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7.º ano de escolaridade

Português 3.º teste de avaliação escrita (março de 2014)

GRUPO I

TEXTO A

Lê o texto seguinte com atenção.

O gato grande, preto e gordo estava a apanhar sol na varanda, ronronando e meditando

acerca de como se estava bem ali, recebendo os cálidos 1 raios de barriga para cima, com as quatro patas muito encolhidas e o rabo estendido.

No preciso momento em que rodava preguiçosamente o corpo para que o sol lhe aquecesse

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o lombo ouviu um zumbido provocado por um objeto voador que não foi capaz de identificar e que se aproximava a grande velocidade. Atento, deu um salto, pôs-se de pé nas quatro patas e mal conseguiu atirar-se para o lado para se esquivar à gaivota que caiu na varanda. Era uma ave muito suja. Tinha todo o corpo impregnado de uma substância escura e malcheirosa.

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Zorbas aproximou-se e a gaivota tentou pôr-se de pé arrastando as asas.

─ Não foi uma aterragem muito elegante. ─ miou.

─ Desculpa. Não pude evitar ─ reconheceu a gaivota.

Olha lá, tens um aspeto desgraçado. Que é isso que tens no corpo? E que mal cheiras! ─ miou Zorbas.

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Fui apanhada por uma maré negra. A peste negra. A maldição dos mares. Vou morrer ─

grasnou a gaivota num queixume.

Morrer? Não digas isso. Estás cansada e suja. Só isso. Porque é que não voas até ao jardim

zoológico? Não é longe daqui e lá há veterinários que te poderão ajudar ─ miou Zorbas.

Não posso. Foi o meu voo final ─ grasnou a gaivota numa voz quase inaudível, e fechou os

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olhos.

Não morras! Descansa um pouco e verás que recuperas. Tens fome? Trago-te um pouco da

minha comida, mas não morras ─ pediu Zorbas, aproximando-se da desfalecida gaivota. Vencendo a repugnância, o gato lambeu-lhe a cabeça. Aquela substância que a cobria, além do mais, sabia horrivelmente. Ao passar-lhe a língua pelo pescoço notou que a respiração da ave se

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tornava cada vez mais fraca.

Olha, amiga, quero ajudar-te mas não sei como. Procura descansar enquanto vou pedir

conselho sobre o que se deve fazer com uma gaivota doente ─ miou Zorbas, preparando-se para trepar ao telhado.

Ia a afastar-se na direção do castanheiro quando ouviu a gaivota a chamá-lo.

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─ Queres que te deixe um pouco da minha comida? ─ sugeriu ele algo aliviado.

─ Vou pôr um ovo. Com as últimas forças que me restam vou pôr um ovo. Amigo gato, vê-se

que és um animal bom e de nobres sentimentos. Por isso, vou pedir-te que me faças três promessas. Fazes? ─ grasnou ela, sacudindo desajeitadamente as patas numa tentativa falhada de se pôr de pé. Zorbas pensou que a pobre gaivota estava a delirar e que com um pássaro em estado tão

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lastimoso ninguém podia de deixar de ser generoso.

─ Prometo-te o que quiseres. Mas agora descansa ─ miou ele compassivo.

in Luis Sepúlveda, História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar. Porto Editora.

1 quentes

Responde, corretamente, às perguntas seguintes:

1. Kengah foi cair na varanda da casa dos donos de Zorbas. (3%) Responde às perguntas seguintes indicando na folha de teste a opção mais correta:

a) Que acontecimento que originou a sua queda? a1 – Kengah tinha sido apanhada por uma maré negra quando pescava no Mar do Norte. a2 – Kengah tinha visto uma maré negra quando pescava no Mar do Norte. a3 – Kengah tinha sido apanhada por uma maré negra quando voava no Mar do Norte.

b) A que se refere o narrador quando fala de uma “substância escura e malcheirosa” (l. 8-9)? b1 – O narrador refere-se a restos de petróleo que cobriam as sua penas. b2 – O narrador refere-se ao petróleo que cobria o seu corpo. b3 – O narrador refere-se ao petróleo, à areia e a restos de peixe que cobriam o seu corpo.

c) Recorrendo ao conhecimento que tens da obra, diz por que motivo estava Zorbas sozinho em casa? c1 – Zorbas estava sozinho porque os seus donos tinham ido pescar. c2 – Zorbas estava sozinho porque os seus donos tinham ido quatro semanas de férias. c3 – Zorbas estava sozinho porque os seus donos tinham ido um mês e meio de férias.

2. Como reagiu o gato quando se apercebeu do estado da gaivota? (4%)

3. A pensar no salvamento da gaivota, que lhe sugeriu o gato e porquê? (3%)

4. Transcreve três expressões do texto que caracterizem a gaivota (indicando as linhas). (3%)

5. Por que razão confiou a gaivota naquele gato desconhecido? (4%)

6. «Prometo-te o que quiseres. Mas agora descansa ─ miou ele compassivo.» (l. 36) Tendo em conta a leitura que fizeste da obra, refere as promessas que Zorbas fez à gaivota. (3%)

7. Caracteriza o gato Zorbas, tendo em conta este excerto. (4%)

8. Nesta obra fala-se da irresponsabilidade e da falta de sensibilidade dos homens, que colocam a natureza em perigo devido à sua ganância e egoísmo. Comenta esta afirmação, tendo em conta a leitura que fizeste do livro de Luis Sepúlveda (5%).

9. História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, de Luís Sepúlveda, é uma história cujas personagens são animais que falam e têm características e sentimentos próprios das pessoas. Por isso, recurso expressivo dominante é, sem dúvida, a personificação.

Nas expressões seguintes, descobre outros recursos expressivos: (7%)

a) “Cento e vinte corpos perfuraram a água como setas (…)”

b) “Seriam então umas mil gaivotas que, como uma nuvem cor de prata, iriam aumentando com a incorporação (…)” (I.1)

c) “…ainda lhe mantinha sempre limpo o caixote de areia onde aliviava o corpo…”

d) “…ao exalar o último suspiro, um pequeno ovo branco (…) rolou junto do seu corpo.”

e) “En-ci-clo-pé-dia.” [Vamos consultar] “o livro do saber.”

f) “Mas Zorbas, que naquela altura era assim como uma bolinha de carvão, saiu do cesto.”

g) “…compreendeu que a maldição dos mares lhe obscurecia a visão.”

TEXTO B

Lê o texto B com atenção.

(…) Recomposto da surpresa não foi capaz de reprimir o riso e, quando se dobrou apertando a barriga de tanto rir, Zorbas aproveitou para se introduzir no interior da casa. Quando o humano, ainda morto de riso, se virou, deu com o gato grande, preto e gordo sentado num cadeirão.

- Basta de concerto! És um sedutor muito original, mas receio que a Bubulina não goste da tua música. Um concerto ruim! Disse o humano.

- Sei que canto muito mal. Ninguém é perfeito – respondeu Zorbas na linguagem dos humanos.

O humano abriu a boca, deu uma palmada na cara e encostou as costas a uma parede.

-

Tu fa… fa… falas – exclamou o humano.

-

Também tu falas e eu não estranho. Por favor, acalma-te – aconselhou-lhe Zorbas.

-

Um… um ga… gato… que fala – disse o humano deixando-se cair no sofá.

-

Não falo, mio, mas na tua língua. Sei miar em muitas línguas – esclareceu Zorbas.

O

humano levou as mãos à cabeça e tapou os olhos, enquanto repetia «é do cansaço, é do

cansaço». Ao retirar as mãos, o gato grande, preto e gordo continuava no cadeirão.

- São alucinações( 1 ). Não é verdade que és uma alucinação? Perguntou o humano.

- Não, sou um gato de verdade que está a miar contigo – garantiu-lhe Zorbas. – Entre muitos

humanos, nós, os gatos do porto, escolhemos-te a ti para te confiarmos um grande problema, e para

nos ajudares. Não estás louco. Eu sou real. (…)

-

Então posso ir ao que interessa – propôs Zorbas.

O

humano concordou, mas pediu-lhe que respeitasse o ritual da conversa dos humanos. Serviu

ao gato um prato de leite, e ele acomodou-se no sofá com um copo de conhaque nas mãos.

- Mia, gato – disse o humano, e Zorbas contou-lhe a história da gaivota, do ovo, de Ditosa e dos infrutíferos( 2 ) esforços dos gatos para a ensinarem a voar.

- Podes ajudar-nos? – quis saber Zorbas quando terminou o seu relato.

- Acho que sim. Esta noite mesmo – respondeu o humano.

in Luis Sepúlveda, História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar. Porto Editora.

VOCABULÁRIO:

(1) alucinação ilusão, delírio, ver coisas que não são reais; (2) infrutífero – que não dá frutos/resultados.

Responde às perguntas sobre o texto B, tendo também em conta o que conheces da história.

10. Por que motivo fica o humano muito espantado e julga que tem alucinações? (3%)

11. “…nós, os gatos do porto…” (3%)

a) A que porto se refere Zorbas.

b) Identifica os quatro gatos que eram seus amigos.

12. Zorbas diz: «escolhemos-te a ti para te confiarmos um grande problema, e para nos ajudares.» No que consiste o problema? (4%)

13. Caracteriza o humano. (4%)

GRUPO II – GRAMÁTICA

14. “O humano concordou, mas pediu-lhe que respeitasse o ritual da conversa dos humanos. Serviu ao gato um prato de leite, e ele acomodou-se no sofá com um copo de conhaque nas

mãos.” (6%)

a) Identifica os nomes comuns contáveis presentes nestas duas frases.

b) Identifica dois nomes comuns não contáveis nas mesmas frases.

15. Transforma as duas frases de cada alínea numa só, evitando repetições e utilizando um determinante relativo, como no exemplo seguinte: (6%)

O gato saiu do buraco. A entrada do buraco era estreita. O gato saiu do buraco cuja entrada era estreita

a) Zorbas ficou na casa. Os donos da casa saíram.

b) Ele irá ajudar uma gaivota. A vida da gaivota correu-lhe mal.

c) Bubulina era uma gata. O dono da gata era poeta.

16. “O humano levou as mãos à cabeça…” (4%)

a) Identifica a função sintática de cada uma das partes sublinhadas na frase.

b) Reescreve a frase substituindo “as mãos” por um pronome pessoal.

17. Nas frases seguintes, diz qual a função sintática das expressões sublinhadas: (9%)

a) Ele ouviu tudo em silêncio.

b) Zorbas, anda cá. Hoje, vamos ler um livro.

c) O livro é muito interessante.

d) Zorbas cuidou da Ditosa.

e) Secretário falou ao Colonello.

GRUPO III – EXPRESSÃO ESCRITA (25%)

Ternura, carinho, amizade, preocupação… Zorbas preocupa-se com a gaivotinha, procurando defendê-la de todos os perigos. Ditosa trata Zorbas por “mamã” e não o quer abandonar.

Inspirado na História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, redige uma pequena história que se tenha passado contigo em que o tema seja a amizade. (100 a 150 palavras)

Não te esqueças de situar a ação no tempo e no espaço.

Procura respeitar a tipologia de texto, a organização das ideias, a divisão em parágrafos, a sintaxe, a ortografia e as regras de apresentação da expressão escrita.

Bom trabalho !