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Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas Gabinete do Desembargador Flávio Pascarelli

PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 0240919-76.2011.8.04.0001 APELANTE: MARIA CLARA ROCHA DE ARAÚJO APELADO: ODAIR JOSÉ SILVA DO VALE

EMENTA: APELAÇÃO. INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. REPETIÇÃO DE EXAME DE DNA. PRECLUSÃO. 1.Não havendo insurgência no momento oportuno, forçoso reconhecer a preclusão consumativa, nos termos do art. 473 do CPC. 2. O exame de DNA conclusivo de forma negativa quanto à paternidade investigada, sem que militem nos autos da ação de investigação elementos outros que o desautorizem, sustentando-se o apelante em meras conjecturas acerca da existência de suposta fraude, é prova bastante de modo a autorizar o julgamento de improcedência.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos, ACORDAM os Senhores Desembargadores, à unanimidade, em dissonância com o parecer Ministerial, em conhecer do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator, que passa a integrar o julgado.

PUBLIQUE

SE.

Manaus, 05 de agosto de 2013.

Presidente

Des. Flávio Humberto Pascarelli Lopes Relator

Dr(a)

Procurador(a) de Justiça

Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas Gabinete do Desembargador Flávio Pascarelli VOTO Conforme já

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VOTO Conforme já relatado às fls.105/106 dos autos, trata-se de Apelação Cível interposta por MARIA CLARA ROCHA DE ARAÚJO em face de ODAIR JOSÉ SILVA DO VALE contra sentença proferida pelo Juízo de Direito da 4ª Vara da Família, nos autos da ação de investigação de paternidade, que julgou improcedente o pedido, após o resultado negativo do exame de DNA.

A apelante, em suas razões recursais, pugnou pela realização de novo exame de DNA, alegando que o exame anterior poderia ter sofrido alguma alteração, pelo que requereu uma nova audiência de coleta de material, porém, para que fosse coletado material sanguíneo, visto que anteriormente fora retirado apenas material salivar.

Ao final, pugnou pelo conhecimento e provimento do recurso, para alterar a sentença a quo, determinando a realização de novo exame de DNA.

Foram ofertadas contrarrazões, nas quais o recorrido aduziu que o inconformismo da recorrente estaria escorado na alegação de que a genitora da menor, a Sra. Nicolle Caroline Rocha de Araújo, só teria estado com um único homem antes engravidar e que o exame, ainda que técnico e pericial, realizado criteriosamente, poderia ter sofrido alguma alteração, importando no resultado obtido.

Por fim, buscou pela manutenção da sentença objeto do recurso.

O Ministério Público manifestou-se pelo conhecimento e provimento do

recurso.

Passo efetivamente ao Voto.

Presentes os requisitos legais de admissibilidade do recurso de apelação interposto, dele conheço.

Pois bem, a demanda foi ajuizada para que, comprovada a paternidade, fossem fixados os alimentos provisionais ou definitivos.

Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas Gabinete do Desembargador Flávio Pascarelli Em primeiro lugar,

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Em primeiro lugar, é necessário registrar que a pretensão do apelante é,

tão somente, a repetição do exame de DNA no âmbito da presente ação, escudando-

se na eventual hipótese de ter havido erro no primeiro exame realizado entre as

partes.

A pretensão não pode prosperar, por caracterizada a preclusão.

Explico. Na audiência de fls.65/66 procedeu-se à abertura do envelope do

exame pericial de DNA, que teve como resultado a exclusão da paternidade

biológica do apelado, sendo, portanto, o momento oportuno para impugnar o

referido laudo e pleitear a produção de outras provas, as quais entendesse serem

necessárias, contudo, manteve-se inerte.

Após ouvido o Ministério Público (fls.78/79), sobreveio a sentença de

improcedência dos pedidos da apelante (fls. 81/82).

Logo, não havendo insurgência no momento oportuno, forçoso

reconhecer a preclusão consumativa dessa matéria recursal, nos termos do art. 473

do CPC, de seguinte teor: "É defeso à parte discutir, no curso do processo, as

questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão".

Desta forma, consoante lição de Chiovenda, citada por MOACYR

AMARAL SANTOS, a preclusão "consiste na perda duma faculdade processual por

se haverem tocado os extremos fixados pela lei para o exercício dessa faculdade no

processo ou numa fase do processo". Acrescenta, ainda, uma síntese do

ensinamento de Liebman:

"Por preclusão se entende a perda ou a extinção do direito de praticar um ato processual devido: a) à decorrência do prazo; b) à falta do exercício no momento oportuno, quando a ordem legalmente estabelecida na sucessão das atividades processuais importe em graves conseqüências; c) à incompatibilidade com uma atividade já exercida; d) ao fato de já ter sido exercido o direito" (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, 3ª ed., Vol. IV, p. 464/465)

Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas Gabinete do Desembargador Flávio Pascarelli Nesse sentido, também

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Nesse sentido, também se posiciona a jurisprudência:

"A reiteração de pedido já decidido e irrecorrido não tem força de afastar a preclusão existente, sobre o mesmo objeto, para inaugurar novo prazo recursal". (TJDF - Ac. 83330 - Ag.Reg. Proc. 36924/95-DF - Rel. Des. Everardo Mota e Matos. in Jus, n. 19).

É inconstestável, por conseguinte, que o pedido não pode ser acolhido,

visto que apresentado em momento processual inadequado, quando, como dito, já

caracterizada a preclusão.

Ademais, não fosse a preclusão apontada, o simples fato de o apelante

não estar satisfeito com o resultado do exame de DNA não é motivo para a

realização de outra prova pericial de igual natureza.

Friso que o exame foi realizado de comum acordo entre as partes, tendo

como resultado 99,99% de certeza de não ser o apelado o pai biológico da apelante,

(fls.67/77).

Além do mais, a apelante não declinou nenhum vício que fosse capaz de

macular a prova pericial realizada. O seu simples inconformismo não é suficiente

para autorizar a repetição da referida prova.

Posto isso, conheço do recurso para negar-lhe provimento.

É como voto.

Manaus, 5 de agosto de 2013.

Des. Flávio Humberto Pascarelli Lopes Relator