei n. 6.634/1979 impõe uma série de restrições de uso e de

alienação de terras situadas na faixa de fronteiras, contudo, não proíbe que estados autorizem a terceiros o uso das terras, sendo que deverá haver assentimento prévio pelo Conselho de Segurança Nacional, daí a incorreção do item.

20 - (2009/Cespe – AGU/Advogado da União) As terras devolutas são espécies de terras públicas que, por serem bens de uso comum do povo, não estão incorporadas ao domínio privado. São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos estados- membros, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. Constituem bens da União as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei.

Gabarito: ERRADO.

Comentários:

O item está (quase) perfeito, não fosse o seguinte: terras devolutas

são bens públicos dominicais e não de uso comum do povo, daí a incorreção do item.

Acrescente-se que as terras devolutas, apesar de originalmente dominicais, ganham determinada afetação quando necessárias à proteção de ecossistemas naturais, e, de acordo com o art. 225 da CF/1988, tais terras, porque parte do meio ambiente ecologicamente equilibrado, classificam-se como bens de uso comum do povo.

21 - (2009/Cespe – AGU/Advogado da União) Os rios públicos são bens da União quando situados em terrenos de seu domínio, ou ainda quando banharem mais de um estado da Federação, ou servirem de limites com outros países, ou se estenderem a território estrangeiro ou dele provierem. Os demais rios públicos bem como os respectivos potenciais de energia hidráulica pertencem aos estados membros da Federação.

Gabarito: Errado

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Comentários:

Mais um item (quase) perfeito. Os potenciais de energia hidráulica pertencem à União, daí a incorreção do item.

22 - (2007/Cespe – IEMA/ES/Advogado) Quanto aos bens públicos, julgue os próximos itens.

O STF considera que as margens dos rios navegáveis são de domínio

público, insuscetíveis de expropriação e, por isso, excluídas de indenização.

Gabarito: CERTO.

Comentários:

Para a resolução da questão, seria suficiente a transcrição da Súmula 479 do STF. Vejamos:

AS MARGENS DOS RIOS NAVEGÁVEIS SÃO DE DOMÍNIO PÚBLICO, INSUSCETÍVEIS DE EXPROPRIAÇÃO E, POR ISSO MESMO, EXCLUÍDAS DE INDENIZAÇÃO.

informações “bacanas”.

“gabaritado”,

então:

CERTO!

Mas

vamos

com

outras

Os rios podem ser ou não navegáveis, podendo ser de titularidade da União ou dos estados, conforme o caso.

Nos rios não-navegáveis, suas margens servem a título de servidão de trânsito (distância de 10 metros), em favor de agentes do Estado na execução de serviços públicos.

Nos rios navegáveis, suas margens podem ser da União ou dos estados:

- Se sob a influência das marés, teremos terrenos de marinha (distância de 33 metros), portanto, pertencentes à União;

- Fora do alcance das marés, temos os terrenos reservados (distância de 15 metros), nesse caso, pertencentes aos estados, salvo se localizados em territórios federais e na faixa de fronteiras, quando então recebem o nome de terrenos marginais e pertencentes à União.

23 - Os terrenos de marinha banhados pelo mar são bens da União

os situados às margens de rios são bens dos estados.

Gabarito: ERRADO.

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Comentários:

Questão relativamente simples. Vamos reescrever o item:

“Os TERRENOS de marinha banhados pelo mar SÃO bens da União e os TERRENOS situados às margens de rios SÃO bens dos estados”.

Os terrenos de marinha são, de fato, bens da União, quanto a isso, não há dúvida.

Agora, os bens situados às margens dos rios são dos estados? Isso não é possível afirmar. Vejamos:

- Se o rio for não-navegável, as terras pertencerão aos particulares, havendo apenas servidão de trânsito em benefício de agentes do Estado;

- Se o rio for navegável e sob a influência de marés, teremos terrenos de marinha, portanto, terras da União;

- Se o rio for navegável e sem a influência de marés, há os

terrenos reservados, nesse caso, terrenos dos estados, daí a incorreção do item.

Pessoal, ficamos por aqui! Até a próxima,

CSL

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