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Práticas e Modelos de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares Turma DREC4 (2009)

Comentário à tabela matriz a utilizar para a realização da 1ª parte da tarefa (2ª parte
do trabalho)

Fiz uma leitura das várias tabelas apresentadas pelos colegas da turma, mas a que mais me
seduziu foi a sua, Isabel, por ver nela muitos aspectos que me são familiares.
Nos aspectos críticos identificados na literatura, base do nosso trabalho, refere que o
professor bibliotecário deve ter qualificação adequada, perfil de liderança e deverá ter sempre
desafios pela frente, visto que o mundo em que vivemos está em constante mudança. É um facto
que tenho vindo a sentir bastante nestes últimos anos.
Também me identifico consigo quando integra nas fraquezas a interacção da biblioteca
com a escola e os professores, e a sua adequação à sua função construtora de conhecimentos. De
facto, o que neste momento falha, a meu ver, na minha escola, é a articulação/colaboração
estreita entre todos os elementos da comunidade e a BE. No entanto, há um grupo de professores
e assistentes operacionais sensibilizados para a tarefa da BE, porque fizeram formação e devido
também ao trabalho que nós temos vindo a desenvolver ao longo destes últimos anos. Mas ainda
faltam os outros e não é tarefa fácil. O importante é que uma parte da comunidade escolar, e aí
incluo também alguns encarregados de educação, entendeu o trabalho colaborativo como uma
mais-valia para o desenvolvimento da aprendizagem e formação dos alunos. Essa articulação,
assim como um envolvimento mais estreito dos alunos e professores em actividades de
promoção da leitura e outras formas de literacia, facilitam a tarefa da BE, no que diz respeito à
sua função construtora de conhecimentos. Tem que haver forçosamente um trabalho conjunto
para que sejam aplicados documentos tais como guiões de pesquisa, como elaborar um trabalho,
…, documentos esses que são elaborados também em grupo ou seja, com os departamentos
curriculares e outros grupos, consoante a sua especificidade. Em conjunto terá que ser feita
também uma avaliação da viabilidade desses documentos.
Quanto ao uso das tecnologias poderem baixar a motivação para a leitura de um bom livro
ou materiais impressos, pode não se verificar, tudo vai depender da forma como trabalhamos um
e outro suporte com os alunos. É verdade que dificilmente levamos um aluno «viciado em
computador» a escolher um livro e começar a lê-lo, mas conseguimos quase sempre, se
soubermos criar um ambiente propício.
No que diz respeito aos desafios/acções a implementar, considero a última a mais
abrangente – ou seja – a de «transformar a BE num espaço de aprendizagem para construção de
conhecimentos». É a meta que nós, professores bibliotecários, devemos atingir, tendo sempre
presente que a BE é um pólo aglutinador de saberes e de competências, ao serviço dos seus
utilizadores.
No que diz respeito à organização e Gestão da BE, mais uma vez é dada a importância à
articulação curricular, ou seja ao trabalho conjunto com os outros professores e ao
desenvolvimento das competências na área da leitura e literacia da informação. O que me parece
que, nas nossas bibliotecas, continua a revelar-se um ponto fraco. Como refere a Isabel, talvez
uma acção a implementar seria a de adequar os equipamentos ao nível da exigência dos
utilizadores, renovar o espaço e o fundo documental, a fim de os aliciar a novas leituras, a novas

1 Fátima Odete Pimentel Carreira – Escola Secundária de Vagos


Práticas e Modelos de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares Turma DREC4 (2009)

pesquisas e, consequentemente, seria uma forma de melhorar os resultados escolares («recolha


de evidências e adequação das práticas»).
Relativamente à Gestão da Colecção, uma fraqueza apontada pela Isabel, é o
«desconhecimento da colecção pelos professores e alunos». Não direi a totalidade, mas uma
grande parte dos professores da minha escola também demonstram essa faceta, e culpam a falta
de tempo para se deslocar à biblioteca e percorrerem a estante referente, pelo menos, à sua área
disciplinar. Esta situação parece-me difícil de resolver, mas não devemos «baixar os braços» e
como refere Ross Todd, quando temos uma ideia, é levá-la para frente; talvez consigamos o que
pretendemos.
Quanto à BE como espaço de conhecimento e aprendizagem/trabalho colaborativo com
Departamentos e Docentes, é já um ponto assente. Não me vou repetir. Apenas gostaria de dizer
que concordo com todas as oportunidades apontadas pela Isabel, a não ser a última, a que se
refere à «aprendizagem diferenciada» (peço desculpa se não estou a perceber), porque a
considero mais difícil de concretizar: só funcionaria se o grupo de alunos com essas
características fosse reduzido, dado que a eficiência de uma iniciativa deste género implica um
conhecimento profundo desses alunos.
Por fim, apenas acrescentaria na Gestão de evidências/avaliação que um dos instrumentos
de avaliação para detectarmos falhas em toda a organização/gestão da BE, é um inquérito
aplicado aos alunos e outro aos professores, no fim de cada período ou no final do ano lectivo.
Este trabalho foi, sem dúvida, muito rico porque me permitiu partilhar com outros
professores reflexões, dúvidas e ajudou-me a perceber que, afinal, todos nós nos debatemos com
os mesmos problemas, uns menos que outros, é certo, mas todos nós temos vontade de avançar.
E isso dá-me força.

Vagos, 3 de Novembro de 2009


Fátima Carreira

2 Fátima Odete Pimentel Carreira – Escola Secundária de Vagos