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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

FACULDADE DE LETRAS

AMANDA MOREIRA PRIMO

ELIZABETH MORENA DO NASCIMENTO

LITERATURA LATINA

Goiânia
2009
INTRODUÇÃO

A construção desse trabalho consiste em apresentar de maneira sucinta


a história da literatura romana, nessa perspectiva fazemos menção a origem da
literatura latina, e os seus principais autores, usando da auctorita, trabalhamos
com a fábula “A raposa e as uvas” de Fedro e de Millôr Fernandes.
Fazemos menção também do período de decadência dessa literatura e
outras temáticas inseridas no corpo desse trabalho.
Já que esse trabalho objetiva a pesquisa da literatura latina (mesmo que
de maneira sucinta.) é válido ressaltar que a mesma foi e continua sendo
importante, não só no âmbito de pesquisa, mas em todas as vertentes. Mesmo
sendo esta uma literatura que tem sua origem nas raízes da literatura grega,
manteve-se no patamar da originalidade e com características próprias:
“Quer seja latina ou romana, tem esta literatura caracteres próprios e
inconfundíveis que a distinguem de todas as demais. O caráter principal, o
mais importante, mais claro, e que encontraremos sempre nas manifestações
desta literatura, é a unidade.” ( p.7.)
Através de tal fragmento é possível conceber a importância única da
literatura romana e a nível de analogia não percamos a noção de que a
característica fundamental da literatura latina é mostrar a unificação de Roma.
O latino vê a cidade, em contraste com o grego que vê o homem. Essa é
uma informação isolada, contudo a leitura desse trabalho permite-nos adentrar
ao mundo das escritas dos antigos habitantes do Lácio, seguindo o curso
histórico das conquistas de Roma. E sem mais delongas tenha uma boa leitura.
1 LITERATURA LATINA

Literário é o latim que, de modo geral, se documenta por escrito, com


ou sem preocupações estéticas; ele apareceu como latim arcaico, cartorial,
clássico decadente, etc.
Desde o século VIII, o latim culto apagou-se como língua falada, mas
se manteve e até se desenvolveu como língua dos eruditos e oradores sacros,
sempre inspirados na linguagem de Cícero.
Pode-se afirmar que a literatura moderna deve a literatura latina grande
parte do seu legado e a filologia explica muito bem essa afirmação. Ao nos
remetermos às características latinas vamos nos deparar com a historicidade
romana, então é valido ressaltar que a literatura romana traduz o
temperamento de um povo que atuou de maneira decisiva na história do
Ocidente.
A historiografia da literatura latina está intimamente relacionada, “A
missão de Roma”: instaurar a paz e governar os povos. Por isso a literatura
latina traduz ao mesmo tempo um espírito positivo e realista. É importante
salientar também que os romanos já valorizavam a literatura, mesmo estando
em fase de incipiência, aos moldes gregos, eles cultivaram a prosa, e didática e
pouco a poesia lírica. Na prosa, preferiram os gêneros que enfatizam a
necessidade prática da vida: eloquência, história, política e moral.
Enquanto criação estética a literatura latina se desenvolveu muito tarde,
500 anos após a fundação de Roma, em 753 a.C. em um momento que já
detinha a hegemonia do mundo antigo.
Em relação à origem é importante salientar que a literatura romana
origina-se da literatura grega , no momento em que Roma sentindo a
importância e o poder que detinha, percebeu a importância da literatura e a
partir de então acolheu em berços romanos a literatura grega. Mas é bom
notificar que, mesmo recebendo influência grega os gêneros da poesia-épica,
lírica e dramática, apareceram ao mesmo tempo, ao invés de Roma copiar dos
gregos.
Apesar da influência grega nos moldes de fazer literatura, é o
pensamento romano que está presente nas obras.

1.1 PERÍODOS E ESTILOS

O inicio da história da literatura latina teve início por volta do século II


a.C., e por motivos de conquistas militares o império Romano, expande o latim
arcaico falado na região do Lácio a toda Itália e posteriormente a Grécia,
Oriente, África, Gália.
Os romanos, vencedores das suas batalhas, começam a valorizar o culto
das coisas do espírito, com isso, inicia-se o estudo da filosofia, da letra e das
belas-artes, sendo a Grécia o modelo de inspiração. Considera-se a literatura
latina uma das mais ricas contribui para o desenvolvimento da literatura
universal.
O seu término ocorre junto com a queda do império Romano do Ocidente,
que acontece no século V d.C. com a deposição de seu último imperador.

1.2 PERÍODO ARCAICO OU PRÉ-CLÁSSICA

O período arcaico foi entre o século II a.C. que foi a origem da literatura,
inicio-se com rudimentos de poesias de caráter religiosos e heróico, como
exemplos: carmina fratrum arvalium (hinos para benzer os campos), carmina
convivalia (cantos durante os banquetes), carmina triunphalia (exaltação da
vitória), nenine (lamentações fúnebres).
E na fase primitiva entre os séculos 753 a 250 a.C. e também o gênero
dramático, onde os latinos tentam adaptar as heranças gregas á sua realidade,
imitando suas formas estéticas e seus assuntos históricos e mitológicos.
E na fase helenística que foi de 250 a 81 a.C., tendo como exemplos as
comédias de Plauto (“ Anfitrião”, “Aululária”, “Casina”, “Maenechmi” ) e de
Terêncio (“ Adelphoe”).

1.3 PERÍODO CLÁSSICO OU ÁUREO

O apogeu ocorreu no período Áureo entre os séculos 101 a.C. a 14 d.C.


e dentro desse período destacou se a fase chamada clássica que foi entre 81
a.C. a 68 d.C., a qual apresenta as mais importantes obras da literatura latina,
marcada pela era cristã e que se destacaram poetas como Virgílio (“Eneida”),
Horácio (famosos pelos versos e expressões que se tornaram memoráveis:
“carpe diem, este modus in rebus, odi profanum vulgus, exegi monumentun
aere perennis”. Entre outras).
Ovídio (“Metamorfoses”), Catulo (considerado o maior poeta lírico da
literatura latina), Lucrécio (“De rerum natura”- sobre a natureza das coisas),
Julio César (uma das principais figuras deste período, como escritor da história
de Roma, homem político e grande general).
Cícero maior escritor da língua latina, apesar de não ser considerado um
poeta por não ter obras de ficção, possui suas obras, que muito influenciaram
escritores de todas as épocas, divididos pelos estudiosos em quatros partes:
obras de eloquência, de retórica, de filosofia e cartas.

1.4 PERÍODO PÓS-CLÁSSICO OU IMPERIAL


O período imperial que foi entre os séculos 14 a 313 d.C., foi o período de
decadência da literatura latina, quando republicano acaba com a morte de
Otávio Augusto e os sucessivos imperadores , Tibério, Calígula, Cláudio, Nero,
sufocam a liberdade de expressão, geram a decadência da literatura latina.
Inicia-se ainda dentro da fase clássica e tem como representantes alguns
escritores, como o dramartugo Sêneca, o satírico Juvenal, o epigramista
marcial entre outros. Porém, o principal gênero literário e que muita
repercussão posterior foi o romance satírico-picaresco de Petrônio e Apuleio,
obras que representam as experiências cotidianas da realidade romana.

1.5 OS PRIMEIROS POETAS DA LITERATURA ROMANA

* Lívio Andronico- (Terento, 280 a.C. a 200 a.C.): traduziu versos satúrnios de
“Odisséia” de Homero ( cujo título latino era “Odisía”). Além de grande
contribuição para a literatura latina ficou conhecida principalmente por traduzir
algumas comédias e tragédias do grego para o lati.
* Névio –(Campania, 275-200 a.C.): sua importância no início da literatura
latina está diretamente ligada ao modo particular de suas comédias. Névio
introduziu a “fabula togata” e a “fabula praetexto”, ou seja, a comédia e a
tragédia de argumento romano. Névio também introduziu o “Bellum Poenicum”.
*Plauto-(Sársina, 255? -184 a.C.), escritor e poeta, desenvolveu suas obras
nos gêneros teatrais e na comédia.
*Ênio-(Rudias, 239-169 a.C.)
*Terêncio- (Cartago, 193-150 a.C.)
*Catão- (Túsculo, 234-148 a.C.)
*Lucílio- (Campânia, 148-102 a.c)

1.6 OS POETAS NOVOS (ÉPOCA DE CEZAR)


*Catulo-( Verona, 87 a.C.)
*Lucrécio-(96-55 a.C.)
*Cícero- (Lácio, 106 a.C.)
*Varrão-(Sabina, 116 a.C.)

1.7 O PERÍODO DE OURO (ÉPOCA DE AUGUSTO)

*Vergílio-(Itália, 70 a.C.)
*Horácio-(Itália, 65 a.C.)
*Ovídio-(Abrúzios, 43 a.C.)
* Tito Lívio-(Pádua, 59 a.C.)

1.8 O PERÍODO DE PRATA (PERÍODO PÓS CLÁSSICO)

*Fedra- Macedônia (15 a.C.)


*Sêneca- Espanha (1 a.C.)
*Lucano- Cordova (39 d.C.)
*Pérsio- Etrúria (34-62 d.C.)
*Plíno- Como (23 d.C.)
*Quintiliano-Espanha (35 d.C.)
*Marcial – Espanha (45-104 d.C.)
*Juvenal – Lácio (55-135 d.C.)
*Tácito- não se sabe onde nasceu: talvez em Roma no ano (55-120 d.C.)
*Plínio “O moço”- Suetônio –(70-140 d.C.)
2 AS FÁBULAS DE FEDRO E MILLÔR FERNANDES

Fábula é a narrativa curta, em verso ou prosa, ilustrativa de um preceito


moral, cujos personagens são animais, que agem como se fossem seres
humanos. Em Roma seu introdutor foi Phaedrus, que escreveu 5 livros com
135 fábulas.
Portanto, faremos uma breve analise da fábula “A raposa e as uvas” do
escritor Fedro (em latim Phaedrus. 30/15 a.C. – 44/50 d.C.), que foi um
fabulista romano nascido na macedônia, Grécia. Filho de escravos,
provavelmente foi alforriado pelo imperador romano Augusto. Seu nome
completo era Caio Júlio Fedro (latim: Gaius Iuius Phaedrus).
Também analisaremos a fábula “A raposa e as uvas” do escritor Millôr
Fernandes, que nasceu no Rio de Janeiro no dia 16 de agosto de 1923. E que
é Caricaturista, humorista e teatrólogo.

2.1 A FÁBULA “A RAPOSA E AS UVAS” DE FEDRO

De Vulpe ET Vua

Fame coacta uulpes alta in uinea


Uuam adpetebat summis saliens uiribus;
Quam tangere ut non potuit, discedens ait:
“nondum matura est; nolo acerbam sumere”.
Qui, facere quae non possunt, urbis eleuant,
Adscribere hoc debebunt exemplum sibi.

TRADUÇÃO

A raposa e a uva
Coagida (impelida) pela fome, a raposa cobiçava o cacho de uva.
Na alta parreira, pulando com todas as forças;
Como não pôde tocá-la, disse afastando-se:
“Ainda não esta madura: não quero apanhá (-La) verde (azeda)”.
(0s) que diminuem com palavras, (as coisas) que não podem fazer,
Deverão aplicar para si este exemplo.

2.2 A fábula “A raposa e as uvas” de Millôr Fernandes

A raposa e as uvas
De repente a raposa, esfomeada e gulosa, fome de quatro dias e gula de todos
os tempos, saiu do deserto e caiu na sombra deliciosa do parreiral que descia
por um precipício a perder de vista. Olhou e viu além de tudo, á altura de um
salto, cachos de uvas maravilhosos, uvas grandes, tentadoras. Armou o saltou,
retesou o corpo, saltou, o focinho passou a um palmo das uvas. Caiu, tentou de
novo, não conseguiu nem roçar as uvas gordas e redondas. Desistiu, dizendo
entre dentes, com raiva: “Ah, também, não tem importância. Estão verdes”. É
foi descendo, com cuidado, quando viu á sua frente uma pedra enorme. Com
esforço empurrou a pedra até o local em que estavam os cachos de uva,
trepou na pedra, perigosamente, pois o terreno era irregular e havia o rico de
despencar, esticou a pata e conseguiu! Com avidez colocou na boca quase o
cacho inteiro. E cuspiu. Realmente as uvas estavam muito verdes!
Moral: A frustração é uma forma de julgamento tão boa quanto qualquer outra.

2.3 A COMPARAÇÃO ENTRE AS FÁBULAS DE FEDRO E DE MILLÔR


FERNANDES

O autor Fedro mostra aspectos inerentes ao ser vivo, em suas fábulas,


sobretudo narrando às fraquezas humanas, e Millõr Fernandes também se
utilizam dessa idéia.
O termo Vulpes ET uua, significa uma raposa, agora metaforicamente
simboliza uma pessoa maliciosa e astuta, enquanto que uua seria o objetivo
alcaçando por ela.
Como podemos observar na tradução, a raposa cobiça o cacho de uva
da alta parreira, salta com todas as forças para pegar o cacho de uva, como
não consegue pega-lá, retira-se dizendo: “Nondum matura est; nolo acerbam
sumere”. (“Ainda não está madura; não quero apanha – lá verde”). Ou seja,
nos seres humanos muita das vezes quando não conseguimos conquistar
nossos objetivos, dizemos que não queríamos aquele objeto de desejo.
E Millôr Fernandes com suas fábulas fabulosas, utilizou-se de Fedro
como uma “autoridade”, e satirizou as fábulas tradicionais, utilizando-se da
mesma estrutura, desfabula-as criando um novo texto crítico, cuja moral vem
carregada de significados e humor.
CONCLUSÃO

A história permite-nos adentrarmos ao mundo dos antigos em plena


modernidade.
Buscar conhecer o passado é buscar conhecer os precedentes de
nossa história, de nossa cultura e, sobretudo de nossa identidade. A pesquisa
desse trabalho nos apresentou outra perspectivada da literatura latina.
E hoje em pleno século XXI é possível afirmar que temos uma
literatura riquíssima, cunhada nos valores latinos, por isso buscamos nesse
trabalho estabelecer a relação de uma obra de um escritor latino que inspirou
um escrito brasileiro a escrever da mesma forma, mas com características
diferentes.
Fedro não somente foi “autoridade” de Millôr Fernandes na fábula” A
raposa e as uvas”, como também foi inspiração para outros poetas de épocas
diferentes.
E o importante é que descobrimos que grande parte da nossa
literatura brasileira, foi gerada por meio da literatura latina.
REFERÊNCIA

FURLAN, O.A. Latim para o português: Gramática, língua e literatura.


Florianópolis. USFC, 2006.

LEONI, G.D. A literatura de ROMA. 10. Ed. São Paulo:


Livraria Nobel, 1971.

Revista veja n 187 de 5/4/1972.


UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
FACULDADE DE LETRAS
DEPARTAMENTO DE ESTUDOS LINGUÍSTICOS E LITERÁRIOS
LATIM
PROF: EDNA S. FARIA
AMANDA MOREIRA PRIMO
ELIZABETH MORENA DO NASCIMENTO

LITERATURA LATINA

Goiânia
2009