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LEGISLA« O PENAL ESPECIAL 10 Os Crimes Contra o Consumidor 10.1 ñ Os Crimes do

LEGISLA« O PENAL ESPECIAL

LEGISLA« O PENAL ESPECIAL 10 Os Crimes Contra o Consumidor 10.1 ñ Os Crimes do CÛdigo

10

LEGISLA« O PENAL ESPECIAL 10 Os Crimes Contra o Consumidor 10.1 ñ Os Crimes do CÛdigo

Os Crimes Contra o Consumidor

10.1 ñ Os Crimes do CÛdigo de Defesa do Consumidor

Crimes Contra as RelaÁıes de Consumo

Art. 61 - Constituem crimes contra as relaÁıes de consumo previstas neste CÛdigo, sem prejuÌzo do disposto no CÛdigo Penal e leis especiais, as condutas tipificadas nos artigos seguintes.

Omiss„o de Alerta ‡ Produto Nocivo ou Perigoso

Art. 63 - Omitir dizeres ou sinais ostensivos sobre a nocividade ou periculosidade de produtos, nas embalagens, nos invÛlucros, recipientes ou publicidade:

Pena - DetenÁ„o de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa.

ß 1 - Incorrer· nas mesmas penas quem deixar de alertar, mediante recomendaÁıes escritas ostensivas, sobre a periculosidade do serviÁo a ser prestado.

ß 2 - Se o crime È culposo:

Pena - DetenÁ„o de 1 (um) a 6 (seis) meses ou multa.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se a sa˙de a integridade fÌsica do consumidor.

Sujeito Ativo:

… o fornecedor do produto ou serviÁo.

Sujeito Passivo:

… o consumidor.

Tipo Objetivo:

A conduta tÌpica È omitir dizeres ou sinais ostensivos. Dizeres s„o frases de alerta e sinais s„o marcas

que por si sÛ indicam o perigo do material.

Tipo Subjetivo:

O dolo È a vontade de colocar os produtos ‡ venda sem os dizeres ostensivos. Pune-se a modalidade

culposa.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime no momento em que o produto È posto no mercado sem as informaÁıes mencionadas.

Omiss„o de ComunicaÁ„o ou Retirada do Mercado de Produtos Nocivos ou Perigosos

Art. 64 - Deixar de comunicar ‡ autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou periculosidade de produtos cujo conhecimento seja posterior ‡ sua colocaÁ„o no mercado:

Pena - DetenÁ„o de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa.

Par·grafo ˙nico - Incorrer· nas mesmas penas quem deixar de retirar do mercado, imediatamente quando determinado pela autoridade competente, os produtos nocivos ou perigosos, na forma deste artigo.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se a sa˙de do consumidor.

Sujeito Ativo:

… o fornecedor do produto ou serviÁo.

Sujeito Passivo:

… o consumidor.

Tipo Objetivo:

A conduta tÌpica È:

a) deixar de comunicar ‡ autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou periculosidade de produtos j· colocados no mercado;

b) deixar de retirar do mercado imediatamente quando determinado pela autoridade competente, os produtos nocivos ou perigosos.

Tipo Subjetivo:

O dolo È a vontade de omitir-se perante a situaÁ„o.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime com a omiss„o da comunicaÁ„o ‡ autoridade e aos consumidores. N„o se admite a forma tentada.

ExecuÁ„o de ServiÁo Perigoso Contrariando Autoridade

Art. 65 - Executar serviÁo de alto grau de periculosidade, contrariando determinaÁ„o de autoridade competente:

Pena - DetenÁ„o de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa.

Par·grafo ˙nico - As penas deste artigo s„o aplic·veis sem prejuÌzo das correspondentes ‡ les„o corporal e ‡ morte.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se a vida, a integridade fÌsica e a sa˙de.

Sujeito Ativo:

… o prestador do serviÁo.

Sujeito Passivo:

… aquele que utiliza o serviÁo.

Tipo Objetivo:

A conduta tÌpica È a execuÁ„o de serviÁo de alto grau de periculosidade sendo que este dever·

contrariar determinaÁ„o expressa de autoridade competente.

Tipo Subjetivo:

O dolo È a vontade de executar o serviÁo com consciÍncia de se estar contrariando determinaÁ„o de

autoridade competente.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime com o inÌcio da execuÁ„o de serviÁo.

Omiss„o de InformaÁ„o ou AfirmaÁ„o Falsa ou Enganosa

Art. 66 - Fazer afirmaÁ„o falsa ou enganosa, ou omitir informaÁ„o relevante sobre a natureza, caracterÌstica, qualidade, quantidade, seguranÁa, desempenho, durabilidade, preÁo ou garantia de produtos ou serviÁos:

Pena - DetenÁ„o de 3 (trÍs) meses a 1 (um) ano e multa.

ß 1 - Incorrer· nas mesmas penas quem patrocinar a oferta.

ß 2 - Se o crime È culposo:

Pena - DetenÁ„o de 1 (um) a 6 (seis) meses ou multa.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se o consumidor da falsidade e do engano.

Sujeito Ativo:

… o fornecedor do produto ou serviÁo.

Sujeito Passivo:

… o consumidor enganado ou n„o informado.

Tipo Objetivo:

H· duas condutas tÌpicas (uma omissiva e outra comissiva):

a) omitir informaÁıes relevantes;

b) fazer afirmaÁ„o falsa ou enganosa.

Tipo Subjetivo:

O dolo È a vontade de fazer afirmaÁ„o falsa ou enganosa ou omitir informaÁıes relevantes.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime com a afirmaÁ„o falsa ou enganosa ou a omiss„o da informaÁ„o. Admite-se a tentativa no caso de afirmaÁ„o falsa ou enganosa pela forma escrita.

Publicidade Enganosa

Art. 67 - Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser enganosa ou abusiva:

Pena - DetenÁ„o de 3 (trÍs) meses a 1 (um) ano e multa.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se o consumidor.

Sujeito Ativo:

Pode ser o prÛprio fornecedor, o publicit·rio ou o respons·vel pela divulgaÁ„o.

Sujeito Passivo:

… a coletividade.

Tipo Objetivo:

H· duas condutas tÌpicas:

a) fazer (criar, realizar) publicidade abusiva ou enganosa;

b) promover (colocar em pr·tica) publicidade abusiva ou enganosa.

!

A publicidade enganosa e a publicidade abusiva est„o conceituadas nos arts. 37, ß 1. e art. 37, 2. , respectivamente, do CÛdigo do Consumidor.

Tipo Subjetivo:

O dolo È a vontade de fazer ou promover a publicidade que sabe ou deveria saber ser enganosa ou

abusiva.

!

O artigo quando usou a express„o ìdeveria saberî acabou acolhendo a teoria da culpa presumida, j· abolida de nosso Direito Penal moderno.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime com a realizaÁ„o da publicidade, independente do resultado danoso.

Publicidade Perigosa

Art. 68 - Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua sa˙de ou seguranÁa:

Pena - DetenÁ„o de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se a sa˙de e a integridade fÌsica do consumidor.

Sujeito Ativo:

Pode ser o fornecedor, o publicit·rio ou o divulgador da publicidade.

Sujeito Passivo:

… o consumidor induzido.

Tipo Objetivo:

A conduta tÌpica È fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser capaz de induzir o

consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa ‡ sua sa˙de ou seguranÁa.

Tipo Subjetivo:

O dolo È a vontade de fazer ou promover a publicidade que sabe ser capaz de induzir o consumidor.

Adota-se a culpa presumida na modalidade ìdeveria saberî.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime com a realizaÁ„o da publicidade indutiva.

Dados da Publicidade

Art. 69 - Deixar de organizar dados f·ticos, tÈcnicos e cientÌficos que d„o base ‡ publicidade:

Pena - DetenÁ„o de 1 (um) a 6 (seis) meses ou multa.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se o patrimÙnio e a sa˙de do consumidor.

Sujeito Ativo:

… o publicit·rio.

Sujeito Passivo:

… o consumidor.

Tipo Objetivo:

A conduta tÌpica consiste na omiss„o de organizar um banco de dados f·ticos, tÈcnicos e cientÌficos,

relativos aos produtos fabricados, que ir„o dar lastro necess·rio ‡ publicidade a ser feita.

Tipo Subjetivo:

O dolo È genÈrico, consistente na vontade de praticar a omiss„o prevista em lei.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime no momento e no lugar em que deveria ter sido organizado o banco de dados e n„o foi. O crime È instant‚neo. A forma tentada n„o È admitida.

Emprego de PeÁas de ReposiÁ„o Usadas

Art. 70 - Empregar, na reparaÁ„o de produtos, peÁas ou componentes de reposiÁ„o usados, sem autorizaÁ„o do consumidor:

Pena - DetenÁ„o de 3 (trÍs) meses a 1 (um) ano e multa.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se o patrimÙnio do consumidor.

Sujeito Ativo:

… o fornecedor do serviÁo.

Sujeito Passivo:

… o consumidor.

Tipo Objetivo:

A conduta tÌpica È o empregar peÁas ou componentes de reposiÁ„o usados, sem a autorizaÁ„o do

consumidor,

Tipo Subjetivo:

O dolo È genÈrico, consistente na vontade de empregar as peÁas ou componentes usados.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se no momento do emprego da peÁa ou componente usado, sem a autorizaÁ„o do consumidor. Admite-se a tentativa.

CobranÁa Abusiva de DÌvidas

Art. 71 - Utilizar, na cobranÁa de dÌvidas, de ameaÁa, coaÁ„o, constrangimento fÌsico ou moral, afirmaÁıes falsas, incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o consumidor, injustificadamente, a ridÌculo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer:

Pena - DetenÁ„o de 3 (trÍs) meses a 1 (um) ano e multa.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se a honra, a liberdade pessoal e a paz individual do consumidor.

Sujeito Ativo:

… o fornecedor de mercadorias ou serviÁos.

Sujeito Passivo:

… o consumidor.

Tipo Objetivo:

A conduta tÌpica È a cobranÁa de dÌvidas atravÈs de:

a) ameaÁas: intimidaÁ„o atravÈs do an˙ncio de mal injusto e grave;

b) coaÁ„o: pode se verificar atravÈs de ameaÁa (redund‚ncia da lei) ou violÍncia fÌsica;

c) constrangimento fÌsico ou moral: novamente a lei È redundante, pois a ameaÁa È constrangimento moral e a coaÁ„o È constrangimento tanto fÌsico como moral;

d) afirmaÁıes falsas, incorretas ou enganosas: qualquer procedimento que exponha o consumidor ao ridÌculo ou interfiram injustificadamente em seu trabalho.

Tipo Subjetivo:

O dolo È a vontade de empregar as formas de cobranÁa descritas no artigo em estudo.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime com o emprego do procedimento ilÌcito que venha expor a ridÌculo o consumidor, ou interferir em seu trabalho, descanso ou lazer.

EmbaraÁo ‡ InformaÁ„o

Art. 72 - Impedir ou dificultar o acesso do consumidor ‡s informaÁıes que sobre ele constem em cadastros, banco de dados, fichas e registros:

Pena - DetenÁ„o de 6 (seis) meses a 1 (um) ano ou multa.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se o direito ‡ informaÁ„o.

Sujeito Ativo:

… aquele que impede ou dificulta o acesso do consumidor ‡s informaÁıes existentes sobre ele em

banco de dados, cadastros, fichas ou registros.

Sujeito Passivo:

… o consumidor impedido de ter acesso ao banco.

Tipo Objetivo:

A conduta tÌpica È impedir ou dificultar o acesso do consumidor.

Tipo Subjetivo:

O dolo È genÈrico, consistente na vontade de dificultar ou impedir o acesso do consumidor.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime com a criaÁ„o da dificuldade ou o impedimento, independentemente do dano efetivo ocorrido ao consumidor. N„o admite-se a forma tentada.

Omiss„o na CorreÁ„o de InformaÁıes

Art. 73 - Deixar de corrigir imediatamente informaÁ„o sobre consumidor constante de cadastro, banco de dados, fichas ou registros que sabe ou deveria saber ser inexata:

Pena - DetenÁ„o de 1 (um) a 6 (seis) meses ou multa.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se a honra e o patrimÙnio do consumidor, e a lisura nas relaÁıes comerciais.

Sujeito Ativo:

… aquele que deixa de corrigir a informaÁ„o.

Sujeito Passivo:

… o consumidor.

Tipo Objetivo:

A conduta tÌpica È de natureza omissiva: o agente n„o lanÁa sobre o cadastro, ficha, registro ou banco

de dados a retificaÁ„o que lhe incumbia lanÁar.

Tipo Subjetivo:

H· dois tipos de elemento subjetivo, um È o dolo genÈrico, consistente na vontade de n„o proceder ‡

correÁ„o e o outro È a culpa presumida, representada pela express„o ìdeveria saber inexataî.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime com o atraso injustificado. N„o È admitida a forma tentada.

Omiss„o na Entrega de Termo de Garantia

Art. 74 - Deixar de entregar ao consumidor o termo de garantia adequadamente preenchido e com especificaÁ„o clara de seu conte˙do:

Pena - DetenÁ„o de 1 (um) a 6 (seis) meses ou multa.

Objetividade JurÌdica:

Protege-se o patrimÙnio do consumidor e a lisura nas relaÁıes de consumo.

Sujeito Ativo:

… o fornecedor que deixa de entregar o termo de garantia preenchido.

Sujeito Passivo:

… o consumidor prejudicado com a omiss„o.

Tipo Objetivo:

A conduta tÌpica È omissiva, consistente na n„o entrega do termo de garantia devidamente

preenchido.

Tipo Subjetivo:

O dolo È genÈrico, consistente na vontade de n„o entregar ao consumidor o termo de garantia, adequadamente preenchido.

ConsumaÁ„o e Tentativa:

Consuma-se o crime no ato da venda desacompanhada do termo de garantia, devidamente preenchido. N„o se admite a tentativa.

Regras Gerais

Concurso de Pessoas:

Art. 75 - Quem, de qualquer forma, concorrer para os crimes referidos neste cÛdigo incide nas penas a esses cominadas na medida de sua culpabilidade, bem como o diretor, administrador ou gerente da pessoa jurÌdica que promover, permitir ou por qualquer modo aprovar o fornecimento, oferta, exposiÁ„o ‡ venda ou manutenÁ„o em depÛsito de produtos ou a oferta e prestaÁ„o de serviÁos nas condiÁıes por ele proibidas.

Circunst‚ncias Agravantes:

Art. 76 - S„o circunst‚ncias agravantes dos crimes tipificados neste CÛdigo:

I - serem cometidos em Època de grave crise econÙmica ou por ocasi„o de calamidade;

II - ocasionarem grave dano individual ou coletivo;

III - dissimular-se a natureza ilÌcita do procedimento;

IV - quando cometidos:

a) por servidor p˙blico, ou por pessoa cuja condiÁ„o econÙmico social seja manifestamente superior ‡ da vÌtima; b) em detrimento de oper·rio ou rurÌcola; de menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos ou de pessoas portadoras de deficiÍncia mental, interditadas ou n„o;

V - serem praticados em operaÁıes que envolvam alimentos, medicamentos ou quaisquer outros

produtos ou serviÁos essenciais.

Multa:

Art. 77 - A pena pecuni·ria prevista nesta SecÁ„o ser· fixada em dias multa, correspondente ao mÌnimo e ao m·ximo de dias de duraÁ„o da pena privativa da liberdade cominada ao crime. Na individualizaÁ„o desta multa, o juiz observar· o disposto no art. 60, ß 1. , do CÛdigo Penal.

Outras Penas:

Art. 78 - AlÈm das penas privativas de liberdade e de multa, podem ser impostas, cumulativa ou alternadamente, observado o disposto nos artigos 44 a 47, do CÛdigo Penal:

I - a interdiÁ„o tempor·ria de direitos;

II - a publicaÁ„o em Ûrg„os de comunicaÁ„o de grande circulaÁ„o ou audiÍncia, ‡s expensas do condenado, de notÌcia sobre os fatos e a condenaÁ„o;

III - a prestaÁ„o de serviÁos ‡ comunidade.

FianÁa:

Art. 79 - O valor da fianÁa, nas infraÁıes de que trata este CÛdigo, ser· fixado pelo juiz, ou pela autoridade que presidir o inquÈrito, entre 100 (cem) e 200.000 (duzentas mil) vezes o valor do BÙnus do Tesouro Nacional - BTN, ou Ìndice equivalente que venha substituÌ-lo. Par·grafo ˙nico. Se assim recomendar a situaÁ„o econÙmica do indiciado ou rÈu, a fianÁa poder· ser:

a) reduzida atÈ a metade de seu valor mÌnimo; b) aumentada pelo juiz atÈ 20 (vinte) vezes.

Assistentes:

AlÈm do MinistÈrio P˙blico, poder„o intervir como assistentes a Uni„o, os Estados, os MunicÌpios, o DF ou associaÁıes constituÌdas h· pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos pelo CÛdigo do Consumidor.

Art. 80 - No processo penal atinente aos crimes previstos neste CÛdigo, bem como a outros crimes e contravenÁıes que envolvam relaÁıes de consumo, poder„o intervir, como assistentes

do MinistÈrio P˙blico, os legitimados indicados no art. 82, incisos III e IV, aos quais tambÈm È

facultado propor aÁ„o penal subsidi·ria, se a den˙ncia n„o for oferecida no prazo legal.

10.2 ñ Os Crimes Contra as RelaÁıes de Consumo

NoÁıes Gerais

Crimes Contra as RelaÁıes de Consumo:

S„o os crimes previstos pela Lei n 8.137/90 que traz no seu artigo 7. uma sÈrie de condutas tipificadas como crimes contra as relaÁıes de consumo. Na verdade, esta lei tratou de amparar n„o sÛ a relaÁ„o entre o fornecedor e o consumidor propriamente dita, mas tambÈm as relaÁıes entre o fabricante e o comerciante, o fabricante e o distribuidor, fabricante e fabricante entre outras.

Art. 7 - Constitui crime contra as relaÁıes de consumo:

Favorecimento de Comprador ou FreguÍs:

Evita-se com o dispositivo que haja o favorecimento de uns, em detrimento dos demais.

I - favorecer ou preferir, sem justa causa, comprador ou freguÍs, ressalvados os sistema de entrega

ao consumo por intermÈdio de distribuidores ou revendedores;

Mercadoria Irregular:

… uma modalidade de estelionato em que o produtor ou comerciante ilude o consumidor, vendendo ou expondo ‡ venda mercadoria cuja embalagem, tipo, especificaÁ„o, peso ou composiÁ„o esteja em desacordo com as prescriÁıes legais, ou com a classificaÁ„o oficial. Com tal conduta ardilosa o agente, mantendo em erro o consumidor, aufere uma vantagem ilÌcita.

II - vender ou expor ‡ venda mercadoria cuja embalagem, tipo, especificaÁ„o, peso ou composiÁ„o

esteja em desacordo com as prescriÁıes legais, ou que n„o corresponda ‡ respectiva classificaÁ„o

oficial;

Fraude na Venda de Mercadorias:

Aproxima-se, este inciso, do crime previsto no art. 175, II do CÛdigo Penal (Fraude em ComÈrcio):

ìenganar, no exercÌcio de atividade comercial, o adquirente ou consumidor, entregando uma mercadoria por outraî. Entende-se que desta forma o dispositivo do CÛdigo encontra-se revogado.

III - misturar gÍneros e mercadorias de espÈcies diferentes, para vendÍ-los ou expÙ-los ‡ venda

como puros; misturar gÍneros e mercadorias de qualidades desiguais para vendÍ-los ou expÙ-los ‡

venda por preÁo estabelecido para os de mais alto custo;

Fraude no PreÁo:

Pune-se neste inciso a fraude em relaÁ„o ao preÁo da mercadoria.

IV - fraudar preÁos por meio de:

a) alteraÁ„o, sem modificaÁ„o essencial ou de qualidade, de elementos tais como denominaÁ„o,

sinal externo, marca, embalagem, especificaÁ„o tÈcnica, descriÁ„o, volume, peso, pintura ou acabamento de bem ou serviÁo;

b) divis„o em partes de bem ou serviÁo, habitualmente oferecido ‡ venda em conjunto;

c) junÁ„o de bens ou serviÁos, comumente oferecidos ‡ venda em separado;

d) aviso de inclus„o de insumo n„o empregado na produÁ„o do bem ou na prestaÁ„o dos serviÁos.

ElevaÁ„o do Valor nas Vendas a Prazo:

Evita-se com o dispositivo o abuso na cobranÁa de juros e comissıes nas vendas realizadas a prazo de bens ou serviÁos.

V - elevar o valor cobrado nas vendas a prazo de bens ou serviÁos, mediante a exigÍncia de

comiss„o ou de taxa de juros ilegais;

SonegaÁ„o de Insumos ou Bens:

Pune-se a pr·tica de comerciantes inescrupulosos que costumam sonegar insumos ou bens, armazenando-os, sem expÙ-los ‡ venda, com a finalidade de especulaÁ„o. Tal dispositivo revogou o art. 2 , I, da Lei n. 1.521/51.

VI - sonegar insumos ou bens, recusando-se a vendÍ-los a quem pretenda compr·-los nas condiÁıes

publicamente ofertadas, ou retÍ-los para o fim de especulaÁ„o;

InduÁ„o de Consumidor a Erro:

Difere-se este inciso do art. 66 do CÛdigo do Consumidor por ser um crime material, ou seja, n„o se consuma com a mera afirmaÁ„o falsa ou enganosa, necess·rio se faz que o consumidor ou usu·rio venha a ser induzido em erro, por via da indicaÁ„o ou afirmaÁ„o falsa ou enganosa.

VII

- induzir o consumidor ou usu·rio a erro, por via de indicaÁ„o ou afirmaÁ„o falsa ou enganosa

sobre a natureza, qualidade de bem ou serviÁo, utilizando-se de qualquer meio, inclusive a

veiculaÁ„o ou divulgaÁ„o publicit·ria;

DestruiÁ„o, InutilizaÁ„o ou Dano a MatÈria Prima:

VIII - destruir, inutilizar ou danificar matÈria-prima ou mercadoria, com o fim de provocar alta de preÁo, em proveito prÛprio ou de terceiros;

Mercadoria ou MatÈria-Prima Avariada:

Este inciso revogou o artigo 279 do CÛdigo Penal. Cuida-se para que o comÈrcio e industrializaÁ„o

de tais subst‚ncias sejam cercados de todos os cuidados, a fim de que a populaÁ„o possa gozar da

necess·ria tranq¸ilidade exigÌvel para a sua sobrevivÍncia e aperfeiÁoamento.

IX - vender, ter em depÛsito para vender ou expor ‡ venda ou, de qualquer forma, entregar matÈria-

prima ou mercadoria, em condiÁıes imprÛprias ao consumo.

Pena - detenÁ„o, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, ou multa.

Modalidades Culposas:

Evita-se com o dispositivo que haja o favorecimento de uns, em detrimento dos demais.

Par·grafo ˙nico. Nas hipÛteses dos incisos II, III e IX pune-se a modalidade culposa, reduzindo-se a pena e a detenÁ„o de 1/3 (um terÁo) ou a de multa ‡ quinta parte.

Convers„o em Multa:

Art. 9 - A pena de detenÁ„o ou reclus„o poder· ser convertida em multa de valor equivalente a:

III - 50.000 (cinq¸enta mil) atÈ 1.000.000 (um milh„o) de BTN, nos crimes definidos no art.

Art. 10 - Caso o juiz, considerado o ganho ilÌcito e a situaÁ„o econÙmica do rÈu, verifique a insuficiÍncia ou excessiva onerosidade das penas pecuni·rias previstas nesta lei, poder· diminuÌ-las

atÈ a 10™ (dÈcima) parte ou elev·-las ao dÈcuplo.

Concurso de Agentes:

O enunciado repete de certa forma o artigo 29 do CÛdigo Penal, mas a principal inovaÁ„o foi em

relaÁ„o ‡ modalidade de utilizaÁ„o de pessoa jurÌdica para a pr·tica do crime.

Art. 11 - Quem, de qualquer modo, inclusive por meio de pessoa jurÌdica, concorre para os crimes definidos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida de sua culpabilidade.

Par·grafo ˙nico - Quando a venda ao consumidor for efetuada por sistema de entrega ao consumo

ou

por intermÈdio de distribuidor ou revendedor, seja em regime de concess„o comercial ou outro

em

que o preÁo ao consumidor È estabelecido ou sugerido pelo fabricante ou concedente, o ato por

este praticado n„o alcanÁa o distribuidor ou revendedor.

Agravantes:

Art. 12 - S„o circunst‚ncias que podem agravar de 1/3 (um terÁo) atÈ a metade as penas previstas

nos artigos 1 , 2 e 4 a 7 :

I - ocasionar grave dano ‡ coletividade;

II - ser o crime cometido por servidor p˙blico no exercÌcio de suas funÁıes;

III - ser o crime praticado em relaÁ„o ‡ prestaÁ„o de serviÁos ou ao comÈrcio de bens essenciais ‡

vida ou ‡ sa˙de.

AÁ„o Penal:

Art. 15 - Os crimes previstos nesta lei s„o de aÁ„o penal p˙blica, aplicando-se-lhes o disposto no art. 100 do Decreto-Lei n˙mero 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - CÛdigo Penal.

ProvocaÁ„o do MinistÈrio P˙blico:

Art. 16 - Qualquer pessoa poder· provocar a iniciativa do MinistÈrio P˙blico nos crimes descritos nesta Lei, fornecendo-lhe por escrito informaÁıes sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicÁ„o.

Par·grafo ˙nico - Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou co-autoria, o co-autor

ou partÌcipe que atravÈs de confiss„o espont‚nea revelar ‡ autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa ter· a sua pena reduzida de um a dois terÁos.

Bibliografia

Crimes Contra o Consumidor Paulo JosÈ da Costa Jr. JurÌdica Brasileira

Apostilas Concursos JurÌdicos LegislaÁ„o Penal Especial 10 ñ Os Crimes Contra o Consumidor EdiÁ„o 2004

Apostilas Concursos JurÌdicos

LegislaÁ„o Penal Especial 10 ñ Os Crimes Contra o Consumidor

EdiÁ„o 2004

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