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Material Complementar Gestão Governamental Profª. Mayla Costa A administração pública deve buscar o

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A administração pública deve buscar o equilíbrio entre suas receitas (previstas e realizadas) e

suas despesas (fixadas e realizadas). Para atingir esse equilíbrio é necessário elaborar um plano.

o Historiografia Orçamentária O Aspectos legais do orçamento
o
Historiografia Orçamentária
O
Aspectos legais do orçamento

Em quaisquer das modalidades de administração pública, vistos na primeira aula, o processo de planejamento se através dos instrumentos de planejamento definidos na CF 88, que são

Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária (LOA). Temas específicos de um próximo módulo.

sistema orçamentário moderno evolui paralelamente ao crescimento da importância dos

governos na atividade econômica. As informações mais pertinentes sobre sua origem se reportam ao século XVII, na Grã Bretanha, onde o Parlamento exercia controle sobre a coroa. Nas discussões de política econômica contemporânea, a questão orçamentária ocupa papel de destaque.

No Brasil, a história do orçamento remonta à Constituição Imperial de 1824, havendo em todas as Constituições posteriores tentativas de moralização no campo das finanças públicas, visando o controle das contas governamentais. Ressalta se a importância da Lei 4.320 de 17/03 de 1964, que estatuiu normas gerais de Direito Financeiro pra elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, com base ainda na Constituição de 1946. O DecretoLei n° 200 de 24/02/67 e a Constituição de 88 também merecem papel de destaque.

As principais normas que regulamentam o Orçamento Público no Brasil estão contidas nos seguintes dispositivos legais:

Material Complementar Gestão Governamental Profª. Mayla Costa I) Lei 4.320/64 – passou a estabelecer a

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I)

Lei 4.320/64 – passou a estabelecer a classificação funcional programática da despesa, indicadora das ações do governo e que tem aplicação até hoje. Continuam em vigor todos os seus artigos que não entrem em conflito com a Lei de Responsabilidade Fiscal, representa a Lei Complementar exigida pelo artigo 163 da CF/88 destinada a regulamentar o capítulo das finanças públicas nela contido.

II) III) Planejamento, Transparência, Controle e Responsabilização.
II)
III)
Planejamento, Transparência, Controle e Responsabilização.

Constituição Federal de 1988 – Devolve o equilíbrio de forças entre os poderes, propiciando a participação dos legisladores na condução do processo financeiro público. Além da manutenção de regras e princípios orçamentários já consagrados, a CF trouxe inovações tais como a Previsão dos Planos Plurianuais (PPA), a exigência de uma Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Incorporação da regra da unidade universalidade orçamentária, Devolução ao Legislativo da capacidade de emendar o projeto de lei de orçamento, embora apenas em situações bem definidas e limitadas. Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece normas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. A LRF se apóia em quatro pilares principais:

O orçamento é um processo de planejamento contínuo e dinâmico que o Estado se utiliza para demonstrar seus planos e programas de governo. De acordo com a lei 4.320/64 em seu artigo 2°, a Lei do Orçamento obedecerá aos princípios da unidade, universalidade e anualidade. No artigo 156 da CF/88 acrescentouse o princípio da exclusividade.

A CF/88 em seu artigo 165 fixou a hierarquia do processo de planejamento do orçamento da seguinte forma:

1) Plano Plurianual (PPA): instrumento que estabelece as diretrizes, os objetivos e as metas da administração pública para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada. Para a elaboração do PPA é necessário estabelecer as diretrizes, os programas, além dos indicadores. Pode se de forma simplificada defini los:

Diretrizes: são direções macro, detalhadas em objetivos de longo prazo. São o conjunto de programas, ações e de decisões orientadoras da formulação geral do plano de governo.

Material Complementar Gestão Governamental Profª. Mayla Costa parcela da população a ser beneficiada com cada

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parcela da população a ser beneficiada com cada ação. Indicadores: dados estatísticos e /ou econômicos
parcela da população a ser beneficiada com cada ação.
Indicadores: dados estatísticos e /ou econômicos para a elaboração das metas.

Programas: são os instrumentos das diretrizes e devem estabelecer os objetivos. Integram tanto o PPA quanto o orçamento.

Objetivos: detalhamento dos programas que deverão ser atendidos para concretizar as diretrizes. Indicam os resultados pretendidos pela administração.

Ações: são iniciativas necessárias para cumprir os objetivos dos programas e devem

estabelecer as metas. Metas: são os objetivos quantificados, pois representam a mensuração quantitativa e qualitativa das ações de governo que evidenciam o que se pretende fazer e qual a

O planejamento da ação governamental deve iniciar com a formulação do PPA!!!

O PPA será encaminhado pelo Poder Executivo ao Legislativo até 31 de agosto do primeiro ano de mandato do governante e deverá ser aprovado até o encerramento dos trabalhos do Poder Legislativo, vigorando até o final do primeiro ano de mandato do próximo governante. É importante ressaltar que o PPA não é imutável no seu período de vigência, podendo ser alterado por meio de lei, que deve seguir os mesmos procedimentos para a criação da lei que o instituiu.

2) Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO): com base no PPA, estabelece as metas e prioridades da administração pública, além de orientar a elaboração da lei de orçamento anual.

Material Complementar Gestão Governamental Profª. Mayla Costa Com vigência anual, suas regras de elaboração

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Com vigência anual, suas regras de elaboração aplicamse aos entes da Federação União, Estado e Município. As emendas ao projeto de elaboração só serão aprovadas de compatíveis com o PPA – todo e qualquer dispositivos de alteração ao projeto de LDO tem que estar de acordo com o PPA.

De acordo com Art. 165 da CF/88 a LDO compreenderá: Já a LRF estabelece que
De acordo com Art. 165 da CF/88 a LDO compreenderá:
Já a LRF estabelece que a LDO disporá sobre:
riscos fiscais, em anexo próprio, denominado Anexo de Riscos Fiscais.
No anexo das Metas Fiscais que é trienal deverá conter:

as metas e prioridades da Administração Pública e dos entes federados, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente; orientará a elaboração da Lei Orçamentária Anual; disporá sobre as alterações na legislação tributária; estabelecerá, a nível federal, a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento; autorização para contratação e concessão de vantagens aos servidores públicos.

equilíbrio entre receitas e despesas – referese à observância do princípio do equilíbrio orçamentário. critérios e formas de limitação de empenho – a ser efetivada nas hipóteses previstas na LRF e atendida nos orçamentos anuais;

normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas

financiados com recursos orçamentários – a lei deverá levar em consideração a relação custo benefício entre custos e resultados alcançados; condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas e privadas – que estão condicionadas aos limites legais, como, por exemplo, as transferências por convênios; metas fiscais, em anexo próprio, denominado Anexo de Metas Fiscais.

avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior; demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos; evolução do patrimônio líquido;

Material Complementar Gestão Governamental Profª. Mayla Costa avaliação da situação financeira e atuarial

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avaliação da situação financeira e atuarial de todos os fundos e programas estatais de natureza atuarial; demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.

Orçamento de investimento das empresas públicas e de capital misto.
Orçamento de investimento das empresas públicas e de capital misto.

No anexo dos Riscos Fiscais serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas, informando das providências a serem tomadas, caso aquele aumento se concretizem.

O Projeto de lei da LDO é do Poder Executivo, mas os departamentos de Planejamento e Contabilidade têm grande responsabilidade na correta elaboração de seus textos e anexos!!!

3) Lei Orçamentária Anual (LOA): com base nas prioridades estabelecidas na LDO, dispõe sobre a previsão da receita e a fixação da despesa, contendo os programas de ação do governo e os diversos tipos de despesas necessárias a cada um desses programas. Essa lei compreenderá os três orçamentos a seguir discriminados e devem ser elaborados em todas as esferas de governo.

Orçamento Fiscal: referese às receitas que serão aplicadas nos gastos com pessoal, custeio da máquina administrativa, transferências para outras entidades governamentais, bem como despesas que irão gerar novos gastos (denominadas despesas de capital), cuja principal fonte são os tributos.

Orçamento da seguridade social: é través dos recursos nele previstos que o Estado deve prestar serviços relevantes à população como saúde, previdência e assistência social.

O Art. 165 da CF /88 estatui que a LOA não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e a contratação de operações de crédito, ainda que por

Material Complementar Gestão Governamental Profª. Mayla Costa A LRF estabelece ainda o seguinte: antecipação de

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A LRF estabelece ainda o seguinte:
A LRF estabelece ainda o seguinte:

antecipação de receita. Esta situação atende ao princípio orçamentário denominado de Exclusividade. O Art. da LRF estabelece que o projeto de LOA deverá:

conter demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamentos com os objetivos e metas constantes do documento Anexo de Metas Fiscais; ser acompanhado de demonstrativo regionalizado dos efeitos sobre as receitas e despesas, decorrentes de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária creditícía este demonstrativo obriga o gestor público a provar para a sociedade que a relação custo benefício entre renúncia de receita e autorização de benefícios fiscais é compensatória para o Estado;

conter dotação para reserva de contingência, cuja forma de utilização será regulada pela LDO a reserva de contingência obrigatória é uma inovação da LRF para a elaboração da LOA Tem o mesmo efeito de tomar os gastos orçamentários indisponíveis, ou seja, existem créditos orçamentários, mas estes só poderão ser utilizados para o atendimento de despesas específicas.

todas as despesas relativas à dívida pública, mobiliária ou contratual e as receitas que as atenderão constarão da LOA esta regra visa assegurar o pagamento da dívida pública e seus encargos. Este fato, se por um lado, ratifica a seriedade da execução orçamentária anual, por outro/ não limita o pagamento destes gastos a um percentual do orçamento que será executado. Com isso, os gastos com investimentos para o crescimento do País ficam bastante comprometidos com o pagamento da dívida pública; o refinanciamento da dívida pública constará separadamente na lei orçamentária e nas leis de créditos adicionais. Se no decorrer do exercício financeiro forem abertos créditos adicionais ao orçamento inicial, o refinanciamento da dívida pública também constará da lei que autorizar estes créditos adicionais; a atualização monetária do principal (valor original) da dívida mobiliária refinanciada não poderá superar a variação do índice de preços previsto na LDO, ou em legislação específica neste caso a LRF assegura que a atualização monetária terá que ser/ no máximo/igual à prevista na LDO;

é vedado consignar na LOA crédito com finalidade imprecisa ou com dotação ilimitada

esta regra determina que qualquer despesa pública prevista em orçamento tem, obrigatoriamente, que determinar a função a que se destina e o total de recursos a serem utilizados; a LOA não consignará dotação para investimento com duração superior a um exercício financeiro que não esteja previsto no PPA ou em lei que autorize. sua inclusão esta regra reforça o que já está determinado no texto constitucional ou seja, todo e

Material Complementar Gestão Governamental Profª. Mayla Costa qualquer investimento com duração superior a

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qualquer investimento com duração superior a um exercício financeiro terá que constar, obrigatoriamente, no PPA.

Compatibilidade da Programação dos Orçamentos Compras Governamentais
Compatibilidade da Programação dos Orçamentos
Compras Governamentais

A LOA deverá ser elaborada de forma compatível com o PPA e com a LDO, conforme previsto na LRF. Deverá conter o demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamentos com o Anexo de Metas Fiscais!!

É uma questão estratégica nas finanças públicas e, especificamente, no orçamento público, por envolver um volume de recursos muito significativo. Os critérios das compras governamentais são previamente definidos e nunca calcados na vontade do administrador público, mas sim para a satisfação do bem comum.

Com o objetivo de garantir uma escolha imparcial e com sustentação na moralidade e outros princípios igualmente importantes, temos a Licitação Pública. Normatizada em lei, a Licitação Pública objetiva assegurar a seleção mais vantajosa, garantindo ao mesmo tempo igualdade de oportunidades para todos os possíveis contratados. A Lei 8.666/93 regulamenta o artigo 37 da CF/88, que estabelece igualdade de condições a todos os concorrentes. Essa lei estabelece as normas gerais sobre licitações e contratos administrativos relativos a obras, serviços, inclusive publicidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações.

A visão moderna do processo de compras governamentais está relacionado com o sistema logístico, que necessita ser ampliado e considerado desde a definição das necessidades do setor governamental até a distribuição, estoques e armazenamento. Os procedimentos relativos às compras devem pautar se pelos seguintes princípios, que também devem nortear a conduta dos administradores públicos:

Material Complementar Gestão Governamental Profª. Mayla Costa Legalidade: Ninguém será obrigado a fazer ou

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Legalidade: Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (Art.5, CF/88).

Eficiência: Deve estabelecer a racionalização da compra em todas as fases.
Eficiência: Deve estabelecer a racionalização da compra em todas as fases.

O administrador público deve desenvolver suas atividades com base na lei e nas exigências do bem comum, sob pena de praticar ato inválido e expor se à responsabilidade disciplinar, civil e criminal!

Igualdade e Isonomia: Todos têm o direito de participar do processo, desde que atendam às especificações e cumpram as obrigações perante os órgãos públicos a que estejam sujeitos.

Publicidade: Estabelece os mecanismos de transparência. Devese utilizar outros meios, além da publicação no Diário Oficial.

Moralidade e Probidade Administrativa: Todo ato relacionado com as compras governamentais deve ser moral, honesto e íntegro.

Impessoalidade: Não se deve comprar de amigos e parentes em detrimento da falta de oportunidade concedida a terceiros.

A compra governamental não deve privilegiar o favoritismo!!

Embora não estejam no texto constitucional, devem ser observados na compra ainda os princípios de vinculação ao edital, julgamento objetivo e ampla defesa e contraditório.

No setor público, a necessidade da compra deve estar relacionada com a geração da despesa, ou seja, a necessidade do gasto deve estar vinculada à capacidade de pagamento.

Material Complementar Gestão Governamental Profª. Mayla Costa ANEXO Exemplo de indicadores: Indicadores de

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ANEXO Exemplo de indicadores: Indicadores de gestão Fiscal: (a) Quociente de gastos com pessoal: Despesa
ANEXO
Exemplo de indicadores:
Indicadores de gestão Fiscal:
(a) Quociente de gastos com pessoal:
Despesa total com pessoal
Receita corrente líquida x 0,6
(b) Índice de realização da receita:
Receita arrecadada
Receita prevista para bimestre
(c) Índice de inscrição de Restos a Pagar:
Restos a Pagar Inscritos
Despesa Orçamentária do Exercício

Índice ideal: menor ou igual a 1. Quanto menor o índice, menor o comprometimento da RCL com despesas de pessoal.

Índice ideal: maior ou igual a 1. Quanto maior, maior é o alcance das metas de receita para o período.

Índice ideal: menor ou igual a 1. Representa o volume da despesa que não foi paga.