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ANÁLISE MATEMÁTICA / PROF ALZIR

CONJUNTOS FINITOS; CONJUNTOS INFINITOS

Conjuntos finitos contém uma quantidade finita de elementos.


A = { 1, 2, 3, 4, 5} é finito.
Se não contém uma quantidade finita o conjunto é infinito.
N = { 1, 2, 3, 4, 5, . . . } e N p = {2, 4, 6, 8, . . .} são infinitos.
Np está contido em N.
Seja f: N Np

→
n 2n

→
A função f é bijetora.
n = 1 leva ao par 2.
n = 2 leva ao par 4.
n = 3 leva ao par 6, etc.
Existe uma correspondência um- a - um entre os naturais e os números pares.
Isto nos garante dizer que a parte do todo é tão numerosa que o todo.
( INTERESSANTE!)

Euclides ( 300 aC) afirmava que o todo é maior que suas partes. ( Nem sempre !).

CONJUNTOS EQUIPOTENTES OU CONJUNTOS EQUIVALENTES

Dois conjuntos X e Y são eqüipotentes, X ~ Y, quando existe uma correspondência um-


a-um entre eles. Isto pode ser garantido por uma função bijetora de X em Y ( dada por
uma lei) ou por um método, não definido por lei matemática ( um diagrama, por
exemplo), que nos garanta verificar esta relação um-a-um.
N e Np são eqüipotentes, N ~ Np.
“ Parece natural afirmar que dois conjuntos infinitos equipotentes têm o mesmo
tamanho. ”

ISTO SIGNIFICA DIZER, EM TERMOS MATEMÁTICOS, QUE DOIS


CONJUNTOS EQUIPOTENTES TÊM A MESMA CARDINALIDADE. VALE PARA
CONJUNTOS FINITOS E INFINITOS.

N e Np TÊM A MESMA CARDINALIDADE.

EXERCÍCIOS:

Verificar, justificando, se os conjuntos são eqüipotentes:


1- O conjunto N e o conjunto dos números ímpares.
2- O conjunto N e o conjunto dos quadrados perfeitos.
3- O conjunto N e Z.
4- ] 0, 1[ e ] -1, 1[
5- [ 1, 2 ] e [ 1, 4 ]
6. ] 0, 1[ e R. Usar a função y = tg ( x - ).
π π
2
7. ] -1, 1 [ e R. Usar a função y = tg ( x/ 2).
π
CONJUNTO ENUMERÁVEL

Um conjunto A é enumerável se for eqüipotente com o conjunto dos naturais N = { 1, 2,


3, 4, 5, . . .}.
Dizemos que um conjunto é enumerável quando podemos contar todos os seus
elementos.
Podemos contar todos os elementos de um conjunto finito, daí todo conjunto finito ser
enumerável. Mas um conjunto infinito também pode ser enumerável. Simplesmente não
conseguiremos contar todos, por ser infinito.
Veja o conjunto N. É infinito e eqüipotente com ele mesmo. O conjunto N é
enumerável. Podemos contar 1, 2, 3, 4, 5 . . .
O conjunto A = { 2, 4, 6, 8, . . . } é enumerável pois é eqüipotente a N.
Isso significa que podemos contar os elementos do conjunto A. Podemos contar mesmo
que o conjunto seja infinito.

Exemplo:
Prove que o conjunto dos Inteiros é enumerável.

Para isso devemos ter


F:N A

→
x f(x) , f é bijetora.

→

Veja :
F(x) = se x é impar.
x −1
2
F(x) = se x é par
−x
2
Quando x for ímpar teremos os números 0, 1, 2, 3, 4 . . .
Veja:
F(1) = 0
F(3) = 1
F(5) = 2
F(7) = 3
F(9) = 4

Quando x for par teremos os números -1, -2, -3, -4 ...


Veja:
F(2) = - 1
F(4) = -2
F(6) = -3
F(8) = - 4

EXERCÍCIOS

1-Mostre que o conjunto 2, 4, 8, . . . , 2n ( conjunto de potências de 2) é enumerável.

2-Mostre que o conjunto dos números ímpares são enumeráveis.

A ENUMERABILIDADE DO CONJUNTO DOS RACIONAIS Q

PODEMOS CONTAR OS RACIONAIS SEM PERDER NENHUM.

O conjunto Q é equipotente a N ( tem a mesma cardinalidade), isto é, é enumerável.

Demonstração:
Seja Q*+.
Reunir as frações em grupos. Cada grupo contém frações irredutíveis, com um número
finito de elementos, e cuja soma do numerador com o denominador seja constante.
1

→1 + 1 = 2
1

1 2
, →1 + 2 = 2 + 1 = 3
2 1

1 3
, →1 + 3 = 3 + 1 = 4
3 1

1 2 3 4
, , , →1 + 4 = 2 + 3 = 3 + 2 = 4 + 1 = 5
4 3 2 1

Ao escrever todos os grupos, um após o outro, na ordem crescente das somas


correspondentes do numerador e denominador teremos uma correspondência biunívoca
de cada grupo com os números naturais, a partir do 2. Enumerando as frações na ordem
em que aparecem, todos os racionais aparecerão na lista.
1 1 2 1 3 1 2 3 4
, , , , , , , , ...
1 2 1 3 1 4 3 2 1
DEMONSTRAÇÃO DA ENUMERABILIDADE DOS RACIONAIS USANDO UM
ALGORITMO NÃO DEFINIDO MATEMÁTICAMENTE, MAS DE FÁCIL
COMPREENSÃO.

Fazemos uma matriz M com o conjunto dos racionais positivos em que o


elemento aij da matriz é dado pela razão de j/i.

1/1 2/1 3/1 4/1 5/1...

1/2 2/2 3/2 4/2 5/2...


M=
1/3 2/3 3/3 4/3 5/3...

1/4 2/4 3/4 4/4 5/4...


. . . . .
. . . . .
. . . . .

ESTE PROCESSO INFINITO FAZ ESCREVER TODOS OS


RACIONAIS.

Aplicando o algoritmo:
Contaremos conforme o diagrama em que cada diagonal será composta pelos
racionais que tem a soma do numerador e denominador sendo 2, 3, 4, 5, 6, ...

1/1 2/1 3/1 4/1 5/1...

1/2 2/2 3/2 4/2 5/2...


M=
1/3 2/3 3/3 4/3 5/3...

1/4 2/4 3/4 4/4 5/4...


. . . . .
. . . . .
. . . . .
.
Se aplicarmos o algoritmo infinitas vezes conseguimos cobrir todos os
elementos dessa matriz infinita, ou seja, mostramos a enumerabilidade dos números
racionais positivos. Não é difícil perceber que os números racionais negativos também
são enumeráveis. Logo a reunião dos racionais positivos com os negativos também será
enumerável, pois Q+ U Q- é como se fosse uma duplicação de Q+. Para terminar a
demonstração afirmamos que se incluirmos um número qualquer num conjunto
enumerável, o novo conjunto será também enumerável. Incluímos o zero na reunião dos
racionais positivos com os negativos e teremos o conjunto dos racionais Q que será ,
portanto enumerável.

A ENUMERABILIDADE DOS RACIONAIS, COM ESSE MÉTODO –


MÉTODO DAS DIAGONAIS DE CANTOR, FOI DESCOBERTA POR GEORG
CANTOR ( 1845-1918).

CANTOR MORREU LOUCO TENTANDO PROVAR A EXISTÊNCIA DE


DEUS, MAS ISSO NÃO VEM AO CASO.

A NÃO ENUMERABILIDADE DOS NÚMEROS IRRACIONAIS E REAIS.

Não é possível fazer uma correspondência bijetora entre o conjunto dos números
naturais e o conjunto dos números irracionais.
Vamos mostrar que o conjunto dos irracionais não é equipotente ao conjunto dos
naturais. Para isto basta analisar os irracionais contidos entre zero e um. Se os dois
fossem equipotentes seria possível contar os irracionais. Seria enumerável. Se os
irracionais contidos no intervalo (0,1) fossem contáveis, existiria uma lista, como a
descrita abaixo, contendo, ordenadamente, todos eles. (números com a parte inteira nula
e infinitas decimais não periódicas).
1 0 , a 11 a 12 a 13 a 14 a 15 ...
2 0 , a 21 a22 a 23 a 24 a 25 ...
3 0 , a 31 a 32 a 33 a 34 a 35 ...
4 .
5 .
6 .
7 .
8 .

9 0, a 91 a 92 a 93 a 94 a 95 . . .a 99 ...
10 0, a 10 1 a 10 2 a 10 3... a 10 10
Veja que a ij representa os algarismos decimais.
Veja que são irracionais. Representam decimais não periódica.
Mostraremos que qualquer lista que se pretenda completa, ou seja, contendo todos os
irracionais entre zero e um, falhará na sua tentativa deixando uma infinidade de
irracionais de fora. Para isto basta construir um irracional que não pertença a tal lista
que se supõe completa. Observe que o número
b = 0, b1 b2 b3 b4 b5 b6 b7 b8 b9 …
não pode estar listado acima se escolhermos apropriadamente os seus algarismos
significativos, de tal maneira que:
b1 ≠ a1,1 o que faz com que b1 seja diferente do primeiro elemento da lista;
b2 ≠ a2,2 o que faz com que b2 seja diferente do segundo elemento da lista;
b3 ≠ a3,3 o que faz com que b3 seja diferente do terceiro elemento da lista;
e assim teremos para qualquer natural n que bn ≠ an,n , o que faz com que bn seja
sempre diferente do n-ésimo elemento da lista e, então, b não pertencerá a pretensa lista,
qualquer que ela seja.
O que acabamos de mostrar é que nunca poderemos contar os irracionais. Logo o
conjunto dos irracionais não é enumerável. Os reais, que são a união dos racionais com
os irracionais, também não são enumeráveis por ter os irracionais não enumeráveis.
INTERESSANTE, COM ISSO PODEMOS CONCLUIR QUE PODEMOS CONTAR
OS RACIONAIS E OS IRRACIONAIS NÃO.
DAÍ EXISTIREM MAIS IRRACIONAIS DO QUE RACIONAIS.