2ª Sessão: O Modelo de Auto - Avaliação. Problemáticas e conceitos implicados
09.11.2009
Análise crítica do Modelo de Auto - Avaliação das
Bibliotecas Escolares
Tarefa 2 | 1ª Parte
O Modelo enquanto instrumento pedagógico e de melhoria. Conceitos implicados.
Citação: [O modelo de auto-avaliação escolhido tem como objectivo] desenvolver uma abordagem essencialmente qualitativa, orientada para uma análise dos processos e dos resultados e numa perspectiva formativa, permitindo identificar as necessidades e os pontos fracos com vista a melhorá-los. (Modelo de Auto - Avaliação, 2008, Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, p. 2)
A melhoria do desempenho das bibliotecas escolares surge como a finalidade primordial do modelo construído pelo Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares. Subjacente a esta finalidade,
estão vários conceitos que a literatura internacional enuncia como fundamentais para a concepção de instrumentos avaliadores das práticas existentes. Esses conceitos são:
• A noção de valor
É importante que o modelo criado se relacione com a missão da biblioteca escolar e com
os objectivos da respectiva escola. Devem ambas (biblioteca e escola) promover a
construção do conhecimento, de modo a alcançar o sucesso educativo desejável. Para isso, é necessário que o aluno seja o agente activo da construção do conhecimento, que haja uma prática de questionamento sistemática, que se introduza ou se desenvolva a aprendizagem de novas literacias de acesso aos vários saberes, que se saiba gerir a mudança a partir do impacto da biblioteca na escola onde está inserida.
• A qualidade e a eficácia
É importante que o modelo criado avalie a biblioteca com base nas noções de qualidade e
de eficácia e não apenas com base nas noções de quantidade e de eficiência. Para isso, é necessário que se avalie o grau de satisfação dos utilizadores através da recolha de evidências associadas ao trabalho diário, que se afira o impacto da biblioteca nas aprendizagens dos alunos e no sucesso escolar, que se centre a atenção nos resultados
produzidos, que se questione o que pode/deve ser feito a partir desses resultados, que se introduza uma nova mais-valia.
• A flexibilidade
É importante que o modelo criado se adapte à especificidade de cada biblioteca e de cada
escola e à realidade de cada ano lectivo. Para isso, é necessário que se escolha um domínio prioritário por ano, em função das particularidades ou das vicissitudes individuais de cada instituição, que se encare o conceito de flexibilidade como central to strategic
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Tarefa realizada por Maria João Queiroga | Coordenadora da Biblioteca da Escola Secundária com 2º e 3º Ciclos Gil Vicente
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thinking (This Man Wants to Change Your Job, 2002, Michael B. Eisenberg & Danielle H. Miller).
• A exequibilidade É importante que o modelo criado passe a fazer parte da rotina de funcionamento da biblioteca e da instituição escolar a que ela está ligada. Para isso, é necessário que seja operacionalizado facilmente, que tenha a colaboração dos utilizadores e das várias estruturas pedagógicas da escola, que surja acompanhado do registo de todas as evidências produzidas, que seja visto como um elemento gerador de mudanças positivas.
Pertinência da existência de um Modelo de Avaliação para as Bibliotecas Escolares.
Citação: A biblioteca escolar constitui um contributo essencial para o sucesso educativo (…). Neste sentido, é importante que cada escola conheça o impacto que as actividades realizadas pela e com a biblioteca escolar vão tendo no processo de ensino e de aprendizagem, bem como o grau de eficiência dos serviços prestados e de satisfação dos utilizadores. (Modelo de Auto - Avaliação, 2008, Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, p. 1)
Qualquer programa, educativo ou de outra natureza, deve ser submetido a um processo avaliativo, a fim de se aferir a sua eficácia e assegurar a sua melhoria. A biblioteca escolar não é excepção. Assim, a existência de um modelo de avaliação para as bibliotecas escolares é não só pertinente como necessária. A construção desse modelo deve obedecer a um quadro de referência definido de forma clara, que se consubstancie num instrumento de recolha de evidências. Estas devem ser cumulativas, analisáveis e transformáveis em resultados que apontem para a melhoria da acção da biblioteca escolar no contexto educativo.
Nesta perspectiva, o Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares demonstra que houve, na sua concepção, uma preocupação em contemplar as áreas fundamentais do trabalho a desenvolver numa / por uma biblioteca integrada numa instituição escolar, escolhendo, para os quatro domínios, indicadores de medida, factores críticos de sucesso, evidências e acções para a melhoria, não deixando de lado a sugestão de exemplos e a representação da avaliação feita através de níveis de proficiência. São estes que irão proporcionar a reflexão que deverá estar na base da implantação das mudanças consideradas necessárias.
Conclui-se, assim, que, após a aplicação de inquéritos, questionários, registos de vária ordem, a utilização de materiais de apoio produzidos, a elaboração de estatísticas, a existência de documentos orientadores, o levantamento de outras evidências apresentadas no Modelo em análise, ou seja, após o tratamento da informação de qualidade recolhida, é possível encetar um processo de melhoria dos resultados obtidos. Nesta medida, é pertinente a existência de um modelo de avaliação para as bibliotecas escolares. Que esse modelo e a sua aplicação sejam comuns a todas as bibliotecas escolares existentes no país é importante, pois isso permite uniformizar objectivos e práticas. Que esse modelo seja gerador de reflexão é fundamental, pois isso proporciona a teorização dos conceitos subjacentes à política das bibliotecas e das escolas.
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Organização estrutural e funcional. Adequação e constrangimentos.
Citação: Os domínios seleccionados representam as áreas essenciais para que a biblioteca escolar cumpra, de forma efectiva, os pressupostos e objectivos que suportam a sua acção no processo educativo. (…) Todos [os aspectos incluídos] apontam para as áreas nucleares em que se deverá processar o trabalho da/com a biblioteca escolar e que têm sido identificados como elementos determinantes e com impacto positivo no ensino e na aprendizagem. (Modelo de Auto - Avaliação, 2008, Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, p. 3)
Os quatro domínios do Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares elaborado pelo
Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares espelham as áreas-chave de intervenção da biblioteca
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do professor bibliotecário. |
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domínio A. e o respectivo primeiro subdomínio são fundamentais para a análise da articulação |
entre a biblioteca e as restantes estruturas pedagógicas da escola. Esta articulação refere-se quer aos curricula definidos superiormente quer às planificações ou actividades decididas pela escola e abrange vários parceiros (departamentos, grupos disciplinares, áreas disciplinares não
curriculares, apoios educativos, direcções de turma, docentes em geral) e ainda o Plano de Ocupação Plena dos Tempos Escolares. O segundo subdomínio é crucial para a análise da promoção da literacia da informação protagonizada pela biblioteca. Este protagonismo refere-se quer à formação dos utilizadores quer à elaboração de materiais de apoio e à implementação de uma rede avançada de tecnologias e abrange também vários parceiros e documentos orientadores do estabelecimento de ensino (Projecto Educativo, Projecto Curricular de Escola, Projectos Curriculares de Turma, Plano Tecnológico da Educação, etc.). O domínio A. é, portanto, aquele que pressupõe a integração institucional e programática da biblioteca e, nessa medida, surge como aquele que se reveste de uma importância educativa de maior dimensão. Por isso, a sua concretização afigura-se ser complexa e necessita da colaboração e do empenho efectivos dos órgãos directivo, pedagógico e regulador (direcção executiva, conselho pedagógico, conselho geral) da escola.
O domínio B. é fundamental para a análise da política de promoção da leitura junto dos alunos.
Esta promoção é dinamizada pela biblioteca e articulada com outros parceiros (internos à escola e exteriores a esta, como por exemplo, o Plano Nacional de Leitura). A sua concretização estará relacionada com o domínio anterior e também com os domínios seguintes e, por isso, afigura-se como transversal a todo o modelo. É, aparentemente, o domínio que se apresenta como o de execução mais acessível, apesar de complexa.
O domínio C. e os respectivos subdomínios são fundamentais para a análise da colaboração entre
a biblioteca e a comunidade escolar, local, regional ou nacional. Esta colaboração refere-se quer
ao apoio a iniciativas de carácter livre, extracurricular e de enriquecimento curricular quer às parcerias a encetar com vários organismos (Câmaras Municipais, Bibliotecas Municipais, Rede de Bibliotecas Escolares, Associações de Estudantes, Associações de Pais). O domínio C. pressupõe o estabelecimento de uma rede de colaboração dinâmica, mas é também o domínio
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que exige um trabalho de desenvolvimento de métodos de trabalho autónomo e esta tarefa, importantíssima no processo de ensino - aprendizagem, não se afigura ser de fácil execução.
O domínio D. e os respectivos subdomínios são fundamentais para a análise da prestação dos serviços da biblioteca escolar. Estes serviços referem-se quer à gestão de recursos físicos, materiais e humanos quer à articulação entre a biblioteca e a escola no que se refere a esses recursos. A gestão de recursos implica, entre outros aspectos, a liderança do professor bibliotecário, a constituição da equipa da biblioteca e a actualização, catalogação e divulgação da colecção. Mais uma vez, para a concretização deste domínio, é necessária a articulação com as estruturas directiva e pedagógica da escola e é preciso o estabelecimento de conexões com o plano anual de actividades da escola. Este domínio assume-se como aquele que sustenta o funcionamento corrente da biblioteca, mas não é, por causa disso, menos complexo.
Como já foi aflorado no capítulo anterior, o Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares elaborado pelo Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares abrange, para cada domínio, os indicadores de medida, os factores críticos de sucesso, as evidências e as acções para a melhoria, não deixando de lado a sugestão de exemplos, os descritores de medida e a representação da avaliação feita através de níveis de proficiência. Estes elementos possibilitam, por um lado, informar com antecedência os responsáveis sobre quais as áreas da biblioteca que vão ser objecto de apreciação e, por outro lado, orientar os responsáveis na aplicação e na operacionalização do modelo. Os elementos elencados irão proporcionar a reflexão que irá, por sua vez, gerar a introdução das mudanças. Estas permitirão, depois, alcançar a melhoria do funcionamento da biblioteca e, espera-se, a melhoria das aprendizagens.
Integração / Aplicação à realidade da escola.
Citação: A escola/biblioteca escolar deverá seleccionar, no mínimo, um dos domínios (A, B, C ou D) para a realização da auto-avaliação. Essa escolha poderá ser orientada por factores de natureza diversa. Por exemplo, a escola/a BE poderá querer avaliar um domínio em que tem feito um investimento mais intenso, no sentido de procurar aferir, de forma sistemática e objectiva, os resultados efectivos do trabalho desenvolvido ou, pelo contrário, perante uma fraqueza já percepcionada, desenvolver o processo de auto-avaliação nessa área com vista a uma identificação mais clara dos aspectos que necessitam de melhoramento. (Modelo de Auto - Avaliação, 2008, Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, p. 7)
Se é pertinente que haja um modelo de avaliação comum a nível nacional, como foi referido no segundo capítulo, também é fundamental que o mesmo modelo possibilite a necessária abertura a diferentes realidades. O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares elaborado pelo Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares prevê essa abertura. É possível e até aconselhável, como está patente na citação, a implantação de um domínio por ano lectivo. A escolha cabe aos responsáveis pela biblioteca e pela escola, que têm a opção de seleccionar um domínio mais forte ou um domínio menos forte. O modelo em análise prevê também que a sua aplicação seja progressiva e a médio/longo prazo, até completar um período de quatro anos.
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A aplicação do modelo requer the support of the entire school community (This Man Wants to
Change Your Job, 2002, Michael B. Eisenberg & Danielle H. Miller). No caso do agrupamento ao
qual pertence a biblioteca da Escola Secundária com 2º e 3º Ciclos Gil Vicente, os contactos com
a direcção executiva são constantes. O plano de acção da biblioteca contempla as áreas
consideradas prioritárias para o agrupamento e há, assim, pontos de intersecção com os objectivos traçados para o agrupamento. A presença do professor bibliotecário no conselho pedagógico e a presença de um elemento da equipa da biblioteca no conselho geral são fundamentais para a introdução da ideia de que é necessário aplicar o modelo e de que o mesmo pretende contribuir para a melhoria da prestação dos serviços do agrupamento. Um pouco mais
difícil será transmitir essa ideia ao corpo docente em sentido mais lato, na medida em que muitos professores não interiorizaram ainda que a biblioteca está integrada na Rede de Bibliotecas Escolares e o que essa integração significa. Será necessário que os coordenadores de departamento e os restantes membros dos conselhos pedagógico e geral concretizem os pedidos feitos pela professora bibliotecária nesse sentido. Espera-se que essa colaboração seja produtiva
e apresente resultados.
A aplicação do modelo à realidade da biblioteca é, em termos gerais, concretizável em qualquer
um dos domínios. Os exemplos de evidências apresentados no modelo entraram já na rotina da biblioteca e, por isso, a sua recolha não irá implicar trabalho extra. São os casos, por exemplo, dos documentos orientadores ou reguladores da instituição (quer do agrupamento, quer da
biblioteca), das actas, dos relatórios de actividades, das estatísticas, dos materiais de natureza pedagógica produzidos, das actividades de promoção da leitura e de outro tipo. No entanto, a complexidade inerente a alguns dos domínios parece vir a traduzir-se numa recolha de evidências mais pormenorizada e mais exigente em termos de tempo e de disponibilidade de recursos. Esta complexidade terá de ser equacionada com optimismo e empenho. A única apreensão profunda é
o modo como se irá aferir a efectiva construção do conhecimento que se pretende que os alunos façam e o modo como a biblioteca interfere nessa construção.
No presente ano lectivo, a escola vive uma situação atípica, comum a muitas outras escolas: está
a ser intervencionada pela Empresa Parque Escolar EPE e, por isso, encontra-se em obras e a
atravessar um momento complicado para o bom funcionamento das várias estruturas técnicas e pedagógicas. A biblioteca está já a funcionar num espaço novo, mas que só foi disponibilizado no final de Setembro e que não foi ainda mobilado definitivamente, nem se sabe quando virá a ser. Por outro lado, a biblioteca não foi contemplada pelo Plano Tecnológico da Educação e, por isso, não recebeu equipamentos novos. Os existentes são obsoletos e insuficientes para o número de utilizadores. A zona de exposições e a zona polivalente, sob a alçada da biblioteca, também ainda não estão operacionais. Neste contexto, a aplicação do modelo no presente ano lectivo revela-se difícil, mas não deixará, obviamente, de ser feita. Seleccionar-se-á o domínio mais consentâneo com esta realidade.
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Competências do professor bibliotecário e estratégias implicadas na sua aplicação.
Citação: The instructional role of the school librarian is a significant leadership role. The dimensions of this leadership role (…) provide the building blocks for a preferred future of school librarians, and the preferred outcomes of their roles: process and outcomes oriented, formational as well as informational, interventionist and integrative, and supportive and service-oriented. (School Librarian as Teachers: Learning Outcomes and Evidence-Based Practice, 2002, Ross J. Todd)
O papel do professor bibliotecário, no contexto da mudança que se quer instituir e na aplicação do modelo de avaliação criado, está imbuído de grandes desafios e reveste-se de uma grande complexidade. A sua liderança tem de ser informada, dirigida, estratégica, colaborativa, criativa, flexível e sustentada nas evidências detectadas. (Todd). Este agente educativo tem de pensar e agir estrategicamente (Eisenberg & Miller). Assim, compete-lhe mobilizar a escola para a mudança, articular o trabalho com os professores e com outros especialistas, envolver os parceiros nas decisões a tomar, dinamizar uma equipa, ter uma visão transversal do todo, estabelecer prioridades, implementar outputs, comparar resultados obtidos com dados nacionais, promover a leitura e as literacias da informação, planear, avaliar.
O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares elaborado pelo Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares reflecte este perfil do professor bibliotecário, nomeadamente, e de uma forma mais explícita, no subdomínio D. 2. Para aplicar o modelo, o professor bibliotecário tem de o conhecer, compreender e analisar; tem ainda de estabelecer relações entre os domínios, escolher para cada ano lectivo o que lhe parecer mais adequado, definir uma metodologia por etapas; tem também de integrar os resultados obtidos na avaliação da escola e do agrupamento, contribuir para a melhoria do sucesso educativo.
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