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AS INFLUÊNCIAS DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO ENSINO DE ARTE

Para compreender que, por trás de cada atividade de arte experimentada na escola, existe uma fundamentação teórica, artística e estética, impregnada de ideologia, e que essa experimentação foi gerada em um determinado tempo e em um contexto cultural e social. Para ajudar nessa reflexão, veremos quais as concepções artísticas subjacentes à pedagogia tradicional, à pedagogia renovada, à pedagogia tecnicista e à proposta triangular no ensino de arte.

A partir de uma visão HISTÓRICA DO ENSINO DE ARTE NO BRASIL refletiremos a trajetória das tendências do ensino-aprendizagem de Arte no ambiente escolar:

. Na Pedagogia tradicional O processo de elaboração de conhecimento é proposto com base de pensamento na teoria da “cópia” do natural e na adoção de um padrão de beleza que consiste, sobretudo, em oferecer aos alunos produtos artísticos que se assemelham com as coisas e com os seres do seu mundo. Nas aulas de Arte, o professor propõe reproduções de modelos, para serem fixados pela repetição, buscando sempre o aprimoramento e a destreza motora, a ênfase na linha, no contorno e no traçado, este conteúdo reprodutivista, com a preocupação fundamental no produto do trabalho escolar, supondo que assim educados, os alunos vão saber depois de aplicar esse conhecimento. Essa tendência esteve presente nas aulas de Arte das escolas brasileiras, desde o século XIX, até os anos 70 do século XX.

A título de ilustração, podemos verificar na obra de J. F. de Almeida Junior, características dessa pedagogia tradicional.

de ilustração, podemos verificar na obra de J. F. de Almeida Junior, características dessa pedagogia tradicional.

. Na Pedagogia renovada (escola nova) baseia-se na expressão e na liberdade criadora do aluno, levando em consideração seus interesses, motivações, iniciativas e as necessidades individuais, sendo necessário que não haja a intervenção do adulto (o professor), o qual prepara um individuo mais criativo e crítico para viver na sociedade. Nessa abordagem, o processo é fundamental, mas o produto não interessa esse modo de concepção do ensino de arte, ocorreu em vários espaços educativos extra-escolares, logo se mostrou incompreendida. Esta tendência levou muitos professores a extremos, em que tudo era permitido, e a ideia do “deixar fazer” fez com que a aprendizagem em arte pouco evoluísse no que se refere à estruturação dos conteúdos internos mobilizadores. Houve reflexos no Brasil a partir dos anos 30 sob as influências da Semana de Arte Moderna de 1922, com pouca reverberação nas escolas públicas e centrada apenas, em planos pilotos de educação.

A título de ilustração, podemos verificar na obra de Tarsila do Amaral, características dessa pedagogia renovada.

do Amaral, características dessa pedagogia renovada. . Na Pedagogia tecnicista – Busca-se preparar

. Na Pedagogia tecnicista Busca-se preparar profissionais competentes para atender ao mundo tecnológico em expansão, o professor considerado um “técnico” responsável por um competente planejamento dos cursos escolares, visando adequar o comportamento do aluno ás normas da escola. Nesse sentido a LDB 5692/71 introduz a Educação Artística no currículo escolar de 1º e 2º graus. Os professores que atuavam de acordo com a sua especialização (em uma das linguagens da arte), viram seus saberes serem transformados em atividades artísticas indefinidas e passam a se apoiar nos livros didáticos com inúmeras propostas de trabalhos criativos, sem maiores compromissos com o conhecimento de arte.

A título de ilustração, podemos verificar nesta atividade extraída de um site educativo, a característica dessa pedagogia tecnicista, difundida nas escolas brasileiras, por volta dos anos 60 e 70 do século XX.

gimenes-gentequeduca.blogspot.com acesso em 14/02/2011 . Na Proposta triangular – surge uma abordagem que ficou

gimenes-gentequeduca.blogspot.com

acesso em 14/02/2011

. Na Proposta triangular surge uma abordagem que ficou conhecida, como

metodologia triangular, a qual foi introduzida pela pesquisadora Ana Mae Barbosa, por meio do seus estudos sobre as experiências de ensino- aprendizagem da Arte no México, na Inglaterra e nos Estados Unidos, os quais objetivavam a recuperação dos padrões de arte tradicionais, o aprimoramento

da produção artística e por fim o incentivo à expressão individual e criativa.

A partir dessa aprendizagem em Arte, espera-se construir uma sociedade

artisticamente desenvolvida, capaz de entender e valorizar a produção cultural

e beneficiar-se dela. A referida proposta passou a embasar os Parâmetros Curriculares Nacionais e, está apoiada em três vértices:

.

Fazer artístico (produção);

.

Fruição (leitura e apreciação da obra);

.

Contextualização (reflexão sobre a arte como objeto sociocultural e histórico).

A título de ilustração, podemos verificar neste triângulo esquemático, como

ocorre à proposta triangular no ensino de arte, que em 1996 de acordo com a

nova LDB 9394/96 define Arte como componente curricular obrigatório, a ser trabalhado por meio das quatro linguagens: artes visuais, dança, música e

teatro.

FRUIÇÃO

PRODUÇÃO

FRUIÇÃO PRODUÇÃO CONTEXTUALIZAÇÃO O ensino de Arte nas escolas partindo da Educação Infantil passando pelo Ensino

CONTEXTUALIZAÇÃO

O ensino de Arte nas escolas partindo da Educação Infantil passando pelo

Ensino Fundamental e chegando ao Ensino Médio, precisa seguir as sugestões dadas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais como também para além deles, sem negligenciar o repertório cultural dos alunos. Cabe ao professor entender a arte como linguagem que pode ser aprendida,

decodificada, experimentada e contextualizada, desse modo levar o educando

a refletir sobre as experiências propostas na escola, as quais os permitem questionar o mundo à sua volta e desse modo exercer sua cidadania.

BIBLIOGRAFIA

Parâmetros curriculares Nacionais Arte (1º,2º,3º e 4°) , MEC/SEF,

1998.

FERRAZ, Maria Heloisa Corrêa de Toledo; FUSARI, Maria F. de Rezende, METODOLOGIA DO ENSINO DE ARTE São Paulo: Cortez, 1993

FERRAZ, Maria Heloisa Corrêa de Toledo; FUSARI, Maria F. de Rezende, ARTE NA EDUCAÇÃO ESCOLAR São Paulo: Cortez, 1993