4º TESTE SUMATIVO DE FILOSOFIA 2011/2012

Prof. Marina Santos
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Grupo I (5 valores: 10x 0,5 val.)
Escolha apenas uma alínea correta para cada questão.
1. A Ética é..a investigação filosófica que responde à questão “Como deveremos viver?”
2. As éticas teleológicas defendem que…a moralidade dos atos deve ser avaliada com base na finalidade ou
consequências destes.
3. As éticas deontológicas defendem que…a moralidade dos atos deve ser avaliada com base no cumprimento
do dever pelo agente.
4. A ética de Stuart Mill é hedonista pois defende que…a moralidade dos atos deve ser avaliada de acordo
com o princípio da maior felicidade.
5. De acordo com Kant, o nosso sentido do dever baseia-se…na razão.
6. Para Kant, uma norma moral só tem validade se…for dotada de universalidade e respeitar a dignidade
humana.
7. Segundo Kant, agir moralmente bem depende… dos motivos do agente.
8. Para Kant, a máxima “Não deves roubar, senão Deus castiga-te” é … uma ação conforme ao dever, pelo
que não tem valor moral.
9. Para Kant, “respeitar os nossos semelhantes para viver em paz é uma ação moral”. A afirmação
é… falsa, pois é conforme ao dever e não por dever e, portanto, não tem valor moral para Kant.
10. “Mentir é errado”. Para os defensores da ética kantiana, esta afirmação é… verdadeira, pois a mentira é
sempre má, pois as regras morais são absolutas e universais.

Grupo II (10 valores: 2 + 2 + 3 + 3 val.)
Tendo em atenção os textos seguintes, responda às questões colocadas.

II.1. Segundo Kant, só as ações ordenadas por um imperativo categórico são moralmente cor-
retas. Porquê?
Um imperativo categórico é uma obrigação absoluta e incondicional de cumprir o dever. O imperativo
categórico diz-nos de forma muito geral: “Deves em qualquer circunstância cumprir o dever pelo dever”.
Tal imperativo exige, isto é, «ordena» que a vontade seja exclusivamente motivada pela Razão e,
portanto, a boa vontade é independente em relação a desejos, interesses e inclinações particulares. Ordena
que uma ação seja realizada «por si mesma», pelo seu valor intrínseco, e «sem qualquer outra finalidade» e
que seja querida por ser «boa em si» e não «como meio para qualquer outra coisa».
Contrariamente aos utilitaristas, a moralidade dos atos não deve depender de condições e circunstâncias
que variam conforme as inclinações, desejos e interesses das pessoas, como um meio para atingir outros fins
(caso dos imperativos hipotéticos). Uma ação moralmente correta é portanto, para Kant, uma ação feita
por dever, que cumpre a lei moral considerando-a um imperativo categórico.

II.2. Resolva o dilema anterior utilizando as formulações do imperativo categórico kantiano.
- Indica como responderia Kant: Uma vez que Maria “promete cumprir a última vontade” do tio, deveria
cumpri-la simplesmente, entregando a fortuna ao “clube de futebol com problemas financeiros”.
- O imperativo categórico tem duas formulações: defende a universalidade e a dignidade humana
 Assim, devemos cumprir sempre e em qualquer circunstância as nossas promessas:
1) Devemos agir apenas segundo uma máxima universalizável, pois “Faz promessas com a intenção de
não as cumprires” não é uma lei que se possa tornar universal;
2) Não deveremos usar outra pessoa como um meio e instrumentalizá-la para obtermos o que
desejamos, pois violaremos o princípio da dignidade humana. Portanto, a pessoa deve constituir um fim
em si mesma.
Concluindo: uma conduta está errada quando se viola intencionalmente algum dos nossos deveres.
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Prof. Marina Santos
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II.3. Classifique as posições de Joaquim e do José no âmbito das teorias da moralidade
estudadas. Justifique.
- Aplica ao caso e explicita os pressupostos das duas escolhas:
José é defensor da ética utilitarista (Stuart Mill), pois considera que é moralmente correto matar um
inocente para salvar muitos outros – a moralidade do ato depende da circunstância em que se encontram e
matar apenas um ou dois inocentes seria um mal menor que causaria menos dor e sofrimentos de que a morte
de todos os aldeões;
Joaquim é um adepto da ética deontológica (Kantiano), pois considera que é moralmente errado matar
inocentes, sempre e em qualquer circunstância – a vida humana é inviolável e uma pessoa não deve ser
instrumentalizada (servir como meio para salvar outras).
- Caracteriza a Ética utilitarista como: consequencialista e hedonista; a moralidade dos atos reside nas suas
consequências; ao avaliarmos as consequências conta a felicidade/prazer/bem-estar; a felicidade de cada
pessoa conta da mesma maneira, o que implica contabilizar e maximizar o bem-estar.
- Caracteriza a Ética deontológica como: uma ética do dever; a moralidade dos atos reside na intenção do
agente; ao avaliarmos o ato só importa se a ação foi motivada por puro dever, a vertente formal e racional; o
imperativo categórico defende a dignidade humana e a universalidade.

Grupo III (5 valores)
III.1. Exponha, por palavras suas, o problema, a tese e os argumentos presentes no texto e
elabore uma opinião pessoal fundamentada sobre este.
Problema: O que é para Kant uma ação moralmente válida?
Tese: É uma ação determinada/motivada por uma vontade puramente racional ou desinteressada.
Argumentos:
1º Introduz a distinção entre os diferentes tipos de ações, de modo a descobrir a validade moral de uma ação
pelo motivo que está na sua origem. Assim, distingue entre três tipos de ações: contrárias ao dever; conformes
ao dever; e realizadas por puro respeito pelo dever.
As ações feitas por dever são ações em que o cumprimento do dever é um fim em si mesmo (cumprir o
dever pelo dever). A vontade que decide agir por dever é a vontade para a qual agir corretamente é o único
motivo na base da sua decisão.
Já as ações em conformidade com o dever não são ações contrárias ao dever (ilegais e imorais). Contudo,
nessas ações, para cumprir o dever, precisamos de razões suplementares. Mais importante do que o
cumprimento do dever é o nosso interesse pessoal.
2º Kant indica a forma que deve orientar a nossa ação: «Deves em qualquer circunstância cumprir o
dever pelo dever», isto é, o sentimento puro de respeito pelo dever deriva de uma intenção pura e
esta só é pura se derivar da vontade boa que segue a Razão.
3º O autor de texto levanta algumas objeções à tese kantiana, contudo não expõe a sua posição.
 Ao defender que a bondade da vontade não depende dos seus resultados, Kant marca a diferença em
relação às éticas consequencialistas. Kant está a dizer isto: o que é decisivo na avaliação moral de um acto
não é o que ele realiza ou o que com ele obtemos. O que é importante do ponto de vista moral é o motivo ou
a intenção subjacente ao ato. Ter uma intenção correta é o que torna uma vontade boa. O fim último da
ação moral é o respeito pelo puro dever pessoa humana, pelo valor absoluto que a sua racionalidade
lhe confere.
- O aluno deverá ainda avaliar o peso dos argumentos em jogo (fortes ou fracos) e colocar objeções; bem
como expor a tese que defende através de argumentos plausíveis e adequados ao problema em causa.