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Como a modernização e a tecnologia influenciam nas relações humanas

Shani Falchetti e Raphael Henrique Castanho Di Lascio
psicoshani@yahoo.com.br
Shani Falchetti, graduanda do 5 ano de !sicologia da "ni#ersidade $uiuti do !aran%. Raphael Di Lascio, pro&essor do Curso de
!sicologia da "ni#ersidade $uiuti do !aran%.
'(()
Resumo
* presente artigo aborda, quest+es pertinentes , moderni-a./o e a tecnologia, seus a#an.os e in&lu0ncias no cotidiano do
ser humano. 1 Re#olu./o 2ndustrial tornou as organi-a.+es maiores e mais comple3as, tra-endo consigo a#an.o tecnol4gico e uma
#is/o &ocada para a lucrati#idade e produti#idade, onde homens 5% n/o identi&icam6se com o produto de seu trabalho. Cada #e- mais
percebemos em nossos lares e local de trabalho, as amarras da tecnologia bitolando &ortemente o ser humano, indi#iduali-ando6o,
di&icultando seu contato e relacionamento com os demais, mutilando indiretamente a criati#idade, a imagina./o, a percep./o e a
espontaneidade. "ma grande parte de nossas #idas 7 gasta nos dom8nios da con&ormidade9 estamos su5eitos , consider%#el
manipula./o e a5ustamento, e 7 bem poss8#el que muitas das escolhas que nos est/o abertas, s/o mais aparentes do que reais. *
homem #ai dei3ando de lado sua capacidade criadora para tornar6se a :engrenagem de uma m%quina;. 1 e3peri0ncia do homem
urbano, metropoli-ado, &unde6se com a tecnologia moderna. <udan.as na estrutura urbana, na arquitetura, nos meios de
comunica./o e no transporte de uma sociedade midi%tica correspondem , no#a estrutura da #ida. !arece que o ritmo das m%quinas
imp+e um no#o ritmo e um no#o tempo para o ser humano.
H% pouco mais de cem anos o =rasil era um pa8s predominantemente agr%rio. 1inda que as cidades e3istissem e que
algumas &%bricas pudessem ser encontradas em certas regi+es do pa8s, a paisagem rural &oi largamente preponderante at7 >?@( pelo
menos. 1 rique-a brasileira pro#inha at7 ent/o, principalmente da agricultura e da e3porta./o de produtos agr8colas. Senhores de
terra e escra#os constitu8am as camadas sociais mais importantes, embora um contingente de popula./o li#re se tornasse
gradati#amente e3pressi#a a partir de >?5(, quando o sistema de produ./o brasileiro, herdado do per8odo colonial, entrou em
colapso com a e3tin./o do tr%&ico negreiro, entre outros &atores ADBCC1, >CC>D.
Ao longo do século XIX o mundo rural prevaleceu sobre o mundo urbano no
Brasil, ainda que, na Europa, a produção industrial e a vida urbana já fossem
realidades significativas desde os fins do século XIII! A c"amada #evolução
Industrial "avia alterado os rumos do desenvolvimento s$cio%econ&mico
europeu' a fábrica mecani(ada modificara e remodelara não s$ as formas de
produção e de trabal"o mas a pr$pria organi(ação social! Iniciado na
Inglaterra, o processo de mecani(ação da produção se estendeu pela Europa,
tornando%se a fábrica centro decisivo para a economia e para o poder e a
dominação da burguesia! A fábrica generali(ou%se enquanto sistema de
produção, aparecendo, com sua implantação, novas formas de pensar
)*E++A, ,--, p! ./0!
Eas d7cadas &inais do s7culo F2F no =rasil, trans&orma.+es econGmicas e sociais propiciaram as condi.+es necess%rias
para a industriali-a./o Aprocesso social em que a &%brica ocupa o lugar centralD e para um desen#ol#imento urbano acelerado.
!equenos nHcleos urbanos e cidades se e3pandiram, enquanto no#os centros urbanos se &ormaram9 as chamin7s de &%bricas e
con5untos industriais os po#oaram, modi&icando6lhes a &ei./o pacata e imprimindo6lhes outro ritmo de ati#idades. Eo#as &ormas de
#ida surgiram ao lado de &ormas de #i#er do mundo agr%rio, e3istentes desde h% muito tempo ADBCC1, >CC>D.
* dom8nio das &or.as naturais pelos no#os processos t7cnicos e3igiu es&or.o coleti#o e con5ugado de numerosas equipes
de trabalhadores, e, essas equipes esta#am sempre em &un./o de um equipamento, uma m%quina. * trabalho urbano era bastante
heterog0neo9 oper%rios industriais e urbanos, trabalhadores assalariados ou independentes, oper%rios de grandes e pequenas
indHstrias, de o&icinas de tamanho m7dio ou de :&undo de quintal; ADBCC1, >CC>D.
1 ati#idade industrial, sempre crescente, era condu-ida &undamentalmente no interior de empresas de pequeno e m7dio
porte, ainda que as grandes &%bricas e3istentes concentrassem o maior nHmero de oper%rios e a maior quantidade de capital, sendo
respons%#eis tamb7m pela maior parte da produ./o industrial. Eossa indHstria era bastante setori-ada. Ha#iam #%rios ramos
industriais. 1 di#is/o de tare&as e a especiali-a./o pela ati#idade desen#ol#ida, era de e3trema importIncia para originar uma
produti#idade mais acelerada. Do artes/o de :&undo de quintal; que desen#ol#ia as etapas para a con&ec./o do seu produto, passou6
se a subdi#is+es de tare&as onde cada &uncion%rio desempenha#a uma ati#idade espec8&ica de uma das etapas da con&ec./o. 1
agilidade era cobrada pelos donos das &%bricas, o homem come.ou a ser apenas uma das :engrenagens de uma m%quina; ADBCC1,
>CC>D.
1
<1RJ
>
A>CK(, citado por DBCC1,>CC>D pensador do sistema capitalista, obser#ou o processo de trabalho no artesanato,
na manu&atura e na grande indHstria. Eotou que no artesanato e na manu&atura :o trabalhador se ser#ia de sua &erramenta, enquanto
na &%brica ele passa#a a ser#ir , m%quina;. Se o trabalhador detinha antes o controle sobre o processo e as condi.+es de trabalho,
com a mecani-a./o da produ./o, no sistema de &%brica, esse controle escapou de suas m/os. Ea #erdade, o trabalhador &oi
submetido e dominado por suas condi.+es de trabalho.
Com a &%brica hou#e depend0ncia crescente do trabalho diante do capital, o qual passou a desempenhar cada #e- mais
&un.+es de coer./o e disciplina. L o ponto de partida para um sistema de #ida associati#a que e3ige condi.+es psicol4gicas no#as e
compreens/o do sentido da sociedade para o resultado comum.
1 produto dei2a de ser fruto direto do produtor individual para converter%se
em produto social, em produto comum de um operário coletivo3 isto é, de um
pessoal trabal"ador combinado, cujos membros interv4m mais ou menos
diretamente no manejo do objeto sobre o qual se e2erce o trabal"o! Agora,
para trabal"ar produtivamente já não é necessária uma intervenção manual
direta no trabal"o3 basta ser $rgão do operário coletivo, e2ecutar qualquer
das funç5es desdobradas )A6178I, ,-9., p! :-0!
1tualmente, h% m%quinas industriais de enorme potencial produti#o estabelecidas sobre modi&ica.+es tecnol4gicas. Eossa
engenharia possui amplos e detalhados conhecimentos sobre as caracter8sticas da m%quina, indo at7 o seu bot/o de acionamento6
ponto no qual o operador entra em contato com ela. * operador 7 considerado dependente #ari%#el9 espera6se que ele se molde e
adapte6se com as necessidades e imposi.+es da m%quina. !ergunta6se ent/oM a que pre.oN 1o pre.o de um homem despo5ado de sua
liberdade, de sua dignidade9 um homem condicionado, um homem6massa, incapa- de a./o original, de criar, ampliar e pensar...
apenas decorar e agir.
$udo isso parece in&erido das a&irma.+es de FRB"D
'
A>C'O, citado por 1P*S$2, >C@(D em sua :!sicologia das <assas;,
quando a&irma que o homem, ao pertencer a uma massa organi-ada desce #%rios degraus da escada da ci#ili-a./o.
L de&initi#amente a imunidade de um sistema que ao separar o homem do produto de seu trabalho, ao limit%6lo em sua
&un./o criadora, mediante a &ragmenta./o de suas pr%ticas de trabalho, &a- com que o trabalho, que 7 uma condi./o essencial do
homem, con#erta6se no seu castigo. Segundo AS!R1EPBR, >C@(D um dos sintomas da crise do homem 7 a di#is/o do trabalho, que
dispersa as &or.as do indi#8duo e assume propor.+es &unestas, &a-endo com que o homem dei3e de ser pessoa para con#erter6se em
:rodas mo#idas de &ora;.
1 #elocidade das t7cnicas le#a a uma uni&ica./o do espa.o, &a-endo com que os lugares se globali-em. Cada local, n/o
importa onde se encontre, re#ela o mundo, 5% que os pontos desta malha abrangente s/o suscept8#eis de intercomunica./o.
<cDonaldQs, Coca6Cola, cosm7ticos Re#lon, cal.as 5eans Bllus, tele#isores $oshiba, chocolate Eestl7, t0nis ReeboR.... Familiaridade
que se reali-a no anonimato de uma ci#ili-a./o A*R$2S, >CCOD.
Tual a quest/o mais #ital para as empresas ho5eN CapitalN Bstrat7giaN !rodutos 2no#adoresN $ecnologia de !ontaN S/o
todos eles, itens poderosos. <as subitamente perdem a intensidade e a &or.a quando con&rontados com outro t4picoM o talento. Eada
7 t/o #ital na agenda das empresas ho5e como o talento.
* mo#imento de #alori-a./o das rela.+es humanas no trabalho surgiu da constata./o da necessidade de considerar a
rele#Incia dos &atores psicol4gicos e sociais na produti#idade. 1s bases desses mo#imentos &oram dadas pelos estudos
desen#ol#idos pelo psic4logo Blton <ayo A>?C(6>COCD, seu estudo #eio demonstrar a in&lu0ncia de &atores psicol4gicos e sociais no
produto &inal do trabalho. Como conseqU0ncia passou6se a #alori-ar as rela.+es humanas no trabalho.
<as at7 que ponto essa #alori-a./o 7 e&eti#adaN
;a era da modernidade, competitividade, produtividade e lucratividade onde enquadra%se a figura "umana, o
funcionário, suas necessidades, restriç5es e bem%estar! <esmo "oje, quando pratica%se a 6estão de =essoas, ainda temos empresas
que utili(am 6estão de #ecursos 7ub%>umanos, com funcionários sujeitos a mais de ,. "oras de trabal"o diário e péssimas
condiç5es de trabal"o )*I ?A7+I1, @..,, =!,,0!
* &ator humano est% sendo dei3ado em segunda, terceira ou quarta op./o9 para algumas empresas poder6se6ia a&irmar que
7 #isto sob uma perspecti#a de engrenagem, em outras pala#ras comparado como uma m%quina.
Segundo D2 L1SC2* A'((>D, * !sic4logo do $rabalho e *rgani-acional #0m se preocupando com estas quest+es, pois o
#olume de pessoas com estresse ou outros problemas como depress/o, causados por essa press/o cont8nua e e3cessi#a, est%
aumentando assustadoramente. Ea psicologia encontra6se muitas in&orma.+es, t7cnicas e instrumentos que podem melhorar as
2
rela.+es e o ambiente de trabalho do indi#8duo, se5a em seu relacionamento interpessoal ou nas ati#idades de grupos de trabalho,
pois acreditamos e queremos que o indi#8duo #enha a ser mais produti#o mas de &orma natural e criati#a.
Aueremos que o trabal"o se transforme em fonte de pra(er e bem estar e não
de pesadelo! 7er "umano trabal"ador, sempre terá para n$s muito mais valor
que a tecnologia, a máquina ou o computador, já que não e2iste nada que o
substitua, por mais que tentem )*I ?A7+I1, @..,, p!,,0!
* condicionamento se desdobra atra#7s do tempo e da tecnologia. 1 rede se estende, a descentrali-a./o alastra6se
geogra&icamente, abrange na.+es e #ai ocupando os continentes. * ser humano passa pela massi&ica./o anGnima para a atomi-a./o
solid%ria atra#7s dos meios. H% #elocidade em tudo, a internet, o &a3, o tele&one, o a#i/o, o 5ato... #/o derrubando &ronteiras
nacionais e tornando obsoletas as organi-a.+es locais. 1 roda, a bicicleta e o a#i/o, &ases iniciais de uni#ersali-a./o. 1 medida que a
automa./o se imp+e, torna6se 4b#io que :in&orma./o; 7 a mercadoria &undamental, e que os produtos s4lidos s/o puros incidentes
no mo#imento de in&orma./o AF2*RB, >CKCD.
1 rede, a teia eletrGnica, #ai desen#ol#endo %reas cada #e- mais amplas do planeta. Vogos e esportes simb4licos da #ida, a
morte de uns e a pre#al0ncia de outros. 1 m%quina de escre#er e o computador, o tele3 e o tele&one, a #itrola e o cinema, o r%dio e a
tele#is/o, a carta e o e6mail, as armas e a automa./o.
* homem #ai sendo mudado, ocupa seu planeta como esp7cie. *s 5o#ens reagem ao #a-io de uma educa./o superada.
Eada tem a ou#ir ou di-er a uma sociedade roboti-ada e buscam comunica./o n/o #erbal na mHsica e na dan.a. Da8, o espectro do
desemprego e da aus0ncia de propriedade na era da eletricidade. Rique-a e trabalho tornam6se &atores de in&orma./o, e estruturas
totalmente no#as s/o necess%rias para dirigir um neg4cio ou relacion%6lo com mercados e necessidades sociais. 1 insensibilidade
coleti#a em rela./o aos e&eitos da tecnologia e dos meios impede a tomada de consci0ncia sobre como eles atuam. 1 ele#ada
acelera./o dos processos, tal#e- pro#oque as mudan.as que ho5e n/o se processam na consci0ncia do homem. B, em tudo isso, o
homem, eterno ou moldado, como &ica ante o no#o mundo que ele pr4prio organi-a sem saber AF2*RB, >CKCDN
* processo de tecnologia de nosso tempo est% remodelando e reestruturando padr+es de interdepend0ncia social e todos
os aspectos de nossa #ida pessoal. !or ele somos &or.ados a reconsiderar e rea#aliar, praticamente todos os pensamentos, todas as
a.+es e todas as institui.+es. $udo est% mudando dramaticamente.
* processo mais atingido da obser#a./o tornou6se completamente irrele#ante nestes tempos no#os, porque se baseia em
rea.+es psicol4gicas e conceitos condicionados pela tecnologia de outrora W a mecani-a./o.
Con&us+es inumer%#eis e um pro&undo sentimento de desespero emergem in#aria#elmente nos per8odos de grandes
transi.+es tecnol4gicas e culturais. * nosso, 7 o tempo de romper barreiras, de suprimir #elhas categorias, de &a-er sondagens em
todas as dire.+es.
Ho5e, dominar os recursos tecnol4gicos gen7ricos e espec8&icos da empresa 7 requisito essencial para que os pro&issionais
contribuam para a competiti#idade dela no mercado. Bntretanto, esses mecanismos, quando mal utili-ados pelos &uncion%rios,
podem tra-er resultados in#ersos. !ara e#itar o problema, 7 preciso que os &uncion%rios possuam um per&il de adapta./o a esses
recursos, para que saibam oper%6los de &orma correta e assim promo#er o crescimento da organi-a./o. <as o que &a-er para adaptar
os &uncion%rios ao per&il e3igido pelas atuais solu.+es tecnol4gicas implantadas pelas empresasN Ser% que est% ha#endo tempo, em
meio a corrida acelerada para a obten./o de lucro, de preocupar6se com o ser humanoN
Segundo F2*RB A>CKCD, os sistemas de circuitos el7tricos derrubam o regime de :tempo; e :espa.o; e despe5am sobre
todos n4s instantaneamente e continuadamente as preocupa.+es, todos os padr+es de trabalho &ragmentado tendem a combinar6se
mais uma #e- em :pap7is; ou &ormas de trabalho comprometidos e e3igentes. 1 &ragmenta./o das ati#idades, nosso h%bito de pensar
em peda.os e partes W a :especiali-a./o; W re&letiram, passo a passo, processo de departamentali-a./o linear inerente , tecnologia
do al&abeto.
1 moderni-a./o e tecnologia entrela.am os homens uns com os outros. 1s in&orma.+es despencam sobre n4s,
instantaneamente e continuadamente. $/o pronto se adquire um no#o conhecimento, este 7 rapidamente substitu8do por in&orma./o
ainda mais recente. Eesse mundo, eletricamente con&igurado, &or.ou6nos a abandonar o h%bito de dados classi&icados para usar o
sistema de identi&ica./o de padr+es.
SCHXB2$SBR
)
A>CO?, citado por <BST"2$1, >C@?D a&irma que as a&inidades com o nosso pr43imo desapareceram.
Bstamos a caminho &ranco da desumani-a./o. *nde a id7ia de que a pessoa como pessoa nos de#a interessar periclita9 periclitam
tamb7m com ela a cultura e a moral. Da8, para a desumani-a./o completa da #ida pouco #aiM 7 quest/o apenas de tempo.
3
Eossa cultura o&icial se es&or.a para abrigar os no#os meios a &a-erem o trabalho dos antigos. 1tra#essamos tempos di&8ceis, pois
somos testemunhas de um choque de propor.+es catacl8smicas entre duas grandes tecnologias. 1bordamos o no#o com o
condicionamento psicol4gico e as rea.+es sensoriais antigos. Bsse choque sempre se produ- em per8odos de transi./o.
Y medida que no#as tecnologias entram em uso, as pessoas &icam cada #e- menos con#encidas da importIncia da auto6e3press/o.
1ntigamente, o problema era in#entar no#as &ormas de economi-ar trabalho. Ho5e o problema in#erteu6se. 1gora temos que a5ustar6
nos e n/o mais in#entar. * trabalhador indi#idualmente est% &ragmentado, sendo e3ecutor de uma tare&a simples e rotineira. 1
mecani-a./o da produ./o redu-iu o trabalho a um ciclo de mo#imentos repetiti#os.
Ser% que as pessoas est/o preparadas para absor#er a quantidade e a qualidade de tecnologia que est% sendo gerada atualmenteN
Tuem trabalha com essa tecnologia est% de#idamente integrado a ela ou tem uma #is/o limitada, que permite apenas a utili-a./o
parcial dessas no#as &erramentasN *u ser/o apenas acionadores de um bot/oN
Segundo S$1RB!R1Z* As[dD, no mundo atual, ironicamente protestamos contra o desperd8cio de recursos naturais.
Pastam6se milh+es para proteger ou preser#ar estas rique-as, sem se le#ar em conta o pr4prio desperd8cio humano. Desperd8cio de
capacidade, habilidade e talentos, o grande desperd8cio de nossos pr4prios recursos pessoais. Cada indi#8duo 7 uma &onte
inesgot%#el destes recursos, e para que eles &uncionem, nos a5udando a conquistar no#as metas, 7 su&iciente reconhec06los, e decidir
us%6los atra#7s do es&or.o indi#idual.
1 maioria dos psic4logos 7 de opini/o que a maior parte das pessoas se subestima, e tem um conceito pobre de si mesma
e 7 este conceito negati#o sobre si mesmo, que restringe sua percep./o, castra seus ideais e as impede de #er o que lhes &oi
destinado. Ea #erdade, somos possuidores de uma enorme quantidade de atributos, capacidades, habilidades e talentos que 5a-em
inati#os no mais pro&undo do nosso ser. Zi#emos ho5e, numa dinImica, numa concorr0ncia muito grande, a tal ponto queM :quem
correr ser% alcan.ado. Tuem parar ser% atropelado e esmagado pelo choque do &uturo;. S4 quem desen#ol#er alt8ssimas #elocidades
conseguir% distanciar6se dos limites AS$1RB!R1Z*, s[dD.
De acordo com D2<2$R2"S e <1SS1RBLL1 A'(((D, na #ida moderna a deteriora./o tanto da rela./o quanto dos
#alores humanos 7 n8tida. Cresce continuamente a solid/o nas grandes cidades, tornando6se moti#o de so&rimento para muita gente.
De outro lado, os grandes #alores eternos da humanidadeM a bele-a, a #erdade, o amor...., est/o sendo eliminados, oprimidos pela
tecnologia e &rie-a de uma certa ci0ncia &undamentada num cartesianismo 5% quase obsoleto.
Segundo D2<2$R2"S e <1SS1RBLL1 A'(((D, estamos em contato com as pessoas do outro lado da cidade, do outro
lado do pa8s, ou at7 mesmo do outro lado do mundo. <as nosso contato normalmente n/o 7 pessoal. *s mesmos a#an.os
tecnol4gicos que nos permitem um acesso t/o e3traordin%rio aos outros cobraram um pre.o W &i-eram com que as con#ersas cara a
cara passassem a ser relati#amente raras. !or que se reunir pessoalmente com um cliente se #oc0 pode ligar para ele, en#iar um e6
mail, um &a3, dei3ar recado na secret%ria eletrGnica...N Tual 7 a di&eren.a desde que a mensagem se5a transmitidaN $udo est%
baseado na pala#ra est7ril e gerada eletronicamente, sem o bene&icio de #er a pessoa ou de &alar com ela.; 1s pessoas que #i#em nas
grandes cidades s/o ensinadas desde crian.as a descon&iar dos estranhos, como &ica ent/o o relacionamento pessoalN
As formas de comunicação não são todas iguais! >á várias opç5es de pedir
um favor a um colega! =osso ir até a sala dele e falar%l"e pessoalmente3 nesse
caso conseguir%se%á julgar acuradamente a sua resposta! 8alve( ele diga sim
alegremente! 1u então, ele pode di(er sim e ao mesmo tempo se retrair! 1u
pode di(er não, mostrar claramente suas respostas! E2iste muita possibilidade
de reaç5es que eu posso ver se estiver na presença dele! )*I<I8#IB73
<ACCA#E??A, @..., p! .D0
Com e&eito, alguns trabalhos, mais particularmente do psic4logo 1braham <aslo\, colocam em rele#o a importIncia dos
#alores superiores na #ida humana, no trabalho, no lar, na ami-ade ou mesmo nas rela.+es do homem consigo mesmo.
1ssim sendo, o trabalho humano e a #ida interior, quando realmente bem sucedidos, assumem um car%ter trans6pessoal.
1cima dos pap7is sociais aprendidos, acima dos condicionamentos que moldaram o nosso comportamento, e3iste um encontro da
ess0ncia dos seres.
Se olharmos todos os setores da #ida moderna, #eri&icaremos que o homem 5% n/o pode trabalhar so-inho. 1 di#is/o do
trabalho e a especiali-a./o cada #e- maior, o tornam dia a dia mais dependente de seu grupo, e conseqUentemente dos indi#8duos
que o comp+em.
Certos empreendimentos &racassam, apesar de disporem de instala.+es materiais ideais, da mais per&eita maquinaria,
porque a equipe &alhou, embora inicialmente, trabalhassem com entusiasmo, 7 que &oi ocasionado, , medida que surgiam
4
di&iculdades de ordem pessoal, desentendimentos, &alta de disciplina e ciHmes. L mera ilus/o pensar que a #ida em grupo consiste
simplesmente, em 5untar indi#8duos com a &inalidade de atingir um ob5eti#o comum.
>á alguns anos grande grupo industrial resolveu instalar uma fábrica!
<andou comprar maquinaria das mais modernas, instalando%a um prédio
planejado pelos mel"ores arquitetos! >oje, esta indEstria está em fase de
desagregação, os seus dirigentes perderam o controle da situação! 1 que
aconteceu foi o esquecimento total, por parte dos dirigentes, de que a indEstria
é dirigida, mantida e controlada por "omens! Esqueceram que ao lado do fator
maquinaria e instalação e2iste o fator "umano )FEI?, ,-G@, p!@,0!
!or muito tempo acreditou6se, que o maquinismo e a economia resol#eriam o problema da produti#idade. 1 e3peri0ncia
mostrou que isto n/o 7 #erdade. 1 multiplica./o dos acidentes de trabalho, o aparecimento de doen.as pro&issionais, os &racassos de
indi#8duos inaptos, os problemas de rela.+es humanas Aatritos, ri#alidades, ciHmes, incapacidade de dirigirD le#aram
empreendimentos promissores a &racassos totais. 1l7m disso, por conseqU0ncia da di#is/o do trabalho, o ser humano 5% n/o sente
mais a mesma ra-/o de trabalhar que antigamente era a satis&a./o de admirar obras criadas pelas pr4prias m/os utili-ando sua
criati#idade. * est8mulo de outrora n/o pode ser mais o est8mulo de ho5e, diante da monotonia de seu trabalho sem ob5eti#o
aparente, o homem est% se tornando cada #e- mais, pe.a de uma engrenagem, autGmato, escra#o, t7cnico.
De acordo com XB2L A>C@KD, o estudo do &ator humano nas organi-a.+es pode ser di#idido em tr0s partes principais.
>D 1dapta./o do homem ao trabalhoML poss8#el, ho5e, com relati#a &acilidade, por meio de e3ames psicol4gicos, classi&icar as
pessoas em &un./o das suas aptid+es, gostos, interesses e personalidade. Colocando :cada macaco no seu galho;, como di- a g8ria,
consegue6se tornar o ser humano mais &eli- e a organi-a./o mais produti#a. De outro lado, a promo./o e o aper&ei.oamento do
pessoal em e3erc8cio constituem e3celente est8mulo para todos que queiram progredir na #ida.
'D 1dapta./o do trabalho ao homemM * ambiente &8sico de trabalho, a maquinaria, as instala.+es em geral, t0m de ser adaptadas ao
homem. Sabe6se ho5e, por e3emplo, que a produ./o aumenta com paredes pintadas de cor #erde ou amarela. 1 cor cin-a ou escura,
ao contr%rio, deprime e pro#oca diminui./o do rendimento. 1 cor #ermelha 7 mais estimulante que a primeira, por7m, pro#oca, ao
longo do tempo, cansa.o e irrita./o.
)D 1dapta./o do homem ao homemM * ambiente de trabalho de#e ter con&ian.a mHtua e respeito humano. Sabe6se ho5e que uma
pessoa que &a- uma coisa ciente da importIncia do seu trabalho e do seu respecti#o #alor, produ- muito mais do que uma pessoa da
qual se pede simplesmente obedi0ncia.
"m psic4logo americano n/o especi&icado a&irmaM :Zoc0 pode comprar o tempo de um homem9 #oc0 pode comprar a
presen.a &8sica de um homem em determinado lugar9 #oc0 pode igualmente comprar certa ati#idade muscular, pagando6a por hora,
mas #oc0 n/o pode comprar entusiasmo, iniciati#a, lealdade, de#o./o de cora.+es, de esp8ritos.... Bssas #irtudes #oc0 de#e
conquist%6las;.
1 ritmo e a comple2idade dos processos industriais são muito amplos' a
maquinaria não pode ser simplesmente desligada e abandonada3 as turmas de
reve(amento esperando, desocupados por sua ve( de trabal"ar, estão se
tornando mais raras! 1s trabal"adores, "omens e mul"eres, não podem perder
tempo se deslocando a sanitários, lavat$rios, refeit$rios ou cantinas distantes3
nem sequer devem ficar inutilmente esperando, ao se apresentarem para
trabal"ar )<c+B??1B6>, ,-9/, p! .,0!
1 psicologia organi-acional busca en&ati-ar e abordar este ser humano, este homem que por muitas #e-es est% esquecido e
su&ocado atr%s da t/o &alada tecnologia e que na #erdade 7 o principal &ator para qualquer a#an.o, lucrati#idade, e3pans/o. !ensa6se
que o trabalho e o ato de trabalhar precisam caminhar 5untos, rumo ao ob5eti#o de satis&a-er tanto as necessidades da empresa
quanto ,s necessidades do ser humano, tendo um signi&icado e um sentido para ambos.
* estudo do &ator humano e a resolu./o dos problemas atinentes a este, n/o podem mais &icar ausentes da organi-a./o
moderna, as &un.+es estreitamente de&inidas de#em ceder lugar a uma s7rie cont8nua de processos que aborde como as pessoas
ingressam na organi-a./o, como e#oluem dentro dela, como seu desempenho pode ser ma3imi-ado e por &im como dei3am a
organi-a./o AXB2L, >C?'D.
Bstamos inseridos na era da moderni-a./o, do a#an.o, da conquista, do lucro, da in&orma./o, da m%quina, da #elocidade,
onde as demandas tecnol4gicas e econGmicas pressionam a indHstria, necessariamente, , emerg0ncia de no#os instrumentos, no#as
t7cnicas e no#os sistemas. Blas e3igem, tamb7m uma no#a necessidade de estruturas racionali-adas e outras ino#a.+es
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organi-acionais. $anto o controle mais estreito &eito por t7cnicas e sistemas mais so&isticados, como a e3pans/o do tamanho das
empresas tendem a condu-ir a uma maior despersonali-a./o de nossas #idas AF2*RB, >CKCD.
As pessoas acabam por buscar no carreirismo as condiç5es para o
crescimento profissional, estressam%se e se esquecem de valori(ar o ser
"umano! <uita gente nem cumprimenta o outro no trabal"o para ser mais
produtivo ou, ao dar um bom dia consegue apenas um HbãoI de volta
)?IE1#E, @..., p! //0!
Eo mundo da #elocidade, as coisas reno#am6se constantemente e o no#o ao apresentar6se 5% encontra6se #elho. Eada &ica,
tudo 7 e&0mero, dura apenas o brilho de um dia. E/o nos reconhecemos, pois temos que nos reno#ar a cada instante. 1 clonagem e a
possibilidade de construirmos m%quinas inteligentes prometem at7 mesmo uma rede&ini./o do que signi&ica ser humano. Ea medida
em que ser% poss8#el desenhar geneticamente um indi#8duo ou modi&icar a sua capacidade mental por meio de implantes eletrGnicos,
onde &icar% a linha di#is4ria entre homem e m%quina, entre o #i#o e o roboti-ado AF2*RB, >CKCDN
* homem moderno tem a sensa./o constante de sempre estar sendo ultrapassado e sempre perdendo algo. Bssa
incompletude &a- crescer a necessidade de reno#ar nossos conhecimentos, nossos #alores, pontos de #ista e nossos corpos. $emos
que ter o ritmo das m%quinas, eis o que a sociedade e3ige do ser humano, uma constante reno#a./o e aper&ei.oamento. E/o
podemos assimilar, sedentariamente, o que se nos apresenta. * passado e a hist4ria n/o t0m mais sentido e o presente 7 o que
importa. Ho5e, a presenti&ica./o 7 o Hnico tempo #i#enciado pelos homens.
Bmbora programados para a eternidade, poderemos morrer, sim, n/o de in&arto ou cIncer, mas de pInico, t7dio ou #a-io e3istencial,
sem hero8smo algum, em meio ao espet%culo cotidiano. E/o permitimo6nos o 4cio, o tempo de parar e re&letir e entender qual o
ritmo pr4prio de cada um de n4s. Bstamos condicionados a produ-ir.
1 mundo todo, passado e presente, agora se desvenda aos nossos ol"os como
uma planta a crescer num filme e2traordinariamente acelerado )<+?B>A;,
@...0!
* mundo se tornou comple3o demais, #elo- demais, tenso demais. L di&8cil n/o perder6se. Sabemos que tal#e- n/o
possamos encontrar o que buscamos, nem restabelecer o lugar das coisas e a seqU0ncia dos acontecimentos AF2*RB, >CKC, p.)C5D.
B o homemN Dotado de capacidade, possuidor de intelig0ncia, de cora./o, de emo./o, de sentimento...est% sendo
lembradoN Tue #alor d%6se para issoN *nde &ica o sentirN B a sub5eti#idadeN !ercebe6se que est% se ignorando a melhor e maior
:m%quina; 5% criada....* SBR H"<1E*. !or mais que as t7cnicas de la#agem cerebral e lobotomi-a./o tenham desen#ol#ido6se,
sempre sobra um resto de 8mpeto humano pronto a a&lorar. B isso, 7 mais do que qualquer computador 5% conseguiu at7 ho5e.
Notas
>. Jarl <ar3, Bl Capital, tomo 2, p O(K.
'. Sigmund Freud, psicologia de las masas y an%lisis del yo, trad. de Luis L4pe-6=aillesteros y de $orres, ed. =iblioteca Eue#a, <adrid,
>C'O, p.KC
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