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Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa

Lato Sensu em Psicopatologia e Psicodiagnóstico

Trabalho de Conclusão de Curso

e Psicodiagnóstico Trabalho de Conclusão de Curso PSICODIAGNÓSTICO: UM CASO DE TRANSTORNO DE PERSONALIDADE

PSICODIAGNÓSTICO: UM CASO DE TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

UM CASO DE TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE Autora: Poliana Gonçalves Ferreira Orientadora: Thaís

Autora: Poliana Gonçalves Ferreira

Orientadora: Thaís Sarmanho

DE PERSONALIDADE BORDERLINE Autora: Poliana Gonçalves Ferreira Orientadora: Thaís Sarmanho Brasília –DF 2010
DE PERSONALIDADE BORDERLINE Autora: Poliana Gonçalves Ferreira Orientadora: Thaís Sarmanho Brasília –DF 2010

Brasília –DF

2010

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POLIANA GONÇALVES FERREIRA

PSICODIAGNÓSTICO: UM CASO DE TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE.

Artigo apresentado ao Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Psicopatologia e Psicodiagnóstico da Universidade Católica de Brasília como requisito parcial para obtenção do certificado de especialista em Psicologia.

Orientadora: Thaís Sarmanho

Brasília

2010

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Cutter FERREIRA, POLIANA GONÇALVES

Psicodiagnóstico: Um caso de Transtorno de Personalidade Borderline/Poliana Gonçalves Ferreira. Data: 06 de setembro de 2010.

Artigo Universidade Católica de Brasília/ Data: 06 de setembro de 2010. Orientação: Thaís Sarmanho

1. Psicodiagnóstico 2. Transtorno de Personalidade Borderline. SARMANHO, THAÍS.

CDU Classificação

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4 Artigo de autoria de Poliana Gonçalves Ferreira, intitulado “Psicodiagnóstico: Um caso de Transtorno de

Artigo de autoria de Poliana Gonçalves Ferreira, intitulado “Psicodiagnóstico: Um caso de Transtorno de Personalidade Borderline” apresentado como requisito parcial para obtenção do certificado de especialista em Psicopatologia e Psicodiagnóstico do curso de Psicologia da Universidade Católica de Brasília em 23/10/2010, defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada.

Prof.ª Mestre Thaís Sarmanho. (Orientadora) (Psicopatologia e Psicodiagnóstico) (UCB)

Brasília- DF

2010

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Psicodiagnóstico: Um caso de Transtorno de Personalidade Borderline.

O psicodiagnóstico é uma prática recorrente de estudo de caso em Psicologia, independentemente de ser feito em consultórios particulares, escolas, hospitais, ambulatórios e/ou instituições para-educativas. O presente artigo discute a dimensão institucional desse atendimento na medida em que se trata de um dispositivo que, cada vez mais, legitima seu objeto: o conhecimento do psiquismo de quem se expõe aos serviços do psicólogo. Este artigo visa examinar as sutilezas do psicodiagnóstico.O ensaio começa abordando a relação entre a prática do psicodiagnóstico e o debate teórico sobre a doença mental e seu tratamento que tem dominado o panorama da Psicologia e da psiquiatria no século XX. Em seguida, apresenta rapidamente a teoria sobre o Transtorno de Personalidade Borderline, assentando as bases das análises que se seguirão. Então, examina a prática psicodiagnóstica em busca de problemas causados pela tensão entre as determinações impostas por esse processo. Finalmente, argumenta por um debate conclusivo que permite a construção e o progressivo aperfeiçoamento dos parâmetros que devem balizar a prática do psicodiagnóstico.

Palavras-Chave: Estudo de caso. Psicodiagnóstico. Transtorno de Personalidade Borderline;

The psychological assessment is a recurring practice of case study in psychology, whether done in private offices, schools, hospitals, clinics and / or educational institutions-for. This article discusses the institutional dimension of this assistance to the extent that it is a device that, increasingly, to legitimize its subject: the psyche knowledge of who is exposed to the psychologist services. This article aims to examine the subtleties of psychodiagnostic.O essay begins by addressing the relationship between the practice of psychodiagnostic and theoretical debate about mental illness and its treatment that has dominated the landscape of psychology and psychiatry in the twentieth century. Then it introduces the theory of Borderline Personality Disorder, establish the basis of the following analysis. Then, it examines the practice psycodiagnostic for problems caused by the tension between the determinations required by this process. Finally, it argues for a conclusive debate that allows the construction and the progressive improvement of the parameters that should guide the practice of psycho.

Keywords: Case study. Psychodiagnostic. Borderline Personality Disorder.

A avaliação psicológica encontra sua ascensão em torno do final do século XIX e o

início do século XX, época que marcou a inauguração do uso dos testes psicológicos. Sendo

uma técnica utilizada pelo psicólogo com objetivos bem definidos, com fins de encontrar

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respostas a questões propostas anteriormente no encaminhamento ou nas entrevistas iniciais objetivando a solução do problema do caso. (CUNHA,2000).

Teremos

aqui

um

protocolo

de

Avaliação

Psicológica

de

uma

paciente

que

chamaremos de Verônica que foi submetida pela primeira vez a esse tipo de avaliação.

O processo de Psicodiagnóstico ocorreu nas dependências da Clínica Escola de

Psicologia (CEFPA) da Universidade Católica de Brasília (UCB), durante os meses de março a junho de 2010. Sendo este trabalho um dos requisitos para conclusão de grau de especialista do Curso de Pós Graduação: Psicopatologia e Psicodiagnóstico, realizado na UCB, o trabalho visa integrar, através de um estudo de caso, o conteúdo teórico aprendido com a prática diagnóstica.

A metodologia do presente estudo pautou-se nos pressupostos metodológicos do

modelo clínico-qualitativo, utilizando-se de um estudo de caso dentro de uma compreensão psicanalítica. A metodologia de “Estudo de Caso” possibilita o aprofundamento do conhecimento frente a problemáticas específicas, proporcionando rupturas com a percepção

do senso comum e gerando um conhecimento cientifico mais aprofundado (DINIZ, 1999).

Segundo (ROESCH,1999), a metodologia de estudo de caso se caracteriza como estratégia de pesquisa por proporcionar o estudo profundo de fenômenos dentro do seu contexto, sendo adequado aos estudos de processos e a exploração de fenômenos por vários ângulos.

Sendo realizado com a participação de uma paciente psiquiátrica, encaminhada para o processo de psicodiagnóstico a partir da solicitação da equipe de profissionais que a acompanham na instituição psiquiátrica (Centro de Atenção Psicossocial – CAPS). Os instrumentos utilizados foram entrevistas clínicas com a examinada e seus familiares, associadas aos seguintes testes que constituíram o processo do psicodiagnóstico: Escalas Beck, STAXI, HTP( House Tree Person) e Método de Rorschach, analisado e interpretado pelos preceitos da Escola Francesa e sob o referencial teórico psicanalítico. Além disso, um estudo bibliográfico acerca dos indicadores mais expressivos nos protocolos de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline.

O processo Psicodiagnóstico seguiu os passos recomendados pela autora e especialista na área Jurema Alcides Cunha (2000), enquanto a sua realização e operacionalização do processo. Sendo eles: 1) Destacar o objetivo do encaminhamento;2) levantar dados de

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natureza psicológica do sujeito;3)Colher dados da história clínica e pessoal;3)Realizar exame de estado psíquico;4) Levantar hipóteses e definir objetivos da avaliação;5) Criar uma estratégia de avaliação;6) Firmar um contrato psicológico;7) Aplicar testes e técnicas;8)Levantar dados;9)Integrar dados coletados;9)Fazer devolutiva de resultados;10) Finalização do processo Psicodiagnóstico.

A investigação foi feita com base no encaminhamento à Universidade Católica de

Brasília, realizado pela psicóloga do Centro de atendimento Psicossocial (CAPS) Taguatinga.

O documento com os dados básicos da paciente informava como hipótese diagnóstica:

Transtorno de Personalidade histriônica e/ou Transtorno Depressivo Moderado. Sendo o objetivo da solicitação, um diagnóstico diferencial, justificando o motivo do requerimento pela observação clínica da instabilidade e irregularidades do quadro diagnóstico.

O processo de atendimento aconteceu através de dez encontros totais, primeiro utilizando uma entrevista semi-estruturada, em seguida conversamos com filho mais velho da paciente e logo após com seu marido. Munido do conteúdo das primeiras entrevistas, houve um planejamento da bateria de testes que seriam utilizados.

Decidiu-se que seriam utilizados dois testes projetivos: House-Tree-Person (HTP) Teste de Rorschach; e dois testes psicométricos: Inventário de expressão de raiva como estado e traço (STAXI) e as Escalas Beck: BAI,BHS,BDI,BSI Todos os testes regulamentados e aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP).

Após a entrevista inicial, estabeleceu-se hipóteses iniciais que nortearam à escolha dos instrumentos necessários e como e quando seriam utilizados. Optou-se então que seriam utilizados dois testes projetivos de personalidade: HTP e Rorschach e dois testes inventários psicométricos: STAXI e Escalas BECK.

Os testes psicométricos são estruturados, de natureza cognitiva, existindo claramente uma melhor resposta e avalia o desempenho do examinado diante do material apresentado. Os testes projetivos são testes baseados nas abordagens psicodinâmicas, e se constituem por procedimentos mais amplos, no onde as respostas não obedecem escore de certo ou errado . O

examinado fica livre para dizer o que lhe vier ou fazer o que quiser. É o processo de dar vazão

ao inconsciente. (ANZIEU, 1984).

Metapsicologia e Clínica Projetiva

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Em seus aportes teóricos Freud foi levado a elaborar um modelo de funcionamento mental. Desde cedo utilizou o termo metapsicologia mental para designar os aspetos teóricos da Psicanálise. Essa metapsicologia busca dar conta dos fatos psíquicos em seu conjunto, principalmente de sua vertente inconsciente. A metapsicologia freudiana traz os princípios, os modelos teóricos e os conceitos fundamentais da clínica psicanalítica. Sendo um método de abordagem de acordo com o qual todo processo mental é considerado em relação com três eixos: tópica, dinâmica e econômica. (CHARBET,2004)

Em Psicopatologia da Vida Cotidiana Freud (1914) diz que os lapsos da fala, erros, atos sintomáticos, sonhos são os melhores exemplos de conflitos que se produzem entre a luta pela descarga das forças que a isso se opõem. Para Freud os fenômenos lacunares são os sonhos, atos falhos, parapraxias e sintomas. (CHARBET,2004)

O ponto de vista econômico considera a energia psíquica sob um ângulo quantitativo.

Esse ponto de vista econômico se baseia em como circula essa energia, como ela é investida e se divide entre as diferentes instâncias, os diferentes objetos ou as diferentes representações psíquicas. (CHARBET,2004)

A energia das pulsões e das forças repressoras que estão por trás dos fenômenos mentais está em constante movimento. Algumas pulsões são mais fortes e mais difíceis de reprimir, mas podem sê-lo se as contra-forças forem igualmente poderosas. As pulsões são constituídas pelas representações e pelos afetos que lhes estão ligados.

A percepção

As primeiras concepções de Freud sobre a percepção, nos anos 1891-1899, revelam tanto as características da teoria empirista como sensorialistas e associacionistas, (vestígios de sua formação médica).Um percurso pelos textos posteriores de Freud, sugere, cada vez mais, que as percepções são regidas pela dinâmica psíquica e não podem ser simples reflexo da realidade externa. (CHARBET,2004)

É nessa dialética de dentro e fora que o sujeito irá se desenvolver. A ligação entre

consciência e percepção é tão forte que em seu texto Projeto de uma psicologia Cientifica

(1895), Freud colocou-os num único sistema, onde se opõe aos sistemas pré-consciente e inconsciente. (CHARBET,2004)

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A concepção tópica do aparelho psíquico foi mudando ao longo de sua obra. O

primeiro esquema topológico do aparelho psíquico está descrito no capitulo VII da Interpretação dos Sonhos (1900) e no ensaio sobre O Inconsciente (1915). (CHARBET,2004)

É no capítulo VII da Interpretação dos Sonhos que Freud formula a primeira tópica. Nesse texto Freud fala de um psiquismo composto por dois grandes sistemas: inconsciente e pré-consciente/consciente que são separados por uma barreira que através do mecanismo de recalque expulsa e mantêm certas representações fora do sistema consciente, mas essas representações exercem uma pressão para tornarem-se conscientes e ativas.

(CHARBET,2004)

Ocorre então um jogo de forças, entre os conteúdos reprimidos e os mecanismos repressores. Como resultado desses conflitos há a produção das chamadas formações do inconsciente como os sintomas, sonhos, lapsos e chistes. (CHARBET,2004)

O ponto de vista dinâmico, Freud designa os fenômenos mentais como sendo o

resultado da interação e de contra-ação de forças mais ou menos antagônicas “o jogo das pulsões”. As pulsões são um tipo especial de fenômeno mental. Pode-se dizer então que pulsão é uma necessidade biológica, com representações psicológicas que necessitam ser descarregadas. As pulsões tendem a baixar o nível de tensão através da descarga de forma imediata, mas existem contra-forças que se oporão a essa descarga total. (CHARBET,2004)

O método projetivo na clínica

O método projetivo é utilizado para designar o estudo da personalidade baseando-se

numa dinâmica holística da personalidade, uma estrutura evolutiva onde os elementos se interagem e a pessoa expressa em uma atividade construtiva e interpretativa a fantasia interior. Na medida em que os estímulos pouco ou nada estruturados são apresentados diante do sujeito sua resposta é sempre projetiva, reveladora de sua maneira particular de ver a situação, de sentir e interpretar. (CHARBET,2004)

Essa técnica permite centrar no sujeito, enfatizando o contexto global no qual ocorre o seu comportamento. Desta forma, é possível detectar informações projetivas tanto quando se tratar de fatores sócio-culturais quanto de fatores de variáveis internas, somente assim, entender-se-á a constituição das características psicológicas como um todo.

(CHARBET,2004)

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O método projetivo não se propõe apenas em se deter em medidas dos traços ou a quantificação, mas em compreender o sujeito. Surge assim, com os testes projetivos uma valorização do simbólico. (CHARBET,2004)

Freud foi um dos primeiros a trabalhar com essa elaboração simbólica através da associação livre, em a interpretação dos sonhos (1895), em 1899, formando assim um sistema interpretativo, destacando que o que se encontra no indivíduo não se encontra por acaso.

(CHARBET,2004)

Desta maneira, as técnicas projetivas utilizadas ajudam a captar esse mundo simbólico que, a maioria das vezes é difícil de ser expressado pelo indivíduo em sua linguagem verbal. Assim, podendo ser lido quando na sua projeção excitada pela técnica associativa, facilita o psicólogo a compreensão do problema e sua solução. (CHARBET,2004)

A utilização do método projetivo no psicodiagnóstico psicanalítico aponta para algumas questões: O primeiro ponto diz respeito ao que é o diagnóstico para a psicanálise. Outro ponto refere-se à fundamentação da utilização do método projetivo no contexto de atendimento.

O suporte fundamental para toda relação que implica saber sobre si é a transferência, inclusive para a relação de aplicação do método projetivo. A resposta depende do sujeito colocar o teste em seu campo libidinal ( investe libido), transferêncial (relação paciente – psicanalista) e inconsciente ( seus conteúdos).

A resistência à significação também pode aparecer na aplicação. Neste caso, o psicanalista não dispõe de formas de lidar com ela, pois não há respaldo na relação para isto, as respostas neste caso, falam sobre como o sujeito se defende. O psicanalista então deve buscar outras alternativas para propiciar a fala do paciente.

Sabe-se que desde os primórdios da civilização, o homem se comunica através de traços. Pensando um pouco na nossa história pessoal, podemos nos lembrar que nosso primeiro contato com a escrita se deu através da escola. Nos primeiros anos escolares nos foi ensinado o modelo caligráfico. (ARZENO,1995)

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Ao longo de nossas vidas, fomos modificando essas formas tradicionais da escrita de acordo com as nossas idéias conscientes e as nossas imagens inconscientes que, somadas, determinam a nossa personalidade, ou seja, alguns aspectos da nossa escrita são modificados porque assim o desejamos e outros são modificados sem que tenhamos consciência de seu significado. (ARZENO,1995)

Cada um de nós emprega formas, movimentos, pressão, tamanho e inúmeros gestos diferenciados nos traços que desenhamos no papel, tornando nossa escrita algo singular, tal qual nossa impressão digital. É este "diferente" que denuncia nossa forma única de ser, de nos comportarmos no mundo e de responder (ou não) aos inúmeros estímulos ao qual somos submetidos constantemente. (ARZENO,1995)

O desenho assim como a escrita torna-se uma das primeiras manifestações gráficas da estética e da cultura na história da humanidade, é uma das primordiais formas de expressão deixadas pelos vestígios e produtos culturais, contendo importantes revelações da luta do homem em manifestar sua evolução. (ARZENO, 1995)

É uma forma, digamos, quase arquetípica, que surge como forma de comunicar aspectos do mundo circundante, de sua experiência, sua memória e sua imaginação, em uma relação de espaço-tempo imediato. É um grande esforço de abstração, a partir da socialização e da comunicação, na tentativa de fixar, em um suporte físico duradouro, situado fora do seu próprio cérebro, fragmentos de suas percepções e experiências no mundo. (ARZENO, 1995)

A partir do entendimento de sujeito dividido que iniciam os estudos sobre os testes projetivos gráficos. As técnicas projetivas representam mais uma forma de estudar o ser humano e são instrumentos bem aceitos pelos psicólogos clínicos na investigação de diversos aspectos inclusive da personalidade. Nos testes projetivos a pessoa é solicitada a realizar uma tarefa “desenhe uma casa, por exemplo, como seria no HTP” que permite uma grande amplitude em suas soluções. A suposição que se faz é de que a pessoa irá projetar nessa tarefa suas formas e características de personalidade sobre forma de respostas. (ARZENO, 1995)

Na interpretação de um teste por meio de um desenho utilizando técnica projetiva, o objetivo utilizado pelo examinador está disfarçado e a pessoa que executa a tarefa não sabe quais são os detalhes que serão examinados e nem o que eles representam em termos de personalidade. Dessa forma, reduz a possibilidade do examinando apresentar deliberadamente uma impressão intencional para “enganar” o examinador. (ARZENO, 1995)

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Vale ressaltar que para aplicação, análise e interpretação de quaisquer desses testes de personalidade é necessário um forte embasamento teórico, conhecimento da técnica, prática na interpretação e avaliação dos resultados e, principalmente, conhecer as vantagens e desvantagens do uso destas técnicas como instrumento de avaliação e diagnóstico.

(ARZENO,1995)

De acordo com as normas éticas, a avaliação foi realizada com o consentimento explicito da paciente, que recebeu os esclarecimentos quanto aos objetivos, ao sigilo e ao compromisso com as entrevistas devolutivas ao CAPS e a própria paciente.

O que é Psicodiagnóstico e Avaliação Psicológica?

A avaliação psicológica, apesar de ser um procedimento recente na psicologia tem se mostrado eficaz e necessário, possuindo diversos modelos. Sua ascensão se deu no século XX, influenciada pelas principais correntes comportamentalistas, psicanalíticas e cognitivistas da época. Aqui neste trabalho utilizaremos o Psicodiagnóstico que é uma avaliação psicológica feita com propósitos clínicos, utilizando-se de testes e outras estratégias para avaliar o sujeito de forma sistemática e cientifica (CUNHA, 2000).

O Psicodiagnóstico é um procedimento que alvitra a visualização das forças e fraquezas na psicodinâmica do sujeito, com o foco na existência ou não de psicopatologia:

Psicodiagnóstico é um processo cientifico, limitado no tempo, que utiliza técnicas e testes psicológicos (input), em nível individual ou não, seja para entender problemas à luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar aspectos específicos, seja para classificar o caso e prever seu curso possível, comunicando os resultados (output), na base dos quais são propostas soluções se for o caso. (CUNHA, 2000, p.26)

Na mesma época, houve também grandes descobertas na área da biologia, onde se começou a observar a correlação entre as síndromes e a modificações morfológicas. A psiquiatria passa então a estudar as síndromes e tentar associá-las a deformações no sistema nervoso central, onde surge então Kraepelin, que revoluciona a psicopatologia, sistematizando a primeira classificação dos transtornos mentais, ganhando destaque por ser a primeira obra que descreve nosologias e o diagnóstico diferencial de diversas psicopatologias.

(CUNHA,2000)

O trabalho de Kraepelin foi o precursor dos manuais que atualmente trabalhamos como o DSM-IV, que é a edição mais recente da Classificação oficial dos Estados Unidos, que prevê uma avaliação multiaxial. E O CID-10 (Código Internacional de Doenças) desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é a mais utilizada na

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Europa e no Brasil. (CUNHA,2000) .Sendo uma ferramenta indispensável para o psicólogo que trabalha com psicodiagnóstico, devido a importância de se estar trabalhando em conjunto com outros profissionais de forma participativa e comunicativa.

Cabe destacar também o período significativo da história que foi a Segunda Guerra Mundial, não só pela suas repercussões mundiais, como também sobre a evolução da Psicopatologia. Nessa época surge em destaque também as obras do pai da psicanálise Sigmund Freud, que distingue neuróticos e psicóticos de transtornos orgânicos. O psicodiagnóstico então cria raízes na psicanálise que lhe ofereceu um novo olhar para o entendimento e a classificação dos transtornos mentais, antes visto pelo olhar unicamente médico.

O que é psicopatologia?

A psicopatologia de forma simplista pode ser vista como um vasto depósito de conhecimento que se refere ao adoecimento mental do sujeito humano, ou melhor, que busca entender, elucidar, desmistificar e elucidar essas patologias. (DALGALARRONDO,2008).

Campbell 1986 (apud Dalgalarrondo,2008,p.27) define a psicopatologia como: “ ramo da ciência que trata da natureza essencial da doença mental, suas causas , as mudanças estruturais e funcionais associadas a ela e suas formas de manifestação.” Com sua origem na medicina, a psicopatologia atualmente se encontra mais humanística, após ter sofrido influências da filosofia e da psicanálise.

Karl Jaspers(1883-1969) ( apud Dalgalarrondo,2008) um dos autores mais reconhecidos da área psicopatológica, fala da relevância da ciência, colocando-a como apropriada para auxiliar psiquiatras e os profissionais da saúde mental. Jaspers adverte para o erro em querer reduzir o homem a sua patologia, pois em todo individuo há algo que não se revela, afirmando então os limites da psicopatologia.

Pela Resolução Nº 25/2001 do Conselho Federal de Psicologia, os testes psicológicos são instrumentos de função privativa do Psicólogo como define a Lei Nº4.119 de 27/08/62 (alínea “a”, do parágrafo 1º do artigo 13). Pasquali (1999) observa que os instrumentos psicológicos (testes, escalas, questionários) como os conhecemos atualmente, representam a expressão cientificamente apurada de qualquer organismo, biológico ou social, a saber, o de avaliar as situações para

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tomar decisões que garantam a sobrevivência do próprio organismo, bem como seu auto- desenvolvimento. Considera-se o teste psicológico uma medida objetiva e padronizada de uma amostra de comportamento. Os testes psicológicos como nas demais ciências, são realizados por uma amostragem, cuidadosamente escolhida de um comportamento do indivíduo.

Segundo a Resolução Nº 012/00 do Conselho federal de Psicologia, são considerados como procedimentos confiáveis aqueles que apresentam alto grau de precisão e validade. Pela Resolução Nº 002/03 do Conselho Federal de Psicologia, são considerados testes psicológicos em condições de uso, aqueles que, após receber parecer da Comissão Consultiva em avaliação psicológica, for aprovado pelo Conselho Federal de Psicologia. Sendo todos da bateria, avaliados, reconhecidos e aprovados pelo órgão. House-Tree-Person, mais conhecido como HTP é um teste de personalidade que foi criado por Jonh Buck em 1948 sendo um teste gráfico, verbal e projetivo. Esse teste se baseia em pedir ao avaliado que desenhe uma casa, uma árvore e uma pessoa. Esses desenhos podem ser acromáticos ou cromáticos, sendo seguidos de um inquérito. A forma utilizada por esse trabalho foi acromática.

As Escalas Beck foram criadas por Beck e se dividem em 2 inventários e 2 escalas. São elas:

BAI- Inventário de Ansiedade: que avalia a intensidade da ansiedade do avaliado. Composto por 21 afirmações na qual o sujeito tem que avaliar o quanto cada um dos sintomas descritos tem a ver com a sua vida, numa escala que vai de 0 a 3.

BDI- Inventário de Depressão: que se dispõe a avaliar a presença de comportamentos depressivos. Composto com 21 afirmações que possuem respostas alternativas que serão escolhidas pelo sujeito numa escala de 0 a 2, dependendo da vivência do sujeito com a mesma.

BHS- Escala de Desesperança: que avalia a projeção que o avaliado tem sobre a vida futura e o seu índice de pessimismo. Composto de 20 itens que possuem respostas alternativas de certo ou errado, que devem ser marcadas seguindo a vivência e proximidade do sujeito com os temas.

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BSI- Escala de ideação Suicida: que avalia a probabilidade do sujeito de cometer suicídio. Composto por 21 afirmativas que devem ser enumeradas de 0 a 2. As primeiras 19 medem a intensidade dos desejos, atitudes ou planejamento de suicídio, e os itens 20 e 21 investigam a existência de fatos anteriores de tentativas.

O STAXI- Inventário de Expressão de raiva como estado e traço, criado por Charles Spielberger. É considerado um teste de personalidade que avalia através de escolhas situacionais a raiva enquanto traço ou estado. Composto por três partes: 1)Como eu me sinto agora, com 10 afirmativas com quatro opções de respostas que devem ser marcadas de 1 a 4, dependendo da concordância; 2)Como eu geralmente me sinto, com 10 afirmativas que devem ser marcadas de 1 a 4 dependendo da concordância; 3) Quando estou com raiva ou furioso, com 44 afirmativas, que devem ser marcadas de 1 a 4, dependendo da concordância;

O Rorschach, conhecido também como teste das manchas de tinta, foi criado por Hermann Rorschach em 1911. Após anos de estudo e aplicações, Rorschach firmou-se como um dos testes projetivos mais utilizados quando nos referimos à avaliação psicológica, por revelar em seus resultados a capacidade de detectar traços ou estilos de personalidade. Composto de 10 pranchas com manchas pouco estruturadas de tintas padronizadas pelo autor, sendo cinco acromáticas e cinco cromáticas que são mostradas ao examinado e lhe perguntado sobre o que aquelas manchas lhe parecem. O referencial para análise qualitativa e quantitativa dos resultados utilizada foi a técnica da Escola Francesa (Traubenberg,1998) e o Atlas de Monique Augras.

A seqüência da aplicação dos testes, também foi pensada de forma estratégica, levando em consideração tempo necessário para administração, grau de dificuldade, estado físico e psicológico da paciente como também a mobilização ansiogênica dos mesmos. O que está de acordo às idéias de Ocampo e colegas in (CUNHA, 2000).

Primeiramente foi aplicado o HTP, que é um teste breve e familiar à paciente, visto que são pedidos desenhos fáceis e do cotidiano da mesma, sendo considerada também como uma técnica gráfica, que segundo Cunha (2000), é um teste apropriado e recomendável para se iniciar uma bateria.

Em um segundo e terceiro momentos foram aplicados o STAXI e as Escalas Beck.

se são previstas

Procedimento esse apoiado na opinião de Cunha (2000) que nos fala: “

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técnicas projetivas e psicométricas é conveniente alterná-las”. E para finalizar, aplicou-se o Rorschach, um teste que depende de mais tempo e possui maior caráter mobilizador.

Depois de selecionada e aplicada à bateria de testes, o psicólogo detém em suas mãos, resultados que devem ser associados com a entrevista inicial, observações clínicas e história pessoal, objetivando uma integração dos dados e a determinação de inferências sobre o caso estudado, que serão base para decisões e recomendações terapêuticas.

O caso

Identificação da paciente avaliada

Nome: Por questões éticas, usaremos outro nome, aqui a paciente será chamada de Verônica.

Idade: 35 anos

Profissão : Fotógrafa ( atualmente parada)

Nível socioeconômico : Classe Média.

Verônica veio ao CEFPA encaminhada pela psicóloga responsável do CAPS Taguatinga, através de um documento que tinha as seguintes informações: Paciente apresenta crises dissociativas, humor rebaixado persistente, ideação suicida e possível histórico de psicose pós-parto. Suspeita de diagnóstico: Personalidade Histriônica F.60.4 e/ou Transtorno do humor com Episódios Depressivos. F 32.1.

Descrição e exame psíquico

Verônica é uma mulher de 35 anos, casada, com três filhos, com nível médio de escolaridade, que reside em uma cidade do entorno de Brasília. Seu padrão de vida é considerado satisfatório atualmente, dadas as condições socioeconômicas do lugar.

Veste-se de maneira informal, porém com características diferentes a cada sessão, algumas vezes chegava maquiada, cabelos bem penteados e roupa impecável e outras parecia com roupas amassadas, chinelo nos dedos e aparentando nenhuma preocupação com a aparência.

Seus horários de chegada a clinica escola, CEFPA eram inconstantes também, às vezes chegava com muitos minutos de antecedência e em outros chegava faltando 10 minutos para o fim, sem contar as inúmeras faltas sem justificativa. Ao ler esse relato, é possível ter a

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impressão de que trata-se de duas pessoas, ou de duas épocas diferentes, mas esse era o funcionamento de Verônica, sempre que ia atendê-la , esperava por qual Verônica eu iria me deparar para trabalhar, a Verônica depressiva, lentifificada que parecia estar vivendo com um fiapo de vida ou a Verônica elegante, cheia de vida e assuntos para me contar.

Sua fala variava, em dias era monótona, lentificada e chegava às vezes ser ecolalica, em outros dias apresentava uma voz sedutora, rápida, as palavras saiam como muita facilidade e seus pensamentos pareciam fluir sem qualquer preocupação, apresentando um rico vocabulário.

Seu pensamento era congruente em sua forma e conteúdo, velocidade normal, nexo entre as idéias e o juízo conforme a realidade. Seu comportamento sempre variante, em algumas sessões se apresentava sonolenta, musculatura rígida e lentificada e em outros estava agitada, produtiva, carregada de emoção, se demonstrava capaz de enfrentar qualquer desafio.

O vínculo terapêutico se estabeleceu rapidamente, Verônica logo começou a falar sobre assuntos mais íntimos de sua vida, o que me fazia suspeitar que ela nunca tinha tido um espaço para ser escutada, como um ser sofredor que merece de atenção e cuidado.

Hipóteses e perguntas iniciais

Os dados coletados já permitiram rejeitar e criar certas hipóteses. Primeiramente deve-se levar em consideração que os diagnósticos oferecidos no encaminhamento estavam congruentes com os primeiros dados coletados na entrevista inicial.

Os dados coletados com Verônica, ela mostrava uma personalidade muito inconstante e dependente, com a presença de um histórico de vida conturbado e marcado por violências de todos os gêneros. Havendo talvez uma ligação desses fatos com o surgimento de seus sintomas, incluindo um quadro depressivo também, por observarmos seu humor rebaixado, sua desesperança e suas tentativas de suicídio relatados na entrevista e pela perda de um ente próximo.

Algumas hipóteses surgiram frente ao caso. Será que Verônica teria uma personalidade histriônica? E aqueles sintomas poderiam ser conversivos? Dramatização? Ou estaríamos em um caso de depressão? o que justificaria seu humor rebaixado, seu pessimismo com a vida e sua tentativa de acabar com o sofrimento da sua vida? Mas, como entender o comportamento impulsivo e imprevisível de Verônica?Também nos atentamos para

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novamente a ideação suicida, os pequenos cortes que fazia em seu corpo, sua ambivalência emocional.

Com mais estudos e observação do caso, chegamos talvez, a principal indagação: Será que esses sintomas poderiam ser explicados pela presença de um Transtorno de Personalidade Borderline? Já que a depressão é uma complicação comum nesse tipo de transtorno. Considerando as primeiras hipóteses levantadas se excluiu fatores orgânicos. Parece que chegamos a uma hipótese e cabe agora fazer um plano de avaliação para assegurar realmente um diagnóstico preciso do caso.

A entrada do Transtorno de Personalidade Borderline nas classificações médicas é bastante atual, datada por meados da década de 50. E foi a partir desse momento que os profissionais da área de saúde mental, têm ido em busca do entendimento da dinâmica desse transtorno, como também a habilidade de desenvolver táticas e estratégias para o seu tratamento. (OUTEIRAL,1993).

o

aumento dos pacientes Bordelines que chegam ao consultório atualmente, visto o anterior predomínio das psiconeuroses.

Diversos autores entre eles André Green (apud Outeiral,1993), tem destacado

Os Bordelines são sujeitos que possuem graves danos nas funções do ego, em sua adaptação as exigências ambientais e em suas relações objetais. São pessoas instáveis, tendem ao acting-out, para preencher o vazio que os atormenta, agindo de forma impulsiva o que proporciona a descarga imediata de suas pulsões. (OUTEIRAL, 1993)

Momentos tensos e instáveis podem levá-los a ter episódios psicóticos passageiros. Outeiral (1993) destaca que casos mais leves, estão próximos da neurose e os mais graves dos psicóticos, porém a maior incidência dos casos está na borda dessas duas estruturas.

Otto Kernberg (apud OUTEIRAL,1993), afirma que a psicodinâmica de um Borderline é composta por uma falta na formação da autonomia primária, baixa tolerância à ansiedade, exagerado desenvolvimento dos impulsos agressivos e um estilo vivencial que produz um excesso de frustração a esse índividuo.

No tratamento o sujeito Borderline, possui características amplas, porém com algumas peculiaridades segundo Litvin in (OUTEIRAL, 1993,p.9) como: “a) aspectos dinâmicos-

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transferências rápidas e prematuras;graves regressões transferênciais e predomínio ou condensação dos conflitos pré-edípicos ”

Na avaliação de casos com uma estrutura ou organização Borderline, o profissional deve estar atento não só para fatores dinâmicos ou genéticos, mas também para os conceitos de estruturas psíquicas. Deve-se então estar atento para três critérios principais de acordo com Kernberg in (OUTEIRAL,1993): “1) difusão de identidade;2) Predominio de defesas baseadas na dissociação e 3) conservação da prova de realidade.”

Kernberg ainda se refere a outros critérios importantes para serem analisados antes de se diagnosticar uma organização Borderline de personalidade: 1)manifestações não especificas de debilidade do ego (falta de controle dos impulsos, falta de tolerância à angustia e falta de capacidade sublimatória);2) graves perturbações nas relações de objeto;3)sintomas neuróticos múltiplos e crônicos ( como fobias,obsessões e ansiedade);4) falta de integração do superego com tendências anti-sociais;5) predomínio de processo primário , que se evidencia nos testes psicológicos projetivos;6) condensação de conflitos edípicos e pré-edípicos.(

OUTEIRAL,1993)

Para complementar Bernberg in (OUTEIRAL,1993) ainda afirma que três critérios distinguem o Borderline de outras estruturas de personalidade são eles: 1) difusão da identidade, onde o outro não é visto como inteiro e com uma visão simplista de bom ou mau. 2) Defesas primitivas, utilizando-se de identificações projetivas, clivagem do eu, negação e desvalorização;3) É a conservação do juízo de realidade.

Plano de avaliação

Observado a não presença de fatores orgânicos, foi selecionado como primeiro instrumento o HTP, por ser menos ansiogênico. A seguir, utilizados as Escalas BECK e o STAXI, finalizando com o Rorschach um teste mais mobilizador.

História Clínica

Verônica, 35 anos, quinta filha de uma prole de oito. Possui nível médio completo, é casada e tem quatro filhos, três meninos e uma menina. Segundo Verônica, sua infância foi conturbada, não tendo boas lembranças. Seus pais, de origem humilde, não tinham muitas condições financeiras. Há referência à dependência alcoólica por parte do pai, o que teria levado sua mãe a trabalhar para sustentar a

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casa, deixando seus filhos sozinhos. Devido a essa falta de assistência, Verônica relata que ela e seus irmãos sofreram abusos: físicos e sexuais. Quando seu pai estava sob o efeito do álcool agredia de forma contínua ela e os irmãos. A paciente relata que o pai, em dada ocasião, ocasionou uma mutilação em uma das irmãs. Os filhos, então, fugiam ao menor sinal de alteração, dormindo “na casa do cachorro” ou em casa de vizinhos e parentes, onde teriam sido abusados sexualmente. Quando ela tinha 10 anos, seus pais se separaram, depois de muitas brigas e agressões físicas, ocorridas sempre na presença dos filhos. Mudou com a mãe e seus irmãos de cidade após

a desunião, o que alega ter sido responsável por uma melhora na sua qualidade de vida. Aos 12 anos conheceu um rapaz na igreja que freqüentava, seu atual marido, do qual ficou grávida aos 15 anos. Logo após o parto de seu primeiro filho Paulo, Verônica relata ter sentido fortes sentimentos de raiva e tristeza, dificuldades em efetuar tarefas de cuidar de si e do filho, apresentando sentimentos hostis em relação à criança. Agredindo-o fisicamente várias vezes, situação essa que traz culpa e ressentimento a Verônica, que tenta compensar seu filho pelo que sentiu e fez com ele durante a tenra idade. Naquela época, seu marido, “sem saber o que fazer”, contava os fatos à mãe de Verônica que a corrigia com agressões físicas, mesmo já estando casada. Sua adolescência se deu concomitante ao casamento e a gravidez, não tendo, segundo

a mesma, uma adolescência em si. A examinada informa que os sintomas de instabilidade de humor, medo do abandono, dependência, raiva inadequada, problemas com a auto-imagem, impulsividade, duas tentativas de suicídio, automutilação (cortes), começaram a aparecer quando seu pai estava com uma doença terminal e necessitava de auxílio. Nessa época, Verônica já estava casada e com seus quatro filhos, em meados de 2009 e 2010.

Os outros filhos se negaram a cuidar dele e Verônica assumiu a responsabilidade de cuidadora, levando o pai para a própria casa e cuidando dele até o seu falecimento, ocorrido em outubro de 2009. Atualmente, mora com seus quatro filhos e seu marido. Relata crises das quais diz não se lembrar, onde fica exaltada, o corpo tensionado e tem pensamentos suicidas, produzindo duas tentativas, a primeira se jogando frente a carros em uma avenida e a última tentativa de suicídio a levou para a UTI, devido a ter tomado grande quantidade do medicamento Diazepam. Informa que já ficou internada em Hospital Psiquiátrico no ano de 2009 e atualmente faz acompanhamento no CAPS Taguatinga, todas as segundas-feiras onde mantêm acompanhamento

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psiquiátrico e é usuária dos medicamentos: Diazepam, Fluoxetina e Carmabazepina, sendo o último suspenso antes do final da avaliação. Verônica que tem o hábito de atrasar-se, o que me fazia suspeitar que, meu planejamento tinha sido interrompido e que eu iria ter que adiar a aplicação para a próxima sessão. Fiquei esperando-a , quando ela aparece com meia hora de atraso, com um vestido velho, de chinelos e amparada pelo marido. Chamei-a para sala e o marido lhe a auxiliou, ela parecia uma pessoa que tinha sofrido algum acidente e estava convalescendo. Andava com dificuldades, sentia tonturas, estava com o corpo inchado e dizia estar dando leite. Sentou-se na minha frente, guardei todos os materiais da sala, pois percebi que a situação não era apropriada para a aplicação do Rorschach. Sentei-me frente a ela e fiquei em silêncio, quando ela se sentiu então pronta para me relatar o que estava ocorrendo, ela de cabeça baixa, começa a me falar de sua tristeza, de seu sentimento de vazio, que se sentia uma carga para sua família e que não agüentava mais aquele sofrimento todo, que estava bem durante a semana e que tinha piorado naquele dia. Levantou a cabeça, olhando fixamente em meus olhos enormes com sua pupila dilatada e me disse com voz tremula mais forte: “Eu decidi morrer! Estou com um estilete na minha bolsa e vou cortar minha barriga ao sair daqui!”. Frase que me deixou sem reação por alguns segundos, pois realmente nunca tinha passado por uma situação parecida, tentava me lembrar de qualquer teoria, qualquer fala de algum professor que me ajudasse a reverter essa situação e não achava. Sentia-me como se a vida daquela pessoa estivesse em parte nas minhas mãos, sendo ofertada à mim, me sentindo responsável em dizer algo e fazer algo naquele momento em favor de Verônica. Respirei fundo e pedi que ela falasse mais sobre o que estava pensando e sentindo. E aos poucos Verônica foi se acalmando, sua voz já estava suave, havia até um sorriso em seus lábios no final. Ela então pega o estilete e me entrega, diz que talvez ainda fosse se matar, mas não ali e não agora, que eu jogasse fora aquela arma, que ela iria lutar ainda mais um pouco. Saiu andando sozinha, tranqüila, enquanto eu apesar de feliz estava com uma enorme tensão corporal. Verônica compareceu à avaliação na companhia dos seus filhos e esposo e, em algumas sessões, sozinha. A atitude frente à examinadora foi cooperativa, atenta, interessada, franca, sedutora, estabelecendo um considerável nível de rapport. No entanto, vale ressaltar que faltou várias sessões marcadas, alegando “crises” ou “reforma da casa”, ou as vezes sem justificativa alguma. As sessões eram sempre muito ricas de conteúdos e observações, cabe informar que eu, sua avaliadora, sou psicóloga iniciante no processo de Psicodiagnóstico que havia visto tais ocorrências em livros e relatos de profissionais mais experientes. Gostaria de relatar um

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momento em especial, marcante do atendimento do caso, em minha opinião, e que justifica o nome fictício da paciente. Era uma das últimas sessões que faria com Verônica, havia feito meu planejamento de aplicar o Rorschach naquele dia, preparei a sala, o teste, enfim, estava tudo pronto só a espera da paciente para realizar a aplicação. Verônica que tem o hábito de atrasar-se, o que me fazia suspeitar que, meu planejamento tinha sido interrompido e que eu iria ter que adiar a aplicação para a próxima sessão. Fiquei esperando-a , quando ela aparece com meia hora de atraso, com um vestido velho, de chinelos e amparada pelo marido. Chamei-a para sala e o marido lhe a auxiliou, ela parecia uma pessoa que tinha sofrido algum acidente e estava convalescendo. Andava com dificuldades, sentia tonturas, estava com o corpo inchado e dizia estar dando leite. Sentou-se na minha frente, guardei todos os materiais da sala, pois percebi que a situação não era apropriada para a aplicação do Rorschach. Sentei-me frente a ela e fiquei em silêncio, quando ela se sentiu então pronta para me relatar o que estava ocorrendo, ela de cabeça baixa, começa a me falar de sua tristeza, de seu sentimento de vazio, que se sentia uma carga para sua família e que não agüentava mais aquele sofrimento todo, que estava bem durante a semana e que tinha piorado naquele dia. Levantou a cabeça, olhando fixamente em meus olhos enormes com sua pupila dilatada e me disse com voz tremula mais forte: “Eu decidi morrer! Estou com um estilete na minha bolsa e vou cortar minha barriga ao sair daqui!”. Frase que me deixou sem reação por alguns segundos, pois realmente nunca tinha passado por uma situação parecida, tentava me lembrar de qualquer teoria, qualquer fala de algum professor que me ajudasse a reverter essa situação e não achava. Sentia-me como se a vida daquela pessoa estivesse em parte nas minhas mãos, sendo ofertada à mim, me sentindo responsável em dizer algo e fazer algo naquele momento em favor de Verônica. Respirei fundo e pedi que ela falasse mais sobre o que estava pensando e sentindo. E aos poucos Verônica foi se acalmando, sua voz já estava suave, havia até um sorriso em seus lábios no final. Ela então pega o estilete e me entrega, diz que talvez ainda fosse se matar, mas não ali e não agora, que eu jogasse fora aquela arma, que ela iria lutar ainda mais um pouco. Saiu andando sozinha, tranqüila, enquanto eu apesar de feliz estava com uma enorme tensão corporal.

Integração e seleção dos dados.

HTP – resultados e indicações

Em suas relações intimas, revela certa dependência;

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Dificuldades em relação à autonomia;

Tem grande necessidade de apoio e segurança, mostrando-se frágil;

Apresenta comportamentos defensivos e de extrema impulsividade;

Sua auto-imagem preservada;

Vivências depressivas

Exibicionismo;

A ansiedade, vulnerabilidade e insegurança generalizada;

Imaturidade;

Linha tênue com a realidade, tendo a fantasia como refúgio.

STAXI

Tendência a perceber uma maior variedade de situações como irritantes ou provocadoras de raiva e maior propensão a reagirem a estas situações.

Direcionamento da expressão da raiva esta voltada para dentro, sendo contida e vivenciada como uma variação na intensidade do estado de raiva. Neste processo estão implicados sentimentos de raiva voltada para o ego podendo resultar em sentimentos de culpa e depressão.

Propensão a manifestações de comportamento agressivo, podendo a raiva ser expressa através de atos físicos (agredir pessoas, destruir objetos), ou na forma de críticas, insultos, ameaças verbais.

Seu controle de raiva é baixo, o que aponta um baixo investimento de energia no monitoramento e prevenção da experiência e expressão da raiva, o que prejudica um convívio social mais adaptado.

ESCALAS BECK

Escala BDI, apresenta um nível moderado de depressão;

Na Escala BAI, indica o nível grave de ansiedade;

Na Escala BSI, mostra que a examinada admite a possibilidade de suicídio.

E na Escala BHS revela nível moderado de desesperança.

RORSCHACH

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Apresenta uma fragilidade marcada pela incapacidade de precisão do pensamento e pela invasão afetiva sobre o mesmo, em relação ao controle lógico,

Possui recursos cognitivos, porém estes se mostram insuficientes frente a demandas internas que tentem a particularizar o pensamento;

Observa-se com relação ao tipo vivencial um TRI extratensivo;

Tendência a exprimir suas necessidades afetivas de maneira mais direta no meio;

Possui poucos recursos de reflexão e ponderação de suas atitudes, agindo de forma impulsiva;

Apresenta imaturidade de recursos internos de contenção, instabilidade emocional;

Há dificuldade em postergar a descarga impulsiva e de tolerar frustrações;

Existe uma escassez de recursos sublimatórios;

Afetividade marcada pela labilidade e pelo egocentrismo;

Apresenta um núcleo depressivo de base ligado à indicadores de agressividade e impulsividade.

Fundamentação das hipóteses diagnósticas

As hipóteses iniciais centravam-se em um transtorno de personalidade histriônica ou em depressão, vindos do encaminhamento do CAPS, porém ao analisar as primeiras entrevistas, criamos a hipótese diagnóstica de um Transtorno de Personalidade Borderline. No momento sem dúvida, a paciente apresenta e relata sintomas depressivos apreciáveis, bem como também sinais de impulsividade.

Em relação à hipótese de personalidade histriônica e observa-se que não se preenche totalmente os critérios diagnósticos do CID-10 e observou-se nos resultados dos testes que o quadro psicopatológico se trata de algo muito mais complexo do que um quadro exclusivamente depressivo. Quando ao Transtorno de Personalidade Borderline, conseguimos preencher todos os critérios do CID-10 necessários para se diagnosticar o caso, como também os critérios psicológicos e psicanalíticos do mesmo encontrados nos testes já citados e na literatura e que iremos esboçar abaixo.

O psicodiagnóstico mostra-se cada vez mais, um recurso útil para a avaliação mais aprofundada do que chamamos de personalidade, ou melhor dizendo, estrutura ou funcionamento da personalidade. É nesse processo que o psicólogo irá integrar o seu modelo teórico com a psicodinâmica do caso. Esse processo então facilitará o entendimento da complexidade desses

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casos, o que irá resultar em um bom planejamento de ações terapêuticas para o paciente. (Loureiro, 2000 in ALVES, 2008)

Transtorno da personalidade aparece na literatura nomeado de diversas formas:

“insanidade moral, monomonia moral, transtorno ou neurose de caráter” (DALGALARRONDO,2008,p.268), o transtorno de personalidade é marcado por muitos prejuízos. Segundo o CID-10, são definidos pelas seguintes características:

Inicio na infância ou adolescência;

Comportamentos e afetos desajustados;

Descarte de outras patologias orgânicas ou psiquiátricas;

Comportamentos desarmônicos em mais de um ambiente na vida do sujeito;

Prejuízos na adaptação;

Surgimento de alto grau de sofrimento;

Déficits no desempenho ocupacional;

De acordo com Dalgalarrondo (2008 p.269) o CID-10, classifica ainda os Transtornos de Personalidade em três grupos: “ A- esquisitos e/ou desconfiados ; B-instáveis e/ou manipuladores; C- ansiosos e/ou controlados/controladores.” Estando o TPB no agrupamento B.

O diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tem sido muito estudado na área clínica, sofrendo muitas alterações ao longo dos anos. Originalmente o termo Borderline veio do referencial psicanalítico e era usado para se referir a um grupo de paciente que se encontravam na fronteira entre a neurose e a psicose, mas que não se enquadravam nas categorias diagnósticas existentes. Borderline é um termo em inglês que foi traduzido como “Casos Limítrofes” sendo também comumente conhecidos como “ Estados Limítrofes”.

Kernberg in (ALVES, 2008), descreve a organização e o funcionamento de uma personalidade Borderline: um ego frágil, com pouca capacidade para sublimação; dificuldade em lidar com seus impulsos; pensamento que regride ao primário; defesas insuficientes; relações dependentes e patológicas.

Somente a partir da década de 70 e 80, que estudos mais profundos permitiram caracterizar melhor esse quadro patológico, destacando a instabilidade da identidade, da cognição e do afeto. E em 1980 foi incluído no Manual Diagnóstico e Estatístico dos

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Distúrbios Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-III), o que possibilitou sua diferenciação dos quadros de psicoses esquizofrênicas (ALVES,2008 )

Em, 1993, com a modificação proposta pela Classificação dos Transtornos Mentais e de Comportamento, CID-10, Borderline passou a ser incluído entre os distúrbios de personalidade emocionalmente instáveis sob a classificação Tipo Boderline ou Limítrofe. (ROMANO & LOUREIRO,2010 )

Nota-se, então, que foi na década de 90, que os critérios de classificação propostos tanto pelo CID-10, quanto pelo DSM-III-R, se aproximaram o que tornou mais fácil integrar diversas linhas de pesquisa.

O início do TPB segundo Loureiro e Romaro (2010) criam formas na infância, onde a criança passa então a introjetar uma imagem patológica do par parental que estariam marcadas por relações objetais que utilizam- se de defesas primitivas.

A décima edição do Código Internacional de Doenças (CID-10), descreve o TPB

como:

um padrão invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais,

auto-imagem e afetos, e acentuada impulsividade que começa no inicio da idade

]fazem esforços frenéticos percepção da separação ou

para evitarem um abandono real ou imaginário[

adulta e está presente em uma variedade de contextos [

] [

]a

rejeição iminente ou a perda da estrutura externa podem ocasionar profundas alterações na auto-imagem, afeto, cognição e comportamento.(p. 200-201 )

A estrutura de personalidade TPB é caracterizada por relacionamentos invasivos e

instáveis, onde reage com afetos inapropriados à situação quanto a conteúdo e intensidade, possuem também elevada impulsividade que parece dominar seus comportamentos.

O narcisismo em TPB é construído com paredes fracas, permanece frágil. O TPB apresenta uma necessidade de se sentir compreendido, respeitado e amado. O que faz sua imagem frente aos outros como paranóicos. O objeto de desejo do TPB então se torna seu Superego e Ego reserva, pois acaba desempenhando um papel de protetor e proibidor. (BERGERET 1998). O que gera a ambivalência afetiva do Bordeline, que vêem hora o objeto como bom, horas como mau.

O Ego ainda fixado está voltando, segundo Bergeret (1998), na noção corpo-mente,

podendo voltar a esse modo arcaico de utilizar o corpo como sua forma principal de linguagem. Sua baixa tolerância a frustração, estaria ligado a resquícios de frustrações

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infantis, atuando de forma defensiva, com traços de caráter persecutórios a quem possivelmente lhe ameacem de frustrá-los.

Os inúmeros sinais e sintomas e níveis de adaptação, fazem com que o diagnóstico de um TPB se torne muito complexo. Dificilmente há um TPB puro. Sendo facilmente encontrado juntamente com outras patologias como bulimia, anorexia e psicoses além da depressão afirmada por Bergeret (1998,p.122) quando fala :” o perigo imediato contra o qual lutam todas as variantes de estado limítrofes é, acima de tudo, a depressão”. * grifo do autor.

Os Borderlines apresentam uma enorme necessidade de afeto, o que explica o fato de se mostrarem excessivamente sedutores, quase histriônicos. A luta incessante contra a depressão justificaria talvez os momentos em que Verônica aparecia de forma agitada e diferente em algumas sessões.

O profissional ao realizar o psicodiagnóstico de um possível caso TPB é recomendável analisar toda a história de vida do sujeito e estar atento às características da personalidade do mesmo. Os testes, principalmente os projetivos utilizados serviram para mostrar aspectos mais específicos do ponto de vista funcional e estrutural do TPB.

Conclui-se então que ao caso analisado foi de uma paciente que apresentava Transtorno de Personalidade Borderline, pois apresentou indicadores sugestivos de uma estrutura de personalidade imatura e fragilmente organizada. Identificou-se um funcionamento lógico marcado pela invasão afetiva, prejudicando a utilização de seus recursos produtivos. Há o predomínio de afetos intensos, delineados por alta impulsividade e angústia e controles ineficientes, o que favorece sua instabilidade emocional e que a faz agir em pensar.

Sua identidade é pouco integrada, apresentando déficits em conseguir diferenciar o eu/outro. Demonstra presença de um núcleo depressivo, que descarta um possível Transtorno Depressivo do Eixo I, devido à patologia estar relacionada a indicadores de agressividade e sentimentos de vazio, que juntamente com a impulsividade e a baixa tolerância a frustração, favorece a recorrência desses episódios, marcados por uma tonalidade afetiva de raiva e por ideação suicida crônica.

De maneira geral os dados aqui discutidos revelam uma estrutura de personalidade imatura, com sérios comprometimentos que interferem na sua adaptação apropriada e esperada para uma pessoa adulta. Frente a tal instabilidade e elevado índice de atuação foi

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recomendado que a paciente mantenha um acompanhamento contínuo, apesar de estudos apontarem que a aderência desses pacientes ao tratamento continuo são muito baixas (Tanesi,Yazigi,Fiori &Pitta,200 in ALVES,2008 ).

Conclusão

O estudo de caso, como uma forma de pesquisa qualitativa foi importante para que

fosse possível aprofundar mais as questões desenvolvidas neste trabalho, o que ajudou no entendimento do caso e a percepção de como se deve fazer realmente um psicodiagnóstico e diferenciá-lo da Avaliação Psicológica.

O psicodiagnóstico de Verônica foi muito enriquecedor principalmente para a mesma,

pois ela nunca havia passado por uma avaliação, apesar de já ter sido internada em Hospitais

Psiquiátricos e fazer acompanhamento contínuo do CAPS Taguatinga sem qualquer diagnóstico.

O sujeito Verônica não foi escutado para além de sua patologia, durante todos esses

anos de sofrimento, só curaram sintomas e não pararam para escutar o que Verônica tinha a dizer, sobre sua história de vida, sobre sua dor. E curaram sintomas, talvez errados e por isso ela se desesperava por não ver melhora alguma em seu quadro.

A importância do psicodiagnóstico na vida de Verônica, ainda é impreciso, não

podemos afirmar que isso irá mudar a sua vida, realmente não sabemos o que o CAPS, Verônica e sua família irão fazer com os resultados encontrados, é um devir, uma vez que não controlamos o entendimento subjetivo dos envolvidos, mas, acreditamos que só o fato de ela ter sido compreendida , possa abrir caminhos para uma melhor convivência com seu transtorno de personalidade, uma medicação apropriada de seus sintomas e uma melhor relação dela com o meio e com seus familiares que ela tanto estima.

O processo não foi fácil, e acredito que nunca seja. O psicodiagnóstico é um trabalho

delicado e árduo, que requer muito estudo, muita dedicação e um feeling clínico do psicólogo.

Além do controle que temos que ter para não nos deixarmos cegar apenas pela Patologia e rotularmos aquele sujeito com um número do CID-10.

Recomendamos aos psicólogos que trabalham ou estudantes de psicologia que desejam trabalhar com psicodiagnóstico que se aprofundem, que façam cursos e que quando chegarem a frente do seu paciente, que deixem tudo de lado, sejam humildes pois o

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conhecimento sobre o caso está com ser humano ali parado na sua frente. Ele detém todo o poder e cabe a eles decidirem se você poderá ter acesso e trabalhar modestamente sobre esse material.

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