Você está na página 1de 1

Núcleo de Estudos do Futuro

De olho no amanhã
Autor(es): CLAUDIA JORDÃO
Ela é capaz de enxergar 50 anos à frente, está sempre pensando e
falando sobre o futuro e vê o mundo por um prisma diferente. Enganase
quem acha que Rosa Alegria é algum tipo de vidente auxiliada por cartas
de tarô ou bola de cristal. Pelo contrário, seu ofício tem base científica.
Graduada em letras pela Universidade de São Paulo (USP), Rosa, 50 anos,
é mestre em estudos do futuro pela Universidade de Houston, nos
Estados Unidos. Formada em 2002, é a única futurista brasileira.

Rosa analisa o presente, aponta tendências e antecipa acontecimentos


com base em informações sociais, demográficas, econômicas,
VISÃO Rosa Alegria é a única brasileira
tecnológicas, ambientais e de governo. Aprendeu a enxergar bem longe –
formada em estudos do futuro
diferente dos economistas, por exemplo, que costumam fazer previsões
para até três anos. “É preciso deixar de olhar no retrovisor e acender o farol de milha”, diz ela.

Um futurista presta consultoria para empresas privadas e instituições públicas. Nos Estados Unidos, órgãos como a
Nasa e empresas como Coca-Cola e IBM recorrem a esses profissionais. Rosa já estudou casos de gigantes como Pão
de Açúcar, Phillips e C&A – todos através de uma consultoria de varejo. Essas empresas querem saber tendências de
consumo nos próximos anos. “Para inovar, é preciso ‘ver’ as oportunidades e os problemas que estão por vir antes de
todos”, diz Rosa. No futuro, diz ela, seremos uma sociedade ecologicamente correta. “As pessoas serão
superconscientes com a preservação do meio ambiente”, aposta. “Vão querer saber se tal algodão é transgênico, se
seu cultivo envolve mão-deobra escrava ou infantil, onde é fabricado, como é transportado, etc.”

O futurismo é uma carreira nova. A Universidade de Houston foi a primeira a oferecer mestrado em 1974 e
há apenas outras quatro universidades no mundo com o curso na grade. Ela recorda os olhares de estranheza no
campus. “Éramos (os alunos de Estudos do Futuro) os loucos da universidade. Deviam pensar: ‘Por que perdem tempo
pensando no futuro com tanta coisa para resolver no presente?’”, diz Rosa. Hoje, a consultora acredita que as pessoas
estão mais informadas sobre seu trabalho e mais interessadas em pensar no futuro. “No ensino fundamental as
crianças têm aulas de história, mas não são encorajadas a pensar o país que querem viver”, diz ela. “Para melhorar,
temos que nos preparar para o futuro.”

PARA SER FUTURISTA

Só há cinco escolas no mundo que formam mestres em estudos do futuro


-University of Houston e University of Hawaii, nos Estados Unidos, University of Swinburne, na Austrália, Turku School
of Economics, na Finlândia, e Conservatoire Nacional des Arts et Métiers
-O currículo traz matérias como sociologia, economia e estatística direcionadas para as transformações.

Fonte: Revista Isto É - 26/09/2007