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Práticas e modelos A.A.

das BE - DREN - T8
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O Modelo de auto-avaliação das Bibliotecas Escolares


Metodologias de operacionalização (parte I)

I – Domínio; Indicadores

1- Domínio A.2. – Promoção das Literacias da Informação, Tecnológica e


Digital

Seleccionei este domínio, por considerar que se enquadra num dos


principais objectivos da BE e da Escola em geral: melhorar as
aprendizagens dos alunos e os seus resultados escolares.

2- Indicadores

 A.2.2. - Promoção do ensino em contexto de competências de


informação da escola / agrupamento (processo)

Este indicador engloba actividades e serviços da BE.

 A.2.4. – Impacto da BE nas competências tecnológicas e de informação


dos alunos na escola / agrupamento (impacto/outcome)

Considero que este indicador inclui um dos aspectos essenciais à


mudança do conceito da BE, no sentido de conhecer o benefício para os
utilizadores da sua interacção com a BE. O valor atribuído pelos utilizadores
a esse benefício é traduzido numa mudança de conhecimento,
competências, atitudes, valores, níveis de sucesso, bem-estar, inclusão e
outros.

Ao escolher este domínio e indicadores, pretendo demonstrar a


importância da avaliação das BE’s e consequente contributo para a
aprendizagem e sucesso educativo das crianças e jovens que servem.

1 Maria Helena da Mota Rodrigues


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II – Plano de Avaliação

1- Problema / Diagnóstico

O ponto de partida deriva de uma avaliação diagnóstica, tendo sido


seleccionada uma área prioritária, face às metas da escola / agrupamento e
que se pretende reforçar.
É reconhecida a existência de alguns problemas relacionados com a
utilização da BE, nomeadamente no que respeita ao acesso e utilização da
informação e das novas tecnologias da comunicação, bem como na
articulação curricular. Há também algumas dificuldades na realização de um
trabalho cooperativo com os docentes em actividades de ensino de
competências de informação com turmas / grupos / alunos.

Como pontos fortes, refiro a equipa multidisciplinar e empenhada na


dinamização de todas as bibliotecas do agrupamento; espaço adequado
com diferentes zonas de funcionamento; fundo documental organizado e
diversificado; horário de funcionamento contínuo, abrangendo os vários
turnos; um grande número de frequentadores e de requisições domiciliárias
de livros; catálogo informatizado (por enquanto apenas de livros e de acesso
num só computador); sistema de empréstimo de livros informatizado; boa
receptividade da comunidade educativa à BE. Refiro ainda que está em
curso a organização de um SABE (concelho de Vila Verde), com a
implementação de um catálogo colectivo.

Este domínio servirá também para medir o impacto da BE nas


competências tecnológicas digitais e de informação dos alunos, sendo esta
uma avaliação fortemente orientada para a melhoria dos resultados e focada
no sucesso educativo.

2- Objecto da avaliação

Domínio / Subdomínio: A – Apoio ao Desenvolvimento Curricular;


A.2. – Promoção das Literacias da Informação, Tecnológica e Digital.

2 Maria Helena da Mota Rodrigues


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Indicadores: A.2.2. - Promoção do ensino em contexto de competências


de informação da escola / agrupamento;

A.2.4. – Impacto da BE nas competências tecnológicas e


de informação dos alunos na escola / agrupamento.

3- Tipo de avaliação de medida a empreender

Para além da avaliação da BE em termos de inputs, processos e outputs,


será seguida uma filosofia de avaliação baseada em outcomes e de natureza
essencialmente qualitativa, orientada para os resultados, demonstrando a
contribuição da BE no ensino e aprendizagem. Deste modo, a BE responde
cada vez mais às necessidades da escola no atingir da sua missão e
objectivos.

4- Metodologia a implementar

Cada um dos Indicadores será operacionalizado através de factores críticos


de sucesso e evidências.

4.1- Indicador 2.2: Promoção do ensino em contexto de competências


de informação da escola / agrupamento

Factores críticos de sucesso Acções a avaliar Recolha de evidências


- Articulação da BE com - Documentos que
- A BE procede, em ligação com as a equipa PTE. reguladores do
estruturas de coordenação educativa e - Acções de formação Agrupamento: PE, PAA,
de supervisão pedagógica, ao para alunos e PCT’s, Regimento da BE.
levantamento nos currículos das professores.
competências de informação inerentes a - Adopção de um modelo - Dossiês (suporte digital e
cada departamento curricular/área de pesquisa único para papel) de suporte às
disciplinar com vista à definição de um toda a escola / actividades desenvolvidas
currículo de competências transversais agrupamento.
adequado a cada ano/ciclo de - Produção, organização - Página da internet e
escolaridade. e difusão de recursos blogue actualizados, com
vocacionados para um hiperligações a tutoriais de
- A BE promove a integração, com as trabalho autónomo, informação e plataforma
estruturas de coordenação educativa e centrado na pesquisa, moodle.
supervisão pedagógica e dos docentes, recolha, selecção e
de um plano para a literacia da tratamento de - Recolha de evidências
informação no projecto educativo e informação em através dos questionários
curricular e nos projectos curriculares diferentes suportes do Modelo: QD1 -6
das turmas (Guiões de pesquisa). (Integração de
- A BE propõe um modelo de pesquisa - Apoio à utilização de competências de

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de informação a ser usado por toda a Guiões de Pesquisa. informação na planificação


escola/ agrupamento. - Articulação entre a BE e tratamento de diferentes
- A BE estimula a inserção nas unidades e as actividades lectivas. unidades de ensino), 7
curriculares, áreas de projecto, estudo - Planificação antecipada (Promoção, na prática
acompanhado/ apoio ao estudo e outras com os docentes de lectiva, da utilização da
actividades, do ensino e treino trabalhos a realizar na BE nos trabalhos
contextualizado de competências de BE, com turmas efectuados pelos alunos);
informação. seleccionadas para o QA1 – 6 (Procura de
- A BE produz e divulga, em colaboração efeito: propostas de informação, na BE,
com os docentes, guiões de pesquisa e trabalho orientadas para quando há um trabalho de
outros materiais de apoio ao trabalho de o ensino em contexto de pesquisa para fazer), 8(
exploração dos recursos de informação competências de Apoio sentido pela equipa
pelos alunos. informação, com da BE quando utiliza este
pressupostos espaço individualmente ou
- A equipa da BE participa, em metodológicos que com a turma e o
cooperação com os docentes, nas promovem o trabalho professor).
actividades de ensino de competências autónomo, centrado na
de informação com pesquisa, recolha, - Planificações de
turmas/grupos/alunos. selecção e tratamento de actividades
informação, domínio .
fundamental na - Observação de
intervenção da BE na actividades de
formação de utilizadores. aprendizagem.

 4.2- Indicador 2.4: Impacto da BE nas competências tecnológicas e de


informação dos alunos na escola / agrupamento

Factores críticos de sucesso Acções a avaliar Recolha de evidências

- Os alunos utilizam, de acordo com o - Divulgação de - Questionários: QD1 – 8,


seu ano/ciclo de escolaridade, Bibliotecas Digitais 14.2, 14.3, 15.2 e 15.3 e
linguagens, suportes, modalidades de (ex.PNL). QA1 – 5, 9, 10, 10, 11 e
recepção e de produção de informação e - Dinamização da 13.
formas de comunicação variados, entre Biblioteca Digital
os quais se destaca o uso de temática da BE. - Utilização da Grelha de
ferramentas e media digitais. - Participação activa da observação O2 -
comunidade educativa Literacias da Informação,
- Os alunos incorporam no seu trabalho, no Blogue das BE’s do Tecnológico e Digital, com
de acordo com o ano/ciclo de Agrupamento. a indicação do respectivo
escolaridade que frequentam, as nível de desempenho.
diferentes fases do processo de - Aplicação dos Guiões
pesquisa e tratamento de informação: de pesquisa na - Registo de utilização das
identificam fontes de informação e realização de trabalhos ( Bibliotecas Digitais.
seleccionam informação, recorrendo ex.: na disciplina de Área
quer a obras de referência e materiais de Projecto, no âmbito - Grelhas de análise dos
impressos, quer a motores de pesquisa, do PNL ). trabalhos de alunos.
directórios, bibliotecas digitais ou outras - Elaboração de
fontes de informação electrónicas, referências - Entrevistas.
organizam, sintetizam bibliográficas.
e comunicam a informação tratada e - Cheklists.
avaliam os resultados do trabalho - Sessões de formação

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realizado. de utilizadores - Actas de reuniões;


organizadas com as PCTs.
- Os alunos demonstram, de acordo com turmas ao longo do ano.
o seu ano/ciclo de escolaridade, - PAA; Regimento da BE.
compreensão sobre os problemas éticos, - Utilização correcta dos
legais e de responsabilidade social recursos on-line, com o - Registos.
associados ao acesso, avaliação e uso cumprimento das
da informação e das novas tecnologias. normas vigentes e de - Levantamento de dados
responsabilidade social. relativos à gestão de
- Os alunos revelam em cada ano e ao - Reconhecimento do recursos.
longo de cada ciclo de escolaridade, contributo positivo da BE
progressos no uso de competências para o desenvolvimento - Dados estatísticos de
tecnológicas, digitais e de informação das competências utilização da BE.
nas diferentes disciplinas e áreas tecnológicas e de
curriculares. informação dos alunos. - Grelhas de observação
da utilização da BE.

5- Intervenientes

Deve haver um envolvimento de toda a comunidade escolar:


 Professor Bibliotecário – É o agente responsável de todo o processo.
Planifica, executa e avalia o programa regularmente e em diferentes
níveis. Tem uma função catalisadora de toda a escola, construindo
relações de colaboração com os diversos membros da comunidade
educativa.
 Equipa da BE – Colabora na execução do processo.
 Professores / Alunos – Instrumentos de recolha de evidências
(Questionários, entrevistas, grelhas de observação,…)
 Conselho Pedagógico – Toma decisões (domínio a avaliar; aprova o
relatório final e o plano de acção a implementar).
 Direcção executiva – Deve ter um papel aglutinador de vontades e
acções; Faz o acompanhamento e coadjuvação de todo o processo.

6- Calendarização / Planificação de recolha de dados

A recolha e tratamento de dados será feita em vários momentos, permitindo


o estudo comparativo e com recursos a vários instrumentos, de acordo com as
etapas do processo.
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Os Questionários serão aplicados a 20% do número total de professores e


a 10% do número de alunos em cada nível de escolaridade.
As Grelhas de observação serão aplicadas a 10% do número de turmas em
cada nível de escolaridade.
Os critérios utilizados são os seguintes:
- Abranger a diversidade de alunos da escola: todos os níveis de
escolaridade, diversas origens / nacionalidades; ambos os sexos; alunos com
NEE;…
- Abranger a diversidade de professores do Agrupamento;
- Recolher dados em diferentes momentos do ano lectivo, para verificar se
existe alguma evidência de progresso;
- Questionários e grelhas de observação – aplicação em dois momentos.

CALENDARIZAÇÃO ETAPAS DO PROCESSO


- Avaliação diagnóstica e selecção do domínio a
Início do ano lectivo avaliar.
- Aprovação pelo Director e Conselho Pedagógico.
- Preparação/adaptação dos instrumentos de recolha
de evidências.
Novembro /
- Elaboração do cronograma de acções.
Dezembro
- Selecção da amostra; definição de critérios.
- Reuniões e contactos com docentes e outras
entidades (registos).
- Projectos desenvolvidos / Actividades (registos).
Janeiro a Junho
- Aplicação de Grelhas de observação.
- Registo de utilização da BE no âmbito das Literacias
da Informação, Tecnológica e Digital.
- Acções de formação para docentes e alunos.
- Aplicação dos questionários aos professores e alunos
Janeiro / Fevereiro
(1º momento).
Abril - Tratamento estatístico dos dados recolhidos.
- Aplicação dos questionários aos professores e alunos
Junho
(2º momento).

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- Tratamento estatístico dos dados recolhidos.


- Estatística de utilização dos recursos de informação
Junho / Julho
da BE.
- Análise das avaliações dos alunos.
- Com base na recolha e tratamento de todos os dados,
elaboração do Relatório a apresentar ao Conselho
Julho Pedagógico.
- Divulgação do Relatório de auto-avaliação da BE à
comunidade educativa.
- Elaboração de um Plano de Melhoria, tendo por base
Setembro os pontos fracos identificados e as sugestões do
Conselho Pedagógico.

7- Análise e comunicação da informação

O Relatório final deve apresentar uma informação detalhada sobre a


aplicação do modelo de auto-avaliação no Domínio seleccionado (registo na
tabela – secção A). Seguidamente, deve ser alvo de análise e reflexão sobre os
resultados da auto-avaliação, para que seja identificado o perfil / nível de
desempenho da BE e traçado um Plano de melhoria (registo no Quadro-
Síntese – Secção A). Aqui, são identificadas as acções de melhoria a
implementar, tendo em consideração as sugestões do Conselho Pedagógico,
numa perspectiva de melhoria estratégica, promovendo a mudança de práticas
de trabalho e potenciando as suas mais-valias ao serviço do processo de
ensino aprendizagem.
O Relatório deverá ainda incluir todas as informações disponíveis sobre
os restantes Domínios que, não tendo sido avaliados por este processo, não
deixaram de ser trabalhados durante o ano pelas BE’s.
A divulgação dos resultados será efectuada através da apresentação do
relatório em Conselho Pedagógico e dos resultados à comunidade educativa.
Considero fundamental a implicação de outras entidades, sobretudo na análise
e interpretação dos resultados e elaboração de conclusões, salientando o papel
precioso de auxiliar – critical friend ou devil’s advocat – da coordenadora
interconcelhia da RBE.
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O Relatório e respectivas recomendações do Conselho Pedagógico


devem integrar o Relatório Anual de Actividades do Agrupamento e originar
uma súmula a incorporar no Relatório de Auto-avaliação do Agrupamento. Este
documento deverá ainda servir de suporte a uma possível entrevista a realizar
pela IGE ao professor bibliotecário no âmbito Avaliação Externa, onde poderá
ser avaliado o impacto da BE na Escola e nas aprendizagens dos alunos, a
mencionar no relatório final.

8- Limitações

Este modelo, à partida, é bastante exigente e ambicioso, sendo dificultado


pela ausência de práticas estruturadas de auto-avaliação relativamente ao
desempenho da BE, sendo ainda difícil pensar em termos de medição de
resultados e impactos.
No que diz respeito ao domínio e subdomínios tratados, refiro as seguintes
limitações:
- Dificuldade na realização de um trabalho colaborativo, tornando difícil
avaliar a contribuição da BE na consecução dos objectivos relacionados com a
aprendizagem, a formação e os resultados escolares dos alunos;
- Resistência à mudança por parte de alguns elementos da comunidade
educativa;
- Ausência de práticas de avaliação baseadas em evidências;
- Reduzida utilização dos recursos colocados à disposição da comunidade,
apesar da divulgação dos mesmos.
- Incipiente percepção entre os alunos e mesmo entre os docentes de uma
concepção de literacia da informação.
- Insuficientes indicações, por parte dos docentes, sobre as tarefas que os
alunos devem fazer.
- Dificuldade em acompanhar com carácter regular e sistemático o
processo de desenvolvimento das competências tecnológicas e de informação
dos alunos.
- Dificuldade em aferir o rigor nas respostas dadas aos questionários;

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- Escassez de tempo para realizar todas as tarefas com eficiência e


profissionalismo.

9- Levantamento das necessidades

O levantamento de necessidades é decorrente do processo de auto-


avaliação. Assim, todo o modelo é perpassado pela necessidade de práticas de
articulação sistemáticas que são o cerne da existência das BE, contudo ainda
difíceis de alcançar, devido a algumas realidades pedagógicas e didácticas
vigentes, centradas no individualismo, que dificultam a mudança.
Neste âmbito, sentimos necessidade de estruturar um circuito de
comunicação com os professores, a fim de orientar solidamente os alunos nas
competências de informação.
Deparamo-nos ainda com a necessidade de afectação de um maior número
de recursos humanos, indispensável à implementação/concretização do
processo.

Para terminar, saliento um dos benefícios da auto-avaliação da BE, com a


demonstração junto dos professores, do seu contributo para a aprendizagem e
os resultados escolares, mostrando-lhes as suas potencialidades e a forma
como podem utilizá-la melhor nas suas actividades de planeamento das aulas
e de ensino.

Braga, 22 de Novembro de 2009


Maria Helena da Mota Rodrigues

Bibliografia

- Texto da sessão de 17-11-09, disponibilizado na plataforma.

- Modelo de Auto-Avaliação da Biblioteca Escolar - RBE, 12 de Novembro de


2009, disponível em http://www.rbe.min-edu.pt/np4/?newsId=31&fileName=mod_auto_avaliacao.pdf

- McNamara, Carter, Basic Guide to Program Evaluation, disponível em


http://www.managementhelp.org/evaluatn/fnl_eval.htm#anchor1585345

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