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O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares

metodologias de operacionalização – Conclusão (7.ª sessão)

A BIBLIOTECA ESCOLAR NA AVALIAÇÃO EXTERNA DAS ESCOLAS

A Lei n.º31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de


avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar
dos ensinos básico e secundário, definindo orientações
gerais para a auto-avaliação e avaliação externa.

A Inspecção Geral de Educação (IGE) foi incumbida de


acolher e dar continuidade ao processo de avaliação
externa das escolas, iniciado pelo Grupo de Trabalho de
Avaliação de Escolas em 2006.

Assim, visando contribuir para a regulação do sistema


educativo e para o melhor conhecimento das escolas por
parte dos diversos interessados a IGE tem vindo a efectuar
desde 2006-2007 a avaliação externa de um número cada
vez mais alargado de unidades de gestão e
consequentemente de estabelecimentos de ensino.

Os Relatórios finais referentes a 2006-2007 e 2007-2008


apontam como primeiro objectivo da avaliação externa:

Fomentar nas escolas uma interpelação sistemática sobre a


qualidade das suas práticas e dos seus resultados.

e adiantam que essa interpelação sistemática conduz à


mobilização das energias internas na promoção da auto-
avaliação.

Cabe-nos agora orientar a análise dos Relatórios da IGE, no


sentido de aí perspectivar a “presença” da Biblioteca
Escolar e tecer um comentário crítico.

Perante estas directrizes, teria cabimento equacionar que à


BIBLIOTECA ESCOLAR fosse reservado o espaço legítimo.

Não afirmam os especialistas na matéria que existe uma


correlação muito significativa entre a existência de
uma biblioteca numa escola e o sucesso escolar dos
seus alunos?

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Que a escola tem que formar para a autonomia e para a
criatividade, para a capacidade de interagir socialmente de
forma crítica e para a competência de aprender a aprender,
e que cabe à biblioteca escolar, neste contexto, um
papel de liderança, assumindo-se como um recurso
indutor de inovação, um recurso que contribua e tenha um
papel activo e de resposta às mudanças que o sistema
introduz, trazendo valor à escola no cumprimento da
sua missão e no cumprimento dos objectivos de
ensino / aprendizagem ?

No entanto, e para não esmiuçar demasiado o conteúdo dos


relatórios, constata-se que o processo assenta:

1. no tratamento de dados estatísticos considerados


relevantes, tais como, os resultados escolares dos
alunos ( da avaliação interna, externa, taxas de
transição /retenção, de abandono) e caracterização
sócio-cultural dos alunos.

2. na recolha de outros dados em entrevistas a vários


actores que percorrem toda a hierarquia da
comunidade educativa, (excepto o representante da
BE).

3. na consulta de documentos de orientação estratégica


da escola / agrupamento – PE, PCA, RI e PAA.

4. na auto-avaliação efectuada pela escola /


agrupamento que deve obedecer a campos de análise
de desempenho e respectivos tópicos descritores,
acompanhados de perguntas ilustrativas que nunca
induzem à presença da BE.

5. Os Domínios a que obedece a recolha de dados são:

Resultados

Prestação de serviço educativo

Organização e gestão escolar

Liderança

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Capacidade da Auto-Regulação e Melhoria da Escola/
Agrupamento

subdivididos em vários factores cada um, com as


respectivas perguntas ilustrativas.

6. A única referência à BE surge no domínio:

3. Organização e Gestão Escolar

3.3 Gestão dos recursos humanos e materiais

Referindo a pergunta ilustrativa:

 Os recursos, espaços e equipamentos


(nomeadamente refeitório, laboratórios, biblioteca e
outros recursos de informação) estão acessíveis e
bem organizados?

7. Nos pontos fortes apurados neste domínio, algumas


das asserções consideram a Biblioteca bem
equipada e dinamizadora de actividades,
constituindo-se um pólo cultural.

8. Deve também referir-se que, se em termos textuais


a BE foi pouco visível nos dois relatórios da IGE,
verifica-se, com agrado, que uma outra “imagem”
bem mais adequada e gratificante é a que consta
da capa do relatório de 2007-2008, como mera
ilustração.

Conclusão:

Nestes documentos, a abordagem à biblioteca é a mais


tradicional, é avaliada em termos de inputs, considerando
as instalações, os equipamentos, a colecção, os
financiamentos… e em termos de processos, pois
dinamiza actividades e é um pólo cultural.

As Bibliotecas escolares estão a esforçar-se para modificar


esta realidade e tentar que os utilizadores melhorem
comportamentos, conhecimentos, atitudes e níveis de
sucesso devido ao contacto com os seus programas –
filosofia baseada em outcomes.

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Só a partir do momento em que a escola se aperceba da
importância do papel da BE nas actividades de ensino e
aprendizagem, na literacia da informação, na leitura, a
partir do momento em que a escola se envolva na auto-
avaliação da biblioteca e que esta se entrose na auto-
avaliação da escola é a visibilidade da BE será diferente.

É cada vez mais importante que as bibliotecas escolares


demonstrem o seu contributo para a aprendizagem e o
sucesso educativo das crianças e jovens que servem e que
essa demonstração seja constatada, valorizada e
devidamente reconhecida.