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Palestra no Fórum Jovem de Missão Integral

por Ariovaldo Ramos


Boa noite! Graça e paz!
Privilégio muito grande estar com vocês. Realmente, um privilégio.
Eu queria convidá-los a abrirem suas Bíblias em Atos, capítulo 17, versículo 6. Nós vamos ler
os versículos 6 e 7. Atos, capítulo 17, versículos 6 e 7.
(Tem gente que é conhecido pela palavra e outro pelo que bebe de água, não é?)
Texto bíblico: Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as
autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui, os quais
Jasom hospedou. Todos estes procedem contra os decretos de César, afirmando ser Jesus
outro rei.
Oração: Pai querido, obrigado por tudo que o Senhor já nos falou. Eu rogo que o Senhor
continue a nos ministrar através da tua Palavra, em nome de Cristo Jesus. Amém.
Bom, essa é uma cena que acontece em Tessalônica. Os discípulos Paulo e Silas são
perseguidos, mas os perseguidores deles não os encontram. Encontram porém os seus
hospedeiros, liderados por Jasom. Jasom era o grande responsável pela estada do Paulo e do
Silas ali. E eles então arrastam Jasom até as autoridades com uma acusação: que Jasom
havia abrigado dois baderneiros, duas pessoas que estão instando o povo contra o Império,
contra a pessoa do César. E baseado em que eles fazem essa acusação? No fato de que estas
duas pessoas, Paulo e Silas, eles advogam que há um outro rei, e que o nome dele é Jesus, e
que isso é um atentado contra o Estado, isso é uma provocação e isso é um ato de
sublevação.
E os adversários de Paulo e de Silas, os adversários de Jasom, os acusadores de Jasom
tinham razão. Era mesmo. Eles só erraram uma coisa. O Paulo e o Silas não diziam que havia
outro rei, eles diziam que havia um só rei, e que o nome dele era Jesus, e que todos tinham de
se curvar diante dele. E isso é uma mudança de paradigma, é uma mudança de regime, é uma
mudança de tudo o que tem a ver com os relacionamentos humanos.
E eu queria conversar com vocês um pouco sobre Missão Integral, sobre a minha perspectiva
de Missão Integral. Porque o Renê está aqui, todos os outros estão aí, e eu vou dizer o que é
Missão Integral? "Não sou doido! Eu sei lá o que é!" Mas como não dá pra navegar sem rumo,
eu tenho uma perspectiva. Então é essa perspectiva que eu quero passar pra você, porque não
dá pra montar num barquinho e não saber pra onde ir, então, "cê" desenha alguma coisa no
horizonte, e é a partir desse desenho no horizonte que eu quero falar com vocês.
Eu vou "pegar carona" com o meu amigo Ziel Machado, que diz que a Missão Integral é uma
proposta missiológica a partir de uma perspectiva do reino de Deus. E eu "vou na carona" dele
porque eu acho que "é por aí" mesmo, pelo menos "é por aí" que eu me entendo quando falo
de Missão Integral, e por isso eu escolhi esses dois textos, porque esses dois textos falam
exatamente do transtorno que é uma mensagem que proclama um outro rei. Porque proclamar
um outro rei é proclamar um outro reino, e proclamar um outro reino é proclamar um novo
modo de vida, uma nova Carta Magna, um novo jeito de viver, um novo jeito de se relacionar,
tudo agora é diferente: há um novo reino, uma nova dinastia, e esse reino não tem nada a ver
com o reino que o antecedeu, portanto, inaugura-se uma nova dimensão para a humanidade.
"Tem um novo rei, tem um novo reino. Tem um novo reino, tem uma nova estrutura de Estado,
de governo, de relacionamentos etc."
Então a minha primeira perspectiva é essa, que a primeira coisa que o conhecimento do reino
de Deus traz é a mensagem de uma ruptura. Se tem um novo rei, então houve uma revolução,
porque o outro reino, o reino anterior a esse e tudo o que tinha a ver com ele acaba de ser
relativizado, acaba de não valer mais, acaba de não ter mais nenhum valor pra conduzir a vida
dos homens. E isso é um estado de guerra, isso é um estado belicoso declarado de forma
enfática e sem desculpas. "Trazemos a mensagem de um novo rei, de um novo reino. Na
verdade, ele não é um novo rei nem é um novo reino do que nós estamos falando. Nós
estamos falando do único rei e do seu reino." Então isso é um ataque frontal a tudo que está
posto, isso é um ataque frontal a tudo que está determinado, isso é um ataque frontal a tudo
que parece que já estava estabelecido.
Bom, a primeira grande notícia que esse reino traz é que é possível entrar nesse reino. Essa é
a primeira grande notícia, porque se você pensar nas categorias romanas, a chegada dos
romanos numa nova terra, significa que a terra provavelmente vai ser tomada, porque era
impossível vencer as hostes, as legiões romanas e todo mundo vai ser escravo. "Porque os
romanos vem aí e os romanos vão escravizar todo mundo." Não dá pra ser cidadão romano. O
grande trunfo que o Paulo teve, que o levou ao ser julgado, a apelar para César, é que ele era
cidadão romano, e o próprio centurião que o levava disse que só conseguiu isso à custa de
muito sacrifício. E o Paulo disse: Eu nasci romano, eu sou romano de nascença. Por que?
Porque se você não é cidadão romano, você é escravo dos romanos. Então a chegada de um
novo reino significa em princípio dentro daquela perspectiva: "Vamos ter uma batalha, vamos
ter uma guerra e os derrotados serão escravizados." Bom, esse reino começa com uma boa
notícia, e a boa notícia é que todo mundo pode entrar nesse reino, as portas do reino estão
abertas, todo mundo é bem-vindo, todo mundo está convidado a mudar de lado, a vir para o
reino. O reino não faz escravos, o reino não faz prisioneiros, o reino só liberta. Essa é a
primeira grande notícia desse reino. Este não é um reino que faz escravos, este não é um reino
que faz prisioneiros, este é um reino que só liberta.
Então isso é extraordinário, essa é a primeira lição, a primeira grande notícia. "Todo mundo é
bem-vindo para esse reino. Pode vir, as portas estão abertas." E esse reino é extraordinário
porque quando você vê esse reino você já está dentro. Lá em João, capítulo 3, Jesus Cristo
disse isso de forma muito curiosa. Ele diz assim no versículo 5: "Em verdade, em verdade te
digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus". E depois, ele
diz mais, ele diz que "quem não nascer da água e do Espírito não pode ver o reino de Deus". E
isso é interessante porque ele diz assim: "Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não
nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". Isso no versículo 3 e depois no versículo 5 ele
diz: "Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar
no reino de Deus", que é a mesma coisa que nascer de novo. Isso quer dizer que o reino de
Deus é um reino que a gente só vê quando está dentro, porque "se não nasce de novo não
pode ver, se não nasce de novo não pode entrar" então quando vê já está dentro. É como se
você estivesse andando numa praça, todo dia você passa por aquela praça e você não sabe
que ali tem uma nave espacial pousada e você não sabe porque a nave é invisível, logo, você
não a vê e não pode ver mesmo, é invisível, então você está passeando na praça, de repente,
um dia, a porta da nave se abre e você é sugado pra dentro e você diz: "Uma nave!" Pronto! Se
viu é porque já está dentro. Então o reino é a mesma coisa, quando você viu o reino você já
está dentro. O reino de Deus tem essa coisa, e todo mundo pode ser tragado pelo reino de
Deus. O reino de Deus está aqui para tragar todas as pessoas para a liberdade. Então esse
reino não faz escravos, esse reino não faz prisioneiros, esse reino só liberta. Essa é a primeira
grande notícia desse reino.
Mas esse reino também tem uma série de outras coisas, aliás, eu queria aproveitar o ensejo,
antes de dizer na minha perspectiva o que é Missão Integral, é dizer o que não é Missão
Integral. Na minha perspectiva, Missão Integral não é Igreja fazendo ação social. "Tá certo?"
Então logo de cara, Igreja fazendo ação social não é Missão Integral. Missão Integral é uma
outra coisa, primeiro é o anúncio de um reino. Um novo rei, um novo reino. Esse reino é um
reino que liberta, é o reino da libertação, ele não faz escravos, ele não faz prisioneiros, ele só
liberta. Todo mundo pode ser membro desse reino, não é como o Império romano em que
quem não era romano era escravo dos romanos. Todo mundo pode ser membro desse reino,
pode entrar nesse reino e, mesmo o que não entraram ainda nesse reino são abençoados por
ele, porque mesmo que nem todos entrem no reino, o reino veio pra entrar na vida de todo
mundo de alguma maneira. E esse reino extraordinário entra por exemplo, pela via econômica.
Tem uma nova dinâmica a economia. Lá em 2ª Coríntios, 8.13 está escrito assim: "Porque não
é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade". Do quê
que ele está falando? Ele está falando que aquele que colheu demais não deve ter sobrando
para que aquele que colheu de menos não passe necessidade. Então tem uma nova economia
nesse reino, uma economia solidária. A dinâmica desse reino do ponto de vista econômico é a
solidariedade. Aquele que colheu de menos não vai passar necessidade porque aquele que
colheu demais não vai acumular, vai repartir. Então é uma nova dinâmica no reino, uma nova
economia. A economia deste reino é uma economia solidária. Esse reino traz a resposta pra
uma das três perguntas que a humanidade faz. A humanidade sempre pergunta, entre outras
coisas, o quê que a gente faz com a riqueza do planeta? E nós tentamos responder essa
pergunta de várias maneiras, desde o tempo do escambo, em que havia a simples troca de
mercadorias até o capitalismo moderno, do dinheiro de plástico, e nós não conseguimos evitar
a fome e a miséria, não conseguimos debelar a pobreza. A resposta do reino de Deus é
solidariedade. Quem colheu demais não acumule para que quem colheu de menos não passe
necessidade. Todo mundo trabalha pra todo mundo. Isso é solidariedade. É a proposta
econômica do reino. É uma proposta que passa por uma visão de responsabilidade para com o
outro, porque em Efésios 4.28 diz: "Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo
com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado." Então
como eu disse, essa perspectiva de Missão Integral, não é que Missão Integral é Igreja fazendo
ação social, é Igreja tendo uma nova dinâmica de sociedade e agindo a partir dessa nova
dinâmica, e essa nova dinâmica de sociedade é que, no que depender de nós, a sociedade
humana tem de se parecer, o máximo possível, com o reino de Deus. E como é que a
sociedade humana se parece o máximo possível com o reino de Deus? Do ponto de vista da
economia, optando pela solidariedade. O que ganha demais não acumula para que o que
ganha de menos não passe necessidade. Igualdade é o tema do apóstolo Paulo. Como é que
isso acontece? "Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias
mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado." O interessante é que se
esse texto dissesse: "Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe para poder pagar suas
próprias contas" a gente acharia um bom texto, mas esse texto vai mais longe. Ele diz que:
"Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é
bom, para que tenha com que acudir ao necessitado",ou seja, o contrário de roubar, na Bíblia,
não é trabalhar para pagar as suas contas, o contrário de roubar na Bíblia é se responsabilizar
pelos necessitados.
Ora, quando nós olhamos para um sistema, que basicamente se sustenta no roubo, porque o
trabalho humano é lesado, é roubado, seres humanos não são recompensados à altura do seu
sacrifício, então o reino de Deus chega, e o quê que vai mudar nesse sistema? Esse sistema
vai ser um sistema que cuida prioritariamente dos necessitados, "todo mundo trabalha para
todo mundo".
Mas vamos continuar nas Escrituras. Em Deuteronômio 25.4, e o apóstolo Paulo vai citar esse
texto novamente, diz assim: "Não atarás a boca ao boi quando debulha". O boi está lá,
debulhando o trigo e comendo dos grãos que debulha. E a ordem em Deuteronômio é: "deixe o
boi comer, não vá fechar a boca do bichinho, deixe ele comer." Qual é o princípio que está
aqui? O trabalhador tem de ser o primeiro a desfrutar do resultado do seu trabalho. O "sujeito"
não pode trabalhar numa coisa que ele mesmo nunca vai ter acesso. O trabalhador tem de ser
o primeiro a desfrutar do resultado do seu trabalho. Então isso é uma nova sociedade, uma
sociedade que privilegia o trabalho e o trabalhador. Uma sociedade que diz: "O boi que está
debulhando o milho, tem o direito de comer do milho que debulha. Deixa o bichinho comer.
Qual é o problema? Ele que está fazendo o esforço, ele que está trabalhando, ele que está
dando duro. Deixa ele comer do resultado do seu trabalho". Então o reino de Deus é uma nova
dinâmica espiritual, no sentido de que a porta da libertação espiritual, metafísica, está aberta
para todo mundo, mas é também uma nova dinâmica econômica. Todo mundo pode entrar no
reino de Deus, mas o reino de Deus também veio para entrar na realidade de todo mundo. Por
isso, quando a gente chega numa favela, e encontra uma criança brincando num esgoto
aberto, e bate à porta da casa da pessoa que cuida da criança, ou é o pai da criança, ou é a
mãe da criança, a gente pode bater à porta e quando ela atender, a gente pode dizer sem
medo e sem nenhum constrangimento: "Eu vim trazer boas notícias para a senhora. O reino de
Deus chegou e isso significa que a senhora não só tem a porta de acesso ao Todo Poderoso
aberta para a senhora, mas também que agora o Todo Poderoso vem anunciar que a senhora
tem direito a viver, a morar de maneira digna. E nós viemos nos irmanar com a senhora nessa
luta pelo direito à propriedade que é seu, porque o reino de Deus chegou, e essa é a ordem do
reino". O trabalhador tem de ser o primeiro a desfrutar do resultado do seu trabalho, e mais, a
chegada do reino de Deus significa que vai haver uma mudança na estrutura agrária e urbana,
porque está escrito em Isaías, capítulo 5, versículo 8: "Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem
campo a campo, até que não haja mais lugar, e ficam como únicos moradores no meio da
terra!" A chegada do reino de Deus é a chegada de uma nova dimensão sobre o que é justiça
agrária e justiça urbana. Então, imagine, a igreja que está vivendo Missão Integral, ela está
tomando partidos, porque Deus tomou partido! Deus tomou partido, a Igreja toma partido. Deus
diz que tem de ter igualdade e a igreja diz que tem de ter igualdade. E "se o cara chiar" a gente
sempre pode dizer: "eu sou o papagaio de Deus. Deus ´falou´ igualdade, eu estou ´falando´
igualdade. Como eu não tenho altura para ser profeta, eu tenho pelo menos o jeito para ser
papagaio. Então eu sou o papagaio de Deus, está certo? Eu sou o papagaio de Deus". Deus
disse que é para ter igualdade, que quem colhe demais não é para acumular para que quem
plantou de menos não tenha perdas, não passe necessidade, então, essa é a ordem. Deus
disse "maldito o sujeito que reúne casa sobre casa e terra sobre terra até ser o único morador
do lugar". Então tem de ter reforma agrária e tem de ter reforma urbana.
Um dia uma vereadora que disse que tinha se convertido (é, porque eu acredito na irmã mas
eu não posso dizer, só Deus pode dizer quem se converteu). Ela falou que tinha, e eu falei:
— Que bom irmã, Deus a abençoe. Conversão é algo muito bom. Só faz bem se converter. A
senhora está certa em vir para o reino de Deus. E aí ela falou assim:
— Então pastor, como o senhor acha que pode me ajudar aqui no meu mandato etc? Porque
eu queria que o pessoal soubesse...
— A senhora quer que o pessoal saiba que a senhora é crente e tal?
— É! Eu gostaria que a igreja soubesse de mim! Aí eu falei:
— Ah! Isso é fácil! "Dois tempos, dois palitos". Eu vou dar uma sugestão para a senhora e na
hora que a senhora fizer isso (ela era da "situação") a igreja toda vai saber da senhora, aliás, o
mundo todo vai saber da senhora. Ela falou:
— É mesmo?!
— A senhora faz um projeto de Lei assim: "Todos os prédios ociosos na cidade de São Paulo,
que estão sendo usados para especulação imobiliária e que estão com o IPTU nas alturas, que
todo mundo sabe que o ´sujeito´ não vai pagar enquanto não vender aquilo por um preço
´biliardário´, estão automaticamente desapropriados socialmente para reforma urbana, para a
habitação dos sem-teto". Aí ela olhou para mim e disse:
— O senhor está falando sério?
— Eu falei: Minha irmã, eu sou pastor. Pastor só fala sério. E isso é coisa seríssima. A senhora
anota aí, pede aí para a moça que trabalha com a senhora para anotar aí. A senhora quer ser
conhecida pela igreja? Pois então a senhora vai ser conhecida no mundo todo! E não vai lhe
custar nada, não vou te pedir nem uma "ofertinha" por essa sugestão. A senhora só escreve aí,
fala com o seu prefeito e faz um projeto de Lei: "Todos os prédios ociosos dessa cidade, que
estão com o IPTU pelas tampas, estão desapropriados para uso social, para atender à
demanda dos sem-teto". O quê que a senhora acha? Essa vai ser a maior prova da sua
conversão.
— Pastor, a minha assessora anotou tudo! Eu falei:
— Eu vi minha senhora, eu vi...
Ficou na anotação. Eu acho que a moça deve ter perdido. É muito papel! Essas coisas
acontecem...
Mas de qualquer maneira, o reino de Deus estabelece uma nova dinâmica. Uma nova dinâmica
agrária.
A outra coisa que o reino muda é a política. O reino muda a dinâmica política. Lá em Mateus
20.25, o reino diz assim: "Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos
povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós;
pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem
quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo". Mudou a política. Agora, o "sujeito" não está
mais no poder, está no serviço. Os cristãos não perguntam: que partido está no poder? Os
cristãos perguntam: que partido está no serviço? Que partido está na posição de diácono?
Porque o maior é o que serve. Então esse é o maior? Então ele é o servo dos servos. Como
ele está servindo à população?(...)
Então o quê que foi que mudou com a chegada do reino? Mudou a economia. Agora, a
proposta é a solidariedade e o alvo é a igualdade. Mudou a relação de trabalho. Porque agora,
o trabalhador tem de ser o primeiro a desfrutar do resultado do seu trabalho. Mudou a relação
política. Agora, o "sujeito" não é eleito para assumir o poder, o "sujeito" é eleito para assumir o
serviço. Se a Igreja ganha essa consciência, a Igreja se torna profeta dos profetas, se torna o
grande arauto da justiça. E a Igreja "bota" a casa em ordem e diz para o pessoal que eles estão
lá para servir. E isso no Brasil é extremamente importante, porque depois que D. João VI veio
aqui e transformou o Brasil em Reino Unido: Portugal, Algarves e Brasil. E foi, na verdade, um
golpe contra a gente, porque a gente nem era nação ainda e já tinha um Estado. Não tinha
consciência de brasilidade, a não ser talvez os pernambucanos, que dizem que o Brasil nasceu
lá, mas fora dos pernambucanos, todo mundo aqui era aventureiro. Nós nem tínhamos noção
de brasilidade e aí chega o D. João VI e estabelece o Estado. A gente "dormiu colônia e
acordou Estado". O Estado era um Estado monárquico e portanto era governado por nobres.
Desde que isso aconteceu, todo "sujeito" no Brasil sonha em ser eleito para virar nobre. Já
notou? Enquanto o cara não é eleito, você acha o cara em tudo quanto é lugar, ele é
onipresente. Ubiqüidade se chama isso. Ubiqüidade política. Ele está em tudo quanto é lugar,
você acha o homem em todo lugar. Depois que ele é eleito, ele vira nobre. Ele se encastela e
você nunca mais acha o "dito cujo", ou a "dita cuja". Virou nobre! Todo mundo quer ser nobre!
Pois então a Igreja brasileira tem de começar a ser a primeira a dizer: "não moço! O senhor
não foi eleito para o poder, o senhor foi eleito para o serviço. Poder quem tem, é o ´sujeito´ que
está com a carteirinha do Título de Eleitor. Esse é o pessoal que tem poder. O senhor foi
chamado para o serviço. O senhor não é nobre. Nobre é a gente, o povo é nobre, o senhor é
serviçal, então, faça o favor de prestar seu relatório.
E nós temos um programa. Um programa para a economia, um programa para a relação de
trabalho e um programa para a relação com o poder.
E, finalmente, a chegada do reino de Deus significa a libertação do oprimido das mãos do
opressor. Lá em Jeremias 21.12 diz: "Ó casa de Davi, assim diz o Senhor: Julgai pela manhã
justamente e livrai o oprimido das mãos do opressor; para que não seja o meu furor como fogo
e se acenda, sem que haja quem o apague, por causa da maldade das vossas ações".
Bom, Jesus de Nazaré é a raiz, é o broto da raiz de Jessé. Ele é o Senhor da Casa de Davi e
ele veio para livrar o oprimido das mãos do opressor.
Então, quando eu penso em Missão Integral, eu penso que, o que nós estamos dizendo, o que
eu apreendi de ler os mestres é que a missão da Igreja é integral, ou seja, a Igreja abre o reino
para o mundo e muda o mundo com o reino.
Que Deus nos abençoe.