Você está na página 1de 81

PGMEC

Universidade Federal Fluminense Centro Tecnológico Pós-Graduação em Engenharia Mecânica

Dissertação de Mestrado

Vibrações e esforços dinâmicos em tubulações induzidos pelo escoamento bifásico

Igor Ximenes Ahmad Heloui

Niterói

Rio de Janeiro, 19 de Dezembro de 2008

IGOR XIMENES AHMAD HELOUI

VIBRAÇÕES E ESFORÇOS DINÂMICOS EM TUBULAÇÕES INDUZIDOS PELO ESCOAMENTO BIFÁSICO

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica da UFF como parte dos requisitos para a obtenção do Grau de Mestre em Ciências em Engenharia Mecânica. Área de Concentração: Análise Estrutural.

Orientador: Prof o Dr. ANTONIO LOPES GAMA

NITERÓI

2008

IGOR XIMENES AHMAD HELOUI

VIBRAÇÕES E ESFORÇOS DINÂMICOS EM TUBULAÇÕES INDUZIDOS PELO ESCOAMENTO BIFÁSICO

Banca examinadora:

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica da UFF como parte dos requisitos para a obtenção do Grau de Mestre em Ciências em Engenharia Mecânica. Área de Concentração: Análise Estrutural.

Prof. o Dr. Antonio Lopes Gama

Universidade Federal Fluminense – UFF

Prof. o Dr. Roger Matsumoto Moreira

Universidade Federal Fluminense – UFF

Eng. o Dr. Sérgio Ricardo Kokay Morikawa

CENPES – PETROBRAS

NITERÓI

2008

Ao Profº Antonio,

a quem muito devo, especialmente

pelo carinho, pela confiança

e pela dedicação.

Agradecimentos

À Universidade Federal Fluminense, por mais uma oportunidade de obter uma

conquista na minha formação acadêmica.

Ao PGMEC, representado por todos os seus integrantes, pelo apoio irrestrito.

Ao professor, Antonio Lopes Gama pela orientação segura, dedicação contínua e por todo apoio direcionado a mim, que com certeza foi essencial à realização e conclusão deste trabalho.

Aos professores do PGMEC, pelos valiosos conhecimentos transmitidos durante o curso.

Aos colegas e companheiros de jornada pelo convívio, amizade e motivação em todas as horas.

Aos meus amigos pela compreensão e carinho em todos os momentos de dificuldade, pelos quais passei.

À minha família, por sempre estar do meu lado me apoiando e incentivando.

À minha namorada, que nos poucos momentos juntos nesta reta final,

pacientemente me apoiou durante a conclusão do meu trabalho.

À White Martins por ter disponibilizado o programa CAESAR para análise do

comportamento dinâmico de tubulações.

Resumo

O escoamento bifásico de gás e líquido é normalmente encontrado em sistemas de tubulações e equipamentos de plantas de processo. A excitação de tubulações pelo escoamento bifásico está relacionada com a presença de fases distintas possuindo diferentes densidades. Nos locais da tubulação onde o escoamento muda de direção, como curvas e joelhos, podem surgir grandes forças dinâmicas, fazendo com que a tubulação apresente altos níveis de vibração. Dessa forma, é necessário que estudos sejam realizados para permitir a proposição de procedimentos de projeto de tubulações com o objetivo de evitar problemas de vibração causados por escoamento bifásico, reduzindo os prejuízos causados pela parada em instalações industriais de processamento de gás e óleo. Neste trabalho, são apresentados resultados de estudos sobre vibração em tubulações induzidas pelo escoamento bifásico. Os resultados foram obtidos através de experimentos realizados em laboratório utilizando trechos de tubulações de acrílico conduzindo diferentes misturas de ar e água. Foram identificados os mecanismos de excitação de vibração em tubulações submetidas a diferentes regimes de escoamento. Observou-se que os altos níveis de vibração ocorrem devido a um fenômeno de ressonância entre as variações de quantidade de movimento do escoamento bifásico e os primeiros modos de vibração da tubulação. Verificou-se também que a freqüência predominante de vibração cresce com o aumento da velocidade do escoamento. Os resultados obtidos com o presente estudo foram utilizados para estabelecer relações entre a vibração da tubulação e a velocidade superficial do escoamento bifásico, proporcionando informações úteis para o projeto de tubulações que operam com escoamentos bifásicos.

Abstract

Two-phase flow of gas and liquids is usually encountered in piping systems and process plant equipment in the production of oil and gas. The two-phase flow induced vibration is related to the existence of phases with distinct densities. High dynamic forces may appear in flow-turning piping elements such as bends and elbows and cause severe piping vibration. Therefore, the understanding and control of these vibrations become important in order to avoid piping system or connected equipment failures. This work presents the results of an experimental investigation on the two-phase flow piping induced vibration. The results were obtained through measurements performed in sections of acrylic pipe subjected to internal flow mixtures of air and water. The excitation mechanisms of the two-phase flow were identified. The results show that the high levels of vibration are due to a resonance phenomenon between the momentum flux variations and the first modes of vibration of the pipe section. It was also observed that the predominant excitation frequency increases with flow velocity. The knowledge of these effects are used to attain a relation between the piping vibration and the flow rates, and providing better information for the design of piping systems that operate with two-phase flow.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

1

1.1 MOTIVAÇÃO

2

1.2 OBJETIVO DO TRABALHO

3

1.3 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

4

2 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE ESCOAMENTOS BIFÁSICOS

5

2.1

ESCOAMENTO BIFÁSICO

6

2.1.1 Classificação do escoamento bifásico

6

2.1.2 Escoamento gás-líquido

8

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

12

3.1 CARACTERIZAÇÃO DOS REGIMES DE ESCOAMENTO

12

3.1.1 Mapas de escoamento

16

3.1.2 Esforços causados pelo escoamento bifásico

20

3.2 EFEITOS DINÂMICOS EM TUBULAÇÕES

4 DESCRIÇÃO DO APARATO EXPERIMENTAL

21

26

4.1 LINHA

DE

SUPRIMENTO

DE

AR

28

4.2 LINHA DE SUPRIMENTO DE ÁGUA

29

4.3 LINHA DE ESCOAMENTO BIFÁSICO

29

5 ANÁLISES EXPERIMENTAIS

5.1 ANÁLISES DAS FREQUÊNCIAS NATURAIS

33

33

5.1.1 Análise computacional

33

5.1.2 Determinação experimental das frequências naturais

42

5.2 ANÁLISE EXPERIMENTAL DA VIBRAÇÃO INDUZIDA PELO ESCOAMENTO 46

6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS EXPERIMENTAIS

52

6.1

RESPOSTA VIBRATÓRIA DA TUBULAÇÃO

52

6.2

FORÇAS PRODUZIDAS PELO ESCOAMENTO BIFÁSICO NA TUBULAÇÃO EM

”U”

60

7 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

66

8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

69

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Propriedades do material da tubulação (acrílico) aplicadas no

programa

36

Tabela 2: Freqüências Naturais do Caesar II para o trecho

36

Tabela 3: Freqüências naturais do Caesar II para o trecho em

39

Tabela 4: Comparação das Freqüências Naturais entre a Análise Experimental e Computacional 45

Tabela 5: Condições Iniciais para caracterização do escoamento no trecho em

47

Tabela 6: Condições Iniciais para caracterização dos escoamentos no trecho

47

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Padrões de escoamentos bifásicos em tubulações

13

Figura 2: Padrões de escoamentos bifásicos em tubulações

horizontais

15

Figura 3: Mapa de padrões de escoamento para água e ar em um tubo horizontal de 2,5 cm

de diâmetro, operando a 25°C e 1 atm. (Mandhane, 1974) [19]

18

Figura 4: Mapa de padrões de escoamento para óleo cru e gás natural em tubos horizontais

de 5 e 30 cm de diâmetro, operando a 38°C e 68 atm. (Taitel & Dukler, 1980) [18]

18

Figura 5: Mapa de padrões de escoamento para um sistema com água e ar supondo uma tubulação horizontal. (Petalas & Aziz, 1998) [17]

19

Figura 6: Mapa de padrões de escoamento para um sistema com óleo e gás supondo uma tubulação horizontal. (Petalas & Aziz, 1998) [17]

19

Figura 7: Decomposição da força resultante numa curva: sistema de tubulação vertical (a); e

sistema de tubulação horizontal

21

Figura 8: Transdutor de força aplicado: (a) na configuração em “U” da tubulação; (b) na

configuração em “T” da tubulação

[15]

23

Figura 9: Espectro de forças para V S = 2, 3, 4, 5, 6 m/s e C G = 50% e V S = 2, 4, 6, 8, 10, 12

m/s e C G = 75%: (a) e (c) Configuração em “U”; (b) e (d) Configuração em “T” [15]

24

Figura 10: Gráfico da força equivalente como função da velocidade de escoamento para as configurações em “U” (○) e em “T” (□), para: (a) C G = 50%; (b) C G = 75%

24

Figura 11: Foto do sistema hidráulico montado no laboratório: (a) equipamentos; (b) trechos

do sistema de

27

Figura 12: Diagrama Esquemático do Experimento

28

Figura 13: Bancada Experimental de Equipamentos

31

Figura 14: Posicionamento do Transdutor de pressão

32

Figura 15: Modelo trecho

“L”

35

Figura 16: Modelo trecho

35

Figura 17: Primeiro modo de vibração ω 1 =11,4

37

Figura 18: Segundo modo de vibração ω 2 =37,7

37

Figura 19: Terceiro modo de vibração ω 3 =38,1

38

Figura 20: Quarto modo de vibração ω 4 =62,1

38

Figura 21: Primeiro modo de vibração: (a) Vazio - ω 1 =8,6 Hz; (b) Cheio - ω 1 =5,3

40

Figura 22: Segundo modo de vibração: (a) Vazio - ω 2 =13,6 Hz; (b) Cheio - ω 2 =8,3

40

Figura 23: Terceiro modo de vibração: (a) Vazio - ω 3 =22,5Hz; (b) Cheio - ω 3

41

Figura 24: Quarto modo de vibração: (a) Vazio - ω 4 =59,8Hz; (b) Cheio - ω 4

41

Figura 25: Representação esquemática do sistema para realização do ensaio de impacto. 42

Figura 26: Montagem do Acelerômetro para

Medição

43

Figura 27: Espectro em freqüência do sinal do acelerômetro no trecho

“L”

43

Figura 28: Representação da instalação do

44

Figura 29: Espectro em freqüência dos sinais dos acelerômetros no segmento “U”: (a) cheio

de água; (b) apenas

ar 45

Figura 30: Mapa de escoamentos numa condição horizontal. (Petalas & Aziz, 1998) [17]

49

Figura 31: Posição de montagem do

acelerômetro

50

Figura 32: Posição de montagem do

transdutor

51

Figura 33: Espectros de freqüência para a aceleração medida transversalmente à

53

Figura 34: Espectros de freqüência para a aceleração medida no plano à

curva

54

Figura 35: Variação da aceleração no tempo na direção transversal ao plano da tubulação (direção

56

Figura 36: Reação da aceleração no tempo no plano da tubulação (direção

horizontal)

57

Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração: (a) Vertical e (b) Horizontal. (Continuação)

59

Figura 38: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração em função da C G : (a) Vertical e (b)

60

Figura 39: Comportamento da força no decorrer do tempo para a mesma vazão de

61

Figura 40: Variação da força em função da velocidade de mistura para cada fração volumétrica de

62

Figura 41: Espectros de freqüência da força medida no mesmo plano à

curva

63

Figura 42: Relação entre força excitada e quantidade de gás presente na

64

Figura 43: Efeito dos padrões de escoamento na força (trecho

65

1

INTRODUÇÃO

Escoamentos onde duas ou mais fases coexistem em um mesmo fluxo, tais como sólido-líquido e gás-líquido são comuns em muitos processos industriais. Por exemplo, em sistemas de produção e transporte de óleo e gás, podem ser encontrados escoamentos bifásicos ou multifásicos em diferentes regimes dependendo dos parâmetros do escoamento, como a velocidade e a fração

volumétrica de cada fase, além de outros parâmetros de processo como temperatura

e pressão. Vibrações excessivas em tubulações que operam com escoamentos de

óleo e gás têm sido observadas em muitas plantas de processo. A excitação de tubulações pelo escoamento bifásico está relacionada com a presença de fases distintas possuindo diferentes densidades. Nos locais da tubulação onde o escoamento muda de direção, como curvas e joelhos, podem surgir grandes forças dinâmicas, fazendo com que a tubulação apresente altos níveis de vibração. Como conseqüências podem ocorrer falhas por fadiga na tubulação ou nos equipamentos

a ela associados. Vários estudos já foram realizados sobre vibrações induzidas pelo escoamento bifásico externo às tubulações, como acontece, por exemplo, em trocadores de calor onde o vapor e a água escoam externamente através de feixes de tubos. Pouca atenção, entretanto, tem sido dada às vibrações induzidas pelo

escoamento bifásico interno às tubulações, situação que tem ocorrido com bastante

freqüência em plantas de processo de plataformas marítimas.

Estudos experimentais realizados no Laboratório de Vibrações e Automação da

Universidade Federal Fluminense têm a função de identificar o mecanismo de

excitação da tubulação devido ao escoamento bifásico. Os resultados experimentais

extraídos de uma seção de testes com escoamento de água e ar, em uma tubulação

de acrílico, podem mostrar que os altos níveis de vibração ocorrem devido a um

fenômeno de ressonância entre as variações de quantidade de movimento do

escoamento bifásico e os primeiros modos de vibração da tubulação.

1.1

MOTIVAÇÃO

Mesmo com o grande número de problemas ocorridos em tubulações industriais

originados por vibração excessiva, é raro avaliar o comportamento dinâmico de

tubulações na fase de projeto. Quando são constatadas vibrações excessivas, a

maior preocupação é quanto à possibilidade da ocorrência de uma falha por fadiga

na tubulação, suportes, conexões ou equipamentos associados à tubulação. Em

muitos casos, a vibração é uma conseqüência inerente ao processo do qual a

tubulação participa. Escoamentos bifásicos ou multifásicos, geralmente visualizados

em unidades industriais de produção de óleo e gás, são exemplos onde a vibração

em tubulações é normalmente observada.

Durante a realização do projeto de pesquisa “Estudo de Vibrações em Tubulações

Metálicas e de Fibra de Vidro”, em parceria com a PETROBRAS, observou-se um

grande número de problemas de vibração em tubulações operando com

escoamentos bifásicos. Principalmente em plantas de produção de óleo e gás de

plataformas marítimas, foram constatadas situações em que vibrações excessivas

causaram falhas por fadiga de tubulações secundárias, contratempos ao aumento

de produção e insegurança aos operadores da plataforma. Conclui-se desta forma,

que seria importante ainda na fase de projeto de tubulações para transportar óleo e

gás, realizar um estudo do comportamento dinâmico destas tubulações com o

objetivo de evitar vibrações excessivas durante sua operação. Para realizar estas

análises, torna-se necessário conhecer as características desta importante fonte de vibração em tubulações que é o escoamento bifásico. Pouca informação, entretanto, foi obtida na literatura sobre vibrações induzidas pelo escoamento bifásico. Por sua complexidade, o embasamento técnico e o projeto de equipamentos que trabalham com escoamentos bifásicos ainda não são tão desenvolvidos quanto o estudo de escoamentos monofásicos. A constatação de que há pouca informação disponível sobre os mecanismos de excitação e esforços gerados em tubulações pelo escoamento bifásico, foi justamente a motivação para a realização do presente trabalho.

1.2 OBJETIVO DO TRABALHO

Neste trabalho, serão apresentados resultados de simulações experimentais sobre a vibração induzida pelo escoamento bifásico em tubulações, tendo como principal objetivo a identificação das características dos esforços dinâmicos causados pelos tipos de escoamento existentes. Os resultados foram obtidos através de experimentos realizados no Laboratório de Vibrações e Automação da Universidade Federal Fluminense em uma seção de testes com escoamento de água e ar, utilizando um sistema de tubulação em acrílico transparente permitindo a observação dos diferentes regimes de escoamento. Transdutores de força e acelerômetros foram instalados na tubulação a fim de permitir a análise dos resultados obtidos pelos equipamentos utilizados durante o experimento.

Durante os ensaios foram simuladas diversas condições de escoamento correspondentes às obtidas em campo para avaliação da resposta dinâmica do sistema de tubulação. Os resultados obtidos podem demonstrar a existência de um forte relacionamento entre o padrão de escoamento e a intensidade do movimento de oscilação.

1.3

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Esta dissertação está organizada em 7 (sete) capítulos com conteúdo descrito abaixo.

No capítulo 2 é realizada uma apresentação dos conceitos básicos sobre o escoamento bifásico, a fim de obter conhecimento das principais características desse fenômeno.

Uma revisão bibliográfica de alguns trabalhos já publicados que possuem como foco estudos sobre o efeito do escoamento bifásico em sistemas de tubulação foi realizado no capítulo 3 do presente trabalho.

No capítulo 4 é descrito todo o aparato experimental. As características dos materiais empregados, montagem, instrumentação, e todas as demais etapas necessárias para execução dos ensaios são discutidas nesse capítulo.

O capítulo 5 trata da análise da freqüência natural nos trechos que compõe o sistema e mostra análise experimental dos esforços provenientes das vibrações devido ao tipo de escoamento, foco do nosso estudo.

Os resultados dos ensaios descritos no capítulo anterior são apresentados e analisados no capítulo 6.

Finalmente no capítulo 7 estão as conclusões obtidas e sugestões para trabalhos futuros dentro da linha de pesquisa de esforços em tubulações.

2 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE ESCOAMENTOS BIFÁSICOS

Os escoamentos entre gás e óleo são estudados há bastante tempo, e a necessidade de produção e posteriormente o transporte desses fluidos alavancou as pesquisas nesta área nos últimos tempos.

Vários estudos já foram realizados sobre vibrações induzidas pelo escoamento bifásico externo às tubulações, como acontece, por exemplo, em trocadores de calor onde o vapor e a água escoam externamente através de feixes de tubos. Pouca atenção, entretanto, tem sido dada às vibrações induzidas pelo escoamento bifásico interno às tubulações, situação que tem ocorrido com bastante freqüência em plantas de processo de óleo e gás. Torna-se necessário, conseqüentemente, conhecer as características desta fonte de vibração, para que os projetos das tubulações que venham a operar com escoamento bifásico possam ser realizados de forma a evitar vibrações excessivas.

Neste capítulo, serão detalhados os temas preliminares necessários à construção do aparato experimental que representa um escoamento contendo a mistura óleo/gás, e são citados também trabalhos relevantes, que servirão tanto de referência para a elaboração do sistema como para justificar as hipóteses adotadas.

2.1

ESCOAMENTO BIFÁSICO

O escoamento multifásico é definido como sendo dois ou mais fluidos com propriedades diferentes e imiscíveis, fluindo simultaneamente em uma tubulação. A definição de fase não é relativa ao estado da matéria (sólido, líquido, gasoso), mas sim ao número de interfaces presentes num escoamento multifásico. Tradicionalmente quando nos referimos ao escoamento de óleo, água e gás, chamamos de fluxo multifásico. Quando essas fases escoam simultaneamente dentro de uma tubulação, onde os fluidos possuam propriedades físicas diferentes, existe uma grande abundância de possibilidades de padrões ou regimes de escoamento, ou seja, há uma distribuição espacial das fases na mistura. Nesse momento, o regime do escoamento é definido através da distribuição de uma fase em relação à outra. Para a determinação do padrão de escoamento deve-se analisar vários parâmetros físicos, dentre eles a tensão superficial e a gravidade (Silva, 2006) [9]. A tensão superficial mantém a parede da tubulação sempre úmida, permitindo a formação de gotículas e pequenas bolhas esféricas de gás. A gravidade tende a forçar o líquido para a parte de baixo da tubulação devido à diferença de densidade entre fases.

O estudo dos regimes de escoamento bifásico ainda não é muito praticado e é muito complexo, envolvendo vários parâmetros que influenciam diretamente nos resultados. Também não há norma que especifique ou classifique estes regimes, e até mesmo as referências a este tema não são muitas. Por este motivo, a definição dos principais escoamentos padrões é abordada levando-se em consideração geometrias simples, como tubos verticais e horizontais (Silva, 2006). [9]

2.1.1 Classificação do escoamento bifásico

Dependendo do estado em que cada fase se apresente num escoamento, podemos verificar diversos tipos de escoamentos bifásicos num sistema de tubulação. O escoamento gás-sólido é composto de gás contendo partículas sólidas, sendo este tipo de escoamento, provavelmente, mais comum na natureza do que o escoamento

do “ar puro”. Na atmosfera, a princípio, o ar fica misturado com partículas normalmente minúsculas, de poeira. O caso extremo desta configuração é a tempestade de areia. No caso da combustão, o escoamento gás-sólido pode ocorrer durante a queima do propelente sólido, quando partículas do propelente entram no gás, o que não é desejável, podendo sofrer reações químicas. Em geral, este tipo de escoamento ocorre no transporte pneumático de partículas sólidas. O escoamento com predominância do sólido pode ocorrer, e nesses casos pode ser incluído o transporte de gás nos meios porosos dos sólidos.

Outro tipo de escoamento onde a fase sólida se encontra presente é o escoamento líquido-sólido ocorrendo, por exemplo, nas suspensões de sedimentos de um leito de rio e na mistura semi-fluida de carvão-água.

O escoamento líquido-líquido ocorre quando flui uma mistura de dois líquidos imiscíveis, por exemplo, água-óleo.

O escoamento gás-líquido, escopo desse estudo, ocorre quando o gás é misturado com gotículas de um líquido. Situações deste tipo podem ocorrer na natureza, em escoamentos de óleo e ar, nos refrigeradores, nos aquecedores, na combustão de propelente líquido, etc.

Existem vários problemas físicos que envolvem a injeção de pequenas quantidades de líquidos numa corrente de gás. Esta situação é chamada de atomização, amplamente estudada em problemas de combustão.

Este tipo de escoamento ocorre também nos processos de condensação e dentro de dutos que transportam óleo ou gás, ou a mistura entre ambos. Há também a situação inversa, quando há predominância da fase líquida, como na ebulição de um líquido, isto é, líquido contendo bolhas gasosas. Este último caso representa a mistura bifásica contendo duas fases da mesma substância.

2.1.2 Escoamento gás-líquido

Com a variação de vazão entre a água e ar impostos à tubulação, foi possível obter vários regimes de escoamento bifásico. Para esse tipo de escoamento utilizando-se gás e líquido é necessário conhecer a velocidade superficial de mistura V S , que é definida como a soma das velocidades superficiais das fases líquida (V SL ) e gasosa (V SG ), como mostrado nas equações (1) e (2) (Chen, 2001) [1]:

onde:

V

SL =

V S

= V + V

SL

SG

Q

L

A

e

V

SG

=

Q

G

A

Q

L é a vazão volumétrica da fase líquida;

Q

G é a vazão volumétrica da fase gasosa; e

A

é a área da seção transversal do tubo.

(1)

(2)

Estas velocidades poderiam ser definidas como as velocidades que as fases exibiriam se estivessem escoando sozinhas através da área total da seção do duto.

A velocidade superficial (V S ) aparece como variável nas coordenadas dos eixos dos

mapas de escoamento, sendo usada na modelagem fenomenológica, as correlações

que expressam a interação entre as fases.

A velocidade média de cada fase é definida pela razão entre a vazão volumétrica de

cada fase e a área da fração da seção transversal do duto ocupado por ela, sendo

dada por

V =

L

Q V

L

e

G

Q

G

=

A A

L

G

(3)

α

α

Essa expressão da velocidade média da fase traduz verdadeiramente o deslocamento da fase. Quando, num escoamento, duas fases diferem uma da outra em densidade e/ou viscosidade, uma delas tende a escoar com velocidade mais elevada do que a outra.

A característica do escoamento bifásico é possuir um fluxo com diferentes valores de densidade e viscosidade. Normalmente em dutos horizontais, o fluido menos denso e/ou menos viscoso tende a ter maior velocidade. A diferença entre as velocidades médias localizadas das fases resulta no fenômeno de “escorregamento” (slip) de uma fase em relação a outra, ou “atraso” (holdup) de uma fase em relação a outra e isso faz com que as frações volumétricas locais se diferenciem das iniciais [9]. Normalmente, o termo holdup refere-se à fração volumétrica localizada do líquido e o termo void fraction (ou fração de vazio) refere-se à fração volumétrica localizada do gás, ambos definidos nas equações (4) e (5).

onde,

L

G

=

=

v

L

v

v

G

v

v L é o volume ocupado pelo líquido; e v G é o volume restante ocupado pelo gás.

(4)

(5)

O método mais comum de se medir o holdup do líquido é isolar um segmento do escoamento entre duas válvulas de fechamento rápido e medir o líquido retido. Outra forma de se determinar o holdup é através de correlações consagradas existentes na literatura. A fração de vazio que representa o volume da fase gasosa na seção está relacionada à fração volumétrica como definida pela equação (6).

α

α

α

α

G

= 1

L

(6)

Assim, pode-se calcular a velocidade média real localizada de cada fase, observando que elas serão maiores que as velocidades superficiais, através das equações (7) e (8).

V =

L

V =

G

Q

L

A

Q

L

G

A

G

=

=

V

SL

V

L

SG

G

(7)

(8)

onde, V L é a velocidade real média da fase líquida; e V G é a velocidade real média da fase gasosa.

Outros dois parâmetros considerados nos experimentos foram as frações de descarga da fase líquida C L e a fração volumétrica fase gasosa C G , que são definidos a seguir nas equações (9) e (10). A soma das frações de descarga de ambas as fases deve totalizar 1 (um).

C

C

L

G

=

=

Q

L

V

SL

=

Q

L

+

Q

G

V

S

Q

G

V

SG

=

Q

L

+

Q

G

V

S

(9)

(10)

É importante observar que as propriedades do fluido (densidade, viscosidade e tensão interfacial) para cada fase e que os parâmetros geométricos (diâmetro interno e ângulo de inclinação do tubo) também influenciarão o desenvolvimento do escoamento.

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 CARACTERIZAÇÃO DOS REGIMES DE ESCOAMENTO

Em escoamentos bifásicos podem existir várias formas de interação entre as duas fases, dependendo das condições operacionais (vazão, pressão, temperatura), das propriedades dos fluidos de cada fase (densidade, viscosidade, tensão superficial) e da geometria do sistema (dimensão, inclinação, forma). O padrão de fluxo depende principalmente das velocidades do gás e do líquido, e da relação gás/liquido. Os regimes de escoamento descrevem essa distribuição, sendo os três principais regimes definidos por Hubbard & Dukler [6] como: separado, intermitente e disperso. No regime de fases separadas, ambas as fases são contínuas, podendo ou não existir algumas bolhas de uma fase na outra. Este regime abrange os regimes, estratificado (suave ou ondulado) e anular. No regime intermitente pelo menos uma das fases é descontínua, e ele abrange os escoamentos do tipo pistonado, tampão e de transição. No escoamento de regimes dispersos a fase líquida é contínua, enquanto a fase gasosa é descontínua, e dele faz parte o regime de bolhas.

A) Regimes de Escoamento em Dutos Verticais

Bolhas Pistonado Transitório Anular Centro-Anular
Bolhas
Pistonado
Transitório
Anular
Centro-Anular

Figura 1: Padrões de escoamentos bifásicos em tubulações verticais.

Regime de bolhas (bubbly flow): Neste regime a fase gasosa se encontra distribuída como bolhas dispersas ao longo da fase contínua líquida, podendo ter pequenos diâmetros com forma esférica até diâmetros maiores apresentando formas mais alongadas. As forças que aparecem sobre as bolhas dependem fortemente do formato das bolhas. Esse escoamento ocorre tipicamente para baixas velocidades superficiais da fase gasosa.

Regime pistonado ou de golfada (slug flow): Neste regime as bolhas são da ordem do diâmetro do duto, pois com a queda de pressão e o aumento da velocidade da fase gasosa, as bolhas discretas se unem formando a bolha com dimensão similar a da tubulação, com forma balística. Golfadas de gás e líquido se sucedem na tubulação, com a golfada de líquido apresentando pequenas bolhas dispersas. A parte superior da bolha possui forma esférica e o gás é separado da parede do duto por um fino filme de liquido descendo de forma lenta. Duas bolhas sucessivas são separadas por partes líquidas (slugs) que podem conter bolhas de menor diâmetro em forma dispersa.

Regime de transição (churn flow): Ocorre quando o escoamento pistonado torna-se instável e as grandes bolhas se quebram dando lugar a um escoamento caótico no centro do duto, deslocando o líquido contra as

paredes, em um movimento oscilatório de líquido para cima e para baixo na tubulação. Isto ocorre quando as velocidades das fases gasosa e líquida são maiores do que no regime de golfada. Este regime possui uma característica oscilatória entre escoamento pistonado e anular, por isto é comumente chamado regime pistonado-anular.

Regime anular (annular flow): a fase líquida escoa na periferia do duto. Neste regime, o líquido escoa pelas paredes do duto formando um anel fino com bolhas dispersas, enquanto o gás escoa no centro da tubulação, carreando gotículas de líquido, ambas fases com escassa ou nenhuma presença de gotas ou bolhas dispersas. Em alguns casos o anel de líquido pode estabilizar dando lugar à penetração de gotas de líquido no núcleo gasoso, porém, a diferença com o regime centro-anular é que as gotas se encontram em grupos separados ao invés de estarem presentes em forma continua no núcleo do gás.

Regime centro-anular (wispy-annular flow): Este regime é característico de escoamentos com elevada vazão mássica. Com o aumento da velocidade da fase líquida no regime anular, o líquido se concentra em uma camada relativamente grossa sobre as paredes com um núcleo de gás contendo uma quantidade considerável de líquido disperso em forma de gotas. Ainda, na região líquida sobre as paredes, existem bolhas de gás dispersas, isto é, uma mistura de escoamento disperso de gotas no centro com um escoamento disperso de bolhas nas paredes.

B) Regimes de Escoamento em Dutos Horizontais

Quando o escoamento ocorre em um duto horizontal ou levemente inclinado, o escoamento padrão assume outras peculiaridades devido ao campo gravitacional atuar perpendicularmente à direção do escoamento. Isso resulta em um escoamento de perfil assimétrico: o regime pistonado ou de golfada é então muito comum.

Tampão Estratificado Ondulado Pistonado Bolhas Anular
Tampão
Estratificado
Ondulado
Pistonado
Bolhas
Anular

Figura 2: Padrões de escoamentos bifásicos em tubulações horizontais.

Regime tampão (plug flow): É um regime onde pequenas bolhas de gás se unem produzindo bolsões alongados, que tendem a escoar pela metade superior do duto. É similar ao escoamento pistonado (slug flow) em dutos verticais. A condição assimétrica é mantida independentemente da velocidade de escoamento devido ao maior tamanho das bolhas.

Regime estratificado (stratified flow): Acontece em velocidades muito baixas de líquido e gás, se caracterizando pela separação por gravidade das fases líquida e gasosa, com escoamento contínuo de cada fase e interface suave entre elas. Este regime não é muito usual de ocorrer, sendo mais assíduo o regime ondulado.

Regime ondulado (wavy flow): Quando no escoamento estratificado a velocidade da fase gasosa aumenta, algumas ondas de baixa amplitude são formadas na interface de separação entre o líquido e o gás. Aparecem, então, oscilações na interface, gerando um padrão caótico de escoamento. Quando estas ondas começam a se tornar maiores e a fração de líquido aumenta,

este começa a molhar a parede superior do duto gerando grandes bolhas de gás presas entre duas ondas, aparecendo um regime similar ao tampão (Plug Flow), porém com bolhas maiores, já que este regime se dá com maiores frações volumétricas de gás.

Regime pistonado ou de golfada (slug flow): Devido ao aumento da velocidade do gás no escoamento ondulado, ocorre um acréscimo na amplitude das ondas, que passam a ocupar, em alguns trechos, toda a seção transversal da tubulação, formando golfadas que são rapidamente deslocadas dentro do duto e, mais tarde, se sucedem na tubulação, com as de líquido carregando pequenas bolhas dispersas.

Regime de bolhas (bubbly flow): Acontece quando o efeito gravitacional é significante. Neste caso, bolhas discretas tendem a se dispersar no topo da tubulação, com a fase líquida contínua escoando na parte inferior do tubo.

Regime anular (annular flow): Tal regime ocorre com altas vazões de gás, onde a fase líquida escoa na superfície interna da tubulação, formando um filme com bolhas dispersas, e o gás escoa no centro da tubulação, carregando líquido pulverizado. Devido ao efeito gravitacional, a espessura do filme líquido é maior na parte inferior do tubo.

3.1.1 Mapas de escoamento

Quando dois fluidos escoam juntos no interior de uma tubulação num movimento horizontal ou vertical ascendente, a interface das duas fases pode assumir diferentes configurações de escoamento, compatíveis com a vazão de cada fase, as propriedades dos fluidos e o diâmetro da tubulação.

O método tradicional de identificação dos padrões de escoamento é a observação do escoamento através de um duto transparente. O registro destas imagens pode ser realizado com a utilização de câmeras de alta velocidade por se tratar de um fenômeno muito rápido.

A maioria dos trabalhos científicos, em grande parte experimental, considera por simplicidade a água e o ar como os fluidos de trabalho, além de supor geometrias relativamente simples para efeito de análise. A figura 3, extraída de Mandhane [19], delimita as regiões de regime estratificado (stratified flow), ondulado (wavy flow), tampão (elongated bubble / plug flow), de golfada (slug flow), de bolhas (bubbly / dispersed flow) e anular (annular / annular-mist flow). Neste caso, consideram-se as velocidades das fases líquida (U S L ) e gasosa (U S G ) em um tubo horizontal operando

a 1 atm e 25ºC.

No entanto, sabe-se que o comportamento desses fluidos difere das misturas de óleo e gás natural a altas pressões. Neste sentido, Taitel & Dukler [18] foram os primeiros a reportar uma mudança significativa nos padrões de escoamentos bifásicos devido às diferentes propriedades dos fluidos de trabalho. O mapeamento dos regimes de escoamento para óleo e gás natural pode ser visto na figura 4 supondo um tubo horizontal operando a 68 atm e 38ºC. A densidade e a viscosidade neste caso são, respectivamente, 0,65 g/cm3 e 0,5 cP para o óleo e, para o gás natural, 0,05 g/cm3 e 0,015 cP.

Em um trabalho mais recente, Petalas & Aziz [17] mapearam os diferentes regimes de escoamento multifásico em tubulações através de correlações empíricas. Um

novo modelo mecanístico-empírico é proposto, válido para diferentes geometrias e fluidos de trabalho. Os diferentes padrões de escoamento para as misturas ar-água

e óleo-gás encontrados para tubos horizontais podem ser vistos nas figuras 5 e 6.

Note a presença de mais um padrão de escoamento bifásico nesses gráficos: o regime de transição (froth / churn flow). As velocidades das fases líquidas e gasosas

são designadas, respectivamente, por V SL e V SG , estando suas unidades em pés/s.

Figura 3: Mapa de padrões de escoamento para água e ar em um tubo horizontal

Figura 3: Mapa de padrões de escoamento para água e ar em um tubo horizontal de 2,5 cm de diâmetro, operando a 25°C e 1 atm. (Mandhane, 1974) [19]

diâmetro, operando a 25°C e 1 atm. (Mandhane, 1974) [19] Figura 4: Mapa de padrões de

Figura 4: Mapa de padrões de escoamento para óleo cru e gás natural em tubos horizontais de 5 e 30 cm de diâmetro, operando a 38°C e 68 atm. (Taitel & Dukler, 1980) [18]

Figura 5: Mapa de padrões de escoamento para um sistema com água e ar supondo

Figura 5: Mapa de padrões de escoamento para um sistema com água e ar supondo uma tubulação horizontal. (Petalas & Aziz, 1998) [17]

uma tubulação horizontal. (Petalas & Aziz, 1998) [17] Figura 6: Mapa de padrões de escoamento para

Figura 6: Mapa de padrões de escoamento para um sistema com óleo e gás supondo uma tubulação horizontal. (Petalas & Aziz, 1998) [17]

Muitos mapas de padrões de escoamento foram propostos e a maioria deles foi baseada, fundamentalmente, em dados experimentais, e, portanto, sob limitadas condições de medidas. O resultado do trabalho destes autores é aplicável

ρ υ

θ

teoricamente a ampla faixa de propriedades e geometria de dutos que poderiam ser

esperados para transições determinadas experimentalmente.

3.1.2 Esforços causados pelo escoamento bifásico

Os esforços aplicados nos dutos têm papel fundamental no estudo da vibração

decorrente do escoamento bifásico em tubulação. Para isso é necessário analisar

cada trecho do sistema, pois os esforços surgem de forma diferenciada para cada

tipo de variação de seção ou de geometria do duto [3]. As figuras 7(a) e 7(b)

mostram exemplos da decomposição do esforço de reação, sempre orientado no

plano da tubulação, em uma curva de tubulação disposta na posição vertical e

horizontal de montagem, respectivamente.

Quando o fluido escoa por uma curva, por exemplo, ele varia sua direção num

ângulo θ e a sua força na direção radial será definida de acordo com a equação 11

[9].

 

F

r

=

onde,

dp

dt

=

2

[(

A 2 1

cos

)]

1/2

dp = variação da quantidade de movimento

dt = variação do tempo

ρ = densidade do fluido

U = velocidade do fluido

A = área interna do duto

θ = ângulo de incidência da força

(11)

(a) (b) Figura 7: Decomposição da força resultante numa curva: sistema de tubulação vertical (a);

(a)

(b)

Figura 7: Decomposição da força resultante numa curva: sistema de tubulação vertical (a); e sistema de tubulação horizontal (b).

No caso de escoamentos monofásicos, normalmente esta força é constante e pequena o suficiente para que possa ser absorvida pela tubulação. Na maioria das vezes a quantidade de movimento é ignorada na análise dos esforços sobre a tubulação. Entretanto, se a densidade ou a velocidade do fluido variar com o tempo, esta quantidade de movimento também irá variar com características dinâmicas e não terá seu valor anulado com outras componentes da força.

Alguns aspectos da excitação de estruturas por escoamentos bifásicos estão relacionados à existência de fases distintas com densidades diferentes. Para o caso de escoamentos internos em sistemas de tubulações, as forças de excitação se materializam nos elementos de alteração do curso do escoamento, como curvas, joelhos e tês. Pouca atenção tem sido dada a esses casos.

3.2 EFEITOS DINÂMICOS EM TUBULAÇÕES

Em experimentos para caracterização das forças mencionadas no capítulo 2, Yih e Griffith [15] mediram as forças em tês sujeitos a escoamento bifásico ar-água e encontraram que as forças flutuantes tinham a mesma ordem de grandeza das forças permanentes. Uma expressão adimensional foi proposta para relacionar

experimentos com diferentes diâmetros e velocidades de escoamento. As forças foram relacionadas com a variação no tempo da densidade do fluido entrando no tê, alternadamente líquido e gás, através do balanceamento dos momentos. Considerando os resultados já existentes, eles observaram um mecanismo de excitação comum aos diferentes sistemas observados: uma junta em tê sujeita a um fluxo vertical em altas velocidades (superiores a 15 m/s) com diâmetros menores que 25mm em Yih e Griffith [15]; e uma curva sujeita a fluxo horizontal pistonado com baixas velocidades de escoamento (inferiores a 4 m/s) e diâmetros maiores que

70mm.

Riverin, Langre e Pettigrew [12] chegaram a uma formulação adimensional comum às forças presentes em escoamentos bifásicos dos tipos bolhas, pistonado e transitório, e que pode ser aplicada de forma prática no dimensionamento de tubulações, obtendo experimentalmente a magnitude desses esforços e analisando os seus espectros. Em suas conclusões, Riverin e Pettigrew [12] citam ainda que a magnitude dessas forças esteja diretamente ligada às variações locais de frações de vazio na mistura.

O aparato experimental por eles utilizado é semelhante ao deste trabalho, aonde também foi utilizado um escoamento ar-água. As configurações da tubulação observadas, em “U” e em “T”, e a localização dos transdutores de força são apresentadas na figura 8.

Transdutor de força

Escoamento
Escoamento
Transdutor de força Escoamento Figura 8: Transdutor de força aplicado: (a) na configuração em “U” da

Figura 8: Transdutor de força aplicado: (a) na configuração em “U” da tubulação; (b) na configuração em “T” da tubulação [15].

Os espectros de força obtidos são mostrados na figura 9, e as forças equivalentes na tubulação em função da velocidade do escoamento são mostradas na figura 10.

V S = 2, 3, 4, 5, 6 m/s e C G = 50%
V S = 2, 3, 4, 5, 6 m/s e C G = 50%

V S = 2, 4, 6, 8, 10, 12 m/s e C G = 75%

e C G = 50% V S = 2, 4, 6, 8, 10, 12 m/s e

Figura 9: Espectro de forças: (a) e (c) Configuração em “U”; (b) e (d) Configuração em “T” [15].

– Configuração em T

– Configuração em U

V M (m/s) V M (m/s)
V M (m/s)
V M (m/s)

Figura 10: Gráfico da força equivalente como função da velocidade de escoamento para: (a) C G = 50%; (b) C G = 75% [15].

Riverin e Pettigrew, 2007 [16] também realizaram outro estudo onde foi possível observar a severidade da vibração em um pequeno sistema de tubulação

compreendido de curvas e secções retas configurando um sistema em forma de “U” disposto na posição vertical, e submetido a um escoamento bifásico ar e água. Esse tipo de estudo foi realizado a fim de investigar o mecanismo de excitação da vibração dominante. A partir de várias condições de escoamento, foi possível medir o efeito da vibração, forças de excitação, e propriedades variáveis do escoamento bifásico. Os resultados obtidos mostram que as vibrações observadas são devido a um fenômeno de ressonância entre as variações da velocidade do fluxo periódico e os primeiros modos de vibração do sistema. A força de excitação consiste de uma combinação da banda-estreita e componentes periódicos, com uma freqüência predominante que aumenta proporcionalmente com a velocidade de escoamento. Para uma dada fração de vazio, o espectro da força para várias velocidades de escoamento e geometrias de curvas mostram uma pequena dispersão na representação gráfica da densidade espectral como uma função de uma freqüência adimensional. A freqüência predominante de excitação está de acordo com recentes resultados sobre as características de estruturas periódicas em um escoamento bifásico.

Essa experiência foi fundamental e serviu como base para a montagem e construção de aparato e toda a análise realizada nesse trabalho, considerando algumas diferenças importantes, tais como geometria do sistema de tubulação, disposição da posição de montagem, e condições de escoamento.

4 DESCRIÇÃO DO APARATO EXPERIMENTAL

Para se avaliar um sistema de tubulação de um processo óleo-gás, é necessário realizar uma analogia de sistemas devido ao espaço físico necessário para comportar tal sistema. Para isso foi realizado a montagem de um pequeno sistema de água e ar, a fim de simular as características e conseqüências de um escoamento bifásico ocorrido nas unidades de processamento.

Para o estudo da vibração induzida por escoamento bifásico, foi utilizado no laboratório de vibrações da Universidade Federal Fluminense um sistema hidráulico montado na posição horizontal, sendo construído com dutos de acrílico de 25,4 mm (1”) de diâmetro interno, facilitando a visualização dos regimes de escoamento resultantes devido à transparência do material [2]. Com este aparato é possível simular diversas condições de escoamento com ar e a água.

O sistema é composto por uma bomba centrífuga, um compressor de ar, um separador de fluidos, quatro rotâmetros para medição das vazões dos fluidos, e um reservatório de água. Esses equipamentos são ligados através de conexões, mangueiras e válvulas. Todo o sistema foi montado numa estrutura de cantoneiras

de aço conforme mostra a figura 11 divida em duas partes para melhor visualização. A figura 12 ilustra o fluxograma (isométrico) do sistema utilizado.

Compressor Separador de Ar de Fluidos Estrutura Metálica Rotâmetros Reservatório de Água Bomba (a)
Compressor
Separador
de Ar
de Fluidos
Estrutura
Metálica
Rotâmetros
Reservatório
de Água
Bomba
(a)
Centrífuga
Trecho em “L” Trecho em ”U” (b)
Trecho em
“L”
Trecho em
”U”
(b)

Figura 11: Foto do sistema hidráulico montado no laboratório: (a) equipamentos; (b) trechos do sistema de tubulação.

1ª Parte Analisada da Tubulação Trecho em L 2ª Parte Analisada da Tubulação Trecho em
1ª Parte Analisada da
Tubulação
Trecho em L
2ª Parte Analisada da
Tubulação
Trecho em U
Transdutor
de Pressão

Separador de

Fluidos

Figura 12: Diagrama Esquemático do Experimento

Os rotâmetros funcionam a partir do princípio da área variável. Ele é utilizado para medição e controle das vazões de água e ar. O fluxo do fluido vem de baixo para cima, em direção ao tubo cônico de medição, feito de plástico transparente. Desta maneira o flutuador é empurrado de acordo com a vazão exigida, fazendo com que a vazão instantânea possa ser aferida na escala impressa no corpo do rotâmetro. As vantagens deste instrumento é que ele é resistente ao choque e à corrosão; é disponível em escalas especiais; e a instalação é simples e rápida.

4.1 LINHA DE SUPRIMENTO DE AR

O compressor é o responsável pelo fornecimento de ar ao sistema, que através de uma mangueira de borracha abastece o mesmo. Porém, antes de se misturar à água, o ar percorre todo o subsistema de ar composto de duas válvulas globo, que fazem a distribuição do ar para os rotâmetros que constituem o circuito, dependendo da faixa de vazão de ar requerida. Os dois rotâmetros possuem escalas distintas, sendo um com escala de 1 a 10 Nm³/h e o outro de 10 a 100 Nm³/h. Os rotâmetros

foram fixados em um painel de madeira que se encontra aparafusado na mesma estrutura metálica que suporta toda a montagem.

A vazão de ar é regulada através de um regulador de pressão que está presente no

manômetro ligado ao compressor.

Após a passagem pelos medidores de vazão, o ar finalmente é misturado à água por um misturador, dando início ao escoamento composto pela fase gasosa e líquida.

4.2 LINHA DE SUPRIMENTO DE ÁGUA

A bomba está abaixo do nível do reservatório (afogada), onde a água do sistema é

armazenada. Tanto a bomba quanto o compressor são acionados por duas chaves independentes. Assim como na linha de ar, os rotâmetros de água são interligados à bomba por uma mangueira. Para a linha de água foram utilizados medidores de vazão com escalas 0,1 a 1 m³/h e outro de 1 a 10 m³/h.

A vazão de água é regulada através das válvulas do sistema de recirculação na

saída da bomba.

A fim de reduzir a ocorrência de ar na água do reservatório, proveniente do retorno

do escoamento bifásico e melhorar o rendimento da bomba centrífuga, foi instalado

um separador de fluidos no reservatório.

4.3 LINHA DE ESCOAMENTO BIFÁSICO

As duas fases começam a caracterizar o escoamento bifásico após a passagem pelo misturador, constituído por uma conexão em “T” e outra em “T a 45º”, ambas de PVC. Acoplado a esse misturador foi instalado um transdutor de pressão a fim de aferir a pressão exercida no início do trecho de tubulação estudado. Outro transdutor também foi instalado ao final do sistema de tubulação, sendo que nesse caso, a medição foi realizada sobre o escoamento entre as duas fases.

O circuito é caracterizado por um tubo acrílico, já descrito anteriormente, formado

principalmente de dois trechos, um deles em “U” e outro em “L”.

Com este sistema foi possível simular situações onde ocorreram regimes de

escoamentos horizontais, nocivos a toda estrutura.

Em um sistema de tubulação real, sujeito a variações de temperatura, a escolha do

tipo de suporte e o local exato são muito importantes, pois ao mesmo tempo em que

se deve diminuir a vibração na tubulação, não se pode deixar a estrutura muito

rígida, pois isso aumentaria a chance do aparecimento de trincas e,

conseqüentemente, da fragilização do sistema. Por isso, durante a experiência os

suportes foram modificados de acordo com o trecho analisado, deixando sempre o

restante do sistema livre, minimizando assim as interferências no tipo de

escoamento apresentado.

Acelerômetros foram montados nos trechos analisados, para medição de vibração

na direção transversal à tubulação (vertical) e em direções no plano da tubulação

(plano horizontal), a fim de aferir seu comportamento devido ao escoamento

bifásico. Seu posicionamento permitiu o registro das acelerações dos trechos

durante as várias condições de escoamento ar-água, e nos testes de impacto

realizados com o objetivo de identificar as freqüências naturais dos trechos de

tubulação estudados, levando em consideração o fato de estarem cheio,

parcialmente cheio e vazio.

Também foi utilizado um transdutor piezelétrico de força para aferir a reação da

força dinâmica exercida pelo escoamento nos trechos analisados. Esse sensor foi

fixado através de uma base metálica, fixada na armação metálica onde todo o

sistema foi montado.

Preferencialmente, os instrumentos para medições em campo devem ser portáteis e

robustos. Dentre alguns instrumentos utilizados para análise e registro de dados

experimentais, o analisador de sinais dinâmicos, o osciloscópio digital e o gravador

de sinais ou sistema de aquisição de dados, devem ser considerados em função do

tipo e complexidade da medição a ser realizada. Quando o próprio instrumento de

leitura ou registro dos sinais do transdutor não possuir uma unidade de condicionamento de sinais, os dados deverão ser enviados primeiramente para um condicionador de sinais, que interligado ao módulo SPIDER 8 da HBM, o qual transforma os sinais analógicos em digitais, transmite os mesmos para um microcomputador. A figura 13 mostra a bancada de equipamentos utilizados para leitura e armazenamento dos dados provenientes da simulação.

e armazenamento dos dados provenientes da simulação. Figura 13: Bancada Experimental de Equipamentos Os

Figura 13: Bancada Experimental de Equipamentos

Os acelerômetros são capazes de monitorar e inspecionar máquinas sem as tirar de operação. O principio básico da transdução de uma aceleração é medir a força exercida por uma massa de prova sustentada sobre um elemento elástico sensor. Este elemento elástico pode ser um cristal piezelétrico, que produz uma carga elétrica proporcional à força, ou uma mola metálica com strain-gages, cuja resistência elétrica reflete a deformação produzida pela mesma.

Uma das causas mais freqüentes de vibrações em tubulações são as pulsações de pressão, que são variações de pressão devido ao escoamento oscilante. As pulsações são geradas principalmente por bombas alternativas e compressores alternativos, entretanto bombas centrífugas, e componentes do sistema de tubulações que produzam vórtices, também podem ser importantes fontes de pulsações.

Transdutores de pressão para medição de pressão estática e dinâmica ou somente de pressão dinâmica devem ser utilizados para verificar a amplitude das pulsações e auxiliar na identificação de sua fonte. A seleção dos transdutores de pressão deve ser feita de acordo com as amplitudes de pulsação e sua freqüência, a pressão média do fluido, a temperatura do fluido e o tipo de fluido. Estes transdutores devem ser instalados preferencialmente de forma que a pressão na tubulação possa ser medida diretamente. Entretanto, na maioria das vezes os pontos de medição disponíveis são através de ramais e válvulas que fazem com que o transdutor fique a uma certa distância do local ideal para medição. Esta condição de medição pode acarretar em resultados incorretos, principalmente quando a freqüência das pulsações é alta. A figura 14 mostra a instalação do transdutor de pressão no sistema montado para estudo.

do transdutor de pressão no sistema montado para estudo. Figura 14: Posicionamento do Transdutor de pressão

Figura 14: Posicionamento do Transdutor de pressão

5 ANÁLISES EXPERIMENTAIS

5.1

ANÁLISES DAS FREQUÊNCIAS NATURAIS

5.1.1

Análise computacional

Ressonância é a tendência de um sistema a oscilar em máxima amplitude quando excitados em certas freqüências, conhecidas como freqüências ressonantes. Nessas freqüências, até mesmo forças periódicas pequenas podem produzir vibrações de grande amplitude, pois o sistema armazena energia vibracional. Quando o amortecimento é pequeno, a freqüência de ressonância é aproximadamente igual à freqüência natural do sistema, que é a freqüência de vibrações livres, sendo uma freqüência espontânea de oscilação do corpo. O fenômeno da ressonância ocorre com todos os tipos de vibrações ou ondas; mecânicas (acústicas), eletromagnéticas, e funções de onda quântica. Sistemas ressonantes podem ser usados para gerar vibrações de uma freqüência específica, ou para obter freqüências específicas de uma vibração complexa contendo muitas freqüências.

Este fenômeno tem aplicações importantes em todas as áreas da ciência, sempre que há a possibilidade de troca de energia entre sistemas oscilantes.

A propriedade mais importante da ressonância é a transferência de energia. Toda propagação ondulatória é uma propagação de energia. Quando um sistema oscilante gera uma onda com uma determinada freqüência, esta se propaga e parte de sua energia é transferida a outros sistemas oscilantes por ela atingidos, mas para aqueles sistemas que tiverem a mesma freqüência do sistema oscilante gerador, essa transferência de energia é máxima.

A partir desses conceitos, foi realizada uma análise da freqüência natural no sistema de tubulação descrito nesse estudo, a fim de avaliar o mini sistema de processamento ar e água, sendo comparado à análise dinâmica por impacto, apresentada no próximo item.

Para os trechos da tubulação analisados neste trabalho, foi realizada uma análise utilizando uma simulação do sistema de escoamento através do software CAESAR II versão 5.0, disponibilizado pela White Martins, a fim de se obter a freqüência natural dos quatro primeiros modos de vibração. Considerou-se a tubulação de acrílico comercial, engastada nas duas pontas, sendo estabelecida como condições iniciais para a simulação, a tubulação vazia (apenas com ar) e cheia (apenas com água). Para fins de validação do estudo computacional, tomou-se a mesma montagem da configuração usada para a análise experimental (ensaio de impacto), conforme discussão adiante.

Nesta simulação foi considerado um trecho em “L” constituído por dois trechos retos com medidas 0,970 e 0,815 metros, conectados por uma curva. A fixação da estrutura foi realizada através de um engastamento numa ponta, permanecendo livre na outra. Não há nenhum esforço externo atuando sobre o sistema e ela está submetida à ação da aceleração da gravidade. Para o trecho em “U”, utilizaram-se dois trechos retos com medidas iguais a 0,897 metros e mais um trecho de comprimento 0,6 metros, além de duas curvas, mantendo suas extremidades engastadas. Essas duas configurações são mostradas nas figuras 15 e 16.

0,970 m 0,815 m
0,970 m
0,815 m

Figura 15: Modelo trecho “L”.

0,897 m 0,897 m 0,600 m
0,897 m
0,897 m
0,600 m

Figura 16: Modelo trecho “U”.

As propriedades do acrílico utilizado em nosso experimento e aplicado ao modelo são apresentadas na tabela 1.

Tabela 1: Propriedades do material da tubulação (acrílico) aplicadas no programa.

Propriedade do Material

Valor

Unidades

Módulo de Elasticidade

2,4

GPa

Coeficiente de Poisson

0,35

n/a

Módulo de Cisalhamento

890

MPa

Massa Específica

1200

kg/m 3

Com as informações do tipo de material e dado de processamento inseridos na

planilha do CAESAR II, é possível rever ou modificar os dados, em cada elemento.

Ele permite realizar uma análise dinâmica incluindo determinação da freqüência

natural, solicitação harmônica, espectral e história no tempo. É possível também

visualizar os locais de amplitude máxima, e as amplitudes de vibração e os modos

de vibração através da animação do modelo para qualquer tipo de situação

analisada [14].

Os dois trechos analisados foram modelados e discretizados em alguns elementos,

através da inserção de nós, de forma a obter uma melhor caracterização e

visualização dos modos de vibração. Assim, o programa pôde fornecer os valores

das freqüências naturais dos sistemas e os respectivos modos de vibrar, conforme

mostrado na tabela 2 e figuras 17, 18, 19 e 20.

Tabela 2: Freqüências Naturais do CAESAR II para o trecho “L”.

Trecho L

Freqüências

Naturais

Modo de

Vibrar

(Hz)

1 11,4

2 37,7

3 38,1

4 62,1

Nas figuras abaixo são mostrados os valores da freqüência e modos de vibração

bastante ampliados para os quatro primeiros modos de vibração do trecho com

configuração em “L”, segundo o pacote operacional utilizado.

1 o Modo
1 o Modo

Figura 17: Primeiro modo de vibração ω 1 =11,4 Hz.

2 o Modo
2 o Modo

Figura 18: Segundo modo de vibração ω 2 =37,7 Hz.

3 o Modo
3 o Modo

Figura 19: Terceiro modo de vibração ω 3 =38,1 Hz.

4 o Modo
4 o Modo

Figura 20: Quarto modo de vibração ω 4 =62,1 Hz.

A tabela 3 traz os resultados das freqüências naturais encontradas pelo software

para o trecho em “U”, considerando duas situações diferentes, cheio de água e

vazio, conforme apresentado.

Tabela 3: Freqüências naturais do CAESAR II para o trecho em “U”.

Trecho U

Modo de

Freqüências

Vibrar

Naturais (Hz)

Cheio

Vazio

1 5,3

8,6

2 8,3

13,6

3 13,7

22,5

4 36,5

59,8

Assim como no caso do arranjo em “L”, o CAESAR II também foi utilizado para

encontrar os primeiros modos de vibração, de acordo com as freqüências naturais

da tabela 3 para o arranjo em “U”. As figuras 21, 22, 23 e 24 mostram o

comportamento desse trecho de tubulação, lembrando que o sistema apresentou os

mesmos modos de vibração para ambos os casos citados como condição inicial

para a aplicação da análise computacional.

1 o Modo
1 o Modo

Figura 21: Primeiro modo de vibração:

(a) Vazio - ω 1 =8,6 Hz; (b) Cheio - ω 1 =5,3 Hz.

2 o Modo
2 o Modo

Figura 22: Segundo modo de vibração:

(a) Vazio - ω 2 =13,6 Hz; (b) Cheio - ω 2 =8,3 Hz.

3 o Modo
3 o Modo

Figura 23: Terceiro modo de vibração:

(a) Vazio - ω 3 =22,5Hz; (b) Cheio - ω 3 =13,7Hz.

4 o Modo
4 o Modo

Figura 24: Quarto modo de vibração:

(a) Vazio - ω 4 =59,8Hz; (b) Cheio - ω 4 =36,5Hz.

5.1.2 Determinação experimental das freqüências naturais

Uma vez obtido os modos naturais de vibração utilizando o método computacional, é necessário realizar essa mesma análise de freqüência com o uso do método experimental. Essa análise dinâmica é realizada através de ensaios no sistema de tubulação sob as mesmas condições de contorno consideradas na análise computacional, ou seja, para um melhor esclarecimento, esse ensaio foi realizado com duas diferentes situações, com a tubulação cheia de água e vazia (apenas ar).

Na sua forma clássica, a análise modal experimental consiste em se determinar experimentalmente um conjunto de funções em freqüência e a partir delas extrair os parâmetros modais do sistema, como os modos de vibração e as freqüências naturais.

O experimento para a obtenção da freqüência natural de vibração realizado neste trabalho foi realizado aplicando-se à tubulação uma excitação do tipo impulsiva, e sua representação esquemática é mostrada na figura 25. Como os principais equipamentos utilizados, podem ser citados o acelerômetro, o condicionador de sinais, um sistema de aquisição de dados e um analisador de espectro computacional, que permitiu extrair as informações.

computacional, que permitiu extrair as informações. Figura 25: Representação esquemática do sistema para

Figura 25: Representação esquemática do sistema para realização do ensaio de impacto.

Para análise do trecho em “L”, o acelerômetro foi montado na conexão em curva, conforme figura 26, onde a freqüência medida é relativa aos modos de vibração transversal ao plano. A figura 27 apresenta o valor da freqüência natural do primeiro modo de vibração.

da freqüência natural do primeiro modo de vibração. Figura 26: Montagem do acelerômetro para medição. 11,3

Figura 26: Montagem do acelerômetro para medição.

11,3 Freqüência (Hz) Aceleração (m/s 2 )
11,3
Freqüência (Hz)
Aceleração (m/s 2 )

Figura 27: Espectro em freqüência do sinal do acelerômetro no trecho “L”.

Para a análise da configuração em “U”, adotou-se o mesmo critério de instalação do acelerômetro e obtenção das freqüências naturais realizados no trecho em “L”, ver figura 28.

Figura 28: Representação da instalação do acelerômetro. Como resultado da análise realizada no trecho em
Figura 28: Representação da instalação do acelerômetro. Como resultado da análise realizada no trecho em

Figura 28: Representação da instalação do acelerômetro.

Como resultado da análise realizada no trecho em “U”, foram obtidos os gráficos representados pelas figuras 29(a) e 29(b) que fornece o espectro em freqüência do sinal registrado pelo acelerômetro, e no qual é possível identificar as freqüências naturais de vibração da tubulação para os primeiros quatro modos.

5,1 Acelerômetro Vertical 13,3 Acelerômetro Horizontal 8,6 38,7 Freqüência (Hz) Aceleração (m/s 2 )
5,1
Acelerômetro Vertical
13,3
Acelerômetro Horizontal
8,6
38,7
Freqüência (Hz)
Aceleração (m/s 2 )

(a)

7,8 Acelerômetro Vertical Acelerômetro Horizontal 19,9 12,9 58,6 Freqüência (Hz) Aceleração (m/s 2 )
7,8
Acelerômetro Vertical
Acelerômetro Horizontal
19,9
12,9
58,6
Freqüência (Hz)
Aceleração (m/s 2 )

(b)

Figura 29: Espectro em freqüência dos sinais dos acelerômetros no segmento “U”:

(a) cheio de água; (b) apenas ar.

Comparando-se os valores encontrados das freqüências naturais pela análise com CAESAR II e pela análise experimental através do impacto, descritos na tabela 4, tomando como base os primeiros 4 (quatro) modos de vibração, é possível calcular o erro percentual a fim de avaliar a veracidade dos métodos utilizados.

Tabela 4: Comparação das Freqüências Naturais obtidas pela Análise Experimental e Computacional.

Trecho U

Modo

de

Vibrar

Freqüências Naturais (Hz)

CAESAR II

IMPACTO

Cheio

Vazio

Cheio

Vazio

1 5,3

8,6

5,1

7,8

2 8,3

13,6

8,6

12,9

3 13,7

22,5

13,3

19,9

4 36,5

59,8

38,7

58,6

ω

ω

ω

ω

ω

ω

Considerando apenas as freqüências naturais encontradas com o sistema cheio de

água, e considerando as freqüências com índiceω ( X ) como sendo resultante da análise experimental de impacto, o erro relativo entre as freqüências naturais do primeiro modo de vibração do arranjo em “L”, que são ω 1 =11,4Hz e ω=11,3Hz e os valores da freqüência do segundo modo do arranjo em “U”, ω 2 =8,6Hz e ω=8,3Hz, respectivamente, é demonstrado a seguir:

5.2

ESCOAMENTO

ANÁLISE

erro

U

erro =

L

=

1

8,6 8,3

=

1

8,6

1

11,3 11,4

=

1

11,3

=

0,035 3,5%

=

=−

0,009

=−

0,9%

EXPERIMENTAL

DA

VIBRAÇÃO

INDUZIDA

PELO

A análise experimental foi realizada em dois momentos distintos devido à diferença entre os trechos estudados. Esse fato fica evidente após a comparação entre as condições iniciais aplicadas a cada um.

Dois parâmetros foram usados para especificar as condições de escoamento expostas pelo sistema em estudo: a fração de vazio, C G , e a velocidade superficial, V S , respectivamente já definidos no capítulo 1, conforme equações (10) e (5). Um conjunto de 59 (cinqüenta e nove) misturas de fases, divididas em nove diferentes frações volumétricas de ar (C G = 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90, 95%) e mais outro contendo 20 (vinte) misturas abrangendo 4 (quatro) frações volumétricas (C G = 25, 50, 75, 95%), e uma margem de velocidade superficial de mistura variando entre V S = 1 até 15 m/s, foram as condições utilizadas para o experimento, conforme verificado nas tabelas 5 e 6. As velocidades variavam à medida que a vazão, e conseqüentemente, as frações volumétricas mudavam de valor. Essas condições foram selecionadas por cobrir os principais padrões de escoamento bifásico de acordo com o mapa de escoamentos, observado na figura 30.

Tabela 5: Condições Iniciais para caracterização do escoamento no trecho em “L”.

Medição

Vazão (m 3 /h)

Velocidade

Velocidade de

 

Fração

 

Superficial (m/s)

Mistura (m/s)

Volumétrica (%)

Água

Ar

V SL (m/s)

V SG (m/s)

V S (m/s)

C

G

 

C

L

1

1.33

0.44

0.75

0.25

1

25

   

75

2

2.65

0.88

1.5

0.5

2

25

   

75

3

3.98

1.33

2.25

0.75

3

25

   

75

4

0.88

0.88

0.5

0.5

1

50

   

50

5

1.77

1.77

1.0

1.0

2

50

   

50

6

2.65

2.65

1.5

1.5

3

50

   

50

7

3.53

3.53

2

2

4

50

   

50

8

4.42

4.42

2.5

2.5

5

50

   

50

9

5.30

5.30

3.0

3.0

6

50

   

50

10

0.88

2.65

0.5

1.5

2

75

   

25

11

1.33

3.98

0.75

2.25

3

75

   

25

12

1.77

5.31

1.0

3.0

4

75

   

25

13

2.21

6.63

1.25

3.75

5

75

   

25

14

2.65

7.95

1.5

4.5

6

75

   

25

15

3.09

9.28

1.75

5.25

7

75

   

25

16

3.53

10.60

2.0

6.0

8

75

   

25

17

3.98

11.93

2.25

6.75

9

75

   

25

18

0.44

8.40

0.25

4.75

5

95

   

5

19

0.71

13.44

 

0.4 7.6

8

95

   

5

20

0.88

16.80

 

0.5 9.5

10

95

   

5

Tabela 6: Condições Iniciais para caracterização dos escoamentos no trecho em ”U”.

Medição

Vazão (m 3 /h)

Velocidade

Velocidade

 

Fração

 

Superficial (m/s)

Superficial (m/s)

Volumétrica (%)

Água

Ar

V SL (m/s)

V SG (m/s)

V S (m/s)

C

G

 

C

L

1

1.41

0.35

0.8

0.2

1 20

     

80

2

2.83

0.71

1.6

0.4

2 20

     

80

3

4.24

1.06

2.4

0.6

3 20

     

80

4

5.65

1.41

3.2

0.8

4 20

     

80

5

1.24

0.53

0.7

0.3

1 30

     

70

6

2.47

1.06

1.4

0.6

2 30

     

70

7

3.71

1.59

2.1

0.9

3 30

     

70

8

4.95

2.12

2.8

1.2

4 30

     

70

9

1.06

0.71

0.6

0.4

1 40

     

60

10

2.12

1.41

1.2

0.8

2 40

     

60

11

3.18

2.12

1.8

1.2

3 40

     

60

12

4.24

2.83

2.4

1.6

4 40

     

60

13

5.3

3.53

3

2

5 40

60

14

0.88

0.88

0.5

0.5

1 50

50

15

1.77

1.77

1

1

2 50

50

16

2.65

2.65

1.5

1.5

3 50

50

17

3.53

3.53

2

2

4 50

50

18

4.42

4.42

2.5

2.5

5 50

50

19

5.3

5.3

3

3

6 50

50

20

0.71

1.06

0.4

0.6

1 60

40

21

1.41

2.12

0.8

1.2

2 60

40

22

2.12

3.18

1.2

1.8

3 60

40

23

2.83

4.24

1.6

2.4

4 60

40

24

3.53

5.3

2

3

5 60

40

25

4.24

6.36

2.4

3.6

6 60

40

26

0.53

1.24

0.3

0.7

1 70

30

27

1.06

2.47

0.6

1.4

2 70

30

28

1.59

3.71

0.9

2.1

3 70

30

29

2.12

4.95

1.2

2.8

4 70

30

30

2.65

6.19

1.5

3.5

5 70

30

31

3.18

7.42

1.8

4.2

6 70

30

32

3.71

8.66

2.1

4.5

7 70

30

33

4.24

9.9

2.4

5.6

8 70

30

34

0.35

1.41

0.2

0.8

1 80

20

35

0.71

2.83

0.4

1.6

2 80

20

36

1.06

4.24

0.6

2.4

3 80

20

37

1.41

5.65

0.8

3.2

4 80

20

38

1.71

7.07

1

4

5 80

20

39

2.12

8.48

1.2

4.8

6 80

20

40

2.47

9.9

1.4

5.6

7 80

20

41

2.83

11.31

1.6

6.4

8 80

20

42

0.18

1.6

0.1

0.9

1 90

10

Tabela 6: Condições Iniciais para caracterização dos escoamentos no trecho em ”U”. (Continuação)

Medição

Vazão (m 3 /h)

Velocidade

Velocidade

 

Fração

 

Superficial (m/s)

Superficial (m/s)

Volumétrica (%)

Água

Ar

V SL (m/s)

V SG (m/s)

V S (m/s)

C

G

 

C

L

43

0.35

3.18

0.2

1.8

2

90

   

10

44

0.53

4.77

0.3

2.7

3

90

   

10

45

0.71

6.36

0.4

3.6

4

90

   

10

46

0.88

7.95

0.5

4.5

5

90

   

10

47

1.06

9.54

0.6

5.4

6

90

   

10

48

1.23

11.13

0.7

6.3

7

90

   

10

49

1.41

12.72

0.8

7

8

90

   

10

50

0.18

3.36

0.1

1.9

2

95

   

5

51

0.27

5.04

0.15

2.9

3

95

   

5

52

0.35

6.72

0.2

3.8

4

95

   

5

53

0.44

8.4

0.25

4.8

5

95

5

54

0.53

10.08

0.3

5.7

6

95

5

55

0.62

11.76

0.35

6.7

7

95

5

56

0.71

13.44

0.4

7.6

8

95

5

57

0.88

16.8

0.5

9.5

10

95

5

58

1.06

20.16

0.6

11.4

12

95

5

59

1.33

25.19

0.75

14.3

15

95

5

Para a montagem do mapa de escoamento, as vazões das tabelas 5 e 6 foram inseridas no mapa mostrado por Petalas & Aziz, 1998 [17], permitindo a identificação dos diferentes regimes de escoamento. Por apresentar um pequeno número de resultados no processo de tomada das vazões, conforme visto na tabela 5, devido às restrições nos equipamentos provenientes do início dos experimentos, o mapa de escoamento do trecho em “L” não será exibido. Portanto seria necessário refazer toda a análise e apuração das vazões, para apresentar bons resultados como os mostrados pelo trecho em “U”.

bons resultados como os mostrados pelo trecho em “U”. Figura 30: Mapa de escoamentos numa condição
bons resultados como os mostrados pelo trecho em “U”. Figura 30: Mapa de escoamentos numa condição

Figura 30: Mapa de escoamentos numa condição horizontal. (Petalas & Aziz, 1998)

Nesta fase do experimento, para a aquisição e leitura dos dados utilizaram-se três softwares, nos quais foi possível gerar os resultados vistos no próximo capítulo.

Através dos sinais armazenados pelo CATMAN 4.5 foi possível criar gráficos no próprio software, fundamentais para uma análise criteriosa dos resultados.

O acelerômetro utilizado para a medição do comportamento da vibração no plano e transversalmente ao sistema de tubulação em todas as condições foi posicionado na superfície externa da conexão em curva, conforme mostra a figura 31. Da mesma forma, o transdutor de força, útil na medição da força de reação na tubulação devido ao tipo de escoamento, fora fixado a montante da conexão em curva com o uso de uma braçadeira, sendo amparado por uma pequena barra rígida de aço presa à estrutura metálica, veja a figura 32.

rígida de aço presa à estrutura metálica, veja a figura 32. Figura 31: Posição de montagem

Figura 31: Posição de montagem do acelerômetro.

Figura 32: Posição de montagem do transdutor de força. 51

Figura 32: Posição de montagem do transdutor de força.

6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS EXPERIMENTAIS

Neste capítulo são apresentados e discutidos os resultados provenientes de medições de aceleração da tubulação e força exercida pelo escoamento bifásico no trecho em “U”, medidos conforme os procedimentos descritos no Capítulo 5.

6.1 RESPOSTA VIBRATÓRIA DA TUBULAÇÃO

As figuras 33 e 34 mostram os espectros em freqüência das acelerações medidas na direção vertical e no plano da tubulação, respectivamente, para diferentes velocidades superficiais de escoamento, a uma mesma fração volumétrica. A resposta vibratória encontrada mostra-se típica de um fenômeno de ressonância entre os primeiros modos naturais de vibração da tubulação e as variações de quantidade de movimento do escoamento bifásico. Nota-se que com o aumento da velocidade de fluxo, para uma dada fração de vazio, os modos de vibração mais elevados tornam-se mais excitados.

10

20

30

40

50

C =50% G - Velocidade + Acel (m/s 2 ) Freqüência (Hz) C =70% G
C
=50%
G
-
Velocidade
+
Acel (m/s 2 )
Freqüência (Hz)
C
=70%
G
-
Velocidade
+
Acel (m/s 2 )
Freqüência (Hz)
C
=90%
G
-
Velocidade
+
Acel (m/s 2 )
Freqüência (Hz)

Figura 33: Espectros de freqüência para a aceleração medida transversalmente à curva para diferentes velocidades de mistura.

10

20

30

40

50

C =50% G - Velocidade + Freqüência (Hz) C =70% G - Velocidade + Freqüência
C
=50%
G
-
Velocidade
+
Freqüência (Hz)
C
=70%
G
-
Velocidade
+
Freqüência (Hz)
C
=90%
G
-
Velocidade
+
Freqüência (Hz)

Acel (m/s 2 )

Acel (m/s 2 )

Acel (m/s 2 )

Figura 34: Espectros de freqüência para a aceleração medida no plano da curva para diferentes velocidades de mistura.

Estas figuras, além de mostrarem que os modos de vibração mais elevados tornam- se mais presentes com o aumento da velocidade do fluxo, quando sobrepostas, permitem constatar que as freqüências em que ocorrem as maiores amplitudes correspondem aos primeiros modos de vibração do trecho analisado, estando de acordo com a análise da freqüência natural realizada no capítulo anterior. Nota-se

também uma pequena variação de freqüência natural da tubulação em função da fração volumétrica das fases presentes no escoamento.

As Figuras 35 e 36 mostram gráficos que relacionam a aceleração com o tempo, obedecendo às mesmas frações volumétricas de gás e velocidades superficiais analisadas na plotagem do espectro. Apenas duas velocidades superficiais foram consideradas, V S =4m/s e V S =5m/s. Assim como nas Figuras 33 e 34, a medição é realizada tanto na transversal quanto no plano da tubulação. Essas figuras podem confirmar tal análise feita anteriormente, no qual mostra o tipo de resposta da tubulação que acontece devido a maior excitação provocada pelo aumento da velocidade de fluxo.

Figura 35: Variação da aceleração no tempo na direção transversal ao plano da tubulação (direção

Figura 35: Variação da aceleração no tempo na direção transversal ao plano da tubulação (direção vertical).

Figura 36: Variação da aceleração no plano da tubulação no tempo (direção horizontal). Nos gráficos

Figura 36: Variação da aceleração no plano da tubulação no tempo (direção horizontal).

Nos gráficos apresentados pela figura 37, apresenta-se uma análise do comportamento da raiz média quadrática (RMS) da aceleração com o aumento da velocidade de escoamento para as duas componentes de aceleração. Primeiramente, é importante destacar que ambas as componentes de aceleração apresentam amplitudes significativas em determinadas condições de escoamento, sendo que as acelerações no plano da tubulação são superiores, conseqüência da variação da quantidade de movimento observada em tubulações em balanço. Este comportamento é distinto do que foi observado por Riverin e Pettigrew, 2007 [16] ao

estudarem as vibrações induzidas pelo escoamento bifásico em uma tubulação em “U” na posição vertical. Neste caso, os autores relataram a ocorrência de vibrações significativas apenas no plano da tubulação.

vibrações significativas apenas no plano da tubulação. Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da
vibrações significativas apenas no plano da tubulação. Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da
vibrações significativas apenas no plano da tubulação. Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da
vibrações significativas apenas no plano da tubulação. Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da
vibrações significativas apenas no plano da tubulação. Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da
vibrações significativas apenas no plano da tubulação. Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da
vibrações significativas apenas no plano da tubulação. Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da

Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração: (a) Vertical e (b) Horizontal.

(a) (b) Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração: (a) Vertical e (b)
(a) (b) Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração: (a) Vertical e (b)
(a) (b) Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração: (a) Vertical e (b)

(a)

(a) (b) Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração: (a) Vertical e (b) Horizontal.
(a) (b) Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração: (a) Vertical e (b) Horizontal.
(a) (b) Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração: (a) Vertical e (b) Horizontal.

(b)

Figura 37: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração: (a) Vertical e (b) Horizontal. (Continuação)

Outro importante gráfico analisado está bem representado pela figura 38, onde pode ser confirmado como a composição do escoamento interfere nos resultados da aceleração apresentada pela tubulação. Nota-se uma aceleração máxima acontecendo numa faixa de fração volumétrica de ar, C G =40 a 60%, para diferentes velocidades de mistura.

(a) (b) Figura 38: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração em função da C

(a)

(b)

Figura 38: Comportamento da raiz média quadrática da aceleração em função da

C G : (a) Aceleração Vertical e (b) Horizontal.

6.2 FORÇAS PRODUZIDAS PELO ESCOAMENTO BIFÁSICO NA TUBULAÇÃO EM ”U”

A variação da força que o escoamento bifásico provoca na tubulação ao longo do tempo foi medida através do transdutor de força, e pode ser observada na figura 39. Esses gráficos mostram como a força se comporta no tempo de acordo com algumas condições de escoamento utilizadas nos experimentos. A figura 39 apresenta resultados de escoamento com diferentes frações volumétricas a uma mesma velocidade de mistura.

Figura 39: Comportamento da força no decorrer do tempo para uma mesma velocidade de mistura

Figura 39: Comportamento da força no decorrer do tempo para uma mesma velocidade de mistura e diferentes frações volumétricas de ar.

A força gerada na curva do trecho em “U” exercida no transdutor, caracteriza a componente de força compressiva através do lado positivo do gráfico e a tração, no lado negativo. Em baixa fração volumétrica, como por exemplo, C G =30% e C G =40%, a variação da força no tempo é muito similar a de uma excitação randômica de banda estreita conforme observado na figura 39. Com o aumento da fração de vazio os sinais de força apresentam um comportamento mais organizado, mostrando evidências de periodicidade durante a excitação. No comportamento de maior fração volumétrica (C G =90%), ainda na figura 39, observa-se que a excitação apresenta forma de impulsos ocorrendo periodicamente.

Observando os valores RMS da força associados com cada condição de escoamento, é possível notar que para cada fração de vazio dada, a amplitude da força aumenta com a velocidade de escoamento. A figura 40 mostra os gráficos que caracterizam essa relação, com medições realizadas no trecho em “U” para todas as condições utilizadas de escoamento. Os valores de força em Newtons RMS foram obtidos através de uma rotina de programação.

RMS foram obtidos através de uma rotina de programação. Figura 40: Variação da força (N-RMS) em

Figura 40: Variação da força (N-RMS) em função da velocidade de mistura para cada fração volumétrica de ar.

A maioria das componentes de excitação está localizada abaixo de 60 Hz, sendo que essa variação coincide com o que foi identificado por Yih e Griffith, 1970 [15] para flutuações e momentos de fluxos. Os espectros de freqüência da força exercida na tubulação são mostrados na figura 41, considerando apenas quatro frações volumétricas de gás.

10

20

30

40

50

C G =60% - + F (N) Freqüência (Hz) C G =70% - + F
C G
=60%
-
+
F
(N)
Freqüência (Hz)
C G
=70%
-
+
F
(N)
Freqüência (Hz)

Velocidade

Velocidade

10 20 30 40 50 C =80% G - Velocidade + F (N) Freqüência (Hz)
10
20
30
40
50
C
=80%
G
-
Velocidade
+
F
(N)
Freqüência (Hz)
C
=90%
G
-
Velocidade
+
F
(N)
Freqüência (Hz)

Figura 41: Espectros de freqüência da força medida no plano da tubulação.

Os modos de vibração mais elevados são excitados com o aumento da velocidade do fluxo.

O efeito da velocidade de escoamento na excitação de forças para uma dada fração de vazio, já apresentado nas figuras 39, 40 e 41, mostra que a amplitude e a freqüência predominante da excitação aumentam com a velocidade de escoamento. Em geral, quando a velocidade sofre um aumento, o tamanho característico das bolhas e partículas, que compõem o escoamento, tornam-se cada vez menores.

A fração volumétrica também possui um importante efeito na excitação das forças ocasionadas pelo transporte de misturas bifásicas. A figura 42 mostra o valor da raiz média quadrática das forças atuantes no arranjo em “U” para um limitado número de frações volumétricas de gás. Para uma dada velocidade de mistura, a excitação RMS da força aumenta com a fração de vazio até atingir um valor máximo, em C G = 60 a 70%. A partir dessa taxa de volume de gás contido na mistura, e com o seu gradativo aumento, a força de excitação tende a diminuir.

gradativo aumento, a força de excitação tende a diminuir. Figura 42: Relação entre força excitada e

Figura 42: Relação entre força excitada e quantidade de ar presente na mistura para diferentes velocidades de mistura j.

A influência do padrão de escoamento também pode ser visto quando analisamos o sinal proveniente da força exercida na tubulação, sendo apresentado nesse trabalho pela figura 43, para condições que correspondem a apenas quatro tipos de escoamentos, de acordo com mapa de escoamentos já citado no capítulo 5 (Fig. 30). No escoamento do tipo pistonado (Slug Flow), a força é composta de pulsos regulares, provenientes da passagem lenta de volumes de líquido. No escoamento em bolhas (Bubbly Flow), a força de excitação apresenta uma banda larga de seu sinal, enquanto que num escoamento do tipo agitado (Churn Flow), ocorre uma combinação da faixa estreita de freqüência e componentes periódicos. Já para um escoamento do tipo anular (Annular Flow) há a ocorrência de pulsos bruscos.

Figura 43: Efeito dos padrões de escoamento na força (trecho “U”). 65

Figura 43: Efeito dos padrões de escoamento na força (trecho “U”).

7 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Este estudo apresenta uma investigação detalhada de um fenômeno vibratório, retratando como escoamentos bifásicos variáveis e periódicos podem causar, de forma severa, excitações num sistema de tubulação.

As vibrações no plano dos arranjos analisados nesse trabalho, decorrentes de um escoamento interno entre duas fases, puderam mostrar que são causadas por um fenômeno de ressonância entre as variações da quantidade de movimento do escoamento bifásico e os primeiros modos de vibração da tubulação.

Os resultados mostram também como as forças de excitação são uma combinação da banda estreita de freqüência e componentes aleatórios, e seus espectros estão caracterizados por uma freqüência predominante que aumenta à medida que a velocidade de mistura do fluxo aumenta.

Ao intervir em uma tubulação com vibração excessiva devido ao escoamento bifásico é importante conhecer as principais freqüências de excitação. O enrijecimento da tubulação com a utilização de suportes, por exemplo, pode fazer

com que as freqüências naturais da tubulação coincidam ainda mais com as

freqüências de excitação.

Devido às limitações imposta pela bancada experimental utilizada no laboratório e a

falta de conhecimento aplicada neste assunto, que é de tamanha importância na

conjuntura atual da área de petróleo, sugere-se que haja uma continuação dos

estudos sobre os esforços dinâmicos para o regime de escoamento aqui

apresentado.

Com a existência de numerosos problemas de vibração em tubulações devido ao

escoamento bifásico, recomenda-se a análise do comportamento dinâmico na fase

de projeto de tubulações com este tipo de escoamento.

É importante observar que alguns pontos podem ser explorados alternativamente

em trabalhos futuros. A alteração do posicionamento do sistema para a vertical ou

inclinado, a utilização de misturadores e a instalação de curvas com diferentes

ângulos (curvas de 45˚, por exemplo) forneceriam bons parâm etros de comparação

da qualidade e do regime do escoamento. Assim como a substituição dos rotâmetros

por medidores de vazão ultrasônicos, creditando maior confiabilidade na variação

das vazões de escoamento de cada fluido. A maior utilização de recursos

computacionais também seria de grande valia para resultados futuros, tais como,

análise modal pelo CAESAR II com a tubulação parcialmente cheia, por aproximar a

avaliação do caso à situação real, interação fluido-estrutura e avaliação do campo

de pressões para escoamentos estratificados com a utilização do software ANSYS

CFX.

Uma ampliação da capacidade de testes da bancada experimental do Laboratório de

Automação e Vibração forneceria ainda mais alguns pontos passíveis de estudos

futuros, como a medição da vibração induzida pelo escoamento a partir das frações

volumétricas existentes.

O mecanismo de excitação identificado nesse estudo é devido à vibrações induzidas

em sistemas de tubulação composto de elementos de tubulação tais como, curvas

que

em 90º ou outros existentes no mercado, dentro de certas condições

caracterizam um escoamento bifásico e freqüências naturais da tubulação. A aplicabilidade do atual estudo para outras variações de parâmetros, condições que caracterizam uma mistura entre fluidos de fases distintas ou diferentes dimensões e arranjos de tubulações, deve ser ainda demonstrado.

8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Chen, Y., Modeling gas-liquid flow in pipes: flow pattern transitions and drift-flux modeling Master of Science Report, Department of petroleum engineering of Stanford University, June, 2001. [2] Costa, L. S., Estudo de vibração induzida por escoamento bifásico, Projeto de Graduação, Universidade Federal Fluminense, Agosto, 2006. [3] Fox, Robert W., Introdução à Mecânica dos Fluidos, Editora Guanabara S.A., Rio de Janeiro, 1985 [4] Gama, A. L., Moreira, R. M. e Oliveira, F.N. Procedimentos para avaliação e inspeção de tubulações apresentando vibração excessiva, I Congresso Confiabilidade, Inspeção e Manutenção- PETROBRAS, Rio de Janeiro, 2006. [5] Govier, G. W. and Aziz, K. “The Flow of Complex Mixtures in Pipes”. Van Nostrand Reinhold Company, New York, NY, 1972. [6] Hubbard, M. B., Dukler, A. E.; “The Characterization of Flow Regimes for Horizontal Two-Phase Flow”, Proceedings of the 1966 Heat Trans. & Fluid Mech. Inst., Stanford U. Press, 1966. [7] Inman, Daniel J., “Engineering Vibration”, Prentice Hall International Editions,

2001.

[8] Lin, C.W., Design Guide to Reduce Potential for Vibration Caused by Fluid Flow Inside Pipes - Review and Survey, Welding Research Council, Boletim 417, Nova Iorque, EUA, 1996. [9] Silva, Elinaldo Santos, “Estudo do Escoamento Bifásico em Risers em Movimento na Produção Marítima de Petróleo em Águas Profundas”, Dissertação de Mestrado em Engenharia de Petróleo; Universidade Estadual de Campinas; 2006. [10] Price, S.M.; Smith, D.R.; “Sources and remedies of high-frequency piping vibration and noise”, 28th Turbomachinery Simposium, Texas A&M University, Houston, TX, September, 1999. [11] Reddy, J. N. “An Introduction to the Finite Element Method”, Editora McGraw-Hill, 2ª edição, 1993. [12] J.L. Riverin, E. de Langre, M.J. Pettigrew, Fluctuating forces caused by internal two-phase flow on bends and tees, Elsevier Journal of sound and vibration, June 2006, pp.1087-1098. [13] Thompson, Willian T.; “Teoria da Vibração com aplicações”, Tradução de Cássio Sigaud; Editora Interciência; Rio de Janeiro; 1978. [14] Wachel, J. C., Tison, J. D., “Vibrations in reciprocating machinery and piping systems”, 23rd Turbomachinery Simposium, Texas A&M University, Houston, TX, September, 1994. [15] Yih, T.S., Griffith, P., Unsteady momentum fluxes in two-phase flow and the vibration of nuclear system components, Proceedings of the International Conference on Flow-Induced Vibrations in Reactor System Components, Argonne IL, 1970, Report ANL-7685, pp. 91–111. [16] J.L. Riverin, M.J. Pettigrew, Vibration excitation forces due to two-phase flow in piping elements, Journal of Pressure Vessel Technology, February 2007, vol. 129 / 7. [17] Petalas N., Aziz K., A mechanistic model for multiphase flow in pipes, The 49 th Ann. Tech. Meeting Petroleum Society, 8.10 June, Calgary, Canada, 1998. [18] Taitel Y., Barnea D., Dulker A. E., Modeling flow pattern transitions for steady upward gás-liquid flow in vertical tubes, AIChE J.,26, 345-354, 1980. [19] Mandhane J.M., Gregory G. A., Aziz K., Int. J. Multiphase Flow 1, 537-53.