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A EXPERIÊNCIA DE CONSTRUÇÃO DE UM FÓRUM DE TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO NA AMPLIAÇÃO DO DEBATE ENTRE SAÚDE E TRABALHO

Resumo

Janaina Mariano César Universidade Federal do Espírito Santo. Email: jhanainacesar@gmail.com

Ivana Carneiro Botelho Universidade Federal do Espírito Santo. Email: ivana_cbotelho@hotmail.com

Ellen Horato do Carmo Pimentel Universidade Federal do Espírito Santo Email: ellen_hp@hotmail.com

Este trabalho tem como objetivo compartilhar a experiência em andamento de um fórum de trabalhadores da educação, na Serra/ES, com vias à constituição de uma política pública voltada ao cuidado das relações entre saúde e trabalho. Perspectiva-se a ampliação de um espaço coletivo de análise dos processos de saúde e adoecimento, que tocam o cotidiano das escolas, buscando condições para a criação das Comissões de Saúde dos Trabalhadores da Educação (COSATE) neste município. O Fórum é apresentado como experiência que sustenta essa investida num modo singular de exercitarmos políticas públicas e nos embrenharmos nos processos de produção de saúde no trabalho.

Palavras-chave: Educação; Saúde; Fórum de trabalhadores.

INTRODUÇÃO

Os desafios são muitos quanto às questões relacionadas ao plano do trabalho e da saúde e

suas reverberações na vida dos trabalhadores da educação. Sem dúvida, neles nos

encontramos quando se afirma a inseparabilidade entre trabalhar e viver, trabalhar e

produzir saúde. Fazer da atividade uma experiência de fortalecimento de nossa potência de

vida. Além disso, os desafios são também aqueles que em tempos de isolamento, do “cada

um por si”, chamam a afirmar a experiência coletiva, de diálogo e cooperação mútua, no

cuidado da saúde, em sua dimensão compromissada com a vida.

Compartilhamos neste trabalho uma experiência que acolhe esses desafios na construção

de um Fórum com trabalhadores da educação no município de Serra/ES, região da Grande

Vitória, e que vislumbra a implementação de Comissões de Saúde do Trabalhador da

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Educação (COSATE’s) por unidade de ensino. O Fórum é espaço que aquece e cria as condições para construção de tais Comissões, inéditas até então no campo da Educação.

Envolvido com as questões que tocam a saúde do trabalhador docente, o Programa de Formação e Investigação em Saúde e Trabalho (PFIST) 1 , desde 2007, vem abrindo linhas de pesquisa na tentativa de mapear os meios possíveis à proposta de constituição das COSATE’S, dirigidas aos docentes do ensino público do Espírito Santo. Especificamente, à implantação de tal Comissão, como experiência germinal, no município de Serra/ES.

As pesquisas construídas no âmbito do PFIST, (ARAGÃO, BARROS E OLIVEIRA, 2007; BARROS, HECKERT E MARGOTO, 2008) se encontram com os processos de adoecimento no trabalho, apontados pelos professores. Ganha notoriedade a identificação de elevado índice de pedidos de afastamento do trabalho - que podem refletir práticas autoritárias relacionadas à gerência, cansaço e insatisfação em relação às condições de trabalho, além da limitação ou quase inexistência de espaços de debate coletivo sobre as questões que tocam o cotidiano laboral. As pesquisas reverberam algumas perguntas:

Que práticas produzem tantos adoecimentos de professores nas escolas? Qual o sentido dessas licenças? É possível intervir em tais situações sem que a discussão acerca da saúde seja questão inerente aos modos de vida e trabalho que se dão no dia a dia do professor? Que espaço é destinado a esse debate no contexto educacional, por professores, sindicalistas, técnicos e demais profissionais ligados à Educação? (SOUZA et al., 2011).

No bojo dos encontros entre a atividade de pesquisa e o cotidiano laboral nas escolas, uma proposição se delineia no sentido de abrir vias de análise coletiva do trabalho. Desse modo, já em 2002, lançava-se mão da experiência das Comunidades Ampliadas de Pesquisa (CAPs) 2 , inspiradas tanto em Ivar Odonne quanto nas ferramentarias conceituais operativas de Ives Schwartz, quando se afirmava que cada trabalhador se faz pesquisador do e no cotidiano. Primeiramente, a CAP no âmbito das pesquisas do PFIST foi desenvolvida com educadores de algumas escolas de Vitória (ARAGÃO, BARROS E OLIVEIRA, 2007), depois com trabalhadores da Grande Vitória e, na passagem de 2007 a

1 O Programa de Formação em Saúde e Trabalho (PFIST) integra o NEPESP (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Subjetividade e Políticas), vinculado ao Departamento de Psicologia da UFES. É composto por professores universitários, graduandos, pós-graduandos dos programas de Educação e de Psicologia Institucional da UFES, além de técnicos e profissionais voluntários atuantes em diferentes áreas do conhecimento. 2 A Comunidade Ampliada de Pesquisa (CAP) traduz-se em uma iniciativa italiana na década de 70 (com Ivar Odonne), que parte do pressuposto de que conceitos científicos e experiência do trabalhador devem estar associados para a produção de novos conhecimentos teórico-práticos. As CAP’s foram protagonizadas pelo movimento operário italiano.

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2008, no município de Serra (BARROS, HECKERT E MARGOTO, 2008). Também nesse propósito, o de cultivar uma atenção para a produção de saúde e adoecimento no trabalho, junto com os docentes, é que estratégias como a produção de oficinas de vídeo e imagens, inspiradas pela Clínica da Atividade (CLOT, 2010), efetivaram-se (BARROS, ROSEMBERG, PETINELLI-SOUZA, 2010; DADALTO et al., 2011).

Chegamos a 2012, com iniciativas que trouxeram ao longo destes anos a importância da implementação de uma política pública no campo da educação, que se fizesse no cuidado dos modos de estar na escola e produzir saúde. E ainda, uma política pública que destronasse os especialismos 3 , que se impõem como direção dominante para o tratamento das questões da saúde. Política, por isso, aliançada à saúde como questão que diz respeito a todos nós e que, estando diretamente articulada aos processos de trabalho, tem como sujeitos fundamentais na sua formulação os trabalhadores da educação.

Na reverberação disso, em momentos anteriores, a elaboração do que poderia ser uma política pública nesse campo, teria se configurado como um Núcleo de saúde com funções de fomento e ampliação desse debate. Tal ideia se desdobra, quando, em 2008 (SOUZA et al., 2011), em contato com o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST- ES), pesquisadores vinculados ao PFIST se encontram com a experiência de implantação das Comissões de Saúde do Trabalhador (COSAT”s) no campo da Saúde no ES, amparada pela Lei Estadual n. 5.627 4 , que dispõe sobre a instituição e atribuições de tais comissões, o que abria possibilidades a qualquer segmento do setor público do Estado de implantá-las em seu local de trabalho.

A partir daí um longo caminho colocaria-se até o primeiro encontro, em agosto de 2012, que constituiria um fórum de trabalhadores docentes e representantes de instituições públicas vinculadas ao município de Serra/ES. O fórum é uma aposta, depois daquelas realizadas tanto na relação com a Secretaria de Educação do município quanto com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do ES; aposta em habilitar na

3 Chamamos especialismo a esse movimento em que o cuidado de nós mesmos é delegado a outros, não somente outras pessoas, mas outros espaços e saberes. 4 As COSATs (Comissão de Saúde do Trabalhador) são legitimadas no Espírito Santo pela lei n.º 5.627, de 03/04/1998, que garante a qualquer segmento do setor público estadual montá-la no local de trabalho. Segundo a lei, a COSAT é órgão de natureza deliberativa que trata das questões relativas à saúde e higiene, segurança e ambiente de trabalho. Busca na sua prática soluções promotoras de saúde e contempla a fiscalização, observação e análise do ambiente de trabalho. Contemplam a atividade de servidores e celetistas, e apresenta como proposta uma maior intervenção do trabalhador em seu local de trabalho.

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experiência laboral sua força de transformação e de deslocamento, provocar alegria como efeito do trabalhar.

As saídas, neste momento, pareciam ser possíveis a partir da implantação das COSAT’s, como antes se dera no campo da saúde, por serem órgãos de natureza deliberativa, com composição de membros escolhidos pelos trabalhadores (sendo estes membros os próprios trabalhadores), e que se voltaria à melhoria das condições de trabalho e ao fomento dos processos de saúde (ESPÍRITO SANTO, 1998). Mas, em relação à implantação, todo um caminho se faria mais urgente, aquele que diz respeito aos desafios da construção de uma política pública de cuidado à saúde no âmbito da educação. Esse caminho já tinha uma direção com as conquistas apoiadas por uma Lei Estadual, porém esta era o prenúncio de uma experiência por vir.

As COSAT’s 5 , implementadas e regularizadas em lei estadual, não podiam ser “copiadas” e transpostas para os terrenos da educação no município de Serra. Haveríamos ainda de encontrar com a construção e adequação de tal lei, atentos às especificidades da educação no município de Serra, com sua geografia peculiar, ritmos, problemática e potencialidades singulares. Além disso, ainda compareciam como desafiadores os processos de operacionalização e aprovação do projeto de lei pela Câmara Municipal do município. Mais que isso, aspirava-se a construção e cultivo de um movimento amplo com os trabalhadores, de debates e amadurecimentos, indispensável a tornar pública uma política.

Neste percurso variante, das pesquisas realizadas entre PFIST e trabalhadores docentes, e das experiências que dão ensejo ao fórum, diretrizes e princípios forjam a liga. As diretrizes apontam a afirmação do trabalho como criação e, por isso, como principal operador de saúde (BARROS, OLIVEIRA e ARAGÃO, 2007). Soma- se aí afirmação de que cada trabalhador constrói saberes sobre seu processo de trabalhar e por isso é cogestor de sua atividade. De modo que os princípios orientadores apontam para a valiosidade da participação e a inclusão dos diferentes atores tanto nos processos de pesquisa quanto na construção das políticas de cuidado à saúde.

5 Atentamos para o uso no texto dos termos COSAT’s e COSATE’s. As COSAT’s indicam as “Comissões de Saúde do Trabalhador” implementadas pela lei estadual n o 5.627, de 1998. As COSATE’s, por sua vez, apontam já para uma modulação produzida na experiência da educação no município de Serra, sendo o “E” o acréscimo da Educação como singularidade indispensável, de modo que falamos já em “Comissões de Saúde do Trabalhador da EDUCAÇÃO”.

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Tanto o fórum como a possibilidade das COSATE’s funciona como palco onde a

experiência da saúde se mostra, se abre e se desloca, se provoca e se recoloca na relação com a experiência do trabalho. E ainda: na articulação direta com o plano da atividade, a saúde comparece como questão política, que não se resolve como responsabilidade pessoal

de cada um. A saúde é questão de todos, por que é produzida de forma conjunta. As lutas

pela saúde podem então ser deslocadas da esfera do privado para serem redefinidas a partir dos desafios da constituição de experiências coletivas. O Fórum sustenta essa investida num modo singular de exercitarmos políticas públicas e nos embrenharmos nos processos

de produção de saúde no trabalho.

INSEPARABILIDADE ENTRE SAÚDE E TRABALHO NA EDUCAÇÃO

A experiência do Fórum e o vislumbre da instituição das Comissões de Saúde do

Trabalhador da Educação no município de Serra se afirmam na inseparabilidade entre saúde e trabalho. De que modo isso se sustenta? Não seria mais viável reivindicar por serviços de atendimento ao trabalhador adoecido? 6 Por que instituir comissões de saúde? Por que convocar o trabalhador da educação para um Fórum?

Guardemos um pouco essas perguntas. Elas nos acompanham nas pesquisas com professores (ZORZAL et al., 2007; SOUZA et al., 2011). O que fazer diante dos adoecimentos atualizados no corpo em transtornos de ordens diversas (osteoarticulares, gastrointestinais, transtornos auditivos e garganta, cardio-circulatórios, neurológicos, dermatológicos)? Acompanhados pela precarização das condições de trabalho, dos modos autoritários de políticas de gestão, da fragilidade de vínculos e parcerias entre trabalhadores, entre estes e suas gerências, e no caso das escolas, entre estas e a comunidade, além das relações pouco cultivadas com a rede de serviços na qual estão inseridas; acrescenta-se intensa jornada de trabalho, má remuneração, número de alunos excessivo por turma, tempo de descanso insuficiente, e desvalorização sentida, como fatores que despotencializam a força de cada trabalhador para intervir nessas situações (CLOT, 2006).

6 Ao fazermos essa pergunta, não nos esquecemos de que essa rede de serviços de acolhimento e suporte ao trabalhador se encontra muitas vezes fragilizada, carente de investimentos.

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Olhando para as pesquisas, pode-se pensar que as circunstâncias de produção de adoecimento não são desconhecidas aos trabalhadores. Os professores em alguns momentos as identificam como vetores de sofrimento. Percebem quando algo não vai bem e tentam estabelecer mudanças de rotinas e modos de comportamento, a fim de produzir saúde. Ainda que se sintam por vezes fragilizados diante de forças opressoras, há insistência em modos de trabalhar e de viver que os façam mais fortes.

Essa capacidade de insistir e de lutar é o que chamamos saúde. Canguilhem (2000) afirmava que era a partir do ser vivo e de suas experiências que se poderia compreender a vida e também o que faz adoecer. É então atentos à experiência do viver, sem idealizações, que se pode pensar que saúde não é ausência de adoecimento, mas é levantar, apostar, afirmar nossa potência de agir diante do que faz padecer. A saúde é capacidade normativa presente nos seres vivos de estabelecer e transformar as normas que constituímos para nós mesmos ao viver. Como pensar isso quando falamos do trabalho, essa atividade mais ampla que execução de tarefas, e que compõe um dos planos importantes em que a vida se afirma e opera sentido?

Essa atitude de saúde é cultivada todos os dias como capacidade de luta. No trabalho a saúde pergunta: O que está acontecendo conosco? O que nos faz tristes em nosso trabalhar? Como se pode agir nas situações que diminuem nossa força? Ao mesmo tempo, quando questionamos como trabalhamos e como a saúde assim é fortalecida, se ativa a amplitude do trabalhador em seu ser produtivo, criador. A saúde mostra suas caras na lida diária do trabalhador com as imprevisibilidades e conflitos que adentram seu cotidiano sem pedir licença.

Saúde e trabalho, portanto se fazem de maneira indivisível. A depender do modo como a experiência do trabalhar se dá podemos experimentar o fortalecimento ou a diminuição de nossa saúde. Também o contrário: a depender da saúde, da capacidade de agir, o trabalho pode ser vivido como alegria e seus desafios acolhidos como amigáveis, ou pode ser vivido como agente de padecimento. Essa circularidade indica que saúde e trabalho não são dois campos distintos, antes, surgem conjuntamente no viver.

Nesse caminho do pensamento encontramos novamente as comissões de saúde situadas no trabalho, e talvez se faça mais evidente que se é na experiência do trabalhar que

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adoecimentos são gerados, também é no trabalhar que estes podem ser cuidados, que a saúde pode ser investida e o poder de agir dos trabalhadores ampliado. Retira-se esse investimento apenas dos consultórios de especialistas. Há muitas transformações necessárias no plano do trabalho.

Mas, isso ainda não nos responde: Por que um fórum de trabalhadores?

FÓRUM DE TRABALHADORES: SUSTENTAR UMA EXPERIÊNCIA DE RODA

Este pequeno texto é um misto de comunicado, convite, partilha, comemoração! Se nos dirigimos aos profissionais da Educação de Serra, é para juntos

fortalecemos alguns caminhos de luta

UFES, temos tido o apoio dos Professores em pesquisas que evidenciam problemáticas do trabalho e saúde docente. Esta parceria já gerou muitos frutos! Nos últimos anos, os imensos desafios nos provocam a construir estratégias para

ampliar a experiência de saúde, fortalecendo o diálogo e a coletividade no cotidiano de trabalho. Por isso, desde agosto de 2012, estamos juntos com servidores públicos e sociedade civil organizada, na constituição de um Fórum

intersetorial. O Fórum COSAT se reúne uma vez por mês, no Centro de Formação de Professores de Bairro de Fátima, e o objetivo tem sido agregar os interessados na construção da saúde docente; favorecer que o diálogo potencialize os serviços de apoio ao Professor; implantar coletivamente as Comissões de Saúde do

Trabalhador da Educação

experiência democrática. A partir dele, esperamos que Professores e demais trabalhadores da Educação estejam atentos e construam sua participação nessa luta: a saúde é uma questão de todos nós, que possamos cuidar dela juntos, de diferentes maneiras, com diferentes participações! 7

podemos comemorar essa ação no ritmo de uma

Desde 2004, como grupo de pesquisa da

(

)

Por que o Fórum? Este modo de se encontrar não tornaria o caminho de implementação das COSATE’s mais árduo? Por que incluir professores e outros setores do município nessa conversa? Se é da implantação de uma lei que se necessita, por que não juntar especialistas na tarefa de adequá-la? Por que simplesmente não seguir os trâmites burocráticos necessários para aprovar uma lei?

No caminhar por tais questões, seguimos a pista de que “a lei é uma conquista e, no entanto, não garante uma bela colheita quando se trata de fertilizar planos de imanência” (ROCHA, 2007, p.3). Outras conquistas, aquelas que se almeja, caminham em afirmar a luta cotidiana no fazer-educação, a possibilidade de caminhos de conversa e cooperação mútua tanto entre educadores, aprendizes e comunidade escolar, como com a sociedade de modo geral. Dialogar, partilhar experiências, é o que atualmente é muito desafiador para todos nós, quando temos sido convocados por forças de ordens diferentes a modos de vida

7 Trechos de texto produzido para o primeiro Boletim-COSATE, informativo cuja circulação pelas escolas e serviços de educação se dava no intuito de germinar na Serra a experiência de constituição de um Fórum de trabalhadores, em torno da questão da saúde docente e das COSATE’s

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competitivos, individualizados, solitários. Por isso, trabalhar de modo coletivo é fruto de investimentos também.

A existência da lei não garante o debate, a maturação das questões, a autonomia das Comissões de saúde, a abertura capaz de fissurar o cotidiano coberto de tarefas. A lei, por ela mesma, não sustenta uma visão mais ampla em relação às lógicas de sufocamento que atravessam o trabalho e os processos de saúde. Ao mesmo tempo, da lei não se pode prescindir como legitimação de uma ação e como conquista de direitos. Se a lei não garante, mas auxilia, os desafios relativos ao fórum adviriam, exatamente, de atualizar uma experiência de fórum: público, aberto, heterogêneo. Relação com um tempo singular, em que docentes e demais trabalhadores podem olhar para seu trabalho e saúde, avaliar, questionar, atitude já de uma Cosate, e se apropriar do processo de produção da lei, para torná-la viva e interessante.

O Fórum, na medida em que intenta o exercício da lida da saúde como questão não pessoalizada, e da política pública como exercício que não pode se fazer descolado do território vivo que é o trabalho na educação, é também índice de um modo de fazer pesquisa que não quer falar “sobre” o trabalhador, “sobre” a saúde do trabalhador. Nessa mesma linha, não interessa a formulação de políticas de saúde “para” o trabalhador da educação, mas produzir e acessar com eles as linhas de saúde e adoecimento no trabalho- vida, inseparáveis.

(

constituindo ali, na nossa frente, ao vivo e a cores, com cheiro, com som, com

pessoas, com discussão, com imagens, com mal-entendidos, com esclarecimentos,

com tensões, com outras mil coisas

naquela avaliação do Fórum

passado, senti que a "palavra circulou". Achei que as pessoas, mais do que falar participaram, mais que participar estavam presentes, passando a compor e constituir um Fórum. Não sei se essa impressão bateu pelas imagens do "chão da escola" que apareceram (como o "microondas no pátio", como o Conselho de

A discussão fica

muito rica. Ao mesmo tempo, esbarrar no limite da atual experiência que é de (re)formular uma lei. "A lei não dá conta", frase repetida. A operacionalização não pode ser instituída a priori, não pode ser engessada. O que nos lembra, a todo momento, que esse movimento disparado no Fórum terá que ser sustentado em outros lugares, em outros tempos, com outros atores. Lembrete este que não posterga as nossas ações, não as lança para uma promessa do futuro. O que estamos lá fazendo no Fórum já é operacionalizar. Discutir e reformular a lei tem seus limites e ações práticas/pragmáticas e tem também a potência de agir, de propor, de intervir. Quantos temas foram levantados hoje só na discussão e leitura de alguns parágrafos! Muito bacana. E como saímos ao som do tambor, das conversas de capoeira, da calça branca, dos cantos: isso que ficou de marca ao escrever aqui.

Escola, o bônus que o governo dá ao professor que não falta

).

Um pouco diferente do que a gente discutiu (

uma política pública se

)

Das vezes que estive nesse grupo, bate forte (

(

)

)

).

9

Talvez pudéssemos usar essa metáfora da "roda de capoeira" para a roda do Fórum-Cosate 8 .

A roda do Fórum-Cosate, inspira os desafios e aprendizagens da roda de capoeira, por que

há que inventar modos de gingar junto, de partilhar e de compor uns com os outros. Isso

não é simples. Raro na escola e entre escolas esse exercício de se dar tempo para construir projetos conjuntos e pensar sobre o que anda acontecendo na educação, nas salas de aula e

na vida de cada um. E não exatamente porque não se queira isso, mas pelo sufocamento do

tempo nas urgências dos dias. O fórum é essa superfície de encontro com o outro, onde o

que se experimenta é dialogar

Trocar, solidarizar, enfrentar, gerir, aprender e ensinar,

abandonar ideias, refazê-las, reposicionar-se e reinventar-se no movimento de circulação

da palavra, dos afetos, das indignações, dos movimentos.

Desafia a inserção dos diferentes saberes, diferentes pessoas. Como é conversar com a promotoria, participante do fórum, das dificuldades que se vive na sala de aula com a

inclusão de adolescentes em conflito com a lei?; Tentar juntos precisar quais as situações

de risco grave e iminente à saúde que podem permitir ao professor recusar-se a trabalhar?;

ou ainda fazer do fórum um bom espaço para se experimentar novos modos de dialogar entre escolas e Secretaria de Educação do município, entre estas e outros órgãos como o Departamento de medicina e segurança do trabalho, onde se realizam as práticas da perícia médica.

As questões do cotidiano nas escolas permeiam o Fórum e trazem discordâncias, negociações e estranhamentos em relação ao texto da lei que ali se estuda e se reorienta para o assento no campo da educação no município de Serra. É difícil trabalhar com um projeto de lei que precisa ser amplo, para acolher as questões da saúde e adoecimento, aquelas que conhecemos e outras que sequer imaginamos, e que precisam estar asseguradas. Ao mesmo tempo, estarmos sôfregos por discutir os pormenores de cada

situação que atinge o cotidiano escolar fazendo sofrer. “Será que a lei desse jeito pode me proteger quando alguém na escola me ameaça?”. E, novamente lidamos com o fato de que

a feitura da Lei coloca questões, mas muitas delas exigem mais que recorrer à

judicialização dos problemas. Pedem espaço e tempo de cuidado entre todos, para não se sentir só diante das circunstâncias que atingem.

8 Relato de pesquisadora do PFIST após encontro do Fórum-COSATE.

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Talvez, por isso, interessante perceber quando distâncias e desconhecimentos entre os serviços e os vários atores da rede podiam diminuir no compasso do fortalecimento de parcerias. Percebia-se que algumas pessoas, vindas de setores diferentes, no âmbito do serviço público municipal, “aproveitavam” o encontro para se encontrarem, trocarem informações, pois algumas se conheciam de “ouvir falar”, ainda que o trabalho de uma dependesse da outra na rede no município. Os professores aproveitavam cada brecha das discussões para trazer o cenário de suas escolas, a violência, o alto nível de ruído, a

precariedade estrutural, as licenças médicas, o encontro com um aluno, a saída encontrada

Uma rede fragilizada, de serviços e de relações se apresentava

em um caso ou outro

buscando cuidado. O fórum não existe e não se finda na medida em que em roda se senta, pois a rede constituinte de um fórum, nele se aquece, em uma relação de circularidade:

quanto mais viva a rede em suas conexões, mais potente é um fórum em sua experiência de roda.

O Fórum por isso ensaia o que pode ser a experiência de uma Comissão de saúde no local de trabalho. Na raridade dos espaços de discussão coletiva do que se passa conosco no trabalho, o fórum se faz roda como palco dessas conversas. Entendemos que isso reforça a importância da implantação das Cosates, que podem se oferecer a cada escola como esse espaço legítimo de tratar do que faz sofrer, o que produz medo e angustia, e de fazer ponte, possibilitando que essas conversas continuem com os outros setores da rede em geral. Assim, também a escola pode não sofrer de isolamento.

Sentimos também que há uma formação acontecendo

de cogestão e de análise mais ampliada, que pode gerar o fortalecimento de sujeitos ético-

políticos; também construímos uma atitude de problematizar o que estamos fazendo como experiência de um fórum enquanto o fazemos; e por último investimos em uma política de saúde, mas de um modo que aprendemos que a política, em sua singularidade, é acompanhada de sua dimensão pública, aberta e inclusiva.

Formamo-nos em uma experiência

PERCURSOS DE UM FÓRUM DE TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO NA CONSTRUÇÃO DE UMA POLÍTICA PÚBLICA ENTRE SAÚDE E TRABALHO

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Os encontros do Fórum são marcados pelos desafios de sua composição, de sua realização. Sabe-se do quanto na atualidade os espaços coletivos de trabalho (Conselhos de escola, Reuniões de pais, Conselhos de Saúde, de Assistência, Assembleias das categorias profissionais, etc.), lutam por sua existência e sofrem de esvaziamento. Atravessados por processos hegemônicos, de desvitalização dos espaços públicos e privatização cada vez maior da vida, como reorientar as forças na aposta no coletivo? Aposta em um fórum de trabalhadores? Na saúde no trabalho?

Desde os encontros primeiros essas questões desafiavam as iniciativas. Talvez, por isso convida-se, quando no início do fórum, secretários municipais, vereadores, deputados, promotores, diretores, representantes de associações e setores os mais diversos. Ou seja, representações do que seria o poder público e que poderiam agregar força na implementação de uma política de saúde do trabalhador da educação.

No entanto, poucos destes “grandes políticos” compareceram, mas outros atores, vinculados aos departamentos das secretarias de administração e da educação do município da Serra, aqueles também que já sentiam como problemáticas a questão da saúde e trabalho em suas demandas no serviço de medicina e segurança do trabalho, além de professores da rede e representante do Ministério Público, estes compareceram. Esse desencontro em relação às figuras esperadas fortaleceu a aposta de que uma política pública de saúde poderia se legitimar ao somar forças com o que se passa nos terrenos da educação, ancorando-se na experiência viva do trabalho em Serra, se fazendo próxima aos sujeitos que habitam esses terrenos, os trabalhadores.

A composição do fórum, que continua a sofrer variações, -por ser inclusive da “natureza” deste dispositivo-, traz essa pista: uma política pública é processo trabalhoso, exige disponibilidade e renovado esforço. Cuidar da conexão que construímos com a experiência de um fórum e sua dimensão pública, e ainda, trabalhar para que essa relação alcance e se faça pertinente a outros atores. Sem o envolvimento daqueles que produzem saberes cotidianos a propósito da educação, com suas “saúdes e adoecimentos”, a política perde o caráter coletivo e a lei resta burocratizada.

Mas, a quem se dirigiriam as COSAT’s? Questão que parecia resolvida, porque acreditávamos abarcar professores, como público dessa política. Mas, e as outras categorias, outros trabalhadores? Por que não? Problemas levantados pelos participantes no

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fórum, que acolhia uma multiplicidade de composições. O CEREST, no entanto, fomentador de políticas públicas e que acompanha e instrumentaliza este fórum, traz a experiência no campo da saúde, onde a COSAT engloba diferentes categorias profissionais, tendo na Lei de amparo, inclusive, esta abertura. A partir dos questionamentos e discussões de um fórum em constituição entendia-se que as demandas relativas à outra relação com o trabalho não eram apenas de docentes, mas dos trabalhadores da educação. A COSAT, então, modula junto com as discussões; agora COSATE (Comissão de saúde dos trabalhadores da Educação), e não apenas dos docentes.

As modulações continuam bem-vindas, pois realmente se está construindo algo novo no campo do trabalho-saúde na educação. Vejamos que o que está em questão é como produzir política pública, o que se evidencia na ocasião de um encontro do Fórum feito assembleia. Este encontro foi precedido por um movimento das pessoas já participantes do Fórum, de visita às escolas no sentido de renovar o convite à participação, já que se chega em um momento importante de conclusão do projeto de lei e novas iniciativas para sua implementação.

Na visita às escolas, a lei é levada para ser discutida entre os trabalhadores, convidados a se juntar aos outros que já compunham o Fórum. Marca-se então uma plenária para discussão da lei, e solicita-se que cada escola enviasse ao menos um trabalhador para dar seguimento às discussões num depois também no ambiente escolar. É interessante notar, que a discussão da lei foi aquecida, como já vinha acontecendo nos outros encontros do Fórum, por experiências do cotidiano escolar. A discussão prévia entre os professores nas escolas foi importante para encontrar pontos na lei que não poderiam passar desapercebidos.

Foi bem vibrante.

(

vereador (

(

)o

povo estava todo lá no Centro de Formação (

),

promotoria, Cerest, assessoria do

assessores (apoiadores) da educação ligados à Secretaria, o povo do PFIST

):

),

professores e diretores das escolas visitadas na região José de Anchieta (

).

Aliás, e isso foi muito bacana, acho que pela primeira vez experimentamos isso que era o fórum apresentando-se como fórum. Não tínhamos nas apresentações somente as insígnias do PFIST e das representatividades de outras instituições. Muitos de nós nos encontramos também desse jeito outro: “sou do fórum também”; “faço parte da COSATE aqui”; “venho já participando do grupo da COSATE”; “Frequento o fórum já”. ( ) Entre apresentações, esclarecimentos, afirmações do porquê estar ali, apostar e seguir,

A discussão era quente.

caminhamos com a leitura meio atabalhoada da lei. (

Incrivelmente, o que mostra alguma ressonância, os professores retomavam exatamente aqueles pontos nevrálgicos que se estenderam em meses no fórum (a questão do risco, as brechas da lei, o parágrafo IV, que dá efetivamente contorno às atividades da COSATE). E aí vinham as experiências, também surgidas no fórum, que comprovavam o perigo das

)

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brechas naquele ponto ou outro (

compondo um ritmo, nem sempre numa harmonia perfeita aos ouvidos. Havia desafino,

mas acho até que fazia parte. Afinal era uma assembleia-fórum, e isso não é trivial. Ora mais uma coisa que outra, ora mais encaixado ora menos e assim seguimos.

) (

estudando aqueles pontos

Também muito interessante é que junto com esses curtos silêncios vinham vez em quando:

“nesse ponto aí minha escola discutiu e tem uma dúvida” ou “preciso levar lá pros meus colegas umas informações sobre o inciso x”. Devagar se notava que alguns ali tinham encomendas, papeizinhos nas mãos apresentavam anotações, estavam lá trazendo outros )

(

Um silêncio breve de trabalho. Eles [os professores] estavam mesmo pensando, lendo,

Por mais estranho que parecesse estávamos ali

).

Bonito essa hora. Uma raridade esse tempo.

9 .

O relato aponta índices do desmanche das representatividades e o fortalecimento do Fórum

como coletivo de trabalho, que se faz por uma atenção aos seus próprios movimentos. Fórum que, ao se apresentar como tal, diz de uma experiência de pertencimento e de “estar junto”, em que se pode abrir mão de caminhos pré-estabelecidos, de comandos externos e experimentar trilhar um percurso singular nas lutas pelo fortalecimento da saúde no trabalho.

Há esse desafio recorrentemente nas ações e produção de saberes que move as lutas no campo da saúde e trabalho na educação: produzir autonomia e experiências de cogestão. Conduzir/governar os outros, de forma capilarizada, encontra-se presente nas práticas educacionais, familiares, amorosas, profissionais, midiáticas, na vida de modo geral (FOUCAULT, 2006; DELEUZE, 2005). Nos menores detalhes encontramos sobre nós modos de governo impostos, que ditam o caminho verdadeiro, as ações que merecem investimento para alcançar certos modos de vida ideais. No caso dos trabalhadores, em suas experiências em relação à saúde e ao trabalho, há inúmeros processos de condução, em relação aos quais se torna importante o exercício crítico permanente.

O fórum, as Cosates são investidas nessa direção, onde o que se busca é acionar potências

de liberdade e de solidariedade entre todos. Neste espaço se lida com o exercício da participação e da inclusão, nada simples de sustentar, tendo em vista que o que se inclui são as diferenças, as discordâncias, as problemáticas. O que se atualiza no fórum são modos de viver e de nos relacionarmos com os outros. Comparecem dificuldades de escuta e de diálogo, sonhos nem sempre coletivos, também apostas e capacidade de mudança. Há esforço renovado em se exercitar e potencializar a saúde em nós como atitude crítica, que

9 Relato de pesquisadora do grupo PFIST, após o primeiro Fórum-assembleia.

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pergunta, participa e permite aos sujeitos tomarem posse de seus caminhos de trabalho e

vida.

Nesta breve partilha de experiências com a educação afirma-se a laboriosa aposta em

espaços mais amplos de discussão e convivência, cuja experiência, tanto o fórum de

trabalhadores, na produção de uma política pública, quanto o encontro entre produção de

pesquisa e educação, têm desafiado e possibilitado condições de avanço e

amadurecimento.

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