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O EVANGELHO HORIZONTAL Fábio

Fernando de Azevedo Pereira


Prefácio

Quem sou eu na multidão?

E a multidão que ia adiante, e a que seguia, clamava, dizendo: Hosana ao Filho


de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas! (Mt
21:09)

Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe


todos: Seja crucificado. (Mt 27:22)

Multidões, multidões no vale da decisão; porque o dia do SENHOR está perto,


no vale da decisão. (Jl 3:14)

Não é interessante pensar sobre um povo que recebe seu Messias com
honras de Chefe de Estado e em questão de dias declara expressamente que o
mesmo deve ser crucificado?
Mais interessante ainda pensar sobre qual seria a nossa decisão se
estivéssemos entre aqueles que formaram o comitê de boas vindas ao Amado e
posteriormente na comissão julgadora que definiria sua liberdade ou sua
crucificação.
Com certeza hoje, nós, cristãos verdadeiros, diríamos: Não! De maneira
nenhuma eu estaria entre os que disseram crucifica! E o faríamos com a mesma
convicção de Pedro ao dizer ao Amado que jamais o negaria.
Sim, porque com a mesma convicção que em nossas ministrações o
adoramos com juras de amor eterno, logo em seguida o crucificamos novamente
com a prática do nosso pecado. No primeiro momento honras e alegrias ao Amado,
no segundo vergonha e dor.

(...), pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem
ao vitupério. (Hb 6:6b)

• Será que conheço minha identidade em Cristo?

Se nos lembrarmos de Gideão e seu exército, podemos pontuar duas


situações bem interessantes:

1ª) Nosso amigo Gideão não tinha a menor idéia de quem era em Deus. Com
isso vivia escondido do inimigo, amedrontado e com grande complexo de
inferioridade. Note que no versículo 12 do capítulo 6 do livro dos Juízes o Anjo do
Senhor diz que ele é um poderoso guerreiro (NVI). Deus sabia quem ele era e
segundo o versículo 14 do capítulo seguinte, o inimigo também. Gideão era o único
que desconhecia sua identidade em Deus.

2ª) Observando seu exército percebemos que a proporção entre o número


inicial dos alistados (32.000) e o final (300), foi de, apenas, 0,9%. Menos de 1% da
multidão de soldados convocados foi selecionado para guerrear. Da mesma forma,
se considerarmos que dos onze apóstolos aparentemente fiéis, fora o Iscariotes,
filho da perdição, João foi o único que acompanhou o Amado até a cruz, enfrentando
a tudo e a todos, teremos a mesma marca de 0,9%.
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O que quero compartilhar nessa introdução é que há um grande abismo entre
ser um cristão (homens e mulheres que procuram ser semelhantes a Jesus) e ser
membro de uma denominação cristã. Há quem diga que nosso país possui mais de
trinta milhões de cristãos, contando-se apenas o segmento evangélico e que ele
será um país cristão. A pergunta que me assusta é: de que cristianismo estamos
falando? Do mesmo que fez a Inglaterra (país dito cristão-protestante) arrasar a
Índia, partes da África e outros países colonizados trazendo escravidão, miséria,
fome e mortandade de seres humanos? Ou será aquele que criou ou apoiou
movimentos criminosos como a Klu Klux Kan, Nazismo, Apartheid e outros? Quem
sabe não seria esse, que nos dias atuais tem sido tão pregado nos púlpitos
transformados em palco, prometendo o céu na terra e a resolução de todos os
problemas de quem aceitá-lo? Interessante como a História caminha em círculos e
sempre se repete apenas com outra roupagem. Na era medieval loteava-se o céu e
vendiam-se os lotes para quem quisesse ser salvo. Hoje dizem que com Cristo a
salvação já está garantida, mas para se viver bem aqui, antes de ir pro céu, basta
comprar as bênçãos do Pai com todas as facilidades como cartões de crédito,
boletos bancários, cheques pré-datados ou, preferencialmente, a vista.
Cristianismo é a vida de Cristo em nós. No livro de Atos, capítulo 11, verso 26
afirma que na cidade de Antioquia, cuja liderança estava com Barnabé, os discípulos
foram chamados de cristãos pela primeira vez, pois a vida deles, a começar pelo
líder, que segundo o verso 24 era “homem de bem”, era semelhante à vida terrena
de Jesus Cristo. Cristo vivia por intermédio de cada um deles e seu principal
mandamento era exercido por todos.
Quando perguntamos aos membros das igrejas ditas cristãs de hoje sobre
qual o mandamento que Cristo nos ordenou, a resposta da congregação é unânime:
amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Essa resposta é
dada de forma tão contundente que quase faz o prédio de culto tremer. Isso
aconteceu em 100% das denominações que visitei ao longo de 20 anos.
Observemos o diálogo entre Jesus e um doutor da lei que o interrogou em
Mateus 22:36-40:

“E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:


- Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
E Jesus disse-lhe:
- Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de
todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo,
semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois
mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

A resposta dada pelo Amado ao doutor da lei que queria testá-lo foi baseada
na lei mosaica conforme Lv 19:18 e Dt 6:5, ou seja, amar a Deus sobre todas as
coisas e ao próximo como a ti mesmo é um mandamento da lei, não da graça.
Precisamos entender que a lei mosaica é a base do judaísmo. Cristo não veio para
dar continuidade ao judaísmo. O Jesus encarnado nunca ensinou isso como
fundamento do cristianismo. O que o Amado ensinou aos discípulos antes de subir a
cruz para abrir os portais da graça a todos os que crêem foi:

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos
amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis”. (Jô 13:34)

Como Ele nos amou? Amando a si mesmo como ordenava a lei? Ou abrindo
mão da sua própria vida pelos seus semelhantes? Esse mandamento é o
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fundamento do cristianismo e, se analisarmos o que o Mestre diz em seguida:
“nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos
outros”, fica claro que ser discípulo, ou cristão, depende diretamente da obediência
ao maior dos mandamentos. Quem ama ao próximo como a si mesmo, vive pela lei,
mas quem o faz como Cristo o amou, esse vive a plena graça revelada aos homens
de boa vontade.
Através do Evangelho Horizontal, iremos percorrer os caminhos bíblicos que
nos levarão ao centro da vontade do Pai, onde poderemos entender o quão
transformados precisamos ser através da mudança de nossa mentalidade. O que
vivemos hoje é um modelo religioso que dura por volta de 1700 anos, iniciado pelo
imperador Constantino acrescido das influências de segmentos que foram surgindo
ao longo dos séculos.
Quero convidá-lo a embarcar comigo nessa viagem sem volta, pois uma vez
manifestando-se a verdade, somos totalmente libertos por ela e, através dessa
liberdade em Cristo, descobrimos quem realmente somos nEle.
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Fernando de Azevedo Pereira
Capítulo I

O INÍCIO

“E disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa


semelhança (...)” (Gen. 1:26)

“Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas


narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”. (Gen. 2:7)

Ao contrário do que muitos pensam, o Eterno no sexto dia não apenas criou o
homem. Ele gerou um filho. Na Bíblia de Jerusalém, a tradução do hebraico para a
palavra soprou é “insuflou”, ou seja “encheu de ar”. Isso significa que Deus colocou
dentro do homem o Ruach, seu próprio Espírito e, o mesmo, tornou-se alma
vivente. Geneticamente falando, cada ser humano possui dentro de si o DNA, que
traz as informações genéticas de seus pais e antepassados. Atualmente é o único
meio de comprovar a paternidade ou a maternidade de um indivíduo. Assim, o
Criador uniu-se à Mãe-Terra e gerou através dela um filho, inoculando seu DNA
divino no mesmo, a quem deu o nome de Adão. Um homem perfeito, com cem por
cento de suas faculdades mentais e, principalmente, o primeiro templo vivo da
história da humanidade. O Criador deixa claro com isso o seu desejo de habitar no
interior do homem. É interessante lembrar que nosso amado Jesus, nosso irmão
mais velho, esteve presente quando Adão, seu irmão, foi gerado e participou desse
momento tão especial.
Na continuidade, o Eterno pôs em Adão um sono profundo e, de sua costela
gerou uma noiva para ele: Eva, que posteriormente veio a ser sua mulher. O casal
recebe a ordem de povoar a Terra e cuidar dela, o que prontamente se dispõe a
fazer.
Esqueçamos por um momento o advento do pecado. O que teria acontecido se o
homem não pecasse? Muito simples. Esse casal de filhos que Deus gerou a sua
imagem e semelhança iria procriar, trabalhar, se divertir, cuidar do planeta e dos
animais, e assim seus descendentes, ou seja, seriam o que Deus os criou para ser:
seres humanos. A terra se encheria com muitos filhos semelhantes a Jesus e todas
as áreas, profissões, funções e ocupações humanas seriam ocupadas por eles, ou
seja: o governo de Deus estaria implantado nos quatro cantos da Terra e quiçá fora
dela.
O plano do Criador foi perfeito! Seus filhos se multiplicariam e encheriam a
Terra. Uma raça perfeita, sem doenças, dores, com cem por cento de sua faculdade
mental (hoje usamos seis por cento), sem morte, com uma terra produtiva. Creio que
o plano do Criador era que o homem dominasse o universo. Imagine que, se com
seis por cento da faculdade mental, mais mortes, enfermidades, dores, aflições,
fome, desespero, etc., o homem chegou à lua, envia satélites a Marte, avançou na
ciência e na tecnologia, muito mais teria feito com uma mente perfeita, um corpo
perfeito em uma terra perfeita! Não creio que o Eterno tenha criado esse universo
apenas para enfeitar o nosso céu durante a noite. Não! O homem seria,
provavelmente, o grande administrador da criação divina.
Porém o primeiro Adão peca! O elo entre Deus e o homem se desfaz. O
Espírito de Deus se retira do interior, dando lugar apenas ao espírito humano. A
criação sofre, o templo vivo deixa de existir e agora, para se ter acesso a presença
do Criador se torna necessário um sacrifício de sangue. Roupas de peles de um
animal sacrificado se torna a expiação do erro cometido. Por um homem o pecado
entra na humanidade.

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