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TEORIAS DE ENFERMAGEM

Resumo elaborado por: Aryanne Fernandes Email: enf.aryanne@yahoo.com.br

Kerlinger (1973) define teoria como um conjunto de conceitos inter-relacionados, definições e proposições que apresentam uma forma sistemática de ver fatos/eventos, pela especificação das relações entre as variáveis, com a finalidade de explicar e prever o fato/evento. Chinn e Kramer (1991) definem a teoria como “uma estruturação criativa e rigorosa de idéias que projetam uma tentativa, uma resolução e uma visão sistemática dos fenômenos”.

  • MODELO AMBIENTAL FLORENCE NIGHTINGALE

Webster (1991) define ambiente como a matéria circundante que influencia ou modifica um curso de desenvolvimento. Segundo Miller (1978), o sistema deve interagir e ajustar-se ao seu ambiente. Nightingale via a manipulação do ambiente físico como o principal componente do atendimento de enfermagem. Quando um ou mais aspectos do ambiente estivessem desequilibrados o cliente deveria usar maior energia para contrabalancear o estresse ambiental. Esse estresse retira do cliente a energia necessária para a cura. Estes aspectos do ambiente físico também são influenciados pelo ambiente social e psicológico do indivíduo. Nightingale identificou algumas áreas que a enfermeira podia control ar para melhorar a assistência ao paciente, são elas:

  • Saúde das Casas discutiu a importância da saúde das casas relacionando-a, proximamente, à presença de ar puro, água pura, esgoto eficiente, limpeza e luz. “Casas mal construídas fazem com os saudáveis o que os hospitais mal construídos fazem com os doentes. Assegurando-se o ar estagnado, a doença certamente virá a seguir.

  • Ventilação e aquecimento “manter o ar que a pessoa respira tão puro quanto o ar externo, sem resfriá-la”. O ar poderia estar cheio de vapores de gás, mofo ou esterco se a origem não fosse a mais pura. A importância da temperatura do quarto também foi destacada por Nightingale. O paciente também não deveria estar muito aquecido ou com frio.

  • Luz Observou que a luz solar direta era o que os pacientes desejavam. Notou que os enfermos raramente deitam encarando a parede, preferindo o lado da janela, origem do sol.

  • Ruído os pacientes jamais deveriam ser acordados intencional ou acidentalmente durante a primeira parte do sono. Afirmou que conversas sussurradas ou longas sobre pacientes são cruéis e sem consideração.

  • Variação acreditava que a variação no ambiente era um aspecto critico afetando a recuperação do paciente. Ela defendia a necessidade de mudanças na cor e na forma, incluindo proporcionar ao paciente flores ou plantas de cores fortes.

  • Cama e Roupas de Cama acreditava que a cama deveria ser colocada na parte mais iluminada do quarto e em uma posição que o cliente pudesse olhar pela janela. Lembrava o cuidado de nunca inclinar-se sobre a cama do paciente, sentar sobre ela ou sacudi-la desnecessariamente.

  • Limpeza Pessoal considerava a função da pele muito importante, acreditando que muitas doenças, “desorganizavam” ou provocavam o rompimento da pele. Achava que a pele sem ser lavada envenenava o paciente, notando que lavá-lo e secá-lo proporciona-lhe um grande alívio.

  • Nutrição e Ingesta de Alimentos abordou a variedade dos alimentos apresentados ao paciente e defendeu a importância dessa variedade na alimentação.

  • Conversando sobre Esperanças e Conselhos considerava que esperanças falsas são deprimentes para os pacientes, causam-lhe fadiga e preocupações.

Uma forma

de organizar o

modelo ambiental de Nightingale pode ser visto na

figura abaixo. A

enfermeira pode manipular o ambiente para compensar as respostas do cliente a ele. Sua meta é auxiliar o paciente a ficar equilibrado. Se o ambiente de um cliente estiver desequilibrado, ele gasta energia desnecessária.

 Variação  acreditava que a variação no ambiente era um aspecto critico afetando a recuperação
  • TEORIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS EM ENFERMAGEM HILDEGARD PEPLAU

De acordo do Peplau (1952/1988) a enfermagem pode ser encarada como um processo interpessoal, pois envolve a interação ente dois ou mais indivíduos com uma meta comum. Essa meta comum proporciona o incentivo para o processo terapêutico, no qual a enfermeira e o paciente respeitam um ao outro como indivíduos, ambos aprendendo e crescendo como resultado dessa interação. O indivíduo aprende quando seleciona estímulos no ambiente e reage, então, a esses estímulos. A obtenção desta meta, ou de qualquer meta, é conseguida através de uma série de passos seguindo um padrão seqüencial. À medida que o relacionamento da enfermeira e do paciente desenvolve-se nesses passos, ela pode escolher como praticar a enfermagem, usando diferentes habilidades e capacidades técnicas e assumindo vários papéis. Peplau identifica quatro fases seqüenciais nos relacionamentos interpessoais: (1) orientação, (2) identificação, (3) exploração e (4) resolução. Cada uma dessas fases sobrepõe-se, inter-relaciona-se e varia em duração à medida que o processo evolui para uma solução.

Fases de Enfermagem de Peplau

1) Orientação a enfermeira e o paciente encontram-se como estranhos. O paciente e/ou a família tem uma “necessidade percebida”, por isso é procurada a assistência profissional. No entanto, essa

necessidade pode não ser prontamente identificada ou compreendida pelos indivíduos envolvidos. Assim, ao esclarecer e definir o problema na fase de orientação, o paciente pode direcionar a energia acumulada de sua ansiedade para necessidades não-preenchidas, começando a trabalhar com o problema apresentado. Estabelece-se um vínculo entre a enfermeira e o paciente que continua a ser fortalecido enquanto as preocupações estão sendo identificadas. A enfermeira, o paciente e a família trabalham juntos para reconhecer, esclarecer e definir o problema existente.

2) Identificação o paciente responde, seletivamente, às pessoas que podem preencher suas necessidades. Tanto o paciente quanto a enfermeira devem esclarecer sua próprias percepções e expectativas. As experiências anteriores, tanto de um quanto de outro, influenciarão as suas expectativas durante o processo interpessoal. O paciente começa a ter a sensação de pertencer e de ser capaz de lidar com o problema.

3) Exploração o paciente tira vantagens de todos os serviços disponíveis. O indivíduo começa a sentir-se parte integrante do ambiente de auxílio e dá início ao controle da situação extraindo ajuda dos serviços oferecidos. Na exploração, a enfermeira usa instrumentos de comunicação como o esclarecimento, a escuta, a aceitação, o ensino e a interpretação para oferecer serviços ao paciente, o qual então tira vantagens de acordo com seus interesses ou necessidades. Ao longo dessa fase, ele trabalha em colaboração com a enfermeira para vencer os desafios e atingir o nível máximo de saúde.

4) Resolução as necessidades do paciente já foram preenchidas pelos esforços conjuntos do paciente e da enfermeira. Ambos necessitam, agora, terminar seu relacionamento terapêutico e dissolver laços existentes entre eles. Em uma resolução bem sucedida, o paciente afasta-se da identificação com a pessoa que o ajudou, a enfermeira. Torna-se, então, independente da enfermeira, assim como ela torna-se independente dele. Ambos tornam-se indivíduos mais fortes e amadurecidos.

4) Resolução  as necessidades do paciente já foram preenchidas pelos esforços conjuntos do paciente e
  • TEORIA DAS NECESSIDADES BÁSICAS VIRGINIA HENDERSON

Em 1966, Virginia Henderson faz uma declaração definitiva sobre o conceito de enfermagem: “A

função exclusiva do profissional enfermeiro é a de auxiliar o indivíduo, enfermo ou sadio, na realização das atividades que contribuam para a saúde ou para a sua recuperação (ou para a morte pacífica), que ele realizaria sem o auxilio se tivesse a força, o desejo ou o conhecimento necessários. E fazer isso de uma forma que ele adquira a independência tão rapidamente quanto possível. Logo o enfoque individual sobre o atendimento individual é evidente quando ela salienta a assistência de indivíduos em atividades essenciais para a manutenção da saúde, para a recuperação ou para chegar a uma morte pacífica.

14 Necessidades Básicas - O indivíduo pode:

  • 1. Respirar normalmente;

  • 2. Comer e beber adequadamente;

  • 3. Eliminar os resíduos orgânicos;

  • 4. Movimentar-se e manter posturas desejáveis;

  • 5. Dormir e descansar;

  • 6. Selecionar as roupas adequadas vestir-se e despir-se;

  • 7. Manter a temperatura corporal dentro da variação normal, adaptando a roupa e modificando o ambiente;

  • 8. Manter o corpo limpo e bem arrumado, proteger a pele;

  • 9. Evitar os perigos ambientais e evitar ferir os outros;

10.Comunicar-se com os outros expressando emoções, necessidades, medos ou opiniões; 11.Adorar de acordo com a própria fé; 12.Trabalhar de forma a ter uma sensação de realização; 13.Participar de várias formas de recreação; 14.Aprender, descobrir ou satisfazer a curiosidade que leva ao desenvolvimento e à saúde normais e usar os serviços de saúde disponíveis.

  • TEORIA DO AUTOCUIDADO DOROTHEA OREM

Orem desenvolveu a teoria de enfermagem do déficit de autocuidado (sua

teoria

geral), que

é

composta de três teorias inter-relacionadas: (1) a teoria de autocuidado, (2) a teoria do déficit de

autocuidado e (3) a teoria dos sistemas de enfermagem.

(1) Teoria do Autocuidado

Autocuidado é o desempenho ou a prática de atividades que os indivíduos realizam em seu benefício para manter a vida, a saúde e o bem-estar. Quando o autocuidado é efetivamente realizado, ajuda a manter a integridade estrutural e o funcionamento humano, contribuindo para o desenvolvimento humano (Orem, 1991). A capacidade do indivíduo para engajar-se no autocuidado é afetada por fatores condicionantes básicos (idade, sexo, estado de desenvolvimento, estado de saúde, orientação sócio- cultural, padrões de vida, entre outros). Na teoria do autocuidado, Orem explica o que significa o autocuidado e lista os vários fatores que afetam a sua provisão.

(2) Teoria do Déficit de Autocuidado

A enfermagem é exigida quando um adulto (ou no caso de um dependente, o pai ou responsável) é incapaz ou tem limitações na provisão de autocuidado efetivo continuado. Orem identifica os cinco métodos de ajuda a seguir:

  • Agir ou fazer para outra pessoa;

  • Guiar e orientar;

  • Proporcionar apoio físico e psicológico;

  • Proporcionar e manter um ambiente de apoio ao desenvolvimento pessoal;

  • Ensinar.

A enfermeira

pode ajudar

assistência com autocuidado.

o indivíduo usando

um

ou todos

esses

métodos

para

proporcionar

(3) Teoria dos Sistemas de Enfermagem

Orem identificou três classificações de sistemas de enfermagem para preencher os requisitos de autocuidado do paciente. São eles o sistema totalmente compensatório, o sistema parcialmente compensatório e o sistema de apoio-educação.

O sistema totalmente compensatório é representado pela situação em que o indivíduo é incapaz de engajar-se nas ações de autocuidado;

O sistema de enfermagem parcialmente compensatório é representado pela situação na qual “tanto a

enfermeira quanto o paciente desempenham as medidas de cuidados ou as outras ações envolvendo as

tarefas manipuladoras ” ...

E por último, o sistema de apoio-educação, onde a pessoa “é capaz de desempenhar, ou pode e deve aprender a desempenhar, as medidas exigidas pelo autocuidado terapêutico, externa ou internamente

orientado, mas não pode fazer isso sem assistência”.

Enfim na teoria dos sistemas de enfermagem, Orem determina como as necessidades de autocuidado do paciente são preenchidas pela enfermeira, pelo paciente ou por ambos.

  • TEORIA DA OBTENÇÃO DE METAS IMOGENE M. KING

Como a teoria de obtenção de metas é derivada da estrutura de sistemas abertos, essa estrutura e suas presunções e conceitos são apresentados em primeiro lugar e depois é discutida a teoria da obtenção de metas.

Estrutura de Sistemas Abertos de King

King (1989) apresenta várias presunções básicas para a sua estrutura conceitual. Estas incluem as presunções de que os seres humanos são sistemas abertos, em constante interação com o seu ambiente, que o enfoque da enfermagem é a interação dos seres humanos com o seu ambiente e que a meta da enfermagem é ajudar os indivíduos e os grupos a manterem a saúde. A estrutura conceitual consiste em três sistemas o pessoal, interpessoal e social em troca contínua com seus ambientes. Para o sistema pessoal os conceitos relevantes são a percepção, o ser, o crescimento e o desenvolvimento, a imagem corporal, o espaço, o aprendizado e o tempo. Os conceitos dos sistemas interpessoais são o papel, a interação, a comunicação, a transação e o estresse. Já os conceitos dos sistemas sociais abordam a organização, o poder, a autoridade, o status, a tomada de decisão, o controle e o papel.

Teoria da Obtenção de Metas

A partir desses sistemas e dos conceitos abstratos de seres humanos, saúde, ambiente e sociedade, King desenvolve uma teoria de obtenção de metas. Os principais conceitos dessa teoria são a interação, a transação, o papel, o estresse e o crescimento e desenvolvimento. King afirma que uma enfermeira profissional, com conhecimentos e habilidades especiais, e um cliente com necessidade de enfermagem, com conhecimentos de si mesmo e percepção dos problemas pessoais, encontram-se como estranhos em um ambiente natural. Eles interagem mutuamente para identificar os problemas, estabelecer e atingir as metas. O sistema pessoal da enfermeira e o sistema pessoal do cliente encontram-se em interação com o sistema interpessoal da dupla. Seu sistema interpessoal é influenciado pelos sistemas sociais que o circunda, assim como por cada um dos seus próprios sistemas pessoais.

  • TEORIA DE MARTHA ROGERS PRINCÍPIOS DA HEMODINÂMICA

Baseada em ampla base teórica de uma série de disciplinas, Rogers desenvolveu os princípios da hemodinâmica. Inerentes aos princípios estão cinco pressupostos básicos:

I. O ser humano é um todo unificado, possuindo uma integridade individual e manifestando características que são mais diferentes que a soma das partes;

II.

O individuo e o ambiente estão continuamente trocando matéria e energia um com o outro;

III.

O processo de vida dos seres humanos evolui, irreversível e unidirecionalmente ao longo de uma

IV.

seqüência de espaço-tempo. Os padrões identificam os seres humanos e refletem a sua totalidade inovadora;

V.

O

individuo

é

caracterizado

pela

capacidade

de

abstração

e

visualização,

linguagem

e

pensamento, sensação e emoção.

Princípios da Hemodinâmica

Integralidade é o processo de interação contínuo, mútuo e simultâneo entre os campos humanos e ambientais.

Ressonância fala da natureza da mudança que ocorre entre os campos humano e ambiental. É a identificação do campo humano e do campo ambiental por padrões de onda que manifestam mudanças continuas, de ondas longas de baixa freqüência, para ondas curtas de alta freqüência.

Helicidade propõe que a mudança da direção, que ocorre entre os campos humano e ambiental, sempre visa à diversidade e à complexidade e que é vista em ritmos que não se repetem precisamente.

  • MODELO DE ADAPTAÇÃO CALISTA ROY

O modelo de Roy consiste de quatro elementos:

1) As pessoas são vistas como sistemas adaptativos vivos cujos comportamentos podem ser classificados como respostas ineficientes. Essas respostas derivam de mecanismos reguladores e cognatos. A investigação do comportamento é feita nos quatro modos adaptativos: fisiológico, autoconceito, função do papel e interdependência. 2) O ambiente consiste nos estímulos do interior da pessoa e dos estímulos externos, ao redor da pessoa.

3)

A saúde é um processo de tornar-se integrado e capaz de preencher as metas de sobrevivência, crescimento, reprodução e domínio.

4) Meta da enfermagem promover as respostas adaptativas em relação aos quatro modos adaptativos, usando informação sobre o nível de adaptação da pessoa e os estímulos focais, contextuais e residuais. As atividades de enfermagem envolvem a manipulação desses estímulos para promover as respostas adaptativas.

  • TEORIA HOLÍSTICA MYRA ESTRIN LEVINE

Levine desenvolveu quatro princípios de conservação: de energia, da integridade estrutural, da integridade pessoal e da integridade social do paciente. O modelo conceitual de Levine centraliza-se na intervenção da enfermagem, na adaptação e na reação dos pacientes à doença. Levine entende que o ser humano deve ser visto no todo, o que leva o indivíduo a um ser complexo que é dependente de sua relação com os outros, as dimensões dessa dependência está ligada com os quatro princípios de conservação, e que esta dependência existe em todas as passagens de sua existência, na sobrevivência; afirma também que o enfermeiro deve estar consciente dessa dependência e estar preparado para atuar na transformação que o estresse causado por algum desequilíbrio possa alterar o funcionamento do organismo humano. Levine acredita que o enfermeiro deve assumir a ajuda ao paciente para transformá-lo e auxiliá-lo na adaptação às mudanças oriundas da doença. A conservação da energia que consiste no primeiro princípio, refere-se ao equilíbrio entre a energia de saída e a energia de entrada, com o propósito de evitar cansaço excessivo utilizando repouso, nutrição e exercícios adequados O segundo princípio, conservação da integridade estrutural, refere-se à manutenção ou recuperação da estrutura do corpo, ou seja, a prevenção do colapso físico e a promoção da cura. O terceiro princípio, conservação da integridade pessoal, refere-se à manutenção ou recuperação da identidade e auto-estima do paciente, sendo que para Levine o senso de identidade é a mais completa evidência de totalidade. O último princípio, conservação da integridade social, consiste no reconhecimento do paciente como um ser social, envolve a interação humana, particularmente aquelas que são importantes ao paciente.

  • TEORIA DAS NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS WANDA DE AGUIAR HORTA

Horta (1979) define o ser humano como um ser com capacidade de reflexão e imaginação, com unicidade, autenticidade e individualidade, integrante do universo dinâmico e agente de mudanças em seu ambiente. Segundo a autora o ser humano (indivíduo, família ou comunidade), agente de mudanças, também pode estar em equilíbrio ou desequilíbrio. A autora também define SAÚDE como estar em equilíbrio dinâmico no tempo e no espaço, a DOENÇA é resultante dos desequilíbrios que causam necessidades não atendidas. A enfermagem implementa estados de equilíbrio, reverte ou previne estados de desequilíbrio pela assistência ao ser humano no atendimento de suas necessidades básicas, procurando sempre reconduzi- lo à situação de equilíbrio dinâmico no tempo e no espaço (HORTA,1979). Partindo desses conceitos Wanda Horta procurou desenvolver uma teoria capaz de explicar a natureza da enfermagem, definir seu campo de ação específico e sua metodologia de trabalho baseada na teoria da motivação humana de ABRAHAM MASLOW e na determinação dos níveis da vida psíquica utilizada por JOÃO MOHANA.

Maslow (1970) baseia sua teoria sobre a motivação humana nas necessidades humanas básicas hierarquizadas em cinco níveis de prioridades sendo: necessidades fisiológicas, de segurança, de amor, de estima e de autorealização. O indivíduo só passa a procurar satisfazer as do nível seguinte após um mínimo de satisfação das necessidades anteriores. Segundo a teoria nunca há satisfação completa ou permanente de uma necessidade, pois, caso contrário, não haveria mais motivação individual. Horta adotou a classificação de João Mohana (1964) que categoriza as necessidades em três níveis:

nível psicobiológico, psicossocial e psicoespiritual, sendo os dois primeiros níveis comuns a todos os seres vivos nos diversos aspectos de sua complexidade orgânica. Entretanto, o terceiro nível é característica única do homem (HORTA, 1979). A teoria se apoia e engloba as leis do equilíbrio que determina que todo o universo se mantêm por

processos de equilíbrio dinâmico entre os seus seres; a LEI DA ADAPTAÇÃO que define que todos os seres do universo interagem com o meio externo, dando e recebendo energia, buscando sempre formas de ajustamento para se manterem em equilíbrio e a LEI DO HOLISMO que estabelece que o universo é um todo, o ser humano é um todo, a célula é um todo e que este todo é mais que simplesmente a soma das partes (HORTA, 1979). A partir do estudo das necessidades humanas básicas, Horta (1979) estabelece dois principais eixos que compõem sua teoria:

1) A enfermagem é um serviço prestado ao ser humano; 2) A enfermagem é parte integrante da equipe de saúde. Portanto, deve considerar algumas proposições: o ser humano como parte integrante do universo está sujeito a estados de equilíbrio e desequilíbrio no tempo e no espaço. Além disso, por ser considerado um agente de mudança, é também a causa de equilíbrio e desequilíbrio em seu próprio dinamismo.

Sendo assim, Horta (1979, p.39) define NHB como “estados de tensões, conscientes ou inconscientes,

resultantes dos desequilíbrios hemodinâmicos dos fenômenos vitais”. Em estados de equilíbrio, as necessidades não se manifestam, porém, dependendo do desequilíbrio instalado surgem com maior ou menor intensidade. Deste modo, as NHB são condições ou situações que o indivíduo, família ou comunidade apresentam, sendo decorrentes do desequilíbrio de suas necessidades básicas e que exigem uma resolução, podendo ser aparentes, conscientes, verbalizadas ou não (HORTA, 1979). As necessidades são universais, portanto comuns a todos os seres humanos; o que varia de um indivíduo para outro é a sua manifestação e a maneira de satisfazê-la ou atendê-la (HORTA, 1979). A partir desses conceitos Horta (1979) construiu a teoria das NHB considerando 18 necessidades humanas como Necessidades Psicobiológicas, 17 como Necessidades Psicossociais e 2 como Necessidades Psicoespirituais (QUADRO 1). De acordo com Horta (1979), as necessidades são inter-relacionadas e fazem parte de um todo indivisível, o ser humano. Assim, quando qualquer uma das necessidades se manifesta, observa-se algum grau de alteração nas demais, seja por desequilíbrio causado por falta ou excesso de qualquer uma delas. Para a teorista, após a satisfação de certas necessidades, novas surgirão, fazendo com que enfermeiro e paciente passem a adquirir uma nova abordagem em termos de prioridade para a assistência a ser prestada. Dessa forma, assistir em enfermagem é fazer pelo ser humano aquilo que ele não pode fazer por si mesmo, ajudar quando parcialmente impossibilitado de se autocuidar, orientar ou ensinar, supervisionar e encaminhar a outros profissionais (HORTA, 1979).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • GEORGE, J.B. e colaboradores. Teorias de enfermagem Os fundamentos à prática profissional. 4ed. Porto Alegre: Artes Médicas; 2000.

  • HORTA, W. A. Processo de enfermagem. São Paulo: EPU; 1979.