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© 1983, Irmãos Vitale S.A. Vide, vida marvada – Rolando Boldrin.

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Vide, vida marvada

1

Corre um boato aqui donde eu moro

Que as mágoa que eu choro são malponteadas Que no capim mascado do meu boi

A

baba sempre foi santa e purificada

5

Diz que eu rumino desde menininho

Fraco e mirradinho a ração da estrada Vou mastigando o mundo e ruminando

E

assim vou tocando essa vida marvada

É

que a viola fala alto no meu peito humano

10

E

toda moda é um remédio pros meus desenganos

É

que a viola fala alto no meu peito, mano

E

toda mágoa é um mistério fora desse plano

Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver Chega lá em casa pruma visitinha

15

Que no verso e no reverso da vida inteirinha

Há de encontrar-me no cateretê

Tem um ditado dito como certo Que cavalo esperto não espanta a boiada

E

quem refuga o mundo resmungando

20

Passará berrando nessa vida marvada

Cumpadi meu que inveieceu cantando Diz que ruminando dá pra ser feliz Por isso eu vaguei ponteando

E assim procurando minha flor-de-lis

BOLDRIN, Rolando. Vide, vida marvada. Caipira (CD). Som Livre, 1981.

cateretê: dança popular, rural. flor-de-lis: símbolo do amor.

1. O poema apresenta três palavras no diminutivo, formado pelo sufixo -inho: o substantivo menininho, o adjetivo mirradinho, que o caracteriza, e o adjetivo inteirinha, que caracteriza vida. Explique o sentido desses diminutivos.

2. Certamente você conhece a palavra moda relacionada à maneira de vestir, calçar, falar; pode ter também ouvido falar em moda significando modo, costume; existe ain- da a moda que é capricho, vontade. No entanto, nenhum desses significados se encaixa no contexto em que essa

palavra foi usada na letra de música que você leu. Releia o verso 10 e explique qual sentido tem na música a palavra moda. Depois, substitua as expressões a seguir que envol- vem a palavra moda:

– Gosto de comer arroz à moda dos gaúchos.

– Não adianta querer viver a sua moda, você ainda é muito jovem.

– Acho linda essa moda de vestidos abaixo do joelho.

3. Segundo o Novo Dicionário Aurélio, o verbo refugar pode significar:

1. pôr de lado como inútil; 2. apartar o gado; 3. negar-se (o animal) a seguir.

Perceba que no verso 18 o eu lírico se referiu a um ditado sobre cavalo esperto. Considerando isso, responda:

a) Qual sentido tem o verbo refugar no poema?

b) O sentido do verbo no verso é real ou figurado?

4. Faça mentalmente a comparação: o boi rumina o alimen- to, ou seja, mastiga-o, engole-o, dissolve-o no estômago, regurgita-o, fazendo-o voltar para a boca, onde recomeça a mastigá-lo.

a) O que o ser humano segue ruminando em sua vida?

b) Como é o processo de ruminação do ser humano?

c) Qual foi a intenção do autor ao escolher a palavra rumi- nando, em vez de, por exemplo, pensando?

5. Copie o ditado mencionado na letra da música e complete- -o, acrescentando uma explicação que mantenha o sentido figurado. Se possível, mantenha também o humor.

6. Agora mude o sujeito. Em vez de cavalo, comece o ditado

com cavalos; depois, use éguas. Não se esqueça de ajustar

o que for necessário para manter a concordância.

7. Existem, no texto, várias palavras e uma construção que não estão de acordo com as normas da língua portuguesa.

a) Aponte dois exemplos e justifique-os.

b) Por que o autor usou essas formas?

8. As orações se organizam, de maneira geral, em torno de dois focos: o sujeito e o predicado. Aponte sujeito e predicado nas seguintes orações:

a) “vou tocando essa vida marvada”;

b) “a viola fala alto no meu peito humano”;

c) “cavalo esperto não espanta a boiada”;

d) “toda mágoa é um mistério”;

e) Não cantam alto os espertos violeiros.

9. Copie, passando o sujeito das frases abaixo para o plural e fazendo os ajustes necessários.

a) Compadre meu envelheceu cantando.

b) Toda moda é um remédio pros meus desenganos.

c) Corre um boato.

10. Explique e justifique as mudanças que você fez na atividade anterior.

11. Nas orações abaixo, o sujeito não aparece explicitado, mas

você consegue identificá-lo. Qual é, em cada frase, o sujeito,

e como você fez para identificá-lo?

a) Vou mastigando o mundo.

b) Pensou na resposta?

Produzindo texto

Procure lembrar-se de uma de suas brincadeiras infantis:

uma daquelas de que se brinca nas ruas, nos campos, nos pátios dos prédios, no recreio da escola. Imagine que você precisa ensinar um grupo de amigos a brincar, mas não poderá fazê-lo pessoalmente. Escreva um texto explicando como a brin- cadeira deve ser realizada. Descreva: o objetivo da brincadeira; suas características; o processo; os prêmios e os “castigos”.

© Editora Scipione – Projeto Radix – Português 7.º ano – Módulo 1