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saúde Ronaldo Buscarino O conselheiro editorial da ACE Revista é diretor executivo da Céltic - Gestão
saúde
Ronaldo Buscarino
O conselheiro editorial da ACE Revista é diretor
executivo da Céltic - Gestão em Benefícios
Email: ronaldo@celticsvp.com.br
Poluição do ar também provoca
enfermidades cardiovasculares
N
ão é novidade que a poluição ambiental é prejudicial à
saúde. Inúmeros estudos comprovam que a contaminação
do ar provoca o surgimento de diversas doenças,
principalmente respiratórias.
O que se discute agora é se a exposição diária à polui-
ção ambiental deveria ser considerada um fator de risco
cardiovascular.
Estudos epidemiológicos já confirmaram que nos dias
com maiores níveis de contaminação do ar existem mais
pessoas que sofrem problemas cardíacos. Estes mesmos
estudos relacionam a poluição ambiental com as enfermi-
dades cardiovasculares, como a trombose venosa profunda
(TVP) e a arteriosclerose.
O tema está em alta nesse momento, uma vez que
inúmeros atletas, principalmente maratonistas, tinham
receio – e até mesmo desistiram – de participar das Olim-
píadas na China, em virtude do alto grau de poluição nas
cidades onde o evento será realizado.
Eles têm razão: está demonstrado estatisticamente que a
relação entre o nível de contaminação atmosférica e a
incidência de cardiopatia isquêmica (angina e infarto do
miocárdio), arritmias e insuficiência cardíaca é alta onde
existe maior poluição atmosférica. Ninguém quer se arris-
car a ter problemas dessa natureza, principalmente, quan-
do se trata de atletas de ponta.
Recentemente foi realizado um estudo pela Univer-
sidade de Saúde Pública de Harvard, nos EUA, publicado
pela revista científica Archives of Internal Medicine, que
relaciona o aumento dos níveis de poluição atmosférica a
um maior risco de trombose venosa. De acordo com a
revista, foram analisados 870 pacientes expostos a par-
tículas de poluição que haviam sido diagnosticados com
TVP na Lombardia, Itália, entre 1995 e 2005, e compa-
rados a 1.210 pacientes sadios.
Nos dois casos, foram medidas a exposição a partículas
minúsculas de poluentes, consideradas as mais preju-
diciais ao sistema cardiovascular. Os resultados mostraram
que os indivíduos que apresentavam trombose venosa, em
geral, estavam submetidos a uma maior contaminação
atmosférica que os pacientes sadios. Ficou cientificamente
comprovado que a cada aumento de 10 microgramas por
metro cúbico de partículas nocivas registrado em relação
ao ano anterior, o risco de trombose aumentava em 70%.
Também foi constatado que os indivíduos expostos aos
maiores níveis de contaminação têm tempo de coagulação
menor, o que é um fator de predisposição à formação da
trombose.
Ou seja: é necessário adotar, sempre que possível,
medidas que amenizem os danos causados pela poluição
ambiental em nosso organismo. Para isso, é conveniente
verificar como anda a eliminação do ar do escapamento de
nosso carro – e o do vizinho também – a emissão de
partículas das fábricas e todo tipo de lixo que é jogado no
ar que respiramos. E, sempre que possível, largar o automó-
vel na garagem e caminhar até o trabalho. Os benefícios
serão muitos. O planeta, certamente, vai agradecer.
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ACE REVISTA / número 13 / 2008 13