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CURSO PRECURSOR WW W.PRECURSOR.1BR.NET ÍNDICE GEOGRAFIA DO BRASIL 1 – Localização 2 2 – Limites 2
CURSO PRECURSOR WW W.PRECURSOR.1BR.NET ÍNDICE GEOGRAFIA DO BRASIL 1 – Localização 2 2 – Limites 2

ÍNDICE

GEOGRAFIA DO BRASIL

1 – Localização

2

2 – Limites

2

3 – Pontos Extremos

3

4 – Fusos Horários

3

5 – Relevo Brasileiro

4

6 – Clima Brasileiro

6

7 – Vegetação Brasileira

7

As Formações florestais Arbóreas

8

As Formações Complexas

9

8 – Hidrografia Brasileira

10

9 – O Litoral Brasileiro

14

10 – Agricultura e Extrativismo Vegetal no Brasil

16

O Extrativismo Vegetal

17

11 – As Minerações no Brasil

18

12 – Os Recursos Energéticos

19

13 – A Pecuária

20

14 – A Indústria

22

15 – Transportes

22

16 – A População brasileira

24

17 – Estrutura Étnica da População

25

18 – População Rural e População Urbana

25

19 – A Imigração no Brasil

26

20 – A Emigração no Brasil

27

21 – Migrações Internas

27

22 – Setores da Economia

28

23 – Urbanização

29

24 – A Divisão Regional

29

25 – Região Norte

31

Divisão Política

31

26 – Região Centro Oeste

35

Divisão Política

35

27 – Região Nordeste

39

Divisão Política

39

28 – Região Sul

44

Divisão Política

44

29 – Região Sudeste

49

Divisão Política

49

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GEOGRAFIA DO BRASIL

1 – LOCALIZAÇÃO:

O Brasil está situado na parte centro-oriental da América do Sul .

Possui uma superfície de 8.547.403,5 Km 2 , conforme o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE).

O Equador e o Trópico Capricórnio são os dois paralelos que atravessam o Brasil, o Trópico de Capricórnio atravessa o

sul de São Paulo, o norte do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul. ( Regiões Sudeste, Sul, e Centro-Oeste)

O Equador passa exatamente em Macapá (AP); o Equador faz com que o Brasil se localize nos dois hemisférios: sul (maior parte 93%,) norte (menor parte 7%).

O Brasil em relação aos demais países do globo, é o quinto em extensão , apenas superado pela Rússia, o Canadá, a

China e os Estados Unidos, isto é, em terras descontínuas. Em terras contínuas, o Brasil é o quarto do mundo, superando os Estados Unidos em Razão do Alasca e Havaí, estados

descontínuos dos E.U.A .

O Brasil é o maior país da América do Sul, o terceiro do Continente Americano e o 5º do mundo.

Compõe-se de 27 unidades políticas , sendo 26 estados e o Distrito Federal, onde se localiza Brasília, a capital do país.

O BRASIL NO MUNDO

se localiza Brasília, a capital do país. O BRASIL NO MUNDO 2 - LIMITES O Brasil
se localiza Brasília, a capital do país. O BRASIL NO MUNDO 2 - LIMITES O Brasil

2 - LIMITES

O Brasil se limita ao norte com a Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, ao sul com o Uruguai, a noroeste com a Colômbia, a oeste com o Peru e a Bolívia, a sudoeste com a Argentina e Paraguai, a nordeste, a leste e a sudeste com o Oceano Atlântico. Chile e Equador são os dois únicos países da América do Sul que não fazem fronteira com o Brasil. Os dois países de menor fronteira são Suriname (593Km) e a Guiana Francesa (655 Km). Os dois países de maior fronteira com nosso país são Bolívia (3.126 Km) e Peru (2.995 Km). O Brasil é um país marítimo, pois é banhado a leste pelo importante Oceano Atlântico (7.367 Km de litoral), possuindo extensa Plataforma Continental.

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3 – PONTOS EXTREMOS

Ao norte – nascente do rio Ailã, na Serra do Caburaí (RR).

Ao sul – arroio Chuí (RS)

A leste – Ponta Seixas, no Cabo Branco (PB)

A oeste – Serra da Contamana ou Divisor (AC)

(PB) • A oeste – Serra da Contamana ou Divisor (AC) 4 – FUSOS HORÁRIOS Pela

4 – FUSOS HORÁRIOS

Pela sua extensão territorial no sentido leste-oeste (4.320 Km), nosso país é cortado por quatro fusos horários, havendo quatro horários diferentes.

de

Fernando de Noronha, Trindade e Martim Vaz, e os penedos de São Pedro e São Paulo.

Fuso 1 – compreende

as Ilhas

Fuso 2 – abrange todos os Estados

litorâneos, os Estados do Amapá, Tocantins, Minas Gerais e Goiás, o Distrito Federal e o Estado do Pará até os Rios Jari e Xingu.

Fuso 3 – inclui a porção ocidental do

Pará, os Estados de Roraima, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e a parte leste do Amazonas.

Fuso 4 – compreende o oeste do Amazonas e o Estado do Acre.

O

Brasil tem sua hora diminuída de duas a cinco horas em relação à hora de Londres, pois se encontra a oeste de

Greenwich (meridiano inicial ).

O mais importante fuso horário do Brasil é o 3 pois abrange todas as capitais litorâneas.

(meridiano inicial ). O mais importante fuso horário do Brasil é o 3 pois abrange todas

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CURSO PRECURSOR WW W.PRECURSOR.1BR.NET 5 - RELEVO BRASILEIRO O relevo brasileiro sistemas: • Planalto das fronteira

5 - RELEVO BRASILEIRO

O relevo brasileiro

sistemas:

Planalto

das

fronteira Norte.

está dividido em dois grandes

Guianas

(Parima),

junto

à

Planalto

Amazônica.

Brasileiro,

ao

sul

da

Planície

Ambos estão separados pela Planície Amazônica e são constituídos por terrenos antigos (Era Primária), desgastados pela erosão e formados principalmente de granitos e gnaisses, que constituem o Complexo Cristalino Brasileiro.

O vasto Planalto Brasileiro compreende quatro

divisões:

- Planalto Nordestino ou da Borborema.

- Planalto Atlântico ou Oriental. - Planalto Central.

- Planalto Meridional.

ou Oriental. - Planalto Central. - Planalto Meridional. As Planícies são: - Amazônica - Litorânea

As

Planícies são:

-

Amazônica

- Litorânea ou Costeira

-

Paraguaia ou Pantanal

- Gaúcha ou Pampa

O

Planalto das Guianas está dividido em serras orientais (menores altitudes) e serras ocidentais (maiores altitudes),

separados pela “Depressão do Pirara.” Apresenta uma das partes mais elevadas e escarpadas do relevo, onde existem várias serras: Tumucumaque, Imeri, Acaraí, Pacaraima, Parima e Navio.

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Neste Planalto encontramos importantes elevações do relevo brasileiro: Pico da Neblina, Pico 31 de Março e o Monte Roraima.

O

Pico da Neblina com 3.014 metros, na Serra do Imeri, é o ponto culminante do Brasil.

O

Pico 31 de Março, com 2.992 metros, é o segundo do Brasil, na mesma serra e planalto, na fronteira do Brasil

(Amazonas) com a Venezuela.

O Monte Roraima, com 2.875 metros no Estado do mesmo nome, é o quarto ponto mais alto do Brasil.

Os

pontos culminantes do Brasil, em ordem decrescente, são:

1º – Pico da Neblina (3.014 metros)

2º – Pico 31 de Março (2.992 metros)

3º – Pico da Bandeira (2.890 metros)

4º – Monte Roraima (2.875 metros)

O

Planalto Nordestino divide-se em Arcos Maranhenses (Penitente, Tiracambu, Alpercatas) e Chapadas Nordestinas.

A

forma característica do relevo sã as Chapadas: Apodi (RN), Baturité e Araripe (CE), Ibiapaba (PI), Borborema (RN,

PB, PE, AL), Mangabeiras (MA).

O Pico Alto 1.115metros, na Chapada do Baturité, é o ponto culminante do Planalto Nordestino.

A semi-aridez do sertão nordestino está relacionada à presença do Planalto da Borborema, que impede a penetração de

massas úmidas do litoral em direção ao interior, provocando somente chuvas próximo ao litoral.

O

Planalto do Maciço Atlântico é formado, dentre outras, por importantes serras como a da Mantiqueira e a do Mar.

A

Serra do Espinhaço está localizada Quadrilátero Central.

A

Serra do Mar aparece junto à orla litorânea e se alonga do Estado do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul.

A

Serra do Mar está separada da Serra da Mantiqueira pelo vale do Rio Paraíba do Sul.

O

Planalto Central é constituído por rochas sedimentares e cristalinas. Apresenta uma topografia regular e domina a

Região Centro-Oeste do Brasil.

A

forma característica do relevo são imensos “tabuleiros” ou chapadões com altitude entre 500/900 metros.

O

Espigão Mestre (divisa Goiás Bahia) é uma importante elevação do Planalto Central, que tem como ponto culminante

o Morro Alto (1.678 metros), na Chapada dos Veadeiros (em Goiás)

O Planalto Meridional é constituído por:

- terrenos cristalinos, que

correspondem ao 1º degrau (Serra do Mar).

- terrenos sedimentares que

correspondem ao 2º degrau

(“cuestas”).

- terrenos basálticos que

correspondem ao 3º degrau (“trapp”).

O derrame de lençóis e sua

decomposição em clima tropical deu

origem a um solo rico: a terra roxa.

O ponto culminante do Planalto

Meridional é o Morro da Igreja (1.870 metros), na Serra Geral, em Santa Catarina. “Coxilhas” são as pequenas ondulações da Serra Geral, que aparecem no final do Planalto Meridional (no território gaúcho):

Santana, Haedo, São Martinho e Grande.

gaúcho): Santana, Haedo, São Martinho e Grande. CONF IGURAÇÃO DO R ELEVO BRASILEIRO Fonte: Jurandir Ross

CONFIGURAÇÃO DO RELEVO BRASILEIRO

Fonte: Jurandir Ross (adaptado) Planaltos 1 - Planalto da Amazônia Oriental 2 - Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaiba

Depressões 12- Depressão da Amazônia Ocidental 13- Depressão Marginal Norte- Amazônica

Planícies 23- Planície do Rio Amazonas 24- Planície do Rio Araguaia 25- Planície e Pantanal do Rio

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3- Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná 4- Planalto e Chapada dos Parecis 5- Planaltos Residuais Norte- Amazônicos 6- Planaltos Residuais Sul- Amazônicos 7- Planaltos e Serras do Atlântico- Leste-Sudeste 8- Planaltos e Serras de Goiás-Minas 9- Serras Residuais do Alto Paraguai 10- Planalto da Borborema 11- Planalto Sul-Rio-grandense

14- Depressão Marginal Sul-Amazônica 15- Depressão do Araguaia 16- Depressão Cuiabana 17- Depressão do Alto Paraguai- Guaporá 18- Depressão do Miranda 19- Depressão Sertaneja e do São Francisco 20- Depressão do Tocantins 21-Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná 22- Depressão Periférica Sul-Rio- grandense

Guaporé 26- Planície e Pantanal Mato- grossense 27- Planície da Lagoa dos Patos e Mirim 28-Planícies e Tabuleiros Litorâneos

dos Patos e Mirim 28-Planícies e Tabuleiros Litorâneos 6- CLIMA BRASILEIRO O clima é o comportamento

6- CLIMA BRASILEIRO O clima é o comportamento normal ou a sucessão habitual do tempo (meteorológico) durante o ano. Tipos de clima:

Quanto à temperatura: quente, temperado e frio.

úmido,

subúmido, semi-árido, árido (seco).

Quanto

à

umidade:

superúmido,

TROPICAL Tropical: duas estações bem definidas uma chuvosa e quente (no verão) e outra seca com temperatura mais amena (inverno) Temperatura média anual entre 20ºC e 25ºC. Maior ocorrência no Brasil central.

Tropical Atlântico: com chuvas no inverno, na zona litorânea. Ocorrência, litoral do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Sua vegetação é a Mata Atlântica.

Tropical de Altitude: Temperatura amena, chuvas bem distribuídas. Ocorrência, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná

CLIMA EQUATORIAL

Apresenta as seguintes características: temperaturas elevadas ( a média anual é sempre superior à 25ºC e alta

pluviosidade (chuvas abundantes durante todo o ano, com 3.000 mm de chuvas ) e é fraca a amplitude térmica anual (diferença entre o mês mais quente e o mês mais frio).

A

vegetação corresponde a Floresta Equatorial.

O

fenômeno da “friagem” se faz sentir na Planície Amazônica: é uma queda brusca da temperatura, quando a região é

atingida por massa fria do pólo sul.

SEMI-ÁRIDO Temperaturas elevadas, seca, chuvas irregularmente distribuídas ( com longos períodos de estiagem). A vegetação correspondente é a caatinga. Ocorrência no Sertão Nordestino, vale médio do Rio São Francisco e norte de Minas Gerais (Polígonos das Secas).

SUBTROPICAL As quatro estações do ano são bem definidas, temperatura amena, chuvas bem distribuídas, alcançando no inverno as temperaturas mínimas do país. Sua vegetação correspondente é a Floresta Subtropical (dos Pinhais) ou Mata Araucária. Ocorrência: Planalto Meridional, (região Sul), abrangendo os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O Brasil é um país de clima quente, portanto, um país tropical.

As médias térmicas anuais, em nosso país, variam de 13ºC no Sul a 35ºC no Nordeste.

Os extremos de temperatura já registrados são:

máxima de 44ºC, em Paratinga, na Bahia,

a mínima de 14ºC abaixo de zero, em São Francisco de Paula, no RS.

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Os extremos de pluviosidade são:

Serra do Mar, SP (Itapanhaú), com mais de 4.500 mm,

Sertão da Paraíba, (Cabaceiras) “polígono das secas” onde chove menos de 280 mm por ano.

VENTOS:

Noroeste vento quente procedente da Amazônia e que atinge o estado de São Paulo, no final do inverno (agosto- setembro) quando provoca chuvas fortes.

Minuano ou pampeiro vento frio que vem da Argentina e do Uruguai, ou seja, massa polar atlântica, nos meses de inverno, provocando períodos de chuva.

O homem é responsável por muitas mudanças que estão ocorrendo. Já estamos convivendo com chuva ácida, com o

efeito estufa ou aquecimento global, com buraco na camada de ozônio, com desertificação, com desmatamentos e poluição de toda ordem. Até mesmo o EL Niño, fenômeno outrora moderado e limitado aos litorais do Peru e do Equador, se agiganta e desequilibra a atmosfera brasileira prolongando e intensificando as chuvas e as secas.

O EL Niño já é conhecido há mais de dois séculos. Ocorria quase todos os anos no Pacífico, nas costas do Peru e do

Equador, onde as águas são frias e com grandes cardumes. O fenômeno EL Niño é a chegada de águas quentes (correntes

marinhas) que afugentam os cardumes e prejudicam a pesca que é muito importante na região.

O fenômeno EL Niño ocorre por causa dos desequilíbrios de pressão atmosférica existentes no Pacífico, no norte da

Austrália e na Indonésia (anticiclone) e no litoral sul-americano (ciclone), nos litorais do Peru e do Equador.

O EL Niño desequilibra a atmosfera e a regularidade dos ventos alísios e das correntes marinhas. Nestas últimas

décadas ele se tornou mais freqüente e mais intenso e já é responsabilizado pelos longos períodos de chuvas em São Paulo e de secas no Nordeste.

7- VEGETAÇÃO BRASILEIRA

é re sponsabilizado pelos longos perío dos de chuvas em São Paulo e de secas no

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AS

FORMAÇÕES

FLORESTAIS

OU

WW W.PRECURSOR.1BR.NET AS FORMAÇÕES FLORESTAIS OU ARBÓREAS A FLORESTA AMAZÔNICA Também conhecida como

ARBÓREAS

A FLORESTA AMAZÔNICA

Também conhecida como floresta latifoliada equatorial ou Hiléia, ocupa cerca de 40% do território brasileiro, estendendo-se pela quase totalidade da região Norte, porção setentrional de Mato Grosso e porção ocidental do Maranhão. Característica de clima quente e superúmido, essa floresta é extremamente heterogênea e densa e apresenta-se dividida em três estratos:

e densa e apresenta-se dividida em três estratos: igapó: corresponde à porção da floresta que se

igapó: corresponde à porção da floresta que se assenta sobre o nível mais inferior da topografia - a verdadeira planície, ou planície de inundação, onde o solo está permanentemente inundado. Sua principal área de ocorrência é o baixo curso do rio Amazonas;

várzea: ocupa a porção do relevo denominada teso ou terraço fluvial, onde as inundações são periódicas;

terra firme: corresponde ao trecho da floresta localizado na porção mais elevada do relevo - os baixos planaltos ou baixos platôs -, sendo por isso mais desenvolvida e exuberante.

O APROVEITAMENTO ECONÔMICO DA FLORESTA

O aproveitamento econômico da floresta dá-se sobretudo através do extrativismo vegetal, geralmente de produtos tradicionais. Destacam-se a extração de látex para produção de borracha, principalmente no Acre, Amazonas e Rondônia; de castanha-do-pará, no Pará e Amazonas; e de guaraná, no Amazonas e Acre. Nenhuma dessas atividades interfere negativamente no equilíbrio ecológico da floresta. O que devasta, na verdade, é a grande extração madeireira que se pratica na região, sem nenhuma preocupação com a preservação ambiental, sem reflorestamento e utilizando como equipamento de trabalho as moto-serras e os tratores com seus correntões. Outro problema ambiental grave é a prática de criminosas queimadas realizadas com o objetivo de limpar o terreno para a implantação de enormes fazendas de gado.

MATA ATLÂNTICA

Formação exuberante, que se assemelha bastante à floresta equatorial, a Mata Atlântica é heterogênea, densa e aparece em diferentes pontos do pais, onde há temperaturas elevadas e alto teor de umidade. Também é chamada de floresta latifoliada tropical úmida da encosta. Estendia-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, porém foi intensamente devastada pela cultura canavieira desde o período colonial, sobretudo na região Nordeste. No litoral sudeste e sul, a presença da serra do Mar dificultou a ocupação humana e a exploração florestal. Mas hoje, mesmo nessa área, a extração de madeiras, a abertura de estradas e a poluição industrial têm devastado a Mata Atlântica. As madeiras de lei, como jacarandá, jatobá, jequitibá, cedro, imbuia, etc., sempre atraíram as atenções dos empresários da madeira, para os quais "árvore tem é que dar dinheiro". No interior do Sudeste, a floresta tropical aparecia em quase toda a área drenada pelo rio Paraná e seus afluentes, sendo por isso denominada de mata da bacia do Paraná, e também já foi quase toda devastada com o avanço da cultura cafeeira em São Paulo e Minas Gerais, no final do século passado e inicio deste. Hoje, seus vestígios correspondem às estreitas faixas de árvores que margeiam os rios da região, sendo, por isso, denominadas matas galerias ou ciliares.

MATA DE ARAUCÁRIAS

Floresta aciculifoliada é uma formação típica do clima subtropical, menos quente e úmido que o equatorial e o tropical. Por isso, suas folhas são finas e alongadas (em forma de agulha), a fim de evitar a excessiva perda de umidade. Estendia-se originalmente do sul de Minas Gerais ao norte do Rio Grande do Sul.

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Relativamente homogênea, apresenta poucas variedades e sua espécie dominante é a Araucária angustifolia, ou pinbeiro-do-paraná. E uma formação aberta, fato que facilitou sua exploração intensa e não-racional.

A concentração de pinheiros favoreceu o extrativismo vegetal de tal forma que essa floresta se tornou a principal fonte

produtora de madeira do pais, com inúmeras aplicações econômicas, na indústria de móveis, na construção civil ou na indústria de papel e celulose. Também na Mata de Araucárias a preocupação com a preservação foi nula, pois quase não há áreas de reflorestamento e, mesmo quando há, restringe-se ao plantio de eucalipto ou pinus, que fornecem madeiras de qualidade inferior, mas podem ser exploradas em tempo bem mais curto que a araucária.

MATA DOS COCAIS

Formação de transição típica do Meio-Norte composta pelos estados do Maranhão e do Piau ladeada por climas opostos, o equatorial superúmido oeste e o semi-árido a leste. No Maranhão, norte de Tocantins e oeste do Piauí, área um pouco mais úmida, é comum a ocorrência do babaçu, palmeira de 15 a 20 m de altura com cachos de coquilhos em cujo interior encontram-se as amêndoas. Dessas, extrai-se o óleo, que é comercializado com indústrias alimentares e de cosméticos, enquanto o coco é aproveitado como biomassa, na

produção de energia; Na área menos úmida, leste do Piauí, litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte, encontramos a carnaúba, palmácea de até 20 m de altura. A carnaúba é conhecida na região como “a árvore da providência” porque dela tudo se utiliza. As raízes para infusões medicinais, o tronco para fazer paredes, as folhas para recobrir o teto, o fruto para ser consumido como alimento, as sementes torradas e moídas para substituir o café e a folha para produzir cera, seu produto de maior aproveitamento econômico.

O extrativismo do babaçu e da carnaúba não implica devastação, pois aproveitam-se apenas os cocos e as folhas,

continuamente reproduzidas pelas palmeiras. No entanto, a expansão pecuarista na região tem provocado grande destruição da vegetação com a criação de áreas de pasto. Isso tem levado ao agravamento das condições de vida de milhões de pessoas, que dependem do extrativismo.

AS FORMAÇÕES COMPLEXAS

CERRADO

Ocupando originariamente quase 25% do território brasileiro, é a segunda formação vegetal mais extensa do país; no entanto, vem tendo sua participação diminuída gradativamente. Típico de áreas de clima tropical com duas estações bem marcadas verão chuvoso e inverno seco, o cerrado ocorre em quase todo o Brasil Central, a região Centro-Oeste e arredores, como o sul do Pará e do Maranhão, o interior de Tocantins, o oeste da Bahia e de Minas Gerais e o norte de São Paulo. Caracterizado pelo domínio de pequenas árvores e arbustos bastante retorcidos, com casca grossa (cortiça), geralmente caducifólios e com raízes profundas, sua origem é ainda desconhecida. Para alguns, ele é produto do clima com alternância entre as estações úmida e seca durante o ano. Para outros, sua origem está ligada ao solo extremamente ácido e pobre. Além disso, certos tipos de cerrado resultam da própria ação humana, através de sucessivas queimadas realizadas em um mesmo local. É provável que o cerrado, também denominado savana-do-Brasil, seja na verdade resultado da ação de todos esses fatores ao mesmo tempo.

O aproveitamento econômico do domínio do cerrado faz-se através da pecuária e da agricultura comercial mecanizada

(cultivo de soja), que vem destruindo a vegetação natural.

A CAATINGA

A caatinga é uma formação típica do clima semi-árido do Sertão nordestino e ocupa cerca de 11% do território

brasileiro. Composta por plantas xerófilas, como as cactáceas, com suas folhas em espinhos, as caducifólias, que jogam fora suas folhas, para não perderem água, ou como a própria carnaúba, que produz uma cera que recobre os poros da folha, evitando a transpiração.

O principal uso econômico do domínio da caatinga é a agropecuária, que apresenta baixos rendimentos e afeta

negativamente o equilíbrio ecológico. Caso não sejam adotadas técnicas mais racionais de uso do solo e não se expanda a construção de açudes e de canais de irrigação, é provável que a médio ou longo prazo desenvolva-se um processo de desertificação do já muito seco Sertão nordestino.

O COMPLEXO DO PANTANAL

Pantanal corresponde a uma grande depressão localizada no interior de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, ocupando uma área de aproximadamente 100 mil km 2 . Sua altitude média é de 100 m acima do nível do mar, sendo a maior planície inundável do mundo.

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O Pantanal é, na verdade, um mosaico de paisagens naturais. Há áreas que são alagadas todo ano com as cheias dos rios

provocadas pelas fortes chuvas de verão. Há áreas um pouco mais elevadas, que eventualmente são alagadas, e também áreas bem mais elevadas, livres de inundação.

Na porção inundável, a vegetação desenvolve-se apenas nas estiagens de inverno. Caracteriza-se como formação rasteira, própria à prática da pecuária. Na porção de alagamento eventual, aparecem arbustos misturados à vegetação rasteira. Nas áreas altas, chamadas "cordilheiras", encontramos espécies dos cerrados, que, em alguns pontos mais úmidos, misturam-se às espécies arbóreas da floresta tropical.

A economia tradicional do Pantanal sempre foi a pecuária, realizada em harmonia com o ambiente, sem destruí-lo. No

entanto, mais recentemente, o investimento de grandes capitais na região tem sido causa de sérios desequilíbrios

ecológicos.

A implantação de agricultura comercial, a utilização de agrotóxicos e a construção de estradas, com a barragem das

águas realizadas pelas pontes, são alguns dos problemas ligados à ocupação recente do Pantanal. Além desses, destacam-se a caça ilegal de jacarés e a pesca predatória, especialmente na piracema (época de acasalamento dos peixes).

AS FORMAÇÕES HERBÁCEAS

As formações herbáceas, de características bastante diversificadas, geralmente aparecem em forma de manchas de pequena extensão, distribuídas de maneira descontínua pelo interior do país, em função de vários fatores como a topografia suave ou climas mais frios e secos. Se aparecem exclusivamente gramíneas, denominam-se campos limpos e se as gramíneas estão misturadas a pequenos arbustos, denominam-se campos sujos. Entre as diversas áreas de formação campestre, merecem destaque:

campos meridionais: como a Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul, e os Campos de Vacaria. A pecuária é a atividade econômica mais comum nessas regiões.

campos da Hiléia: são formações rasteiras encontradas nas áreas inundáveis da Amazônia oriental, como o litoral do Amapá, a ilha de Marajó e o golfão Maranhense;

campos de altitude: são formações herbáceas encontradas em grande altitude. Aparecem no Sudeste, na serra da

Mantiqueira, e também na Amazônia, na região serrana de Roraima. Proporcionais à extensão do litoral brasileiro, as formações litorâneas apresentam grande variedade. As principais são:

vegetação de praias: são comuns as espécies halófilas, que habitam lugares ricos em sal, como a salsa-de-praia e o jundu, vegetação arbóreo-arbustiva do litoral paulista;

vegetação de dunas: vegetais rasteiros, com raízes profundas e grande extensão horizontal, criando verdadeiros cordões vegetais;

restingas: misturam espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas, como a aroeira-de-praia e o cajueiro, favorecendo a formação de dunas sobre as restingas;

mangues: vegetais que se adaptaram à intensa salinidade e à falta de oxigenação do solo, em áreas alagadas

periodicamente pelas águas do mar. Compõem-se de arbustos misturados às espécies arbóreas, quase sempre de tronco muito fino e raízes aéreas. E no mangue que se realiza, como atividade econômica, a extração de caranguejos e, em menor escala, de ostras.

8- HIDROGRAFIA BRASILEIRA

BRASIL – BACIAS HIDROGRÁFICAS

Bacias

Área absoluta (Km 2 )

Área relativa (%)

I Amazônica

3.984. 467

46,8

II Paraná

891.309

10,4

III Tocantins-Araguaia

803.250

9,5

IV São Francisco

631.133

7,4

V Paraguai

345.701

4,0

VI Uruguai

178.235

2,1

Agrupadas

   

VII Nordeste

884.835

10,3

VIII Leste

569.310

6,7

IX Sudeste

223.688

2,8

 

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AS BACIAS HIDROGRÁFICAS

O Brasil possui uma das maiores redes hidrográficas do mundo, destacando-se seus rios quer pela extensão (tamanho),

quer pelo volume de água. Os rios brasileiros estão agrupados em seis bacias hidrográficas isoladas e três conjuntos de bacias agrupadas. As bacias isoladas, controladas por um único eixo fluvial (o rio principal), ocupam cerca de 80% do território nacional. Já as bacias

agrupadas são menores e apresentam vários eixos que se deslocam todos para uma só direção. Ocupam uma área bem menor, apenas 20% da superfície total do país. As bacias hidrográficas do Brasil estão divididas em bacias principais e bacias secundárias.

Bacias principais:

- São Francisco

Bacias secundárias:

- Nordeste

- Sudeste

- Tocantins-Araguaia

- Leste

- Vertente do Amapá

- Amazônica

- Platina (Paraguai, Paraná e Uruguai)

BACIA AMAZÔNICA

É a maior bacia hidrográfica do globo terrestre, estendendo-se por terras da Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela,

Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Brasil. Ocupa uma área de 6 892 475 km 2 , sendo 3 984 467 km 2 no Brasil (46,8% do

território nacional). Localiza-se nos dois hemisférios, daí a “interferência” que possibilita duas cheias anuais.

A Bacia Amazônica recebe ação direta do clima equatorial, cujas precipitações são elevadas todos os meses, gerando

um total anual de chuvas da ordem de 2 000 a 2 500 mm. Isso faz com que o rio Amazonas tenha o maior débito do mundo, descarregando no Atlântico cerca de 100 000 m 3 /s de água, o que significa cerca de 20% da água que todos os rios

do mundo despejam em conjunto nos oceanos.

O rio Amazonas (7 100 km) é o maior do mundo em extensão e suas nascentes estão localizadas na cordilheira dos

Andes. Entra em nosso território na altura de Tabatinga (Amazonas) e passa a se denominar Solimões até receber as águas

do rio Negro, próximo a Manaus, quando finalmente recebe o nome de Amazonas. Sua foz é no Oceano Atlântico, em forma mista (estuário-deltaica)

junto à cidade de Óbidos (PA) apresenta sua menor largura 1,5 Km. De toda a enorme extensão que

o rio Amazonas percorre da nascente à foz, cerca de 45% corresponde a trecho brasileiro, com 3.165 Km. Nesse trecho, seu desnível total é de 82 m de altura. O rio Amazonas, junto com o baixo curso de seus afluentes, forma um complexo hidroviário de 25 450 km de percurso navegável, que é, às vezes, a única opção real de transporte no interior da Amazônia. Outra característica importante da bacia Amazônica é a infinidade de pequenos cursos d'água e canais fluviais criados pela ação dos rios no seu processo de cheia e vazante. São eles:

Sua largura máxima é de 300 Km na foz -

São eles: Sua largura máxima é de 300 Km na foz - • igarapés : braços

igarapés: braços de rios

ou canais fluviais que partem, de forma perpendicular, do rio em

direção à floresta.

paraná-mirins: braços de

rios que contornam pequenas ilhas

em “meia-lua”, também chamadas

“falsas-ilhas”, por serem pequenas

elevações do terreno que, em

momentos de cheias, são ilhadas

por esses canais;

furos: canais marginais que interligam os vários cursos d´água existentes.

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O Rio Amazonas apresenta o fenômeno da pororoca (choque das águas do rio com o oceano durante a maré alta ou

sizigia) e o das terras caídas (deslocamento de terras junto às margens). É inteiramente navegável, sendo ideal para hidrovias. Os rios amazônicos podem ser “brancos” (ricos em sedimentos) e “negros” (não transportam sedimentos sólidos).

BACIA DO TOCANTINS-ARAGUAIA

Ocupa uma área de 803 250 km 2 (9,5% da área total do país). Desse espaço, metade pertence ao rio Tocantins e a outra metade ao rio Araguaia, daí a denominação da bacia.

O rio Tocantins nasce a cerca de 250 km de Brasília, sendo formado pela junção dos rios Alma e Maranhão, cujas cabe-

ceiras estão no Brasil Central, em Goiás. A partir daí, o rio percorre 2 640 km até chegar ao golfão Amazônico. Seu principal afluente é o Araguaia. Esse rio nasce em Mato Grosso, na fronteira com Goiás, e une-se ao Tocantins no

extremo norte do estado de Tocantins, definindo aí o contorno da região denominada Bico do Papagaio. Antes disso,

porém, o Araguaia circunda uma área que é a maior ilha fluvial do mundo a ilha do Bananal, com cerca de 20 000 km 2 de superfície.

A bacia apresenta um grande potencial hidrelétrico, mas apenas uma área de produção efetiva de energia elétrica, que é

a usina de Tucuruí, no sul do Pará. Quanto ao percurso navegável, é também pouco extenso, cerca de 935 Km

aproveitáveis, distribuídos por trechos descontínuos. Lançam suas água no estuário de Marajó (portanto só se encontra com o Amazonas na foz)

BACIA DO SÃO FRANCISCO

Ocupa uma área de 631.133 Km 2 (7,4%da superfície do país), drenando terras de cinco estados: Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Faz, portanto, a ligação entre o Sudeste e o Nordeste do Brasil.

O São Francisco nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais, região de clima tropical chuvoso, e toma a direção norte,

atravessando o Sertão nordestino, área de clima semi-árido, indo desembocar no litoral oriental do Nordeste, sob clima tropical úmido. Logo após a descida da serra da Canastra, temos a usina de Três Marias. No interior do Sertão nordestino, é o rio que marca os limites entre os estados da Bahia e de Pernambuco, onde se instalou a represa de Sobradinho, que tem a função de regularizar o nível do rio. Em seguida, o São Francisco se desvia para leste, até a fronteira da Bahia com Alagoas, onde estão montadas as quatro usinas do complexo hidrelétrico de Paulo Afonso. A partir desse ponto, o rio inicia a descida do planalto, onde foi construída a usina de Xingó, e vai desaguar no Atlântico, na divisa entre Alagoas e Sergipe.

O São Francisco é um rio de planalto, possui 1.300 km de extensão navegável, em um trecho que se estende de

Pirapora (Minas Gerais) a Juazeiro (Bahia) e Petrolina (Pernambuco), e de Marechal Floriano (AL) à foz.

É a única grande bacia genuinamente brasileira. Possui 3.161 Km de extensão e recebe diversas denominações:

- Nilo Brasileiro

- Rio da Integração e Unidade Nacional

- Rio dos Currais

BACIA PLATINA ( Bacia do Paraná, Paraguai e Uruguai)

BACIA DO PARANÁ

A bacia do Paraná ocupa uma área de cerca de l,4 milhão de km 2 . A bacia do Paraná drena a porção centro-meridional

do país, abrangendo terras dos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Tem como eixo principal o rio Paraná.

O rio Paraná é o décimo sétimo do mundo em extensão, com seus 2 940 km. Nasce na confluência de dois outros rios

importantes: o rio Paranaíba, que separa Minas Gerais de Goiás, e o rio Grande, que separa Minas Gerais de São Paulo, definindo-se aí a região conhecida como Triângulo Mineiro.

A partir daí, o rio Paraná toma a direção sul e separa São Paulo de Mato Grosso do Sul. Adiante, serve de limite entre o

Paraná e Mato Grosso do Sul e, mais à frente, faz a fronteira do Brasil com o Paraguai. Daí em diante, penetra em território argentino e vai desembocar no rio da Prata.

O rio Paraná tem como principais afluentes os rios Verde, Pardo e Ivinheima, na margem direita, e os rios Tietê,

Paranapanema e lguaçu, na margem esquerda.

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Tanto o rio Paraná como os seus afluentes da margem esquerda estão descendo planaltos através de inúmeras quedas d'água, o que dá à bacia um alto potencial hidrelétrico disponível para aproveitamento. Sua localização, próxima ao grande parque industrial do Sudeste, garante-lhe o primeiro lugar em produção hidrelétrica efetiva no país.

A navegabilidade dessa bacia é muito pequena devido à topografia. Mesmo assim, o percurso navegável é de 3 370 km,

utilizando-se de trechos planos entre as quedas. É o que ocorre num trecho de 500 km de extensão no rio Paraná entre as

quedas de Urubupungá e Itaipu. Nos locais onde foram instaladas eclusas, como em Barra Bonita, no rio Tietê, a navegação também é possível.

A eclusa

Uma eclusa fluviaI é composta basicamente de uma câmara com dois muros laterais, limitados nas duas extremidades por duas comportas e, no fundo, um piso ou soleira. Quando se quer que uma embarcação atinja um nível mais baixo, faz-se com que ela entre nessa câmara cheia, que depois é esvaziada. A embarcação desce com a água e atinge o nível mais baixo. Para que uma embarcação suba de nível, realiza-se o processo inverso.

BACIA DO PARAGUAI

Sua área é de 345 701 km 2 (4% do território nacional). O rio Paraguai nasce em terras do Centro-Oeste, na serra do Araporé, em Mato Grosso, a cerca de 100 km de Cuiabá. A partir daí, toma a direção sul, atravessando a enorme planície do Pantanal, no sudoeste de Mato Grosso e oeste de Mato Grosso do Sul. Ao atravessar a planície do Pantanal, o rio Paraguai recebe muitos afluentes, como o Pilcomayo e o Bermejo, na margem direita, e o São Lourenço, o Taquari, o Miranda e o Apa, na margem esquerda. Essa grande rede hidrográfica, devido ao mínimo desnível que a planície apresenta, tem um grave problema de escoamento durante as chuvas de verão. Nessa estação, toda a região sofre um intenso processo de inundação, daí a

denominação Pantanal (ou, de acordo com os índios guaranis, o grande mar de Xaraiés). Após atravessar a planície do Pantanal, o rio entra em território paraguaio, cortando de nordeste para sudoeste a grande depressão do Chaco. Finalmente, deságua no rio Paraná, já em território argentino, próximo à cidade de Corrientes. Percorrendo 2 078 km (1 400 km em território brasileiro), o rio Paraguai tem na navegação o seu maior destaque econômico, seu trecho navegável é de Cárceres (MT) até Assunção. Corumbá, Porto Esperança e Porto Murtinho são os principais portos fluviais do Rio Paraguai.

A bacia como um todo possui 2 345 km navegáveis, por onde circulam muitas das mercadorias da região, com especial

ênfase aos minérios de ferro e manganês, extraídos do maciço de Urucum e embarcados pelos portos de Corumbá e Porto Murtinho, ambos no rio Paraguai.

BACIA DO URUGUAI

Ocupa uma área de 1 78 235 km 2 (2,1% do território nacional). O rio Uruguai, eixo da bacia, é formado pela junção do rio Canoas, que vem de Santa Catarina, com o rio Pelotas, que vem do Rio Grande do Sul. Quando atinge a fronteira com

a Argentina, após ter feito a divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sofre um desvio para o sul e separa as terras do Brasil e da Argentina. Posteriormente, faz a divisa entre a Argentina e o Uruguai, e daí segue até a foz, próximo a Buenos Aires, onde desemboca no rio da Prata, após ter percorrido uma extensão de 1 500 km.

muito pouco aproveitado, seja para a geração de energia, seja para o transporte fluvial. O percurso navegável dessa

bacia é de apenas 625 km. A maior parte dessa extensão localiza-se entre os portos de São Borja e Uruguaiana, no próprio

rio Uruguai. Apresenta apenas três importantes afluentes, todos na sua margem esquerda, em território sul-rio-grandense: o Ijuí, o Ibicuí e o Quaraí.

É

BACIAS AGRUPADAS

O Brasil possui três conjuntos de bacias agrupadas: bacias do Nordeste, do Leste e do Sudeste.

As bacias do Nordeste ocupam uma área de 884 835 km 2 (10,3% da superfície do país) e apresentam uma extensão navegável de 4.498 km. Esse conjunto de bacias abrange uma extensa porção do Nordeste, que vai do Maranhão até

Alagoas. Caracteriza-se por dois tipos diferentes de rios:

rios perenes: apresentam-se com água o ano todo e predominam no trecho ocidental da região. Destacam-se o rio

Parnaíba, nasce na Serra de Tabatinga e separa o Maranhão do Piauí, onde foi instalada a usina hidrelétrica Castelo

Branco. Entre os outros rios perenes, temos o Mearim, o Pindaré, o Grajaú e o ltapecuru;

rios temporários: ficam parcial ou totalmente sem água durante os longos períodos de estiagem. Predominam na

porção mais interior da região, além do litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte. Nessa área encontramos inúmeras obras

- os açudes - que visam reter a água do período chuvoso para amenizar o efeito do longo período de estiagem. Destaque-se ai o famoso açude de Orós, no rio Jaguaribe, no Sertão cearense. Como exemplo de outros rios temporários, temos o Acaraú, o Apodi e o Piranhas.

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As bacias do Leste estendem-se desde Sergipe até o litoral paulista, ocupando uma área de 569 310 km 2 (6,7% do território nacional). Compõem-se de inúmeros rios que descem diretamente dos planaltos e serras para o oceano, apresentando, por isso, inúmeras corredeiras e quedas-d'água, o que dificulta muito a navegação. A extensão do percurso navegável dessa bacia é de 2 253 km.

Os principais rios são:

o

Paraguaçu, que tem sua foz em Salvador;

o

Jequitinhonha, que atravessa o nordeste de Minas Gerais, de clima semi-árido, e desemboca no sul da Bahia;

o Doce, que nasce na Serra da Mantiqueira, após atravessar a rica região ferrífera de Minas Gerais, deságua no litoral do Espírito Santo, ao norte de Vitória, no seu vale se concentram importantes usinas siderúrgicas. Possui 980 Km de extensão.

o Paraíba do Sul, que nasce na serra da Bocaina (SP), bem próximo da capital paulista é formado pela junção dos rios Paraibuna e Paraitinga, corre entre as serras do Mar e da Mantiqueira em direção ao norte do Rio de janeiro, onde desemboca no Atlântico, através de um delta de 60 km de largura. Possui 1.019 Km de extensão

As bacias do Sudeste ocupam uma área de 223 688 km 2 (2,8% do território nacional), estendendo-se do litoral sul de São Paulo até o Rio Grande do Sul. Compõem-se predominantemente de rios planálticos e, portanto, com poucas possibilidades para a navegação. A extensão do percurso navegável é de 1186km. Destacam-se nessa bacia os seguintes rios: Ribeira de Iguape, no litoral sul de São Paulo; Itajaí, no leste catarinense; Tubarão, na região carbonífera do sudeste de Santa Catarina, e o Jacuí, que vem do norte do Rio Grande do Sul e sofre um desvio para leste, indo até a capital Porto Alegre, quando muda o nome para Guaíba e desemboca na lagoa dos Patos.

BACIA DO LESTE

para Guaíba e desemboca na lagoa dos Patos. BACIA DO LESTE BACIA DO NORDESTE BACIA DO

BACIA DO NORDESTE

na lagoa dos Patos. BACIA DO LESTE BACIA DO NORDESTE BACIA DO SUDESTE São os rios

BACIA DO SUDESTE

dos Patos. BACIA DO LESTE BACIA DO NORDESTE BACIA DO SUDESTE São os rios de vertente

São os rios de vertente do Amapá: Oiapoque (Brasil-Guiana Francesa), rio Amapá e rio Araguari. Os rios da “Mesopotânia Maranhense” são: Pindaré, Mearim, Grajaú e Itapecuru.

9 - O LITORAL BRASILEIRO

O litoral brasileiro inicia-se no extremo norte da costa do Amapá, ponto marcado pela foz do rio Oiapoque, que, após fazer a divisa entre Brasil e Guiana Francesa, desemboca no oceano Atlântico, na altura do cabo Orange, e termina no extremo sul do país, onde está situado o arroio Chuí, pequeno riacho que faz a divisa entre Brasil e Uruguai. Apresenta uma longa extensão, que, em linha reta, corresponde a 7.367 km e que aumenta para 9.198 km se considerarmos todas as suas saliências e reentrâncias. É por ser assim tão grande que esse litoral costuma ser estudado a partir de uma divisão em três partes: setentrional, oriental e meridional.

em três partes: setentrional, orie ntal e meridional. O LITORAL SETENTRIONAL Esse trecho do litoral brasileiro

O LITORAL SETENTRIONAL

Esse trecho do litoral brasileiro vai do cabo Orange, no Amapá, até o cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte, estendendo-se por 2 465 km. Caracteriza-se por apresentar um relevo muito raso, devido à extensa plataforma continental, o que o torna facilmente inundável, daí o domínio dos manguezais, particularmente nos litorais do Amapá e do Pará. A partir daí, nos litorais do Maranhão, Piauí e Ceará, encontramos a predominância das praias e das dunas. No litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará, o destaque fica com a presença das salinas.

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Como principais acidentes geográficos, temos o golfão Amazônico (onde está a foz do rio Amazonas), que abriga, entre outras, a ilha de Marajó (a maior do Brasil). No Maranhão, temos o golfão Maranhense, onde se localizam a baía de São Marcos e a ilha de São Luís, que abriga a capital do estado, a cidade de São Luís. Nesse litoral, destacam-se ainda os portos de Santana, no Amapá, Belém, no Pará, Ponta da Madeira, no Maranhão, e Areia Branca, no Rio Grande do Norte. A principal atividade pesqueira desenvolvida nessa porção do litoral é a pesca de camarão, a maior do Brasil, particularmente no litoral amapaense.

O LITORAL ORIENTAL

Começa no cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte, e vai até o cabo de São Tomé, no Rio de Janeiro, estendendo- se por 2 640 km. Caracteriza-se pelo domínio das barreiras e dos recifes, particularmente no litoral pernambucano. Há ainda uma série de praias intercaladas entre as barreiras, algumas até com dunas, além de alguns recifes de corais, como o atol das Rocas, no Rio Grande do Norte, e o atol de Abrolhos, na Bahia. Os principais acidentes geográficos são a ponta do Seixas (Paraíba), as ilhas de Itamaracá (Pernambuco) e de Itaparica (Bahia), o Recôncavo Baiano e as baías de Todos os Santos, Ilhéus e Cabrália, todos na Bahia, além do arquipélago de Fernando de Noronha (Pernambuco) e das ilhas oceânicas de Trindade e Martin Vaz, a 1.000 km do litoral do Espírito Santo. Destacam-se também os portos de Recife, em Pernambuco, Salvador e Ilhéus, na Bahia, e Vitória Tubarão, no Espírito Santo, Cabedelo e Malhado. Na pesca, o destaque é a captura da lagosta em toda a costa nordestina. A produção petrolífera é a maior do país, concentrada na bacia de Campos (Rio de Janeiro).

do país, concentrada na bacia de Campos (Rio de Janeiro). O LITORAL MERIDIONAL Essa parte do

O LITORAL MERIDIONAL

na bacia de Campos (Rio de Janeiro). O LITORAL MERIDIONAL Essa parte do litoral brasileiro tem

Essa parte do litoral brasileiro tem 2 262 km de extensão, começando no cabo de São Tomé, no Rio de Janeiro, indo até o arroio Chuí, no Rio Grande do Sul. Caracteriza-se pela diversidade, onde se misturam praias, restingas formadoras de lagoas como Araruama e Maricá (Rio de Janeiro), Patos e Mirim (Rio Grande do Sul), intercaladas com paredões abruptos - as falésias - quando a serra do Mar chega até o oceano. São típicas do litoral entre Ubatuba (São Paulo) e Parati (Rio de Janeiro) e do litoral de Torres (Rio Grande do Sul). Os acidentes geográficos mais importantes são as ilhas Grande (Rio de Janeiro), de São Vicente, Guarujá e São Sebastião (São Paulo), Santa Catarina (onde está Florianópolis) e as baías da Guanabara (Rio de Janeiro) e de Guaratuba (Paraná). Merece destaque ainda Cabo Frio (Rio de Janeiro), importante área salineira. Os principais portos do Brasil estão nesse litoral, tais como Rio

de Janeiro, Santos, São Sebastião, Paranaguá e Rio Grande. Na pesca, sobressaem o camarão e a sardinha, principalmente nos litorais gaúcho e catarinense.

As ilhas oceânicas brasileiras são: Trindade, Arquipélago de Fernando de Noronha, Atol das Rocas, rochedos (penedos) São Pedro e São Paulo, ilha Martim Vaz (é o ponto mais afastado do litoral, a 1.155 Km da costa, na direção do Espírito Santo).

Duas correntes marinhas afluem para o litoral brasileiro: Corrente Sul-Equatorial (quente) e Corrente das Falklands ou Malvinas (fria). A corrente das Guianas, que é um braço da Corrente Sul-Equatorial, percorre parte do litoral Norte. Corrente do Brasil( a mais importante para nós), banha o litoral oriental (todo o NE e SE).

A Corrente das Falklands atinge o litoral sul e sudeste do Brasil, terminando em Cabo Frio (RJ). Mar territorial é a faixa de mar que pertence a um país. O mar territorial brasileiro atualmente abrange a faixa de 200 milhas, cobrindo a Plataforma Continental, de importância fundamental para a pesca, exploração de petróleo e comércio.

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10 - AGRICULTURA E EXTRATIVISMO VEGETAL NO BRASIL

Fatores naturais, humanos e econômicos Diversos elementos do quadro natural podem contribuir, positiva ou negativamente, para o desenvolvimento da agricultura. Entre esses elementos, destacam-se o clima e o solo.

O clima é, sem dúvida, o elemento natural que mais

influencia a produção agrícola. Caracteriza-se pela ação da temperatura, umidade, chuvas e, em menor escala,

ventos.

O solo é um importante elemento do quadro natural

para o desenvolvimento agrícola, pois suporta e sustenta

o vegetal.

A análise do fator humano na agricultura envolve

aspectos relacionados à mão-de-obra (número de

trabalhadores e sua especialização) e as relações de trabalho.

Em regiões mais atrasadas, o número de

trabalhadores agrícolas é bastante alto em relação à extensão da área de cultivo, significando que não há grande utilização de equipamentos mecânicos e indicando uma reduzida produtividade dessa lavoura, característica de uma agricultura pobre.

Já nas regiões mais desenvolvidas, observa-se o

contrário, com uma intensa mecanização da agricultura, resultando em pouca mão-de-obra para uma alta produtividade.

É possível distinguir dois grandes objetivos do

trabalho agrícola:

- abastecer o próprio grupo que trabalha a terra e

gerar um pequeno excedente de troca, correspondendo à

chamada lavoura de subsistência ou de pequeno mercado;

- produzir exclusivamente para o grande mercado,

interno ou externo, correspondendo à chamada lavoura comercial. A remuneração do trabalho na agricultura também é realizada de duas formas mais comuns:

- primitiva, em que o trabalhador recebe como pagamento o direito de morar e plantar na terra de terceiros, ou o direito de ficar com uma parte da colheita, dando o restante ao dono da terra;

- moderna, que corresponde ao trabalho as- salariado, que pode ser permanente ou temporário, dependendo das condições econômicas, sociais e políticas de cada região. Os fatores econômicos determinam claramente a diferença entre agricultura moderna e primitiva.

OS SISTEMAS AGRÍCOLAS

A análise de um sistema agrícola considera três

fatores dominantes: a terra, o trabalho e o capital.

O fator terra predomina nas regiões

subdesenvolvidas do globo, onde a produção está diretamente relacionada com a extensão da área cultivada, pois não conta com investimentos de capital e tecnologia.

Esse sistema, definido como de uso extensivo da

terra, aparece sob diversas formas, destacando-se a agricultura intinerante ou roça tropical, na qual o

agricultor ocupa áreas florestadas, realizando o

desmatamento e a queimada. Com isso, o solo se esgota precocemente, as terras são abandonadas e o agricultor

se muda para nova área, onde repetirá o processo.

O fator trabalho predomina também em regiões

subdesenvolvidas, onde há grande utilização de mão-de- obra.

Esse tipo de agricultura que considera o fator trabalho é característico de região de grande densidade demográfica, comum no Sudeste Asiático e Extremo Oriente, onde recebe o nome de agricultura de jardinagem.

O capital é um fator que predomina na agricultura

dos países desenvolvidos e de algumas regiões de países subdesenvolvidos.

A agricultura moderna ou comercial é

desenvolvida em pequenas, médias ou grandes propriedades, com larga aplicação de recursos técnicos e capital

A AGRICULTURA NO BRASIL

A agricultura sempre foi uma atividade econômica

muito importante para o pais. Embora atualmente a maior parte da produção econômica nacional tenha sua origem na atividade industrial, a agricultura ainda ocupa um lugar de destaque, empregando mais de 20% da mão-de-obra ativa e produzindo cerca de 25% da renda das exportações nacionais.

16

O

QUADRO NATURAL

A agricultura brasileira sofre basicamente a

influência de dois grandes fatores naturais: o solo e o

clima.

No Brasil, há pelo menos dois tipos de solo

considerados extremamente férteis. Um é a terra roxa,

solo de origem vulcânica, que aparece na área drenada pela bacia do Paraná. Outro é o massapé, solo muito profundo e argiloso, que aparece na Zona da Mata nordestina.

Por outro lado, enfrentamos inúmeros problemas no

uso do solo, tais como o plantio em declives, que acelera

a erosão, e a prática de queimadas, que empobrece o solo. Entre os aspectos climáticos que favorecem a

atividade agrícola no pais, destaca-se a tropicalidade. O predomínio de altas temperaturas e de alta pluviosidade na maior parte do território, durante o ano todo, permite um desenvolvimento da produção vegetal ininterrupto. O outro aspecto favorável é a diversidade climática, permitindo que se desenvolvam os mais diferentes tipos de vegetais.

Os aspectos desfavoráveis da ação do clima na

agricultura estão ligados aos extremos climáticos, tais

como as áreas excessivamente chuvosas (Amazônia Ocidental) ou com escassez de pluviosidade (Sertão nordestino). Esses extremos também ocorrem devido à diversidade climática. No Sul e em parte do Sudeste, o rigor das temperaturas dificulta certas produções,

principalmente em áreas sujeitas à ocorrência de geadas

e, eventualmente, de neve.

A

AGRICULTURA

BRASILEIRA

E

CURSO

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AS

RELAÇÕES

TRABALHISTAS

AGRICULTURA BRASILEIRA

NA

Existem diversas formas de trabalho no meio rural brasileiro, sendo comum os trabalhadores rurais atuarem em pelo menos duas delas ao mesmo tempo. O total de trabalhadores rurais no país é atualmente de 15 570 171 pessoas.

Mão-de-obra rural no Brasil

Forma

Total de

Percentagem do

de trabalho

trabalhadores

total

Posseiros

654 615

4,2

Parceiros

366 995

2,3

Pequenos

2 437 001

15,6

proprietários

Arrendatários

101 409

0,8

Assalariados

975 150

6,3

permanentes

Assalariados

6 844 849

44,0

temporários

Não-remu

4.190.152

26,8

nerados

(Estatísticas cadastrais do INCRA.)

- pequenos proprietários: trabalhadores que

cultivam sua própria terra, tanto para atender às necessidades de suas famílias, quanto para destinar a

produção ao mercado local;

- arrendatários: agricultores que alugam a terra

de alguém e pagam seu uso em dinheiro. Em geral, dispõem de um certo capital e de equipamentos;

- assalariados permanentes: trabalhadores que

moram nas propriedades em que trabalham, mantendo vínculo empregatício com registro profissional e todos

os direitos legais;

- assalariados temporários: agricultores que

trabalham contratados por dia, tarefa ou empreitada, sem direito a morarem na terra. Geralmente habitam a periferia das cidades e se deslocam diariamente para o trabalho no campo;

- não-remunerados: corresponde ao grupo

familiar do trabalhador composto pelos seus dependentes, mulher e filhos, que o ajudam no trabalho rural sem serem remunerados pela atividade.

As principais formas de trabalho são:

- posseiros: lavradores que se instalam em terras

que não lhes pertencem legalmente, ou seja, terras devolutas (do governo) ou de terceiros;

- parceiros: lavradores que trabalham na terra de

outra pessoa, com a qual dividem a produção obtida.

Quando a divisão é de 50%, o trabalhador é chamado meeiro;

O EXTRATIVISMO VEGETAL

A atividade extrativista corresponde à retirada

de bens fornecidos pela natureza, nos remos

mineral, vegetal e animal.

O extrativismo é realizado de forma primitiva,

sem aplicação de recursos técnicos e de capital, objetivando apenas a subsistência do grupo familiar e um pequeno excedente de troca. Quando a retirada se faz em moldes modernos, com o uso de recursos de capital e tecnologia, mão-de-obra assalariada, pessoal especializado, máquinas, etc., passa a ser considerada atividade industrial. Essa

tendência é crescente em quase todo o planeta. Há uma classificação do aproveitamento vegetal considerando três grandes sistemas, conforme as técnicas utilizadas e a intensidade da destruição da cobertura vegetal. São eles:

sistema primitivo: característico das regi- ões mais atrasadas, onde a população utiliza os produtos coletados para sua própria subsistência ou para abastecer um incipiente mercado local. A destruição da vegetação é muito pequena, recuperando-se facilmente;

abastecer um inci piente mercado local. A destruição da vegetação é muito pequena, recuperando-se facilmente; 17

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sistema colonial: característico de regiões subdesenvolvidas, onde o grande capital, nacional ou estrangeiro, visa explorar os recursos vegetais em grande escala para exportação. E um sistema altamente predató- rio, sem nenhuma preocupação com a conservação ou recuperação da área vegetal destruída;

sistema moderno: corresponde à silvicultura, realizada por empresas que investem muito capital e tecnologia, obtendo um grande aproveitamento dos recursos vegetais. E uma forma de exploração racional, pois substitui a floresta nativa pela cultivada. Esse sistema de aproveitamento vegetal é característico das regiões mais desenvolvidas.

EXTRATIVISMO VEGETAL NO BRASIL

O extrativismo vegetal no Brasil, embora seja uma atividade bastante pobre e de pequena participação na economia nacional, tem grande importância socioeconômica nas regiões em que ocorre, principalmente na Amazônia e no Nordeste. Nessas

regiões, as necessidades econômicas da população rural acabaram levando milhares de pessoas a se envolverem com a coleta vegetal.

A grande diversidade climatobotânica do Brasil

favoreceu uma atividade extrativista diversificada. Os principais produtos obtidos pelo extrativismo vegetal no

11 - A MINERAÇÃO NO BRASIL

Brasil são látex, óleos e ceras.

A mais importante espécie produtora de látex é a

seringueira (Hevea brasiliensis). A borracha também pode ser obtida de outras espécies, como o caucho, a maniçoba e o mucujê. A resina desse último é utilizada na fabricação de chicletes. Uma das mais importantes espécies produtoras de óleo é a palmeira de babaçu denominada uauaçu pelos índios. Produz cocos que contêm um óleo na industrialização do sabão, margarina, produtos químicos, entre outros. O bagaço do babaçu, depois de extraído o

óleo, é utilizado na indústria de ração para animais A mamona, planta muito comum no Brasil, é produtora de óleo de rícino. Seu bagaço é utilizado como biomassa ou como adubo orgânico.

A castanha-do-pará, uma grande e bela árvore

amazônica, produz um ouriço cujas sementes são

utilizadas na indústria de óleos comestíveis e produtos cosméticos.

A oiticica, árvore de copa baixa, típica de áreas

secas, também tem sementes oleaginosas, utilizadas na indústria de tintas e vernizes.

O destaque na produção de cera fica com a

carnaúba, denominada "árvore da providência", pois dela tudo se aproveita - tronco, galho, folhas, raízes, frutos e sementes. Porém, a cera que recobre as folhas é seu maior produto econômico, sendo utilizada nas

indústrias de graxas, ceras domésticas, acetato para discos, pilhas, lâmpadas incandescentes, papel-carbono, sabonete e batom.

Num país de dimensões continentais como o Brasil, é natural que haja abundância e grande variedade de minérios. No entanto, alguns ocorrem em quantidade surpreendente, mas outros são escassos. Veja o quadro a seguir.

Classificação das reservas minerais

 

Suficiente

Deficiente

Carente

 

alumínio

chumbo

enxofre

 

calcário

cobre

iodo

 

diamante

estanho

mercúrio

 

ferro

ouro

nitrato

 

manganês

petróleo

platina

 

urânio

prata

potássio

 
 

maciço

de

Urucum,

no

sense;

O

serra dos Carajás, no Pará.

Entre os principais minérios e minerais extraídos no país, destacam-se o ferro, o manganês e a bauxita.

O ferro é o mais importante recurso mineral

explorado no Brasil. Os minerais de ferro surgem em terrenos proterozóicos, podendo ser classificada como minério a rocha que apresentar teor metálico superior a 40%. No Brasil, o mais explorado e exportado é a

hematita, que apresenta entre 55% e 65% de teor metálico.

pantanal

Mato-gros-

manganês é o segundo recurso mineral mais

exportado pelo Brasil. Sua importância econômica está relacionada com sua utilização indispensável no setor siderúrgico. Embora encontrado em vários estados, como:

As principais áreas de ocorrência de minério de ferro no Brasil são:

Quadrilátero Central ou Ferrífero, em Minas

Gerais;

Pará (Carajás),

Mato Grosso do Sul (Urucum),

Minas Gerais (Quadrilátero Central),

18

CURSO

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Amapá, na serra do Navio ocorrem as maiores produções nacionais.

As principais áreas de ocorrência de bauxita no Brasil estão localizadas no:

Pará (Carajás e Oriximiná)

Minas Gerais (Poços de Caldas e Ouro Preto)

Nas proximidades do rio Trombetas, em Oriximiná, localiza-se uma das maiores reservas mundiais desse minério.

O sal é explorado sobretudo no Nordeste, sendo o

Rio Grande do Norte responsável por mais de dois terços

da produção nacional.

O calcário é de grande importância como material de

construção civil cimento e cal - e para a agricultura,

onde é utilizado como corretivo do solo. Ocorre em quase todo o Brasil.

12 - OS RECURSOS ENERGÉTICOS

O PETRÓLEO NO BRASIL

Entre os principais recursos energéticos utilizados pelo homem, destacam-se os combustíveis fósseis, assim denominados devido à sua origem, relacionada à

deposição de restos de seres vivos em eras geológicas passadas. Os mais importantes combustíveis fósseis são

o petróleo e o carvão mineral.

Com o passar dos anos essa continua superposição de camadas na crosta terrestre fez aumentar a pressão e o calor sobre os depósitos orgânicos, provocando neles reações químicas que resultaram em gás natural e petróleo.

O petróleo é fluido, sendo encontrado em regiões

sedimentares, nos poros das rochas armazenadoras como

o arenito, dominante no Brasil.

O petróleo é o produto mineral mais importante do

século XX, pois, além de ser utilizado em larga escala como fonte de energia, através de derivados como o óleo diesel, o querosene, a gasolina e o gás liqüefeito, tam- bém possibilita a fabricação de solventes, borracha sintética, fertilizantes, plastificantes, fibras de náilon e outros produtos indispensáveis à economia moderna.

Em 1932, foi instalada em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, a Destilaria Sul-rio-grandense. Em 1936, duas refinarias de petróleo foram inauguradas: a Matarazzo, em São Caetano do Sul (São Paulo), e a Ipiranga, em Rio Grande (Rio Grande do Sul). Em 1938, foi criado o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), que visava regular e controlar as atividades ligadas a esse recurso. Em 1939, na localidade de Lobato, no Recôncavo Baiano, finalmente jorrou petróleo em condições comerciais pela primeira vez no país.

Por fim, em 1 953, durante o governo de Getúlio Vargas, foi assinada a Lei n.º 2004 criando a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobrás). A Petrobrás deteve, durante 42 anos, o monopólio nas seguintes atividades:

e pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e outros hidrocarbonetos, fluidos e gases raros em território nacional;

refino do petróleo nacional e estrangeiro;

transporte marítimo de cabotagem, isto é, costeiro, e transporte terrestre por oleodutos de petróleo e derivados;

importação e exportação de petróleo e derivados.

ansporte terrestre por oleodutos de petróleo e derivados; • importação e exportação de petróleo e derivados.
ansporte terrestre por oleodutos de petróleo e derivados; • importação e exportação de petróleo e derivados.

19

CURSO

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A exploração de petróleo no Brasil é realizada nas bacias sedimentares, que totalizam 3,2 milhões de km 2 na parte

terrestre e quase 1 milhão de km 2 na plataforma continental.

Entre as principais bacias produtoras, destacam-se:

bacia de Campos, principal área produtora do país, na plataforma continental, onde

se destacam ainda trechos do litoral da Bahia, Sergipe e Alagoas;

bacia do Recôncavo Baiano, importante área produtora de petróleo no continente;

bacia do Nordeste, entre Sergipe e Alagoas, que produz cerca de 15 % do petróleo brasileiro.

O CARVÃO MINERAL

O

carvão mineral é um combustível fóssil cuja origem está relacionada ao soterramento de antigas florestas.

O

carvão mineral foi a principal fonte energética do planeta até fins do século XIX. No século XX, sua importância

declinou graças ao crescimento da produção e das possibilidades econômicas do petróleo. No entanto, o carvão continua

sendo uma das mais importantes fontes energéticas, bem como matéria-prima indispensável à indústria, uma vez que é produto básico na fabricação do aço. No Brasil, a produção é pequena, não atendendo sequer ao consumo interno. Entre as causas da pequena produção nacional de carvão, destacam-se:

país não dispõe de grandes reservas;

carvão nacional é de baixa qualidade;

as técnicas de extração e o sistema de escoamento são precários, determinando um preço mais elevado que o do

carvão importado. As principais áreas produtoras no país localizam-se nos terrenos permo-carboníferos da região Sul, particularmente nos

estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Santa Catarina é responsável por mais de dois terços da produção nacional, uma vez que possui as únicas reservas conhecidas aproveitáveis na siderurgia, ou seja, produção de carvão-coque. Suas principais áreas carboníferas situam-se na bacia do rio Tubarão, onde se destacam os centros de Criciúma e Siderópolis. No Rio Grande do Sul, o destaque fica com o carvão- vapor, utilizado em ferrovias e termelétricas. As principais jazidas são encontradas no vale do rio Jacuí.

principais jazidas são encontradas no vale do rio Jacuí. 13 - A PECUÁRIA Pecuária é a

13 - A PECUÁRIA

Pecuária é a atividade relacionada à criação de gado, ou seja, à criação de determinados rebanhos com fins econômicos. Tem como principais objetivos a produção de alimentos e de matérias-primas, além da criação de animais de tração e transporte

OS SISTEMAS DE CRIAÇÃO

Definem-se dois grandes sistemas de criação: o extensivo e o intensivo, lembrando que existem alguns outros intermediários que misturam características dos dois primeiros.

20

CURSO

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No sistema de pecuária extensiva, a criação é considerada de pior qualidade, pois a pecuária é realizada com o gado solto no pasto sem grandes cuidados com sua saúde e higiene. E um sistema que exige espaço, porém requer pequena quantidade de mão-de-obra.

O

sistema extensivo, portanto, é de baixa produtividade, sendo característico de regiões subdesenvolvidas.

O

sistema de pecuária intensiva possui características opostas, pois é considerado de alta qualidade. O gado é criado

em estábulos, recebendo cuidados com alimentação, saúde e higiene. Pode ser realizado em pequenas propriedades, porém exigindo grande investimento, tanto em pessoal qualificado quanto em equipamentos.

A ZOOTECNIA

Zootecnia é a ciência que tem como objetivo estudar técnicas de pecuária para criar o melhor animal, no menor tempo e pelo menor custo a fim de se obter o maior lucro possível. Utiliza os seguintes recursos:

aclimatação: técnica que visa adaptar um animal oriundo de área climática diferente; cruzamento: baseia-se no acasalamento de animais da mesma espécie, de raças diferentes, porém puros. seleção: técnica de cruzamento que escolhe as melhores cabeças da mesma raça, tendo como objetivo acentuar suas qualidades no rebanho; hidratação: processo que cruza elementos de espécies diferentes. O produto desse cruzamento é o animal híbrido, quase sempre estéril; Inseminação: técnica de reprodução sem que se realize o acasalamento, ou seja, o sêmen é extraído de reprodutores selecionados e é imediatamente congelado e armazenado.

A PECUÁRIA NO BRASIL

A pecuária no Brasil é realizada fundamentalmente de forma extensiva, caracterizando-se, portanto, por um pequeno

nível de investimento de capital e tecnologia.

Bovinos

O rebanho bovino brasileiro, com aproximadamente 1 70 milhões de cabeças, é um dos cinco maiores do mundo,

representando cerca de 10% de todo o gado bovino do globo.

A história da pecuária bovina no Brasil data dos primórdios do século XVI, com a introdução das primeiras cabeças na

capitania de São Vicente.

Suínos

O rebanho brasileiro, superior a 35 milhões de cabeças, é um dos maiores do mundo, representando 5% do total

mundial.

A pecuária suína destina-se basicamente à produção de carne e de banha.

Ovinos

O rebanho brasileiro de ovinos - ovelhas e carneiros - é de aproximadamente 20 milhões de cabeças, correspondendo a

apenas 1,5% do total mundial. O aproveitamento econômico desse rebanho está na produção de lã, leite e carne.

Caprinos

O rebanho brasileiro de caprinos é pouco superior a 12 milhões de cabeças (2,5% do total mundial). Seu

aproveitamento econômico é muito grande, pois, além de produzir carne, leite e derivados, também se aproveita a pele.

Eqüinos

Os eqüinos foram introduzidos no Brasil no início da colonização. Totalizam atualmente 6,5 milhões de animais, 9% do

efetivo mundial.

A

criação de cavalos no Brasil apresenta diversos objetivos. Assim, temos criação para sela e montaria, como os estrangeiros quarto de milha, árabe e persa, ou como os nacionais manga-larga e campolina, e criação para tração, com destaque para a raça shire (inglesa) que atinge um grande porte.

Muares O rebanho de muares burros e mulas - alcança 2 milhões de cabeças no Brasil (13% do total mundial). A origem desse rebanho está no cruzamento de duas outras espécies, o asinino macho (jegue) com o eqüino fêmea (égua). Por serem animais híbridos, tanto o burro quanto a mula são estéreis, ou seja, não se reproduzem. A

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principal utilidade dos muares está no transporte de carga e, em segundo plano, na montaria.

Asininos

O rebanho brasileiro de asininos - asnos, jumentos, jegues ou jericos -, da ordem de 1,5 milhão de cabeças, corresponde

a 4% do total mundial. Entre as principais qualidades desse rebanho, está sua grande capacidade de sobreviver em

condições ambientais hostis. Assim como os muares, os asininos são importantes para montaria ou transporte de carga.

Bufalinos

O efetivo de búfalos criados no Brasil é de

aproximadamente 1,5 milhão de cabeças, apenas 1% do total mundial. O aproveitamento do búfalo é muito diversificado, pois o animal é um grande fornecedor de carne, já que cerca de 50% do seu peso (que chega a 900 kg) pode ser utilizado para esse fim. E também grande produtor de leite, com até 10 litros diários; tem seu couro industrializado e, pela sua grande capacidade de deslocamento de carga - possui a força de dois bois juntos, é ainda utilizado como animal de tração.

14 - A INDÚSTRIA

TIPOS DE INDÚSTRIA

A indústria é uma atividade transformadora, ou seja,

utilizando-se de mão-de-obra, máquinas e energia, transforma a matéria-prima em bens destinados ao consumo. A indústria de transformação pode ser dividida em dois grandes grupos: o de bens de produção e o de bens de consumo.

INDÚSTRIAS DE BENS DE PRODUÇÃO

Fazem parte desse importante grupo as indústrias que transformam matérias-primas brutas (oriundas da natureza) ou que visam abastecer as outras indústrias com máquinas, equipamentos, insumos e matérias- primas beneficiadas. Como exemplo, temos as side- rúrgicas, a mineração, a química e a petroquímica. As indústrias de bens de produção também são denominadas indústrias de base

por fornecer o alicerce do desenvolvimento industrial

e indústrias pesadas pelo seu porte e por trabalhar com

grandes quantidades de matérias-primas.

INDÚSTRIAS DE BENS DE CONSUMO

Classificam-se nesse grupo as indústrias que têm como objetivo atender às necessidades do grande mercado. Utilizam matérias-primas produzidas na

natureza ou bens provenientes das indústrias de base.

As indústrias de bens de consumo costumam ser

divididas em dois subgrupos:

- bens duráveis: produzem bens de consumo que

não são perecíveis, cujo uso não implica sua extinção.

Como exemplos, temos a indústria automobilística e a de

eletrodomésticos;

- bens nâo-duráveis: produzem bens de consumo

perecíveis. Como exemplos, temos a indústria alimentícia, a de vestuário e a farmacêutica.

22

OS

FATORES

INDUSTRIAL

DA

LOCALIZAÇÃO

A implantação e o desenvolvimento industrial estão relacionados a uma série de influências que podem favorecer ou acelerar o desenvolvimento de uma região. A indústria depende, então, de vários fatores:

capital: toda implantação industrial exige um grande investimento anterior, com aquisição de terreno, construção do edifício, compra de máquinas e matérias- primas,

energia: todo e qualquer processo industrial só se faz com grande disponibilidade energética.

mão-de-obra: a transformação industrial tem como principal finalidade a obtenção de lucro. Um dos elementos básicos para se atingir tal objetivo é a existência de um excedente de mão-de-obra que permita ao empresariado adotar uma política salarial fundamentada em baixa remuneração. Assim, a implantação industrial tem maiores chances de se viabilizar junto aos grandes centros urbanos, onde a mão-de-obra é mais numerosa e mais bem qualificada;

matéria-prima: o elemento mais importante no processo industrial é a matéria-prima a ser transformada. Quanto mais próxima ela estiver, menor o custo do transporte e, portanto, menor o custo de produção e maior o lucro da indústria;

mercado consumidor: a exemplo da matéria-prima, quanto mais próxima a indústria estiver do seu mercado, menor o custo do transporte e maior a sua margem de lucro;

meios de transporte: a presença desse item em condições satisfatórias vai favorecer o deslocamento das matérias-primas para a indústria, dos produtos para o mercado e dos trabalhadores para as fábricas.

15 – TRANSPORTES

OS TIPOS DE TRANSPORTE

Cinco grandes tipos de transporte são utilizados comercialmente em grande escala: dois são terrestres (ferroviário e rodoviário), dois são aquáticos (navegação fluvial e marítima) e um é aéreo.

Rodovias: as principais vantagens das rodovias são a versatilidade e a facilidade de ligação origem-destino. Por outro lado, sua manutenção, bem como a dos veículos que nelas circulam, é de custo elevado (reparos, combustíveis, etc.).

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Ferrovias: entre as principais vantagens do trans- porte ferroviário estão a capacidade de carga, baixo consumo de energia e a segurança no tráfego. Entre os problemas, destacam-se o alto custo de implantação e o trajeto limitado. O desenvolvimento do transporte aéreo é ainda recente.

A evolução tecnológica, aumentando a velocidade e

a segurança dos vôos, tem gerado progressos no transporte aéreo mundialmente.

OS TRANSPORTES NO BRASIL

A navegação marítima vem evoluindo junto com a

humanidade. No início utilizavam-se o remo - força humana - e o vento, depois o carvão e o petróleo e, hoje,

os navios mais modernos são movidos a energia nuclear.

A navegação fluvial tem cumprido um importante

papel o caminho natural de penetração, onde as adversidades do relevo ou o desinteresse econômico tenham impedido a implantação de rodovias e ferrovias.

Brasil é um país de dimensões continentais, com topografia dominantemente plana, grandes distâncias entre as áreas de

matérias-primas e as áreas industriais e enorme capacidade hidrelétrica, que pode compensar a insuficiência em petróleo,

de onde derivam a gasolina e o diesel. Todas essas características, em conjunto, justificariam como opção preferencial de transporte a ferrovia, e não a

rodovia. No entanto, a realidade é outra.

Brasil: transporte

Tipo

Carga Transportada (em%)

Rodovia

61

Ferrovia

21

Hidrovia

14

Outros

4

(Ministério dos Transportes)

AS RODOVIAS

O Brasil possui uma extensão rodoviária total de 1

663 987 km, dos quais somente 136 647 km, ou 8,2%

do total, são totalmente pavimentados. As rodovias sob

controle direto do governo federal dividem-se em qua-

tro grupos ( todos indicados pelo prefixo BR):

rodovias radiais: partem de Brasília e têm sua

numeração variando de 001 a 100. O número aumenta no sentido horário de acordo com o ângulo formado

com o norte. Exemplos: BR-010

Rodovia Bernardo

Sayon (Belém-Brasília); BR-040 Rodovia Brasília- Rio de Janeiro;

rodovias longitudinais: seguem no sentido norte-sul. A

numeração aumenta de leste para oeste e varia de 10 l a

200. Exemplos: BR-101

Rodovia Fortaleza-Jaguarão;

Rodovia Litorânea; BR-116 -

rodovias transversais: seguem no sentido leste-oeste.

A numeração aumenta de norte para sul, variando de

201 a 300. Do norte até Brasília vai de 201 a 250, e de

de 201 a 300. Do norte até Brasília vai de 201 a 250, e de Brasília

Brasília até o sul vai de 251 a 300. Exemplos: BR-210 - Rodovia Perimetral Norte; BR 230

Rodovia Transamazônica;

rodovias diagonais: cortam as anteriores em diagonal (nordeste-sudoeste ou noroeste-sudeste). Variam de 301 a 400 e a numeração aumenta para o sul. As de números pares são as de direção noroeste-sudeste e, as ímpares, nordeste-sudoeste. Exemplos: BR 319 - Rodovia Manaus-Porto Velho; BR 364 - Rodovia Cuiabá-Porto Velho.

O símbolo do rodoviarismo brasileiro foi a construção da rodovia Transamazônica (BR 230), inaugurada em 1 974 com

apenas alguns trechos construídos e logo a seguir abandonada. Sobre ela dizia-se que era o elo de ligação entre o "nada" e o "coisa alguma".

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AS FERROVIAS

A extensão ferroviária total no Brasil é de 29 833 km, distribuídos da seguinte forma:

Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA): controla 74% de toda a extensão de vias férreas do país, ou seja, 22 067 km, englobando inúmeras estradas de ferro, tais como:

- Estrada de Ferro Central do Brasil, criada em 1855 como E.F. Dom Pedro 1, é a segunda do país em volume de carga transportada;

1, é a segunda do país em volume de carga transportada; - Estrada de Ferro Noroeste

- Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, de 1905, vai de Bauru (São Paulo) até Corumbá (Mato Grosso do Sul) e daí segue com o nome de E.F Brasil-Bolívia até Santa Cruz de La Sierra, no interior boliviano; - Estrada de Ferro Santos-Jundiai, criada em 1868, tem apenas 139 km de extensão.

Ferrovias Paulistas S.A. (FEPASA):

controla 1 6,5% das vias férreas, ou seja, 4 899 km, englobando vários ramais, como a E.F. Sorocabana (1875) e a Companhia Mogiana (1871), que alcança o Triângulo Mineiro;

Ferrovias isoladas: correspondem aos 2 867 km restantes, englobando a E.F. Carajás, pertencente à Companhia Vale do Rio Doce, a E.F. Vitória-Minas, a primeira do país em volume de carga e que também pertence à Companhia Vale do Rio Doce, e a E.F. do Amapá, que escoa o minério de manganês da serra do Navio.

A Rede Ferroviária Federal (RFFSA) está passando por um processo de privatização. A fim de facilitar a venda, o governo dividiu toda a rede em seis partes:

Malha Oeste, Malha Centro Oeste, Malha Sudeste, Malha Sul, Malha Nordeste e Malha Teresa Cristina.

16 - A POPULAÇÃO BRASILEIRA

Já sabemos que a população humana é o número ou a

quantidade de pessoas que habitam um determinado espaço geográfico. Dependendo do conjunto ou segmento a que se refere a população pode ser:

- absoluta e relativa, quanto ao espaço territorial ocupado.

- local, regional, continental e global, quanto a

extensão do espaço geográfico; municipal, estadual e nacional, quanto a extensão do espaço territorial da unidade pública.

- rural e urbana, quanto a distribuição geográfica, no

campo e na cidade; economicamente ativa e não economicamente ativa quanto a sua distribuição e participação nas atividades econômicas de produção e de trabalho.

- jovem, adulta e velha (ou senil), quanto a idade;

masculina e feminina, quanto ao sexo, na sua estrutura.

24

- branca,

negra,

amarela

e

mestiça,

quanto

as

diferentes tipologias étnicas das pessoas.

- dos vários segmentos culturais, religiosos, sociais etc., sejam eles maiorias ou minorias.

POPULAÇÃO ABSOLUTA População absoluta é o número total de habitantes de um espaço geográfico ou territorial. Em função da dimensão ou extensão do espaço geográfico ou territorial, a população absoluta, também chamada de efetivo demográfico ou efetivo humano pode ser:

local, regional, continental e global, respectivamente. municipal, estadual e nacional, politicamente.

O calculo da população absoluta é feito através de

censos (ou recenseamentos) demográficos E de estimativas ou projeções populacionais.

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PAÍSES MAIS POPULOSOS DO MUNDO

Fonte Almanaque Abril - 98 e 99

MAIS POPULOSOS

1000 HAB.

-

China

1.155.100

O

Brasil e o 5º país mais populoso do globo, contudo

-

Índia

975.800

sua população relativa ou densidade demográfica é baixa em relação a outros países do globo ( 18,93 hab/Km 2 ).

-

EUA

273.800

-

Indonésia

206.500

A

distribuição populacional pelas regiões brasileiras

-

Brasil

161.800

é bastante desigual, conforme tabela abaixo:

-

Paquistão

147.800

 

GRANDES

ÁREA (Km 2 )

POPULAÇÃO (hab)

DENSIDADE

 

REGIÕES

hab./Km 2

 

NORTE

3.869.637,9

11.868.725

3,07

 

NORDESTE

1.561.177,8

45.811.342

29,34

 

CENTRO-OESTE

1.612.077,2

10.994.821

6,82

 

SUDESTE

927.286,2

68.961.343

74,37

 

SUL

577.214,0

24.154.080

41,85

 

BRASIL

8.547.403.,5

161.790.311

18,93

Fontes: Almanaque Abril 1999 e Anuário estatístico do brasil (IBGE) - 1997

POPULAÇÃO DEMOGRÁFICA -

RELATIVA

ou

DENSIDADE

A densidade demográfica ou população relativa é o número de habitantes por quilometro quadrado n.º hab. /Km 2 . Para se obter esse numero dividimos o valor da população absoluta pelo valor da área do espaço geográfico ou territorial ocupado por essa população.

PAÍSES MAIS POVOADOS DO MUNDO

MAIS POVOADOS

HAB./Km 2

- Mônaco

16.359

- Cingapura

5.460

- Malta

1.185

- Maldivas

946

- Bareim

876

- Bangladesh

861

Fonte: Almanaque Abril

1999

17 - ESTRUTURA ÉTNICA DA POPULAÇÃO.

Um dos traços mais característicos da estrutura étnica da população brasileira é a enorme variedade de tipos, resultantes da intensa mistura de raças. Esse processo vem ocorrendo desde o início de nossa história. Três grupos étnicos básicos deram origem a população brasileira: o branco, o negro e o índio. O contato entre esses grupos começou a ocorrer nos primeiros anos da colonização, quando os brancos (portugueses) aqui se instalaram, aproximando-se dos indígenas (nativos) e trouxeram os escravos negros (africanos). A miscigenação ocorreu de forma relativamente rápida já nesse período, dando origem aos inúmeros tipos de mestiços que atualmente compõem a população brasileira. Segundo os dois últimos recenseamentos, a distribuição é a seguinte:

GRUPOS ÉTNICOS NA POPULAÇÃO TOTAL

25

ETNIA

1980

1991

Brancos

54,7%

55,3%

Negros

5,9%

4,9%

Índios

0,6%

0,5%

Mestiços

38,5%

39,3%

Fonte IBGE

As regiões Sul e Sudeste são as que apresentam as

maiores proporções de brancos no conjunto de suas populações.

As regiões Nordeste e Sudeste são as que

apresentaram a maior concentração de negros, por serem arcas onde a mão-de-obra escrava era muito utilizada.

As regiões do Nordeste e Sudeste, apresentam

também grande concentração de mulatos em sua população, devido a forte presença dos negros. As regiões Norte e Centro-Oeste abrigam os poucos indígenas que restaram no Brasil, embora eles possam ser encontrados em números extremamente reduzidos em todas as outras regiões brasileira. Nas regiões interioranas do pais encontramos os caboclos (mestiços

de brancos e índios) e nas regiões da Amazônia, Centro- Oeste e no Nordeste particularmente no Maranhão, encontramos os cafuzos.

A população amarela está representada pelos

imigrantes asiáticos (japoneses em especial) e indígenas.

A mistura racial entre os elementos formadores do

povo brasileiro resultou em três tipos: mulato, caboclo e cafuzo.

branco + negro = mulato

branco + índio

negro

= caboclo ou mameluco = cafuzo, caboré ou curiboca

+ índio

18 - POPULAÇÃO RURAL E POPULAÇÃO URBANA

Essa forma de distribuição da população é o melhor

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indicador do grau da intensidade de ocupação e de povoamento do espaço geográfico.

distribuição rural-urbana da população brasileira se apresentava, em 1995, com:

No Brasil, a população rural foi mais numerosa e

-

78,36%

de

população

urbana

e

21,64%

de

predominou até 1960. No Censo de 1970 já se constatou o predomínio numérico da população urbana, com 56%

população rural;

 

do total nacional.

-

predomínio

da

população

urbana

em

todas

as

Em

conseqüência

do

surto

urbano-industrial

que

grandes regiões, especialmente no Sudeste e Centro Oeste;

ocorreu

em

nosso

país,

nestas

últimas

décadas,

a

CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO BRASI1EIRA

ANO

POPULA

CRESC.

TN %

TM%

CNV%

TF

ÇÃO

DO

ABSOLUTA

NO

POR

POR

POR

 

PERÍODO

CENSO

PESSOAS

%

MIL

MIL

CENTO

 

1872

9930478

44,34

46,50

30,20

1,63

8,86

1890

14333915

21,65

46,00

27,80

1,82

7,70

1900

17438434

75,68

45,00

26,40

1,86

7,43

1920

30635605

34,60

44,00

25,30

1,87

6,57

1940

41236315

25,97

44,40

20,90

2,35

6,16

1950

51944397

34,90

43,20

14,20

2,90

6,21

1960

70070457

32,92

38,70

9,80

2,89

6,28

1970

93139037

27,77

33,00

8,10

2,49

5,76

1980

119002706

23,45

31,87

8,87

2,30

4,35

1991

146917459

13,18

23,02

7,12

1,59

2,70

1996

157080000

6,92

19,80

6,00

1,38

2,40

2000

165000000

5,00

18,00

6,00

1 ,20

2,16

LEGENDAS:

 

TN = taxa de natalidade

 

JM = taxa de mortalidade

 

CNV = índice de crescimento natural ou vecetativo

 

TF = taxa de fecundidade

 

Fonte: Anuário estatístico do brasil 1996 do IBGE e Almanaques Abril 1995 e 98

Foram relativamente moderados, abaixo de 2% ao ano, entre 1872 e 1940, quando as taxas de natalidade e de mortalidade eram elevadas, acima de 40 % e 20 %, respectivamente; Se elevaram, progressivamente, nesse período (1872- 1940), pois as reduções foram bem acentuadas nas taxas de mortalidade e quase que imperceptíveis nas de natalidade; Foram elevados, superiores a 2% ao ano, a partir de 1940 e até 1980, com quase 3% ao ano nas décadas de 50 e 60, novamente porque as reduções nas taxas de natalidade não foram tão acentuadas quanto nas de mortalidade; Declinaram nas últimas décadas do século XX, apesar das quedas acentuadas nas taxas de mortalidade mas, agora sim, devido a queda mais acentuada nas taxas de natalidade e de fecundidade; Já são inferiores a 2% ao ano, de apenas 1,93% em 1991, e vão baixar ainda mais, o que significa que estamos na segunda parte da transição demográfica que já aconteceu, muito anteriormente, nos países hoje desenvolvidos e ricos.

19 - A IMIGRAÇÃO NO BRASIL

Em todo o período colonial, que foi pouco superior a 300 anos, no qual o Brasil esteve sob o domínio de Portugal, era proibida a entrada de "estrangeiros" no nosso espaço territorial. Por essa razão, não se pode falar em imigrantes nesse período, pois não existia essa condição ou qualificação. Ao longo desses três séculos, as muitas dezenas de milhares de pessoas que aqui chegaram e permaneceram, ainda que por pouco tempo, não eram imigrantes. Mesmo assim, muitos aqui chegaram e se estabeleceram, especialmente os:

portugueses, que eram os colonizadores, em

missões oficiais e nas condições de bandidos (degredados) expulsos de Portugal e, também, os

cristãos novos (judeus portugueses);

franceses e holandeses como invasores;

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negros

de

origem

africana

que,

vergonhosamente

foram

negociados,

traficados

e

trazidos para o nosso país

na condição de escravos;

marinheiros desertores e náufragos.

aventureiros

de

várias

nacionalidades,

Somente em 1808, quando o Brasil foi elevado à

condição de Vice Reino e se tornou a sede da monarquia portuguesa, com a chegada da Família Real, e D. João

VI promulgou a lei autorizando a posse de terras por

estrangeiros, é que a imigração no pais foi incentivada e praticada oficialmente.

Recorreu-se então, à imigração naquela época para:

ocupar e povoar a região Sul do país garantindo o domínio sobre esse espaço territorial que já era alvo da cobiça de castelhanos;

“branquear” ou “clarear” a pele da população brasileira que naquele tempo era majoritariamente negra.

Os primeiros imigrantes brasileiros foram os suíços- alemães que aqui chegaram em 1.818, se estabeleceram

no espaço territorial do que é o atual estado do Rio de

janeiro e fundaram o núcleo colonial que deu origem à

cidade de Nova Friburgo.

O crescimento do mercado de trabalho rural causado

pela expansão da nossa lavoura cafeeira, nas últimas décadas do século XIX, determinou a necessidade de se recorrer à mão-de-obra do imigrante em substituição à mão-de-obra dos escravos.

A imigração no Brasil começou muitas décadas antes

das leis abolicionistas. Mas foi a abolição da escravatura

propriamente dita, com a Lei Áurea (1.888) que lhe deu,

de fato, o grande impulso tornando-a numericamente

significativa no crescimento da nossa população.

Durante mais de 160 anos recebemos imigrantes de diversas origens. Dentre os povos que aqui se estabeleceram destacaram-se, em correntes migratórias, os:

Suíços-alemães, que em 1.818 se instalaram na região serrana do Rio de Janeiro, fundando o núcleo colonial que deu origem a cidade de Nova Friburgo; Alemães, que a partir de 1824 se instalaram no Rio Grande do Sul, nos vales dos rios Caí e dos Sinos,

fundando a cidade de São Leopoldo e, principalmente, entre 1.850 e 1.870, em Santa Catarina,

no litoral e no Vale do Itajaí, fundando as cidades de

Blumenau e Joinville, ocupando-se da policultura de produtos alimentares em pequenas propriedades e de atividades industriais têxteis, de cerâmica e de couros; Italianos, que a partir de 1.871 se instalaram, inicialmente na região serrana do Rio Grande do Sul fundando as cidades de Caxias do Sul e Bento Gonçalves e dedicaram-se á vinicultura e, posteriormente, de 1.887 a 1.914, no interior de São Paulo, onde dedicaram-se ao trabalho nas lavouras de café;

Eslavos de origem russa, polonesa, ucraniana e iugoslava que entre 1.875 e 1.890 se instalaram no Paraná, inicialmente nas proximidades de Curitiba e de Ponta Grossa e, mais tarde, no vale do rio Ivai, dedicando-se às plantações de batata e as atividades da indústria madeireira; Japoneses que, a partir de 1.908, se instalaram em São Paulo, ocupando-se de diversas atividades na agricultura, nas granjas e cooperativas; mais recentemente nas indústrias e no setor de prestação de serviços nas cidades. Instalaram-se, também, na Amazônia, onde implantaram o cultivo de pimenta-do- reino no Pará, na região de Tomé-Açu, e de juta, no vale médio do rio Amazonas. Vieram muitos outros imigrantes, especialmente os espanhóis e os portugueses, ao longo desses tempos de imigração mas sem caracterizarem, propriamente, um período de maior fluxo. Mais recentemente vieram, em números significativos, os coreanos, que se dedicam ao comércio, principalmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Os árabes, especialmente os sírios e libaneses, na maioria, chegaram ao Brasil, como migrantes, entre 1.860 e 1.890.

Esses imigrantes se estabeleceram, inicialmente, na

região da Amazônia, onde se dedicaram ao comércio da borracha. Mais tarde, na região do Centro-Sul do país, especialmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro

e Minas Gerais, eles se dedicaram ao comércio de miu- dezas, roupas e tecidos.

20 - A EMIGRAÇÃO NO BRASIL

O Brasil foi historicamente um país de imigração. A

emigração, que é a saída de pessoas do país, nunca foi significativa em termos numéricos. No entanto, desde a ultima década essa situação tem se modificado. A emigração de brasileiros é hoje um fenômeno muito marcante, seja pelo inusitado, seja pelas dimensões que tomou. De 1.985 até agora, estima-se que

o Brasil tenha perdido cerca de 3 milhões de habitantes, sendo 1,7 milhão na emigração legal e mais 1,2 milhão

de saídas clandestinas. Esse numero corresponde a 2% da população do país.

A distribuição dos brasileiros pelos diversos países

do mundo mostra uma tendência de concentração em

apenas alguns deles. Observe o quadro:

Brasileiros no exterior

País

Emigrantes (em milhares)

Estados Unidos

850

Japão

180

Itália

32

Portugal

24

Reino Unido

11

Estimativas da Polícia Federal

21 - MIGRAÇÕES INTERNAS

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Uma das características da população brasileira sempre foi a sua intensa mobilidade. Grandes fluxos migratórios ocorreram de uma região para outra ao longo da nossa história. Todos esses fluxos migratórios sempre se deram por razões econômicas. O desenvolvimento e a expansão de novas atividades econômicas num espaço geográfico tornam essa região um pólo de atração populacional (mão-de-obra) para o qual se dirigem milhares de pessoas, de diversas origens, em busca de melhores condições de trabalho e de vida. A região de maior dispersão de migrantes internos, no Brasil, é o Nordeste.

Os

grandes

ocorreram:

fluxos

migratórios

de

nordestinos

No século XVII, partindo da Zona da Mata do

Nordeste, devido a decadência da economia canavieira, com destino ao Sertão do Nordeste e Vale Médio do São Francisco, onde se expandia a criação de gado;

No século XVIII, juntamente com paulistas,

com destino á região das Minas Gerais, onde se desenvolvia a mineração;

De 1.870 a 1.910, com destino à Amazônia,

onde se desenvolvia a extração de látex (borracha), período em que conquistamos o espaço territorial do nosso atual estado do Acre que, anteriormente, pertencia à Bolívia;

De 1880 a 1930, juntamente com mineiros, com

destino às zonas de terra roxa de São Paulo e do Paraná, onde se desenvolvia a cultura cafeeira;

Na década de 1930, juntamente com mineiros,

com destino ao interior de São Paulo, onde se

desenvolveu o surto algodoeiro;

Após a Segunda Guerra Mundial, juntamente

com mineiros, com destino aos pólos industriais que se desenvolveram nas regiões metropolitanas da Grande São Paulo e da Grande Rio de Janeiro. Mais recentemente, nestas últimas décadas, ocorreram dois grandes fluxos de migrantes internos:

O de nordestinos com destino à Amazônia, especialmente aos garimpos de Serra Pelada (PA), em busca de ouro, e para o Sudeste, para o mercado de mão- de-obra da construção civil que cresceu com o grande surto de urbanização;

O de sulistas com destino a Amazônia e ao

Centro-Oeste, com a expansão da nossa fronteira

agrícola.

A TRANSUMÂNCIA

A transumância é o movimento horizontal ou

transladativo da população que se caracteriza pelo

vaivém, ou seja, a retirada ou saída e o retorno ou volta, em determinadas épocas ou estações do ano.

No Brasil, o movimento de transumância é próprio

do Nordeste. Ele ocorre com os pequenos proprietários

de terras do Sertão que, na época das secas, depois de 19 de março (dia de São José), se movimentam em grandes contingentes para a Zona da Mata, para trabalhar como empregados nas grandes plantações, especialmente nas de cana-de-açúcar.

O retorno dos sertanejos só ocorre com o reinicio da

estação chuvosa, depois de 13 de dezembro (dia de Santa Luzia), na época de fazer o novo plantio das suas lavouras.

ÊXODO RURAL

migratórios internos

destacam-se as migrações rural-urbanas, que ocorrem da zona rural ou campo para as zonas urbanas ou cidades.

principais causas do deslocamento da

população são:

Dentre

As

os

movimentos

-

estrutura fundiária

-

relações trabalhistas

-

estatuto do trabalhador rural

-

mecanização agrícola

-

industrialização As principais conseqüências deste deslocamento são:

-

aumento do desemprego

-

aumento do subemprego

-

expansão da habitação precária

-

marginalização crescente

MOVIMENTO PENDULAR Nas grandes cidades, especialmente nos centros comerciais e industriais onde estão concentrados os mercados de trabalho, ocorrem fluxos de milhares e milhares de pessoas em determinadas direções e em

dados momentos. São trabalhadores que moram nos bairros da periferia e nas cidades ( dormitórios) vizinhas que, diariamente, se deslocam:

- dos bairros periféricos e das cidades dormitórios onde moram, para os centros onde trabalham, pela manhã;

- dos centros onde trabalham, para os bairros e

cidades onde moram, a tarde ou a noite. Esse vaivém diário do movimento pendular, exige via de regra, uma infra-estrutura de transportes coletivos urbanos e interurbanos, muito bem aparelhada e adequada as necessidades dos espaços geográficos onde

ocorrem tais movimentos, pois eles irão determinar, pela manhã e pela tarde a hora ou o momento do "rush".

ESTRUTURA DA POPULAÇÃO HUMANA

A população humana é formada por pessoas que se

diferenciam umas das outras pelas suas identidades naturais, físicas ou biológicas, que são o sexo e a idade. Dessa forma, a população e constituída ou composta

de:

- homens e mulheres, quanto ao sexo;

- jovens, adultos e idosos ou velhos. quanto à

idade.

DIVISÃO ETÁRIA DA POPULAÇÃO

DIVISÃO ETÁRIA DA POPULAÇÃO

POPULAÇÃO

FAIXA ETÁRIA

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JOVEM

de 0 a 19 anos

ADULTA

de 20 a 59 anos

IDOSA OU SENIL

de 60 anos em diante

TIPOS HUMANOS

A paisagem brasileira é um vasto painel de costumes,

terras, climas e tipos humanos. Ela se estende dos pampas do Sul aos alagados do Pantanal; da caatinga do Nordeste as montanhas do interior.

Os tipos humanos mais característicos são:

- seringueiro e regatão na Amazônia - jangadeiro no litoral nordestino - vaqueiro sertanejo no interior ou sertão nordestino - gaúcho no sul do país - peões nas fazendas de gado do RS - bóias frias na região Sudeste na época de safras (trabalhadores rurais)

22 - SETORES DA ECONOMIA

O setor primário, praticado essencialmente no

espaço rural (campo), formado pelas atividades agrícolas, criatórias (pecuária) e de extração (vegetal e animal);

O setor secundário, praticado muito intensamente

nos espaços urbanos (cidades), formado pelas indústrias de construção e de transformação 1 incluindo, também, as atividades de extração mineral;

O setor terciário, praticado muito intensamente nas

cidades, formado pelas atividades de comércio e de prestação de serviços tais como: bancos, cartórios, escritórios (de advocacia e contabilidade), casas de diversões e de espetáculos públicos, consultórios médicos e de odontologia, clínicas médicas, odontológicas e hospitais, emissoras de rádio e de televisão, escolas, oficinas de consertos e de assistência técnica, hotéis e restaurantes, seguradoras, serviços públicos da administração, da coleta de lixo, da limpeza, dos transportes etc.

A população economicamente ativa brasileira e da

ordem de mais ou menos de 77 milhões de pessoas ou seja, 47,5% da população total do pais. Isso significa que os 52,5% restantes, são sustentados direta ou indiretamente pela parcela da população que esta envolvida no mercado de trabalho.

DIST. DA POP. ECON. ATIVA (PEA)

 

SETOR

1970

1980

1991

PRIMÁRIO

44,2%

29,9%

22,9%

SECUNDÁRIO

17,8%

24,4%

22,7%

TERCIÁRIO

38%

45,7%

54,4%

Fonte: Anuário Estatístico do Brasil – 1995

23 - URBANIZAÇÃO

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As cidades:

Cidade é um aglomerado humano concentrado, que se apresenta com uma determinada organização especial. As cidades tem sua economia não-dependente da agropecuária, voltando-se principalmente para o setor terciário, embora podendo abranger atividades industriais. É possível fazer uma classificação das cidades tomando como referencial a origem e a função urbana. De acordo com sua origem, consideram-se dois grupos de cidades:

- naturais ou espontâneas - surgiram, cresceram e

se expandiram sem nenhum plano prévio de urbanização. Ex.: Rio de Janeiro e São Paulo.

- artificiais ou planejadas - surgiram através de um plano, percebendo-se uma ordenação interna e uma

racional distribuição das atividades por setores. Ex. Teresina, Aracaju, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília e Palmas. De acordo com a função urbana, que é a atividade típica da cidade, encontramos:

-industrial- Cubatão, Volta Redonda, São Bernardo

do Campo -comercial- Feira de Santana, Caruaru e Manaus. -portuária- Santos , Paranaguá e Cabedelo.

-turística-

Guarujá, Camboriú e Araxá.

-religiosa-

Aparecida e Bom Jesus da Lapa.

-histórica-

Ouro Preto e Parati.

HIERARQUIA URBANA

As cidades não se distinguem apenas pela sua população, mas principalmente pela quantidade e qualidade de serviços que oferecem. Em função dos serviços que oferece, a cidade poderá alcançar uma posição de destaque, exercendo sua influência em todos os níveis, econômico, político e cultural, polarizando toda a rede urbana local, regional ou até mesmo nacional. A hierarquia urbana apresenta uma divisão em quatro grandes grupos:

- centro regional- cidade que comanda um pequeno numero de outras cidades a sua volta. Ex. Ponta Grossa (PR),Ilhéus (BA), Marabá (PA) e Itumbiara (GO).

- capital regional- cidade que comanda e exerce influência sobre uma arca maior, composta de vários centros regionais polarizados em torno de si. Ex. Blumenau (capital do Vale do Itajai) Londrina (capital do norte do Paraná), Uberaba e Uberlândia (as capitais do Triângulo Mineiro).

- metrópole regional - cidade cuja influência extravasa os limites estaduais, polarizando diversas capitais regionais. Existem atualmente 11 metrópoles regionais no pais:

Manaus e Belém no Norte Fortaleza, Recife e Salvador no Nordeste

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São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte no Sudeste Goiânia no Centro-oeste Curitiba e Porto Alegre no Sul

- metrópole nacional - cidade que comanda toda a rede urbana nacional No Brasil, há duas metrópoles nacionais: São Paulo e Rio de Janeiro. O crescimento rápido da população de algumas cidades gerou o fenômeno da conturbação, junção dos sítios urbanos de duas ou mais cidades, ou união especial de municípios que são distintos em termos administrativos mas que possuem um fluxo comum de bens, serviços e pessoas. As conturbações se caracterizam por apresentar uma paisagem urbana continua, que dificulta a percepção dos limites territoriais de cada um dos municípios que as constituem.

24 - A DIVISÃO REGIONAL

Segundo a Constituição de 1988, o Brasil compõe-se de 27 unidades políticas, sendo 26 estados e o Distrito Federal, onde se localiza Brasília, a capital do país. Desde 8 de maio de 1969, vigora a divisão regional do país elaborada pelo IBGE: cinco grandes regiões ou

macrorregiões. Os critérios utilizados para distribuir as unidades da federação pelas regiões foram: análise es- trutural da população, forma de ocupação do solo, estrutura hierárquica da urbanização, hábitos e tradições de produção e consumo, nível cultural médio dos grupos sociais e estágio de desenvolvimento.

A divisão de 1969, efetivamente implantada a partir

de lº de janeiro de 1970, sofreu algumas modificações:

1.977 o estado de Mato Grosso foi dividido em

dois, tendo a porção setentrional mantido o nome original, enquanto a porção meridional recebeu o nome de Mato Grosso do Sul;

1.982

o território de Rondônia foi promovido

à condição de estado;

1.988 os territórios de Roraima e Amapá

foram promovidos à condição de estado, o território de Fernando de Noronha retornou à condição de

município do estado de Pernambuco e o estado de Goiás foi dividido em dois: a porção meridional manteve o nome original e continuou na região Centro-Oeste, enquanto a porção setentrional recebeu o nome de Tocantins e passou a fazer parte da região Norte.

Região

Unidade

Área (Km 2 )