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GESTÃO ESCOLAR E A PRÁTICA DOCENTE

OLIVEIRA¹, Adriana T. Miranda – FAPE2


MARQUES², Silvana A. – FAPE2

Introdução

As mudanças na organização escolar introduzidas a partir das reformas educacionais,


desde 1990, desencadearam uma série de novas situações no cotidiano escolar. Tais mudanças
afetaram inclusive o exercício da profissão docente. As exigências são maiores, os papéis
mais difusos, mais diversificadas as estratégias de ensino e de avaliação.
Manifesta-se a preocupação dos profissionais docentes com relação à qualidade da
educação, com o reconhecimento da intensificação do trabalho e da precariedade financeira e,
ainda, com a própria formação continuada. Os professores encontram-se acumulados de
atribuições, excedente em hora e jornada de trabalho e, se vêem obrigados a dedicar mais
tempo do que aquele pelo qual recebem os seus salários. As condições de trabalho alteram-se
pouco, deixando-os cada vez mais expostos à crítica e, ao mesmo tempo, responsabilizando-se
pelos males que atingem a escola.
Existem grandes lacunas que estão cada vez mais precisando ser revistas e inovadas,
mas um dos problemas que se faz relevante é uma reflexão sobre as práticas dos educadores.

Palavras-chave: Formação continuada, prática docente, gestão escolar.

Estamos num período de transição da identidade social devido a diversas


transformações que o mundo contemporâneo vem sofrendo ao longo do tempo. No entanto, o
conceito de educação, suas teorias e suas práticas pedagógicas parecem estar estagnadas ou
perdidas em meio a este processo. Nesse sentido, se faz necessário que os atores deste
processo se mobilizem e comecem uma reflexão profunda em diversos setores da educação.
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¹Graduanda do Curso de Pedagogia da FAPE2
²Graduanda do Curso de Pedagogia da FAPE2
Atualmente, alguns professores encontram-se perdidos, sem um norte adequado para
direcionar suas práticas. A função da educação perdeu o sentido, não se estabelece uma
formação do profissional docente, crítica e construtiva para as novas competências, daí o risco
do caos.
Outro agravante diz respeito à desorganização da escola atual. Rompeu-se a hierarquia
rígida presente na escola de dez anos atrás, porém, gerou-se um sentimento de perda em
relação à identificação dos papéis ora desempenhados. Os professores atualmente
desconhecem a quem recorrer em determinadas situações, isso gera um sentimento de relativa
autonomia e auto-responsabilização, ao mesmo tempo, desconforto e abandono por se
sentirem sozinhos. Gera-se a insatisfação no que se refere às normas e ordens emanadas dos
gestores dos sistemas de ensino, que são consideradas distantes do contexto escolares e
restritivas ao exercício da autonomia.
Com isso, muitos profissionais docentes não procuram mudar suas práticas e
permanecem desempenhando um papel de autoritarista e transmissores, reprodutores da
cultura, sem reflexão e atitude suficiente para fazer de seus alunos, pessoas críticas, reflexivas
e ativas para atuar na sociedade.
No que diz respeito à formação inicial, os cursos são demasiadamente teóricos, e
muitos professores não fazem uso da teoria em suas práticas. Improvisam diante de situações
que deveriam ser planejadas com o uso do seu conhecimento teórico, mas, não é o que
acontece na grande maioria. O professor geralmente se sente incapaz e frustrado diante de
certos problemas em sala de aula.
Assim, de acordo com seus ideais, valores e afetividade eles conduzem a situação,
colocam todo o conhecimento já adquirido na sua formação inicial em cheque, prevalecendo o
senso comum para solução de problemas dentro de sala. A capacitação não é feita de maneira
suficiente para ampliar seus conhecimentos, não levam em consideração a rapidez com que as
coisas estão mudando e, permanecem em suas convicções, conceitos que muitas vezes estão
ultrapassados.
A valorização e as condições de trabalho não facilitam este processo. Os professores
são desunidos e procuram se isentar de problemas que só unidos poderiam ser solucionados,
como por exemplo, as péssimas condições de trabalho e de remuneração, que desanima a
procura e o engajamento nesta profissão e, os que já são profissionais, não se valorizam para
cobrar da sociedade mais respeito.
Frente estas situações, a saúde do trabalhador docente fica debilitada, é alto o índice de
afastamento por estresse, uma vez que esses profissionais estão se auto-responsabilizando
pelas falhas ocorridas na escolarização de seus alunos e por outros problemas que surgem na
escola. O tempo destinado ao lazer e descanso e o espaço para criação ficam comprometidos,
o que reforça cada vez mais a ideia de "homem-máquina". Os professores estão enfrentando
individualmente problemas referentes à indisciplina, uso de drogas, problemas sociais,
violência dos alunos, dificuldade de aprendizagem e não estão preparados para lidar com estas
situações.
Nessa perspectiva, algumas questões que Luckesi trata em seu artigo “Subsídios para
a Organização do trabalho Docente” se faz presente e necessária para um trabalho docente
inovador, competente e comprometido com as novas exigências da sociedade atual. Uma ação
organizada precisa ter clareza e objetivos, portanto devem ser resgatados alguns sentidos da
ação educativa, como os fins políticos e educativos da docência.
O fim político da prática do educador significa assumir um trabalho que implica a
construção do processo democrático da sociedade, trabalhando para que, não só, o sujeito
tenha acesso à educação, mas que também permaneça no processo.
No que se refere aos fins educativos, a atuação do docente deve ter como objetivo o
desenvolvimento e independência do educando, para que ele possa viver democraticamente
em sociedade. Para que o processo de independência ocorra, é preciso que a assimilação do
conteúdo sócio-cultural produzido pela humanidade seja ativa, dessa forma, o sujeito
desenvolve e faz uso social do aprendizado.
Diante desses objetivos, para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra, faz-se
necessário que a relação professor/aluno, permeada pela interação, seja coerente com a
posição que cada um ocupa no contexto histórico e social, sem extremismos das partes, ou
seja, uma relação amistosa e permeada de respeito entre os atores.
O professor deverá ter como objetivo principal investir na sua formação docente de
maneira contínua e trabalhar de acordo com os princípios delineados para sua profissão, sem
fugas e sem neutralidade no seu ato educativo. As práticas devem ser repensadas e
reconstruídas de acordo com as novas mudanças, encolhendo aos poucos a distância que foi
criada entre a realidade social e a escola. A escola deve ser lugar de diálogo, aproximação e
compreensão de uma realidade onde se fala em inclusão e exclusão de diferentes, que se deve
sempre respeitar a identidade e a subjetividade de cada indivíduo.
Finalizando, emerge colocar em prática novas experiências para que possamos
organizar tudo que conhecemos e adaptarmos às novas exigências requeridas. Mudando o
rumo das perspectivas educacionais, compreendendo o processo das mudanças históricas e
aderindo as transformações como parte do processo.
Bibliografia

LUCKESI, Cipriano Carlos. Subsídios para a organização do trabalho docente.


DUARTE, Adriana; AUGUSTO, Maria Helena. O trabalho docente e a mudança
organizacional da escola: O potencial do professor
CARDOSO, Evandra. A sociedade contemporânea e as práticas educativas: Uma análise da
subjetividade docente.