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01 - PRÊMIO AO SACRIFÍCIO

Três irmãos dedicados a J esus leram no Evangelho que cada homem receberá
sempre, de acordo com as próprias obras, e prometeram cumprir as lições do Mestre.
O primeiro colocou-se na indústria do fio de algodão e, de tal modo se aplicou ao
serviço que, em breve, passou à condição de interessado nos lucros administrativos.
Dentro de vinte e cinco anos, era o chefe da organização e adquiriu títulos de verdadeiro
benfeitor do povo. Ganhava dinheiro com imensa facilidade e socorria infortunados e
sofredores. Dividia o trabalho equitativamente e distribuía os lucros com justiça e bondade.
O segundo estudou muito tempo e tornou-se juiz famoso. Embora gozasse do
respeito e da estima dos contemporâneos, jamais olvidou os compromissos que assumira
à frente do Evangelho. Defendeu os humildes, auxiliou os pobres e libertou muitos
prisioneiros perseguidos pela maldade. De juiz tornou-se legislador e cooperou na
confecção de leis benéficas e edificantes. Viveu honrado, rico, feliz, correto e digno.
O terceiro, porém, era paralítico. Não podia usar a inteligência com facilidade. Não
poderia comandar uma fábrica, nem dominar um tribunal. Tinha as pernas mirradas. O leito
era a sua residência. Lembrou, contudo, que poderia fazer um serviço de oração e
começou a tarefa pela humilde mulher que lhe fazia a limpeza doméstica. Viu-a triste e
lacrimosa e procurou conhecer-lhe as mágoas com discrição e fraternidade. Confortou-a
com ternura de irmão. Convidou-a a orar e pediu para ela as bênçãos divinas.
Bastou isto e, em breve, trazidos pela servidora reconhecida, outros sofredores
vinham rogar-lhe o concurso da prece. O aposento singelo encheu se de necessitados.
Orava em companhia de todos, oferecia-lhes o sorriso de confiança na bondade celeste.
Comentava os benefícios da dor, expunha suas esperanças no Reino Divino. Dava de si
mesmo, gastando emoções e energias no santo serviço do bem. Escrevia cartas inúmeras,
consolando viúvas e órfãos, doentes e infortunados, insuflando-lhes paz e coragem. Comia
pouco e repousava menos. Tanto sofreu com as dores alheias que chegou a esquecer se
de si mesmo e tanto trabalhou que perdeu o dom da vista. Cego, contudo, não ficou
sozinho. Prosseguiu colaborando com os sofredores, ajudando-os, cada vez mais.
Morreram os três irmãos, em idade avançada, com pequenas diferenças de tempo.
Quando se reuniram, na vida espiritual, veio um Anjo examinar-lhes as obras com uma
balança.O industrial e o juiz traziam grande bagagem, que se constituía de várias bolsas,
recheadas com o dinheiro e com as sentenças que haviam distribuído em benefício de
muitos. O servidor da prece trazia apenas pequeno livro, onde escrevia suas rogativas.
O primeiro foi abençoado pelo conforto que espalhou com os necessitados e o
segundo foi também louvado pela justiça que semeara sabiamente.
Quando o Anjo, porém, abriu o livro do ex-paralítico, dele saiu uma grande luz, que
tudo envolveu numa coroa resplandecente. A balança foi incapaz de medir lhe a grandeza.
Então, o Mensageiro falou-lhe, feliz:
— Teus irmãos são benditos na Casa do Pai pelos recursos que distribuíram, em
favor do próximo, mas, em verdade, não é muito difícil ajudar com o dinheiro e com a faina
que se multiplicam facilmente no mundo. Sê, porém, bem-aventurado, porque deste de ti
mesmo, no amor santificante.
Gastaste as mãos, os olhos, o coração, as forças, os sentimentos e o tempo a
benefício dos semelhantes e a Lei do Sacrifício determina que a tua moradia seja mais
alta. Não transmitiste apenas os bens da vida: irradiaste os dons de Deus.
E o servidor humilde do povo foi conduzido a um céu mais elevado, de onde passou
a exercer autoridade sobre muita gente.

(Livro: Alvorada Cristã)
02 - O SERVO FELIZ

Certo dia, chegaram ao Céu um Marechal, um Filósofo, um Político e um Lavrador.
Um Emissário Divino recebeu-os, em elevada esfera, a fim de ouvi-los.
O Marechal aproximou-se, reverente, e falou:
— Mensageiro do Comando Supremo, venho da Terra distante. Conquistei muitas
medalhas de mérito, venci numerosos inimigos e recebi várias homenagens.
— Que deseja em troca de seus grandes serviços? — indagou o Enviado.
— Quero entrar no Céu.
O Anjo respondeu sem vacilar:
— Por enquanto, não pode receber a dádiva. Soldados e adversários, mulheres e
crianças chamam-no insistentemente da Terra. Verifique o que alegam de sua passagem
pelo mundo e volte mais tarde.
O Filósofo acercou-se do preposto divino e disse:
—Anjo do Criador Eterno, venho do acanhado círculo dos homens. Dei às criaturas
muita matéria de pensamento. Fui laureado por academias diversas.
— Que pretende pelo que fez? — perguntou o Emissário.
— Quero entrar no Céu.
— Por agora, porém, não lhe cabe a concessão. Muitas mentes estão trabalhando
com as idéias que você deixou no mundo e reclamam-lhe a presença, de modo a saberem
separar-lhe os caprichos pessoais da inspiração sublime. Regresse ao velho posto,
solucione seus problemas e torne oportunamente.
O Político tomou a palavra e acentuou:
— Ministro do Todo-Poderoso, fui administrador dos interesses públicos.Assinei
várias leis que influenciaram meu tempo. Meu nome figura em muitos documentos oficiais.
— Que pede em compensação? — perguntou o Missionário do Alto.
— Quero entrar no Céu.
O Enviado, no entanto, respondeu, firme:
— Por enquanto, não pode ser atendido. O povo mantém opiniões divergentes a seu
respeito. Inúmeras pessoas pronunciam-lhe o nome com amargura e esses clamores
chegam até aqui. Retorne ao seu gabinete, atenda às questões pendentes e volte depois.
Aproximou-se, então, o Lavrador e falou, humilde:
— Mensageiro de Nosso Pai, fui cultivador da terra... plantei o milho, o arroz, a
batata e o feijão. Ninguém me conhece, mas eu tive a glória de conhecer as bênçãos de
Deus e recebê-las, nos raios do Sol, na chuva benfeitora, no chão abençoado, nas
sementes, nas flores, nos frutos, no amor e na ternura de meus filhinhos... O Anjo sorriu e
disse:
— Que prêmio deseja?
O Lavrador pediu, chorando de emoção:
— Se Nosso Pai permitir desejaria voltar ao campo e continuar trabalhando. Tenho
saudades da contemplação dos milagres de cada dia... A luz surgindo no firmamento em
horas certas, a flor desabrochando por si mesma, o pão a multiplicar-se!... Se puder,
plantarei o solo novamente para ver a grandeza divina a revelar-se no grão, transformado
em dadivosa espiga... Não aspiro a outra felicidade senão a de prosseguir aprendendo,
semeando, louvando e servindo!...
O Mensageiro Espiritual abraçou-o e exclamou, chorando igualmente, de júbilo:
— Venha comigo! O Senhor deseja vê-lo e ouvi-lo, porque diante do Trono Celestial
apenas comparece quem procura trabalhar e servir sem recompensa.

(Livro: Alvorada Cristã)
03 - O GRANDE PRÍNCIPE

Um rei oriental, poderoso e sábio, achando-se envelhecido e doente, reuniu os três
filhos, deu a cada um deles dois camelos carregados de ouro, prata e pedras preciosas e
determinou-lhes gastar esses tesouros, em viagens pelo reino, durante três meses, com a
obrigação de voltarem, logo após, a fim de que ele pudesse efetuar a escolha do príncipe
que o sucederia no trono. Findo o prazo, os jovens regressaram. Os dois mais velhos
exibiam mantos riquíssimos e chegaram com carruagens, mas o terceiro vinha cansado e
ofegante, parecendo um mendigo, despertando a ironia e o assombro de muita gente.
O rei abençoou-os discretamente e dispôs-se a ouvi-los, perante compacta multidão.
O primeiro aproximou-se, fez larga reverência, e notificou:
— Meu pai e meu soberano, viajei em todo o centro do País e adquiri, para teu
descanso, um admirável palácio. Comprei escravos vigorosos que te sirvam e reuni, nesse
castelo, digno de ti, todas as maravilhas de nosso tempo. Dessa moradia, poderás
governar sempre honrado, forte e feliz.
O monarca pronunciou algumas palavras de agradecimento, mostrou amoroso gesto
de aprovação e mandou que o segundo filho se adiantasse:
— Meu pai e meu rei! — exclamou, contente — trago-te a coleção de tapetes mais ricos do
mundo. Dezenas de pessoas perderam o dom da vista, a fim de tecê-los. Aproxima-se da
cidade uma caravana de vinte camelos, carregando essas preciosidades que te ofereço!
O monarca expressou gratidão e recomendou que o mais moço tomasse a palavra.
O filho mais novo, alquebrado e mal vestido, ajoelhou-se e falou, então:
— Amado pai, não trouxe qualquer troféu para o teu trono venerável e glorioso...
Viajei pela terra que o Supremo Senhor te confiou, e vi que os súditos esperam de teu
governo a paz e o bem estar, tanto quanto o crente aguarda a felicidade da Proteção do
Céu... Nas montanhas, encontrei a febre devorando corpos mal abrigados e movimentei
médicos e remédios, em favor dos sofredores. Ao Norte, vi a ignorância dominando
milhares de meninos e jovens desamparados e instalei escolas em nome de tua
administração justiceira. A Oeste, nas regiões pantanosas, fui surpreendido por bandos de
leprosos e dei-lhes conveniente asilo em teu nome. Nas cidades do Sul, notei que
centenas de mulheres e crianças são vilmente exploradas pela maldade humana e iniciei a
construção de oficinas em que o trabalho edificante as recolha. Nas fronteiras, conheci
escravos de ombros feridos, amargurados e doentes, e libertei-os, anunciando-lhes a
bondade de tua coroa!...
A comoção interrompeu-o. Fez-se grande silêncio e viu-se que o velho soberano
mostrava os olhos cheios de lágrimas.O rapaz cobrou novo ânimo e terminou:
— Perdoa-me se entreguei teu dinheiro aos necessitados e desculpa-me se
regresso à tua presença envolvido em extrema pobreza, por haver conhecido, de perto, a
miséria, a enfermidade, a ignorância e a fome nos domínios que o Céu conferiu às tuas
mãos benfeitoras... A única dádiva que te trago, amado pai, é o meu coração reconhecido
pelo ensinamento que me deste, permitindo-me contemplar o serviço que me cabe fazer...
Não desejo descansar enquanto houver sofrimento neste reino, porque aprendi
contigo que as necessidades dos filhos do povo são iguais às dos filhos do rei!...
O velho monarca, em pranto, muito trêmulo, desceu do trono, abraçou o filho
esfarrapado, retirou a coroa e colocou-a sobre a fronte —dele, exclamando, solene:
— Grande Príncipe: Deus, o Eterno Senhor te abençoe para sempre! É a ti que
compete o direito de governar, enquanto viveres. A multidão aplaudiu, delirando de júbilo,
enquanto o jovem soberano, ajoelhado, soluçava de emoção e reconhecimento.

(Livro: Alvorada Cristã)
04 - O JUIZ RETO

Ao tribunal de Eliaquim ben J efté, juiz respeitável e sábio, compareceu o negociante
J onatan ben Caiar arrastando Zorobabel, miserável mendigo.
— Este homem — clamou o comerciante, furioso — impingiu-me um logro de vastas
proporções! Vendeu-me um colar de pérolas falsas, por cinco peças de ouro, asseverando
que valiam cinco mil. Comprei as jóias, crendo haver realizado excelente negócio,
descobrindo, afinal, que o preço delas é inferior a dois ovos cozidos. Reclamei diretamente
contra o mistificador, mas este vagabundo já me gastou o rico dinheiro. Exijo para ele as
penas da justiça! É ladrão reles e condenável!... O magistrado, porém, que cultuava a
J ustiça Suprema, recomendou que o acusado se pronunciasse por sua vez:
— Grande juiz — disse ele, timidamente —, reconheço haver transgredido os
regulamentos que nos regem. Entretanto, tenho meus dois filhos estirados na cama e
debalde procuro trabalho digno, pois mo recusam sempre, a pretexto de minha idade e de
minha pobre apresentação. Realmente, enganei o meu próximo e sou criminoso, mas
prometo resgatar meu débito logo que puder. O juiz meditou longamente e sentenciou:
—Para Zorobabel, o mendigo, cinco bastonadas entre quatro paredes, a fim de que
aprenda a sofrer honestamente, sem assalto à bolsa dos semelhantes, e, para J onatan, o
mercador, vinte bastonadas, na praça pública, de modo a não mais abusar dos humildes.
O negociante protestou, revoltado:
—Que ouço? Sou vítima de um ladrão e devo pagar por faltas que não cometi?
Iniqüidade! iniqüidade!...
O magistrado, todavia, bateu forte com um martelo sobre a mesa, chamando a
atenção dos presentes, e esclareceu, em voz alta:
—J onatan ben Caiar, a justiça verdadeira não reside na Terra para examinar as
aparências. Zorobabel, o vagabundo, chefe de uma família infeliz, furtou-te cinco peças de
ouro, no propósito de socorrer os filhos desventurados, porém, tu, por tua vez, tentaste
roubar dele, valendo-te do infortúnio que o persegue, apoderando-te de um objeto que
acreditaste valer cinco mil peças de ouro ao preço irrisório de cinco. Quem é mais nocivo à
sociedade, perante Deus: o mísero esfomeado que rouba um pão, a fim de matar a fome
dos filhos, ou o homem já atendido pela Bondade do Eterno, com os dons da fortuna e da
habilidade, que absorve para si uma padaria inteira, a fim de abusar, calculadamente, da
alheia indigência? Quem furta por necessidade pode ser um louco, mas quem acumula
riquezas, indefinidamente, sem movimentá-las no trabalho construtivo ou na prática do
bem, com absoluta despreocupação pelas angústias dos pobres, muita vez passará por
inteligente e sagaz, aos olhos daqueles que, no mundo, adormeceram no egoísmo e na
ambição desmedida, mas é malfeitor diante do Todo-Poderoso que nos julgará a todos, no
momento oportuno.
E, sob a vigilância de guardas robustos, Zorobabel tomou cinco bastonadas em sala
de portas lacradas, para aprender a sofrer sem roubar, e J onatan apanhou vinte, na via
pública, de modo a não mais explorar, sem escrúpulos, a miséria, a simplicidade e a
confiança do povo.

(Livro: Alvorada Cristã)






05 - O RICAÇO DISTRAÍDO

Existiu um homem devoto que chegou ao Céu e, sendo recebido por um Anjo do
Senhor, implorou, enlevado:
—Mensageiro Divino, que devo fazer para vir morar, em definitivo, ao lado de
J esus? —Faze o bem — informou o Anjo — e volta mais tarde.
—Posso rogar-te recursos para semelhante missão? —Pede o que desejas.
—Quero dinheiro, muito dinheiro, para socorrer o meu próximo.
O emissário estranhou o pedido e considerou: —Nem sempre o ouro é o auxiliar
mais eficiente para isso.
—Penso, contudo, meu santo amigo, que, sem ouro, é muito difícil praticar a
caridade. —E não temes as tentações do caminho? — Não.
— Terás o que almejas — afirmou o mensageiro —, mas não te esqueças de que o
tesouro de cada homem permanece onde tem o coração, porque toda alma reside onde
coloca o pensamento. Tuas possibilidades materiais serão multiplicadas. No entanto, não
olvides que as dádivas divinas, quando retidas despropositadamente pelo homem, sem
qualquer proveito para os semelhantes, transformam-no em prisioneiro delas. A lei
determina sejamos escravos dos excessos a que nos entregarmos. Prometeu o homem
exercer a caridade, servir extensamente e retornou ao mundo.
Os Anjos da Prosperidade começaram, então, a ajudá-lo. Multiplicaram-lhe, de
início, as peças de roupa e os pratos de alimentação; todavia, o devoto já remediado
suplicou mais roupas e mais alimentos. Deram-lhe casa e haveres. Longe, contudo, de
praticar o bem, considerava sempre escassos os dons que possuía e rogou mais casas e
mais haveres. Trouxeram lhe rebanhos e chácaras, mas o interessado em subir ao paraíso
pela senda da caridade, temendo agora a miséria, implorou mais rebanhos e mais
chácaras. Não cedia um quarto, nem dava uma sopa a ninguém, declarando-se sem
recursos para auxiliar os necessitados e esperava sempre mais, a fim de distribuir algum
pão com eles. No entanto, quanto mais o Céu lhe dava, mais exigia do Céu. De
espontâneo e alegre que era, passou a ser desconfiado, carrancudo e arredio. Receando
amigos e inimigos, escondia grandes somas em caixa forte, e quando envelheceu, de todo,
veio a morte, separando-o da imensa fortuna. Com surpresa, acordou em espírito, deitado
no cofre grande. Objetos preciosos, pedaços de ouro e prata e vastas pilhas de cédulas
usadas serviam-lhe de leito. Tinha fome e sede, mas não podia servir-se das moedas;
queria a liberdade, porém, as notas de banco pareciam prende-lo.
— Santo Anjo! — gritou, em pranto — Ajuda-me a partir, em direção à Casa
Celestial!... O mensageiro, reparando-lhe o sofrimento, exclamou:
—É muito tarde para súplicas! Estás sufocado pela corrente de facilidades materiais
que o Senhor te confiou, porque a fizeste rolar tão somente em torno de ti, sem qualquer
benefício para os irmãos de luta e experiência...
— E que devo fazer — implorou o infeliz —para retomar a paz e ganhar o paraíso?
O Anjo pensou, pensou... e respondeu:
- Espalha com proveito as moedas que ajuntaste inutilmente, desfaze-te da terra
que retiveste em vão, entrega à circulação do bem todos os valores que recebeste e que
amontoaste, atendendo ao egoísmo, à vaidade, à avareza e à ambição destrutiva e, depois
disso, vem a mim para retomarmos o acordo feito há sessenta anos...
Reconhecendo, porém, o homem que já não dispunha de um corpo de carne para
semelhante serviço, começou a gritar e blasfemar, como se o inferno estivesse morando
em sua própria consciência.

(Livro: Alvorada Cristã)
06 - O BURRO DE CARGA

No tempo em que não havia automóveis, na cocheira de famoso palácio real um
burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilhérias e remoques dos
companheiros de apartamento. Reparando-lhe o pêlo maltratado, as fundas cicatrizes do
lombo e a cabeça tristonha e humilde, aproximou-se formoso cavalo árabe, que se fizera
detentor de muitos prêmios, e disse, orgulhoso:
— Triste sina a que recebeste! Não invejas minha posição nas corridas?
Sou acariciado por mãos de princesas e elogiado pela palavra dos reis!
—Pudera! exclamou um potro de fina origem inglesa — como conseguirá um burro
entender o brilho das apostas e o gosto da caça?
O infortunado animal recebia os sarcasmos, resignadamente. Outro soberbo cavalo,
de procedência húngara, entrou no assunto e comentou:
—Há dez anos, quando me ausentei de pastagem vizinha, vi este miserável
sofrendo rudemente nas mãos de bruto amansador. É tão covarde que não chegava a
reagir, nem mesmo com um coice. Não nasceu senão para carga e pancadas. É
vergonhoso suportar-lhe a companhia. Nisto, admirável jumento espanhol acercou-se do
grupo, e acentuou sem piedade:
—Lastimo reconhecer neste burro um parente próximo. É animal desonrado, fraco,
inútil... Não sabe viver senão sob pesadas disciplinas. Ignora o aprumo da dignidade
pessoal e desconhece o amor próprio. Aceito os deveres que me competem até o justo
limite; mas, se me constrangem a ultrapassar as obrigações, recuso-me à obediência,
pinoteio e sou capaz de matar.
As observações insultuosas não haviam terminado, quando o rei penetrou o recinto,
em companhia do chefe das cavalariças.
—Preciso de um animal para serviço de grande responsabilidade — informou o
monarca —, animal dócil e educado, que mereça absoluta confiança.
O empregado perguntou: —Não prefere o árabe, Majestade?
Não, não — falou o soberano — é muito altivo e só serve para corridas em festejos
oficiais sem maior importância.
—Não quer o potro inglês?
—De modo algum. É muito irrequieto e não vai além das extravagâncias da caça.
—Não deseja o húngaro?
—Não, não. É bravio, sem qualquer educação. É apenas um pastor de rebanho.
—O jumento serviria? — insistiu o servidor atencioso.
—De maneira nenhuma. É manhoso e não merece confiança.
Decorridos alguns instantes de silêncio, o soberano indagou:
—Onde está o meu burro de carga?
O chefe das cocheiras indicou-o, entre os demais.
O próprio rei puxou-o carinhosamente para fora, mandou ajaezá-lo com as armas
resplandecentes de sua Casa e confiou-lhe o filho, ainda criança, para longa viagem.
Assim também acontece na vida. Em todas as ocasiões, temos sempre grande
número de amigos, de conhecidos e companheiros, mas somente nos prestam serviços de
utilidade real aqueles que já aprenderam a suportar, servir e sofrer, sem cogitar de si
mesmos.

(Livro: Alvorada Cristã)



07 - A LIÇÃO INESQUECÍVEL

Hilda, menina abastada, diariamente dirigia más palavras à pequena vendedora de
doces que lhe batia humildemente à porta da casa.
— Que vergonha! De bandeja! de esquina a esquina! Vai-te daqui! — gritava.
A modesta menina se punha pálida e trêmula. Entrementes, a dona da casa,
tentando educar a filha, vinha ao encontro da pequena humilhada e dizia, bondosa:
— Que doces tão perfeitos! Quem os fez assim tão lindos?
A mocinha, reanimada, respondia, contente: — Foi a mamãe.
A generosa senhora comprava sempre alguma coisa e, em seguida, recomendava à
filha: - Hilda, não brinques com o destino. Nunca expulses o necessitado que nos procura.
Quem sabe o que sucederá amanhã? Aqueles que socorremos serão provavelmente os
nossos benfeitores.
A menina resmungava e, à noite, ao jantar, o pai secundava os conselhos maternos,
acrescentando:
- Não zombes de ninguém, minha filha! o trabalho, por mais humilde, é sempre
respeitável e edificante. Por certo, dolorosas necessidades impelirão uma criança a vender
doces, de porta em porta.
Hilda, contudo, no dia seguinte, fustigava a vendedora, exclamando:
- Fora daqui! Bruxa! bruxa!...
A mãe devotada acolhia a pequena descalça e repetia à filha as advertências
carinhosas. Correu o tempo e, depois de quatro anos, o quadro da vida se modificara. O
paizinho de Hilda adoeceu e debalde os médicos procuraram salvá-lo. Morreu numa tarde
calma, deixando o lar vazio.
A viúva recolheu-se ao leito extremamente abatida e, com as despesas enormes,
em breve a pobreza e o desconforto invadiram-lhe a residência. A pobre senhora mal podia
mover-se. Privações chegaram em bando. A menina, anteriormente abastada, não podia
agora comprar nem mesmo um par de sapatos.
Aflita por resolver a angustiosa situação, certa noite Hilda chorou muitíssimo,
lembrando-se do papai. Dormiu, lacrimosa, e sonhou que ele vinha do Céu confortá-la.
Ouviu-o dizer, perfeitamente:
- Não desanimes, minha filha! vai trabalhar! Vende doces para auxiliar a mamãe!...
Despertou, no dia imediato, com o propósito firme de seguir o conselho.
Ajudou a mãezinha enferma a fazer muitos quadrinhos de doce de leite e, logo após,
saiu a vendê-los. Algumas pessoas generosas compravam-nos com evidente intuito de
auxiliá-la; entretanto, outras criaturas, principalmente meninos perversos, gritavam-lhe aos
ouvidos: - Sai daqui! Bruxa de bandeja!...
Sentia-se triste e desalentada, quando bateu à porta de uma casa modesta.
Graciosa jovem atendeu.
Ah! que surpresa! era a menina pobre que costumava vender cocadas noutro
tempo. Estava crescidinha, bem vestida e bonita. Hilda esperou que ela a maltratasse por
vingança, mas a jovem humilde fitou nela os grandes olhos, reconheceu-a, compreendeu-
lhe a nova situação e exclamou, contente:
- Que doces tão perfeitos! Quem os fez assim tão lindos?
A interpelada lembrou os ensinamentos maternos e informou: - Foi a mamãe.
A ex-vendedora comprou quantos quadrinhos restavam na bandeja e abraçou-a
com sincera amizade. Desse dia em diante, a menina vaidosa transformou-se para
sempre. A experiência lhe dera inesquecível lição.

(Livro: Alvorada Cristã)
08 - A ARMA INFALÍVEL

Certo dia, um homem revoltado criou um poderoso e longo pensamento de ódio,
colocou-o numa carta rude e malcriada e mandou-o para o chefe da oficina de que fora
despedido.
O pensamento foi vazado em forma de ameaças cruéis. E quando o diretor do
serviço leu as frases ingratas que o expressava, acolheu-o, desprevenidamente, no próprio
coração, e tornou-se furioso sem saber porquê.
Encontrou, quase de imediato, o sub-chefe da oficina e, a pretexto de enxergar uma
pequena peça quebrada, desfechou sobre ele a bomba mental que trazia consigo.
Foi a vez do sub-chefe tornar-se neurastênico, sem dar o motivo. Abrigou a projeção
maléfica no sentimento, permaneceu amuado várias horas e, no instante do almoço, ao
invés de alimentar-se, descarregou na esposa o perigoso dardo intangível. Tão só por ver
um sapato imperfeitamente engraxado, proferiu dezenas de palavras feias; sentiu-se
aliviado e a mulher passou a asilar no peito a odienta vibração, em forma de cólera
inexplicável.
Repentinamente transtornada pelo raio que a ferira e que, até ali, ninguém soubera
remover, encaminhou-se para a empregada que se incumbia do serviço de calçados e
desabafou. Com palavras indesejáveis inoculou-lhe no coração o estilete invisível.
Agora, era uma pobre menina quem detinha o tóxico mental. Não podendo despejá-
lo nos pratos e xícaras ao alcance de suas mãos, em vista do enorme débito em dinheiro
que seria compelida a aceitar, acercou-se de velho cão, dorminhoco e paciente, e
transferiu-lhe o veneno imponderável, num pontapé de largas proporções.
O animal ganiu e disparou, tocado pela energia mortífera, e, para livrar-se desta,
mordeu a primeira pessoa que encontrou na via pública.
Era a senhora de um proprietário vizinho que, ferida na coxa, se enfureceu
instantâneamente, possuída pela força maléfica. Em gritaria desesperada, foi conduzida a
certa farmácia; entretanto, deu-se pressa em transferir ao enfermeiro que a socorria a
vibração amaldiçoada. Crivou-o de xingamentos e esbofeteou-lhe o rosto. O rapaz muito
prestativo, de calmo que era, converteu-se em fera verdadeira. Revidou os golpes
recebidos com observações àsperas e saiu, alucinado, para a residência, onde a velha e
devotada mãezinha o esperava para a refeição da tarde. Chegou e descarregou sobre ela
toda a ira de que era portador.
— Estou farto! — bradou — a senhora é culpada dos aborrecimentos que me
perseguem! Não suporto mais esta vida infeliz! Fuja de minha frente!... Pronunciou nomes
terríveis. Blasfemou. Gritou, colérico, qual louco.
A velhinha, porém, longe de agastar-se, tomou-lhe as mãos e disse-lhe com
naturalidade e brandura:
— Venha cá, meu filho! Você está cansado e doente! Sei a extensão de seus
sacrifícios por mim e reconheço que tem razão para lamentar-se. No entanto, tenhamos
bom ânimo! Lembremo-nos de J esus!... Tudo passa na Terra. Não nos esqueçamos do
amor que o Mestre nos legou... Abraçou-o, comovida, e afagou-lhe os cabelos!
O filho demorou-se a contemplar-lhe os olhos serenos e reconheceu que havia no
carinho materno tanto perdão e tanto entendimento que começou a chorar, pedindo-lhe
desculpas.
Houve então entre os dois uma explosão de íntimas alegrias. J antaram felizes e
oraram em sinal de reconhecimento a Deus. A projeção destrutiva do ódio morrera, afinal,
ali, dentro do lar humilde, diante da força infalível e sublime do amor.

(Livro: Alvorada Cristã)
09 - O SERVIDOR NEGLIGENTE

À porta de grande carpintaria, chegou um rapaz, de caixa às costas, à procura de
emprego. Parecia humilde e educado. O diretor da instituição compareceu, atencioso, para
atendê-lo.
— Tem serviço com que me possa favorecer? — indagou o jovem, respeitoso,
depois das saudações habituais. — As tarefas são muitas — elucidou o chefe.
— Oh! por favor! — tornou o interessado — meus velhos pais necessitam de
amparo. Tenho batido, em vão, à porta de várias oficinas. Ninguém me socorre. Contentar-
me-ei com salário reduzido e aceitarei o horário que desejar.
O diretor, muito calmo, acentuou: —Trabalho não falta...
E, enquanto o candidato mostrava um sorriso de esperança, acrescentou:
—Traz suas ferramentas em ordem? —Perfeitamente — respondeu o interpelado.
—Vejamo-las.O moço abriu a caixa que trazia.
Metia pena reparar-lhe os instrumentos. A lima se achava deformada pela ferrugem
grossa. O serrote mostrava vários dentes quebrados. O martelo tinha cabo incompleto. O
alicate estava francamente desconjuntado.
Diversos formões não atenderiam a qualquer apelo de serviço, tal a imperfeição que
apresentavam seus gumes. Poeira espessa recobria todos os objetos.
O dirigente da oficina observou... observou... e disse, desencantado:
—Para o senhor, não temos qualquer trabalho.
—Oh! porquê? — interrogou o rapaz, em tom de súplica.
O diretor esclareceu, sem azedume:
—Se o senhor não tem cuidado com as ferramentas que lhe pertencem, como
preservará nossas máquinas? se é indiferente naquilo em que deve sentir-se honrado,
chegará a ser útil aos interesses alheios? quem não zela atentamente no “pouco” de que
dispõe, não é digno de receber o “muito”.
Aprenda a cuidar das coisas aparentemente sem importância. Pelas amostras,
grandes negócios se realizam neste mundo e o menosprezo para consigo é indesejável
mostruário de sua indiferença perniciosa.
Aproveite a experiência e volte mais tarde.
Não valeram petitórios do moço necessitado. Foi compelido a retirar-se, em grande
abatimento, guardando a dura lição.
Assim também acontece no caminho comum. Quem deseja o corpo iluminado e
glorioso na espiritualidade, além da morte, cuide respeitosamente do corpo físico.
Quem aspira à companhia dos anjos, mostre boas maneiras, boas palavras e boas
ações aos vizinhos.
Quem espera a colheita de alegrias no futuro, aproveite a hora presente, na
sementeira do bem.
E quantos sonharem com o Céu tratem de fazer um caminho de elevação na Terra
mesma.

(Livro: Alvorada Cristã)







10 - O DESCUIDO IMPENSADO

No orfanato em que trabalhava, Irmã Clara era o ídolo de toda gente pelas virtudes
que lhe adornavam o caráter. Era meiga e devotada. Daquela boca educada não saíam
más palavras. Se alguém comentava faltas alheias, vinha solícita, aconselhando:
— Tenhamos compaixão... Inclinava a conversa em favor da benevolência e da paz.
Insuflava em quantos a ouviam o bom ânimo e o amor ao dever.
Além do mais, estimulava, acima de tudo, em todos os circunstantes a boa vontade
de trabalhar e servir para o bem.
— Irmã Clara — dizia uma educadora —, tenho necessidade do vestido para o
sábado próximo.
Ela, que era a costureira dedicada de todos, respondia, contente:
— Trabalharemos até mais tarde. A peça ficará pronta.
— Irmã — intervinha uma das criadas —, e o avental?
— Amanhã será entregue — dizia Clara, sorrindo.
Em todas as atividades, mostrava-se a desvelada criatura qual anjo de bondade e
paciência. Invariavelmente rodeada de novelos de linha, respirava entre a agulha e a
máquina de costurar. Nas horas da prece, demorava-se longamente contrita na oração.
Com a passagem do tempo, tornava-se cada vez mais respeitada. Seus pareceres eram
procurados com interesse. Transformara-se em admirável autoridade da vida cristã.
Em verdade, porém, fazia por merecer as considerações de que era cercada.
Amparava sem alarde. Auxiliava sem preocupação de recompensa. Sabia ser bondosa,
sem humilhar a ninguém com demonstrações de superioridade. Rolaram os anos, como
sempre, e chegou o dia em que a morte a conduziu para a vida espiritual.
Na Terra, o corpo da inesquecível benfeitora foi rodeado de flores e bênçãos,
homenagens e cânticos e sua alma subiu, gloriosamente, para o Céu.
Um anjo recebeu-a, carinhoso e alegre, à entrada.
Cumprimentou-a. Reportou-se aos bens que ela espalhara, todavia, sob impressão
de assombro, Irmã Clara ouviu-o informar:
—Lastimo não possa demorar-se conosco senão por três semanas.
—Oh! porquê? — interrogou a valorosa missionária.
—Será compelida a voltar, tomando novo corpo de carne no mundo — esclareceu o
mensageiro.
—Como assim?
O anjo fitou-a, bondoso, e respondeu:
—A Irmã foi extremamente virtuosa; entretanto, na posição espiritual em que se
encontrava não poderia cometer tão grande descuido. Desperdiçou uma enormidade de
fios de linha, impensadamente. Os novelos que perdeu, por alhear-se à noção de
aproveitamento, davam para costurar alguns milhares de vestidos para crianças
desamparadas.
—Oh! Oh! Deus me perdoe! — exclamou a santa desencarnada — e como
resgatarei a dívida?
O anjo abraçou-a, carinhoso, e reconfortou-a dizendo:
— Não tema. Todos nós a ajudaremos, mas a querida irmã recomeçará sua tarefa
no mundo, plantando um algodoal.

(Livro: Alvorada Cristã)



11 - O PODER DA GENTILEZA

Eminente professor negro, interessado em fundar uma escola num bairro pobre,
onde centenas de crianças desamparadas cresciam sem o benefício das letras, foi
recebido pelo prefeito da cidade que lhe disse, depois de ouvir-lhe o plano:
— A lei e a bondade nem sempre podem estar juntas. Organize uma casa e
autorizaremos a providência.
— Mas, doutor, não dispomos de recursos... — considerou o professor. — Que
fazer? —De qualquer modo, cabe-nos amparar os pequenos analfabetos.
O prefeito reparou-lhe demoradamente a figura humilde, fez um riso escarninho e
acrescentou: —O senhor não pode intervir na administração.
O professor, muito triste, retirou-se e passou a tarde e a noite daquele sábado,
pensando, pensando...
Domingo, muito cedo, saiu a passear, sob as grandes árvores, na direção de antigo
mercado. Ia comentando, na oração silenciosa:
—Meu Deus, como agir? Não receberemos um pouso para as criancinhas, Senhor?
Absorvido na meditação atingiu o mercado e entrou. O movimento era enorme.
Muitas compras. Muita gente. Certa senhora, de apresentação distinta, aproximou-se dele
e tomando-o por servidor vulgar, de mãos desocupadas e cabeça vazia, exclamou:
—Meu velho, venha cá.
O professor acompanhou-a, sem vacilar. À frente dum saco enorme, em que se
amontoavam mais de trinta quilos de verdura, a matrona recomendou:
—Traga-me esta encomenda.
Colocou ele o fardo às costas e seguiu-a. Caminharam seguramente uns quinhentos
metros e penetraram elegante vivenda, onde a senhora voltou a solicitar:
— Tenho visitas hoje. Poderá ajudar-me no serviço geral?
—Perfeitamente — respondeu o interpelado —, dê suas ordens.
Ela indicou pequeno pátio e determinou-lhe a preparação de meio metro de lenha
para o fogão. Empunhando o machado, o educador, com esforço, rachou algumas toras.
Findo o serviço, foi chamado para retificar a chaminé. Consertou-a com sacrifício da
própria roupa. Sujo de pó escuro, da cabeça aos pés, recebeu ordem de buscar um peru
assado, à distância de dois quilômetros. Pôs-se a caminho, trazendo o grande prato em
pouco tempo. Logo após, atirou-se à limpeza de extenso recinto em que se efetuaria lauto
almoço. Nas primeiras horas da tarde, sete pessoas davam entrada no domicílio. Entre
elas, relacionava-se o prefeito que anotou a presença do visitante da véspera, apresentado
ao seu gabinete por autoridades respeitáveis. Reservadamente, indagou da irmã, que era
a dona da casa, quanto ao novo conhecimento, conversando ambos em surdina.
Ao fim do dia, a matrona distinta e autoritária, com visível desapontamento, veio ao
servo improvisado e pediu o preço dos trabalhos.
— Não pense nisto —, tive muito prazer em ser-lhe útil.
No dia imediato, contudo, a dama da véspera procurou-o, na casa modesta em que
se hospedava e, depois de rogar-lhe desculpas, anunciou-lhe a concessão de amplo
edifício, destinado à escola que pretendia estabelecer. As crianças usariam o patrimônio à
vontade e o prefeito autorizaria a providência com satisfação. Deixando transparecer nos
olhos úmidos a alegria e o reconhecimento que lhe reinavam na alma, o professor
agradeceu e beijou-lhe as mãos, respeitoso. A bondade dele vencera os impedimentos
legais. O exemplo é mais vigoroso que a argumentação. A gentileza está revestida, em
toda parte, de glorioso poder.

(Livro: Alvorada Cristã)
12 - A TRILOGIA BENDITA

Em tempos remotos, o Senhor vinha ao mundo frequentes vezes entender se com
as criaturas. Certa vez, encontrou um homem irado e mau, que outra coisa não fazia senão
atormentar os semelhantes. Perseguia, feria e matava sem piedade.
Quando esse espírito selvagem viu o Senhor, aproximou-se atraído pela luz dEle, a
chorar de arrependimento. O Cristo, bondoso, dirigiu-lhe a palavra:
— Meu filho, porque te entregaste assim à perversidade? Não temes a justiça do
Pai? Não acreditas no Celeste Poder? A vida exige fraternidade e compreensão.
O malfeitor, que se mantinha prisioneiro da ignorância, respondeu em lágrimas:
—Senhor, de hoje em diante serei um homem bom.
Alguns anos passaram e J esus voltou ao mesmo sítio. Lembrou-se do infeliz a quem
havia aconselhado e buscou-o. Depois de certa procura, foi achá-lo oculto numa choça,
extremamente abatido. Interpelado quanto à causa de tão lamentável transformação, o
mísero respondeu:
—Ai de mim, Senhor! Depois que passei a ser bom, ninguém me respeitou!
Fiz-me escárnio da rua... Tenho usado a compaixão e a generosidade, segundo me
ensinaste, mas em troca recebo apenas o ridículo, a pedrada e a dilaceração...
O Mestre, porém, abençoou-o e falou.
—O teu lucro na eternidade não será pequeno com o sacrifício. Entretanto, não
basta reter a bondade. É necessário saber distribuí-la. Para bem ajudar, é preciso
discernir. Realmente é possível auxiliar a todos. Contudo, se a muita gente devemos
ternura fraterna, a numerosos companheiros de jornada devemos esclarecimento enérgico.
Estimularemos os bons a serem melhores e cooperaremos, a benefício dos maus,
para que se retifiquem. Nunca observaste o pomicultor? Algumas árvores recebem dele
irrigação e adubo; outras, no entanto, sofrerão a poda, a fim de serem convenientemente
amparadas. O Senhor retirou-se e o aprendiz retomou luta para conquistar o
conhecimento. Peregrinou através de muitos livros, observou demoradamente os quadros
da vida e recebeu a palma da ciência. Os anos correram apressados, quando o Cristo
regressou e procurou-o, novamente. Dessa vez, encontrou-o no leito, enfermo e sem
forças. Replicando ao Divino Amigo, explicou-se:
—Ai de mim, Senhor! Fui bom e recebi injustiças, entesourei a ciência e minhas
dificuldades cresceram de vulto. Aprendi a amar e desejar em sã consciência, a idealizar
com o plano superior, mas vejo a ingratidão e a discórdia, a dureza e a indiferença com
mais clareza. Sei aquilo que muita gente ignora e, por isto mesmo, a vida tornou-se-me um
fardo insuportável...
O Mestre, porém, sorriu e considerou:
- A tua preparação para a felicidade ainda não se acha completa. Agora, é preciso
ser forte. Acreditas que a árvore respeitável conseguiria viver e produzir, caso não
soubesse tolerar a tempestade? A firmeza interior, diante das experiências da vida,
conferir-te-á o equilíbrio indispensável. Aprende a dizer adeus a tudo o que te prejudica na
caminhada em direção da luz divina e distribuirás a bondade, sem preocupações de
recompensa, guardando o conhecimento sem surpresas amargas. Sê inquebrantável em
tua fé e segue adiante!
O aprendiz reergueu-se e nunca mais experimentou a desarmonia, compreendendo,
enfim, que a bondade, o conhecimento e a fortaleza são a trilogia bendita da felicidade e
da paz.

(Livro: Alvorada Cristã)

13 - A CONTA DA VIDA

Quando Levindo completou vinte e um anos, a Mãezinha recebeu-lhe os amigos,
festejou a data e solenizou o acontecimento com grande alegria. No íntimo, no entanto, a
bondosa senhora estava triste, preocupada. O filho, até à maioridade, não tolerava
qualquer disciplina. Vivia ociosamente, desperdiçando o tempo e negando-se ao trabalho.
Aprendera as primeiras letras, a preço de muita dedicação materna, e lutava contra todos
os planos de ação digna. Recusava bons conselhos e inclinava-se, francamente, para o
desfiladeiro do vício.
Nessa noite, todavia, a abnegada Mãe orou, mais fervorosa, suplicando a J esus o
encaminhasse à elevação moral. Confiou-o ao Céu, com lágrimas, convencida de que o
Mestre Divino lhe ampararia a vida J ovem.
As orações da devotada criatura foram ouvi-das, no Alto, porque Levindo, logo
depois de arrebatado pelas asas do sono, sonhou que era procurado por um mensageiro
espiritual, a exibir largo documento na mão. Intrigado, o rapaz perguntou-lhe a que devia a
surpresa de semelhante visita.
O emissário fitou nele os grandes olhos e respondeu:
— Meu amigo, venho trazer-te a conta dos seres sacrificados, até agora, em teu
proveito.
Enquanto o moço arregalava os olhos de assombro, o mensageiro prosseguia:
— Até hoje, para sustentar-te a existência, morreram, aproximadamente, 2.000
aves, 10 bovinos, 50 suínos, 20 carneiros e 3.000 peixes diversos. Nada menos de 60.000
vidas do reino vegetal foram consumidas pela tua, relacionando-se as do arroz, do milho,
do feijão, do trigo, das várias raízes e legumes. Em média calculada, bebeste 3.000 litros
de leite, gastaste 7.000 ovos e comeste 10.000 frutas. Tens explorado farta-mente as
famílias de seres do ar e das águas, de galinheiros e estábulos, pocilgas e redis. O preço
dos teus dias nas hortas e pomares vale por uma devastação. Além disto, não
relacionamos aqui os sacrifícios maternos, os recursos e doações de teu pai, os obséquios
dos amigos e as atenções dos vários benfeitores que te rodeiam.
Em troca, que fizeste de útil? Não restituiste ainda à Natureza a mínima parcela de
teu débito imenso. Acreditas, porventura, que o centro do mundo repousa em tuas
necessidades individuais e que viverás sem conta nos domínios da Criação? Produze algo
de bom, marcando a tua passagem pela Terra. Lembra-te de que a própria erva se
encontra em serviço divino. Não permitas que a ociosidade te paralise o coração e
desfigure o espírito!...
O moço, espantado, passou a ver o desfile dos animais que havia devorado e, sob
forte espanto, acordou... Amanhecera. O Sol de ouro como que cantava em toda parte um
hino glorioso ao trabalho pacífico. Levindo escapou da cama, correu até à genitora e
exclamou:
— Mãezinha, arranje-me serviço! arranje-me serviço!...
—Oh! meu filho — disse a senhora num transporte de júbilo —, que alegria! como
estou contente!... que aconteceu?
E o rapaz, preocupado, informou:
— Nesta noite passada, eu vi a conta da vida.
Daí em diante, converteu-se Levindo num homem honrado, útil e principalmente
grato ao Criador e a vida.

(Livro: Alvorada Cristã)


14 - O ENSINAMENTO VIVO

Em observando qualquer edificação ou serviço, Maria Cármen não faltava à crítica.
Ante um vestido das amigas, exclamava sem-cerimônia:
— O conjunto é tolerável, mas as particularidades deixam muito a desejar. A gola foi
extremamente malfeita e as mangas estão defeituosas. Perante um móvel qualquer,
rematava as observações irônicas com a frase:
— Não poderiam fazer coisa melhor? E, à frente de qualquer obra de arte,
encontrava traços e ângulos para condenar.
A Mãezinha, preocupada, estudou recursos de dar-lhe proveitoso ensinamento. Foi
assim que, certa manhã, convidou a filha a visitar, em sua companhia, a construção de um
edifício de vastas linhas. A jovem, que não podia adivinhar lhe o plano, seguiu-a,
surpreendida.
Percorreram algumas ruas e pararam diante do arranha-céu a levantar-se. A
senhora pediu a colaboração do engenheiro-chefe e passou a mostrar à filha os vários
departamentos. Enquanto muitos servidores abriam acomodações para os alicerces, no
chão duro, manobrando picaretas, veículos pesados transportavam terra daqui para ali,
com rapidez e segurança. Pedreiros começavam a erguer paredes, suarentos e ágeis, sob
a atenciosa vigilância dos técnicos que orientavam os trabalhos. Caminhões e carroças
traziam material de mais longe. Carregadores corriam na execução do dever. O diretor das
obras, convidado pela matrona a pronunciar-se sobre a edificação, esclareceu, gentil:
— Seremos obrigados a inverter volumoso capital para resgatar as despesas.
Requisitaremos, ainda, a colaboração de centenas de trabalhadores especializados.
Carpinteiros, estucadores, vidraceiros, pintores, bombeiros e eletricistas virão completar-
nos o serviço. Qualquer construção reclama toda uma falange de servos dedicados.
A menina, revelando-se impressionada, respondeu:
— Quanta gente a pensar, a cooperar e servir!...
— Sim — considerou o chefe sorrindo —, edificar é sempre muito difícil.
Logo após, despediram-se, e encaminharam, agora, para velho bairro.
Vararam algumas travessas e praças menos agradáveis e chegaram à frente de
antiga casa em demolição. Viam-se-lhe as linhas nobres, no estilo colonial, através das
alas que ainda se achavam de pé. Um homem, apenas, ali se encontrava, usando martelo
de tamanho gigantesco, abatendo alvenaria e madeirame. Ante a queda das paredes a
ruirem com estrondo, de minuto a minuto, a jovem observou:
— Como é terrível arruinar, deste modo, o esforço de tantos!
A Mãezinha serena interveio, então, e falou, conselheiramente:
— Chegamos, filha, ao fim do ensinamento vivo que buscamos. Toda a realização
útil na Terra exige a paciência e o suor, o trabalho e o sacrifício de muita gente. Edificar é
muito difícil. Mas destruir e eliminar é sempre muito fácil.
Bastará uma pessoa de martelo à mão para prejudicar a obra de milhares. A crítica
destrutiva é um martelo que usamos criminosamente, ante o respeitável esforço alheio.
Compreendeu?
A jovem fez um sinal afirmativo com a cabeça e, daí em diante, procurou ajudar a
todos ao invés de macular, desencorajar e ferir.

(Livro: Alvorada Cristã)




15 - O ELOGIO DA ABELHA

Grande mosca verde-azul, mostrando envaidecida as asas douradas pelo Sol,
penetrou uma sala e encontrou uma abelha humilde a carregar pequena provisão de
recursos para elaborar o mel. A mosca arrogante aproximou-se e falou, vaidosa:
— Onde surges, todos fogem. Não te sentes indesejável? Teu aguilhão é terrível.
- Sim — disse a abelha com desapontamento —, creia que sofro muitíssimo quando
sou obrigada a interferir. Minha defesa é, quase sempre, também a minha morte.
— Mas não podes viver com mais distinção e delicadeza? — tornou a mosca —
porque ferretoar, a torto e a direito?
— Não, minha amiga — esclareceu a inter-locutora —. não é bem assim.
Não sinto prazer em perturbar. Vivo tão somente para o trabalho que Deus me
confiou, que representa benefício geral. E, quando alguém me impede a execução do
dever, inquieto-me e sofro, perdendo, por vezes, a própria vida.
— Creio, porém, que se tivesses modos diferentes... se polisses as asas para que
brilhassem à claridade solar, se te vestisses em cores iguais às minhas, talvez não
precisasses alarmar a ninguém. Pessoa alguma te recearia a intromissão.
— Ah! não posso despender muito tempo em tal assunto — alegou a abelha
criteriosa. — O serviço não me permite a apresentação exterior muito primorosa, em todas
as ocasiões. A produção de mel indispensável ao sustento de nossa colméia, e necessária
a muita gente, não me oferece ensejo a excessivos cuidados comigo mesma.
— Repara! — disse-lhe a mosca, desdenhosa — tuas patas estão em lastimável
estado...
— Encontro-me em serviço — explicou-se a operária humildemente.
— Não! não! — protestou a outra — isto é monturo e relaxamento.
E limpando caprichosamente as asas, a mosca recuou e aquietou-se, qual se
estivesse em observação. Nesse instante, duas senhoras e uma criança penetraram o
recinto e, notando a presença da abelha que buscava sair ao encontro de companheiras
distantes, uma das matronas gritou, nervosa:
— Cuidado! cuidado com a abelha! Fere sem piedade!...
A pequenina trabalhadora alada dirigiu-se para o campo e a mosca soberba passou
a exibir-se, voando despreocupada.
— Que maravilha! — exclamou uma das senhoras.
— Parece uma jóia! — disse a outra.
A mosca preguiçosa planou... planou... e, encaminhando-se para a copa, penetrou o
guarda-comida, deitando varejeiras na massa dos pastéis e em pratos diversos que se
preparavam para o dia seguinte. Acompanhou a criança, de maneira imperceptível, e
pousou-lhe na cabeça, infeccionando certa região que se achava ligeiramente ferida.
Decorridas algumas horas, sobravam preocupações para toda a família. A
encantadora mosca verde-azul deixara imundície e enfermidade por onde passara.
Quantas vezes sucede isto mesmo, em plena vida?
Há criaturas simples, operosas e leais, de trato menos agradável, à primeira vista,
que, à maneira da abelha, sofrem sarcasmos e desapontamentos por bem cumprir a
obrigação que lhes cabe, em favor de todos; e há muita gente de apresentação brilhante,
quanto a mosca, e que, depois de seduzir-nos a atenção pela beleza da forma, nos deixa
apenas as larvas da calúnia, da intriga, da maldade, da revolta e do desespero no
pensamento.

(Livro: Alvorada Cristã)

16 - O CARNEIRO REVOLTADO

Certo carneiro muito inteligente, mas indisciplinado, reparou os benefícios que a lã
espalhava em toda parte, e, desde então, julgou-se melhor que os outros seres da Criação,
passando a revoltar-se contra a tosquia.
— Se era tão precioso porque aceitar a humilhação daquela tesoura enorme?
Experimentava intenso frio, de tempos a tempos, e, despreocupado das ricas rações que
recebia no redil, detinha-se apenas no exame dos prejuízos que supunha sofrer.
Muito amargurado, dirigiu-se ao Criador, exclamando:
—Meu Pai, não estou satisfeito com a minha pelagem. A tosquia é um tormento...
Modifica-me, Senhor!...
O Todo-Poderoso indagou, com bondade: —Que desejas que eu faça?
Vaidosamente, o carneiro respondeu: —Quero que a minha lã seja toda de ouro.
A rogativa foi satisfeita. Contudo, assim que o orgulhoso ovino se mostrou cheio de
pêlos preciosos, várias pessoas ambiciosas atacaram-no sem piedade. Arrancaram-lhe,
violentamente, todos os fios, deixando-o em chagas. O infeliz, a lastimar-se, correu para o
Altíssimo e implorou: —Meu Pai, muda-me novamente! não posso exibir lã dourada..,
encontraria sempre salteadores sem compaixão.
O Sábio dos Sábios perguntou: —Que queres que eu faça?
O animal, tocado pela mania de grandeza, suplicou:
—A fim de não provocar os ladrões quero que a minha lã seja feita de mel.
O Criador satisfez o pedido. Todavia, logo que o pobre se achou no redil, bandos de
moscas asquerosas cobriram-no em cheio e, por mais corresse campo afora, não evitou
que elas lhe sugassem os fios adocicados. O mísero voltou ao Altíssimo e implorou:
—Pai, modifica-me... as moscas deixaram-me em sangue!
O Senhor indagou, de novo, com inexaurível paciência: —Que queres que eu faça?
Dessa vez, o carneiro pensou mais tempo e considerou:
—Suponho que seria mais feliz se tivesse minha lã semelhante às folhas de alface.
O Todo-Bondoso atendeu-lhe mais uma vez a vontade e o carneiro voltou à planície,
na caprichosa alegria de parecer diferente. No entanto, quando alguns cavalos lhe
puseram os olhos, não conseguiu melhor sorte, Os eqüinos prenderam-no com os dentes
e, depois de lhe comerem a lã, abocanharam-lhe o corpo. O carneiro correu na direção do
J uiz Supremo, gotejando sangue das chagas profundas, e, em lágrimas, gemeu, humilde:
—Meu Pai, não suporto mais!...
Como soluçasse longamente, o Todo-Compassivo, vendo que ele se arrependera
com sinceridade, observou: —Reanima-te, meu filho! que pedes agora?
O infeliz replicou, em pranto:
—Pai,quero voltar a ser um carneiro comum, como sempre fui. Não pretendo a
superioridade sobre meus irmãos. Hoje sei que os meus tosquiadores de outro tempo são
meus verdadeiros amigos. Nunca me deixaram em feridas e sempre me deram de comer e
beber, carinhosamente... Quero ser simples e útil, qual me fizeste, Senhor!...
O Pai sorriu, bondoso, abençoou-o com ternura e falou: —Volta e segue teu
caminho em paz. Compreendeste, enfim, que meus desígnios são justos. Cada criatura
está colocada, por minha Lei, no lugar que lhe compete e, se pretendes receber, aprende a
dar.
Então o carneiro, envergonhado, mas satisfeito, voltou para o vale, misturou-se com
os outros e daí por diante foi muito feliz.

(Livro: Alvorada Cristã)

17 - O APRENDIZ DESAPONTADO

Um menino que desejava ardentemente residir no Céu, numa bonita manhã, quando
se encontrava no campo, em companhia de um burro, recebeu a visita de um anjo.
Reconheceu, depressa, o emissário de Cima, pelo sorriso bondoso e pela veste
resplandecente.
Alucinado de júbilo, o rapazelho gritou:
— Mensageiro de J esus, quero o paraíso! que fazer para chegar até lá?!
O anjo respondeu com gentileza:
— O primeiro caminho para o Céu é a obediência e, o segundo, é o trabalho.
O pequeno, que não parecia muito diligente, ficou pensativo.
O enviado de Deus então disse:
— Venho a este campo, a fim de auxiliar a Natureza que tanto nos dá.
Fixou o olhar mais docemente na criança e rogou:
— Queres ajudar-me a limpar o chão, carregando estas pedras para o fosso
vizinho?
O menino respondeu:
— Não posso.
Todavia, quando o emissário celeste se dirigiu ao burro, o animal prontificou-se a
transportar os calhaus, pacientemente, deixando a terra livre e agradável.
Em seguida, o anjo passou a dar ordens de serviço em voz alta, mas o menino
recusava-se a contribuir, enquanto o burro ia obedecendo.
No instante de mover o arado, o rapazinho desfez-se em palavras feias, fugindo à
colaboração.
O muar disciplinado, contudo, ajudou quanto pôde, em silêncio.
No momento de preparar a sementeira, verificou-se o mesmo quadro: o pequeno
repousava e o burro trabalhava.
Em todas as medidas iniciais da lavoura, o pesado animal agia cuidadoso,
colaborando eficientemente com o lavrador celeste; entretanto, o jovem, cheio de saúde e
leveza, permaneceu amuado, a um canto, choramingando sem saber porquê e acusando
não se sabe a quem.
No fim do dia, o campo estava lindo.Canteiros bem desenhados surgiam ao centro.
ladeados por fios de água benfeitora. As árvores, em derredor, pareciam orgulhosas de
protegê-los. O vento deslizava tão manso que mais se assemelhava a um sopro divino
cantando nas campânulas do matagal. A Lua apareceu espalhando intensa claridade.
O anjo abraçou o obediente animal, agradecendo-lhe a contribuição. Vendo o menino que
o mensageiro se punha de volta, gritou, ansioso:
—Anjo querido, quero seguir contigo, quero ir para o Céu!...
O emissário divino respondeu, porém:
—O paraíso não foi feito para gente preguiçosa. Se desejas encontrá-lo, aprende
primeiramente a obedecer com o burro que soube receber a bênção da disciplina e o valor
da educação.
E assim esclarecendo subiu para as estrelas, deixando o rapazinho desapontado
mas disposto a mudar de vida.

(Livro: Alvorada Cristã)




18 - A FALSA MENDIGA

Zezélia pedia esmolas, havia muitos anos.
Não era tão doente que não pudesse trabalhar, produzindo algo de útil, mas não se
animava a enfrentar qualquer disciplina de serviço.
— Esmola pelo amor de Deus! — clamava o dia inteiro, dirigindo-se aos
transeuntes, sentada à porta de imundo telheiro.
De quando em quando, pessoas amigas, depois de lhe darem um níquel,
aconselhavam:
— Zezélia, você não poderia plantar algum milho?
- Não posso... — respondia logo.
— Zezélia, quem sabe poderia você beneficiar alguns quilos de café?
— Quem sou eu, meu filho? não tenho forças...
— Não desejaria lavar roupa e ganhar algum dinheiro? — indagavam damas
bondosas.
— Nem pensar nisto. Não agüento...
— Zezélia, vamos vender flores! — convidavam algumas jovens.
— Não posso andar, minhas filhas!... —exclamava, suspirando.
— E o bordado, Zezélia? — interrogava a vizinha, prestativa — você tem as mãos
livres. A agulha é uma boa companheira. Quem sabe poderá ajudar-nos?
Receberá compensadora remuneração.
— Não tenho os dedos seguros — informava, teimosa — e falta-me suficiente
energia... Não posso, minha senhora...
E, assim, Zezélia vivia prostrada, sem ânimo, sem alegria. Afirmava sentir dores por
toda parte do corpo. Dava notícias da tosse, da tonteira e do resfriado com longas palavras
que raras pessoas dispunham de tempo para ouvir. Além das lamentações contínuas,
clamava que não bebia café por falta de açúcar, que não almoçara por não dispor de
alimentação.
Tanto pediu, chorou e se queixou Zezélia que, em certa manhã, foi encontrada
morta e a caridade pública enterrou-lhe o corpo com muita piedade.
Todos os vizinhos e conhecidos julgaram que a alma de Zezélia fora diretamente
para o Céu; entretanto, não foi assim. Ela acordou em meio dum campo muito escuro e
muito frio. Achava-se sem ninguém e gritou, aflita, pelo socorro de Deus. Depois de muito
tempo, um anjo apareceu e disse-lhe, bondoso: — Zezélia, que deseja você?
— Ah! — observou, muito vaidosa — já sou conhecida na Casa Celestial?
— Há muito tempo — informou o emissário, compadecido.
A velha chorando, rogou: — Tenho sofrido muito!... quero o amparo do Alto!...
— Mas, ouça! — esclareceu o mensageiro —o auxílio divino é para quem trabalha.
Quem não planta, nada tem a colher. Você não cavou a terra, não cuidou de plantas, não
ajudou os animais, não fiou o algodão, não teceu fios, não costurou o pano, não amparou
crianças, não fêz pão, não lavou roupa, não varreu a casa, não cuidou de flores, não tratou
nem mesmo de sua saúde e de seu corpo... Como pretende receber as bênçãos de Cima?
A infeliz observou, então: — Nada podia fazer... eu era mendiga...
O anjo, contudo, replicou:
— Não, Zezélia! — você não era mendiga. Você foi simplesmente preguiçosa.
Quando aprender a trabalhar, chame por nós e receberá o socorro celeste.
Cerrou-se-lhe aos olhos o horizonte de luz e, às escuras, Zezélia voltou para a
Terra, a fim de renovar-se.

(Livro: Alvorada Cristã)
19 - A PREGAÇÃO FUNDAMENTAL

Um aprendiz de Nosso Senhor J esus-Cristo entusiasmou-se com os ensinamentos
do Evangelho e decidiu propagá-los, enquanto vivesse. Leu, atencioso, as lições do Mestre
e começou a comentá-las por toda parte, gastando dias e noites nesse mister.
Chegou, porém, o momento em que precisou pagar as próprias despesas e foi
compelido a trabalhar. Empregou-se sob as ordens de um orientador que lhe não agradou.
Esse diretor de serviço achava-se muito distante da fé e, por isto, contrariava-lhe as
tendências religiosas. Controlava-lhe as horas com rigor e assim o pregador do Crucificado
não mais se movimentava com a liberdade de outro tempo. Era obrigado a consagrar
largos dias a trabalhos difíceis que lhe consumiam todas as forças. Prosseguia, ensinando
a boa doutrina, quanto lhe era possível; porém, não mais podia agir e falar, como queria ou
quando pretendia. E julgando-se vítima de sua chefia, procurou o diretor e despediu-se.
O proprietário que o empregara indagou do motivo que o levava a semelhante
resolução. Um tanto irônico, o rapaz explicou-se:
— Quero ser livre para servir a J esus. Não posso aceitar o cativeiro de sua casa.
Nesse dia de folga absoluta, sentiu-se tão independente e tão satisfeito que
discorreu, animadamente, sobre a doutrina cristã, até depois de meia-noite, em várias
casas religiosas. Repousando, feliz, alta madrugada sonhou que o Mestre vinha encontrá-
lo. Reparou-lhe a beleza celeste e ajoelhou-se para beijar-lhe a túnica resplandecente.
J esus, porém, estampava na fisionomia dolorosa e indisfarçável tristeza. O discípulo
inquietou-se e interrogou:
- Senhor, porque te sentes amargurado? O Cristo, respondeu, melancolicamente:
— Porque desprezaste, meu filho, a pregação que te confiei?
— Como assim, Senhor? — replicou o jovem — ainda hoje abandonei um homem
tirânico para melhor ensinar a tua palavra. Tenho discursado em vários templos e
comentado a Boa-Nova por onde passo.
— Sim — exclamou o Mestre —, esta é a pregação que me ofereces e que desejo
continues; todavia, confiei ao teu espírito a pregação fundamental da verdade a um homem
que administra os meus interesses na Terra e não soubeste executá-la. Classificaste-o de
ignorante e cruel; entretanto, duvidastes que poderia repassar meus ensinamentos através
de teu exemplo? Tua humildade construtiva, modificar-lhe-ia o coração... Poderás ensinar
o caminho celestial a cem mil ouvidos, mas a pregação do exemplo, que converta um só
coração ao Infinito Bem, estabelece com mais presteza a redenção do mundo!... Acordou,
sobressaltado, e não mais dormiu naquela noite. De manhã, pôs-se a caminho do
estabelecimento em que trabalhara, procurou o diretor de quem se despedira e pediu
humildemente:
—Senhor, rogo-lhe desculpas pelo meu gesto impensado e, caso seja possível,
readmita-me nesta casa! Aceitarei qualquer gênero de tarefa. O chefe, admirado, indagou:
—Quem te induziu a esta modificação?
—Foi J esus, pois, não podemos servi-lo através da indisciplina ou do orgulho
pessoal.
O diretor concordou sem vacilação, exclamando: —Entre! Estamos ao seu dispor.
Anotou a boa vontade e o sincero desejo de servir de que o empregado dava agora
e passou a refletir na grandeza da doutrina que assim orientava os passos de um homem
no aperfeiçoamento moral.
E o aprendiz do Evangelho retomou o trabalho comum, intensamente feliz,
prosseguindo na pregação do exemplo que J esus esperava dele.

(Livro: Alvorada Cristã)
20 - O BARRO DESOBEDIENTE

Houve um oleiro que chegou ao pátio de serviço e reparou com alegria em pequeno
bloco de barro. Contemplou-o, e devido a cor viva com que se apresentava e falou:
—Vamos! Farei de ti delicado pote de laboratório. O analista alegrar-se-á com teu
concurso valioso.
Imensamente surpreendido, porém, notou que o barro retrucava:
—Oh! não, não quero! Eu, num laboratório, tolerando precipitações químicas? por
favor, não me toques para semelhante fim!
O oleiro, espantado, considerou:
—Desejo dar-te forma por amor, não por ódio. Sofrerás o calor de forno para que te
faças belo e útil... Entretanto, porque te recusas ao que proponho, transformar-te-ei numa
caprichosa ânfora destinada a depósito de perfumes.
—Oh! nunca! nunca!... — exclamou o barro — isto não! Estaria exposto ao prazer
dos inconscientes. Não estou inclinado a suportar essências, através de peregrinações
pelos móveis de luxo.
O dono do serviço meditou muito na desobediência da lama orgulhosa, mas,
entendendo que tudo devia fazer por não trair a confiança do Céu, ponderou:
—Bem, converter-te-ei, então, num pratO honrado e robusto.
Comparecerás à mesa de meu lar. Ficarás conosco e serás companheiro de meus
filhinhos.
—J amais! — bradou o barro, na indisciplina — isto seria pesada humilhação...
Transportar arroz cozido e agüentar caldos gordurosos na face? Assistir, inerme, às cenas
de glutonaria em tua casa? não, não me submetas!...
O trabalhador dedicado perdoou-lhe a ofensa e acrescentou:
—Modificaremos o programa ainda uma vez. Serás um vaso amigo, em que a
límpida água repouse. Ajudarás aos sedentos que se aproximarem de ti.
Muita gente abençoar-te-á a cooperação. Despertarás o contentamento e a gratidão
nas criaturas!...
—Não, não! — protestou a argila — não quero! Seria condenar-me a tempo
indefinido nas cantoneiras poeirentas ou nas salas escuras de pessoas desclassificadas.
Por favor, poupa-me! poupa-me!...
O oleiro cuidadoso considerou, preocupado:
—Que será de ti quando te conduzirem ao forno? Não passarás de matéria
endurecida e informe, sem qualquer utilidade ou beleza. Sem sacrifício e sem disciplina,
ninguém se eleva aos planos da vida superior.
O barro, recusou a advertência, bradando: —Não aceito sacrifício, nem disciplina...
Antes que pudesse prosseguir, passou o enfornador arrebanhando a argila pronta, e
o barro desobediente foi também conduzido ao forno em brasa.
Decorrido algum tempo, a lama vaidosa foi retirada e — ó surpresa! — não era pote
de laboratório, nem ânfora de perfume, nem prato de refeição, nem vaso para água e, sim,
feio pedaço de terra requeimada e morta, sem qualquer significação, sendo imediatamente
atirada ao pântano.
Assim acontece a muitas criaturas no mundo. Revoltam-se contra a vontade
soberana do Senhor que as convida ao trabalho de aperfeiçoamento, mas, depois de
levadas pela experiência ao forno da morte, se transformam em verdadeiros fantasmas de
desilusão e sofrimento, necessitando de longo tempo para retornarem às bênçãos da vida
mais nobre.

(Livro: Alvorada Cristã)
21 - O REMÉDIO IMPREVISTO

O pequeno príncipe J ulião andava doente e abatido. Não brincava, não estudava,
não comia. Perdera o gosto de colher os pêssegos saborosos do pomar. Esquecera a
peteca e o cavalo.
Vivia tristonho e calado no quarto, esparramado numa espreguiçadeira. Enquanto a
mãezinha, aflita, se desvelava junto dele, o rei experimentava muitos médicos.
Os facultativos, porém, chegavam e saíam, sem resultados satisfatórios. O menino
sentia grande mal-estar. Quando se lhe aliviava a dor de cabeça, vinha-lhe a dor nos
braços. Quando os braços melhoravam, as pernas se punham a doer.
O soberano, preocupado, fez convite público aos cientistas do País. Recompensaria
nababescamente a quem lhe curasse o filho. Depois de muitos médicos famosos
ensaiarem, embalde, apareceu um velhinho humilde que propôs ao monarca diferente
medicação. Não exigia pagamento. Reclamava tão somente plena autoridade sobre o
doentinho. J ulião deveria fazer o que lhe fosse determinado.
O pai aceitou as condições e, no dia imediato, o menino foi entregue ao ancião.
O sábio anônimo conduziu-o a pequeno trato de terra e recomendou-lhe arrancasse
a erva daninha que ameaçava um tomateiro.
—Não posso! estou doente! — gritou o menino.
O velhinho, contudo, convenceu-o, sem impaciência, de que o esforço era viável e,
em minutos breves, ambos libertavam as plantas da erva invasora.
Veio o Sol, passou o vento; as nuvens, no alto, rondavam a terra, como a reparar
onde estava o campo mais necessitado de chuva...
Um pouco antes do meio-dia, J ulião disse ao velho que sentia fome, o sábio humilde
sorriu, contente, enxugou-lhe o suor copioso e levou-o a almoçar.
O jovem devorou a sopa e as frutas, gostosamente. Após ligeiro descanso, voltaram
a trabalhar.
No dia seguinte, o ancião levou o príncipe a servir na construção de pequena
parede. J ulião aprendeu a manejar os instrumentos menores de um pedreiro e alimentou-
se ainda melhor.
Finda a primeira semana, o orientador traçou-lhe novo programa.
Levantava-se de manhã para o banho frio, obrigava-se a cavar a terra com uma
enxada, almoçava e repousava. Logo após, antes do entardecer, tomava livros e cadernos
para estudar e, à noitinha, terminada a última refeição, brincava e passeava, em
companhia de outros jovens da mesma idade.
Transcorridos dois meses, J ulião era restituído à autoridade paternal, rosado,
robusto e feliz. Ardia, agora, em desejos de ser útil, ansioso por fazer algo de bom.
Descobrira, enfim, que o serviço para o bem é a mais rica fonte de saúde.
O rei, muito satisfeito, tentou recompensar o velhinho.
Todavia, o ancião esquivou-se, acrescentando:
— Grande soberano, o maior salário de um homem reside na execução da Vontade
de Deus, através do trabalho digno. Ensina a glória do serviço aos teus filhos e tutelados e
o teu reino será abençoado, forte e feliz.
Dito isto, desapareceu na multidão e ninguém mais o viu.

(Livro: Alvorada Cristã)




22 - O ANJO DA LIMPEZA

Adélia ouvira falar em J esus e tomara-se de tamanha paixão pelo Céu que nutria um
desejo único — ser anjo para servir ao Divino Mestre.
Para isso, a boa menina fez-se humilde e crente, e, quando se não achava na
escola em contacto com os livros, mantinha-se na câmara de dormir em preces fervorosas.
Cercava-se de lindas gravuras, em que os artistas lembram a passagem do Cristo
entre os homens, e, em lágrimas, repetia: — “Senhor, quero ser tua! quero servir-te!...”
A Mãezinha, em luta doméstica, convidava-a aos serviços da casa. Adélia sorria,
abraçava-se a ela e reafirmava o propósito de preparar-se para a companhia do Divino
Amigo. A bondosa senhora, observando que o ideal da filha só merecia louvores, deixava-
a em paz com os estudos e orações de cada dia.
Meses correram sobre meses e a jovem prosseguia inalterável. Orando sempre,
suplicava ao Senhor a transformasse num anjo. Decorridos dois anos de rogativas,
sonhou, certa noite, que era visitada pelo Mestre Amoroso.
J esus envolvia-se em vasta auréola de claridade sublime. A túnica luminosa, a cair-
lhe dos ombros com graça e beleza, parecia de neve coroada de sol.
Estendendo-lhe a destra compassiva, o Cristo observou-lhe:
— Adélia, ouvi tuas súplicas e venho ao teu encontro. Desejas realmente servir-me?
— Sim, Senhor! — respondeu a pequena, inflamada de comoção jubilosa,
convencida de que o Salvador a conduziria naquele mesmo instante para o Céu.
— Ouve! — tornou o Mestre, docemente.
Ansiosa de pôr-se a caminho do paraíso, a jovem replicou, reverente:
— Dize, Senhor! estou pronta!... Leva-me contigo, sinto-me aflita para comparecer
entre os que retêm a glória de servir-te no plano celestial!...
O Cristo sorriu, bondoso, e considerou: - Não, Adélia. Nosso Pai não te colocou
inutilmente na Terra. Temos enorme serviço neste mundo mesmo. Estimo tuas preces e
teus pensamentos de amor, mas preciso de alguém que me ajude a retirar o lixo e os
detritos que se amontoam, não longe de tua casa. Meninos Cruéis prejudicaram a rede de
esgoto, a pequena distância do teu lar. Aí se concentra perigoso foco de moléstias,
ameaçando trabalhadores desprevenidos, mães devotadas e crianças incautas.
Vai, minha filha! Ajuda-me a salvá-los da morte. Estarei contigo, auxiliando-te nessa
meritória tarefa. A menina preocupada quis fazer perguntas, mas o Mestre afastou-se, de
leve... Acordou sobressaltada. Era dia. Vestiu-se à pressa e procurou a zona indicada.
Corajosa muniu-se de desinfetantes, armou-se de enxada e vassoura pediu a contribuição
materna, e o foco infeccioso foi extinto. A discípula obediente, todavia, não parou mais.
Diariamente, ao regressar da escola, punha-se a colaborar com a Mamãe, em casa,
zelando também quanto lhe era Possível pela higiene das vias públicas e ensinando outras
crianças a serem tão Cuidadosas, quanto ela mesma. Tanto trabalhou e se esforçou que,
certo dia, o diretor do grupo escolar lhe conferiu o título de Anjo da Limpeza. Professoras e
colegas comemoraram festivamente o acontecimento.
A noite, dormiu contente e sonhou que J esus vinha encontrá-la, de novo, e dizia-lhe:
— Abençoada sejas, filha minha! agora, que os próprios homens te reconhecem por
benfeitora, agradeço-te os serviços que me prestas diàriamente.
Anjo da Limpeza na Terra, serás Anjo de Luz no Paraíso.
Em lágrimas de alegria intensa, Adélia despertou, feliz, compreendendo, cada vez
mais, que a verdadeira ventura reside em colaborar com o Senhor, nos trabalhos do bem,
em toda parte.

(Livro: Alvorada Cristã)
23 - O ENSINO DA SEMENTEIRA

Certo fazendeiro, muito rico, chamou o filho de quinze anos e disse-lhe:
— Filho meu, todo homem apenas colherá daquilo que plante. Cuida de fazer bem a
todos, para que sejas feliz.
O rapaz ouviu o conselho e, no dia imediato, muito carinhosamente alojou minúsculo
cajueiro em local não distante da estrada que ligava o vilarejo próximo à propriedade
paternal. Decorrida uma semana, tendo recebido das mãos paternas um presente em
dinheiro, foi à vila e protegeu pequena fonte natural, construindo-lhe conveniente abrigo
com a cooperação de alguns poucos trabalhadores, aos quais recompensou
generosamente.
Reparando que vários mendigos por ali passavam, ao relento, acumulou as dádivas
que recebia dos familiares e, quando completou vinte anos, edificou reconfortante albergue
para asilar viajores sem recursos. Logo após, a vida lhe impôs amargurosas surpresas.
Sua Mãezinha morreu num desastre e o Pai desgostoso, empobreceu e faleceu em
seguida. Duas irmãs mais velhas casaram-se e tomaram diferentes rumos.
O rapaz, agora sozinho, embora jamais esquecesse os conselhos paternos,
revoltou-se contra as idéias nobres e partiu mundo afora. Trabalhou, ganhou enorme
fortuna e gastou-a, gozando os prazeres inúteis. Nunca mais cogitou de semear o bem.
Os anos se desdobraram uns sobre os outros. Entregue à idade madura, dera-se ao
vício de jogar e beber. Muita vez, o Espírito de seu pai se aproximava, rogando-lhe cuidado
e arrependimento. O filho registrava-lhe os apelos em forma de pensamentos, mas
negava-se a atender. Queria somente os prazeres fáceis.
Acontece, porém, que o equilíbrio do corpo tem limites rígidos. Adoeceu, não podia
alimentar-se regularmente. Perdeu a fortuna que possuía, através de viagens e
tratamentos caros. Como não fizera afeições, foi relegado ao abandono. Envelheceu. Os
amigos das noitadas alegres fugiram dele; envergonhado, ausentou-se da cidade a que se
acolhera e transformou-se em mendigo. Peregrinou pôr muitos lugares até que, um dia,
sentiu imensas saudades do antigo lar e voltou ao pequeno burgo que o vira crescer.
Fez longa excursão a pé e chegou, extenuado, a vila de outro tempo. O cajueiro que
plantara convertera-se em árvore dadivosa. Encantado, viu-lhe os frutos tentadores.
Aproveitou-os para matar a própria fome e seguiu para a vila. Tinha sede e buscou a fonte.
A corrente cristalina, bem protegida, afagou-lhe a boca ressequida. Ninguém o
reconheceu, tão abatido que estava. Em breve, desceu a noite e sentiu frio. Dois homens
caridosos ofereceram-lhe os braços e conduziram-no ao velho asilo que ele mesmo
construíra. Quando entrou no recinto, derramou muitas lágrimas, porque seu nome estava
gravado na parede com palavras de louvor e bênção. Deitou-se, constrangido, e dormiu.
Em sonho, viu o Espírito do pai, junto a ele, exclamando:
- Aprendeste a lição, meu filho? Sentiste fome e o cajueiro te alimentou; tiveste sede
e a fonte te saciou; necessitavas de asilo e te acolheste ao lar que edificaste em favor dos
que passam com destino incerto... Abraçando-o, com ternura, acrescentou:
— Porque deixaste de semear o bem?
O interpelado nada pôde responder. As lágrimas embargavam-lhe a voz, na
garganta.
Acordou, muito tempo depois, com o rosto lavado em pranto, e, quando o
encarregado do abrigo lhe perguntou o que desejava, informou simplesmente:
— Preciso tão somente de uma enxada... Preciso recomeçar a ser útil, de qualquer
modo.

(Livro: Alvorada Cristã)
24 - O ESPIRITO DA MALDADE

O Espírito da Maldade, que promove aflições para muita gente, vendo, em
determinada manhã, um ninho de pássaros felizes, projetou destruir as pobres aves.
A mãezinha alada, muito contente, acariciava os filhotinhos, enquanto o papai
voava, à procura de alimento.
O Espírito da Maldade notou aquela imensa alegria e exasperou-se. Mataria todos
os passarinhos, pensou consigo. Para isto, no entanto, necessitava de alguém que o
auxiliasse. Aquela ação exigia mãos humanas.
Começou, então, a buscar a companhia das crianças. Quem sabe algum menino
poderia obedecê-lo?
Foi a casa de J oãozinho, filho de Dona Laura, mas J oãozinho estava muito ocupado
na assistência ao irmão menor, e, como o Espírito da Maldade somente pode arruinar as
pessoas insinuando-se pelo pensamento, não encontrou meios de dominar a cabeça de
J oão. Correu à residência de Zelinha, filha de Dona Carlota. Encontrou a menina
trabalhando, muito atenciosa, numa blusa de tricô, sob a orientação materna, e, em vista
de achar-lhe o cérebro tão cheio das idéias de agulha, fios de lã e peça por acabar, não
conseguiu transmitir-lhe o propósito infeliz. Dirigiu-se, então, à chácara do senhor Vitalino,
a observar se o Quincas, filho dele, estava em condições de servi-lo. Mas Quincas,
justamente nessa hora, mantinha-se, obediente, sob as ordens do papai, plantando várias
mudas de laranjeiras e tão alegre se encontrava, a meditar na bondade da chuva e nas
laranjas do futuro, que nem de leve percebeu as idéias venenosas que o Espírito da
Maldade lhe soprava na cabeça.
Reconhecendo a impossibilidade de absorvê-lo, o gênio do mal lembrou-se de
Marquinhos, o filho de Dona Conceição. Marquinhos era muito mimado pela mãe, que não
o deixava trabalhar e lhe protegia a vadiagem. Tinha doze anos bem feitos e vivia de casa
em casa a reinar na preguiça. O Espírito da Maldade procurou-o e encontrou-o, à porta de
um botequim, com enorme cigarro à boca.
As mãos dele estavam desocupadas e a cabeça vaga.
— “Vamos matar passarinhos?” — disse o espírito horrível aos ouvidos do
preguiçoso.
Marquinhos não escutou em forma de voz, mas ouviu em forma de idéia. Saiu, de
repente, com um desejo incontrolável de encontrar avezinhas para a matança.
O Espírito da Maldade, sem que ele o percebesse, conduziu-o, facilmente, até à
árvore em que o ninho feliz recebia as carícias do vento. O menino, a pedradas criminosas,
aniquilou pai, mãe e filhotinhos. O gênio sombrio tomara-lhe as mãos e, após o assassínio
das aves, levou-o a cometer muitas faltas que lhe prejudicaram a vida, por muitos e muitos
anos.
Somente mais tarde é que Marquinhos compreendeu que o Espírito da Maldade
somente pode agir, no mundo, por intermédio de meninos vadios ou de homens e
mulheres votados à preguiça e ao mal.

(Livro: Alvorada Cristã)







25 - DOIS HOMENS E UMA JANELA

Dois homens, seriamente doentes, ocupavam o mesmo quarto em um hospital.
Um deles fscava sentado em sua cama por uma hora todas as tardes para conseguir
drenar o líquido de seus pulmões. Sua cama ficava próxima à única janela existente no
quarto. O outro homem tinha que ficar deitado de bruços em sua cama por todo o tempo.
Eles conversavam muito. Falavam sobre suas mulheres e suas famílias, suas casas,
seus empregos, seu envolvimento com o serviço militar, onde eles costumavam ir nas
férias, etc... E toda tarde, quando o homem perto da janela podia sentar-se ele passava
todo o tempo descrevendo ao seu companheiro todas as coisas que ele podia ver através
da janela.
O homem na outra cama começou a esperar por esse período onde seu mundo era
ampliado e animado pefas descrições do companheiro que dizia ver um parque com um lago
bem legal. Patos e cisnes brincavam na água enquanto as crianças navegavam seus
pequenos barcos. J ovens namorados andavam de braços dados em meio às flores e estas
possuíam todas as cores do arco-íris. Grandes e velhas árvores cheias de elegância na
paisagem, e uma fina linha podia ser vista no céu da cidade.
Quando o homem perto da janela fazia suas descrições, ele o fazia de modo primoroso
e delicado, com detalhes e o outro homem fechava seus olhos e imaginava aquelas cenas
pitorescas.
Numa tarde quente, o homem perto da janela descreveu que havia um desfile na rua
e embora ele não pudesse escutar a música, ele podia ver e descrever tudo. Dias e
semanas passaram-se. Em uma manhã a enfermeira de plantão chegou trazendo água para
o banho dos dois homens mas encontrou um deles morto,
O homem que ficava perto da janela morreu pacificamente durante o seu sono à
noite. Entristecida, ela chamou os atendentes do hospital para levarem o corpo embora.
Assim que julgou conveniente, o outro homem pediu à enfermeira que mudasse sua
cama para perto da janela. A enfermeira ficou feliz em poder fazer esse favor para o homem
e depois de verificar que ele estava confortável, deixou-o sozinho no quarto.
Vagarosamente, pacientemente, ele se apoiou em seu cotovelo para conseguir olhar pela
primeira vez através janela.
Finalmente, ele poderia ver tudo por si mesmo. Ele se esticou ao máximo, lutando
contra a dor para poder oihar através da janela e quando conseguiu fazê-lo, deparou-se
com um muro todo branco.
Ele então perguntou à enfermeira o que teria levado seu companheiro a descrever-
lhe coisas tão belas, todos os dias, se pela janela só dava para ver um muro branco? A
enfermeira respondeu que aquele homem era cego e não poderia ver nada mesmo que
quisesse.
Talvez ele só estivesse pensando em distraí-lo e alegrá-lo um pouco mais com suas
histórias.
Moral da história: há uma tremenda alegria em fazer outras pessoas felizes,
independente de nossa situação atual. Dividir problemas e pesares é ter metade de uma
aflição, mas compartilhar felicidade, é ser feliz em dobro.

(Autor Desconhecido)





26 - O PROBLEMA

O Grande Mestre e o Guardião dividiam a administração de um mosteiro zen.
Certo dia, o Guardião partiu e foi preciso substituí-lo.
O Grande Mestre reuniu todos os discípulos para escolher quem teria a honra de
trabalhar diretamente ao seu lado.
— Vou apresentar um problema, disse o Grande Mestre — e aquele
que resolvê-lo primeiro, será o novo Guardião do templo.
Terminado o discurso, colocou um banquinho no centro da sala.
Em cima estava um vaso de porcelana caríssimo, com uma rosa vermelha a enfeitá-lo.
— Eis aí o problema. — disse o Grande Mestre.
Os discípulos contemplavam, perplexos, o que viam: os desenhos sofisticados e
raros da porcelana, a frescura e a elegância da flor.
O que representava aquilo? O que fazer? Quaf seria o enigma?
Depois de alguns minutos, um dos discípulos levantou-se, olhou o mestre e os
alunos à sua volta. Depois caminhou resolutamente até o vaso, e atirou-o no chão,
destruindo-o.
— Você é o novo Guardião. — disse o Grande Mestre para o aluno.
Assim que o discípulo voltou ao seu lugar, o Grande Mestre explicou:
— Eu fui bem claro: disse que vocês estavam diante de um
problema. Nio importa quão beto e fascinante seja, um problema
tem que ser eliminado.
Um problema é um problema; pode ser um vaso de porcelana muito raro, um lindo
amor que já não faz mais sentido, um caminho que precisa ser abandonado, mas que
insistimos em percorrê-lo porque nos traz conforto.
Só existe uma maneira de lidar com um problema: atacando-o de frente.
Nessas horas, não se pode ter piedade, nem ser tentado pelo lado fascinante que qualquer
conflito carrega consigo.


(Autor Desconhecido)
27 - O VELHO, O MENINO E O BURRO


Um velho resolveu vender seu burro na feira da cidade. Como iria retornar
andando, chamou seu neto para acompanhá-lo. Montaram os dois no animal e seguiram
viagem.
Passando por umas barracas de escoteiros, escutaram os comentários
críticos; "Como é que pode, duas pessoas em cima deste pobre animal!".
Resolveram então que o menino desceria, e o velho permaneceria montado.
Prosseguiram...
Mais à frente tinha uma lagoa e algumas velhas estavam lavando roupa.
Quando viram a cena, puseram-se a reclamar: "Que absurdo! Explorando a
pobre criança, podendo deixá-la em cima do animal."
Constrangidos com o ocorrido, trocaram as posições, ou seja, o menino montou
e o velho desceu.
Tinham caminhado alguns metros, quando algumas jovens sentadas na calçada
externaram seu espanto com o que presenciaram: "Que menino preguiçoso! Enquanto
este velho senhor caminha, ele fica todo prazeroso em cima do animal. Tenha
vergonha!"
Diante disto, o menino desceu e desta vez o velho não subiu. Ambos resolveram
caminhar, puxando o burro.
J á acreditavam ter encontrado a fórmula mais correta quando passaram em
frente a um bar. Alguns homens que ali estavam começaram a dar gargalhadas,
fazendo chacota da cena: "São mesmo uns idiotas! Ficam andando a pé, enquanto
puxam um animal tão jovem e forte!"
O avô e o neto olharam um para o outro, como que tentando encontrar a
maneira correta de agir.
Então ambos pegaram o burro e carregaram-no nas costas!


(Autor Desconhecido)



28 - AS DUAS OPÇÕES

Desde pequena Svetlana só tinha conhecido uma paixão: dançar e sonhar em ser
uma Gran Ballerina do Bolshoi Ballet. Seus pais haviam desistido de lhe exigir
empenho em qualquer outra atividade. Os rapazes já haviam se resignado: o coração
de Svetlana tinha lugar para somente uma paixão e tudo mais era sacrificado pelo dia
em que se tornaria a Bailarina do Bolshoi. Haviam criado um apelido especial para ela:
Sankina que no antigo dialeto queria dizer "a que flutua". Era uma forma carinhosa de
brincar com a bela e talentosa Svetlana pois a palavra também podia significar "a que
divaga", ou "que sonha acordada".
Um dia, Svetlana teve sua grande chance. Conseguira uma audiência com Sergel
Davidovltch, Ballet Master do Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a
Companhia. Dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo que sentia e
que aprendera em cada movimento, como se urna vida inteira pudesse ser contada em
um único compasso. Ao final, aproximou-se do Ballet Master e lhe perguntou:
"Então, o Sr. acha que eu posso me tornar uma Gran Ballerina?"
Na longa viagem de volta a sua aldeia, Svetlana, em meio as lágrimas,
imaginou que nunca mais aquele "Não" deixaria de reverberar em sua mente. Meses
se passaram até que pudesse novamente calçar uma sapatiíha, ou fazer seu
alongamento frente ao espelho.
Dez anos mais tarde, Svetlana já uma estimada professora de ballet, criou
coragem de ir à performance anual do Bolshoi em sua região. Sentou-se na primeira fila
e notou que o Sr. Davídovitch ainda era o Ballet Master. Após o concerto, aproximou-se
do cavalheiro e lhe contou o quanto ela queria ter sido bailarina do Botshoí e o quanto
doera, anos atrás, ouvir-lhe dizer que não seria capaz.
"Mas minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes" respondeu o Sr. Davidovitch.
"Como o Sr. poderia cometer uma injustiça dessas? Eu dediquei toda minha vida!
Todos diziam que eu tinha o dom. Eu poderia ter sido uma Gran Ballerina se não fosse o
descaso com que o Sr. me avaliou!"
Havia solidariedade e compreensão na voz do Master, mas não hesitou ao
responder: "Perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente,
se você foi capaz de abandonar seu sonho pela opinião de outra pessoa."


(Autor Desconhecido)
29 - MANEIRAS DE DIZER AS COISAS

Certa feita, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que
despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.
— Que desgraça, senhor! Exclamou o adivinho. Cada dente caído representa a
perda de um parente de vossa majestade.
— Mas que insolente! — gritou o sultão, enfurecido. Como te atreves a dizer-me
semelhante coisa? Fora daqui!
Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cern açoites. Mandou que trouxessem
outro adivinho e lhe contou sobre o sonho.
Este, após ouvir o suftão com atenção, disse-!he:
— Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho
significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.
A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de
ouro ao segundo adivinho. E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse
admirado:
— Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia
feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem açoites e a você com cem
moedas de ouro.
— Lembra-te meu amigo - respondeu o adivinho - que tudo depende da maneira de
dizer...
Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar-se. Da
comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra.
Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta dúvida. Mas a forma
como ela é comunicada é que tem provocado, em alguns casos, grandes problemas. A
verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se a lançarmos no rosto de alguém
pode ferir, provocando dor e revolta. Mas se a envolvemos em delicada embalagem e
a oferecemos com ternura, certamente será aceita com felicidade.
A embalagem, nesse caso, é a indulgência, o carinho, a compreensão e, acima de
tudo, a vontade sincera de ajudar a pessoa a quem nos dirigimos.
Ademais, será sábio de nossa parte, antes de dizer aos outros o que julgamos ser
uma verdade, dizê-la a nós mesmos diante do espelho. E, conforme seja a nossa
reação, podemos seguir em frente ou deixar de lado o nosso intento. Importante
mesmo, é ter sempre em mente que o que fará diferença é a maneira de dizer as
coisas...

(Autor Desconhecido)













30 - O HOJE E O AMANHA

Era uma vez um garoto que nasceu com uma doença que não tinha cura, tinha 17
anos e podia morrer a qualquer momento. Sempre viveu na casa de seus pais, sob o
cuidado constante de sua mãe.
Um dia decidiu sair sozinho e, com a permissão da mãe, caminhou pela sua
quadra, olhando as vitrines e as pessoas que passavam. Ao passar por uma loja de
discos, notou a presença de uma garota, mais ou menos de sua idade, que parecia ser
feita de feita de ternura e beleza.
Foi amor a primeira vista. Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada além
da jovem. Aproximando-se timidamente, chegou ao balcão onde estava. Quando viu, ela
deu-lhe um sorriso e perguntou se podia ajudá-lo em alguma coisa. Era o sorriso mais
lindo que ele havia visto, e a emoção foi tão forte que ele mal conseguiu dizer que queria
um CD. Pegou o primeiro que encontrou sem olhar de quem era, e disse:
— Esse aqui...!
— Quer que embrulhe para presente? - perguntou a garota, sorrindo ainda mais...
Ele balançou a cabeça para dizer que sim e disse:
— É para mim mesmo mas eu gostaria que você embrulhasse.
Ela saiu do balcão e voltou pouco depois, com o CD muito bem embalado. Ele
pegou o pacote e saiu, louco de vontade de ficar por ali, admirando aquela figura divina.
Daquele dia em diante, todas as tardes voltava à loja de discos e comprava um CD
qualquer. Todas às vezes a garota deixava o balcão e voltava com um embrulho cada
vez mais bem feito, que ele guardava no seu quarto, sem sequer abrir.
Ele estava apaixonado, mas tinha medo da reação dela, e assim por mais que ela
sempre o recebesse com um sorriso doce, não tinha coragem para convidá-la para sair e
conversar.
Comentou sobre isso com sua mãe e ela o incentivou muito a chamá-la para sair.
Um dia ele se encheu de coragem e foi para a loja. Como todos os dias comprou
outro CD e como sempre, efa foi embrulhá-ío. Quando ela não estava vendo, deixou um
papel com seu nome e telefone no balcão e saiu da loja correndo.
No dia seguinte o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu. Era a garota
perguntando por ele. A mãe, desconsolada, nem perguntou quem era, começou a soluçar e
disse:
— Então, você não sabe? Faleceu essa manhã.
Mais tarde, 3 mãe entrou no quarto do filho, para olhar suas roupas e ficou surpresa
com a quantidade de CDs, todos embrulhados. Ficou curiosa e decidiu abrir um deles. Ao
fazê-lo, viu cair um pedaço de papel, onde estava escrito. "Você é muito simpático, não quer
me convidar para sair? Eu adoraria'
1
, emocionada, a mãe abriu outro CD e dele também
caiu um papel que dizia o mesmo e assim todos quantos ela abriu traziam uma mensagem
de carinho e esperança de conhecer aquele rapaz.
Assim é a vida: não espere muito para dizer a alguém o quanto é especial para você!


(Autor Desconhecido)
31 - A ARVORE DOS DESEJOS



Uma vez um homem estava viajando e, acidentalmente, entrou no Paraíso. No
conceito indiano de Paraíso, existem árvores dos desejos. Você simplesmente senta
debaixo delas, deseja qualquer coisa e imediatamente seu desejo é realizado - não há
intervalo entre o desejo e sua realização.
O homem estava cansado, e pegou no sono sob a árvore dos desejos.
Quando despertou, estava com muita fome, então disse: "Estou com tanta fome,
desejaria poder conseguir alguma comida de algum lugar."
Imediatamente apareceu comida vinda do nada - simplesmente uma deliciosa comida
flutuando no ar. Ele estava tão faminto que não prestou atenção de onde a comida
viera. Começou a comer imediatamente e a comida era tão deliciosa... Depois, a fome
tendo desaparecido, olhou à sua volta. Agora estava satisfeito. Outro pensamento surgiu
em sua mente:
"Se ao menos eu conseguisse algo para beber..." Como não há proibições no
Paraíso, imediatamente apareceu um excelente vinho. Bebendo vinho retaxadamente na
brisa fresca do íugar, sob a sombra da árvore, começou a pensar:
"O que está acontecendo? O que está havendo? Estou sonhando ou existem
espíritos ao meu redor zombando comigo?"
E os espíritos apareceram, e eram ferozes, horríveis, nauseantes... Ele começou
a tremer e um pensamento surgiu em sua mente:
"Agora vou ser assassinado, com certeza!!!" — Conforme seu
desejo, foi o que aconteceu.
Esta é uma antiga parábola e de imenso significado. Sua mente é a árvore dos desejos
- o que você pensa, mais cedo ou mais tarde se realiza. Às vezes o intervalo é tão grande
que você se esquece completamente que, de alguma forma, desejou aquilo; então não faz
ligação com a fonte. Mas se olharmos profundamente, perceberemos que todos os nossos
pensamentos, medos e receios estão formando nossas vidas.
Eles criam nosso Inferno ou criam nosso Paraíso. Criam nossos tormentos, ou criam
nossas alegrias. Eles criam o negativo ou criam o positivo. Todos aqui são mágicos. E todos
estão fiando e tecendo um mundo mágico ao seu redor, e aí são apanhados.
A própria aranha é pega em sua própria teia. Ninguém o está torturando a não ser
você mesmo. E uma vez que isso seja compreendido, mudanças começam a acontecer.
Então você pode dar a volta, pode transformar seu Inferno em Paraíso; é
simplesmente uma questão de pintá-lo a partir de um ângulo diferente. Seu Paraíso
depende de VOCÊ!


(Autor Desconhecido)
32 - O VELHO CARPINTEIRO



Um velho carpinteiro estava para aposentar-se. Ele contou a seu chefe os seus
planos de largar o serviço de carpintaria e de construção de casas e viver uma vida
mais calma com sua família. Claro que ele sentiria falta do pagamento mensal, mas
ele necessitava da aposentadoria. O dono da empresa sentiu em saber que perderia um
de seus melhores funcionários e pediu a ele que construísse uma última casa como um
favor especial. O carpinteiro consentiu, mas com o tempo ficou fácil perceber que
seus pensamentos e seu coração não estavam no trabalho. Ele não se empenhou no
serviço e se utilizou de mão-de-obra e matérias-primas de qualidade inferior.
Foi uma maneira lamentável de encerrar sua carreira. Quando o carpinteiro
terminou o trabalho, o construtor veio inspecionar a casa e entregou a chave da porta
ao carpinteiro. "Esta é a sua casa, meu presente para você." Foi um choque, uma
vergonha.
Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa, teria feito
completamente diferente. Não teria sido tão relaxado. Agora ele teria de morar numa
casa feita de qualquer maneira.
Assim acontece conosco. Construímos nossas vidas de maneira distraída,
reagindo mais que agindo, desejando colocar menos do que o melhor. Nos assuntos
importantes não empenhamos nosso meihor esforço. Erstão, em choque, nós olhamos
para a situação que criamos e vemos que estamos morando na casa que construímos. Se
soubéssemos disso, teríamos feito diferente.
Pense em você como o carpinteiro. Pense sobre sua casa. Cada dia você martela
um prego novo, coloca uma armação ou levanta uma parede.
Construa sabiamente. É a única vida que você construirá. Mesmo que você tenha
somente mais um dia de vida, este dia merece ser vivido graciosamente e com dignidade.
Na placa da parede está escrito: "A vida é um projeto de você mesmo".
Quem poderia dizer isso mais claramente? Sua vida de hoje é o resultado de suas
atitudes e escolhas feitas no passado. Sua vida de amanhã será o resultado de suas atitudes
e escolhas que fizer hoje.


(Autor Desconhecido)
33 - A RAPOSA E O MACHADO

Existiu um lenhador que acordava às 6 da manhã e trabalhava o dia inteiro cortando
lenha, e só parava tarde da noite. Esse lenhador tinha um filho, lindo, de poucos meses e
uma raposa, sua amiga, tratada como bicho de estimação e de sua total confiança.
Todos os dias o lenhador ia trabalhar e deixava a raposa cuidando de seu filho. Todas
as noites ao retornar do trabalho, a raposa ficava feliz com sua chegada. Os vizinhos do
lenhador alertavam que a raposa era um bicho traiçoeiro, um animal selvagem; e
portando, não era confiável. Quando ela sentisse fome comeria a criança.
O lenhador sempre retrucando com os vizinhos falava que isso era uma grande
bobagem. A raposa era sua amiga e jamais faria isso. Os vizinhos insistiam: — Lenhador
abra os olhos! A Raposa vai comer seu filho!
Um dia o ienhador muito exausto do trabalho e muito cansado desses comentários,- ao
chegar em casa viu a raposa sorrindo como sempre e sua boca totalmente ensanguentada
O lenhador suou frio e sem pensar duas vezes acertou o machado na cabeça da
raposa. Ao entrar no quarto desesperado, encontrou seu filho no berço dormindo
tranquilamente e ao lado do berço uma cobra morta.
O lenhador enterrou o machado e a raposa juntos.
Se você confia em alguém, não importa o que os outros pensem a respeito, siga
sempre o seu caminho e não se deixe influenciar. Mas, principalmente, nunca tome decisões
precipitadas.
(Autor Desconhecido)

34 - PRIMEIRA CLASSE

Conta-se que numa aldeia distante, ao sul de Varsóvia, um de seus habitantes mais
pobres recebeu um bilhete de trem para visitar um primo muito rico.
Ele chegou na ferroviária segurando o seu bilhete. Como nunca tinha viajado de trem,
J osé não sabia como agir.
Ele percebeu que havia um grupo de pessoas bem vestidas e imaginou que não
deveria se sentar com elas. No fundo da estacão, ele viu um grupo de malandros
maltrapilhos. Ele se juntou a eles imaginando que aquele era o seu lugar.
Os passageiros da primeira ciasse embarcaram, mas os maltrapilhos ficaram
aguardando. De repente, ouviu-se um apito e o trem começou a se movimentar. Os
malandros pularam para dentro do vagão de bagagens, e J osé entrou com eles, ficando
encolhido em um canto escuro do vagão, segurando a sua passagem com medo.
Ele aguentou firme, imaginando que aquele era o seu lugar. Até que a porta do
vagão abriu e entrou o maquinista acompanhado de dois policiais. Eles reviraram as
bagagens até que encontraram J osé e seus amigos no fundo do vagão.
O maquinista então perguntou: "Posso veros bilhetes?" J osé prontamente se
levantou e apresentou o seu bilhete.
O maquinista analisou a passagem e começou a gritar: "Meu rapaz, você tem uma
passagem de primeira classe. O que você está fazendo aqui no vagão de carga?" E o
maquinista concluiu: "Quando se tem um bilhete de primeira classe, o indivíduo deve se
comportar como um passageiro de primeira classe".

(Autor Desconhecido)
35 - CONSERTANDO A COISA CERTA



Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a
encontrar meios de minorá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para
suas dúvidas.
Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu escritório decidido a ajudá-lo a
trabalhar. O cientista nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro
lugar.
Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse ser
oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção.
De repente deparou-se com o mapa do mundo, o que procurava! Com o auxílio de
uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva,
entregou ao filho dizendo:
— Você gosta de quebra-cabeças? Então vou lhe dar o mundo para
consertar. Aqui está o mundo todo quebrado. Veja se consegue consertá-lo bem
direitínho! Faça tudo sozinho.
Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Algumas horas
depois, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:
— Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!
A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível na sua
idade ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista
levantou os ofhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma
criança.
Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido
colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?
— Você não sabe corno é o mundo, meu filho, como conseguiu?
— Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da
revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem.

Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí
que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu
sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia
consertado o mundo.


(Autor Desconhecido)
36 - OS DOIS ANJOS



Dois anjos viajantes pararam para passar a noite na casa de uma família rica. A
família era rude e se recusou a deixar os anjos ficarem no quarto de hóspedes da mansão.
Em vez disso eles foram mandados a dormir num pequeno e frio espaço no porão. Quando
estavam fazendo sua camas no chão duro, o anjo mais velho viu um buraco na parede e
consertou-o.
Quando o anjo mais novo viu perguntou o por que disso, o anjo mais veího
respondeu, "Algumas coisas não são sempre o que parecem ser."
Na noite seguinte os dois de anjos foram descansar na casa de pessoas muito
pobres, mas muito hospitaleiras, um fazendeiro e sua esposa. Depois de dividir o pouco
de comida que tinham, o fazendeiro e sua esposa acomodaram os anjos na sua cama onde
poderiam ter uma boa noite de descanso.
Quando o sol ascendeu na manhã seguinte os anjos encontraram o fazendeiro e sua
esposa em lágrimas. Sua única vaca, que o leite tinha sido sua única fonte de renda
familiar, amanheceu deitada morta no campo.
O anjo mais novo estava furioso e perguntou, "Como você pode deixar isto
acontecer? O primeiro homem tinha tudo e você o ajudou. A segunda família tem pouco
mas estava disposta a dividir tudo, e você deixou a vaca morrer." O anjo mais velho
respondeu: "Algumas coisas não são sempre o que parecem ser."
E continuou, "Quando nós ficamos no porão daquela mansão, eu vi que tinha
ouro guardado naquele buraco na parede. Desde que o dono era totalmente
obcecado por dinheiro e incapaz de dividir sua fortuna, eu tampei o buraco para que ele
nunca mais encontre o ouro.
Então, noite passada quando estávamos a dormir na cama do fazendeiro, o anjo
da morte veio por sua esposa. Eu dei a ele a vaca no lugar de sua esposa. Algumas coisas
não são sempre o que parecem ser."
Algumas vezes isto é exatamente o que acontece quando coisas não se
concretizam do jeito que deveriam. Se você tiver fé, você só precisa acreditar que
tudo que acontece é em seu favor. Você provavelmente não vai notar até algum tempo
depois...
Algumas pessoas vêm em nossas vidas e partem logo... Algumas pessoas tornam-
se amigos e ficam um pouco mais, deixando lindas pegadas em nossos corações...
Ontem é história.
Amanhã um mistério.
Hoje é um "presente";

E por isto deve ser chamado de "presente".


(Autor Desconhecido)
37 - O BARBEIRO

Um homem foi ao barbeiro.
E enquanto tinha seus cabelos cortados conversava com ele. Falava da vida e de
Deus.
Dai a pouco, o barbeiro incrédulo não aguentou e falou:
— Deixa disso, meu caro, Deus não existe!
- Por quê?
— Ora, se Deus existisse não haveria tantos miseráveis, passando fome!
— Olhe em volta e veja quanta tristeza. É só andar pelas ruas e enxergar!
—Bem, esta é a sua maneira de pensar, não é?
— Sim, claro!
O freguês pagou o corte e foi saindo, quando avistou um maltrapilho imundo, com
longos e feios cabelos, barba desgrenhada, suja, abaixo do pescoço. Não aguentou, deu
meia volta e interpelou o barbeiro:
—Sabe de uma coisa? Eu não acredito em barbeiros!
—Como?
—Sim, se existissem barbeiros, não haveria pessoas de cabelos e barbas
compridas!
—Ora, eles estão assim porque querem. Se desejassem mudar, viriam até
mim!
—Agora, você entendeu! - replicou o homem.

(Autor Desconhecido)

38 - AS TRÊS PENEIRAS

Um rapaz procurou Sócrates e disse que precisava contar-lhe algo. Sócrates ergueu os
olhos do livro que lia e perguntou:
—O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?
—Três peneiras?
—Sim. A primeira peneira é a Verdade. O que você quer contar dos outros é um fato?
Caso tenha ouvido contar, a coisa deve morrer por aí mesmo.
Suponhamos então que seja verdade. Deve então passar pela segunda peneira:
a Bondade.
O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama
do próximo? Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela
terceira peneira: Necessidade.
Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o
planeta?
E, arremata Sócrates: — Se passar peias três peneiras, conte! Tanto eu, você e seu
irmão nos beneficiaremos.
Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para
envenenar o ambiente e levar discórdia entre irmãos, colegas de planeta.
Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz.

(Autor Desconhecido)



39 - OS TRÊS CONSELHOS



Um casal de jovens recém casados, era muito pobre e vivia de favores num sítio do
interior. Um dia o marido fez uma proposta à esposa:
- Querida eu vou sair de casa e vou viajar para bem distante, arrumar um emprego e
trabalhar até que eu tenha condições de voltar e dar a você uma vida mais digna e
confortável. Não sei quanto tempo vou ficar longe de casa, só peço uma coisa: que você
me espere e, enquanto eu estiver fora, seja fiel a mim que eu serei fiel a você.
Assim sendo o jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um
fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudar em sua fazenda. Ele se ofereceu
para trabalhar, e foi aceito. Sendo assim, ele propôs um pacto ao patrão:
- Patrão eu peço só uma coisa para o Senhor. Deixe-me trabalhar pelo tempo que
eu quiser e quando eu achar que eu devo ir embora o Senhor me dispensa das minhas
obrigações. Não quero receber o meu salário. Quero que o Senhor o coloque na poupança
até o dia que eu sair daqui. No dia em que eu sair o Senhor me dá o dinheiro e eu sigo o
meu caminho.
Tudo combinado, aquele jovem trabalhou muito, sem férias e sem descanso. Depois
de vinte anos ele chegou para o seu patrão e lhe disse:
- Patrão eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa.
O patrão então lhe disse:
- Tudo bem, nós fizemos um pacto e eu vou cumprir, só que antes eu quero lhe
fazer uma proposta. Curioso ele pergunta qual a proposta e seu patrão lhe diz:
- Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora ou eu lhe dou três conselhos e
não lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro eu não lhe dou os
conselhos e se eu lhe der os conselhos não lhe dou o dinheiro. Vai pro seu quarto, pensa e
depois me dá a resposta.
O rapaz pensou durante dois dias depois procurou o patrão e lhe disse:
- Eu quero os três conselhos.
- Se eu lhe der os conselhos eu não lhe dou o dinheiro.
- Eu quero os conselhos.
O patrão então lhe falou:
1º "Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos e desconhecidos podem
custar a sua vida";
2º " Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade para o mal pode
ser mortal";
3º " Nunca tome decisões em momentos de ódio e de dor, pois você pode se
arrepender e ser tarde demais";
Após dar os três conselhos o patrão disse ao rapaz que já não era tão jovem assim:
- Aqui você tem três pães, dois são para você comer durante a viagem e o terceiro é
para comer com a sua esposa quando chegar em sua casa.
O rapaz seguiu o seu caminho de volta para casa, depois de vinte anos longe de
casa e da esposa que ele tanto amava. Andou durante o primeiro dia e encontrou um
viajante que o cumprimentou e lhe perguntou:
- Para onde você vai?
- Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por
esta estrada.
- Rapaz, esse caminho é muito longo, eu conheço um atalho que é dez vezes menor
e você vai chegar em poucos dias.
O rapaz ficou contente e começou a seguir pelo atalho, quando lembrou-se do
primeiro conselho do seu patrão: "Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos
e desconhecidos podem custar a sua vida". Então voltou e seguiu o seu caminho. Dias
depois ele soube que aquilo era uma emboscada.
Depois de alguns dias de viagem, achou uma pensão na beira da estrada
onde pode hospedar-se. De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor e
muito barulho. Levantou-se de um salto só e dirigiu-se à porta para sair.
Quando lembrou do segundo conselho:" Nunca seja curioso para aquilo que é mal,
pois a curiosidade para o mal pode ser mortal". Voltou, deitou-se e dormiu.
Ao amanhecer, após tomar o café, o dono da hospedagem lhe perguntou se ele não
havia ouvido um grito e ele disse que sim.
- Então por que não ver o que era, não ficou curioso?
Ele disse que não. Então o hospedeiro lhe falou:
- Você é o único que sai vivo daqui, um louco gritou durante a noite e quando os
hóspede saia ele o matava.
O rapaz seguiu seu caminho e depois de muitos dias e noites de caminhada, já ao
entardecer, viu entre as árvores a fumaça da sua casinha, andou e logo viu entre os
arbustos a silhueta da sua esposa. O dia estava escurecendo, mas ele pode ver que a sua
esposa não estava só.
Andou mais um pouco e viu que ela tinha sentado no colo de um homem a quem
estava acariciando os cabelos.
Ao ver aquela cena o seu coração se encheu de ódio e amargura e ele decidiu
matar os dois sem piedade. Apressou os passos, quando se lembrou do terceiro conselho:
"Nunca tome decisões em momentos de ódio e de dor, pois você pode se arrepender e ser
tarde demais". Então ele parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo.
Ao amanhecer, já com a cabeça fria ele disse: - Não vou matar minha esposa e nem
o seu amante. Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta. Só que
antes eu quero dizer para a minha esposa que eu fui fiel a ela.
Dirigiu-se à porta da casa e bateu. Ao abrir a porta esposa reconhece o seu marido e se
atira ao seu pescoço e o abraça afetuosamente. Ele tenta afastá-la, mas não consegue,
tamanha a felicidade dela. Então com lágrimas ele lhe diz:
- Eu fui fiel a você e você me traiu.
- Como? e ainda espantada diz: Eu não lhe traí, o esperei durante esses vinte anos.
- E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer?
- Aquele homem é nosso filho. Quando você foi embora eu descobri que estava
grávida e hoje ele está com vinte anos de idade.
Então ele conheceu e abraçou seu filho, contou-lhes toda a sua história enquanto a
esposa preparava o café e sentaram-se para tomar o café e comer o último pão. Após a
oração de agradecimento e lágrimas de emoção ele parte o pão, e ao parti-lo, ali estava
todo o seu dinheiro...!

(Autor Desconhecido)








40 - A HISTÓRIA DE ERNANI



Certa vez, trabalhei em uma pequena empresa de Engenharia. Foi lá que fiquei
conhecendo um rapaz chamado Mauro. Ele era grandalhão e gostava de fazer
brincadeiras com os outros, sempre pregando pequenas peças.
Havia também o Ernani, que era um pouco mais velho que o resto do grupo.
Sempre quieto, inofensivo, à parte, Ernani costumava comer o seu lanche sozinho, num
canto da sala.
Ele não participava das brincadeiras que fazíamos após o almoço, sendo que, ao
terminar a refeição, sempre sentava sozinho debaixo de uma árvore mais distante. Devido
a esse seu comportamento, Ernani era o alvo natural das brincadeiras e piadas do grupo.
Ora ele encontrava um sapo na marmita,ora um rato morto em seu chapéu. E o que
achávamos mais incrível é que ele sempre aceitava aquilo sem ficar bravo.
Em um feriado prolongado, Mauro resolveu ir pescar no Pantanal.
Antes, nos prometeu que, se conseguisse sucesso, iria dar um pouco do resultado
da pesca para cada um de nós. No seu retorno, ficamos todos muito animados quando
vimos que ele havia pescado alguns dourados enormes.
Mauro, entretanto, levou-nos para um canto e nos disse que tinha preparado uma
boa peça para aplicar no Ernani.
Mauro dividira os dourados, fazendo pacotes com uma boa porção para cada um de
nós. Mas, a 'peça' programada era que ele havia separado os restos dos peixes num
pacote maior, à parte. 'Vai ser muito engraçado quando o Ernani desembrulhar esse
'presente' e encontrar espinhas, peles e vísceras!', disse-nos Mauro, que já estava se
divertindo com aquilo.
Mauro então distribuiu os pacotes no horário do almoço. Cada um de nós, que ia
abrindo o seu pacote contendo uma bela porção de peixe, então dizia: 'Obrigado!'.
Mas o maior pacote de todos, ele deixou por último. Era para o Ernani. Todos nós já
estávamos quase explodindo de vontade de rir, sendo que Mauro exibia um ar especial, de
grande satisfação. Como sempre, Ernani estava sentado sozinho, no lado mais afastado
da grande mesa Mauro então levou o pacote para perto dele, e todos ficamos na
expectativa do que estava para acontecer.
Ernani não era o tipo de muitas palavras. Ele falava tão pouco que, muitas vezes,
nem se percebia que ele estava por perto. Em três anos, ele provavelmente não tinha dito
nem cem palavras ao todo. Por isso, o que aconteceu a seguir nos pegou de surpresa. Ele
pegou o pacote firmemente nas mãos e o levantou devagar, com um grande sorriso no
rosto.
Foi então que notamos que seus olhos estavam brilhando. Por alguns momentos, o
seu pomo de Adão se moveu para cima e para baixo, até ele conseguir controlar sua
emoção. 'Eu sabia que você não ia se esquecer de mim', disse com a voz embargada.- 'Eu
sabia, você é grandalhão e gosta de fazer brincadeiras, mas sempre soube que você tem
um bom coração'.
Ele engoliu em seco novamente, e continuou falando, dessa vez para todos nós:-
'Eu sei que não tenho sido muito participativo com vocês, mas nunca foi por má
intenção. Sabem... Eu tenho cinco filhos em casa, e uma esposa inválida, que há quatro
anos está presa na cama. E estou ciente de que ela nunca mais vai melhorar.
Às vezes, quando ela passa mal, eu tenho que ficar a noite inteira acordado,
cuidando dela. E a maior parte do meu salário tem sido para os seus médicos e os
remédios.
As crianças fazem o que podem para ajudar, mas tem sido difícil colocar comida
para todos na mesa. Vocês talvez achem esquisito que eu vá comer o meu almoço
sozinho, num canto... Bem, é que eu fico meio envergonhado, porque na maioria das
vezes eu não tenho nada para pôr no meu sanduíche. Ou, como hoje, eu tinha somente
uma batata na minha marmita.
Mas eu quero que saibam que essa porção de peixe representa, realmente, muito
para mim. Provavelmente muito mais do que para qualquer um de vocês, porque hoje à
noite os meus filhos...', ele limpou as lágrimas dos olhos com as costas das mãos.
'Hoje à noite os meus filhos vão ter, realmente, depois de alguns anos...' e ele começou a
abrir o pacote...
Nós tínhamos estado prestando tanta atenção no Ernani, enquanto ele falava, que
nem havíamos notado a reação do Mauro. Mas agora, todos percebemos a sua aflição
quando ele saltou e tentou pegar o pacote das mãos do Ernani.
Mas era tarde demais. Ernani já tinha aberto e pacote e estava, agora, examinando
cada pedaço de espinha, cada porção de pele e de vísceras, levantando cada rabo de
peixe. Era para ter sido tão engraçado, mas ninguém riu. Todos nós ficamos olhando para
baixo.
E a pior parte foi quando Ernani, tentando sorrir, falou a mesma coisa que todos nós
havíamos dito anteriormente:- 'Obrigado!'.
Em silêncio, um a um, cada um dos colegas pegou o seu pacote e o colocou na
frente do Ernani, porque depois de muitos anos nós havíamos, de repente, entendido
quem era realmente o Ernani.
Uma semana depois, a esposa de Ernani faleceu.
Cada um de nós, daquele grupo, passou então a ajudar as cinco crianças.

Mauro, hoje aposentado, continua fazendo brincadeiras; entretanto, são de um tipo
muito diferente: Ele organizou nove grupos de voluntários que distribuem brinquedos para
crianças hospitalizadas e as entretêm com jogos, estórias e outros divertimentos.
Às vezes, convivemos por muitos anos com uma pessoa, para só então
percebermos que mal a conhecemos.
Nunca lhe demos a devida atenção; não demonstramos qualquer interesse pelas
coisas dela; ignoramos as suas ansiedades ou os seus problemas.
Que possamos manter sempre vivo, em nossas mentes, o ensinamento de J esus
Cristo: 'Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.'(J oão 13,34).
Será que conhecemos as pessoas com quem convivemos?
Cada Ernani sabe o fardo que carrega... portanto, respeitemos o jeito de ser de cada
um.

(Autor Desconhecido)











41 - TELEFONE AMIGO



Quando eu era criança, meu pai comprou um dos primeiros telefones da vizinhança.
Lembro-me bem daquele velho aparelho preto, em forma de caixa, bem polido, afixado à
parede. O receptor brilhante pendia ao lado da caixa.
Eu ainda era muito pequeno para alcançar o telefone, mas costumava ouvir e ver
minha mãe enquanto ela o usava, e ficava fascinado com a cena!
Então, descobri que em algum lugar dentro daquele maravilhoso aparelho existia
uma pessoa maravilhosa, e o nome dela era "Informação, por favor" e não havia coisa
alguma que ela não soubesse. "Informação, por favor" poderia fornecer o número de
qualquer pessoa e até a hora certa.
Minha primeira experiência pessoal com esse "gênio da lâmpada" aconteceu num
dia em que minha mãe foi na casa de um vizinho. Divertindo-me bastante mexendo nas
coisas da caixa de ferramentas no porão, machuquei meu polegar com um martelo.
A dor foi horrível, mas não parecia haver qualquer razão para chorar, porque eu
estava sozinho em casa e não tinha ninguém para me consolar. Eu comecei a andar pelo
porão, chupando meu dedão que pulsava de dor, chegando finalmente à escada e
subindo-a.
Então, lembrei-me: o telefone! Rapidamente peguei uma cadeira na sala de visitas e
usei-a para alcançar o telefone. Desenganchei o receptor, segurei-o próximo ao ouvido
como via minha mãe fazer e disse: "Informação, por favor!"
Alguns segundos depois, uma voz suave e bem clara falou ao meu ouvido: "Informação."
Então, choramingando, eu disse: "Eu machuquei o meu dedo..." Agora que eu tinha
platéia: as lágrimas começaram a rolar sobre o meu rosto.
"Sua mãe não está em casa?" veio a pergunta.
"Ninguém está em casa a não ser eu", falei chorando.
"Você está sangrando?" Ela perguntou.
"Não." "Eu machuquei o meu dedão com o martelo e está doendo muito!"
Então a voz suave, do outro lado falou: "Você pode ir até a geladeira?"
Eu disse que sim. Ela continuou, com muita calma: "Então, pegue uma pedra de
gelo e fique segurando firme sobre o dedo." E a coisa funcionou!
Depois do ocorrido, eu chamava "Informação, por favor" pra qualquer coisa.
Pedia ajuda nas tarefas de geografia da escola e ela me dizia onde Filadélfia se localizava
no mapa. Ajudava-me nas tarefas de matemática. Ela me orientou sobre qual tipo de
comida eu poderia dar ao filhote de esquilo que peguei no parque para criar como bichinho
de estimação.
Houve também o dia em que Petey, nosso canário de estimação, morreu.
Eu chamei "Informação, por favor" e contei-lhe a triste estória. Ela ouviu atentamente,
então falou-me palavras de conforto que os adultos costumam dizer para consolar uma
criança. Mas eu estava inconsolável naquele dia e perguntei-lhe:
“Por que é que os passarinhos cantam de maneira tão bela, dão tanta alegria com
sua beleza para tantas famílias e terminam suas vidas como um monte de penas numa
gaiola?"
Ela deve ter sentido minha profunda tristeza e preocupação pelo fato de haver dito
calmamente: "Paul, lembre-se sempre de que existem outros mundos onde se pode
cantar!" Não sei porquê, mas me senti bem melhor.
Numa outra ocasião, eu estava ao telefone: "Informação, por favor". "Informação,"
disse a já familiar e suave voz. "Como se soletra a palavra consertar?" Perguntei.
Tudo isso aconteceu numa pequena cidade da costa oeste dos Estados Unidos.
Quando eu estava com nove anos, nos mudamos para Boston, na costa leste.
Eu senti muitas saudades de minha voz amiga!
"Informação, por favor" pertencia àquela caixa de madeira preta afixada na parede
de nossa outra casa; e eu nunca pensei em tentar a mesma experiência com o novo
telefone diferente que ficava sobre a mesa, na sala de nossa nova casa.
Mesmo já na adolescência, as lembranças daquelas conversas de infância com
aquela suave e atenciosa voz nunca saíram de minha cabeça. Com certa freqüência, em
momentos de dúvidas e perplexidade, eu me lembrava daquele sentimento sereno de
segurança que me era transmitido pela voz amiga que gastou tanto tempo com um simples
menininho.
Alguns anos mais tarde, quando eu viajava para a costa oeste a fim de iniciar meus
estudos universitários, o avião pousou em Seattle, região onde eu morava quando criança,
para que eu pegasse um outro e seguisse viagem. Eu tinha cerca de meia hora até que o
outro avião decolasse. Passei então uns 15 minutos ao telefone, conversando com minha
irmã que na época estava morando lá. Então, sem pensar no que estava exatamente
fazendo, eu disquei para a telefonista e disse: "Informação, por favor".
De um modo milagroso, eu ouvi a suave e clara voz que eu tão bem conhecia!
"Informação." Eu não havia planejado isso, mas ouvi a mim mesmo dizendo: "Você poderia
me dizer como se soletra a palavra consertar?"
Houve uma longa pausa.Então ouvi a tão suave e atenciosa voz responder: "Espero
que seu dedo já esteja bem sarado agora!"
Eu ri satisfeito e disse: "Então, ainda é realmente você? Eu fico pensando se você
tem a mínima idéia do quanto você significou para mim durante todo aquele tempo de
minha infância!" Ela disse: "E eu fico imaginando se você sabe o quanto foram importantes
para mim as suas ligações!"
E continuou: "Eu nunca tive filhos e ficava aguardando ansiosamente por suas
ligações." Então, eu disse pra ela que muito freqüentemente eu pensava nela durante
todos esses anos e perguntei-lhe se poderia telefonar para ela novamente quando eu
fosse visitar minha irmã.
"Por favor, telefone sim! É só chamar por Sally". Três meses depois voltei a Seattle.
Uma voz diferente atendeu: "Informação". Eu perguntei por Sally. "Você é um amigo?" Ela
perguntou. "Sim, um velho amigo". Respondi.
Ela disse: "Sinto muito em dizer-lhe isto, mas Sally esteve trabalhando só meio
período nos últimos anos porque estava adoentada. Ela morreu há um mês."
Antes que eu desligasse ela disse: "Espere um pouco. Seu nome é Paul?" "Sim".
Respondi.
"Bem, Sally deixou uma mensagem para você. Ela deixou escrita caso você ligasse.
Deixe-me ler para você." A mensagem dizia:

"Diga pra ele que eu ainda continuo dizendo que existem outros mundos onde
podemos cantar. Ele vai entender o que eu quero dizer".

Eu agradeci emocionado e muito tristemente desliguei o telefone. Sim, eu sabia
muito bem o que Sally queria dizer.

(Autor Desconhecido)



42 - ESCOLA DE ANJOS



Era uma vez, há muitos e muitos anos, uma escola de anjos. Conta-se que naquele
tempo, antes de se tomarem anjos de verdade, os aprendizes de anjos passavam por um
estágio. Durante um certo período, eles saíam em duplas para fazer o bem e no final de
cada dia, apresentavam ao anjo-mestre um relatório das boas ações praticadas.
Aconteceu então, um dia, que dois anjos estagiários, depois de vagarem
exaustivamente por todos os cantos, regressavam frustrados por não terem podido
praticar nenhum tipo de salvamento sequer. Parece que naquele dia, o mal estava de folga.
Enquanto voltavam tristes, os dois se depararam com dois favradores que seguiam
por uma trilha. Neste momento, um deles, dando um grito de alegria, disse para o outro:
—Tive uma ideia! Que tal se déssemos o poder a estes dois lavradores por
quinze minutos para ver o que eles fariam?
O outro respondeu: - Você ficou maluco? O anjo-mestre não vai gostar nada disto!
Mas o primeiro retrucou:
— Que nada, acho que ele até vai gostar! Vamos fazer e depois contaremos para ele.
E assim o fizeram. Tocaram suas mãos invisíveis na cabeça dos dois e se puseram a
observá-los.
Poucos passos adiante eles se separaram e seguiram por caminhos diferentes. Um
deles, alguns passos depois de terem se separado, viu um bando de pássaros voando em
direção à sua lavoura, e passando a mão na testa suada disse:
—Por favor passarinhos, não comam toda a minha plantação! Eu preciso que esta
lavoura cresça e produza, pois é daí que tiro o meu sustento.
Naquele momento, ele viu espantado a lavoura crescer e ficar prontinha para ser
colhida em questão de segundos. Assustado, ele esfregou os olhos e pensou:
- Devo estar cansado! E acelerou o passo. Aconteceu que logo adiante ele caiu ao
tropeçar em um pequeno porco que havia fugido do chiqueiro. Mais uma vez, esfregando a
testa ele disse: - Você fugiu de novo meu porquinho! Mas, a culpa é minha, eu ainda
vou construir um chiqueiro decente para você.
Mais uma vez espantado, ele viu o chiqueiro se transformar num local limpo e
acolhedor todo azutejado, com água corrente e o porquinho já instalado no seu
compartimento. Esfregou novamente os olhos e apressando ainda mais o passo disse
mentalmente: - Devo estar muito cansado mesmo!
Neste momento ele chegou em casa e, ao abrir porta a tranca que estava pendurada
caiu sobre sua cabeça. Ele então tirou o chapéu, e esfregando a cabeça disse:
- De novo, e o pior é que eu não aprendo. Também, não tem me sobrado tempo.
Mas ainda hei de ter dinheiro para construir uma grande casa e dar um pouco mais de
conforto para minha mulher. Naquele exato momento aconteceu o milagre. Aquela
humilde casinha foi se transformando numa bela e confortável casa diante dos seus olhos.
Assustadíssimo, e sem nada entender, convicto de que era tudo decorrente do cansaço, ele
se jogou numa enorme poltrona que estava na sua frente e, em segundos, estava dormindo
profundamente. Não houve tempo sequer para que ele tivesse algum sonho.
Minutos depois ele ouviu alguém pedir socorro: - Compadre! Me ajude! Eu estou
perdido!
Ainda atordoado, sem entender muito o que estava acontecendo, ele se levantou
correndo. Tinha na mente, imagens muito fortes de algo que ele não entendia bem, mas
parecia um sonho. Quando ele chegou na porta, encontrou o amigo em prantos. Ele se
lembrava que poucos minutos antes eles se despediram no caminho e estava tudo bem.
Então perguntando o que havia se passada ete ouviu s seguinte estaria:
- Compadre nós nos despedimos no caminho e eu segui para minha casa, acontece
que poucos passos adiante, eu vi um bando de pássaros voando e díreção à minha
lavoura. Este fato me deixou revoltado e eu gritei: Vocês de novo, atacando a minha
lavoura, tomara que seque tudo e vocês morram de fome! Naquele exato momento, eu
vi a lavoura secar e todos os pássaros morrerem diante dos meus olhos! Pensei comigo,
devo estar cansado, e apressei o passo.
Andei um pouco mais e cai depois de tropeçar no meu porco que havia fugido do
chiqueiro. Fiquei muito bravo e gritei mais uma vez: Você fugiu de novo? Por que não
morre logo e pára de me dar trabalho? Compadre, não é que o porco morreu ali mesmo, na
minha frente!
Acreditando estar vendo coisas, andei mais depressa, e ao entrar em casa, me caiu na
cabeça a tranca da porta. Naquele momento, como eu já estava mesmo era com muita
raiva, gritei novamente: Esta casa... Caindo aos pedaços, por que não pega fogo logo e
acaba com isto? Para surpresa minha compadre, naquele exato momento a minha casa
pegou fogo, e tudo foi tão rápido que eu nada pude fazer! Mas...compadre, o que
aconteceu com a sua casinha? De onde veio esta mansão?
Depois de tudo observarem, os dois anjos foram, muito assustados, contar para o
anjo-mestre o que havia se passado. Estavam muito apreensivos quanto ao tipo de reação
que o anjo-mestre teria. Mas tiveram uma grande surpresa. O anjo-mestre ouviu com
muita atenção o relato, parabenizou os dois pela ideia brilhante que haviam tido, e resolveu
decretar que a partir daquele momento, todo ser humano terfa 15 minutos de poder ao
longo da vida.
Só que, ninguém jamais saberia quando estes 15 minutos de poder estariam
acontecendo. Será que os 15 minutos próximos serão os seus? Muito cuidado com tudo o que
você diz, como age e aquilo que pensa! Sua mente trabalhará para que tudo aconteça, seja
bom ou ruim.

(Autor Desconhecido)




















43 – PODERIA SER PIOR


Havia uma mulher que vivia muito triste, achava que sua casa era feia e pequena ,
que a sua vida era muito sacrificada e que trabalhava demais.
A casa era simples, ficava em uma chácara grande, onde criavam uma vaca , um
cavalo, alguns porcos, patos e galinhas.
Seu marido era um homem saudável e bem humorado, procurava de todas formas
fazer com que ela e os três filhos fossem felizes,mas qual o que, a mulher vivia
reclamando com seu marido , maldizendo a vida que vivia e que ela tinha muito trabalho,
choramingava dizendo que ninguém no mundo era mais infeliz que ela.
Levantava-se cedo, logo com o sol, quando o galo cantava e ia para a cozinha fazer
o café.O marido já vinha logo em seguida, pegava a leiteira e ia tirar o leite da vaca.
Os filhos eram acordados por ela e logo ficavam prontos para ir à escola , pois a
condução para levá-los até lá, chegava cedo.
Todos tomavam o café com leite, pão e queijo e comiam algumas frutas da época,
fresquinhas, colhidas no quintal.
Depois que os filhos saiam para escola, ela ia alimentar os animais, e colocar a
roupa suja de molho na água e sabão.
Enquanto seu marido ia cuidar da horta, da plantação de milho e feijão ela se
ocupava da arrumação da casa.
No tempo em que a comida cozinhava ela lavava a roupa e estendia.
Quando as crianças voltavam da escola, ela chamava o marido e juntos faziam as
refeições, porém ,ela sempre vinha com muitas reclamações.
Dizia que faltava espaço na casa,que a sua vida era muito chata, que só saiam nos
finais de semana e que achava que seu marido deveria tomar alguma providência para
modificar a situação da família.
À tarde, os filhos e o marido se ocupavam dos serviços que não haviam sido feitos
na parte da manhã, consertavam cercas e faziam arrumações no sitio.
Um dia, não aguentando mais as reclamações da esposa, o marido resolveu
procurar um sábio que vivia nas proximidades e pediu-lhe um conselho.
- O que devo fazer para que minha esposa pare de reclamar da casa e do nosso
modo de viver?J á que não posso fazer nada para mudar esta situação, gostaria que ela
entendesse e parasse de reclamar.
O sábio aconselhou-o a ir colocando os animais para dentro de casa.Um dia o galo,
depois as cabras, os porcos, os patos e as galinhas.
- Tá louco? Minha mulher vai ficar mais infeliz ainda!
O sábio disse-lhe que obedecesse e que se a mulher reclamasse, dissesse que era
uma simpatia para que eles melhorassem de situação financeira , e que ele o sábio, é
que havia mandado.
O marido voltou para casa e fez exatamente o que o sábio mandara, no primeiro dia,
o galo, mesmo amarrado, andou quebrando umas louças e enchendo todo chão de
estrume. No dia seguinte, as cabras que foram para dentro de casa além de sujarem tudo,
deixavam um cheiro horrível e até comeram a toalha da mesa.
A mulher já estava quase louca, nem se lembrava mais de reclamar da vida, que
agora estava insuportável.Pior ficou quando o marido levou para dentro da casa os porcos
e as galinhas.A mulher não queria desobedecer o sábio, achava que ia ficar rica, portanto
aguentava tudo.
A família estava em pé de guerra, discutiam por tudo, viviam reclamando e ninguém
queria mais entrar em casa.Tudo virou um inferno, já não havia mais harmonia.
O homem desesperado foi procurar o sábio e este lhe mandou começar tirar os
animais, um por dia , assim como os havia colocado.
No primeiro dia com a saída dos porcos, todos já sentiram mais aliviados, no
segundo dia quando saíram as galinhas, a casa ficou quase habitável.Cada animal que foi
sendo retirado foi deixando a casa mais agradável e mais limpa.Assim com a retirada do
último animal, a casa já parecia um palácio em comparação com que era uns dias antes.
A mulher começou a arrumar e cuidar da casa, substituir por objetos novos o que
tinha sido quebrado e de repente a casa estava agradável e a vida muito melhor.
A partir daquele dia, ela não mais reclamou do tamanho da casa e nem da vida que
levava. O sábio veio e disse:
-Viu como a sua vida é boa?Poderia continuar a ser do jeito que foi até ha alguns
dias passados, mas veja como você é feliz agora!
Muitos de nós somos como a mulher dessa história, vivemos querendo algo que já
temos , só não sabemos valorizar!
É certo que temos sonhos, mas enquanto eles não se realizam não precisamos ficar
de mau humor ou culpar o mundo.

"A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que
somos feitos. (George Bernard Shaw)

(Autor Desconhecido)

























44 - A TRILHA DO BEZERRO

Certo dia, um bezerro precisou atravessar uma floresta virgem para voltar a seu
pasto. Sendo um animal irracional, abriu uma trilha tortuosa...cheia de curvas...subindo e
descendo colinas. No dia seguinte, um cão que passava por ali usou essa mesma trilha
torta para atravessar a floresta.
Depois foi a vez de um carneiro, líder de um rebanho, que fez seus companheiros
seguirem pela trilha torta.
Mais tarde, os homens começaram a usar esse caminho: entravam e saíam, viravam
a direita, à esquerda, abaixando-se, desviando-se de obstáculos, reclamando e praguejando
até com um pouco de razão... mas não faziam nada para mudar a trilha.
Depois de tanto uso, esta acabou virando uma estradinha onde os pobres animais
se cansavam sob cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas uma distância
que poderia ser vencida em, no máximo, uma hora, caso a trilha não tivesse sido aberta
por um bezerro.
Muitos anos se passaram e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo e,
posteriormente, a avenida principal de uma cidade . Logo, a avenida transformou-se no
centro de uma grande metrópole, e por ela passaram a transitar diariamente milhares de
pessoas, seguindo a mesma trilha torta feita pelo bezerro centenas de anos antes...
Os homens têm a tendência de seguir como cegos pelas trilhas de bezerros de
suas mentes, e se esforçam de sol a sol a repetir o que os outros já fizeram.
Contudo, a velha e sábia floresta ria daquelas pessoas que percorriam aquela trilha,
como se fosse um caminho único...sem se atrever a mudá-lo.
A propósito, qual é o seu caminho???
(Autor Desconhecido)

45 - JOGUE FORA SUAS BATATAS

O professor pediu para que os alunos levassem batatas e uma bolsa de plástico para
a aula.
Ele pediu para que separassem uma batata para cada pessoa de quem sentiam
mágoas, escrevessem os seus nomes nas batatas e as colocassem dentro da bolsa.
Algumas das bolsas ficaram muito pesadas.
A tarefa consistia em, durante uma semana, levar a todos os lados a bolsa com
batatas. Naturalmente a condição das batatas foi se deteriorando com o tempo.
O incómodo de carregar a bolsa, a cada momento, mostrava-lhes o tamanho do peso
espiritual diário que a mágoa ocasiona, bem como o fato de que, ao colocar a atenção na
bolsa, para não esquecê-la em nenhum lugar, os alunos deixavam de prestar atenção em
outras coisas que eram importantes para eles.
Esta é uma grande metáfora do preço que se paga, todos os dias, para manter a
dor, a bronca e a negatividade.
Quando damos importância aos problemas não resotvfdos ou às promessas não
cumpridas, nossos pensamentos enchem-se de mágoa, aumentando o stress e roubando
nossa alegria. Perdoar e deixar estes sentimentos irem embora é a única forma de
trazer de volta a paz e a calma. J ogue fora suas "batatas".

(Autor Desconhecido)



46 - O REI E O MENDIGO

Certa vez, um mendigo estava andando com um prato de arroz na mão, quando de
repente parou ao seu lado o rei daquele lugar. O Rei pediu para o mendigo um pouco do
seu arroz. O mendigo então olhou para o Rei e pensou: - Ele pode ter de tudo o que
quiser. E foi bem mesquinho. Pegou um único grão de arroz e deu ao Rei.
O Rei, então, fechou o grão dentro da mão do mendigo tocou seu cavalo e foi
embora. Quando o mendigo abriu a mão, levou um susto. O grão de arroz havia se
transformado em uma pepita de ouro.
Neste momento, o mendigo olhou para o prato de arroz e saiu correndo atrás do
Rei, dizendo: - Por favor, Majestade, pare. Eu mudei de idéia, tome mais do meu arroz.
Então o rei disse: - Não. Você já recebeu tudo aquilo que colocou na vida, de bom
grado e de bom Coração.
O que se recebe da vi da é aquilo que nela se coloca primeiro, nem mai s nem
menos. " É lei ". (Autor Desconhecido)

47 - QUESTÃO DE PONTO DE VISTA

Há algum tempo atrás, em um grande mosteiro, havia três aspirantes a monge que,
embora fossem os mais estudiosos e dedicados, discordavam sempre em suas colocações
sobre os mais variados assuntos.
Certa vez, abordaram entusiasmadamente o Monge mais sábio do mosteiro para
questioná-lo quanto a Verdade Absoluta. Todos colocavam sua visão como a verdadeira e
perguntavam ao mestre qual estaria certo, e porque então os outros dois estariam tão
equivocados.O Monge de forma sagaz encaminhou os três jovens a um grande salão
quadrado que possuía no centro uma espessa coluna, que continha em seu revestimento
diversos desenhos.Posicionou um em cada canto e se dirigiu ao canto que sobrou.
- Façamos de conta que esta grande coluna no centro do salão é a Verdade
Absoluta. E me respondam o que é a Verdade? - Falou então o Monge.
- A verdade é uma coluna forte, robusta, com um lindo desenho de um vaso com
flores, em um tom de carmim. – Disse o primeiro.
- A Verdade é o pilar que sustenta todo este salão e esta repleta de desenhos de
animais. Vejo um leão, um macaco e também um pássaro a voar. Disse o segundo.
- A coluna é um adorno a todo o ambiente, e possui desenhos futuristas pra época
em que foi criada. Há elementos místicos, como pirâmides e esfinges, mas também
observo espaçonaves que cruzam o céu na paisagem desenhada. Falou o 3º.
Após todas as colocações, o Monge espera alguns segundos e retruca.
- Pois pra mim, a Verdade é uma coluna formada de pedras com desenhos
abstratos e arabescos bonitos, mas sem sentido.
Então, agora lhes pergunto: - Qual é a Verdade Absoluta? Qual de nós esta certo?
Tendo aguardado alguns segundos e vendo que ninguém se pronunciava, o Monge
finaliza a lição.
- A Verdade Absoluta é uma só, assim como a Lei de Deus é imutável. Porém cada
um a vê de acordo com o seu entendimento e dependendo do seu ponto de vista.
Assim sendo, devemos sempre respeitar a opinião do outro, pois, se por acaso
conseguimos ter uma visão mais amplas da Verdade, cabe a nós perceber as possíveis
limitações do outro, e com o nosso exemplo auxiliá-lo a ampliar seu ângulo de visão, ou
até mesmo, trocar de lugar com ele, pra que possamos perceber o que ele pode ver e
propiciar ao outro ver através de nós. (Autor Desconhecido)
48 - A ESCOLA DA VIDA

Um erudito atravessava de barco um rio e, conversando com o barqueiro,
perguntou: — Diga-me uma coisa: você sabe botânica?
O barqueiro olhou para o erudito e respondeu:
— Não muito, senhor. Não sei que história é essa...
— Você não sabe botânica, a ciência que estuda as plantas? Que pena! Você
perdeu parte de sua vida!
O barqueiro continua remando. Pergunta novamente o erudito:
— Diga-me uma coisa: você sabe astronomia?
O coitado do caiçara barqueiro, analfabeto, balançou a cabeça e disse:
— Não senhor, não sei o que é astronomia.
— Astronomia é a ciência que estuda os astros, o espaço, as estrelas.
Que pena! Você perdeu parte da sua vida.
E assim foi perguntando a respeito de cada ciência: astrofogia, física, química, e
de nada o barqueiro sabia. E o erudito sempre terminava com seu refrão: "Que pena!
Você perdeu parte da sua vida...".
De repente, o barco bateu contra uma pedra, rompeu-se e começou a afundar...
E o barqueiro perguntou ao erudito:
— O senhor sabe nadar?
— Não, não sei,
- Que pena, o senhor perdeu toda a sua vida !!
(Autor Desconhecido)

49 - VOO DA BRITISH AIRWAYS

Num voo da British Airways entre J ohanesburgo e Londres, uma senhora
branca de uns cinquenta anos senta-se ao lado de um negro. Ela chama a aeromoça
para se queixar. - Qual é o problema, senhora? - pergunta a aeromoça.
— Mas você não esta vendo? - responde a senhora - Você me colocou ao
lado de um negro. Eu não consigo ficar ao lado deste tipo de gente. Me dê um
outro assento.
— Por favor, acalme-se - diz a aeromoça - Quase todos os lugares deste voo
estão tomados. Vou ver se há algum lugar na executiva ou na primeira classe.
A aeromoça se afasta e volta alguns minutos depois,
— Minha senhora - explica a aeromoça - como eu suspeitava, não há nenhum
lugar vago na classe económica. Eu conversei com o comandante que confirmou
que não há mais lugar na executiva. Entretanto, ainda temos um assento na 1ª. classe.
Antes que aquela senhora pudesse responder algo, a aeromoça continuou:
— É totalmente inusitado a companhia conceder um assento de primeira
classe a alguém da classe econômica, mas, dadas as circunstâncias, o comandante
considerou que seria escandaloso que alguém seja obrigado a sentar-se ao lado de
uma pessoa tão execrável...
E, dizendo isso, ela se vira para o negro e diz:
— Se o senhor quiser fazer o favor de pegar seus pertences, eu já preparei o
assento da primeira classe para o senhor...
E todos os passageiros ao redor que acompanharam a cena se levantaram e
bateram palmas para a atitude da companhia.

(Autor Desconhecido)
50 - O ANEL

Um aluno chegou a seu professor com um problema: "Venho aqui porque me sinto tão
pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Dizem que não sirvo para nada, que não
faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para
que me valorizem mais?"
O professor, sem olhá-lo, disse: "Sinto muito meu jovem, mas agora não posso ajudá-lo.
Devo primeiro resolver o meu próprio problema. Talvez, depois."
E, fazendo uma pausa, falou: "Se você me ajudar, eu posso resolver meu problema
com mais rapidez e depois, talvez, possa ajudá-lo."
"Claro, professor!", gaguejou o jovem.
O professor, então, tirou um anel que usava no dedo pequeno, deu ao garoto e
disse: "Monte no cavalo e vá até o mercado. Deve vender esse anel porque tenho que pagar
uma dívida. É preciso que obtenha pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que
uma moeda de ouro."
O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado e começou a oferecer o anel
aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto
pretendia pelo anel.
Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem
ao menos olhar para ele. Só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda
de ouro era muito valiosa para comprar um anel. Tentando ajudar o jovem, chegaram a
oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de
não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.
Depois de oferecer a jóia a todos que passavam pelo mercado, abatido pelo fracasso,
montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo
pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor para poder receber
a sua ajuda e conselhos. Entrou na casa e disse: "Professor, sinto muito, mas é impossível
conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas
não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel."
"Importante o que me disse, meu jovem", contestou, sorridente. E disse: "Devemos
saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor
para saber o valor exato do anel? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dá
por ele. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda. Volte aqui com o meu anel."
O jovem foi ao joalheiro e lhe deu o anel para examinar. Ele examinou o anel com
uma lupa, pesou-o e disse: "Diga ao seu professor que, se ele quer vender agora, não posso
dar mais que 58 moedas de ouro." "58 MOEDAS DE OURO!", pestanejou o jovem.
"Sim", retrucou o joalheiro. "Eu sei que com o tempo eu poderia oferecer cerca de 70
moedas, mas se a venda é urgente..."
O jovem correu emocionado à casa do professor para contar o que ocorreu. "Sente-se",
disse o professor. E depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, falou calmamente: "Você é
como esse anel, uma jóia valiosa e única. Só pode ser avaliada por um especialista. Pensava
que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor?" E dizendo isso voltou a colocar o
anel no dedo.
Todos nós somos como jóia: valiosa e única. Andamos pelos mercados da vida
pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem, mas só um especialista, J esus, o
Grande J oalheiro, sabe o seu real valor. Portanto, repense o seu valor!

(Autor Desconhecido)


51 - O CESTO E A ÁGUA

Um discípulo chegou para seu mestre e perguntou:
— Mestre, por que devemos ler e decorar a Palavra de Deus se nós não
conseguimos memorizar tudo e com o tempo acabamos esquecendo? Somos obrigados a
constantemente decorar de novo o que já esquecemos.
O mestre não respondeu imediatamente ao seu discípulo. Ele ficou olhando para o
horizonte por alguns minutos e depois ordenou ao discípulo:
— Pegue aquele cesto de junco, desça até o riacho, encha o cesto de água e traga
até aqui.
O discípulo olhou para o cesto sujo e achou muito estranha a ordem do mestre,
mas, mesmo assim, obedeceu. Pegou o cesto, desceu os cem degraus da escadaria do
mosteiro até o riacho, encheu o cesto de água e começou a subir. Como o cesto era todo
cheio de furos, a água foi escorrendo e quando chegou até o mestre já não restava nada.
O mestre perguntou-lhe:
— Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo olhou para o cesto vazio e disse, jocosamente:
— Aprendi que cesto de junco não segura água.
O mestre ordenou-lhe que repetisse o processo.
Quando o discípulo voltou com o cesto vazio novamente, o mestre perguntou-lhe:
— Então, meu filho, e agora, o que você aprendeu?
O discípulo novamente respondeu com sarcasmo:
— Que cesto furado não segura água.
O mestre, então, continuou ordenando que o discípulo repetisse a tarefa.
Depois da décima vez, o discípulo estava desesperadamente exausto de tanto
descer e subir as escadarias.
Porém, quando o mestre lhe perguntou de novo:
— Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo, olhando para dentro do cesto, percebeu admirado:
— O cesto está limpo! Apesar de não segurar a água, a repetição constante de
encher o cesto acabou por lavá-lo e deixá-lo limpo.
O mestre, por fim, concluiu:
— Não importa que você não consiga decorar todas as passagens da Bíblia que
você lê, o que importa, na verdade, é que, no processo, a sua mente e a sua vida ficam
limpas diante de Deus.

(Autor Desconhecido)













52 - O FRIO QUE VEM DE DENTRO

Conta-se que seis homens ficaram presos numa caverna por causa de uma
avalanche de neve. Teriam que esperar até o amanhecer para receber socorro. Cada um
deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se
aqueciam.
Eles sabiam que se o fogo apagasse todos morreriam de frio antes que o dia
clareasse. Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira
de poderem sobreviver.
O primeiro homem era racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e
descobriu que um deles tinha a pele escura.
Então, raciocinou consigo mesmo: "Aquele negro! J amais darei minha lenha para
aquecer um negro". E guardou-a protegendo-a dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Estava ali porque esperava receber os
juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um homem da montanha que trazia sua pobreza
no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas.
Ele calculava o valor da sua lenha e, enquanto sonhava com o seu lucro, pensou:
"Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso? Nem pensar”.
O terceiro homem era o negro. Seus olhos faiscavam de ressentimento. Não havia
qualquer sinal de perdão ou de resignação que o sofrimento ensina.
Seu pensamento era muito prático: "É bem provável que eu precise desta lenha
para me defender. Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me
oprimem". E guardou suas lenhas com cuidado.
O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os
caminhos, os perigos e os segredos da neve. Ele pensou: "Esta nevasca pode durar vários
dias. Vou guardar minha lenha".
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para
as brasas, nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que carregava. Estava
preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.
O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos os sinais
de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido. "Esta lenha é minha. Custou o
meu trabalho. Não darei a ninguém nem mesmo o menor dos gravetos".
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da
fogueira se cobriu de cinzas e, finalmente, apagou.
No alvorecer do dia, quando os homens do socorro chegaram à caverna,
encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha. Olhando
para aquele triste quadro, o chefe da equipe de socorro disse:
– O frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro.

(Autor Desconhecido)










53 - O PRESENTE DAS ROSAS

Três homens, sendo um ingrato, um conformado e um generoso, foram visitados, no
mesmo instante e local, por um Gênio saído da Lâmpada.
Diante do inusitado, um deles falou:
- Gênio, que nos trazes?
- Rosas! - disse o Gênio.
E abrindo seu manto mágico, dele retirou três lindos buquês de rosas, que ofereceu
aos visitados, entregando um para cada.
Antes de partir, olhou-os fixamente e, percebendo algum desapontamento por conta
da simplicidade de sua oferta, justificou-se:
- Rosas! Porque elas são jóias de Deus: deixam a vida mais rica e bela!
Os homens se entreolharam surpresos e, após se despedirem, cada um seguiu seu
destino, dando finalidade diferente ao presente recebido.
O ingrato, maldizendo sua falta de sorte por haver encontrado um Gênio e dele
recebido apenas flores, jogou-as num rio próximo.
O conformado, embora entristecido pela singeleza do presente, levou-as para casa,
depositando-as num jarro.
O generoso, feliz pela oportunidade que tinha em mãos, decidiu repartir seu
presente com os outros. Foi visto pela cidade distribuindo rosas, de porta em porta, com
um detalhe: quanto mais rosas ele ofertava, mais seu buquê crescia em tamanho, beleza e
perfume. Ao final, retornou para casa com uma carruagem repleta de rosas.
No dia seguinte, no mesmo local e instante, os três homens se reencontraram e, de
súbito, ressurgiu o Gênio da véspera.
- Gênio, que desejas? - disse um deles.
- Que as vossas rosas se transformem em jóias! - disse o Gênio.
Desta forma, o homem generoso encontrou em casa uma carruagem repleta de
joias, extraordinariamente belas, tornando-se rico comerciante.
O homem conformado, retornando imediatamente para seu lar, encontrou
pendurado sobre o jarro onde depositara as rosas, um lindo e valioso colar de pérolas.
Resignou-se em ofertá-lo para sua esposa.
O homem ingrato, dirigiu-se ao lugar onde jogara o buquê de rosas, viu, refletindo
sobre as águas, um brilho intenso, próprio de jóias valiosas, que sumiu de seus olhos
quando se atirou ao rio no propósito de alcançá-las.
Morreu afogado.
Afogado na própria ingratidão.
Afogado na falta de visão das coisas.
Afogado com o coração cheio de mágoas e de arrependimento.

(Autor Desconhecido)










54 - O COBRADOR

Depois de um dia de caminhada pela mata, mestre e discípulo retornavam ao
casebre, seguindo por uma longa estrada.
Ao passarem próximo a uma moita de samambaia, ouviram um gemido. Verificaram
e descobriram, caído, um homem.
Estava pálido e com uma grande mancha de sangue, próximo ao coração. O
homem tinha sido ferido e já estava próximo da inconsciência.
Com muita dificuldade, mestre e discípulo carregaram o homem para o casebre
rústico, onde trataram do ferimento.
Uma semana depois, já restabelecido, o homem contou que havia sido assaltado e
que ao reagir fora ferido por uma faca. Disse que conhecia seu agressor, e que não
descansaria enquanto não se vingasse. Disposto a partir, o homem disse ao sábio:
- Senhor, muito lhe agradeço por ter salvo minha vida. Tenho que partir e levo
comigo a gratidão por sua bondade. Vou ao encontro daquele que me atacou e vou fazer
com que ele sinta a mesma dor que senti.
O mestre olhou fixo para o homem e disse:
- Vá e faça o que deseja. Entretanto, devo informá-lo de que você me deve três mil
moedas de ouro, como pagamento pelo tratamento que lhe fiz.
O homem ficou assustado e disse:
- Senhor, é muito dinheiro. Sou um trabalhador e não tenho como lhe pagar esse
valor!
- Se não podes pagar pelo bem que recebestes, com que direito queres cobrar o
mal que lhe fizeram?
O homem ficou confuso e o mestre concluiu:
- Antes de cobrar alguma coisa, procure saber quanto você deve. Não faça
cobrança pelas coisas ruins que te aconteçam nessa vida, pois essa vida pode lhe cobrar
tudo que você deve. E com certeza você vai pagar muito mais caro.
A vingança nos torna iguais ao inimigo; o perdão faz-nos superiores a ele.

" O fraco jamais perdoa, o perdão é característica do forte."

(Mahatma Gandhi )


(Autor Desconhecido)














55 - O JOVEM RAPAZ E A ESTRELA DO MAR

Um homem sábio fazia um passeio pela praia, ao alvorecer.
Ao longe, avistou um jovem rapaz que parecia dançar ao longo das ondas.
Ao se aproximar, percebeu que o jovem pegava estrelas do mar da areia e as
atirava suavemente de volta à água.
E então o homem sábio lhe perguntou:

“O que você está fazendo?”
“O sol está subindo e a maré está baixando: se eu não as devolver ao mar, irão
morrer.”
“Mas, meu caro jovem, há quilômetros e quilômetros de praias cobertas de estrelas
do mar... Você não vai fazer qualquer diferença.”

O jovem se curvou, pegou mais uma estrela do mar e atirou-a carinhosamente de
volta ao oceano, além da arrebentação das ondas.
E retrucou:

“Fiz diferença para essa aí.”

A atitude daquele rapaz representa alguma coisa de especial que existe em nós.
Todos fomos dotados da capacidade de fazer diferença.
Cada um de nós pode moldar o próprio futuro.
Cada um de nós tem o poder de ajudar nossos semelhantes a terem um futuro
melhor.


Visão sem ação não passa de um sonho.
Ação sem visão é só um passatempo.
Visão com ação pode mudar o mundo.


(Uma história inspirada em Loren Eiseley – J oel Arthur Barker)

















56 - O SUSSURRO DO CORAÇÃO

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? - questionou
novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro
discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
- Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
Então ele esclareceu:
- Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato
é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para
cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais
aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da
grande distância.
Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não
gritam. Falam suavemente. E por quê?
Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às
vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.
E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se
olham, e basta. Seus corações se entendem.
É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
Por fim, o pensador conclui, dizendo:
- Quando vocês discutirem, não deixe que seus corações se afastem, não digam
palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que
não mais encontrarão o caminho de volta.

Mahatma Gandhi



















57 – A ARTE DE VIVER JUNTOS

Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente
e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais
formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da
tribo...
- Nós nos amamos... e vamos nos casar - disse o jovem. E nos amamos tanto que
queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... alguma coisa que nos garanta que
poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até
encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma
palavra, disse:
- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma
rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte... e trazê-lo aqui com vida,
até o terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá
em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e
uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão
recomendada... no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com
as aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos... e viu eram
verdadeiramente formosos exemplares...
- E agora o que faremos? - perguntou o jovem - as matamos e depois bebemos a
honra de seu sangue? Ou as cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? -
propôs a jovem.
- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas
com essas fitas de couro... quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem
livres...
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros... a
águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos
depois, irritadas pela incapacidade do vôo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se
até se machucar.
E o velho disse:
- J amais esqueçam o que estão vendo... este é o meu conselho. Vocês são como a
águia e o falcão... se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só
viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao
outro... Se quiserem que o amor entre vocês perdure... voem juntos... mas jamais
amarrados.

(Lenda Indígena – Fonte: Internet)








58 - DEFINIÇÃO DE SAUDADE

Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação
profissional (...) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados
pelos meus pacientes. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela
adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus
primeiros passos como profissional... Comecei a freqüentar a enfermaria infantil e
apaixonei-me pela oncopediatria. Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças
vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me
acovardar ao ver o sofrimento das crianças.
Até o dia em que um anjo passou por mim!
Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos
anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos
pelos programas de químicos e radioterapias.
Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo
em seus olhinhos; porém, isso é humano!
Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto.
Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar
profunda emoção.
- Tio, - disse-me ela - às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos
corredores... Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não
tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida! Indaguei:
- E o que morte representa para você, minha querida?
- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso
pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? (Lembrei das minhas filhas,
na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia exatamente assim.) - É isso
mesmo.
- Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na
minha vida verdadeira!
Fiquei "entupigaitado", não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o
sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.
- E minha mãe vai ficar com saudades - emendou ela.
Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:
- E o que saudade significa para você, minha querida?
- Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais
direta e simples para a palavra saudade: “ é o amor que fica”

ATITUDE É TUDO!!!

Seja mais humano e agradável com as pessoas. Cada uma das pessoas com quem você
convive está travando algum tipo de batalha.
- Viva com simplicidade.
- Ame generosamente.
- Cuide-se intensamente.
- Fale com gentileza.
- E, principalmente, NÃO RECLAME!

Artigo do Dr. Rogério Brandão, Médico oncologista
59 - A HISTÓRIA DOS MACACOS

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos em uma jaula. No meio da jaula,
uma escada, e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada
para pegar as bananas, um jato de água fria era acionado em cima dos que estavam no
chão. Depois de um certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros
pegavam-no e enchiam-no de pancada. Com mais algum tempo, mais nenhum macaco
subia a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa
que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros, que o surraram. Depois de
algumas surras, o novo integrante do grupo já não mais subia a escada.
Um segundo macaco, veterano, foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro
substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o
mesmo ocorreu. Um quarto e, afinal, o último dos veteranos, foram substituídos.
Os cientistas, então, ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca
tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as
bananas.
Se possível fosse perguntar a algum deles por que batiam em quem tentasse subir a
escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, mas as coisas sempre foram assim por
aqui..."
(Autor Desconhecido)

60 - O VAGALUME E A SERPENTE

Conta a lenda que uma vez uma serpente começou a perseguir um vagalume.
Este fugia rápido da feroz predadora, e a serpente não desistia.
Primeiro dia, ela o seguia. Segundo dia, ela o seguia...
No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume parou e falou à serpente:
- Posso te fazer três perguntas?
- Não estou acostumada a dar este precedente a ninguém, porém, como vou te
devorar, podes perguntar contestou a serpente.
- Pertenço a tua cadeia alimentícia? Perguntou o Vagalume.
- Não, respondeu a serpente.
- Eu te fiz algum mal? Diz o vagalume.
- Não, tornou a responder a serpente.
- Então por que queres acabar comigo?
- Porque não suporto ver-te brilhar.

Conclusões:
Muitas vezes nos envolvemos em situações nas quais nos perguntamos:
Por que isso me acontece se não fiz nada de mal, nem causei dano a ninguém?
Certamente a resposta seria: Porque não suportam ver-te brilhar... !
Quando isso acontecer, não deixe diminuir seu brilho.
Continue sendo você mesmo, segue fazendo o melhor!
Não permita que te lastimem, nem que te retardem.
Segue brilhando e não poderão tocar-te... porque tua luz continuará intacta.
Tua essência permanecerá, aconteça o que acontecer...
Seja sempre autêntico, embora tua luz incomode os predadores!

(Autor Desconhecido)
61 - NÃO DEIXE OS OUTROS DECIDIREM COMO VOCÊ DEVE AGIR

Eu acompanhava um amigo à banca de jornal. Meu amigo cumprimentou o
jornaleiro amavelmente, mas, como retorno, recebeu um tratamento rude
e grosseiro.
Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, meu amigo sorriu
atenciosamente e desejou ao jornaleiro um bom final de semana.
Quando nós descíamos pela rua, perguntei:
- Ele sempre lhe trata com tanta grosseria?
- Sim, infelizmente é sempre assim.
- E você é sempre tão atencioso e amável com ele?
- Sim, sempre sou.
- Por que você é tão educado, já que ele é tão rude com você?
- Porque não quero que ele decida como eu devo agir.
Nós somos nossos "próprios donos". Não devemos nos curvar diante de
qualquer vento que sopra, nem estar à mercê do mau humor, da
mesquinharia, da impaciência e da raiva dos outros. Não são os
ambientes que nos transformam e sim nós que transformamos os
ambientes.
"Para saber quantos amigos você tem, dê uma festa."
"Para saber a qualidade deles, fique doente!"
(Autor Desconhecido)

62 - A PAZ PERFEITA

Havia um rei que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar
numa pintura a paz perfeita. Foram muitos os artistas que tentaram.
O rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele
realmente gostou e teve que escolher entre ambas.
A primeira era um lago muito tranqüilo. Este lago era um espelho perfeito onde se
refletiam umas plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre elas encontrava-se um céu
muito azul com tênue nuvens brancas. Todos os que olharam para esta pintura pensaram
que ela refletia a paz perfeita.
A segunda pintura também tinha montanhas. Mas estas eram escabrosas e estavam
despidas de vegetação. Sobre elas havia um céu tempestuoso do qual se precipitava um
forte aguaceiro com faíscas e trovões. Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa
torrente de água. Tudo isto se revelava nada pacífico.
Mas, quando o rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia
um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto encontrava-se um ninho. Ali,
no meio do ruído da violenta camada de água, estava um passarinho placidamente
sentado no seu ninho.
Paz perfeita. Qual pensas que foi a pintura ganhadora?
O rei escolheu a segunda. Sabes por quê?
"Porque", explicou o rei: "paz não significa estar num lugar sem ruídos, sem
problemas, sem trabalho árduo ou sem dor."
"Paz significa que, apesar de se estar no meio de tudo isso, permanecemos calmos
no nosso coração."
"Este é o verdadeiro significado da paz"

(Autor Desconhecido)
63 - DEUS NUNCA ERRA

Um rei que não acreditava na bondade de DEUS. Tinha um servo que em todas as
situações lhe dizia: Meu rei, não desanime porque tudo que Deus faz é perfeito, Ele não
erra!
Um dia eles saíram para caçar e uma fera atacou o rei. O seu servo conseguiu
matar o animal, mas não pôde evitar que sua majestade perdesse um dedo da mão.
Furioso e sem mostrar gratidão por ter sido salvo, o nobre disse: Deus é bom? Se
Ele fosse bom eu não teria sido atacado e perdido o meu dedo.
O servo apenas respondeu: Meu Rei, apesar de todas essas coisas, só posso dizer-
lhe que Deus é bom; e ele sabe o porquê de todas as coisas.
O que Deus faz é perfeito. Ele nunca erra! Indignado com a resposta, o rei mandou
prender o seu servo. Tempos depois, saiu para uma outra caçada e foi capturado por
selvagens que faziam sacrifícios humanos.
J á no altar, prontos para sacrificar o nobre, os selvagens perceberam que a vítima
não tinha um dos dedos e soltaram-no: ele não era perfeito para ser oferecido aos deuses.
Ao voltar para o palácio, mandou soltar o seu servo e recebeu-o muito
afetuosamente. Meu caro, Deus foi realmente bom comigo! Escapei de ser sacrificado
pelos selvagens, justamente por não ter um dedo!
Mas tenho uma dúvida: Se Deus é tão bom, por que permitiu que você, que tanto o
defende, fosse preso?
Meu rei, se eu tivesse ido com o senhor nessa caçada, teria sido sacrificado em seu
lugar, pois não me falta dedo algum. Por isso, lembre-se: Tudo o que Deus faz é perfeito.
Ele nunca erra! Muitas vezes nos queixamos da vida e das coisas aparentemente
ruins que nos acontecem, esquecendo-nos que nada é por acaso e que tudo tem um
propósito. Toda a manhã ofereça seu dia a Deus.
Peça para Deus inspirar os seus pensamentos, guiar os seus atos, apaziguar os
seus sentimentos. E nada tema, pois DEUS NUNCA ERRA!!!

(Autor Desconhecido)

64 - A FÁBULA DO PORCO-ESPINHO

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim
se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os
companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer
congelados.
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os
espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma
pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
E assim sobreviveram.

Moral da História:
O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde
cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.

(Autor Desconhecido)
65 - O JARDIM (QUESTÃO DE ESTRATÉGIA)


Um senhor vivia sozinho em Minnesota.
Ele queria virar a terra de seu jardim para plantar flores, mas era um trabalho muito
pesado.
Seu único filho, que o ajudava nesta tarefa, estava na prisão.
O homem então escreveu a seguinte carta ao filho:
‘Querido filho, estou triste, pois não vou poder plantar meu jardim este ano.
Detesto não poder fazê-lo, porque sua mãe sempre adorava as flores, e esta é a
época do plantio.
Mas eu estou velho demais para cavar a terra.
Se você estivesse aqui, eu não teria esse problema, mas sei que você não pode me
ajudar, pois estás na prisão.
Com amor, Seu pai.’

Pouco depois, o pai recebeu o seguinte telegrama:
‘PELO AMOR DE DEUS, pai, não escave o jardim! Foi lá que eu escondi os corpos’
Como as correspondências eram monitoradas na prisão...
Às quatro da manhã do dia seguinte, uma dúzia de agentes do FBI e policiais
apareceram, e cavaram o jardim inteiro, sem encontrar nenhum corpo.
Confuso, o velho escreveu uma carta ao filho contando o que acontecera.
Esta foi a resposta:
‘Pode plantar seu jardim agora, pai. Isso é o máximo que eu posso fazer no
momento.’


ESTRATÉGIA É TUDO !!!

Nada como uma boa estratégia para conseguir coisas que parecem impossíveis.
Assim, é importante repensar sobre as pequenas coisas que muitas vezes nós
mesmos colocamos como obstáculos em nossas vidas.
‘Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional’

(Autor Desconhecido)








66 - POTES RACHADOS



Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em
cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessada em seu pescoço.
Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava
cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe; e o pote rachado
chegava apenas pela metade.
Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de
água na casa de seu chefe. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações.
Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se
miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que ele havia sido designado a
fazer.
Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o
homem um dia a beira do poço.
- "Estou envergonhado, e quero pedir-lhe desculpas."
- "Por que?" Perguntou o homem. - "De que você está envergonhado?"
- "Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas a metade da minha carga,
porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa
de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não
ganha o salário completo dos seus esforços,", disse o pote.
O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- "Quando retornarmos para a casa de meu senhor, quero que percebas as flores ao
longo do caminho."
De fato, a medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores
selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu certo ânimo.
Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e
de novo pediu desculpas ao homem por sua falha.
Disse o homem ao pote:
- "Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado. Eu ao conhecer o seu
defeito, tirei vantagem dele. E lancei sementes de flores no seu lado do caminho, e cada
dia enquanto voltávamos do poço, você as regava. Por dois anos eu pude colher flores
para ornamentar a mesa de meu senhor. Sem você ser do jeito que você é, ele não
poderia ter esta beleza para dar graça a sua casa."
Cada um de nós temos nossos próprios e únicos defeitos. Todos nos somos potes
rachados. Porém, se permitirmos, o Senhor vai usar estes nossos defeitos para embelezar
a mesa de Seu Pai.
Na grandiosa economia de Deus, nada se perde. Nunca deveríamos ter medo dos
nossos defeitos. Se os reconhecermos, eles poderão causar beleza. Das nossas
fraquezas, podemos tirar forças.

(Autor Desconhecido)







67 – ECOS DA VIDA

Um filho e um pai caminhavam pela montanha
De repente , o menino cai , se machuca e grita :
- Ai !!!!!!!
Para sua surpresa , escuta sua voz se repetindo em algum lugar da montanha :
- Ai !!!!!!!
Curioso o menino pergunta :
- Quem é você ?
E recebe como resposta :
- Quem é você ?
Contrariado grita :
- Seu covarde !
E escuta como resposta :
- Seu covarde !
O menino olha para o pai e pergunta , aflito :
- O que é isso ?
O pai sorri e fala :
- Meu filho , preste atenção .
Então o pai grita em direção à montanha :
- Eu admiro você !
A voz responde :
- Eu admiro você !
De novo o homem grita :
- Você é um campeão !
A voz responde :
- Você é um campeão !
E o seu pai explica :
- As pessoas chamam isso ECO , mas , na verdade , isso é a VIDA .

A VIDA lhe dá de volta tudo o que você DIZ, tudo que você DESEJ A DE BEM E DE
MAU AOS OUTROS, a VIDA lhe devolverá toda a BLASFÊMIA, INVEJ A,
INCOMPREENSÃO, FALTA DE HONESTIDADE que você desejou , praguejou às pessoas
que lhe cercam como por exemplo o que muitos pais dizem à seus filhos VOCÊ NÃO VAI
SER NADA NESTA VIDA , o poder da palavra de um pai sobre um filho é muito grande e
repare à sua volta, muitos fazem isto.
NOSSA VIDA é simplesmente o REFLEXO das nossas ações.
Se você quer mais AMOR, COMPREENSÃO, SUCESSO, HARMONIA,
FELICIDADE, crie mais AMOR, COMPREENSÃO, HARMONIA, no seu coração.
Se agir assim, a VIDA lhe dará FELICIDADE, SUCESSO, AMOR das pessoas que
lhe cercam.

(Autor Desconhecido)







68 - A LENDA DO CAVALO QUE CAIU NO POÇO

Um fazendeiro, que lutava com muitas dificuldades, possuía alguns cavalos para
ajudar nos trabalhos em sua pequena fazenda. Um dia, seu capataz veio trazer a notícia
de que um dos seus cavalos havia caído num velho poço abandonado.
O fazendeiro foi rapidamente ao local do acidente, avaliou a situação, certificando-
se de que o animal não se machucara, mas pela dificuldade e o alto custo de retirá-lo do
fundo do poço, achou que não valeria a pena investir numa operação de resgate.
Tomou então a difícil decisão: determinou ao capataz que sacrificasse o animal,
jogando terra no poço até enterrá-lo ali mesmo. E assim foi feito. Os empregados,
comandados pelo capataz começaram a jogar terra para dentro do buraco de forma a
cobrir o cavalo. Mas à medida que a terra caía em seu dorso, o animal sacudia e ela ia se
acumulando no fundo, possibilitando ao cavalo ir subindo. Logo, os homens perceberam
que o cavalo não se deixava enterrar, mas ao contrário, estava subindo à medida que a
terra enchia o poço, até que enfim, conseguiu sair. Sabendo do caso, o fazendeiro ficou
muito satisfeito e o cavalo viveu ainda muitos anos servindo ao dono da fazenda.

Moral da História: . Não aceite a terra que cai sobre você... Sacuda-a e suba sobre ela. E,
quanto mais terra, mais você vai subindo... subindo... subindo, aprendendo a sair do
buraco. Pense nisso! (Autor Desconhecido)
69 - O VESTIDO AZUL
Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita. Ela
freqüentava a escola local. Sua mãe não tinha muito cuidado e a criança quase sempre se
apresentava suja. Suas roupas eram muito velhas e maltratadas.
O professor ficou penalizado com a situação da menina: "Como é que uma menina
tão bonita, pode vir para a escola tão mal arrumada?".
Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade, resolveu lhe
comprar um vestido novo. Ela ficou linda no vestido azul.
Quando a mãe viu a filha naquele lindo vestido azul, sentiu que era lamentável que
sua filha, vestindo aquele traje novo, fosse tão suja para a escola. Por isso, passou a lhe
dar banho todos os dias, pentear seus cabelos, cortar suas unhas.
Quando acabou a semana, o pai falou: - Mulher, você não acha uma vergonha que
nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more em um lugar como este, caindo aos
pedaços? Que tal você ajeitar a casa? Nas horas vagas, eu vou dar uma pintura nas
paredes, consertar a cerca e plantar um jardim.
Logo mais, a casa se destacava na pequena vila pela beleza das flores que enchiam
o jardim, e o cuidado em todos os detalhes. Os vizinhos ficaram envergonhados por morar
em barracos feios e resolveram também arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura
e criatividade.
Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado. Um homem, que acompanhava
os esforços e as lutas daquela gente, pensou que eles bem mereciam um auxílio das
autoridades. Foi ao prefeito expor suas idéias e saiu de lá com autorização para formar
uma comissão para estudar os melhoramentos que seriam necessários ao bairro.
A rua de barro e lama foi substituída por calçada de pedra. Os esgotos a céu aberto
foram canalizados e o bairro ganhou ares de cidadania.
Vendo aquele bairro tão bonito e tão bem cuidado, quem poderia imaginar que tudo
começou com um vestido azul? (Autor Desconhecido)

70 – SORTE OU AZAR

No passado remoto de uma pobre aldeia da longínqua China, havia um menino que
desejava fortemente ser dono de um cavalo. Porém os seus pais eram tão desprovidos de
recursos, assim como todos naquela aldeia e, por isso, jamais poderiam realizar o sonho
do pequeno filho. Embora soubesse daquela situação, e consciente da sua vida simples, o
menino mantinha aceso o seu desejo ao longo dos anos.
Em uma manhã passou pela estrada uma tropa, cujo dono era um generoso nobre
que rumava para o norte levando consigo seus pertences, ouros e cavalos, inclusive um
potro puro sangue que estava atrapalhando a marcha. A tropa necessitava de uma parada
de descanso, dar água e alimento aos cavalos, e acabaram recebidos na humilde
propriedade dos pais do menino. Foi quando o nobre senhor soube da história e,
comovido, deu ao garoto o potro. A notícia espalhou-se rapidamente e toda aldeia foi à
cabana do jovem, para cumprimentar seu pai, dizendo:
– Seu filho tem muita sorte. Sonhou tanto que conseguiu realizar o seu sonho. É,
seu filho tem muita sorte: ganhar um potro puro sangue de um senhor tão generoso!
– Pode ser sorte, pode ser azar... - Filosofou o pai.
Durante os dois anos que se seguiram o jovem cuidou do proto até se tornar um
belo garanhão, com o qual todos o viam galopar pela região. O jovem certamente era
muito feliz... Contudo, numa tarde primaveril passou por aquelas bandas uma égua fogosa
e o garanhão a seguiu, desaparecendo com ela em meio à pradaria. O povo da aldeia,
novamente sem demora alguma, disse ao pai do garoto:
– Seu filho tem muito azar! Sonhou tanto com o cavalo, conseguiu um, tratou com
esmero durante dois anos completos e, de repente, o cavalo foge! Seu filho tem muito
azar!
O pai do jovem respondeu mais uma vez em tom reflexivo:
– Pode ser sorte, pode ser azar... Um ano e meio depois voltam ao pasto do rapaz o
cavalo, a égua e mais um potrinho, fruto da união dos dois. Reza a lei das aldeias chinesas
que, ao adentraram um campo, os animais pertencem ao dono da propriedade em que se
encontram. Portanto, naquele momento o jovem tornou-se o dono dos três belos eqüinos.
E pela terceira vez, a população inteira da aldeia diz ao pai quão grande é a sorte de seu
filho. O pai do jovem diz:
– Pode ser sorte, pode ser azar... Mais uma vez o jovem cuida com amor e carinho
do outro potrinho. Outros dois longos e prósperos anos passam seguindo e aumentando a
cada dia a felicidade do rapaz. Todos os aldeões podiam ver ao longe o jovem cavalgando
pelas pradarias... Num desses momentos, uma cobra aparece no meio do pasto
assustando o cavalo, e provocando a abrupta queda do rapaz, que fratura as duas pernas!
Antes mesmo que ele fosse socorrido e acomodado em sua casa, o povo da aldeia já
contava com pesar o infortúnio do jovem: “Este rapaz tem muito azar! Quebrar logo as
duas pernas de uma única vez?! E logo desta triste forma, caindo do cavalo que foi tratado
com tanto carinho!” Sem abalar-se o pai responde como sempre: “Pode ser sorte, pode ser
azar...”
Na semana seguinte é declarada uma guerra civil entre as aldeias do lugar e todos
os jovens, senhores e meninos devem servir à defesa de suas terras. Todavia, para aquele
garoto a história seria outra, pois, com as duas pernas quebradas, não pode alistar-se.
Mesmo em meio à guerra, os aldeões correm a dizer ao pai que seu filho tinha uma sorte
danada!
Moral da história: o importante é compreender que tudo depende do que virá depois.

(Autor Desconhecido)
71 - O PAI NÃO DESISTE NUNCA



Havia um homem muito rico, possuía muitos bens, uma grande fazenda, muito gado
e vários empregados a seu serviço. Tinha ele um único filho, um único herdeiro, que, ao
contrário do pai, não gostava de trabalho nem de compromissos. O que ele mais gostava
era de festas, estar com seus amigos e de ser bajulado pôr eles. Seu pai sempre o
advertia que seus amigos só estavam ao seu lado enquanto ele tivesse o que lhes
oferecer, depois eles o abandonariam. Os insistentes conselhos do pai lhe retiniam os
ouvidos e logo se ausentava sem dar o mínimo de atenção.
Um dia o velho pai, já avançado na idade, disse aos seus empregados que
construíssem um pequeno celeiro e dentro do celeiro ele mesmo fez uma forca, e junto a
ela, uma placa com os dizeres:
"Para você nunca mais desprezar as palavras de seu pai".
Mais tarde chamou o filho, o levou até o celeiro e disse:
"- Meu filho, eu já estou velho e quando eu partir, você tomará conta de tudo o que é
meu, e sei qual será o seu futuro... Você vai deixar a fazenda nas mãos dos empregados e
irá gastar todo o dinheiro com seus amigos, irá vender os animais e os bens para se
sustentar, e quando não tiver mais dinheiro, seus amigos vão se afastar de você. E quando
você não tiver mais nada, vai se arrepender amargamente de não ter me dado ouvidos. E
pôr isso que eu construí esta forca, sim, ela é para você, e quero que você me prometa
que se acontecer o que eu disse, você se enforcará nela".
O tempo passou, o pai morreu e seu filho tomou conta de tudo, mas assim como se
havia previsto, o jovem gastou tudo, vendeu os bens, perdeu os amigos e a própria
dignidade.
Desesperado e aflito, ele começou a refletir sobre a sua vida e viu que havia sido
um tolo, lembrou-se do pai e começou a chorar e dizer:
- Ah, meu pai, se eu tivesse ouvido teus conselhos, mas agora é tarde, tarde
demais.
Pesaroso, o jovem levantou os olhos e longe avistou o pequeno celeiro, era a única
coisa que lhe restava. A passos lentos se dirigiu até lá e, entrando, viu a forca e a placa
empoeirada e disse:
- Eu nunca segui as palavras do meu pai, não pude alegra-lo quando estava vivo,
mas pelo menos esta vez vou fazer a vontade dele, vou cumprir minha promessa, não me
restas mais nada.
Então subiu nos degraus e colocou a corda no pescoço, e disse:
- Ah se eu tivesse uma nova chance...
Então pulou, sentiu pôr um instante a corda apertar sua garganta, mas o braço da
forca era oco e quebrou-se facilmente, o rapaz então caiu no chão, e sobre ele caiam jóias,
esmeraldas, pérolas, diamantes.
A forca estava cheia de pedras preciosas, e um bilhete que dizia:
- Essa é a sua nova chance, eu te Amo muito. Seu pai.

Assim é também com o Criador... Ele nosso Pai amoroso, não desiste nunca de
nós.”

(Autor Desconhecido)


72 - A VIDRAÇA SUJA



Um casal, recém casados, mudou-se para um bairro muito tranquilo.
Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomava café, a mulher
reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com
o marido:
- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal!
Provavelmente está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade
perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!
O marido observou calado.
Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava
lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:
- Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade
perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!
E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha
pendurava suas roupas no varal.
Passado um mês a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis brancos,
branquíssimos sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:
- Veja! Ela aprendeu a lavar as roupas, será que a outra vizinha ensinou!?
Porque, não fui eu que a ensinei.
O marido calmamente respondeu:
- Não, é que hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!

E assim é.
Tudo depende da janela através da qual observamos os fatos.
Antes de criticar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir; verifique seus
próprios defeitos e limitações.
Devemos olhar, antes de tudo, para nossa própria casa, para dentro de nós
mesmos.
Só assim poderemos ter real noção do real valor de nossos amigos.
Lave sua vidraça.
Abra sua janela.

"Tire primeiro a trave do seu olho, e então verás claramente para tirar o cisco do
olho do teu irmão" (Mateus 7:5)

(Autor Desconhecido)











73 - A CORRIDA DE SAPINHOS



Era uma vez uma corrida de sapinhos. Eles tinham que subir uma grande torre, e
atrás, havia uma multidão que vibrava muito por eles. Começou a competição!
Como a multidão notava que a escalada era muito difícil, e que os sapinhos estavam
fazendo uma tremenda força para continuar escalando a torre, a multidão começou a
gritar:
- Não vão conseguir, não vão conseguir!
Os sapinhos, muito cansados, iam desistindo um a um, menos um sapinho que
continuava subindo. E a multidão continuava a gritar:
- Vocês não vão conseguir, vocês não vão conseguir!
E assim, os sapinhos iam desistindo, menos aquele, que subia tranqüilo,
sem esforços.
Ao final da competição, todos os sapinhos tinham desistido, menos aquele.
Ele ganhou a competição e foi coroado como o grande campeão!
Todos queriam saber o que aconteceu, como ele tinha conseguido chegar até o
final. E quando foram perguntar ao sapinho como ele conseguiu escalar a torre,
descobriram que ele era SURDO.
Quando você quiser fazer alguma coisa que precise de coragem, força
e persistência, não deve escutar as pessoas que falam que você não vai conseguir.
Seja surdo aos apelos negativos!

(Autor Desconhecido)


74 – ATITUDE CERTA


Um homem estacionou em frente a uma loja de flores. Queria enviar algumas flores
à sua mãe que vivia a duzentos quilômetros dali. Ao sair do carro percebeu uma jovem
menina que choramingava, sentada no meio-fio.
Ele se aproximou dela e perguntou o que havia de errado, ela respondeu:
- eu queria comprar uma rosa amarela para minha mãe. Mas eu só tenho setenta e cinco
centavos e a rosa custa dois reais.
O homem sorriu e disse: entre comigo, eu lhe comprarei uma rosa. Ele comprou
uma rosa para a menina, fez um cartão e uma ordem de envio para enviar rosas para a
própria mãe. Quando estavam saindo da loja ele ofereceu carona para a menina e ela
disse: sim, por favor! Você pode me levar até minha mãe?
Ela o orientou a dirigir até um cemitério onde ela colocou a rosa em uma sepultura
cavada recentemente.
O homem voltou à loja de flores cancelou a ordem de envio, apanhou um buquê de
rosas e dirigiu os duzentos quilômetros até a casa da sua mãe.
Não deixe para fazer depois, o que está ao seu alcance fazer agora!

(Autor Desconhecido)

75 - A PRESSA


Um jovem e bem sucedido executivo dirigia por sua vizinhança, correndo demais em
seu novo J aguar. Observando crianças se lançando entre os carros estacionados, diminuiu
um pouco a velocidade, quando achou ter visto algo.
Enquanto passava, nenhuma criança apareceu. De repente um tijolo espatifou-se na
porta lateral do J aguar. Freou bruscamente e deu ré até o lugar de onde teria vindo o tijolo.
Saltou do carro e pegou bruscamente uma criança empurrando-a contra um veiculo
estacionado e gritou:
— Por que você fez isso... que besteira você pensa que está fazendo? Este é um
carro novo e caro, aquele tijolo que você jogou vai me custar muito dinheiro seu moleque...
Por que você fez isto?
— Por favor senhor me desculpe, eu não sabia mais o que fazer! Implorou o
pequeno menino. Ninguém estava disposto a parar e me atender neste local.
Lágrimas corriam do rosto do garoto, enquanto apontava na direção dos carros
estacionados.
— É o meu irmão. Ele desceu sem freio e caiu de sua cadeira de rodas e eu não
consigo levantá-lo.
Soluçando, o menino perguntou ao executivo:
— O senhor poderia me ajudar a recolocá-lo em sua cadeira de rodas? Ele está
machucado e é muito pesado para mim.
Movido internamente muito além das palavras, o jovem motorista engolindo "no
imenso" dirigiu-se ao jovenzinho, colocando-o em sua cadeira de rodas.
Tirou seu lenço, limpou as feridas e arranhões, verificando se tudo estava bem.
— Obrigado e que meu Deus possa abençoá-lo. A grata criança disse a ele.
O homem então viu o menino se distanciar... empurrando o irmão em direção a sua
casa. Foi um longo caminho de volta para o J aguar... um longo e lento caminho de volta.
Ele nunca consertou a porta amassada. Deixou amassada para lembrá-lo de não ir
tão rápido pela vida, que alguém tivesse que atirar um tijolo para obter a sua atenção.
Às vezes, somos assim andamos rápido e não percebemos que Deus sussurra em
nossas almas e fala aos nossos corações. Algumas vezes quando nos não temos tempo
de ouvir, Ele tem que jogar um tijolo em nós.

Ciente disso agora, a sua escolha: ouvir o sussurro ou esperar pelo tijolo?

(Autor Desconhecido)












76 - O MARCENEIRO E AS FERRAMENTAS

Contam que, em uma marcenaria, houve uma estranha assembléia.
Foi uma reunião onde as ferramentas se juntaram para acertar suas diferenças.
Um martelo estava exercendo a presidência, mas os participantes exigiram que ele
renunciasse. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava todo tempo
golpeando.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso,
alegando que ele dava muitas voltas para conseguir algo.
Diante do ataque, o parafuso concordou, mas, por sua vez, pediu a expulsão
da lixa. Observou que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando
sempre em atritos.
A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse também o metro, que sempre
media os outros segundo a sua medida, como se fosse o único perfeito.
Nesse momento, entrou o marceneiro, juntou todas as ferramentas e iniciou o seu
trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro, o parafuso...
E a rústica madeira se converteu em belos móveis, úteis e funcionais!
Quando o marceneiro foi embora para casa, as ferramentas voltaram à discussão.
Mas o serrote adiantou- se e disse:
- Senhores, hoje ficou demonstrado que temos defeitos, mas o marceneiro
trabalha com nossas qualidades, ressaltando nossos pontos valiosos...
Portanto, em vez de pensar em nossas fraquezas, devemos nos concentrar em
nossos pontos positivos!
Então, a assembléia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força,
a lixa era especial para limpar a afinar asperezas, o metro era preciso e exato.
Todos se sentiram como uma equipe, capaz de produzir com qualidade... E uma
grande alegria tomou conta de todos pela oportunidade de trabalharem juntos.

(Autor Desconhecido)

77 - O LENÇOL E O CARVÃO

O garoto chega em casa pisando forte e diz ao pai:
- Estou com muita raiva do Lucas, papai!
Ele me envergonhou na escola e agora eu desejo tudo de ruim pra ele!
O pai então o leva até o quintal, com um saco de carvão e diz:
- Filho, quero que jogue os pedaços de carvão naquele lençol que está pendurado
no varal, como se ela fosse o Lucas.
O filho sem entender, mas empolgado com a brincadeira, faz o que o pai pediu.
Ao final, o garoto diz estar feliz por ter sujado uma parte do lençol, como se fosse o
coleguinha.
O pai então o leva diante do espelho e para a surpresa do garoto, a aparência dele
era tão preta, que mal conseguia enxergar os próprios olhos. O pai então concluiu:
- Veja meu filho, o mal que desejamos aos outros é como esse carvão. Ele pôde até
sujar um pouco do lençol, mas na verdade o maior prejudicado foi quem o jogou.
Não vale a pena alimentar o ódio, ele penetra como uma doença no coração do
homem. Corrói, destrói e o deixa em ruínas.

(Autor Desconhecido)

78 - O MURO

Havia um grande muro separando dois grandes grupos.
1. De um lado do muro estavam Deus, os anjos e os servos leais de Deus.
2. Do outro lado do muro estavam Satanás, seus demônios e todos os humanos que
não servem a Deus.
E em cima do muro havia um jovem indeciso, que havia sido criado num lar cristão,
mas que agora estava em dúvida se continuaria servindo a Deus ou se deveria aproveitar
um pouco os prazeres do mundo.
O jovem indeciso observou que o grupo do lado de Deus chamava e gritava sem
parar para ele: Ei, desce do muro agora... Vem pra cá! J á o grupo de Satanás não gritava e
nem dizia nada.
Essa situação continuou por um tempo, até que o jovem indeciso resolveu perguntar
a Satanás:
- O grupo do lado de Deus fica o tempo todo me chamando para descer e ficar do
lado deles.
Por que você e seu grupo não me chamam?
Grande foi à surpresa do jovem quando Satanás respondeu: porque o muro é MEU.
Nunca se esqueça: Não existe meio termo. O muro já tem dono.
Ou seja: “Não podemos servir a dois senhores!”

(Autor Desconhecido)

79 – A VELA ACESA

Um homem sofria pelo pior que poderia acontecer a um ser humano.Seu filho
estava morto!
Desde sua morte, e por muitos anos, não conseguia dormir. Ele chorava até
amanhecer.
Até que um dia um anjo em seu sonho lhe diz: “Pare de chorar”
"Eu não posso suportar ficar sem vê-lo" - respondeu o homem.
O anjo disse: - Você quer vê-lo? O homem disse sim.
O anjo pegou-o pela mão e disse agora vc vai vê-lo !
Então o anjo da a ordem para um monte de crianças vestidas de branco como anjos
e com uma vela acesa em suas mãos. O homem diz: - Quem são eles? E o anjo
responde:São a crianças que morreram, eles fazem esse passeio todos os dias porque são
puros.
O meu filho está entre eles? -Perguntou o homem.
O anjo logo responde: Sim, agora você vai vê-lo!
Enquanto isso passavam centenas e centenas de crianças. Lá vem o garoto, E o
homem o vê radiante como se lembrava. Mas, de repente, ele nota uma coisa: dentre
todos, o garoto é o único que têm a vela apagada. O homem fica muito triste!
O menino vê o pai e vem correndo e eles abraçam-se bem forte.
E o homem diz: Filho, por que a tua vela não está acesa como a dos outros?
Seu filho responde: pai, minha vela é acesa todos os dias, como a de todos, mas ...,
sabe?
Suas lágrimas caem todas as noites e a apaga.

(Autor Desconhecido)

80 – QUAL O TAMANHO DA SUA PACIÊNCIA?



Rodrigo, 34 anos, depois de muito tempo sem visitar o velho pai, resolveu passear
com ele. Foram para um parque da cidade, sentaram-se num banco da praça.
Enquanto Rodrigo lia o seu jornal, o pai observava a natureza com os olhos
cansados de um homem de 81 anos.
De repente, um movimento nas árvores e o pai de Rodrigo, seu Orlando pergunta:
- Filho, o que é aquilo?
Rodrigo, afasta por um segundo o jornal e responde:
- É um pássaro, pai...
O velho pai, continua acompanhando o movimento do passarinho, e pergunta,
novamente...
- O que é aquilo?
Estressado, Rodrigo, responde de forma ríspida :
- Poxa! J á falei...Aquilo é um pássaro!!!
Passados alguns segundos, seu Orlando torna a perguntar, apontando para o
passarinho...
- O que é aquilo?
Desta vez o filho explode com sua paciência esgotada, e gritando com o próprio pai:
- O senhor está caduco, surdo? J á falei aquilo é um pássaro.
P á s s a r o!!! Entendeu???

Nisso, o velho pai, faz um sinal pedindo para o filho aguardar, levanta-se , tira da
bolsa uma espécie de diário e pede para o filho ler em voz alta, um trecho escrito há
muitos anos. O filho lê, em voz alta:

“Ontem, meu filho, agora com três aninhos, me perguntou 26 vezes o que era aquilo
voando de uma árvore para outra e respondi todas as vezes com muita paciência, que era
um pássaro! E todas as vezes abracei meu filhinho, orgulhoso e cheio de amor”.


LIÇÃO DE VIDA :

Muitas vezes não temos paciência com nossos pais, achando que eles são chatos,
velhos demais e só querem atrapalhar nossa vida. Esquecemos que foram eles que nos
orientaram educaram, socorreram, investiram todo seu tempo, paciência e amor para que
pudéssemos, um dia, sermos pessoas de bem. E hoje não temos tempo e nem paciência
com eles.

(Autor Desconhecido)








81 - LIDANDO COM O PRÓPRIO VENENO

Há muito tempo atrás, uma menina chamada Lili se casou e foi viver com o marido e
a sogra. Depois de alguns dias, passou a não se entender com a sogra. As personalidades
delas eram muito diferentes e Lili foi se irritando com os hábitos da sogra que
freqüentemente a criticava.
Meses se passaram e Lili e sua sogra cada vez discutia e brigavam mais. De acordo
com antiga tradição chinesa a nora tinha que se curvar à sogra e a obedecer em tudo. Lili
já não suportando mais conviver com a sogra decidiu tomar uma atitude e foi visitar um
amigo de seu pai, que a ouviu e depois com um pacote de ervas lhe disse:
- Você não poderá usá-las de uma só vez para se libertar de sua sogra porque isso
causaria suspeita. Vou lhe dar várias ervas que irão lentamente envenenando sua sogra. A
cada dois dias ponha um pouco destas ervas na comida dela.
Agora, para ter certeza de que ninguém suspeitará de você quando ela morrer, você
deve ter muito cuidado e agir de forma muito amigável. Não discuta, ajudarei a resolver
seu problema, mas você tem que me escutar e seguir todas as instruções que eu lhe der.
Lili respondeu:
- Sim, Sr. Huang, eu farei tudo o que o que o senhor me pedir.
Lili ficou muito contente, agradeceu ao Sr. Huang e voltou apressada para casa para
começar o projeto de assassinar a sua sogra.
Semanas se passaram e a cada dois dias, Lili servia a comida especialmente
tratada à sua sogra. Ela sempre lembrava do que Sr.Huang tinha recomendado sobre
evitar suspeitas e assim ela controlou o seu temperamento, obedeceu a sogra e a tratou
como se fosse sua própria mãe.
Depois de seis meses a casa inteira estava com outro astral. Lili tinha controlado o
seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Nesses seis meses não tinha tido
nenhuma discussão com a sogra, que agora parecia muito mais amável e mais fácil de
lidar. As atitudes da sogra também mudaram e elas passaram a se tratar como mãe e filha.
Um dia Lili foi novamente procurar o Sr. Huang para pedir-lhe ajuda e disse:
- Querido Sr. Huang, por favor, me ajude a evitar que o veneno mate minha sogra!
Ela se transformou numa mulher agradável e eu a amo como se fosse minha mãe. Não
quero que ela morra por causa do veneno que eu lhe dei.
Sr. Huang sorriu e acenou com a cabeça.
- Lili, não precisa se preocupar. As ervas que eu dei eram vitaminas para melhorar a
saúde dela. O veneno estava na sua mente e na sua atitude, mas foi jogado fora e
substituído pelo amor que você passou a dar a ela.
"Na China existe uma regra dourada que diz: "A pessoa que ama os outros também
será amada”.

(Autor Desconhecido)










82 - A LIÇÃO DO BAMBU CHINÊS


Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada, por
aproximadamente 5 anos exceto lento desabrochar de um diminuto broto, a
Partir do bulbo.
Durante 5 anos , todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu,
Mas...
Uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente
pela terra está sendo construída.
Então, no final do 5º ano, o bambu chinês, cresce até atingir a altura de 25 metros.

Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você
trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e, às
vezes não vê nada por semanas, meses, ou anos.
Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5º
ano chegará, e, com ele, virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava...
O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos
projetos, de nossos sonhos...
Em nosso trabalho, especialmente, que é um projeto fabuloso que envolve
mudanças...
De comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilização.
Para ações devemos sempre lembrar do bambu chinês, para não desistirmos facilmente
diante das dificuldades que surgirão.
Tenha sempre três hábitos:
Persistência, paciência e fé, porque todos merecem alcançar os seus sonhos!!!

É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita
Flexibilidade para se curvar até o chão.

(Autor Desconhecido)



















83 - O SANTO E A SERPENTE

Um homem santo caminhava de uma cidade a outra e parou numa pequena aldeia a
fim de reabastecer-se de água. E ali lhe disseram que não seguisse mais pela mesma
estrada. Uma cobra venenosa atacava quem sem piedade quem quer que por ela
passasse.
O santo agradeceu, mas não ouviu os conselhos dos adeotas. Seguiu justo pela
estrada vigiada pela cobra. E de repente, lá estava ela, com bote armado, diante dele,
pingando veneno dos dentes, pronta para tacá-lo. Disse então o santo à cobra:
- Minha amiga. Você devia se envergonhar. Que sentido tem para você, que
vantagem, morder e inocular o seu veneno nas pessoas? Vai. Segue o seu caminho. E de
hoje em diante não volte mais a morder ninguém.
A cobra, se sentindo mesmo muito envergonhada, embrenhou-se no mato e
desapareceu.
Passado um tempo, vinha o homem santo voltando pela mesma estrada, quando
encontrou a cobra. Estava triste, acabrunhada, bastante ferida.
- Ô, minha amiga, me diz. O que está acontecendo com você?

Disse a cobra:

- Ah, mestre, nem pode imaginar o que tem sido a minha vida. Disse que eu não
mordesse mais e obedeci. Logo todos perceberam que eu não representava ameaça a
ninguém. Desde então, me atiram pedras, as crianças me pegam pelo rabo, rodam-me no
ar e me atiram à distância, batem-me com pau, me chutam com suas pesadas botas...

E o santo:

- Amiguinha querida. Você não entendeu ou eu não fui bastante claro com você.
Não foi bem esse o meu conselho. Disse que não mordesse mais ninguém, não que
deixasse de assustar os homens para mantê-los à distância, com seus silvos e botes e
seus dentes minando veneno.

“ Não precisamos morder, mas podemos mostrar os dentes e rosnar.”


(Livro: Evangelho de Ramakrishna)














84 – OS CEGOS E O ELEFANTE



“Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como os seus conselhos eram
sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas recorriam à sua ajuda.
Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em
quando, discutiam sobre qual seria o mais sábio.
Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não
chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho
numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:
- Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas
a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí discutindo
como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora.
No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num enorme elefante.
Os cegos nunca tinham tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.
O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:
- Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar nos seus músculos e eles
não se movem; parecem paredes…
- Que palermice! – disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. – Este
animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra…
- Ambos se enganam – retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do
elefante. – Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes
na boca. É uma cobra mansa e macia…
- Vocês estão totalmente alucinados! – gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas
do elefante. – Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são
bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante…
- Vejam só! – Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados! –
irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. – Este animal é como uma
rocha com uma corda presa no corpo. Posso até pendurar-me nele.
E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio
cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança.
Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do
elefante. Quando tacteou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios
estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:
- É assim que os homens se comportam perante a verdade. Pegam apenas numa
parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!”
Nos tempos em que vivemos, o elefante somos nós, mas conforme as ideologias (
as diferentes partes do elefante) assim se definem as medidas de austeridade. A parte
nunca se relaciona com o todo.
Andamos todos a gritar contra a austeridade, mas não somos capazes de mostrar o
elefante grande e poderoso que é o povo.


(Livro: Evangelho de Ramakrishna)



85 - MEU QUERIDO VOVOZINHO



Todas as tardes após a escola eu e meus amigos, íamos jogar bola no campinho
que ficava ao lado da casa de seu Antenor.
Seu Antenor é um homem de meia idade que sempre implicava com os vizinhos, com o
calor, com as crianças, nada servia para ele.
E os meninos por sua vez, não deixavam o pobre velho em paz.

Um belo dia ao voltar para casa, Pedrinho passou em frente a casa de seu Antenor
e o viu chorando abraçado a um retrato. Quando chegou em casa contou à dona Helena.
- Mamãe, ao passar pela casa de seu Antenor o vi chorando junto a um retrato.
Pensei que ele não chorava mais, pois ele é sempre tão ranzinza.
- Ora Pedrinho, foi o meio que ele encontrou para esconder seus verdadeiros
sentimentos.
- Não entendi mamãe?
- Algumas pessoas como seu Antenor que já sofreram muito na vida, com a perda
da família; esposa, seu único filho, usam agressividade para se defender. Acreditam que
assim não vão sofrer mais.
- Isso é um engano, pois, acabam sofrendo mais. Ninguém vive sem amor. Você
meu filho que é um menino bom, deve sempre que tiver oportunidade, ajudá-lo com muito
carinho.
Seu Antenor é muito só, e o evangelho sempre nos ensina a amar e a respeitar os
mais velhos.

À noite Pedrinho sonhou com seu querido vovozinho, pedindo para que ele tratasse
seu Antenor como seu avô e que o amasse muito.
Pela manhã na escola contou aos seus amiguinhos a conversa com sua mãe e o
sonho com seu avô, então resolveram pedir desculpas a seu Antenor e para que ele
aceitasse ser o avô deles, já que muitos não tinham avô e outros o avô morava muito
longe.
Seu Antenor ficou muito contente, e disse emocionado:
- Eu serei o melhor avô do mundo.

"Essa história nos faz lembrar quantos vizinhos idosos nós temos, e, quantos
velhinhos nos asilos estão esperando apenas um abraço, um beijo, uma palavra amiga".
Nós nunca devemos desrespeitar os mais velhos, pois são pessoas que já viveram
muito e merecem todo nosso carinho e respeito.



Fonte do Texto: Revista Consciência Espírita - Fevereiro/2000







86 - O QUE É O AMOR?

Numa sala de aula, havia várias crianças. Quando uma delas perguntou à
professora:
- Professora, o que é o amor?

A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta
inteligente que fizera.
Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo
pátio da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.
As crianças saíram apressadas e, ao voltarem, a professora disse:
- Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.

A primeira criança disse:
- Eu trouxe esta flor, não é linda?

A segunda criança falou:
- Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido de suas asas, vou colocá-la em minha
coleção.

A terceira criança completou:
- Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro
irmão. Não é uma gracinha?

E assim as crianças foram se colocando.

Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado
quieta o tempo todo. Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido.

A professora se dirigiu a ela e perguntou:
- Meu bem, por que você nada trouxe?

E a criança timidamente respondeu:
- Desculpe professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas
preferi deixá-la para que seu perfume exalasse por mais tempo. Vi também a borboleta,
leve, colorida! Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la.
Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas, ao subir na árvore, notei o olhar
triste de sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho.
Portanto professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da
borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho. Como posso mostrar o
que trouxe?

“A professora agradeceu a criança e lhe deu nota máxima, pois ela fora a única que
percebera que só podemos trazer o amor no coração".

Livro: Histórias para sua Criança Interior - Autora: Eliane de Araújo.




87 - A ARVORE DOS PROBLEMAS

Esta é uma história de um homem que contratou um carpinteiro para ajudar a
arrumar algumas coisas na sua fazenda.
O primeiro dia do carpinteiro foi bem difícil.
O pneu do seu carro furou. A serra elétrica quebrou. Cortou o dedo.
E ao final do dia, o seu carro não funcionou.
O homem que contratou o carpinteiro ofereceu uma carona para casa.
Durante o c aminho, o carpinteiro não falou nada.
Quando chegaram a sua c asa, o carpinteiro convidou o homem para entrar e
conhecer a sua família.
Quando os dois homens estavam se encaminhando para a porta da frente,
o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou as pontas dos galhos
com as duas mãos.
Depois de abrir a porta da sua casa, o carpinteiro transformou- se.
Os traços tensos do seu rosto transformaram- se em um grande sorriso, e ele
abraçou os seus filhos e beijou a sua esposa.
Um pouco mais tarde, o carpinteiro acompanhou a sua visita até o carro.
Assim que eles passaram pela árvore, o homem perguntou:
- Porque você tocou na planta antes de entrar em casa ???
- Ah! esta é a minha Árvore dos Problemas.
- Eu sei que não posso evitar ter problemas no meu trabalho, mas estes problemas
não devem chegar até os meus filhos e minha esposa.
- Então, toda noite, eu deixo os meus problemas nesta Arvore quando chego em
casa, e os pego no dia seguinte.
- E você quer saber de uma coisa?
- Toda manha, quando eu volto para buscar os meus problemas, eles não são nem
Metade do que eu me lembro de ter deixado na noite anterior.
(Autor Desconhecido)
88 - O SÁBIO E O PÁSSARO

Conta-se que certa feita um jovem maldoso e inconseqüente resolveu pregar uma
peça em idoso e experiente mestre, famoso por sua sabedoria.
– Quero ver se esse velho é realmente sábio, como dizem. Vou esconder um
passarinho em minhas mãos. Depois, em presença de seus discípulos, vou perguntar-lhe
se está vivo ou morto. Se responder que está vivo, eu o esmagarei e o apresentarei morto.
Se afirmar que está morto, abrirei a mão e o pássaro voará.
Realmente, uma armadilha infalível.
Aos olhos de quem presenciasse o encontro, qualquer que fosse sua resposta, o
sábio ficaria desmoralizado. E lá se foi o jovem mal intencionado, com sua artimanha
perfeita. Diante do ancião acompanhado dos aprendizes, fez a pergunta fatal:
– Mestre, este passarinho que tenho preso em minhas mãos, está vivo ou morto?
O sábio olhou bem fundo em seus olhos, como se perscrutasse os recônditos de
sua alma, e respondeu:
– Meu filho, o destino desse pássaro está em suas mãos.

(Autor: Richard Simonetti)


89 - A HISTÓRIA DO JERRY

Esse texto é uma mensagem que circula pela Internet. Não sabemos se a história é
verdadeira ou fictícia, mas a mensagem contida nela vale uma reflexão sobre as nossas
atitudes e a forma como conduzimos nossas vidas.
J erry é um tipo de pessoa que você iria amar. Ele estava sempre de bom humor e
tinha sempre algo positivo para dizer.
Quando alguém lhe perguntava: "Como você está J erry?"
Ele respondia: "Melhor que isso, só dois disso!"
Ele era o único gerente de uma cadeia de restaurantes, que fazia todos os garçons
seguirem seu exemplo. A razão dos garçons seguirem o exemplo de J erry era por causa
de suas atitudes. Ele era naturalmente motivador. Se algum empregado estivesse tendo
um mal dia, J erry prontamente estava lá, explicando ao empregado como olhar pelo lado
positivo da situação.
Observar o seu estilo, realmente me deixava curioso...então um dia eu perguntei
para J erry: "Como é que você pode ser uma pessoa positiva o tempo todo? Como você
consegue?"
E ele respondeu: "Todas as manhãs eu acordo e digo a mim mesmo: J erry, você
tem duas escolhas hoje. Escolher estar positivo ou estar negativo.
Então eu escolho estar positivo. A todo momento acontece alguma coisa
desagradável, e eu posso escolher ser vítima da situação ou posso escolher aprender algo
com isso. Eu escolho aprender algo com isso!
Todo momento alguém vem reclamar da vida comigo e eu posso escolher aceitar a
reclamação, ou posso escolher apontar o lado positivo da vida para a pessoa.
Eu escolho apontar o lado positivo da vida."
Então eu argumentei:
"Tá certo!!! Mas não é tão fácil assim!!!"
"É fácil sim", disse J erry..."A vida consiste em escolhas. Quando você tira todos os
detalhes e enxuga a situação, o que sobra são escolhas, decisões a serem tomadas, o
livre arbítrio.
Você escolhe como reagir às situações.
Você escolhe como as pessoas irão afetar o seu humor.
Você escolhe estar feliz ou triste, calmo ou nervoso...
Em suma: É você quem escolhe como viver sua vida!!!"
Eu parei e refleti no que J erry disse.
Algum tempo depois eu deixei o restaurante para abrir meu próprio negócio.
Nós perdemos o contato, mas freqüentemente eu pensava nele quando eu tomava a
decisão de viver ao invés de ficar reagindo às coisas.
Alguns anos mais tarde, soube que J erry havia feito algo que nunca se deve fazer
em se tratando de restaurantes: Ele deixou a porta dos fundos aberta e, em conseqüência,
foi rendido por três assaltantes armados.
Enquanto ele tentava abrir o cofre, sua mão, tremendo de nervoso, errou a
combinação do cofre. Os ladrões entraram em pânico, atiraram nele e fugiram. Por sorte,
J erry foi encontrado relativamente rápido e foi levado às pressas ao pronto-socorro local.
Depois de 18 horas de cirurgia e algumas semanas de tratamento intensivo, J erry foi
liberado do hospital com alguns fragmentos de bala, ainda em seu corpo.
Encontrei com J erry 6 meses após o acidente.
Quando eu perguntei: "Como você está J erry?"
Ele respondeu: "Melhor que isso, só dois disso!!! Quer ver minhas cicatrizes?"
Enquanto eu olhava as cicatrizes, eu lhe perguntei o que passou pela mente dele
quando os ladrões invadiram o restaurante.
"A primeira coisa que veio a minha cabeça, foi que eu devia ter trancado a porta dos
fundos...", respondeu ele.
"Então depois, quando eu estava baleado no chão, eu lembrei que tinha duas
escolhas: eu podia escolher viver ou podia escolher morrer. Eu escolhi viver."
Eu perguntei: "Você não ficou com medo? Você não perdeu os sentidos?"
J erry continuou: "Os paramédicos eram ótimos! Eles ficaram o tempo todo me
dizendo que tudo ia dar certo, que tudo ia ficar bem.
Mas, quando eles me levaram de maca para a sala de emergência e vi as
expressões no rosto dos médicos e enfermeiras, naquele momento eu fiquei com medo!
Nos seus olhos eu lia: Ele é um homem morto.
Eu sabia que tinha que fazer alguma coisa."
"E o que você fez?", perguntei.
"Bem, havia uma enfermeira grande e forte me fazendo perguntas...
Ela me perguntou se eu era alérgico a alguma coisa...
Sim, eu respondi.
Os médicos e enfermeiras pararam imediatamente esperando por minha resposta...
Eu respirei fundo e respondi: Sou alérgico a balas! Enquanto eles riam eu disse: Eu estou
escolhendo viver. Me operem como se eu estivesse vivo, não morto!"
J erry sobreviveu somente graças a DEUS, a experiência e habilidade dos médicos,
mas por causa de sua atitude espetacular.
Eu aprendi com ele que todos os dias temos que escolher viver a vida em sua
plenitude, viver por completo. É só pedir a DEUS, que todos os dias abençoe cada ato que
você realizar e que ELE dê sempre a direção a ser tomada na sua vida e nas suas
decisões. Sem a mão de DEUS é impossível continuar vivendo.
Você agora tem duas escolhas:
Esquecer que leu a história de J erry, ou contá-la ou enviá-la para outras pessoas.
A sua decisão refletirá na sua maneira de vida: positivista ou negativista.
Você pode escolher viver uma vida plena com DEUS, ou viver a sua vida de uma
maneira totalmente desordenada e fora dos caminhos do PAI.

A ESCOLHA É SOMENTE SUA...


(Autor Desconhecido)














90 - SEMEAR


Dona Angélica era professora. Residia em uma pequena cidade e dava aulas numa
vila próxima. Não era considerada uma pessoa equilibrada em razão do seu
comportamento,que parecia um tanto esquisito. Os alunos da escola de primeiro grau
tinham-na como uma pessoa muito estranha.
Eles observavam que a professora, nas suas viagens de ida e volta do lar à escola,
fazia gestos e movimentos com as mãos, que não conseguiam entender, e por esse
motivo, pensavam que ela era meio fora do juízo.
Pela janela do trem, dona Angélica fazia acenos como se estivesse dizendo adeus a
alguém invisível aos olhos de todos. As crianças faziam zombarias, criticavam-na, mas ela
não sabia, pois os comentários eram feitos às escondidas. Todos, inclusive os pais e
demais professores, achavam que ela era maluca, embora reconhecessem que era uma
excelente educadora.
Os anos se passavam e a situação continuava a mesma. Várias gerações
receberam, da bondosa e dedicada professora, ensinamentos valiosos e abençoados.
Dona Angélica era uma pessoa de boas maneiras, calma e gentil, mas não muito bem
compreendida.
Envelhecia no exercício do dever de preparar as crianças para um futuro melhor,
com espírito de abnegação e devotamento quase maternal. Certo dia em que viajava para
sua querida escola, com diversas crianças na mesma classe do trem, movimentava, como
sempre, as mãos para fora da janela.
Os alunos sentados na parte de traz sorriam maliciosamente quando Alberto, seu
aluno de dez anos, sentou-se ao seu lado e, com ternura lhe perguntou:
- Professora, porque você insiste em continuar com essas atitudes loucas?
- Que deseja dizer, filho? Interrogou, surpresa, a bondosa senhora.
- Ora, professora - continuou ele, - você fica abanando as mãos para os animais
ou... Isso não é loucura?
A mestra amiga compreendeu e sorriu. Sinceramente emocionada, chamou a
atenção do aluno, dizendo:
- Veja minha bolsa - e apontou para a intimidade do objeto de couro forrado.
- Nota o que há aí dentro? - Sim - respondeu Alberto.
- Eu vejo que há algo aí, mas o que é isso? A professora respondeu calmamente:
- É pólen de flores. São pequenas sementes...
- Há quase vinte anos eu passo por este caminho, indo e vindo da escola. A estrada,
antes, era feia, árida, desagradável.
- Eu tive a idéia de a embelezar, semeando flores. Desse modo, de quando em
quando, reúno sementes de belas e delicadas flores do campo e as atiro pela janela...
- Sei que cairão em terra amiga e, acarinhadas pela primavera, se transformarão em
plantas a produzirem flores, dando cor e alegria à paisagem.
- Como você pode perceber, a paisagem já não é mais árida. Há flores de diversos
tipos e suave perfume que a brisa se encarrega de espalhar por todos os lados.

(Retirado e adaptado do livro infantil "O Semeador")





91 - OCASIÃO ESPECIAL

Era com muita dor que aquele homem retirava do armário um frasco de perfume
francês, com o qual presenteara sua esposa, quando da sua última viagem ao Exterior.
Isto, disse ele, é uma das coisas que ela estava guardando para uma ocasião
especial. Bem, acho que agora é a ocasião, falou, demonstrando profunda amargura.
Segurou o frasco com carinho e o colocou na cama, junto com os demais objetos que
havia separado para levar à funerária.
Olhou consternado para os pertences guardados, fechou a porta do armário, virou-se
para os demais familiares que estavam com ele e disse-lhes com voz embargada:
Nunca guardem nada para uma ocasião especial, já que podemos criar a cada dia
uma ocasião muito especial.

Independente do valor e do significado dos objetos, muitos de nós temos os nossos
guardados para ocasiões especiais. São as peças presenteadas por ocasião do
casamento, roupas adquiridas para esse fim, salões reservados para essas circunstâncias.
Alguns de nós chegamos a ficar neuróticos só de pensar em deixar os filhos brincar
na sala de visitas, pois temos que preservá-la intacta para uma ocasião especial, para
receber visitas especiais, como se eles não o fossem. São todas essas coisas que perdem
totalmente o valor quando a ocasião especial é a do funeral de um ente querido.
Um filho que se vai, sem que o tenhamos deixado tomar café naquela xícara rara que
herdamos da nossa tataravó.
O esposo que se despede sem poder contemplar a esposa vestindo a lingerie nova
que lhe deu de presente, no último aniversário de casamento.
No campo dos sentimentos também costumamos fazer as nossas economias para
ocasiões especiais.
É aquela frase mágica que estamos guardando para dizer num dia muito especial...
Uma declaração de amor que estamos preparando para dizer quando as
circunstâncias forem propícias...
Um gesto de carinho que evitamos hoje, por julgar que a pessoa ainda não está
preparada para receber.
Um pedido de perdão que estamos adiando para um dia que nunca chega...
A carta a um amigo que não vemos há tempos, pedindo notícias.
A conversa amistosa com alguém que nos considera um inimigo, a fim de esclarecer
dúvidas e resolver pendências, enquanto estamos a caminho, como aconselhou J esus.
Enfim, pensemos que cada dia é um dia especial. Cada hora é uma hora muito
especial... Cada segundo, é um tempo especial para se criar uma ocasião perfeita e fazer
tudo o que deve ser feito.
Não vale a pena economizar as coisas boas. É preciso viver intensamente cada
fração de tempo que Deus nos permite estar em contato com as pessoas que nos rodeiam.

As palavras de carinho que deixamos de dizer...
As promessas que deixamos de cumprir...
As flores que deixamos de enviar...
A mensagem de esperança que não espalhamos...
De tudo isso poderemos nos arrepender amargamente quando, numa ocasião
especial, estivermos partindo deste mundo.

(Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria ignorada).

92 - O COELHO E O CACHORRO



Eram dois vizinhos. O primeiro vizinho comprou um coelhinho para os filhos. Os
filhos do outro vizinho pediram um bicho para o pai. O homem comprou um pastor alemão.
Papo de vizinho:
- Mas ele vai comer o meu coelho.
- De jeito nenhum. Imagina ! O meu pastor é filhote. Vão crescer juntos, pegar
amizade. Entendo de bicho. Problema nenhum. E parece que o dono do cachorro tinha
razão. J untos cresceram e amigos ficaram. Era normal ver o coelho no quintal do cachorro
e vice-versa.
As crianças, felizes. Eis que o dono do coelho foi passar o final de semana na praia
com a família e o coelho ficou sozinho.
Isso na sexta-feira. No domingo, de tardinha, o dono do cachorro e a família
tomavam um lanche, quando entra o pastor alemão na cozinha.
Pasmo, trazia o coelho entre os dentes, todo imundo, arrebentado, sujo de terra e, é
claro, morto. Quase mataram o cachorro.
- O vizinho estava certo. E agora !?
- E agora eu é que quero ver ! A primeira providência foi bater no cachorro,
escorraçar o animal, para ver se ele aprendia um mínimo de civilidade e boa vizinhança.
Claro, só podia dar nisso.
Mais algumas horas e os vizinhos iam chegar. E agora ? Todos se olhavam. O
cachorro rosnando lá fora, lambendo as pancadas.
- J á pensaram como vão ficar as crianças ?
- Cala a boca ! Não se sabe exatamente de quem foi a idéia, mas era infalível.
- Vamos dar um banho no coelho, deixar ele bem limpinho, depois a gente seca com
o secador da sua mãe e o colocamos na casinha dele no quintal. Como o coelho não
estava muito estraçalhado, assim fizeram. Até perfume colocaram no falecido. Ficou lindo,
parecia vivo, diziam as crianças.
E lá foi colocado, com as perninhas cruzadas, como convém a um coelho cardíaco.
Umas três horas depois eles ouvem a vizinhança chegar. Notam o alarido e os gritos das
crianças. Descobriram !
Não deram cinco minutos e o dono do coelho veio bater à porta.
Branco, lívido, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma.
- O que foi ? Que cara é essa ?
- O coelho... O coelho...
- O que tem o coelho ?
- Morreu !
Todos: - Morreu ? Ainda hoje à tarde parecia tão bem...
- Morreu na Sexta-feira !
- Na Sexta?
- Foi. Antes de a gente viajar as crianças enterraram ele no fundo do quintal!
A história termina aqui. O que aconteceu depois não importa. Nem ninguém sabe.
Mas o personagem que mais cativa nesta história toda, o protagonista da história, é o
cachorro.
Imagine o pobre do cachorro que, desde sexta-feira, procurava em vão pelo amigo
de infância, o coelho. Depois de muito farejar descobre o corpo, morto, enterrado. O que
faz ele?
Provavelmente com o coração partido, desenterra o pobrezinho e vai mostrar para
os seus donos. Provavelmente estivesse até chorando, quando começou a levar pancada
de tudo quanto é lado.
O cachorro é o herói. O bandido é o dono do cachorro. O ser humano. Sim, nós
mesmos, que não pensamos duas vezes. Para nós o cachorro é o irracional, o assassino
confesso.
E o homem continua achando que um banho, um secador de cabelos e um perfume
disfarçam a hipocrisia, o animal desconfiado que tem dentro de nós.
J ulgamos os outros pela aparência, mesmo que tenhamos que deixar esta
aparência como melhor nos convier. Maquiada.
Coitado do cachorro. Coitado do dono do cachorro.
Coitado de nós, animais racionais.

(Autor Desconhecido)


93 - PALAVRAS AO VENTO



Certa vez, um homem tanto falou que seu vizinho era ladrão, que o vizinho acabou
sendo preso. Algum tempo depois, descobriram que o rapaz era inocente, ele foi solto, e,
após muita humilhação resolveu processar seu vizinho caluniador.
No tribunal, o caluniador disse ao juiz: Comentários não causam tanto mal… e o
J uiz respondeu:
– Escreva os comentários que você fez sobre ele num papel, depois pique o papel e
jogue os pedaços pelo caminho de casa e amanhã volte para ouvir a sentença!
O homem obedeceu e voltou no dia seguinte, quando o juiz disse:
– Antes da sentença, terá que catar os pedaços de papel que espalhou ontem! Não
posso fazer isso, meritíssimo! Respondeu o homem.
– O vento deve tê-los espalhados por tudo quanto é lugar e já não sei onde estão!
Ao que o juiz respondeu:
- Da mesma maneira, um simples comentário que pode destruir a honra de um
homem, espalha-se a ponto de não podermos concertar o mal causado… e, continuou: Se
não se pode falar bem de uma pessoa, é melhor que não se diga nada! Sejamos senhores
de nossa língua, para não sermos, escravos de nossas palavras!
No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é… e, outras
que vão te odiar pelo mesmo motivo. Acostume-se! Quem ama não vê defeitos… quem
odeia não vê qualidades… e quem é amigo… vê as duas coisas!
Preste atenção em seus pensamentos, pois eles se tornarão palavras. Preste
atenção em suas palavras, pois elas se tornarão atos. Preste atenção em seus atos, pois
eles se tornarão hábitos. Preste atenção em seus hábitos, pois eles se tornarão seu
caráter. Atenção em seu caráter, pois ele determinará seu destino!
Portanto, antes de Falar… Escute… Antes de Escrever… Pense… Antes de
Gastar… Ganhe… Antes de J ulgar… Espere… Antes de Orar… Perdoe… Antes de
Desistir… Tente…

(Autor Desconhecido)


94 - ENQUANTO OS VENTOS SOPRAM

A nossa história nos diz que há alguns anos atrás, um fazendeiro possuía terras ao
longo do litoral do Atlântico. Ele constantemente anunciava estar precisando de
empregados. A maioria das pessoas estava pouco disposta a trabalhar em fazendas ao
longo do Atlântico. Temiam as horrorosas tempestades que varriam aquela região, fazendo
estragos nas construções e nas plantações. Procurando por novos empregados, ele
recebeu muitas recusas.
Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, se aproximou do fazendeiro.
– Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro. – Bem, eu posso dormir enquanto os
ventos sopram, respondeu o pequeno homem.
Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou.
O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do
alvorecer até o anoitecer e o fazendeiro estava satisfeito com o trabalho do homem.
Então, uma noite, o vento uivou ruidosamente. O fazendeiro pulou da cama, agarrou
um lampião e correu até o alojamento dos empregados. Sacudiu o pequeno homem e
gritou, – Levanta! Uma tempestade está chegando! Amarre as coisas antes que sejam
arrastadas!
O pequeno homem virou-se na cama e disse firmemente: – Não senhor. Eu lhe falei:
eu posso dormir enquanto os ventos sopram. Enfurecido pela resposta, o fazendeiro
estava tentado a despedi-lo imediatamente.
Em vez disso, ele se apressou a sair e preparar o terreno para a tempestade. Do
empregado, trataria depois. Mas, para seu assombro, ele descobriu que todos os montes
de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam
bem protegidas no celeiro, os frangos nos viveiros, e todas as portas muito bem travadas.
As janelas bem fechadas e seguras. Tudo foi amarrado. Nada poderia ser arrastado.
O fazendeiro então entendeu o que seu empregado quis dizer. Então retornou para
sua cama para também dormir enquanto o vento soprava.
O que se quer dizer com esta história, é que quando se está preparado –
espiritualmente, mentalmente e fisicamente – não se tem nada a temer.
Perguntamos-nos, então:
Eu posso dormir enquanto os ventos sopram em minha vida?

Que possamos então criar o nosso tempo de refletir, pois nós somos os senhores do
nosso tempo, não devendo deixar a nossa vida passar em vão, sem buscas, sem metas,
sem sentido…
Vamos tomar as rédeas enquanto é tempo, pois somente nós, seremos os
responsáveis diante do nosso tempo que é um presente muito precioso para passar em
vão.
Portanto, os verbos escutar, pensar, esperar, perdoar, tentar, amar… devem ser
verbos recorrentes em nossa vida, fazendo ecoar em nós a nossa melhor forma de
conduzir a nossa caminhada.
Como nos diz Saint-Exupèry: “Os seres são vazios, se não são como janelas ou
clarabóias abertas para Deus.”. Que sejamos, efetivamente, essas janelas e clarabóias,
sempre abertas, deixando a luz penetrar e ao mesmo tempo, sendo luzes e iluminando as
pessoas que conosco dividem as trilhas do caminho… ora atalho, ora trilha, mas sempre
caminho…

(Autor Desconhecido)

95 - DEUS É COMO O AÇÚCAR

Um certo dia um homem foi em uma escola falar de DEUS. Chegando lá perguntou
se as crianças conheciam a Deus, e elas responderam que sim.
Continuou a perguntar e elas disseram que Deus é o nosso pai, que ele fez o mar, a
terra e tudo que está nela, que nos fez como filhos Dele, etc.
E o homem se impressionou com a resposta dos alunos e foi mais longe: "Como
vocês sabem que Deus existe, se nunca ninguém O viu?"
A sala ficou toda em silêncio, mas Pedro, um menino muito tímido, levantou as
mãozinhas e disse: "A minha mãe me disse que Deus é como o açúcar no meu leite que
ela faz todas as manhãs.
Eu não vejo o açúcar que está dentro da caneca no meio do leite, mas se ela tira,
fica sem sabor.
Deus existe, e está sempre no meio de nós, só que não O vemos; mas se Ele sair
de perto, nossa vida fica sem sabor..."
O homem sorriu e disse: "Muito bem Pedro, eu agora sei que Deus é o nosso açúcar
e que está todos os dias adoçando a nossa vida..." Deu a bênção e foi embora da escola
surpreso com a resposta daquela criança.

J esus quer tornar a nossa vida muito abençoada, mas para que isso aconteça é
necessário deixarmos que Deus faça milagres e uma grande transformação em nosso
coração. Bom dia a todos, e não esqueçam de colocar "AÇÚCAR" em suas vidas!

(Autor Desconhecido)



96 - MEXA-SE, O AÇÚCAR ESTÁ NO FUNDO

"Algumas vezes o café está amargo.
Então, depois da careta, olhamos o fundo da xícara.
Era o açúcar. Estava lá,
Bem no fundo. Era preciso mexer.
Assim é a vida.
Quando sentimos um gosto amargo é preciso observar, ir bem fundo, mexer com o
que está parado.
Às vezes falta ânimo e ficamos apenas fazendo caretas.
Mas podemos mexer no que há de bom dentro de nós e tornar a vida tão agradável
quanto às melhores coisas que já experimentamos."
Então Mexa o açúcar...

SE A VIDA ESTÁ AMARGA...
MEXA-SE, ÀS VEZES O AÇÚCAR ESTÁ NO FUNDO!


(Autor Desconhecido)




97 - OLHAR EM VOLTA PODE CURAR A ALMA



"Uma mulher que trabalhava num banco havia muitos anos, caiu em desespero.
Estava tão depressiva que poderia ter um esgotamento nervoso. Seu médico,
buscando um diagnóstico, lhe perguntou:
- Como se chama a jovem que trabalha ao seu lado no banco?
- Cíntia, respondeu ela, sem entender.
- Cíntia do quê?
- Eu não sei.
- Sabe onde ela mora?
- Não.
- O que ela faz?
- Também não sei.
O médico entendeu que o egoísmo estava roubando a alegria daquela pobre
mulher.
- Posso ajudá-la, mas você tem que prometer que fará o que eu lhe pedir.
- Farei qualquer coisa! Afirmou ela.
- Em primeiro lugar, faça amizade com Cíntia. Convide-a para jantar em sua casa.
Descubra o que ela está almejando na vida, e faça alguma coisa para ajudá-la.
- Em segundo lugar, faça amizade com seu jornaleiro e a família dele, e veja se
pode fazer alguma coisa para ajudá-los.
- Em terceiro, faça amizade com o zelador de seu prédio e descubra qual é o sonho
da vida dele.
- Em dois meses, volte para me ver.
Ao fim de dois meses, ela não voltou, mas escreveu uma carta sem sinal de
melancolia ou tristeza. Era só alegria!
Havia ajudado Cíntia a passar no vestibular.
Ajudou a cuidar de uma filha doente do jornaleiro.
Ensinou o zelador a ler e escrever, pois era analfabeto...
“Nunca imaginei que pudesse sentir alegria desta maneira!”, escreveu ela.
Os que vivem apenas para si mesmos, nunca encontrarão a paz e alegria, pois
somos chamados por Deus para ser benção na vida dos outros.
Você já conhecia este segredo?
Pense nisso..."

"SEJ A A TRANSFORMAÇÃO QUE VOCÊ QUER VER NO MUNDO" (Gandhi)

(Autor Desconhecido)









98 - A HISTÓRIA DO LÁPIS

O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E, por acaso é uma
história sobre mim? A avó parou a carta, sorriu... E comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as
palavras é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende de como olha as coisas.
- Há cinco qualidades nele que, se conseguir mantê-las será sempre uma pessoa
em paz com o mundo. - Quais são elas, vovó?
- Você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma
Mão que guia os seus passos. Esta mão nós chamamos Deus e Ele deve conduzi-lo em
direção à Sua vontade.
- De vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo e usar o apontador.
Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final ele fica mais afiado. Portanto, saiba
suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.
- O lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava
errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo ruim, mas
uma coisa importante para nos manter no caminho da justiça.
- O que realmente importa no lápis não é a madeira ou a sua forma exterior, mas o
grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.
- Finalmente, a quinta qualidade do lápis. Ele sempre deixa uma marca. Da mesma
maneira, saiba que tudo o que fizer na vida irá deixar traços... por isso, seja consciente de
cada ação que pratica.
(Autor Desconhecido)

99 - O VENTO GEME OU CANTA?
Certa vez, uma indústria brasileira de calçados desenvolveu um projeto de
exportação de sapatos para a Índia. Para viabilizar a execução do projeto, enviou dois de
seus consultores a pontos diferentes daquele país para fazer as primeiras observações do
potencial daquele futuro mercado. Após alguns dias de pesquisa, um dos consultores
enviou a seguinte mensagem para a direção da indústria:
“Senhores, cancelem o projeto de exportação, pois aqui na Índia ninguém usa
sapatos”. Sem saber dessa informação, alguns dias depois, o outro consultor informou:
“Senhores... Tripliquem o projeto de exportação, pois aqui na Índia ninguém usa
sapatos... ainda”.
A mesma situação era um tremendo obstáculo para o primeiro consultor e uma
fantástica oportunidade para o outro.
Momento de reflexão: Da mesma forma, tudo na vida pode ser visto com enfoques e
maneiras diferentes. A sabedoria popular resume essa situação na seguinte frase:
“OS TRISTES ACHAM QUE O VENTO GEME
E OS ALEGRES ACREDITAM QUE ELE CANTA”
O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo dos seus
próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida faz toda diferença.
(Autor Desconhecido)
100 – FAÇA DIFERENÇA NO MUNDO

Estávamos numa aula de fisiologia, na Escola de Medicina, logo após a semana da
Pátria. Como a maioria havia viajado, todos estavam ansiosos para contar as novidades e,
por isso, a excitação era geral.
Quando o professor entrou percebeu que iria ter muito trabalho para conseguir
silêncio. Com muita paciência tentou começar a aula, mas você acha que a turma
correspondeu? Que nada !
Com constrangimento, o professor voltou a pedir silêncio. Não adiantou... Ignoramos
a solicitação e continuamos, firmes, na conversa.
Foi aí que ele perdeu a paciência e disse:
“Prestem atenção que vou falar isto uma única vez”
Um silêncio de culpa instalou-se por toda a sala.
E o professor continuou...
“Desde que comecei a lecionar, e isso já faz muitos anos, descobri que nós
professores trabalhamos apenas 5% dos alunos de cada turma. Em todos esses anos
observei que de cada cem alunos apenas cinco são realmente aqueles que farão alguma
diferença no futuro. Apenas cinco se tornam profissionais brilhantes e que contribuem, de
forma significativa, para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Os outros 95% servem
apenas para fazer volume. São medíocres e passam pela vida sem deixar nada de útil.
O interessante é que esta porcentagem vale para todo o mundo. Prestando atenção
vocês notarão que de cem professores apenas cinco são aqueles que fazem a diferença;
de cem garçons, apenas cinco são excelentes profissionais; de cem motoristas de táxi,
apenas cinco são verdadeiros profissionais e, poderia generalizar ainda mais...
É uma pena muito grande não termos como separar estes 5% do resto, pois, se isto
fosse possível, deixaria apenas os alunos especiais nesta sala e colocaria os demais para
fora...
Então teria o silêncio necessário para ministrar uma boa aula e dormiria tranquilo
sabendo ter investido nos melhores. Mas, infelizmente, não há como saber quais de vocês
são estes alunos. Só o tempo é capaz de mostrar isso.
Portanto, terei que me conformar e tentar dar a aula para os alunos especiais
apesar da confusão que estará sendo feita pelo resto. Claro que cada um de vocês sempre
pode escolher a qual grupo pertencerá.
Obrigado pela atenção e, vamos para a aula de hoje”.
Nem preciso dizer o silêncio que ficou na sala e o nível de atenção que o professor
conseguiu após aquelas palavras.
Aliás, a lição tocou fundo em todos nós pois, minha turma teve um comportamento
exemplar em todas as aulas durante todo o semestre... Afinal quem gostaria de,
espontaneamente, ser classificado como fazendo parte do resto?
Hoje não me lembro muita coisa das aulas de fisiologia, mas a lição do professor eu
nunca mais esqueci.
Para mim, aquele professor foi um dos 5% dos que fizeram diferença na minha vida.
De fato, percebi que ele tinha razão e, desde então tenho feito de tudo para ficar no
grupo dos 5%, mas, como ele disse, não há como saber se estamos indo bem ou não... Só
o tempo dirá a que grupo pertencemos.
Contudo, uma coisa é certa: Se não tentarmos ser especiais em tudo o que
fazemos, se não tentarmos fazer tudo o melhor possível, seguramente sobraremos na
turma do resto.

(Autor Desconhecido)
101 - PAI... TÔ COM FOME

Ricardinho não aguentou o cheiro bom do pão e falou:
- Pai, tô com fome!
O pai, Agenor, sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito
cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho
e pede mais um pouco de paciência...
- Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!
Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede
para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria à sua
frente...
Ao entrar dirige-se a um homem no balcão:
- Meu senhor, estou com meu filho, de apenas seis anos, na porta com muita fome.
Não tenho nenhum tostão, pois saí cedo para buscar um emprego e nada encontrei. Eu lhe
peço que, em nome de J esus, me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse
menino.
Em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou
outro serviço que o senhor precisar.
Amaro, o dono da padaria, estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido
pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho...
Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro que, imediatamente, pede que
os dois se sentem junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF
(Prato Feito: arroz, feijão, bife e ovo)...
Para Ricardinho era um sonho comer após tantas horas na rua...
Para Agenor , uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa
o fazia lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um
punhado de fubá...
Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada...
A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se
fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena
família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de dois
anos de desemprego, humilhações e necessidades...
Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar:
- Ô Maria! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando
de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?
Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que
agradecia a Deus por ter esse prazer...
Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois
conversariam sobre trabalho...
Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já
estava nas costas...
Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria,
onde havia um pequeno escritório...
Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então,
sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de
pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada...
Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria,
e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para
pelo menos 15 dias...
Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e
marca para o dia seguinte seu início no trabalho...
Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem.
Sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso...
Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança
de dias melhores...
No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para
iniciar seu novo trabalho...
Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia porque
estava ajudando...
Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo, dentro dele, o
chamava para ajudar aquela pessoa...
E, ele não se enganou... Durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador
daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres...
Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas
para a alfabetização de adultos a um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão
que Agenor fosse estudar...
Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras
letras e a emoção da primeira carta...
Doze anos se passaram daquele primeiro dia de aula...
Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros, advogado, abrindo seu
escritório para um cliente, e depois outro, e depois mais outro...
Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica
impressionado ao ver o “antigo funcionário” tão elegante em seu primeiro terno...
Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que
mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam
muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam
pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida
diariamente na hora do almoço...
Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado
pelo seu filho, o agora nutricionista Ricardo Baptista.
Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor
impressionava a todos que conheciam pouco da história de cada um....
Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que a mesma
hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido...
Ricardinho, o filho, mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho', que seu pai
fundou com tanto carinho:
'Um dia eu tive fome, e você me alimentou.
Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho.
Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço..
Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma.
E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!!!'

Nunca é tarde para começar e sempre é cedo para parar.

(História Verídica – Autor Desconhecido)
102 - TORRADAS QUEIMADAS

Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um
lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar.
E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses,
depois de um dia muito duro de trabalho.
Naquela noite longínqua, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas
bastante queimadas, defronte ao meu pai.
Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o
que meu pai fez foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha
sido o meu dia, na escola.
Eu não me lembro o que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele
lambuzando a torrada com manteiga e geléia, e engolido cada bocado.
Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver
queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse: Amor, eu adoro torrada
queimada...
Mais tarde, naquela mesma noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai,
eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada.
Ele me envolveu em seus braços e me disse:
Filho, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada...
Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém.
A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o
melhor marido, empregado ou cozinheiro!
O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias,
escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes
para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.
Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir um as falhas do
outro. Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio
brilhando. Ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar
cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não sabe assar
uma carne como eu. Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho
rápido, sem reclamar.
A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apoia, eu e ela nos
completamos. Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois
presentes. Não que mais tarde, o dia que um partir, este Mundo vá desmoronar, não vai.
Novamente teremos que aprender e nos adaptar para fazer o melhor. De fato, poderíamos
estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e
filhos, irmãos, colegas e com amigos.
Então filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica
o precioso tempo da vida, a você e ao próximo."
"As pessoas sempre se esquecerão do que você lhes fez, ou do que lhes disse. Mas
nunca esquecerão o modo pelo qual você as fez se sentir."
Não ponha a chave de sua felicidade no bolso de outra pessoa, mas no seu próprio.
Procure ver pelos olhos de Deus e sinta pelo coração Dele. Você apreciará o calor de cada
alma, incluindo a sua.
As pessoas poderão se esquecer do que você lhes fez, ou do que lhes disse. Mas
nunca esquecerão o modo pelo qual você as fez se sentir.

Gastamos muito tempo e muitas energias nos importando com coisas pequenas,
pequenos aborrecimentos, pequenas querelas que não levam a lugar algum.
Acabam, sim, sempre nos fazendo mal, estragando o dia, que tinha tudo para ser
tão proveitoso, se houvéssemos escolhido o caminho da compreensão, da paz.
A empatia e a caridade salvarão o mundo. Assim, urge que tenhamos estas duas virtudes
muito bem construídas no coração.
Trace planos, estabeleça objetivos que compreendam a empatia e a caridade em
sua vida, e perceba que os bons resultados, na forma de felicidade intensa, virão
imediatamente.

(Redação do Momento Espírita / Autor Desconhecido)




103 - LEI DO CAMINHÃO DE LIXO



Um dia peguei um taxi para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa, quando
de repente um carro preto saltou do estacionamento na nossa frente.
O taxista pisou no freio, deslizou e escapou do outro carro por um triz!
O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós
nervosamente.
Mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. E
ele o fez de maneira bastante amigável.
Indignado lhe perguntei: 'Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro
e nos manda para o hospital! Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora
chamo de: "A Lei do Caminhão de Lixo."
Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por
ai carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e de
desapontamento.
À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para
descarregar, e às vezes descarregam sobre nós. Não tome isso pessoalmente. Isto não é
problema seu!

Apenas sorria, acene, deseje-lhes o bem, e vá em frente.
Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no
trabalho, EM CASA, ou nas ruas. Fique tranquilo... Respire E DEIXE O LIXEIRO PASSAR.
O princípio disso é que, pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo
estragarem o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo. Limpe os sentimentos ruins,
aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações.
Ame as pessoas que lhe tratam bem. E trate bem as que não o fazem.

A vida é dez por cento o que você faz dela e noventa por cento a maneira
como você a recebe!

(Autor Desconhecido)


104 - O MENDIGO E AS FLORES

Havia um homem muito rico, muito poderoso que morava em uma linda mansão.
Em um determinado dia, esse homem resolveu homenagear seus amigos com uma grande
festa em sua mansão. Então, chamou todo os seus convidados, cada qual mais abastardo
que o outro.
Era noite, fazia muito frio e chovia mansamente. As horas passavam rapidamente e,
quando a madrugada chegava, um mendigo tocou a campainha daquela casa. O anfitrião
atendeu à porta, e o velho mendigo pediu-lhe um prato de comida.
O proprietário daquela linda mansão ordenou a um de seus empregados que lhe
preparasse uma bandeja com lixo e sujeiras.
O homem rico entrou no salão com a bandeja na mão sob o olhar incrédulo dos
convidados, e diante de todos ofertou ao velho mendigo aquela bandeja contendo lixo e
sujeiras.
O velho mendigo recebeu de suas mãos aquela bandeja e, com tanta alegria e
satisfação que invadia seu coração agradeceu humildemente, o que surpreendeu a todos
que se encontravam naquela linda mansão.
Com toda a sua humildade transparente, o velho mendigo pediu àquele homem rico
que o aguardasse no salão, pois, em retribuição ao seu presente, ele também, gostaria de
presenteá-lo...
E assim, o velho mendigo saiu em êxtase, com a sua bandeja de lixo e sujeiras na
mão e, no centro do jardim daquela mansão, ele dobrou os joelhos no chão, fez uma breve
oração e lavou a bandeja com suas lágrimas, logo em seguida, colheu inúmeras e lindas
flores daquele jardim, e colocou na bandeja que brilhava de tão limpa que estava.
O velho mendigo, então, retornou ao salão daquela mansão com um radiante sorriso
estampado no rosto e a bandeja de flores na mão, e presenteou aquele homem rico,
enquanto os convidados ficavam estagnados sem acreditarem no que viam, e disse ao
homem rico:
As pessoas presenteiam aos outros com aquilo que tem de melhor dentro de seu
coração.
(Autor Desconhecido)

105 - MIOLO DE PÃO

Um casal tomava café no dia das suas bodas de ouro. A mulher passou a manteiga
na casca do pão e deu para o seu marido, ficando com o miolo.
Pensou ela:
- Sempre quis comer a melhor parte do pão, mas amo demais meu
marido e, por 50 anos, sempre lhe dei o miolo. Mas hoje quis satisfazer o
meu desejo".
Para sua imediata surpresa o rosto do marido abriu-se num sorriso sem fim e ele lhe
disse:
- Muito obrigado por este presente, meu amor. Durante 50 anos, sempre quis comer
a casca do pão, mas como você sempre gostou tanto dela, eu jamais ousei pedir !
Assim é a vida... Muitas vezes nosso julgamento sobre a felicidade alheia pode ser
responsável pela nossa infelicidade...
Diálogo, franqueza, com delicadeza sempre, são o melhor remédio.

(Autor Desconhecido)

106 - SOCORRO DO CÉU


Montado em seu cavalo, o fazendeiro dirigia-se à cidade como fazia frequentemente,
a fim de cuidar de seus negócios.
Nunca prestara atenção àquela casa humilde, quase escondida num desvio, à
margem da estrada. Naquele dia experimentou insistente curiosidade.
Quem morava ali?
Cedendo ao impulso, aproximou-se. Contornou a residência e, sem desmontar, olhou
por uma janela aberta e viu uma garotinha de aproximadamente dez anos, ajoelhada, de
mãos postas, olhos lacrimejantes...
Que faz você aí, minha filha?
Estou orando a Deus, pedindo socorro... Meu pai morreu, minha mãe está doente,
meus quatro irmãos têm fome...
Que bobagem! - disse o fazendeiro. O Céu não ajuda ninguém! Está muito distante...
Temos que nos virar sozinhos!
Embora irreverente e um tanto rude, era um homem de bom coração. Compadeceu-
se, tirou do bolso boa soma em dinheiro e a entregou à menina.
Aí está. Vá comprar comida para os irmãos e remédio para a mamãe! E esqueça a
oração.
Isto feito, retornou à estrada. Antes de completar duzentos metros, decidiu verificar
se sua orientação estava sendo observada.
Para sua surpresa, a pequena devota continuava de joelhos.
Ora essa, menina! Por que não vai fazer o que recomendei? Não lhe expliquei que
não adianta pedir?
E a menina, feliz, respondeu: Já não estou mais pedindo, estou apenas
agradecendo. Pedi a Deus e ele enviou o senhor!

Consagrada por todas as religiões, a oração é o canal divino que favorece a
assimilação das bênçãos do Céu.
Da mesma forma que é importante ter um roteiro para a jornada terrestre, que nos
diga de onde viemos e para onde vamos, é importante manter contato com as esferas
superiores, favorecendo o amparo dos benfeitores do Além.
Esse apoio manifesta-se de duas formas: objetivamente, como na historieta narrada,
em que mobilizam as circunstâncias em nosso favor. E subjetivamente, em que nos falam
através da inspiração, oferecendo-nos equilíbrio e serenidade para superar os obstáculos
do caminho.

A prece é o orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões. Filha
primogênita da fé, ela nos encaminha para a senda que conduz ao Criador.
Quando a oração sincera brota do coração, proporciona doces emoções. É como
suave brisa matinal que perpassa nossa alma inebriando-a de perfume.
É através da prece que podemos abrir os canais mentais para ouvir as vozes
brandas e suaves dos imortais.

(Autor: Richard Simonetti)



,
107 - AJUDA DIVINA

Chovia torrencialmente. O rio transbordava, as águas invadiam o vilarejo.
Aquele crente, que morava sozinho em confortável vivenda multiplicou, orações,
pedindo a assistência do Céu.
Em dado momento, ante o avanço da enchente, foi para o telhado, confiante de que
Deus o salvaria.
As águas subindo…
Passou um barco recolhendo pessoas ilhadas.
– Não é preciso. Deus me salvará!
As águas subindo…
Passou uma lancha…
– Fiquem tranqüilos! Confio em Deus.
As águas subindo…
Passou um helicóptero…
– Sem problema! Deus me protegerá.
As águas subiram mais, derrubaram a casa e o homem morreu afogado…
Diante do Criador, na vida eterna, reclamou:
– Oh! Senhor! Confiei em ti e me falhaste!
– Engano seu, meu filho! Mandei um barco, uma lancha e um helicóptero para
recolhê-lo!

Não estamos entregues à própria sorte, como sugere o pensamento materialista de
J ean Paul Sartre (1905-1980).
O Senhor não esquece ninguém. A todos estende sua mão complacente, dando-nos
condições para enfrentar nossas dificuldades e dissabores.
Há um problema: raramente identificamos a ação divina. Isso porque as respostas
de Deus nem sempre correspondem às nossas expectativas.
Pedimos o que desejamos.
Deus nos dá o que precisamos.
Os temporais da existência simbolizam as esfregadas da Providência Divina,
ensejando mudança de rumo.




(Autor: Richard Simonetti)











108 - TOC TOC TOC

Três velhinhas tomavam o chá da tarde.
Preocupada, ponderava uma delas:
– Minhas queridas, creio que estou ficando esclerosada. Ontem me vi com a
vassoura na mão e não me lembrava se varrera a casa ou não.
– Isso não é nada, minha filha – comentou a segunda –, noutro dia, de camisola ao
lado da cama, eu não sabia se tinha acabado de acordar ou se me preparava para dormir.
– Cruzes! – espantou-se a terceira. – Deus me livre de ficar assim!
E deu três pancadas na mesa, com o nó dos dedos, toc-toc-toc, enfatizando:
– Isola!
Logo emendou:
– Esperem um pouco. J á volto. Tem gente batendo na porta!

Pois é, leitor amigo, parece que velhice é sinônimo de memória fraca, raciocínio
lento, confusão mental… Sabemos que a evocação do passado e o registro do presente
dependem das conexões entre os neurônios, as chamadas sinapses. Há uma perda de
ambos com o passar do tempo. O cérebro também envelhece.
Mas, e o Espírito? Não reside no ser pensante, imortal, a sede da memória? Não
está ele isento de degeneração celular? Obviamente, sim!

Sabe-se hoje que é possível prolongar o viço, cultivando existência saudável –
ginástica, alimentação adequada, disciplina de trabalho e repouso, ausência de vícios…
Da mesma forma, podemos conservar, até a idade provecta, a acuidade mental, desde que
nos disponhamos a elementar cuidado: exercitar os miolos.
A experiência demonstra: as pessoas que cultivam o hábito de ler chegam mais
longe com lucidez, preservam a memória, não obstante o avançar dos anos.
Sem movimentar os neurônios a velhice perde-se em sombras.

É preciso conservar a vivacidade, o ideal de aprender, de desdobrar experiências,
considerando que sempre é possível ampliar horizontes, fazer novas aquisições.
Alguém poderia contestar, afirmando que seria pura perda de tempo na idade
avançada, porém, nenhum aprendizado será ocioso.

Um velhinho de oitenta anos propôs-se a tocar piano. O professor alertou:
– Estudo longo e cansativo. Pela ordem natural, o senhor não usufruirá desse
aprendizado.
E ele, animado:
– De forma alguma! Se não der para tocar aqui, serei pianista no Além!
Certíssimo!


(Autor: Richard Simonetti)







109 - A COR DO MUNDO

O ancião descansava em tosco banco, à sombra de uma árvore, quando foi
abordado pelo motorista de um automóvel que estacionou a seu lado: – Bom dia!
– Bom dia!
– Venho de mudança. Gostaria de saber como é o povo daqui.
– Fale antes da cidade de onde vem.
– Ótima. Maravilhosa! Gente boa, fraterna... Fiz muitos amigos. Só a deixei por
imperativos da profissão.
– Esta cidade é exatamente igual. Vai gostar daqui.
O forasteiro agradeceu e partiu. Minutos depois apareceu outro motorista: – Estou
vindo de mudança. O que me deste lugar?
– Como é a cidade de onde saiu?
– Horrível! Povo orgulhoso, cheio de preconceitos, arrogante! Não fiz um único
amigo!
– Sinto muito, pois aqui você encontrará o mesmo ambiente...

É assim mesmo, amigo leitor. Vemos nas pessoas algo do que somos, do que
pensamos, de nossa maneira de ser. Se o indivíduo é nervoso, agressivo ou pessimista,
verá tudo pela ótica de suas tendências, imaginando conviver com gente desse naipe.
Pessoas assim atormentam-se com a convicção de que ninguém as entende, ninguém as
estima, ninguém lhes têm consideração. Semelhante atitude é um desastre, conturbando-
lhes o psiquismo e favorecendo o envolvimento com influências espirituais que
realimentam indefinidamente seus grilos e exacerbam suas angústias.
É preciso mudar de óculos. Evitar lentes negras, a visão escura, sombria, pesada,
densa. Com lentes claras, de otimismo e alegria, enxergaremos melhor, caminharemos
com mais segurança, sem tropeços indesejáveis, sem distorções da realidade.
A felicidade não é um favor do Céu, assim como a infelicidade não é uma imposição do
destino. Ambas de¬pendem muito mais do que oferecemos à Vida e muito menos do que
dela recebemos. O indivíduo pode nascer sem braços, ter grave enfermidade congênita,
sofrer irreparável perda material, enfrentar sérios embaraços no relacionamento familiar e
ainda assim conservar a capacidade de ser feliz. Depende exclusivamente dele, de como
enfrenta seus problemas.
Lembrando uma velha expressão: A felicidade não é uma estação, na viagem da
existência; felicidade é uma maneira de viajar.

Não é fácil mudar de óculos, cultivar otimismo irrestrito, ver o lado positivo das
situações e das pessoas, mesmo porque estamos condicionados por seculares tendências
negativas. No entanto, em nosso próprio benefício, é preciso iniciar um treinamento nesse
sentido, considerando que princípio de angu é mingau. Com boa vontade e perseverança
chegaremos lá.
É tudo uma questão de ótica. Tudo fica mais claro e fácil se usamos óculos
adequados. Se você põe óculos de bondade, de amor, tudo é belo, positivo, porque
positivo e belo está você.
Se você é vingativo, invejoso, egoísta, vê o Mundo desse jeito, porque desse jeito é
você. Do modo que você fala, do modo que você vê, do modo que você pensa, desse
modo é você.
Você é a medida do seu mundo, Mas... que felicidade! Que alegria, se Cristo fosse a
medida de você!
(Autor: Richard Simonetti)
110 - A PARÁBOLA DA VACA

Um sábio mestre e seu discípulo andavam pelo interior do país há muitos dias e
procuravam um lugar para descansar durante a noite. Avistaram, então, um casebre no
alto de uma colina e resolveram pedir abrigo àquela noite. Ao chegarem ao casebre, foram
recebidos pelo dono, um senhor maltrapilho e cansado. Ele os convidou a entrar e
apresentou sua esposa e seus três filhos.
Durante o jantar, o discípulo percebeu que a comida era escassa até mesmo para
somente os quatro membros da família e ficou penalizado com a situação. Olhando para
aqueles rostos cansados e subnutridos, perguntou ao dono como eles se sustentavam.
O senhor respondeu:
- Está vendo àquela vaca lá fora? Dela tiramos o leite que consumimos e fazemos queijo.
O pouco de leite que sobra, trocamos por outras mercadorias na cidade. Ela é nossa fonte
de renda e de vida. Conseguimos viver com o que ela nos fornece.
O discípulo olhou para o mestre que jantava de cabeça baixa e terminou de jantar
em silêncio.
Pela manhã, o mestre e seu discípulo levantaram antes que a família acordasse e
preparavam-se para ir embora quando o discípulo disse:
- Mestre, como podemos ajudar essa pobre família a sair dessa situação de
miséria?
O mestre então falou:
- Quer ajudar essa família? Pegue a vaca deles e empurre precipício abaixo.
O discípulo espantado falou:
- Mas a vaca é a única fonte de renda da família, se a matarmos eles ficarão mais
miseráveis e morrerão de fome!
O mestre calmamente repetiu a ordem:
- Pegue a vaca e empurre-a para o precipício.
O discípulo indignado seguiu as ordens do mestre e jogou a vaca precipício abaixo e
a matou.
Alguns anos mais tarde, o discípulo ainda sentia remorso pelo que havia feito e
decidiu abandonar seu mestre e visitar àquela família.
Voltando a região, avistou de longe a colina onde ficava o casebre, e olhou
espantado para uma bela casa que havia em seu lugar.
- De certo, após a morte da vaca, ficaram tão pobres e desesperados que tiveram
que vender a propriedade para alguém mais rico. – pensou o discípulo.
Aproximou-se da casa e, entrando pelo portão, viu um criado e lhe perguntou:
- Você sabe para onde foi à família que vivia no casebre que havia aqui?
- Sim, claro! Eles ainda moram aqui, estão ali nos jardins. – disse o criado,
apontando para frente da casa.
O discípulo caminhou na direção da casa e pôde ver um senhor altivo, brincando
com três jovens bonitos e uma linda mulher. A família que estava ali não lembrava em
nada os miseráveis que conhecera tempos atrás.
Quando o senhor avistou o discípulo, reconheceu-o de imediato e o convidou para
entrar em sua casa.
O discípulo quis saber como tudo havia mudado tanto desde a última vez que os viu.
O senhor então falou:
- Depois daquela noite que vocês estiveram aqui, nossa vaquinha caiu no precipício
e morreu. Como não tínhamos mais nossa fonte de renda e sustento, fomos obrigados a
procurar outras formas de sobreviver. Descobrimos muitas outras formas de ganhar
dinheiro e desenvolvemos habilidades que nem sabíamos que éramos capazes de fazer.
E continuou:
- Perder aquela vaquinha foi horrível, mas aprendemos a não sermos acomodados e
conformados com a situação que estávamos. Às vezes precisamos perder para ganhar
mais adiante.
Só então o discípulo entendeu a profundidade do que o seu ex-mestre o havia
ordenado fazer.
Procure em sua vida se não há uma vaquinha para empurrar no precipício ou se alguma já
caiu e você não percebeu que foi algo bom.
Perder um emprego, acabar um relacionamento e outras tantas outras coisas
traumáticas são como marcos em nossas vidas, servem para mostrar que você passou por
ali e sobreviveu, ficou melhor e mais forte.
Se sua vida mudou por uma circunstância dessas, agradeça. Mesmo que pareça
ruim agora, tudo leva a um caminho melhor, só depende de como você vê.

(Autor Desconhecido)



111 - A TIGELA DE PLÁSTICO

Um senhor de idade avançada foi morar com o filho, a nora e o netinho de 4 anos.
As mãos do velhinho estavam trêmulas, sua visão embaçada e os passos, vacilantes.
A família comia reunida à mesa. Mas as mãos trêmulas e a visão falha do avô o
atrapalhavam na hora de comer. A comida rolava de sua colher e caía no chão. Quando
pegava a tigela, a sopa era derramada na toalha.
O filho e a nora irritaram-se com a bagunça: - Precisamos tomar uma providência
com respeito ao papai, disse o filho.
- J á tivemos suficiente sopa derramada, barulho de gente comendo com a boca
aberta e comida pelo chão.
Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha.
Ali, o avô começou a comer sozinho, enquanto o resto da família fazia as refeições na sala
de jantar, com satisfação.
Desde que o velhinho quebrara um prato e duas tigelas de louça, sua comida era
servida numa tigela de plástico resistente. Quando a família olhava para o avô sentado ali
sozinho, às vezes notava que elo tinha lágrimas nos olhos.
Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram admoestações ásperas
quando ele deixava um palito ou comida cair ao chão. O menino de 4 anos assistiu a tudo
em silêncio, por algum tempo, porém um dia, o pai percebeu que o filho estava procurando
algo dentro do armário da cozinha. Curioso o pai pergunta:
- O que esta procurando, filho?
- Estou procurando outra tigelinha de plástico, papai? - respondeu.
- Mas pra que, por acaso o vovô perdeu a dele. - questiona o pai.
- Não, papai! Mas percebi que você esta ficando velho, e preciso saber se tem uma
tigela igual a do vovô pra você aqui também...
E assim o garoto continuou sua procura...

(História adaptada de uma Lenda J aponesa – Autor Desconhecido)



112 - A CRUZ MUITO PESADA

Zé era uma dessas pessoas que vive fugindo das dificuldades.
Sempre procurou caminho mais curto e cómodo. Era mestre em atalhos.
Nem sempre suas soluções eram as melhores. Mas sempre estavam de acordo com
os seus próprios interesses. Sofrimento era uma palavra que simplesmente não existia
no dicionário do Zé.
Tudo o que pudesse provocar algum tipo de desconforto era imediatamente
colocado em segundo lugar. Coisas como: solidariedade, amor, desinteressado,
humildade, perdão... Um dia Zé morreu,..
Ao chegar no Céu encontrou São Pedro em frente a uma grande porta com uma
imensa cruz de mais ou menos cinco metros.
Zé saudou o Santo com a intimidade de um velho conhecido, ... do jeito que fazia
com os amigos nos bares da vida, quando queria pedir algum favor.
Depois, então, Zé lhe perguntou: Qual o caminho mais curto para o céu?
São Pedro respondeu: "Seja Bem-vindo, Zé! A porta é por aqui mesmo ... Entre!"
O Zé entrou e viu uma longa escada, bastante estreita e pedregosa.
E perguntou imediatamente, como fazia nos velhos tempos: Não tem um caminho
mais curto?
São Pedro respondeu com ternura e autoridade: "Não, Zé. O caminho é esse mesmo.
Todos os que entram no céu passam por aqui. E tem mais. Você deverá levar esta Cruz
até lá. São apenas cinco quilometros de caminhada."
O Zé olhou para a Cruz e pensou com seus botões: Vou dar um jeitínho.
Agradeceu e saiu com sua Cruz em direção ao Paraíso.
Caminhou um quilómetro sem dificuldades. Foi então que viu um serrote
esquecido no chão. Olhou ao redor, não viu ninguém e não resistindo a tentação,
cortou um metro da Cruz.
Continuou o seu caminho mas levou junto o serrote. Mais um quilometro ...
mais um metro cortado. Mais um quilómetro ... cortou outro metro.
Quando faltava apenas cem metros para chegar no Céu só havia mais um
metro da Cruz. E lá ia o Zé carregando a cruz sem dificuldade, como sempre fez
durante toda sua vida. Foi então que aconteceu o inesperado. Para chegar até o
Céu, seria necessário atravessar um precipício, A distancia até a outra margem era
de cinco metros.
O Zé podia ver apenas um fogo intenso no fundo do precipício. Faltou
coragem... ele não seria capaz de saltar tão longe.
Desanimado, sentou. Lembrou então a oração do Anjo da Guarda que aprendera
com sua avó. Começou a rezar ... e logo seu Anjo da Guarda apareceu e
perguntou: Ei Zé... o que você está esperando? A festa lá no Céu está uma maravilha.
Você não está escutando a música e as danças?... Porque você está aqui sentado?
O Zé respondeu: Cheguei até aqui, mas tenho medo de pular este precipício. O
Anjo, então, exclamou: Ora, Zé use a ponte.
- Que ponte?... perguntou o Zé. E o Anjo respondeu: Aquela que São Pedro lhe deu
lá na entrada! Onde está a sua ponte, Zé? E, Zé compreendendo o seu grande erro
respondeu tristemente ao Anjo: Eu a cortei!

(Autor Desconhecido)



113 - ESPELHO DA VIDA

Renato quase não viu a senhora com o carro parado no acostamento. Chovia forte e
já era noite. Mas percebeu que ela precisava de ajuda.
Assim, parou seu carro e se aproximou. O carro dela cheirava a tinta, de tão
novinho. A senhora pensou que pudesse ser um bandido?
Ele não parecia seguro, parecia pobre e faminto. Renato percebeu que ela estava
com muito medo e disse:
- Eu estou aqui para ajudar madame, não se preocupe. Por que não espera no carro
onde está quentinho? A propósito, meu nome é Renato.
Bem, tudo que ela tinha era um pneu furado, mas para uma senhora de idade
avançada era ruim o bastante. Renato abaixou-se, colocou o macaco e levantou o carro.
Logo ele já estava trocando o pneu. Mas ficou um tanto sujo e ainda feriu uma das mãos.
Enquanto ele apertava as porcas da roda, ela abriu a janela e começou a conversar
com ele. Contou que era de São Paulo e que só estava de passagem por ali e que não
sabia como agradecer pela preciosa ajuda. Renato apenas sorriu enquanto se levantava.
Ela perguntou quanto devia. J á tinha imaginado todos as terríveis coisas que
poderiam ter acontecido se Renato não tivesse parado e ajudado. Renato não pensava em
dinheiro, Gostava de ajudar as pessoas.
Este era seu modo de viver. E respondeu: “Se realmente quiser me pagar, da
próxima vez que encontrar alguém que precise de ajuda, dê para aquela pessoa a ajuda
de que ela precisar e lembre-se de mim”.
Alguns quilômetros depois a senhora em um pequeno restaurante simples, a
garçonete veio até ela e trouxe-lhe uma toalha limpa para secar o cabelo molhado e lhe
dirigiu um doce sorriso.
A senhora notou que a garçonete estava com quase oito meses de gravidez, mas
ela não deixou a tensão e as dores mudarem a sua atitude.
A senhora ficou curiosa em saber como alguém que tinha tão pouco, podia tratar
tão bem a um estranho. Então se lembrou de Renato.
Depois que terminou a sua refeição, e enquanto a garçonete buscava troco, a
senhora retirou-se. Quando a garçonete voltou, queria saber onde a senhora poderia ter
ido, quando notou algo escrito no guardanapo, sob o qual tinha 4 notas de R$ 100,00.
Correram lágrimas em seus olhos quando leu o que a senhora escreveu. Dizia:
- Você não me deve nada, eu já tenho o bastante. Alguém me ajudou hoje e da
mesma forma estou lhe ajudando. Se você realmente quiser me reembolsar por este
dinheiro, não deixe este círculo de amor terminar com você, ajude alguém.
Aquela noite, quando foi para casa cansada e deitou-se na cama, seu marido já
estava dormindo e ela ficou pensando no dinheiro e no que a senhora deixou escrito.
Como pôde aquela senhora saber o quanto ela e o marido precisavam disto? Com o
bebê que estava para nascer no próximo mês, como estava difícil... Ficou pensando na
bênção que havia recebido, deu um grande sorriso.
Agradeceu a Deus e virou-se para o preocupado marido que dormia ao lado, deu-
lhe um beijo macio e sussurrou:
-Tudo ficará bem; eu te amo Renato.

A VIDA É ASSIM... UM ESPELHO...
TUDO QUE VOCÊ TRANSMITE VOLTA PRA VOCÊ!!!

(Autor Desconhecido)

114 - NADA ACONTECE POR ACASO

Um dia, um rapaz pobre que vendia mercadorias, de porta em porta, para pagar
seus estudos, quando notou que só lhe restava uma simples moeda de dez centavos e
tinha fome.
Decidiu que pediria comida na próxima casa. Porém, seus nervos o traíram quando
uma encantadora mulher jovem lhe abriu a porta.
Em vez de comida, pediu um copo de água. Ela pensou que jovem parecia faminto
e assim lhe deu um grande copo de leite. Ele bebeu devagar e depois lhe perguntou:
-Quanto lhe devo?
-Não me deves nada - respondeu ela.
E continuou: - Minha mãe sempre nos ensinou a nunca aceitar pagamento
por uma oferta caridosa.
Ele disse:
- Pois te agradeço de todo coração.
Quando Howard Kelly saiu daquela casa, não só se sentiu mais forte fisicamente,
mas também sua fé em Deus e nos homens ficou mais forte. Ele já estava resignado a se
render e deixar tudo.
Anos depois, essa jovem mulher ficou gravemente doente. Os médicos locais
estavam confusos.
Finalmente a enviaram à cidade grande, onde chamaram um especialista para
estudar sua rara enfermidade.
Chamaram o Dr. Howard Kelly.
Quando escutou o nome do povoado de onde ela viera, uma estranha luz encheu
seus olhos.
Imediatamente, vestido com a sua bata de médico, foi ver a paciente.
Reconheceu imediatamente aquela mulher.
Determinou-se a fazer o melhor para salvar aquela vida.
Passou a dedicar atenção especial àquela paciente.
Depois de uma demorada luta pela vida da enferma, ganhou a batalha.
O Dr. Kelly pediu a administração do hospital que lhe enviasse a fatura total dos
gastos para aprová-la.
Ele a conferiu, depois escreveu algo e mandou entregá-la no quarto da paciente.
Ela tinha medo de abri-la, porque sabia que levaria o resto da sua vida para
pagar todos os gastos.
Mas finalmente abriu a fatura algo lhe chamou a atenção, pois estava escrito o
seguinte: "Totalmente pago há muitos anos com um copo de leite ass.: Dr.Howard Kelly."
Lágrimas de alegria correram dos olhos da mulher e seu coração feliz rezou assim:
“Graças meu Deus porque teu amor se manifestou nas mãos e nos corações humanos."

"... O maior erro do ser humano é tentar tirar da cabeça aquilo que não sai do coração..."

(Autor Desconhecido)







115 - AMIGOS PARA SEMPRE

Eis uma história que nem todos conhecem, mas que nos leva a pensar se
precisamos mesmo viver com a realidade.
Plácido Domingo e J osé Carreras referem-se a dois dos três tenores (junto Luciano
Pavaroti) que, cantando, encantaram o mundo.
Mesmo quem nunca visitou a Espanha conhece a rivalidade existente entre catalães
e madrilenos, dado que os catalães lutam pela autonomia, numa Espanha dominada por
Madri. Pois bem... Plácido Domingo é madrileno... J osé Carreras é catalão...
Devido a questões políticas, em 1984, Carreras e Domingos tornaram-se inimigos.
Sempre muito solicitados em todo o mundo, ambos faziam questão de exigir nos seus
contratos, que só atuariam em determinado espetáculo se o adversário não fosse
convidado.
Em 1987, apareceu a Carreras um inimigo muito mais implacável que o seu rival
Plácido Domingo. Foi surpreendido por um diagnóstico terrível: LEUCEMIA.
A luta contra o câncer foi muito difícil, tendo-se que ser submetido a diversos
tratamentos, a um transplante de medula óssea, além de uma mudança de sangue que o
obrigava a viajar, mensalmente, até os Estados Unidos.
Nestas circunstâncias não podia trabalhar e, apesar de ser dono de uma fortuna
razoável, os elevadíssimos custos das viagens e dos tratamentos dilapidaram as suas
finanças.
Quando não tinha mais condições financeiras, teve conhecimento da existência de
uma fundação em Madri, cuja finalidade era apoiar o tratamento de doentes com leucemia.
E, graças ao apoio da FUNDAÇÃO FORMOSA, Carreras venceu a doença e voltou a
cantar.
Voltou a receber os altos cachês que merecia e resolveu associar-se à fundação.
Foi ao ler aos estatutos da FUNDAÇÃO FORMOSA que descobriu que o fundador, o maior
colaborador e o seu presidente era Plácido Domingo.
Nesse momento soube que Plácido tinha criado a fundação para ajudá-lo e que
tinha se mantido no anonimato para que ele não se sentisse humilhado ao aceitar o auxilio
do seu “inimigo”.
Mas... O mais comovente foi o encontro de ambos.
Surpreendendo Plácido Domingo num dos seus concertos em Madri, Carreras
interrompeu o espetáculo subindo ao palco e, humildemente, ajoelhou-se aos seus pés,
pediu-lhe desculpas e agradeceu-lhe publicamente.
Plácido ajudou-o a levantar-se e com um forte abraço selaram o inicio de uma
grande e bela amizade.
Tempos depois, uma jornalista perguntou a Plácido Domingo porque criara a
FUNDAÇÃO FORMOSA, num gesto que, além de ajudar um “inimigo”, ajudava também o
único artista que poderia fazer-lhe concorrência.
A sua resposta foi curta e definitiva:
“ Porque uma voz como aquela não poderia se perder” .
Esta é uma história real da nobreza humana e deveria servir-nos de exemplo e
inspiração.


(História Veridica)



116 – OI JESUS, EU SOU O ZÉ

Cada dia, ao meio dia, um pobre velho entrava na igreja e, poucos minutos depois,
saía. Um dia, o sacristão lhe perguntou o que fazia, pois havia objetos de valor na igreja.
Venho rezar, respondeu o velho.
Mas é estranho, disse o sacristão, que você consiga rezar tão depressa.
Bem, retrucou o velho, eu não sei rezar aquelas orações compridas. Mas todo dia, ao meio
dia, eu entro na igreja e falo:
"Oi J esus, eu sou o Zé. Vim visitar você."
Num minuto, já estou de saída. É só uma oraçãozinha, mas tenho certeza que Ele
me ouve.
Alguns dias depois, Zé sofreu um acidente e foi internado num hospital. Na
enfermaria, passou a exercer grande influência sobre todos.
Os doentes mais tristes tornaram-se alegres e, naquele ambiente onde antes só se
ouviam lamentos, agora muitos risos passaram a ser ouvidos.
Um dia, a freira responsável pela enfermaria aproximou-se do Zé e comentou: Os
outros doentes dizem que você está sempre tão alegre, Zé...
O pobre enfermo respondeu prontamente: É verdade, irmã. Estou sempre muito
alegre! E digo-lhe que é por causa daquela visita que recebo todos os dias. Ela me faz
imensamente feliz.
A irmã ficou intrigada. J á tinha notado que a cadeira encostada na cama do Zé
estava sempre vazia. Aquele velho era um solitário, sem ninguém.
Quem o visita? E a que horas? Perguntou-lhe.
Bem, irmã, todos os dias, ao meio dia, Ele vem ficar ao pé da cama por alguns
minutos, talvez segundos... Quando olho para Ele, Ele sorri e me diz:
"Oi Zé, eu sou J esus, vim te visitar".

A história é singela e seu autor é desconhecido.
No entanto, o ensinamento que contém nos faz refletir profundamente.
Fala-nos da fé, da simplicidade, da dedicação e da perseverança.
Quem de nós dispõe, como o Zé, diariamente, de alguns minutos para falar com
J esus?
Muitos ainda confundimos a oração com um amontoado de palavras que vão saindo
da boca, destituídas de sentimento e de humildade.
Quantos de nós temos tal perseverança, tanto nas horas de alegria quanto nas de
dor, para elevar o pensamento a J esus, confiando-lhe a nossa intimidade, com a certeza
de que Ele nos ouvirá?
A oração é uma ponte que se distende da alma opressa para que o alívio possa
chegar. É o fio misterioso, que nos coloca em comunhão com as esferas divinas.
É um bálsamo que cura nossas chagas interiores. É um templo, em cuja doce intimidade
encontraremos paz e refúgio. Enfim, para as sombras da nossa alma, a oração será
sempre libertadora alvorada, repleta de renovação e luz.
É importante que cultivemos a fé inabalável nas soberanas leis que regem a vida e
das quais o Sublime Galileu nos trouxe notícias.
É preciso orar, ainda que a nossa oração seja singela, mas que seja movida pelo
sentimento. Orando, chegarás ao Senhor, que te deu, na prece, um meio seguro de
comunicação com a infinita bondade de Deus, em cujo seio dessedentarás o Espírito
aflito...

(Autor Desconhecido)
117 - O ALPINISTA

Contam que um alpinista, desesperado por conquistar uma altíssima montanha, inici
ou a escala depois de anos de preparação. Como queria a glória só para si, resolveu subir
sem companheiros.
Durante a subida foi ficando tarde e mais tarde, e ele para ganhar tempo decidiu por
não acampar, sendo que continuou subindo... E por fim ficou escuro.
A noite era muito densa naquele ponto da montanha, e não se podia ser absolutame
nte nada. Tudo era negro, visibilidade zero, a lua e as estrelas estavam encobertas pelas n
uvens.
Ao subir por um caminho estreito, a apenas poucos metros do topo, escorregou e pr
ecipitou-se pelos ares, caindo a uma velocidade vertiginosa.
O alpinista via apenasmanchas escuras passando por ele e sentia terrível sensação
de estar sendo sugado pela gravidade.
Continuava caindo... E em seus angustiantes momentos, passaram por sua mente
alguns episódios felizes e outros tristes de sua vida.
Pensava na proximidade da morte, sem solução...
De repente, sentiu um fortíssimo solavanco, causado pelo esticar da corda na qual e
stava amarrado e presa nas estacas cravadas na montanha.
Nesse momento de silêncio e solidão, suspenso no ar, não havia nada que pudesse
fazer, então gritou com todas suas forças:
MEU DEUS, ME AJ UDA!
De repente, uma voz grave e profunda vinda dos céus lhe respondeu:
QUE QUERES QUE EU FAÇA?
Salve-me, DEUS!
-REALMENTE CRÊS QUE EU POSSO SALVÁ-LO?
- Com toda certeza Senhor!
_ ENTÃO CORTA A CORDA NA QUAL ESTÁ AMARRADO...
Houve um momento de silêncio. Então o homem agarrou-se ainda mais fortemente
à corda.
_PORQUE DUVIDAS? NÃO CRÊS QUE SOU DEUS E POSSO SALVA-LO?
Sim Senhor, mas...
_ SE CRERES EM MIM, CORTA A CORDA!
Conta a equipe de resgate, que no outro dia encontraram o alpinista morto, congela
do pelo frio, com as mãos agarradas fortemente a corda ...
HÁ APENAS DOIS METROS DO SOLO...

E você? Cortaria a corda?

Às vezes precisamos tomar decisões que testam nossa fé em Deus. E nós, que
estamos tão agarrados às cordas? Será que a cortaríamos?
Você, realmente confia em Deus?


(Autor Desconhecido)





118 - O VERDADEIRO AMOR

Um senhor de idade chegou a um consultório médico, para fazer um curativo em
sua mão, na qual havia um profundo corte.
E muito apressado pediu urgência no atendimento, pois tinha um compromisso.
O médico que o atendia, curioso, perguntou o que tinha de tão urgente para fazer.
O simpático velhinho lhe disse que todas as manhãs ia visitar sua esposa que
estava em um abrigo para idosos, com mal de Alzheimer muito avançado.
O médico muito preocupado com o atraso do atendimento disse:
- Então hoje ela ficará muito preocupada com sua demora?
No que o senhor respondeu:
-Não, ela já não sabe quem eu sou.
Há quase cinco anos que não me reconhece mais.
O médico então questionou:
- Mas então para quê tanta pressa, e necessidade em estar com ela todas as
manhãs, se ela já não o reconhece mais?
O velhinho então deu um sorriso e batendo de leve no ombro do médico respondeu:
-Ela não sabe quem eu sou... Mas eu sei muito bem quem ela é!
O médico teve que segurar suas lágrimas enquanto pensava...


" O verdadeiro AMOR, não se resume ao físico, nem ao romântico. O verdadeiro
AMOR, é a aceitação de tudo que o outro é, de tudo que foi um dia... do que será
amanhã... e do que já não é mais!"


119 - O SOBREVIVENTE

Após um naufrágio, o único sobrevivente agradeceu a Deus por estar vivo e ter
conseguido se agarrar a parte dos destroços para poder ficar boiando. Este único
sobrevivente foi parar em uma pequena ilha desabitada e fora de qualquer rota de
navegação. Com muita dificuldade e restos dos destroços, ele conseguiu montar um
pequeno abrigo para que pudesse se proteger do sol, da chuva, de animais, e para
guardar seus poucos pertences. Novamente agradeceu.
Nos dias seguintes a cada alimento que conseguia caçar ou colher, ele agradecia.
No entanto um dia quando voltava da busca por alimentos, ele encontrou o seu
abrigo em chamas, envolto em altas nuvens de fumaça. Terrivelmente desesperado ele se
revoltou. Gritava chorando:”O pior aconteceu! Perdi tudo! Deus, por que fizestes isso
comigo?” Chorou tanto , que adormeceu, profundamente cansado. No dia seguinte bem
cedo, foi despertado pelo som de um navio que se aproximava.
“Viemos resgatá-lo”-disseram. “Como souberam que eu estava aqui?”-perguntou.
“Nós vimos o seu sinal de fumaça!”

É comum sentirmo-nos desencorajados e até desesperados quando as coisas vão
mal. Mas Deus age em nosso benefício, mesmo nos momentos de dor e sofrimento.
Assim, se algum dia o seu único abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de
fumaça que fará chegar até você à Graça Divina.
Para cada pensamento negativo nosso Deus tem uma resposta positiva.

(Autor Desconhecido)
120 - CARINHO CURA FERIDAS


Relata Sra. Thompson, que no seu primeiro dia de aula, parou em frente aos seus
alunos da Quinta série primária e, como todos os demais professores, lhes disse que
gostava de todos por igual.
No entanto, ela sabia que isso era quase impossível, já que na primeira fila estava
sentado um garoto chamado Teddy. A professora havia observado que ele não se dava
bem com os colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam sujas e cheirando
mal. Houve até momentos em que ela sentia prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir
suas provas e trabalhos.
Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha
escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações feitas em cada ano. A Sra.
Thompson deixou a ficha de Teddy por último. Mas quando a leu foi grande sua surpresa.
A professora do primeiro ano escolar de Teddy havia anotado o seguinte: Teddy é
um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito
nítidos.Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele.
A professora do segundo ano escreveu: Teddy é um aluno excelente e muito
querido pelos seus colegas, mas tem estado preocupado com a mãe que está com uma
doença grave e desenganada pelos médicos. A vida em seu lar deve estar muito difícil.
Da professora do terceiro ano constava a anotação seguinte: a morte de sua mãe foi
um golpe muito duro para Teddy. Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum
interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo. A
professora do quarto ano escreveu: Teddy anda muito distraído e não mostra interesse
algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula.
A Sra. Thompson se deu conta do problema e ficou terrivelmente
envergonhada.Sentiu - se ainda pior quando lembrou dos presentes que os alunos lhe
haviam dado, envoltos em papéis coloridos, exceto o de Teddy, que estava enrolado num
papel marrom de supermercado.
Lembra - se de que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao
ver uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Apesar das
piadas, ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco do
perfume sobre a mão. Naquela ocasião Teddy ficou um pouco mais tempo na escola do
que o de costume.
Lembrou-se ainda, que Teddy lhe disse que ela estava cheirosa como a mãe.
Naquele dia, depois que todos se foram, a professora Thompson chorou por longo
tempo.... Em seguida, decidiu- se a mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais
atenção aos seus alunos, especialmente a Teddy.
Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava, e quando mais ela lhe
dava carinho e atenção, mais ele se animava. Ao finalizar o ano letivo, Teddy saiu como o
melhor da classe. Um ano mais tarde a Sra. Thompson recebeu uma notícia em que Teddy
lhe dizia que ela era a melhor professora que teve na vida.
Seis anos depois, recebeu outra carta de Teddy, contando que havia concluído o
segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera. As notícias se
repetiram até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Theodore Stoddard, seu
antigo aluno, mais conhecido como Teddy.
Mas a história não terminou aqui. A Sra. Thompson recebeu outra carta, em que
Teddy a convidava para seu casamento e noticiava a morte de seu pai. Ela aceitou o
convite e no dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de Teddy anos antes.
Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Teddy lhe disse
ao ouvido: obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me
que posso fazer diferença.
Mas ela, com os olhos banhados em pranto sussurrou baixinho: você está
enganado! Foi você que me ensinou que eu podia fazer diferença, afinal eu não sabia
ensinar até que o conheci.

(Autor Desconhecido)


121 - O TAMANHO DA SUA CRUZ


Era uma vez um homem chamado Amauri. Ele era daquele tipo que vivia
reclamando da vida. Dizia que já não agüentava mais tanto sofrimento: era mulher
reclamando, filhos querendo brinquedos novos, contas pra pagar, aluguel, comida, ônibus
lotado ...Ele já não sabia mais o que fazer. A única coisa que ainda o mantinha de pé era
sua fé. Todas as noites, quando deitava, ele rezava e conversava com Deus.
Até que um dia, no meio das suas orações e das suas reclamações, Deus apareceu
na sua frente e disse:
- Amauri, por que você reclama tanto da vida? - E Amauri, assustado, mas
confiante, disse:
- Sabe meu Deus, com todo respeito, eu não agüento mais esta cruz, ela é muito
pesada para mim.
- Então, Deus pensou um pouco e disse:
- Bom, apesar de reclamar muito da vida, você tem sido um bom homem. Então vou
deixar que você escolha a cruz que deseja carregar...
Amauri ficou muito feliz e se ajoelhou na frente de Deus. Porém, Deus lhe pediu que
se levantasse e o levou até uma sala. Quando abriu a porta, Amauri percebeu que ali
existiam grandes cruzes. Muito tranqüilo, Deus pediu que ele olhasse bem e escolhesse
uma cruz para carregar pelo resto de seus dias.
Amauri ficou olhando pra cada tipo de cruz que existia naquela sala, desde uma
gigantesca até uma bem pequenina no canto da sala. Ele andou, andou e, se achando
muito esperto, correu, agarrou uma cruz bem pequena e gritou para Deus:
- Pronto, já escolhi! Eu quero esta pequenina aqui!
Deus observou a escolha de Amauri, pediu que ele olhasse atrás da cruz e lesse em
voz alta o nome que estava gravado nela. Amauri, virou a cruz e teve uma grande
surpresa: o nome que estava gravado era justamente o seu...

LIÇÃO DE VIDA:

Todos temos problemas, dificuldades, uma cruz para carregar. Mas o peso da nossa
cruz, depende de como reagimos: se escolhemos só reclamar, a cruz fica realmente muito
pesada. Mas se vamos à luta, com fé e vontade de vencer, a cruz fica leve, fácil de ser
carregada. Por isso, pare de reclamar e lembre-se: Deus te deu a cruz exatamente do
tamanho que você pode carregar!!!

(Autor Desconhecido)


122 - TOMAR CAFÉ JUNTOS



Um professor, diante de sua classe de filosofia, sem dizer uma só palavra, pegou
um pote de vidro, grande e vazio, e começou a enchê-lo com bolas de golf.
Em seguida, perguntou aos seus alunos se o frasco estava cheio e imediatamente
todos disseram que sim.
O professor então pegou uma caixa de bolas de gude e esvaziou-a dentro do pote.
As bolas de gude encheram todos os vazios entre as bolas de golf.
O professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio e voltou a ouvir de seus
alunos que sim.
Em seguida, pegou uma caixa de areia e esvaziou-a dentro do pote. A areia
preencheu os espaços vazios que ainda restavam e ele perguntou novamente aos alunos,
que responderam que o pote agora estava cheio.
O professor pegou um copo de café (líquido) e o derramou sobre o pote
umedecendo a areia. Os estudantes riam da situação, quando o professor falou:
"Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas.
As bolas de golf são os elementos mais importantes, como Deus, a família e os
amigos. São com as quais nossas vidas estariam cheias e repletas de felicidade.
As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho, a casa bonita, o
carro novo, etc.
A areia representa todos as pequenas coisas. Mas se tivéssemos colocado a areia
em primeiro lugar no frasco, não haveria espaço para as bolas de golf e para as de gude.
O mesmo ocorre em nossas vidas. Se gastamos todo nosso tempo e energia com
as pequenas coisas nunca teremos lugar para as coisas realmente importantes.
Prestem atenção nas coisas que são primordiais para a sua felicidade.

Brinquem com seus filhos, saiam para se divertir com a família e com os amigos,
dediquem um pouco de tempo a vocês mesmos, busquem a Deus e creiam nele, busquem
o conhecimento, estudem, pratiquem seu esporte favorito...
Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas ocupem-se das bolas de golf em
primeiro lugar.
O resto é apenas areia."
Um aluno se levantou e perguntou o que representava o café.

O professor respondeu:

"Que bom que me fizestes esta pergunta, pois o café serve apenas para demonstrar
que não importa quão ocupada esteja nossa vida, sempre haverá lugar para tomar um café
com um amigo”.

(Autor Desconhecido)




123 - PARÁBOLA DA TÁBUA E DOS PREGOS



Era uma vez um rapazinho que tinha um temperamento muito explosivo.
Um dia, o pai deu-lhe um saco cheio de pregos e uma tábua de madeira.
Disse-lhe que martelasse um prego na tábua cada vez que perdesse a paciência
com alguém.
No primeiro dia o rapaz pregou 37 pregos na tábua.
J á nos dias seguintes, enquanto ia aprendendo a controlar a ira, o número de
pregos martelados por dia foram diminuindo gradualmente.
Ele foi descobrindo que dava menos trabalho controlar a ira do que ter que ir todos
os dias pregar vários pregos na tábua…
Finalmente chegou o dia em que não perdeu a paciência uma vez que fosse.
Falou com o pai sobre seu sucesso e sobre como se sentia melhor por não explodir
com os outros.
O pai sugeriu-lhe que retirasse todos os pregos da tábua e que lha trouxesse.
O rapaz trouxe então a tábua, já sem os pregos, e entregou-a ao pai.
Este disse-lhe: – Estás de parabéns, filho! Mas repara nos buracos que os pregos
deixaram na tábua. Nunca mais ela será como antes.
Quando falas enquanto estás com raiva, as tuas palavras deixam marcas como
essas.
Podes enfiar uma faca em alguém e depois retira-la, mas não importa quantas
vezes peças desculpas, a cicatriz ainda continuará lá.
Uma agressão verbal é tão violenta como uma agressão física.
Amigos são joias raras, cada vez mais raras. Eles fazem-te sorrir e encorajam-te a
alcançar o sucesso. Eles emprestam-te o ombro, compartilham os teus momentos de
alegria, e têm sempre o coração aberto para ti.

Por outro lado e segundo Ghandi: “Aprendi através da experiência amarga a
suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia.
Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.”

Assim convertam a vossa ira, e ajudem a mover o mundo, começando por se mudar
a vocês próprios!
Peçam desculpa pelas cicatrizes que tenham deixado!

(Autor Desconhecido)












124 - OVOS, CENOURAS E CAFÉ



Uma filha se queixou a seu pai sobre sua vida e de como as coisas estavam difíceis
para ela. Ela não sabia mais o que fazer e queria desistir. Estava cansada de lutar e
combater, sem nenhum resultado.
Parecia que assim que um problema estava resolvido um outro aparecia.
Seu Pai, um “chef” de cozinha, levou-a ao seu local de trabalho.
Ali encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em fogo alto.
Em uma ele colocou cenouras, em outra colocou ovos e na última colocou pó de café.
Deixou que tudo fervesse sem dizer uma palavra, só olhava e sorria para sua filha
enquanto esperava.
A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ele estaria
fazendo. Cerca de vinte minutos depois, ele apagou a boca do fogão.
Retirou os ovos e os colocou em um recipiente, pegou as cenouras e as colocou em
um prato e finalmente pegou o café com uma concha e o colocou em uma tijelinha.
Virando-se para sua filha, perguntou: Querida, o quê vê?
“Ovos, cenouras e café” Foi a sua resposta
Ele a trouxe para mais perto e pediu-lhe para experimentar as cenouras. Ela
obedeceu e notou que as cenouras estavam macias.
Ele, então, pediu-lhe que pegasse um ovo e o quebrasse. Ela obedeceu e depois de
retirar a casca verificou que o ovo endurecera com a fervura.
Finalmente, ele lhe pediu que tomasse um gole do café. Ela sorriu ao provar seu
aroma delicioso.
Surpreendida e intrigada a filha perguntou: O que isto significa, pai?
Ele explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade: Água
fervendo. Só que haviam reagidos de maneira diferente.
A cenoura entrara na água, forte, firme e inflexível. Mas depois de ter sido
submetida á água fervendo, ela amolecera e se tornara frágil.
Os ovos haviam entrado na água, frágeis. Sua casca fina havia protegido seu
líquido. Mas depois de terem sido fervidos na água, seu interior se tornou mais endurecido.
O pó de café, contudo, era incomparável. Depois que fora colocado na água
fervendo, ele havia mudado a água.
Qual dos três elementos é você?
Quando a adversidade bate a sua porta, como você responde?
Ele perguntou a sua filha.
Você é do tipo cenoura, ovo ou pó de café?

Qual dos três elementos é você?

Você é como a cenoura que parece forte, mas com a dor e a adversidade você
murcha e se torna frágil e perde sua força?

Será que você é como um ovo, que começa com um coração maleável, com um
espírito fluido, mas depois de alguma morte, uma separação, uma doença ou uma
demissão, você se torna mais difícil, duro e inflexível?
Sua casca parece a mesma, mas você está mais amargo e obstinado, com o
coração e o espírito inflexíveis?
Ou será que você é como o pó de café?

O Café muda a água fervente, o elemento que lhe causa a dor, quando a água
chega ao ponto máximo de sua fervura, ele consegue o máximo de seu sabor e aroma.
Que Deus o faça como o pó de café, que quando as coisas ficam ruins, você possa
reagir de forma positiva, se tornando melhor sem se deixar vencer pelas circunstancias, e
fazendo com que as coisas em torno de você também se tornem melhores!
Que diante da adversidade da vida exista sempre uma luz que ilumine teu caminho
e a todas as pessoas que te rodeia.

Para que possas sempre espalhar e irradiar com tua força, otimismo e alegria o
“Doce aroma do café”
Para que nunca perca esse cheiro agradável e inigualável que só você sabe
transmitir as outras pessoas.
E transformar a adversidade em algo melhor, amparado por Deus.

Somos nós os responsáveis pelas próprias decisões.

Cabe a nós, somente a nós, decidir se a crise irá ou não afetar nosso rendimento
profissional, nossos relacionamentos pessoais, nossa vida.
Ao ouvir outras pessoas reclamando da situação, ofereça uma palavra positiva.
Mas você precisa acreditar nisso

Confiar que você tem capacidade suficiente para superar este desafio.


Vamos procurar ser CAFÉ, usando as adversidades para modificar o sabor da vida,
com um aroma sempre especial

(Autor Desconhecido)





















125 - O LUGAR CERTO

O dia havia apenas amanhecido e o agricultor solitário já estava capinando a
lavoura. Aquele seria, como outros tantos, um dia de trabalhos árduos de sol a sol.Ele
sulcava o solo e ao mesmo tempo pensava na vida. Como era difícil a sua luta diária para
sustentar a família. Algumas vezes se surpreendeu questionando a justiça divina, que o
escolhera para o trabalho duro enquanto privilegiava outros com tarefas leves e
agradáveis. O sol já ia alto quando ele, cansado, tirou o chapéu e limpou o suor que
escorria pelo rosto. Apoiou o braço sobre o cabo da enxada e se deteve a olhar ao redor
por alguns instantes.
Ao longe podia-se ver a rodovia que cruzava as plantações e ele avistou um ônibus
que transitava pelas cercanias. Imediatamente pensou consigo mesmo: "vida boa deve ser
a daquele motorista de ônibus. Trabalha sentado, e sem muito esforço conduz muita gente
a vários destinos. Não toma chuva nem sol e ainda de quebra deve ouvir uma musiquinha
para se distrair".
De fato o motorista trabalha sentado e não está sujeito às intempéries.Todavia, ao
ser ultrapassado por um automóvel de passeio, começou a pensar de si para consigo:
"vida boa mesmo deve ser a desse executivo, dirigindo um carrão de luxo!"."Não tem
patrão para lhe cobrar horários nem tem que passar dias na estrada como eu, longe de
casa e da família."
No entanto, logo à frente o executivo pensava em como era difícil a sua labuta. As
preocupações com os negócios, as viagens longas, as reuniões intermináveis, o salário
dos empregados no final do mês, os impostos, aplicações, investimentos e outras tantas
coisas para resolver.
Mergulhado em seus pensamentos, olhou para o céu e avistou um avião que
cruzava os ares, e disse como quem tinha certeza: "vida boa é a de piloto de avião.
Conhece o mundo inteiro de graça, não precisa enfrentar esse trânsito infernal e o salário é
compensador".
Dentro da cabina da aeronave estava um homem a pensar nos seus próprios
problemas: "como é dura a vida que eu levo. Semanas longe da esposa, dos filhos, dos
amigos. Vivo mais tempo no ar do que no solo e, para agravar, estou sempre preocupado
com as centenas de pessoas que viajam sob minha responsabilidade".
Nesse instante, um ponto escuro no solo lhe chamou atenção. Observou
atentamente e percebeu que era um homem trabalhando na lavoura. Exclamou para si
mesmo com certa melancolia: "ah como eu gostaria de estar no lugar daquele homem,
trabalhando tranqüilamente em meio à vegetação e ouvindo o canto dos pássaros, sem
maiores preocupações!E ao final do dia voltar para casa, abraçar a esposa e os filhos,
jantar e repousar serenamente ao lado daqueles que tanto amo. Isso sim é que é vida
boa!"...
Pense nisso!Deus, que é a Inteligência Suprema do Universo, sabe qual é o melhor
lugar para cada um de seus filhos. Deus sabe o de que necessitamos para evoluir e que
lições devemos aprender.Por essa razão todos estamos no lugar correto, com as pessoas
certas, e na profissão adequada.
Lembremo-nos de que, se temos problemas, temos também soluções e muitos
motivos de alegria.
Por isso, façamos o melhor que esteja ao nosso alcance, pois viver é, e sempre
será, um grande desafio à inteligência humana e à capacidade do homem de florescer no
lugar exato em que foi plantado. Pense nisso!

(Autor Desconhecido)
126 - O NÓ DO AFETO

Em uma reunião de Pais, numa Escola da Periferia, a Diretora ressaltava o apoio
que os pais devem dar aos filhos. Pedia-Ihes, também, que se fizessem presentes o
máximo de tempo possível.
Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade
trabalhasse fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar a entender as crianças.
Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou a explicou, com seu
jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana.
Quando ele saía para trabalhar, era muito cedo e o filho ainda estava dormindo.
Quando ele voltava do serviço era muito tarde e o garoto não estava mais acordado.
Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família. Mas
ele contou, também, que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho a que
tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa.
E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol
que o cobria.
Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho
acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó
era o meio de comunicação entre eles.
A diretora ficou emocionada com aquela história singela e emocionante.
E ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da
escola.
O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras de um pai ou uma mãe se fazerem
presentes, de se comunicarem com o filho.
Aquele pai encontrou a sua, simples, mas eficiente. E o mais Importante é que o
filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhe dizendo.
Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o
principal, que é a comunicação através do sentimento. Simples gestos como um beijo a um
nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais que presentes ou desculpas
vazias.
É válido que nos preocupemos com nossos filhos, mas é importante que eles
saibam, que eles sintam isso. Para que haja a comunicação, é preciso que os filhos
"ouçam" a linguagem do nosso coração, pois em matéria de afeto, os sentimentos sempre
falam mais alto que as palavras.
É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça,
o arranhão no joelho, o ciúme do bebê que roubou o colo, o medo do escuro. A criança
pode não entender o significado de muitas palavras, mas sabe registrar um gesto de amor.

Mesmo que esse gesto seja apenas um nó.

Um nó cheio de afeto e carinho.

E você... já deu algum nó no lençol de seu filho, hoje?

(Autor Desconhecido)





127 - RENOVAÇÃO DA ÁGUIA

A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos.
Mas, para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.
Aos 40 anos está com as unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar
as suas presas das quais se alimenta.O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontando
contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e
voar já é tão difícil!
Então, a águia só tem duas alternativas: morrer... ou enfrentar um dolorido processo
de renovação que irá durar 150 dias.Esse processo consiste em voar para o alto de uma
montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.
Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma
parede até conseguir arrancá-lo, sem contar a dor que irá ter que suportar. Após arrancá-
lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar as suas velhas unhas.
Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas.
E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30
anos.
Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar
um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos
desprender de lembranças, costumes, e, outras coisas que impedem nossa vida e nossos
vôos. Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que
uma renovação sempre traz
(Autor Desconhecido)

128 - O PEQUENO ABORRECIMENTO

Um moço de boas maneiras, incapaz de ofender os que lhe buscavam o concurso
amigo, sempre meditava na vontade de Deus, disposto a cumpri-la.
Certa vez, muito preocupado com o horário, aproximou-se de um pequeno ônibus,
com a intenção de aproveitá-lo para a travessia de extenso trecho da cidade em que
morava, mas, no momento exato em que o ia fazer, surgiu-lhe à frente um vizinho, que lhe
prendeu a atenção para longa conversa.
O rapaz consultava o relógio, de segundo a segundo, deixando perceber a pressa
que o levava a movimentar-se rápido, mas o amigo, segurando-lhe o braço, parecia
desvelar-se em transmitir-lhe todas as minudências de um caso absolutamente sem
importância.
Contrafeito com a insistência da conversação aborrecida e inútil, o jovem ouvia o
companheiro, por espírito de gentileza, quando o veículo largou sem ele. Daí a alguns
minutos, porém, correu inquietante a notícia: a máquina estava sendo guiada por um
condutor embriagado e precipitara-se num despenhadeiro, espatifando-se. Ouvindo com
paciência uma palestra incômoda, o moço fora salvo de triste desastre.
O jovem refletiu sobre a ocorrência e chegou à conclusão de que, muitas vezes, a
Vontade Divina se manifesta, em nosso favor, nas pequenas contrariedades do caminho,
ajudando-nos a cumprir nossos mais simples deveres, e passou a considerar, com mais
respeito e atenção, as circunstâncias inesperadas que nos surgem à frente, na esfera dos
nossos deveres de cada dia.

(Autor Desconhecido)


129 - QUANTO CUSTA SEU TEMPO?

FILHO: Pai, posso fazer uma pergunta?
PAI: Sim, claro, o que é?
FILHO: Pai, quanto você ganha em uma hora?
PAI: Isso não é da sua conta, por que você pergunta uma coisa dessas?
FILHO: Eu só quero saber. Por favor me diga, quanto você ganha em uma hora?
PAI: Se você quer saber eu ganho R$ 100 por hora.
FILHO: Oh (com a cabeça para baixo). Pai, posso pedir por favor R$ 50?
E O pai se enfurece.
PAI: A única razão pela qual me perguntou é essa , para conseguir algum dinheiro e
comprar mais um brinquedo ou alguma outra coisa sem sentido? vá direto para o seu
quarto ,para sua cama e pense o por que você está sendo tão egoísta. Eu trabalhando
duro todos os dias para ver tal comportamento infantil.
O menino foi calado para o seu quarto e fechou a porta. O homem sentou e
começou a ficar ainda mais nervoso sobre as questões do menino. Como ele ousa fazer
tais perguntas só para conseguir algum dinheiro?

Depois de cerca de uma hora, o homem tinha se acalmado e começou a pensar:
Talvez houvesse algo que ele realmente precisasse comprar com esses R$ 50 e ele
realmente não pedia dinheiro com muita frequência. O homem foi até a porta do quarto do
menino e abriu a porta.
PAI: Você está dormindo, meu filho?
FILHO: Não pai, estou acordado.
PAI: Eu estive pensando, talvez eu tenha sido muito duro com você antes. Tive um
longo dia e não deveria ter descontado meu stress em você. Aqui estão os R$ 50 que você
pediu...
O menino se levantou sorrindo.
FILHO: Oh, obrigado pai!
Então do seu travesseiro ele puxou alguns trocados amassados. O homem viu que
o menino já tinha algum dinheiro, começou a se enfurecer novamente. O menino
lentamente contou o seu dinheiro e em seguida olhou para seu pai.
PAI: Por que você quer mais dinheiro se você já tem?
FILHO: "Porque eu não tinha o suficiente, mas agora eu tenho.
Papai, eu tenho R$ 100 agora. Posso comprar uma hora do seu tempo? Por favor,
venha para casa amanhã cedo. Gostaria de jantar com você.

O pai foi esmagado. Ele colocou os braços em volta de seu filho e pediu o seu
perdão. Isto é apenas uma pequena lembrança a todos vocês que trabalham arduamente
na vida. Não devemos deixar o tempo passar através dos nossos olhos sem ter passado
algum tempo com aqueles que realmente importam para nós, perto de nossos corações.
A empresa que trabalhamos poderá facilmente substituir-nos em uma questão de
dias. Mas a família e amigos que deixamos para trás irão sentir essa perda para o resto de
suas vidas.

(Autor Desconhecido)




130 - UMA LENDA DE KRISHNAMURTI

Um rapaz pálido, com uma túnica andrajosa, que se achava ao meu lado, passou a
mão pela testa e, voltando-se para Krishnamurti, assim falou em tom calmo e respeitoso:
— Mestre! Uma dúvida veio refugiar-se em meu coração. Sinto em mim um feixe de
espinhos que me torturam...
—Qual é essa dúvida, meu filho? — volveu o Iluminado, cruzando os braços e
erguendo os olhos para a imensidade do céu.
—Senhor! — respondeu o jovem da túnica andrajosa. — A minha dúvida está ligada ao
delicado problema da vida: Quem tem mais amor, ou mais apego, aos bens materiais: os
ricos ou os pobres? Onde apontar os mais afeiçoados às suas fazendas ou os mais
agarrados aos seus trastes? Terá o mendigo mais aferro aos seus andrajos do que o
milionário às suas baixelas de ouro?
O sábio e judicioso Krishnamurti não respondeu. Baixou o rosto sereno, de linhas
impecáveis, e ficou um instante a meditar. Decorridos alguns minutos voltou-se para o
discípulo que o arguira e disse:
— Não me acho, no momento, com ânimo para discorrer sobre esse problema,
cuja delicadeza transcende a nossa imaginação. Mas como não seria oportuno deixar sem
resposta a tua pergunta, vou contar-te uma lenda do país de Girkka. Queres ouvi-la, meu
filho?
— Sim, sim — acudiu pressuroso o jovem com um sorriso de júbilo e pueril
sinceridade. — Ouviremos com encantamento a tua lenda, ó Mestre, pois as tuas palavras
são sempre cheias de preciosos e ternos ensinamentos!
Krishnamurti, o venerável, com voz pausada e firme, em linguagem desnuda e clara,
narrou o seguinte:
Para além do país de Girkka, na índia, entre escarpadas montanhas, vivia, há muitos
anos, virtuoso anacoreta, grandemente venerado, que se chamava Timanak. Os dias
desse bom "guru", ou melhor, desse santo varão, eram consagrados à prece e à
meditação. Numerosos fiéis, escalando as pedras, iam, uma vez por semana, visitá-lo na
gruta úmida e triste que ele tornara famosa com sua vida modelar de penitências e
sacrifícios. Budistas fanáticos, vindos de remotos climas, traziam-lhe ricos presentes e
cestos com saborosos manjares.
O Santo de Girkka, porém, com palavras admiráveis, recusava os presentes e devolvia
as dádivas mais preciosas. Os acepipes, que faziam as delícias dos gulosos, não o
atraíam. Contentava-se com um punhado de arroz branco e meia medida de ervilhas
secas. Sua vida de expiação era pautada por extrema abstinência e desprendimento.
Cobria a nudez do corpo magro apenas com uma tanga. Tinha, além disso, se via
obrigado a lavar e outra tanga que usava quando purificar a primeira.
Ora, esse virtuoso eremita das duas tangas, ouviu, certa vez, contar que vivia em
Dakka, a cidade dos cento e sete templos, o douto Sindagg Nagor, filósofo de renome,
que conhecia a Verdade.
— Vou procurar esse homem — refletiu o ermitão. — Quero conhecer a Verdade.
Que pretendo, afinal, na... as ladeirentas estradas e encaminhou-se para a opulenta cidade
de Dakka. Vestia, como sempre, a sua tanga amarelada e trazia no braço esquerdo, como
trofeu precioso, a outra tanga — direi assim — a tanga sobressalente.
Viandantes e peregrinos budistas que o avistavam, ao longo dos caminhos, paravam
para saudá-lo. Acercavam-se dele e, respeitosos, de joelho em terra, solicitavam um
conselho ou imploravam a bênção.
Chegou, finalmente, Timanak, o piedoso, à fervilhante capital. Indiferente aos homens
que se acotovelavam pelas praças e aos ricos mercadores que cruzavam as ruas com
seus utensílios e baixelas, procurou avistar o brâmane filósofo que desejava conhecer.
Que grande surpresa para o penitente de Girkka! O sábio, deslumbramento da fé
budista, mestre entre os mestres, não residia numa choupana, nem se escondia entre
pedras. Habitava, ao contrário, suntuoso palácio, junto a um lago em que se espanejavam
soberbos cisnes brancos. Levado por um guia entrou o penitente na senhoril mansão.
Pelo chão, que os pés mortificados de Timanak pisavam, estendiam-se tapetes
riquíssimos; viam-se, pelos cantos, ou junto às colunas de mármore, jarros desbordantes
de flores; oscilavam do teto, presos por correntes de prata, pesados candelabros de cristal.
Tudo ali faiscava beleza e otimismo.
— Que desejas de mim, meu irmão? — indagou o sábio Sindagg Nagor acolhendo
bondoso o desnudo visitante. — Em que poderei servir-te?
Falava com tranquila segurança. Tinha a pele clara e era cheio, pesado, grisalho.
Esmagado pela pompa, ofuscado pelo luxo que o rodeava, sentiu-se o eremita
confuso e perturbado. Dominou-se e disse com não pequeno embaraço, tentando um
sorriso irónico:
—A fama do vosso incomparável saber chegou até a gruta obscura em que sempre vivi.
Deliberei abandonar o meu refúgio e vim até aqui, desejoso de ouvir os vossos
ensinamentos. Sinto-me, porém, constrangido. Como permanecer no meio de tanta
riqueza? Aqueles que vivem em vossa companhia, e que residem neste magnífico palácio,
envergam trajes soberbos, ao passo que eu resguardo a nudez de meu corpo, roído de
chagas, com este pequeno retalho. Além da mísera tanga que visto tenho, apenas, esta
outra tanga sobressalente que trago sobre o braço. Na seminudez em que vivo não
posso inclinar-me entre os vossos discípulos, sem causar escândalo ou apisoar
suscetibilidades.
—Estás profundamente equivocado, meu irmão — tornou o sábio, sem a menor
ostentação e com a maior naturalidade. — Os trajes que cobrem o corpo não medem o
valor do homem. A mim, na verdade, não me interessa saber se tens duas, três, vinte ou
duzentas mil tangas. Que adianta ao homem vestir-se de sedas e ter a alma nua de
virtudes e de predicados? Interessa-me, tão-somente, as roupagens do espírito e não os
vestidos e bordados que cobrem a matéria. Não te preocupes, pois, com os trajes, nem
com o luxo dos que te cercam. Cuida de cultivar a tua alma e enriquecê-la. Se queres
permanecer neste palácio, aqui ficarás com toda a honra e deferência que mereces.
Durante a tua estada conversaremos sobre os assuntos que mais te interessam.
Limitado, bem limitado, é o meu saber, mais imenso e constante é o meu desejo de servir;
tudo farei, portanto, em teu auxílio. Com os minguados dons de minha inteligência,
tentarei esclarecer as tuas dúvidas e vencer as tuas inquietações e incertezas.
Sequioso por aprender a Verdade, aquiesceu o ermitão ao convite do sábio e passou a
figurar entre os hóspedes de honra do grande palácio. Longas horas entretinha-se em
palestras com o rico filósofo e desse brâmane ouvia notáveis e edificantes ensinamentos.
Uma tarde, ao lucilar das primeiras estrelas, como faziam, aliás, quase todos os dias,
partiram os dois amigos — o guru e o filósofo — a passear por atraente bosque que perto
verdejava. Deambulavam sossegados entre as árvores, por pequeno caminho de bom
piso, quando os surpreendeu estranho ruído. Parecia um bando de elefantes, em marcha,
esmagando os galhos secos sobre um tablado.
— Que seria?
A observação e a experiência levam os homens mais depressa à descoberta da
Verdade do que as divagações incertas e as conjeturas vãs. Sugeriu, pois, o
supersapiente hindu ao seu companheiro de Girkka:
— Indaguemos do que se trata. Algo de anormal ocorre na região que nos cerca.
Com passo normal e certo, sem mostras de impaciência, encaminharam-se para a
estrada. E viram, com indefinível espanto, boquiabertos, um espetáculo pavoroso. Todo o
vetusto palácio do eloquente Sindagg era presa das chamas.
Colunas de fumo, levadas pelo vento, subiam negras para o céu, e o fogo, na sua faina
destruidora, estorcia suas espirais vermelhas devorando, como um chacal faminto, a
pomposa residência.
Sindagg Nagor, o filósofo, ao perceber a extensão da calamidade, não teve um gesto
de revolta ou de desapontamento; cruzou serenamente os braços e olhou para o céu já
avermelhado, não pelo crepúsculo, mas pelos clarões sinistros do incêndio. Dentro de
alguns instantes todos os seus tesouros estariam reduzidos a cinzas, ruínas fumegantes e
escombros disformes.
O eremita Timanak, porém, não imitou em quietude e sossego a atitude de seu mestre.
Longe disso. Depois de dardejar, em redor, olhares aflitos, atirou-se ao chão e pôs-se a
rolar como um demente e a praguejar como um pária, com toda a expansão de uma dor
represada:
—Que desgraça, senhor! Que desgraça! Tudo perdido!
E lamentava entre uivos e imprecações:
—Tudo perdido!
Ao presenciar o desespero do discípulo, o venerável Sindagg acudiu-o solícito e
procurou erguê-lo do chão. Segurou-o pelo braço e proferiu com desusada energia:
— Domina-te, meu irmão, domina-te! "Muitos propósitos há no coração do homem,
mas o conselho de Deus permanecerá!" Não te preocupes com o desastre. Errado
procede aquele que se aflige e sofre diante do irremediável.
Recebe com serenidade os decretos inapeláveis do Destino. O palácio, que ali vês, presa
das chamas, é meu; todas as riquezas — tapetes, alfaias, móveis e jóias — que nele se
achavam, eram de minha exclusiva propriedade. E, como vês, estou absolutamente
calmo e indiferente; a perda dos bens materiais não chega sequer a perturbar, de leve, a
serenidade de meu espírito!
A tais palavras retorquiu, com exasperação e sinistra rudeza, o guru de Girkka:
— Que me importa a mim o vosso palácio? Não me interessam tampouco as vossas
alfaias ridículas e os vossos inúteis tapetes Que leve tudo o fogo o mais depressa possível!
— E por que te mostras, assim, tão apoquentado? — estranhou, bondoso, o filósofo. —
Não vejo, então, motivo para o teu desespero!
— A minha tanga! — deplorou, entre soluços, o Santo em novo assomo de ira. — A
minha tanga sobressalente! Esqueci-me de trazê-la, hoje, quando saí a passeio. Perdi a
minha tanga no incêndio!
E desatou em pranto, batendo, sem cessar, com a cabeça no chão. Para a dor que o
afligia não havia lenitivo no mundo. O infeliz perdera a sua tanga sobressalente!...
Calou-se Krishnamurti, o mestre admirável. O rapaz da túnica andrajosa ergueu-se. E
sem proferir palavra, retirou-se da larga varanda.
O Sol, tocando de leve a linha do horizonte, espargia pelo céu, tão martelado de
nuvens, as cores avermelhadas do crepúsculo interessam tampouco as vossas alfaias
ridículas e os vossos inúteis tapetes! Que leve tudo o fogo o mais depressa possível!


(Malba Tahan)


131 - DESVIOS DE ROTA


Em férias numa cidade litorânea, o turista observa um morador da localidade que,
diariamente, vinha ào mar, pescava dois peixes e se retirava. Finalmente, não se conteve.
Aproximou-se e perguntou:
- Por que o senhor não pesca um pouco mais?
- Para quê?
- Venderá parte do pescado.
- Para quê?
- O dinheiro arrecadado comprará apetrechos.
- Para quê?
- Pescará mais peixes. Terá mais dinheiro.
- Para quê?
- Equipará um barco, contratará funcionários.
- Para quê?
- Ganhará muito dinheiro!
- Para quê?
- Ora, ficando rico não terá preocupações materiais e poderá dedicar-se ao que
gosta de fazer...
- Bem, - concluiu o pescador - então não é preciso nada disso, porque meu maior
prazer é pescar dois peixes diariamente.

O bom senso nos diz que existe uma finalidade para a jornada humana. Deus não nos
colocou no Mundo por um mero diletantismo, como quem procura diversão.
O grande segredo do equilíbrio e da felicidade é justamente definir o que nos compete
fazer. Poucos sabem, não porque seja difícil, mas por desinteresse. Daí ocorrer,
frequentemente, o que poderíamos definir como "desvio de rota", algo semelhante a
alguém que efetua uma viagem e se perde no caminho.
A história do pescador ilustra com propriedade duas situações características
desse desvio:
Na primeira, o indivíduo ambicioso, que multiplica afazeres visando consolidar uma
situação financeira que lhe garanta a liberdade de fazer o que deseja. É o pescador que se
envolve tanto com os peixes que, julgando-se proprietário, situa-se como mero escravo dos
bens que acumula.
Na segunda, o indivíduo acomodado na rotina, preso ao imediatismo, sem
cogitações mais nobres, além do peixe de cada dia. Perde tempo e não raro compromete-
se com vícios e desregramentos que vicejam em tediosa inércia, como miasmas em água
parada.
Entre essas duas situações extremadas transitam os homens, em graus menores ou
maiores de comprometimento com a ambição ou o acomodamento, favorecendo a
manifestação frequente de desajustes e perturbações que os afligem. E quando surgem as
cobranças cármicas, representadas por dissabores variados, desabam no desespero, na
revolta, na inconformação, que lhes complicam a existência.

(Richard Simonetti)




132 - O PIÃO

Apesar de ser muito inteligente e de ter todas as condições para aprender, Mateus não
gostava de estudar.
Para ele era um verdadeiro sacrifício abandonar as brincadeiras e ir para a escola.
Gostava mesmo era de andar pelos matos caçando passarinhos e colhendo frutos
silvestres. Apreciava muito também brincar com os seus brinquedos ou jogar bola na rua
com os amigos e vizinhos.
Nunca achava tempo para fazer os deveres de casa e, na escola, não prestava atenção
ao que a professora ensinava e nem se dava ao trabalho de copiar o que ela passava no
quadro-negro.
No final do ano, como não poderia deixar de ser, o resultado desse comportamento é que
todos os colegas passaram de ano e Mateus foi reprovado.
Ficou muito triste, chorou, mas nada adiantou. Teria que repetir a mesma série na escola
e procurar aproveitar as aulas.
No entanto, Mateus continuava levando a mesma vida de sempre, sem se preocupar
com os estudos.
No aniversário ele ganhou de alguém um pião e interessou-se pelo brinquedo. Ele
enrolava a cordinha cuidadosamente em torno do pião e depois soltava com gesto
brusco, e era com satisfação que via o brinquedinho rodar, rodar, rodar sobre si
mesmo.
Um dia, observando o pião que rodava sem cessar, ele comentou com o pai, que lia o
jornal ali perto:
- Que engraçado é o pião, não é, pai? Como será que ele gira sempre e não sai do
lugar?
O pai, que estava preocupado com o comportamento do filho, aproveitou o momento
para informar:
- É verdade, meu filho. E você sabe que não é só com o pião que acontece isso?
- Como assim, pai? - perguntou Mateus, sem entender o que seu pai dizia.
- Sim, meu filho. Também muitas pessoas, como o pião, ficam girando apenas em torno
de si mesmas e não saem do lugar. Nunca aprendem nada porque não se interessam
em ver o mundo que existe em derredor. São egoístas. Só pensam na própria pessoa. E,
nesse caso, são pessoas que nem sequer pensam no próprio bem ou saberiam que só
aprendendo e participando do mundo é que conseguem progredir na vida.
Mateus fitou o pai interrogativamente e em seguida olhou para o pião que ainda rodava,
rodava, rodava, sem parar.
Ficou calado pensando... pensando...
Entendera a lição.
No dia seguinte, para surpresa de sua mãe, ninguém precisou chamá--lo para
ir à escola. Quando ela levantou, Mateus já estava pronto.
Tomou o café da manhã sem dizer nada, e saiu para as aulas.
A partir desse dia, Mateus começou a dedicar-se aos estudos. Fazia os deveres de
casa e depois ainda pegava um livro para ler. E, ainda assim, sobrava muito tempo para
brincar e se divertir.
Nunca mais se esqueceu da lição do pião e, quando alguém não queria estudar, ele
alertava:
- Quer ser como um pião, rodando em torno de si mesmo sem nunca sair do lugar?


(Célia Xavier Camargo)
133 - A EXISTÊNCIA DE DEUS


Certa professora estava tendo problemas em sua classe com os alunos.
Um deles, Luizinho, de família afastada da religião e de ideias profundamente negativas,
começou a passar essas mesmas ideias para as outras crianças. Afirmava, esse menino, que
Deus não existia e que tudo era uma invenção do homem.
As outras crianças, surpresas e inquietas, não sabiam como refutar as palavras do
colega e começaram a se sentir inseguras.
Chegando ao conhecimento da professora, preocupada com o problema, ela pensou
como poderia modificar aquela situação, resolvendo a questão.
Pensou... pensou... e, afinal, teve uma ideia.
Certo dia avisou aos alunos que, na manhã seguinte, iriam fazer uma experiência.
Deveriam trazer todas as peças de um relógio, um rádio, um toca-fitas, ou qualquer outro
objeto que estivesse quebrado. E deveriam trazer também uma caixa em que coubesse
esse objeto.
Os alunos estavam cheios de curiosidade, mas a professora não quis adiantar nada,
afirmando sorridente:
- Amanhã vocês ficarão sabendo.
No dia seguinte, compareceram todos os alunos, sob intensa expectativa, portando
o material solicitado. A aula transcorreu normalmente. No final do período, a
professora pediu que colocassem o material para a experiência sobre a carteira.
Em seguida, mandou que cada um colocasse o objeto quebrado dentro da caixa,
com todas as peças, e tampasse bem.
Eles assim o fizeram, sem entender o propósito a que a professora queria chegar.
- Muito bem! Agora, agitem a caixa com força, tentando fazer com que as peças todas
se encaixem em seus lugares e os maquinismos voltem a funcionar.
- Mas, professora!... - gaguejou uma das crianças.
- Não discutam. Façam o que estou mandando.
As crianças agitaram as caixas durante um minuto, cinco minutos, dez minutos, quinze
minutos...
J á não aguentavam mais. Estavam exaustas!
Após esse tempo, a professora pediu que abrissem as caixas e verificassem o
resultado do esforço despendido.
-Como estão os aparelhos?
Desanimadas, as crianças olharam o conteúdo de suas caixas e uma delas respondeu:
- Continuam quebrados, professora.
Fingindo surpresa, ela perguntou à classe:
- NINGUÉM? - disse, frisando bem a palavra. - Ninguém conseguiu consertara sua
máquina?!...
Todos responderam negativamente, balançando a cabeça.
Um deles afirmou, convicto:
- Claro, professora! Nem que ficássemos aqui o dia inteiro, o mês inteiro ou o ano inteiro,
conseguiríamos consertá-las desta maneira!
- Ah! - exclamou a professora. - E por quê?
- Porque para que alguma coisa funcione é preciso que "alguém" coloque as peças no
lugar, ajuste os parafusos etc. Enfim, é preciso a mão de uma pessoa que conheça aquele
mecanismo e saiba fazer o serviço.
Os outros alunos foram unânimes em concordar com o colega.
Satisfeita, a professora questionou:
- Muito bem. Então todos concordam que para que alguma coisa funcione é preciso o
esforço de alguém.
Fez uma pausa, passando o olhar lentamente pela sala, depois continuou:
- Ótimo! E o Universo, que é tão imenso? Quem pode me dizer quem é que faz com
que o Sol nasça todas as manhãs? Ou que faz as plantinhas brotarem? Ou que as
estações aconteçam sempre em épocas certas?
Percebendo, afinal, onde a professora pretendia chegar, as crianças sorriram
satisfeitas.
O garoto, que afirmara que Deus não existia, baixou a cabeça, envergonhado.
A professora aproveitou o momento para fixar a lição, perguntando a todos:
- Então, quem faz todas as coisas maravilhosas?
E todos responderam em uníssono:
- DEUS!
-Alguém tem alguma dúvida? Luizinho levantou a cabeça e respondeu:
- Não, professora!
Satisfeita, a professora concluiu o assunto:
- Muito bem. Deus criou tudo o que existe, inclusive nós mesmos. Por isso é NOSSO
PAI. O Universo é regido por leis sábias e justas, perfeitas e imutáveis, e todos estamos
sujeitos a elas. Mas, sobretudo, devemos nos lembrar que Deus nos ama a todos, porque
é profundamente bom e misericordioso.
Luizinho, afinal, disse, para alegria de todos:
- Vou passar a lição para meus pais, professora. Acho que eles nunca pensaram nisso
que a senhora explicou.


(Célia Xavier de Camargo)
























134 - O SERVO INSATISFEITO


Havia certa vez, num país muito distante, um Senhor, dono de incontáveis haveres e de
muitos servos.
Muito embora fosse extremamente rico, esse homem possuía coração terno e generoso.
Tratava a todos com gen-
tileza e seus subordinados o amavam, pois dispensava aos criados respeito e consideração.
Era exigente no trabalho, mas, quando necessário repreender um servo que cometera
alguma falha, o fazia sempre com bondade, deixando o infrator envergonhado da atitude que
tomara.
Esse Senhor possuía um empregado que nunca estava contente com nada. Contratado
como criado de quarto do seu amo, deveria auxiliá-lo nas mínimas coisas, preparando-lhe o
banho, escolhendo a roupa que iria vestir, além de penteá-lo e adorná-lo. Era um cargo muito
disputado no castelo, porque gozaria o seu ocupante da privacidade do Senhor, auxiliando-o em
tudo o que fosse necessário.
Mas o servo começou a reclamar de estar sempre tendo de obedecer ordens e de não ter
sossego. E tanto reclamou que o Senhor dispensou-o dos seus cuidados, recomendando fosse
colocado no serviço da copa.
O cargo de copeiro também era muito disputado pelos criados, pois deveriam servir à
mesa o Senhor e seus convidados, transportando orgulhosamente para a sala as iguarias
apetitosas e bem ornamentadas que os cozinheiros confeccionavam.
Mas, também nessa atividade, não se deu bem, reclamando do peso dos pratos e bandejas,
da gordura que muitas vezes lhe sujava as roupas e especialmente de ser obrigado a suportar
as conversas dos colegas de trabalho.
Após algum tempo, foi colocado no serviço de limpeza. Deveria ocupar-se da faxina geral,
varrendo o chão, espanando e lustrando os móveis, lavando as escadarias e janelas. Com a
vassoura e o balde na mão, o servo não se cansava de reclamar das suas ocupações,
considerando-as cansativas em excesso.
J á sem ter onde colocar o servo, o Senhor, com infinita paciência, pensou... pensou... e,
após muito pensar, resolveu, satisfeito por ter encontrado a solução:
- Creio ter agora encontrado a ocupação que lhe serve. Não terá de obedecer ordens,
viverá no silêncio que tanto aprecia e não terá de viver limpando e lustrando nada.
É. Acho que lá você se dará bem! E o Senhor, sem titubear, enviou o servo a
serviço nas cocheiras. E lá, entre os animais, em meio à sujeira, o empregado que se
revelara inútil olhava os outros servos que trabalhavam no castelo, felizes e satisfeitos,
reconhecendo tardiamente todas as oportunidades que perdera.
Também assim acontece conosco na vida. Deus, nosso Pai, nos dá todas as
oportunidades e as condições necessárias para o nosso aperfeiçoamento, mas, como o
servo descontente, muitas vezes não sabemos aproveitar as bênçãos que Ele nos oferece.
É preciso saber agradecer a Deus, reconhecendo sempre que Ele sabe o que convém
ao nosso espírito.


(Célia Xavier Camargo)





135 - O CRENTE DESAPONTADO



Havia um homem que possuía uma pequena área de terra, mas de solo fértil e
dadivoso.
Dono de profunda e invejável fé, o nosso homem não se cansava de louvara Deus por
toda a criação e pelas dádivas da natureza, sempre tão pródiga.
O terreno vizinho era habitado por um homem muito pobre, mas muito trabalhador. Ele
nada possuía, mas trabalhava tanto que nem sequer tinha tempo de pensar em Deus. Acreditava
no seu esforço pessoal e em tudo aquilo que seus braços podiam realizar.
E, assim pensando, desde o alvorecer até o poente, lá estava ele, arroteando o terreno,
adubando, plantando e arrancando as ervas daninhas que se misturavam à boa semente.
O outro criticava-o pela falta de religião e dizia-lhe:
- Não sei como pode deixar de louvar a Deus! Veja a beleza do céu com seus astros, a
pujança da natureza que nos concede suas dádivas! Agradeço a Deus todos os dias e peço a Ele
que me ajude porque sei que não deixará de ouvir minhas preces.
O incrédulo sorria, concordava com a cabeça e pedia licença, retirando-se:
- Agora não tenho tempo. O sol já está se pondo e preciso regar minha horta e dar
milho para as galinhas.
E o crente ali ficava, condoído da falta de fé do vizinho e sentado sob uma árvore, a contemplar
as primeiras estrelas que já começavam a surgir, embevecido ante a majestosa obra do
Criador.
O tempo foi passando e a propriedade do crente foi mudando de aspecto.
Onde antes existira uma plantação viçosa, agora o mato tomara conta, sufocando as poucas
sementes que teimavam por nascer.
A cerca estava toda quebrada e a horta destruída pelas galinhas que penetravam pelos
buracos, e pelos passarinhos que, não encontrando oposição, comeram as plantas existentes.
No pomar, sem cuidados, as frutas amadureceram nos pés e, sem ninguém que as
colhesse, apodreceram caindo ao chão, servindo de repasto para os vermes e insetos.
Enfim, o aspecto era de abandono e desolação. A sujeira tomava conta de tudo.
No terreno ao lado, porém, tudo era diferente. As plantas, bem cuidadas, faziam a alegria
do seu dono. As hortaliças e legumes produziam bastante, propiciando farta alimentação, além da
venda no mercado do excedente da produção.
As frutas colhidas e armazenadas deram-lhe bom lucro e, com a renda, aumentou o rancho,
fez uma pintura bem bonita e ainda comprou algumas vacas.
O crente, sem entender o que acontecera, inquiriu o incrédulo:
- Não sei por que minha propriedade está indo tão mal, enquanto a sua, que era um
terreno ruim e cheio de pedras, está tão bonita. Não entendo! Sou fervoroso crente em
Deus. J amais deixei de cumprir minhas obrigações religiosas e sempre tenho suplicado a ajuda do
nosso Mestre J esus.
Fazendo uma pausa, perguntou, algo desapontado:
- Será que Ele me esqueceu?
Ao que o incrédulo respondeu:
- Louvar a Deus no íntimo do coração é muito importante, mas creio que "Ele" não
desprezou o trabalho. Disseste que minha terra era ruim e cheia de pedras, mas o que sei é que
trabalhei muito. Para o solo, usei como adubo a estrumeira dos teus animais que jogavas em
meu terreno por sobre a cerca, tornando-o mais fértil e melhorando a producão. Com as pe-
dras que retirei do solo, fiz uma cerca mais forte e resistente ao assédio dos animais.
Fez uma pausa e prosseguiu:
- Não tenho muito tempo para dedicar-me a Deus, mas creio que esqueceste uma lição
muito importante que foi deixada há muito tempo atrás por J esus de Nazaré, que dizes
amar.
- Qual é? - perguntou o crente fervoroso.
- AJ UDA-TE A Tl MESMO QUE O CÉU TE AJ UDARÁ!

Envergonhado, o crente baixou a cabeça, reconhecendo que o outro tinha razão e que ele,
que se julgara tão superior ao vizinho, aprendia com ele uma lição de vida, extraordinária.
Entendeu então que é muito importante ter fé em Deus, mas isto não basta. É preciso
transformar em obras as lições recebidas.
O Evangelho de J esus, que ele prezava tanto, estava apenas em seu cérebro, não em seu
coração.
Fora preciso alguém, que nem sequer tinha tempo de louvar a Deus, abrir-lhe os olhos e
lembrar a lição inesquecível do Mestre de Nazaré:
- Ajuda-te a ti mesmo que o céu te ajudará!

(Célia Xavier Camargo)






136 - OS DOIS LOBOS

Os anciões Cherokee estavam preocupados com um dos garotos da tribo que, por
se sentir injustiçado, tornou-se agressivo. O avô do menino o traz para perto de si e diz:
- Eu entendo sua raiva. Há uma batalha terrível entre dois lobos que vivem dentro
de mim. Esses dois lobos tentam dominar o espírito de todos nós.
- Um é Mau. Seus dentes são fortes como raiva, inveja, ciúme, tristeza,
cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho,
superioridade e ego.
- O outro é Bom. Seu olhar é forte como alegria, esperança, serenidade,
paz, humildade, empatia, bondade, generosidade, verdade, perdão, compaixão, harmonia
e fé.
O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:
- Qual lobo vence?
O velho índio respondeu:
- Aquele que você alimenta!

Qual lobo você esta alimentando?

(Lenda Indígena – Cherokee)







137 - MÃE DE VERDADE

O pequeno índio andava pela mata, triste e desanimado. Sua mãe morrera no mesmo dia em
que ele nasceu e, desde então, fora criado por uma mulher muito boa e generosa que se
prontificara a tomar conta do recém-nascido, mas que não poderia substituir a mãe que ele não
conhecera.
O que seria uma "mãe"? Como seria uma "mãe"? Tinha vontade de saber. Então resolveu sair
e perguntar a todos que encontrasse. Alguém por certo lhe descreveria uma mãe! E saiu pela
floresta num lindo dia de sol.
Escondida entre as folhas de um pequeno arbusto encontrou uma coelhinha..
-Dona Coelhinha, o que é uma "mãe"? - perguntou.
Neste instante surgiu seu filhotinho que se atirou nos braços da mamãe Coelha,
assustado com alguma coisa. E o bichinho, todo coberto de lindos pêlos brancos, res-
pondeu, após pensar um pouco, enquanto acariciava o seu filho.
-Ah! Mãe é aquela que protege dos perigos!
Andou mais um pouco e encontrou uma coruja num galho de árvore.
-Dona Coruja, o que é uma "mãe"?
Fitando os filhotinhos com seus enormes olhos arregalados, cheios de ternura, ela
respondeu: -É aquela que ama os lindos filhotinhos que Deus lhe deu!
O indiozinho afastou-se ainda sem entender, pois os filhotes da Coruja eram muito feios.
Mais adiante encontrou o pequeno índio uma passarinha que trazia, presa ao bico, uma
apetitosa minhoca. -Dona Passarinha, o que é uma "mãe"?
Sem hesitar, ela respondeu, após colocar a minhoca na boca do filhotinho que esperava
ansioso no ninho:
-"Mãe" é quem alimenta, para que o pequeno cresça forte e sadio - afirmou, convicta.
O índio agradeceu e continuou o seu caminho.
Logo adiante, encontrou uma gata que lambia cuidadosamente as costas do seu
filhotinho. E perguntou: -Dona Gata, a senhora pode me dizer o que é uma "mãe"?
E a gata respondeu, sem parar o que estava fazendo:
-Não tenho dúvida de que "mãe" é quem lava e cuida para que o pequeno esteja
sempre limpinho.
Já estava um pouco tarde e o indiozinho precisava voltar para casa antes do anoitecer.
Estava tão confuso! Todos a quem perguntara tinham dito coisas diferentes e ele não
entendia o porquê.
Caminhando rapidamente, tropeçou num tronco e caiu, machucando a perna numa lasca
de árvore. Sentindo muita dor, ele continuou o seu caminho com grande dificuldade.
Ao aproximar-se da aldeia, já viu que algo estava acontecendo, pois todos pareciam
preocupados. Ao vê-lo chegando, aquela que cuidava dele correu a encontrá-lo, aflita:
-Aonde você foi? Estava preocupada! A noite chegou e você não apareceu! Mas está
machucado! E olhe que sujeira. Venha. Vamos lavar o ferimento e fazer um curativo.
Está com fome? Preparei aquele ensopado de legumes de que você mais gosta...
Olhando a mulher que falava e que o fitava com tanto amor, tanto carinho por sua pessoa,
além da evidente preocupação com o seu bem-estar, o indiozinho lembrou-se do que seus
amigos da floresta lhe haviam dito.
E não teve mais dúvidas. Como não percebera isso antes? Ela era a síntese de tudo o que
eles disseram e muito mais ainda.
Com os olhos úmidos de pranto ele exclamou, enternecido e confiante: - MAMÃE!!...

(Célia Xavier Camargo)

138 - O CAVALINHO REBELDE


Em certo sítio muito agradável, em meio a uma linda pastagem, vivia um cavalinho que
era o orgulho de todos.
Nascera ali naquelas paragens e os outros animais o amavam com se fosse o filho de cada
um deles.
Ele nasceu forte e sadio. Deram-lhe o nome de Formoso.
Era realmente um prazer vê-lo a correr pelos campos, a galopar na pradaria, a brincar
com outros animais.
Mas Formoso, por ter a atenção e o carinho de todos, cresceu convencido e orgulhoso.
Nada era bastante bom para ele. Queria sempre o melhor para si e acreditava que tinha
mesmo o direito à atenção geral.
Quando se tornou um jovem cavalo, de pêlo brilhante e sedoso, pernas ágeis e fortes,
seu dono resolveu que ele seria um corredor. Afinal, Formoso era rápido como uma flecha e,
sem dúvida, o cavalo mais rápido da região. Seria treinado para participar nas corridas de
cavalos e, com certeza, teria dias de glória no hipódromo.
Formoso torceu o nariz. Recusou-se a participar de treinamento julgando-se superior a
essa tarefa.
- Eu não! - afirmava ele. - Cansar-me correndo para divertimento do povo? De jeito
nenhum! Não vou.
O patrão, decepcionado, julgou que talvez tivesse errado em seus cálculos.
Provavelmente Formoso não tinha tendência para as corridas. Quem sabe sentir-se-ia melhor
no próprio lar? Deixaria Formoso para uso de sua esposa. Ela gostava de cavalgar e ficaria
feliz com o presente.
Formoso recusou-se. Quando a mulher montou em seu dorso ele mostrou seu
desagrado concorveando. Para não cair, ela desmontou e nunca mais quis saber dele.
Ainda tentando desculpá-lo e justificar suas atitudes, pois o amava, o dono pensou:
- Quem sabe minha esposa é muito pesada para Formoso? Talvez, se o meu filho
montasse, sua reação seria diferente!
Qual nada! O garoto montou, sob a assistência amorosa do pai, e logo teve que descer
porque Formoso reagiu dando coices e pinotes.
E assim, sucessivamente, o dono de Formoso tentou de tudo para arrumar uma tarefa
para ele. Tentou colocá-lo puxando uma charrete leve e o arado, sem resultado. Esbarrava
sempre na sua má vontade.
Afinal, o tempo foi passando e, vendo que não conseguia localizá-lo em nenhum setor
de serviço, pois Formoso gostava mesmo era de correr pelos campos, alimentar-se muito
bem e beber água fresca, o homem perdeu a paciência e resolveu vendê-lo, embora com
muita dor no coração.
Qual não foi sua surpresa ao encontrar certo dia, algum tempo depois, numa pequena e
poeirenta estrada, o Formoso, o seu lindo cavalo Formoso, que possuíra de tudo, que po-
deria ter sido um campeão das corridas, animal de estimação e montaria para sua família,
que o tratava com imenso amor, agora irreconhecível, sujo e maltratado, com a cabeça
baixa, humilhado, puxando com grande dificuldade uma pesada carroça.
Foram-lhe dadas muitas oportunidades que Formoso não soubera aproveitar. Agora, teria que
aprender o valor do trabalho sob condições bem mais difíceis e árduas, para que pudesse
valorizar as bênçãos que o Senhor colocara em sua vida.

(Célia Xavier Camargo)

139 - A BONECA DESPREZADA



Olhos de botão azul, arregalados; cabelos loiros feitos com lã amarela, divididos em duas
tranças amarradas com fita de cetim vermelha e boca em formato de coração, assim era a
boneca Catita, que vivia desprezada por sua dona. E sabem por quê? Porque Lucinha olhava
de longe as meninas brincando com belas bonecas, novas e reluzentes, bem-vestidas e pen-
teadas com lindos caracóis, que até falavam, e se sentia cheia de inveja.
Gostaria também de ser rica como as outras crianças e de poder ter tudo o que sempre
sonhou. Especialmente uma enorme e linda boneca novinha em folha.
Por isso, Lucinha estava sempre irritada e descontente, reclamando da vida. Sua mãe a
repreendia com doçura, dizendo:
-Lucinha, minha filha, temos que nos conformar com a vida que Deus nos deu. Somos
pobres, é verdade, porém nada nos falta. Você tem até uma linda boneca!
-Velha e feia, isso é o que ela é! - respondeu a garota insatisfeita.
-Não vejo as coisas dessa forma - insistia a mãe carinhosa. - Catita tem sido sua
companheira de brinquedos há muitos anos e isso é importante. Está sendo ingrata com ela,
minha filha.
- Não quero mais essa boneca horrorosa! - gritava Lucinha, revoltada.
-Minha filha, não podemos lhe dar outra boneca. Se não deseja mais esta, não terá outra.
Pense bem.
Cheia de raiva, Lucinha jogou a pobre boneca no chão e o fez com tanta força que
o pano que re cobria o corpo do brinquedo se rasgou e o recheio de capim espalhou-se pelo
piso.
Não contente com o que fizera, decidida e sem ter piedade, Lucinha aproximou-se da
boneca toda desconjuntada e, baixando-se, pegou-a no chão e atirou-a na lata de lixo.
Algum tempo depois Lucinha já estava arrependida do que fizera. Estava triste. Sentia falta
da antiga bonequinha. Não tinha mais como brincar de casinha sem uma boneca.
Pedira outra, insistira, batera no chão, chorara, mas os pais foram insensíveis aos rogos,
afirmando:
- Não temos dinheiro para comprar outra boneca.
Certo dia, brincando na calçada, Lucinha viu uma menina vestida muito pobremente
aproximar-se risonha. Trazia um embrulho nos braços que parecia um bebé.
Chegando mais perto a pequena dirigiu-se a Lucinha, dizendo-lhe:
- Vim agradecer-lhe. Sempre quis ter uma boneca e nunca pude, pois somos muito pobres.
Um dia, passando na calçada defronte a esta casa, vi uma bonequinha jogada no
lixo. Apanhei-a, agradecendo a J esus o presente que me mandava. Levei-a para casa,
mamãe a lavou, colocou um novo recheio, fez um vestido novo e veja só como está linda.
Assim dizendo, com um sorriso satisfeito no rosto, a menina tirou o pano que cobria o
embrulho à guisa de manta, e Lucinha, emocionada, pôde ver novamente a sua querida
Catita, toda bonita e completamente diferente. Nem parecia mais aquela bonequinha velha
e suja que jogara no lixo.
Compreendeu finalmente, vendo o carinho e a atenção que a menina dava a Catita, o
que perdera.
Percebia tardiamente que aquilo que ela rejeitara fizera a alegria de alguém que possuía
menos do que ela. Que ela, Lucinha, possuíra um tesouro que não soubera valorizar. Foi
preciso não tê-lo mais e vê-lo nos braços de outra criança para sentir o que havia perdido.
Ao deitar-se, contou à mãe o que acontecera e ela, após meditar alguns segundos,
respondeu:
- É assim mesmo, minha filha. Às vezes não percebemos quanto somos felizes a não
ser quando perdemos algo precioso. Você perdeu apenas uma boneca. Mas temos
muitos outros bens preciosos a que damos valor: nossa família, a casa que nos abriga, a paz
que desfrutamos, o amor que nos cerca...
Lucinha compreendeu a extensão da lição que recebera naquele dia, e concordou:
- Tem razão, mamãe. Vou pesar melhor tudo o que temos. E, pensando bem, Catita
está em ótimas mãos e receberá todo o carinho que merece.
E antes de dormir, naquele dia, Lucinha agradeceu a J esus as bênçãos que lhe dera e
a família amorosa que a cercava de afeto.



(Célia Xavier Camargo)





































140 - DAR DE SI MESMO



Laurinha, embora contasse apenas oito anos de idade, tinha um coração generoso e
muito desejoso de ajudar as outras pessoas.
Certo dia, na aula de Evangelização Infantil que frequentava, ouvira a professora,
explicando a mensagem de J esus, falar da importância de se fazer caridade, e Laurinha
pôs-se a pensar no que ela, ainda tão pequena, poderia fazer de bom para alguém.
Pensou... pensou... e resolveu:
- J á sei! Vou dar dinheiro a algum necessitado. Satisfeita com sua decisão, procurou
entre as coisas de sua mãe e achou uma linda moeda.
Vendo Laurinha com dinheiro na mão e encaminhando-se para a porta da rua, a mãe quis
saber onde ela ia. Contente por estar tentando fazer uma boa ação, a menina respondeu: -
Vou dar esse dinheiro a um mendigo!
A mãezinha, contudo, considerou: - Minha filha, esta moeda é minha e você
não pode dá-la a ninguém porque não lhe pertence.
Sem graça, a garota devolveu a moeda à mãe e foi para a sala, pensando...
-Bem, se não posso dar dinheiro, o que poderei dar?
Meditando, olhou distraída para a estante de livros e uma ideia surgiu:
- J á sei! A professora sempre diz que o livro é um tesouro e que traz muitos
benefícios para quem o lê.
Eufórica por ter decidido, apanhou na estante um livro que lhe pareceu interessante, e já ia
saindo na sala quando o pai, que lia o jornal acomodado na poltrona preferida, a interrogou:
O que você vai fazer com esse livro, minha filha?
Laurinha estufou o peito e informou: - Vou dá-lo a alguém!
Com serenidade, o pai tomou o livro da filha, afirmando:
- Este livro não é seu, Laurinha. É meu, e você não pode dá-lo para ninguém.
Tremendamente desapontada, Laurinha resolveu dar uma volta. Estava triste, suas
tentativas para fazer a caridade não tinham tido bom êxito e, caminhando pela rua, continha
as lágrimas que teimavam em cair.
- Não é justo! - resmungava. - Quero fazer o bem e meus pais não deixam.
Nisso, ela viu uma coleguinha da escola sentada num banco da pracinha. A menina
parecia tão triste e desanimada que Laurinha esqueceu o problema que tanto a afligia.
Aproximando-se, perguntou gentil: - O que você tem, Raquel?
A outra, levantando a cabeça e vendo Laurinha a seu lado, desabafou:
- Estou chateada, Laurinha, porque minhas notas estão péssimas. Não consigo
aprender a fazer contas de dividir, não sei tabuada e tenho ido muito mal nas provas de
matemática. Desse jeito, vou acabar perdendo o ano. J á não bastam as dificuldades que
temos em casa, agora meus pais vão ficar preocupados comigo também.
Laurinha respirou, aliviada: - Ah! Bom, se for por isso, não precisa ficar triste. Quanto aos
outros problemas, não sei. Mas, em relação à matemática, felizmente, não tenho
dificuldades e posso ajudá-la. Vamos até a sua casa e tentarei ensinar a você o que sei.
Mais animada, Raquel conduziu Laurinha até a sua casa, situada num bairro distante e
pobre. Ficaram a tarde toda estudando.
Quando terminaram, satisfeita, Raquel não sabia como agradecer à amiga.
- Laurinha, aprendi direitinho o que você ensinou. Não imagina como foi bom tê-la
encontrado naquela hora e o bem que você me fez hoje. Confesso que não tinha grande
simpatia por você. Achava-a orgulhosa, metida, e vejo que não é nada disso. É muito legal e uma
grande amiga. Valeu.
Sentindo grande sensação e bem-estar, Laurinha compreendeu a alegria de fazer o bem. Quando
menos esperava, sem dar nada material, percebia que realmente ajudara alguém.
Despediram-se, prometendo-se mutuamente continuarem a estudar juntas.
Retornando para casa, Laurinha contou à mãe o que fizera, comentando:
- A casa de Raquel é muito pobre, mamãe, acho que estão necessitando de ajuda.
Gostaria de poder fazer alguma coisa por ela. Posso dar-lhe algumas roupas que não
me servem mais? - perguntou, algo temerosa, lembrando-se das "broncas" que levara algumas
horas antes.
A senhora abraçou a filha, satisfeita:
- Estou muito orgulhosa de você, Laurinha. Agiu verdadeiramente como cristã, ensinando o
que sabia. Quanto às roupas, são "suas" e poderá fazer com elas o que achar melhor.
Laurinha arregalou os olhos, sorrindo feliz e, afinal, compreendendo o sentido da caridade.
- É verdade, mamãe. São minhas! Amanhã mesmo levarei para Raquel. E também
alguns sapatos, um par de ténis e uns livros de histórias que já li.


(Célia Xavier Camargo)

































141 - SEJA VOCÊ MESMO

Zezinho era um menino muito inseguro. Desejava agradar, precisava da aprovação das
pessoas. Queria ser aceito pelo grupo e sentir que todos o estimavam.
Assim, estava sempre em dúvida sobre o que fazer, de como se comportar e até da roupa
que devia vestir. Sentia-se à vontade mesmo era andando com uma calça "jeans" desbotada que
tinha um furo no joelho, camiseta laranja com letras roxas, um par de ténis bastante surrado e
um boné xadrez vermelho e preto na cabeça.
Certo dia, saindo para passear vestido desse jeito, encontrou sua amiga Margarida na rua.
Ela o olhou com ar de desaprovação e não deixou por menos:
- Que horror, Zezinho! Essa sua roupa está um lixo! Nada combina com nada! Acho que
deveria tirar esse boné e vestir aquela sua camiseta azul. Ficaria muito melhor! Tchau!
Zezinho despediu-se da amiga e não conseguiu prosseguir no passeio.
Voltou correndo para casa, colocou a camiseta azul, tirou o boné xadrez trocando-o por outro
verde e amarelo. Saiu todo feliz, certo de que estava bem-vestido e iria agradar.
Encontrou o Marcelo que vinha convidá-lo para jogar bola.
- Vamos nessa, Zezinho? Só essa sua roupa não está com nada. Puxa, cara, onde é que
você descolou essa camiseta azul? O boné está chocante, mas essa camiseta!
Zezinho foi jogar bola se sentindo muito mal. Não via a hora de voltar para casa e trocar de
roupa. Tinha a impressão que todos estavam olhando para ele.
Mais tarde, os colegas o convidaram para ir à sorveteria.
Zezinho arrumou-se todo. Tomou banho, vestiu uma calça preta, nova, escolheu uma
camisa mostarda e colocou sapatos marrons, de couro bem lustroso.
Quando saiu de casa os amigos o esperavam. Um deles olhou para Zezinho com ar crítico:
-Parece que acabou de sair de uma loja!
Carla analisou com jeito de entendida e deu sua opinião:
- A roupa está boa, mas os sapatos não combinam com o resto. Aí um garoto sugeriu:
- Por que você não troca de roupas para combinar com os sapatos?
- Não! - disse outro - acho que deveria trocar os sapatos para combinar com a roupa.
Zezinho estava todo confuso. Voltou para o quarto, mas não sabia o que fazer.
Como estava demorando muito e os amigos já mostrassem impaciência, a mãe foi ver o que
estava acontecendo. Entrou no quarto do filho e parou, espantada. A bagunça era total!
Sentado na cama, indeciso, desanimado, perdido no meio das roupas e sapatos que
tirara do armário. Ao ver a mãe, ele pediu socorro: - Mamãe, não sei o que fazer! O que
devovestir? Tudo o que coloco os meus amigos não gostam e criticam!
A mãe olhou o filho com carinho, compreendendo seu problema.
- Meu filho, não podemos ter a pretensão de agradar a todas as pessoas. Nem J esus, o
Mestre dos Mestres, conseguiu isso! Portanto, faça o que achar melhor. Seus amigos - se
forem realmente seus amigos - gostarão de você como você é, não pela roupa que veste.
Fez uma pausa e concluiu: - O importante é agradar a você. Seja você mesmo!
Seus amigos agem dessa forma porque perceberam que você é inseguro.
Seja firme, mostre aquilo de que gosta, o que pensa, e eles o respeitarão. Agora,
como se sente realmente bem? O que "você" gostaria de vestir?
Zezi n h o pensou um pouco e, com um sorriso de orelha a orelha, remexeu a pilha de
roupas até encontrar o que queria. Daí a minutos saiu de casa todo feliz. Tinha colocado a
camiseta laranja com letras roxas, a calça "jeans" desbotada com um furo no joelho, o par de
ténis velho e o boné xadrez vermelho e preto na cabeça.
Os garotos o olharam, surpresos. Zezinho, porém, seguro e satisfeito, não deu tempo para
que abrissem a boca. - Agora estou me sentindo ótimo! Vamos lá, pessoal?
(Célia Xavier Camargo)
142 - RESPEITO MÚTUO

O Senhor Manoel era um homem muito bom e compassivo. Vivia do amanho da terra e
suas tarefas eram executadas sempre com amor e devotamento. Possuía ele um filho que,
não obstante a educação que lhe dava, era indisciplinado e agia sempre sem se preocupar com
os outros, jamais cogitando se estava prejudicando alguém ou não.
O pai carinhoso vivia tentando orientá-lo para o bem, afirmando-lhe que sempre devemos
amar o próximo e respeitá-lo, como J esus nos ensinou. E os animais? - perguntava Toninho.
- O animais também, meu filho. São nossos irmãos menores, credores de toda a nossa
consideração e respeito, necessitando da nossa ajuda, tanto quanto nós não prescindimos do
concurso deles para nossas tarefas do dia-a-dia.
Como estavam no campo, o pai fez uma pausa e exemplificou, apontando um animal
atrelado ao arado.
- Veja o "Gentil", por exemplo. É dócil e manso, nunca desdenhando o trabalho árduo do
campo, e, nestes anos todos em que trabalhamos juntos, nunca o vi rebelde e indisciplinado.
J amais agrediu alguém!
- O "Gentil" ainda concordo porque ele te ajuda, papai. Mas os outros!... - retrucou Toninho.
- Os outros animais também ajudam, meu filho. Cada qual tem uma tarefa diferente, mas não
menos importante. A Mimosa, nossa vaquinha, fornece o leite tão gostoso que bebemos toda a
manhã; as galinhas fornecem os ovos para a nossa alimentação e o nosso cão trabalha sem
descanso, cuidando da defesa da nossa casa. Portanto, todos merecem nosso carinho e
gratidão.
Mas Toninho ainda não estava convencido. No dia seguinte, o Sr.Manoel convidou Toninho
para irem à cidade fazer umas compras. Toninho, eufórico com o passeio, aboletou-se na
pequena carroça, feliz da vida. Ao chegarem à cidade, enquanto seu pai entrou no armazém para
fazer compras, Toninho ficou vendo o movimento da rua. O tempo foi passando e seu pai não
voltava. O menino foi ficando impaciente. Olhou para Gentil, que permanecia parado, de olhos
baixos, humilde, sem dar demonstrações de impaciência. Teve vontade de agredir o animal
para ver sua reação. -Vou dar uma volta. Veremos se ele é realmente obediente.
Toninho olhou ao redor e viu um pedaço de tábua, longo e fino, numa construção ali perto.
Pegou a ripa e, sem titubear, subiu na carroça e ordenou a Gentil que andasse. O animal,
não reconhecendo a voz do dono a que estava habituado, não saiu do lugar.
Toninho, tomando da ripa, desceu com ela sobre o lombo do cavalo. Este relinchou de dor e,
levantando as patas dianteiras, empinou perigosamente a frágil carroça, jogando Toninho ao chão.
Ao ouvir os gritos na rua, o Sr. Manoel acudiu correndo, encontrando o filho ao solo, aos
berros. Ao sã-ber do que acontecera, através de pessoas que assistiram ao fato, o Sr.
Manoel ficou indignado.
- Mas, papai, disseste que o Gentil era manso e ele me derrubou! - gritava o garoto.
E o pai, pegando o filho e levando-oaté junto do animal, disse-lhe:
- E achas que ele poderia agir diferente? Vê o que fizeste com o pobre animal!
Do lombo do cavalo escorria um filete de sangue. Toninho não percebera que na ponta da
ripa existia um prego e fora a dor do ferimento que fizera Gentil reagir.
Aproveitando a oportunidade que se lhe oferecia, o Sr. Manoel completou:
- Gentil é manso como um cordeiro. Mas apenas se defendeu de uma agressão,
instintivamente. Todos nós, meu filho, recebemos de acordo com que tivermos
feito. Se tivesses dado carinho e amor, terias recebido a retribuição correspondente. Como
agrediste, foste agredido. Entendeste?
Muito envergonhado, Toninho balançou a cabeça em sinal de assentimento e
prometeu a si mesmo que nunca mais cometeria o mesmo erro.
(Celia Xavier Camargo)

143 - APRENDENDO A REPARTIR

Bruno era um menino que pensava apenas em si mesmo. Não repartia nada com
ninguém. Quando ganhava dos avós ou dos tios algum doce, chocolate ou bala, escondia
tudo no seu armário. E tão bem o fazia que ninguém conhecia seu esconderijo, nem sua mãe. Era
seu tesouro. Sabem para quê? Para poder comer tudo depois, na hora em que estivesse
sozinho. A mãe reprovava seu comportamento, dizendo:
- Bruno, meu filho, temos que aprender a repartir o que temos com os outros. Não
podemos ser egoístas e desejar tudo para nós. À medida que a gente dá, também recebe.
Mas o garoto respondia, mal-educado:
- Eu, heim! Se fui eu que ganhei, tudo é meu! Não abro mão.
Seus irmãozinhos menores, Breno e Bianca, comiam os doces que tinham ganho e Bruno
ficava só olhando, pensando no prazer que teria depois ao apreciar tudo sozinho no seu quarto.
Porém, Bruno ia brincar, e se distraía, esquecendo-se de que havia guardado os presentes. E
o tempo ia passando.
Um belo dia, os irmãos de Bruno entraram em casa trazendo um pacote de balas e
de pirulitos cada um. Vinham contentes, exibindo os doces que tinham ganho de um senhor
que passara na rua distribuindo guloseimas para as crianças.
Bruno, que estava dentro de casa, nada ganhou, e fez bico:
- Eu quero também! Eu quero! Dá um pouco para mim?
Mas Breno retrucou, decidido, com a aprovação de Bianca, a menorzinha:
- Não dou não. Você nunca reparte nada com ninguém!
Bruno, irritado e com cara de choro, respondeu:
- Egoístas! Não faz mal. Tenho muita coisa guardada.
Não preciso de nada! Vocês vão ver!
E correu para o quarto, seguido de perto pelos irmãos, curiosos de ver onde ficava o
esconderijo que Bruno escondia tão cuidadosamente e que eles nunca tinham conseguido
descobrir. Bruno abriu a porta do guarda-roupa, retirou uma gaveta e, no fundo, num
espaço vago, bem-escondidinho, lá estava tudo o que ele tinha ganho e que conservara.
Com ar de triunfo, enfiou a mão e foi retirando chocolates, doces, bolos, balas, diante dos
olhos arregalados dos pequenos. Mas, ó surpresa! Com espanto, Bruno notou que os seus
doces estavam com aspecto muito feio: os chocolates estavam velhos, os doces tinham-se
estragado, os bolos estavam azedos, as balas meladas.
Terrivelmente decepcionado, Bruno percebeu naquele instante que, em virtude do
seu egoísmo, não repartira nada para ninguém. E, pior que isso, constatou que ele mesmo
não aproveitara as coisas tão gostosas que lhe tinham dado com tanto carinho. Agora, infeliz-
mente, estava tudo estragado e teria que ser jogado no lixo. Sentou-se na cama e, cobrindo a
cabeça com as mãos, começou a chorar.
Seus irmãos, que, apesar de pequenos, tinham bom coração, aproximaram-se
dele, e Breno disse:
- Não fique triste, Bruno.
E, sob seu olhar surpreso, repartiram fraternalmente com ele tudo o que tinham ganho
naquele dia.
- Eu não mereço a generosidade de vocês. Aprendi neste momento importante lição.
Entendo agora o que mamãe quer dizer quando afirma que, à medida que a gente dá, recebe.
Eu nunca dei nada e nada mereço, mas vocês provaram que têm um bom coração. A
partir de hoje, vou procurar ser menos egoísta. Prometo!

(Celia Xavier Camargo)
144 - A BANDA

Numa classe, a professora estava tendo dificuldade em explicar aos seus pequenos alunos
sobre os cuidados que se deve ter com o próprio corpo. Dizia ela:
- É preciso cuidarmos do nosso corpo para que ele possa funcionar bem. Cada órgão tem
uma função própria e trabalha para executar a sua tarefa, obedecendo à harmonia do conjunto.
Por exemplo: o coração é responsável por bombear o sangue, levando-o a todas as partes
do corpo através das artérias; o estômago processa a comida; os rins filtram o sangue; os
pulmões cuidam da respiração. Tudo isso sob o comando do cérebro. Entenderam?
Os alunos olhavam com cara de dúvida, mas o pequeno Rogério meneou a cabeça,
afirmando, convicto:
- Não.
A professora tentou explicar de novo, de maneira diferente, mas viu que eles
continuavam sem entender direito.
Aí ela teve uma ideia. Aproveitando o desejo de realizar um projeto que tinha em mente,
perguntou:
- Vocês têm em casa algum instrumento musical de brinquedo?
Muitos levantaram a mão.
- Eu tenho um tamborzinho, professora! – disse Rogério.
- E eu, um pianinho! - afirmou Aline.
- Tenho uma sanfona! - gritou Maurício, no fundo da sala.
Assim, apareceram mais três cornetas, duas flautas, uma gaita, um prato e duas violas.
Satisfeita, a professora pediu que trouxessem os brinquedos no dia seguinte. Apesar de
não saberem qual a intenção da professora, as crianças obedeceram. No dia seguinte
chegaram, curiosas, portando seus instrumentos musicais.
Entrando na sala, a professora explicou:
- Com esses instrumentos, vamos formar uma banda. O que acham?
As crianças adoraram. A professora ordenou:
- Muito bem! Agora prestem atenção! Quando eu der sinal, vocês começam a tocar.
E assim ela fez. Disse "já", e todos começaram a tocar ao mesmo tempo.
Foi uma confusão! Barulho ensurdecedor tomou conta da classe.
A outro sinal, elas pararam.
Os alunos estavam horrorizados. Alguns até taparam os ouvidos para o ruído infernal que
se fizera.
- O que acharam? - perguntou a professora.
- Horrível! - respondeu o pequeno Rogério, ao que todos concordaram.
A professora sorriu e explicou:
- Realmente, estava muito ruim. Para tocar em conjunto, é preciso aprender. Só
assim teremos um som bonito e harmónico. Mas, não se preocupem. Vocês vão aprender!
Daí em diante passou a orientá-los, ensinando como cada um deveria tocar seu
instrumento até que estivessem todos afinados. Muitos dias depois, quando já estavam em
condições de tocar em conjunto, ela resolveu fazer o ensaio geral.
Sob a regência da professora, eles começaram a tocar o que tinham aprendido. Ficou
lindo! Os sons saíram dos instrumentos na hora certa, na medida exata, numa integração
harmoniosa e agradável ao ouvido.
As crianças estavam maravilhadas! J amais esperavam que pudesse sair tão bonita a
melodia simples que tocaram.
Bateram palmas, se abraçaram, pulando de satisfação e alegria.
Quando os alunos se acalmaram, a professora perguntou:
- E então? Perceberam a diferença? É que, agora, ninguém toca o que quer, como quer.
Cada um toca uma parte diferente da mesma música, seguindo uma ordem e com
disciplina. Isto é um conjunto! Fez uma pausa e indagou:
- Será que essa bandinha tem alguma relação com o nosso corpo?
Para sua satisfação, foi Rogério quem respondeu:
- Claro que tem, professora! Acho que os músicos são como os órgãos do corpo! E eu
sou o coração, porque toco o tambor e dou o ritmo!
- Isso mesmo! Parabéns, Rogério!
- O regente representa o cérebro, que comanda o corpo, não é professora? - concluiu
outra aluna.
- Certo! Vocês entenderam muito bem. Então, para que o corpo funcione bem é preciso
que cada parte, cada órgão, cumpra direitinho sua função. J á pensaram se cada órgão
do corpo resolver trabalhar como quiser? Seria um caos!
Assim, temos de cuidar da higiene, nos alimentarmos de forma sadia, protegendo e
cuidando do corpo que Deus nos concedeu, para termos saúde orgânica. Manter o
pensamento elevado, cultivar a paz, para termos equilíbrio e saúde espiritual.
Entenderam?
Todos tinham entendido.
A partir desse dia, o sucesso da bandinha foi tanto que passaram a se apresentar em
todas as festas da escola, agradando a todos. Deram até um nome para a banda:
CORPO MUSICAL.


(Célia Xavier Camargo)


























145 - MENTIRAS, NUNCA MAIS!


Ricardo chegou da escola, jogou a mochila sobre uma cadeira e foi direto para a cozinha,
onde sua mãe estava preparando o almoço.
- Oi, mãe!
- Olá, Ricardo! O que houve, meu filho? – perguntou ao vê-lo, notando que algo não
ia bem.
Com ar descontente, o garoto falou:
- Nada. Está tudo bem.
- Então por que essa carinha?
- É o J orge, mamãe. Não aguento mais as mentiras dele!
- Tenha paciência, meu filho. Deixe que a própria vida ensine ao J orge que não deve mentir.
A verdade sempre aparece.
- Eu sei, mamãe, mas não suporto ouvir tantas mentiras. Sabe o que ele disse hoje? A
professora perguntou sobre as famílias dos alunos e ele contou que seu pai é um homem
muito rico, que eles moram numa bela casa e que têm um carro último tipo! Mas sei que
tudo isso é mentira! Tenho vontade de desmascará-lo perante a classe.
Dana fitou o filho na sua indignação dos oito anos, e afirmou:
- Mentir é muito feio, mas certamente o J orge não faz por mal, meu filho. Além disso,
ele não tem só defeitos. Todos nós temos qualidades e defeitos. Ele também deve ter
qualidades, como todo mundo. Vamos ver.
Ricardo pensou... pensou... e respondeu, surpreso:
- Não sei. Nunca reparei!
Aí está, meu filho. Você só viu o lado negativo de J orge. Comece a observá-lo e
descobrirá qualidades nele. Depois voltaremos a conversar, está bem?
O menino concordou. No dia seguinte, lembrou-se do que conversara com a mãe e
começou a prestar atenção no colega. Logo na entrada, viu um garotinho que, apressado,
derrubou todo o material no chão. J orge correu e, abaixando-se, recolheu os objetos do
menino.
"Ponto para o J orge" - pensou Ricardo. Na hora do recreio, uma menina caiu e começou a
chorar. Os colegas acharam graça e caíram na risada. J orge, porém, aproximou-se e ajudou-a
a se levantar, perguntando com delicadeza:
- Machucou? Venha. Vou levá-la para fazer um curativo.
- Não foi nada. Obrigada, J orge.
Bateu o sinal e voltaram para a sala. Quando terminou a aula, Ricardo continuava
observando o colega. Viu quando um garoto disse não entender nada de matemática.
J orge, prontamente, ofereceu-se para ajudá-lo.
- Mais tarde passo na sua casa e lhe explico a matéria. Verá como é fácil. Logo você
vai estar entendendo tudo.
Ricardo estava cada vez mais surpreso. Chegou em casa e sua mãe perguntou;
- E então? Fez o que combinamos?
- Mamãe, você tinha razão! Ele é delicado, generoso, gentil, prestativo...
- Nossa! Tudo isso você percebeu num único dia?
- É. Como o julguei mal! Reconheço que estava errado.
E contou para a mãezinha tudo o que tinha visto durante aquele período na escola, e
terminou dizendo:
- Sabe que até as mentiras dele nem me incomodam mais?
- Acredito, meu filho. É que o defeito da mentira tornou-se algo pequeno diante das
qualidades dele. Só lamento porque, algum dia, ele vai sofrer por isso.
Uma semana depois, estavam na aula quando alguém bateu na porta. Era um homem
simples, aparência de operário, com um embrulho pequeno nas mãos. Timidamente, pediu
licença e entrou.
- Bom dia, professora. Sou o pai do J orge. Estava atrasado para o serviço, mas percebi
que ele tinha esquecido o lanche e vim trazê-lo. Aqui está.
J orge, vermelho de vergonha, se encolhia na carteira tentando passar desper-cebido.
Mas, não teve jeito. Foi obrigado a levantar-se e ir buscar o lanche que o pai trouxera. O
homem agradeceu e despediu-se. J orge não tinha nem coragem de olhar dos lados,
humilhado, percebendo risadinhas abafadas. Ricardo, condoído da situação do colega,
virou-se para ele e disse, em voz alta:
- G o s t e i muito do seu pai, J orge. Ele é muito simpático e demonstrou que se
preocupa com você. Embora atrasado para o serviço, lembrou-se de você. Parabéns!
Os demais, vendo a atitude de Ricardo, começaram a mudar de conduta, concordando com
ele. Alguém perguntou:
- O que seu pai faz?
- Ele é pedreiro. Trabalha para uma grande construtora - respondeu J orge, ainda
envergonhado, porém agora mais à vontade.
- Pedreiro?! É ele quem ajuda a construir casas e aqueles prédios enormes? - indagou uma
menina.
- É, sim. Meu pai muitas vezes trabalha lá no alto dos prédios. E não tem medo!
- Puxa! Mas então ele deve ser muito corajoso!
- Como ele é importante! - exclamou um outro garoto, prosseguindo:
- Sabe, professora, vi outro dia no jornal da televisão que caiu um prédio e muitas
pessoas morreram e outras perderam tudo o que tinham. É preciso poder confiar nas
pessoas que constróem os prédios!
- Isso mesmo. Todos têm que ter responsabilidade diante do que estão fazendo. Tanto os
engenheiros que fazem as plantas, quanto os que trabalham na construção.
- A conversa generalizou-se de forma amiga e agradável. Enquanto os outros
conversavam, J orge trocou com Ricardo um olhar agradecido.
Na saída, J orge aproximou-se de Ricardo.
- Obrigado, amigo. Tirou-me de uma situação difícil. Porém hoje aprendi uma lição.
Mentiras, nunca mais. Não vale apena. Além disso,você me fez entender uma coisa
importante.
- O quê?
- Que devo ter orgulho do meu pai.
- É isso aí!
- Amigos?
- Aceita almoçar em casa hoje? Quero apresentá-lo à minha mãe. Ela tem muita
vontade de conhecer você.
- Verdade? Por quê?
- Porque agora eu o admiro muito.
Emocionados, ambos se abraçaram como verdadeiros amigos.


(Célia Xavier Camargo)





146 - APRENDENDO A VIVER


Morando numa pequena casa em um bairro humilde, Toninho vivia inconformado.
Na escola via colegas mais bem-vestidos, calçando ténis caros, e sentia-se triste. Gostaria de
ser como um deles, ter casa bonita, passear no "shopping center", ter brinquedos sofisticados,
"vídeo-games". Ouvia o relato dos amigos sobre a programação de final de semana, e ficava
humilhado. Por que só ele tinha uma vida tão chata e tão sem atrativos?
Nunca podia comprar nada de diferente, usava o par de ténis que não servia mais para o seu
irmão, e suas roupas estavam velhas e surradas. É bem verdade que a mamãe as trazia
sempre limpas e bem-passadas, mas Toninho sentia-se mal por usar sempre as mesmas
roupas.
Ao chegar em casa para o almoço, reclamava. A comidinha era simples e nunca tinha pratos
diferentes.
- Outra vez feijão com arroz?
O pai, operário de uma fábrica, respondia com paciência:
- E não está bom? Tem muita gente que não tem o que comer, meu filho! Vamos agradecer a
Deus, pois nunca passamos fome.
Toninho não respondia. Baixava a cabeça e punha-se a comer, de má-vontade.
Certo dia, Toninho saiu de casa chateado. Brigara com os pais, pois queria uma calça jeans
que tinha visto numa loja no centro da cidade e seu pai lhe dissera que era impossível naquele
momento. Não tinha dinheiro.
Nervoso, engolindo as lágrimas e chutando uma lata, Toninho foi para a rua. Andou
bastante, sem destino. Cansado, parou para descansar um pouco. Logo, uma menina
aproximou-se dele e pediu uma moeda.
Ele olhou admirado para a garota, afirmando:
- Não tenho dinheiro!
- Mas você parece rico. Deveria ter dinheiro.
Espantado, Toninho olhou melhor para a menina, achando graça.
- Então, acha que sou rico?
- Pois não é? Está limpo, bem-vestido, bem-calçado. Aposto que tem até uma casa!
Toninho, que sempre se considerara muito pobre, perguntou:
- Tenho. Por quê? Você não tem uma casa?
A menina respondeu, apontando para um lugar ali perto!
- Não. Moro debaixo daquele viaduto ali.
Toninho, que nunca se dera conta da verdadeira pobreza, estava horrorizado. A menina,
cujo nome era J úlia, convidou-o para conhecer "sua casa" e ele a acompanhou.
Lá chegando, Toninho viu um casal simpático acendendo o fogo num fogão improvisado
com tijolos. Também havia outras famílias dividindo o local.
Os pais de J úlia o receberam com um sorriso. Haviam ganho alguns generos alimentícios
e estavam contentes. Teriam o que comer naquele dia e poderiam até ajudar outras famílias que
ali estavam.
- Não se assuste - disse a mãe de J úlia a Toninho -,. nem sempre estivemos nessa
situação. Acontece que hé alguns meses meu marido foi dispensado na indústria onde
trabalhava e está desempregado até hoje. Não pudemos mais pagar o aluguel e fomos
despejados. Para comprar o que comer, fomos vendendo os móveis e eletrodomésticos que
possuíamos. Assim, perdemos o jogo de sofá, a geladeira, o fogão, o aparelho de som, as camas.
Agora, estamos morando aqui debaixo deste viaduto. Mas, não pense que estamos tristes.
Não, de modo algum! Sempre agradecemos a Deus por termos onde nos abrigar. Existem
pessoas que nem isso possuem!
Toninho sentiu um nó na garganta. Despediu-se, emocionado.
Chegando em casa, Toninho sentiu a segurança e o aconchego do ambiente
doméstico. Entrou na cozinha e um cheiro bom de comida veio do fogão.
Seu pai chegou da fábrica e sentaram-se para comer. Toninho pediu para fazer a
oração de agradecimento.
- Muito obrigado, Senhor, por tudo que nos concedeste. Pela nossa casa, pela família,
pela comida. E que nunca nos falte o necessário para viver. Assim seja.
Notando que o filho estava emotivo e diferente, o pai explicou:
- Meu filho, amanhã vou receber um dinheiro extra e
poderei comprar aquela calça jeans que você tanto deseja.
Para sua surpresa, Toninho respondeu:
- Não, papai, não precisa. Isso agora já não tem qual
quer importância.
Vendo o espanto dos pais, que nada estavam entendendo, o menino contou-lhes a história
da J úlia, sua nova amiga.
Os pais de Toninho também quiseram conhecer a família de J úlia, que tanto bem fizera a
seu filho, e tornaram-se amigos.
O pai de Toninho explicou o caso na fábrica e, dentro de poucos dias, surgindo uma
vaga, o pai de J úlia foi contratado.
Na escola, agora o comportamento de Toninho era completa-mente diferente. O
exemplo de otimismo e resignação daquela família havia tocado seu coração. Mostrava-se
mais alegre, satisfeito e nunca mais i sentiu-se infeliz, reconhecendo que a vida é
um bem muito precioso e que Deus dá a cada um o necessário para poder viver.


(Célia Xavier Camargo)

147 - O RECÉM-NASCIDO

Em certa região bem distante, morava um homem muito pobrezinho. Um dia, andando
pela mata à procura de lenha para vender, à margem do caminho encontrou uma cesta e,
dentro dela, viu uma criança.
Ouviu o choro fraco do recém-nascido, que estava cuidadosamente embrulhado numa manta
e, cheio de compaixão, pegou o pequenino aconchegando-o ao peito.
De coração generoso, imediatamente resolveu levá-lo para casa. Preocupava-o, porém, a
pobreza extrema em que vivia. Como cuidar do bebé e prover-lhe as necessidades, ele, a quem
muitas vezes faltava o que comer? Quem sabe alguém com mais recursos, que passasse por
aquela estrada, poderia ficar com ele e dar-lhe uma vida melhor?
Contudo, ouvindo os vagidos da criança que o fitava com olhinhos vivos, comentou alto:
- Não posso abandoná-la aqui exposta aos perigos. Deus
vai me ajudar! Além disso, sempre quis ter um filho. Melhor
dividir com esta criança a minha pobreza do que deixá-la
entregue a destino incerto.
Como se entendesse a decisão que o lenhador tomara, o recém-nascido se aquietou e
dormiu tranquilo.
Chegando em casa, o homem abriu a porta e disse:
- Mulher, veja o que eu trouxe!
A esposa, curiosa, aproximou-se e abriu o embrulho que o marido trazia nos braços. O
recém-nascido dormia serenamente, e o seu coração se enterneceu. Cheia de alegria,
exclamou:
- O filho que sempre quisemos ter! Deus ouviu nossas preces!
Ao mesmo tempo, consciente da miséria em que vivia, indagou, aflita:
- Mas, como vamos cuidar do bebé, J oão? Não temos comida nem para nós! E uma
criança precisa de cuidados especiais!
Confiante, o marido respondeu:
- Não se aflija, Ana. Se o Senhor nos mandou este bebé, certamente nos dará os meios
para sustentá-lo.
Era um menino e deram-lhe o nome de Benvindo. A partir desse dia, tudo mudou. A casa,
antes triste e sem vida, tornou-se alegre e cheia de risos.
J oão, mais estimulado ao trabalho, agora não se limitava a procurar lenha no mato para
vender. Buscava outras fontes de renda.
Sabendo da criança, um sitiante das redondezas vendeu-lhe uma cabra por preço módico
que J oão poderia pagar como pudesse. Assim estava garantido o leite do bebé.
A vida estava mudando. Mas isso não bastava. O que mais poderia fazer ?
J oão, na soleira da porta da casa, olhava o terreno que se estendia à sua frente e pensou
que poderia cultivá-lo. Assim, teriam verduras, legumes e talvez algumas frutas.
Não pensou duas vezes. O homem que lhe vendera a cabra arrumou-lhe também
sementes e mudas diversas, satisfeito por vê-lo interessado no trabalho.
J oão pegou o machado e derrubou algumas árvores, limpando o terreno. Depois, fez
canteiros e jogou as sementes no solo. Plantou as mudas e cuidou delas com muito amor.
Logo, tudo estava diferente. À medida que Benvindo crescia, forte e saudável, as plantas
igualmente se desenvolviam na terra fértil.
Dentro de pouco tempo, no terreno, antes inculto e abandonado, os legumes e as verduras
surgiam, encantando a vista e trazendo fartura. As árvores frutíferas logo começaram a
produzir: agora tinham bananas, laranjas, maçãs, mangas e limões à vontade. Como a
produção fosse grande, além de terem alimentos, J oão passou a vender as frutas, os legumes e
as verduras excedentes.
Com o coração alegre pelas novas funções como mãe, transformando sua casa num lar, Ana
passou a cuidar com mais carinho da moradia, a exemplo do marido, plantando um jardim e
cultivando flores que enfeitavam e perfumavam o ambiente.
Benvindo crescia aprendendo a trabalhar com o pai. Era um menino vivo e inteligente. Ainda
pequeno, J oão contou a ele o encontrara abandonado e da satisfação de trazê-lo
para casa, afirmando sempre:
- Você é nosso filho muito querido. Foi Deus quem o mandou para nós.
O tempo passou. Benvindo passou a frequentar a escola, na aldeia. J oão e Ana fa-
ziam questão absoluta que o filho não fosse um analfabeto, como eles.
Mas, apesar de se considerarem ignorantes, souberam dar ao menino noções realmente
importantes para sua vida, como amor a Deus e ao Evangelho de J esus. E ele cresceu sabendo
valorizar a honestidade, o trabalho, o respeito ao próximo, o perdão das ofensas e, acima de
tudo, o bem.
J á moço, Benvindo foi morar numa cidade grande para continuar os estudos. Terminando o
curso, com grande satisfação dos pais, ele retornou para casa e disse, emocionado: - Papai, não
sei como agradecer por tudo o que fizeram por mim. Criança abandonada, poderia ter morrido
de fome e de frio, mas graças a sua bondade, vim para esta casa
como filho que tanto tem recebido de ambos. Tudo que sou hoje devo a vocês. Muito obrigado!
Enxugando uma lágrima, Benvindo fitou o pai, já velhinho e encarquilhado, abraçando-o
com profundo amor.
Comovido, J oão pegou o filho pela mão e levou-o para fora de casa, de onde se descortinava
lindo panorama: bem próximo, o jardim cheio de flores coloridas e perfumadas; um pouco mais
além, do lado esquerdo, as árvores do pomar, carregadas de frutos. Do lado direito, a perder de
vista, a horta, onde as verduras e legumes produziam fartamente.
- Está vendo tudo isso, meu filho?
- Sim, meu pai. É uma imagem que não canso de admirar. Como é bonita a nossa
propriedade!
- Pois bem. Nada disso existia antes de você vir para cá. Eu e a sua mãe, envelhecidos e
cansados da vida, não tínhamos disposição para lutar. Passamos até fome.
Fez uma pausa, limpou uma lágrima, e prosseguiu:
-Quando você chegou, meu filho, encheu-nos de esperança e de novo ânimo. Precisáva-
mos alimentá-lo, vesti-lo, cuidá-lo. Para isso, tive que trabalhar muito. Mas o resultado aí
está.
Abraçando o filho com imenso carinho e justo orgulho, apontou as terras cultivadas:
-Assim, devemos tudo isso a você! E devo mais ainda. Devo a você, meu filho, a
oportunidade e a bênção de ser chamado de PAI!
A mãe, que chorava comovida, aproximou-se também e permaneceram abraçados por longo
tempo.


(Célia Xavier Camargo)









148 - O ROUBO

Quando os alunos chegaram à escola naquela manhã, o ambiente estava tumultuado.
- A televisão foi roubada!
Um espanto! Curiosos e horrorizados, dirigiram-se todos para a sala de TV do colégio e
constataram que, realmente, o suporte estava vazio.
Comentava-se que alguém entrara, à noite, e roubara a televisão comprada com tanto
esforço.
- Quem teria feito essa maldade? - perguntou um dos professores.
- Ignoro - respondeu o diretor.
- Alguma pista? - indagou alguém com tendência a detetive.
O diretor pensou um pouco, e respondeu:
- Bem, não foi arrombada nenhuma porta ou janela.
Infelizmente, isso faz supor que o responsável seja alguém muito próximo da escola.
Além disso, como podem ver, existe uma trilha de pegadas cheias de lama.
- Marcas de pés enlameados?!...
A imaginação correu solta. Quem andaria em chão de terra, e que pudesse sujar o piso da
escola?
Imediatamente, alguns alunos se voltaram para Toninho, com olhos acusadores.
Toninho era o garoto mais pobre da escola e morava numa chácara nos arredores da
cidade. Estudava com bastante dificuldade e vestia-se muito simplesmente. Não raro
quando chovia, constrangido, ele deixava os sapatos enlameados na porta, e entrava
descalço para não sujar a sala.
- Foi ele, senhor diretor! - acusou um aluno, apontando-o com o dedo em riste. O
garoto, apesar de surpreso, respondeu sereno:
Por que está me acusando, J orge? Nunca roubei nada!
- Porque você é o garoto mais pobre da escola.
- E daí? - retrucou Toninho.
- Outro dia mesmo você estava contando que não tem televisão em sua casa, e falava como
gostaria de ter uma!
- É verdade. Contudo, isso não prova que roubei a TV da escola! - defendeu-se Toninho.
O diretor interferiu:
- Ele tem razão, J orge. O fato de Toninho não ter televisão não quer dizer que tenha
roubado uma. Não se pode acusar alguém sem provas.
- E os sapatos dele? Vivem sujos de barro! – afirmou outro garoto.
E a confusão se estabeleceu. A maioria dos alunos tomou o partido de Toninho, que era
muito estimado; outros ficaram do lado de J orge, na acusação.
No momento em que os ânimos estavam acirrados, entra na sala um dos professores com o
aparelho de TV nos braços.
- Com licença! Com licença! Deixem-me passar!
Alunos e professores, perplexos, afastaram-se abrindo espaço ao professor Henrique. Ao
ver o diretor à sua frente com ar de interrogação, o professor explicou:
- Desculpe-me, diretor, não ter avisado que ia levar o aparelho para consertar. Ontem,
quando fui testá-lo, vi que estava com um defeito, e como tinha programado passar um filme
para os alunos hoje, voltei à escola e peguei a TV.
Satisfeito, levou o aparelho até o suporte vazio, colocou-o no lugar e depois, em meio do
silêncio geral, sorriu:
-Pronto! Agora está em ordem.
Só então percebeu que todos estavam estranhamente calados.
- Estão com uma cara! Aconteceu alguma coisa? - perguntou.
O diretor respondeu, sério:
- Aconteceu, sim, mas está tudo em ordem agora. Graças a Deus você chegou, Henrique,
impedindo que se cometesse uma injustiça. E aprendemos uma lição: que não se deve julgar
ninguém.
J orge e sua turma, envergonhados, aproximaram-se de Toninho e o abraçaram, pedindo
perdão.
- Estou me sentindo muito mal, Toninho. Fui preconceituoso e compreendo
agora que pobreza não significa falta de honestidade. Você me perdoa? Quero que
sejamos amigos. Amigos de verdade!
- Claro que perdoo, J orge.
Abraçaram-se, para satisfação de todos os presentes, e J orge falou:
- Você é mesmo um grande garoto!
Toninho sorriu, depois completou, em tom de brincadeira:
- Mas tome cuida do, J orge! Não se esqueça de que J esus ensinou que cada um será
julgado conforme julga os outros.


(Célia Xavier Camargo)



149 - A ESCOLHA DO IMPERADOR


Um imperador chinês estava morrendo e não tinha nenhum filho para assumir o
trono. Decidiu então escolher um entre milhares de chineses “comuns” para substituí-lo.
Assim, reuniu todos seus súditos em frente ao palácio e deu a cada um deles uma
semente, de flores distintas.
Aquele chinês que plantasse a semente, cuidasse dela com muito carinho e um ano
depois apresentasse a mais bela das flores seria o próximo Imperador da China.
Na data marcada, na praça em frente ao palácio, havia milhares de chineses com
vasos lindos e flores ainda mais belas – azuis, rosas e amarelas... O Imperador então
levantou-se e foi até a multidão.
Caminhou durante uma hora no meio daquelas flores maravilhosas. Foi então que
escutou um pequeno menino agachado, chorando. Perguntou a ele o que havia.
O pequeno chinezinho mostrou um vaso feio, somente com terra e sem nenhum
sinal de alguma flor.
Disse ao imperador que havia plantado a semente e nada havia acontecido. Trocara
a terra e pusera mais água e nada mudou. A planta simplesmente não nasceu.
O Imperador então voltou ao seu trono e anunciou que o rapaz que estava chorando
herdaria seu trono, pois havia distribuído sementes secas e mortas a todos.
A honestidade e a coragem do rapaz o fizeram tomar tal decisão.

(Autor Desconhecido)







150 - TIJOLOS, PAREDES OU UMA CATEDRAL?



Certa vez, em um canteiro de obras, uma pessoa caminhava observando o trabalho
dos pedreiros. Em determinada área, muitos realizavam o mesmo trabalho.
Curioso, decidiu perguntar ao pedreiro que se encontrava a sua frente o que ele
estava fazendo. “Estou apenas colocando um tijolo sobre o outro”, respondeu. Não
satisfeito com a resposta, continuou caminhando pela construção até parar próximo a um
outro, que desempenhava a mesma função do anterior. “Estou construindo uma parede”,
disse o segundo pedreiro. Instigado pelos pontos de vistas tão distintos para a mesma
função, resolveu se dirigir a um terceiro pedreiro, que cantava desconhecidas canções
enquanto subia rapidamente sua parede. “Estou construindo uma catedral”, respondeu
com um sorriso de orgulho estampado no rosto.
A curiosidade deu lugar então à dúvida: o que estava por trás daquelas respostas?
Por que os três pedreiros responderam tão distintamente, uma vez que desempenhavam a
mesma função?
Ao perguntar ao terceiro pedreiro o motivo de sua felicidade, este explicou que se
sentia orgulhoso em participar da construção daquela catedral. Ao imaginar que em breve
aquele local estaria repleto de pessoas em busca de auxílio espiritual e que ele mesmo
freqüentaria os cultos com sua família, seu trabalho tomava uma nova dimensão. De longe
estaria colocando apenas tijolos sobre tijolos ou construindo paredes, estava participando
de algo muito maior, cuja imagem final habitava seus pensamentos e servia de motivação
para os momentos de cansaço.
Assim podemos distinguir também nossa maneira de encarar os desafios que a vida
nos impõe. O processo de educação dos filhos, o desenvolvimento de relações duradouras
entre casais, o investimento profissional, o crescimento pessoal, a fé e a espiritualidade,
são todas as construções que lidamos no nosso dia a dia e que nos colocam diante do
grande questionamento que devemos nos fazer sempre: como estou lidando com este
processo em minha vida? Estou apenas colocando tijolo sobre tijolo, subindo paredes ou
construindo catedrais?

Aquele que coloca “tijolo sobre tijolo”, encara a vida no imediatismo. Não
compartilha de um objetivo maior que possa conduzir seus passos. Sua limitação
perceptiva o conduz ao automatismo, realizando por realizar, sem vislumbrar aonde suas
ações o levarão, correndo o risco de viver uma vida desprovida de sentido, pois faz o que
faz sem saber o por quê. Nos momentos de dificuldade, pode facilmente desistir, pela
carência de uma meta que o impulsione e que justifique o sacrifício.
Quem “constrói paredes” sabe que a base é um importante sustentáculo em tudo
que construímos em nossas vidas, mas além da base, é preciso saber exatamente o que
estamos construindo. Aquele que “constrói paredes” dá importância a certos aspectos da
vida desconsiderados pelo estágio anterior. Isto faz com que realize com determinado
objetivo, mas como o anterior, não consegue enxergar as engrenagens que envolvem todo
o processo. Sua limitação reside na incapacidade de finalização por não vislumbrar o
objetivo maior. Constrói algo, mas sem saber no que pode se transformar. Há o risco de
não dar continuidade nas atividades em que se envolve ou que as mesmas percam o
sentido com o passar do tempo. Embora saiba que está envolvido na construção de algo,
não sabe exatamente de que, se perdendo no caminho.
Por fim, quem “constrói catedrais” sabe que o processo envolve muitos sacrifícios,
tempo e dedicação. Para acreditar que o esforço não é em vão, é preciso ter sempre
acessível o objetivo maior, que irá servir sempre de referência para que não haja desvios.
Quem inicia uma construção sabendo claramente o que irá construir, conta com uma
motivação que irá servir de suporte nos momentos mais difíceis e de combustível nos
momentos de alegria. Sabe também que para construir algo deve-se colocar “tijolo sobre
tijolo” e que isso renderá a construção de “algumas paredes”, mas acima de tudo sabe
conduzir esta construção para que ela se torne algo maior, algo que incorpora em si um
sentido de existir. Ninguém se sentirá motivado a construir coisas sem sentido. Não é a
construção que dá sentido ao objetivo maior e sim o objetivo maior que dá sentido à
construção. Eduque, ame, relacione, tendo sempre este objetivo maior como referência.
E se por acaso lhe faltar este objetivo maior, trate de traçá-lo o quanto antes ou
caso contrário gastará tempo e energia preciosos em construções que nunca acabarão.


(Autor Desconhecido)



































Prezados Amigos,



Esta coletânea de estórias tem como objetivo ajudar aos expositores a ilustrar os
temas abordados nas Exposições Públicas.

Algumas são de livros espíritas e outras de domínio público, mas todas abordam
situações ou exemplos pautados na moral e nos valores humanos recomendados a todos
que desejam se aperfeiçoar como seres humanos.

Quem se interessar por este arquivo pode solicitá-lo por e-mail ou rede social nos
endereços abaixo. E também pode nos enviar novas estórias para que possamos
futuramente fazer outra coletânea com novas obras, ampliando assim, mais ainda nossas
opções.

Lembramos que vale fazer pequenas adaptações, atualizando as estórias para o
nosso dia a dia, assim como também interpretarmos, mesmo que de forma discreta,
exaltando os valores que queiramos destacar.

Principlamente nas estórias com o enredo com teor infantil, é imprescindível um
pouco de criatividade e entusiasmo, pois todo ouvinte, possue uma criança interior, que ao
se envolver na estória registra de forma intensa o que lhes contamos, absorvendo os
ensinamentos expostos.


Bons Estudos e Boas Exposições a Todos!








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E-Mail: cla.vismara@gmail.com

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