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CURSO ONLINE – ATUALIDADES E GEOGRAFIA – ABIN PROFESSORES: RICARDO VALE E VIRGINIA GUIMARÃES

AULA 07- TECNOLOGIA, CULTURA E ENERGIA

Olá amigos, não sabemos quanto a vocês, mas nós já estamos com

aquele gostinho de “quero mais” só de pensar que essa é a nossa penúltima

aula. O lado bom de estarmos chegando ao final do curso é que hoje todos

vocês devem se sentir muito mais seguros para pensar, opinar e compreender

os assuntos atuais, não é mesmo? Como já dissemos, anteriormente,

atualidades é uma matéria muito dinâmica, mas, que com os conhecimentos de

geografia que tivemos aqui, se torna mais leve e muito mais compreensível a

todos nós.

Aproveitamos para falar sobre nossos sites, que são iguais, porém

São diferentes por que é naquele espaço que nós nos

desvinculamos e cada um assume sozinho aquilo que domina melhor. Mas são

diferentes! (rsrsrs

)

iguais, pois o objetivo de ambos é sempre ajudá-los da melhor forma possível a

atingir o conhecimento de forma tranqüila, mas concreta. Assim, no sitio

www.vihoje.net vocês encontrarão assuntos de História e Atualidades, que são

atualizados,

www.soconcursandos.com,

concursos e espaço para perguntas e “desabafos” de concursandos. Portanto,

sintam-se convidados a acessar e super à vontade para nos escrever e

perguntar, ok? Assim vocês terão sempre um link direto para falar conosco e

continuar a tirar possíveis dúvidas que surgirem ao longo do estudo.

sobre

o

a

princípio,

quinzenalmente.

no

qual

O

outro

sítio

disponível

é

existem

variadas

informações

Infelizmente, o tempo restrito de curso não permitiu que nos

detivéssemos a detalhes que poderiam ser enriquecedores, mas estamos

certos de que o edital de geografia até a próxima aula terá sido completamente

estudado e as principais atualidades abordadas. Voltamos a reiterar a

dinamicidade própria desta matéria, mas com o acompanhamento de

noticiários vocês vão tirar de letra todas as novidades que surgirem por ai.

Bem, na aula passada algumas perguntas foram feitas e

gostaríamos de partilhar com os que não tiveram ainda oportunidade de ler no

fórum de dúvidas

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Nossa amiga Elisete perguntou sobre os prós e contras do

agronegócio, desemprego gerado pela modernização da agricultura com

substituição do homem pela máquina, etc. Assim, ela queria que

explicássemos mais sobre como o agronegócio. Afinal, apesar de continuar

exportando alimentos, por que não estaria ocorrendo a tão sonhada mudança:

industrialização, mesmo que da agricultura?

Nossa resposta

“Sua questão me coloca numa posição delicada, pois realmente

acredito que este é um assunto absolutamente político, ou seja, não há

consenso e tudo vai depender do ponto de vista ou da prioridade de cada

governo.

O agronegócio é um dos principais responsáveis pelo PIB do Brasil,

mas ele realmente acaba trazendo consigo algumas críticas de

pessoas que possuem uma visão mais romantizada do campo e da reforma

agrária. Em contrapartida, quem almeja um desenvolvimento tecnológico e

industrial para o Brasil certamente moverá mundos e fundos para incentivar

este ramo.

A afirmação de que o agronegócio traz pobreza, devastação e

violência no campo é tão comum quanto mentirosa. Uma afirmação dessas

vem, geralmente, ou de quem tem pouco conhecimento sobre o assunto, ou de

quem não possui nenhuma racionalidade sobre ele, já que a exportação de

alimentos não compromete em nada nosso abastecimento interno e ainda

angaria importância política e econômica para o Brasil no cenário

internacional.

Bem, como ponto negativo eu ressaltaria a destruição de partes das

florestas, mas que ainda é muito pequena se comparada à de outros países do

mundo que tinham florestas e devastaram para essa finalidade, como na

América do Norte. Claro que isso não significa nenhum incentivo à destruição

ambiental, mas não podemos negar a importância do agronegócio para o

desenvolvimento industrial e social do Brasil”

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Em seguida, a Elisete perguntou também sobre a pequena

propriedade rural ser ou não ser a verdadeira responsável pelo abastecimento

interno de alimentos. Além disso, ela quis saber como estão distribuídas as

pequenas propriedades pelas regiões brasileiras.

Nossa resposta

“Isso não é apenas propaganda do governo. É um dado fornecido

pelo IBGE e a partir dele é que políticas de incentivo a pequenas propriedades

rurais foram sendo elaboradas. São consideradas pequenas propriedades

aquelas que possuem até 100 hectares, portanto não estamos falando de

nenhuma rocinha de subsistência, não é mesmo? Só pra lembrar, um hectare

equivale a 100 metros. Logo, várias propriedades de 100 hectares dão conta

sim de abastecer a população interna, já que é um tamanho razoável sem que

seja considerado grande latifúndio! De um forma geral, os latifúndios buscam o

mercado externo devido à grande escala de sua produção e as pequenas

propriedades, que se espalham por todo o território nacional , o consumo

interno.”

Outra dúvida que surgiu no fórum foi a do Rodrigo, que afirmou

acreditar que a maior "contribuição" brasileira ao efeito estufa relacionava-se

ao desmatamento e, conseqüentemente, liberação de CO2. E queria entender

porque estava errado dizer que o objetivo do Plano de Mudanças Climáticas é

a redução do desmatamento da Amazônia.

Nossa resposta

“Sem dúvida, a maior parte das emissões de gases de efeito

estufa no Brasil são provenientes do desmatamento da Floresta

Amazônica. Esquecendo o Almanaque Abril, dados oficiais do MCT (Ministério

da Ciência e Tecnologia) afirmam que os gases de efeito estufa no Brasil

são causados pelas seguintes atividades: 57,5% desmatamento, 22,1%

agricultura e setor energético 16,4%.

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Todavia, dizer que o objetivo do Plano de Mudança Climáticas é

reduzir o desmatamento da Amazônia está errado. O objetivo do Plano de

Mudanças Climáticas é a redução das emissões de gases de efeito estufa. E a

redução do desmatamento é um meio de se alcançar essa redução, que

depende também de outras estratégias voltadas para o setor energético e

para a agricultura.

Muitos alunos confundem esse tipo de questão em uma prova. Para

explicar-lhes, eu sempre uso o exemplo da OMC. Qual o principal objetivo

dessa organização internacional? Muitos pensam que é a liberalização

do comércio internacional. No entanto, isso está errado. O objetivo da OMC é o

crescimento e desenvolvimento econômico de seus membros. A liberalização

do comércio internacional é um meio para se alcançar esse desenvolvimento

econômico.

Da mesma forma, a redução do desmatamento é um meio para se

reduzir a emissões. Assim, o objetivo do Plano de Mudanças Climáticas é

reduzir a emissão de gases. E como isso será conseguido? Uma das formas

será pela redução do desmatamento.

A seguir, segue trecho do Plano de Mudanças Climáticas:

"O objetivo geral do Plano Nacional sobre Mudança do Clima é

identificar, planejar e coordenar as ações e medidas que possam ser

empreendidas para mitigar as emissões de gases de efeito estufa geradas

no Brasil, bem como aquelas necessárias à adaptação da sociedade aos

impactos que ocorram devido à mudança do clima."

Ressalto que, apesar de grande parte dos gases de efeito estufa

emitidos pelo Brasil serem provenientes do desmatamento, ao dizer que o

objetivo do Plano de Mudanças Climáticas é evitar o desmatamento da

Amazônia, você está restringindo o escopo desse plano, ok?

De qualquer forma, sua argumentação foi boa e poderia ser um

argumento para um recurso a uma questão de prova. É isso aí!”

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1- O Brasil e a questão cultural

Falar de questões culturais não é algo extremamente amplo apenas

para quem cursou uma faculdade de filosofia, história, sociologia ou

antropologia. Apesar de fugir da profundidade das digressões mais amplas a

respeito do tema, certamente nossa discussão tem que ser iniciada com algo

sobre o que vem a ser a questão cultural, não é mesmo?

Bem, esse termo pode ser entendido por dois sentidos. Como

humanistas que somos, não gostamos muito do primeiro, porém a grande

maioria das pessoas utiliza a palavra cultura como sinônimo de sofisticação, de

sabedoria ou de educação mesmo. Portanto, se falar da questão cultural fosse

analisar isso, certamente não entenderíamos as transformações culturais que

atingiram direta ou indiretamente toda a sociedade brasileira.

O outro sentido, e este muito mais próximo do que entendemos

como próprio, coaduna-se com as idéias de um competente antropólogo social,

Roberto Da Matta, que utiliza a palavra "cultura" como um conceito chave

para a interpretação da vida social. E o que isso nos diz afinal? Diz que o

termo não se refere apenas a uma pequena parcela “culta” da sociedade, e sim

a todo um modo de viver de um grupo, uma sociedade, um país ou pessoa.

Assim, não é porque uma pessoa tem mestrado e a outra estudou

até a quarta série que a primeira tem cultura e segunda não. É claro que elas

possuem culturas diferentes, já que uma vai compreender a vida de um jeito e

a outra do outro. Apesar disso, é importante termos em mente que diferença

não significa melhor ou pior, diferença significa multiplicidade de cultura e não

que fulano tem, e ciclano não, entenderam? Assim, cultura é, em Antropologia

Social e Sociologia, um mapa, através do qual as pessoas de um dado grupo

refletem, qualificam, analisam e alteram o mundo e a si mesmas sob os mesmo

conceitos. Porém, nesse mapa, ainda que o território se pretenda uno, há

diversidades culturais imensas que fazem com que a questão cultural no Brasil

seja uma coisa extremamente complexa e interessante de ser estudada.

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Costumamos brincar dizendo que não há um Brasil e sim vários

“Brasis”.

Nascidos no interior de Minas Gerais, numa cidade chamada São

João Del-Rei, nos mudamos em 2006 para Olinda, no estado de Pernambuco

onde moramos por 3 anos. Durante esse tempo, pudemos experenciar todo

esse conceito de cultura que até então tínhamos visto apenas na teoria. A partir

dali, nos propusemos a conhecer todos os estados possíveis ao nosso redor e,

apesar de no principio, etnocentricamente, pensarmos que havia uma cultura

nordestina, o que vimos foi a absoluta riqueza da fragmentação cultural. Como

assim, pessoal? No primeiro mês, achávamos que o sotaque nordestino era

igual para todos, mas ao final de 3 anos já sabíamos distinguir o paraibano do

cearense e do pernambucano. E a recíproca era verdadeira, eles ouviam nosso

sotaque e pensavam que fôssemos cariocas. Para nós era uma situação

hilária, pois o sotaque mineiro até pode ser confundido com o goiano, mas

como carioca? Ser confundido com o carioca pra nós é absurdo, pois vemos

uma enorme diferença, mas eles não! Estamos dando o exemplo aqui do

sotaque só pra ficar fácil de vocês visualizarem, mais uma vez, aquilo que

estamos insistindo sempre em nosso fórum de dúvidas: a fragmentação de

coisas que parecem unas.

E o que isso tem a ver com cultura? Tem a ver que o modo de falar,

de perceber o mundo ao seu redor, as valorizações e necessidades são

distintas e próprias de cada cultura. A forma como pessoas de diferentes

culturas lêem e interpretam a vida é diferente, mas não há hierarquização

dessas diferenças, pois na antropologia, cultura é cultura e pronto! Não há

cultura melhor ou pior, pois não há como comparar coisas que são

sumariamente diferentes.

Em contraposição a essa fragmentação, também precisamos

lembrar que as coisas diferentes também se tocam, afinal como seria feito o

rosa senão da mistura entre o branco e o vermelho, não é mesmo? Portanto,

em algum momento as culturas se tangenciam e se assemelham, ainda que

mais a umas do que a outras.

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Calminha, pessoal, não fiquem nervosos com tanta viagem da nossa

parte, pois todo esse falatório sobre culturas diferentes tem um objetivo único:

fazer com que percebam que as transformações que moldaram a questão

cultural no Brasil, não necessariamente foram sentidas da mesma forma em

todos os estados e regiões do país. Assim, falar deste tema no Brasil é

abordar um conjunto de culturas que sintetizam as diversas etnias que formam

o

povo brasileiro. Por essa razão, não existe uma cultura brasileira homogênea,

e

sim um mosaico de diferentes costumes que formam, juntos, a cultura do

Brasil.

Compreendemos, perfeitamente, o quão estranho tudo isso pode

soar para muitos de vocês, sobretudo ao pessoal das exatas, que tendem a

perceber as coisas de uma forma mais

Entretanto, quando analisarmos, por exemplo, os conflitos étnicos, religiosos e

lingüísticos atuais é preciso que essas percepções estejam maduras para que

Exata, acabadinha, definida!

possamos compreender as diferenças ao invés de julgá-las segundo a nossa

cultura.

Assim, samba, maracatu, funk, forró, frevo, carnaval, festa do divino,

futebol, música erudita, enfim. Diversas coisas poderiam ser citadas aqui como

características da cultura brasileira e o mais importante de tudo isso é

sabermos que essa variedade e distinção estão diretamente ligadas ao caráter

múltiplo e idiossincrático da cultura em nosso país.

Falamos até aqui da diversidade, não é mesmo? Entretanto, apesar

de cada cultura incorporar e aprimorar as transformações de um jeito peculiar,

algumas simbologias culturais acabaram se intensificando em nosso país.

Calma, porque não vamos falar de música sertaneja aqui não! Estamos nos

referindo a algo que faz ainda mais sucesso na nossa sociedade do que “ Vitor

e Léo”: a tecnologia.

Desde a década de 1950, se firmou, em nosso país, a convicção de

que os avanços sociais dependiam diretamente do progresso industrial. A partir

daí, as políticas desenvolvimentistas brasileiras passaram a usufruir do

desenvolvimento tecnológico norte-americano para estabelecer modificações

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em vários âmbitos sociais. Bem amigos, se pararmos pra pensar com calma

veremos que essa mudança de mentalidade acabou levando ao nosso velho

amigo efeito dominó, não é mesmo? Vejamos

Progresso Industrial
Progresso
Industrial
Aprimoramento Tecnológico
Aprimoramento
Tecnológico
Vejamos Progresso Industrial Aprimoramento Tecnológico Aumento da população economicamente ativa
Aumento da população economicamente ativa
Aumento da
população
economicamente
ativa
Desenvolvimento comercial do teatro, do cinema e da música
Desenvolvimento
comercial do teatro,
do cinema e da
música

Principalmente os grandes centros urbanos tiveram reflexos nas

artes, na ciência e na tecnologia cotidiana, ou seja, todo o modus vivendi e a

produção cultural do país foram modificados. Os avanços trazidos pelas novas

tecnologias modificaram, inclusive, o cenário urbano, e as cidades começaram

a se verticalizar e ganhar seus famosos “arranha-céus”.

O aumento da população economicamente ativa resultante da

industrialização criou condições para o desenvolvimento comercial do teatro,

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do cinema e da música. No dia-a-dia, a presença cultural de países capitalistas,

principalmente dos EUA, se multiplicava por todos os lados, desde as grandes

indústrias, os arranha-céus, a publicidade, as roupas, até o cinema.

Computador, internet, microondas, MP3, televisão, máquina de

lavar, aspirador de pó

determinado modo de vida e, portanto, fala muito da nossa cultura atual - já

que nos permite entender o modo como as pessoas lêem e idealizam o seu

mundo.

O uso da tecnologia na vida cotidiana reflete um

Foi a partir do grande desenvolvimento tecnológico que um modelo

de felicidade baseado no consumismo capitalista veio a influenciar e modificar

diretamente a cultura brasileira. Assim, em praticamente todo o mundo

capitalista, comprar eletrodomésticos e automóveis tornou-se parte de um

projeto de vida. Quem de nós não tem um amigo que pegou o primeiro salário

e deu entrada num carro? Tudo bem que muitos podem dizer que um carro é

necessidade, ok! Porém, muito tem a ver com o padrão cultural estabelecido de

que uma pessoa bem sucedida tem que ter um carro, não é mesmo?

Assim, pessoal, o Brasil recebeu em cheio o impacto da ideologia

consumista e da revolução tecnológica norte-americana e, principalmente

nossa classe média, adotou o sonho do carro na garagem e passou a desejar,

em larga escala, a fantasia exportada pelos EUA.

É claro que toda essa importação cultural não passou incólume e

alguns críticos levantaram uma questão importante sobre onde estaria a

identidade nacional nesse redemoinho de novas possibilidades e nas

mudanças radicais que afetavam o mundo?

Só pra relembrar, pessoal, sabemos que nem tudo foi absorvido do

mesmo modo por todos, porém há um padrão que se repete nas mais

diferentes culturas, ok? Assim, os padrões de uma sociedade consumista

surgida nos Estados Unidos, nos anos 20, também se imbricaram na sociedade

brasileira.

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Aqui, como em praticamente todos os países do mundo ocidental, o

uso cotidiano da tecnologia refletiu e reflete um determinado modo de vida e

ideal de felicidade. Portanto, se em aulas anteriores falamos das

conseqüências da globalização e de todas as transformações que ocorreram

na economia, nos transportes e nas comunicações, hoje destacamos que a

questão cultural também foi afetada.

2- Cultura e espaço: conflitos étnicos/religiosos/lingüísticos atuais. A

questão das nacionalidades

A essa altura do campeonato, é imprescindível que todos tenhamos

compreendido que a definição de cultura está ligada a padrões de

comportamento que são socialmente transmitidos, ou seja:

Todo um complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte,

moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos

adquiridos pelo homem enquanto membro de uma determinada

sociedade.

Bem, pessoal, se a natureza dos homens é a mesma, como diria

Confúcio no século V a.C, “são os seus hábitos que os mantêm separados",

certo? E é partindo deste tipo de pensamento que poderemos compreender

como a cultura, ou os hábitos, influenciam na organização do espaço.

Apesar das infinitas barreiras que foram transpostas nos últimos

anos com a globalização, a cultural talvez seja uma das mais importantes e

difíceis de serem cruzadas. Como assim? Infelizmente, a facilidade com que

aceitamos novas tecnologias e padrões de comportamento não é estendida à

capacidade de compreendermos e respeitarmos culturas distintas da nossa.

No item acima, brincamos com o fato de haverem vários “Brasis”, dadas as

inúmeras diferenças culturais, não foi? Pois bem, nosso país é uma rara

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exceção onde a diversidade religiosa e cultural não é desencadeadora de

conflitos lingüísticos, étnicos ou religiosos.

Assim, estudar a cultura dos conflituosos nos parece um bom

instrumento para compreender as diferenças e as disputas existentes entre as

diferentes configurações ou relações que cada sociedade estabelece no

decorrer de sua história.

São chamados de conflitos étnicos certas subversões que eclodem,

periodicamente, em determinadas regiões em que os indivíduos demonstram

mais intolerância diante das diferenças culturais do outro. Assim, quando um

grupo não aceita as crenças, as leis, ou os hábitos sociais do grupo com o qual

divide o território, o conflito acaba sendo inevitável. Talvez pra nós brasileiros

esse seja um assunto meio difícil de compreender, já que apesar da

diversidade existente em nosso território, não fomos “premiados” com esse tipo

de problema social. Enquanto aqui no Brasil encontramos facilmente católicos,

protestantes e espíritas conversando e convivendo amigavelmente, em outras

partes do mundo, a diferença religiosa acaba originando uma disputa de fins,

geralmente, impróprios.

Além das diferenças culturais e religiosas, a cobiça por recursos

naturais, como petróleo e minérios em geral é um dos principais motivos de

grande parte das disputas existente. Como é ano de copa, que tal falarmos do

continente onde ela será realizada?

2.1 Pra lá do Atlântico

Guerras tribais, genocídios, diversidade étnica. Essas são apenas

algumas das imagens que nos vêm à cabeça quando pensamos no continente

africano, não pé mesmo? Porém, dois detalhes são importantes de serem

lembrados para que não tenhamos apriorismos ao estudar a África. O primeiro

é que este continente ultrapassa em muito o conceito e imagem restrita que o

mundo tem dele, uma vez que, apesar de toda a pobreza de seu povo, é uma

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das terras mais ricas em recursos naturais do planeta. E a segunda é que não

podemos pensar nos conflitos ali existentes como sendo causados apenas pelo

fator étnico, pois assim perdemos a chance de compreender a peculiaridade de

cada conflito.

A África é o terceiro continente mais extenso do mundo e os conflitos

atuais ali existentes são causados por motivos variados, embora em

determinados casos predomine o componente étnico, religioso ou político. Para

compreendermos melhor os conflitos nesse continente é imprescindível

sabermos que em termos geográficos e humanos ele se divide em duas áfricas

sendo uma chamada de Setentrional e a outra de Subsaariana.

Ao primeiro grupo pertencem: Egito, Líbia, Tunísia Argélia, Marrocos

e Djibuti, que possuem o ambiente desértico em sua maior parte. Como

podemos observar no mapa, todos esses países encontram-se bem ao norte

do continente, mais próximos do deserto do Saara.

O segundo grupo diz respeito aos 47 países ao sul do deserto do

Saara e por isso essa região é denominada África subsaariana. Nessa região,

a pobreza tem sido cada vez mais agravada pela ocorrência de vários

conflitos, os quais apesar de terem seu estopim em tensões étnicas e

religiosas, como a luta entre cristãos e islâmicos, dizem respeito a uma séria

disputa pelo controle das riquezas naturais do continente.

Ainda assim, em conflitos como o de Ruanda, prevalecem fatores

étnicos, no Sudão os religiosos e no Quênia as questões políticas e de poder

assumiram maior importância. Nesse sentido, cada conflito deve ser estudado

nas suas características próprias e generalizações quando se trata de um

continente tão amplo e diversificado em termos culturais como o africano

certamente nos guiariam ao erro.

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– ABIN PROFESSORES: RICARDO VALE E VIRGINIA GUIMARÃES Com exceção do país da Copa, a África

Com exceção do país da Copa, a África do Sul, a maior parte dos

países subsaarianos tem sua economia baseada na agricultura, em que o café

o algodão e o cacau são as principais monoculturas exportadoras. Apesar

disso, a grande menina dos olhos na economia africana é a mineração

responsável por 90 % de toda a receita alcançada no continente, o que

esclarece a dependência desses países pela importação de petróleo e

produtos industrializados.

Primeiro país africano a sediar uma Copa do Mundo, a África do Sul

se desponta com relação a seus vizinhos subsaarianos pelo grau de

desenvolvimento econômico e industrialização. Apesar disso, este país não

está livre da existência de conflitos em seu território.

Talvez os muitos jovens não se lembrem, mas até o ano de 1994,

quase 50 milhões de pessoas ainda viviam sob o apartheid, que impedia

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negros de possuírem terras, direitos políticos e viverem nos mesmos bairros

que os brancos. Ainda que se tenham passado quinze anos desde o término

desse regime, a população ainda carrega essa herança de desigualdade entre

uma minoria branca e a maioria negra e os conflitos mudaram sua forma, mas

não deixaram de existir.

Especialmente depois dos anos de dura repressão por conta do

regime de segregação racial, era de se esperar que a África do Sul fosse um

exemplo de tolerância, igualdade e fraternidade. Ao invés disso, ele se mostra

um país historicamente acostumado com os conflitos étnicos e raciais, que

resultam ainda hoje em demonstrações de ódio e selvageria, piores até do que

durante o antigo sistema.

Há exatos dois anos, em maio de 2008, uma onda de ataques tomou

a capital deste país, Johanesburgo, com ofensivas que a imprensa mundial

classificou como xenófobos. Naquela ocasião, mais de 25 mil imigrantes foram

expulsos de suas casas e mais 50 pessoas morreram. Todavia, a violência de

sul-africanos contra imigrantes de outras partes da África não pode ser

considerada xenofobia, na opinião de alguns especialistas, como a professora

de História da África, da USP, Leila Leite Hernandez. Segundo ela, os conflitos

que ocorreram na África do Sul estão muito mais ligados a motivos

econômicos, trabalhistas, sociais e políticos, já que os migrantes procuram

melhores condições de vida.

Xenófobos ou não, os conflitos ainda pertencem ao cotidiano dos

africanos e, no ano de 2008, deixaram dezenas de mortos, centenas de feridos

e milhares de desabrigados na África do Sul.

Mais recente ainda foi o massacre ocorrido na Nigéria agora em

2010, quando pelo menos 528 agricultores de aldeias cristãs foram

assassinados em confrontos com pastores muçulmanos. Em pleno século XXI,

os massacres chamaram a atenção do mundo, sobretudo devido à crueldade

dos assassinatos dos homens, mulheres e bebês que foram cortados a golpes

de facão e depois tiveram seus corpos queimados. Tamanha intolerância não é

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novidade naquele território onde, desde 1999, pelo menos 14 mil pessoas

morreram em conflitos étnicos e religiosos.

Pois é, pessoal, para facilitar um pouco o nó que esse assunto dá na

nossa cabeça, é importante levarmos em conta 3 pontos fundamentais dessa

região que interferem de um jeito ou de outro nos conflitos:

1- a extrema diversidade étnica e lingüística da região – que

evidencia a intolerância diante da alteridade

2- a duração do tráfico negreiro - que deixou rivalidades profundas

no relacionamento entre grupos "capturados" e "captores", marcas que o tempo

não tem conseguido apagar.

3- crescimento demográfico dos diferentes grupos étnicos – que

resultou na necessidade de cada um deles estender suas terras cultivadas para

compensar os efeitos da degradação dos solos.

Os recentes conflitos africanos ensejaram o surgimento ou

realçaram a ação de novos e antigos personagens. Se durante a Guerra Fria

as figuras mais importantes dos conflitos eram militares ou homens públicos,

hoje seus papéis são, de maneira geral, secundários. Assim, outros três

personagens emblemáticos, roubam a cena nos conflitos atuais e por isso

merecem ser citados: o senhor da guerra, a criança-soldado e o refugiado.

Outro conflito muito discutido atualmente é a atuação dos piratas na

costa da Somália. Apesar de muito em voga nos meios de comunicação

mundial, o que pouca gente sabe é que essa situação é gerada devido a um

antigo conflito étnico e religioso. Apesar de ter sua situação agravada e

ganhado mais visibilidade nos últimos anos, a pirataria nessa região não é um

fenômeno recente! Desde a década de 90, quando se iniciou a guerra civil

naquele país, os piratas passaram a representar um perigo iminente à marinha

mercante. Contudo, de 1998 pra cá, esse tipo de ação cresceu

significativamente até que em 2008 culminou no número de 130 navios

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atacados. Muito, não é? E o pior dessa história é que 90% dos sequestros só

são resolvidos com o pagamento do resgate.

Piratas mais ricos
Piratas mais ricos
Sofisticação nos ataques
Sofisticação
nos ataques
Maior dificuldade em se conter a pirataria
Maior dificuldade em se
conter a pirataria

Como podemos perceber amigos, colocar a casa em ordem não é

tarefa fácil, nem com a cooperação internacional! A ONU, apesar de

ter imposto sanções a entidades que julgou possuir algum tipo de ligação com

esses piratas, fica de pés e mãos atadas diante do lucro que a pirataria

oferece a quem se envolve com ela. Assim, o comércio internacional na região

é um dos maiores prejudicados, pois têm sido arcados por ele os prejuízos da

existência da pirataria. Diante dessa situação de risco iminente, foi

necessário um grande aumento tanto na segurança dos cargueiros que cruzam

a região quanto no valor do seguro das mercadorias - o que obviamente é

repassado ao consumidor final!

Apesar de medidas pensadas e concretizadas pela ONU e UE, até

agora ainda não surgiu nada que tenha conseguido intimidar os piratas.

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Mas vocês devem estar curiosos, pois no início dissemos que este

pode ser entendido como um conflito étnico e religioso, não é mesmo? Pois

bem, é importante compreendermos que há quase duas décadas a Somália

enfrenta problemas sérios quanto à unidade do poder do estado, das atividades

econômicas e das instituições. Um grupo denominado ICU - The Islamic Court

Union- controla a maioria do sul do país e tem por objetivo disseminar a lei

Sharia à medida que controlam mais e mais territórios, ou seja, o governo

formal é quase fictício, pois controla apenas uma pequena área do país.

A Lei Sharia que eles tentam disseminar é o corpo principal da lei

islâmica e enquadra legalmente determinados aspectos da vida pública e

privada daqueles que vivem sob os princípios muçulmanos. E o que isso tem a

ver com a pirataria? Tem que este conflito só está sem solução porque o

governo não é capaz de proteger suas águas territoriais devido, sobretudo, aos

conflitos étnicos e religiosos internos. Além disso, existem sérias acusações

internacionais de que esses grupos mais radicais estejam envolvidos

diretamente com a pirataria, o grupo a Al Qaeda e o terrorismo em geral.

Assim, a pirataria se liga aos conflitos étnicos religiosos justamente pelo

estreito vínculo entre o dinheiro arrecadado nos resgates e o

financiamento da manutenção de conflitos. Além disso, na medida em que

os conflitos não cessam, a atividade de pirataria continua fora do controle, pois

o governos não tem forças para combatê-la, ou seja, uma atividade acaba

colaborando para a existência da outra.

Vejamos como esses conflitos étnicos podem ser cobrados com

base na ultima prova da ABIN.

1(CESPE/ABIN-2008) Nos últimos anos, o continente africano

tem vivido momentos de tranqüilidade no que se refere a

atentados terroristas contra infra-estruturas urbanas, sem

mortandade de pessoas.

Comentários

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Bem, depois de tudo que vimos aqui da Nigéria a África do sul, se

tem uma afirmação que podemos negar é que esse continente tem vivido

momentos de tranqüilidade, não é mesmo?

Como vimos anteriormente, os conflitos atuais da África são gerados

por uma combinação de causas variadas, embora predomine, por exemplo, o

componente étnico na Ruanda, Mali, Somália e Senegal, o religioso na Argélia

e o político em Angola e Uganda. O que não faltam são exemplos que possam

nos dar segurança pra dizer que esta assertiva está errada, não é pessoal?

Ainda do outro lado do Atlântico temos um conflito étnico nos países

bascos que, apesar de terem origens bem antigas, infelizmente ainda podem

ser classificados como conflitos atuais, uma vez que não houve solução para

essa disputa.

Lá vamos nós, de novo, ter que dar um pulinho na história! O povo

basco habita o norte da Espanha e o Sul da França há mais de seis mil anos e

forma um conjunto de aproximadamente 2,5 milhões de pessoas. Esse povo

preserva sua identidade, sua cultura e, principalmente, possui uma língua

própria, o Euskera.

Assim, há no território basco alguns movimentos que desejam uma

relação mais federalista com a Espanha e outros que anseiam intensamente a

separação desta. Sobre este último grupo, não é possível determinar ao certo

sua proporção, mas é verdade que ele é condenado por todos os partidos

legais e a maioria da população da região.

Formado ainda nos anos 60, o grupo terrorista ETA - Pátria basca e

liberdade – vem exigindo, através de vários atentados, a independência de

todo o País Basco. Por sua vez, é claro que essa demanda se choca

totalmente com a política do Estado espanhol, e a nenhum acordo se chegou

até o momento. Os diversos atentados à bomba ou a tiros realizados nos

últimos dez anos por este grupo desencadearam manifestações de repúdio por

toda a Espanha. Assim, milhões de cidadãos, até mesmo nas principais

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cidades bascas, saíram às ruas para pedir paz e protestar contra a ação

desesperada e assassina do ETA.

No entanto, apesar de não contar com o apoio da maioria dos

bascos, a organização terrorista ETA que significa Euskadi Ta Azkatasuna,

continua firme em eu desígnio de pressionar o governo espanhol a reconhecer

a independência total do País Basco.

2.2 De cá do Atlântico

Já do lado de cá do Atlântico, os conflitos étnicos e lingüístico são

infinitamente mais suaves se comparamos à violência que geralmente seguem

essas situações.

Um exemplo deste tipo de conflito, existente aqui na América, é a

atual situação da cidade de Quebec. Apesar de estar localizada num território

de colonização majoritariamente inglesa, Quebec sempre manteve forte

identidade ligada à sua “pátria mãe” França. Ainda hoje, o idioma, os

monumentos, os nomes das cidades e das famílias ali presentes refletem a

origem francesa desta província. Historicamente colonizada por franceses

católicos, a maior parte de sua população passou a desenvolver atividades

produtivas e culturais diferentes do restante do país, colonizado pelos ingleses.

Por isso, Quebec é conhecida como a cidade mais européia do Canadá, pois

tem sua identidade muito mais ligada à Europa do que aos EUA e aí reside o

principal motor de conflitos: a diferença cultural.

Hoje em dia, essa comunidade e seus descendentes lutam pela

preservação de sua cultura, pela igualdade de direitos no Canadá e,

eventualmente, pela autonomia política. A hegemonia econômica dos anglo-

canadenses transformou o inglês na língua dos negócios até mesmo em

Quebec. Entretanto, a inclinação cultural da região é claramente francesa.

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Assim, nos anos 60, houve o surgimento da Frente de Libertação do

Quebec (FLQ) que era uma organização terrorista que foi desmantelada quase

dez anos depois, quando o Canadá assumiu-se, oficialmente, um país bilíngüe.

Atualmente, as duas etnias que habitam Quebec convivem até

harmonicamente, uma vez que os franceses que habitam aquela cidade

passaram a ter relativa autonomia. Foi essa concessão de poder por parte do

governo central em favor de um regional que possibilitou, no final da década de

1990, algumas mudanças significativas. Nesse sentido, a autonomia permitiu

tanto a realização de um plebiscito, em que a maioria decidiu ficar unida ao

Canadá, quanto estabeleceu que, no final da primeira década do século XXI,

ocorreria um novo plebiscito. Como dissemos anteriormente, um tumulto muito

mais perene do que os que estampam as manchetes dos jornais e capas de

revistas, porém existente!

Outro conflito, ainda mais pertinho da gente, e que não podemos

deixar de falar, é o que se desenvolve no território paraguaio entre os nativos e

os brasileiros que lá habitam, conhecidos pelo nome de brasiguaios. Essa

convivência nunca foi muito pacifica, mas tem se tornado cada dia mais

violenta e com motivações em questões fundiárias e preconceito étnico contra

os brasiguaios. Mas, afinal, o que é esse grupo? Como se formou? E por que

incomodam tanto os paraguaios?

Os brasiguaios são brasileiros que se estabeleceram em áreas

pertencentes à República do Paraguai, mas fronteiriças com o Brasil.

Sobretudo o leste paraguaio, onde reside a maior parte dos brasileiros, é uma

região historicamente muito desejada, principalmente por sua indiscutível

fertilidade da terra. Essa região, que foi palco de um intenso fluxo migratório

brasileiro nas décadas de 1960 e 1970 é considerada, hoje, de fundamental

importância para políticas estratégicas do MERCOSUL.

O fenômeno dos brasiguaios, como tudo que estudamos até agora,

pessoal, também não é homogêneo. Como assim? Falar desse acontecimento

significa discorrer sobre dois países diferentes, dois, povos de origens diversas,

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e duas culturas distintas, portanto, certamente haverá duas versões desse

conflito, não é mesmo?

Assim, há duas visões sobre esse grupo de brasiguaios. Na

imprensa brasileira eles costumam ser entendidos como trabalhadores

brasileiros pobres que viveram um período no Paraguai e depois voltaram ao

Brasil em busca de melhores condições de vida. Já na imprensa paraguaia, a

imagem disseminada sobre este grupo é de empresários agrícolas, plantadores

de soja, que destroem o meio ambiente, expulsam o camponês do meio rural e

acabam com a soberania nacional.

Bem, a construção dessas imagens polarizadas entre brasiguaios

ricos e exploradores ou campesinos pobres e oprimidos nos mostra que essa

tensão contemporânea não se detém apenas numa disputa econômica, e sim a

uma disputa pelo espaço no imaginário coletivo. Assim, as tensões reveladas,

teoricamente, pela posse da terra próxima ao limite internacional com o Brasil,

na verdade assumem contornos complexos. E justamente essa complexidade

que faz desse tema merecedor de nossa atenção, já que os conflitos podem

ser entendidos também como de classes, étnicos, civilizacionais ou nacionais.

É, amigos, ao mesmo tempo em que a presença dos "brasiguaios"

resultou num inegável crescimento econômico para a região, ela também

acendeu sentimentos nacionalistas e xenófobos dos paraguaios para com este

grupo. Deste modo, a população do Paraguai demonstra uma forte

preocupação com o enfraquecimento de sua identidade nacional na região

fronteiriça. Ai vocês devem estar se perguntando o porquê, não é mesmo?

Toda essa tensão é justificada pelo fato dos estrangeiros manterem sua própria

língua, usarem sua própria moeda, hastearam sua própria bandeira e também

possuírem as terras mais produtivas. Além disso, outras duas queixas são

fontes de atrito recorrentes feita por eles. A primeira é que não desejam que

seus filhos cresçam tendo o português como segunda língua, ao invés do

guarani. A Segunda é a questão racial, posto que a maioria dos brasiguaios

têm pele clara e feições européias, enquanto a maior parte dos paraguaios é

de origem hispano-guarani.

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Pois é, pessoal, vocês devem estar se perguntado se afinal não

erramos de aula ao estar debatendo isso nessa penúltima aula, já que em outra

já abordamos esse tema, não mesmo? Entretanto, amigos, a grande

“novidade” desses conflitos recentes é que eles não podem mais ser

explicados pela disputas geopolíticas que existiam outrora, entre o capitalismo

x socialismo.

Os conflitos tratados aqui são frutos da ação de grupos

fundamentalistas e isso é um fenômeno que pode ser considerado

absolutamente peculiar ao século XXI e de pequena importância no contexto

geopolítico do centro-sul do continente. Vale ressaltar que na região da bacia

do Congo e do Planalto dos Grandes Lagos o número de muçulmanos é bem

pouco expressivo e é justamente nessas regiões que os conflitos têm sido mais

mortíferos e duradouros.

3- Energia

Quando se fala em energia, é possível que a maioria de vocês

pensem, logo de cara, que estamos falando de energia elétrica ou da energia

gerada por combustíveis. Nada mais natural , já que todas as nossas atenções

estão voltadas para as questões energéticas que o Brasil vêm se defrontando

nas últimas décadas.

Em meados do Século XIX, quando o carvão mineral era fonte

básica de energia para transportes, indústrias e iluminação, ocorreram algumas

iniciativas nesta área. Entretanto, de lá para cá, muitas coisas mudaram e hoje,

já falamos de coisas que fariam nossos tataravôs pensarem em ficção

científica. Dentre os termos mais espantosos estão os tipos de energia

utilizados atualmente como a energia renovável, limpa ou suja, nuclear, energia

eólica ou solar - dentre tantas outras referências.

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Apesar da diversidade de fontes energéticas, o Brasil optou por

aproveitar seus recursos naturais, uma vez que dispõe da maior bacia

hidrográfica do mundo. Assim, hoje, as usinas hidroelétricas dão sustentação

ao desenvolvimento nacional e ao parque industrial brasileiro, respondendo por

quase 90% do total de energia gerada no País.

Todavia, com as previsões pessimistas a respeito do meio ambiente

e do iminente fim dos recursos naturais, todas as atenções se voltaram para as

mais diversas questões energéticas, principalmente combustíveis e

eletricidade. Que a energia é a principal mola motora do mundo moderno em

que vivemos todos nós sabemos, mas o que poucos sabem é sobre a

diversidade de fontes energéticas e que elas podem ser renováveis e não

renováveis. As que provêm de fontes renováveis são consideradas energia

limpa e, por isso, a grande demanda por novas fontes renováveis, já que as

oriundas de recursos não renováveis, como o petróleo, além de serem

consideradas sujas tem prazo para acabar.

No que concerne às matrizes energéticas e a sua relevância no

cenário internacional, julgue os itens subseqüentes.

2(CESPE/ABIN-2008) A questão da energia está exclusivamente

relacionada à escassez de suprimentos, à sua produção e aos

seus custos.

Comentários

Que a questão da energia está ligada a escassez de suprimentos, a

forma como é produzida e ao custo que tudo isso traz nós temos certeza que

está certo, mas afirmar que ela está ligada EXCLUSIVAMENTE a esses

fatores torna a assertiva incorreta. Nos dias atuais, qualquer jornal ou revista

que corremos o olho estará falando de outro assunto que se liga diretamente a

questão da energia: o meio ambiente. Assim, amigos, sempre que é aventada

em âmbito internacional a questão da energia, uma grande preocupação

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demonstrada, além de escassez, da produção e dos custos , são os malefícios

ou benefícios que ela pode trazer ao meio ambiente.

Muitos estudos atribuem ao excesso de uso de combustíveis fósseis

os principais impactos negativos sobre o clima, como as secas, cheias, os

furacões e todo tipo de extremo climático que tem sido observado com mais

freqüência. Nesse sentido, as alterações do clima acarretam modificações na

incidência de pragas agrícolas, com sérias conseqüências econômicas,

sociais e ambientais. Por essas e outras que as fontes de energia renováveis

viraram a grande sensação do momento, nos mais diversos países do mundo.

Sem a energia, nenhuma das transformações e revoluções que

ocorreram nas comunicações funcionaria e talvez por este motivo ela seja um

assunto tão importante de ser compreendido. Bastam cinco minutos de falta de

energia elétrica para se formarem filas nos bancos, exportações deixarem de

ser feitas e milhões em prejuízo serem calculados no local onde ocorreu a falta

de energia. Por isso, amigos, esse é um assunto que devemos tratar com toda

a seriedade que ele merece, já que é imprescindível na nossa formação

compreender um dos temas mais recorrentes e atuais nos últimos concursos:

luta por novas fontes que permitam a continuidade do desenvolvimento

tecnológico atingido até hoje.

De acordo com o cenário-base traçado pelo Instituto Internacional

de Economia, a demanda projetada de energia no mundo aumentará 1,7% ao

ano até o ano de 2030, quando alcançará 15,3 bilhões de toneladas de

petróleo por ano caso não haja modificações na matriz energética mundial.

Nesse caso, os combustíveis fósseis supririam 90% do aumento projetado na

demanda mundial até 2030 e essa é a grande preocupação!

Os combustíveis fósseis foram formados por acumulações de seres

vivos que viveram há milhões de anos e que foram sendo fossilizados

formando carvão ou hidrocarboneto. No caso do carvão, se trata de bosques e

florestas nas zonas úmidas e, no caso do petróleo e do gás natural, de grandes

massas de plâncton acumuladas no fundo de bacias marinhas ou lacustres.

Como podemos percebe, foram milhões de anos para se formar o que o mundo

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moderno consome numa velocidade incalculável e, por isso, o esgotamento

progressivo das reservas mundiais de petróleo é uma realidade cada vez mais

próxima. Para podermos visualizar como se dá o aproveitamento das matrizes

energéticas mundial vamos dar uma olhada no quadro abaixo

Petróleo

35,3

43,1

Carvão mineral

23.2

6,0

Gás natural

21,1

7,5

Biomassa tradicional

9,5

8,5

Energia Nuclear

6,5

1,8

Energia Hidroelétrica

2,2

14,0

Biomassa moderna

1,7

23,0

Outras energias renováveis

0,5

0,1

Fonte

Mundo

Brasil

Fonte: IEA (Mundo) e MME (Brasil)

3 (CESPE/ABIN-2008) O Brasil, que tem demonstrado baixa

capacidade de suprimento energético interno, depende da

Bolívia para abastecimento de todo o gás que consome.

Comentários

Entre as grandes economias do mundo, o Brasil tem de longe a

matriz de energia mais equilibrada entre as fontes renováveis e não renováveis

do planeta. E por que a assertiva acima está errada? Porque, apesar da maior

parte do abastecimento de gás do Brasil ser proveniente do gasoduto Bolívia-

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Brasil, existe um gasoduto nacional. Se fôssemos aqui falar em dependência, a

Bolívia é que seria apontada como fortemente dependente da exportação de

gás natural apesar de ser, junto com a Argentina, auto-suficiente no suprimento

de gás natural. Apesar de o Brasil surgir naturalmente como o principal

mercado consumidor para o gás boliviano, desde a década de 40 já existe

produção nacional de gás na Bahia, que supre algumas indústrias localizadas

no recôncavo baiano.

Com a entrada em operação do Gasoduto Brasil-Bolívia em 1999,

houve um aumento expressivo na oferta nacional de gás natural, mas dizer que

nosso país depende da Bolívia para abastecimento de todo o gás que

consome está errado, não é mesmo?

Só pra relembrar, pessoal, o aumento dessa oferta de gás foi ainda

maior depois que houve aquele apagão elétrico aqui no Brasil em 2004 e 2006,

vocês se lembram? Pois bem, naquela oportunidade o governo optou por

reduzir a participação das hidrelétricas na matriz energética brasileira e

aumentar a participação das termoelétricas movidas a gás natural e para

tanto foi necessário um aumento e aceleração na oferta de gás.

4 (CESPE/ABIN-2008) Há resistências ao uso de novas energias

na indústria automobilística global, a qual ainda prioriza a

fabricação de motores de automóveis movidos por produtos

derivados do petróleo.

Comentários

Apesar de outros tipos de energia estarem sendo pesquisados e

muitos outros já terem sido descobertos, o fato é que a indústria automobilística

prioriza, inegavelmente, a fabricação de motores de automóveis movidos por

produtos derivados do petróleo. Ainda que o slogan atualmente seja a busca

por bicombustíveis que emitam menos poluentes e têm a vantagem de ser

renováveis, essa ainda não é uma prática comum em nosso país. Trocar a

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gasolina pelo etanol e o óleo diesel pelo biodiesel é o objetivo dos países mais

desenvolvidos, como os pertencentes à União Européia e Estados Unidos.

Na UE, a meta é, até 2020, colocar ao menos 10% da frota de

veículos existentes rodando com etanol e no EUA ampliar cada vez mais o uso

desse combustível. Pois é, amigos, já que 90% dos combustíveis utilizados no

setor de transportes é oriundo do petróleo, torna-se imprescindível ampliar as

alternativas de abastecimento! Tudo isso porque o etanol é mais limpo do

que a gasolina, é renovável e, com planejamento, pode se tornar uma

fonte sustentável. Portanto, a questão está correta

5(CESPE/ABIN-2008) A viabilidade econômica e a

sustentabilidade na oferta e distribuição do etanol em termos

globais ainda é ponto de discussão de políticas voltadas para o

abastecimento de energia.

Comentários

Com a ameaça do aquecimento global, hoje um dos assuntos que

mais mexe com a opinião pública mundial, a busca de fontes de energia que

substituam os combustíveis fósseis tem sido um desafio para diversos países.

Nosso país, mesmo sendo referência na produção de Etanol e Biodiesel, ainda

está longe de amenizar a emissão de dióxido de carbono na atmosfera pelo

uso deste biocombustível. Todavia, se alguns classificam como sendo uma

energia que irá salvar a lavoura, outros afirmam que ela vai mesmo é

exterminá-la de vez!

Outro ponto importante é que com a crise de alimentos ocorrida no

ano de 2008, governantes e empresários de várias partes do mundo

relacionaram a expansão dos bicombustíveis com a elevação do preço dos

alimentos. Mas de onde surge essa questão e até que ponto isso é verdadeiro?

Bem muitos críticos afirmam que, ao se dedicar ao plantio de

produtos agrícolas que geram o biodiesel, o pais deixa de produzir e investir no

cultivo de alimentos que, como caem na quantidade, sobem no preço. Pura e

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simples lei da oferta e da procura! Menos gente plantando alimentos, menos

alimentos no mercado e maior preço daquilo que existe - o que aumentaria a

fome mundial. Só para termos uma idéia do alcance dessas plantações de

milho, mamona ou cana, só no ano de 2006, a produção mundial de etanol foi

de 40 bilhões de litros e a de biodiesel de 6,5 bilhões. Os EUA, por exemplo,

defendem seu etanol de milho e afirmam que só 3% da inflação dos cereais

são causadas pelos bicombustíveis. Do mesmo modo, o governo do Brasil

ressaltou que a alta dos preços dos alimentos no mundo não se deve à

produção de biocombustíveis e, sim, à elevação do preço dos fertilizantes e

também do petróleo, o que encareceu o transporte das mercadorias. Enfim,

entre defesas e acusações, o fato é que todos os governos do mundo estão

“pulando” para encontrar novas fontes de energia renovável, já que as mais

utilizadas hoje estão próximas do fim.

E o que são, exatamente, fontes de energias renováveis, vocês

sabem? São consideradas energias renováveis aquela oriundas de fontes

naturais que conseguem se regenerar, e, por isso, são potencialmente

abundantes. Dentre as mais conhecidas e utilizadas, podemos citar o vento, a

água, a onda do mar, a biomassa e o bicombustível etc. São conhecidas pela

imensa quantidade de energia que contêm, e porque são capazes de se

regenerar por meios naturais, ao contrário dos recursos não-renováveis.

Apesar de todos os benefícios, o biodiesel, que seria a “salvação da

lavoura”, na visão de alguns críticos de peso, está mais para a condenação

dela. Isso porque, segundo eles, a produção em massa de biocombustíveis

representa um crime contra a humanidade por seu impacto nos preços

mundiais dos alimentos.

Para termos uma idéia do quão diferentes em abundância são ou

podem ser essas fontes de energia, acredita-se que o Sol, por exemplo, irá

fornecer radiação solar, vento e chuva pelo menos ao longo dos próximos

quatro bilhões de anos. Além da abundância, outra grande vantagem desses

recursos energéticos citados é que não emitem gases de efeito estufa, ao

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contrário do que acontece com os combustíveis, fósseis ou renováveis, e por

isso é chamada de Energia Limpa.

A energia solar é aquela proveniente do Sol e, portanto, para ser

captada, precisa de painéis solares, que transformam em energia elétrica ou

mecânica, além de poder ser utilizada também em residências, para o

aquecimento da água. Ela é considerada uma fonte de energia limpa e

renovável, já que não polui o meio ambiente e não acaba enquanto houver sol,

não é? Apesar de tantas vantagens, ela ainda é pouco utilizada no mundo,

pois o custo de fabricação e instalação dos painéis solares ainda é muito

elevado e seu armazenamento é bastante difícil. Nesse sentido, os países mais

desenvolvidos são os que mais produzem energia solar, como o Japão,

Estados Unidos e Alemanha.

A energia eólica é a obtida pelo movimento do ar, ou seja, pelo vento

e por isso é uma abundante fonte de energia, renovável, limpa e disponível em

todos os lugares. Os moinhos de vento foram inventados na Pérsia no séc. V,

quando eram utilizados para bombear água para irrigação. Apesar de terem se

passado muito anos, os mecanismos básicos de um moinho de vento não

mudaram muito, acreditam? Desde aquela época, eles funcionam quando o

vento atinge uma hélice que se movimenta e gira um eixo que impulsiona uma

bomba. Bem, por mais que não entendamos, todos nos já vimos, mesmo que

em filmes, algo parecido, não é mesmo? .

Apesar da aparência bucólica e inofensiva que um moinho de vento

transmite, já que não queimam combustíveis fósseis e nem emitem poluentes,

as fazendas eólicas não são totalmente desprovidas de impactos ambientais.

É claro que esses impactos não são tão graves quanto a poluição de um rio ou

do ar de uma cidade, todavia essa energia altera as paisagens com suas torres

e hélices, além de ameaçar pássaros se forem instaladas em rotas de

migração. Outro ponto a se pensar sobre o moinho de vento é a emissão de

ruídos de baixa freqüência, que pode causar algum incômodo sonoro ou na

transmissão de televisão.

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Embora o vento seja uma fonte inesgotável de energia e as plantas

eólicas tenham um retorno financeiro a um curto prazo, dois problemas se

apresentam como empecilhos à utilização desta energia. O primeiro é o alto

custo dos geradores eólicos e o segundo é a instabilidade de ventos e, logo, da

produção de energia. Assim, em regiões onde o vento não é constante, ou a

intensidade é muito fraca, se consegue pouca energia e quando ocorrem

chuvas muito fortes, há desperdício de energia.

Uma das mais polêmicas formas de energia é a nuclear, também

chamada energia atômica. Ela tem esse nome justamente por ser obtida a

partir da fissão do núcleo do átomo de urânio enriquecido, que libera uma

grande quantidade de energia, que mantém unidas as partículas do núcleo de

um átomo.

Enfim, apesar de toda a complexidade na produção de energia

nuclear (e desnecessários para o nosso intuito) ela apresenta vários aspectos

positivos. Talvez o mais importante deles seja pensarmos que nem todos os

lugares do mundo são tão privilegiados quanto o nosso pais, onde podemos

escolher que tipo de energia produzir dadas as imensas riquezas naturais

existentes. Assim, ela é de fundamental importância em países que não

possuem recursos naturais para a obtenção de energia.

Estudos mais aprofundados devem ser realizados sobre essa fonte

energética, pois ainda existem vários pontos a serem aprimorados, para

garantir a segurança para a população. Sendo assim, destacamos como

aspectos positivos da energia nuclear o fato das reservas energéticas serem

muito maiores que as de combustíveis fósseis. Além disso, a usina nuclear

requer uma área menos para sua construção, se comparada às usinas de

combustíveis fósseis. Por fim, as usinas nucleares possibilitam maior

independência energética para os países importadores de petróleo e gás, e

não contribuem para o efeito estufa.

Como aspectos negativos temos o altos custos de construção e

operação das usinas, a possibilidade de construção de armas nucleares; e a

possibilidade de acidentes que liberem material radioativo.

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6 (CESPE/IRB-2008) Todas as fontes devem ser aproveitadas,

o Plano Nacional de Energia

2030 mostra exatamente isso: a existência de só uma ou duas

fontes não significa uma solução. O Brasil necessita,

principalmente, daquelas fontes que geram energia em grande

escala e têm alta disponibilidade, dando segurança ao sistema e

tranqüilidade aos consumidores. Internet:

<http://www.aben.com.br>.

dentro de suas especificidades. (

)

Com relação a fontes de energia, julgue (C ou E) os próximos

itens.

A ( ) A exploração de petróleo em águas profundas e

ultraprofundas foi possível graças a tecnologia desenvolvida no

Brasil, a qual, hoje, é exportada para outros países.

B ( ) Em razão de ter-se tornado auto-suficiente em petróleo

em 2006, o Brasil deixou de importar esse produto e seus

derivados.

C (

e seu consumo não acarretam danos ambientais ou sociais.

) Sendo o etanol uma fonte de energia limpa, sua produção

D ( ) No Brasil, a biomassa tem sido bastante explorada para

a geração de energia, o que resulta no fortalecimento da

agroindústria brasileira.

Comentários

A – Por mais incrível que isso possa lhes parecer, essa questão esta

correta! A Petrobrás é uma referência internacional na exploração de petróleo

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em águas profundas, e para tanto desenvolveu uma tecnologia própria,

pioneira no mundo, que a tornou uma líder mundial deste setor.

Assim, o seu projeto em março de 2001, se tornou uma referência

tecnológica para o mundo do petróleo, confirmando a sua liderança neste tipo

de exploração.

B – Essa questão está incorreta, pois, apesar de em 2006 o Brasil

ter se tornado auto-suficiente em petróleo, ele continua importando gás da

Bolívia. Alguns especialistas afirmam, inclusive, que também existem

condições favoráveis a sermos auto-suficientes também neste quesito. Apesar

disso, o fato é que nosso governo nunca deixou de importar esse produto e

seus derivados.

C – Conforme já comentamos acima, apesar de ser mesmo uma

energia limpa, a produção e o consumo do etanol continuam gerando polêmica

quanto à produção de alimentos nos países onde é produzido, acarretando, no

mínimo, danos sociais.

D - Os combustíveis mais comuns da biomassa são os resíduos

agrícolas, madeira e plantas como a cana-de-açúcar, que são colhidos com o

objetivo de produzir energia. O lixo municipal pode ser convertido em

combustível para o transporte, indústrias e mesmo residências.

No Brasil, a proporção da energia total consumida é cerca de 35% de origem

hídrica e 25% de origem em biomassa. Isso significa tanto que os recursos

renováveis suprem algo em torno de 2/3 dos requisitos energéticos do País,

quanto que essa energia tem sido mesmo bastante explorada para a geração

de energia e que isso fortalece a agroindústria brasileira.

Por fim, não podemos deixar de falar aqui da descoberta que já foi

de alegria a protestos nesse curto espaço de tempo que teve 2010: o pré sal.

Pré-sal é o nome que foi dado às reservas de hidrocarbonetos em

rochas calcárias que se localizam abaixo de camadas de sal. E o que é isso

exatamente?

Resumindo, é petróleo descoberto em camadas de 5 a 7 mil

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metros de profundidade abaixo do nível do mar. É uma camada de

aproximadamente 800 quilômetros de extensão por 200 quilômetros de largura,

que vai do litoral de Santa Catarina ao do Espírito Santo, ou seja, é grande até

perder de vista!

A discussão sobre a existência de uma reserva petrolífera na

camada pré-sal ocorre desde a década de 1970, quando geólogos da

Petrobrás acreditavam nesse fato, porém, não possuíam tecnologia suficiente

para a realização de pesquisas mais avançadas, fato que com todo esse

avanço tecnológico não foi difícil constatar. Para podermos visualizar o quão

profundo se localiza o petróleo e como será difícil explorar essa área, vejamos

a figura a seguir:

difícil explorar essa área, vejamos a figura a seguir: Localização da camada Pré-sal Para extrair o

Localização da camada Pré-sal

Para extrair o óleo e o gás da camada pré-sal, será necessário

ultrapassar a água de mais de 2.000m, uma camada de 1.000m de sedimentos

e outra de aproximadamente 2.000m de sal, ou seja, demanda tempo e

dinheiro, muito dinheiro!.

Resumo

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Cultura é um mapa através do qual as pessoas de um dado grupo

refletem, qualificam, analisam e alteram o mundo e a si mesmas sob os mesmo

conceitos.

Os conflitos étnicos, religiosos e lingüísticos atuais necessitam de é

percepções maduras para que possamos compreender as diferenças ao invés

de julgá-las segundo a nossa cultura.

Os grandes centros urbanos tiveram reflexos nas artes, na ciência e

na tecnologia cotidiana, ou seja, todo o modus vivendi e a produção cultural do

país foram modificados.

O uso da tecnologia na vida cotidiana reflete um determinado modo

de vida e, portanto, fala muito da nossa cultura atual

Além das diferenças culturais e religiosas, a cobiça por recursos

naturais, como petróleo e minérios em geral, é um dos principais motivos de

grande parte das disputas existentes.

Energia é o termo que se dá ao potencial inato para executar

trabalho ou realizar uma ação

Há vários tipos de energia, mas o mundo vem buscando alternativas

para fazerem às vezes das mais utilizadas atualmente

.

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Bibliografia

ROSS, Jurandir Sanches (org). GEOGRAFIA DO BRASIL. - 6ª- edição - São

Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009.

GREGORY, Derek, et alli. Geografia Humana. Sociedade, Espaço e Ciência

Social. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.

GREMAUD, Amaury Patrick. Economia brasileira contemporânea. São

Paulo: Atlas, 2009.

SANTOS, Milton. Por uma Geografia nova. São Paulo: Editora da

Universidade de São Paulo, 2008.

O Espaço dividido: os dois circuitos da Economia urbana

dos países subdesenvolvidos. São Paulo: Editora da Universidade de São

Paulo, 2008.

SILVEIRA, Maria Laura (org.). Continente em Chamas. Globalização e

território na América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

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LISTA DE QUESTÕES

1(CESPE/ABIN-2008) Nos últimos anos, o continente africano tem

vivido momentos de tranqüilidade no que se refere a atentados terroristas

contra infra-estruturas urbanas, sem mortandade de pessoas.

(CESPE/ABIN-2008) No que concerne às matrizes energéticas e a

sua relevância no cenário internacional, julgue os itens subseqüentes.

2 (CESPE/ABIN-2008) A questão da energia está exclusivamente

relacionada à escassez de suprimentos, à sua produção e aos seus custos.

3(CESPE/ABIN-2008)O Brasil, que tem demonstrado baixa

capacidade de suprimento energético interno, depende da Bolívia para

abastecimento de todo o gás que consome.

4(CESPE/ABIN-2008)Há resistências ao uso de novas energias na

indústria automobilística global, a qual ainda prioriza a fabricação de motores

de automóveis movidos por produtos derivados do petróleo.

5(CESPE/ABIN-2008)A viabilidade econômica e a sustentabilidade

na oferta e distribuição do etanol em termos globais ainda é ponto de discussão

de políticas voltadas para o abastecimento de energia.

6(CESPE/IRB-2008) Todas as fontes devem ser aproveitadas,

dentro de suas especificidades. (

exatamente isso: a existência de só uma ou duas fontes não significa uma

solução. O Brasil necessita, principalmente, daquelas fontes que geram energia

em grande escala e têm alta disponibilidade, dando segurança ao sistema e

tranqüilidade aos consumidores. (http://www.aben.com.br)

o Plano Nacional de Energia 2030 mostra

)

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Com relação a fontes de energia, julgue (C ou E) os próximos itens.

A( ) A exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas

foi possível graças a tecnologia desenvolvida no Brasil, a qual, hoje, é

exportada para outros países.

B(

) Em razão de ter-se tornado auto-suficiente em petróleo em

2006, o Brasil deixou de importar esse produto e seus derivados.

C(

) Sendo o etanol uma fonte de energia limpa, sua produção e

seu consumo não acarretam danos ambientais ou sociais.

D(

) No Brasil, a biomassa tem sido bastante explorada para a

geração de energia, o que resulta no fortalecimento da agroindústria brasileira.

Gabarito final

1 errado

2 errado

3 errado

4 certo

5 certo

6acerto

6b errado

6c errado

6d certo

 

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