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MECÂNICA DOS SÓLIDOS APLICADA

UNIDADE 1- CÁLCULO VETORIAL

1- GRANDEZAS FÍSICAS ESCALARES E VETORIAIS

Em nosso cotidiano estamos acostumados a informações referentes à grandezas físicas como temperatura, tempo, distância, velocidade, massa, etc. Tais grandezas são divididas em dois grupos: grandezas físicas escalares e vetoriais. Iremos, na seqüência, detalhar cada um desses grupos.

1.1- GRANDEZAS FÍSICAS ESCALARES

As grandezas físicas escalares ficam perfeitamente definidas apenas com o valor numérico acompanhado de sua unidade de medida. Por exemplo, supomos que uma informação dada através da televisão, em que o repórter diz: Em Florianópolis são 15h 30min e a temperatura é de 38º C. Essas informações são suficientes e não deixam dúvidas. Alguns exemplos de grandezas físicas escalares:

m = 8 kg (uma massa igual a 8 quilogramas);

T = 48 ºC (uma temperatura igual a quarenta e oito graus Celsius);

A =

35m

2 (uma área igual a trinta e cinco metros quadrados);

∀ = 64m

3 (um volume igual a sessenta e quatro metros cúbicos);

t = 34 s (um tempo igual a trinta e quatro segundos).

1.2- GRANDEZAS FÍSICAS VETORIAIS

Ao contrário das grandezas físicas escalares, as grandezas vetoriais necessitam além de um valor numérico (valor absoluto) e uma unidade, necessitam de uma direção e um sentido para que fiquem perfeitamente determinadas. Vamos abordar o conceito de vetor e suas características e também as operações que envolvem grandezas físicas vetoriais. Alguns exemplos de grandezas físicas vetoriais:

v

a

τ

F

= 30

= 23

= 850

m

m

s

s

2

N m

.

/

/

= 1000

N

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1

1.2.1 –VETOR

Um vetor é um símbolo matemático representado graficamente por um segmento de reta orientado. Vetor é um termo oriundo do latim vector que significa condutor. Não tem significado físico. Possui três características: o módulo, a direção e o sentido, conforme

a ou a que significam

mostra a figura 1. Para representarmos um vetor, usamos as notações

“vetor a”. Qualquer letra pode representar uma grandeza física vetorial desde que apresente

o segmento de reta orientado sobre a letra ou como em alguns livros, usa-se a notação da letra em negrito.

→ Origem a Extremidade → a
Origem
a
Extremidade
a

Figura 1- Representação gráfica de um vetor

a .

Módulo. O modulo (intensidade, magnitude, valor) de um vetor é numero real e positivo acompanhado de uma unidade de medida. Para representarmos o módulo de um vetor, podemos usar qualquer tipo de letra, maiúscula ou minúscula, para a

 

notação. Por exemplo a = 30.u , A = 30.u ,

a

=

30. u

ou

A

=

30. u

. Na representação

gráfica, figura 2, o módulo de um vetor é dado pelo tamanho do segmento de reta orientado medido desde sua origem até sua extremidade.

→ Origem a Extremidade → a
Origem
a
Extremidade
a

.

Figura 2- Representação gráfica de um vetor a

Direção.

um semi- eixo coordenado escolhido. Por exemplo, na figura 3, a direção do vetor a

A direção de um vetor é dada pelo ângulo formado por este em relação a

pode ser indicada como

ao semi-eixo positivo de x.

60

0 em relação ao semi-eixo positivo de y ou

40

0 em relação

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2

Devemos prestar muita atenção para a direção de um vetor que admite dois sentidos.

y → θ = 50 0 a 2 0 θ 1 = 40
y
θ
= 50
0 a
2
0
θ 1 = 40

x

a com

Figura 3- Sistema de eixos coordenados com um vetor

as direções no primeiro quadrante em relação aos eixos x e y.

Sentido. O sentido de um vetor é dado sempre a partir de sua origem para sua

extremidade. Só é possível expressar o sentido do vetor, em palavras (da esquerda

para a direita- Fig

Fig.4(c) ou de cima para baixo- Fig.4(d)), quando a direção do mesmo for coincidente com qualquer um dos semi-eixos coordenados. Quando o vetor formar um ângulo

da direita para a esquerda- Fig.4(b); de baixo para cima

4(a);

0 o sentido do mesmo deverá ser dado através

da representação gráfica identificando com “letras” sua origem e extremidade, e só

assim o sentido poderá ser dado de “A para B”, conforme mostra a Fig.4(e).

diferente de

0

0 90

,

0

0

180 ,

270

0 ou

360

 

,

y → a 0 x
y
a
0
x
4(a) y → 0 a x
4(a)
y
0
a
x

4(d)

y → a 0 x
y
a
0
x

4(b)

y → a 0 x
y
a
0
x

4(c)

y → a B 0 A 30 0 x
y
a
B
0
A
30
0
x

4(e)

Figura 4- Vetor

a apresentado com vários sentidos.

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1.2.2 –VETOR OPOSTO

a , por exemplo, é definido como sendo um vetor

que tem o mesmo módulo, mesma direção, porém sentido contrário, ou seja, é defasado de

O vetor oposto de um dado vetor

180

0 em relação ao vetor

figura 5.

a . O vetor oposto é representado por

 

a

, conforme mostra a

a

por   → − a , conforme mostra a → a → − a → e
por   → − a , conforme mostra a → a → − a → e

a

e seu oposto

 

a

.

Figura 5- Representação gráfica de um vetor a

1.2.3- ADIÇÃO DE VETORES

As operações com grandezas físicas vetoriais regras especiais, diferentemente das grandezas físicas escalares, cujas regras são estabelecidas com base nas regras aplicadas aos números reais. Na adição vetorial, a determinação do vetor soma ou vetor resultante de dois ou mais vetores, embora obedeça a regra aplicada aos números reais, pode ser tratada a partir de casos particulares na qual essa regra se simplifica. Em seguida veremos que a soma vetorial

e

dependerá do ângulo formado entre os vetores. Sejam dois vetores a

um ângulo θ , em que

vetor soma ou vetor resultante é indicado conforme as equações(1) ou (2).

b , formando entre si

do

0 0

0

θ 180 , conforme mostra a figura 6. A

indicação vetorial

c

= +

a

b

R

= +

a

b

(1)

(2)

→ → a b
a
b
→ → → R = + a b (1) (2) → → a b   →
 

Figura 6- Representação gráfica dos vetores

a

e

b

Para somarmos esses dois vetores, podemos usar a regra do paralelogramo, que consiste em unir os vetores através de suas origens. Para isso, devemos transportá-los mantendo inalteradas suas características, ou seja, seu módulo, sua direção e sentido. A

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4

seguir projetamos (transportamos) cada um dos vetores para a extremidade do outro e por fim, traçamos o vetor soma ou resultante a partir da origem dos mesmos até as extremidades das projeções, conforme mostra a figura 7.

→ → b R θ
b
R
θ
 

a

 

Figura

7-

Representação

gráfica

do

vetor

resultante

R

usando

a

regra

do

paralelogramo.

O vetor soma ou resultante pode ser obtido geometricamente por outro método ou regra denominado regra do polígono, que consiste em transportar um vetor colocando sua origem na extremidade do outro e por fim, o vetor resultante é traçado desde a origem do primeiro até a extremidade do segundo. Esse método geométrico pode ser aplicado à soma de vários vetores, sempre unindo a origem de um vetor à extremidade do outro e assim,

e

sucessivamente. Vamos considerar os mesmos vetores, a

8(a) e 8(b). O vetor resultante terá as mesmas características do vetor resultante mostrado na figura 7.

b conforme mostram as figuras

→ R → b →
R
b

a

a → → b R
a
b
R

(a)

(b)

Figura 8- Representação gráfica do vetor resultante R do polígono fechado (ou triângulo).

usando a regra

Para obtermos o módulo do vetor soma ou resultante utilizamos a lei do co-seno dada pela equação(3).

2 2 → → → → a b + + 2 a b . cos
2
2
→ →
→ →
a b
+
+ 2
a b
.
cos
θ ab

R

=

(3)

Quando trabalhamos com três vetores usamos, freqüentemente, a lei do seno, dada pela equação (4), a qual estabelece uma relação entre os módulos e ângulos dos vetores em operação, conforme mostra a figura 9.

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5

A B C = = sen a sen b sen c a B C b
A
B
C
=
=
sen a
sen b
sen c
a
B
C
b
c

A

(4)

Figura 9- Representação gráfica de um triângulo formado por três vetores que formam ângulos a, b e c entre eles em que se aplica a lei dos senos.

A lei dos senos permite que se obtenha a direção do vetor resultante quando

conhecemos os módulos e ângulos dos vetores que formam um triângulo conforme mostra a figura 9. Quando os vetores são ortogonais, conforme mostra a figura 10, direção do vetor resultante pode ser obtida através da tangente do ângulo, através da equação (5).

b

→ R θ →
R
θ

a

Figura 10- Representação gráfica da adição vetorial de dois vetores ortogonais, utilizando a regra do paralelogramo.

tg

θ

=

cat oposto

.

tg

θ

=

θ

sen

θ

=

tg

1

 

 

(5)

cat adjacente

.

 

cos

θ

As relações trigonométricas cosθ , senθ e tgθ são válidas somente quando o ângulo θ

for medido em relação ao semi-eixo x positivo. Se o ângulo θ for medido em relação a outro eixo, é necessário trocar as funções trigonométricas dadas pela equação (5).

e F 2 . As características do vetor resultante, F R , podem

ser obtidas através dos métodos geométrico e analítico. O módulo e a direção do vetor

resultante podem ser obtidos utilizando instrumentos como régua e transferidor,

Consideremos dois vetores, F 1

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6

respectivamente. Analiticamente, podemos obter as características do vetor resultante através das leis do co-seno,
respectivamente. Analiticamente, podemos obter as características do vetor resultante
através das leis do co-seno, equação (3), e seno, equação (4), cujos ângulos formado entre os
0
0
vetores F1
e F 2
encontram-se em valores intermediários dos quadrantes,
0
e 90
, 90
0 e
0
0
0
180
,
180
e 270
0 270
,
e
360 0
.
→ →
Como exemplo, vamos considerar os vetores F 1
e F 2 , que formam entre si diferentes
ângulos. F1
e F 2
representam forças que agem sobre um determinado corpo, cujos módulos
são
F
=
100.
N
e
F
=
50.
N
. Iniciaremos nosso exemplo considerando que as forças
1
2
aplicadas ao corpo são paralelas. Na seqüência, iremos aumentando o ângulo entre elas e
poderemos verificar que ao passo que aumentamos o valor do ângulo entre elas, o módulo
do vetor força resultante diminui.
0
Ângulo de
0
entre os vetores F 1
e F 2 . Na figura 11 (a) os vetores são paralelos, e o
módulo do vetor resultante será máximo, conforme mostra a figura 11(b).
F 1
F 1
F 2
F 2
F R
→ →
Figura 11- (a) Vetores F 1
e F 2
.
(b) Soma vetorial dos vetores F 1
e F 2
a
representação gráfica do vetor resultante.
- O
módulo
do
vetor
força
resultante
é
obtido
através
da
lei
dos
co-senos,
considerando que
cos 0
0 = 1, tem-se :
2
2
F
=
100
+ 50
+ 2[100].[50]cos0
R
F
=
(10000)
+
(2500)
+
(10000)
=
150.
N
R
Qualquer vetor pode ser representado num sistema de eixos coordenados. A
representação dos
vetores F 1
e F 2
é mostrada na figura 12(a) e o vetor resultante, na figura
12(b).
y
y
F 2
F R
0
F1
x
0
x
(a)
(b)
Figura
12-
(a)
Vetores
F 1
e F 2 .
(b)
Representação
gráfica
do vetor
resultante F R .
7
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ou horizontal. O

sentido do vetor força resultante é “da esquerda para a direita“ ou simplesmente “para a

direita”, conforme mostram as figuras 12(b) e 12(b).

- A direção do vetor força resultante pode ser considerada como

0

0

Ângulo de

45

0

 

entre

os

vetores

F 1

e F 2 .

F 1

entre os vetores F 1 e F 2 . → F 1 → F 2 (a)
→ F 2
F 2

(a)

→ →

→ → F 2 F R 45 0 α →
F 2
F R
45
0 α

F1

(b)

→ F R → 0 F 2 45 →
F R
0
F 2
45

F1

(c)

Figura 13- (a) Vetores F1

e F 2 . (b) Soma vetorial com a representação dada pela regra do

paralelogramo. (c) Soma vetorial com a representação dada pela regra do polígono (ou

triângulo).

Unindo-os pela origem, podemos, da mesma forma que fizemos com os vetores paralelos, representá-los num sistema de eixos coordenados, conforme figura 14(a). O vetor força resultante é obtido utilizando a regra do paralelogramo, conforme mostra a figura

14(b).

y → F 2 0 45 → 0 F1 x
y
F 2
0
45
0
F1
x
y → F 2 . → F R α → 0 F1 x
y
F 2
.
F R
α
0
F1
x

(a)

(b)

→ →

Figura 14- (a) Vetores F 1 regra do paralelogramo.

e F 2 . (b) Representação do vetor força resultante dada pela

- O

módulo

do

cos 45

considerando que

vetor

força

resultante

é

0 0,71, tem-se :

obtido

através

→ 2 2 0 F = 100 + 50 + 2[100].[50]cos 45 R → F
2
2
0
F
=
100
+ 50
+ 2[100].[50]cos 45
R
F
=
(10000)
+
(2500)
+
(10000)(0,71)
=
R

140.

N

da

lei

dos

co-senos,

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8

- Para determinar a direção do vetor força resultante, aplica-se a lei dos senos, equação
- Para
determinar
a
direção
do
vetor
força
resultante,
aplica-se
a
lei
dos
senos,
equação (4).
F
F 2
R
0
135
0 45
α
F 1
0
140
50
50
sen
135
0
=
sen
α
=
α
≅ 14,63
0
sen
135
sen
α
140
- A direção do vetor força resultante obtida pelos vetores F1
e F 2 que formam entre si
0
um ângulo de
45
0 é aproximadamente
14,63 , conforme mostra a figura 14(b).
- O sentido do vetor força resultante é dado geometricamente pelo vetor, conforme figura
14(b), não sendo mais possível expressar em palavras.
→ →
Ângulo de
90
0 entre os
vetores F 1
e F 2 . [Teorema de Pitágoras]
F1
F 2
F R
F R
F 2
F 2
F1
F1
(a)
(b)
(c)
Figura 15- (a) Vetores F 1
e F 2 ortogonais entre sí. (b) Representação do vetor força
resultante dada pela regra do paralelogramo. (c) Representação do vetor força
resultante dada pela regra do polígono (ou triângulo).
- O módulo do vetor força resultante é obtido através da lei dos co-senos, considerando que
cos90
0 = 0 , tem-se :
2
2
F
=
100
+ 50
R
F
=
(10000)
+
(2500)
=
111,80.
N
R
9
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A direção do vetor força resultante, pode ser obtida através da tangente do ângulo,

equação (5), ou através da lei dos senos, equação (4). Vamos obter a direção do vetor força

resultante pelos dois métodos e verificarmos que os mesmos são equivalentes para esse fim.

-

Lei dos senos:

→ → F F 2 R α → F 1 0 111,80 50 50 sen
F
F 2
R
α
F 1
0
111,80
50
50
sen
90
=
sen
α
=
0
sen
90
sen
α
111,80

α

26,57

0

Tangente do ângulo:

tg

θ

=

cat oposto

.

tg

θ

=

θ

sen

θ

=

tg

1

 

 

θ

=

tg

1

 

50

N

 

26,57

cat adjacente

.

 

cos

θ

     

100

N

0

- O sentido do vetor força resultante é dado geometricamente pelo vetor, não sendo mais possível expressar em palavras.

Ângulo de

módulo do vetor resultante será mínimo.

0 entre os vetores

→ →

F 1

180

e F 2 . Quando os vetores são antiparalelos, o

F1

e F 2 . Quando os vetores são antiparalelos, o → F 1 → F 2

F 2

. Quando os vetores são antiparalelos, o → F 1 → F 2 → → F

→ →

F 2 F1
F 2
F1

F R

antiparalelos, o → F 1 → F 2 → → F 2 F1 → F R

F1

o → F 1 → F 2 → → F 2 F1 → F R →

F 2

o → F 1 → F 2 → → F 2 F1 → F R →

F R

(a)

(b)

(c)

→ →

→ →

Figura 16- (a) Vetores F1

resultante obtido pela lei dos co-senos vetor. (c) Soma vetorial dos vetores F 1

com o vetor resultante obtido pela união da origem de um com a extremidade do

outro.

com o vetor

e F 2 .

(b) Soma vetorial dos vetores F1

e F 2

e F 2

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→ →

A representação dos vetores F 1

e F 2 , antiparalelos, é mostrada na figura 17(a). O vetor

resultante, tem as características mostradas na figura 17(b).

y → → F 2 F 1 0 x
y
→ →
F 2
F 1
0
x

(a)

→ →

Figura 17- (a) Vetores F 1

e F 2 antiparalelos.

vetor resultante F R .

y → F R 0 x
y
F R
0
x

(b)

(b) Representação gráfica do

- O módulo do vetor força resultante é obtido através da lei dos co-senos, considerando que

cos180

0 = 1, tem-se :

→ 2 2 F = 100 + 50 + 2(100)(50)( 1) − R → F
2
2
F
=
100
+ 50
+
2(100)(50)( 1)
R
F
=
(10000)
+
(2500)
(10000)
=
50.
R

N

ou horizontal e o

sentido é “da esquerda para a direita“ ou simplesmente “para a direita”, conforme mostra a

figura 17(b).

A direção do vetor força resultante pode ser considerada como

0

0

-

1.2.4- SUBTRAÇÃO DE VETORES

Na subtração vetorial, a determinação do vetor resultante de dois ou mais vetores segue os mesmos princípios adotados para a adição vetorial. A subtração vetorial também

dependerá do ângulo formado entre os vetores. Sejam dois vetores

um ângulo θ , conforme mostra a figura 18. A indicação vetorial para o vetor resultante é

dada pelas equações (6) ou (7).

b , formando entre si

a e

c

=

a

b

(6)

R

=

a

b

(7)

→ → a b
a
b
→ → R = a − b (7) → → a b Figura 18- Representação gráfica

Figura 18- Representação gráfica dos vetores

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a e

b .

11

Na subtração vetorial são aplicadas as mesmas regras utilizadas na adição. A regra do paralelogramo e a regra do polígono (ou triângulo). Para obtermos a diferença entre vetores, devemos realizar uma rotação de 180º no vetor que desejamos subtrair. Para os vetores,

mostrados na figura 19(a), tem-se c

=

a

b

.

Nesse caso, estamos aplicando,

b

geometricamente, a regra do paralelogramo, na qual usamos o vetor oposto,

entre os vetores

. A diferença

b pode ser obtida também aplicando a regra do polígono, conforme

a e

mostra a figura 19(b). → b → θ a → → − b R
mostra a figura 19(b).
b
θ
a
− b
R

a → → R − b
a
R
− b

(a)

(b)

Figura 19- Representação gráfica da subtração vetorial. (a) Aplicando a regra do paralelogramo. (b) Aplicando a regra do polígono.

Consideremos, como exemplo de subtração vetorial,

→ →

F

R

= F

1

F

2

,

F1

e F 2 , aplicados na adição vetorial, cujos módulos são

F

1

=

100.

N e

os mesmos vetores

F

2

=

50.

N

. A figura

20 mostra geometricamente o módulo, a direção e o sentido do vetor força resultante. Para quantificarmos essas características vamos aplicar as leis dos co-senos, equação (3), e dos

senos, equação(4), considerando que o ângulo entre eles, inicialmente, é

35

0

.

F 2 → 0 180 35 0 F 1 0 α 35 → → −
F 2
0
180
35
0 F 1
0
α 35
→ →
− F 2
35
β
0 F R

Figura 20- Representação gráfica de uma subtração vetorial aplicando a regra do paralelogramo.

que o

→ →

- O ângulo entre o vetor F1

0

= 180 + 35

cos 215 = −0,82 , o módulo do vetor força resultante é dado por:

e F 2 (vetor oposto) é

γ

0

→ 2 2 F = 100 + 50 + 2(100)(50)( 0,82) − R → F
2
2
F
=
100
+ 50
+
2(100)(50)( 0,82)
R
F
=
(10000)
+
(2500)
(8200)
=
65,57.
R

N

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0

= 215

0

. Considerando

12

- Para determinar a direção do vetor força resultante, aplica-se a lei dos senos, equação(4).

sen

35

0 sen

α

65,57

positivo, conforme mostra a figura 21.

F1

→ 0 − F 2 α 35 → 0 35 119 0 F R
0
F
2 α
35
0
35
119
0 F R

x

Figura 21- Representação gráfica do vetor resultante, F R , aplicando a regra do paralelogramo.

De acordo com a figura 21, a direção do vetor F R

pode ser indicada como

α 25,94

em relação ao semi-eixo x positivo, ou ainda

α 64,06

0 em relação ao semi-eixo y negativo.

0

- O sentido do vetor força resultante está indicado, geometricamente na figura 21. Como a direção não está coincidindo com nenhum dos semi-eixos coordenados, não é mais possível expressar o sentido do vetor em palavras.

1.3- COMPONENTES DE UM VETOR

A componente de um vetor é a projeção desse vetor sobre um determinado eixo. Por

A projeção sobre o eixo x é a

a . No triângulo

Y , a hipotenusa representa o módulo do vetor

tem duas componentes.

a

exemplo, na figura 22,

componente

retângulo formado pelas componentes

o vetor

a

X e a projeção sobre o eixo y é a componente está sobre o

a

X e

a

Y

a .

y → a Y a θ 0 a X x
y
a
Y a
θ
0
a
X x

Figura 22- Vetor com suas componentes retangulares sobre os eixos x e y.

a

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13

65,57

=

50

α

sen

=

50

sen

35

0

α

25,94

0 em

relação

ao

semi-eixo

são obtidas mediante as relações trigonométricas para um

triângulo retângulo o qual tem a hipotenusa formando um ângulo θ com a horizontal,

conforme mostra a figura 22. Da figura 22 obtemos as componentes

a partir das relações trigonométricas

As componentes do vetor a

a X

e

a

Y

hipotenusa

ângulo θ representa a componente

hipotenusa

. Considerando que o cateto adjacente ao

 

a

X e a hipotenusa, o módulo do vetor

a

, tem-se então a

componente

a

X dada pela equação(8).

 

a

X

=

a

cos

θ

(8)

Da mesma forma que foi obtida a componente oposto ao ângulo θ é representado pela componente dada pela equação(9).

a

X , considerando, agora, que o cateto

Y é

a

Y . Dessa forma, a componente

a

 

a

Y

=

a

senθ

(9)

A partir das componentes retangulares de um vetor é possível determinar o módulo e o ângulo θ formado com o eixo x do sistema de eixos coordenados, através das equações(10) e (11), respectivamente.

→ 2 2 a = ( a ) + ( a ) X Y a
→ 2
2
a =
(
a
)
+
(
a
)
X
Y
a
tg θ =
Y
a
X

(10)

(11)

1.3.1- SOMA VETORIAL ATRAVÉS DAS COMPONENTES DE VETORES

Uma maneira simples de realizarmos uma soma vetorial é através das componentes vetoriais, mas, para isso, é necessário que os vetores estejam representados num sistema de eixos coordenados. Nesse texto, vamos nos restringir a representação vetorial apenas nos eixos x e y. Por isso, as próximas seções terão um tratamento unicamente bidimensional. Para obtermos o módulo, a direção e o sentido do vetor resultante devemos realizar as seguintes etapas:

1. Calcular, individualmente, as componentes retangulares em x e y de cada vetor;

2. Obter o vetor resultante em cada uma das direções, x e y;

3. Calcular o módulo do vetor resultante;

4. Calcular a direção do vetor resultante através da tangente do ângulo;

5. Utilizar um sistema de eixos coordenados xy para representar as componentes retangulares do vetor resultante e, finalmente, traçar o vetor resultante.

Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

14

básicas

cos θ =

cat adjacente

.

e

sen θ =

cat.oposto

EXEMPLO 1- Uma força de 1000 N é aplicada sobre um bloco de concreto. A
EXEMPLO 1- Uma força de 1000 N é aplicada sobre um bloco de concreto. A força forma um
0
ângulo de
35
0 com a horizontal, conforme mostra a figura abaixo. Considere
cos35 = 0,82 ,
sen35
0 = 0,57 e determine:
y
F
0
35
0
x
a) As componentes retangulares ou cartesianas
F
e F
.
X
Y
= 1000cos35
0 →
F
=
820
N
F X
X
F
= 1000
sen
35
0 →
F
=
570
N
Y
Y
b) Verifique, a partir dos valores das componentes obtidas em (a), se os valores estão
corretos.
2
2
F
=
(
820
)
+
(
570
)
F
=
998,65
N
1000
N
c) Verifique, a partir dos valores das componentes obtidas em (a), se a direção (ângulo) do
vetor está correto.
570
570
820
 
820
 
→ →
EXEMPLO 2- Para os vetores F1
e F 2
cujos módulos são
F 1 = 100.N e
F
= 50.N , determine:
2
0
{ Adote para os cálculos (
cos55 = 0,57 ; sen55 = 0,82
)
(
0
)
; (
0
cos35 = 0,82 ; sen35 = 0,57
)
(
0
)
ou
(
0
cos 215 = −0,82 ; sen215 = −0,57 }
)
(
0
)
y
F1
35
0 0
x
0
F 2
55
15
Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

tgθ

=

θ

=

tg

1

θ

35 0

→ → a) As componentes retangulares ou cartesianas dos vetores F 1 e F 2
a)
As componentes retangulares ou cartesianas dos vetores
F 1
e
F 2 .
F
= 100cos 0
0 →
F
=
100,00.
N
1
X
1
X
F
= 100
sen
0
0 →
F
=
0
1
Y
1
y
As componentes de F 2
ser obtidas considerando os ângulos indicados pela figura ou
0
0
0
ainda através da soma de ângulos,
θ = 180 + 35 = 215 , que resultará em componentes com
0
iguais valores conforme cálculo demonstrado abaixo. Adotando o ângulo de
componentes já estarão presentes nos resultados.
215
, o sinal das
F
= 50cos35
0 →
F
=
41.
N
F
= 50cos55
0 →
F
=
28,50.
N
2
X
2
X
2
Y
2
Y
;
0
F
= sen
50
55
F
=
41.
N
F
= 50
sen
35
0 →
F
=
28,50.
N
2
x
2
X
2
Y
2
Y
0
F
= 50cos 215
F
= −
41,00.
N
2
X
2
X
ou
.
0
F
= 50
sen
215
F
= −
28,50.
N
2
Y
2
Y
b) O módulo do vetor resultante
F R
.
F
F
=
F
F
∑ F
→ F
= −
F
X
RX
1
X
2
X
Y
RY
2
X
e
=
[100,00
41,00]
F
=
59,00.
N
F
=
[ 28,50]
F
= −
28,50.
N
F RX
RX
RY
RY
2
2
F
=
(
59,00
)
+
(
28,50
)
F
65,52. N
R
R
c) A direção e o sentido do vetor resultante,
coordenados xy.
F R
representando-o num sistema de eixos
− 28,50
 −
28,50
− 1
0
tgθ
=
θ
=
tg
 
θ
25,78
59,00
 
59,00
y
F RX
0
θ
x
F RY
F R
16
Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

EXERCÍCIO 1- As forças

os módulos das mesmas são

F

A

, F

B

F

A

=

e F

C

, são aplicadas a um bloco de concreto. Considere que

120. N ,

F

B

=

160. N

e

F

C

=

90. N , determine:

Considere:

 

  

0 0 0 cos30 =  0,87  cos35 = 0,82   cos50 =
0
0
0
cos30
= 
0,87
cos35
= 0,82
 
cos50
= 0,64
0
0
0
sen30
0,50
sen35
= 0,57
sen50
= 0,77
=   ;  
   
y
F
B
0
30
F
A
0
35
0
0
x
0
F
50
C

a)

b)

As componentes retangulares ou cartesianas dos vetores

O módulo do vetor resultante.

a

,

b

e

c

.

c)

A

direção e o

sentido do vetor resultante, representando-o

num sistema de eixos

coordenados xy.

y 0 x
y
0
x

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17

1.4- VETOR UNITÁRIO OU VERSOR

Uma grandeza vetorial pode ser representada através de vetores unitários. Um vetor unitário é também denominado versor. Tem módulo unitário ( = 1) , sem dimensão ou unidade, cuja função é especificar uma direção. Um vetor unitário ou versor é obtido, matematicamente, do vetor correspondente através da equação 12.

→ i a = → a
i a
=
a

(12)

A representação de um vetor, em notação de vetor unitário, tem como objetivo facilitar a descrição de uma direção no espaço. Abordaremos a notação de vetor unitário tridimensionalmente, embora, em nosso curso, nos restringiremos ao tratamento bidimensional. As componentes de um vetor, escrito em notação de vetores unitários, são representadas pelas letras i, j e k, que indicam as direções x, y e z, respectivamente, conforme mostra a figura 23. Podemos representar um vetor unitário, além da notação em

Podemos expressar um vetor

negrito da seguinte forma: i ou i , j ou j

k

k

e

ou

.

tridimensional como

X i ,

 

j e

 

a

=

a

X

i

+

a

Y

j

+

a

Z

k

, onde

a

a

Y

a

Z k

são as componentes

vetoriais de

a , e

a

X

, a

Y e

a

Z suas componentes escalares.

z

y → j → i → k 0 x
y
j
i
k
0
x

Figura 23- Vetores unitários i, j e k num sistema de coordenadas retangulares.

Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

18

→ → → Consideremos o vetor bidimensional F = ( F ) i + (
Consideremos o vetor bidimensional
F
= (
F
)
i
+
(
F
)
j
, localizado no plano xy,
X
Y
conforme mostra a figura 24. O produto das componentes, (
A
)
pelo vetor unitário
→ i , e
X
(
A
)
pelo
vetor
unitário
→ ,
j
representa
a
componente
paralela
aos
eixos
x
e
y,
Y
respectivamente.
y
(
F
)
j
F
Y
0
(
F
)
i
x
X
Figura
24-
Componentes
vetoriais
do
vetor
F
num
sistema
de
coordenadas retangulares.
1.4.1- SOMA DE VETORES UNITÁRIOS OU VERSORES
Nas seções anteriores abordamos as operações envolvendo vetores. Tais operações
podem ser realizadas através dos métodos geométricos (gráficos) ou analíticos. Podemos
utilizar os mesmos métodos para obtermos operações de adição e subtração de vetores os
quais estão representados em notação de vetores unitários. No exemplo 3, vamos operar
analiticamente através de suas componentes retangulares para obtermos o módulo, a
direção e o sentido do vetor força resultante,
F
=
F
+
F
.
R
1
2
EXEMPLO
3-
Consideremos
como
exemplo,
os
vetores
F =
1 (
6N
)
i
+
(
3N
)
j
e
F
=
(
2N
)
i
+
(
4N
)
j
, os quais representam forças que agem sobre um determinado corpo.
2
Vamos determinar a força resultante,
em cada direção (eixo).
F
=
F
+
F
, através da combinação das componentes
R
1
2
F
= (3
{(6
N
)
i
+
N
)
j
}
+
{(
2
N
)
i
+
(4
N
)
j
}
R
F
= −
{(6
N
)
+
(
2
N
)}
i
+
{(3
N
)
+
(4
N
)}
j
R
19
Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

unitários]

F

R

=

(4

N

)

i

+

(7

N

)

j

[Vetor força resultante em notação de vetores

O módulo do vetor força resultante

do vetor força resultante:

F

R

,

é obtido através da soma das componentes

 

F

R

=

F

R

8,06

N

A direção e o sentido do vetor força resultante,

F

R

, são indicados na figura 24.

=  

4

N

 

 

4

N

 

Podemos indicar a direção em função dos eixos coordenados x ou y. Em relação ao

semi-eixo x positivo, a direção é

0

θ 60,26 . Em relação ao semi-eixo y positivo, a direção é

y → F R → (7N ) j β θ 0 (4N ) → i
y
F
R
(7N )
j
β
θ
0
(4N ) →
i
x
Figura
25-
Componentes
vetoriais
do
vetor
coordenadas retangulares.
EXERCÍCIO 2- Considere os vetores A
= (2,00) i
+
(3,00) j
,
B =

(5,00) i

(4,00) j

, contidos

no plano xy, e determine o módulo, a direção e o sentido do vetor diferença, C representando-o num sistema de eixos coordenados.

=

A

B ,

Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

20

tg

θ

7

N

θ

=

tg

1

7

N

θ

60, 26

0

β 29,74

0

.

F

R

num

sistema

de

1.5- PRODUTO DE UM ESCALAR POR UM VETOR

O produto de um escalar (número real) por um vetor, equação(13), resulta em outro vetor com alteração somente no módulo, ou no sentido do vetor, ou ainda em ambos.

 

a

=

n. v

 

Módulo: n = 3

a

=

[3] v

.

 

v

 
   
 
→ a = [3] v .   → v       → → a =
 

a

=

[3] v

 

 

Direção: A mesma do vetor

v

se n 0 .

 
 

Sentido: O mesmo de

v

se n > 0 :

n = 3

 

v

de v se n > 0 : n = 3   → v → → a
→ → a = [3] v
a
= [3] v

(13)

 

Contrário a

v

se

n < 0 :

n = −3

 

v

v se n < 0 : n = − 3   → v → → a
→ → a = [ − 3] v
a =
[
3] v

EXEMPLO 4- Considere os vetores

→ →

F 1 , cujos módulos são

e

F

2

F = 2N

1

e

F

2

= 1N , e obtenha

o vetor força resultante considerando

F

R

força resultante é

→ 2 2 F = ( 4 ) + ( 3 ) = 5 N
2
2
F
=
(
4
)
+
(
3
)
=
5
N
R

.

=

2

F

1

F

1

F

2

4 ) + ( 3 ) = 5 N R . = 2 → F 1

+

3

F

2

. Então temos que o módulo do vetor

F

1

F 2 → F R
F
2
F
R

Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

21

1.6- PRODUTO VETORIAL

O produto vetorial entre dois vetores resulta em outro vetor. É aplicado em muitas

situações que envolvem grandezas físicas vetoriais. Dentre elas o momento de uma força, momento angular e força magnética sobre uma carga elétrica em movimento num campo

magnético.

Define-se como produto vetorial entre dois vetores

e

b

a

e a notação a

×

b

é lida

como “ vetorial

a

”. O resultado desse produto vetorial é o vetor , conforme equação 14.

b

c

c

=

a

×

b

(14)

O módulo do vetor

c é dado pela equação 15, onde

são os módulos dos vetores

b , respectivamente, e θ , o menor ângulo entre eles. A orientação do vetor

c

é

a e

perpendicular ao plano definido por

e , é dada pela regra da mão direita, conforme

mostram as figuras 26(a) e 26(b). Na figura 26(a), aplicando a regra da mão direita, o dedo polegar indica o sentido do

b , o que resultará

vetor resultante,

a

b

c , e os demais dedos irão rebater o vetor

a sobre o vetor

positivo. Aplicando a mesma regra da mão direita e fazendo o vetor b

rebater

num vetor c

sobre o vetor

a , o resultado será o vetor

c com sinal negativo.

→ →

c

=

.

a b

senθ

(15)

O produto vetorial tem várias propriedades, porém, abordaremos nesse texto, apenas

a propriedade não-comutativa. A aplicação dessa propriedade indica que a ordem dos

vetores influencia no resultado. Em a

×

b , o vetor resultado

c

será positivo,

c

=

a

×

b ,

conforme mostra a figura 26(a). Se o produto realizado for b

×

a

 

negativo,

c

=

b

×

a

, conforme figura 26(b).

Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

será

, o vetor resultado c

22

→ →

e

a b

→ b → → → c = a × b θ → → b a
b
c
=
a
×
b
θ
b
a
θ
→ →
a −
c
=
b
×
a
(a)
(b)
Figura 26- Produto vetorial entre os vetores
projetadas na direção do outro vetor.
a
e b
→ .(a) com suas componentes
Para obtermos o produto vetorial entre quaisquer dois vetores cartesianos, por
exemplo,
a
e → , podemos escrever através do determinante de uma matriz, dado pela
b
equação 16. O determinante de uma matriz 3x3 pode ser facilmente calculado pela Regra de
Sarrus, que consiste em repetir as duas primeiras colunas à direita do determinante e
multiplicar os elementos do determinante conforme mostra o exemplo 5.
i
j
k
a
× b
a
a
(16)
X a
Y
Z
= 
b
b
b
X
Y
Z
 
 
EXEMPLO 5- Determine o momento exercido por uma força em relação ao ponto de
aplicação O, considerando que os vetores força e posição são dados, respectivamente, por
F
=
{(200N
)
i
(346, 4N
)
j
e r
=
{(0,4m) i
(0,2m) j}
.
Observe que a equação que governa essa grandeza física vetorial é dada por M
=
r
×
F .
Assim, distribuindo os termos adequadamente conforme a ordem vetorial indicada pela
equação do momento e aplicando a regra de Sarrus tem-se:
i
j
k
i
j
k
i
j
r
×
F
=
0,4
0, 2
0
→ r
× F
=
0,4
0,2
0
0, 4
0,2
200
346,4
0
200
346, 4
0
200
346, 4
 
 
{ ( 0,2x0) i
+ (0x200) j
→ + ( 346.4x0,4) k
} -
{ (0 x0, 4) j
+ ( 346,4x0) i
+ ( 0,2x200) k
}=
{ (
− 346.4x0,4) k
+ (0, 2x200) k
→ }
r
×
F = (
98,56
N.m) k
23
Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

Observe que o resultado obtido pelo cálculo do determinante do exemplo 5 é um vetor

k . Esse resultado já era esperado, visto que o produto das componentes

cuja direção está em

 

não-nulas da força com a posição estão nas direções

i

e

j .

Os resultados possíveis de um produto vetorial entre as componentes de vetores as quais estão nas direções x, y e z são:

i

×

i

=

0

j

×

j

=

0

k

×

k

=

0

i

×

j

=

k

j

k

=

i

k

× i

=

j

Componentes paralelas [

sen0

0 = 0 ]

 

j

×

i

= −

k

k

j

= −

i

× Componentes ortogonais resultam em outro vetor.

i

× k

= −

j

× ou

2– VETORES NO ESPAÇO – (VETORES TRIDIMENSIONAIS)

2.1– VETOR POSIÇÃO

Para o movimento tridimensional, a posição ocupada por uma partícula pode ser indicada através do vetor posição tridimensional, conforme mostra a figura 27. O vetor posição é dado pela equação 17, onde x, y e z são as coordenadas num espaço tridimensional.

Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

r

=

x i

+

y j

+

z k

(17)

 

24

y → r j Y → r → r i X → r k x
y
r
j
Y
r
r
i
X
r
k
x
Z
z
Figura 27- Vetor posição no espaço tridimensional.
2.2- VETOR DESLOCAMENTO
Quando uma partícula se movimenta mudando de posição, conforme mostra a figura
28, tem-se um deslocamento associado a essa troca de posições. O deslocamento é definido
como sendo a diferença entre os vetores posições final e inicial conforme equação 18. O
deslocamento realizado por uma partícula depende somente da diferença entre as posições
final,
P
e inicial,
P sendo então independente da trajetória.
2
1
r
=
r
r
(18)
2
1
Podemos reescrever o vetor deslocamento tridimensional da pela equação 18 conforme
a equação 19.
r =
[x
x ] i
+
[y
y ] j
+
[z
z ]k
(19)
2
1
2
1
2
1
O módulo do vetor deslocamento é obtido pela equação 20.
2
2
2
∆ r
= ∆
x
+ ∆
y
+ ∆
z
(20)
25
Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski
y 0 → r r → x 1 2 P 2 P 1 → ∆
y
0
r
r →
x
1
2
P
2
P
1
∆ r
Trajetória da partícula
z

Figura 28- Vetor deslocamento de uma partícula que se movimenta

numa trajetória tridimensional desde o ponto

P até o ponto

1

P .

2

Os ângulos α , β

e γ

que definem as direções do vetor deslocamento para cada uma

das direções x, y e z, conforme figura 29, são dados pelas equações (20), (21) e (22)

y → r j Y β → r γ α → → r k r
y
r
j
Y
β
r
γ
α
r
k
r
i
x
Z
X
z

Figura 29- Vetor posição no espaço tridimensional com os ângulos em cada direção.

Prof.: Altamiro Quevedo Schervenski

26

cos

α

=

 

r

X

 

 

r

X

r

 

(20)

 

r

α

=

cos

1

1

r

Y

β

=

cos

 

 
 

r

γ

=

cos

1

r

Z

cos

β

=

  

r Y

 

 

(21)

r

cos

γ

=

  

r

Z

 

 

 

 

(22)

 

r

r

Podemos representar um vetor tridimensional, cujas componentes são unitárias, através da equação 23.

cos α + cos β + cos

2

2

2

γ = 1

(23)

O módulo da força resultante tridimensional aplicada a um corpo qualquer pode ser obtido pela equação (24), forma semelhante ao módulo do vetor deslocamento dado pela equação (20).

2 2 2 F + F + F X Y Z
2
2
2
F
+
F
+
F
X
Y
Z
 

F

R

=

(24)

 

EXEMPLO 6- Um corpo está submetido

à ação de uma força

F

cujas componentes são

F

X

=

100 N ,

F

Y

= −

150

N

e

F

Z

=

300

N . Determine:

a) O módulo da força F . → 2 2 2 F = F +
a) O módulo da força F .
2
2
2
F
=
F
+
F
+
F
X
Y
Z
→ F =
F
=

(

100

)

2

+

(

150

)

2

+

(

300

)

2

cos

1

 

100

N

 

 

α

=

 

350

N

 

150

N

cos

1

 

 

 

 

β

 

350

N

 

cos

1

300

N

 

γ

=