Você está na página 1de 430

CURSO EM ANÁLISE ESTRUTURAL

ESTABILIDADE DE ESTRUTURAS AERONÁUTICAS

MAIO 2007

CAPÍTULO 1

COMPORTAMENTO MECÂNICO DE MATERIAIS

(REVISÃO PARCIAL)

ÍNDICE DE SEÇÕES

1.1 INTRODUÇÃO

1.3

1.2 O ENSAIO DE TRAÇÃO

1.3

1.3 OS ENSAIOS DE COMPRESSÃO E CISALHAMENTO

1.7

1.4 IDEALIZAÇÕES DA CURVA TENSÃO–DEFORMAÇÃO

1.10

1.5 REPRESENTAÇÕES DA CURVA TENSÃO-DEFORMAÇÃO POR FUNÇÕES DE TRÊS PARÂMETROS

1.11

REPRESENTAÇÃO DE RAMBERG E OSGOOD

1.12

REPRESENTAÇÃO DE HILL

1.13

EQUAÇÃO GENERALIZADA DE BARRETT E MICHAEL

1.14

1.6 EXEMPLOS

1.20

1.7 EXERCÍCIOS

1.22

1.8 REFERÊNCIAS

1.24

ÍNDICE DE FIGURAS

1-1

CORPO DE PROVA PARA ENSAIO EM TRAÇÃO

1.3

1-2

C URVA T ENSÃO -D EFORMAÇÃO DE M ATERIAL COM P ONTO DE E SCOAMENTO D EFINIDO

1.24

1-3

C URVA T ENSÃO -D EFORMAÇÃO DE M ATERIAL SEM P ONTO DE E SCOAMENTO D EFINIDO

1.4

1-4

CURVA TENSÃO-DEFORMAÇÃO DE MATERIAL CLAD

1.5

1-5

CURVAS TENSÃO-DEFORMAÇÃO DE MATERIAIS AERONÁUTICOS

1.7

1-6

CURVAS TENSÃO-DEFORMAÇÃO DE LIGAS DE ALUMÍNIO EM TRAÇÃO E COMPRESSÃO

1.8

1-7

CORPO DE PROVA PARA ENSAIO EM TORÇÃO

1.9

1-8

CURVAS TENSÃO-DEFORMAÇÃO IDEALIZADAS

1.10

1-9

CURVA TENSÃO-DEFORMAÇÃO IDEALIZADA: ELÁSTICO LINEAR-PLÁSTICO COM ENCRUAMENTO 1.11

1-10

IDEALIZAÇÃO DE RAMBERG & OSGOOD

1.13

1-11

PARÂMETRO DE FORMA n COMO FUNÇÃO DE F 0.7 / F 0.85

1.13

1-12

CURVAS ADIMENSIONALIZADAS DE RAMBERG-OSGOOD

1.14

1-13

IDEALIZAÇÃO DE HILL

1.14

1-14

CURVAS ADMINENSIONALIZADAS DE BARRETT-MICHAEL

1.16

1-15

CURVAS ADIMENSIONALIZADAS DE BARRETT-MICHAEL E T / E

1.17

1-16

CURVAS ADIMENSIONALIZADAS DE BARRETT-MICHAEL – (F / F N )(E / E T )

1.17

1-17

CURVAS ADIMENSIONALIZADAS DE BARRETT-MICHAEL ν

1.18

1-18

ÁBACOS PARA A DETERMINAÇÃO DE m E F N

1.19

1.2

1

COMPORTAMENTO MECÂNICO DE MATERIAIS

(REVISÃO PARCIAL)

1.1 INTRODUÇÃO

Neste capítulo será feita uma revisão das propriedades mecânicas de materiais que são de interesse no estudo da estabilidade de estruturas aeronáuticas. Uma vez que estruturas aeronáuticas têm de ser analisadas nas condições limite (em condições normais de operação da aeronave, a estrutura não deve apresentar deformações permanentes) e última (em condições de sobrecarga, a estrutura não deve falhar catastroficamente), condições estas normatizadas, é necessário conhecer-se a relação entre tensões e deformações em todo domínio, desde pequenas deformações até a ruptura. É de particular interesse, nos casos em que for viável, representar a relação entre tensões e deformações através de um modelo analítico. A relação tensão-deformação poderia assim ser incorporada na análise e o engenheiro projetista ganharia um tempo considerável por não ter que alimentar a análise com os valores obtidos das curvas efetivas de tensão-deformação dos materiais que esteja empregando.

1.2 O ENSAIO DE TRAÇÃO

Considere o comportamento de um membro reto e longo, com uma seção uniforme em sua parte central, quando submetido a uma carga axial, como mostrado na Fig. 1-1.

submetido a uma carga ax ial, como mostrado na Fig. 1-1. Fig. 1-1 Corpo de Prova

Fig. 1-1

Corpo de Prova para Ensaio de Tração

No centro, excetuando aquelas normais na direção axial, todas as tensões são zero. A tensão normal é constante através da seção e é dada por σ n = P / A, onde A é a área original da seção

transversal antes da aplicação da carga. Se L é a mudança de comprimento entre dois pontos, originalmente distantes, um do outro, de um comprimento L, a deformação longitudinal, que é constante ao longo da seção reduzida, pode ser obtida da expressão ε long = L / L . A relação tensão-deformação

1.3

do material pode então ser obtida graficando, para cargas crescentes, as tensões em função das

deformações medidas.

Para alguns materiais, como o aço doce, a curva resultante tem a forma mostrada na Fig. 1-2.

doce, a curv a resultante tem a forma mostrada na Fig. 1-2. Fig. 1-2 Curva Tensão-Deformação

Fig. 1-2

Curva Tensão-Deformação de Material com Ponto de Escoamento Definido

Para pequenas deformações, a relação entre a tensão e a deformação é linear (ou praticamente

linear). Esta proporcionalidade eventualmente deixa de ocorrer numa tensão referida como limite de

proporcionalidade. Após ser atingido o limite de proporcionalidade, a inclinação da curva decresce até

um ponto para o qual um pequeno incremento de deformação não resulta num aumento de tensão. A

tensão neste ponto é denominada tensão de escoamento. Um aumento de deformação volta a

ocasionar, eventualmente, um aumento de tensão. Este fenômeno é denominado de encruamento. Ã

medida que a tensão aumenta, um segundo ponto de derivada nula é atingido, correspondendo à tensão

última. Daí em diante, a tensão decresce com o aumento da deformação, até a ruptura. A deformação na

ruptura multiplicada por 100 é denominada de alongamento percentual. Deve ser notado que as tensões

são baseadas na área da seção transversal original do corpo de prova, sem levar em consideração a

contração lateral. As tensões reais são em conseqüência maiores do que aquelas plotadas numa curva

tensão-deformação convencional (tensões aparentes). A diferença não é apreciável até que as regiões

mais altas do regime plástico são atingidas.

as regiões mais altas do regime plástico são atingidas. Fig. 1-3 Curva Tensão-Deformação de Material sem

Fig. 1-3

Curva Tensão-Deformação de Material sem Ponto de Escoamento Definido

1.4

A Fig. 1-3 mostra a curva tensão-deformação típica da maioria dos materiais aeronáuticos. Até ser

atingida uma determinada tensão, a relação tensão-deformação é linear. Deve ser notado que não há um ponto de escoamento, pois a tangente não assume uma posição horizontal até ser atingida a tensão última. Alumínio puro é mais resistente à corrosão do que alumínio em liga; por esta razão freqüentemente chapas de liga de alumínio são protegidas por finas camadas externas de alumínio puro. É o processo de cladding. Em materiais clad ocorrem duas regiões lineares na curva tensão-deformação. Uma ocorre abaixo do limite de proporcionalidade do material das camadas da superfície, que são menos resistentes do que o miolo, e a outra se estende deste até o limite de proporcionalidade do material do miolo, como mostrado na Fig. 1-4.

do material do miolo, como mostrado na Fig. 1-4. Fig. 1-4 Curva Tensão-Deformação de Material Clad

Fig. 1-4

Curva Tensão-Deformação de Material Clad

A propriedade mecânica que define a resistência de um material no regime elástico é a rigidez e

para materiais dúteis é medida pela quantidade denominada de Módulo de Elasticidade ou Módulo de

Young ( E ). A parte linear dos diagramas mostrados nas Figs. 1-2, 1-3 e 1-4 implica numa razão constante entre a tensão e deformação. E é o valor numérico desta razão:

E =

f

n

ε long

(1.1)

Como indicado na Fig. 1-4, as ligas clad de alumínio têm dois módulos de elasticidade. O módulo inicial é o mesmo das outras ligas de alumínio, mas só vale até que o limite de proporcionalidade do material das faces é atingido (módulo primário). Imediatamente acima deste ponto há um breve estágio de transição e o material exibe então um módulo secundário até que seja atingido o limite de proporcionalidade do material do miolo. Ambos os módulos são baseados numa tensão referida à área total da seção transversal.

Qualquer que seja o caso (Figs. 1-2, 1-3 ou 1-4), é difícil determinar o limite de proporcionalidade, a partir dos dados experimentais, com precisão. Por isto convencionou-se definir o limite de proporcionalidade como sendo o ponto de interseção da curva e da reta paralela à porção linear da curva, mas deslocada da origem por uma deformação de 0.0001.

1.5

Se a carga é removida em baixos níveis de tensão, o material retornará à condição de tensão zero, percorrendo a mesma curva que seguiu durante o ciclo de carregamento e não ocorrerão deformações permanentes. Neste intervalo, o material é dito ser elástico e a tensão que define o limite superior é referida como o limite elástico. Abaixo do limite elástico, a deformação é função unívoca da tensão. Para

a maioria dos materiais estruturais, o limite elástico praticamente coincide com o limite de

proporcionalidade, embora ambos sejam definidos a partir de considerações físicas completamente distintas. É possível, por exemplo, existir um material (como a borracha) no qual as deformações não são diretamente proporcionais às tensões em qualquer nível de tensão, mas o material pode assim mesmo comportar-se de maneira elástica. Um material que exiba ambos pontos, o limite proporcional e o limite elástico, é dito ser linearmente elástico se a tensão não ultrapassar o menor destes dois limites.

Acima do limite elástico, o material não mais descarrega ao longo da curva tensão-deformação que seguiu no ciclo de carregamento. O descarregamento se dará ao longo de uma reta paralela à parte linear da curva, como mostrado nas Figs. 1-3 e 1-4. Neste caso, a deformação não é função unívoca da tensão, pois para uma dada tensão corresponde uma deformação no carregamento e outra no descarregamento. Além disto, a deformação no descarregamento depende da maior tensão alcançada

no ciclo de carregamento.

Materiais que se comportam de acordo com as curvas das Fig. 1-3 ou 1-4, ao contrário daqueles representados pela Fig. 1-2, não mostram um ponto de tangente horizontal um pouco acima da região linear. Estes materiais escoam gradualmente. Em conseqüência, não possuem uma tensão ou ponto de escoamento bem caracterizados. Uma vez que deformações permanentes são indesejáveis na maioria das estruturas e máquinas, é prática comum se adotar um valor arbitrário de deformação permanente que é considerável admissível para fins de projeto. O valor desta deformação permanente admissível foi fixado pelas autoridades em 0.002 e a tensão (atingida no carregamento) que causa esta deformação permanente no descarregamento é denominada de tensão de escoamento (na língua Inglesa, é denominada também de offset yield stress). Esta tensão está no ponto de interseção da curva e a linha paralela à parte linear da curva mas deslocada da origem por uma deformação de 0.002. Como mencionado na seção 1.1, um dos critérios de projeto é freqüentemente o requisito de que as cargas limites não devam produzir tensões que ultrapassem este valor.

São de utilidade, além do módulo de elasticidade, dois outros módulos. O módulo de elasticidade foi definido como a inclinação da curva abaixo do limite de proporcionalidade. Acima deste limite, a inclinação da curva, que não mais é constante, é definida como Módulo Tangente ( E t ):

E t

=

df

dε

(1.2)

Como mostrado na Eq. (1.1), o módulo de elasticidade também pode ser definido como a tensão dividida pela deformação. Acima do limite de proporcionalidade, esta razão, também não mais constante, é definita como Módulo Secante ( E s ):

E s =

f

ε

1.6

(1.3)

Os

módulos

tangente

e

secante

são

funções

do

nível

de

tensão,

e

abaixo

do

limite

de

proporcionalidade ambos são iguais ao módulo de elasticidade.

Se, durante um ensaio de tração, forem medidas as dimensões da seção transversal do corpo de prova, percebe-se que o alongamento longitudinal é acompanhado de uma contração transversal. As deformações nas duas direções são relacionadas pela equação:

ε

trans

= −ν ε

long

(1.4)

onde ν é denominado Razão de Poisson. Esta razão é constante abaixo do limite de proporcionalidade e, para a maioria dos materiais estruturais, está na faixa de 0.25 a 0.33. A menos que seja conhecido com mais precisão, o valor normalmente considerado para materiais estruturais é 0.3. ν aumenta gradualmente acima do limite de proporcionalidade, e aproxima-se de 0.5 (em processos isovolumétricos) para grandes deformações plásticas:

ν = ν

E

s

p E

(

ν

p

ν

e

)

(1.5)

onde ν e é o valor na região elástica e ν p o valor na região plástica (normalmente fixado igual a 0.5).

A Fig. 1-5 mostra as curvas tensão-deformação dos materiais aeronáuticos mais comuns. A figura da esquerda permite a comparação relativa das tensões últimas e de ruptura, bem como das dutilidades (capacidade do material para deformação inelástica em tração e cisalhamento sem sofrer ruptura, e habilidade do material em ser manipulado em processos de fabricação). A figura da direita permite a comparação relativa dos módulos de elasticidade, bem como das tensões de escoamento.

de elasticid ade, bem como das tensões de escoamento. (a) Domínio Completo (b) Porções Iniciais Fig.

(a) Domínio Completo

bem como das tensões de escoamento. (a) Domínio Completo (b) Porções Iniciais Fig. 1-5 Curvas Tensão-Deformação

(b) Porções Iniciais

Fig. 1-5

Curvas Tensão-Deformação de Materiais Aeronáuticos

1.3 OS ENSAIOS DE COMPRESSÃO E CISALHAMENTO

Considerando as importâncias da segurança e baixo peso da estrutura no projeto estrutural de veículos aeroespaciais, o engenheiro deve considerar o quadro completo da tensão vs a deformação, através das gamas de tração e compressão. Isto é principalmente devido ao fato de que a flambagem,

1.7

tanto primária como local, é um tipo comum de falha em estruturas aeroespaciais, e pode ocorrer tanto no regime elástico quanto na região plástica. Em geral, a forma da curvas tensão-deformação sob compressão e tração, fora do estágio inicial linear, são diferentes. Além disto, os vários materiais utilizados na construção de veículos aeroespaciais têm curvas de forma bastante distinta na porção que se sucede à região linear. Uma vez que o peso estrutural mínimo é tão importante, esforços têm sido feitos em projeto no sentido de desenvolver altas tensões admissíveis de compressão, e estas tensões últimas admissíveis estão na região inelástica em muitos componentes estruturais.

A Fig. 1-6 mostra uma comparação das curvas tensão-deformação em tração e compressão para

curvas tens ão-deformação em tração e compressão para Fig. 1-6 Curvas Tensão-Deformação de Li gas de
curvas tens ão-deformação em tração e compressão para Fig. 1-6 Curvas Tensão-Deformação de Li gas de

Fig. 1-6

Curvas Tensão-Deformação de Ligas de Alumínio em Tração e Compressão

1.8

quatro ligas de alumínio largamente utilizadas na indústria. Abaixo do limite de proporcionalidade, o módulo de elasticidade é o mesmo sob tração ou compressão. A tensão de escoamento em compressão é determinada da mesma forma como explicado para tração.

A tensão última em tração de um componente manufaturado de determinado material não é sensivelmente dependente da forma de sua seção transversal ou de seu comprimento. Por outro lado, entretanto, a resistência última de um componente sob tensões de compressão é amplamente dependente da forma da seção e comprimento. Qualquer componente, quando submetido a forças compressivas crescentes, a menos que muito curto e compacto, tende a flambar lateralmente como um todo ou falhar localmente. Se um membro bastante curto ou com flexão lateral impedida externamente, confeccionado de materiais como madeira, osso, pedra e alguns metais frágeis, for submetido à compressão, a falha se dará por uma fratura bem definida. Em conseqüência, estes materiais apresentam um valor definido para a tensão última em compressão. A maior parte dos materiais aeronáuticos, entretanto, não apresentam fratura em compressão. Devido a sua dutilidade, o material escoa e incha, e o crescimento da área transversal permite a absorção de cargas crescentes. É portanto praticamente impossível selecionar um valor para a tensão última de compressão, sem estabelecer algum tipo de critério: para materiais dúteis, a tensão última em compressão ( F cu ) é considerada normalmente igual à F tu (tensão última em tração). Materiais frágeis relativamente fracos em tração podem apresentar F cu obtido em ensaios de laboratório, maior do que F tu ; neste caso, o valor adotado é aquele medido em laboratório.

Embora tenham sido adotados testes padrões para a determinação das propriedades em tração e compressão de metais, não há um padrão estabelecido para a medida das propriedades em cisalhamento. Um procedimento para a obtenção destes dados é testar um tubo de paredes finas em torção, como mostrado na Fig. 1-7. Neste caso todas as tensões são nulas, excetuando a tensão tangencial σ s , que age também nos planos que contém o eixo do tubo. Casos, com este, nos quais

que contém o eixo do tubo. Casos, com este, nos quais Fig. 1-7 Corpo de Prova

Fig. 1-7

Corpo de Prova para Ensaio de Torção

não há outras componentes de tensão, são denominados de cisalhamento puro. A tensão é dada pela expressão f s = M t r / I p , onde M t é o torque aplicado, r é o raio medido até o ponto onde a tensão é requerida, e I p é o momento polar de inércia da seção do tubo. Uma vez que a espessura das paredes é pequena, r é essencialmente constante ao longo do tubo. Em conseqüência, as tensões são

1.9

praticamente constantes. As linhas retas, originalmente geradoras da superfície cilíndrica, deformam

helicoidalmente sob a ação do torque, de maneira que o ângulo AOB mostrado na figura distorce para

A’O’B’. A mudança deste ângulo é, então, a deformação de cisalhamento ε s , que para pequenas

deformações é dado por ε s = L / L . Se este ângulo é determinado como função da tensão de

cisalhamento, obtém-se a curva tensão-deformação em cisalhamento. A forma desta curva é parecida

com aquela de tração para o mesmo material, e para a maior parte dos materiais aeronáuticos é

semelhante ao esboço da Fig. 1-3. Como no ensaio em tração, na parte inicial da curva, existe uma

relação linear entre tensões e deformações. Esta relação pode ser expressa como

ε

=

f s

s G

(1.6)

onde G é a módulo de cisalhamento. O módulo de cisalhamento pode ser escrito em termos do módulo

de elasticidade através da relação:

G

=

E

(

2 1 +ν

)

(1.7)

1.4 IDEALIZAÇÕES DA CURVA TENSÃO - DEFORMAÇÃO.

Como visto nas duas seções precedentes, a curva tensão-deformação experimental de materiais

aeronáuticos, tanto para tração uniaxial, quanto para compressão e cisalhamento puro, tem a forma

característica mostrada na Fig. 1-3. Esta curva não está, evidentemente, numa forma adequada para

desenvolvimentos analíticos. Seria desejável poder expressar a relação matematicamente. Ã medida que

cresce a precisão com a qual se aproxima matematicamente a curva, também cresce a complexidade do

modelo matemático. É portanto desejável utilizar um modelo que represente bem o comportamento do

material para a análise em questão e que seja o mais simples possível.

Muitas idealizações têm sido sugeridas na literatura, e a escolha depende do material, da tensão e

do nível de temperatura requeridos para a análise. Alguns destes modelos idealizados são mostrados na

Fig. 1-8. Na Fig 1-8a é mostrado o comportamento de um corpo rígido, no qual o carregamento não

produz deformações. É evidente que não existe material de tal tipo, mas em muitos casos as

deformações do corpo têm um efeito desprezível na análise. Esta é a hipótese que fornece a base para a

f

 

f

f
f

f

  f f f

ε

ε

ε

ε

(a)

(b)

(c)

(d)

Fig. 1-8

Curvas Tensão-Deformação Idealizadas

f

f ε ε (e) (f)
f
ε
ε
(e)
(f)

(a)

Rígido;

(b) Elástico Não-Linear;

(c) Elástico Linear;

(d) Rígido - Perfeitamente Plástico

(e)

Rígido - Plástico com Encruamento;

(f) Elástico Linear - Perfeitamente Plástico

1.10

Mecânica do Corpo Rígido. O comportamento de um material elástico não-linear, i.e., o material carrega

e descarrega ao longo da mesma curva, é representado na Fig. 1-8b . O comportamento do material

elástico linear é representado na Fig. 1-8c ; as Eqs. (1.1) e (1.6) descrevem este comportamento, respectivamente, para tração e cisalhamento.

Idealizações de materiais que se comportam plasticamente são mostradas nas Figs. 1-8d e 1-8e. Distintos dos modelos elásticos, nestes casos as deformações plásticas não são recuperáveis. Um

material rígido – perfeitamente plástico, no qual não ocorre deformação até que a tensão de escoamento

é atingida, após o que a deformação cresce sem que haja aumento da tensão, é mostrado na Fig. 1.8d.

A deformação atingida no carregamento permanece constante ao se descarregar, não havendo um mínimo de recuperação. Um material rígido – plástico com encruamento é ilustrado na Fig. 1-8e. Mais uma vez, tensões abaixo da tensão de escoamento não produzem deformações, mas agora um aumento da deformação exige um aumento da tensão. Como no caso anterior, também aqui não há qualquer recuperação de deformação no descarregamento. Os materiais mostrados nas Figs. 1-8f e 1-9 são

elasto-plasticos. Na Fig. 1-8f o material se comporta de uma maneira linear elástica até que seja atingida

a tensão de escoamento, após o que tem um comportamento plástico perfeito. Quando a carga é

aliviada, a deformação elástica é recuperada, enquanto que a deformação plástica permanece.

ε E ε P f f pr ε Fig. 1-9 Curva Tensão-Deformação Idealizada
ε E
ε P
f
f pr
ε
Fig. 1-9 Curva Tensão-Deformação Idealizada

Material Elástico Linear – Plástico com Encruamento

O comportamento do material da Fig. 1-9 é

elástico linear até que o limite de proporcionalidade (suposto igual ao limite elástico) é atingido. Acima desta tensão há, em adição à deformação elástica ε E , uma componente de deformação plástica, com encruamento, ε P . A componente de deformação elástica é recuperada ao se remover a tensão. Este modelo descreve o comportamento uniaxial da maioria dos materiais estruturais usados em construção aeronáutica e pode ser

adequadamente representado por uma função analítica de três parâmetros, objeto de estudo da próxima seção.

1.5 REPRESENTAÇÕES DA CURVA TENSÃO–DEFORMAÇÃO POR FUNÇÕES DE TRÊS PARÂMETROS.

Com referência à Fig. 1-9, pode-se considerar a deformação dividida em duas componentes: uma elástica e outra plástica. Em conseqüência, pode-se escrever:

ε = ε

e

+ ε

p

1.11

(1.8)

onde a componente elástica é igual a f / E . Foi verificado em laboratório que a componente plástica pode ser considerada proporcional ao nível de tensão, elevada a uma potência que depende do comportamento do material na região plástica. Em conseqüência, a Eq. (1.8) pode ser rescrita como

ε =

f

f

E

+

C

E

n

(1.9)

Os parâmetros E, C e n são as constantes do material a serem determinadas em laboratório. Diferenciando a Eq. (1.9) e escrevendo a expressão para df /dε , tem-se:

df

nC ⎛ ⎜ f

d

ε

E

=

E

1

+

(

n 1

)

1

(1.10)

Quando f = 0 , a Eq. (1.10) fornece d f /d ε = E . A inclinação da curva na origem, conseqüentemente, é igual ao módulo de elasticidade, e está disponível para qualquer material. C e n poderiam ser determinados a partir de procedimentos padrões de fitting, i.e., métodos que visam minimizar, em dado domínio, os erros entre os valores fornecidos pela função e aqueles obtidos experimentalmente (e.g., mínimos quadrados). É entretanto usual fazer com que a curva da Eq. (1.9) coincida com a curva experimental em dois pontos arbitrários. É de se esperar que a curva empírica seja uma boa representação nas proximidades destes dois pontos e entre os mesmos. Quanto maior o parâmetro n , melhor será a representação na região linear. À medida que se afasta do ponto de tensão superior (no sentido da tensão última) não se deve esperar resultados satisfatórios.

Pode-se adimensionalizar a Eq. (1.9) multiplicando-se ambos os lados por uma tensão de referência. Desta forma, obtém-se:

n

ε E

f

CE

f

E

f

f

E

1

+ C

F Ref

F

Ref

F

Ref

F

Ref

=

+

=

n

1

E / F Ref , onde

F Ref

é

(1.11)

Como três parâmetros são suficientes para definir a função, C poderá sempre ser expresso em termos de E , F R e n. As distintas funções empíricas disponíveis na literatura (ou a sua forma de apresentação) dependem de F R e dos dois pontos de teste escolhidos.

REPRESENTAÇÃO DE RAMBERG E OSGOOD (REF. 1.1).

Neste método, os pontos são escolhidos de forma a que as curvas coincidam nos módulos secantes E s = F 0.7 / ε = 0.7 E e E s = F 0.85 / ε = 0.85 E , como mostrado na Fig. 1-10. Para a maioria dos materiais aeronáuticos foi observado que o ponto com módulo secante de 0.7E está próximo da tensão

de escoamento com offset igual a 0.2% . A tensão de referência é F Ref = F 0.7 . As equações relevantes podem ser facilmente deduzidas em função dos parâmetros E, F 0.7 e n:

1.12

F 0.7 F 0.85 0.85E f E 0.7E ε
F 0.7
F 0.85
0.85E
f
E 0.7E
ε

Fig. 1-10

Idealização de Ramberg & Osgood

C =

n 1 n −

ε E

=

f

1

+

3

f

 

F

0.7

n =

1

+

F

0.7

7

F

0.7

ln17 7 ln F ( F ) 0.7 0.85
ln17 7
ln F
(
F
)
0.7
0.85

E

=

E

 

t

+ (

3

n

n

 
F 0.7

F

0.7

)

n

1

E

=

1

7

)(

f

E

s

1

+ (

+ ( 3 7

3 7

)(

f

s 1 + ( 3 7 )( f F 0.7 ) n − 1

F

0.7

)

n

1

n 1

(1.12)

(1.13)

(1.14)

(1.15)

(1.16)

n − 1 ⎤ ⎥ ⎥ ⎦ (1.12) (1.13) (1.14) (1.15) (1.16) Fig. 1-11 Parâmetro de

Fig. 1-11

Parâmetro de Forma n como função de F 0.7 / F 0.85

1.13

A Fig. 1-11 é uma representação gráfica da Eq. (1.14). As curvas da Eq. (1.13) para diversos valores de n estão representadas na Fig. 1.12. Curvas dando a dependência destes parâmetros em relação à temperatura para uma ampla gama de materiais podem ser encontradas na Ref. 1.2. Tabulações destes parâmetros também são fornecidas nas Refs. 1.3 e 1.4.

parâmetros também são fornecidas nas Refs. 1.3 e 1.4. Fig. 1-12 Curvas Adimensionalizadas de Ramberg-Osgood R

Fig. 1-12

Curvas Adimensionalizadas de Ramberg-Osgood

REPRESENTAÇÃO DE HILL (REF. 1.5).

No método de Hill, os pontos nos quais as duas curvas devem coincidir são aqueles da tensões que correspondem a offsets de 0.1% e 0.2%, respectivamente designados por F 0.1 e F 0.2 , como mostrado na

Fig. 1.13. A tensão de referência é F Ref = F 0.2 . Em função dos parâmetros E, F 0.2 e n’, as seguintes equações podem ser deduzidas:

F

F

0.2

0.1

f

0.001 0.002 ε Fig. 1-13 Idealização de Hill
0.001 0.002
ε
Fig. 1-13
Idealização de Hill

1.14

n ' ⎛ E ⎞ C = 0.002 ⎜ ⎟ F ⎝ 0.2 ⎠ f
n
'
E
C = 0.002
F
0.2
f
f
ε =
+ 0.002 ⎜
⎟ ⎞ ⎟
E
F
⎝ ⎜
0.2
0.30103
n
'
=
log F
(
F
)
0.2
0.1

n '

E

E

t

s

=

=

E

 
F 0.2 E )(

F

0.2

E

)(

 

)

n '

1

1

+

(

0.002 '

n E

f

F 0.2

F

0.2

 

1

+

(

( 0.002 E F 0.2 )( f

0.002 E F

0.2

)(

f

F 0.2

F

0.2

)

n '

1

 

(1.17)

(1.18)

(1.19)

(1.20)

(1.21)

Os parâmetros F 0.2 e n’ foram determinados em função da temperatura para diversos materiais estruturais e são dados na Ref. 1.2.

EQUAÇÃO GENERALIZADA DE BARRETT E MICHAEL (REF. 1.6).

Enquanto Ramberg & Osgood e Hill definiram como tensão de referência a maior das tensões de teste, respectivamente, F 0.7 e F 0.2 , Barrett e Michael preferiram definir a tensão de referência independentemente das tensões de teste. Seja F n a tensão para a qual a curva empírica [Eq. (1.9)] fornece d f /d ε = E t = E / 2 . Da Eq. (1.10), tem-se:

E

1

+

mC ⎜ ⎛ F

n

E

2

=

E

(

m

1

)

1

, ou

mC ⎜ ⎛ F

n

E

(

m

1)

=

1 , donde,

C

=

1

F

n

m

E

(

m

1)

Substituindo na Eq. (1.11) e simplificando, tem-se:

ε

E

f

1

f

F

n

F

n

m

F

n

=

+

m

que pode também ser escrito na forma

ε

=

f

E

⎡ ⎢

⎢ ⎣

1

+

1

m

⎛ ⎜

⎜ ⎝

f

F

n

⎟ ⎠

m

1

(1.22)

(1.23)

A Eq. (1.22) está representada na Fig. 1-14 para diversos valores de m (veja Ref. 1.7).

1.15

Fig. 1-14 Curvas Adimensionalizadas de Barrett-Michael O módulo tangente pode ser obtido da derivação e

Fig. 1-14

Curvas Adimensionalizadas de Barrett-Michael

O módulo tangente pode ser obtido da derivação e manipulação da Eq. (1.23):

E t

=

E 1

⎢ ⎣

+ ⎜

⎝ ⎜

f

⎞ ⎟

F

n

⎟ ⎠

m

1

⎦ ⎥

1

e pode ser também apresentado na forma adimensional

Ef

f

f

f

E F

t

n

F

n

F

n

F

n

=

+

m

(1.24)

(1.25)

As Eqs. (1.24) e (1.25) estão representadas nas Figs. 1-15 e 1-16, respectivamente (veja Ref. 1.7).

O

E

módulo secante também pode ser obtido diretamente da Eq. (1.23):

s

=

E

1

+

1

f

m

F

n

m

1

(1.26)

Das Eqs. (1.24) e (1.25) pode ser derivada uma relação simples entre E s e E t :

E

1

E

E

s

m

E

t

1

=

1

1.16

(1.27)

Fig. 1-15 Curvas Adimensionalizadas de Barrett-Michael – E t / E Fig. 1-16 Curvas Adimensionalizadas

Fig. 1-15

Curvas Adimensionalizadas de Barrett-Michael – E t / E

Adimensionalizadas de Barrett-Michael – E t / E Fig. 1-16 Curvas Adimensionalizadas de Barrett-Michael –

Fig. 1-16

Curvas Adimensionalizadas de Barrett-Michael – (f / F n )(E / E t )

1.17

O coeficiente de Poisson, cuja representação gráfica está mostrada na Fig. 1-17 (veja Ref. 1.7), pode ser obtido substituindo a expressão de E s na Eq. (1.5):

ν

=

m − 1 1 ⎛ f ⎞ ν + ν ⎜ ⎟ e p ⎜
m − 1
1
f
ν
+
ν
e
p
m
F
n
m − 1
1
f
1 +
m
F
n

(1.28)

f ⎞ 1 + ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ m F ⎝ n ⎠ (1.28) Fig. 1-17

Fig. 1-17

Curvas Adimensionalizadas de Barrett-Michael - ν

1.18

O valor de m, a característica do material, pode ser encontrado por procedimentos padrões de ajuste de

curvas (e.g., mínimos quadrados), se a curva tensão-deformação inteira é conhecida. Entretanto, como

já mencionado, m normalmente é determinado obrigando-se a curva analítica a passar por dois pontos

arbitrários da curva experimental (pontos de teste), pontos estes necessariamente definidos na região plástica. Sejam (ε A , f A ) e (ε B , f B ) estes pontos. Substituindo os valores correspondentes a cada um destes pontos na Eq. (1.23), dividindo as duas equações entre si e rearranjando os termos, obtém-se:

m =

⎛ ε ⎞ ⎛ ε − f E ⎞ p B B B ⎜ ⎟
ε
ε
f
E ⎞
p
B
B
B
log ⎜
log
ε
f
E
ε
p
A
A
A
=
⎛ f
⎛ f
B
B
log ⎜
log ⎜
f
f
A
A

(1.29)

onde ε pB e ε pA são as deformações plásticas permanentes correspondentes a f B e f A , respectivamente.

Conhecido o valor m da característica do material, a tensão de referência F n é dada por:

F

n

=

f

A


f

A

m

ε

p A

E


1

m

1

= f

B


f

B

m

ε

p

B

E

1

m

1

(1.30)

Dois ábacos para a determinação, respectivamente, de m e F n , pode ser encontrado na Ref. 1.7. Este ábaco está reproduzido na Fig. 1-18 (note que na Ref. 1.7 os pontos B e A são designados, respectivamente, pelos subscritos R e R’ e as deformações referidas são aquelas plásticas, e não totais).

referidas são aquelas plásticas, e não totais). Fig. 1-18 Ábacos para a determinação de m e

Fig. 1-18

Ábacos para a determinação de m e F n .

1.19

A precisão dos resultados obtidos das curvas generalizadas depende de quão próximas estiverem

as tensões de teste f A e f B das tensões para as quais se deseja os dados. Maior precisão é obtida

quando o valor da tensão para a qual se quer os dados está entre as duas. Isto pode ser observado

pelas simulações reportadas na Ref. 1.8, para um aço e uma liga de alumínio. Em cada simulação foram

escolhidos três conjuntos distintos de pontos de teste e as curvas resultantes são comparadas à curva

real do material num único gráfico, permitindo uma visualização da precisão.

A variação no módulo causa somente pequenas variações em F n . Por exemplo, para

m = 10 ,

variações de 20% no módulo produzem mudanças em F n de menos de 2½ por cento.

1.6 EXEMPLOS

1. Deseja-se determinar a equação de uma Liga Clad de Alumínio cujos dados são fornecidos:

ε pA = 0.001 m/m; f A = 356 MN/m 2 ; ε pB = 0.002 m/m; f B = 370 MN/m 2 ; E = 68000 MN/m 2 ; ν e = 0.33

Os pontos de teste fornecidos são identificados como aqueles utilizados no método de Hill, de maneira que a Eq. (1.19) fornece

0.30103 n'= = 17.97 ≈ 18 log 370 356
0.30103
n'=
=
17.97
18
log 370 356

A equação solicitada é fornecida pela Eq. (1.18), ou seja,

ε

=

f

68000

+ 0.002

f

370

18

O

ε

p

B

=

0.002

=

2 ;

f

B

=

370

ε

A

p

0.001

f

A

356

problema pode também ser resolvido usando a formulação de Barrett-Michael:

= 1.039

A linha reta entre os pontos 2 e 1.039, respectivamente, nas réguas da esquerda e da direita do

primeiro ábaco da Fig. 1-18, intercepta a régua central em m = 18. Calculando, agora,

m

ε

B

E

18 x 0 002 x 68000

.

=

f

B

370

= 6.62

A reta entre os pontos 6.62 na régua esquerda e 18 na régua direita do segundo ábaco da Fig. 1-18

intercepta a régua central em F n / f B = 0.895. Em conseqüência,

F

n

= 0.895 x 370 = 331

MN/m 2

e a equação procurada é dada pela Eq. (1.23):

ε

=

⎡ ⎢

f

1

f

68000

18

331

1 +

17

1.20

2.

Pede-se qual o nível de tensão f correspondente a uma deformação total ε = 0.010 para o material do exemplo 1.

Dos resultados do exemplo 1, pode-se escrever:

f

f

68000

370

+

0.002

18

0.010

=

0

Esta equação pode ser resolvida para f, entre outras, das seguintes formas:

Programando-se numa calculadora (cuidado

verifique os resultados);

Traçando a curva ε vs f e identificando o ponto onde esta curva intercepta o valor ε = 0.010;

Utilizando a Fig. 1.12 adequadamente;

Por tentativa e erro, calculando a expressão para valores de f e ajustando para menos ou mais,

respectivamente, se o sinal do resultado for positivo ou negativo; Por um método iterativo de relaxação.

Seja f(x) = 0 uma equação qualquer. É sempre possível reescrever esta equação na forma x = g(x). Aliás, a função g(x) pode assumir várias formas alternativas. Por exemplo, no problema em questão, poder-se-ia escrever:

f =

⎣ ⎢ 370

68000 0.010

0,002

f

18

ou

f

= 370

⎢ ⎣ ⎦

f

0.010

68000

0.002

1 18

Multiplicando ambos os lados da equação x = g(x) por (1 – α), onde 0 < α < 1 é um parâmetro definido pelo usuário, e rearranjando os termos convenientemente, obtém-se a equação de iteração:

x (

k

+ 1

)

= α x

()

k

+

(

1

α

)

g(

x

(

k

)

)

, onde k representa o número da iteração.

Se α = 0, a convergência é rápida, mas a possibilidade de divergência no processo é alta. Por outro lado, se α é próximo de 1, a convergência poderá ser lenta lenta, mas o controle sobre a divergência é muito maior (em alguns casos já tive que usar α = 0.999 para obter convergência!)

Usando g( f ) como a primeira das alternativas dispostas acima, utilizando α = 0.9 e especificando como ponto inicial f (0) = 370, obtém-se, após 4 iterações, f (4) = 386 (com 3 significativos corretos)

O valor procurado é, então, f = 386 MN/m 2

Resolvendo o problema usando, alternativamente, a metodologia de Barrat-Michael, tem-se

ε E

0.010

x 68000

=

F

n

331

= 2.05

Para este valor e interpolando para m = 18, a Fig. 1-14 fornece f / F n = 1.17. Portanto, f = 387MN/m 2

3. Pede-se qual o nível de tensão f correspondente f / E t = 0.03 , para o material do exemplo 1.

A Eq. (1.20) pode ser escrita como

f

E

t

= f

1

+ ⎜

0.002 '

n

E

⎛ ⎜ ⎜ ⎝

f

F

0.2

F

0.2

n '

1

E

=

0.03 ou

f

=

1.21

0.03 x 68000

1

+ ⎜

0.002 x 18 x

68000 ⎞ ⎛

f


370

370

17

Esta equação poderia ser resolvida numa calculadora ou através do método de relaxação explicado no exemplo 2. Aqui, entretanto, o problema será resolvido fazendo uso das curvas generalizadas. Usando os valores calculados no exemplo 1., calcula-se:

f

E

=

0.03 x 68000

= 6.16

E

t

F

n

331

Usando este valor e interpolando para m = 18 na Fig. 1-16, obtém-se, f / F n = 1.09. Portanto,

f = 1.09 x 331 = 361 MN/m 2

4. Pede-se E t e ν correspondentes à tensão f = 320 MN/m 2 , para o material do exemplo 1.

As Eqs. (1.20), (1.21) e (1.5) (com ν p = 0.5 – suposto processo iso-volumétrico) fornecem

E

E

t

s

=

=

68000

1

+

0.002 x 18

68000 ⎞ ⎛ 320

370

370

17

=

43570 MN/m

68000

1

+

0.002

68000 ⎞ ⎛ 320 ⎞ ⎜

370

370

17

=

65946 MN/m

2

ν = 0.5

65946

68000

(0.5

0.33)

=

0.335

2

Utilizando as curvas generalizadas, a solução seria:

f 320

=

F

n

331

= 0.967

Usando este valor e interpolando para m = 18 na Fig. 1-16 fornece

E

t

=

320 x 68000

1.51 x 331

= 43500 MN/m

2

f

E

E

t

F

n

= 1.51

, de modo que

Para f / F n = 0.967 e ν e = 0.33, interpolando para m = 18 na Fig 1-17, obtém-se ν = 0.335

1.7 EXERCÍCIOS

1.1 Derive as equações relevantes do método de Ramberg-Osgood

ε E

=

f

1

+

3

f

F

0.7

F

0.7

7

F

0.7

n −1 ⎤ ⎞ ln17 7 ⎟ ⎥ n = 1 + ⎟ ⎠ ⎦
n
−1
ln17 7
n =
1
+
⎠ ⎦
(
)
ln F
F
0.7
0.85

1.2 Derive as equações relevantes do método de Hill

n ' f ⎛ f ⎞ 0.30103 ε = + 0.002 ⎜ ⎟ n =
n '
f
f
0.30103
ε =
+ 0.002 ⎜
n =
'
E
=
E
F
log F
(
F
)
t
0.2
0.2
0.1

1.22

E

t

=

E + ( 3 n 7 )( f F ) n − 1 1 0.7
E
+ (
3
n
7
)(
f
F
)
n
− 1
1
0.7
E + ( 0.002 ' n E F )( f F ) n ' −
E
+ (
0.002 '
n E
F
)(
f
F
)
n '
− 1
1
0.2
0.2

1.3 Ache as equações que relacionam a tensão de referência de Barrett-Michael, F n , com os parâmetros de Ramberg-Osgood e Hill, ou seja, ache

1.4

a)

b)

F

n

= função

(F

0.7

F

n =

função(

F

0.2

,

,

E n)

E

,

,

n

')

A figura mostra as curvas tensão-deformação em compressão de uma placa de aço inox 17-7
A figura mostra as curvas tensão-deformação
em compressão de uma placa de aço inox 17-7
PH.
a)
Determine os parâmetros de Ramberg-
Osgood deste material a uma temperatura de
800
o F.
b)
Utilizando a representação de Ramberg-
Osgood, determine o módulo tangente deste
material a uma temperatura de 800 o F e tensão
de 130ksi.
c) Compare o resultado do item b) com o
módulo tangente real do material na mesma
temperatura e tensão (construção gráfica).
2
η
k
π
2 E
⎛ t ⎞
F cr
1.5 A tensão crítica de placas é dada por
=
(
12 1 −
é um fator de
2 )
b
, onde
η =
F cr
ν
e
F cr (elástico)

correção de plasticidade,

F cr

(elástico)

=

π

2

E

k

(

12 1

⎜ ⎛

t


ν

b

2 )

e

2

é a tensão crítica elástica, k é o coeficiente de

flambagem que depende do carregamento, condições de apoio e alongamento da placa (comprimento/largura), t e b, respectivamente a espessura e largura da placa e ν e , o coeficiente de Poisson no regime elástico. A expressão para a tensão crítica é aplicável para todos os níveis de tensão uma vez que η = 1 na região linearmente elástica.

π

k

(

12 1

2

ν

2

e

)

b

t


cr

E

A expressão da carga crítica pode ser escrita na forma F

cr

= η ε

cr

E

, com

F cr

ε

=

cr

η ε

para materiais representados pelo modelo de Ramberg-Osgood, como

=

F

0.7

F

0.7

.

2

, e

Para placas longas, simplesmente apoiadas nos quatro bordos, a expressão para η é dada por:

η

=

1 1

⎢ +

4 E

é dada por: η = ⎡ 1 ⎛ 1 ⎢ + ⎢ 4 E ⎣ ⎝

1

1

ν

ν

2

e

2

E

s

E

1

2

3 E

t

s

4

+

2

1

2


, onde

ν

=

0.5

E

s

E

(

0.5

ν

e

)

.

Nestas condições, ache a tensão crítica de uma placa manufaturada de liga Clad Al 2024- T81 e carregada num ambiente de 300 o F tal que ε cr E / F 0.7 = 1. Dados para chapa Clad Al 2024-T81 a 300 o F: E = 10300 ksi, n = 10, F 0.7 = 51.2 ksi

1.23

1.8 REFERÊNCIAS

1.1 Ramberg, W. and Osgood, W. R.: Description of Stress-Strain Curves by Three Parameters, NACA Tech. Note 902, July, 1943.

1.2 Rivello, R. M.: Ramberg-Osgood and Hill Parameters of Aircraft Structural Materials at Elevated Temperatures, Univ. Maryland Dept. Aeron. Rept. 60-1, March, 1960.

1.3 Cozzone, F. P. and Melcon, M. A.: Nondimensional Buckling Curves: Their Development and Application, J. Aeron. Sci., 13(10): 511-517, October, 1946.

1.4 Bruhn, E. F.: Analysis and Design of Flight Vehicle Structures, Tri-state Offset Co., Cincinnati, Ohio,

1965.

1.5 Hill, H. W.: Determination of Stress-Strain Relations from Offset Yield Stregth Values, Naca Tech. Note 927, 1944.

1.6 Barrett, A. J. and Michael, M. E.: Generalised Stress-Strain Data for Aluminium Alloys and Certain other Materials, J. Royal Aeronaut. Soc., 59(539): 152-158, February, 1955.

1.7 ESDU, Generalisation of Smooth Continuous Stress-Strain Curves for Metallic Materials, ESDU Data Item no. 76016, August, 1976.

1.8 ESDU, Construction of Inelastic Stress-Strain Curves from Minimal Materials Data, ESDU Data Item no. 89052, December, 1989.

1.24

CAPÍTULO 2

FLAMBAGEM DE COLUNAS

ÍNDICE DE SEÇÕES

2.1 INTRODUÇÃO

2.4

2.2 ALGUMAS EQUAÇÕES BÁSICAS

2.4

2.3 O MÉTODO DO EQUILÍBRIO NEUTRO

2.5

2.4 A CARGA CRÍTICA DA COLUNA SIMPLESMENTE APOIADA

2.6

2.5 CONDIÇÕES DE CONTORNO

2.9

A) AMBAS AS EXTREMIDADES ENGASTADAS

2.9

B) UMA EXTREMIDADE ENGASTADA, OUTRA LIVRE

2.11

C) UMA EXTREMIDADE SIMPLESMENTE APOIADA, OUTRA RESTRINGIDA ELASTICAMENTE

2.12

2.6 COMPRIMENTO EFETIVO E COEFICIENTE DE FIXAÇÃO

2.15

2.7 MÉTODOS DE ENERGIA

2.22

2.8 O MÉTODO DA CONSERVAÇÃO DA ENERGIA

2.22

A) TRABALHO DAS FORÇAS EXTERNAS

2.22

B) ENERGIA DE DEFORMAÇÃO

2.23

C) O MÉTODO DA CONSERVAÇÃO DE ENERGIA

2.25

EXEMPLO

2.25

2.9 O PRINCÍPIO DO VALOR ESTACIONÁRIO DA ENERGIA POTENCIAL TOTAL

2.26

A) TRABALHO E ENERGIA DE DEFORMAÇÃO

2.27

B) O PRINCÍPIO DO VALOR ESTACIONÁRIO DO POTENCIAL TOTAL

2.29

RESUMO – EXEMPLO

2.30

2.10 CÁLCULO DE VARIAÇÕES

EXEMPLO DE APLICAÇÃO

2.30

2.32

2.11 SOLUÇÃO DA EQUAÇÃO DE 4 A ORDEM

2.33

2.12 POTENCIAL DE CARGAS AXIAIS CONCENTRADAS E DISTRIBUÍDAS

2.35

2.13 O MÉTODO DE RAYLEIGH-RITZ

2.36

EXEMPLO 1

2.38

EXEMPLO 2

2.39

EXEMPLO 3

2.41

2.14 O MÉTODO DE GALERKIN

2.43

2.15 GRANDES DEFLEXÕES EM COLUNAS

2.45

2.16 COLUNAS CARREGADAS EXCENTRICAMENTE

2.48

2.17 COLUNAS COM FORMAS IMPERFEITAS

2.50

2.18 FLAMBAGEM PLÁSTICA DE COLUNAS

2.55

2.19 FÓRMULAS EMPÍRICAS PARA FLAMBAGEM DE COLUNAS

2.64

2.20 EXEMPLOS DE ANÁLISE EM FLAMBAGEM DE COLUNAS

2.65

2.21 EXERCÍCIOS

2.70

2.22 REFERÊNCIAS

2.79

2.2

ÍNDICE DE FIGURAS

2-1

ESTABILIDADE DO EQUILÍBRIO E SUPERFÍCIE DE ESTABILIDADE

2.5

2-2

C OLUNA S IMPLESMENTE A POIADA

2.6

2-3

O COMPORTAMENTO DA COLUNA DE EULER

2.8

2-4

COLUNA COM EXTREMIDADES ENGASTADAS

2.9

2-5

COLUNA EQUIVALENTE DE EULER – EXTREMIDADES ENGASTADAS

2.10

2-6

COLUNA EM BALANÇO

2.11

2-7

COLUNA RESTRINGIDA ELASTICAMENTE

2.12

2-8

COLUNA RESTRINGIDA ELASTICAMENTE - PÓRTICO

2.14

2-9

COMPRIMENTO EFETIVO DE COLUNA SUBMETIDA À CARGA NA EXTREMIDADE E CARGA

DISTRIBUÍDA AO LONGO DO COMPRIMENTO

2.18

2-10

COEFIECIENTE DE FIXAÇÃO DE COLUNA COM APOIO ELÁSTICO

2.19

2-11

COEFICIENTE DE FIXAÇÃO EFETIVO PARA COLUNA COM APOIOS ELÁSTICOS DISTINTOS

EM AMBAS AS EXTREMIDADES

2.20

2-12

CARGA CRÍTICA DE COLUNAS DE SEÇÃO VARIÁVEL

2.21

2-13

TRABALHO DA CARGA AXIAL – DEFORMAÇÕES EM FLEXÃO

2.22

2-14

TRABALHO E ENERGIA DE DEFORMAÇÃO

2.27

2-15

COLUNA COM SUPORTES ELÁSTICOS

2.32

2-16

SISTEMA DE COORDENADAS PARA COLUNA EM BALANÇO

2.35

2-17