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SCHMITTER, Philippe C., Portugal: Do autoritarismo à democracia, cap.

III,
Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Lisboa, 1999, pp.
103 a 175

O C or p orativi s mo e a p ol ítica p ú b lica e m


P ortugal.

Portugal: do autoritarismo à democraci a

Philippe Schmitter, nascido em 1936 e tendo-se doutorado em


Berkeley, é professor na área da História Política desde 1967 na
Universidade de Chicago, no European University Institute e ainda em
Stanford. Viajou e foi professor nesta área em várias Universidades e

publicou vários livros e artigos sobre política comparada.

Na opinião de Marina Costa Lobo, é um dos “mais conceituados


teóricos da democratização” i, para além de que esteve em Portugal em
1971, precisamente para estudar o nosso caso específico.

Schmitter debruça-se sobre o corporativismo em Portugal,


tentando perceber porque motivo se viveu debaixo de um estado com
estas características durante tanto tempo; o seu artigo torna-se
importante na medida em que Schmitter usa os dados que recolheu “no
campo” enquanto ainda se vivia sob o Estado Novo ( “A investigação de
campo em que o ensaio se baseia foi realizada durante o Verão d e
1971”, pg. 105).

Historiograficamente, portanto, parece-me que este texto é


extremamente importante, uma vez que o autor escreve com
conhecimento de causa, apoiando-se não só em bibliografia sobre o
tema mas também sobre aquilo que viu durante a sua estadia em
Portugal.

Cadeira: H.P.C. 1
Docente: Dr. Paulo Guimarães
Discente: Ana Rita Faleiro, n.º 18889

Universidade de Évora, Janeiro de 2006


SCHMITTER, Philippe C., Portugal: Do autoritarismo à democracia, cap. III,
Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Lisboa, 1999, pp.
103 a 175

Formalmente, o artigo está dividido em nove pontos (mais epílogo),


ao longo dos quais o autor vai analisar não só o que é o corporativismo
como também a prática do associativismo em Portugal antes do Estado
Novo, de que maneira a representação corporativista se implantou e
evoluiu no nosso País, qual o seu real peso e papel no processo político
(não nos esqueçamos que, por exemplo a nível das eleições, é comum
afirmar-se que não eram livres, ou melhor, que não eram reais uma vez
que era sempre o mesmo partido que ganhava; o que o autor vai fazer é
analisar a que ponto o corporativismo influenciou ou não esta asserção) e
finalmente vai relacionar representação corporativista com as políticas
públicas.

Uma das primeiras questões levantadas – e a meu ver, uma das


mais importantes – prende-se com a duração temporal do sistema
corporativo. Porque motivo durou este sistema tanto tempo? Tal como
nos diz o “Dicionário de História de Portugal”, Portugal foi um dos países
(juntamente com Espanha) onde o sistema se manteve durante mais
tempo, aguentando-se até à década de 70 do séc. XX.

À medida que se lê este artigo, é possível perceber que as razões


apresentadas estão de acordo não só com o Dicionário de História de
Portugal mas também com o próprio Dicionário de História do Estado
Novo. Cada uma destas obras de referência nos mostra que o
corporativismo português seguiu um esquema de implantação gradual,
tendo início na década de 30, com a ascensão de Salazar ao poder, e
atingindo o seu cúmulo na década de 50, altura em que se instalam
definitivamente as primeiras corporações de facto em Portugal. São estas
corporações consideradas como a “abóbada nominal dos sistemas

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corporativos”. Parece-me ter sido este gradualismo uma das razões que
permitiu ao sistema corporativo durar tanto tempo.

Um dos cuidados do autor vai ser o da especificação do que é o


corporativismo em Portugal, pois desde que nos inícios do séc. XIX esta
ideologia se desenvolve neste país, várias vão ser as suas
interpretações. Apenas como exemplo, podemos referir as cinco
definições de base que o Dicionário de História de Portugal nos apresenta
para os valores corporativistas: histórico, ideológico, regime político-
económico (no caso do tempo de Salazar) e neocorporativismo moderno

“Corporativismo: s. m. (de corporativo): 1. sistema


político-económico baseado no agrupamento das classes produtoras em
corporações, sob a fiscalização do Estado. 2. É a doutrina e o regime que
preconizam a organização da economia moderna segundo formas
análogas às corporações da Idade Média.”ii

Esta definição introduz um dado muito importante: qualquer


corporação que exista está obrigatoriamente sob o domínio e controlo do
Estado. Daí que esta palavra e este conceito estejam de tal modo
ligados à ideia de fascismo, o que só por si já justifica a aversão popular
que o conceito “corporativismo” acarreta consigo. É também esta
posição que encontramos nas duas outras obras já citadas.

Segundo o autor do artigo, não há apenas uma mas sim quatro


escolas de pensamento corporativista: uma social-cristã, de cariz
marcadamente tradicionalista, uma escola “modernizante, burocrática,
nacionalista e secular”, uma escola de tradição radical, parlamentar,
burguesa e solidária e finalmente uma escola marcada por um acorrente
de pensamento de esquerda. Não devemos estranhar este facto de haver
tantas maneiras de ver o corporativismo, até porque Portugal, a nível

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político, era na altura um ambiente “caótico” que, a meu ver, ainda não
se recompusera totalmente da multiplicidade de partidos políticos
existentes (e mesmo dentro dos vários partidos, ainda não se
recompusera dos vários dissidentesiii). Logo, se havia tantas maneiras de
ver e pensar a política nacional, é coerente que também haja diferentes
maneiras de encarar o corporativismo.

É curioso vermos que segundo o Dicionário de História do Estado


Novo, é precisamente esta escola social-cristã que nos é apresentada
como tipicamente portuguesa; esta obra defende o corporativismo
português como “catedrático”, imposto segundo uma fórmula, de cima
para baixo e, muito importante, apoiado pela doutrina social da Igreja
Católica, como se fosse um “fascismo baptizado”.

Nitidamente o autor do texto parece ter sido influenciado por estas


duas obras de referência sobre o tema, pois no terceiro ponto do seu
artigo (“A prática do corporativismo em Portugal”) várias são as
referências a um corporativismo português autoritário, controlador do
associativismo livre e espontâneo, “recheado” de “arquitectos políticos”;
refere também o facto de ser imposto de cima para baixo, isto é, segundo
uma fórmula. No entanto, torna-se fundamental não nos esquecermos do
que isto significa: que o corporativismo português, ao contrário dos seus
congéneres europeus, não teve um movimento verdadeiramente fascistas
nem uma cultura verdadeiramente corporativista como bases; o
corporativismo português nasceu de uma série de decretos e leis (que
Schmitter refere no seu trabalho).

Um aspecto fundamental sobre o corporativismo português é o seu


anacronismo, questão esta apontada mas não explicada por Schmitter,
que não especifica as razões que levam a que as corporações apenas

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surjam no final da década de 50, sendo necessário recorrer a bibliografia


diferente para o perceber. Estas razões, dizem-nos o Dicionário de
História de Portugal o Dicionário de História do Estado Novo, prendem-
se a condicionalismos internos e externos, como a depressão mundial da
década de 30, a II Guerra Mundial, descrédito dos regimes corporativos
em geral... a revolução corporativa de 1933 (Constituição de 1933,
Câmara Corporativa, Conselho de Estado, Conselho corporativo, ETN,
Sub-Secretariado de Estado das Corporações e Previdência Social,
decretos que estabelecem em Setembro de 1933 grémios para patrões,
sindicatos para trabalhadores, ordens para associações profissionais,
casas do povo para agricultores e trabalhadores rurais e casas de
pescadores para pescadores) estava paralisada, e isto também
contribuiu para que o corporativismo apenas tenha adquirido as suas
estruturas de cúpula tanto tempo depois de ter sido instaurado em
Portugal.

Daí que se perceba o que o autor refere a página 111: “Embora


Salazar tivesse decididamente uma visão arquitectónica de uma ordem
corporativista «integral», procurou (...) avançar com toda a prudência,
passo a passo, na edificação desse sistema de representação: peça por
peça, sector por sector, nível por nível.”. Foi precisamente esta precisão
mecânica com que se implantou o corporativismo em Portugal que levou
a que, na teoria, ele existisse, enquanto que na prática, e tal como o
autor nos diz, as primeiras corporações só surgiram na segunda metade
da década de 50iv... o que revela de facto o grande intervalo de tempo
entre a aplicação teórica e a aplicação prática deste regime! Aliás, este
mesmo anacronismo leva muitas vezes à tentação (errada, segundo o
autor, e com cuja qualificação eu concordo) de se ignorar ou de se

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estudar a fundo o corporativismo português, pois parece não haver uma


sequência lógico-formal, por assim dizer, nesta prática. Por isso mesmo
reitero a minha opinião acerca da importância historiográfica deste artigo,
uma vez que representa o primeiro estudo sistemático (chegando mesmo
a incluir uma proposta de um modelo quase experimental para analisar a
sociedade portuguesa em comparação com a sociedades irlandesa e
grega) .

Uma das razões para a implantação do corporativismo em


Portugal, tal como nos mostra Schmitter, parece ter sido a defendida por
Salazar: “Devido à falta de equilíbrio do espírito humano, a ordem não é
espontânea; alguém tem de comandar para benefício de todos”. A partir
do topo, tentou-se transmitir uma imagem dos benefícios da aplicação do
corporativismo: no seu segundo momento (ou seja, a partir da segunda
metade da década de 50), Salazar esforça-se por tornar o Estado
Corporativo numa estrutura central de previdência social ao estilo
europeu, e a tónica do corporativismo passou a estar focalizada no bem-
estar social. Durante os aos 60 o sistema corporativo converte-se num
aparelho de previdência social, e foram feitos alguns esforços (embora
fracos) para que as organizações corporativas de base (instituídas em
1933) levassem a cabo esses programas.

Esta afirmação de Salazar não nos deve de modo algum chocar,


até porque vai de encontro à visão “contemporânea” e de auto-
justificação de implantação do Estado Novo. Uma vez que o País se
encontrava neste estado lastimoso de anarquia e desordem política e
social, um regime autoritário seria visto como salvador da Pátria, como
regenerador. Estes são também os objectivos da economia do
corporativismo português: anti-socialismo, auto-dirigida e

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intervencionista. Creio que ao longo do trabalho de Schmitter se vêem


bastante bem exemplos de cada uma destas características.

A verdadeira questão, parece-me, será a de analisar quais as


reais consequências que desta implantação corporativista derivaram.
Terão elas sido benéficas ou, por outro lado, terão atrasado ainda mais o
País? O autor analisa extensivamente estes aspectos, faz uma análise
comparativa da sociedade corporativizada portuguesa e outras
sociedades semelhantes, como sejam a espanhola, a grega e a irlandesa
(embora, por motivos que mais tarde vai explicar no seu artigo, se refira
sobretudo à sociedade grega), a vários níveis – alfabetização, economia,
transportes, grau de sindicalização, entre outros. É uma
transdisciplinariedade que caracteriza esta análise à sociedade
portuguesa, e é isso que faz dela, a meu ver, uma análise tão completa e
um trabalho tão importante.

Outro ponto fundamental inerente ao corporativismo e que o autor


vai igualmente explorar é a questão da importância política do
corporativismo, qual o impacte real que o País sentiu através das
políticas públicas que foram adoptadas.

Em relação à implantação da prática corporativista em Portugal, o


autor aponta-nos a grande importância da promulgação não só do ETN
mas também de toda uma série de decretos, publicados curiosamente no
mesmo dia (23 de Setembro de 1933; decretos lei n.º 23 049, 23 050, 23
051, entre outros), que regulamentam desde logo a aplicação de uma
prática corporativista em Portugal (até porque, tal como o autor nos diz,
para Salazar a corporação era um dos princípios fundamentais para o
regime que desejava implementar). É através destes decretos e deste
ETN que se vão estabelecer em Portugal instituições de controlo da

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v
população, como por exemplo sindicatos, grémios, Casas do Povo ,
Casas de Pescadores. O autor vai falar bastante de cada uma destas
instituições, analisando-as, construindo com os dados obtidos tabelas, de
modo a organizar e transmitir mais facilmente a informação. Apresenta
ainda conclusões bastante pertinentes. Refiro-me por exemplo à questão
da obrigatoriedade (ou falta dela) das quotizações dos sindicatos: “(...)
esse direito era exercido discricionariamente, de modo a recompensar os
sindicatos submissos e a punir os recalcitrantes.” (pg. 120).

Outro ponto importante, ainda em relação à implementação da


prática corporativista em Portugal, tem a ver com a questão do estatuo
social da população abrangida pelo corporativismo. Assim, se se analisar
a prática corporativista pelo ponto de vista do patronato, a conclusão a
que chegamos é que este estrato da população não sentiu os efeitos do
corporativismo como o sentiram as classes trabalhadoras (agrupadas em
grémios obrigatóriosvi). Por quê? Porque não há memória ou registo da
extinção de nenhuma das 285 associações patronais que existiam, ao
passo que associações de trabalhadores, uma vez que logicamente
representavam um perigo para a “ordem pública”, foram na sua maioria
extintas.

Não deixa no entanto de ser curioso ressaltar o facto de que, não


obstante o facto de o Estado Novo ter considerado mais prudente
trabalhar com estas instituições patronais, e não obstante o facto de
estas associações não terem sido obrigadas a dissolver-se, elas apenas
eram o que de mais “livre” existia sob a égide do Estado Novo, não
detendo no entanto a “(...) autonomia que o sistema pluralista de
representação de interesses pressupunha” (pg. 125). Na verdade,
estavam obrigadas a submeter os seus interesses aos interesses do

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Estado; além disso, se é verdade que podiam criar grémios voluntários


(embora não tenham sido muito comuns), também é verdade que os seus
panfletos só podiam ser publicados após aprovação do Conselho
Corporativo; o autor mostra-nos portanto mais uma vez o carácter
relativo da “autonomia” de tais instituições, bem como o controlo
exercido por parte do Estado.

Por aqui se vê, creio, que os próprios dirigentes do Estado Novo


não se sentiam completamente seguros, uma vez que eliminavam
qualquer ameaça que pudesse existir à ordem que eles advogavam. Para
além disso, através do corporativismo, algumas das secções mais
importantes da economia política foram “apropriados” pelo Estado Novo
(mais uma vez, o carácter autoritário e totalizante do corporativismo
português).

Ao longo do tempo, a representação corporativista foi-se


alterando, e como eu também já referi, só na segunda metade da década
de 50 é que aparecem as corporações. Até lá, o que se passava?

Mostra-nos o autor que todas as instituições corporativas que


tinham vindo a ser criadas desde a ascensão de Salazar foram
largamente utilizadas durante período da II Guerra Mundial. Nesta
altura, “foram fixados preços, atribuídas quotas, impostas multas,
reduzidos os salários, em grande medida sob os auspícios do
«corporativismo» (...)” (pg. 129). É igualmente nesta altura que as
eleições perdem o seu sentidovii, sendo inclusivamente suspensas, e as
instituições corporativas são convertidas em meramente agentes do
Estado, perdendo qualquer autonomia de acção que pudessem ter tido no
passado.

O que quer tudo isto dizer?

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Que, se havia objectivos propugnados pelos portugueses, estes


foram completamente ridicularizados (no dizer do autor). Ou seja, nem
se criou uma “harmonia orgânica natural” nem se descentralizou “poder
de decisão para corporações autónomas com funções específicas”. Cada
vez o Estado se apropriava de mais e mais funções que em teria
deveriam pertencer às instituições corporativas/associativas Poderá isto
querer dizer que, se não tivesses existido uma II Guerra Mundial, a
prática e os efeitos do Corporativismo português poderiam ter sido
diferentes?... Na minha opinião, o que o autor dá a entender com esta sua
conclusão é que a resposta à questão enunciada seria “sim”, e nesse
caso estou inclinada a concordar com ele. No entanto, creio que ainda
existem poucos (ou mesmo nenhuns) dados que nos permitam afirmar
categoricamente esta opinião. Mas o que é certo é que o que é dito e
escrito por Philippe Schmitter parece-me ser que, decorrente da II
Guerra Mundial, por razões quiçá políticas ou económicas, o Estado
Português viu-se obrigado a deixar de lado os seus objectivos iniciais da
política corporativista, tornando-se ao invés um Estado altamente
autoritário e controlador. Na minha opinião, está aqui a razão do tardio
aparecimento das corporações num estado que já era corporativo pelo
menos há 2 décadas.

Em relação ao papel do corporativismo no processo político, o


primeiro dado que o autor nos dá é que este papel seria muito pouco. O
que de mais importante há a realçar são três pontos que regem a sua
acção no âmbito da política: o sistema de “corte”, de “pessoas de
situação” que rodeiam Salazar a partir da década de 60 (pessoas estas
que podiam inclusivamente ser nomeadas para cargos ministeriais). É
importante notar-se o facto de que estas pessoas não eram quaisquer

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pessoas, uma vez que se tratavam muitas das vezes (se não todas...) de
amigos de Salazar, e eram os representantes de cada instituição
diferente (ou seja, representavam a Igreja, as Forças Armadas, as
finanças, et caetera.

Outro ponto do papel do corporativismo prende-se aos níveis de


decisão política. De facto, o autor mostra-nos que o corporativismo está
ligado por quatro níveis:

• Participação dos grémios, sindicatos e casas locais na


eleição dos vereadores;

• Comissões e conselhos consultivos, que “inundavam” a


administração pública portuguesa, e nos quais tinham sempre
lugar representantes das instituições corporativas;

• Modo de eleição do Presidente da República, que é alterado


pada sufrágio directo;

• Representação do sistema oficial de grupos de interesses na


Câmara Corporativa (facto que o autor considera como um
caso único e específico de Portugal).

A Câmara Corporativa é a característica mais marcante da


influência política do corporativismo português, chegando inclusivamente
a ter mais influência que a própria Assembleia; no entanto, é necessário
não nos esquecermos que os seus pareceres são meramente consultivos.
Para além disso, é necessário vermos o que o autor nos diz: ela
representa os interesses colectivos e individuais alvo de recompensa por
parte de Salazar (ou mesmo de “compra”, na medida em que pertencer-
se à Câmara Corporativa poderia ser uma política de Salazar para
garantir a fidelidade dos seus membros ao regime no futuro viii).

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No último ponto antes da conclusão, autor vai falar sobre o


impacte das políticas públicas (facto que eu referi um pouco mais atrás
neste pequeno relatório sobre o texto).

Um dos primeiros factos para o qual o autor chama a nossa


atenção tem a ver com o seguinte: em qualquer política que fosse
seguida pelo Regime, a representação dos interesse rurais e fundiários
era muito baixa, chegando no máximo aos 10%. A maior parte dos
representantes/deputados na Câmara Corporativa eram funcionários
públicos tal como o autor nos mostra no quadro n.º 6, presente na pg.
141. Ainda sobre esta análise que o autor faz sobre a Câmara
Corporativa, é importante realçar que este organismo não tinha como
objectivo a consulta para articulação dos interesses coloniais.

Ao longo deste ponto, o que o autor vai defender é uma análise


contrafactual do caso português, sendo muito categórico quando afirma
que a análise deve ser feita tendo como ponto de partida o que não
aconteceu em Portugal, em vez de se analisar com base no que
aconteceu.

É neste ponto que o autor vai introduzir as comparações com


outras sociedades, principalmente com a Grécia, pois é a que mais
pontos em comum tem com Portugal. Ao introduzir o seu “modelo quase
experimental”, o autor vai produzir três gráficos e algumas tabelas, para
melhor explicar os seus pontos de vista. No entanto, para tais gráficos
“funcionarem”, será necessário que as condições nas sociedades alvo de
comparação fosse exactamente iguais. Tal situação é, logicamente,
impensável, pelo que creio que não estou muito de acordo com este
modelo que o autor apresenta.

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Ao longo deste ponto, o autor vai analisar vários factores


económicos da sociedade portuguesa, e vai comparar a sua evolução em
relação aos das outras sociedades. Chega rapidamente a uma importante
conclusão: é certo que Portugal apresenta uma evolução mais acentuada
num período de tempo igual. No entanto, isto prende-se não com uma
real melhoria económica do País mas sim com o facto de os valores
iniciais serem mais baixos em Portugal do que nas outras sociedades. No
entanto, apesar disto, não podemos negar a importância que o governo
de Salazar teve, uma vez que a economia melhorou de facto.

Qual o papel que o corporativismo terá tido na economia? Não


podemos deixar de referir a opinião de Pedro Teotónio Pereira: “o estado
vai promover a formulação da economia corporativa, fixando
metodicamente as grandes linhas a que se deve subordinar a acção dos
novos agrupamentos de cooperação económica e social desde os mais
elementares aos mais perfeitos”. Segundo Salazar, que olhava para o
estado com um misto de bonomia e desconfiança, “o Estado deve
manter-se superior ao mundo da produção, igualmente longe da
absorção monopolista e da intervenção pela concorrência”, de modo a
ser imparcial na arbitragem de todos os interesses. Constituição de
organismos corporativos superiores, uniões, federações e por último as
corporações são da exclusiva responsabilidade e iniciativa do Governo.
No entanto, se virmos o que Pires Cardoso defende, apercebemo-nos de
que na Revista do Gabinete de Estudos Corporativos do Centro
Universitário de Lisboa (de que Pires Cardoso é director) é dito que o
Estado não se deve esquecer que é um mero árbitro, e que a melhor
forma de limitar o intervencionismo daquele é desenvolver fortemente as

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instituições corporativas, de modo a dar àqueles limites que se


pretendem impor um carácter fixo e natural.

Mas quais são as principais conclusões do autor em relação à


política pública de Portugal?

Em primeiro lugar, podemos referir a questão do eleitorado, que


apesar de ser mais reduzido do que por exemplo na Irlanda, é um
eleitorado estável. No entanto, parece-me importante referir que o autor
não faz referência neste ponto do seu artigo para o facto de a eleições
em Portugal (tal como já referi atrás) terem perdido o seu sentido,
justificando-se assim o facto de o eleitorado em Portugal ser, tal como
refere Schmitter, reduzido.

Em relação aos sindicatos, o autor é um pouco mais crítico, uma


vez que considera serem menos combativos que os gregos, para além do
facto de serem mais controlados, inclusivamente nos sectores patronais:
é a cobertura “integral”, característica do corporativismo português.

Para além disso, Schmitter refere uma característica muito


própria do caso português: uma centralização sistemática dos recursos
governamentais que não tende a diminuir, creio que em parte por causa
dos aspectos já anteriormente referidos. Em relação à questão do
investimento público e/ou privado, o autor conclui que Portugal
apresenta uma pequena capacidade de extracção de recursos, e que o
seu maior investimento é nível de defesa (ou seja, despesas militares;
na minha opinião, isto pode ter a ver com o facto de os alicerces do
Estado Novo estarem fundados na anterior ditadura militar). No entanto,
é extremamente importante lembrarmo-nos que tudo isto se passava a
um nível meramente interno, uma vez que nada destas políticas, nem as
posteriores crises governamentais e remodelações ministeriais, atraíram

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grande atenção por parte das potências estrangeiras. Portugal


aparentava permanecer à margem dos grandes acontecimentos
internacionais (embora não tenha sido sempre assim; não nos
esqueçamos que Portugal foi receptor de investimento americano
proveniente do Plano Marshall, aderiu à OTAN... ou seja, apenas no
âmbito político interno é que Portugal se encontrava à margem dos
assuntos internacionais).

O autor vai ainda referir o papel importante das contribuições


pagas pelos trabalhadores para a segurança social (cerca de um quinto),
a questão da habitação pública (onde os poderes políticos e mostraram
fracos, apesar das promessas iniciais) e os vários factores que
influenciam o desempenho da economia e da sociedade: contextos
culturais, sociais e económicos.

O que se pode concluir de tudo isto? Creio que uma avaliação


maioritariamente negativa dos impactos que o regime autoritário e
corporativo tiveram em Portugal, resultados estes que se agravam ainda
mais se o único termo de comparação for a Grécia. No entanto, será que
apenas existiram aspectos negativos? Por certo que não, e o autor faz
uma chamada de atenção para a importância de, ao analisarmos este
regime, não nos esquecermos de referir estes aspectos positivos (como
sejam por exemplo os referidos na pg. 165: “(...) os seus cidadãos foram
poupados da ansiedade psíquica de fazer opções políticas e dos custos
pessoais que pode representar a agitação social”ix ). Outro aspecto
positivo terá sido, parece-me, o franco desenvolvimento da economia
que se verificou em Portugal nesta altura, facto mostrado não só neste
artigo de Schmitter mas nos dados apresentados por Fernando Rosas nos

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seus artigos publicados no VII volume da História de Portugal da


direcção de Mattoso.

O último passo do autor vai ser a conclusão do seu artigo, e o mais


importante a notar é facto Schmitter afirmar que ainda não se sabe qual
vai ser o destino do corporativismo em Portugal.

No entanto, não devemos menosprezar o que realmente significou


esta queda do corporativismo. É certo que ruiu de um dia para o outro.
Mas será que desapareceu completamente?

É certo que desde a subida de Caetano ao poder, o corporativismo


se tornara mais brando; no entanto, aquando da revolução de 1974
(originalmente apenas com o objectivo de derrubar Marcello Caetano),
todas as instituições corporativas foram associadas ao fascismo e assim
era necessário repudiá-las e destruí-las; no entanto, foram destruídas
antes de se criarem outras melhores, e a situação de Portugal não
melhorou, antes pelo contrário. “O sistema corporativo foi abolido no
calor e na paixão ideológica de um contexto revolucionário, e não como
resultado de uma avaliação cuidadosa dos seus limites e das suas
realizações. Em 1974-5, Portugal repudiou a ideologia corporativista do
regime de Salazar, as suas instituições corporativas políticas e
económicas e muita da cultura política corporativista-organicista que
era historicamente a cultura do país.x” (pg. 424). Apesar de nesta altura
o neocorporativismo estar a ser redescoberto pela Europa, e aceite,
Portugal não estava ainda pronto para o implantar. Isto resulta numa
disfunção: por um lado rejeita-se o corporativismo, mas por outro, sub-
repticiamente, continua-se a praticá-lo, continuava a suspeitar-se de
qualquer relação entre capital e trabalho. “ A rejeição do corporativismo
em Portugal, provocada pela revolução e pelo desacreditado regime de

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Discente: Ana Rita Faleiro, n.º 18889

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SCHMITTER, Philippe C., Portugal: Do autoritarismo à democracia, cap. III,
Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Lisboa, 1999, pp.
103 a 175

Salazar, foi tão forte que foi anatemizado por longo tempo (ainda hoje,
nalguns meios) qualquer tipo de corporativismo.xi” (pg. 425).

Também no Dicionário de História do Estado Novo, dirigido por


Rosas e Brandão de Brito, encontramos uma avaliação negativa do
impacto do corporativismo em Portugal, avaliação negativa esta que não
me parece existir no artigo de Schmitter.

Em que se pauta então esta avaliação negativa?

No final da 1ª década de corporativismo em Portugal (que coincide


com o aproximar do final da II Guerra Mundial) chega-se a uma
conclusão simples: corporativismo a menos e intervencionismo a mais.
Porque a iniciativa privada é vista como não detendo espírito de risco e
empresarial, ela é posta em segundo plano e não é tratada ao mesmo
nível que o intervencionismo estatal. A nível oficial, é mal vista, e
insinua-se que a organização corporativa (no sentido de autodirecção)
pode falhar por causa da fuga às responsabilidades por parte dos seus
dirigentes.
Já foi anteriormente referido que em Portugal o sistema corporativo
foi imposto, e esta situação origina que a identificação de princípios que
apregoava junto dos grupos e classes a que se destinava não foi possível
de se atingirxii. Há cada vez mais críticas ao corporativismo, e nem no
campo económico, segundo este dicionário, os resultados foram
favoráveis.

Esta obra apresenta ainda uma tripla apreciação negativa:

• Primeira apreciação negativa: no campo do pragmatismo,


que leva a um papel muito exagerado do Estado na vida
económica.

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SCHMITTER, Philippe C., Portugal: Do autoritarismo à democracia, cap. III,
Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Lisboa, 1999, pp.
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• Segunda apreciação negativa: lentidão com que se implanta.

• Terceira: influência nos comportamentos e mentalidades da


maior parte dos agentes económico-sociais.

No centro do balanço e da crise encontra-se a questão do


intervencionismo, “(...) verdadeira pedra de toque da economia do
corporativismo português.” (pg. 221 do Dicionário de História do Estado
Novo)

Foi imposto porque num primeiro momento não podia ser


espontâneo numa sociedade inorgânica e acorporativa. É fruto da
vontade de uma elite, para tentar preencher o vazio ideológico
procedente da Ditadura Militar.

A paragem de anos a fio é reconhecida por Salazar como tendo


sido um erro, mas foi necessária por causa da adaptação a que o sistema
se viu forçado pelas guerras que existiram nesta época: a II guerra
Mundial e a guerra civil espanhola.

Todos desejam o desmantelamento das vias burocráticas que


foram sendo implantadas. Sobre a organização corporativa portuguesa
parece ter caído uma “maldição”: o conformismo que se injecta na Nação
para esconder as suas próprias incapacidades. A organização
corporativa adapta-se a uma sociedade à qual não restaram se não o
conformismo, o pragmatismo e o senso comum, e isto afasta-se dos
princípios e práticas defendidas. Da economia do corporativismo não
sobra se não o retrato cruel que dela faz Caetano, retrato que constitui
uma confissão de fracasso. Afastou-se da economia auto-dirigida e
como alienou as vantagens da iniciativa privada, a recuperação torna-se
difícil.

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SCHMITTER, Philippe C., Portugal: Do autoritarismo à democracia, cap. III,
Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Lisboa, 1999, pp.
103 a 175

Depois de tudo o que foi dito, creio poder afirmar que sem dúvida
este artigo de Schmitter é sobremaneira importante para compreender
alguns aspectos do corporativismo em Portugal. No entanto, para
compreender bem esta questão (implantação, desenvolvimento,
consequências práticas para a vida quotidiana, queda...), não nos
podemos ficar por uma leitura ou análise deste mesmo artigo, sendo
necessário recorrer a mais bibliografia que vem complementar o que
Schmitter diz (sendo no entanto ressaltar que nenhuma da bibliografia
adicional que eu consultei contradiz as teses do autor). Não o considero
portanto um artigo actualizado, e isso percebe-se bem: apesar da sua
grande importância, ao ter sido escrito antes da revolução de 1974 e da
queda do corporativismo, seria impossível enumerar ou as
consequências desta queda... daí a necessidade de se lerem artigos de
referência, mais actualizados, como os que foram referidos ao longo
deste breve artigo.

Bi b li o grafia

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SCHMITTER, Philippe C., Portugal: Do autoritarismo à democracia, cap. III,
Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Lisboa, 1999, pp.
103 a 175

• “Corporativismo”, in BARRETO, A., e MÓNICA, M.ª F. , “Dicionário de


História de Portugal, Vol. VII, Suplemento A/E”, Figueirinhas, , 1999;

• “Corporativismo”, in ROSAS, F., e BRANDÃO DE BRITO, J. M.,

“Dicionário de História do Estado Novo – volume I, A-L”, Círculo


de Leitores, 1996;

• LOBO, M. C., “Análise Social”, Número 154-155, Volume XXXV, 2000;

• ROSAS, F., “História de Portugal, vol. VII”, dir. José Mattoso, Círculo de
Leitores, 1ª edição, 1994

• SCHMITTER, Philippe C., Portugal: Do autoritarismo à democracia, cap. III,


Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Lisboa, 1999, pp. 103
a 175;

i In «Análise Social», número 154-155, Volume XXXV, 2000.


ii In Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, Círculo de Leitores, 1985. Para além disso, é o
facto de o corporativismo ter semelhanças com o sistema seguido na idade média que vai permitir ao
autor fazer um cronologia das associações existentes em Portugal , começando precisamente no séc. XIV,
no reinado de D. João Mestre de Avis.
iii Lembremos por exemplo o Partido Legitimista, o partido Progressista, o Partido Regenerador,
o Partido Nacionalista... com este cenário de fundo, parece-me bastante óbvio o porquê da minha
afirmação. Aliás, é este clima que a meu ver vai justificar a ascensão de golpes militares autoritários, tal
como foi o caso do Sidonismo em 1917 ou, mais tarde, o golpe de 26 de Maio que vai instaurar uma

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SCHMITTER, Philippe C., Portugal: Do autoritarismo à democracia, cap. III,
Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Lisboa, 1999, pp.
103 a 175

Ditadura Militar. Correndo o risco de parecer demasiado opiniosa, arriscar-me-ia a dizer que houve uma
justificação plausível para estes golpes militares autoritários, pois parecem-me ter sido a única maneira de
arrancar o País do anarquismo político e confusão mental em que se encontrava.
iv Não esquecer no entanto que o facto deste novo ênfase se situar nesta data está igualmente
ligado à recuperação económica que se fazia sentir por então.
v Que deveriam existir em cada freguesia; assim se vê que praticamente toda a população se
encontrava vigiada...
vi A organização corporativa sobrevive apesar da reacção espontânea contra a burocracia e a
rotina porque se adaptou aos novos tempos e à co-habitação com a burocracia e admitiu que alguns
princípios do corporativismo fossem sendo transformados num crescente intervencionismo; é aqui que se
introduz a questão dos grémios obrigatórios, considerados por Caetano como o que mais se aproxima da
concepção de corporativismo do Estado.
vii Torna-se no entanto referir que, apesar de as eleições terem perdido o seu sentido, sabe-se
que estas nunca deixaram de se realizar durante o período da ditadura; aliás, embora saia do âmbito deste
relatório, não é demais referir que Schmitter tem um artigo precisamente sobre a problemática das
eleições em Portugal durante este período. No entanto, apesar de nunca terem sido suspensas, parece certo
a conclusão de que perderam o seu sentido. Na obra dirigida por Mattoso, “História de Portugal”,
apercebemo-nos dos grandes índices de abstenção eleitoral, o que prova o sentimento da população da
inutilidade de votar.
viii No entanto, como o mesmo autor diz noutro artigo, quando o regime caiu, não tinha
praticamente defensores nenhuns; isto tem a ver com as outras características do regime instituído, que se
pautavam por uma grande repressão, vigilância, censura, etc.
ix Se bem que, em termos democráticos, isto possa ser discutível...
x “Corporativismo”, in BARRETO, A., e MÓNICA, M.ª F., “Dicionário de História de Portugal,
Vol. VII, Suplemento A/E”, Figueirinhas, 1999, pg. 424.
xi “Corporativismo”, in BARRETO, A., e MÓNICA, M.ª F., “Dicionário de História de
Portugal, Vol. VII, Suplemento A/E”, Figueirinhas, 1999, pg. 425.
xii “Corporativismo”, in ROSAS, F., e BRANDÃO DE BRITO, J. M., “Dicionário de História
do Estado Novo – volume I, A-L”, Círculo de Leitores, 1996

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