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ÍNDICE
GEOGRAFIA DO BRASIL


1 – Localização.............................................................................................................................................. 2
2 – Limites..................................................................................................................................................... 2
3 – Pontos Extremos..................................................................................................................................... 3
4 – Fusos Horários........................................................................................................................................ 3
5 – Relevo Brasileiro..................................................................................................................................... 4
6 – Clima Brasileiro...................................................................................................................................... 6
7 – Vegetação Brasileira............................................................................................................................... 7
As Formações florestais Arbóreas............................................................................................................... 8
As Formações Complexas............................................................................................................................ 9
8 – Hidrografia Brasileira............................................................................................................................ 10
9 – O Litoral Brasileiro................................................................................................................................ 14
10 – Agricultura e Extrativismo Vegetal no Brasil.................................................................................... 16
O Extrativismo Vegetal........................................................................................................................ 17
11 – As Minerações no Brasil....................................................................................................................... 18
12 – Os Recursos Energéticos...................................................................................................................... 19
13 – A Pecuária............................................................................................................................................. 20
14 – A Indústria............................................................................................................................................ 22
15 – Transportes........................................................................................................................................... 22
16 – A População brasileira......................................................................................................................... 24
17 – Estrutura Étnica da População.......................................................................................................... 25
18 – População Rural e População Urbana................................................................................................ 25
19 – A Imigração no Brasil.......................................................................................................................... 26
20 – A Emigração no Brasil......................................................................................................................... 27
21 – Migrações Internas............................................................................................................................... 27
22 – Setores da Economia............................................................................................................................. 28
23 – Urbanização........................................................................................................................................... 29
24 – A Divisão Regional................................................................................................................................ 29
25 – Região Norte.......................................................................................................................................... 31
Divisão Política...................................................................................................................................... 31
26 – Região Centro Oeste............................................................................................................................. 35
Divisão Política...................................................................................................................................... 35
27 – Região Nordeste.................................................................................................................................... 39
Divisão Política...................................................................................................................................... 39
28 – Região Sul.............................................................................................................................................. 44
Divisão Política...................................................................................................................................... 44
29 – Região Sudeste...................................................................................................................................... 49
Divisão Política...................................................................................................................................... 49

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GEOGRAFIA DO BRASIL

1 – LOCALIZAÇÃO:

O Brasil está situado na parte centro-oriental da América do Sul .
Possui uma superfície de 8.547.403,5 Km
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, conforme o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE).
O Equador e o Trópico Capricórnio são os dois paralelos que atravessam o Brasil, o Trópico de Capricórnio atravessa o
sul de São Paulo, o norte do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul. ( Regiões Sudeste, Sul, e Centro-Oeste)
O Equador passa exatamente em Macapá (AP); o Equador faz com que o Brasil se localize nos dois hemisférios: sul
(maior parte 93%,) norte (menor parte 7%).
O Brasil em relação aos demais países do globo, é o quinto em extensão , apenas superado pela Rússia, o Canadá, a
China e os Estados Unidos, isto é, em terras descontínuas.
Em terras contínuas, o Brasil é o quarto do mundo, superando os Estados Unidos em Razão do Alasca e Havaí, estados
descontínuos dos E.U.A .
O Brasil é o maior país da América do Sul, o terceiro do Continente Americano e o 5º do mundo.
Compõe-se de 27 unidades políticas , sendo 26 estados e o Distrito Federal, onde se localiza Brasília, a capital do país.

O BRASIL NO MUNDO






2 - LIMITES

O Brasil se limita ao norte com a Venezuela, Guiana, Suriname
e Guiana Francesa, ao sul com o Uruguai, a noroeste com a
Colômbia, a oeste com o Peru e a Bolívia, a sudoeste com a
Argentina e Paraguai, a nordeste, a leste e a sudeste com o Oceano
Atlântico.
Chile e Equador são os dois únicos países da América do Sul
que não fazem fronteira com o Brasil. Os dois países de menor
fronteira são Suriname (593Km) e a Guiana Francesa (655 Km).
Os dois países de maior fronteira com nosso país são Bolívia
(3.126 Km) e Peru (2.995 Km).
O Brasil é um país marítimo, pois é banhado a leste pelo
importante Oceano Atlântico (7.367 Km de litoral), possuindo
extensa Plataforma Continental.


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3 – PONTOS EXTREMOS
• Ao norte – nascente do rio Ailã, na Serra do Caburaí (RR).
• Ao sul – arroio Chuí (RS)
• A leste – Ponta Seixas, no Cabo Branco (PB)
• A oeste – Serra da Contamana ou Divisor (AC)


4 – FUSOS HORÁRIOS

Pela sua extensão territorial no sentido
leste-oeste (4.320 Km), nosso país é cortado
por quatro fusos horários, havendo quatro
horários diferentes.

• Fuso 1 – compreende as Ilhas de
Fernando de Noronha, Trindade e Martim
Vaz, e os penedos de São Pedro e São Paulo.

• Fuso 2 – abrange todos os Estados
litorâneos, os Estados do Amapá, Tocantins,
Minas Gerais e Goiás, o Distrito Federal e o
Estado do Pará até os Rios J ari e Xingu.

• Fuso 3 – inclui a porção ocidental do
Pará, os Estados de Roraima, Rondônia, Mato
Grosso do Sul, Mato Grosso e a parte leste do
Amazonas.

• Fuso 4 – compreende o oeste do Amazonas e o Estado do Acre.

O Brasil tem sua hora diminuída de duas a cinco horas em relação à hora de Londres, pois se encontra a oeste de
Greenwich (meridiano inicial ).

O mais importante fuso horário do Brasil é o 3 pois abrange todas as capitais litorâneas.




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5 - RELEVO BRASILEIRO

O relevo brasileiro está dividido em dois grandes
sistemas:
• Planalto das Guianas (Parima), junto à
fronteira Norte.
• Planalto Brasileiro, ao sul da Planície
Amazônica.

Ambos estão separados pela Planície Amazônica e
são constituídos por terrenos antigos (Era Primária),
desgastados pela erosão e formados principalmente de
granitos e gnaisses, que constituem o Complexo
Cristalino Brasileiro.

O vasto Planalto Brasileiro compreende quatro
divisões:
- Planalto Nordestino ou da Borborema.
- Planalto Atlântico ou Oriental.
- Planalto Central.
- Planalto Meridional.

As Planícies são:
- Amazônica - Litorânea ou Costeira
- Paraguaia ou Pantanal - Gaúcha ou Pampa

O Planalto das Guianas está dividido em serras orientais (menores altitudes) e serras ocidentais (maiores altitudes),
separados pela “Depressão do Pirara.”
Apresenta uma das partes mais elevadas e escarpadas do relevo, onde existem várias serras: Tumucumaque, Imeri,
Acaraí, Pacaraima, Parima e Navio.
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CONFIGURAÇÃO DO RELEVO BRASILEIRO
Neste Planalto encontramos importantes elevações do relevo brasileiro: Pico da Neblina, Pico 31 de Março e o Monte
Roraima.
O Pico da Neblina com 3.014 metros, na Serra do Imeri, é o ponto culminante do Brasil.
O Pico 31 de Março, com 2.992 metros, é o segundo do Brasil, na mesma serra e planalto, na fronteira do Brasil
(Amazonas) com a Venezuela.
O Monte Roraima, com 2.875 metros no Estado do mesmo nome, é o quarto ponto mais alto do Brasil.

Os pontos culminantes do Brasil, em ordem decrescente, são:
• 1º – Pico da Neblina (3.014 metros)
• 2º – Pico 31 de Março (2.992 metros)
• 3º – Pico da Bandeira (2.890 metros)
• 4º – Monte Roraima (2.875 metros)
O Planalto Nordestino divide-se em Arcos Maranhenses (Penitente, Tiracambu, Alpercatas) e Chapadas Nordestinas.
A forma característica do relevo sã as Chapadas: Apodi (RN), Baturité e Araripe (CE), Ibiapaba (PI), Borborema (RN,
PB, PE, AL), Mangabeiras (MA).
O Pico Alto 1.115metros, na Chapada do Baturité, é o ponto culminante do Planalto Nordestino.
A semi-aridez do sertão nordestino está relacionada à presença do Planalto da Borborema, que impede a penetração de
massas úmidas do litoral em direção ao interior, provocando somente chuvas próximo ao litoral.

O Planalto do Maciço Atlântico é formado, dentre outras, por importantes serras como a da Mantiqueira e a do Mar.
A Serra do Espinhaço está localizada Quadrilátero Central.
A Serra do Mar aparece junto à orla litorânea e se alonga do Estado do Rio de J aneiro ao Rio Grande do Sul.
A Serra do Mar está separada da Serra da Mantiqueira pelo vale do Rio Paraíba do Sul.

O Planalto Central é constituído por rochas sedimentares e cristalinas. Apresenta uma topografia regular e domina a
Região Centro-Oeste do Brasil.
A forma característica do relevo são imensos “tabuleiros” ou chapadões com altitude entre 500/900 metros.
O Espigão Mestre (divisa Goiás Bahia) é uma importante elevação do Planalto Central, que tem como ponto culminante
o Morro Alto (1.678 metros), na Chapada dos Veadeiros (em Goiás)

O Planalto Meridional é
constituído por:
- terrenos cristalinos, que
correspondem ao 1º degrau (Serra do
Mar).
- terrenos sedimentares que
correspondem ao 2º degrau
(“cuestas”).
- terrenos basálticos que
correspondem ao 3º degrau
(“trapp”).
O derrame de lençóis e sua
decomposição em clima tropical deu
origem a um solo rico: a terra roxa.
O ponto culminante do Planalto
Meridional é o Morro da Igreja
(1.870 metros), na Serra Geral, em
Santa Catarina.
“Coxilhas” são as pequenas
ondulações da Serra Geral, que
aparecem no final do Planalto
Meridional (no território gaúcho):
Santana, Haedo, São Martinho e
Grande.



Fonte: Jurandir Ross (adaptado)
Planaltos
1 - Planalto da Amazônia Oriental
2 - Planaltos e Chapadas da Bacia do
Parnaiba
Depressões
12- Depressão da Amazônia Ocidental
13- Depressão Marginal Norte-
Amazônica
Planícies
23- Planície do Rio Amazonas
24- Planície do Rio Araguaia
25- Planície e Pantanal do Rio
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3- Planaltos e Chapadas da Bacia do
Paraná
4- Planalto e Chapada dos Parecis
5- Planaltos Residuais Norte-
Amazônicos
6- Planaltos Residuais Sul-
Amazônicos
7- Planaltos e Serras do Atlântico-
Leste-Sudeste
8- Planaltos e Serras de Goiás-Minas
9- Serras Residuais do Alto Paraguai
10- Planalto da Borborema
11- Planalto Sul-Rio-grandense

14- Depressão Marginal Sul-Amazônica
15- Depressão do Araguaia
16- Depressão Cuiabana
17- Depressão do Alto Paraguai-
Guaporá
18- Depressão do Miranda
19- Depressão Sertaneja e do São
Francisco
20- Depressão do Tocantins
21-Depressão Periférica da Borda Leste
da Bacia do Paraná
22- Depressão Periférica Sul-Rio-
grandense

Guaporé
26- Planície e Pantanal Mato-
grossense
27- Planície da Lagoa dos Patos e
Mirim
28-Planícies e Tabuleiros Litorâneos

6- CLIMA BRASILEIRO
O clima é o comportamento normal ou a
sucessão habitual do tempo (meteorológico)
durante o ano.
Tipos de clima:
• Quanto à temperatura: quente, temperado e
frio.
• Quanto à umidade: superúmido, úmido,
subúmido, semi-árido, árido (seco).

• TROPICAL
Tropical: duas estações bem definidas uma
chuvosa e quente (no verão) e outra seca com
temperatura mais amena (inverno) Temperatura
média anual entre 20ºC e 25ºC. Maior ocorrência
no Brasil central.
Tropical Atlântico: com chuvas no inverno, na
zona litorânea. Ocorrência, litoral do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Sua vegetação é a Mata Atlântica.

Tropical de Altitude: Temperatura amena, chuvas bem distribuídas. Ocorrência, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de
J aneiro, São Paulo e Paraná

• CLIMA EQUATORIAL
Apresenta as seguintes características: temperaturas elevadas ( a média anual é sempre superior à 25ºC e alta
pluviosidade (chuvas abundantes durante todo o ano, com 3.000 mm de chuvas ) e é fraca a amplitude térmica anual
(diferença entre o mês mais quente e o mês mais frio).
A vegetação corresponde a Floresta Equatorial.
O fenômeno da “friagem” se faz sentir na Planície Amazônica: é uma queda brusca da temperatura, quando a região é
atingida por massa fria do pólo sul.

• SEMI-ÁRIDO
Temperaturas elevadas, seca, chuvas irregularmente distribuídas ( com longos períodos de estiagem). A vegetação
correspondente é a caatinga. Ocorrência no Sertão Nordestino, vale médio do Rio São Francisco e norte de Minas Gerais
(Polígonos das Secas).

• SUBTROPICAL
As quatro estações do ano são bem definidas, temperatura amena, chuvas bem distribuídas, alcançando no inverno as
temperaturas mínimas do país. Sua vegetação correspondente é a Floresta Subtropical (dos Pinhais) ou Mata Araucária.
Ocorrência: Planalto Meridional, (região Sul), abrangendo os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O Brasil é um país de clima quente, portanto, um país tropical.
As médias térmicas anuais, em nosso país, variam de 13ºC no Sul a 35ºC no Nordeste.
Os extremos de temperatura já registrados são:

• máxima de 44ºC, em Paratinga, na Bahia,
• a mínima de 14ºC abaixo de zero, em São Francisco de Paula, no RS.
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Os extremos de pluviosidade são:

• Serra do Mar, SP (Itapanhaú), com mais de 4.500 mm,
• Sertão da Paraíba, (Cabaceiras) “polígono das secas” onde chove menos de 280 mm por ano.

VENTOS:

Noroeste vento quente procedente da Amazônia e que atinge o estado de São Paulo, no final do inverno (agosto-
setembro) quando provoca chuvas fortes.

Minuano ou pampeiro vento frio que vem da Argentina e do Uruguai, ou seja, massa polar atlântica, nos meses de
inverno, provocando períodos de chuva.

O homem é responsável por muitas mudanças que estão ocorrendo. J á estamos convivendo com chuva ácida, com o
efeito estufa ou aquecimento global, com buraco na camada de ozônio, com desertificação, com desmatamentos e poluição
de toda ordem. Até mesmo o EL Niño, fenômeno outrora moderado e limitado aos litorais do Peru e do Equador, se
agiganta e desequilibra a atmosfera brasileira prolongando e intensificando as chuvas e as secas.
O EL Niño já é conhecido há mais de dois séculos. Ocorria quase todos os anos no Pacífico, nas costas do Peru e do
Equador, onde as águas são frias e com grandes cardumes. O fenômeno EL Niño é a chegada de águas quentes (correntes
marinhas) que afugentam os cardumes e prejudicam a pesca que é muito importante na região.
O fenômeno EL Niño ocorre por causa dos desequilíbrios de pressão atmosférica existentes no Pacífico, no norte da
Austrália e na Indonésia (anticiclone) e no litoral sul-americano (ciclone), nos litorais do Peru e do Equador.
O EL Niño desequilibra a atmosfera e a regularidade dos ventos alísios e das correntes marinhas. Nestas últimas
décadas ele se tornou mais freqüente e mais intenso e já é responsabilizado pelos longos períodos de chuvas em São Paulo
e de secas no Nordeste.

7- VEGETAÇÃO BRASILEIRA


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AS FORMAÇÕES FLORESTAIS OU
ARBÓREAS

A FLORESTA AMAZÔNICA

Também conhecida como floresta latifoliada
equatorial ou Hiléia, ocupa cerca de 40% do território
brasileiro, estendendo-se pela quase totalidade da região
Norte, porção setentrional de Mato Grosso e porção
ocidental do Maranhão.
Característica de clima quente e superúmido, essa
floresta é extremamente heterogênea e densa e
apresenta-se dividida em três estratos:
igapó: corresponde à
porção da floresta que se
assenta sobre o nível
mais inferior da
topografia - a verdadeira
planície, ou planície de inundação, onde o solo está permanentemente inundado. Sua
principal área de ocorrência é o baixo curso do rio Amazonas;

várzea: ocupa a porção do relevo denominada teso ou terraço fluvial, onde as inundações
são periódicas;

terra firme: corresponde ao trecho da floresta localizado na porção mais elevada do relevo - os baixos planaltos ou baixos
platôs -, sendo por isso mais desenvolvida e exuberante.


O APROVEITAMENTO ECONÔMICO DA FLORESTA

O aproveitamento econômico da floresta dá-se sobretudo através do extrativismo vegetal, geralmente de produtos
tradicionais. Destacam-se a extração de látex para produção de borracha, principalmente no Acre, Amazonas e Rondônia;
de castanha-do-pará, no Pará e Amazonas; e de guaraná, no Amazonas e Acre.
Nenhuma dessas atividades interfere negativamente no equilíbrio ecológico da floresta. O que devasta, na verdade, é a
grande extração madeireira que se pratica na região, sem nenhuma preocupação com a preservação ambiental, sem
reflorestamento e utilizando como equipamento de trabalho as moto-serras e os tratores com seus correntões. Outro
problema ambiental grave é a prática de criminosas queimadas realizadas com o objetivo de limpar o terreno para a
implantação de enormes fazendas de gado.



MATA ATLÂNTICA

Formação exuberante, que se assemelha bastante à floresta equatorial, a Mata Atlântica é heterogênea, densa e aparece
em diferentes pontos do pais, onde há temperaturas elevadas e alto teor de umidade. Também é chamada de floresta
latifoliada tropical úmida da encosta.
Estendia-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, porém foi intensamente devastada pela cultura canavieira
desde o período colonial, sobretudo na região Nordeste.
No litoral sudeste e sul, a presença da serra do Mar dificultou a ocupação humana e a exploração florestal. Mas hoje,
mesmo nessa área, a extração de madeiras, a abertura de estradas e a poluição industrial têm devastado a Mata Atlântica.
As madeiras de lei, como jacarandá, jatobá, jequitibá, cedro, imbuia, etc., sempre atraíram as atenções dos empresários
da madeira, para os quais "árvore tem é que dar dinheiro".
No interior do Sudeste, a floresta tropical aparecia em quase toda a área drenada pelo rio Paraná e seus afluentes, sendo
por isso denominada de mata da bacia do Paraná, e também já foi quase toda devastada com o avanço da cultura cafeeira
em São Paulo e Minas Gerais, no final do século passado e inicio deste. Hoje, seus vestígios correspondem às estreitas
faixas de árvores que margeiam os rios da região, sendo, por isso, denominadas matas galerias ou ciliares.


MATA DE ARAUCÁRIAS

Floresta aciculifoliada é uma formação típica do clima subtropical, menos quente e úmido que o equatorial e o tropical.
Por isso, suas folhas são finas e alongadas (em forma de agulha), a fim de evitar a excessiva perda de umidade. Estendia-se
originalmente do sul de Minas Gerais ao norte do Rio Grande do Sul.
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Relativamente homogênea, apresenta poucas variedades e sua espécie dominante é a Araucária angustifolia, ou
pinbeiro-do-paraná. E uma formação aberta, fato que facilitou sua exploração intensa e não-racional.
A concentração de pinheiros favoreceu o extrativismo vegetal de tal forma que essa floresta se tornou a principal fonte
produtora de madeira do pais, com inúmeras aplicações econômicas, na indústria de móveis, na construção civil ou na
indústria de papel e celulose.
Também na Mata de Araucárias a preocupação com a preservação foi nula, pois quase não há áreas de reflorestamento
e, mesmo quando há, restringe-se ao plantio de eucalipto ou pinus, que fornecem madeiras de qualidade inferior, mas
podem ser exploradas em tempo bem mais curto que a araucária.


MATA DOS COCAIS

Formação de transição típica do Meio-Norte composta pelos estados do Maranhão e do Piau ladeada por climas
opostos, o equatorial superúmido oeste e o semi-árido a leste.
No Maranhão, norte de Tocantins e oeste do Piauí, área um pouco mais úmida, é comum a ocorrência do babaçu,
palmeira de 15 a 20 m de altura com cachos de coquilhos em cujo interior encontram-se as amêndoas. Dessas, extrai-se o
óleo, que é comercializado com indústrias alimentares e de cosméticos, enquanto o coco é aproveitado como biomassa, na
produção de energia;
Na área menos úmida, leste do Piauí, litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte, encontramos a carnaúba, palmácea de
até 20 m de altura. A carnaúba é conhecida na região como “a árvore da providência” porque dela tudo se utiliza. As raízes
para infusões medicinais, o tronco para fazer paredes, as folhas para recobrir o teto, o fruto para ser consumido como
alimento, as sementes torradas e moídas para substituir o café e a folha para produzir cera, seu produto de maior
aproveitamento econômico.
O extrativismo do babaçu e da carnaúba não implica devastação, pois aproveitam-se apenas os cocos e as folhas,
continuamente reproduzidas pelas palmeiras. No entanto, a expansão pecuarista na região tem provocado grande destruição
da vegetação com a criação de áreas de pasto. Isso tem levado ao agravamento das condições de vida de milhões de
pessoas, que dependem do extrativismo.


AS FORMAÇÕES COMPLEXAS

CERRADO

Ocupando originariamente quase 25% do território brasileiro, é a segunda formação vegetal mais extensa do país; no
entanto, vem tendo sua participação diminuída gradativamente. Típico de áreas de clima tropical com duas estações bem
marcadas verão chuvoso e inverno seco, o cerrado ocorre em quase todo o Brasil Central, a região Centro-Oeste e
arredores, como o sul do Pará e do Maranhão, o interior de Tocantins, o oeste da Bahia e de Minas Gerais e o norte de São
Paulo.
Caracterizado pelo domínio de pequenas árvores e arbustos bastante retorcidos, com casca grossa (cortiça), geralmente
caducifólios e com raízes profundas, sua origem é ainda desconhecida. Para alguns, ele é produto do clima com alternância
entre as estações úmida e seca durante o ano. Para outros, sua origem está ligada ao solo extremamente ácido e pobre.
Além disso, certos tipos de cerrado resultam da própria ação humana, através de sucessivas queimadas realizadas em um
mesmo local. É provável que o cerrado, também denominado savana-do-Brasil, seja na verdade resultado da ação de todos
esses fatores ao mesmo tempo.
O aproveitamento econômico do domínio do cerrado faz-se através da pecuária e da agricultura comercial mecanizada
(cultivo de soja), que vem destruindo a vegetação natural.


A CAATINGA

A caatinga é uma formação típica do clima semi-árido do Sertão nordestino e ocupa cerca de 11% do território
brasileiro. Composta por plantas xerófilas, como as cactáceas, com suas folhas em espinhos, as caducifólias, que jogam
fora suas folhas, para não perderem água, ou como a própria carnaúba, que produz uma cera que recobre os poros da folha,
evitando a transpiração.
O principal uso econômico do domínio da caatinga é a agropecuária, que apresenta baixos rendimentos e afeta
negativamente o equilíbrio ecológico.
Caso não sejam adotadas técnicas mais racionais de uso do solo e não se expanda a construção de açudes e de canais de
irrigação, é provável que a médio ou longo prazo desenvolva-se um processo de desertificação do já muito seco Sertão
nordestino.


O COMPLEXO DO PANTANAL

Pantanal corresponde a uma grande depressão localizada no interior de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul,
ocupando uma área de aproximadamente 100 mil km
2
. Sua altitude média é de 100 m acima do nível do mar, sendo a
maior planície inundável do mundo.
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O Pantanal é, na verdade, um mosaico de paisagens naturais. Há áreas que são alagadas todo ano com as cheias dos rios
provocadas pelas fortes chuvas de verão. Há áreas um pouco mais elevadas, que eventualmente são alagadas, e também
áreas bem mais elevadas, livres de inundação.
Na porção inundável, a vegetação desenvolve-se apenas nas estiagens de inverno. Caracteriza-se como formação
rasteira, própria à prática da pecuária. Na porção de alagamento eventual, aparecem arbustos misturados à vegetação
rasteira. Nas áreas altas, chamadas "cordilheiras", encontramos espécies dos cerrados, que, em alguns pontos mais úmidos,
misturam-se às espécies arbóreas da floresta tropical.
A economia tradicional do Pantanal sempre foi a pecuária, realizada em harmonia com o ambiente, sem destruí-lo. No
entanto, mais recentemente, o investimento de grandes capitais na região tem sido causa de sérios desequilíbrios
ecológicos.
A implantação de agricultura comercial, a utilização de agrotóxicos e a construção de estradas, com a barragem das
águas realizadas pelas pontes, são alguns dos problemas ligados à ocupação recente do Pantanal. Além desses, destacam-se
a caça ilegal de jacarés e a pesca predatória, especialmente na piracema (época de acasalamento dos peixes).


AS FORMAÇÕES HERBÁCEAS

As formações herbáceas, de características bastante diversificadas, geralmente aparecem em forma de manchas de
pequena extensão, distribuídas de maneira descontínua pelo interior do país, em função de vários fatores como a topografia
suave ou climas mais frios e secos. Se aparecem exclusivamente gramíneas, denominam-se campos limpos e se as
gramíneas estão misturadas a pequenos arbustos, denominam-se campos sujos.
Entre as diversas áreas de formação campestre, merecem destaque:

• campos meridionais: como a Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul, e os Campos de Vacaria. A pecuária é a
atividade econômica mais comum nessas regiões.

• campos da Hiléia: são formações rasteiras encontradas nas áreas inundáveis da Amazônia oriental, como o litoral do
Amapá, a ilha de Marajó e o golfão Maranhense;

• campos de altitude: são formações herbáceas encontradas em grande altitude. Aparecem no Sudeste, na serra da
Mantiqueira, e também na Amazônia, na região serrana de Roraima.
Proporcionais à extensão do litoral brasileiro, as formações litorâneas apresentam grande variedade. As principais são:

• vegetação de praias: são comuns as espécies halófilas, que habitam lugares ricos em sal, como a salsa-de-praia e o
jundu, vegetação arbóreo-arbustiva do litoral paulista;

• vegetação de dunas: vegetais rasteiros, com raízes profundas e grande extensão horizontal, criando verdadeiros
cordões vegetais;

• restingas: misturam espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas, como a aroeira-de-praia e o cajueiro, favorecendo a
formação de dunas sobre as restingas;

• mangues: vegetais que se adaptaram à intensa salinidade e à falta de oxigenação do solo, em áreas alagadas
periodicamente pelas águas do mar. Compõem-se de arbustos misturados às espécies arbóreas, quase sempre de tronco
muito fino e raízes aéreas. E no mangue que se realiza, como atividade econômica, a extração de caranguejos e, em menor
escala, de ostras.


8- HIDROGRAFIA BRASILEIRA

BRASIL – BACIAS HIDROGRÁFICAS
Bacias Área absoluta (Km
2
) Área relativa (%)
I Amazônica 3.984. 467 46,8
II Paraná 891.309 10,4
III Tocantins-Araguaia 803.250 9,5
IV São Francisco 631.133 7,4
V Paraguai 345.701 4,0
VI Uruguai 178.235 2,1
Agrupadas
VII Nordeste 884.835 10,3
VIII Leste 569.310 6,7
IX Sudeste 223.688 2,8

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AS BACIAS HIDROGRÁFICAS

O Brasil possui uma das maiores redes hidrográficas do mundo, destacando-se seus rios quer pela extensão (tamanho),
quer pelo volume de água.
Os rios brasileiros estão agrupados em seis bacias hidrográficas isoladas e três conjuntos de bacias agrupadas. As bacias
isoladas, controladas por um único eixo fluvial (o rio principal), ocupam cerca de 80% do território nacional. J á as bacias
agrupadas são menores e apresentam vários eixos que se deslocam todos para uma só direção. Ocupam uma área bem
menor, apenas 20% da superfície total do país.
As bacias hidrográficas do Brasil estão divididas em bacias principais e bacias secundárias.

Bacias principais:
- São Francisco - Tocantins-Araguaia - Amazônica - Platina (Paraguai, Paraná e Uruguai)

Bacias secundárias:
- Nordeste - Leste
- Sudeste - Vertente do Amapá


BACIA AMAZÔNICA

É a maior bacia hidrográfica do globo terrestre, estendendo-se por terras da Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela,
Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Brasil. Ocupa uma área de 6 892 475 km
2
, sendo 3 984 467 km
2
no Brasil (46,8% do
território nacional). Localiza-se nos dois hemisférios, daí a “interferência” que possibilita duas cheias anuais.
A Bacia Amazônica recebe ação direta do clima equatorial, cujas precipitações são elevadas todos os meses, gerando
um total anual de chuvas da ordem de 2 000 a 2 500 mm. Isso faz com que o rio Amazonas tenha o maior débito do
mundo, descarregando no Atlântico cerca de 100 000 m
3
/s de água, o que significa cerca de 20% da água que todos os rios
do mundo despejam em conjunto nos oceanos.
O rio Amazonas (7 100 km) é o maior do mundo em extensão e suas nascentes estão localizadas na cordilheira dos
Andes. Entra em nosso território na altura de Tabatinga (Amazonas) e passa a se denominar Solimões até receber as águas
do rio Negro, próximo a Manaus, quando finalmente recebe o nome de Amazonas. Sua foz é no Oceano Atlântico, em
forma mista (estuário-deltaica)
Sua largura máxima é de 300 Km na foz - junto à cidade de Óbidos (PA) apresenta sua menor largura 1,5 Km.
De toda a enorme extensão que
o rio Amazonas percorre da
nascente à foz, cerca de 45%
corresponde a trecho brasileiro,
com 3.165 Km. Nesse trecho, seu
desnível total é de 82 m de altura.
O rio Amazonas, junto com o
baixo curso de seus afluentes,
forma um complexo hidroviário de
25 450 km de percurso navegável,
que é, às vezes, a única opção real
de transporte no interior da
Amazônia.
Outra característica importante
da bacia Amazônica é a infinidade
de pequenos cursos d'água e canais
fluviais criados pela ação dos rios
no seu processo de cheia e vazante.
São eles:

• igarapés: braços de rios
ou canais fluviais que partem, de
forma perpendicular, do rio em
direção à floresta.
• paraná-mirins: braços de
rios que contornam pequenas ilhas
em “meia-lua”, também chamadas
“falsas-ilhas”, por serem pequenas
elevações do terreno que, em
momentos de cheias, são ilhadas
por esses canais;
• furos: canais marginais que interligam os vários cursos d´água existentes.
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O Rio Amazonas apresenta o fenômeno da pororoca (choque das águas do rio com o oceano durante a maré alta ou
sizigia) e o das terras caídas (deslocamento de terras junto às margens).
É inteiramente navegável, sendo ideal para hidrovias.
Os rios amazônicos podem ser “brancos” (ricos em sedimentos) e “negros” (não transportam sedimentos sólidos).


BACIA DO TOCANTINS-ARAGUAIA

Ocupa uma área de 803 250 km
2
(9,5% da área total do país). Desse espaço, metade pertence ao rio Tocantins e a outra
metade ao rio Araguaia, daí a denominação da bacia.
O rio Tocantins nasce a cerca de 250 km de Brasília, sendo formado pela junção dos rios Alma e Maranhão, cujas cabe-
ceiras estão no Brasil Central, em Goiás. A partir daí, o rio percorre 2 640 km até chegar ao golfão Amazônico.
Seu principal afluente é o Araguaia. Esse rio nasce em Mato Grosso, na fronteira com Goiás, e une-se ao Tocantins no
extremo norte do estado de Tocantins, definindo aí o contorno da região denominada Bico do Papagaio. Antes disso,
porém, o Araguaia circunda uma área que é a maior ilha fluvial do mundo a ilha do Bananal, com cerca de 20 000 km
2
de
superfície.
A bacia apresenta um grande potencial hidrelétrico, mas apenas uma área de produção efetiva de energia elétrica, que é
a usina de Tucuruí, no sul do Pará. Quanto ao percurso navegável, é também pouco extenso, cerca de 935 Km
aproveitáveis, distribuídos por trechos descontínuos.
Lançam suas água no estuário de Marajó (portanto só se encontra com o Amazonas na foz)


BACIA DO SÃO FRANCISCO

Ocupa uma área de 631.133 Km
2
(7,4%da superfície do país), drenando terras de cinco estados: Minas Gerais, Bahia,
Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Faz, portanto, a ligação entre o Sudeste e o Nordeste do Brasil.
O São Francisco nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais, região de clima tropical chuvoso, e toma a direção norte,
atravessando o Sertão nordestino, área de clima semi-árido, indo desembocar no litoral oriental do Nordeste, sob clima
tropical úmido.
Logo após a descida da serra da Canastra, temos a usina de Três Marias. No interior do Sertão nordestino, é o rio que
marca os limites entre os estados da Bahia e de Pernambuco, onde se instalou a represa de Sobradinho, que tem a função de
regularizar o nível do rio. Em seguida, o São Francisco se desvia para leste, até a fronteira da Bahia com Alagoas, onde
estão montadas as quatro usinas do complexo hidrelétrico de Paulo Afonso. A partir desse ponto, o rio inicia a descida do
planalto, onde foi construída a usina de Xingó, e vai desaguar no Atlântico, na divisa entre Alagoas e Sergipe.

O São Francisco é um rio de planalto, possui 1.300 km de extensão navegável, em um trecho que se estende de
Pirapora (Minas Gerais) a Juazeiro (Bahia) e Petrolina (Pernambuco), e de Marechal Floriano (AL) à foz.

É a única grande bacia genuinamente brasileira. Possui 3.161 Km de extensão e recebe diversas denominações:
- Nilo Brasileiro
- Rio da Integração e Unidade Nacional
- Rio dos Currais


BACIA PLATINA ( Bacia do Paraná, Paraguai e Uruguai)

BACIA DO PARANÁ

A bacia do Paraná ocupa uma área de cerca de l,4 milhão de km
2
. A bacia do Paraná drena a porção centro-meridional
do país, abrangendo terras dos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Tem como eixo principal o rio Paraná.
O rio Paraná é o décimo sétimo do mundo em extensão, com seus 2 940 km. Nasce na confluência de dois outros rios
importantes: o rio Paranaíba, que separa Minas Gerais de Goiás, e o rio Grande, que separa Minas Gerais de São Paulo,
definindo-se aí a região conhecida como Triângulo Mineiro.
A partir daí, o rio Paraná toma a direção sul e separa São Paulo de Mato Grosso do Sul. Adiante, serve de limite entre o
Paraná e Mato Grosso do Sul e, mais à frente, faz a fronteira do Brasil com o Paraguai. Daí em diante, penetra em território
argentino e vai desembocar no rio da Prata.
O rio Paraná tem como principais afluentes os rios Verde, Pardo e Ivinheima, na margem direita, e os rios Tietê,
Paranapanema e lguaçu, na margem esquerda.




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Tanto o rio Paraná como os seus afluentes da margem esquerda estão descendo planaltos através de inúmeras quedas
d'água, o que dá à bacia um alto potencial hidrelétrico disponível para aproveitamento. Sua localização, próxima ao grande
parque industrial do Sudeste, garante-lhe o primeiro lugar em produção hidrelétrica efetiva no país.
A navegabilidade dessa bacia é muito pequena devido à topografia. Mesmo assim, o percurso navegável é de 3 370 km,
utilizando-se de trechos planos entre as quedas. É o que ocorre num trecho de 500 km de extensão no rio Paraná entre as
quedas de Urubupungá e Itaipu. Nos locais onde foram instaladas eclusas, como em Barra Bonita, no rio Tietê, a
navegação também é possível.
A eclusa
Uma eclusa fluviaI é composta basicamente de uma câmara com dois muros laterais, limitados nas duas extremidades
por duas comportas e, no fundo, um piso ou soleira.
Quando se quer que uma embarcação atinja um nível mais baixo, faz-se com que ela entre nessa câmara cheia, que
depois é esvaziada. A embarcação desce com a água e atinge o nível mais baixo. Para que uma embarcação suba de nível,
realiza-se o processo inverso.


BACIA DO PARAGUAI

Sua área é de 345 701 km
2
(4% do território nacional). O rio Paraguai nasce em terras do Centro-Oeste, na serra do
Araporé, em Mato Grosso, a cerca de 100 km de Cuiabá. A partir daí, toma a direção sul, atravessando a enorme planície
do Pantanal, no sudoeste de Mato Grosso e oeste de Mato Grosso do Sul.
Ao atravessar a planície do Pantanal, o rio Paraguai recebe muitos afluentes, como o Pilcomayo e o Bermejo, na
margem direita, e o São Lourenço, o Taquari, o Miranda e o Apa, na margem esquerda.
Essa grande rede hidrográfica, devido ao mínimo desnível que a planície apresenta, tem um grave problema de
escoamento durante as chuvas de verão. Nessa estação, toda a região sofre um intenso processo de inundação, daí a
denominação Pantanal (ou, de acordo com os índios guaranis, o grande mar de Xaraiés).
Após atravessar a planície do Pantanal, o rio entra em território paraguaio, cortando de nordeste para sudoeste a grande
depressão do Chaco. Finalmente, deságua no rio Paraná, já em território argentino, próximo à cidade de Corrientes.
Percorrendo 2 078 km (1 400 km em território brasileiro), o rio Paraguai tem na navegação o seu maior destaque
econômico, seu trecho navegável é de Cárceres (MT) até Assunção. Corumbá, Porto Esperança e Porto Murtinho são os
principais portos fluviais do Rio Paraguai.
A bacia como um todo possui 2 345 km navegáveis, por onde circulam muitas das mercadorias da região, com especial
ênfase aos minérios de ferro e manganês, extraídos do maciço de Urucum e embarcados pelos portos de Corumbá e Porto
Murtinho, ambos no rio Paraguai.


BACIA DO URUGUAI

Ocupa uma área de 1 78 235 km
2
(2,1% do território nacional). O rio Uruguai, eixo da bacia, é formado pela junção do
rio Canoas, que vem de Santa Catarina, com o rio Pelotas, que vem do Rio Grande do Sul. Quando atinge a fronteira com
a Argentina, após ter feito a divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sofre um desvio para o sul e separa
as terras do Brasil e da Argentina. Posteriormente, faz a divisa entre a Argentina e o Uruguai, e daí segue até a foz,
próximo a Buenos Aires, onde desemboca no rio da Prata, após ter percorrido uma extensão de 1 500 km.
É muito pouco aproveitado, seja para a geração de energia, seja para o transporte fluvial. O percurso navegável dessa
bacia é de apenas 625 km. A maior parte dessa extensão localiza-se entre os portos de São Borja e Uruguaiana, no próprio
rio Uruguai.
Apresenta apenas três importantes afluentes, todos na sua margem esquerda, em território sul-rio-grandense: o Ijuí, o
Ibicuí e o Quaraí.


BACIAS AGRUPADAS

O Brasil possui três conjuntos de bacias agrupadas: bacias do Nordeste, do Leste e do Sudeste.
As bacias do Nordeste ocupam uma área de 884 835 km
2
(10,3% da superfície do país) e apresentam uma extensão
navegável de 4.498 km. Esse conjunto de bacias abrange uma extensa porção do Nordeste, que vai do Maranhão até
Alagoas. Caracteriza-se por dois tipos diferentes de rios:
• rios perenes: apresentam-se com água o ano todo e predominam no trecho ocidental da região. Destacam-se o rio
Parnaíba, nasce na Serra de Tabatinga e separa o Maranhão do Piauí, onde foi instalada a usina hidrelétrica Castelo
Branco. Entre os outros rios perenes, temos o Mearim, o Pindaré, o Grajaú e o ltapecuru;
• rios temporários: ficam parcial ou totalmente sem água durante os longos períodos de estiagem. Predominam na
porção mais interior da região, além do litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte. Nessa área encontramos inúmeras obras
- os açudes - que visam reter a água do período chuvoso para amenizar o efeito do longo período de estiagem. Destaque-se
ai o famoso açude de Orós, no rio J aguaribe, no Sertão cearense. Como exemplo de outros rios temporários, temos o
Acaraú, o Apodi e o Piranhas.


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As bacias do Leste estendem-se desde Sergipe até o litoral paulista, ocupando uma área de 569 310 km
2
(6,7% do
território nacional). Compõem-se de inúmeros rios que descem diretamente dos planaltos e serras para o oceano,
apresentando, por isso, inúmeras corredeiras e quedas-d'água, o que dificulta muito a navegação. A extensão do percurso
navegável dessa bacia é de 2 253 km.

Os principais rios são:
o Paraguaçu, que tem sua foz em Salvador;

o Jequitinhonha, que atravessa o nordeste de Minas Gerais, de clima semi-árido, e desemboca no sul da Bahia;

o Doce, que nasce na Serra da Mantiqueira, após atravessar a rica região ferrífera de Minas Gerais, deságua no litoral
do Espírito Santo, ao norte de Vitória, no seu vale se concentram importantes usinas siderúrgicas. Possui 980 Km de
extensão.

o Paraíba do Sul, que nasce na serra da Bocaina (SP), bem próximo da capital paulista é formado pela junção dos rios
Paraibuna e Paraitinga, corre entre as serras do Mar e da Mantiqueira em direção ao norte do Rio de janeiro, onde
desemboca no Atlântico, através de um delta de 60 km de largura. Possui 1.019 Km de extensão

As bacias do Sudeste ocupam uma área de 223 688 km
2
(2,8% do território nacional), estendendo-se do litoral sul de
São Paulo até o Rio Grande do Sul. Compõem-se predominantemente de rios planálticos e, portanto, com poucas
possibilidades para a navegação. A extensão do percurso navegável é de 1186km.
Destacam-se nessa bacia os seguintes rios: Ribeira de Iguape, no litoral sul de São Paulo; Itajaí, no leste catarinense;
Tubarão, na região carbonífera do sudeste de Santa Catarina, e o J acuí, que vem do norte do Rio Grande do Sul e sofre um
desvio para leste, indo até a capital Porto Alegre, quando muda o nome para Guaíba e desemboca na lagoa dos Patos.

BACIA DO LESTE BACIA DO NORDESTE BACIA DO SUDESTE

São os rios de vertente do Amapá: Oiapoque (Brasil-Guiana Francesa), rio Amapá e rio Araguari.
Os rios da “Mesopotânia Maranhense” são: Pindaré, Mearim, Grajaú e Itapecuru.



9 - O LITORAL BRASILEIRO

O litoral brasileiro inicia-se no extremo norte da costa do Amapá, ponto marcado pela foz do rio Oiapoque, que, após
fazer a divisa entre Brasil e Guiana Francesa, desemboca no oceano Atlântico, na altura do cabo Orange, e termina no
extremo sul do país, onde está situado o arroio Chuí, pequeno riacho que faz a divisa entre Brasil e Uruguai.
Apresenta uma longa extensão, que, em linha reta, corresponde a 7.367 km e que aumenta para 9.198 km se
considerarmos todas as suas saliências e reentrâncias. É por ser assim tão grande que esse litoral costuma ser estudado a
partir de uma divisão em três partes: setentrional, oriental e meridional.


O LITORAL SETENTRIONAL
Esse trecho do litoral brasileiro vai do cabo Orange, no
Amapá, até o cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte,
estendendo-se por 2 465 km.
Caracteriza-se por apresentar um relevo muito raso,
devido à extensa plataforma continental, o que o torna
facilmente inundável, daí o domínio dos manguezais,
particularmente nos litorais do Amapá e do Pará. A partir
daí, nos litorais do Maranhão, Piauí e Ceará, encontramos a
predominância das praias e das dunas.
No litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará, o
destaque fica com a presença das salinas.

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Como principais acidentes geográficos, temos o golfão
Amazônico (onde está a foz do rio Amazonas), que abriga, entre outras, a ilha de Marajó (a maior do Brasil). No
Maranhão, temos o golfão Maranhense, onde se localizam a baía de São Marcos e a ilha de São Luís, que abriga a capital
do estado, a cidade de São Luís.
Nesse litoral, destacam-se ainda os portos de Santana, no Amapá, Belém, no Pará, Ponta da Madeira, no Maranhão, e
Areia Branca, no Rio Grande do Norte. A principal atividade pesqueira desenvolvida nessa porção do litoral é a pesca de
camarão, a maior do Brasil, particularmente no litoral amapaense.


O LITORAL ORIENTAL
Começa no cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte,
e vai até o cabo de São Tomé, no Rio de J aneiro, estendendo-
se por 2 640 km.
Caracteriza-se pelo domínio das barreiras e dos recifes,
particularmente no litoral pernambucano. Há ainda uma série
de praias intercaladas entre as barreiras, algumas até com
dunas, além de alguns recifes de corais, como o atol das
Rocas, no Rio Grande do Norte, e o atol de Abrolhos, na
Bahia.
Os principais acidentes geográficos são a ponta do Seixas
(Paraíba), as ilhas de Itamaracá (Pernambuco) e de Itaparica
(Bahia), o Recôncavo Baiano e as baías de Todos os Santos,
Ilhéus e Cabrália, todos na Bahia, além do arquipélago de
Fernando de Noronha (Pernambuco) e das ilhas oceânicas de
Trindade e Martin Vaz, a 1.000 km do litoral do Espírito
Santo.
Destacam-se também os portos de Recife, em
Pernambuco, Salvador e Ilhéus, na Bahia, e Vitória Tubarão, no Espírito Santo, Cabedelo e Malhado.
Na pesca, o destaque é a captura da lagosta em toda a costa nordestina. A produção petrolífera é a maior do país,
concentrada na bacia de Campos (Rio de J aneiro).


O LITORAL MERIDIONAL
Essa parte do litoral brasileiro tem 2 262 km de extensão,
começando no cabo de São Tomé, no Rio de J aneiro, indo até o
arroio Chuí, no Rio Grande do Sul.
Caracteriza-se pela diversidade, onde se misturam praias,
restingas formadoras de lagoas como Araruama e Maricá (Rio de
J aneiro), Patos e Mirim (Rio Grande do Sul), intercaladas com
paredões abruptos - as falésias - quando a serra do Mar chega até o
oceano. São típicas do litoral entre Ubatuba (São Paulo) e Parati
(Rio de J aneiro) e do litoral de Torres (Rio Grande do Sul).
Os acidentes geográficos mais importantes são as ilhas Grande
(Rio de J aneiro), de São Vicente, Guarujá e São Sebastião (São
Paulo), Santa Catarina (onde está Florianópolis) e as baías da
Guanabara (Rio de J aneiro) e de Guaratuba (Paraná). Merece
destaque ainda Cabo Frio (Rio de J aneiro), importante área
salineira.
Os principais portos do Brasil estão nesse litoral, tais como Rio
de J aneiro, Santos, São Sebastião, Paranaguá e Rio Grande.
Na pesca, sobressaem o camarão e a sardinha, principalmente nos litorais gaúcho e catarinense.

As ilhas oceânicas brasileiras são: Trindade, Arquipélago de Fernando de Noronha, Atol das Rocas, rochedos (penedos)
São Pedro e São Paulo, ilha Martim Vaz (é o ponto mais afastado do litoral, a 1.155 Km da costa, na direção do Espírito
Santo).

Duas correntes marinhas afluem para o litoral brasileiro: Corrente Sul-Equatorial (quente) e Corrente das Falklands ou
Malvinas (fria). A corrente das Guianas, que é um braço da Corrente Sul-Equatorial, percorre parte do litoral Norte.
Corrente do Brasil( a mais importante para nós), banha o litoral oriental (todo o NE e SE).

A Corrente das Falklands atinge o litoral sul e sudeste do Brasil, terminando em Cabo Frio (RJ ).
Mar territorial é a faixa de mar que pertence a um país. O mar territorial brasileiro atualmente abrange a faixa de 200
milhas, cobrindo a Plataforma Continental, de importância fundamental para a pesca, exploração de petróleo e comércio.


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10 - AGRICULTURA E EXTRATIVISMO
VEGETAL NO BRASIL


Fatores naturais, humanos e econômicos
Diversos elementos do quadro natural podem
contribuir, positiva ou negativamente, para o
desenvolvimento da agricultura. Entre esses elementos,
destacam-se o clima e o solo.
O clima é, sem dúvida, o elemento natural que mais
influencia a produção agrícola. Caracteriza-se pela ação
da temperatura, umidade, chuvas e, em menor escala,
ventos.
O solo é um importante elemento do quadro natural
para o desenvolvimento agrícola, pois suporta e sustenta
o vegetal.
A análise do fator humano na agricultura envolve
aspectos relacionados à mão-de-obra (número de
trabalhadores e sua especialização) e as relações de
trabalho.
Em regiões mais atrasadas, o número de
trabalhadores agrícolas é bastante alto em relação à
extensão da área de cultivo, significando que não há
grande utilização de equipamentos mecânicos e
indicando uma reduzida produtividade dessa lavoura,
característica de uma agricultura pobre.
J á nas regiões mais desenvolvidas, observa-se o
contrário, com uma intensa mecanização da agricultura,
resultando em pouca mão-de-obra para uma alta
produtividade.
É possível distinguir dois grandes objetivos do
trabalho agrícola:
- abastecer o próprio grupo que trabalha a terra e
gerar um pequeno excedente de troca, correspondendo à
chamada lavoura de subsistência ou de pequeno
mercado;
- produzir exclusivamente para o grande mercado,
interno ou externo, correspondendo à chamada lavoura
comercial.
A remuneração do trabalho na agricultura
também é realizada de duas formas mais comuns:
- primitiva, em que o trabalhador recebe como
pagamento o direito de morar e plantar na terra de
terceiros, ou o direito de ficar com uma parte da
colheita, dando o restante ao dono da terra;
- moderna, que corresponde ao trabalho as-
salariado, que pode ser permanente ou temporário,
dependendo das condições econômicas, sociais e
políticas de cada região.
Os fatores econômicos determinam claramente a
diferença entre agricultura moderna e primitiva.


OS SISTEMAS AGRÍCOLAS

A análise de um sistema agrícola considera três
fatores dominantes: a terra, o trabalho e o capital.
O fator terra predomina nas regiões
subdesenvolvidas do globo, onde a produção está
diretamente relacionada com a extensão da área
cultivada, pois não conta com investimentos de capital e
tecnologia.
Esse sistema, definido como de uso extensivo da
terra, aparece sob diversas formas, destacando-se a
agricultura intinerante ou roça tropical, na qual o
agricultor ocupa áreas florestadas, realizando o
desmatamento e a queimada. Com isso, o solo se esgota
precocemente, as terras são abandonadas e o agricultor
se muda para nova área, onde repetirá o processo.
O fator trabalho predomina também em regiões
subdesenvolvidas, onde há grande utilização de mão-de-
obra.
Esse tipo de agricultura que considera o fator
trabalho é característico de região de grande densidade
demográfica, comum no Sudeste Asiático e Extremo
Oriente, onde recebe o nome de agricultura de
jardinagem.
O capital é um fator que predomina na agricultura
dos países desenvolvidos e de algumas regiões de países
subdesenvolvidos.
A agricultura moderna ou comercial é
desenvolvida em pequenas, médias ou grandes
propriedades, com larga aplicação de recursos técnicos e
capital


A AGRICULTURA NO BRASIL

A agricultura sempre foi uma atividade econômica
muito importante para o pais. Embora atualmente a
maior parte da produção econômica nacional tenha sua
origem na atividade industrial, a agricultura ainda ocupa
um lugar de destaque, empregando mais de 20% da
mão-de-obra ativa e produzindo cerca de 25% da renda
das exportações nacionais.


A AGRICULTURA BRASILEIRA E O
QUADRO NATURAL

A agricultura brasileira sofre basicamente a
influência de dois grandes fatores naturais: o solo e o
clima.
No Brasil, há pelo menos dois tipos de solo
considerados extremamente férteis. Um é a terra roxa,
solo de origem vulcânica, que aparece na área drenada
pela bacia do Paraná. Outro é o massapé, solo muito
profundo e argiloso, que aparece na Zona da Mata
nordestina.
Por outro lado, enfrentamos inúmeros problemas no
uso do solo, tais como o plantio em declives, que acelera
a erosão, e a prática de queimadas, que empobrece o
solo.
Entre os aspectos climáticos que favorecem a
atividade agrícola no pais, destaca-se a tropicalidade. O
predomínio de altas temperaturas e de alta pluviosidade
na maior parte do território, durante o ano todo, permite
um desenvolvimento da produção vegetal ininterrupto.
O outro aspecto favorável é a diversidade climática,
permitindo que se desenvolvam os mais diferentes tipos
de vegetais.
Os aspectos desfavoráveis da ação do clima na
agricultura estão ligados aos extremos climáticos, tais
como as áreas excessivamente chuvosas (Amazônia
Ocidental) ou com escassez de pluviosidade (Sertão
nordestino).
Esses extremos também ocorrem devido à
diversidade climática. No Sul e em parte do Sudeste, o
rigor das temperaturas dificulta certas produções,
principalmente em áreas sujeitas à ocorrência de geadas
e, eventualmente, de neve.
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AS RELAÇÕES TRABALHISTAS NA
AGRICULTURA BRASILEIRA

Existem diversas formas de trabalho no meio rural
brasileiro, sendo comum os trabalhadores rurais atuarem
em pelo menos duas delas ao mesmo tempo. O total de
trabalhadores rurais no país é atualmente de 15 570 171
pessoas.
Mão-de-obra rural no Brasil

Forma Total de Percentagem do
de trabalho trabalhadores total

Posseiros 654 615 4,2
Parceiros 366 995 2,3
Pequenos 2 437 001 15,6
proprietários
Arrendatários 101 409 0,8
Assalariados 975 150 6,3
permanentes
Assalariados 6 844 849 44,0
temporários
Não-remu 4.190.152 26,8
nerados
(Estatísticas cadastrais do INCRA.)


As principais formas de trabalho são:
- posseiros: lavradores que se instalam em terras
que não lhes pertencem legalmente, ou seja, terras
devolutas (do governo) ou de terceiros;

- parceiros: lavradores que trabalham na terra de
outra pessoa, com a qual dividem a produção obtida.
Quando a divisão é de 50%, o trabalhador é
chamado meeiro;



- pequenos proprietários: trabalhadores que
cultivam sua própria terra, tanto para atender às
necessidades de suas famílias, quanto para destinar a
produção ao mercado local;

- arrendatários: agricultores que alugam a terra
de alguém e pagam seu uso em dinheiro. Em geral,
dispõem de um certo capital e de equipamentos;

- assalariados permanentes: trabalhadores que
moram nas propriedades em que trabalham, mantendo
vínculo empregatício com registro profissional e todos
os direitos legais;

- assalariados temporários: agricultores que
trabalham contratados por dia, tarefa ou empreitada, sem
direito a morarem na terra. Geralmente habitam a
periferia das cidades e se deslocam diariamente para o
trabalho no campo;

- não-remunerados: corresponde ao grupo
familiar do trabalhador composto pelos seus
dependentes, mulher e filhos, que o ajudam no trabalho
rural sem serem remunerados pela atividade.















O EXTRATIVISMO VEGETAL

A atividade extrativista corresponde à retirada
de bens fornecidos pela natureza, nos remos
mineral, vegetal e animal.
O extrativismo é realizado de forma primitiva,
sem aplicação de recursos técnicos e de capital,
objetivando apenas a subsistência do grupo
familiar e um pequeno excedente de troca. Quando
a retirada se faz em moldes modernos, com o uso
de recursos de capital e tecnologia, mão-de-obra
assalariada, pessoal especializado, máquinas, etc.,
passa a ser considerada atividade industrial. Essa
tendência é crescente em quase todo o planeta.
Há uma classificação do aproveitamento
vegetal considerando três grandes sistemas,
conforme as técnicas utilizadas e a intensidade da
destruição da cobertura vegetal. São eles:
sistema primitivo: característico das regi-
ões mais atrasadas, onde a população utiliza os
produtos coletados para sua própria subsistência ou
para abastecer um incipiente mercado local. A
destruição da vegetação é muito pequena,
recuperando-se facilmente;
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sistema colonial: característico de regiões
subdesenvolvidas, onde o grande capital, nacional ou
estrangeiro, visa explorar os recursos vegetais em grande
escala para exportação. E um sistema altamente predató-
rio, sem nenhuma preocupação com a conservação ou
recuperação da área vegetal destruída;

sistema moderno: corresponde à silvicultura,
realizada por empresas que investem muito capital e
tecnologia, obtendo um grande aproveitamento dos
recursos vegetais. E uma forma de exploração racional,
pois substitui a floresta nativa pela cultivada. Esse
sistema de aproveitamento vegetal é característico das
regiões mais desenvolvidas.



EXTRATIVISMO VEGETAL NO BRASIL

O extrativismo vegetal no Brasil, embora seja uma
atividade bastante pobre e de pequena participação na
economia nacional, tem grande importância
socioeconômica nas regiões em que ocorre,
principalmente na Amazônia e no Nordeste. Nessas
regiões, as necessidades econômicas da população rural
acabaram levando milhares de pessoas a se envolverem
com a coleta vegetal.
A grande diversidade climatobotânica do Brasil
favoreceu uma atividade extrativista diversificada. Os
principais produtos obtidos pelo extrativismo vegetal no
Brasil são látex, óleos e ceras.
A mais importante espécie produtora de látex é a
seringueira (Hevea brasiliensis). A borracha também
pode ser obtida de outras espécies, como o caucho, a
maniçoba e o mucujê. A resina desse último é utilizada
na fabricação de chicletes.
Uma das mais importantes espécies produtoras de
óleo é a palmeira de babaçu denominada uauaçu pelos
índios. Produz cocos que contêm um óleo na
industrialização do sabão, margarina, produtos químicos,
entre outros. O bagaço do babaçu, depois de extraído o
óleo, é utilizado na indústria de ração para animais
A mamona, planta muito comum no Brasil, é
produtora de óleo de rícino. Seu bagaço é utilizado como
biomassa ou como adubo orgânico.
A castanha-do-pará, uma grande e bela árvore
amazônica, produz um ouriço cujas sementes são
utilizadas na indústria de óleos comestíveis e produtos
cosméticos.
A oiticica, árvore de copa baixa, típica de áreas
secas, também tem sementes oleaginosas, utilizadas na
indústria de tintas e vernizes.
O destaque na produção de cera fica com a
carnaúba, denominada "árvore da providência", pois
dela tudo se aproveita - tronco, galho, folhas, raízes,
frutos e sementes. Porém, a cera que recobre as folhas é
seu maior produto econômico, sendo utilizada nas
indústrias de graxas, ceras domésticas, acetato para
discos, pilhas, lâmpadas incandescentes, papel-carbono,
sabonete e batom.


11 - A MINERAÇÃO NO BRASIL

Num país de dimensões continentais como o Brasil, é natural que haja abundância e grande variedade de minérios. No
entanto, alguns ocorrem em quantidade surpreendente, mas outros são escassos. Veja o quadro a seguir.

Classificação das reservas minerais
Suficiente Deficiente Carente
alumínio chumbo enxofre
calcário cobre iodo
diamante estanho mercúrio
ferro ouro nitrato
manganês petróleo platina
urânio prata potássio

Entre os principais minérios e minerais extraídos no
país, destacam-se o ferro, o manganês e a bauxita.
O ferro é o mais importante recurso mineral
explorado no Brasil. Os minerais de ferro surgem em
terrenos proterozóicos, podendo ser classificada como
minério a rocha que apresentar teor metálico superior a
40%. No Brasil, o mais explorado e exportado é a
hematita, que apresenta entre 55% e 65% de teor
metálico.

As principais áreas de ocorrência de minério de
ferro no Brasil são:
• Quadrilátero Central ou Ferrífero, em Minas
Gerais;
• maciço de Urucum, no pantanal Mato-gros-
sense;
• serra dos Carajás, no Pará.
O manganês é o segundo recurso mineral mais
exportado pelo Brasil. Sua importância econômica está
relacionada com sua utilização indispensável no setor
siderúrgico. Embora encontrado em vários estados,
como:

• Pará (Carajás),

• Mato Grosso do Sul (Urucum),

• Minas Gerais (Quadrilátero Central),

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• Amapá, na serra do Navio ocorrem as maiores
produções nacionais.

As principais áreas de ocorrência de bauxita no
Brasil estão localizadas no:

• Pará (Carajás e Oriximiná)

• Minas Gerais (Poços de Caldas e Ouro Preto)
• Nas proximidades do rio Trombetas, em
Oriximiná, localiza-se uma das maiores reservas
mundiais desse minério.
O sal é explorado sobretudo no Nordeste, sendo o
Rio Grande do Norte responsável por mais de dois terços
da produção nacional.
O calcário é de grande importância como material de
construção civil cimento e cal - e para a agricultura,
onde é utilizado como corretivo do solo. Ocorre em
quase todo o Brasil.

12 - OS RECURSOS ENERGÉTICOS
Entre os principais recursos energéticos utilizados
pelo homem, destacam-se os combustíveis fósseis, assim
denominados devido à sua origem, relacionada à

deposição de restos de seres vivos em eras geológicas
passadas. Os mais importantes combustíveis fósseis são
o petróleo e o carvão mineral.
Com o passar dos anos essa continua superposição de
camadas na crosta terrestre fez aumentar a pressão e o
calor sobre os depósitos orgânicos, provocando neles
reações químicas que resultaram em gás natural e
petróleo.
O petróleo é fluido, sendo encontrado em regiões
sedimentares, nos poros das rochas armazenadoras como
o arenito, dominante no Brasil.
O petróleo é o produto mineral mais importante do
século XX, pois, além de ser utilizado em larga escala
como fonte de energia, através de derivados como o óleo
diesel, o querosene, a gasolina e o gás liqüefeito, tam-
bém possibilita a fabricação de solventes, borracha
sintética, fertilizantes, plastificantes, fibras de náilon e
outros produtos indispensáveis à economia moderna.



O PETRÓLEO NO BRASIL

Em 1932, foi instalada em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, a Destilaria Sul-rio-grandense. Em 1936, duas refinarias
de petróleo foram inauguradas: a Matarazzo, em São Caetano do Sul (São Paulo), e a Ipiranga, em Rio Grande (Rio Grande
do Sul).
Em 1938, foi criado o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), que visava regular e controlar as atividades ligadas a esse
recurso. Em 1939, na localidade de Lobato, no Recôncavo Baiano, finalmente jorrou petróleo em condições comerciais
pela primeira vez no país.

Por fim, em 1 953, durante o governo de Getúlio Vargas, foi assinada a Lei n.º 2004 criando a Petróleo Brasileiro S.A.
(Petrobrás). A Petrobrás deteve, durante 42 anos, o monopólio nas seguintes atividades:

• e pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e outros hidrocarbonetos, fluidos e gases raros em território nacional;
• refino do petróleo nacional e estrangeiro;
• transporte marítimo de cabotagem, isto é, costeiro, e transporte terrestre por oleodutos de petróleo e derivados;
• importação e exportação de petróleo e derivados.
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A exploração de petróleo no Brasil é realizada nas bacias sedimentares, que totalizam 3,2 milhões de km
2
na parte
terrestre e quase 1 milhão de km
2
na plataforma continental.

Entre as principais bacias produtoras, destacam-se:
• bacia de Campos, principal área produtora do país, na plataforma continental, onde
se destacam ainda trechos do litoral da Bahia, Sergipe e Alagoas;

• bacia do Recôncavo Baiano, importante área produtora de petróleo no continente;
• bacia do Nordeste, entre Sergipe e Alagoas, que produz cerca de 15 % do petróleo brasileiro.


O CARVÃO MINERAL

O carvão mineral é um combustível fóssil cuja origem está relacionada ao soterramento de antigas florestas.
O carvão mineral foi a principal fonte energética do planeta até fins do século XIX. No século XX, sua importância
declinou graças ao crescimento da produção e das possibilidades econômicas do petróleo. No entanto, o carvão continua
sendo uma das mais importantes fontes energéticas, bem como matéria-prima indispensável à indústria, uma vez que é
produto básico na fabricação do aço.
No Brasil, a produção é pequena, não atendendo sequer ao consumo interno.
Entre as causas da pequena produção nacional de carvão, destacam-se:
• país não dispõe de grandes reservas;
• carvão nacional é de baixa qualidade;
• as técnicas de extração e o sistema de escoamento são precários, determinando um preço mais elevado que o do
carvão importado.
As principais áreas produtoras no país localizam-se nos terrenos permo-carboníferos da região Sul, particularmente nos
estados de Santa Catarina e
Rio Grande do Sul.
Santa Catarina é
responsável por mais de
dois terços da produção
nacional, uma vez que
possui as únicas reservas
conhecidas aproveitáveis na
siderurgia, ou seja,
produção de carvão-coque.
Suas principais áreas
carboníferas situam-se na
bacia do rio Tubarão, onde
se destacam os centros de
Criciúma e Siderópolis.
No Rio Grande do Sul, o
destaque fica com o carvão-
vapor, utilizado em
ferrovias e termelétricas. As
principais jazidas são
encontradas no vale do rio
J acuí.



13 - A PECUÁRIA

Pecuária é a atividade relacionada à criação de gado, ou seja, à criação de determinados rebanhos com fins econômicos.
Tem como principais objetivos a produção de alimentos e de matérias-primas, além da criação de animais de tração e
transporte


OS SISTEMAS DE CRIAÇÃO

Definem-se dois grandes sistemas de criação: o extensivo e o intensivo, lembrando que existem alguns outros
intermediários que misturam características dos dois primeiros.

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No sistema de pecuária extensiva, acriação é considerada de pior qualidade, pois a pecuária é realizada com o gado
solto no pasto sem grandes cuidados com sua saúde e higiene. E um sistema que exige espaço, porém requer pequena
quantidade de mão-de-obra.

O sistema extensivo, portanto, é de baixa produtividade, sendo característico de regiões subdesenvolvidas.
O sistema de pecuária intensiva possui características opostas, pois é considerado de alta qualidade. O gado é criado
em estábulos, recebendo cuidados com alimentação, saúde e higiene. Pode ser realizado em pequenas propriedades, porém
exigindo grande investimento, tanto em pessoal qualificado quanto em equipamentos.


A ZOOTECNIA

Zootecnia é a ciência que tem como objetivo estudar técnicas de pecuária para criar o melhor animal, no menor tempo e
pelo menor custo a fim de se obter o maior lucro possível. Utiliza os seguintes recursos:
aclimatação: técnica que visa adaptar um animal oriundo de área climática diferente;
cruzamento: baseia-se no acasalamento de animais da mesma espécie, de raças diferentes, porém puros.
seleção: técnica de cruzamento que escolhe as melhores cabeças da mesma raça, tendo como objetivo acentuar suas
qualidades no rebanho;
hidratação: processo que cruza elementos de espécies diferentes. O produto desse cruzamento é o animal híbrido,
quase sempre estéril;
Inseminação: técnica de reprodução sem que se realize o acasalamento, ou seja, o sêmen é extraído de reprodutores
selecionados e é imediatamente congelado e armazenado.


A PECUÁRIA NO BRASIL
A pecuária no Brasil é realizada fundamentalmente de forma extensiva, caracterizando-se, portanto, por um pequeno
nível de investimento de capital e tecnologia.

Bovinos
O rebanho bovino brasileiro, com aproximadamente 1 70 milhões de cabeças, é um dos cinco maiores do mundo,
representando cerca de 10% de todo o gado bovino do globo.
A história da pecuária bovina no Brasil data dos primórdios do século XVI, com a introdução das primeiras cabeças na
capitania de São Vicente.

Suínos
O rebanho brasileiro, superior a 35 milhões de cabeças, é um dos maiores do mundo, representando 5% do total
mundial.
A pecuária suína destina-se basicamente à produção de carne e de banha.

Ovinos
O rebanho brasileiro de ovinos - ovelhas e carneiros - é de aproximadamente 20 milhões de cabeças, correspondendo a
apenas 1,5% do total mundial. O aproveitamento econômico desse rebanho está na produção de lã, leite e carne.

Caprinos
O rebanho brasileiro de caprinos é pouco superior a 12 milhões de cabeças (2,5% do total mundial). Seu
aproveitamento econômico é muito grande, pois, além de produzir carne, leite e derivados, também se aproveita a pele.

Eqüinos
Os eqüinos foram introduzidos no Brasil no início da colonização. Totalizam atualmente 6,5 milhões de animais, 9% do
efetivo mundial.
A criação de cavalos no Brasil apresenta diversos objetivos. Assim, temos criação para sela e montaria, como os
estrangeiros quarto de milha, árabe e persa, ou
como os nacionais manga-larga e campolina, e
criação para tração, com destaque para a raça
shire (inglesa) que atinge um grande porte.


Muares
O rebanho de muares burros e mulas -
alcança 2 milhões de cabeças no Brasil (13% do
total mundial). A origem desse rebanho está no
cruzamento de duas outras espécies, o asinino
macho (jegue) com o eqüino fêmea (égua). Por
serem animais híbridos, tanto o burro quanto a
mula são estéreis, ou seja, não se reproduzem. A
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principal utilidade dos muares está no transporte de carga e, em segundo plano, na montaria.

Asininos
O rebanho brasileiro de asininos - asnos, jumentos, jegues ou jericos -, da ordem de 1,5 milhão de cabeças, corresponde
a 4% do total mundial. Entre as principais qualidades desse rebanho, está sua grande capacidade de sobreviver em
condições ambientais hostis. Assim como os muares, os asininos são importantes para montaria ou transporte de carga.

Bufalinos
O efetivo de búfalos criados no Brasil é de
aproximadamente 1,5 milhão de cabeças, apenas 1% do
total mundial. O aproveitamento do búfalo é muito
diversificado, pois o animal é um grande fornecedor de
carne, já que cerca de 50% do seu peso (que chega a 900
kg) pode ser utilizado para esse fim. E também grande
produtor de leite, com até 10 litros diários; tem seu
couro industrializado e, pela sua grande capacidade de
deslocamento de carga - possui a força de dois bois
juntos, é ainda utilizado como animal de tração.



14 - A INDÚSTRIA


TIPOS DE INDÚSTRIA

A indústria é uma atividade transformadora, ou seja,
utilizando-se de mão-de-obra, máquinas e energia,
transforma a matéria-prima em bens destinados ao
consumo. A indústria de transformação pode ser
dividida em dois grandes grupos: o de bens de produção
e o de bens de consumo.

INDÚSTRIAS DE BENS DE PRODUÇÃO

Fazem parte desse importante grupo as indústrias que
transformam matérias-primas brutas (oriundas da
natureza) ou que visam abastecer as outras indústrias
com máquinas, equipamentos, insumos e matérias-
primas beneficiadas. Como exemplo, temos as side-
rúrgicas, a mineração, a química e a petroquímica.
As indústrias de bens de produção também são
denominadas indústrias de base
por fornecer o alicerce do desenvolvimento industrial
e indústrias pesadas pelo seu porte e por trabalhar com
grandes quantidades de matérias-primas.


INDÚSTRIAS DE BENS DE CONSUMO

Classificam-se nesse grupo as indústrias que têm
como objetivo atender às necessidades do grande
mercado. Utilizam matérias-primas produzidas na
natureza ou bens provenientes das indústrias de base.
As indústrias de bens de consumo costumam ser
divididas em dois subgrupos:

- bens duráveis: produzem bens de consumo que
não são perecíveis, cujo uso não implica sua extinção.
Como exemplos, temos a indústria automobilística e a de
eletrodomésticos;

- bens nâo-duráveis: produzem bens de consumo
perecíveis. Como exemplos, temos a indústria
alimentícia, a de vestuário e a farmacêutica.


OS FATORES DA LOCALIZAÇÃO
INDUSTRIAL

A implantação e o desenvolvimento industrial estão
relacionados a uma série de influências que podem
favorecer ou acelerar o desenvolvimento de uma região.
A indústria depende, então, de vários fatores:

capital: toda implantação industrial exige um grande
investimento anterior, com aquisição de terreno,
construção do edifício, compra de máquinas e matérias-
primas,

energia: todo e qualquer processo industrial só se faz
com grande disponibilidade energética.

mão-de-obra: a transformação industrial tem como
principal finalidade a obtenção de lucro. Um dos
elementos básicos para se atingir tal objetivo é a
existência de um excedente de mão-de-obra que permita
ao empresariado adotar uma política salarial
fundamentada em baixa remuneração. Assim, a
implantação industrial tem maiores chances de se
viabilizar junto aos grandes centros urbanos, onde a
mão-de-obra é mais numerosa e mais bem qualificada;

matéria-prima: o elemento mais importante no
processo industrial é a matéria-prima a ser transformada.
Quanto mais próxima ela estiver, menor o custo do
transporte e, portanto, menor o custo de produção e
maior o lucro da indústria;

mercado consumidor: a exemplo da matéria-prima,
quanto mais próxima a indústria estiver do seu mercado,
menor o custo do transporte e maior a sua margem de
lucro;

meios de transporte: a presença desse item em
condições satisfatórias vai favorecer o deslocamento das
matérias-primas para a indústria, dos produtos para o
mercado e dos trabalhadores para as fábricas.



15 – TRANSPORTES


OS TIPOS DE TRANSPORTE

Cinco grandes tipos de transporte são utilizados
comercialmente em grande escala: dois são terrestres
(ferroviário e rodoviário), dois são aquáticos
(navegação fluvial e marítima) e um é aéreo.

Rodovias: as principais vantagens das rodovias são a
versatilidade e a facilidade de ligação origem-destino.
Por outro lado, sua manutenção, bem como a dos
veículos que nelas circulam, é de custo elevado (reparos,
combustíveis, etc.).
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Ferrovias: entre as principais vantagens do trans-
porte ferroviário estão a capacidade de carga, baixo
consumo de energia e a segurança no tráfego. Entre os
problemas, destacam-se o alto custo de implantação e o
trajeto limitado.
O desenvolvimento do transporte aéreo é ainda
recente.
A evolução tecnológica, aumentando a velocidade e
a segurança dos vôos, tem gerado progressos no
transporte aéreo mundialmente.


A navegação marítima vem evoluindo junto com a
humanidade. No início utilizavam-se o remo - força
humana - e o vento, depois o carvão e o petróleo e, hoje,
os navios mais modernos são movidos a energia nuclear.
A navegação fluvial tem cumprido um importante
papel o caminho natural de penetração, onde as
adversidades do relevo ou o desinteresse econômico
tenham impedido a implantação de rodovias e ferrovias.


OS TRANSPORTES NO BRASIL

Brasil é um país de dimensões continentais, com topografia dominantemente plana, grandes distâncias entre as áreas de
matérias-primas e as áreas industriais e enorme capacidade hidrelétrica, que pode compensar a insuficiência em petróleo,
de onde derivam a gasolina e o diesel.
Todas essas características, em conjunto, justificariam como opção preferencial de transporte a ferrovia, e não a
rodovia. No entanto, a realidade é outra.

Brasil: transporte
Tipo Carga Transportada (em%)
Rodovia 61
Ferrovia 21
Hidrovia 14
Outros 4
(Ministério dos Transportes)


AS RODOVIAS

O Brasil possui uma extensão rodoviária total de 1
663 987 km, dos quais somente 136 647 km, ou 8,2%
do total, são totalmente pavimentados. As rodovias sob
controle direto do governo federal dividem-se em qua-
tro grupos ( todos indicados pelo prefixo BR):

rodovias radiais: partem de Brasília e têm sua
numeração variando de 001 a 100. O número aumenta
no sentido horário de acordo com o ângulo formado
com o norte. Exemplos: BR-010 Rodovia Bernardo
Sayon (Belém-Brasília); BR-040 Rodovia Brasília-
Rio de J aneiro;

rodovias longitudinais: seguem no sentido norte-sul. A
numeração aumenta de leste para oeste e varia de 10 l a
200. Exemplos: BR-101 Rodovia Litorânea; BR-116 -
Rodovia Fortaleza-J aguarão;

rodovias transversais: seguem no sentido leste-oeste.
A numeração aumenta de norte para sul, variando de
201 a 300. Do norte até Brasília vai de 201 a 250, e de

Brasília até o sul vai de 251 a 300. Exemplos: BR-210 - Rodovia Perimetral Norte; BR 230 Rodovia Transamazônica;

rodovias diagonais: cortam as anteriores em diagonal (nordeste-sudoeste ou noroeste-sudeste). Variam de 301 a 400 e a
numeração aumenta para o sul. As de números pares são as de direção noroeste-sudeste e, as ímpares, nordeste-sudoeste.
Exemplos: BR 319 - Rodovia Manaus-Porto Velho; BR 364 - Rodovia Cuiabá-Porto Velho.

O símbolo do rodoviarismo brasileiro foi a construção da rodovia Transamazônica (BR 230), inaugurada em 1 974 com
apenas alguns trechos construídos e logo a seguir abandonada. Sobre ela dizia-se que era o elo de ligação entre o "nada" e o
"coisa alguma".

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AS FERROVIAS
A extensão ferroviária total no Brasil é de 29 833 km, distribuídos da seguinte forma:
Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA): controla 74% de toda a extensão de vias férreas do país, ou seja, 22 067
km, englobando inúmeras estradas de ferro, tais como:
- Estrada de Ferro Central do Brasil, criada em 1855 como E.F. Dom Pedro 1, é a segunda do país em volume de carga
transportada;


- Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, de
1905, vai de Bauru (São Paulo) até Corumbá
(Mato Grosso do Sul) e daí segue com o
nome de E.F Brasil-Bolívia até Santa Cruz
de La Sierra, no interior boliviano;
- Estrada de Ferro Santos-Jundiai, criada
em 1868, tem apenas 139 km de extensão.

Ferrovias Paulistas S.A. (FEPASA):
controla 1 6,5% das vias férreas, ou seja, 4
899 km, englobando vários ramais, como a
E.F. Sorocabana (1875) e a Companhia
Mogiana (1871), que alcança o Triângulo
Mineiro;

Ferrovias isoladas: correspondem aos 2
867 km restantes, englobando a E.F. Carajás,
pertencente à Companhia Vale do Rio Doce,
a E.F. Vitória-Minas, a primeira do país em
volume de carga e que também pertence à
Companhia Vale do Rio Doce, e a E.F. do
Amapá, que escoa o minério de manganês da
serra do Navio.

A Rede Ferroviária Federal (RFFSA)
está passando por um processo de privatização. A fim de facilitar a venda, o governo dividiu toda a rede em seis partes:
Malha Oeste, Malha Centro Oeste, Malha Sudeste, Malha Sul, Malha Nordeste e Malha Teresa Cristina.



16 - A POPULAÇÃO BRASILEIRA

J á sabemos que a população humana é o número ou a
quantidade de pessoas que habitam um determinado
espaço geográfico.
Dependendo do conjunto ou segmento a que se refere
a população pode ser:

- absoluta e relativa, quanto ao espaço territorial
ocupado.

- local, regional, continental e global, quanto a
extensão do espaço geográfico; municipal, estadual e
nacional, quanto a extensão do espaço territorial da
unidade pública.

- rural e urbana, quanto a distribuição geográfica, no
campo e na cidade; economicamente ativa e não
economicamente ativa quanto a sua distribuição e
participação nas atividades econômicas de produção e de
trabalho.

- jovem, adulta e velha (ou senil), quanto a idade;
masculina e feminina, quanto ao sexo, na sua estrutura.

- branca, negra, amarela e mestiça, quanto as
diferentes tipologias étnicas das pessoas.

- dos vários segmentos culturais, religiosos, sociais
etc., sejam eles maiorias ou minorias.




POPULAÇÃO ABSOLUTA
População absoluta é o número total de habitantes de
um espaço geográfico ou territorial. Em função da
dimensão ou extensão do espaço geográfico ou
territorial, a população absoluta, também chamada de
efetivo demográfico ou efetivo humano pode ser:

local, regional, continental e global, respectivamente.
municipal, estadual e nacional, politicamente.

O calculo da população absoluta é feito através de
censos (ou recenseamentos) demográficos E de
estimativas ou projeções populacionais.


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PAÍSES MAIS POPULOSOS DO MUNDO
MAIS POPULOSOS 1000 HAB.
- China 1.155.100
- Índia 975.800
- EUA 273.800
- Indonésia 206.500
- Brasil 161.800
- Paquistão 147.800
Fonte Almanaque Abril - 98 e 99

O Brasil e o 5º país mais populoso do globo, contudo
sua população relativa ou densidade demográfica é baixa
em relação a outros países do globo ( 18,93 hab/Km
2
).
A distribuição populacional pelas regiões brasileiras
é bastante desigual, conforme tabela abaixo:



GRANDES
REGIÕES
ÁREA (Km
2
) POPULAÇÃO (hab) DENSIDADE
hab./Km
2

NORTE 3.869.637,9 11.868.725 3,07
NORDESTE 1.561.177,8 45.811.342 29,34
CENTRO-OESTE 1.612.077,2 10.994.821 6,82
SUDESTE 927.286,2 68.961.343 74,37
SUL 577.214,0 24.154.080 41,85
BRASIL 8.547.403.,5 161.790.311 18,93
Fontes: Almanaque Abril 1999 e Anuário estatístico do brasil (IBGE) - 1997


POPULAÇÃO RELATIVA ou DENSIDADE
DEMOGRÁFICA -

A densidade demográfica ou população relativa é o
número de habitantes por quilometro quadrado n.º

hab.
/Km
2
. Para se obter esse numero dividimos o valor da
população absoluta pelo valor da área do espaço
geográfico ou territorial ocupado por essa população.

PAÍSES MAIS POVOADOS DO MUNDO
MAIS POVOADOS HAB./Km
2

- Mônaco 16.359
- Cingapura 5.460
- Malta 1.185
- Maldivas 946
- Bareim 876
- Bangladesh 861
Fonte: Almanaque Abril 1999


17 - ESTRUTURA ÉTNICA DA POPULAÇÃO.

Um dos traços mais característicos da estrutura
étnica da população brasileira é a enorme variedade de
tipos, resultantes da intensa mistura de raças. Esse
processo vem ocorrendo desde o início de nossa história.
Três grupos étnicos básicos deram origem a
população brasileira: o branco, o negro e o índio. O
contato entre esses grupos começou a ocorrer nos
primeiros anos da colonização, quando os brancos
(portugueses) aqui se instalaram, aproximando-se dos
indígenas (nativos) e trouxeram os escravos negros
(africanos).
A miscigenação ocorreu de forma relativamente
rápida já nesse período, dando origem aos inúmeros
tipos de mestiços que atualmente compõem a população
brasileira. Segundo os dois últimos recenseamentos, a
distribuição é a seguinte:

GRUPOS ÉTNICOS NA POPULAÇÃO TOTAL
ETNIA 1980 1991
Brancos 54,7% 55,3%
Negros 5,9% 4,9%
Índios 0,6% 0,5%
Mestiços 38,5% 39,3%
Fonte IBGE

As regiões Sul e Sudeste são as que apresentam as
maiores proporções de brancos no conjunto de suas
populações.
As regiões Nordeste e Sudeste são as que
apresentaram a maior concentração de negros, por
serem arcas onde a mão-de-obra escrava era muito
utilizada.
As regiões do Nordeste e Sudeste, apresentam
também grande concentração de mulatos em sua
população, devido a forte presença dos negros.
As regiões Norte e Centro-Oeste abrigam os poucos
indígenas que restaram no Brasil, embora eles possam
ser encontrados em números extremamente reduzidos
em todas as outras regiões brasileira. Nas regiões
interioranas do pais encontramos os caboclos (mestiços
de brancos e índios) e nas regiões da Amazônia, Centro-
Oeste e no Nordeste particularmente no Maranhão,
encontramos os cafuzos.
A população amarela está representada pelos
imigrantes asiáticos (japoneses em especial) e indígenas.
A mistura racial entre os elementos formadores do
povo brasileiro resultou em três tipos: mulato, caboclo e
cafuzo.

branco +negro = mulato
branco +índio = caboclo ou mameluco
negro +índio = cafuzo, caboré ou curiboca


18 - POPULAÇÃO RURAL E POPULAÇÃO
URBANA

Essa forma de distribuição da população é o melhor
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indicador do grau da intensidade de ocupação e de
povoamento do espaço geográfico.

No Brasil, a população rural foi mais numerosa e
predominou até 1960. No Censo de 1970 já se constatou
o predomínio numérico da população urbana, com 56%
do total nacional.

Em conseqüência do surto urbano-industrial que
ocorreu em nosso país, nestas últimas décadas, a
distribuição rural-urbana da população brasileira se
apresentava, em 1995, com:

- 78,36% de população urbana e 21,64% de
população rural;

- predomínio da população urbana em todas as
grandes regiões, especialmente no Sudeste e Centro
Oeste;



CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO BRASI1EIRA

ANO POPULA
ÇÃO
CRESC. TN % TM% CNV% TF
DO ABSOLUTA NO
PERÍODO
POR POR POR
CENSO PESSOAS % MIL MIL CENTO
1872 9930478 44,34 46,50 30,20 1,63 8,86
1890 14333915 21,65 46,00 27,80 1,82 7,70
1900 17438434 75,68 45,00 26,40 1,86 7,43
1920 30635605 34,60 44,00 25,30 1,87 6,57
1940 41236315 25,97 44,40 20,90 2,35 6,16
1950 51944397 34,90 43,20 14,20 2,90 6,21
1960 70070457 32,92 38,70 9,80 2,89 6,28
1970 93139037 27,77 33,00 8,10 2,49 5,76
1980 119002706 23,45 31,87 8,87 2,30 4,35
1991 146917459 13,18 23,02 7,12 1,59 2,70
1996 157080000 6,92 19,80 6,00 1,38 2,40
2000 165000000 5,00 18,00 6,00 1 ,20 2,16
LEGENDAS:
TN =taxa de natalidade
J M =taxa de mortalidade
CNV =índice de crescimento natural ou vecetativo
TF =taxa de fecundidade
Fonte: Anuário estatístico do brasil 1996 do IBGE e Almanaques Abril 1995 e 98


Foram relativamente moderados, abaixo de 2% ao
ano, entre 1872 e 1940, quando as taxas de natalidade e
de mortalidade eram elevadas, acima de 40 % e 20 %,
respectivamente;
Se elevaram, progressivamente, nesse período (1872-
1940), pois as reduções foram bem acentuadas nas taxas
de mortalidade e quase que imperceptíveis nas de
natalidade;
Foram elevados, superiores a 2% ao ano, a partir de
1940 e até 1980, com quase 3% ao ano nas décadas de
50 e 60, novamente porque as reduções nas taxas de
natalidade não foram tão acentuadas quanto nas de
mortalidade;
Declinaram nas últimas décadas do século XX,
apesar das quedas acentuadas nas taxas de mortalidade
mas, agora sim, devido a queda mais acentuada nas taxas
de natalidade e de fecundidade;
J á são inferiores a 2% ao ano, de apenas 1,93% em
1991, e vão baixar ainda mais, o que significa que
estamos na segunda parte da transição demográfica que
já aconteceu, muito anteriormente, nos países hoje
desenvolvidos e ricos.


19 - A IMIGRAÇÃO NO BRASIL

Em todo o período colonial, que foi pouco superior a
300 anos, no qual o Brasil esteve sob o domínio de
Portugal, era proibida a entrada de "estrangeiros" no
nosso espaço territorial. Por essa razão, não se pode falar
em imigrantes nesse período, pois não existia essa
condição ou qualificação.
Ao longo desses três séculos, as muitas dezenas de
milhares de pessoas que aqui chegaram e permaneceram,
ainda que por pouco tempo, não eram imigrantes.
Mesmo assim, muitos aqui chegaram e se estabeleceram,
especialmente os:

• portugueses, que eram os colonizadores, em
missões oficiais e nas condições de bandidos
(degredados) expulsos de Portugal e, também, os
cristãos novos (judeus portugueses);

• franceses e holandeses como invasores;

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27
• negros de origem africana que,
vergonhosamente foram negociados, traficados e
trazidos para o nosso país
na condição de escravos;

• aventureiros de várias nacionalidades,
marinheiros desertores e náufragos.

Somente em 1808, quando o Brasil foi elevado à
condição de Vice Reino e se tornou a sede da monarquia
portuguesa, com a chegada da Família Real, e D. J oão
VI promulgou a lei autorizando a posse de terras por
estrangeiros, é que a imigração no pais foi incentivada e
praticada oficialmente.

Recorreu-se então, à imigração naquela época para:
• ocupar e povoar a região Sul do país garantindo o
domínio sobre esse espaço territorial que já era alvo da
cobiça de castelhanos;

• “branquear” ou “clarear” a pele da população
brasileira que naquele tempo era majoritariamente negra.


Os primeiros imigrantes brasileiros foram os suíços-
alemães que aqui chegaram em 1.818, se estabeleceram
no espaço territorial do que é o atual estado do Rio de
janeiro e fundaram o núcleo colonial que deu origem à
cidade de Nova Friburgo.
O crescimento do mercado de trabalho rural causado
pela expansão da nossa lavoura cafeeira, nas últimas
décadas do século XIX, determinou a necessidade de se
recorrer à mão-de-obra do imigrante em substituição à
mão-de-obra dos escravos.
A imigração no Brasil começou muitas décadas antes
das leis abolicionistas. Mas foi a abolição da escravatura
propriamente dita, com a Lei Áurea (1.888) que lhe deu,
de fato, o grande impulso tornando-a numericamente
significativa no crescimento da nossa população.

Durante mais de 160 anos recebemos imigrantes de
diversas origens. Dentre os povos que aqui se
estabeleceram destacaram-se, em correntes migratórias,
os:
Suíços-alemães, que em 1.818 se instalaram na
região serrana do Rio de Janeiro, fundando o núcleo
colonial que deu origem a cidade de Nova Friburgo;
Alemães, que a partir de 1824 se instalaram no
Rio Grande do Sul, nos vales dos rios Caí e dos Sinos,
fundando a cidade de São Leopoldo e,
principalmente, entre 1.850 e 1.870, em Santa Catarina,
no litoral e no Vale do Itajaí, fundando as cidades de
Blumenau e J oinville, ocupando-se da policultura de
produtos alimentares em pequenas propriedades e de
atividades industriais têxteis, de cerâmica e de couros;
Italianos, que a partir de 1.871 se instalaram,
inicialmente na região serrana do Rio Grande do Sul
fundando as cidades de Caxias do Sul e Bento
Gonçalves e dedicaram-se á vinicultura e,
posteriormente, de 1.887 a 1.914, no interior de São
Paulo, onde dedicaram-se ao trabalho nas lavouras de
café;
Eslavos de origem russa, polonesa, ucraniana e
iugoslava que entre 1.875 e 1.890 se instalaram no
Paraná, inicialmente nas proximidades de Curitiba e de
Ponta Grossa e, mais tarde, no vale do rio Ivai,
dedicando-se às plantações de batata e as atividades da
indústria madeireira;
Japoneses que, a partir de 1.908, se instalaram
em São Paulo, ocupando-se de diversas atividades na
agricultura, nas granjas e cooperativas; mais
recentemente nas indústrias e no setor de prestação de
serviços nas cidades. Instalaram-se, também, na
Amazônia, onde implantaram o cultivo de pimenta-do-
reino no Pará, na região de Tomé-Açu, e de juta, no vale
médio do rio Amazonas.
Vieram muitos outros imigrantes, especialmente os
espanhóis e os portugueses, ao longo desses tempos de
imigração mas sem caracterizarem, propriamente, um
período de maior fluxo. Mais recentemente vieram, em
números significativos, os coreanos, que se dedicam ao
comércio, principalmente nas cidades de São Paulo e
Rio de J aneiro.
Os árabes, especialmente os sírios e libaneses, na
maioria, chegaram ao Brasil, como migrantes, entre
1.860 e 1.890.

Esses imigrantes se estabeleceram, inicialmente, na
região da Amazônia, onde se dedicaram ao comércio da
borracha. Mais tarde, na região do Centro-Sul do país,
especialmente nos estados de São Paulo, Rio de J aneiro
e Minas Gerais, eles se dedicaram ao comércio de miu-
dezas, roupas e tecidos.


20 - A EMIGRAÇÃO NO BRASIL

O Brasil foi historicamente um país de imigração. A
emigração, que é a saída de pessoas do país, nunca foi
significativa em termos numéricos. No entanto, desde a
ultima década essa situação tem se modificado.
A emigração de brasileiros é hoje um fenômeno
muito marcante, seja pelo inusitado, seja pelas
dimensões que tomou. De 1.985 até agora, estima-se que
o Brasil tenha perdido cerca de 3 milhões de habitantes,
sendo 1,7 milhão na emigração legal e mais 1,2 milhão
de saídas clandestinas. Esse numero corresponde a 2%
da população do país.
A distribuição dos brasileiros pelos diversos países
do mundo mostra uma tendência de concentração em
apenas alguns deles. Observe o quadro:

Brasileiros no exterior
País Emigrantes (em milhares)
Estados Unidos 850
J apão 180
Itália 32
Portugal 24
Reino Unido 11
Estimativas da Polícia Federal


21 - MIGRAÇÕES INTERNAS

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Uma das características da população brasileira
sempre foi a sua intensa mobilidade. Grandes fluxos
migratórios ocorreram de uma região para outra ao
longo da nossa história.
Todos esses fluxos migratórios sempre se deram por
razões econômicas. O desenvolvimento e a expansão de
novas atividades econômicas num espaço geográfico
tornam essa região um pólo de atração populacional
(mão-de-obra) para o qual se dirigem milhares de
pessoas, de diversas origens, em busca de melhores
condições de trabalho e de vida.
A região de maior dispersão de migrantes internos,
no Brasil, é o Nordeste.

Os grandes fluxos migratórios de nordestinos
ocorreram:

• No século XVII, partindo da Zona da Mata do
Nordeste, devido a decadência da economia canavieira,
com destino ao Sertão do Nordeste e Vale Médio do São
Francisco, onde se expandia a criação de gado;

• No século XVIII, juntamente com paulistas,
com destino á região das Minas Gerais, onde se
desenvolvia a mineração;

• De 1.870 a 1.910, com destino à Amazônia,
onde se desenvolvia a extração de látex (borracha),
período em que conquistamos o espaço territorial do
nosso atual estado do Acre que, anteriormente, pertencia
à Bolívia;
• De 1880 a 1930, juntamente com mineiros, com
destino às zonas de terra roxa de São Paulo e do Paraná,
onde se desenvolvia a cultura cafeeira;

• Na década de 1930, juntamente com mineiros,
com destino ao interior de São Paulo, onde se
desenvolveu o surto algodoeiro;
• Após a Segunda Guerra Mundial, juntamente
com mineiros, com destino aos pólos industriais que se
desenvolveram nas regiões metropolitanas da Grande
São Paulo e da Grande Rio de J aneiro.
Mais recentemente, nestas últimas décadas,
ocorreram dois grandes fluxos de migrantes internos:
• O de nordestinos com destino à Amazônia,
especialmente aos garimpos de Serra Pelada (PA), em
busca de ouro, e para o Sudeste, para o mercado de mão-
de-obra da construção civil que cresceu com o grande
surto de urbanização;
• O de sulistas com destino a Amazônia e ao
Centro-Oeste, com a expansão da nossa fronteira
agrícola.


A TRANSUMÂNCIA

A transumância é o movimento horizontal ou
transladativo da população que se caracteriza pelo
vaivém, ou seja, a retirada ou saída e o retorno ou volta,
em determinadas épocas ou estações do ano.
No Brasil, o movimento de transumância é próprio
do Nordeste. Ele ocorre com os pequenos proprietários
de terras do Sertão que, na época das secas, depois de 19
de março (dia de São José), se movimentam em grandes
contingentes para a Zona da Mata, para trabalhar como
empregados nas grandes plantações, especialmente nas
de cana-de-açúcar.
O retorno dos sertanejos só ocorre com o reinicio da
estação chuvosa, depois de 13 de dezembro (dia de
Santa Luzia), na época de fazer o novo plantio das suas
lavouras.

ÊXODO RURAL
Dentre os movimentos migratórios internos
destacam-se as migrações rural-urbanas, que ocorrem da
zona rural ou campo para as zonas urbanas ou cidades.
As principais causas do deslocamento da
população são:
- estrutura fundiária
- relações trabalhistas
- estatuto do trabalhador rural
- mecanização agrícola
- industrialização
As principais conseqüências deste deslocamento
são:
- aumento do desemprego
- aumento do subemprego
- expansão da habitação precária
- marginalização crescente

MOVIMENTO PENDULAR
Nas grandes cidades, especialmente nos centros
comerciais e industriais onde estão concentrados os
mercados de trabalho, ocorrem fluxos de milhares e
milhares de pessoas em determinadas direções e em


dados momentos. São trabalhadores que moram nos
bairros da periferia e nas cidades ( dormitórios) vizinhas
que, diariamente, se deslocam:
- dos bairros periféricos e das cidades dormitórios
onde moram, para os centros onde trabalham, pela
manhã;
- dos centros onde trabalham, para os bairros e
cidades onde moram, a tarde ou a noite.
Esse vaivém diário do movimento pendular, exige
via de regra, uma infra-estrutura de transportes coletivos
urbanos e interurbanos, muito bem aparelhada e
adequada as necessidades dos espaços geográficos onde
ocorrem tais movimentos, pois eles irão determinar, pela
manhã e pela tarde a hora ou o momento do "rush".

ESTRUTURA DA POPULAÇÃO HUMANA
A população humana é formada por pessoas que se
diferenciam umas das outras pelas suas identidades
naturais, físicas ou biológicas, que são o sexo e a idade.
Dessa forma, a população e constituída ou composta
de:
- homens e mulheres, quanto ao sexo;
- jovens, adultos e idosos ou velhos. quanto à
idade.

DIVISÃO ETÁRIA DA POPULAÇÃO
POPULAÇÃO FAIXA ETÁRIA
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29
J OVEM de 0 a 19 anos
ADULTA de 20 a 59 anos

IDOSA OU SENIL
de 60 anos em diante

TIPOS HUMANOS

A paisagem brasileira é um vasto painel de costumes,
terras, climas e tipos humanos. Ela se estende dos
pampas do Sul aos alagados do Pantanal; da caatinga do
Nordeste as montanhas do interior.
Os tipos humanos mais característicos são:
- seringueiro e regatão na Amazônia
- jangadeiro no litoral nordestino
- vaqueiro sertanejo no interior ou sertão
nordestino
- gaúcho no sul do país
- peões nas fazendas de gado do RS
- bóias frias na região Sudeste na época de safras
(trabalhadores rurais)


22 - SETORES DA ECONOMIA

O setor primário, praticado essencialmente no
espaço rural (campo), formado pelas atividades
agrícolas, criatórias (pecuária) e de extração (vegetal e
animal);

O setor secundário, praticado muito intensamente
nos espaços urbanos (cidades), formado pelas indústrias
de construção e de transformação
1
incluindo, também, as
atividades de extração mineral;

O setor terciário, praticado muito intensamente nas
cidades, formado pelas atividades de comércio e de
prestação de serviços tais como: bancos, cartórios,
escritórios (de advocacia e contabilidade), casas de
diversões e de espetáculos públicos, consultórios
médicos e de odontologia, clínicas médicas,
odontológicas e hospitais, emissoras de rádio e de
televisão, escolas, oficinas de consertos e de assistência
técnica, hotéis e restaurantes, seguradoras, serviços
públicos da administração, da coleta de lixo, da limpeza,
dos transportes etc.
A população economicamente ativa brasileira e da
ordem de mais ou menos de 77 milhões de pessoas ou
seja, 47,5% da população total do pais. Isso significa que
os 52,5% restantes, são sustentados direta ou
indiretamente pela parcela da população que esta
envolvida no mercado de trabalho.

DIST. DA POP. ECON. ATIVA (PEA)
SETOR 1970 1980 1991
PRIMÁRIO 44,2% 29,9% 22,9%
SECUNDÁRIO 17,8% 24,4% 22,7%
TERCIÁRIO 38% 45,7% 54,4%
Fonte: Anuário Estatístico do Brasil – 1995


23 - URBANIZAÇÃO

As cidades:

Cidade é um aglomerado humano concentrado, que
se apresenta com uma determinada organização especial.
As cidades tem sua economia não-dependente da
agropecuária, voltando-se principalmente para o setor
terciário, embora podendo abranger atividades
industriais.
É possível fazer uma classificação das cidades
tomando como referencial a origem e a função urbana.
De acordo com sua origem, consideram-se dois grupos
de cidades:
- naturais ou espontâneas - surgiram, cresceram e
se expandiram sem nenhum plano prévio de
urbanização. Ex.: Rio de J aneiro e São Paulo.
- artificiais ou planejadas - surgiram através de um
plano, percebendo-se uma ordenação interna e uma
racional distribuição das atividades por setores. Ex.
Teresina, Aracaju, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília e
Palmas.
De acordo com a função urbana, que é a atividade
típica da cidade, encontramos:
-industrial- Cubatão, Volta Redonda, São Bernardo
do Campo
-comercial- Feira de Santana, Caruaru e Manaus.
-portuária- Santos , Paranaguá e Cabedelo.
-turística- Guarujá, Camboriú e Araxá.
-religiosa- Aparecida e Bom J esus da Lapa.
-histórica- Ouro Preto e Parati.

HIERARQUIA URBANA

As cidades não se distinguem apenas pela sua
população, mas principalmente pela quantidade e
qualidade de serviços que oferecem. Em função dos
serviços que oferece, a cidade poderá alcançar uma
posição de destaque, exercendo sua influência em todos
os níveis, econômico, político e cultural, polarizando
toda a rede urbana local, regional ou até mesmo
nacional.
A hierarquia urbana apresenta uma divisão em quatro
grandes grupos:

- centro regional- cidade que comanda um pequeno
numero de outras cidades a sua volta. Ex. Ponta Grossa
(PR),Ilhéus (BA), Marabá (PA) e Itumbiara (GO).

- capital regional- cidade que comanda e exerce
influência sobre uma arca maior, composta de vários
centros regionais polarizados em torno de si. Ex.
Blumenau (capital do Vale do Itajai) Londrina (capital
do norte do Paraná), Uberaba e Uberlândia (as capitais
do Triângulo Mineiro).

- metrópole regional - cidade cuja influência
extravasa os limites estaduais, polarizando diversas
capitais regionais. Existem atualmente 11 metrópoles
regionais no pais:
Manaus e Belém no Norte
Fortaleza, Recife e Salvador no Nordeste
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São Paulo, Rio de J aneiro e Belo Horizonte no
Sudeste
Goiânia no Centro-oeste
Curitiba e Porto Alegre no Sul

- metrópole nacional - cidade que comanda toda a
rede urbana nacional No Brasil, há duas metrópoles
nacionais: São Paulo e Rio de J aneiro.
O crescimento rápido da população de algumas
cidades gerou o fenômeno da conturbação, junção dos
sítios urbanos de duas ou mais cidades, ou união
especial de municípios que são distintos em termos
administrativos mas que possuem um fluxo comum de
bens, serviços e pessoas. As conturbações se
caracterizam por apresentar uma paisagem urbana
continua, que dificulta a percepção dos limites
territoriais de cada um dos municípios que as
constituem.


24 - A DIVISÃO REGIONAL

Segundo a Constituição de 1988, o Brasil compõe-se
de 27 unidades políticas, sendo 26 estados e o Distrito
Federal, onde se localiza Brasília, a capital do país.
Desde 8 de maio de 1969, vigora a divisão regional
do país elaborada pelo IBGE: cinco grandes regiões ou
macrorregiões. Os critérios utilizados para distribuir as
unidades da federação pelas regiões foram: análise es-
trutural da população, forma de ocupação do solo,
estrutura hierárquica da urbanização, hábitos e tradições
de produção e consumo, nível cultural médio dos grupos
sociais e estágio de desenvolvimento.

A divisão de 1969, efetivamente implantada a partir
de lº de janeiro de 1970, sofreu algumas modificações:
• 1.977 o estado de Mato Grosso foi dividido em
dois, tendo a porção setentrional mantido o nome
original, enquanto a porção meridional recebeu o nome
de Mato Grosso do Sul;

• 1.982 o território de Rondônia foi promovido
à condição de estado;

• 1.988 os territórios de Roraima e Amapá
foram promovidos à condição de estado, o território de
Fernando de Noronha retornou à condição de

município do estado de Pernambuco e o estado de Goiás
foi dividido em dois: a porção meridional manteve o
nome original e continuou na região Centro-Oeste,
enquanto a porção setentrional recebeu o nome de
Tocantins e passou a fazer parte da região Norte.

Região Unidade Área (Km
2
) Capital
Norte 1-Acre 153697 Rio Branco
3.851.557 Km
2
2-Amazonas 1567953 Manaus
45,3 % do território 3-Rondônia 238378 Porto Velho
Nacional 4- Roraima 225017 Boa Vista
5- Pará 1246833 Belém
6- Amapá 142358 Macapá
7- Tocantins 277321 Palmas
Nordeste 8- Maranhão 329555 São Luís
1552614 Km
2
9- Piauí 251273 Teresina
18,2 % do território 10- Ceará 145693 Fortaleza
Nacional 11-Rio Grande do Norte 53166 Natal
12- Paraíba 53958 J oão Pessoa
13- Pernambuco 101023 Recife
14- Alagoas 29106 Maceió
15- Sergipe 21862 Aracaju
16- Bahia 566978 Salvador
Sudeste 17- Espírito Santo 45733 Vitória
924265 Km
2
18- Rio de J aneiro 43653 Rio de J aneiro
10,8 % do território 19-Minas Gerais 586624 Belo Horizonte
Nacional 20- São Paulo 248255 São Paulo
Sul 21- Paraná 199323 Curitiba
575315 Km
2
6,8 % 22- Santa Catarina 95318 Florianópolis
Território nacional 23- Rio Grande do Sul 280674 Porto Alegre
Centro-Oeste 24- Mato Grosso 901420 Cuiabá
1604850 Km
2
25- Mato Grosso do Sul 357471 Campo Grande
18,9 % do território 26- Goiás 340165 Goiânia
Nacional 27- Distrito Federal 5794 Brasília
(Anuário estatístico do Brasil 1995)

OS COMPLEXOS REGIONAIS

Outra divisão regional do Brasil, que objetiva retratar as disparidades socioeconômicas das diferentes regiões, reco-
nhece três grandes porções bastante diferenciadas entre si: o complexo regional da Amazônia, o complexo regional do
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31
Nordeste e o complexo regional do Centro-Sul.
Uma das principais diferenças entre essa forma de regionalização e a do IBGE é que os limites que separam um
complexo regional do outro não precisam coincidir necessariamente com os limites estaduais, pois
considera-se que os fenômenos sociais e econômicos - critérios fundamentais nessa forma de organização regional -
são extremamente dinâmicos e, por isso, têm uma delimitação espacial que se modifica com o tempo.
É importante lembrar que, como os complexos regionais são muito extensos, eles abrigam áreas menores diferentes
umas das outras. Apesar disso, as suas características comuns permitem o reconhecimento de um único complexo regional.


COMPLEXO REGIONAL DA AMAZÔNIA _
Abrange quase 60% do território nacional, mas apenas cerca de 7% da população. É, portanto, o menos povoado do
país.
Além de ser um imenso vazio demográfico, historicamente esteve quase sempre isolado do restante do país. A
Amazônia tornou-se mais conhecida por sua natureza do que pelas características de sua população ou economia.
Nas últimas décadas, no entanto, o complexo regional da Amazônia tem-se mostrado mais dinâmico. O processo de
ocupação recente é calcado na implantação de vultosos projetos agropecuários e minerais, vinculados ao grande capital
nacional ou transnacional.


COMPLEXO REGIONAL DO NORDESTE

Ocupando pouco mais de 15% do território e
abrigando 25% de nossa população, o complexo regional
do Nordeste é uma área povoada.
A grande questão desse complexo regional não reside
no seu número de habitantes, na sua extensão territorial ou
mesmo no seu quadro natural, que é bastante diversifi-
cado. Seu principal elemento caracterizador, que lhe
confere homogeneidade, é o quadro socioeconômico.
O Nordeste é sem dúvida a porção do pais onde mais
se caracteriza uma economia tradicional, em que os fatores
impeditivos de modernização são muito fortes. Tal
situação fica evidente quando se analisa os indicadores
sociais deste complexo regional.


COMPLEXO REGIONAL DO CENTRO-SUL

O Centro-Sul abrange menos de 25% da área do país,
mas concentra cerca de 68% da população brasileira, sendo o complexo regional mais populoso e povoado.
É também a porção mais dinâmica da economia nacional em praticamente todos os setores de atividade. Nele
concentram-se os investimentos na produção agrária, produção industrial, desenvolvimento tecnológico, pesquisa
científica, infra-estrutura de transportes e energia. É aí, também, que se adensam os serviços, as atividades financeiras e as
sedes das grandes empresas, tanto as de capital nacional quanto as de capital estrangeiro.
Por tudo isso, é a região brasileira que oferece, em média, as melhores condições de vida a seus habitantes. Como o
Centro-Sul concentra a renda nacional, reforça o quadro de grande disparidade entre os complexos regionais.



25 - REGIÃO NORTE

DIVISÃO POLÍTICA

A região Norte é a maior das cinco macrorregiões brasileiras. Com uma área total de 3 851 557 km
2
(45,3% do
território nacional), é composta de sete estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Estado Capital População (nº habitantes) Densidade demográfica
(hab./Km
2

Acre Rio Branco 455200 2,96
Amapá Macapá 326200 2,29
Amazonas Manaus 2320200 1,47
Pará Belém 5448600 4,36
Rondônia Porto Velho 1339500 5,61
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32
Roraima Boa Vista 262200 1,16
Tocantins Palmas 1007000 3,63
(Anuário estatístico d Brasil 1995.)


É importante ressaltar a diferença entre região Norte, que é uma região político-administrativa, e Amazônia, que é um
complexo regional.

O elemento que confere homogeneidade à Amazônia é a paisagem equatorial, independente dos limites estaduais. Por
isso, sua extensão territorial é bem maior, com cerca de 5 milhões de km
2
(quase 60% do território nacional), envolvendo
todos os estados da região Norte (com exceção do extremo sudeste de Tocantins), a quase totalidade do estado do Mato
Grosso, na região Centro-Oeste e mais a metade ocidental do estado do Maranhão, na região Nordeste.



O RELEVO E A HIDROGRAFIA

O relevo da região Norte é caracterizado pelo domínio das terras baixas, como planícies, depressões e planaltos pouco
elevados. As planícies ocupam estreitas faixas de terra ao longo dos rios, como a planície do rio Amazonas, do rio
Araguaia e do rio Guaporé. O restante das terras baixas corresponde às depressões ou aos planaltos sedimentares de baixa
altitude.
Toda essa área de formação sedimentar está encaixada entre planaltos de formação mais antiga, onde encontramos as
maiores altitudes da região e do país, como os picos da Neblina (3 014 m) e 31 de Março (2 992 m), localizados na serra
do Imeri, que faz parte dos planaltos residuais Norte-amazônicos.
A hidrografia é caracterizada pela presença do maior sistema fluvial do mundo, a bacia Amazônica, cujo eixo é o rio
Amazonas, com 7 100 km de extensão, dos quais 3 200 km estão no Brasil. Com mais de 7 mil afluentes, essa bacia
estende-se por terras da Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
Seu desnível no trecho brasileiro é de apenas 82 m, o que favorece a navegação. O transporte fluvial é muito utilizado
pela população regional, já que o rio Amazonas, junto com o baixo curso de seus afluentes, forma um complexo
hidroviário de 25 000 km de percurso navegável.


O CLIMA E A VEGETAÇÃO

O clima dominante é o equatorial úmido, que se estende por toda a região Norte, com exceção do estado de Tocantins e
de trechos do Pará e Roraima.
Sob a influência constante da massa de ar equatorial continental, quente e úmida, a região apresenta médias térmicas
elevadas o ano todo (de 25 a 27
0
C), e amplitude térmica muito pequena, em torno de 2
0
C. Também a pluviosidade é
elevada, variando de 2.000 mm a 2.500 mm anuais, bem distribuídos ao longo do ano.
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As exceções estão no Sudeste do Pará e
estado de Tocantins, onde se observa o do-
mínio absoluto do clima tropical, com tem-
peraturas elevadas o ano todo e chuvas
concentradas no verão, e no Noroeste do
Pará e porção oriental de Roraima, onde
encontramos o clima classificado de
equatorial semi-úmido, com temperaturas
também muito altas o ano todo, mas com
médias pluviométricas menos elevadas e
apresentando uma curta estação seca.
Refletindo esse clima quente e úmido, a
paisagem vegetal dominante se caracteriza
pela presença da mais exuberante
formação florestal do planeta: a floresta
latifoliada equatorial ou Floresta
Amazônica.
Extremamente heterogênea e composta
de espécies latifoliadas (de folhas largas) e
perenifólias (as árvores mantêm suas
folhas o ano inteiro), a floresta é, em função da diversidade, a formação vegetal mais densa e compacta da superfície
terrestre. Estendendo-se por quase metade do território brasileiro, ocupa cerca de 90% da região Norte.

Entre as outras formações vegetais que aparecem na região Norte, destacam-se as matas galerias ou ciliares, no estado
de Tocantins, acompanhando as águas do vale do rio Araguaia; manchas de cerrado nas áreas periféricas da Floresta
Amazônica, em trechos dos estados de Tocantins, Pará, Rondônia, Roraima e Amapá; e algumas pequenas manchas de
campos, dispersas pelo interior da área florestada. No litoral amapaense, em especial, destaca-se a presença dos mangues,
graças ao pequeno desnível altimétrico de suas costas que causa constantes invasões marinhas no litoral.



A OCUPAÇÃO REGIONAL

A ocupação da região se deu historicamente por
intermédio das atividades ligadas ao extrativismo
vegetal e mineral. O primeiro grande surto migratório
ocorreu no período da borracha, entre 1870 e 1910,
quando milhares de nordestinos foram atraídos pelo
trabalho nos seringais, povoando a chamada Amazônia
Ocidental. Esse período somente foi encerrado quando,
nos primeiros anos deste século, a produção britânica de
borracha obtida no Sudeste Asiático praticamente
arrasou com a economia extrativista brasileira.
A descoberta de jazidas minerais nas décadas de 70 e
80 estimulou mais ainda o processo migratório, já que a
produção mineral chamou a atenção de empresas que
passaram a exigir numerosa mão-de-obra. Além disso, a
expansão do garimpo foi outro fator de atração
populacional.


A AGRICULTURA

A agricultura regional é extremamente pobre, tanto
no nível do investimento quanto no rendimento e na
qualidade da produção. O domínio de solos fracos,
ácidos e arenosos, associados a um clima de chuvas
freqüentes e intensas, favorece um forte processo
erosivo, especialmente nas áreas onde a produção
agrícola ocasionou a devastação da mata natural.
Um dos principais produtos da agricultura regional é
a pimenta-do-reino, introduzida e cultivada por
imigrantes japoneses e seus descendentes na Zona
Braganti na, próxima a Belém.
A juta introduzida pelos imigrantes japoneses, hoje é
cultivada pelos diversos grupos que se distribuem pelo
vale médio e inferior do rio Amazonas. A juta é uma
planta fibrosa de uso têxtil cultivada em várzeas, daí sua
concentração às margens do Amazonas, o produto é
utilizado basicamente na indústria de embalagens
(sacaria), com uma produção média de 80 milhões de
sacos por ano.
A malva , planta que fornece fibra para fabricação de
sacos de aniagem, é cultivada em Guajarina, Capitão
Poço e Salgado, no Estado do Pará, que é o maior
produtor nacional.


A PECUÁRIA
A criação de gado na região Norte é caracterizada
por um baixo rendimento, com ocupação média de 0,5
boi por hectare.
Outro aspecto negativo da pecuária regional é sua
lucratividade, se considerarmos a atividade a médio e
longo prazos. É comum afirmar-se que a criação de gado
é menos lucrativa que o extrativismo, pois os produtos
deste se repõem na natureza, enquanto o pasto, com 10
ou 12 anos de uso, rende apenas 50% do seu período
inicial.
A região Norte abriga algumas das maiores
propriedades rurais do planeta; entre elas, destaca-se a
Fazenda J ari, a maior do mundo, com 3 milhões de
hectares, o que eqüivale a 30 mil quilômetros quadrados
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(área superior à do estado de Alagoas). Está localizada
nos estados do Pará e do Amapá, tendo como uma das
laterais as margens do rio Amazonas.
As principais áreas de criação estão dispersas pelo
interior da região, principalmente ao sul do rio
Amazonas, no estado do Pará. Destacam-se também os
campos de criação de Roraima e a pecuária de búfalos,
característica da ilha de Marajó na foz do rio Amazonas.

O EXTRATIVISMO VEGETAL
O extrativismo vegetal na região Norte é sem dúvida
a mais tradicional atividade econômica a que se dedica
grande parte da população, e entre os seus principais
produtos estão a borracha, a castanha-do-pará e as
madeiras.
A borracha, produto derivado do látex encontrado
em várias espécies da Floresta Amazônica, em particular
na seringueira (Hevea brasiliensis), é comum na mata de
várzea dos estados do Acre e do Amazonas.
O castanheiro, do qual se extrai a castanha-do-pará,
é uma das espécies mais altas da Floresta Amazônica,
atingindo de 50 a 60 m, e concentra-se na mata de terra
firme dos estados do Amazonas e do Pará. As principais
áreas de produção e comércio situam-se em torno das
cidades de Humaitá (Amazonas) e Marabá (Pará).
Grande parte da produção é destinada à exportação, sob
a forma de fruto seco ou óleo para diversas indústrias,
em especial a de cosméticos. O porto de exportação é o
de Belém, no Pará, de onde deriva o nome castanha-do-
pará.
A produção de madeiras da região corresponde a
cerca de 25% de toda a produção nacional. A grande
diversidade de espécies da floresta estimula o
extrativismo, mas, por outro lado, representa um grande
obstáculo para a exploração, em função da densidade
vegetal e da dificuldade de transporte. Algumas das
madeiras exploradas: mogno, pau-rosa, andiroba,
angelim, cedro, pau-ferro, boiúna, cumaru etc.
Aparece em Rondônia (RO) Poaia ou ipecacuanha.
Guaraná, em Maués (AM)

PESCA
A pesca é a atividade desenvolvida nos rios da bacia
Amazônica. Destaca-se a pesca do pirarucu ( o bacalhau
da Amazônia), peixe-boi (baleia de água doce) e de
tartarugas, de carne saborosa.

A MINERAÇÃO
A mineração apresenta grandes possibilidades de
desenvolvimento na região Norte. A atividade tem
sofrido um forte incremento com a implantação, em
vários pontos da região, de empresas mineradoras de
grande porte. Entre as principais áreas, têm-se a serra
dos Carajás, a serra do Navio e Oriximiná.
A serra dos Carajás está localizada entre os rios
Tocantins e Xingu, no sudeste paraense. Abriga uma das
maiores províncias mineralógicas do planeta, com
enormes jazidas de minério de ferro (a primeira do mun-
do), manganês, cobre, bauxita, ouro, níquel, estanho, etc.

Ocorrências minerais em Carajás
Minério Reserva estimada (em
milhões de toneladas
Ferro 18000
Cobre 1000
Níquel 125
Manganês 60
Bauxita 50
(Companhia Vale do Rio Doce.)
A descoberta de minérios na serra dos Carajás se deu de forma acidental, em 1 967, por um geólogo da Companhia
Meridional de Mineração, empresa pertencente ao grupo americano United States Steel.
O projeto de maior importância foi o Grande
Carajás, visando à extração, transporte e exportação
dos minérios de ferro e manganês. Os investimentos
superaram a casa dos 5 bilhões de dólares, com a
instalação da usina hidrelétrica de Tucuruí, no rio
Tocantins, que deveria atender todas as necessidades
energéticas do projeto; com a construção da Estrada
de Ferro Carajás, que deveria escoar rapidamente a
produção; e com a implantação do moderno porto
Ponta da Madeira, em São Luís (Maranhão), capaz
de receber os maiores navios cargueiros do mundo
com o intuito de levar o minério para o exterior.
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Essas despesas foram todas assumidas pelo Estado, pois
quem iria dirigir a exploração mineral na época seria a
Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), empresa até então de
controle estatal. Atualmente é a maior empresa exportadora de
minério de ferro do mundo.
A serra do Navio, localizada no Amapá, é rica em
manganês, minério utilizado na indústria siderúrgica para
aumentar a elasticidade do aço e na indústria química para a
fabricação de pilhas, além de diversas outras aplicações.
A produção é realizada pela Indústria e Comércio de
Minérios (Icomi), empresa privada criada com caráter
multinacional.)
Oriximiná localiza-se no Norte do Pará, na foz do rio
Trombetas. A produção anual de bauxita (minério de alumínio)
é da ordem de 4 milhões de toneladas, sendo realizada pela
empresa Mineração Rio do Norte, consórcio formado pela
Companhia Vale do Rio Doce e algumas empresas nacionais e
transnacionais
A maior parte da produção é exportada como matéria-prima
bruta, destinando-se a outra parte para a fabricação do alumínio
no país, o que é realizado pelas empresas Albrás e Alunorte, no
Pará, e pela Alumar; no Maranhão. Posteriormente esse
alumínio é exportado como produto semimanufaturado por um
preço maior para os grandes mercados do mundo.
A intensa exploração mineral que vem sendo realizada na
região Norte, apesar de sua importância econômica para o país,
deixa uma herança extremamente negativa para o meio
ambiente: a devastação florestal e a poluição das águas fluviais.
Em Rondônia é explorado Cassiterita (minério de
estanho).


Ferro, explorado nas jazidas da Serra dos Carajás, no Tocantins, próxima a Marabá, considerado como as maiores do
Brasil. O escoamento do minério é feito pelos portos de Itaqui e Ponta da Madeira, em São Luís (Maranhão), através da
Estrada de Ferro Carajás.
Podemos citar ainda o carvão mineral (PA), calcário e ouro (Itaituba), cobre, níquel, salgema (Aveiro), urânio.



A INDÚSTRIA

As possibilidades industriais da região Norte são bastante fortes, contando com dois importantes fatores: a ocorrência
de enormes jazidas minerais e a capacidade energética, já que o potencial hidrelétrico disponível é o maior do país.
A despeito dessas condições positivas, a atividade industrial é pequena e não apresenta grande peso na economia
regional. Limita-se às indústrias mineradoras, à Zona Franca de Manaus e, mais recentemente, à metalurgia do alumínio.
A Zona Franca, instalada em Manaus em 1967, provocou uma industrialização fundada no grande capital privado
nacional e principalmente no capital transnacional. As empresas implantaram unidades de montagem, especialmente do
setor eletroeletrônico, que se beneficiam de isenções fiscais e livre importação de componentes.
A metalurgia do alumínio concentra-se nas proximidades de Belém. Destaca-se o projeto Albrás/ Alunorte, com a
participação de capital brasileiro e japonês.
A produção industrial do alumínio se beneficia das reservas de bauxita de Oriximiná e Carajás e da energia da Usina
Hidrelétrica de Tucuruí, que tem contrato de fornecimento de eletricidade por 20 anos (1984 a 2004).
A Companhia de Petróleo da Amazônia (COPAM) em Manaus, é a única refinaria da Região Norte.

A ELETRONORTE (Centrais Elétrica do Norte do Brasil),é a subsidiária da ELETROBRÁS que controla as usinas
hidrelétricas da Amazônia Legal. Dentre as hidrelétricas destacam-se: Tucuruí, no rio Tocantins (PA), Coaracy-Nunes ou
Paredão, no rio Araguari (Amapá), Curuá-Una, em Santarém, no rio Tapajós(PA), Samuel, em Rondônia, Ituxi, no Acre e
Balbina, no rio Uatumâ (AM).
Órgãos governamentais e privados que atuam na região:

SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia). Criada em 1.966, visa a planejar e coordenar o
desenvolvimento da Amazônia Legal.
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SUFRAMA (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Tem como objetivos: incrementar o livre comércio de
mercadorias nacionais e estrangeiras, implantar um distrito industrial e agropecuário e desenvolver o comércio e o turismo.

PROTERRA ( Programa de Redistribuição de Terras e de Estímulos à Agroindústria do Norte e Nordeste). Tem como
objetivos: apoiar o pequeno produtor, criar melhores condições de emprego e mão-de-obra, favorecer a agroindústria no
Norte e Nordeste, realizar a redistribuição de terra (Reforma Agrária).

BASA ( Banco da Amazônia S/A). Promove o desenvolvimento econômico da Amazônia Legal, financiando campos
cultivados, florestas de seringueiras e castanheiras, lavouras de pimenta-do-reino, fazendas de criação de gado etc.

COPAM ( Companhia de Petróleo da Amazônia) Constitui-se na única refinaria da Região Norte do país.


26 - REGIÃO CENTRO-OESTE

DIVISÃO POLÍTICA

O Centro-Oeste é a segunda macroregião brasileira em área territorial, possuindo 1 604 850 km
2
(18,9% da área do
país). É formada por três estados: Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul além do Distrito Federal, onde se localiza
Brasília, a capital do país.

Unidade da federação Capital População (nº
habitantes)
Densidade demográfica
(hab./Km
2
)
Goiás Goiânia 4308400 12,66
Mato Grosso Cuiabá 2313600 2,56
Mato Grosso do Sul Campo Grande 1912800 5,35
Distrito Federal Brasília 1737800 299,93





A região Centro-Oeste foi a que sofreu maior
alteração na sua divisão interna nas últimas décadas.
Até meados da década de 50 esse espaço
correspondia a apenas dois estados brasileiros, Goiás
e Mato Grosso, que juntos ocupavam uma área de
quase 1,9 milhão de km
2
.
As mudanças começaram a ocorrer em 1956,
quando o Governo Federal ocupou
5 794 km
2
do estado de Goiás a fim de implantar
o Distrito Federal e construir a nova capital do país,
Brasília. Em 1977, o estado de Mato Grosso foi
repartido em dois, originando Mato Grosso do Sul.
Finalmente em 1988, foi a vez de o estado de Goiás
ser dividido para se criar Tocantins, o que significou
a perda de 277 mil km
2
de área do Centro-Oeste para
a região Norte, na qual o novo estado foi agrupado.


Em relação ao aspecto geoeconômico da região, o que se observa é uma grande desigualdade entre as porções norte e
sul, de tal forma que encontramos áreas do Centro-Oeste fazendo parte de dois complexos regionais.
A maior parte do território do estado de Mato Grosso compreende o complexo regional da Amazônia. Isso se deve
tanto a elementos do quadro natural, como o clima e a vegetação, quanto às suas características demográficas e
econômicas, que constituem cena das mais precárias: a população rarefeita se dedica a atividades tradicionais, como o
extrativismo vegetal, a agricultura itinerante e a pecuária extensiva.
O restante do Centro-Oeste, que inclui a porção mais meridional do estado de Mato Grosso e a totalidade dos estados
de Goiás e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal, faz parte do complexo regional do Centro-Sul, a porção mais
dinâmica do território brasileiro, onde as condições socioeconômicas são em geral melhores.


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O RELEVO E A HIDROGRAFIA

Predominam as formas tabulares, também
denominadas chapadas, que funcionam como grandes
divisoras de água entre as principais bacias hidrográficas
brasileiras.
É possível analisar o relevo regional dividindo-o em
quatro grandes grupos:
planaltos antigos: formados por rochas cristalinas
do Pré-cambriano, recobertas em sua maior parte por
sucessivas camadas de rochas sedimentares, que
originaram formas tabulares de relevo, ou seja, as
chapadas cristalinas.
planaltos recentes: onde se encontram os solos de
terra roxa, bastante férteis. Ocupam o Sul de Goiás e a
porção oriental do Mato Grosso do Sul.
depressões: correspondem à forma de relevo com o
maior número de unidades no Centro-Oeste. Distribuem-
se por toda a região, sobretudo nas áreas banhadas por
grandes rios;
planícies: a mais típica planície brasileira é a do
pantanal Mato-grossense, situada no Sudoeste da região,
ocupando uma área de 150 mil km
2
. No verão, o
pantanal é inundado pelas águas do rio Paraguai, mas no
inverno, quando as águas recuam, a planície se cobre de
vegetação rasteira. Na divisa entre Goiás e Tocantins, no
alto Araguaia, há um pequeno trecho de planície, que se
estende por todo o vale, inclusive pela região Norte.

A região Centro-Oeste, em função de sua posição
geográfica central e de seu relevo de serras e chapadas,
transformou-se na principal área formadora e divisora de
nossas bacias hidrográficas: Amazônica, do Tocantins-
Araguaia e Platina.

As nascentes de alguns dos mais importantes
afluentes da margem direita do rio Amazonas estão
localizadas no Centro-Oeste, como o Guaporé, que
forma o Madeira, o J uruena e o São Manuel, que
formam o Tapajós, e o Xingu, que nasce em Mato Gros-
50 e após percorrer quase 3 000 km desemboca no rio
Amazonas.


A bacia do Tocantins-Araguaia tem sua origem no
interior do Centro-Oeste, pois os dois rios nascem em
Goiás. O rio Araguaia nasce na serra dos Caiapós, no
Sudoeste do estado, e o rio Tocantins nasce na serra
Dourada, no Sudeste goiano. O encontro dos dois rios se
dá somente na divisa entre os estados de Tocantins e do
Pará, na região Norte.
No Brasil, a bacia Platina é subdividida em três
bacias menores: a do rio Paraná, a do rio Paraguai,





localizadas em sua maior parte no Centro-Oeste, e a do
rio Uruguai.
O rio Paraguai, cujas nascentes ficam na serra do
Araporé, no estado de Mato Grosso, recebe águas de
diversos afluentes, entre eles os rios Cuiabá, Taquari e
Miranda. Esse rio é responsável pela drenagem de toda a
planície do pantanal Mato-grossense.
O rio Paraná separa o estado de Mato Grosso do Sul
dos estados de São Paulo e Paraná. Um dos seus
formadores, o rio Paranaíba, faz a divisa entre os estados
de Goiás e Minas Gerais.


O CLIMA E A VEGETAÇÃO

O clima dominante e do tipo tropical, com duas estações bem definidas: verão chuvoso e inverno seco. As, temperatu-
ras são elevadas o ano todo. E importante ressaltar que a diferença entre essas duas estações é muito bem marcada, pois
durante o verão verifica-se a ocorrência de chuvas freqüentes e intensas, mas concentradas em um curto período do ano. O
inverno, por sua vez, é extremamente seco, com a umidade relativa do ar atingindo valores tão baixos que chegam até a
causar sérios problemas de saúde à população.

Na porção setentrional da região, principalmente no Norte e Noroeste do estado de Mato Grosso, aparece o clima
equatorial úmido, com temperaturas elevadas e chuvas intensas o ano todo, e na porção meridional, no Sul do estado de
Mato Grosso do Sul, na área cortada pelo trópico de Capricórnio, verificamos a ocorrência do clima tropical de altitude,
com temperaturas mais baixas no inverno e chuvas concentradas no verão.
A vegetação dominante na região Centro-Oeste é o cerrado, característico do clima tropical. Trata-se de uma formação
arbustiva, ou seja, vegetação de pequeno porte, que se apresenta com o tronco e os galhos bastante retorcidos e recobertos
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por uma grossa camada de cortiça. Espalha-se por uma extensa área no interior do Centro-Oeste, inclusive alcançando
terras de outras regiões brasileiras.
Além dessa formação arbustiva dominante, ainda encontramos áreas de floresta equatorial ao norte, matas galerias
acompanhando alguns rios na porção oriental da região e formações de campos no extremo sul de Mato Grosso do Sul.
Merece um destaque especial a vegetação da planície do pantanal Mato-grossense. Nessa planície, em função de suas
condições naturais muito particulares, aparecem associadas espécies vegetais dos mais diversos tipos, ou seja, florestais,
arbustivas e herbáceas, caracterizando a formação vegetal denominada complexo do Pantanal.

O QUADRO HUMANO
Com uma população absoluta de 10 272 600 habitantes, o Centro-Oeste é a região menos populosa do país, tendo to-
mado 9 lugar da região Norte na década de 80.
Sendo a segunda região brasileira em área territorial e a quinta em população absoluta, o Centro-Oeste é pouco
povoado, com uma densidade demográfica de apenas 6,4 habitantes por quilômetro quadrado.
O Centro-Oeste constitui um vazio demográfico. Sua população, porém, encontra-se irregularmente distribuída. Há
áreas cuja densidade demográfica ultrapassa 1 00 hab./km
2
, como a porção meridional do Mato Grosso e de Goiás e a
porção oriental do Mato Grosso do Sul, mas há também imensidões vazias, onde as densidades são inferiores a 1 hab./km
2
,
como o Norte e o Noroeste de Mato Grosso, Norte de Goiás ou em trechos do pantanal Mato Grossense.
A criação de Brasília, em 1.960 trouxe importantes alterações no Planalto Central entre elas:
- Aumento da população regional
- Surgimento de um importante sistema de comunicações
- Surgimento de um importante mercado consumidor
- Criação de um centro tecnológico e científico (Universidade de Brasília)
Algumas rodovias:
As novas vias de circulação (estradas) têm trazido efeitos benéficos no povoamento e nas atividades econômicas. J unto
às rodovias Belém-Brasília, Cuiabá-Santarém, e Cuiabá- Porto Velho surgiram diversos núcleos de população (frentes
pioneiras).
Principais cidade:
- Brasília (DF) capital federal, situada no Planalto Central
- Goiânia e Anápolis (GO)
- Campo Grande e Corumbá (MS)
- Cuiabá (MT)

A AGROPECUÁRIA

A região Centro-Oeste tem sua história de ocupação econômica fortemente relacionada à agropecuária, pois os
primeiros contingentes populacionais que para lá se dirigiram,
no século XVIII, instalaram fazendas de gado e de produção
agrícola.
Mesmo com as transformações que foram ocorrendo na
economia nacional, com a agro exportação cafeeira e a
industrialização, a região Centro-Oeste manteve a sua ativida-
de de produtora agropecuarista sempre voltada para o mercado
interno, para o abastecimento das áreas mais dinâmicas do
país. Nas últimas décadas no entanto, sua economia
agropecuarista passou a se voltar também para os grandes
mercados mundiais. Hoje o Centro-Oeste é um grande
fornecedor de produtos agropecuários, como grãos (soja e
arroz) e carne, para as indústrias alimentícias do Centro-Sul e,
especialmente de soja, para o mercado externo.
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A agricultura do Centro-Oeste vem aumentando rapidamente sua participação no total da produção brasileira em
função de diversos fatores. O aumento da produtividade das áreas tradicionais que se modernizam com investimentos em
máquinas, equipamentos e recursos técnicos de fertilização e correção de solos é um deles. Outro fator é a incorporação de
novos espaços que até bem pouco tempo ou eram dedicados a uma lavoura rudimentar de subsistência, ou eram áreas não
aproveitadas economicamente, mas que agora, com as chegadas das frentes pioneiras, vão sendo integrados a uma
economia mais dinâmica.
Entre as principais áreas agrícolas, destacam-se Campo Grande e Dourados (Mato Grosso do Sul), centros produtores
de soja e trigo. Em Goiás, sobressai a região denominada “mato grosso de Goiás”, ao sul de Goiânia, com a produção de
soja, algodão e feijão, e o vale do Paranaíba, no Sudeste goiano, onde se tem algodão e arroz.
Com relação à pecuária, é importante dizer que a região detém cerca de 1/4 de todo o rebanho bovino brasileiro. Essa
participação tende a aumentar, graças a uma série de fatores favoráveis, tanto de ordem natural, como o relevo de
topografia plana e a vegetação aberta do cerrado, como de
ordem político-econômica abertura de estradas, formação de pastos
e melhoria genética dos rebanhos.
O sistema de criação que predomina é o extensivo, tendo em
vista que a região dispõe de grandes espaços e é, ao mesmo tempo,
um enorme vazio demográfico. O objetivo mais importante é a
produção de carne para as indústrias frigorificas do Centro-
Sul. A principal área de criação está no pantanal Mato-grossense,
onde, além dos bovinos, também são criados bufalinos, com os
mesmos objetivos econômicos e sob as mesmas condições de
criação.


MINERAÇÃO E INDÚSTRIA

A produção de minérios, é ainda pouco significativa quando
comparada à de outras regiões brasileiras, como o Norte e o
Sudeste.
Entre as ocorrências registradas, merecem destaque as
produções de ferro e manganês encontrados no maciço de
Urucum, no interior do pantanal Mato-grossense.
A extração é feita pela Companhia Vale do Rio Doce, com a
maior parte da produção direcionada para o mercado externo, repre-
sentado pelos vizinhos Paraguai, Argentina e Uruguai. O escoamento para esses países se faz pelo porto de Corumbá, em
Mato Grosso do Sul, e pela navegação fluvial no rio Paraguai, que é navegável em toda a sua extensão.
Entre as outras reservas minerais da região, destaca-se a de níquel, importante recurso para a indústria do aço, que tem
sua maior ocorrência na cidade de Niquelândia, ao Norte de Goiás. Essa reserva é responsável por 80% da produção
brasileira do minério:
Em Cristalina e Pium (GO) extrai-se cristal-de-rocha (quartzo).


EXTRATIVISMO VEGETAL

No extrativismo vegetal, sobressaem a extração de látex (borracha) e de madeiras poaia, babaçu, castanha-do-pará em
geral, na porção setentrional da região, e de erva-mate (Porto Murtinho), quebracho e angico e madeiras, na porção
meridional.
O setor industrial é muito precário e se restringe às atividades ligadas à produção agroextrativa, como as indústrias de
beneficiamento de arroz, pequenos frigoríficos, indústrias de couro, além de algumas metalúrgicas e madeireiras, que, no
conjunto, absorvem um pequeno contingente de mão-de-obra e se utilizam de equipamentos e recursos técnicos pouco
avançados. Nessas condições, é pouco significativa a participação da produção industrial regional:

TRANSPORTES
Principais rodovias: Bernardo Sayão (Belém-Brasília), Cuiabá-Santarém e Transpantaneira (Corumbá-Poconé).
O Transporte fluvial na bacia do rio Uruguai assume grande importância no Centro-Oeste brasileiro.


ÓRGÃOS QUE ATUAM NO CENTRO-OESTE.

SUDECO (Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste). Apóia os Estado de Goiás (GO), Mato Grosso
(MT), e Mato Grosso do Sul (MS) e o Distrito Federal.

PRODOESTE (Programa de Desenvolvimento do Centro-Oeste) Visa dotar a região de estradas, armazéns (silos) ,
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usinas de beneficiamento e frigoríficos, bem como desenvolver a agroindústria. Seu objetivo principal é construir uma
rede rodoviária básica para fortalecer a economia regional.

POLOCENTRO (Programa de Desenvolvimento do Cerrado). Visa a desenvolver a agricultura e pecuária do Centro-
Oeste brasileiro e região do Triângulo Mineiro.

POLONOROESTE (Programa que atua nos Estados de Rondônia e Mato Grosso).

PRODEPAN (Programa de Desenvolvimento do Pantanal Matogrossense).

SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). Apoia a Região Norte e parte setentrional do Mato
Grosso.


27 - REGIÃO NORDESTE

DIVISÃO POLÍTICA

A região Nordeste possui 1 552 614 km
2
(18,2% do território nacional), sendo a terceira macroregião mais extensa do
país. E a mais subdividida politicamente, possuindo nove estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba,
Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Estado Capital População (n.º habitantes) Densidade demográfica
(hab./Km
2
)
Alagoas Maceió 2685400 92,26
Bahia Salvador 1264600 22,30
Ceará Fortaleza 6714200 46,08
Maranhão São Luís 5231300 15,87
Paraíba J oão Pessoa 3340000 61,89
Pernambuco Recife 7445200 73,69
Piauí Teresina 2725000 10,84
Rio Grande do Norte Natal 2582300 48,57
Sergipe Aracaju 1605300 73,42
(Anuário estatístico do Brasil 1995.)

A presença de um grande número de unidades políticas na região se deve muito mais aos aspectos históricos do que às
diferenças na paisagem natural ou mesmo às dimensões dessas unidades. O Nordeste foi a primeira região do Brasil a ser
ocupada pelos portugueses, que com a chegada de Pedro Alvares Cabra em 1 500 trouxeram os primeiros colonizadores.



O RELEVO E A HIDROGRAFIA

O relevo nordestino subdivide-se em sete
unidades, sendo quatro planaltos, duas
depressões e uma planície, porém apenas três
delas apresentam uma extensão territorial sig-
nificativa.
Entre as formações planálticas, destacam-se
os terrenos sedimentares dos planaltos e
chapadas da bacia do Parnaíba, que ocupam
grande parte da porção ocidental do Nordeste,
especialmente na faixa que compreende os
estados do Maranhão e do Piauí, onde
encontramos a chapada do Ibiapaba. A seguir,
destacam-se os terrenos pré-cambrianos dos
planaltos e serras do Atlântico-leste-sudeste
ocupando o Centro-Sul da Bahia com a
presença marcante da chapada Diamantina. Em
menores proporções, surgem os terrenos pré-
cambrianos dos planaltos e serras de Goiás-
Minas no Oeste baiano. O planalto da
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Borborema está localizado na porção oriental do Nordeste, particularmente no estado de Pernambuco. Suas altitudes su-
peram os 1 000 m.
Entre as duas depressões, a de maior realce é a depressão Sertaneja e do São Francisco, que ocupa uma grande área na
porção Centro-Leste da região, acompanhando todo o vale médio do rio, onde também encontramos as chapadas do
Araripe (Pernambuco e Ceará) e do Apodi (Rio Grande do Norte). Existe uma estreita faixa de terras da depressão do
Tocantins, na fronteira ocidental do Nordeste.
Finalmente, temos a alongada mas estreita faixa de terras que compreendem as planícies e tabuleiros litorâneos, que se
estendem por toda a costa nordestina, desde o Maranhão até o Sul da Bahia, onde encontramos as principais cidades do
Nordeste.
A hidrografia nordestina é composta por uma grande rede de rios que se agrupam na bacia do São Francisco ou nas
bacias do Nordeste e do Leste.
A bacia de maior destaque, sem dúvida, é a do rio São Francisco. Esse rio tem uma extensão que supera a marca dos 3
000 km e atravessa terras de quatro estados nordestinos: Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Apresentando um
percurso com inúmeras quedas d'água, passou a ser um dos rios mais aproveitados para a geração de energia, através de
usinas hidrelétricas instaladas em represas como
Três Marias, Sobradinho, Itaparica, Paulo
Afonso e Xingó. Há ainda um longo trecho
navegável, cerca de 1 000 km, desde a cidade de
Pirapora (Minas Gerais) até J uazeiro (Bahia) e
Petrolina (Pernambuco).
As bacias do Nordeste ocupam a faixa mais
setentrional da região, estendendo-se do
Maranhão até Alagoas. Encontramos no seu
interior rios perenes (com água o ano todo) como
o Parnaíba, o Mearim e o Itapecuru, e rios
temporários (parte do ano ficam secos) como o
J aguaribe, o Apodi e o Piranhas. Nessa área é
que se localizam os açudes, represas que visam
reter a água para amenizar o efeito dos longos
períodos de seca, cujo maior exemplo é o açude
de Orós no rio J aguaribe no Ceará.
As bacias do Leste abrange os litorais de
Sergipe e Bahia e é formada por pequenos rios
que descem as serras do planalto em direção ao
Atlântico. Destacam-se os rios Paraguaçu, cuja
foz está em Salvador, na Bahia, e o
J equitinhonha, cuja foz se localiza no Sul da
Bahia.

O CLIMA E A VEGETAÇÃO
A região Nordeste está em sua totalidade localizada em baixas latitudes, na faixa intertropical do país, por isso seu
clima está sob o domínio de temperaturas elevadas o ano todo, porém com grandes disparidades na quantidade e
distribuição das chuvas. Nessas condições, é possível distinguir-se três climas no interior do Nordeste: o tropical, o semi-
árido e o equatorial úmido.
O clima tropical, com temperaturas elevadas o ano
todo e chuvas concentradas no verão, é o que predomina
no território nordestino, estendendo-se desde a faixa
central do Maranhão até o Sul da Bahia, além de atingir
todo o litoral.
O clima semi-árido, com temperaturas elevadas o ano
todo, mas com chuvas escassas e irregulares, aparece em
uma grande área do interior nordestino, conhecida como
"polígono das secas", que acompanha o vale médio e
inferior do rio São Francisco.
O clima equatorial úmido, com temperaturas elevadas
e chuvas intensas o ano todo, aparece no Oeste do
Maranhão, razão pela qual essa área faz parte do
complexo regional da Amazônia.
A vegetação, quase sempre, é um reflexo do clima, e
no caso da região Nordeste, essa relação é facilmente
percebida, pois a distribuição das principais formações
vegetais reflete a diversidade climática regional.
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No Oeste do Maranhão, área do clima equatorial úmido, aparece a floresta latifoliada equatorial; no Leste do Maranhão
e no Piauí, onde se observa uma transição climática do úmido para o seco, aparece a mata dos Cocais; na faixa atlântica,
que recebe toda a umidade oceânica, tivemos a presença da Mata Atlântica (hoje muito devastada). O interior semi-árido é
dominado pela caatinga, formação característica de áreas secas; nos trechos do interior onde predomina o clima tropical, a
formação típica é o cerrado, enquanto, no litoral, encontramos formações de mangues e dunas.
A paisagem climatobotânica do Nordeste vêm sofrendo uma rápida degradação, justificando até que se fale hoje em
processo de desertificação.

EXTRATIVISMO VEGETAL
A Mata do Cocais é a principal área do extrativismo vegetal do Nordeste. A carnaúba e o babaçu são as duas
principais espécies.
Ceará e Piauí lideram na produção de carnaúba. Maranhão lidera a produção de coco de babaçu (Vale do Itapecuru).
Outros produtos: mamona (BA), oiticica (CE), sisal (BA/PE), coco (BA). Etc.

EXTRATIVISMO MINERAL

Diversos produtos são encontrados na região nordestina: petróleo, sal, xilita, urânio, potássio, cobre etc.
Petróleo: É o principal recurso mineral da região, extraído em diversos estados, na Plataforma Continental e no
continente. Salvador (BA) destaca-se como porto exportador.
Sal: é extraído na orla litorânea do Rio Grande do Norte ( Mossoró, Macau e Areia Branca) e Ceará (Aracatí, Fortaleza
e Camocim). O Rio Grande do Norte é o maior produtor nacional. O sal é transportado pela estrada de ferro Mossoró e
exportado pelos portos de Macau e Areia Branca.
Xilita: (tungstênio) é um mineral radioativo, cujas maiores jazidas localizam-se no Rio Grande do Norte, primeiro
produtor do país.
Urânio: As maiores jazidas deste mineral atômico foram descobertas em Itatira (CE)
Cobre: O Estado da Bahia possui grandes reservas (Jaguarari).
Outros recursos: salgema (Alagoas), potásio (Sergipe), ouro e diamante (Bahia)etc.


O QUADRO HUMANO
O Nordeste é a segunda região mais populosa do país, sendo superada apenas pelo Sudeste. Em virtude de ser também
de grande extensão, apresenta uma densidade demográfica de 28,96 habitantes por quilômetro quadrado, índice inferior
apenas ao Sudeste e ao sul.
Observamos outros indicadores, tais como o número de analfabetos e a taxa de mortalidade infantil. O Nordeste abriga
50,4% dos analfabetos do país, com um contingente de 9,7 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever.

A taxa de mortalidade infantil (morte de crianças com menos de um ano de idade), que no Brasil já é considerada alta
(46%), atinge na região Nordeste, em média, 60%, sendo que em Alagoas esse valor alcança a absurda marca de 113%.
Destaque-se, no entanto, que esses valores estão diminuindo nos últimos anos, significando que está ocorrendo uma
pequena melhora nas condições sociais da população nordestina.


AS MIGRAÇÕES
Uma característica marcante da população nordestina é o seu intenso movimento migratório, tanto intra-regional quan-
to extra-regional.
No primeiro caso, a migração ocorre em
função da seca, fenômeno climático ex-
tremamente comum nas áreas interioranas que
formam o chamado Sertão nordestino. Parte da
população afetada pela estiagem, principalmente
pequenos proprietários rurais e posseiros que
não têm acesso aos açudes e nem têm dinheiro
para "comprar água" dos grandes fazendeiros,
tem de migrar do Sertão árido para o litoral
úmido. Essas pessoas se empregam em trabalhos
sazonais, esperando retornar às suas terras no
interior tão logo a seca termine.
Esse tipo de migração, temporária e
reversível, denomina-se transumância, e o
trabalhador que a realiza é conhecido
regionalmente como Corumbá. Freqüentemente
o migrante decide não mais voltar ao Sertão,
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uma vez que as condições permanecem precárias mesmo com a volta das chuvas, e fixa-se nas cidades da região. Acaba
sobrevivendo de trabalhos esporádicos no subemprego, inchando o contingente da população periférica e caracterizando o
produto desse intenso êxodo rural.
Quanto ao movimento extra-regional, notamos que o Nordeste transformou-se em uma área repulsora de população nas
últimas década. De 1940 até 1995, a região perdeu mais de 15 milhões de habitantes, principalmente para áreas do
Sudeste, que se industrializaram nesse período, e para áreas da Amazônia, formando as frentes pioneiras.
Essa saída em massa de nordestinos está dominantemente relacionada às precárias condições de vida de grande parte da
população regional e ao agravamento das disparidades socioeconômicas entre as regiões brasileiras. Os aspectos políticos,
econômicos e sociais são muito mais determinantes do que os aspectos climáticos nessa forte migração para outras
partes do país.


A AGROPECUÁRIA

A agropecuária é a principal atividade econômica do Nordeste, tanto pelo valor da produção como pela quantidade de
mão-de-obra empregada. A região possui 48,2% dos estabelecimentos rurais e ocupa 20,5% de toda a área rural brasileira,
absorvendo um contingente de mão-de-obra equivalente a 44,6% do total dos trabalhadores brasileiros do campo.
O mau uso do solo na região Nordeste é um dos fatores responsáveis pelos mais sérios problemas que afetam a
população regional, pois somente cerca de 15% de seu espaço rural pode ser considerado área produtiva.
No entanto, sua agricultura é bastante diversificada, tendo em vista as enormes diferenças naturais, sociais e
econômicas. De acordo com essas diferenças, é possível distinguirmos no Nordeste quatro sub-regiões:
Zona da Mata, a mais desenvolvida de todas;
Agreste, uma estreita faixa de terras vizinha à Zona da Mata;
Sertão, a de maior extensão e também a de maiores problemas;
Meio-Norte, a menos ocupada populacional e economicamente.

Zona da Mata
Corresponde à faixa oriental do Nordeste, estendendo-se desde as proximidades de Natal, no Rio Grande do Norte, até
a extremidade sul da Bahia.
Os fatores naturais sempre foram bastante favoráveis à atividade agrícola, pois a presença do massapé, solo muito fértil
e profundo, rico em argilas e matéria orgânica, aliada à ocorrência do clima tropical, que sofre grande influência da
umidade oceânica, contribuiu para a implantação e o desenvolvimento da cultura canavieira desde o século XVI.


A estrutura agrária se caracteriza pelo domínio das grandes propriedades, quase sempre voltadas para a monocultura
comercial, com escassa mecanização, tanto para a exportação quanto para o abastecimento do mercado interno.
Os principais produtos cultivados são a cana-de-açúcar; que teve seu apogeu no período colonial mas que agora, com
o Pro-álcool, sofreu uma forte reativação; o tabaco, produto cultivado durante longo tempo na área do Recôncavo Baiano,
já foi um importante item de exportação, mas hoje está em decadência; e o cacau, cuja produção - quase toda para
exportação esteve dominantemente concentrada na região de Ilhéus e Itabuna, porém atualmente apresenta sérios
problemas no seu desenvolvimento.


Agreste

Corresponde a uma estreita faixa de terras que se localiza entre a Zona da Mata, área muito úmida, e o Sertão, região de
clima seco, estendendo-se do Rio Grande do Norte até a Bahia paralelamente à Zona da Mata. Suas condições naturais
caracterizam-na como uma área de transição, pois apresenta um clima semi-úmido na passagem entre o úmido do litoral e
o seco do interior, e uma vegetação pouco definida, mudança entre a mata exuberante do litoral e a caatinga do Sertão.
Sua estrutura agrária é caracterizada pelo domínio das pequenas propriedades que utilizam o trabalho familiar,
dedicadas à policultura de pequeno mercado, ou, nos casos dos minifúndios que aí aparecem, à subsistência. Merece
destaque também a existência de uma importante lavoura comercial de algodão para abastecimento das indústrias têxteis
nordestinas e, em alguns pontos, a presença de lavoura comercial de alimentos para abastecimento daspopulações das
grandes cidades litorâneas.
Sisal ou agave, planta que fornece fibra de uso industrial. É cultivado principalmente na região do Agreste (Paraíba).

Sertão

Corresponde à maior das divisões internas da região, abrangendo cerca de 3/4 do Nordeste. Ocupa uma larga faixa de
terras no interior, estendendo-se desde o litoral do Ceará e Rio Grande do Norte até o Sul e o Oeste baianos, atravessando
as fronteiras regionais e ocupando, o Norte e o Nordeste de Minas Gerais.
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Caracteriza-se pelas condições desfavoráveis à agricultura, já que ocorre o predomínio do clima semi-árido, com
temperaturas elevadas e chuvas escassas e irregulares, solos arenosos e rasos e uma rede hidrográfica de rios intermitentes.
Em algumas áreas mais úmidas, como nos sopés das chapadas, a existência de climas úmidos permite a prática de uma
pequena policultura de subsistência ou de mercado local. Ao longo do vale médio do São Francisco, único rio perene do
Sertão, observa-se a presença de agricultura irrigada para produção de mamão, melão, melancia, manga, tomate e, com
excepcional sucesso, uva para fabricação de vinho.
A pecuária, por sua vez, é a grande atividade econômica sertaneja, realizada em enormes latifúndios de forma
extensiva, com péssima qualidade e baixo rendimento. Os animais criados são bovinos (produção de carne), caprinos
(leite) e asininos (montaria).
Meio-Norte
Corresponde à porção mais ocidental do Nordeste, abrangendo o estado do Maranhão e parte do Piauí. É também uma
área de transição climática, entre a Amazônia equatorial (o Oeste do Maranhão) e o Sertão semi-árido (o Leste do Piauí).
Suas condições naturais refletem essa transição, com uma variação muito marcante no índice de chuvas, que diminuem
de oeste para leste, e com a presença de uma vegetação muito especial, as palmeiras de babaçu e os coqueiros de carnaúba,
que compõem a chamada mata dos Cocais:
A agricultura dessa porção do Nordeste é pobre, destacando-se apenas a produção de arroz nos vales dos rios perenes
Mearim, Pindaré e Parnaíba, no Maranhão. Ao sul, especialmente nas terras do Piauí, desenvolve-se a pecuária de bovinos
na área do cerrado. A atividade econômica mais característica, entretanto, é o extrativismo vegetal baseado na coleta do
babaçu e da carnaúba, que envolve hoje mais de 3 milhões de pessoas.
OUTROS PRODUTOS: Feijão: em Irecê na Bahia a maior área produtora de cereais do Nordeste.
Fumo: no Recôncavo Baiano e baixo vale do rio Paraguaçu.
Mandioca: produção difundida em todo o Nordeste, principalmente na Bahia.


A INDÚSTRIA
Entre as bases da industrialização regional, destaca-se a riqueza em matérias-primas:
- de ordem agrícola: cana-de-açúcar para a produção de açúcar e álcool, algodão para a indústria têxtil, frutas para
a indústria de sucos, cacau para a indústria alimentícia e tabaco para a indústria de charutos, hoje em franca decadência,
- de ordem extrativa vegetal: cera de carnaúba, óleos de babaçu e de oiticica e fibras vegetais, como o caroá, a
piaçava e o sisal;
- de ordem extrativa mineral: cobre e chumbo (Bahia), tungstênio (Rio Grande do Norte) e sal (Rio Grande do Norte e
Ceará). Destaque-se que a produção salineira nordestina corresponde a cerca de 80% do total nacional, o que se deve, em
grande parte, às condições naturais de clima quente e seco e um litoral raso, que favorecem extremamente a elevada
salinidade das águas e a extração do sal.


O potencial hidrelétrico do São Francisco é de grande importância para o desenvolvimento regional. As principais
usinas são Sobradinho, Itaparica, Complexo de Paulo Afonso e Xingó. No rio Parnaíba, destaca-se a usina Castello
Branco. Outros recursos energéticos importantes são petróleo e o gás natural, explorados sobretudo nos litorais do Rio
Grande do Norte e Sergipe-Alagoas e no Recôncavo Baiano. J untos, são responsáveis por quase 35% da produção nacional
desses combustíveis.
O desenvolvimento industrial da região se deu a partir da criação da Superintendência do Desenvolvimento do
Nordeste (Sudene) em 1959. Esse órgão criou uma política de incentivos fiscais, que atraiu capitais e empresas do Centro-
Sul e do exterior pala a região, tendo implantado até hoje mais de 1 000 projetos industriais.
Os principais centros industriais localizam-se nas regiões metropolitanas, sendo as indústrias mais tradicionais as
alimentícias e têxteis, seguidas das metalúrgicas, químicas e de produtos eletroeletrônicos.
A região metropolitana de
Recife é sem dúvida a mais
influente área de concentração
industrial de todo o Nordeste,
onde se destacam três centros
industriais Cabo, J aboatão e
Paulista , voltados
principalmente às indústrias
têxteis e alimentícias.
A região metropolitana de
Salvador é a segunda área em
importância industrial do
Nordeste, mas é a que tem
apresentado o maior
crescimento industrial nos
últimos anos. Entre os fatores que contribuem para esse crescimento, estão a exploração de petróleo no Recôncavo e a
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implantação do pólo petroquímico de Camaçari, além da presença da mais antiga refinaria da Petrobrás, a Refinaria
Landulfo Alves, em Mataripe. Igualmente influente é o Centro Industrial de Aratu, nas proximidades de Salvador(BA),
abrigando, desde fábricas de cimento até metalúrgicas.
A região metropolitana menos desenvolvida industrialmente é a de Fortaleza, que apresenta como ramos de maior
expressão o têxtil, o alimentício e o químico.

ÓRGÃOS QUE ATUAM NO NORDESTE:
SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Com sede em Recife (PE). Apoia o
desenvolvimento regional, incentivando principalmente o setor industrial.
POLONORDESTE (Programa de Desenvolvimento de Áreas Integradas do Nordeste). Criado em 1.974,
objetiva transformar as condições de produção do meio rural do Nordeste, mediante a modernização de atividades
agrícolas e pecuárias em áreas selecionadas.
CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco).Trata da irrigação e desenvolvimento
da região semi-árida do São Francisco
CODEVALE (Companhia de Desenvolvimento do Vale do J equitinhonha).
PROTERRA ( Programa de Redistribuição de Terras e de Estímulos à Agroindústria do Norte e Nordeste)
CHESF ( Companhia Hidrelétrica do São Francisco). Promove o aproveitamento energético deste rio: usinas de
Paulo Afonso, Sobradinho, Moxotó, Itaparica e Xingó.
DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas). Através de uma política de irrigação, de açudagem,
procura atacar o problema maior da região: a seca.
COHEBE ( Companhia Hidrelétrica da Boa Esperança). Promove o aproveitamento hidrelétrico do rio Parnaíba
(MA/PI), através da Usina Presidente Castelo Branco.
COPENE (Companhia Petroquímica do Nordeste). Sede em Camaçari (BA)
FINOR (Fundo de Investimento do Nordeste).


28 - REGIÃO SUL


DIVISÃO POLÍTICA

O Sul é a menor das cinco macroregiões brasileiras, com 575315 km
2
, o que eqüivale apenas a 6,8% do território
nacional. Sua população absoluta, porém, é a terceira maior do país, inferior à do Sudeste e à do Nordeste. É também a
região menos subdividida em unidades, pois é composta por três estados: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.


Estado Capital População (n.º habitantes) Densidade demográfica
(hab./Km
2
)
Paraná Curitiba 8712800 43,71
Rio Grande do Sul Porto Alegre 9578600 34,12
Santa Catarina Florianópolis 4836600 50,74
(Anuário estatístico do Brasil 1995.)

A região Sul, sob o enfoque da divisão do país em cinco macroregiões pelo IBGE, apresenta uma série de elementos
comuns no seu interior, como o clima subtropical e a vegetação de araucárias, as influências históricas e demográficas da
imigração européia e uma economia moderna, mas ainda bastante vinculada ao campo. Tais elementos fornecem uma certa
homogeneidade a esse conjunto de três estados e justificam a existência dessa divisão regional.
Ao analisarmos, no entanto, a divisão do país segundo os grandes complexos regionais, não há a menor dúvida em
classificar esses três estados meridionais, em sua totalidade, como parte importante do complexo regional do Centro-Sul,
que congrega as áreas mais desenvolvidas social e economicamente de todo o território nacional.
A economia industrial desses três estados, assim como a agropecuária, se desenvolve com a utilização de tecnologias
avançadas e aplicação de grande volume de capital, refletindo em um padrão social mais elevado e tornando o Sul uma das
regiões mais desenvolvidas do país.

O RELEVO E A HIDROGRAFIA
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O relevo da região Sul apresenta-se sub-
dividido em seis unidades, sendo três
planaltos, duas depressões e uma planície,
com o domínio das médias e baixas
altitudes- variando em torno de 600 a 800 m
- com exceção da faixa atlântica, que atinge
marcas superiores aos 1 000 m.
A maior parte da região é caracterizada
pelo relevo dos planaltos e chapadas da
bacia do Paraná, formação tipicamente
sedimentar com terrenos das eras Paleozóica
e Mesozóica.
A planície da lagoa dos Patos e Mirim
tem como características sua localização em
quase todo o litoral do Rio Grande do Sul e
sua origem marinha e lacustre.
A hidrografia da região Sul é marcada
pela presença de três grandes bacias: a do
Paraná, a do Uruguai e a do Sudeste, sendo
que as duas primeiras fazem parte da bacia
hidrográfica Platina:
O grande destaque da hidrografia regional é
a bacia do Paraná, que no Brasil ocupa uma
área da ordem de 1,4 milhão de km
2
(25%
desse espaço está na região Sul) e apresenta
uma enorme capacidade de geração de
energia hidrelétrica. No rio Paraná, que é o principal rio dessa bacia,
no trecho localizado na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, foi
instalada a Usina de Itaipu, atualmente a maior do mundo. Ela
abastece o Brasil e o Paraguai. Entre os seus afluentes na região há
também grande aproveitamento hidrelétrico, especialmente nos rios
Paranapanema e Iguaçu.
A bacia do rio Uruguai ocupa uma pequena área no país, cerca de
180 mil km
2
, mas está totalmente na região Sul. O rio Uruguai nasce
na confluência dos rios Canoas e Pelotas, na divisa entre os estados
de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No seu trajeto ainda marca as
fronteiras entre os dois estados, depois separa o Brasil da Argentina e
a Argentina do Uruguai. E, no entanto, uma bacia pouco aproveitada
tanto para a geração de energia quanto para a navegação. Seu uso
mais importante se dá na agricultura, irrigando largas áreas de cultivo
regional, especialmente as de lavoura de arroz.
Os rios das bacias do Sudeste estão localizados na porção oriental da
região Sul e deságuam no oceano Atlântico. Destacam-se o rio Itajai, no Leste de Santa Catarina, que é hoje uma

importante área industrial do estado; o rio Tubarão, no Sudeste catarinense, área conhecida pela presença das minas de car-
vão; e o rio J acuí, no Rio Grande do Sul.

O CLIMA E A VEGETAÇÃO
O clima da região Sul é o mais diferenciado do restante dos climas brasileiros, o que se deve principalmente à sua
posição geográfica, já que a quase totalidade da região se localiza abaixo do trópico de Capricórnio.,
Na região Sul, observamos o predomínio do clima subtropical, que apresenta as médias térmicas mais baixas do país,
chuvas bem distribuídas ao longo do ano, porém com pouca intensidade, e as quatro estações bem definidas.
Na porção centro-leste, na faixa entre Curitiba e Porto Alegre, o inverno é rigoroso e a ocorrência de neve se verifica
de forma mais freqüente. Nas porções centro-oeste e sul, o clima é o subtropical típico, com verão quente, inverno frio,
primavera e outono com temperaturas médias. E nessa parte do pais que encontramos as maiores amplitudes térmicas
anuaís.
No Norte paranaense, na área atravessada pelo trópico de Capricórnio, em torno das cidades de Maringá e Londrina,
encontramos o clima tropical de altitude, com médias térmicas mais elevadas que as outras porções da região Sul e com as
chuvas concentradas no verão. Disso resultam apenas duas estações: a das chuvas e a das secas.
A história da ocupação regional, que caracteriza a segunda metade do século passado e a primeira deste como o
período da grande imigração para a região Sul, trouxe como conseqüência um forte processo de devastação vegetal. A
destruição da vegetação ocorreu, no inicio, para a fixação dos colonos na área; depois, para a utilização como energia a fim
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de implantar espaços agropecuaristas; e mais recentemente, para atender às necessidades das grandes madeireiras e
indústrias de papel e celulose. Assim, a paisagem botânica original já foi quase totalmente extinta.
A formação mais típica que existia na e a mata de Araucárias, que se estendia por todo o planalto da bacia do Paraná,
na porção centro-ocidental da região, do Paraná ao Rio Grande do Sul. A exploração do pinho e as queimadas para
expansão da agropecuária destruíram quase que completamente as reservas naturais de pinheiros. Destaque-se, no entanto,
que essa é a única formação vegetal no Brasil em que é comum a prática do reflorestamento, porém quase sempre com
espécies estrangeiras, como o eucalipto e o pinus, que não repõem todos os elementos do ambiente nativo destruído.

EXTRATIVISMO VEGETAL
Podemos destaca como extrativismo vegetal o “pinheiro de Paraná”, associado à imbuia ao cedro e à erva mate, a
exportação é feita pelos portos de São Francisco do Sul (SC) e Paranaguá (PR).

EXTRATIVISMO MINERAL
Os recursos minerais do Sul são: Carvão (SC/RS), xisto betuminoso (PR), cobre (RS), chumbo (PR).
O carvão é extraído em Santa Catarina (primeiro produtor nacional) e Rio Grande do Sul.


O QUADRO HUMANO
A região Sul possui uma população absoluta de 23 128 000 habitantes, o que a coloca em 3º lugar no pais, superada
pelas regiões Sudeste e Nordeste. O Rio Grande do Sul é o seu estado mais populoso (9,5 milhões de habitantes), seguido
do Paraná (8,7 milhões de habitantes).


AS MIGRAÇÕES E A URBANIZAÇÃO
A composição étnica da população regional é predominantemente branca, com pequena participação dos outros
elementos da nossa etnia, ou seja, os negros, os índios e a população miscigenada. Tal fato se dá em virtude de o
povoamento da região ter se caracterizado pelas correntes imigratórias vindas da Europa, a partir da segunda metade do
século, XIX.
Grande parte do Sul do país foi povoada por meio da implantação de colônias agrícolas de imigrantes, que se
instalavam em pequenas propriedades e dedicavam-se à atividade agrícola, sobretudo à policultora. Os principais grupos
de imigrantes foram os alemães, os italianos e os eslavos (poloneses, ucranianos, etc.). A imigração japonesa se deu
posteriormente, em meados do século XX, restringindo-se ao Norte do Paraná.
As principais colônias deram origem a importantes cidades, como Blumenau, Itajaí, São Leopoldo e Novo Hamburgo,
fundadas por alemães, e Criciúma, Garibaldi, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, de colonização italiana.
Entre 1950 e 1970, a urbanização do Sul foi muito lenta. Isso deveu-se ao fato de a estrutura agrária regional,
influenciada pelo imigrante europeu, basear-se na pequena propriedade policultora de base familiar. Essa situação
favorecia a fixação dos habitantes no meio rural, retardando o processo de urbanização.
A partir da década de 70, no entanto, houve uma profunda mudança nessa estrutura tradicional, com a expansão das
lavouras comerciais de exportação. Destacou-se o plantio da soja em grandes propriedades e com forte mecanização
agrícola.
O desenvolvimento da lavoura agroexportadora significou uma considerável valorização do solo na região,
estimulando pequenos proprietários a vender suas terras e adquirir outras propriedades maiores nas frentes pioneiras no
Norte e Centro-Oeste.


Com a mecanização, milhares de trabalhadores rurais perderam emprego. Viram-se obrigados a migrar para as cidades
da região - êxodo rural -, especialmente na direção das regiões metropolitanas de Curitiba e Porto Alegre, o que explica o
fato de a região Sul ter hoje 74,1% de sua população vivendo em cidades.


A AGROPECUÁRIA
A economia da região Sul sempre dependeu da agropecuária, seja para abastecer a população regional de alimentos,
seja para a geração de divisas com a exportação, seja para atender às necessidades da importante indústria que lá se
implantou. Predomina a grande propriedade de criação de gado, chamada de estância.
Os trabalhadores empregados nas estâncias os “peões”, são pouco numerosos, como acontece nas áreas de pecuária de
corte em que o gado é criado solto nos campos.
Na região Sul do Brasil, a criação de gado encontrou clima ameno, vegetação rasteira com bons pastos (campos
limpos), relevo suave (coxilhas- Campanha Gaúcha) e a preocupação com a seleção de raças.
A principais áreas pastoris são:
- Campanha Gaúcha, (pecuária de corte – gado selecionado), com criação semi-intensiva.
- Campos de Vacaria, (Planalto Gaúcho/ RS e Lages/ SC), pecuária de corte.
- Segundo Planalto Paranaense (Guarapuava e Palmas).
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Os principais centros pastoris da Campanha Gaúcha são: Uruguaiana, Santana do Livramento e Bagé.
Estâncias: estabelecimentos típicos de criação de gado da Campanha Gaúcha.

Participação da região Sul na pecuária nacional

Rebanho
Participação da região
no total nacional
Participação do estado na região
Bovinos 19,3 % PR 34,5 % SC 11,0 % RS 54,5 %
Suínos 39,0 % PR 37,7 % SC 26,8 % RS 35,5 %
Ovinos 55,0 % PR 3,8 % SC 1,8 % RS 94,4 %


Participação da região Sul na agricultura nacional
Produto Estado Produtor Participação no
país
Produto Estado Produtor Participação no
país
Arroz RS 35,9 % Milho PR 19,9 %
Café PR 17,4 % Soja RS 26,1 %
erva-mate RS 94,8 % Trigo PR 57,7 %
Maçã SC 52,5 Uva RS 65,8 %
(Anuário estatístico do Brasil 1992)


AS PRINCIPAIS ÁREAS AGRÍCOLAS
As principais áreas agrícolas da região Sul coincidem com as de fixação dos imigrantes europeus. Cada família
imigrante recebeu um pequeno lote de terra em áreas florestadas, onde desenvolveu a policultura, inicialmente para
subsistência e posteriormente com fins comerciais. Tal influência histórica marcou fortemente a estrutura agrária do Sul,
que apresenta até hoje o predomínio de pequenas propriedades policultoras, muito embora em algumas dessas áreas essa
estrutura foi sendo transformada para a produção moderna e mecanizada em grandes propriedades.
No Norte do Paraná, a presença dos solos de terra roxa e do clima tropical de altitude favoreceram o desenvolvimento
das culturas do café e do algodão, que hoje estão sendo substituídas, respectivamente, pela soja e pela cana-de-açúcar. Ao
mesmo tempo vem a transformação do trabalho manual em produção mecanizada.


Na porção central do estado, na área da depressão Periférica, destacam-se a cultura da batata em pequenas propriedades
e a pecuária bovina de corte, criada de forma extensiva. A oeste, predomina a cultura da soja, seguida da do trigo, que em
alguns casos são plantados em rotação no mesmo espaço. Isso constitui uma forma tradicional do uso do solo trazida ao
Brasil pelos imigrantes.
As principais regiões agrícolas de Santa Catarina são o vale do Itajaí e o vale do rio do Peixe. No vale do Itajaí,
localizado no Leste e Nordeste do estado, se produz principalmente o arroz e o fumo, este último voltado para o
abastecimento das indústrias de cigarros instaladas na região. J á no vale do rio do Peixe, no centro-oeste catarinense, é
importante a produção de milho associada à criação de suínos. Essa é a principal atividade econômica do vale, ligada à
implantação de diversos frigoríficos, sobretudo na região de Chapecó. A estrutura de produção dominante no estado, sob
forte influência imigratória, é baseada na pequena propriedade policultora com mão-de-obra familiar.
O Noroeste do Rio Grande do Sul, que engloba os municípios de Passo Fundo, Erexim e Santa Rosa, é importante área
produtora de soja e trigo, fundamentada na exploração de grandes propriedades intensamente mecanizadas. Na encosta rio-
grandense, área de colonização italiana com pequenas propriedades, destaca-se a cultura de uvas.

O fumo é plantado principalmente nas regiões de Santa Cruz e do Alto Uruguai, e sua produção está voltada para o
abastecimento das indústrias de cigarros instaladas na região.
Na Campanha gaúcha, região de topografia plana e vegetação rasteira, o destaque é a pecuária extensiva de bovinos,
especialmente com gado de origem européia, e de ovinos, em que o Rio Grande do Sul é o primeiro produtor nacional. Nos
dois casos a criação se faz em grandes propriedades, as chamadas "estâncias".
Apesar do domínio da pecuária, a produção de arroz vem ganhando importância econômica muito rapidamente na
porção ocidental da Campanha, nos vales dos rios Ijuí, Ibicuí e Quaraí.
Hoje a agricultura regional é uma das mais modernas do país e é também bastante diversificada, sendo responsável por
grandes produções de soja, trigo, milho, ,aveia, cevada, centeio, uva e fumo, (liderança nacional).
Outros produtos que têm peso e destaque na economia da região: café, arroz, batata, cana-de-açúcar, algodão,
amendoim, feijão e sorgo entre outros.
Soja: cultivada nos estados sulinos, com destaque para o Paraná e Rio Grande do Sul (Santa Rosa, Cruz Alta e
região das Missões)
Trigo: Rio Grande do Sul (Erechim e Campanha Gaúcha) é o primeiro produtor nacional, seguido do Paraná e
Santa Catarina.
Uva: Rio Grande do Sul ( Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias do Sul).
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Arroz: Rio Grande do Sul (Vale do J acuí) um dos maiores produtores do país.
Milho: amplamente cultivado nos três estados.
Fumo: (tabaco)Rio Grande do Sul (Santa Cruz do Sul), maior produtor nacional.
Algodão: cultivado nos três estados, fornece fibras para a indústria têxtil local.
Feijão: (PR).
Aveia, centeio, cevada, alfafa, linho, cebola (RS), mandioca e cana-de-açúcar (RS/SC)
Os produtos mais exportados pela região : soja e café.

A INDÚSTRIA
A região Sul é a segunda mais industria-
lizada do país, participando com 16,2% de
toda a produção nacional, sendo superada
apenas pelo Sudeste, que participa com
68,7%. Entre os principais fatores de seu
desenvolvimento industrial, estão as matéri-
as-primas de origem agropecuária, produzi-
das na própria região, a mão-de-obra qualifi-
cada do imigrante europeu e a presença de
recursos energéticos, como o potencial
hidráulico e as minas de carvão mineral.
O carvão mineral, que é um combustível
fóssil, é utilizado como fonte de energia em
usinas termelétricas e como matéria-prima
na siderurgia para a fabricação do coque
metalúrgico. Além disso, serve para a produ-
ção de ácidos na indústria química.
A produção de energia elétrica no Sul é
proveniente sobretudo de usinas hidrelétri-
cas, com destaque para a de Itaipu, no rio
Paraná, e a de Salto Santiago, no rio Iguaçu;
ocorre igualmente a produção termelétrica
em usinas como a de Tubarão (Santa
Catarina) e as de Butiá e Candiota (Rio
Grande do Sul).
O desenvolvimento industrial da região
sempre dependeu das matérias-primas
provenientes da agropecuária, tanto que muitas das suas principais indústrias são alimentícias, de frigoríficos, de óleos
vegetais, têxtil, madeireira, de calçados e vestuário. Só mais recentemente é que a região Sul vem diversificando seu
parque industrial, com setores ligados à metalurgia, automobilística, eletrodomésticos e eletroeletrônicos que independem
das matérias-primas regionais.
A região metropolitana de Porto Alegre é á mais importante concentração industrial do Sul, possuindo um parque dos
mais diversificados, onde se destacam o refino de petróleo e a indústria petroquímica em Canoas, a indústria metalúrgica
em Porto Alegre e a tradicional indústria de couro e calçados em São Leopoldo e Novo Hamburgo.
Na região metropolitana de Curitiba, segunda área em importância industrial no Sul do país, merecem destaque o refino
de petróleo em Araucária, as fábricas de cerâmica em Campo Largo e São J osé dos Pinhais, além de indústrias
alimentícias, madeireiras e do setor automobilístico.


Entre os demais centros industriais têm-se, em Santa Catarina, as cidades de colonização alemã como Blumenau com a
indústria têxtil e J oinvilie com a de eletrodomésticos, e, no
Rio Grande do Sul, as cidades de Garibaldi, Bento Gonçalves
e Caxias do Sul, de colonização italiana, onde se concentra a
indústria vinícola.

PRINCIPAIS INDÚSTRIAS
Petroquímica: Refinaria Alberto Pasqualine, em Canoas
(RS).
Construção Naval: Estaleiro Soh, em Porto Alegre, o Rio
Grande do Sul está em segundo lugar no setor de construção
naval do Brasil.
Textil: Blumenau e J oinville (SC), áreas de colonização
alemã.
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Calçados e artefatos de couro: Novo Hamburgo e São Leopoldo (RS), Vale dos Sinos.
Madeireira: Indústria de móveis, no Paraná (Ponta Grossa).
Pesqueira: Nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Frigorífica: Na Campanha Gaúcha (RS) e no Vale do Itajaí (SC).
Lanígena: No Estado do Rio Grande do Sul.
Caminhões: Fábrica Volvo, em Curitiba (PR), fabricação de carroceiras em Caxias do Sul (RS).
Vinícola: Nas áreas de colonização italiana (Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Garibaldi) (RS).
Siderúrgica: Siderúrgica Riograndense (Aços Finos Piratini), localizada em Porto Alegre (RS).
Agroindústria: Setor muito importante no Sul do país, aproveitando as matérias primas locais como a soja, milho,
algodão, linho, uva, frutas, etc.
Celulose: (papel) Paraná e Rio Grande do Sul.

PORTOS
Os principais portos da Região Sul são: Rio Grande (RS) e Paranaguá (PR), ambos ligados ao Programa Nacional de
Corredores de Exportação.
Produtos exportados pelo porto de Rio Grande: soja, trigo e carne
Produtos exportados pelo porto Paranaguá: soja, café, trigo e madeira.
O porto de São Francisco do Sul escoa a produção madeireira de Santa Catarina.

ÓRGÃOS QUE ATUAM
SUDESUL (Superintendência do Desenvolvimento do Sul). Foi criado para apoiar os três Estados do Sul.
COPESUL (pólo Petroquímico do Sul), está localizado em Triunfo (RS).
FECOTRIGO (Federação das Cooperativas do Trigo) (RS).
IRGA (Instituto Riograndense de Arroz) (RS).
ELETROSUL (Centrais Elétricas da Região Sul).


29 - REGIÃO SUDESTE

DIVISÃO POLÍTICA

A região Sudeste é a quarta do país em extensão, com 924 265 km
2
(10,8% do território nacional). Entretanto é a mais
importante macroregião brasileira, concentrando 42,5% da população e participando com mais de 75% da renda nacional.
E composta por quatro estados: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de J aneiro e São Paulo.


Estado Capital População (n.º
habitantes)
Densidade demográfica
(hab./Km
2

Espírito Santo Vitória 2786700 60,93
Minas Gerais Belo Horizonte 16505300 28,13
Rio de J aneiro Rio de J aneiro 13296400 304,59
São Paulo São Paulo 33699600 135,74
(Anuário estatístico do Brasil 1995.)



Os estados que formam a região
Sudeste apresentam grandes
diferenças internas, tanto no quadro
natural quanto no socioeconômico.
Áreas de clima extremamente
úmido, como no litoral do Espírito
Santo, ao lado de outras de clima
seco, como no Norte de Minas
Gerais; áreas de grande desenvolvi-
mento industrial, como nas regiões
metropolitanas de São Paulo, Rio de
J aneiro e Belo Horizonte, ao lado de
outras com produção econômica
precária, como no vale do Ribeira
paulista; áreas com qualidade de
vida mais elevada, como na região
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de Ribeirão Preto - a Califórnia brasileira - ao lado de outras com graves deficiências sociais, como no vale do
J equitinhonha, em Minas Gerais.
Tal situação torna realmente muito difícil pensar nesses quatro estados compondo uma região homogênea, porém é
evidente que, se analisarmos o quadro econômico regional como um todo, essa é a região mais desenvolvida do país.
A melhor forma de se analisar esse espaço, no entanto, é considerando principalmente a divisão do país nos grandes
complexos regionais, porque assim estaremos avaliando a relativa homogeneidade dentro de um território mais amplo,
independentemente das fronteiras estaduais. Nesse caso, a quase totalidade desses quatro estados está enquadrada no
complexo regional do Centro-Sul, compondo a porção mais desenvolvida do país.
Há uma parte do Sudeste, o Norte e o Nordeste de Minas Gerais, que pelas suas condições sociais e econômicas precárias,
bem como pelo domínio da paisagem semi-árida, faz parte do complexo regional do Nordeste, sendo inclusive área de
atuação da Sudene.

O RELEVO E A HIDROGRAFIA
O relevo regional é dominado por um
conjunto de terrenos elevados, onde metade
das terras situa-se acima dos 500 m de
altitude e 10% acima dos 1 000 m, tornando
essa área conhecida como a "região das
terras altas". É possível definir uma divisão
em seis unidades de relevo, sendo três
planaltos - dois deles correspondendo às uni-
dades dominantes territorialmente, duas de-
pressões e uma planície.'
Na porção ocidental estendem-se as
rochas sedimentares e vulcânicas dos planal-
tos e chapadas da bacia do Paraná, que ocu-
pam quase metade do território paulista e
grande parte do Oeste mineiro. Nessa área
observamos a presença dos solos férteis de
terra roxa, que são um dos fatores do grande
desenvolvimento agropecuário regional.'
Na porção leste encontramos as
rochas cristalinas dos planaltos e serras do
Atlântico-leste-sudeste, de formação pré-
cambriana, caracterizado pelo domínio de
topografia acidentada com serras e escarpas.
Surgem a serra do Mar, paralela à costa, a serra da Mantiqueira, mais para o interior, e a serra do Espinhaço, que abriga as
jazidas minerais do Quadrilátero Ferrífero ou Central (Minas Gerais). Muito freqüentemente esse planalto chega até o
oceano Atlântico, dando origem aos paredões íngremes ou falésias.
Os planaltos e serras de Goiás-Minas aparecem como uma estreita faixa de rochas cristalinas oriunda do Centro-
Oeste. Essa faixa atinge o Noroeste de Minas Gerais até a serra da Canastra, onde estão as nascentes do rio São Francisco.

As depressões são representadas por terrenos de formação sedimentar e ocupam a faixa central da região. A depressão
Sertaneja e do São Francisco tem seu inicio no alto curso do rio São Francisco e toma a direção do seu vale, avançando
pela região Nordeste. A depressão periférica da borda leste da bacia do Paraná está representada pelo domínio do relevo de
cuestas nas terras paulistas, na linha divisória com as terras mais altas do planalto a oeste.
As planícies e tabuleiros litorâneos representam a menor das unidades do relevo do Sudeste, ocupando uma fina faixa
de terras entre o oceano e o planalto cristalino do Leste, particularmente na porção mais setentrional desse litoral.
A região Sudeste é drenada pelas bacias hidrográficas brasileiras do Paraná, do São Francisco, do Leste e do
Sudeste.
A bacia do Paraná é a de maior importância na região, pois, além de ocupar mais da metade do espaço regional, é a de
maior aproveitamento na produção hidrelétrica do país. O rio Paraná, juntamente com seus formadores e seus afluentes, ao
descer os desníveis do relevo planáltico da bacia do Paraná, apresenta inúmeras quedas-d'água. Esses saltos foram
aproveitados em usinas hidrelétricas a fim de atender ao maior parque industrial do pais, que é o Sudeste.
A bacia do São Francisco localiza-se, em sua maior parte, no Nordeste. Em terras do Sudeste, restringe-se ao Centro-
Norte de Minas Gerais, trecho em que o rio percorre cerca de 800 dos seus mais de 3 000 km e onde foi instalada a
hidrelétrica de Três Marias.
As bacias do Leste correspondem ao conjunto de rios de pequeno porte que descem as serras para o litoral. Destacam-
se entre eles o J equitinhonha, que nasce em Minas Gerais e desemboca na Bahia, o Doce, que deságua no litoral do
Espírito Santo, e o Paraíba do Sul, com foz em Campos, no Norte fluminense.
As bacias do Sudeste abrangem apenas um pequeno trecho do litoral sul paulista, onde encontramos a foz do rio
Ribeira de Iguape, cuja nascente se localiza no Paraná:
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O CLIMA E A VEGETAÇÃO
A região Sudeste apresenta uma grande diversidade climática, em função de fatores como a posição geográfica em
baixas latitudes, a presença de um
relevo com altitudes elevadas, a
influência da maritimidade, a ação de
diferentes massas de ar, etc.
O clima tropical abrange a maior
parte da região Sudeste, envolvendo o
Oeste paulista, parte do Triângulo
Mineiro, a porção centro-norte de
Minas Gerais e toda a faixa atlântica.
Caracteriza-se por apresentar duas
estações bem marcadas, com um verão
muito chuvoso e um inverno com
estiagem, às vezes muito seco. Porém
as temperaturas são sempre elevadas.
Destaque-se que no trecho litorâneo,
pela influência da umidade marítima, as
chuvas são bem mais freqüentes que no
interior, não se definindo claramente
um período seco.


No Norte de Minas Gerais, ao contrário, o clima tropical apresenta características mais próximas do semi-árido do
Nordeste, uma vez que as chuvas são escassas e apresentam uma distribuição mais irregular.
O clima tropical de altitude abrange as áreas mais elevadas da região Sudeste, como a região serrana de São Paulo e
do Rio de J aneiro, o Centro-Sul de Minas Gerais e parte do Oeste paulista. Apresenta também duas estações bem
definidas, um verão chuvoso e um inverno mais seco, porém sua maior característica está nas temperaturas mais brandas,
especialmente no inverno, em função da maior altitude e da influência das massas de ar mais frias.
O clima subtropical ocorre na porção mais meridional da região, ao sul do trópico de Capricórnio, em terras paulistas
onde a latitude maior faz com que as temperaturas diminuam sensivelmente no inverno, definindo uma elevada amplitude
térmica anual. As chuvas, pouco intensas, se distribuem regularmente por todos os meses do ano.


A vegetação da região Sudeste reflete clima regional, sendo por isso bastante diversificada. As principais formações
são:
floresta tropical: é a formação dominante na região. Trata-se de uma vegetação exuberante, com espécies arbóreas de
grande porte, latifoliadas e perenifólias. Apresenta pequenas diferenças em sua composição segundo a localização
geográfica. Assim, no litoral, corresponde à Mata Atlântica, mais densa e compacta, em virtude do elevado teor de
umidade da região, sendo também chamada de floresta tropical úmida de encosta, por se desenvolver sobre o relevo
íngreme da serra do Mar. No interior, recebe a denominação de mata da bacia do Paraná, por se distribuir pela área dessa
bacia hidrográfica e, quando se localiza nas margens dos rios, é chamada de mata galeria ou ciliar;

mata de Araucárias: característica de áreas de temperaturas mais baixas, possui espécies semicaducifólias e
aciculifoliadas, com o predomínio da Araucaria angus-tifolia (pinheiro-do-paraná), muito utilizada pelas indústrias
madeireiras. Aparece em áreas de latitudes mais elevadas, como o Sul e Sudoeste de São Paulo, e em áreas de grande
altitude, a exemplo de trechos da serra da Mantiqueira;

cerrado: formação arbustiva, típica do clima tropical, que se estende por grande parte de Minas Gerais (Norte, Centro
e Oeste), além de aparecer sob a forma de manchas no interior de São Paulo;

caatinga: formação xerófila que aparece nas áreas do Sudeste que têm clima mais seco, próximo do semi-árido. Ocorre
principalmente no Norte e Nordeste de Minas Gerais, nos vales do São Francisco e do J equitinhonha;

campos: formação herbácea que ocorre nos trechos mais elevados da região, em função da diminuição das médias
térmicas nesses locais, sendo por isso denominada campos de altitude;

formações litorâneas: vegetação de mangues nas áreas alagadas pelo mar ou de dunas, nas áreas de praias. E área de
formação muito pobre em virtude da grande influência do sal nas condições ambientais.

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EXTRATIVISMO MINERAL
A região Sudeste abriga uma das mais significativas províncias minerais do país, o Quadrilátero Central ou Ferrífero,
no Centro-Sul de Minas Gerais, destacando-se as jazidas de, ferro, manganês, ouro e bauxita.
A qualidade dos minérios, a facilidade de extração e a proximidade dos principais centros industriais determinaram que
o Quadrilátero Central se transformasse na principal área produtora de minérios do país. A Companhia Vale do Rio Doce
tornou-se uma das maiores empresas de mineração do mundo.
Ferro: O Quadrilátero Central ou Ferrífero, no Centro de Minas Gerais, é a maior região produtora do país,
formado pelos municípios de Belo Horizonte, Sabará, Mariana, Congonhas do Campo, Nova Lima, Ouro Preto e Santa
Bárbara. É o principal recurso mineral da região Sudeste e exportado pelo porto de Tubarão (Espírito Santo). É
transportado pela Estrada de Ferro Vitória-Minas.
Manganês: extraído em Minas Gerais, Itabira, Conselheiro Lafaiete (Morro da Mina e Águas Pretas) e São João
Del Rei.
Bauxita: (alumínio) encontrado em Poços de Caldas e Morro do Cruzeiro (MG).
Petróleo: importantes jazidas na Plataforma Continental do Estado do Rio de J aneiro, nos municípios de Macaé e
Campos. Os poços produtores são: Garoupa, Pargo, Badejo, Namorado, Enchova, Cherne, Marlim, Albacora, etc. Em são
Mateus, Espírito Santo, se extrai petróleo na Fazenda Cedro.
O Rio de J aneiro é, atualmente o maior produtor de petróleo do país.
Ouro: Extraído em Morro Velho, mina mais profunda de ouro do globo (município de Nova Lima) e na mina da
Passagem (município de Mariana), na região do Quadrilátero Ferrífero (Minas Gerais).
Sal marinho: as principais salinas do Estado do Rio de J aneiro estão na Região dos Lagos, Cabo Frio maior
produção, Araruama, São Pedro da Aldeia e Saquarema. O Rio de J aneiro é o segundo maior produtor do país
Calcário: aflora em Minas Gerais (Patos de Minas), Rio de J aneiro (Cantagalo) e São Paulo. O calcário é a
matéria prima para fabricação de cimento.


Areias monazíticas: os minerais radioativos são encontrados ao longo do litoral capixaba (praia de Gaurapari e
Anchieta) e fluminense (São João da Barra).
De menor importância, temos o mármore (RJ /MG), amianto (MG), cristal de rocha ou quartzo (MG), diamante
(MG), talco (MG/RJ ).


O QUADRO HUMANO
A região Sudeste é a mais populosa e povoada do país. Abriga os estados mais populosos do Brasil, São Paulo e Minas
Gerais, e também o mais povoado, o Rio de J aneiro .
O crescimento da população regional foi muito mais acelerado que o das demais regiões brasileiras, pois o Sudeste
tem sido, historicamente, uma região de forte atração populacional, tanto para os migrantes vindos de outros países quanto
para os que vêm de outras regiões do Brasil. Isso é conseqüência de seu dinamismo econômico iniciado com a expansão da
cafeicultura.
Mais da metade dos imigrantes fixaram-se em São Paulo, atraídos pela expansão da cultura do café no interior do
estado em fins do século passado. Essa imigração ocupou toda a faixa central e ocidental de São Paulo e estendeu-se pelo
Sul e Oeste de Minas Gerais.
Dentre os principais grupos imigrantes dessa época, destacam-se os italianos (São Paulo – sistema de parceria e
Espírito Santo), os suíços (Rio de J aneiro, Nova Friburgo e Petrópolis), os portugueses, os espanhóis, os alemães e os japo-
neses (São Paulo chá e arroz - horticultura no Vale Ribeira do Iguape. Tiveram um papel fundamental não só no
desenvolvimento agrícola, como também no crescimento do parque industrial regional e brasileiro. Convém lembrar que
parte dos imigrantes eram originários de cidades e alguns eram ex-operários industriais em seus países, formando aqui uma
mão-de-obra qualificada, fator
de extrema relevância para a
indústria nascente do pais.
Após a grande crise de
1930, a economia do Sudeste
entrou em um processo de
diversificação, principalmente
com a implantação industrial;
a região se transformou em
grande pólo de atração das
migrações internas,
provenientes sobretudo do
Nordeste.


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A URBANIZAÇÃO
A região Sudeste é a mais urbanizada do país, com 88% dos seus habitantes vivendo em cidades.
A concentração da produção industrial no Sudeste está na raiz da urbanização, pois as principais áreas industriais da
região transformaram-se nos mais dinâmicos pólos de atração migratória num sentido amplo.
As três maiores regiões metropolitanas brasileiras estão localizadas no Sudeste: a Grande São Paulo, a Grande Rio de
J aneiro e a Grande Belo Horizonte que em conjunto abrigam cerca de 30 milhões de habitantes, ou seja, 20% da população
total do país.
A Grande São Paulo, por sua vez, é a maior de todas as regiões metropolitanas do país, compondo um total de 38
municípios conturbados e uma população da ordem de 16 milhões de habitantes (praticamente metade da população de
todo o estado de São Paulo).
Segundo dados divulgados recentemente pelo IBGE, está ocorrendo uma modificação na distribuição da população
urbana, que vem gradativamente abandonando as grandes metrópoles e se deslocando na direção de cidades médias, (mais
de 100 mil habitantes) ou na periferia dos grandes centros, ou mesmo no interior dos estados, onde as possibilidades de
emprego começaram a aumentar em função da desconcentração industrial recente.
Tipos de cidades:
Cidades dormitórios: do Grande Rio – Nova Iguaçu, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nilópolis, São J oão de Mereti.
Cidades históricas: Ouro Preto (ex-Vila Rica), Diamantina, Congonhas do Campo, Mariana, Sabará, São João Del Rei,
Barbacena (MG), Parati e Mangaratiba (RJ ).
Cidades religiosas: Aparecida do Norte (SP), Bom J esus da Lapa (BA).
Estâncias hidrominerais: São Lourenço, Poços de Caldas, Caxambu, Cambuquira, Araxá (MG), Águas de Lindóia,
Águas da Prata, Serra Negra (SP). É importante, nesta cidades, a atividade turística.


A AGROPECUÁRIA
A região Sudeste é a mais importante do país economicamente, tanto no setor industrial quanto no agropecuário. E a
maior produtora de café, cana-de-açúcar, laranja, além de possuir o maior e melhor rebanho bovino do país e a maior
produção de leite e derivados.
O domínio de lavouras destinadas a atender a agroindústria, como a cana-de-açúcar para o álcool e o algodão para o
setor têxtil, e de lavouras de exportação, a exemplo da laranja e da soja, tem sido alvo de críticas, porque sua expansão se
faz em detrimento das culturas alimentares destinadas ao abastecimento do mercado interno.
A pecuária bovina é realizada no sistema extensivo, mas com grandes investimentos de capital e tecnologia,
produzindo alta tonelagem de carne para atender aos frigoríficos regionais. A atividade ganha maior destaque nas regiões
de Barretos, Andradina, Araçatuba e Presidente Prudente.
O Triângulo Mineiro corresponde à região delimitada pelos rios Paranaíba (Minas Gerais-Goiás) e Grande (Minas
Gerais-São Paulo). Estando sob o domínio do clima tropical e do cerrado, o Triângulo possui algumas das melhores áreas
de pecuária extensiva de bovinos do país. A criação se baseia no rebanho de gado zebu, especialmente o da raça nelore
para corte, com aplicação de muito capital e tecnologia. A área apresenta também importante produção de cereais, como
milho e arroz, nos vales dos rios Paranaíba e Grande.
No Sul de Minas e na Zona da Mata mineira, há uma tradicional pecuária leiteira, associada à produção de café. Na
baixada dos Goytacazes (Rio de J aneiro), encontra-se cana e na baixada ou vale do Ribeira, chá e banana. No vale do
Paraíba, entre São Paulo e Rio de J aneiro, desenvolve-se a melhor pecuária intensiva leiteira do país, também com grande
aplicação de capital e tecnologia.
Principais áreas agrícolas do Sudeste:
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Oeste Paulista: abrange as cidades de Presidente Prudente, Andradina, Araçatuba e Adamantina. Possuem alto índice
de mecanização , consumo de adubo, seleção de mudas e sementes, cultivos em curvas de nível. Predominam os cultivos
de cereais como o algodão, oleaginosas, café e cana-de-açúcar.
Triângulo Mineiro: é representado pelas três mais importantes cidades da região que são Uberlândia, Uberaba e
Araguari, o cultivo do arroz é a atividade mais importante da região.
Zona da Mata Mineira: Tem como centro a cidade de J uiz de Fora, com a decadência dos cafezais houve o
desenvolvimento da pecuária e, atualmente, da indústria.
Vale do Paraíba do Sul: teve seu apogeu com a lavoura cafeeira. Atualmente caracteriza-se pela atividade industrial e
pecuária leiteira.
A cana-de-açúcar é cultivada em todo o Sudeste, que é a região maior produtora do país.

PESCA
É desenvolvida nos Estados de São Paulo, Rio de J aneiro e Espírito Santo.
FEMAR (Fundação do Estudos do Mar), tem por finalidade pesquisar e preservar as espécies marinhas.


A INDÚSTRIA
Sudeste é a região mais industrializada do país, sendo responsável por 71 % do valor de produção industrial nacional,
50% do número de estabelecimentos industriais e 55% do pessoal empregado no setor.


Como já dissemos, o desenvolvimento
industrial é resultado de fatores histórico-
econômicos. Como exemplo, temos a
acumulação de capitais, a expansão do
mercado consumidor e o desenvolvimento da
rede de transportes, sobretudo o ferroviário e
o portuário.
E importante também ressaltar a ação das
correntes imigratórias, que trouxeram mão-
de-obra qualificada para o trabalho
industrial.
Os recursos naturais da região têm sua
parcela de responsabilidade no desenvolvi-
mento industrial. As jazidas minerais no
interior de Minas Gerais e a potencialidade
hidrelétrica da bacia do Paraná favoreceram
em muito o processo de expansão industrial
do Sudeste.


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A CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL
A concentração industrial do Sudeste é bastante irregular, pois só algumas áreas têm um maior adensamento de
indústrias. Entre as principais, estão:
região metropolitana de São Paulo: concentra 40% dos estabelecimentos industriais do país, sendo uma área
polindustrial, destacando-se os setores ligados à indústria alimentar, têxtil, química, automobilística e metalúrgica.

É formado pela cidade de São Paulo e municípios periféricos de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano
do Sul, Diadema e Guarulhos (ABCDG). É a principal região poloindustrial do país.

região metropolitana do Rio de janeiro: foi favorecida pelo fato de ter sido capital federal e pela sua intensa
atividade portuária. Entre os setores de maior destaque, estão o alimentício, têxtil e naval. Abrange os municípios de
Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Nilópolis, São João de Mereti, São Gonçalo, Niterói, Itaborai, Petrópolis etc.

região metropolitana de Belo Horizonte: o desenvolvimento industrial foi favorecido pelas reservas minerais
no Quadrilátero Central. Os principais setores são o siderúrgico e o automobilístico. Abrange as cidade de Belo Horizonte
e Piracicaba. Ex: a siderúrgica Mannesmann está situada em Contagem, cidade industrial de Belo Horizonte, a refinaria
Gabriel Passos e a fábrica de automóveis da FIAT estão localizadas em Betim, outra cidade industrial desse complexo.

Vale do Paraíba do Sul. Abrange os Estados do Rio de J aneiro e São Paulo, possuindo centros industriais de
grande importância como Volta Redonda (RJ ), São J osé dos Campos e Taubaté (SP).
Outras áreas industriais importantes são a Baixada Santista, onde sobressaem os setores petroquímico (Petrobrás)
e siderúrgico (Cosipa), e o vale do Paraíba, onde se projetam centros industriais como Volta Redonda (Rio de J aneiro) e
São José dos Campos (São Paulo).
A região Sudeste possui ainda a maior concentração de indústrias de base, em função da disponibilidade de capitais,
mão-de-obra, mercado consumidor, fontes de energia e minérios, rede rodoferroviária e portos.


PRINCIPAIS INDÚSTRIAS DA REGIÃO SUDESTE

- Indústria siderúrgica: No Sudeste estão as maiores usinas do país – Presidente Vargas, USIMINAS, COSIPA,
Belgo Mineira, AÇOMINAS, ACESITA, COSIGUA , Mannesmann, etc.
- Usina Presidente Getúlio Vargas, em Volta Redonda, pertence a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), foi o
marco inicial da indústria pesada (de base) no Brasil.
- Aços Minas Gerais (AÇOMINAS): situada em Ouro Branco (MG).
- Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (USIMINAS), localizada em Ipatinga (Cel. Fabriciano MG).
- Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA), localizada em Cubatão (Baixada Santista)
- Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, localizada nos municípios de Monlevade e Sabará.
- Companhia Siderúrgica da Guanabara (COSIGUA), situada no Distrito Industrial de Santa Cruz (RJ ).
- Companhia Siderúrgica Mannesmann, situada em Contagem, distrito industrial de Belo Horizonte.

- Companhia Siderúrgica de Tubarão, (ES).
- Companhia de Ferro e Aço de Vitória (COFAVI), localizada em Cariacica (ES).
- Usina Siderúrgica Mendes Júnior, localizada em Dias Tavares (MG).
Importante: no Vale do Rio Doce (MG/ES), existe a maior concentração de indústria siderúrgica do Brasil.

- Indústrias petroquímicas: No Sudeste estão localizadas as maiores refinarias do país: REPLAN e REDUC.
- Refinaria do Planalto Paulista (REPLAN), no município de Paulínia, é a maior da PETROBRÁS.
- Refinaria Duque de Caxias (REDUC), no Estado do Rio de J aneiro e pertence a PETROBRÁS, é a Segunda
maior do país.
- Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), também pertence a PETROBRÁS.
- Refinaria Artur Bernardes, em Cubatão (Baixada Santista SP).
- Dentre as refinarias particulares, temos: União, em Capuava (SP), União Matarazzo (SP) e Manguinhos (RJ ).

- Indústria naval: O Rio de Janeiro é o maior centro de construção naval do país, estaleiros de Ponta do Caju
(Caneco e Ishtkwajima, Inhaúma), em Niterói (Mauá e Mac Laren) e em Angra dos Reis (Verolme).


- Indústria aeronáutica: Em São J osé do Campos (SP), sede da Emprese Brasileira de Aeronáutica
(EMBRAER), cujo lema é “Brasil país que voa longe”. Diversos tipos de avião são aí fabricados: Brasília, Bandeirantes,
Itapema, etc. Em Itajubá (MG) localiza-se a HELIBRÁS, responsável pela fabricação de helicópteros do Brasil.
- Indústria automobilística: Fábricas em São Bernardo do Campo (SP), em Duque de Caxias (RJ) e em Betim
(MG).
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- Indústria química: Companhia Nacional de Álcalis, em Arraial do Cabo (RJ ), utiliza o sal como matéria-prima
básica para a produção de barrilha, soda cáustica e similares. Resende (RJ) é um centro de indústrias químicas.
- Usina atômica: A central termo-nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis (RJ praia de Itaorna),
que está sendo construída por Furnas – Centrais Elétricas S/A, utiliza o urânio enriquecido.

- Usina termoelétrica em Santa Cruz (RJ ), pertence ao sistema de Furnas - Centrais Elétricas S/A .

- Indústria de calçados: em Franca (SP)

- Indústria têxtil: fábricas em São Paulo, Rio de J aneiro e Minas Gerais. J uiz de Fora (na Zona da Mata),
Petrópolis e Nova Friburgo são cidades tradicionais nessa atividade.

- Indústria de laticínios: Concentrada em Minas Gerais (Poços de Caldas). Desenvolve-se junto às áreas de
pecuária leiteira.

- Indústrias de frigoríficos: em Araçatuba, Barretos, Andradina (SP) e Governador Valadares (MG).

- Turismo (indústria sem chaminés): na cidade do Rio de Janeiro, nas praias fluminenses (Região do Lagos),
capixabas (Guarapari) e paulistas, na zona serrana (Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, Campos do J ordão), nas
cidades históricas e estâncias hidrominerais.


ENERGIA

O desenvolvimento industrial do Sudeste, apoia-se num grande sistema de fornecimento de energia elétrica. Destaca-se
a Bacia do Paraná, a de maior potencial hidráulica instalado e também onde estão as maiores hidrelétricas do país.
O Complexo de Urubupungá, no rio Paraná e formado pelo sistema J upiá – Ilha Solteira (SP/MS), o maior do país,
pertence à Companhia Energética de São Paulo (CESP).
Usina de Furnas (MG), Estreito e J aguará (SP/MG), no Rio Grande (Bacia do Paraná).
Usina Três Maria (MG), no rio São Francisco, pertence à (CHESF) Companhia Hidrelétrica do São Francisco. Sua
construção serviu para regularizar o regime do rio, desenvolvimento da agricultura e navegação, bem como o fornecimento
de energia.
As Centrais Elétricas do Vale do Paraíba (CHEVAP), tem melhorado as condições do vale do Rio Paraíba.


TRANSPORTE
A região Sudeste é a melhor servida do país em transportes aéreo, rodoviário e ferroviário.
As principais rodovias são:
Presidente Dutra (Rio - São Paulo)


Fernão Dias (São Paulo – Belo Horizonte)
Régis Bitencourt (São Paulo – Curitiba)
Castelo Branco (São Paulo – Mato Grosso do Sul)
Washington Luís (Rio – Petrópolis)
Rio – Bahia (Rodovia da Unidade
Nacional)
Rodovia dos Imigrantes (São Paulo
– Santos)
Rio – Santos (litorânea)

As principais ferrovias são:
E.F. Central do Brasil (RJ /MG/SP)
E.F. Leopoldina
E.F. Noroeste do Brasil (liga o
Sudeste ao Centro-Oeste)
E.F. Minas – Vitória (transporta o
minério de ferro de Minas para o porto de
Tubarão/ES)
E.F. Sorocaba
Ferrovia do Aço (MG/RJ )
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ÓRGÃOS QUE ATUAM NO SUDESTE
CVRD ( Companhia Vale do Rio Doce), é a principal empresa mineradora do país. Trata da exploração de
minério de ferro, que é a maior atividade extrativa do Brasil, concentrada no Vale do Rio Doce.
POLOCENTRO (Programa de

Desenvolvimento dos Cerrados), em Minas Gerais atua na região do Triângulo Mineiro, visa desenvolver a agricultura e
pecuária.
CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), Trata da irrigação e desenvolvimento
da região semi-árida do São Francisco.
SUDEVAP (Superintendência do Desenvolvimento do Vale do Paraíba)
SUDENE ( Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste), atua na região semi-árida (norte de Minas
Gerais).
CODEVALE (Companhia de Desenvolvimento do Vale do J equitinhonha)
CEPLAC (Comissão de Plano de Recuperação da Lavoura Cacaueira).