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CONCURSO PARA FISCAL DE RENDAS DO MUNICÍPIO DE SP 2014 PROVA DE LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA – ISS QUESTÕES QUE MERECEM RECURSOS

113 - A Zap Auditoria e Consultoria Estratégica Ltda., cujo quadro societário é composto por economistas perante a Secretaria de Finanças do Município, está enquadrada sob regime especial de recolhimento do ISS. Com o aumento da demanda para analisar declarações de Imposto de Renda (IR) – “demanda” – encaminhadas por seus clientes, repassa-as para um escritório de contabilidade, também enquadrado no mencionado regime especial; e, como investidora, aportou recursos no Startup (ainda sem configuração societária) de um aplicativo para aparelhos celulares que agiliza os procedimentos de due diligence. Com base nesses fatos e no disposto no Decreto nº 52.703/2011, do Município de São Paulo, assinale a alternativa correta sobre a Zap.

(A) Corretamente enquadrada no regime especial, o

repasse da demanda e o aporte de recursos para o Startup são permitidos.

(B) Irregularmente enquadrada no regime especial, tanto

o repasse da demanda quanto o aporte de recursos para o Startup não são permitidos.

(C) Incorretamente enquadrada no regime especial, o

repasse da demanda não é permitido, mas o aporte

de

recursos para o Startup, sim.

(D)

Incorretamente enquadrada no regime especial, o

repasse da demanda é permitido, mas o aporte de recursos para o Startup, não.

(E) Corretamente enquadrada no regime especial, o

repasse da demanda para outra empresa sob o regime especial e o aporte de recursos para o Startup são permitidos.

COMENTÁRIO: A empresa Zap é constituída por economistas, profissão que permite o enquadramento como sociedade uniprofissional (art.186 do Decreto 52.703/2011).

O repasse da atividade para outra escritório desconfigura a responsabilidade pessoal dos

sócios e é vedada pelo § 2º VI do mesmo artigo.

O problema da questão foi a menção de que a Zap “aportou recursos no Startup (ainda sem

configuração societária) de um aplicativo para aparelhos celulares que agiliza os procedimentos de due diligence”, o que dá margem a mais de uma interpretação. Startups são empresas jovens e inovadoras que desenvolvem um modelo de negócio novo; a questão mencionou que essa startup ainda não tem configuração societária, o que para mim significa que ela é uma “sociedade de fato”.

“Due diligence” significa “diligência prévia”, e “refere-se ao processo de investigação de uma oportunidade de negócio que o investidor deverá encetar, ou avaliação de riscos. Embora possa ser feito por obrigação legal, o termo refere-se mais normalmente a investigações voluntárias” (Wikipédia).

O investimento da Zap nessa startup pode significar que a sociedade esteja passando a

desenvolver atividade diversa da habilitação profissional dos sócios, que a Zap esteja começando a assumir caráter empresarial, em função de sua estrutura e forma de prestação dos serviços e, até mesmo, que ela esteja passando a ser sócia (ainda que de fato) dessa

startup, o que impediria o enquadramento, nos termos do artigo 186 § 2º II, III, V e VII c/c § 8º

do mesmo artigo do Decreto 52.703/2011.

O enunciado da questão não é suficiente para que o candidato decida a real intenção do negócio, suas proporções e características, o que só é possível de fato em uma ação de fiscalização. Consequentemente, a resposta correta poderia ser as letras B ou C, dependendo da análise do “aporte na startup”. Face ao exposto, considerando que o candidato poderia não conhecer o significado das expressões “startup” e “due diligence” e, ainda, a subjetividade da questão, entendo que a mesma deveria ser anulada por comportar duas respostas possíveis.

117. Para um serviço de R$2.000,00, cuja alíquota do ISS é de 5%, o contribuinte deu para o cliente um abatimento de 10% para pagamento à vista com emissão da Nota Fiscal. No entanto, quando do pagamento do imposto, erroneamente foi recolhido apenas metade do devido. Passados 12 (doze) dias, percebeu-se o equívoco e regularizou-se o pagamento, recolhendo o restante com a multa diária indicada no Decreto nº 52.703/2011 para ISS. Desse modo, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a base de cálculo a ser utilizada, o valor de multa moratória e a temporariedade a ser considerada para cálculo da multa.

(A)

R$2.000,00; 1%; e diária.

(B)

R$1.800,00; 0,33%; e diária.

(C)

R$1.800,00; 1%; e diária.

(D)

R$2.000,00; 20%; e mensal.

(E)

R$1.800,00; 0,33%; e mensal.

COMENTÁRIO: Essa questão não tem resposta correta e merece ser anulada. Preliminarmente, verifica-se que, se o estabelecimento cobra determinado valor pelo serviço e concede um desconto caso o pagamento seja feito à vista, esse desconto é condicionado e, portanto, não pode ser excluído da base de cálculo do ISS, uma vez que apenas o desconto incondicionado pode ser excluído. Dessa forma, a base de cálculo do ISS é R$ 2.000,00.

Além disso, a questão afirmou que metade do valor do ISS a recolher só foi recolhido, por engano, 12 dias após o primeiro pagamento. A questão não citou se o primeiro pagamento fora efetuado no prazo legal, o que é imprescindível para a resolução da questão. Considerando que o primeiro pagamento tenha sido feito meses após o seu vencimento, o segundo pagamento, feito 12 dias após o primeiro pagamento pode exigir a aplicação da multa moratória de 0,33% ao dia ou já exigir o acréscimo de 20%.

Face ao exposto, entendo que a questão deva ser anulada.