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1968: A Irrupção do Acontecimento

Durval Muniz de Albuquerque Júnior

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

“A Rua Gay-Lussac ainda traz as marcas da ‘noite das barricadas’. Carros destruídos pelo fogo cobrem o chão, com suas carcaças sem tinta, sujas e cinzentas. As pedras do calçamento, removidas do meio da rua, encontram-se em grandes montanhas nos dois lados. Um vago cheiro de gás lacrimogêneo ainda permanece no ar.

Na junção com a rua Ursulines há um canteiro de obra cuja cerca de arame foi esburacada em vários lugares. Daqui foi levado material para pelo menos uma dúzia de barricadas: tapumes, carrinhos de mão, cilindros de metal, vigas de aço, betoneiras, blocos de pedra. O local também forneceu uma broca pneumática. Os estudantes não puderam usá-la, é claro – não, até que um operário da construção que passava mostrou como usá-la; talvez o primeiro trabalhador a apoiar ativamente a revolta estudantil. Uma vez quebrada, a superfície da rua forneceu paralelepípedos, que logo foram usados de várias formas.

Tudo isso já é história”. 1

Este é o início de um relato escrito por alguém que vivenciou as duas primeiras

semanas dos acontecimentos de maio de 1968 em Paris. Pertencente ao grupo inglês, de

tendências libertárias Solidarity, que mantinha intensos contatos com o grupo

Socialismo e Barbárie, organizado na França por Claude Lefort e Cornélius Castoriadis,

que haviam rompido com o trotskismo e que denunciavam o stalinismo e os crimes do

chamado socialismo real, este narrador anônimo e participante direto dos eventos, os

relata com enorme entusiasmo. O que chama especial atenção é a certeza que o

acompanha, a todo momento, de que está fazendo história; e que naqueles dias uma

mutação profunda estava ocorrendo na sociedade francesa e que e ela se irradiaria por

todo ocidente. Ao mesmo tempo em que se refere à perplexidade com que o levante

social é encarado, tanto pelos setores conservadores da sociedade e pelo Estado, quanto

pela própria esquerda institucionalizada e burocratizada, que atarantados tentam

encontrar explicações para o que ocorria, este participante parece ter muito claro que ali

estava se constituindo um marco na história contemporânea, que nada conseguiria sair

1 Solidarity. Paris: Maio de 1968. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2003, pp. 11-12.

impune do furor revolucionário, no campo da ação e no campo do pensamento, que havia se concentrado intensivamente naquelas poucas semanas parisienses e francesas.

Se este militante tem razão, se maio de 1968 foi vivido pelas multidões que acorreram às suas manifestações, passeatas, ocupações, assembléias, confrontos com as forças policiais, como um momento histórico, como a história sendo feita cotidianamente nas ruas, praças, fábricas, universidades, bares, anfiteatros, como a

história acontecendo em cada assembléia, discussão, confronto, a cada vez que palavras de ordem foram gritadas e pichadas em muros, paredes, placas comerciais, a cada vez que vozes se ergueram para cantar a Internacional, em cada panfleto que se imprimiu e

se distribuiu, a cada vez que punhos cerrados gritaram palavras de ordem, que braços e

mãos unidas formaram as longas colunas das multitudinárias passeatas, a cada voz que gritou através dos auto-falantes seus desejos e seus projetos, a cada confronto acalorado

de posições, a cada gesto de socorro e de solidariedade na hora das batalhas campais, da

ingestão do gás lacrimogêneo, das queimaduras das bombas de fósforo, do sangue jorrando pelo ferimento feito a cassetete, na hora da prisão e da humilhação, como os profissionais da história viveram o maio de 1968? O que tiveram a dizer? Perceberam que a história estava acontecendo? Sobretudo, que impacto sobre a forma de ver, pensar e interpretar a história tiveram os acontecimentos de 1968? Será sobre estas questões que me debruçarei neste texto.

Embora muitos dos historiadores que assumirão a vanguarda da produção

historiográfica na França, nos anos seguintes, estivessem entre os alunos ou professores que participaram diretamente do maio de 1968, o impacto do movimento na historiografia vai levar certo tempo para se fazer sentir. A escola dominante na historiografia francesa, a Escola dos Annales, até este momento sob a direção e influência direta de Fernand Braudel, praticava uma escrita da história preocupada com

a longa duração, avessa à abordagem de uma história imediata ou mesmo mais

contemporânea, afastada de uma história política no sentido estrito, preocupada com a análise das estruturas que conformavam em um tempo longo a realidade histórica. Resultado do embate e a posterior aproximação com a escola estruturalista, notadamente aquele que na antropologia tinha a obra de Levi-Strauss como inspiração, esta historiografia, em grande medida, negligenciava, quando não explicitamente negava a importância dos acontecimentos, considerados por Braudel, em seu livro clássico,

simples marolas ou espumas na superfície do mar da história.

A forma como a rebelião de maio de 1968 se encerrou, com um refluxo rápido do movimento, com as forças da própria esquerda organizada: o Partido Socialista e o Partido Comunista Francês colaborando para o retorno a ordem, denunciando os agitadores e provocadores, acusando o que chamavam de grupelhos pseudo- revolucionários de serem agentes infiltrados da burguesia e do capital, de fragilizarem as organizações dos trabalhadores e com o gaulismo saindo vitorioso e fortalecido nas eleições do ano seguinte, esta tese da fugacidade e pouca significação do acontecimento para a história parecia sair reforçada, afinal a ordem, o sistema, as estruturas pareciam ter mostrado toda a força que possuíam no sentido, não só de resistir e vencer o movimento, como de paulatinamente absorver suas energias, se adaptando e incorporando muitas das reivindicações surgidas naqueles dias de maio.

Mas será mesmo que um acontecimento perde importância porque não realiza

completamente os projetos e aspirações de quem o realizou? O fato do capitalismo e do Estado francês terem de fazer mudanças ou concessões, da cultura e do pensamento desta sociedade terem se modificado, não é justamente a constatação da importância e do significado do acontecimento 1968? Talvez acostumados pelo positivismo em sobrevalorizar o acontecimento único e raro e em seguida pelo marxismo em considerar

o acontecimento revolucionário como aquele que faz um corte radical na história, que a

cesura de alto a baixo, que a refunda, os historiadores tenham terminado por negligenciar e desvalorizar o acontecimento, como sendo onde a história se faz, mesmo quando o acontecimento seja banal, recorrente, cotidiano, mesmo quando não seja espetacular, mesmo quando não muda o mundo ou transforma toda uma estrutura.

Hoje existe certo consenso na comunidade de historiadores que o maio de 1968 foi fundamental para a ocorrência do que se convencionou chamar de retorno dos eventos na historiografia. Os historiadores, que sob a influência de disciplinas como a economia e a sociologia, pareciam cada vez mais terem vergonha de narrar os eventos, considerando que isto reduzia a história a um estatuto pré-científico, redescobrem a centralidade dos acontecimentos no processo histórico, e começam a se questionarem

sobre o papel do relato, da narrativa na escrita da história. Michel de Certeau, que vai exercer uma influência crescente na historiografia francesa, nos anos seguintes a 1968, e que será um dos primeiros intelectuais a enfrentar, ainda no calor dos acontecimentos, a tarefa de tentar interpretar os eventos de maio, chama especial atenção para o papel que

a linguagem, a propaganda, a criatividade artística, que os slogans, palavras de ordem,

panfletos, pichações tiveram para o evento. Maio de 1968 seria um momento de luta contra o monopólio da informação, da palavra, da criatividade, exercido pelas mídias e pelas instituições dedicadas à produção de saber. Capítulo decisivo na luta contra a alienação social produzida pelo capitalismo, a luta contra o monopólio do significado da própria vida e da sociedade, será uma lição de maio para os historiadores. O questionamento da separação entre passado e presente, entre saber acadêmico e saber popular, entre a História com letra maiúscula e o que fazem as pessoas todos os dias são heranças de maio de 1968, que terão impactos nos anos seguintes na produção dos historiadores.

Quando cerca de duzentos professores e estudantes criam o Fórum-história no Instituto Charles V da Universidade de Paris VII, em 1975, sob a coordenação de Jean Chesneaux, buscavam realizar uma crítica da instituição historiográfica a partir de algumas idéias de maio de 1968. Denunciavam o distanciamento entre o estudo do passado e a prática social, entre os historiadores e os sujeitos da história, crítica possível de ser feita à medida que muitos daqueles que ali se reuniam haviam se sentido sujeitos da história nas semanas que foram descritas em uma pichação, como “dias de felicidade”. Aliás, o chamado retorno do sujeito na historiografia, após a ênfase dada à ação das estruturas impessoais, que marcara a produção historiográfica do imediato pós- segunda guerra, também pode ser creditado ao movimento de 1968, embora tenhamos que recordar que esta é uma década marcada por inúmeros movimentos sociais em todo o mundo.

Michel Foucault, por exemplo, que não estava na França em maio de 1968, embora seja um intelectual quase sempre associado a toda contestação que reinava no interior da universidade francesa, pois dela participou como professor e como dirigente quando da instalação da Universidade de Vincenes, uma das conseqüências imediatas do maio de 1968 e da reforma Edgar Faure de 1969, viveu em Túnis uma intensa revolta estudantil, que articulava a contestação das condições de ensino, a oposição ao governo do país e reação à derrota dos países árabes para Israel na Guerra dos Sete Dias. Esta experiência marcará o pensamento e a obra deste pensador, que exercerá uma crescente influência na historiografia francesa e mundial nos anos seguintes. A analítica do poder que realiza de forma explícita na obra Vigiar e Punir, publicada no início dos anos 1970, e a militância que encabeça através da fundação do GIP, para a denúncia da condição dos presos na França, muito se devem aos acontecimentos de maio, como ele

mesmo admitiu em várias entrevistas. A ação direta como tática política, o enfrentamento do poder em suas manifestações cotidianas e microfísicas, a percepção da articulação entre saber e poder, o afastamento crescente e a crítica contundente às chamadas instituições, inclusive aquelas ligadas às esquerdas, à classe operária, seriam legados do maio de 1968 para Foucault, já que este fora um movimento que, a todo momento, discutiu e contestou o que chamavam de poder, que deslocou a centralidade das relações de produção, do modo de produção, como núcleo de contestação política, para o que identificavam como a repressão, a opressão, o funcionamento de uma ordem hierárquica, discriminatória, disciplinadora, punitiva, violenta. Slogans como Exame = hierarquia, pichados nos muros parisienses, parecem ter inspirado as análises que o filósofo francês fará em suas obras subseqüentes.

O retorno da centralidade do agente na história, a percepção de que como dizia um dos slogans pintados nos muros de Paris naqueles dias: “as estruturas não vão às ruas”, embora não deixem de impor limites e restrições às ações humanas, que as constituem e atualizam permanentemente, mesmo que as estruturas não estejam fora das relações humanas, sendo por elas constituídas e mantidas, não são lugares vazios a serem preenchidos pelas pessoas, sendo regras e recursos que são mobilizados e atualizados pelos sujeitos, fez com que os pensamentos estruturalistas, em todos os seus matizes, começassem a ser questionados, emergindo o que se chamará de pensadores pós-estruturalistas, quase todos já militando na vida acadêmica desde o imediato pós- segunda guerra ou até antes, mas que terão suas trajetórias intelectuais impactadas por 1968. O furacão que varreu a França naquele mês desestabilizou certezas, questionou verdades, implodiu esquemas de interpretação e de explicação do social, que se mostraram incapazes de explicar o que estava acontecendo e como aquilo fora possível. O tradicional esquema de luta de classes não conseguia explicar a insólita aliança entre trabalhadores fabris e estudantes de classe média da Sorbonne, transformada em bastião vermelho. O encontro simbólico entre estudantes e trabalhadores na noite de 17 de maio nos portões da fábrica Renault, foi visto com reservas e com medo por parte dos líderes da CGT, que consideravam os estudantes estranhos e invasores. Aos gritos iniciais de “As fábricas aos trabalhadores” e “A Sorbonne aos estudantes” se sucedeu um inesperado “A Sorbonne aos trabalhadores”, que atingia uma das primordiais divisões que sustentam nossa sociedade, a separação entre trabalho manual e trabalho intelectual.

Maio de 1968, como todo acontecimento histórico, é um conjunto complexo e inextricável de múltiplos eventos, que nunca poderá ser abarcado em toda sua diversidade, que sempre guardará seus mistérios, que terá sua significação sempre repensada, cujo impacto poderá sempre ser motivo de discussão e discordância. Como todo evento que se constitui em marco e, talvez pela importância dos meios de comunicação neste momento, ele foi constituído em marco no decorrer de seu próprio acontecimento. Como deixa entrever o relato com que iniciei minha fala, 1968 será sempre motivo de controvérsias e distintas apropriações. Este caráter plural do acontecimento histórico, a percepção de que um evento pode ser lido de diferentes

formas e que estas leituras vão alimentar diferentes projetos de futuro e buscam garantir

a legitimidade de certas forças que estiveram implicadas no evento, foi mais uma das

lições que as testemunhas daquelas semanas puderam aprender. Movimento caracterizado, em grande medida, pela idéia da auto-gestão, que passou ao largo ou questionou por dentro as estruturas tradicionais de mobilização política, pelo menos enquanto estas não quiseram dele se apropriar, o maio de 1968 foi constituído pela confluência momentânea das ações de uma infinidade de pequenas organizações, de grupos, de pessoas isoladas, de instituições, confluência quase mágica ou milagrosa,

uma espécie de contágio do espírito de revolta e de contestação a tudo que parecia repressivo, opressor, intolerável, que faria Tarde se sentir vingado, por seu desprestígio na sociologia estrutural e burocratizada, a primeira a ser contestada pela ocupação do Instituto de Sociologia e Psicologia de Nanterre, onde se formavam os técnicos para gerir o social, para gerir e garantir a continuidade do sistema. Sociologia sempre preocupada em explicar como se estrutura a sociedade, como as estruturas se reproduzem, como elas estabilizam a ordem e pouco atenta para o que corrói as estruturas, para o que as defasa, para o trabalho lento de mutação que é feito pelos desvios, pelas pequenas rebeliões, por tudo aquilo que recebe o nome de desordem, anormalidade, distúrbio, inadaptação, anomia. Para entender o que ocorreu nestes dias,

o trabalho dos historiadores se voltou novamente para a política, mas não apenas para a

grande política, a política institucional, mas a micro-política, aquela que atravessa as distintas relações e agrupamentos humanos, aquela articulada com os corpos e seus

desejos. Foi preciso deslocar a história para a análise da cultura, das mentalidades, do imaginário, para a análise dos desejos, projetos, utopias, motivações psicológicas, condicionamentos antropológicos, que teriam permitido um movimento que propôs uma mudança de ethos, que contestou os valores estabelecidos, que propôs a construção de

novos padrões culturais, que fez uma incisiva crítica à moral, aos costumes, aos hábitos, da sociedade burguesa. Um movimento onde a juventude denunciava que tornar-se adulto nesta sociedade era adulterar-se.

Maio de 1968 permitiu aos historiadores e a outros cientistas sociais que visualizassem a história sendo feita no cinzento do cotidiano, pelas pessoas ordinárias; permitiu perceber que estas não são apenas agentes passivos, alienados, consumidores acríticos da mídia e das mercadorias. A história não é apenas resultado de um longo processo, de um demorado trabalho de formação, desenvolvimento, evolução ou progresso das formações sociais, categorias centrais na historiografia que se fazia até então, mas a história era também lugar do inesperado, do imprevisto e imprevisível, era o lugar da criatividade, era o lugar da invenção cotidiana da própria sociedade pelos homens e de suas relações. Com maio de 1968, na contestação à sociedade burocrática e burocratizada, à sociedade mecânica e mecanizada, à sociedade alienada, de automatismos e reproduções acríticas, se ressaltou o caráter poético dos humanos, a sua capacidade de criar novos sentidos, novas linguagens, novas relações, novas práticas, novas instituições. Em maio de 1968 Paris viveu uma explosão criativa, aquilo que mais amedronta as forças da ordem. Os homens se mostraram capazes de inventar o presente, de inventar o passado, ao dar a ele novos sentidos. Quando no desdobramento deste acontecimento, Jacques Rancière abandona a leitura estruturalista do marxismo feita por Althusser e lança uma revista trimestral chamada Les Revoltes Logiques, seu objetivo é fazer uma leitura transversal da história a partir do presente, buscando entrar em contato com as práticas e discursos da classe operária ocultados pelo discurso oficial das organizações operárias, que Rancière vira atuar contra os próprios interesses dos operários, nos episódios de maio de 1968. Ele busca encontrar sob a falta de criatividade dos discursos e práticas dos militantes operários a criatividade que pulula no cotidiano destas pessoas, em seus jogos, festas, rituais, sociabilidades, nos seus processos de subjetivação do mundo.

Em maio de 1968, nenhum projeto muito claro de um novo mundo ou de uma nova sociedade foi elaborado, principal crítica da esquerda institucionalizada. Tudo parecia caótico, para muitos era pura baderna. Mas em meio a miríades de teses, discussões, projetos, havia afirmação da capacidade humana de mudar o curso da história, a firme crença de que cabe às ações humanas modificar aquilo que se chama de estruturas, os aprisionamentos e automatismos, os lugares comuns, as crenças e valores,

as relações e instituições que nós mesmos criamos e nelas nos aprisionamos. A afirmação da vida como ação e criação, a afirmação da revolta contra o intolerável, a afirmação da história como a invenção de tempos e espaços outros e possíveis, a firme crença de que ocorre a cada um é responsabilidade de todos e de cada um: 1968 afirmou a generosidade e a solidariedade com o humano como valor. Em plena crise dos humanismos e a denúncia do Homem como uma categoria metafísica em vias de desaparecer, nietzschianamente 1968 afirmou a vida dos homens, em sua diversidade, em suas diferenças, em sua capacidade de criar, de inventar a própria vida, na sua capacidade de fazer da vida uma obra de arte. Desta explosão de criatividade ficaram algumas frases que, espalhadas por muros da cidade, pelos corredores das universidades, em faixas carregadas nas passeatas e manifestações, são uma espécie de síntese do pensamento 1968, que constituíram subjetividades, que formaram consciências, que influenciaram maneiras de pensar e que não só são fragmentos de um momento da história; como signos desta história a ser novamente lidos e significados em nosso presente, em nossas vidas, são produtos do que se pode chamar de uma nova racionalidade. Quarenta anos depois muitas destas frases continuam sendo bastante atuais, continuam sendo boas para pensar. Eis algumas delas:

“Desobedeça primeiro antes de escrever nos muros”. “Se todo mundo fizesse

“Abaixo o Estado policial”. “A publicidade te manipula”. “A arte está

morta, não consuma seu cadáver”. “Abaixo a sociedade de consumo”. Aos obedientes:

“Se abaixe e paste”. “É boa a Revolução”. “O poder está nas ruas”. “Todo poder aos trabalhadores”. “Dinheiro, não cassetetes”. “Defesa do poder aquisitivo”. “Não à Universidade de classe”. “Libertemos a informação”. “Onde estão os desaparecidos dos hospitais?”. “Já são dez dias de felicidade”. “Liberdade para as garotas”. “Não consuma Marx. Viva-o!”. “O futuro só conterá o que pusermos nele hoje”. “Quando perguntados, responderemos com perguntas”. “Professores, vocês nos fazem nos sentir velhos”. “Não é possível se integrar a uma sociedade em desintegração”. “Devemos continuar sendo desadaptados”. “Trabalhadores do mundo inteiro, divirtam-se”. “As lágrimas da burguesia são o néctar dos deuses”. “Longa vida à comunicação, abaixo a telecomunicação”. “O masoquismo hoje se veste como reformismo”. “Não reclamaremos nada. Não pediremos nada. Tomaremos. Ocuparemos”. “Não discuta com os patrões. Elimine-os”. “Quero um lugar para mijar, não para rezar”. “A humanidade só será livre quando o último capitalista for enforcado com as tripas do último

como nós

”.

burocrata”. “Nossa revolução é maior que nós mesmos”. “Somente a verdade é revolucionária”. “Recusamos o papel que nos foi designado, não seremos treinados como cães policiais”. “A cultura está se desintegrando, Crie!”. “Eu faço dos meus desejos realidade por acreditar na realidade de meus desejos”. “Criatividade, espontaneidade, vida”. “É proibido proibir”.