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Cartilha da Cidadania

Direito de Família

Da constituição da família

• O que é FAMÍLIA?
A família, base da sociedade, constitui-se pelos pais e seus descendentes, com
total proteção do Estado, conforme consta no art. 226, § 4° da Constituição
Federal.

• Como se constitui a FAMÍLIA?


A formação da família, através do casamento, exige certos requisitos para sua
constituição e validade, iniciando com a habilitação para o matrimônio, de acordo
com a lei civil e atendendo aos critérios do Direito de Família.

Qualquer pessoa pode habilitar-se ao casamento?


Sim. Qualquer pessoa pode habilitar-se para o
casamento, desde que não haja impedimentos entre os
noivos, impedimentos que estão previstos na lei civil: a
menoridade, a relação de parentesco entre os nubentes, a
falta de autorização dos representantes legais dos noivos,
quando estes forem menores de 21 anos etc.

Onde é feita a habilitação para o casamento?


No Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais do local de
residência de um dos nubentes. O oficial do registro civil dá a certidão de
que se acham os interessados habilitados para se casarem. Depois, este
oficial manda afixar os proclamas de casamento em lugar de fácil acesso
de seu cartório e fará publicar, através da imprensa local, para
conhecimento público. Se, no prazo de 15 dias, contados da fixação dos
editais, não aparecer quem apresente impedimento, o oficial entregará
aos nubentes a certidão de que estão habilitados ao casamento no prazo
previsto em lei.

Os proclamas poderão ser dispensados nos casos previstos em


lei, quando os nubentes deverão formalizar ao juiz os motivos de urgência
do casamento, provando, de imediato, com os documentos necessários
para a demonstração do alegado.

Qual a idade mínima para o casamento?


Para a realização do casamento, é necessário que o homem
tenha, no mínimo, 18 anos, e a mulher, 16 anos. Porém, como são
menores de 21 anos, precisam do consentimento de seus pais, tutores ou
representantes legais. No caso de recusa de seus representantes, o juiz
poderá suprir o consentimento se considerar irrelevantes os motivos que
levaram os representantes dos nubentes a não autorizarem o casamento.
E se houver um motivo relevante para que haja o
casamento?
Havendo ainda motivo relevante, como a gravidez para a mulher
ou para evitar o cumprimento de pena por crime de sedução ou estupro
em relação ao homem, o casamento poderá ocorrer mesmo que a idade
seja inferior a 18 ou 16 anos. Nesse caso, há necessidade do suprimento
judicial de idade, após pedido feito perante a autoridade judicial
competente.

Que motivos impedem o casamento civil?


Impedimentos proibitivos ao casamento civil: os viúvos ou viúvas
que tiverem filhos do cônjuge falecido, enquanto não fizerem inventário
dos bens e não derem partilha aos herdeiros, estão impedidos de casar,
ou, se o fizerem, deverá ser através do regime de separação de bens.

Também a viúva ou mulher que teve casamento nulo, anulado ou


dissolução de sociedade conjugal, pelo período de 10 meses (salvo se
antes desse prazo der à luz), não poderá casar-se. Este impedimento
ocorre sara se evitar erro quanto à paternidade.

O que significa "Regime de Bens" no casamento?


É o estatuto que regula os interesses patrimoniais dos cônjuges
(marido e mulher) durante o matrimônio. Na legislação brasileira, os
regimes de bens são os seguintes: comunhão universal - é constituído
pela união dos bens móveis e imóveis, presentes e futuros, de ambos os
cônjuges, formando um só patrimônio que passa a pertencer ao casal na
mesma proporção, ou seja, cinqüenta por cento (50%) para cada cônjuge.
Na adoção deste regime de bens, é necessário o pacto antenupcial, sem
o qual prevalecerá o regime de comunhão parcial de bens. Comunhão
parcial de bens - constitui-se pela união de bens móveis e imóveis,
adquiridos após o casamento, formando um só patrimônio, sendo
cinqüenta por cento de cada cônjuge. Os bens adquiridos antes do
casamento, por herança ou doação, adquiridos a qualquer tempo, não se
comunicam. E o regime comum, adotado no casamento, quando os
nubentes não manifestam desejo em eleger outro. Separação de bens -
constitui-se pela incomunicabilidade dos bens presentes e futuros. Mesmo
casados, cada cônjuge continua dono exclusivo do que é seu, podendo
dispor de seus bens como o desejar. Para adotar-se tal regime, é
necessário o pacto antenupcial, sem o qual prevalecerá o regime da
comunhão parcial de bens.
Como acontece a extinção da sociedade conjugal?
A sociedade conjugal se extingue com a morte de um dos
cônjuges, pela nulidade ou anulação do casamento, pela separação
judicial ou pelo divórcio.

A separação judicial é requerida em juízo, através de procurador


(advogado), por apenas um dos cônjuges ou por ambos, dependendo se
for litigiosa ou consensual. Quando a separação for litigiosa, o cônjuge
que a requerer deverá provar os motivos que importem em violação do
casamento, podendo ser conduta desonrosa ou outro qualquer ato que
demonstre violação dos deveres do casamento e que torne insuportável a
vida em comum. Quando a separação for consensual, faz-se necessário
que o casamento tenha ocorrido, no mínimo, há dois anos.

De que circunstancias decorre o divórcio?


O divórcio poderá ser requerido nas seguintes circunstancias: 1 -
por um ou ambos os cônjuges (através de advogado), se os mesmos se
encontrarem separados de corpos (de fato) há mais de dois anos. É o que
se chama de divórcio direto; 2 - por um ou ambos os cônjuges após um
ano da separação judicial. É a conversão da separação judicial em
divórcio
Qual a diferença entre separação judicial e divórcio?
A separação judicial (antigo desquite), tem como resultado a
separação de corpos. Ela põe fim à sociedade conjugal, aos deveres de
fidelidade recíproca, ao regime de bens e à assistência mútua.

O divórcio, além de extinguir a sociedade conjugal, põe fim ao


casamento, e os cônjuges, quando divorciados, poderão contrair novas
núpcias.

Ao promoverem o divórcio ou a separação, o casal deve dispor


sobre a proteção da pessoa dos filhos, decidindo com quem deve ficar a
guarda dos mesmos, primar pela manutenção deles de forma a prestarem
assistência alimentar e educacional. Quando a separação ou divórcio
ocorrer por culpa exclusiva de um dos cônjuges, os filhos menores ficarão
com o cônjuge que a ela não tiver dado causa; se ambos os cônjuges
forem responsáveis pela separação ou divórcio, tem preferência a mãe e,
verificando o juiz que ambos os cônjuges não têm condições para
permanecer com os filhos, o juiz poderá determinar que a guarda seja
concedida a pessoa notoriamente idônea, da família de qualquer dos
cônjuges.

Por ocasião da separação ou divórcio, o cônjuge que for


responsável prestará ao outro, se dela necessitar, a pensão alimentícia
que o juiz fixar; quando a ruptura da vida em comum ocorrer por mútuo
consentimento, o casal poderá ainda dispor do percentual ao seu livre
arbítrio. O não20pagamento da pensão alimentícia, seja de um cônjuge
ao outro, seja dos cônjuges aos filhos, quando não cumprida, ensejará
prisão civil a ser requerida pelo beneficiário da mesma.

Quanto aos bens do casal, em caso de separação judicial ou de


divórcio, se for litigiosa, a partilha dos bens ocorrerá de conformidade com
o regime de bens adotado pelos cônjuges.

O que é família natural?


É a família natural privilegiada na Constituição Federal e aludida
no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90).

Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais


ou qualquer deles e seus descendentes; é aquela família constituída na
consangüinidade, não havendo necessidade de casamento dos pais,
também chamada de entidade familiar. A entidade familiar é a união de
homem e mulher, sem vinculo jurídico de casamento, porém, vivendo sob
o mesmo teto com a aparência de casamento. Atualmente, a Lei n9
9.278/96 regula a entidade familiar e a define como "a convivência
duradoura, pública e contínua, de um homem e uma mulher, estabelecida
com objetivo de constituição de família".

Atribui como direitos e deveres o respeito e as considerações


mútuas, a assistência moral e material recíproca, a guarda, sustento e
educação dos filhos. Admite também a aludida lei que os conviventes
poderão regular seus direitos e deveres por meio de contrato escrito,
tendo em conta os princípios gerais de direito.

Estende ainda a Lei n° 9.278/96 proteção aos bens adquiridos


durante a convivência, se comprovada a aquisição como fruto do trabalho
e colaboração dos dois; o direito real de habitação no imóvel destinado à
residência da família, ao sobrevivente, quando a sociedade se dissolver
por morte de um dos conviventes, enquanto este viver ou enquanto não
constituir nova união ou casamento; admite, ainda, sem qualquer objeção,
a assistência material entre os conviventes que necessitarem de
alimentos, quando a união estável for rescindida.

A entidade familiar também pode ter existência sem a presença de


um dos pais (pai ou mãe) ou de seus descendentes, mas, quando
constituída através da união estável, declara a Constituição (art. 226, §
3°) que a lei deve facilitar a sua conversão em casamento.

O que significa o "Pátrio-Poder" e a proteção aos filhos?


Pátrio-poder é o direito que os pais exercem sobre os filhos
legítimos, legitimados, legalmente reconhecidos e adotivos, enquanto
menores.

O pátrio-poder se extingue pela maioridade, pela emancipação do


menor, pelo casamento deste ou quando proposta em juízo ação pedindo
a destituição ou a suspensão do representante legal que detém o pátrio-
poder.

Não existe distinção de direitos entre filhos de qualquer natureza


ou espécie de filiação, desde que reconhecidos perante a lei. O
reconhecimento de filho é feito através de seu registro de nascimento, no
Cartório de Registro Civil da localidade onde ocorreu o nascimento.

A inscrição no registro civil de nascimento é feita pelo pai ou pela


mãe, no prazo de quinze dias, contados do nascimento; quando feito
exclusivamente pela mãe, e havendo recusa do pai neste ato, a mulher
deverá informar ao oficial de registro civil o nome do suposto pai, e este
encaminhará ao juiz competente a informação. O juiz determinará o
comparecimento do suposto pai à sua presença e, se este reconhecer a
paternidade, determinará ao oficial para que proceda ao assento de
nascimento de forma usual. Se houver recusa ou dúvida quanto ao
reconhecimento, a mulher, representando seu filho, deverá promover
ação de investigação de paternidade.

Na falta dos genitores, qualquer parente pode registrar o


nascimento, através de documento probante. Se houver recusa do oficial
de registro civil para a inscrição do nascimento, este deverá ser pleiteado
em juízo, através de procurador habilitado (advogado).
Quando se faz a nomeação de tutor?
Quando ocorrer a perda do pátrio-poder ou quando os pais
estiverem ausentes, há necessidade de nomeação de tutor ao menor A
tutela é, pois, a nomeação de um representante ao menor. O direto de
nomear tutor cabe ao pai a mãe, ao avô paterno ou avô materno.

Podem exercer a tutela os parentes consangüíneos do menor ou


seja, os avós paternos, maternos, irmãos, tios etc. Na ausência de
parentes, o juiz nomear tutor pessoa idônea estanha, para exercer a
tutela mediante compromisso.

Compete ao tutor administrar os bens do tutelado, difigir-lhe a


educação, alimentá-lo até atingir a maioridade.

Além da tutela, há ainda o instituto da curatela, que a condição


sob a qual são postos os loucos de todos os gêneros, os surdos-mudos
que não souberem expressar suas vontades e os pródigos (aqueles que
esbanjam o seu patrimônio após terem sido interditados.

A interdição é a decisão declaratória decretada pelo juiz, no


sentido de privar alguém de exercer civilmente sua pessoa e seus bens.
Podem requerer a interdição o pai a mãe, o tutor o cônjuge, algum
parente próximo e o Ministério Público.

A nomeação do curador atende aos mesmos princípios do tutor


competindo administrar-he os bens, dirigir-lhe a educação, tratar
adequadamente da sua saúde e, se este tiver filhos, o seu encargo se
estenderá a pessoa dos filhos do curatelado.

O que se entende por ALIMENTOS?


Alimentos é o auxílio que os parentes devem prestar entre si em
caso de incapacidade para conseguir os meios indispensáveis à sua
subsistência.

Os alimentos serão prestados dentro das condições de quem os


paga, e atendendo às necessidades de quem os recebe; quando o
devedor dos alimentos deixa de pagá-los, o credor dos alimentos poderá
requerer a prisão do devedor por até três meses.

Estão obrigados a prestar alimentos os parentes na seguinte


ordem:

- pais e filhos,
- os ascendentes,
- os descendentes,
- irmãos bilaterais e unilaterais,
- cônjuges entre si (pelo fato do
casamento),
- conviventes entre si (por força da Lei nº
9.278/96).