O jornal oficial da exposição

Millôr, 90 anos de nós mesmos
daily
parceria exposição realização apoio institucional exposição apoio daily míllor
e mentor, meu pai. Meio que
pai dele, irmão mais velho ou
o mais próximo disso. Mais
próximo mesmo.
E uma certeza absoluta. Nítida
na foto. A de que aquela alegria,
hai-kai
Escritores:
Pensador é o que cita
Pensadores!
TODO HOMEM TEM O
SAGRADO DIREITO
DE TORCER PELO VASCO
NA ARQUIBANCADA
DO FLAMENGO
Minha turma
IVAN, FILHO DE MILLÔR, VOLTA À REDAÇÃO DO PASQUIM, EM 1972
Paraty, domingo
3 de agosto de 2014
livro Cabeça de negro, de autoria
do Paulo Francis, cuja direção de
arte me coube, com a foto do Mil-
ton Montenegro feita na própria
redação do Pasquim. Luiz era um
brutamontes incapaz de matar
uma mosca; se alguém o fizesse
na sua frente, choraria por ela.
O que mais está na foto?
Tudo. Tudo. Tudo. Uma exube-
rante alegria e descontração
do grupo. Um orgulho mútuo,
patente. Um prazer irreprodu-
zível, presente em todos, pelo
fato de estarem ali. Na patota.
A mão afetuosa e carinhosa
de Ivan Lessa sobre o ombro
de seu admirado-admirador e
amigo, Sérgio Augusto. Corda e
caçamba. Um olhar meloso de
tanta admiração do Ivan para o
Jaguar. E vice-versa.
Meu pai observando o que se
passava abaixo dele. Com indis-
farçável satisfação. Henfil de olhos
fechados para contestar a alegria
(senão não seria Henfil) que
partilhava, adorava a zorra, mas
sem admitir. Com o país naquela
Instantâneo, autoria provável
do Duayer, fotógrafo depois car-
tunista. Bom nas duas posições.
Circa 1972. Eu, dezoito anos.
Meu pai, portanto, 48. Menos
de cinquenta. Doze anos mais
novo do que eu, hoje. Foto-
-madeleine. Me transporta no
tempo, de forma inexorável.
Vamos lá; o que foi fotografado?
Eu, aos dezoito anos, tendo a
meu lado, à esquerda, meu pai
e, à direita (direita?), o Henfil.
Neste momento, eu e Henfil,
Henfil e eu, éramos muito, muito
próximos. Fins de semana, pas-
sados na casa do meu avô, em
Petrópolis, nós com as respecti-
vas namoradas.
Ladeando meu pai, Caulos, que
como Henfil era exatos dez anos
mais velho do que eu, assim
como Ziraldo era dez anos mais
velho do que Henfil, e meu pai,
dez anos mais velho que Ziraldo.
Na época, negão-gigante, hoje
afrodescendente (com altura
avantajada ou coisa que o valha),
este era Luiz Rosa. Era, pois já
morreu. Foi o modelo da capa do
situação? Seriedade, companhei-
ros. Infelizmente o país continua
na mesma e Henfil se foi.
Ziraldo, sentado, descontraida-
mente, na certeza de estar
aos pés do venerado amigo
palpitante na foto, não havia
iniciado ali. Certamente vínha-
mos, não todos, não os mesmos
sempre, ao contrário, mistura-
dos, chegados na redação em
grupo. Diversos, mas variáveis.
Nunca constantes. Jamais desa-
companhados.
Ziraldo, Caulos e eu, Henfil e eu.
Meu pai, Ziraldo e eu, Ivan, meu
pai, Jaguar e Sérgio, Henfil, meu
pai e Jaguar, e todas as outras
combinações possíveis, tentem
as variáveis da análise combinató-
ria e vejam onde isso vai parar...
E, também e sobretudo, a certe-
za de que a alegria não parava
ali, mas continuava. Sempre.
Sem hora ou local para terminar.
Roda viva? Patota. Patota viva.
Como nunca mais.
A festa continuava, na casa do
Henfil, do Caulos, do Ziraldo,
do Ivan, do meu pai, no bar, no
botequim e sobretudo na reda-
ção. Assim como a conversa,
as ideias, o riso, a discussão do
fato, o barato, o bicho, a fossa, a
Anta de tênis, o governo, o top-
-top, o sifu, o mifu, o tifu, o putz.
Tudo moto contínuo.
O putz? Putzgrila, como éramos
felizes!!! E curtíamos…
IVAN FERNANDES
Em pé, Henfil, Ivan, Millôr, Caulos, Luiz Rosa; sentados, Jaguar,
Ziraldo, Ivan Lessa e Sérgio Augusto na redação do Pasquim
Millôr Fernandes/Arquivo IMS
AUTOR
HOMENAGEADO
DA FLIP 2014
CLÁssIcOS dO
em NOVA eDIçÃO
10h | mesa 17
Ouvir estrelas
Marcelo Gleiser
Paulo Varella
14h | mesa 19
Os sentidos da paixão
Almeida Faria
Jorge Edwards
16h | mesa 20
Livro de cabeceira
A Astronomia é o Ph.D.
da Astrologia.
O fato é que, depois de viajar
anos, esse Voyager não desco-
briu nenhuma forma de vida
inteligente pelaí. O Cosmos, ao
que parece, é igualzinho à Terra.
O que me espanta não é que os
astrônomos consigam descobrir
as estrelas, a distância entre
elas, sua luminosidade etcétera.
O que me espanta é como que
descobrem o nome delas.
O sol nasce todos os dias.
Mas espero tranquilo, na minha
total certeza do impossível, que
o sol não nasça um dia.
E nesse dia aparecerão cientis-
tas declarando: “Bem, verifica-
-se que, de um bilhão de anos
em um bilhão de anos, o sol
não nasce um dia”.
12h | mesa 18
Romance em dois atos
Daniel Alarcón
Fernanda Torres
A diferença fundamental entre
um autor e um diretor teatral
é que este, quando se enche
com autores vivos, pode montar
um autor morto. Eu nunca tive
o prazer de ser montado por um
diretor morto.
O teatro é uma arte efêmera
há mais de dois mil anos.
(Falsa cultura)
A grande paixão, mesmo
quando vai embora, deixa
alguma coisa – um pouquinho
de ódio.
Um banqueiro pode escrever
falsa literatura. Mas vá um
escritor falsificar um cheque.
Millôr comenta a programação
domingo

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