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Visão Legal Trabalhista

Normas Trabalhistas do Japão – Básico

As empreiteiras (CRIME ORGANIZADO NO TRÁFICO ILEGAL


DE TRABALHADORES) que estejam operando sem a autorização
(do Ministro do Trabalho e da Saúde e do Bem-Estar Social) – ou
registro –, não podem fazer apresentação de empregos (shoukai)
ou enviar seus trabalhadores para outras empresas: esta prática é
ilegal!

Ao procurar emprego no Japão, deve-se tomar cuidado para


não se envolver em intermediações ilegais de trabalho.

Exija as duas autorizações ministeriais: uma para o Haken


(alocação de mão-de-obra) e uma outra, a fim de que a
empreiteira possa obter lucros sobre um trabalhador. Empresas
de Ukeoi (empreitada) estão dispensadas da primeira
autorização, mas precisam daquela sobre a obtenção de lucros.
O enriquecimento ilícito é crime!

O simples fato de haver uma licença não significa que a


empresa esteja agindo corretamente: é preciso que siga à risca
cada uma das Normas Trabalhistas. Há empresas que publicam
um número de registro em seus anúncios, porém, usam o
número de uma outra empresa que somente eles a consideram
como parte integrante de um grupo: cada empresa desse "grupo"
deve obter uma licença à parte.

Não existem Leis Trabalhistas no Japão. Existem Normas


Trabalhistas. As leis devem ser feitas pela Dieta Nacional
(Legislativo). Órgãos do Executivo não podem legislar, mas
podem criar normativas baseadas em leis válidas ou que não
colidam com a Constituição e demais leis vigentes. As normas
podem regrar somente pessoas jurídicas. As leis regem ambas as
pessoas, física (cidadão/indivíduo) e jurídica.

Contrato

O empregador deve informar claramente as condições de


trabalho, ao trabalhador, no ato do contrato. Esclarecer por
escrito, principalmente, os ítens básicos como o salário, horas de
trabalho e outros dados básicos (Notificação das condições de
trabalho entre outros), e de tal maneira que o trabalhador possa
compreender. (Artigo 15 das Normas Trabalhistas)

O contrato deve ser elaborado por uma pessoa gabaritada e


que não colida com as leis vigentes, bem como com as Normas
Trabalhistas. Duas ou mais cópias de mesmo teor e forma,
assinadas pelas partes, deverão ficar em poder de cada uma das
partes envolvidas – uma cópia para cada uma das partes.
Cláusulas absurdas e, portanto, contrárias às leis e Normas
Trabalhistas são sumariamente invalidadas – podendo, inclusive,
ser aberto um processo criminal ou cível, dependendo da
natureza da violação.

Proibição do tratamento discriminatório por motivo de


nacionalidade

Os empregadores não podem discriminar o trabalhador no


que tange à igualdade de condições, tais como o salário, horas de
trabalho e etc., por causa da sua nacionalidade, crença ou classe
social. (Artigo 3 das Normas Trabalhistas)
Proibição da obrigação de trabalho e exploração do
trabalhador

O empregador não poderá obrigar o empregado a executar


um trabalho contra a sua vontade, por agressão ou ameaça.
Outrossim, é proibido obter lucros, sem devida permissão legal,
sobre o estado de emprego do trabalhador. (Artigos 5 e 6 das
Normas Trabalhistas)

Proibição de fazer contratos de trabalho visando o


recebimento de indenização e penalidades pela falta de seu
cumprimento

É proibido fazer contratos em que se vise o pagamento, pelo


trabalhador, de uma indenização ou penalidade por falta de
cumprimento do contrato, como por exemplo, multa por rescisão
do contrato. (Artigo 16 das Normas Trabalhistas)

Não são permitidos descontos automáticos do salário, como


por exemplo, aluguel e outras despesas referentes ao alojamento,
em virtude de não se tratar de assuntos referentes à
contratação – fora do âmbito trabalhista. Isto significa que essas
despesas devem ser acertadas, diretamente pelo trabalhador,
mediante a apresentação dos comprovantes concernentes ao que
está sendo cobrado, evitando deste modo, os habituais abusos.

Restrições quanto à demissão de trabalhadores em


tratamento médico após acidentes de trabalho

É proibido, em princípio, despedir o trabalhador que sofreu


acidente de trabalho, enquanto o mesmo estiver em tratamento
médico ou no período de 30 dias de recuperação. (Artigo 19 das
Normas Trabalhistas)
Aviso prévio de demissão

Ao demitir um trabalhador é necessário, em princípio, que


seja dado o aviso com antecedência de 30 dias. Quando não há
aviso prévio de 30 dias à sua demissão, é obrigatório o
pagamento desses 30 dias à média salarial dos três últimos
meses (do bruto).

No entanto, este caso não será aplicado em caso da


empresa não poder continuar a funcionar por razões de
calamidades ou outros acidentes, ou quando o trabalhador
despedido for o responsável pela sua demissão. Todavia, nestes
casos é necessário que a empresa obtenha a Isenção do Aviso
Prévio de Demissão emitida pelo Chefe da Inspetoria das Normas
Trabalhistas. (Artigos 20 e 21 das Normas Trabalhistas)

Pagamento do salário

O salário deve ser pago em moeda, no seu inteiro valor,


diretamente ao trabalhador, mais de uma vez por mês, nos dias
determinados. Todo e qualquer desconto deve ser precedido da
autorização do funcionário. (Artigo 24 das Normas Trabalhistas)

Interpretando: um funcionário que comece a trabalhar no


dia 10 de janeiro, deverá receber todo o seu salário até o dia 9 de
fevereiro. Não existe “dia de fechamento” – esta é uma
malandragem para atrasar o pagamento. O empregador deve
pagar, minimamente, duas vezes ao mês. Como o pagamento
deve ser em dinheiro vivo, caso o empregador queira depositar
em banco, poderá fazê-lo mediante autorização do empregado.
Neste último caso, o dinheiro deverá estar disponível até às 10
horas da manhã do dia de pagamento.
Adiantamentos Salariais – Vales

O funcionário tem o direito de pedir pelo resgate do


montante já trabalhado em qualquer tempo. Não depende das
"normas da empresa", visto que o dinheiro já lho pertence.

Não é permitida a discriminação salarial por razão de sexo

Homens e mulheres devem receber o mesmo salário! Não


existem trabalhos “de homens” ou trabalhos “de mulheres”. O
empregador não pode escolher ou dar preferência a um
determinado gênero (só homens ou só mulheres). Anunciar com
a insinuação “ambiente predominantemente feminino” – e vice-
versa – é ilegal.

Discriminar a idade é, igualmente, ilegal: o sistema de


aposentadoria estabelece a idade para fazê-lo. Quem estiver
sendo discriminado, deve procurar o Departamento de Bem-Estar
Social de uma prefeitura, a fim de informar sobre a discriminação
sofrida e pedir auxílio financeiro suportado pelo Estado até que
consiga um emprego.

Salário mínimo

O empregador deve fixar o valor do salário, de um


trabalhador, a partir do salário mínimo. (Artigo 5 da Norma de
Salário Mínimo) O salário mínimo é estipulado para cada região
e, ao mesmo tempo, para cada tipo de profissão.

Jornada de trabalho e folgas

O empregador não pode fazer com que o empregado


trabalhe mais que 8 horas por dia, 40 horas por semana. (Para
alguns tipos de trabalho ou porte de empresa, são 44 horas) –
Artigos 32 e 40 das Normas Trabalhistas.

O empregador deve oferecer, ao empregado, folgas


semanais de no mínimo um dia, ou 4 dias (ou mais) para cada 4
semanas. (Artigo 35 das Trabalhistas)

Pagamento de adicional para horas extras, período noturno


e dias de folga (as horas normais são 8 horas diárias e 40
horas semanais)

O empregador deve obedecer às normas ministeriais, caso o


trabalhador ultrapasse as horas de trabalho determinadas pelas
Normas Trabalhistas, ou trabalhe nos dias de folga. (Artigo 36
das Normas Trabalhistas)

Para o trabalho além das horas determinadas, pelas


normativas, deve ser paga uma remuneração extra calculada
com acréscimo de mais de 25%, e para o trabalho feito nos dias
de folga, determinado por essas mesmas normas, deve ser pago
um valor extra com mais de 35% de acréscimo em relação à hora
normal.

Para o trabalho noturno (a partir das 22 horas até às 5


horas), também, deve ser feito um pagamento extra de mais de
25% de acréscimo em relação ao valor da hora normal. (Artigo
37 das Normas Trabalhistas)

Férias anuais remuneradas

Os trabalhadores que continuam trabalhando por mais de 6


meses consecutivos e que cumprem com mais de 80% dos dias
determinados para o trabalho, o empregador deve conceder o
direito de férias anuais remuneradas (os dias de férias variam por
tempo de serviço, porém para o primeiro ano são de 10 dias).
(Artigo 39 das Normas Trabalhistas)

Devolução do dinheiro e outros pertences do trabalhador

Caso, ao sair do emprego, o trabalhador solicitar, o


empregador tem a obrigação de lhe devolver o dinheiro ao qual
tem direito, assim como os seus pertences, dentro de 7 dias. Além
disso, o empregador não tem o direito de reter o passaporte ou
qualquer outro documento sob pretexto de caução.

Segurança e higiene

Para garantir a segurança e higiene do trabalhador, o


empregador deve tomar medidas para evitar acidentes ou
doenças do trabalhador, como atividades de educação sobre
segurança e higiene (na hora do início de emprego) ou do exame
médico. (Artigos 59 e 66 das Normas de Segurança e Higiene do
Trabalho)

Calendário da empresa

O funcionário que trabalha através de empreiteira, não está


sujeito ao calendário da empresa-hospedeira. O calendário
comum do Japão é aplicado neste caso. Isto significa que nos
dias de feriados do calendário comum, caso tenha de trabalhar,
deverá ser com o acréscimo de mais de 35% sobre o valor da
hora normal.

Vale lembrar que nos dias de feriados prolongados de uma


fábrica (Golden Week, por exemplo), o empregador deverá pagar,
proporcionalmente, mais de 60% da média salarial dos últimos
três meses sobre os dias parados à sua conveniência.
Uniforme

Os funcionários, prestadores de serviços através de


empreiteiras, devem ter uniforme diferenciado do dos demais
funcionários efetivos de uma fábrica. Não pode ser cobrado.

Shakai Hoken e Impostos deduzidos na fonte

Não existe lei válida que obrigue alguém a se cadastrar em


sistemas de seguro quaisquer. Se a empresa for obrigada a
inscrevê-lo, deverá arcar com a totalidade das despesas.
Outrossim, não há lei obrigando funcionários assalariados a
pagar qualquer imposto.

Há empreiteiras que criam "cooperativas" para poder


extorquir mais dinheiro de seus funcionários, inclusive chegando
a negar o emprego, caso uma pessoa se recuse a participar.

Rosai Hoken

É um sistema de seguro para acidentes de trabalho e deve


ser pago integralmente pelo empregador. Caso se acidente – isto
inclui o percurso casa-trabalho-casa – mencione este seguro ao
dar entrada em um hospital. A comutação de Kokumin Kenko
Hoken para o Rosai Hoken é complicada.

Cuidado! Os tantoushas costumam se intrometer a fim de


proteger a empreiteira.

Ninguém deve aceitar os seguros particulares e, se por


qualquer razão, alguém disser que a adesão à apólice da
empresa é "obrigatória" para a obtenção do emprego, o fato
deverá ser denunciado.
Entrevista “na fábrica”

Prestadores de serviços, que estejam trabalhando através de


empreiteiras, não precisam passar por qualquer entrevista ou
aprovação da fábrica-hospedeira. Os dados pessoais, bem como
as cópias de documentos de um funcionário de uma terceirizada,
não devem ser divulgados à fábrica – visto que a empresa-
hospedeira nada tem a ver com cada um desses funcionários.